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    Prologue: The Pirate's Obsession

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    Shady Dope
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    Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Sex Fev 10, 2017 4:37 am

    The Pirate's Obsession

    Vilarejo de Cayne, Norte de Montaigne.
    Primavera de 1665.


    O Corsário Lyonel Diáz deixava para trás o navio já ancorado na margem do rio de areias escuras e vegetação alta, o vilarejo de Cayne ainda não tinha um porto ou algo preparado para navios de grande porte, não havia necessidade, Muguet ficava à poucos quilômetros dali e era o centro comercial na região norte de Montaigne. O Sol já havia se posto, mas as copas das árvores já impediam a entrada da luz fazia muito tempo. Alguns vagalumes cintilavam por todos os lados, aquela era a época em que faziam suas primeiras aparições antes do verão. O vilarejo não tinha grandes particularidades, era um vilarejo comum de um povo pesqueiro, muito parecido com o vilarejo onde Lyonel havia crescido, com a pequena diferença que essa não era uma população costeira, mas ribeirinha. Um vilarejo de Castille, Montaigne ou Avalon eram muito parecidos um com os outros. Cada um com suas certezas, medos, crenças ou descrenças. Mas as casas de palafitas, a comunidade simplória e os hábitos de quem vive integralmente da pesca eram todos iguais. O quê era comum também, uma taverna local, que Lyonel estava à procura.

    Embora o imediato já havia avisado sobre a presença dos oficiais no vilarejo anteriormente, a presença de um rosto estranho causava a curiosidade dos locais. Não havia uma guarda local com homens que rondavam perambulando na noite. Ali todos eram guardas de seu povoado, estava enrustido em cada homem o dever de proteger o vilarejo, Lyonel sentia a opressão dos olhares sobre seus ombros. Cada passo adentro do vilarejo menos lamacento o chão ficava. Tochas já estavam acesas nas paredes externas de algumas casas. A grande maioria era de madeira, outras poucas de pedras com vigas e pilares de madeira expostos, mas um suporte deixava a tocha inclinada em um angulo onde o fogo não beijava as estruturas de madeira. Uma clareira no meio do vilarejo mostrava-se pouco afrente, um poço artesiano ficava bem ao centro da clareira. Próximo ao poço, um estrado de madeira havia sido erguido há pelo menos um metro e meio do chão com uma estrutura criada para o carrasco local se deleitar. Dois homens e uma mulher estavam pendurados pelo pescoço, enforcados e mortos há muito tempo, pelo menos parecia que a pena dos três já tinha vigorado há muitas horas. Os corpos balançavam em sintonia com o vento. Corvos guardavam seu banquete observando Lyonel de cima da haste de madeira onde as cordas estavam presas. Lyonel não sabia se o odor que chegavam em suas narinas era dos corpos ou do vilarejo como um todo. Já havia visto por alguns chiqueiros no caminho até ali, e os porcos que já tinham ido pro abate ficavam expostos em tábuas, abertos enquanto o sangue escorria durante a noite.

    A porta da maior construção no vilarejo se abre. De dentro saía um homem com trajado com farrapos, cambaleando enquanto balbuciava uma canção. Poucos metros após, o homem despenca e dorme no chão. Lyonel havia encontrado a taverna do vilarejo. O castelhano se aproxima daquela construção de pedra, iluminação alaranjada fugia pela vidraça das janelas, era da onde vinham os barulhos de conversas paralelas onde a língua oficial da região se tornava presente e em evidência. Lyonel abre a porta da taverna e adentra o local.

    Foram poucas as pessoas que continuaram conversando como se nada tivesse acontecendo. Mais olhares curiosos cruzavam e desviavam por entre os pilares de madeira e os enfeites floridos chegando até Lyonel. Alguns demonstravam hostilidade, principalmente da mesa próxima a porta, onde alguns homens sem camisa jogavam poker de dado, todos eles possuíam tatuagens sobre os braços e torso, tatuagens simples com formas geométricas, caveira, espadas, moedas, águias e frases rabiscadas. Lyonel não podia concluir que eram piratas, pois eram tatuagens comuns entre diversos tipos de bandidos, mercenários e caçadores de recompensa. Mas era certo que poderia arrumar encrenca facilmente com aqueles homens. Porém, não eram os únicos que olhavam com hostilidade para Lyonel, muitos homens comuns faziam a mesma feição de desprezo ao estrangeiro.

    A mulher atrás do balcão da taverna olhava para Lyonel com indiferença, enxugava um copo de madeira enquanto esperava o estrangeiro procurá-la. Lyonel tinha um objetivo naquele vilarejo, e para tal não precisava arranjar confusão. As últimas informações sobre sua busca pelo Capitão Pirata Henry Curts deixavam claro que um de seus homens havia aposentado sua espada e criado raízes em Cayne, e isso supostamente já fazia cinco anos. Aquele homem detinha conhecimento sobre as rotas que o Capitão Pirata fazia, onde costumava saquear, quais povoados e tipos de navios preferia, e o mais importante, onde jogava fora as fortunas que fazia. Lyonel não tinha um nome, não tinha um rosto à procurar, apenas a informação que sabia ser correta, precisava encontrar o tal homem naquela região, mas para isso precisava identificar o homem no meio dos locais.
    Elminster Aumar
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Seg Fev 13, 2017 1:57 am

    As botas do corsário pisoteavam a lama do precário vilarejo ao norte de Montaigne pela primeira vez. Cayne era como chamavam o lugar. Ciente dos olhares opressores que recebia em suas costas, Lyonel Diáz seguiu o seu caminho e parou diante do tablado onde havia dois homens e uma mulher, todos mortos. Provavelmente eles haviam descumprido alguma lei local e por isso agora jaziam enforcados ao relento, cujos corpos serviriam de banquete aos corvos, contudo, mesmo sendo criminosos, o corsário se prestou a fazer um sinal religioso em respeito às suas almas.

    Parado ali mesmo, ele girou o seu corpo e olhou à sua volta. "O mau cheiro deve estar vindo daqueles porcos", pensou ao ver as entranhas de um porco particularmente grande e bem próximo de onde estava. Ele aproveitou para dar uma ou duas espiadas nos habitantes locais, vendo o que vestiam e se por acaso estavam armados, mas evitou observar alguém por tempo demasiado. O corsário estava trajando um casaco de veludo de mangas compridas e de cor escura, já que ele não queria chamar tanta atenção para si. Por baixo tinha uma camisa branca e leve. Suas calças, também de veludo, eram suportadas por um cinto. No mesmo cinto estava a pistola à mostra. Era a única arma que portava no momento, pois ele preferiu deixar sua espada no interior de sua cabine no navio. Esperava não precisar usar nenhuma arma, mas é bom ter uma à sua disposição para o caso do homem de Henry Curts não estar tão aposentado quanto se dizia.

