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Capítulo 1: O Asilo Kirton

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Elminster Aumar
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Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Qua Ago 24, 2016 9:39 pm



Capítulo 1: O Asilo Kirton


Ao descer da carruagem, Jack Quinzel viu os contornos de um dirigível planando sobre a negritude da noite. A nave aerostática, que não era das maiores já vistas por Quinzel, foi encoberta pelas altas construções enquanto ela fazia a sua descida de pouso em algum ponto central da cidade. Além dos prédios que chegavam a até dez andares, haviam as fábricas de grande chaminés expelindo fumaça dia e noite, tornando a visão da cidade não muito agradável de se ver, e o ar, ruim de respirar. Até mesmo quem cresceu desde pequeno numa cidade urbana, como era o caso de Quinzel, achava difícil se acostumar com tanta poluição, pois ela parecia só aumentar a cada ano que passava.

Não era uma mera impressão. Até pouco tempo atrás, Vicari não passava de uma cidade minúscula, completamente irrisória. Com o avanço da tecnologia à vapor e da ciência em várias áreas da sociedade, Vicari, como outras tantas cidades, tiveram uma crescimento rápido e meteórico. As grandes fábricas se ergueram, casas e mais casas foram construídas sem seguir nenhum tipo de padrão, prédios foram erguidos às pressas na necessidade de abrigar um número maior de pessoas, até que chegou uma hora em que a bolha estourou. Vicari não estava preparada para aguentar tamanho crescimento em um espaço de tempo tão pequeno, e não é de se espantar que a cidade agora passe pela sua pior crise na história. Há uma gente vivendo na cidade, muitos não conseguem encontrar empregos, e os que conseguem, em sua maior parte, acabam por aceitar as péssimas condições de trabalho oferecido pelas fábricas. Há poucas leis trabalhistas em favor dos operários, o que tem gerado grandes revoltas populares. As fumaças que se erguiam em direção ao céu podiam ser tanto das chaminés das fábricas quanto de incêndios orquestrados pelos trabalhadores, o que era cada vez mais comum em Vicari.

A cidade ficava nos limites do Ducado de Caspia, num vale baixo entre as Montanhas da Muralha da Serpente, os Baixios da Água de Aço e o Vale do Sal. Um único rio entrecortava a cidade, mas ele não era utilizado por embarcações nem pela população, pois a água se tornara o destino de todo o lixo do esgoto de Vicari. O lugar como um todo era mal localizado e carecia de linhas férreas para viajar entre uma cidade e outra, porém, algumas linhas férreas foram instaladas nas principais ruas e avenidas da cidade, permitindo a passagem de pequenas locomotivas à vapor conhecidas como bondes. Elas facilitavam o acesso de seus moradores aos mais diversos pontos da cidade, embora umas das reclamações dos rebeldes seja o preço da passagem, que eles consideram fora da realidade.

Após Flint pagar pelos serviços do cocheiro que os deixara numa das principais ruas da cidade, tanto o assessor do prefeito quanto Jack passaram a caminhar lado a lado, acompanhados de perto por Stivenson. O guarda-costas só tinhas olhos para o seu trabalho naquele momento e fazia pouco caso do que Flint e Jack conversavam. Eram umas sete horas da noite e a rua estava mais movimentada que o habitual. Jack visualizou a frente um dos pontos em que se pegava o bonde.

- Meu caro Jack... - disse Flint ao chegarem no local -  nós nos separemos agora. Você deve ir para o Hotel Burton e apresentar o seu documento de identidade. O prefeito já pagou em seu nome toda a estadia pelos próximos sete dias, incluindo as refeições e os serviços extras de camareira e ala hospitalar. Amanhã pela manhã você deverá ir para a Casa da Prefeitura, ela fica a poucos quarteirões do hotel. Tente chegar o mais cedo que puder, mas não antes das nove da manhã. Você e o prefeito terão muito o que conversar.

Jack sabia que o hotel mencionado pelo assessor do prefeito ficava em Piltover, um dos bairros mais nobres da cidade, o mesmo bairro no qual a Lady Delilah morava, sendo este hotel provavelmente o mais luxuoso de toda Vicari.


Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Makaveli Killuminati em Sab Ago 27, 2016 6:15 pm

Nada como o contrastante cenário de Vicari para fazer Jack esquecer todo percurso feito até ali. A fumaça e brisa quente lhe arranhava o rosto, era como um soco que o fazia voltar a realidade de sua cidade. Não poderia dizer que já havia se acostumado com toda a imensidão de sujeira que se acumulava ano após ano em Vicari, mas gostava de enganar a sí mesmo pensando que aos poucos parecia estar diminuindo a fumaça espessa que cobria a cidade e que em breve as noites voltariam ter a presença das estrelas.

Jack deixa a carruagem logo após Flint, que deixa as moedas com o cocheiro enquanto o gatuno checava suas roupas, dando alguns tapinhas nas coxas e abrindo o sobretudo, endireitando sua vestimenta e refrescando-se um pouco após a chegada. O grupo caminha por mais algumas quadras mantendo alguma conversa mundana, Jack sempre se atentava aos arredores, sabia que se fosse descuidado seria furtado por algum dos muitos trombadinhas que se mesclavam entre os pedestres, e de certa forma os trombadinhas e pedestres deviam também ter cuidado sobre Jack, caso contrário perderiam algumas moedas durante a breve caminhada. Enfim chega o momento de se separarem. O gatuno solta um sorriso sem significado, mas é claro que ele sabia o quê havia pensado enquanto Flint dava suas "ordens". Jack levanta sua cartola mostrando alguma etiqueta e despede-se do funcionário do prefeito. O gatuno observa por alguns momentos os dois virarem as costas, para então partir em direção ao Hotel mencionado por Flint.

Era apenas simulação, na primeira esquina o gatuno acelera seus passos e adentra alguma loja, buscando a saída dos fundos. Jack não queria ser seguido por ninguém, e não poderia se descuidar, talvez outros funcionários do prefeito estivessem encarregados de vigiá-lo, pelo menos deveria se o prefeito tivesse alguma precaução. Jack fez seu percurso se tornar um labirinto, mesclando entre becos e trechos com multidões, passando por açougues, lojas e verdureiras. O destino de seu percurso era o esconderijo da Irmandade, onde passaria a noite e de quebra se informaria sobre a situação de seus companheiros. Jack não utilizaria da mordomia dada pelo prefeito até que o prefeito se mostre alguém que pudesse confiar. Mas não esquece o compromisso para a manhã do próximo dia, neste tentaria chegar pontualmente.

Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Set 01, 2016 9:21 pm



Logo após se despedir do assessor do prefeito e de seu guarda-costas, Jack caminha alguns passos em direção ao ponto onde passava o bonde apenas para disfarçar as suas reais intenções. Na primeira oportunidade que vê, ele adentra uma relojoaria, esbarra sem modos numa senhora que saía de lá e avança pelo piso térreo da loja, passando por estantes contendo os mais variados relógios e por vezes se esbarrando em outros clientes, até que um funcionário do local vê que algo estava errado e tenta impedir Jack, mas já era tarde demais, o gatuno havia pulado sobre o balcão e corrido para os fundos, onde por sorte encontra uma porta destrancada. Ele passa por ela, foge do funcionário que vinha perseguindo-o e alcança a rua de trás da loja, se misturando rapidamente entre uma multidão de pessoas que passava por ali.

Jack rapidamente percebe que aquelas pessoas eram operários manifestantes, muitos deles levavam cartazes escritos à mão, enquanto outros carregavam tochas cheios de má intenções. A passeata parecia estar se dirigindo ao centro de Vicari, onde os ricos e nobres da cidade residiam. Jack permaneceu no meio da multidão por tempo suficiente até ter certeza de que qualquer possível espião fora desorientado. Deu tempo dele ver uma dúzia de manifestantes parar um bonde, pedir para todo mundo descer e atear fogo na locomotiva.

