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Prólogo: Despedidas

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Elminster Aumar
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Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Maio 26, 2016 11:51 pm



Prólogo: Despedidas


Um pedaço do teto era de vidro despolido e a luz do dia banhava o cômodo com uma claridade fosca. Fazia frio lá fora, motivo pelo qual Barry tinha ligado o sistema de aquecimento central à vapor de sua mansão. Jack ainda não se acostumara com aquela engenhoca de rico; ele preferia o conforto de uma lareira bem abastecida do que os sacolejos inquietos dos radiadores de transmissão de calor.

- Tem de ser você - disse Barry.

Jack estava sentado do outro lado da mesa oval de jacarandá, de frente para Barry. Havia uma tabaqueira de prata e um porta-cachimbos ao seu lado, junto a uma taça de cristal e uma garrafa contendo um vinho dourado. A cena não era muito diferente das outras vezes em que Jack esteve ali para discutir assuntos importantes, com a exceção do vinho. Jack nunca havia experimentado uma bebida tão doce como aquela. Era exatamente o tipo de raridade que não se vendia em uma cidade como Vicari.

Segundo indicava o ponteiro maior do relógio preso à parede, já se passara vinte minutos desde que aquela conversa teve o seu inicio no escritório de Barry Benneth. Como sempre, o padrinho de Jack começava falando de assuntos corriqueiros e sem real significado, perguntando sobre o que Jack tinha feito nas últimas semanas e que projetos pessoais ele tinha em mente pro futuro. Fazia quase dois meses desde a última vez que Jack conseguira um tempo para vir até a mansão de campo dos Benneth. Era uma viagem de algumas horas até lá e nem sempre ele tinha esse tempo disponível, principalmente nos últimos meses em que suas atividades na Irmandade estiveram em alta.  

- Tem de ser você - repetiu Barry, como se ele tivesse travado uma luta interior durante os segundos em que dissera aquilo pela primeira vez até reafirmar, desta vez com mais convicção, uma segunda vez. - Eu não queria envolvê-lo nisso, Jack, mas você é a melhor pessoa para resolver o caso. E além do mais, eu devo esse favor a um amigo.

Barry toma um gole de sua taça. Jack notou que o rosto de seu padrinho parecia apresentar algumas rusgas que não havia antes. Com um suspiro de quem aprova a bebida, a taça foi depositada de volta sobre a mesa.

- Imagino que você conheça Cornélius, pelo menos de vista - disse Barry, e Jack só podia pensar que ele estava falando do novo prefeito da cidade, eleito no verão passado. - Ele parece um homem duro a quem o vê de fora, mas ele já me ajudou de muitas formas antes, assim como, deixando a humildade de lado, eu também o tenha ajudado em outras oportunidades. Mas ainda me sinto em débito com ele, de modo que eu tenho que atender o seu pedido de ajuda. E a pessoa que preenche todos os requisitos para fazer a coisa que Cornélius necessita e que está ao meu alcance, é você. Não tem outro, Jack. Veja, ele vai pagar bem pelo serviço. É um homem justo nesse aspecto. Mas algo pesa em meu coração por estar te metendo nisso... Não é a mesma coisa do que enviá-lo para tratar com os Ferrinos, entende?

Neste momento a porta do escritório se abre e a cabeça de Leo, o filho mais velho de Barry, surge pela abertura no batente.

- Tem uma carruagem lá fora com dois homens, papa - comunicou Leo com pompa, como se a vida inteira tivesse sido treinado para isso. - Acabaram de chegar e perguntaram do senhor.

Barry deu uma espiada no relógio na parede para ver as horas e os ponteiros marcavam exatamente duas da tarde.

- Obrigado, filho. Peça que eles gentilmente aguardem alguns instantes. - Quando Leo fechou a porta, deixando-os novamente a sós, Barry se voltou à Jack com um olhar como quem tem algo a se desculpar. - A carruagem não é para mim. Ela é para você.



Makaveli Killuminati
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Maio 29, 2016 11:31 pm

Jack escuta pela primeira vez seu nome sendo indicado por Barry, o velho lobo o fazia enquanto brigava com o novo sistema de aquecimento. O gatuno se aconchega na poltrona entrelaçando os dedos da mão sobre a mesa, inclinando-se pra frente. O assunto que começava provavelmente era um daqueles que que seria segredo dos dois.

Barry sempre enrolava um pouco até chegar ao assunto que desejava, provavelmente para não gerar desconfiança, ou para deixar Jack mais confortável. Jack não se importava, a companhia de Barry era agradável e sempre regada a bons vinhos. Os últimos meses haviam sido agitados, mas Jack também guardava segredos de Barry, portanto sempre retoma o assunto para os negócios de Barry que Jack cuidava na cidade, e contando fatos bizarros com clientes estranhos.

Outra vez Jack tem seu nome indicado por Barry, muito mais convicto agora. Jack da um longo gole na taça de vinho deixando apenas uma película púrpura no fundo da taça. - Está bem, padrinho. - Jack confirmava com seu padrinho de que não se importava se fosse ele necessário para fazer alguma tarefa, mas havia algum motivo por trás de suas hesitações. Finalmente Barry começava a desembuchar, revelando um pouco do quê se tratava, mas não o suficiente. - Desembucha padrinho... Do quê se trata? - A porta do escritório se abre interrompendo o assunto.

Jack volta a aconchegar-se na poltrona assim que a figura de Leo adentra o escritório, dissimulando qualquer coisa que pudesse parecer suspeita. O gatuno volta sua visão para a vidraça no teto checando como estava o tempo no lado de fora. Leo não demora em dar a notícia para seu pai, deveria ser a visita de alguém esperado, a porta se fecha e Jack sorri sem motivos para Barry.

O velho lobo dá a notícia em tom triste, embora Jack não achasse motivo para aquilo. O gatuno levanta-se de sua cadeira esfregando as luvas, em seguida caminha vagarosamente até seu padrinho enquanto admirava os móveis. - Tudo bem padrinho... Não é a primeira vez que sairei por esta porta em uma missão... Por quê o drama? - Jack coloca uma das mãos sobre o ombro do padrinho, tentando o confortar de alguma forma, já que o velho lobo parecia estar mais sentimental que de costume. As novas rugas provavelmente amoleceram o homem.
Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Maio 30, 2016 11:27 pm



Barry dá duas palmadinhas nas costas da mão que Jack pôs em seu ombro, aceitando o gesto que tentava transmitir algum conforto embora o seu rosto tenha se afundado em trevas. A expressão fechada, introspectiva, não era a habitual do Sr. Benneth. Ele esticou o braço até o porta-cachimbos e escolheu o de melhor aspecto. Colocou o fumo no fornilho e acendeu-o com um isqueiro de prata que retirou do bolso direito de seu casaco.

Jack conhecia o velho lobo anos suficientes para saber que o ato de fumar cachimbo o deixava calmo.