    Ele voltou a caminhar pelas ruas lamacentas da aldeia até que encontrou o que procurava. Um homem havia acabado de sair pela porta da maior construção de Cayne e caíra quase aos pés de Lyo. Foi o suficiente para ele lembrar-se porque tinha adentrado o vilarejo durante a noite ao invés de usar a claridade do dia à seu favor. Era durante a noite que os homens ficavam bêbados e estavam mais propensos a contar coisas que não deviam. "Há dois tipos de homens: os que caem por amor e os que caem por bebida", pensou Lyo ao ultrapassar o homem que agora dormia na entrada da taverna.

    Diáz tentou entrar discretamente no local. Ele até tentou esconder sua arma, mas suspeitava que àquela altura todos do vilarejo já soubessem quem ele era. Só não sabiam o que ele viera fazer ali, o que seria uma vantagem. Suas suspeitas se mostraram verdadeiras ao perceber que os homens encerraram suas conversas quando ele entrou, ou pelo menos, ficaram com um olho e um ouvido em sua direção. Ele tentou ignorar os que se mostravam hostis, mas não conseguiu desviar os olhos completamente do grupo de homens tatuados e sem camisas que estavam jogando pôker de dados bem próximo da entrada. Lyo fez um aceno amigável com a mão em direção ao grupo dos elementos mau encarados enquanto se dirigia até a mulher da recepção.

    - Por favor, senhora, me vê a melhor bebida que você tiver em conserva - pediu Lyo. Em seguida ele recostou-se no balcão de modo a ficar de frente para os homens tatuados, como se estivesse interessado na partida em que eles jogavam.  
     
    Shady Dope
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Seg Fev 13, 2017 9:31 pm

    Ao chegar mais perto do balcão, Lyonel percebeu os traços de velhice que tomavam conta da aparência da mulher, desgastada pela provável vida medíocre que levava. Os cabelos esfarrapados estavam trançados com desleixo, presos e amarrados para trás. Assim que o corsário faz o pedido ela caminha até o armazém que ficava atrás do seu ambiente de trabalho. Isso deu tempo de Lyonel observar por mais tempo os homens jogando pôker de dados, estavam entretidos com a partida e pareciam ter relevado a presença de Lyonel na taverna. Alguns outros locais também deixavam de lançar olhares para Lyonel, mas alguns poucos ainda mantinham suas desconfianças com o estrangeiro.

    Assim como aquele que saíra pela porta da taverna antes de Lyonel adentrá-la, outro bêbado cambaleava para rua sobre empurrões dos sofriam com os esbarrões do sujeito. O barulho do caneco arrastado no balcão de madeira interrompe a atenção do corsário. Lyonel leva sua mão até o caneco oferecido pela taverneira, que curiosamente afastá-o de Lyonel antes que ele pudesse alcançá-lo. - Fique longe de encrenca garoto. - A mulher falava de forma incisiva e se referia aos homens que Lyonel tanto observava, e logo após o aviso ela volta a empurrar o caneco na direção de Lyonel. Estavam falando na língua antiga de Théah, que por sorte de Lyonel, ela também dominava.

    - Está de passagem? - Perguntou a taverneira curiosa com o motivo da presença do corsário no vilarejo de Cayne.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Ter Fev 14, 2017 11:30 pm

    A feia velhice da mulher atrás do balcão não incomodava Lyonel. Ele preferia até que fosse assim. Moças jovens e bonitas eram muito mais perigosas na visão do corsário, principalmente àquelas que sabiam do poder que tem em mãos apenas por terem um rostinho bonito ou um corpo sedutor. Lyo ficou satisfeito em ver que graças à sua atitude, muitos rostos deixavam de encará-lo como se ele fosse alguma ameaça ou estivesse ali para acabar com a diversão de todos.

    Sua atenção logo é desviada para a caneca depositado em cima do balcão, e ele a pega. Ainda observando o jogo de pôker, ele passa um dedo ao redor da borda da caneca limpando os excessos de respingos contidos ali e então beberica a bebida alcoólica. Mal tocou-lhe os lábios e Lyo já estava devolvendo o recipiente para o balcão.

    - Pode-se dizer que sim - disse Lyonel em resposta a pergunta da taverneira. - Eu não pretendo ficar muito tempo por aqui, e não, não estou atrás de encrencas. Pelo contrário, eu vim aqui para me divertir como vocês. Quem leva a vida no mar precisa de algum tempo para se distrair quando chega em terra firme.

    Lyonel Diáz não escondia o seu interesse no jogo de pôker.

    - Eles estão apostando alguma coisa? - perguntou para a mulher, propositadamente em voz alta o suficiente para ouvirem-no da mesa de jogo. Se ele tivesse conseguido atrair a atenção de alguém, Lyo se aproximaria da mesa com a sua caneca em mãos e perguntaria: -- Tem espaço para mais um?

    O corsário sabia que não estava ali para jogar dados e fazer passar o seu tempo com bobagens, mas era importante para ele fazer alguma amizade com os piores tipos do vilarejo. Além do mais, esse grupo de homens pareciam ser do tipo de grupo que atrairia o interesse de um ex-comandado de Henry Curts...
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Qua Fev 15, 2017 8:32 am

    O sabor da bebida era adocicada com uma sensação de ácido pungente. A cor ainda ajudava a identificar que fora servido vinho. Lyonel sabia que aquilo era um dos maiores orgulhos de Montaigne, enquanto apenas a nobreza degustava a bebida fora dali, em Montaigne qualquer cidadão tinha acesso àquela bebida tradicional da nação. Não fora uma escolha difícil para a taverneira após o pedido de Lyonel. Serviu-lhe vinho para lembrá-lo de onde estava.

    A taverneira murmurou qualquer coisa atrás do balcão após o corsário respondê-la. Continuou prestando atenção no quê Lyonel falava, mesmo com um dos clientes acenando para ser atendido poucos metros ao lado de Lyonel, naquele mesmo balcão. Eis que um ajudante surge para atender o cliente enquanto a taverneira continuava atendendo o estrangeiro. Lyonel percebeu que ela não fazia do tipo curiosa, a pergunta que fizera anteriormente provavelmente era para se prevenir de qualquer confusão armada pelo estrangeiro, e após Lyonel falar que vivia no mar, ela nada tinha a falar.

    - Claro que estão. Não jogariam a troco de nada. - A taverneira respondeu sem delongas. Mas ao contrário de Lyonel, ela respondeu num tom em que apenas os dois poderiam escutar, afinal, aquela deveria ser uma conversa entre os dois. O corsário percebe que seu tom chamou a atenção de apenas um dos homens, que não deixa de cutucar outro deles e comentar algo que Lyonel não pudera ouvir ou ler os lábios. Estava em Montaigne, e o idioma poderia ser um problema fora das grandes cidades.