O caminho ficou livre depois que ele se desvencilhou da multidão, mas Jack ainda fez um caminho em zigue-zague, passando por becos estreitos, lojas de mantimentos e ruas que ele nem mesmo sabia o nome, até finalmente chegar a porta de metal maciço da espelunca em que a Irmandade usava para se reunir. Ao bater na porta, Jack não recebeu nenhuma resposta. Ele bateu de novo e nada. Pegando a cópia da chave que tinha consigo, Jack a colocou na fechadura, destrancou e viu que as trancas pelo lado de dentro não foram postas, o que permitiu que a porta fosse aberta e ele entrasse no lugar.

Estava tudo escuro e silencioso. Não era tão tarde da noite assim, pensou Jack, e ele logo estava descendo pela escada escondida atrás do balcão, sem se incomodar com o rangido dos degraus. Era uma espécie de alarme natural. Ao chegar na sala de reuniões da irmandade, Jack vê alguém sentado entorno da mesa circular, lendo o que parecia ser a capa de um jornal local. Assim que Jack dá os seus primeiros passos pela sala, o homem sentado à mesa abaixa o jornal, revelando um rosto retangular, com um nariz fino e e comprido, e uma barba grisalha com um cavanhaque.

Era Vivaldi.

- Harpia... - Vivaldi parecia surpreso por ver Jack ao levantar a sobrancelha que possuía uma falha devido a uma das muitas cicatrizes que Vivaldi possuía. O seu cabelo branco, com mechas de franja amarradas para trás, não revelava fragilidade, mas sim sabedoria e vivência. - Eu pensei que fosse o Urso retornando... Ele não veio com você, veio?

Vivaldi deposita o jornal sobre a mesa, com a face que ele tava lendo para cima. Não foi um gesto proposital, ele simplesmente deixou o jornal à mesa para dar atenção à Jack, e Jack, por sua vez, conseguiu ler de relance o título da capa, devido a atenção que as letras garrafais impressas causavam: "FUGA EM MASSA: COMO O PRESÍDIO DE MAIOR SEGURANÇA DA CIDADE VEIO A FALHAR PELA PRIMEIRA VEZ DESDE A SUA FUNDAÇÃO?".


Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Set 05, 2016 2:30 pm

A manifestação realizada pela classe operária fora o ponto perfeito para sumir definitivamente da vista de qualquer seguidor, havendo algum ou não. Era claro para Jack que as manifestações estavam tomando proporções alarmantes para o governo local, em breve poderia eclodir em algo mais forte. O prefeito não tinha muito para onde fugir, mesmo se safando da atual preocupação que lhe rondava. Se nada fosse feito para corrigir o abismo que separava as classes mais baixas das mais altas, não surpreenderia se uma guerra entre as classes iniciasse em breve.

Após toda a caminhada, agora se encontrava finalmente em frente ao esconderijo da Irmandade. Após ajeitar sua cartola e a gola de seu sobretudo, Jack bate três vezes na porta de metal maciço e em seguida arranha a porta com o bico da ave que ornamenta a ponta de sua bengala. Faz a mesma coisa uma segunda vez, como quem cumpria algo ritualístico. Se houvesse alguém no interior, saberiam que se tratava do Harpia. E logo se mostrou verdade quando a figura de Vivaldi se apresenta lendo o jornal na sala de reuniões. Jack retira seu sobretudo e sua cartola, colocando ambos no cabideiro ao lado do fim da barulhenta escada. - Lince... - Jack responde o cumprimento de Vivaldi de forma breve. Se aproximando do experiente irmão. - O urso é grande demais pra eu conseguir escondê-lo... Não sei onde está. - O gatuno fez uma pausa, curioso. - Eu deveria saber? - Talvez Jack deveria estar por dentro da situação, mas não era o caso. Sua vida dupla era bastante trabalhosa de se manter. Quase todos da Irmandade mantinham uma vida dupla, e entre eles conheciam quais era a de cada um. A outra parte de suas vidas que não conhecia a metade que pertencia a Irmandade, e manter em segredo custava muito esforço.

Jack não deixa de se atentar ao título do jornal do dia, que parecia feito em fonte maior que a de costume, justamente para chamar ainda mais atenção. Uma fuga, a primeira acontecida no presídio, mas pelo menos a segunda em larga escala nos últimos meses. - Acha que a fuga pode ter algo relacionado ao que aconteceu no Asilo Kirton?.. Muitos criminosos escaparam naquela noite em meio a toda chacina que ocorreu. - Jack direciona seu rosto para a porta do quarto de Amanda após mencionar aquela noite. A raposa descansava ali no esconderijo desde a noite mencionada, o grupo de artista ao qual pertencia provavelmente já haviam aceitado que Amanda talvez fosse mais uma das tantas pessoas que morreram no Asilo Kirton na "noite sangrenta", como o próprio jornal que Vivaldi lia havia denominado aquela noite, o título da capa não tinha como esquecer: "NOITE SANGRENTA NO ASILO KIRTON!". Após a lembrança recente vir a tona, Jack abre a porta do quarto da raposa cuidadosamente, espiando-a para ver como estava. Toda vez que o fazia, a expectativa era de ver Amanda consciente.

Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Set 05, 2016 11:08 pm



Vivaldi observou com serenidade Jack pendurar a sua cartola e o seu casaco no cabideiro. Quando o gatuno pergunta se ele deveria saber onde estava Jeromé, Vivaldi se mexe inconfortável em sua cadeira.

- Eu mandei o Urso procurá-lo. Passamos as últimas 24 horas tentando nos comunicar com você, mas você parecia simplesmente ter sumido do mapa. Por acaso encontramos o seu nome na lista de hospedagem de um hotel no centro da cidade... - Vivaldi percebe o interesse de Jack na manchete do jornal, e ele diz antes que Jack tecesse qualquer comentário: - É um daqueles tabloides de fofocas, nem perca o seu tempo lendo. Não há nenhuma informação concreta ou comprovada, o que há são apenas suposições do jornalista que fez a matéria, se é que podemos chamar essa pessoa de jornalista. Nenhum veículo oficial está confirmando a notícia.

Lince então ouve a suposição de Jack.

- Asilo Kirton? Mesmo se fosse verdade essa história, não vejo como aqueles criminosos dementes e loucos que escaparam do sanatório poderiam ajudar os piores bandidos de Vicari a escapar do presídio de segurança máxima. Eu estava entediado aqui, por isso peguei o tabloide para ler. Em circunstâncias normais eu passaria longe dele.

Jack não reparava mais na manchete principal da capa, pois logo abaixo dessa reportagem havia uma outra, em menor destaque, mas cujo teor da notícia lhe interessou mais naquele momento, pois ela falava a respeito do prefeito Cornélius.



Trolloides: para o bem ou para mal?

Não é segredo para ninguém que o prefeito Cornélius contratou na última semana um bando de trolloides para servirem como a sua guarda pessoal. Algumas figuras importantes de nossa comunidade tem questionado a necessidade de empregarmos tais seres conhecidos por serem brutos e por não terem qualquer senso cívico, como é o caso do Sr. Heffren.