- Existem muitas coisas acontecendo por debaixo dos panos nos dias atuais, Jack, eu e você sabemos bem como funciona. - Barry soltou uma leve risada, expelindo a fumaça pela boca. Os dois estavam ligados a muitos negócios ilícitos e alguns desses negócios só existiam graças a parte corrupta da alta sociedade de Vicari, o que incluía pessoas importantes que regiam a cidade. Jack não duvidava que o próprio prefeito Cornélius tivesse ligado a uma das empresas de fachada que Barry administrava. - Eu não quero ser precipitado em tirar conclusões, Jack, mas o que você está indo fazer em Vicari pode ser só o começo de um grande estopim.

Barry botou de novo o cachimbo na boca e tornou a olhar o relógio na parede.

- Não é bom deixar os homens do prefeito esperando quando eles se propuseram a chegar tão pontualmente na hora marcada. Você terá tempo de sobra de entender a situação durante a viagem de volta à cidade. - Barry apagou o cachimbo, levantou da poltrona com alguma dificuldade pelo sobrepeso e depois deu um abraço fraterno em Jack. - Vá se despedir de sua mãe e de Myra. Minha princesa ficará triste por você já estar de partida e tão logo que você sair dessa casa ela estará me importunando para saber quando você volta. Eu torcerei para que seja logo. Teremos muitas coisas para conversarmos se as minhas suspeitas tiverem fundamento.

Barry dá um beijo na face de Jack e se dirige à porta do escritório, abrindo-a para Jack.

- Sua mãe está no quarto de hóspedes, cuidando de Abby.

Abby era a esposa de Barry, e outra vez ela estava doente. Dessa vez era gripe. Nas últimas três visitas de Jack à mansão, Abby sempre parecia estar doente e cada vez ficava mais reclusa do restante da família. Porém, se antes ela fazia questão de se manter afastada dos empregados da casa, com a doença ela não parecia nem mesmo ter forças para ir contra a presença deles.




Makaveli Killuminati
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Jun 05, 2016 2:00 am

Jack faz um cumprimento com a cabeça e responde o tapinha no ombro com um sorriso. O gatuno desvia o olhar do velho lobo e percorre o escritório, se escorando em uma das paredes mais afastadas, já prevendo o cheiro inconfundível da fumaça de cigarro que perturbava suas narinas. Jack sabia que o cigarro acalmava seu padrinho, mas seu padrinho não precisava saber que o cheiro o incomodava.

O gatuno apenas observava Sir Benneth enquanto ele comentava a realidade. Nesta altura, talvez o próprio sabia até mais que seu padrinho o quanto de coisas que realmente acontecia por debaixo dos panos. Jack não o responde, não faz nenhum comentário, não queria interromper a linha de pensamento de seu tio. O gatuno dá de ombros, concordando, pois de fato estava certo. Sir Benneth previa que algo grande estava perto de se iniciar, Jack via aquilo como algo positivo, mas parecia que Sir Benneth apresentava os primeiros sinais de ferrugem e cansaço.

Jack continuou calado. O padrinho se deu conta que não era mais hora de papear, os homens do prefeito o esperava. Finalmente o cachimbo é deixado de lado. Jack se desencosta da parede e caminha novamente até a mesa central. O velho lobo o abraça, Jack recebe o abraço de bom grado, dando tapinhas nas costas de Sir Benneth, em seguida o segura pelos ombros firmemente. - Não precisa se preocupar. Eu vou dar um jeito de tornar as coisas divertidas... - O comentário otimista era de praxe, Jack acreditava em sua sorte, embora não poderia deixar completamente de lado os membros da Irmandade durante este tempo, não como fizera em outras vezes. O beijo de despedida finaliza o contato entre os dois, e enquanto Sir Benneth entretinha os homens do prefeito, Jack seguia suas recomendações.

Não seria interessante se despedir de sua mãe por último, por estar com Abby. Jack queria ter certeza que sairia da mansão encorajado, portanto era certo que Myra seria a última a quem se despediria. O gatuno caminha escritório afora colocando a cartola sobre a cabeça e carregando a bengala sem encostar no chão para evitar o barulho. Jack sobe as escadas e chegando no terceiro piso começava a ter mais cuidado, não queria acordar Abby caso ela estivesse dormindo.
Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Dom Jun 05, 2016 12:02 pm



A mansão dos Benneth consistia de quatro andares. O escritório ficava no segundo piso e foi construído de forma a se destacar do formato da base da casa, de modo que não havia nenhuma estrutura acima dele, o que possibilitou a colocação do teto de vidro para iluminar o ambiente de forma natural, enquanto os quartos de hóspedes preenchiam o último andar. Após a porta do escritório ser fechada, o Sr. Benneth seguiu as escadas para baixo e Jack, para cima. No terceiro andar ficavam os cômodos da família; mesmo os filhos que não moravam na mansão tinham quartos especiais reservados à eles, até mesmo Thomás, que desde que foi convocado a servir ao exército tem morado em Caspia, muito distante do restante dos Benneth.

Quando Jack passou pela porta do quarto de Barry e sua esposa, ele refletiu sobre como era estranho Abby não estar ali. A alegação de Barry era que gripe era uma doença contagiosa e ele não podia correr o risco dela ser passada para todos os membros da família. Contudo, a mãe de Jack, Helena, parecia estar cuidando de Abby quase que em tempo integral.

Jack finalmente alcançou o quarto de hóspedes e pensou em bater à porta, mas isso poderia acordar Abby, então ele resolveu girar a maçaneta bem devagar para não fazer barulho. Trancado. Não restou alternativa senão bater à porta.

- Um segundinho - ele ouviu a voz de sua mãe do outro lado.

Passou-se um minuto até que Jack ouviu os pinos das trancas serem girados e a chave ser colocada na fechadura para destrancá-la. A porta se abriu apenas o suficiente para que Helena pudesse passar pelo batente. Ela tinha uma barriga saliente, uma herança que obteve após o parto de Jack e que nunca mais conseguiu perder. Logo que ela passou pelo batente, tornou a fechar rapidamente a porta, e tudo que Jack conseguiu ver do quarto foi uma escuridão mórbida. O rosto de Helena se iluminou num sorriso ao ver o seu filho e passou a mão em seu rosto. Suor escorria pelas laterais de sua cabeça, como se nas últimas horas ela tivesse estado ao lado de uma caldeira que alimenta um trem à vapor.

- Filho, você está bem? O Sr. Benneth disse que você ficaria pouco tempo aqui dessa vez, então você já está de partida? - Helena parecia cansada, extenuada para dizer a verdade, mas os seus olhos cor de mel que encaravam Jack neste momento possuíam o mesmo brilho revigorante de sempre.



Makaveli Killuminati
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Jun 05, 2016 2:47 pm

O terceiro piso evocava um silêncio constrangedor pelos corredores, parecia outro lugar, não estava nem próximo de ser o quê o primeiro piso era, principalmente. Talvez fosse ordem da casa para que evitassem o terceiro piso o máximo que pudessem. Era impossível não relembrar a noite no Asilo Kirton, e muito disso talvez fosse por Abby estar sendo tratada em outro quarto, separando-a ainda mais do resto da mansão, até mesmo do marido.