    A taverneira ficou apenas observando o corsário se aproximar da mesa daqueles homens. E enquanto Lyonel caminhava taverna adentro, o homem que havia escutado o comentário de Lyonel começava a chamar a atenção dos demais para o castelhano que vinha até eles. Os olhares lançados à Lyonel outra vez não eram amistosos, mas mesmo assim o corsário se convida para participar da jogatina. Estavam em cinco homens, todos sem camisa e com uma porção de tatuagens parecidas entre si, era fácil perceber cicatrizes espalhadas pelo corpo daqueles homens, um deles ainda tinha metade da cabeça raspada por conta de uma cicatriz enorme que cortava transversalmente o crânio do homem. Apenas um deles parecia ter entendido o idioma falado por Lyonel, os outros ainda estavam perdidos, um deles até comenta algo em montainês, mas que também não era compreendido por Lyonel. Dados estavam esparramados pela mesa e havia um jarro enorme de bebida que toda hora abastecia a caneca de algum deles. Moedas estavam em jogo, mais especificamente, Florins, a moeda criada em Vesten e que pouco a pouco tomava conta do continente, uma porção formava um bolo onde deveria ser colocada as apostas, era um cenário comum em mesas de pôker de dados.

    - Se tiver como cobrir as apostas... Sempre tem espaço para mais um. - Respondeu o homem na língua antiga, confirmando a Lyonel que aquele tinha o entendido quando lançou o comentário anteriormente ainda no balcão.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Dom Fev 19, 2017 3:47 am

    O vinho oferecido pela taverneira, de alguma forma, fazia Lyonel lembrar-se de casa. Fazia-o mergulhar no dia em que experimentava pela primeira vez a bebida. Isso foi depois de Eleanor ser capturada pelo capitão Henry Curts. Muito abatido pelo sequestro de sua irmã, Lyonel começou a frequentar o único bar de seu vilarejo onde gastava os ganhos da semana em bebidas. Ele viveu alguns meses em tão profunda depressão que nem mesmo o sabor do vinho foi capaz de afogar suas mágoas. Até hoje Lyo tem pesadelos daquele fatídico dia do ataque dos piratas, e ele suspeitava que os seus sonhos perturbados só teriam fim quando reencontrasse sua irmã com vida.

    As lembranças foram varridas de sua mente quando percebeu que um dos homens da mesa havia caído em seu truque. O corsário se aproximou lentamente da mesa de jogo, deixando que todos da taverna lançassem olhares em sua direção, alguns cheios de ódio e rancor. Lyo apresentava a melhor versão de seu sorriso para aqueles homens tatuados enquanto depositava a caneca de seu vinho ao lado da bebida dos demais, deixando claro que ele não veria problema em compartilhar sua própria bebida. Então, puxou uma cadeira e sentou-se à mesa. Lyo não era um grande jogador de pôker; ele conhecia o minimo das regras, para se dizer. Ele talvez estivesse apostando alto em vencê-los, mas só o fato de ter conseguido se colocar numa posição de igual para igual com aqueles homens já era um avanço. Lyo desamarrou a algibeira presa em seu cinto e jogou-a sobre a mesa, fazendo o som das moedas em seu interior tilintarem.

    - Acho que posso cobrir as apostas - disse em resposta ao homem que havia se comunicado com ele. O corsário esperava ter conseguido a atenção de todos da mesa ao lançar sua algibeira. Mesmo que alguns não entendessem o que ele iria falar a seguir, os homens perceberiam que pela expressão de Lyo, ele estava fazendo uma nova proposta. - Eu só gostaria de mudar uma coisa nisso - disse para todos, mas olhando pro homem que o entendia. - Eu não estou interessado no ouro de vocês, para falar a verdade. Façamos assim: se eu perder, vocês ficam com a minha algibeira. Se eu ganhar, uma rodada que seja, em troca eu só irei pedir por uma informação e vocês tem que me falar a verdade, se souberem a resposta correta. O que acham?

    O que ele tava propondo era bastante simples. Apostaria ouro em troca de uma informação que muito possivelmente aqueles homens podiam lhe fornecer e que não custaria nenhum malefício a eles. Mesmo se ele perdesse a partida, era provável que aqueles homens ficassem curiosos para saber que informação era tão importante a ponto do corsário estrangeiro querer apostar em troca por uma algibeira toda cheia de ouro, e com isso, uma conversa poderia rolar de modo mais amigável e quem sabe, no final de tudo, Lyo conseguisse de qualquer forma a informação que buscava naquele vilarejo.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Qua Fev 22, 2017 2:35 am

    Os homens gargalharam após Lyonel ter jogado sua algibeira com moedas na mesa. Aquilo nitidamente agradava os homens, e imediatamente abriram espaço para Lyonel sentar-se entre eles. Mas o jogo não começa sem Lyonel apresentar sua proposta para recompensa de tais moedas. O único homem que entendia a língua antiga fica esperando a proposta de Lyonel, enquanto os outros esperavam por aquele homem, sem saberem como reagir. No lado de fora da taverna começava a soprar um vento forte, levando folhas para dentro da taverna através de algumas poucas janelas que estavam apertas.

    O homem que entendia Lyonel concordou com a proposta e explicou para os outros o quê estavam em jogo. Não esperavam muito com aquilo, viram a proposta como uma maneira fácil de levar alguma vantagem financeira, e de fato era. O jogo começou e o corsário chegou a assustar os outros concorrentes com sua primeira parada de dados, mas não foi suficiente para vencer. E a cada rodada todos enchiam seus canecos com mais bebida, a jogatina levaria algum tempo. Na terceira rodada Lyonel obteve sua vitória, e com aquilo já teria sua recompensa no final do jogo. Mas perdeu algumas moedas até o fim, não todas como imaginou, mas boa parte se foi nas últimas rodadas onde os dados não ficaram do lado do castelhano. Pelo menos a longa jogatina serviu para aprender algumas palavras em montainês, não o suficiente para manter uma conversa, mas o suficiente para chamar a mãe de alguém de meretriz caso quisesse. Lyonel e o homem que entendia o idioma antigo conversaram bastante durante o tempo investido na jogatina, o quê revelou ao corsário que eles eram mercenários, contratados para manter a ordem no vilarejo de Cayne, visto que não tinham uma guarda própria. Aqueles homens eram temidos por ali, afinal, eles eram a figura da lei, protetores e os cobradores de impostos ao mesmo tempo. Aquele vilarejo parecia ser tratado com descaso pelo "Imperador do Mundo", como os cosmopolitas chamavam seu rei.

    - Diga-me homem... O quê você quer saber? - Perguntou o mercenário cujo nome era Joseph.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Sab Fev 25, 2017 3:31 am

    Como Lyonel esperava, ele não estava à altura daqueles homens na jogatina de poker. Mesmo assim, numa rodada em que ele creditara à "sorte de principiante", a vitória veio. Contente em já ter conseguido o que queria na terceira rodada, o corsário seguiu jogando vez após outra até deixar todos aqueles mercenários satisfeitos. Em sua conversa com Joseph, Lyo procurou contar muito pouco sobre sua vida, mas deixou que o homem tatuado revelasse o tipo de trabalho que ele e seus amigos faziam no vilarejo. Lyonel tinha agido certo em não se meter em encrenca com aqueles homens. Entre um gole ou outro de sua bebida, o corsário expressava algumas opiniões suas, do tipo:

    - O rei de vocês é muito parecido com outros reis que eu já vi por aí. Acredite em mim, Joseph, quando digo que em nenhum lugar do mundo se dão muito crédito à vilarejos desse tamanho. Eu sei bem disso porque eu vim de uma vila muito simples, quase igual a essa, com a única diferença de que a minha se dava direto para o mar. Eu perdi de conta às vezes que o meu vilarejo foi atacado e saqueado por piratas. E mesmo com pedidos de todos, o rei de meu país nunca demandou nenhum esforço para mandar ajuda até nós. Nos sentíamos como vocês sentem agora, totalmente abandonados e a mercê de um destino cruel. É irônico pensar, Joseph, que se houver uma guerra, eu tenho certeza que vocês serão os primeiros homens que o "Imperador do Mundo" irá requisitar para as suas fileiras.