"Honestamente, eu acho um desrespeito aos cidadãos de Vicari tal medida", disse o dono do Banco Alfa, visivelmente irritado ao falar com os jornalistas. " O que ele quer dando emprego a esses monstros? É como se o prefeito estivesse se preparando para uma guerra, mas contra quem, eu pergunto? Espero que essa medida não seja uma tentativa de intimidar os operários que vão às ruas em busca de seus direitos." [continua na página 4]



Jack disfarçou o seu súbito interesse na notícia sobre o prefeito caminhando em direção ao quarto de Amanda. Ele abriu a porta com cuidado e apenas o suficiente para ver que Amanda continuava deitada na cama hospitalar que a Irmandade arranjou provisoriamente. Ela estava com vários fios ligados ao corpo, exatamente da mesma forma que Jack a vira pela última vez, há dois dias atrás. Desde o dia em que Amanda fora resgatada do sanatório, Vivaldi passou a cuidar dela pessoalmente. Ele nunca fora um médico profissionalizado, apesar de ter conhecimento para ter se tornado um.

- Suas funções cerebrais continuam quase que a zero. Seu cérebro só responde através do estímulo da dor, o que é bom e ruim ao mesmo tempo.



Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Set 07, 2016 1:51 pm

O gatuno havia ficado preocupado com o quê Vivaldi havia ordenado Jerome fazer, e não esconde a preocupação em seu semblante. Mas continua dialogando com Vivaldi. Outra notícia do jornal só respondia as questões levantadas por ele enquanto observava a manifestação que ocorria nas ruas no dia presente. Em breve os operários seriam ainda mais oprimidos, Jack tinha convicção que os trolloides eram para combater as manifestações. Seria uma atitude lamentável. Se o prefeito estivesse esperando que trolloides salvassem sua vida de quem o ameaçava, seria tesouro jogado fora, se os assassinos tivessem algum tipo de treinamento saberiam como contornar essa proteção e não entrariam em um combate físico.

Era triste a visão da Amanda deitada sobre o leito, com todas aquelas agulhas e fios ligados à ela. O cabelo já havia crescido um pouco, mas na cor natural, não na cor que ela gostava utilizar. Jack lamentava não ter conseguido chegar minutos antes na sala em que ela fora lobotomizada. Era uma culpa que carregava consigo, não iria deixá-lo até Amanda se recuperar totalmente, esperava que os deuses também quisesse o mesmo, caso existissem. Enquanto isso a Irmandade tentava cuidar dela com os meios que conseguiam utilizar. Jack balançava a cabeça negativamente, cabisbaixo, enquanto fechava a porta do quarto da raposa com o mesmo cuidado que havia aberto. O gatuno caminha até uma das poltronas próxima a mesa redonda, mordendo os lábios inferiores como manifestação de seu lamento, embora não percebesse que estava fazendo.

Antes de revelar qualquer coisa para Vivaldi sobre sua hospedagem no hotel, decidi ignorar aquilo por um momento para explorar um pouco do vasto conhecimento do experiente irmão. - Lince... Você sabe a quem pertence um símbolo verde, composto por três folhas entrelaçadas uma à outra?.. Juntas elas parecem formar a letra "C"...
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Set 08, 2016 10:19 pm



Jack acomoda-se numa das poltronas próximas da mesa, perguntando a Vivaldi sobre o símbolo que Flint lhe mostrara mais cedo.

- Falando assim parece muito abstrato... Você conseguiria reproduzir o desenho para mim, Harpia? - pergunta o líder da irmandade, arrancando um pedaço do próprio jornal e tirando uma caneta do bolso de seu casaco, depositando ambos a frente de Jack.

Vivaldi se recosta na parte de trás de sua poltrona e aguarda pacientemente enquanto Jack Quinzel tentava reproduzir a imagem que vira na carta endereçada ao prefeito. Em pouco mais de um minuto, Jack termina o desenho e o entrega a Vivaldi, sendo agora a sua vez de aguardar algum pronunciamento. Vivaldi leva o pedaço do papel bem próximo à vista e franze o cenho enquanto tentava puxar pela memória algo parecido. Ele pareceu observar o símbolo por longos minutos. Não eram os detalhes do desenho que lhe cobravam tanta atenção, de fato, os seus olhos pareciam até desfocados enquanto seu cérebro trabalhava para varrer tudo que ele já vira em sua vida, e não era fácil para um homem tão vivido e experiente como Vivaldi, que já viajou através de toda a Immoren Ocidental e talvez além dela, lembrar tão rapidamente de todos os aspectos que ele já presenciara alguma vez. Passado esse longo tempo, Vivaldi guardou o pedaço de papel num outro bolso e disse:

- Não me lembro de já ter visto esse símbolo antes, mas se me permitir, eu gostaria de ficar com o desenho para pesquisas futuras. O símbolo é bem simples, mas há uma certa curiosidade na formação das plantas. O que parece ser um "C" pode representar outra coisa, como uma meia-lua. Onde você viu isso?



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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Makaveli Killuminati em Sex Set 09, 2016 2:45 am

Jack esperava ansioso enquanto observava Vivaldi analisando seu desenho e tentando puxar na memória algo que remetesse àquilo, e não esconde a frustração quando não obtivera resposta sobre o símbolo. O experiente irmão parecia sentir a frustração de Jack quando o avisa que iria pesquisar sobre. O gatuno balança a cabeça positivamente enquanto fitava a parede vazia e seus dedos escorregava sobre a mesa e caindo sobre o encosto da poltrona. Os membros da Irmandade não costumavam manter segredos um com o outro, e toda vez que desrespeitavam essa etiqueta moral entre eles algo de ruim acontecia, então Jack responde Vivaldi sem pensar muito. - Esse símbolo estava marcado numa carta endereçada ao prefeito... Era uma ameaça de morte. - Jack vira o rosto para Vivaldi, soltando o ar pesado que arranhava os pulmões. - Por isso meu nome está na lista de hospedagem do hotel. O prefeito me contratou pra resolver isso. - Apesar de não manter segredos com Vivaldi, Jack não precisava explanar sobre tudo, ficando em silêncio em seguida.

O gatuno levanta-se da poltrona, se afastando da mesa e indo na direção de uma estante que ficava no centro da sala. - Se descobrir algo sobre o símbolo me avise. Pode salvar a vida do prefeito. - Jack faz uma pequena pausa enquanto se abaixava, abrindo as pequenas portas inferiores da estante. - Não que o prefeito mereça... Mas enfim, não o conheço suficiente para julgá-lo, e nem vou ser pago para isso... - Jack já havia encontrado uma boa garrafa de whisky armazenada atrás de alguns livros de Vivaldi, uma das muitas que escondeu antes que alguém pudesse jogar fora ou beber sozinho. Jack se levanta com um sorriso no rosto, fitando Vivaldi como quem comemorava pela garrafa encontrada, levantando-a como se fosse um troféu. O pó sobre os livros indicaram que aquela coleção Vivaldi não mexia fazia um bom tempo, e mostrou ser um bom esconderijo para a bebida.

Jack sobe as escadas da sala secreta, indo até o bar que ficava no piso térreo, acima do complexo esconderijo da Irmandade, indo buscar um copo para si, não iria pegar dois copos pois não havia o suficiente para dois ficarem bêbados com a quantidade que tinha. Não demorou até Jack descer a escada novamente, dessa vez com o pequeno copo já em mãos. - Amy está precisando de algo? - Raramente alguém da Irmandade chamava o outro pelo nome, mas quando se tratava de Amanda as vezes deixava o codinome de lado e o apelido mais íntimo escapava de sua boca. Mas não era só Jack que cometia esse deslize, o próprio Vivaldi também. O gatuno para em frente a porta do quarto de Amanda, esperando a resposta de Vivaldi. -Por favor, me acorde quando o sol nascer. - Complementa Jack, indicando que cuidaria de Amanda naquela noite, dando um descanso para Vivaldi.