A tentativa de entrar no quarto em silêncio falhou, estava trancada, o aviso de sua mãe fora contemplado em silêncio no minuto restante. Imediatamente que a porta se abre, Jack abraça Helena, sentindo o suor de Helena na própria face assim que se encostam. Jack tenta espiar quarto a dentro pela fresta que ficara entre o umbral e a porta enquanto abraçado com sua mãe, mas a escuridão remetia ao toque da morte, ou uma maldição, pensava o quão enlouquecedor seria viver em um ambiente como aquele.

- Estou bem mamãe. E a senhora? - Jack a segura pelos ombros observando atentamente sua face, tentando invadir sua mente através do semblante de Helena e descobrir por si só. E sua mãe não parecia nada bem. - Não é melhor Abby ser tratada por um médico?.. Você não deveria fazer esse papel. - Jack alertava sua mãe quase que sussurrando, para que não fosse ouvido por Abby. O fato de estar de partida é totalmente esquecido momentaneamente. - Já se sabe o quê ela tem?.. - O gatuno pergunta sobre Abby, seus pensamentos novamente o levam ao Asilo Kirton, até considerou dar a ideia de levarem Abby para ser tratada no sanatório, pelo próprio genro da Senhora Benneth, mas Jack relevou, por consideração aos filhos e seu padrinho, Abby não merecia ser tratada no sanatório.
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Jun 06, 2016 9:57 pm



- Eu estou cansada - admitiu Helena.

A mãe de Jack sempre foi uma mulher pró-ativa, que cuidava de vários afazeres da mansão dos Benneth ao mesmo tempo e não reclamava, pelo contrário, ficava contente por ter bastante trabalho. Jack só poderia imaginar o quão desgastante tinha sido os últimos dias, talvez as últimas semanas, para a sua mãe admitir que chegara em seu limite. Ela nem precisava ter dito... apesar do sorriso no rosto e do olhar cheio de brilho, todo o resto de seu corpo estava envolvido numa tensão anormal.

- O Dr. Phenygham já veio aqui para atendê-la, mas ele disse que ela não tem nada demais e que alguns dias de descanso devem resolver. - Helena passou a mão pelo seu rosto, limpando o suor do rosto com a palma da mão e depois enxugando no avental branco que usava. - Você não tem que se preocupar com ela, filho, Abby é uma mulher forte e ela ficará bem. Depois de ter contraído uma doença atrás da outra, ela até que tem reagido muito bem. Mas no momento ela está dormindo e respousando, e assim ela deve ficar até de noite, sem interrupções.

Com isso Helena estava dizendo que caso Jack estivesse de partida, ele não poderia se despedir de Abby. Ele teria que se contentar em se despedir de Myra e Leo, que deviam estar no térreo. Delilah, a filha mais velha do casal, não tinha vindo este final de semana para a mansão e estava com o seu marido em Vicari.



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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Jun 08, 2016 4:10 pm

- Pois acredito que o Dr. Phenygham esteja enganado... Caso contrário você não estaria exausta por cuidar de alguém que só precisa descansar. - Jack argumenta com sua mãe sussurrando de forma seca. Escutando as próximas palavras de sua mãe a olhando nos olhos. O gatuno acreditava que sua mãe estava se esforçando de mais pra cuidar de quem não merecia tal atenção, mas o coração de Helena sempre fora maior que o de seu filho, isso era indiscutível. - Eu não estou preocupado com Abby, mamãe. - A resposta dava a entender que Jack apenas estava se preocupando com sua mãe, o quê não era total verdade. Não poderia ignorar que Abby, apesar de tudo, tinha certa importância para Jack, contudo, não era uma das pessoas mais queridas pelo gatuno. - Devo me apressar, estão me esperando e ainda não me despedi de Myra. - Jack falava com um sorriso no rosto, não era segredo para Helena que quando Jack e Myra se reuniam era como se duas crianças formassem um furacão de problemas, tamanha a irmandade e atração pelo caos que ambos tinham. - Se cuida. - Jack beija a testa de sua mãe, despedindo-se.

O gatuno desce a escada para despedir-se ligeiramente dos outros membros da família e os empregados, deixando Myra por último.

Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Jun 09, 2016 10:15 pm



Helena recebe o beijo na testa e faz um último e demorado carinho no rosto do filho, com a palma da mão em sua bochecha.

- Vai ficar tudo bem. Eu não batalhei por tantos anos para desistir quando as coisas não saem do jeito que você espera. Agora vá, filho, que a luz de Menoth o guie em seus caminhos. Tenha uma boa viagem e não se meta em problemas, principalmente se for problemas dos outros.

Ela lhe deu um último beijo de despedida e Jack se virou para descer de novo à escadaria da mansão dos Benneth. No terceiro andar, uma porta entreaberta lhe chamou a atenção. Era a porta que dava para o quarto de Delilah. Ele sabia que o aposento estava desocupado, mas as suas lembranças se voltaram a um verão distante quando os dois não passavam de adolescentes inseguros. Numa noite Delilah havia chamado ele, que nada mais era do que o filho de uma criada, para o seu quarto, aquele mesmo em que a porta estava entreaberta. A memória daquela noite jamais se apagará de sua mente; ele se lembra de cada sensação que teve como se tivesse sido ontem. Mas muita coisa se passou desde então, inclusive o casamento de Delilah com Andrew Hopkins, diretor geral do Asilo Kirton, o que acabou afastando ela de Jack.

Enquanto descia as escadas, Jack se deu conta que a mansão parecia mais vazia do que de costume. Além das sentidas ausências de Delilah e de Thomás, menos funcionários pareciam estar trabalhando a serviço dos Benneth. Quando Jack chegava no último lance de degraus, ele já pôde ouvir as vozes de Myra e Leo no átrio.

- Você tá mentindo! Ele não ia embora sem me dar as aulas que prometeu, não ia mesmo. Conversamos ontem no jantar, ele falou que tinha uma nova técnica de luta para me mostrar.

- Myra, por favor, você já tem 12 anos. Acho que já é grandinha o bastante para entender como as coisas...

Assim que Jack pisou no térreo, Myra o avistou e correu em sua direção, deixando o seu irmão mais velho falando com as paredes. Ela se agarrou à cintura de Jack, que era o lugar mais alto que alcançava.

- Diz pro meu irmão parar de mentir para mim. Fala para ele que você vai ficar aqui.

Contrariado com a atitude de sua irmã, Leo se aproximou dos dois e tentou segurar o pulso de Myra.

- Largue o Sr. Quinzel, Myra. Eu já lhe ensinei a ter bons modos, ainda mais com as pessoas de fora. O Sr. Quinzel está atrasado para a sua viagem.

- Não me importa o que você diz - disse Myra, que desvencilhou-se da mão de Jack com espantosa facilidade e se agarrou ainda mais forte em Jack. - Se ele for, ele vai me levar junto. Não vai, tio Jack? - ela olhava para Jack de baixo para cima, com olhos inocentes de uma criança sonhadora.