    Essa foi a única vez que, para Lyo, a conversa se voltou a um assunto sério. As palavras saíram com dificuldades de sua boca, pois ainda era duro para ele lembrar-se do que havia acontecido. Pegando de volta à algibeira, sensivelmente mais leve do que antes, o corsário estava pronto para conseguir a resposta que viera buscar naquele lugar.

    - Em primeiro lugar, eu queria dizer que foi um privilégio jogar com vocês. Fazia tempo que eu não me divertia tanto numa mesa de jogo - disse, tentando levantar o astral dos mercenários. - Sobre a resposta que eu busco, eu vou direto ao ponto. Eu estou atrás de um homem que me disseram que está morando aqui. Ele trabalhou por alguns anos com o infame Capitão Henry Curts e, pelo que me consta, ele decidiu aposentar sua espada. Vocês sabem onde posso encontrar esse homem?
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Seg Fev 27, 2017 11:43 pm

    Joseph ouvia as opiniões de Lyonel sem interrompê-lo, porém, seu semblante de indiferença com a situação era fácil de se notar. Talvez Lyonel tenha feito juízo errado sobre aqueles homens, e mesmo com o tom sério adotado no assunto, Joseph respondia em tom alegre. - Não estou reclamando meu bom homem... A desgraça desse povo é o quê paga nossa bebida. - Ele da dois tapinhas no ombro de Lyonel e finaliza a bebida de seu caneco de uma vez só. Mesmo sem entender o diálogo entre os dois, os outros mercenários gargalhavam e levantavam seus canecos, brindando a afirmação de Joseph de forma festiva. Ninguém aparentemente tinha notado o quão duro era para Lyonel comentar aquilo.

    ________

    - Quando estiver afim de perder mais algumas moedas, você sabe onde nos encontrar... Pelo menos até o início do inverno. - Joseph respondeu, esperando em seguida a pergunta do castelhano. O mercenário afirmou com a cabeça quando Lyonel disse que iria direto ao ponto, e era o quê o mercenário esperava e gostaria. Os outros mercenários continuaram conversando paralelamente, Joseph demonstrava um semblante de curiosidade, até que Lyonel citou o nome de Henry Curts, quando o semblante de curiosidade se torna no semblante sisudo que condizia mais com o mercenário. Outros dois mercenários também demonstraram interesse pela conversa quando o nome do capitão pirata foi citado, fitando Lyonel e Joseph no restante do diálogo, mesmo que não entendessem nada sobre o quê estava sendo dito.

    Joseph olhou desconfiado para um dos cantos da taverna, depois para o outro. Após fazer sua inspeção seja la para o quê fosse, Lyonel percebia que algo sobre o homem o mercenário sabia. - Suponho que não poderei responder sua pergunta... Meu bom homem. - Lyonel notou o tom provocativo do mercenário. Mas antes que o castelhano pudesse cobrar pela sua aposta, Joseph continua. - Talvez você queira discutir sobre esse assunto com o comandante... Eu posso arranjar uma audiência. - O mercenário aproximou sua face próxima a de Lyonel, o encarando.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Dom Mar 05, 2017 5:46 pm

    Lyonel não estranhou o fato do nome de Henry Curts ser reconhecido por todos, afinal ele era um renomado capitão pirata, porém o corsário não deixou de se sentir surpreso com o tamanho interesse que todos ali tiveram com a menção de seu nome. Talvez Henry Curts em pessoa já tenha estado naquele vilarejo. Mesmo negando, Lyo sentia que Joseph tinha a resposta para a sua pergunta. Ele encarou de volta o olhar próximo de Joseph, inclusive se aproximando mais ainda para que as duas faces ficassem a menos de um palmo de distância entre uma e outra.

    - O acordo não foi esse, meu bom Joseph - disse, retrucando a ironia. Seu tom, contudo, era ameno. - Eu esperava que você tivesse mais palavra, Joseph.

    Lyonel voltou a afastar o seu rosto, com a expressão de decepção estampada em sua face. Ele pegou a caneca de Joseph e despejou ali as últimas gotas da garrafa de vinho e deu a caneca de volta pro mercenário.

    - Me arranje a audiência com esse comandante para ainda hoje. Meus homens estão aguardando o meu retorno e eu não posso perder muito mais tempo aqui.  
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Sab Mar 11, 2017 5:29 pm

    A ironia de Lyonel não fora bem recebida por Joseph, julgando pela expressão que fizera. Mas aquilo não cria alguma tensão entre os dois. O mercenário segura a caneca que recebera de Lyonel, encarando o castelhano enquanto bebia sem descanso, em um único gole, batendo com a caneca sobre a mesa e soltando um urro no final, que era comemorado pelos outros mercenários. A festa que os homens faziam chamava a atenção do restante da taverna, que observavam principalmente Lyonel, por estar totalmente deslocado naquela situação.

    Joseph faz um sinal com a cabeça e levantou-se, passando por trás do castelhano dando dois tapinhas em seu ombro. - Me siga...

    Lyonel levantou-se logo em seguida, enquanto outros dois mercenários acompanhava escoltando a dupla, os outros continuaram sentados aproveitando mais a noite na taverna. A taverneira seguia com os olhos o grupo que caminhava até a porta, atentando-se do quê poderia vir a acontecer dali. Até que enfim os quatro homens saíam de sua taverna, liderados por Joseph.

    Não muita coisa havia mudado do lado de fora, apenas os corvos que voltaram a guardar os corpos pendurados e um maior número de bêbados que acabaram formando uma roda próximo a porta da taverna e compartilhavam histórias entre eles. Os quatro ignoraram os bêbados e passaram por entre eles, caminhando vilarejo adentro.

    Contornando o vilarejo havia uma trilha aberta que levava a uma espécie de fortaleza do comandante, localizada no alto de um morro e cercada por um muro feito de madeira. Enquanto subiam o morro pela trilha, Lyonel observava que se aproximavam das copas das árvores que cercavam o vilarejo, até ultrapassarem a altura das árvores mais baixas e então, as mais altas também. A noite não permitia que Lyonel pudesse aproveitar melhor aquela visão, mas ainda assim conseguia notar algumas luzes provenientes do vilarejo, principalmente da construção onde ficava a taverna, de onde as janelas iluminavam a clareira da vizinhança.

    De repente, um clarão ilumina uma parte da floresta mais afastada, as copas das árvores brilhavam junto com estrondos graves que chacoalhavam as folhas. - Mas o quê! - O grupo parou para observar o quê estava acontecendo. Lyonel percebe que tudo aquilo provinha do local onde sua tripulação estava ancorada, e o barulho que ouviam eram de disparos de canhões.