Com cuidado, o gatuno abre a porta do quarto da jovem em coma, novamente, desta vez adentra o quarto. Com o mesmo cuidado fecha a porta, novamente. O gatuno caminha até o lado do leito de Amanda, observando o rosto pálido por alguns instantes e se entristecendo ainda mais em vê-lo praticamente sem alma, como se apenas a casca de Amanda estivesse ali. Ele se assenta na poltrona ao lado do leito, prepara o copo com whisky e fica ali o resto da noite, bebendo e tomando conta de Amanda, até cair no sono.
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Set 12, 2016 9:40 pm



Vivaldi ouve Jack dizer que foi contratado pelo prefeito para resolver uma ameaça de morte e o experiente irmão faz um assobio quase inaudível, baixando os olhos em seguida para o carpete do piso. Ele ouve as colocações de Jack, e após parecer pesar sobre o que fora dito, ele dá a sua opinião.

- Eu não conheço tão bem o regente atual como eu gostaria. Eu nunca o havia visto nessa cidade antes e muitos compartilham da mesma visão. Foi como se ele tivesse surgido do nada para as última eleições, já que ele nunca havia assumido nenhum cargo em Vicari. Eu não boto a minha mão no fogo por ele, Harpia, mas um trabalho é um trabalho... Eu lhe falarei se descobrir algo a respeito do símbolo.

Em seguida e ainda com as palavras de Vivaldi na cabeça, Jack finalmente encontra uma garrafa que procurava. Depois, ele sobe a escadaria para o bar, pega um copo para si mesmo e volta a descer. Vivaldi acompanhava cada um dos seus passos com o seu olhar resoluto. Jack faz uma pergunta sobre Amanda e depois planeja ir para o quarto em que ela está para passar a noite, mas Vivaldi logo afugenta essa hipótese. O velho lince se levanta da poltrona e Jack, então, teve que parar o seu movimento ao batente do quarto de Amanda, com um pé dentro e outro fora.

- Eu não mandei que o Urso fosse te procurar para voltar para casa e tirar um cochilo, Harpia. - Jack estava acostumado com a natureza dura das palavras do irmão. - Não há o que mais se fazer pela Raposa a não ser rezar à Menoth por sua vida. O que me preocupa no momento é Lugos. Sim, a Víbora. Como você sabe bem, passamos os últimos dois meses varrendo a cidade em busca dele. Prisões, esgotos, delegacia, hospitais e até nos quartéis, e não o achamos em lugar algum. Contudo há um local em que não procuramos e que talvez seja o mais óbvio onde ele pode estar: o Asilo Kirton.

Jack sabia o motivo da irmandade ainda não ter procurado a Víbora no principal sanatório da cidade. Depois que eles invadiram o local para resgatar Amanda, Andrew Hopkins reforçou a segurança do Asilo Kirton com o triplo de vigilantes e alarmes. E na primeira vez eles já haviam tido alguns problemas, tanto que perderam Lugos durante um dos confrontos que houvera.

- Temos que invadir o sanatório nessa madrugada, Harpia. Não há outro dia para fazer isso. Desde que ficamos sabendo que haveria uma rebelião forte dos operários no dia de hoje, eu e o Urso passamos a tentar entrar em contato com você durante o dia todo. A rebelião promete durar a noite toda, e veja só, foi divulgado que eles pretendem alcançar a parte central da cidade, onde estão os bairros mais nobres e justamente onde está o Asilo Kirton. Eles devem passar em frente ao sanatório, inclusive. Percebe a nossa oportunidade? Os guardas do lugar precisarão manter ao menos um de seus olhos na multidão que estará andando pela rua queimando e destruindo o que vê pela frente, e aí que nós tentaremos entrar às escondidas. É a nossa chance de reaver o nosso quarto elemento, Harpia. Eu temo o que podem estar fazendo com ele, caso ele esteja lá mesmo. Que tipo de informações podem estar arrancando de sua boca... Nós já vimos bem do que eles são capazes.

Vivaldi lança um olhar em direção a Amanda. Não era preciso dizer mais nada. Se Amanda estava daquele jeito, era por culpa de quem cuidou dela no sanatório. Jack teria que ponderar sobre aquilo tudo. Ele não era obrigado a fazer nenhuma missão pela irmandade, mas seria uma desfeita não tomar parte disso. Com a Amanda fora de jogo, Lugos se tornava uma peça ainda mais importante para a irmandade. Porém Jack tinha um encontro marcado com o prefeito amanhã pela manhã, e ele sabia que o sanatório era grande, de modo que poderia se gastar umas boas horas para revirar o lugar.



Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qui Set 15, 2016 6:30 pm

A frase de Vivaldi quase soava como uma repreensão, fazendo Jack parar imediatamente enquanto já adentrava o quarto. A primeira reação do gatuno foi passar a mão sobre a madeira da porta como se tivesse acariciando-a, e quase fechando-a, deixando apenas uma fresta, imaginando que o barulho da conversa de uma forma ou de outra poderia atrapalhar a recuperação de Amy. Ignorar o motivo pelo qual Vivaldi o procurava não resultou em nada no final das contas. - Achei que estava com saudades apenas. - Ainda deu tempo de fazer uma graça antes de Vivaldi falar sobre sua preocupação.

Se não conhecesse Vivaldi o suficiente, Jack acharia que estava louco em cogitar a Irmandade procurar pessoalmente pela Víbora no Asilo Kirton. - Está sugerindo invadirmos o Asilo Kirton? - Depois da resposta dada por Vivaldi, Jack já não sabia ao certo se realmente Vivaldi não tinha enlouquecido, não só queria invadir o sanatório como queria fazê-lo imediatamente. A feição de surpresa que Jack fazia não tinha como esconder o espanto. Se Lugos tivesse ficado no sanatório, Jack acreditava que as chances dele se encontrar vivo eram absolutamente minúsculas. Aquele local fazia experimentos com os pacientes que colocaria as teorias de conspiração mais loucas no bolso. Assim que Vivaldi lança o olhar sobre Amy, Jack espera alguns segundos até fechar a porta definitivamente.

- Merda! - O som do desabafo saia como um grito reprimido. O gatuno andava de um lado para o outro, pensando no pedido de Vivaldi, deixando em segundo plano seu compromisso de amanhã. - Cadê aquele velho Lince que não agia arbitrariamente, que sempre tinha pelo menos três planos em mente... - Jack indagava seu mestre, mesmo reconhecendo que certas ocasiões requeriam mais improviso e ação do quê planejamento e prevenção.

- Certo, eu aceito essa loucura... Não tenho como ficar de fora... Além do mais, seria interessante descobrir mais sobre os experimentos realizados naquele lugar, caso a gente tenha tempo. - O gatuno já afirmava sua presença na invasão enquanto preparava seus equipamentos rapidamente. Não havia nenhuma chance dele ficar de fora daquela invasão, nem mesmo se seu compromisso com o prefeito fosse na próxima hora, por meses a curiosidade sobre os experimentos realizados no sanatório assombravam sua mente, e essa era a oportunidade de buscar a verdade por trás daquelas bizarrices.

- Esperamos o Urso?.. Ou melhor, tem algo em mente? - Jack não demoraria para se aprontar para a invasão, poderiam partir logo que Vivaldi quisesse.
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Set 22, 2016 9:23 pm



Jack não precisou esperar uma resposta do experiente irmão a respeito de invadirem o sanatório naquela madrugada. O olhar decidido de Vivaldi dizia por si mesmo que estava determinado a fazer aquilo, com ou sem a companhia Jack. Contudo, com a confirmação da presença de Jack, ele não deixou de parecer mais aliviado, abrindo até um raro sorriso.

- Nós vimos da última vez em que estivemos no Asilo Kirton que planos e mais planos não significam um sucesso absoluto. Recuperamos a Raposa naquela noite, mas perdemos o Víbora. Tivemos muitos problemas e hoje as coisas tendem a ser muito pior. Estamos em menor número de integrante e a segurança está reforçada... Mas se fosse para fazer trabalho fácil, essa Irmandade perderia o propósito de sua existência.

