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    Prologue: The Pirate's Obsession

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    Shady Dope
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Dom Abr 30, 2017 3:09 am

    A exemplo de Lyonel, Friedrich também enche um caneco com bebida, bebendo junto ao corsário. Ele balançava a cabeça concordando com Lyonel a cada frase dita, coçando a barba enquanto estava pensativo pensando nos próximos passos que tomariam, e tinham muito a pensar embora o tempo não fosse amigo. Após a madrugada que passaram, apenas de estarem em meio àqueles tripulantes já era um incomodo terrível, uma vez que possivelmente a maioria dos sobreviventes seriam piratas, era como a qualquer momento pudesse explodir um motim, embora nada disso transparecesse visualmente.

    Friedrich não esperava que Lyonel aceitasse tão rapidamente a proposta oferecida, o castelhano notou a surpresa no semblante do homem de Eisen. Mas logo volta a beber sua bebida para espantar os males que viriam após desonrarem suas cartas de corso. Friedrich ficou em silêncio enquanto Lyonel ainda tinha o quê falar. Ele concordou com tudo o quê tinha sido dito, balançou a cabeça novamente enquanto a boca estava cheia de cerveja, parte escorria pelos cantos da boca, e pingando no chão através da rica barba que Friedrich cultivava. Friedrich se escorou no pilar de madeira ao lado dos dois e levantou o dedo indicador na direção de Lyonel, em seguida pediu para Lyonel segui-lo.

    O herói de Eisen liderou o caminho enquanto olhava para todos os cantos, tentando notar se alguém os observava de longe, subiram as escadas da escotilha e rapidamente correram da chuva até a cabine de Friedrich. Ao entrarem na cabine, Friedrich trancou a porta e caminhou rapidamente até sua escrivaninha. Friedrich abriu uma das gavetas e vasculhou por algum tempo, até que retirou um pedaço de papel rasurado de dentro. Com o antebraço, Friedrich abriu um espaço na escrivaninha e desdobrou o papel que tinha retirado da gaveta, esticando sobre a escrivaninha.

    - Esse é um memorial descritivo da região... É como se fosse um mapa, mas descrito em texto. - Friedrich batia com o dedo indicador no papel. - O memorial diz que rio acima, a mata começa a trespassar as margens e torna praticamente impossível a navegação de navios de grande porte, significa que o Flagelo Vermelho não veio de muito longe daqui. - Friedrich fitou Lyonel esperando se ele comentaria algo, e continuou. - Ontem você foi até o vilarejo. Ao sudeste, erguido sobre um monte arredondado, você deve ter visto uma construção fortificada de madeira. No lado leste desse monte há uma estrada de chão batido que adentra a floresta se afastando do rio. Aqui diz que essa estrada volta a ter contato com a margem do rio alguns quilômetros depois, chegando até uma clareira onde existe uma fazenda. - Friedrich fez outra pausa, e ele que estava inclinado com a duas mãos sobre a mesa, se ergue novamente. - O Flagelo Vermelho deve ter partido dali, é o ponto mais além onde as embarcações maiores conseguem chegar. - Todo o conhecimento de Friedrich sobre os locais onde a tripulação do Cruzada da Rainha ancorava era um dos motivos pela qual foi escolhido para exercer a sua função no navio. Toda expedição por terra exigia um conhecimento prévio da geografia local. Graças ao ataque sofrido, Friedrich sabia por onde começar a busca pelo contato do Capitão Henry Curts.

    - Se eu fosse você, começaria por aqui. - Friedrich se referiu a fazenda. - Eu vou partir para Muguet. Conheço algumas pessoas que me devem alguns favores e esse é um bom momento para cobrar.
    Elminster Aumar
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Sex Maio 05, 2017 10:02 pm

    O castelhano viu Friedrich concordar com as suas palavras sem se surpreender, ele era um homem de bom senso afinal de contas. Lyonel terminou de beber sua caneca de cerveja junto ao herói de Eisen como se fosse um último brinde deles a bordo do Cruzada da Rainha. Após isso, Lyo o segue para fora da escotilha, percebe que ainda chovia e usa o próprio casaco para proteger sua cabeça enquanto corre até a cabine de Friedrich.

    Assim que entra, ele tira o casaco e o coloca num pendurador à parede. Depois se junta à Friedrich para ler o memorial que ele retirara da escrivaninha. O corsário sabia o básico sobre aquela região, mas o memorial trazia detalhes do terreno que o ajudariam a chegar até o Capitão Henry Curts. Lyo ouvia tudo o que estava sendo dito e compreendia que a linha de raciocínio de seu amigo estava correta. Ele entendera onde Friedrich queria chegar logo no início da explicação.