    Joseph segura com firmeza um dos braços do corsário, encarando-o com com fúria no olhar. - Você tem algo a ver com isso? - Berrou o mercenário, respingando baba no rosto de Lyonel. Os outros dois mercenários discutiam entre si e proferiam palavras para Joseph, que ainda não os respondiam.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Qua Mar 15, 2017 12:30 am

    Lyonel seguiu Joseph com um dos olhos no caminho que se dirigiam e com o outro nos dois mercenários que os acompanhavam. Seria muito fácil para eles levarem o castelhano a uma área pouco visitada do vilarejo e armarem uma emboscada, embora não houvesse motivos para isso no momento. Eles se afastaram um pouco do vilarejo e agora subiam um morro em direção a uma pequena fortaleza.

    "Eu devia ter averiguado melhor o terreno antes de adentrar o vilarejo", repreendeu a si mesmo em pensamentos. Se ele tivesse visto aquela fortaleza antes, ele poderia ter explorado a área ao seu redor e ter tentado contar quantos homens faziam a guarda daquele lugar. Agora, devido a escuridão da noite, seria quase impossível ver qualquer coisa de antemão.  

    Ele seguiu acompanhando o trio de mercenários, até que sons de tiros de canhões preencheram o silêncio que pairava entre eles. Lyo se assustou tanto quanto os mercenários, ou até mais, ao percebeu que os disparos vinham da direção de seu navio. Joseph segurou o seu braço, perguntando se o corsário tinha algo a ver com isso, mas Lyo não respondeu de imediato. Ele se soltou do braço de Joseph de forma abrupta e tentou se posicionar num ângulo em cima do morro que desse para ver o que estava acontecendo. Sua cara era uma mistura de espanto com apreensão.

    - Devem ter atacado a tripulação - disse Lyonel, com o sangue começando a subir-lhe. Joseph podia ter se irritado, mas o corsário também estava ficando nervoso. A mesma dúvida que o mercenário tinha com ele, Lyo também a possuía. - Espero que não sejam os SEUS homens a estarem fazendo isso. Tenho que voltar imediatamente pro navio.

    Lyonel vira as costas pros três mercenários e começa a descer o barranco em passos rápidos, buscando chegar até o navio o mais rápido que pudesse.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Qua Mar 15, 2017 2:30 am

    Joseph observava as copas das árvores com o olhar perdido enquanto Lyonel também respondia desconfiado sobre a situação. Os mercenários não pareciam acreditar que o corsário tivesse por trás daquilo, pois a reação de Lyonel era verdadeira o suficiente para acreditarem no que dizia. Contudo, aquilo ainda era muito confuso para ambos os lados. Apesar de ter tentado alcançar um lugar onde a visão de seu navio fosse clara, não era possível com tanta vegetação a frente, aliado com a escuridão da noite, as únicas dicas que tinha eram os clarões que os canhões faziam a cada disparo. Os pássaros que dormiam fugiam para longe, revoando no céu sem serem vistos, apenas ouvidos. - Deus do inferno! Não é possível! - Exclamou Joseph enquanto sofria alguma clareza súbita em sua mente.

    Lyonel não foi impedido quando com pressa desceu o morro, deixando os mercenários para trás. Em corrida, o castelhano alcançou rapidamente a clareira do vilarejo. A taverna estava um alvoroço, os clientes saíam aos montes pela porta, ocupando parte da clareira e se transformando em obstáculo a ser transpassado por Lyonel. Alguns encaravam o corsário com hostilidade, mas não como antes, dessa vez passavam menos desconfiança e mais convicção de que Lyonel era uma ameaça para o vilarejo. Alguns gritos de ódio em montainês foram escutados pelo corsário, que não entendia mais do quê os xingamentos aprendidos momentos antes na taverna. Quando Lyonel passou em velocidade ao lado de um homem gordo em traje sujo e desgastado, levou um empurrão, que só não o derrubou pela agilidade que detinha naturalmente. Outros, e a maioria deles, estavam preocupados em partirem para seus lares e prepararem-se para o pior.

    Após atravessar a clareira, Lyonel continuou correndo adiante, levantando gotículas a cada poça de água que pisava no terreno lamacento. Sem nenhuma iluminação pela trilha que seguia até o rio, Lyonel tinha que aproveitar dos flashes de luz da batalha que acontecia ali próximo, o quê impedia que chegasse mais rápido do quê poderia. A cada passada dada, mais os disparos de canhões se aproximavam de sons de trovões. Até que finalmente o castelhano se depara com a batalha acontecendo diante de seus olhos.

    A batalha mais parecia um massacre, a Cruzada da Rainha — nome do navio corsário de Avalon o qual Lyonel navegava — já tivera dias melhores. A silhueta do navio que sobrepujava a Cruzada da Rainha era assustadora, rapidamente Lyonel percebia que aquilo era uma batalha perdida. O navio que disparava contra o navio corsário de Avalon havia pego seus homens de surpresa, o quê era um feito incomum para tamanha grandiosidade do navio que navegava o meio do curso do rio.

    Com um olhar mais atento, Lyonel percebeu a caveira trespassada pela adaga, com o cabo da adaga no topo da caveira e a lâmina saindo por baixo da mandíbula, com o fundo da bandeira totalmente negro. Era a bandeira pirata de Henry Curts. O castelhano não poderia imaginar que estivesse tão próximo do seu inimigo mortal.

    O Flagelo Vermelho — nome do imponente navio pirata de Henry Curts — era ainda mais impressionante visto com os próprios olhos, fazendo jus as lendas que ouvia sobre o navio. Da rampa de acesso da Cruzada da Rainha, sangue escorria. Pelo menos metade da tripulação estava morta ou gravemente ferida. Os canhões do Flagelo Vermelho pareciam saciados, o navio corsário de Avalon estava neutralizado e o navio pirata de Henry Curts prosseguiu rio abaixo, afastando-se rapidamente seguindo na direção do Canal de Avalon — o canal separava Avalon de Montaigne e que em Montaigne era chamada de Canal de Montaigne — e poupando que a tripulação de Lyonel sofresse ainda mais com o massacre.

    Muito comum no final de qualquer batalha, o som de desgraça, agonia e súplicas por ajuda fora escutado por Lyonel. Haviam mortos e feridos na margem do rio e no navio. Descendo pela rampa, a figura enorme de Friedrich, um herói de Eisen, sobrevivente da Guerra da Cruz, descia cuidadosamente para não escorregar na película de sangue. Friedrich nota a presença de Lyonel em frente ao desastre que fora a batalha, pausando sua caminhada ao fim da rampa e encarando o castelhano por alguns segundos. - Espero que tenha conseguido alguma coisa... - Comentava de longe, acusando que a demora de Lyonel pudesse ser culpada pelo ataque sofrido pela tripulação da Cruzada da Rainha.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Dom Mar 19, 2017 11:45 pm

    O corsário castelhano desistiu de achar que os mercenários que estavam com ele no morro pudessem ter algo a ver com aquilo quando percebeu que as expressões de surpresa de Joseph eram exatamente as mesmas que as suas. Lyo não conseguiu enxergar nada dali de cima, então só restou a alternativa de correr o mais rápido que pudesse em direção das explosões. Em sua pressa, ele nem procurar saber se os mercenários viriam atrás dele ou não. Ele simplesmente correu.