 

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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Jun 13, 2016 7:37 am

Jack esperou sua mãe adentrar o quarto para cuidar de Abby novamente, desfrutando até o último segundo da despedida, e não demora até a porta fechar em sua cara, retomando seu caminho inverso. Era costume, toda vez que passava pelo corredor lançava um olhar para a porta do quarto de Delilah. A porta sempre se encontrava fechada quando a filha de Sir Barry não estava nele, mas não naquele dia. Jack sentira uma esperança tola em que Delilah estivesse em seu quarto. O gatuno parou em frente a porta do quarto, lançou um olhar pela fresta e não avistou ninguém.

Apertou os lábios em dúvida, olhou para ambos os lados do corredor, mas Jack não avistou ninguém. A mão esquerda do gatuno empurra suavemente a porta do quarto, que lhe apresenta um quarto cheio de lembranças, e apenas isso. Jack adentra o quarto de Delilah por conta de algum impulso que não conseguia entender. Entre tantas lembranças, uma em especial lhe deixava entorpecido revivendo a noite.

"Uma grande festa acontecia na mansão Benneth. A falecida Ama dava uma bronca nos dois adolescentes que passavam correndo pela cozinha, derrubando um cesto de frutas acidentalmente, mas isso não os para, e da mesma forma que entraram, saíram. A brincadeira terminou com os dois cansados, ofegantes, sentados no banco de mármore em frente ao alto labirinto verde que enfeitava o fundo do enorme quintal da mansão. As estrelas enfeitavam o céu escuro, e a lua cheia iluminava a noite como nunca antes Jack tinha visto. A cabeça de Delilah repousa no ombro de Jack, que acolhe imóvel, sem querer afastá-la e sem coragem de deixá-la mais confortável. Os convidados começavam a se agitar no outro lado do quintal, e quando a contagem regressiva termina, fogos de artifícios são lançados e colorem o céu com diversas cores quentes e frias. Jack sente em seu ombro um sorriso sendo esboçado por Delilah, e a visão do céu noturno colorido faz com que Jack sorrisse também.

- Nunca antes os fogos foram tão bonitos - Delilah comentava a Jack, com sua cabeça repousada no ombro do filho da empregada.
- Sim... - Era tudo o quê Jack podia responder. O adolescente abraça a garota, deixando-a mais confortável com a cabeça repousada agora em seu peito.
- Isso só acontece quando papai está aqui... E amanhã ele viaja... Mais uma vez. - O sorriso se perde no rosto de Delilah. - Jack... Promete que você não vai se afastar, que nem o papai? - A garota apaixonada fica na expectativa da resposta.
- Seu pai precisa dessa vida, e você precisa aceitar... - Jack percebe que Delilah estava se chateando com a resposta. - ... Mas não pretendo seguir o mesmo caminho, lógico que não vou me afastar! - O adolescente responde com toda sua inocência, como quem pudesse controlar o próprio destino. Delilah volta a sentar-se corretamente no banco e em um instante salta ficando de pé em frente a Jack.
- Prove! - A adolescente lança o desafio para o garoto.
- Como? - Jack estava disposto a provar, então não sente temor em descobrir como.

Delilah começa a saltitar dando alguns passos para trás, se afastando cada vez mais de Jack. Os foguetes haviam cessado e os dois nem tinham percebido. Postes com lamparinas ajudavam a lua e as estrelas iluminarem o fundo do quintal. O adolescente se levanta do banco quando Delilah estava longe o suficiente quando Jack se deu conta do quê ela estava prestes a fazer. - Me encontre! - Delilah gritou em tom convidativo adentrando o labirinto verde, correndo com parte da saia do vestido erguida para deixar livre seus pés. O labirinto não era tão simples, e os dois poderiam se perder facilmente la dentro. Jack corre atrás de Delilah, mas ela tinha se adiantado o suficiente. O único rastro que Jack tinha eram as risadas alegres que Delilah soltava enquanto corria até o centro do labirinto, e isto era o suficiente para Jack encontrar seu caminho.

O percurso até o miolo do labirinto é completo, Delilah estava sentada no lombo do unicórnio de pedra que enfeitava o local, uma afronta indireta ao seu pai. - Por quê demorou Jack? - A garota perguntava com um sorriso jocoso.
- É minha primeira vez... Se seu pai nos pegar aqui, estamos mortos... - O adolescente responde enquanto caminha em direção ao unicórnio de pedra no qual Delilah estava montada.
- Ele não vai... - Delilah descia com dificuldades do enorme unicórnio de pedra, Jack prevê o tombo que ela levaria e se antecipa segurando a garota antes dela se espatifar no chão. Os dois olhares se cruzam, dando mais cor ao conto de fadas que estavam vivendo. Delilah lança um olhar provocativo para Jack, instigando seu próximo passo para completar a cena. Jack atende ao pedido indireto e beija a garota sob o olhar do unicórnio de pedra e a luz do luar. Era um momento perfeito. Após o momento romântico, os dois saem de mãos dadas do jardim verde.

A noite romântica dos dois não terminaria com o fim da festa. Delilah daria um jeito de levar Jack para seu quarto durante a madrugada, e aquele dia fora a primeira vez de Jack com muitas coisas."


A noção de tempo se perdeu por um momento, e Jack acorda em meio as suas lembranças, saindo do quarto de Delilah e partindo imediatamente e apressadamente para o térreo. A chegada de Jack interrompe a discussão que os dois irmãos iniciavam. O abraço de Myra era sempre intenso, e Jack nunca conseguia ficar no lugar com o encontrão da garotinha. Jack encara Leo com um olhar desapontado, como quem pedira sua ajuda para sair daquela situação sem magoar Myra. Mas Leo parecia incapaz disso, preferia jogar verdades secas sem nenhum anestésico.

- Seu irmãos não está mentindo Lady Myra... - Jack observava a reação da garotinha inocente, mas logo trata de devolver a alegria de Myra. - Mas também não está de todo certo... Jack lançou um sorriso simpático para Myra, dando motivos para que ela também sorrisse. - Mostre-me seus dentes, deixa-me ver se você não está escovando os dentes como andam dizendo por aí... - O gatuno puxava outro assunto com Myra enquanto pedia para que Leo informasse aos homens do prefeito esperar um pouco mais.
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Jun 14, 2016 10:37 pm



Num primeiro momento, Leo pareceu que não iria fazer a vontade de Jack. A relação entre os dois não estava em plena harmonia. A cada mês que se passava, Leo parecia mais distante de Jack. Talvez fosse o curso de advocacia que ele fazia numa universidade em Vicari que o estava deixando formal daquele jeito, mas a maior suspeita era que Leo estava nutrindo um certo ciúmes da relação que o seu pai, o Sr. Benneth, tinha para com Jack. Isso sem falar de Myra, que claramente gostava mais de Jack do que dele. Rancor e mágoa podiam estar se instalando no coração de Leo, mas ele ainda tentava minimamente manter as boas relações com Jack, e por isso ele se afastou, passou pela porta de entrada da mansão e se dirigiu aos jardins. Através da porta aberta, Jack pôde ver de relance uma carruagem estacionada à frente da casa, com três homens próximos dela. Um deles era Barry, e agora Leo estava indo se juntar a esse grupo.