Vivaldi se aproxima da escada para pegar o seu casaco de peles no cabideiro. Fazia frio lá fora.

- Nos encontraremos com o Urso no hotel em que ele estava esperando você chegar. E lá já estaremos perto do sanatório.

Vivaldi deu uns dez minutos para Jack se aprontar. Basicamente foi o tempo dele ir ao banheiro fazer suas necessidades e pegar suas coisas. E então os dois partiram para o ponto do bonde mais próximo.



De uma coisa Jack não podia reclamar: o prefeito havia escolhido o melhor hotel da cidade para ele. Vivaldi e Jack chegaram em frente ao Hotel Burton perto das nove horas da noite. Enormes letras em dourado acima do portão de entrada formavam as palavras que davam nome ao hotel. O edifício possuía cinco andares além do térreo, tornando este um dos mais altos da cidade. Cada andar possuía varandas grandes e espaçosas, algumas com piscinas privativas, enquanto no topo do hotel havia um ponto para embarque e desembarque de pessoas que usavam aeronaves como dirigíveis ou balões. Já na área externa, um grande lago refletia o brilho da lua.

Eles adentraram o saguão de entrada e se encaminharam para a sala comunitária, de acesso livre a clientes e não clientes do hotel. Cada detalhe da parte interna fora pensado para esbanjar luxo e riqueza, com objetos decorativos que deviam valer uma fortuna. Vivaldi, de olhos aguçados e ligeiros, foi o primeiro a ver o Urso. O terceiro elemento da Irmandade estava sentado sozinho num sofá, com o olhar distraído, como se estivesse com tédio. Vivaldi se aproximou do homem.

- Você falhou em encontrar a Harpia.

- Viv... quer dizer, Lince! Por que veio para cá? A Harpia ainda não passou por aqui... Ah, ai está você! - Jeromé gritou de surpresa quando percebeu a presença de Jack atrás de Vivaldi. - Mas como...?! - perguntou sem entender.

- Ele estava fora da cidade e voltou para a nossa casa antes de vir pra cá. Acho melhor irmos lá fora conversar.

Algumas pessoas na sala haviam levantado olhares curiosos para o trio. Jeromé era uma pessoa que não passava batido por nenhum lugar a qual ele ia. Ele era forte, careca e com uma barba longa e espessa que lhe dava a aparência quase de um bárbaro das terras ermas de Immoren. Provavelmente ele já vinha sendo recebido por olhares atravessados desde o primeiro momento em que pisara dentro do Hotel Burton, mas as pessoas passaram a se mostrar mais incomodadas quando viram que aquele homem possuía dois amigos que aparentemente portavam armas. Era comum as pessoas andarem armadas pela cidade, mas não dentro de um hotel como aquele.

Os três saíram das dependências do hotel e começaram a caminhada pelo distrito em direção ao Asilo Kirton. As ruas daquele bairro nobre de Vicari estavam quase vazias àquela hora da noite, com a exceção dos guardas que faziam a ronda no lugar. E havia um número maior deles do que em dias normais. Vivaldi, despreocupado com a presença em grande número dos guardas, olhou para o seu relógio de bolso e disse:

- Temos cerca de aproximadamente três horas para que os rebeldes alcancem o Asilo Kirton. Se tiverem quaisquer colocações ou ideias em mente, é bom que as ponham na mesa nesse instante. Se não seguiremos com o meu plano de usar a distração da manifestação para tentarmos pular desapercebidos os muros do sanatório.

 

Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Set 26, 2016 3:56 pm

Jack não tinha o quê acrescentar as palavras de Vivaldi, afinal de contas seu estilo seguia bem mais ao improviso e era bem menos metódico, mas não tinha como não achar estranho já que tais palavras eram de Vivaldi, que naturalmente seguia o estilo oposto. O gatuno gastou os dez minutos como pôde, apenas constatou que não ficaria em apuros no meio da invasão. A ideia de não dar as caras no hotel havia ido por água abaixo, já que por hora teriam que buscar o Urso, que não era alguém difícil de se rastrear. A dupla partiu deixando Amy em segurança no esconderijo, pegando o vagão que os levaria mais rapidamente até o hotel.

____________________

- Em pensar que estou deixando de aproveitar isso aí... Com a chave de um dos quartos desse hotel, poderia convencer dezenas de senhoritas solitárias que sou um bom partido. - Jack comenta enquanto admirava a fachada luxuosa do Hotel Burton, caminhando pela ponte que trespassava o lago no pátio do hotel, que refletia vibrante a silhueta de Jack e Vivaldi com pequenas ondulações que a brisa manifestava na água, a lua cabia inteira dentro do lago, ao menos seu reflexo.

- Vou esperar aqui... Apenas por precaução. - O gatuno informava Vivaldi com um sorriso amarelo, sem dar muitas explicações. Jack não adentra o hall do hotel, esperando do lado de fora, próximo a entrada principal do hotel, não queria que algum contato do prefeito informasse seu contratante sobre as duas pessoas com quem Jack estava andando naquela noite, isto poderia colocar em riscos a integridade do sigilo que a Irmandade mantinha e chamar atenção desnecessária. Enquanto Vivaldi buscava Jerome, Jack ocupava seu tempo observando a arquitetura e obras de arte que compunham o lado externo do Hotel.

Enfim, Vivaldi saia pelo mesmo lugar que entrou, junto ao Jerome, não houve demoras. Jack cumprimenta Jerome, tocando levemente com os punhos em seu ombro. Os três caminhavam pelo distrito que Delilah habitava, o mais nobre de Vicari. Jack apenas desejava em sua mente que Delilah guardasse seu instinto filantropo para outra noite, já que esta seria consideravelmente agitada no distrito nobre da cidade. Ao contrário de Vivaldi, Jack mantinha-se atento aos guardas, sem aparentar suspeito. Talvez poderia notar alguma mudança a mais na guarda daquela noite que não a mais óbvia, a quantidade da guarnição.

Jack ouve a colocação de Vivaldi, e tinha sim algo acrescentar, embora o tempo disponível não proporcionasse nada complexo o bastante para chamar de plano. - Como você disse, temos três horas. Levando em conta que a segurança do local foi aumentada por conta da fuga de parte dos detentos e doentes, acredito que a segurança deve estar mais focada em não deixar que algo saia. - O gatuno deixava claro seu ponto de vista. Dando um tempo para refletirem. - Não significa que será fácil entrar desapercebidos, mas acho que deveríamos aproveitar a manifestação rebelde para sairmos do Asilo Kirton, e não entrar... - Jack continuava a caminhada, se posicionando mais próximo de Vivaldi. - Ou você acredita que teremos tempo de entrar e sair enquanto a manifestação acontece no entorno? - Jack colocava a questão em pauta, a duração da manifestação influenciaria e muito na tomada de decisão, embora isto fosse bastante imprevisível. - Aliás, dessa vez bem que poderíamos entrar e sair pela galeria de esgoto, não? - O labirinto extremamente confuso feito pela galeria desativada de esgoto ainda era uma opção, embora esta opção ainda dependesse do quão Vivaldi achasse que era uma boa opção, já que ele era o único na Irmandade capaz de se locomover por aquele local sem se perder. As histórias de pessoas que adentraram e se perderam no labirinto, morrendo no interior, ainda amedrontava a população, e Jack não era tolo de vasculhar o local sem ter segurança que pudesse voltar a superfície.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Out 03, 2016 9:48 pm



Jack Quinzel por fim recusou-se a adentrar a parte interna do Hotel Burton, temendo que houvessem homens do prefeito ali justamente para espioná-lo. Se Cornélius de fato fizera isso, ele possivelmente já estaria sabendo que o gatuno não se hospedou em seu hotel e poderia estar, naquele exato momento, chamando homens para procurar Jack. Conforme esse pensamento inevitalmente passava por sua cabeça, Jack passou a ver sob um outro olhar a abundância de guardas às ruas. Eles poderiam muito bem estar a sua procura...