    Ao retornar ao vilarejo, ele não fez menções de pedir desculpas ao empurrar as pessoas para que elas saíssem de seu caminho. Seus pensamentos estavam num turbilhão tão grande que nem se tocou quando quase tropeçou num gordo no meio do caminho. Ele seguia sem parar, e quando estava chegando perto, ele sacou a pistola. Por nenhum momento ele achou que pudesse fazer a diferença na batalha que estava acontecendo, mas iria lutar ao lado de seus companheiros mesmo se estivessem perdendo. Ao se deparar com a cena e notar com mais clareza o que tinha acontecido, ele viu quanto teria sido realmente inútil a sua participação naquilo tudo. Um massacre.

    Seu sangue subiu ao ver a bandeira do navio de Henry Curts, o Flagelo Vermelho. A cena era caótica e ele viu rostos de amigos que estavam em seus últimos momentos de vida. Lyonel pareceu hesitar por um momento, não pela falta de coragem, mas pela dor que era absorver toda a cena. Ele recuperou o seu senso de dever com o surgimento da figura de Friedrich, um verdadeiro herói de seu povo, cuja fama ultrapassava muitos mares. O castelhano se moveu até ele, visando ajudá-lo a descer a rampa e a sair daquele caos. Friedrich, na visão de Lyo, parecia bastante calmo para quem estava sobrevivendo a um massacre. Ele buscou se aproximar do homem, mas atento aos inimigos que pudessem aparecer no meio do caminho. Sem perder de vista o Flagelo Vermelho, Lyonel perguntou a Friedrich:

    - Consegue ir até o vilarejo e buscar proteção?

    Lyo não queria abandonar o local. Ele queria de algum modo confrontar Henry Curts, pois só ele sabia como fora difícil encontrá-lo. Muitos anos se passaram desde que o capitão capturou sua irmã e o castelhano nunca estivera tão próximo das respostas que queria obter como naquele momento.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Dom Mar 26, 2017 11:15 pm

    Friederich já havia conseguido descer a rampa quando Lyonel chegou até ele, talvez se não hesitasse desse tempo. Mas não precisou, aquele homem já havia sobrevivido a muitas batalhas e estava habituado com pisos encharcados de sangue. O quê também explicava a dureza de sua expressão, que parecia não mudar nunca. Enquanto isso, o Flagelo Vermelho descia rio abaixo, ficando fora de alcance e deixando a batalha vitorioso.

    - Não acho que conseguiremos proteção... - Friedrich esticou um dos braços como quem estivesse apresentando o cenário para Lyonel. - Não pode ser coincidência. É a primeira vez que nos deparamos com o Flagelo Vermelho e fomos pegos de surpresa. Caímos numa armadilha, Lyonel... - O herói de Eisen sugeria que o grupo tinha inimigos desconhecidos no vilarejo, o quê intrigava Lyonel, pois se fosse o caso, o castelhano fora uma presa fácil por um bom tempo e ninguém o ameaçou de forma alguma, com exceção dos diversos olhares lançados para ele.

    A figura de um marujo maltrapilho se aproxima pelos flancos dos dois oficiais, estava com pressa, então interrompe o diálogo entre os dois. - Lyo, Sir Friedrich... - Apesar de não ter título de nobreza, alguns tratavam Friedrich como Sir. - Alguns dos nossos homens estavam preparando o acampamento rio acima, falaram que o navio passou muito próximo da margem... - O homem franzino, já de meia idade, parecia bastante confuso com o quê estava para falar, duvidando até se deveria mesmo prosseguir. Até Friedrich ordenar que o homem desembuchasse. - Não era o pirata Henry que capitaneava o navio... Era uma mulher... - O homem afirmava quase como quem perguntava, deixando claro que ele mesmo não estava certo sobre a informação que passava.

    Friedrich fitou Lyonel, como quem buscasse alguma resposta junto ao castelhano. Não tiveram muito tempo para absorver aquela informação pois logo após o homem franzino informá-los, outro marujo se aproximava com os braços roliços coberto de sangue. - Senhores!.. Nosso capitão está morto! - O homem falou sem rodeio, apoiando suas mãos sobre os joelhos, estava muito cansado. - Capitão Jeffery está morto no convés... - Com o braço pesado, o homem aponta para a proa do navio indicando onde estaria o corpo do capitão da Cruzada da Rainha.

    - Minha nossa! - Exclamou o marujo franzino com o semblante desesperado. A tripulação estava sem comando, e aquilo poderia ser um problema muito grande para as intenções de Lyonel. Nem todos estavam satisfeitos com a caçada atrás do capitão pirata Henry Curts. Restava apenas Friedrich e Lyonel para segurar os ânimos da tripulação após a grande derrota daquela noite.

    - Conseguiu alguma coisa no vilarejo?.. Nosso inimigo pode estar por aqui, ou alguém muito próximo a ele. - Friedrich perguntou a Lyonel. Nem mesmo a morte de seu capitão fazia a expressão dura de Friedrich alterar.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Qua Mar 29, 2017 3:51 pm

    A visão do Flagelo Vermelho se distanciando no horizonte era dura para Lyonel, mas ao mesmo tempo servia como um alento que eles tinham parado o ataque. Se tivessem continuado poderiam fatalmente ter exterminado todos os tripulantes da Cruzada da Rainha. Ele concordou quando Friederich cogitou a ideia de terem caído numa armadilha. O castelhano de fato já vinha alimentando essa ideia desde que partira em disparada em direção aos sons de batalha.

    Aos poucos a cena começava a se clarear na mente de Lyo. Quando um marujo maltrapilho se aproximou dos dois e se mostrava confuso com o que ia falar, o corsário botou a mão em seu ombro e disse:

    - Acalme-se, bom marujo. Diga o que você tem para falar. - Friederich foi mais indelicado e pedira para ele desembuchar, e quando desembuchou ao dizer que o navio estava sendo capitaneado por uma mulher, Lyo ficou quieto por uns instantes. Depois disse, mais para si mesmo do que para os outros. - Se for Eleanor... - ele imediatamente fez um gesto tentando afastar essa ideia de sua cabeça.

    Um segundo sobrevivente desceu pela rampa com os braços cobertos de sangue para informar que o Capitão Jeffery estava morto. Uma tripulação sem o comandante podia trazer sérios problemas.