    - Eu imaginava que o Flagelo Vermelho não podia ter vindo de longe. Ele foi avisado sobre a nossa presença e escolheu o momento em que o navio estaria mais desprotegido para atacar. Ele se escondeu no véu da noite para nos surpreender com uma chacina. - O corsário fechou o punho quando disse a última palavra, indignado. Ao ouvir a última colocação do herói de Eisen, ele assentiu. - Eu irei até essa fazenda.

    Lyonel estava decidido e faria isso sozinho. Não havia outras alternativas. Suas intenções era pegar suas coisas e partir imediatamente até o local, e quando estava prestes a sair da cabine se virou para Friedrich com um sorriso enigmático no rosto.

    - Henry Curts sempre pareceu estar um ou dois passos a nossa frente, mas parece que dessa vez você o pegou. Devo esperar o seu retorno dentro de quantos dias?
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Seg Maio 08, 2017 8:58 pm

    - Não está muito cedo? - Questionou Friedrich assim que Lyonel afirmou ir até a fazenda, já se afastando da escrivaninha. Mas logo após questinar, mudou de ideia ou simplesmente desencanou. - ... Argh, acho que não temos muitas opções. Boa sorte! - Friedrich não tirava os olhos do papel esticado na escrivaninha, mas voltou seu olhar para Lyonel assim que foi perguntado sobre seus próximos passos depois de terminar com o quê tinha que fazer em Muguet. - Não. Claro que não... Provavelmente você será considerado um criminoso, seja la o quê vá acontecer nessa fazenda. Eu levarei pelo menos dois meses pra reunir forças em Muguet. Esperarei por você nesse meio tempo, caso contrário... Assumirei que você morreu, ou quê decidiu por seguir um caminho diferente. - Friedrich falava sem sequer mostrar qualquer tipo de sentimento, e logo voltou a se focar nos seus documentos, esperando que Lyonel saísse para sua caçada.

    _____________

    Vinícola de Flemming. Arredores do Vilarejo de Cayne. Norte de Montaigne.
    Primavera de 1665.


    Lyonel tinha seguido exatamente as instruções de Friedrich, conseguiu esgueirar-se pelo vilarejo sem dificuldades alguma em meio ao temporal que caia sobre a região. E logo que se afastou do vilarejo, a chuva começou a diminuir, mas parecia estar muito longe de cessar. A trilha que levava até a fazenda era uma estrada de barro larga o suficiente para uma carroça, estava completamente lameada, o quê dificultava imensamente sua caminhada. As copas altas das árvores que cobriam a trilha formando um telhado natural, protegia Lyonel de parte da chuva que precipitava. Nenhuma alma viva se arriscava por ali naquele dia chuvoso.

    Demorou bons minutos para que Lyonel chegasse até seu destino. Avistou a clareira abrindo em sua frente e uma placa erguida com os dizeres "Vinícola de Flemming", então a fazenda se tratava de uma vinícola, o quê não surpreende o castelhano. Caminhou mais alguns metros até ter total dimensão do lugar, ou quase toda, já que a chuva prejudicava para uma melhor observação. A vinícola não era das maiores, mas não era modesta. Era grande o suficiente para Lyonel entender que dali provinha o vinho de muito mais gente que o vilarejo de Cayne comportava. Parte da plantação ainda estava crescendo, não passando de pequenas mudas que  alcançavam o joelho de Lyonel, já outra parte estava no ponto para ter suas uvas colhidas. O terreno total deveria ter pelo menos dois hectares de terra, considerando a plantação e o casarão erguido no pé de uma torre de observação que ficava no centro do terreno. Diversos ranchos de madeiras estavam espalhados pelo terreno, provavelmente servindo como armazéns e almoxarifado. Espaçados entre as plantações havia alguns postes com sinos e espantalhos. Correndo ao oeste do terreno jazia o rio e um pequeno cais construído em sua margem, não havia nenhum navio, apenas algumas canoas.