Myra, que havia ficado triste e depois esperançosa com as palavras ditas por Jack, abriu um sorriso e mostrou os dentes. Contudo, no rosto de Myra, o que mais chamava a atenção de Jack eram as sardas que pontilhavam ao redor do seu pequeno nariz. Era uma visão que ele não cansava de ter. O cabelo estava solto de modo desleixado, com os fios loiros caindo sobre os ombros como ramos de um riacho de águas revoltas.

- Papai vive concordando com o meu irmão sobre eu ter bons modos... Ele fala que meu irmão é um exemplo a ser seguido, mas eu não quero ser como ele! - ela afirma, e por irmão, era certo que se referia ao Leo. - Eu quero me tornar uma duelista, a melhor de todas desse reino. Melhor que você - diz em tom de desafio. - Papai diz que há outros reinos além de Cygnar, mas eu não acredito muito. Nunca conheci ninguém desses lugares, e se houver, eu vou ser melhor que eles também.

A descontração não dura muito, e Myra, lembrando-se do que porque eles estavam ali, volta a ficar com uma expressão séria.

- Eu não vou deixar você sair dessa casa. Você sabe disso. Você não vai embora sem me ensinar aquela técnica de luta que você disse no jantar - Myra era surpreendentemente contundente em algumas situações, e essa era uma delas. Ela se agarrou com mais força à cintura de Jack. - Ou se você for, você terá que me levar junto. Essa é a única condição para que eu deixe você sair daqui.



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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Sab Jun 18, 2016 1:56 pm

Jack fica desconfiado com a hesitação de Leo, parecia como se Leo estivesse travando uma batalha com o próprio ego, até que finalmente se retira do local. A figura do filho de Sir Barry logo se junta aos outros homens, e pareciam aceitar a espera prolongada. Os dentes de Myra estavam saudáveis, mas isso não impede de Jack tentar assustá-la. - É... Acho que vão cair todos... - O gatuno faz cara de lamentação, tentando transparecer alguma credibilidade a sua interpretação. Um sorriso brincalhão interrompe qualquer ar de seriedade e acusa estar mentindo. Jack faz um cafuné na pequena Myra, bagunçando ainda mais seu cabelo.

A intimidade de Jack e Myra a fazia contar sobre as discussões familiares, incluindo Jack como da família, e isso deixava Jack bastante incomodado, não por Myra, mas por seu padrinho, pois mesmo não concordando com o modo que criava Myra, não poderia simplesmente o contrapor. - Seu pai está apenas tentando te proteger. - Jack respondia com a mais genérica das respostas, mas no momento não poderia responder nada além disto. Ou melhor, poderia, já que ele mesmo julgou como uma resposta vaga. - ... Mas, é seu trabalho provar que ele está fazendo isso errado, não meu... O meu é te preparar para isso, fisicamente, e mentalmente. - O gatuno se desvencilha e se distancia da garotinha, começava a afastar alguns móveis, deixando espaço para ensinar algumas técnicas para Myra.

Jack começava a aplicar alguns exercícios para Myra. O foco era em melhorar a defesa da pequena Myra, lhe ensinando técnicas de combate corpo-a-corpo para se desvincilhar de tentativas de agarrão e se esquivar de golpes. A lição duraria até os homens se cansassem de esperar e alguém interrompesse os dois.
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Jun 23, 2016 9:46 pm



A sala, grande e espaçada, serviria bastante bem para a aula particular que Jack planejava dar à Myra naqueles poucos minutos que eles tinham antes de sua partida. As mobílias, de mais alto luxo, continham objetos de decoração igualmente caros - peças únicas adquiridas através das incontáveis viagens mundo afora do Sr. Benneth - mas não era um problema para os dois duelistas.

Jack teve o prazer de ver Myra sorrir enquanto lhe ensinava algumas técnicas de defesa. A garota quase nunca conseguia se defender de primeira dos golpes aplicados por Jack, mas ele tampouco precisava corrigi-la uma segunda vez. Ela aprendia as suas lições numa velocidade assustadora; numa das vezes Jack tentou desviar a atenção de Myra para algo externo, mas ela não se deixou cair em sua tática e se manteve concentrada para o próximo ataque. A aula, contudo, não durou muito tempo. O Sr. Benneth logo apareceu na sala, acompanhado de seu filho mais velho, Leo, e disse:

- Jack, meu filho, é hora de ir - disse Barry. Era natural ele se referir a Jack como filho, visto que ele quase o via dessa forma. Jack também via nele uma figura paterna que nunca teve presente em sua vida.

Foram apenas dez minutos de aula, mas Myra estava cansada e com gotas de suor caindo-lhe do rosto, tal foi o a intensidade daquele treinamento. Ela olhou para Jack e o abraçou. Dessa vez não foi um abraço obrigando-o a não se mover do lugar; foi um abraço afável de quem se despede mesmo não querendo que a pessoa vá.

- Estarei te esperando, tio Jack - disse a garota por fim.

- Leo, fique aqui com Myra, enquanto levo Jack até a carruagem - pediu Barry. Leo obedeceu, sem se atrever a fazer cara feia perante o seu pai, embora Jack soubesse que ele não gostava nenhum pouco de ser deixado de lado. O Sr. Benneth saiu de casa junto à Jack, passaram pela varanda externa, desceram um lance de escadas e se dirigiram através de uma trilha de seixos que atravessava o vasto e belo jardim da mansão. Jack já conseguia ver com clareza os homens do prefeito que vieram buscá-lo. - Qualquer coisa que você precisar em sua missão - disse Barry enquanto eles andavam até a carruagem estacionada mais a frente - fale com Flint ou com o próprio prefeito. Eu estou fora de forma, mas Flint parece que comeu um porco inteiro esta manhã, e sem digerir.

Além do cocheiro, que cuidava dos dois garanhões que puxavam a carruagem, havia dois homens de pé, e foi fácil identificar que um deles era Flint. O homem era gordo, embora Barry tenha exagerado um pouco. Ele vestia um casaco de couro por cima da camisa branca, e calças compridas acompanhadas de botas. Ele ainda usava luvas, para se proteger do frio do inverno, e um chapéu cartola sobre a cabeça. Numa das mãos, ele carregava uma mochila em forma de pasta. Seu rosto, marcado por costeletas grossas e ruivas que desciam até a altura do queixo, era brando e amigável. O homem cumprimentou Jack assim que ele chegou, com um aperto de mãos firme e entusiasmado.

- Jack Joey Quinzel - disse Flint, pausando ao dizer cada uma das palavras que compunham o nome completo de Jack. - É um prazer enorme conhecê-lo, estava esperando por esse dia desde que recebemos às indicações do Sr. Benneth. Deixe-me nos apresentar. Eu sou Flint, assessor pessoal do prefeito Cornélius, e esse aqui ao meu lado é Stivenson. - O homem ao seu lado, o dito Stivenson, estava com uma carranca no rosto. O seu cabelo, raspado nos lados, fazia um tipo de corte que o indicava ser um militar, que apenas se confirmava com a visão de uma túnica militar que ele usava por baixo do seu sobretudo longo e preto. O homem não tomou qualquer iniciativa de cumprimentar Jack com um aperto de mãos. - Ele está aqui para a minha segurança. Sabe como são os perigos da estrada, não é mesmo?