A sorte de Jack era que Jeromé, com todo o seu tamanho avantajado, quase sobre-humano, e os pelos em grande quantidade sobre o seu corpo, servia como um chamariz para os olhares de todo mundo, fazendo com quem estivesse andando ao seu lado quase não fosse notado. Conforme caminhavam em direção ao sanatório, Vivaldi ponderou as sugestões levantadas por Jack.

- Os manifestantes não tem parado mais do que uma hora nos pontos principais ao longo de sua marcha. Logo não podemos contar que conseguiremos usar a distração causada por eles tanto na entrada quanto na saída... É preciso escolher apenas um desses momentos.

- Por que não fazemos como a Harpia falou? - perguntou Jeromé, com a sua voz grossa e de tão bruta que parecia meio estúpida. - Me pareceu um bom plano...

Vivaldi descartou a ideia com um gesto com a mão.

- Não temos como saber quanto tempo precisaremos para encontrarmos a Víbora, se é que ele está lá mesmo. Teremos que averiguar todas as salas, corredores e quartos, incluindo os do subterrâneo e vocês já viram como o maldito lugar é grande. Três horas é tempo insuficiente para explorarmos tudo e contar com a sorte de achá-lo rapidamente é uma coisa que eu não farei. Iremos aproveitar a presença dos rebeldes para invadirmos o local. - Jack e Jeromé já sabiam que quando Vivaldi tomava uma decisão, era muito difícil e improvável fazê-lo voltar atrás dela. - Eu não queria ter que usar a galeria de esgoto novamente. Foi justamente lá que perdemos a Víbora. Sem mim, vocês podem se perder e serem pegos pelos guardas do Asilo. Porém, escalar os muros agora me parece um tanto improvável. Olhem!

Eles haviam chego bem próximos do Asilo Kirton e Vivaldi apontava para os muros que protegiam o lugar. Andrew Hopkins havia mandado erguer mais três metros de muro, e o que já era alto, ficara mais alto ainda para uma escalada, com os seus agora impressionantes dez metros de altura. E no alto dos muros haviam arames farpados, outra medida de segurança adotada por Andrew, esta já bem ciente da Irmandade. Torres de vigias estavam posicionadas a cerca de 15 metros de distância uma das outra, e o portão de grade de ferro reforçado estava trancado e vigiado por quatro homens com fuzis em mãos. Esses homens estavam no chão, em frente ao portão, enquanto certamente haviam outros escondidos nas torres. Eles estavam numa postura alerta e vigilante, provavelmente já esperando problemas com os rebeldes que se aproximavam do lugar.

- O que faremos? - perguntou Jeromé, aparentando estar ansioso.

- Iremos pelo esgoto.



Shady Dope
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Shady Dope em Sex Out 07, 2016 1:01 am

Jack pisca um dos olhos para Jerome e sorri com o canto de boca, aprovando a aprovação que recebera, e enquanto pensava sobre a possibilidade dos guardas estarem vigiando também seu paradeiro, tentava se posicionar de forma que tivera certeza que o grandalhão seria o centro das atenções, embora não acreditasse que iria passar desapercebido se fosse o caso. Mas gostava de acreditar que ele não valia tanto investimento para o prefeito no momento.

As palavras que se seguiram foram de muita sobriedade por parte de Vivaldi, mas parecia que o Lince não queria cogitar uma das possibilidades, e que não era pequena. - Não quero parecer otimista, Lince... Mas se a Víbora se perdeu nos labirintos subterrâneos... - O gatuno para de falar, ficando com o olhar vazio. Nenhuma palavra mais precisava ser dita. A víbora poderia ter virado mais um para as estatísticas. A visão da enorme muralha reformada volta a atenção do trio. Era impossível escalar algo daquela altura de forma braçal sem ser visto, pelo tempo que levaria. - Acho que precisaremos sermos muito eficientes hoje. - Jack comentava enquanto observava a guarnição montada para aquela noite, e reformulada após a fuga em massa meses atrás. - E de muita sorte... - Dessa vez falava com tom jocoso, pois percebeu com atraso o tamanho do calibre que os guardas carregavam em mãos. - Tô fodido... - O gatuno sussurra para si mesmo, pois a missão começava aparentar suicida.

Jack seguia Vivaldi de perto até o esgoto, por onde o trio decide fazer a invasão. Enquanto isso, observava os arredores no caminho, qualquer coisa fora dos padrões poderia ser um sinal ou uma oportunidade para aquela noite, nunca era tarde para começar a pensar na sua fuga.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Qua Out 12, 2016 10:04 am



Com as palavras pouco otimistas de Jack, o trio vai para uma rua deserta que fica a três quarteirões de distância do sanatório e então adentram o complexo de túneis subterrâneos através de um bueiro. A descida se dá por uma escada de metal acoplada à parede e eles não tem problema em alcançar o chão. A água do esgoto corria lentamente por aquele túnel e batia nos tornozelos.

- Temos agora cerca de duas horas e meia para explorarmos esse complexo ao redor do Asilo Kirton. Eu não acredito que a Víbora tenha se perdido aqui, e se ele se perdeu, será praticamente impossível achá-lo. Mas vamos aproveitar o tempo que temos até os rebeldes chegarem para explorarmos o máximo de túneis que tem por aqui. Faz tempo que eu não visito esse lugar e um canal ou outro pode estar mudado.

Vivaldi acende uma lanterna, iluminando o corredor. Paredes de tijolos formando um arco se erguiam em todas as direções. Jack viu uma ratazana passar pelo seu lado direito, saltitando pela água em fuga à recente claridade. Jeromé fez uma cara de desagrado. Ele não se incomodava com a água suja correndo pelos seus pés, mas não escondia de ninguém que tinha um certo nojo de ratos e outros bichos que viviam ali embaixo. Liderados por Vivaldi, os três seguem caminho pela galeria de esgoto, em seus infinitos túneis. O local como um todo era muito mal administrado. Aparentemente, desde a fundação de Vicari e criação do mesmo, ele nunca passara por uma reforma significativa. O grupo avançava com cautela, ciente do tempo que tinham a disposição e alertas a possíveis barulhos, vindo de fora ou de dentro do complexo. Jack tentava lembrar-se do caminho que percorreu, mas isso já não era mais possível. Ele já havia se perdido e a julgar pela cara de Jeromé, o grandalhão também não sabia mais em qual parte estavam do esgoto. Vivaldi, contudo, tinha plena consciência de onde seus pés pisavam e ele não titubeava em escolher entre direita ou esquerda em alguma bifurcação. Em algum momento do trajeto, eles fizeram uma pausa. Vivaldi desligou a lanterna e o trio descansou por alguns minutos. Em seguida, voltaram a caminhar. Nada haviam visto de anormal, até que sons provenientes das bocas de lobos foram percebidos.

Pessoas gritavam lá das ruas.

- Manifestantes - Vivaldi resumiu o pensamentos de todos em voz alta. - Essa é a nossa deixa.

Lince acelerou o seu passo e enquanto os três deixavam a gritaria para trás, ainda fora possível ouvir sons de explosões, provavelmente de bombas sendo arremessadas, ou pelos manifestantes ou pelos guardas, era difícil saber. Eles então chegam até uma coluna de ventilação. Se Vivaldi não tivesse se confundido, essa coluna deveria levá-lo para o interior do prédio do Asilo Kirton. Vivaldi aponta para os dois subirem primeiro. Jeromé faz um pézinho com as mãos, para que Jack pudesse subir nelas e então se agarrar ao tubo. A subida era toda vertical, mas ela não apresentava grande desafio. Usando as mãos e os pés para se apoiarem em ambos os lados do cano, Jack conseguiu subir. Depois foi a vez do Jeromé, que sozinho, se alçou para cima. Jack subiu até ver o primeiro ramal de ventilação. Era um túnel secundário, horizontal, que ligava ao tubo principal em que estavam. Era um túnel mais apertado, de modo que Jack teve que se rastejar por ele.