    - Levem-nos até o corpo do capitão - pediu ao homem, pesaroso. Enquanto ele e Friederich subiam de volta pela prancha, o Sir perguntou como havia sido a sua visita a ilha. - Uma completa perda de tempo. Conversei com um grupo de mercenários que tomam conta da região, mas eles não quiseram me passar nenhuma informação. Eles estavam me levando até o líder deles quando ouvimos os tiros de canhões. Eu pensei na possibilidade deles serem os responsáveis por essa armadilha, mas julgo que não tenha havido tempo para qualquer comunicação externa enquanto eu estava com eles. Além do mais, havia muita gente no vilarejo de olho em mim e no que vim fazer aqui... Por mais que eu tenha tentado ser discreto, as pessoas viram o navio ancorado aqui.

    Lyonel perdera o senso de urgência com o distanciamento que o Flagelo Vermelho estava tomando. Além do mais o seu navio estava destruído e ele não sabia nem se conseguiriam zarpar daquele lugar ainda nessa noite. Suas intenções era juntar os cacos o quanto antes e sair dali para a segurança do restante da tripulação que sobreviveu.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Sex Mar 31, 2017 1:30 am

    Friedrich não falou nenhuma palavra sobre o quê Lyonel lhe dizia, estava mastigando toda aquela informação em sua mente, Lyonel sabia que aquela situação estava remoendo Friedrich por dentro. Os dois subiram pela prancha com cuidado enquanto o marujo ensanguentado guiava-os até o corpo do capitão, o outro marujo havia ficado pelo caminho tratando de adiantar os cuidados que teriam que tomar naquela noite.

    Lyonel avistou não só o corpo do capitão, mas o de diversos outros marujos que sofreram com os canhões do Flagelo Vermelho. Capitão Jeffery estava estirado próximo a uma caixa de ferramentas, sua roupa estava completamente manchada de sangue e pólvora, toda rasgada. Algumas farpas de madeira penetraram seus braços e peito, uma delas destacadas pelo tamanho e por ter trespassado o peitoril perfurando o pulmão. Aquilo fora uma morte dolorida e agonizante, deixando os sinais de desespero nos traços finais deixados no rosto do capitão.

    - Que Theus tenha piedade dessa alma. - Resmungou Friedrich enquanto observava o corpo do capitão. Lyonel não deixaria que seu corpo fosse deixado de qualquer forma, aproveitaria minimamente a terra firme para dar-lhe um enterro decente, mas apenas no próximo dia. Com a ajuda de outros marujos, o castelhano carregou o corpo do Capitão Jeffery até sua cabine, deitando-o no seu leito e retirando as maiores farpas encravadas na pele do capitão. Delegou a alguns para que preparassem o corpo para um enterro nos moldes da igreja de Vaticine, o credo o qual Capitão Jeffery seguia, assim como Lyonel e outros poucos marujos.

    A ordem principal era para que os marujos guardassem acampamento no próprio navio, deixando as traças o acampamento que estava sendo erguido rio acima. Lyonel, Friedrich e o restante da tripulação organizaram a situação do navio no restante da noite. Corpos dos outros marujos foram deixados na margem do rio, lado a lado, todos enrolados por pano. Covas já estavam sendo preparadas para o enterro coletivo que haveria no próximo dia.

    A noite se passou rapidamente diante de tanto trabalho. O banho no rio fora o melhor nos últimos dias em termos de higiene, mas a tensão sobre os ombros era difícil de dispersar. O navio estava em silêncio, não havia muito ânimo e nem tinha motivo para haver. Alguns se embriagavam para esquecer aquela noite, e não haveria ordem que os fizesse parar. Lyonel rumou até sua cabine, onde deitou e caiu no sono rapidamente, não tendo forças para lutar contra o cansaço.

    __________________

    O som da chuva batia no casco do navio com força, não estava relampejando. Os olhos de Lyonel se abrem para o primeiro dia da Cruzada da Rainha sem o comando do Capitão Jeffery nos últimos quinze anos. Lyonel se revirou na cama confortável para o padrão e sentou-se. Piscou algumas vezes para limpar as vistas e passou a mão sobre a mesa de canto onde havia deixado roupas limpas. A mão de Lyonel deslizou na madeira da mesa e para a surpresa do castelhano, contatou o fio de uma adaga. Lyonel jogou seus olhos sobre a mesa de canto e se deparou com um bilhete espetado por uma adaga deixada na vertical.

    O castelhano puxa a adaga pelo cabo, o quê não fora tão fácil. Remexeu a adaga de um lado para o outro para sair da madeira mais facilmente, sem danificar o bilhete. Até que conseguiu. Lyonel pegou o bilhete e leu o conteúdo escrito no idioma antigo.

    Conteúdo do bilhete:
    "Caro Corsário Lyonel Diáz.

    Não é de hoje que noto sua obsessão em perseguir o Flagelo Vermelho, contudo, me mantive sempre um passo a frente dos seus para evitar um confronto. A lenda do Capitão Henry Curts vive, e nenhum corsário dos sete mares será capaz de parar o Flagelo Vermelho.

    Se não compreendes a riqueza que se encontra na liberdade, não coloque sua tripulação entre o Flagelo Vermelho e Frankilia.

    Você é um homem de sorte, aproveite essa segunda chance."

    O bilhete não tinha assinatura, e Frankilia era um termo que Lyonel nunca havia ouvido falar.
    Elminster Aumar
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Qua Abr 05, 2017 2:09 am

    A noite foi de muito trabalho no navio, Lyo não parava de andar pelo convés de um lado a outro dando ordens e armando a segurança de seus homens. Seria o resto da tripulação, de verdade, seus homens a partir de agora? Lyo se viu pensando na possibilidade de se tornar o capitão do navio, mas talvez isso coubesse mais a Friedrich do que ele, já que todos respeitavam a sua figura de herói lendário e provavelmente se sentiriam honrados em segui-lo. O fato é que devido ao ataque surpresa que a embarcação recebera, Lyo tentou montar um esquema para garantir a segurança de seus homens, com vigias a postos durante madrugada adentro. Apenas depois de se certificar que todas as medidas cabíveis haviam sido tomadas é que o castelhano buscou o seu quarto para repousar.

    Graças ao barulho da chuva, Lyonel acordou cedo no dia seguinte. Ele começava a se espreguiçar quando roçou no fio de uma lâmina fincada na mesa ao seu lado. Seu sono foi embora num instante só. Ele retirou a adaga com cuidado e leu o bilhete que estivera embaixo dela. Seu olhar se tornava mais descrente a cada palavra que lia. Sentindo-se completamente ultrajado, Lyonel amassou o bilhete ao colocá-lo de maneira brusca num dos seus bolsos, levantou-se da cama e imediatamente saiu do quarto a passos firmes. Ele olhou para os lados a procura de homens acordados no convés.

    - Alguém entrou no meu quarto durante a noite - comunicou para os homens que ali estavam, se é que havia alguém. - Um de vocês viu quem foi?