Até onde Jack sabia, a estrada até a mansão sempre foi muito segura, o que lhe deu uma leve impressão de que Stivenson estava ali para proteger Flint contra ele. O assessor do prefeito tirou um relógio de um dos bolsos do casaco, olhou paras as horas e disse:

- São duas e meia. Se irmos logo, podemos chegar na hora do jantar, e isso me agrada. Sr. Benneth - disse dirigindo-se à Barry - mais uma vez obrigado por sua ajuda.

O Sr. Benneth cumprimentou de volta o assessor do prefeito, e depois de se despedir de Jack, ele se encaminhou de volta para a mansão. Flint se antecipou à todos e abriu a porta lateral da carruagem para Jack.

- Por favor.

Jack ainda não sabia a dimensão dos problemas em que estava se metendo, contudo ele estava ali, prestes a entrar na carruagem na companhia de dois desconhecidos. Flint não possuía armas visíveis, mas Stivenson carregava um belo fuzil às suas costas. Isso ia contra qualquer bom senso que a sua profissão exigia, mas que opção ele tinha a não ser confiar em seu padrinho?



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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Ter Jul 05, 2016 12:35 am

O potencial era imenso na pequena Lady Myra. Não precisava treinar tanto quanto Jack precisou para aprender coisas que Jack aprenderá quando já era mais velho que a garotinha. Poucos instantes antes do treino ser interrompido, Jack previu com sua imaginação o futuro hipotético de Lady Myra. A arma perfeita. Nem Jack, nem Amanda, e nem mesmo Vivaldi alcançaram o quê a pequena Lady Myra tinha potencial de alcançar. Em pouco tempo dominaria as artes marciais, sobraria tempo para adquirir conhecimento do conhecido e do desconhecido. O gatuno se culpava em vislumbrar o futuro de uma vida que provavelmente seria árdua e infeliz para a garotinha que apenas se divertia com tudo aquilo.

A interrupção não deixa o treinamento de Myra prosseguir, não havia mais tempo. A garotinha o abraça, Jack fica apoiado sobre um dos joelhos e a abraça, ficando na mesma altura que a garotinha. - Você está crescendo rápido, precisa pensar o quê vai fazer com esse dom além de ser a melhor... Ou esse dom fará algo com você... - Jack sussurrava no ouvido de Myra, sentindo o suor da garota em suas bochechas. O gatuno beija a testa de Myra e se levanta. - Até breve Lady Myra. - Os dois se despedem. Jack retoma seus pertences e sai pela porta da frente.

Barry acompanhava o gatuno até a carruagem dos homens do prefeito, relembrando sobre seu suporte. - Vou tentar não abusar... - Jack falava em tom jocoso, não era do seu feitio economizar recursos ou ignorar auxilio quando poderia utilizar, ou quando não poderia também. Flint não era o ser humano enorme o qual Barry dava a entender. O homem aperta sua mão com firmeza, Jack não apertava de forma tão firme, só deixava-se levar pelo cumprimento. - Sim... E você deve ser Flint! - O gatuno estava certo. O homem apresenta seus homens logo depois. Jack lança um cumprimento com a cabeça para o homem com nome complicado.

- Claro!.. Dias atrás presenciei um sapo engolindo um vagalume numa das pedras às margens da estrada. Realmente perigoso. - O gatuno fazia questão de fitar o homem carrancudo enquanto fazia graça com o comentário de Flint. A carruagem já iria partir, Jack levanta sua cartola para seu padrinho, despedindo-se com um gesto respeitoso. O gatuno dá uma checada na carruagem antes de adentrar, tinha talento em se antecipar a qualquer surpresa, portanto era naturalmente preventivo em situações que sentia alguma hostilidade, mesmo que não fosse o caso.

Jack lança sua cartola em direção ao banco dentro da carruagem, como se fosse uma ação natural sua. Se nada de estranho acontecesse, entraria em seguida. - Então... Qual meu trabalho?
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Sab Jul 09, 2016 4:09 pm



Stivenson não retribuiu o cumprimento de Jack. O homem apenas lhe lançava um olhar frio sob as suas pesadas sobrancelhas. A risada de Flint pela piada que Jack fizera acabou por quebrar o clima ruim que ameaçava se formar entre aqueles dois. Fora Stivenson, o único homem que acompanhava o assessor do prefeito era o próprio homem responsável pela condução da carruagem. Este não foi apresentado e estava sentado no banco externo da frente, com as rédeas dos cavalos em mãos, apenas esperando a ordem da partida. Ele não parecia carregar armas e se vestia de maneira simples, mas elegante.

A carruagem em si tinha uma cor azulada por fora e vermelha por dentro, com duas janelas, uma de cada lado, que eram cobertas por cortinas de veludo. Nada muito diferente do que Jack estava acostumado. Após ter arremessado sua cartola, ato visto com uma cara de surpresa de Flint, ele entrou no veículo e se acomodou num dos bancos. Haviam dois bancos, um de frente para outro, e tanto Flint quanto Stivenson sentaram-se no banco oposto ao de Jack. O assessor deixou a maleta sobre os joelhos e deu a ordem para o cocheiro de iniciarem a viagem, enquanto Stivenson deixava o fuzil encostado à parede ao seu lado.

- Direto ao assunto então - disse Flint ao ouvir a pergunta de Jack. - Antes me diga, como gostaria de ser chamado?

Um tranco marcou o inicio da viagem, com os cavalos trotando e a carruagem se distanciando da mansão dos Benneth. Após ouvir a preferência de Jack em como queria ser chamado, Flint deu prosseguimento à conversa.

- Bem... você deve saber que a situação em Vicari não é das melhores, pois o Sr. Benneth me disse que você mora lá. Estamos com dificuldade de mover capital, as indústrias tem despedido funcionários, o que tem gerado algumas revoltas. A crise está afetando muitos setores e estamos trabalhando firme com o prefeito para solucionar esses problemas. Felizmente na última semana conseguimos avanços importantes para concretizar um antigo sonho do prefeito Cornélius. Eu não posso falar o que é, pois o contrato ainda não foi assinado. Ele será assinado daqui a dois dias, durante a festa que o prefeito armou para anunciar justamente essa novidade.

Flint fez uma pausa para abrir a maleta. Ela era aberta em sua direção, de modo que Jack não conseguia ver o que tinha ali. Flint procurava por algo em meio a possíveis papeladas enquanto seguia falando.