Ele parou na primeira grade que viu. Pelas frestas, o gatuno via uma sala à meia-luz, embora o seu ângulo de visão não permitisse ver de onde vinha a fonte de luz. Havia uma cama de hospital. Junto aos braços da cama tinham correntes postas uma em cada lado que pendiam no vazio. Jeromé chegou logo depois. A dificuldade dele em se mover naquele espaço apertado era notória, e ele arfava muito, quase sem fôlego. Ele conseguiu sussurrar para Jack entre uma respiração e outra:

- O Lince... ele disse... para gente... explorar as... salas subterrâneas... enquanto ele... irá... ver os outros... andares.

Enquanto o Urso sussurrava suas palavras, Jack viu a sombra de alguém se movendo lá embaixo. A sala não estava vazia.


Shady Dope
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Shady Dope em Seg Out 24, 2016 2:49 pm

A batida dos pés na água que escorria pela galeria fazia eco, que se perdia como qualquer outra coisa ali dentro. O som de gotas caindo aparentava vir de todas as direções, as vezes a mesma gota fazia o som vir de mais de uma direção, tamanha a confusão que o labirinto era. A ratazana saltita, fugindo do trio e causando em Jeromé incomodo, percebido por Jack. - Até as ratazanas se assustam com sua cara. - O gatuno não iria perder a oportunidade de fazer piada com o grandalhão. A recomendação de Vivaldi era ouvida e concordada com sinal positivo com a cabeça. O velho Lince liderava a frente, Jack não perdia tempo em tentar memorizar o labirinto, pois não era um trabalho possível de fazer em uma só vez, provavelmente Vivaldi passeava pelas antigas galerias de esgoto mais do quê Jack perambulava pelas zonas urbanizadas de Vicari.

Através de gritos e coro o som da manifestação enfim se aproximava, a oportunidade era clara, era a hora de agir. Agora, de fato a missão tinha iniciado, dali em diante Jack se focara para não cometer erros, sabia que os três deveriam agir como se um fossem. Com Jeromé fazendo a alavanca para a subida, com três passos Jack acelera e salta com o impulso feito por Jérome, realizando a subida de maneira fácil. Em poucos momentos já estava rastejando por um dos dutos de ventilação com acesso direto ao Asilo Kirton.

Ofegante, o Urso informava a decisão do velho Lince. Jack não tivera nem tempo de discordar, provavelmente o Lince ficou por último justamente para não dar a Harpia a chance de retrucar. Jack deixava o dedo indicador em frente a sua boca enquanto virava seu rosto para Jeromé como podia, indicando para que ficasse em silêncio. Ainda com o dedo indicador, Jack mostrava a sombra na sala inferior. O Urso não precisava mais de recomendações, Jack estava a frente, Jack agiria e Jeromé reagiria as reações causadas por Jack, como a Irmandade sempre costumava agir, tendo a iniciativa e a contra-reação de suas ações. Todavia, o gatuno decide por continuar cautelosamente pelo duto de ventilação, tentando alcançar um lugar de acesso vazio, e se desse sorte, em um vestiário. Encontrar um guarda distraído com o mesmo porte físico de um dos dois também seria algo a ser considerado.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Out 25, 2016 9:33 pm



Jeromé, mesmo com as suas limitações intelectuais, parecia ter entendido perfeitamente bem as instruções de Jack. Fazendo o menos barulho possível, ele segue o gatuno pelo tubo de ventilação a procura de salas que estivessem vazias.

Na câmara seguinte, os dois veem através da grade um quarto bastante semelhante ao anterior, mas desta vez a cama hospitalar estava ocupada por um paciente.  Era um homem de meia-idade, com o topo da cabeça careca e tufos de cabelos grisalhos nas laterais. Eram visíveis dois pequenos furos próximos de suas sobrancelhas, um de cada lado, e a julgar pela sua respiração, fraca e pesarosa, o homem estava vivo, embora não estivesse desperto no momento. Correntes prendiam os pulsos de suas mãos à cama, assim como seus pés também eram mantidos acorrentados por argolas. Ferramentas estranhas de cirurgia repousavam numa mesa ao lado da cama, a maioria eram ferramentas de cortes e perfuração.

Jeromé fez uma cara de asco ao ver a cena, mas não comentou nada e tanto ele quanto Jack seguiram rastejando pelo tubo em direção a próxima sala. Desta vez eles viram através das grades uma sala bem maior do que as outras, provavelmente se tratava de uma ala hospitalar de uso comum por ter várias camas dispostas uma ao lado da outra. O que se via ali era chocante. A maioria dos pacientes eram homens adultos e eles pareciam ter sofrido cruéis experimentos. Numa das camas, um homem gemia de dor; era um gemido baixo, quase inconsciente, porém interminável. Este homem estava sem um dos seus braços e não havia nenhum curativo sobre o toco perto do ombro. Já em outra cama havia uma mulher que possivelmente tinha a mesma idade que Jack, e ela tinha o que parecia ser uma prótese de perna enxertada diretamente no lugar da sua verdadeira perna. O gatuno já ouvira falar dessas próteses mecânicas, mas elas só eram enxertadas em alguém que realmente precisasse delas, o que não parecia ter sido o caso daquela mulher. Nenhum sinal vital era perceptível da distância em que os dois estavam.

Aquela altura, eles já tinham percebido que as câmaras subterrâneas do Asilo Kirton provavelmente eram usadas para os piores experimentos que se podia conceber. Na vez anterior em que estiveram no local, eles pouco puderam explorar essa área e descobrir mais a fundo que tipo de experimento os ditos médicos e cirurgiões fazem e com quais propósitos. Eles estariam trabalhando a mando do governo ou tudo aquilo saía da mente de Andrew Hopkins, dono do sanatório? Eles seguiram caminhando pelo tubo e a terceira sala que encontraram pela frente aparentemente encontrava-se vazia, sendo esta bem parecida a um quarto de hospital.


Shady Dope
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Shady Dope em Sex Out 28, 2016 8:13 pm

A cena que a dupla assiste através das grades na próxima sala não eram agradáveis aos olhos. A cena lembrava da situação que a Raposa se encontrava, o quê era ainda mais perturbador. Nenhum dos dois foi capaz de comentar nada sobre aquilo, decidindo fazer daquilo um assunto para outra hora. Rastejaram para mais à frente visualizar mais cenas que pareciam ainda mais assustadoras. Os pacientes mais reclusos e marginalizados do Asilo Kirton estavam sendo usados como cobaia para diversos experimentos, um mais vil e asqueroso que o outro. Não havia a possibilidade daqueles experimentos fazer nenhuma vítima, tamanha a brutalidade de todos eles, provavelmente era difícil que alguém sobrevivesse àquilo.

Rastejaram ainda mais à frente, onde se depararam com uma sala vazia, provavelmente um quarto hospitalar. Era onde desceriam, Jack alcança algumas ferramentas de ladino em um dos seus bolsos e começava a desparafusar a grade do duto de ventilação, fazendo isso pelo lado inverso ao instalado. Assim que ambos conseguissem sair do duto, o gatuno identificaria de maneira mais correta em que sala estava, procuraria por roupas e acessórios que pudesse o ajudar a se locomover dentro do sanatório sem chamar atenção dos guardas, se assim fosse possível. Qualquer identificação de pacientes e funcionários também serviam para algo. Relatórios sobre os experimentos e relatórios sobre o estado dos pacientes também era algo que Jack procurava, principalmente aqueles que estivessem no mesmo estado clínico que Amanda. O gatuno não sairia daquela sala até vasculhar o suficiente.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Nov 03, 2016 10:01 pm



A bolsa de ferramentas de Jack continha tudo o que ele precisava para abrir a grade de proteção. Em questão de segundos, ele retira a grade e salta para o interior da sala. Jeromé, usando a parede como apoio, pula logo em seguida dele tentando fazer o menor barulho possível.