    Depois de tudo o que havia acontecido e de todos os mecanismos de segurança que ele tomara, ele se sentiu insultado por alguém ter entrado em seu dormitório enquanto dormia. Essa pessoa era da sua própria tripulação e podia simplesmente ter acabado com a sua vida. Por que não fez isso?, questionou em pensamentos. Será que esse bilhete foi posto durante a batalha e devido ao cansaço de ontem eu não o notei? Não, não acredito nessa possibilidade... Eu entrei aqui e não tinha nada. Após questionar os homens do convés, o segundo passo seria avisar Friedrich do ocorrido e perguntar se ele por acaso sabia o que Frankilia queria dizer.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Ter Abr 11, 2017 4:34 am

    O sentimento do castelhano fora pertinente com o significado que aquilo tinha. Um agente do inimigo havia adentrado a cabine de Lyonel enquanto dormia e lhe deixado um aviso enquanto poderia simplesmente matá-lo, soava como se o inimigo estivesse tão seguro de si mesmo que decidira brincar com os nervos do corsário. Os passos de Lyonel até a porta de sua cabine faziam o chão tremer. Abriu a porta sem precisar destrancar, estava entreaberta, como o invasor havia deixado.

    Lyonel gritou para dois marinheiros que carregavam arpões e outro que segurava a escotilha para passarem com a carga. Todos os três pararam o quê faziam e olharam para Lyonel com espanto. Não havia mais homens guardando posição como o castelhano gostaria, talvez a chuva tivesse trazido mais obrigações para os poucos da tripulação que haviam restado. Aqueles três que deveriam estar cumprindo o turno guardando o navio, faziam o trabalho que talvez outros estivessem fazendo. A passagem te tempo durante a madrugada fora pacífica e talvez tivessem perdido a crença que talvez poderiam ser atacados novamente. Eram muitos "talvezes", mas a única certeza que Lyonel tinha era que o bilhete fora implantado durante o período que estava dormindo, mesmo tentando acreditar que estivesse desatento na noite passada.

    - Ninguém entrou na sua cabine, Senhor! - Respondeu um dos homens, receoso. Os outros dois ficaram apenas observando com temor, até que um deles complementou. - Ainda há trabalho a fazer, então resolvemos adiantar um pouco... Mas estamos de olhos atentos... Apenas um morador do vilarejo veio até aqui perguntar o quê havia acontecido ontem... - Um deles concordou com a cabeça. Imediatamente, outro continuou. - É verdade senhor!.. E foi no meio da madrugada. Ele veio espiar a situação, mas nós vimos ele... Ele ao invés de correr, burro que só, veio até a gente perguntar sobre os barulhos que o povo do vilarejo tinha ouvido... Tremia feito vara verde!.. Depois que a gente comentou sobre o ataque, deixamos partir... Se fosse um dos inimigos, seria muita burrice voltar aqui sozinho, então deixamos ir. - Agora dois deles concordavam com a cabeça. Lyonel não tinha por quê duvidar da honestidade daqueles homens, embora fosse consenso que marinheiros no geral eram gente da pior espécie.

    Lyonel então fora informado que Friedrich estava no porão, junto com outros homens. O castelhano aproveitou a escotilha aberta e adentrou. A maioria ainda dormia em suas redes, mas alguns deles estavam reunidos próximos a adega, juntos com Friedrich. O herói de Eisen fitou Lyonel, que não precisou falar nada para que o fizesse entender que se tratava de um assunto sério. Friedrich se levantou e os dois se afastaram dos demais, estavam a uma distância onde poderiam conversar em tom normal sem que fossem ouvidos. Então o castelhano falou sobre o quê havia ocorrido enquanto dormia.

    - Filhos da... - Friedrich exclamou engolindo o palavrão. - Bom, somos dois tolos então! - Friedrich comentou furioso enquanto lhe entregava um bilhete igualmente amassado. O conteúdo era o mesmo da carta de Lyonel, a única diferença é que na de Friedrich haviam rabiscado a palavra herói antes do nome de Friedrich, como quem fazia pouco caso do passado do veterano de guerra.

    - E não... Não sei do que se trata Frankilia. - Friedrich quase fazia o navio virar com a força que fazia na parede de madeira. Estava indignado com a afronta, tanto quanto Lyonel. Mas havia alívio em saber que não fora o único a receber a ameaça, o quê dava a entender que ele guardaria em segredo aquele acontecido caso Lyonel não viesse lhe contar que havia passado pela mesma coisa.

    - Nossa tripulação está comprometida. Deus que me perdoe, mas... Se não desertarmos, não completaremos essa missão nunca, a mensagem foi bem clara. - Friedrich não estava brincando, e nem era de brincar. Mas estava ressabiado com as próprias palavras. - Capitão Henry Curts deve de ter algum contato nesse vilarejo, e em boa parte da tripulação. Se fosse pra escolher procurar em algum lugar, eu optaria em abandonar a tripulação e vasculhar até o inferno desse vilarejo para encontrar o contato, sem deixar rastros para essa corja informar o capitão pirata deles sobre nossos avanços. - A proposta para Lyonel era clara, mas isso significaria virar inimigo da coroa de Avalon. Ainda assim, o castelhano era o dono do próprio destino.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Sex Abr 21, 2017 5:08 pm

    Lyonel ouviu atentamente as palavras dos dois marujos. Era natural que o acontecido tivesse atraído a curiosidade entre os habitantes do vilarejo, mas daí a um deles vir no meio da madrugada e, sozinho, espiar o que tinha acontecido? Ele podia ser claramente confundido com um inimigo e ter sido alvejado. O castelhano ficou na dúvida se o dito homem viera com más intenções ou se era apenas inconsequente. Após pedir uma descrição física do homem, Lyo fala com os seus insubordinados:

    - Por ora, voltem ao trabalho. Quero esse barco pronto para zarpar até o fim do dia.

    O corsário seguiu até o deque inferior, onde lhe foi informado que estaria Friedrich. E de fato, Lyo encontrou o herói de Eisen próximo à adega. Ele aguardou os outros homens saírem de perto e então relatou o que tinha acontecido. Ele foi surpreendido ao receber um bilhete bastante similar entregue por Friedrich. Então seja lá quem tivesse entregado aquela mensagem, teve a audácia de entrar nas duas cabines mais relevantes do navio numa mesma noite. Como ele conseguiu fazer aquilo sem levantar suspeitas ainda era um mistério para Lyo, que cada vez se mostrava mais incomodado com aquela história. Irritado, ele se aproximou de um dos barris em passos duros e encheu uma caneca de cerveja até o talo.

    - Você está certo - disse após ouvir as palavras de Friedrich. Ele bebeu um longo gole de sua cerveja, mas ela descia amarga em sua garganta. - Além disso, eu não confio mais em nossa tripulação após o ocorrido nessa madrugada. Ou há um traidor entre nós ou estamos lidando com gente mais perigosa do que tínhamos suposto. De qualquer modo, meu caro amigo, eu concordo em abandonarmos a tripulação. Já não temos homens suficientes para um possível embate contra o Flagelo Vermelho e tampouco quero colocar mais homens em risco.

    Lyonel termina de virar a caneca de sua cerveja e a joga na parede.

    - Agora somos só nós dois. Chamaremos menos atenção desse modo, mas ainda assim chamaremos atenção. A maioria dos habitantes do local já viu o meu rosto, então eu sugiro que trabalhemos em separado. Assim você estará livre para agir se eles me pegarem.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

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      Data/hora atual: Dom Ago 20, 2017 7:25 pm