- A festa era para ser um segredo. Apenas pessoas da alta sociedade receberam o convite, contudo, de alguma forma os jornais descobriram a respeito da festa e a notícia se espalhou para todos. Isso tem gerado muita revolta e um representante do sindicato dos trabalhadores anunciou greve geral e protestos em frente a Casa da Prefeitura no dia da festa. Veja bem, até aí, é algo que podemos contornar e não diz respeito a você. Mas quando recebemos uma carta ameaçando o prefeito de morte... Começamos a nos preocupar. Ah, aqui está!

Flint parecia ter encontrado o que queria. Era um envelope branco, com o lacre já desfeito, e o assessor do prefeito entregou em mãos à Jack.



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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Jul 10, 2016 3:30 pm

- Jack... JJ... Me chame como achar mais fácil. - Responde Jack enquanto alisava sua cartola sobre o banco. As atualizações de Flint sobre Vicari eram bem-vindas, uma vez que Jack não tivera tanto tempo para se ater à situação da cidade nos últimos meses, já que o gatuno tivera uma agenda extremamente ocupada em uso da Irmandade. O comentário sobre a festa agradou Jack, provavelmente poderia se entreter durante o seu serviço, algo bem-visto por ele.

- Desculpe, mas quando alguém ocupa um cargo de tamanha importância como o de prefeito, não é tão incomum receber esse tipo de ameaça... Principalmente quando não se tem feito um trabalho muito bom... - Jack estica o braço, alcançando a carta recebida das mãos de Flint. Percebendo que seu comentário ácido sobre a capacidade do prefeito em gerir a cidade de Vicari talvez tivesse causado alguma tensão no ambiente, Jack continua. - Se tivessem me contratado para manter a festa em segredo nada disso estaria acontecendo... Convenhamos, com tantos desempregados, e consequentemente famílias passando fome, não é o melhor momento para o prefeito dar uma festa... No mínimo, pega mal... - O gatuno falava enquanto abria o envelope branco e para ver o conteúdo.
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Jul 14, 2016 8:13 pm



Ao abrir o envelope, Jack viu apenas duas simples frases escritas nele.


Sr. prefeito, se o que você está disposto a anunciar no quinto dia de Trineus se concretizar, você será um homem morto. Desista da ideia ou imediatamente após o comunicado iremos atrás de você e de sua família.


Não havia uma assinatura. Ao invés disso, um símbolo marcava o final da carta. O desenho era verde e composto por três folhas entrelaçadas uma à outra, que juntas dava a impressão de formar a letra "C". Aparentemente o símbolo fora feito com carimbo de cera.

- Esta não é uma ameaça qualquer - disse Flint em despeito do comentário descrente lançado por Jack. Ele parecia bem seguro disso. - Sabemos de onde ela partiu, mas isso não vem ao caso. O Sr. Benneth nos disse que você está acostumado a lidar com situações... assim.

Flint deu uma leve estremecida no final da frase. Stivenson por outro lado não desgrudava o seu olhar frio e duro do homem à sua frente.

- Veja bem, meu caro Jack - recomeçou Flint, fazendo uma pausa para coçar a costeleta esquerda. - Nós sabemos o tipo de trabalho que você faz. Você já matou gente. Você já esteve do outro lado. Já esteve do lado do assassino que quer matar o prefeito Cornélius, por isso você se tornou tão importante para nós. Seu trabalho será pensar como a cabeça do assassino pensaria. Tudo levar a crer que ele estará na festa ou pelo menos em seus arredores. Nós contamos com você.

Vendo que o pouco que a carta tinha a oferecer já fora analisado, Flint pegou de volta o envelope e guardou em sua maleta.

- Sobre o mau momento de fazer a festa, Jack, o prefeito está bem ciente disso. A informação não era para ter vazado. Era para ser uma festa discreta, apenas com os ricaços e poderosos de Vicari, que seriam os primeiros a saber da grande novidade para a cidade. Provavelmente há, na Casa da Prefeitura, alguém jogando sujo com a gente. Além da informação da festa, há também o fato do autor do envelope saber o que o prefeito está para anunciar. Isso é preocupante, deveras preocupante.

Um pequeno silêncio se seguiu após isso, com apenas o barulho das rodas da carruagem e dos cascos do cavalo sendo ouvidos pelo trio.

- Então - disse Flint -, você acha que é capaz de nos ajudar?



Makaveli Killuminati
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Jul 18, 2016 11:55 am

Um suspiro pesado é solto quando Jack começa a ler o conteúdo da carta. Não poderia sentir a verdade das letras marcadas no papel, mas era claro que a ameaça fora bastante incisiva, não a toa o prefeito estava temeroso pela situação. O desenho do carimbo deixava a marca de quem ameaçava, uma assinatura única até onde Jack conseguia lembrar. O gatuno fica pensativo encarando a carta, observando cada traço do estranho desenho, tentando lembrar-se de alguma organização ou facção que tenha aquele símbolo, ou alguma menção à ele. Não demorou para ter a carta retirada de sua mão. Jack volta a se aconchegar na poltrona da carruagem esticando os braços no encosto.

- É... Você está certo, não é uma ameaça qualquer. - Jack deixava claro sua intenção em acreditar na seriedade do caso, desfazendo qualquer ideia que a ameaça era apenas palavras revoltosas de um eleitor infeliz. Flint, por sua vez, não queria entrar em um assunto visto com importância por Jack, a precedência daquela carta. O gatuno não precisava de motivos para desconfiar, mas se assegurava neste para manter-se sempre com olhos abertos sobre Flint. Nunca se sabe de onde o inimigo planeja, e por onde ele age.

Jack escuta atentamente o restante das palavras proferidas por Flint, dissimulando qualquer desconfiança que tivesse. A resposta sobre o mau momento da festa é ignorada, não precisavam se aprofundar neste assunto. Já a conclusão de Flint ia de acordo com o quê Jack estava imaginando, era óbvio que a ameaça ao prefeito vinha de dentro, caso contrário não teriam como cumprir a promessa deixada na carta. Um erro. O gatuno não ignora a chance de ser um erro proposital, uma isca.

O semblante de confiança é estampado em cada linha do rosto de Jack. - É claro que consigo ajudar... Salvar a bunda dos outros é uma das minhas especialidades... - O gatuno sorri para o companheiro de Flint após o comentário, visto que essa deveria ser uma das especialidades dele também. - Senhor Flint... Precisarei ter acesso antecipado ao local onde ocorrerá a festa, lista de convidados, possíveis inimigos e desafetos do prefeito, todos os serviços contratados, empregados... Pessoas que se beneficiariam com o anúncio do prefeito, pessoas que se prejudicariam... - Jack acompanhava a contagem do quê precisava com os dedos, enquanto observa Flint. - Qualquer informação sobre quem está por trás desta ameaça é bem-vinda, um simples detalhe pode salvar a vida do prefeito, ou matar, se for deixado de lado... Você tem algum nome em mente? - Não era inteligente da parte de Flint deixar de lado qualquer informação que pudesse identificar de quem era a ameaça.
Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Jul 18, 2016 9:35 pm



De forma até inesperada, Stivenson esboçou um leve sorriso com o comentário de Jack sobre salvar a bunda dos outros, desfazendo completamente por alguns segundos a carranca que ele vinha tendo até aquele momento. Flint pareceu não notar o sorriso de seu amigo, pois assim que Jack começou a falar das coisas que ele precisaria, o assessor do prefeito pegou um caderno e uma caneta de sua mala e começou a fazer algumas anotações.