    Diante do temporal, não havia ninguém trabalhando na plantação, mas era possível visualizar algumas pessoas trabalhando em boa parte dos ranchos. A distância, Lyonel não conseguia enxergar muito mais que isso para identificar quais eram o tipo de pessoas trabalhando no local, ou se havia alguém guardando o local na torre de observação. A chuva era sua inimiga, mas talvez pudesse tirar algum proveito disso.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Sab Maio 13, 2017 1:36 pm

    Ao ser questionado se era muito cedo para ir até a fazenda, Lyonel fez que não com a cabeça e foi poupado a dar alguma resposta em voz alta pelo herói de Eisen ter se desencanado com a pergunta. De qualquer forma, para Lyo, aquela era talvez a chance única de ver a sua irmã. Ele não poderia fazer nada sozinho contra os homens de Henry Curts, mas se visse o menor vislumbre de Eleanor já valeria a pena. Saber que sua irmã estava viva lhe importava mais do que reunir qualquer exército.

    - Nos encontraremos dentro de alguns dias então - declarou o corsário, por fim, se retirando da cabine.

    Lyo tinha pego todo o seu equipamento bélico e rumou para o local apontado por Friedrich. A estrada lamacenta tornou a viagem cansativa. Ao alcançar a placa com os dizeres, o castelhano encontrava-se fatigado e suas roupas encharcadas eram um peso adicional. Ele observou os homens ao longe, tentando identificar se eram homens do campo ou se algum deles parecia ser de alguma tripulação pirata, mas ainda estava muito longe deles. A vontade de se aproximar era grande, mas Lyo tinha que ser precavido. Ele procurou alguma árvore de tronco grosso e galhos fortes, escalou-as e se acomodou ali mesmo. Aproveitou para descansar enquanto observava o movimento do terreno. E aguardou.

    Aguardou pacientemente até que a noite caísse sobre a vinícola. Desceu da árvore em que estava alojado e começou a seguir por uma rota já traçada por ele, que visava se camuflar em meio às plantações, se preciso iria rastejando. Esperava que a escuridão da noite e a chuva insistente o ajudassem a passar desapercebido pela torre de observação. Ele tentava chegar próximos aos ranchos dessa forma e ver quem eram os homens que trabalham ali, e posteriormente, se dirigiria até o mais perto possível do casarão e tentaria ver se havia algum movimento de pessoas no interior da casa.
    Shady Dope
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Seg Maio 15, 2017 10:49 am

    Não era possível identificar com detalhes as características dos trabalhadores da vinícola, e Lyonel decide por não aproximar-se antes da noite cair. Esgueirou-se entre as árvores altas até encontrar alguma que conseguiria subir e se acomodar com o mínimo de conforto durante o restante do dia, mas não muito longe da vinícola, não queria perder o contato visual com aquela terra. Se na estrada lamacenta era difícil se locomover, entre as árvores era ainda pior. As folhas pegajosas grudavam em sua perna e por pouco Lyonel não pisa em falso em um formigueiro. Mas passado alguns minutos, o castelhano encontrou a sua árvore. Escalou também com dificuldade, caindo na primeira vez. O casco molhado dificultava suas mãos de terem o atrito para subir até onde gostaria, mas com algum esforço, conseguiu. Aquilo já havia sido uma pequena vitória.

    Disposto a passar o dia esperando anoitecer, as horas se passaram vagarosamente. Lyonel não lembra de ter vivido um dia tão longo. Na primeira hora, a chuva não parou e os olhos de Lyonel não falharam, mas nada acontecia, absolutamente nada, tudo continuou da mesma forma que Lyonel já tinha observado. Na segunda hora a chuva cessou, restando apenas poças que permeavam por todo canto que Lyonel conseguia enxergar, mas os olhos do castelhano começaram a falhar. O tédio era tanto que por algumas vezes o sono vencia a batalha contra sua concentração, fazendo o pescoço pesar e a cabeça escorregar do apoio que encontrara no tronco da árvore, acordando o castelhano com susto, se segurando no galho firme que o suportava. Aos poucos, a vinícola ficava movimentada. Dali de cima da árvore pareciam agricultores normais, homens e mulheres do campo, nada incomum. Com o tempo, Lyonel chegava a conclusão que deveria ter entre 25 a 35 pessoas trabalhando na vinícola, incluindo aqueles que não trabalhavam nas plantações.

    Horas mais tarde Lyonel se viu obrigado a descer da árvore, seu corpo não aguentava mais ficar na mesma posição no desconforto de uma árvore. Ainda precisava se alimentar e dar conta de suas necessidades fisiológicas. Pescar e cozinhar o quê conseguisse pescar não era a melhor opção. A fumaça atrairia atenção para si. Então o castelhano partiu em busca de alguma planta que desse fruto. Nunca pensou que fosse tão difícil encontrar fruta no meio da mata. Demorou a encontrar, quase se viu próximo ao vilarejo novamente, mas voltou e encontrou novamente a árvore que lhe servia de refúgio. Se afastou outra vez e escolheu uma das outras árvores para urinar. Parte da urina evaporava quando tocava o solo úmido, e Lyonel sente seu corpo relaxar enquanto a bexiga esvaziava. O som da urina batendo no caule da árvore era reconfortante. E ainda distante dali, o som de um chicote estalando quebra o momento de Lyonel, que se apressa. Alguém estava chegando na vinícola.