Os dois se veem dentro de uma sala muito parecida a uma sala tradicional de hospital. Havia a cama hospitalar e uma cadeira de rodinhas ao lado; à esquerda, sobre um armário acoplado à parede, estavam alguns equipamentos médicos como bisturi, agulhas e tesouras, e à direita havia uma mesa de escritório com gavetas e umas papeladas espalhadas sobre a superfície. A única luz proveniente do lugar era uma luz fraca vinda de uma lâmpada no teto. A porta estava fechada e por se tratar de uma sala subterrânea, não havia janelas.

Jack começou a investigação da sala pelos papéis sobre a mesa, e ele logo encontrou relatórios médicos de um tal doutor que se atendia pelo nome de Pierre Handramón. Ali constava datas e horários de alguns procedimentos médicos que ele realizara. Em sua maioria eram exames de rotina dos pacientes do sanatório, mas Jack viu ali também a marcação de cirurgias. Ficou claro que ele fazia todo tipo de cirurgia, da cabeça aos pés. Algumas anotações breves ao lado de cada procedimento revelava coisas como "o paciente reclamou de dor lombar" e "a cirurgia foi um sucesso". Vasculhando as gavetas, o gatuno encontrou mais relatórios, estes mais antigos, mas o que mais lhe chamou a atenção foi um retrato que encontrou logo na primeira gaveta. Um homem - aparentemente o próprio doutor Pierre - estava ao centro da figura; ele era careca, um rosto cru sem nenhuma sobrancelha, usando uma roupa de médico. Ao seu lado, estava uma mulher bonita de cabelos longos e negros, aparentando ser um tanto mais jovem que o doutor, porém, pelo jeito como estava abraçada a ele, parecia ser a sua esposa. Do outro lado, encontrava-se uma linda garota que devia ter lá os seus 16 anos de idade... aparentemente filha do casal.

Jack passou a analisar os relatórios antigos enquanto Jeromé abria as portas do armário do outro lado da sala para ver o que tinha dentro. Depois de vários minutos terem se passado, a voz do Urso quebra o silêncio da sala.

- Ei, Harpia, veja o que encontrei - disse Jeromé. O grandalhão estava segurando um jaleco branco de médico e um par de luvas. O Urso parecia não saber o que fazer com aquilo, mas complementou: - Só tem um.

Jack poderia ter dado mais atenção para aquela informação, mas no exato momento em que o Urso lhe chamou, os seus olhos pousaram num nome muito conhecido por ele. Amanda P. Dornen. Jack nunca conheceu o sobrenome da raposa, mas devia ser ela, pois na coluna de procedimento cirúrgico estava anotado "lobotomia". Nas anotações extras, havia escrito apenas um "não satisfatório; requer uma nova sessão". E, embaixo do documento, quem o assinava era justamente o Doutor Pierre Handrámon.


Shady Dope
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

Mensagem por Shady Dope em Sab Nov 05, 2016 4:40 am

Estava feito, a grade se afrouxa repentinamente, mas Jack fora ágil o suficiente para segurá-la antes que caísse no chão e chamasse alguma atenção. O gatuno se apressa para sair, embora o fizesse com uma velocidade suficientemente cautelosa. Sem tempo a perder começou a vasculhar o comodo, fitou os quatro cantos do quarto, identificando algumas características de forma impulsiva, como alguém que já fizera aquilo por várias vezes, e rapidamente identificou que o melhor lugar por onde começar seria por onde deveriam estar guardado as informações sobre aqueles experimentos.

Aquilo que parecia ser uma escrivaninha, ou um móvel projetado para fazer o papel de uma, chamou atenção de Jack. Em poucas passadas e Jack já se debruçava sobre a mesa enquanto Jeromé descia do duto de ventilação em seguida. Para a surpresa do gatuno, pareciam tão confiante com a segurança do Asilo Kirton que a pessoa que trabalhava naquele comodo se descuidou em deixar relatórios detalhados de alguns experimentos de forma acessível para quem vasculhasse por ali. Rapidamente, Jack passou a mão sobre a mesa afastando alguns dos objetos que estava sobre ela, abrindo espaço para apoiar toda aquela papelada. Com uma breve observação pôde perceber que não se limitavam em fazer apenas experimentos de cunho psiquiátricos, ali faziam experimentos de todo tipo, como o próprio Jack constatou enquanto se arrastava pelo duto de ventilação, e a cada página virada, mais macabro o sanatório se provava ser. Terminando de checar aquela pilha de relatórios, Jack abre outra gaveta acoplada ao móvel e começava a checar outra, aquilo era um tesouro maldito, constava praticamente tudo sobre o quê faziam ali.

Entre a nova pilha de relatórios, uma foto. O rosto de um ser repugnante, e ao lado do próprio mau, aquilo que deveria ser sua família. Jack se perguntava se as duas damas de rostos angelicais sabiam com que tipo de homem dividiam o teto. Jeromé o interrompe, havia encontrado um traje que seria útil. - Ótimo... Veste melhor em mim ou em você? - Jack sussurra para o Urso, quando algo o chama a atenção. O gatuno cerra os olhos para checar se estava lendo corretamente aquilo, além disso, Jack ergue o braço em direção a Jeromé e faz um movimento pedindo silêncio, como quem não se importasse com a resposta da pergunta que acabara de fazer.

Jack segura a folha na mão, trazendo mais próximo de seus olhos. Sua mão começava a perder estabilidade. Amanda P. Dornen, era tudo o quê lhe passava pela cabeça, o nome que poderia ser da Raposa. Quando passou os olhos sobre o procedimento cirúrgico que a paciente tinha recebido, as mãos do gatuno começaram a tremer ainda mais. Não tinha tantas informações, pelo menos não as que Jack esperava ver. - Requer uma nova sessão... - O gatuno repetia incrédulo a última frase do relatório antes da assinatura do Doutor Pierre Handrámon. Naquele momento já deveria ter chamado a atenção do Urso, deixando que Jeromé visse com os próprios olhos do quê se tratava.

- Não é nossa Amy... - Jack afirmava, embora não acreditasse naquilo. O gatuno mordia o lábio inferior como se a dor auto-infligida diminuísse a raiva que estava sentindo do tal Doutor Pierre Handrámon. Jack procurou ao redor algo que pudesse socar sem fazer ruído, mas não achou nada que pudesse absorver o barulho suficiente, ficando ainda mais enfurecido e com vontade de gritar, quem acabou pagando pela raiva do gatuno foi a pilha de relatórios em sua frente, a pilha que havia observado primeiramente, e Jack sem nenhum temor arremessou para o lado, espalhando folha por todo o chão.

Após perceber que havia perdido o controle. Jack olhava impávido para Jeromé, como quem estivesse confessando ter saído do controle. O gatuno se agacha e começa a organizar as folhas que ele mesmo havia espalhado pelo quarto. Tinha que deixar o quarto como se estivesse intocado, embora não planejasse deixar tudo ali. Jack separa o relatório que deveria ser de Amy e a foto do Doutor Handrámon e sua família, depositando ambos os documentos no bolso. Jack já tinha um destino certo para Handrámon, mas era hora de deixar a sala e continuar vasculhando a parte subterrânea do Asilo Kirton.
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Re: Capítulo 1: O Asilo Kirton

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