O sorriso de Stivenson desapareceu, mas ele já não olhava de modo tão frio e concentrado para Jack.

- São muitas coisas que você me pede - disse Flint -, mas eu não esperava menos do que isso. Está tudo anotado e entregarei nas mãos do prefeito Cornélius. Acredito que não haverá problema com nada do que você pede, a não ser... bem... talvez com a última questão. - Tendo terminado as anotações, Flint guardou o caderno e a tinta num bolso interno da maleta e a fechou em seguida. - A origem da carta é um assunto delicado e eu não sou a pessoa mais indicada a compartilhar isso com você. Para falar a verdade, estou bem surpreso que o Sr. Benneth não tenha comentado a respeito disso. Ele sabe melhor do que ninguém do que se trata a marca que você viu na carta.

Jack percebeu que a abordagem desse assunto fez Stivenson virar ligeiramente o rosto na direção de Flint, como se esse assunto lhe interessasse tão quanto interessava a Jack. Ao que parecia, nem mesmo o guarda-costas do assessor do prefeito tinha essa informação.

- Mas não perca as esperanças, Jack, você terá oportunidade de falar com o prefeito em breve. Se não houver imprevistos na estrada, chegaremos no inicio do anoitecer em Vicari e deixaremos você num hotel que alugamos. A sua hospedagem está paga por três noites. Amanhã, o seu primeiro compromisso será no horário de almoço. Você almoçará com o prefeito na Casa da Prefeitura, que é o local onde vai ocorrer a festa, e lá você poderá conversar em particular com Cornélius e vistoriar o lugar como achar melhor. Depois, na noite do dia seguinte, já será o dia da festa. Lamento, pois como você pode ver, o nosso tempo é curto.

Flint estava prestes a dizer mais alguma coisa, quando Stivenson subitamente pegou o fuzil que estava apoiado na lateral da carruagem e abriu a cortina da janela. Flint se assustou com o movimento repentino de seu guarda-costas, que espiava as frestas da janela com o fuzil apontado para fora.

- Você ouviu alguma coisa? - perguntou Flint.

E Stivenson falou pela primeira vez, o que mostrava que ele não era mudo. Sua voz parecia meio rouca.

- Eu ouvi um uivo, mas não era de lobo.

Pela janela, dava para ver que a carruagem atravessava uma floresta. A mesma floresta que Jack já passara tantas e tantas vezes a caminho da mansão dos Benneth ou a caminho de Vicari, e ele nunca teve problema. A estrada que passava por ali era segura, apesar das árvores altas e com copas densas, o que tornava o dia mais escuro, parecerem assustadoras à primeira vista. Flint se virou para Jack e lhe fez uma pergunta.

- O senhor acredita em lobisomens e monstros que habitam os ermos? - perguntou o homem, que ficara meio encolhido em seu assento. - No caminho de ida, o cocheiro nos contou de uma vez que ele presenciou um vampiro se transformando em morcego, e ele jura que há outras criaturas aqui, como os lobisomens.

Flint parecia levar a sério esse assunto, coisa que para Jack não passava de contos de fadas para assustar crianças.



Makaveli Killuminati
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Re: Prólogo: Despedidas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Ter Jul 19, 2016 1:00 am

- Sem problemas, Senhor Flint... Falarei com o prefeito... Não estou preocupado, é apenas meu trabalho... E o sucesso do meu trabalho depende um pouco do quão preocupado o prefeito está em salvar a própria pele... No final, acredito que ele vai escolher sobreviver... - Jack falava com o tom descontraído de sempre, mostrando frieza de seu modo, demonstrando que a vida do prefeito para ele não passava de um contrato, quem deveria lutar por ela era o próprio prefeito.

- Depois de amanhã?!! - Os detalhes de sua hospedagem praticamente passam desapercebidos próximos a revelação do dia da festa. - Droga... Será impossível checar todos os nomes, de convidados, empregados, pessoas envolvidas nos serviços de preparação da festa... Dificilmente conseguirei checar se alguém, ou alguns, estariam usando uma identidade falsa... As relações de alguns possíveis suspeitos com a comunidade... Será impossível chegar nos envolvidos nesta ameaça antes destes chegarem no prefeito... - O gatuno fica pensativo, roçando a barba com alguns poucos dedos. - Ok... Mas eu tenho algo em mente. - Antes de Flint poder responder qualquer coisa, Stivenson interrompe com sua brusca reação com algo que havia ouvido.

Os dois pareciam paranoicos. Jack passara tantas vezes naquele trecho que era praticamente impossível sentir qualquer aflição, a rota é segura, nunca tivera problemas, e a viajem era ainda mais segura durante o dia. -São sons da floresta... Eu sei que não estão acostumados, mas não tem o quê temer. - O aviso de Jack a princípio não causara efeito em Flint, que estava imerso nas histórias que contava sobre eventos fantásticos que ocorreram por ali, ou pelo menos algumas pessoas acreditavam que ocorreram.

O questionamento de Flint faz o gatuno pensar por alguns instantes, cruzando as pernas antes de começar a dar seu ponto de vista sobre o assunto. - Há muitas coisas que não encontramos sentido ainda, e as vezes eu mal consigo acreditar no quê meus olhos veem... Seu amigo Stivenson aparentemente puxa a arma para qualquer barulho que houve... Isso sim é assustador... - Jack se inclina para frente, se aproximando um pouco de Flint e começa a falar com tom mais baixo, quase como sussurros. - Quantas pessoas que foram diagnosticadas doentes poderiam estar com um mal enraizados em si?.. E quantas pessoas que foram dadas como amaldiçoadas poderiam estar doentes?.. A consciência é um erro na evolução, é muito confuso entender o quê é natural e o quê é sobrenatural... E se o sobrenatural passa a ser natural depois de ser entendido... Como seria um mundo sem leis?.. Somos todos livres, até mesmo os escravos são de certa forma livres... Carregamos o fardo das responsabilidades pelo libre arbítrio... A responsabilidade de fazer escolhas a todo momento... Algo faz sentido neste mundo?.. Eu apenas vejo sentido nos significados que damos as coisas... E por vezes nossa própria mente nos engana... - Jack percebe que havia se desviado do assunto. - Enfim... Você está preocupado com lobisomens por quê você deu um significado a ele como algo a se temer... No meu caso, não passam de contos... Nossa própria espécie é mais selvagem e destruidora que as histórias que contam de lobisomens... Se você pudesse ver o quê eu já vi algumas vezes... Ficaria enojado. - No meio de sua reflexão, Jack lembrou-se da situação que Amanda passava, e o quão desconhecido era tudo aquilo para ele, mesmo estando tão próximo.
OFF:
"Ficaria enojado"... Sempre quis usar essa frase...
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Re: Prólogo: Despedidas

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