    O castelhano correu até a sua árvore e escalou com maestria. Com o casco da árvore mais seco — embora não totalmente seco — ficava muito mais simples para Lyonel. Dali de cima ele conseguiu visualizar o quê parecia uma carroça mercantil, modesta, mas bastante colorida, certamente para chamar atenção. Apenas um homem estava no controle dos dois cavalos que puxavam a carroça e mais ninguém viajava com ele. Parecia ser um homem de meia idade.

    A carroça se aproxima da vinícola e diminui sua velocidade quando ultrapassa o portal da entrada. Os cavalos trotaram entre as plantações, os camponeses paravam seus trabalhos para observar a figura que havia chegado por ali. Logo em frente à varanda do casarão — no centro do enorme terreno — o homem estaciona sua chamativa carroça. O homem desce e guarda seu Arcabuz no acento da carroça, e logo é recebido de forma amistosa por um cuidador que lhe dá dois tapinhas nas costas e o leva para dentro do casarão. Dali em diante, nada de especial aconteceu até anoitecer e Lyonel precisou usar sua criatividade para passar o tempo, pois o tempo se recusaria a passar sem que ele dormisse em cima da árvore.

    A noite finalmente chegou. Era chegado o momento de xeretar de perto quem morava ali, e possivelmente o contato que Henry Curts mantinha por ali. A carroça do homem que havia chegado durante o dia ainda estava ali. Lyonel desce da árvore e suas juntas estalam. Seu corpo agradecia novamente por sair daquela posição desconfortável. Inesperadamente, o castelhano começa a tossir repetidamente, uma tosse seca que saía arranhando pela sua garganta. E apesar de não ter sinais de coriza, sabia que havia ficado resfriado por ter ficado exposto o dia inteiro às alterações do clima. Estava escuro o suficiente para que os camponeses abandonassem seus trabalhos. Alguns deles deixavam a vinícola e partiam em direção ao vilarejo, e o restante adentrava o casarão.

    Já com o caminho previamente planejado, Lyonel se esgueira por entre as plantações, se aproximando sem dificuldades do rancho mais próximo. Com cuidado, Lyonel consegue abrir uma fresta no portão do rancho e adentra o local. Não conseguia enxergar muita coisa, mas o quê via era o quê se esperava em uma vinícola comum. Ferramentas e resto orgânicos organizados em prateleiras. O castelhano não parou de vasculhar no primeiro rancho, então partiu até o segundo. E nada de muito diferente, encontrou basicamente as mesmas ferramentas e restos orgânicos, mas separados de maneira diferente, embora seguisse o mesmo padrão. O terceiro rancho visitado por Lyonel se apresentou da mesma forma, e como a distância até o casarão já estava mais próxima do quê para o próximo rancho, o casarão fora seu próximo destino.

    Lyonel contava com a sorte quanto à torre de observação. Não havia nenhuma iluminação, então não sabia se o local estava vazio ou se alguém ficava perambulando no breu do interior da torre, era extremamente muito difícil de notar, pois a iluminação vinda do interior do casarão ofuscava a torre e a escuridão da torre se misturava com as próprias sombras. O castelhano se aproxima pelo melhor caminho observado até o casarão, se aproximando até outra varanda que ficava nos seus fundos. Ali, dois homens conversavam e fumavam. O assunto não era do interesse de Lyonel, e mesmo que fosse, não entendia muita coisa, sabia apenas que comentavam sobre suas famílias, refeições e afins. Um deles adentrou o casarão em pouco tempo, e o outro o seguiu logo depois, amaçando o cigarro de palha com a mão e jogando próximo a moita onde Lyonel se escondia, sem perceber a presença do castelhano.

    Aproveitando a oportunidade, Lyonel se esgueira até a varanda e espia através de uma das janelas. O castelhano estava rente à parede da cozinha, duas mulheres trabalhava por ali enquanto um homem abastecia a mesa na sala de jantar — que Lyonel conseguia observar de forma limitada através da porta da cozinha — rodeada de pessoas. Lyonel identifica o dono da propriedade, um homem negro já bastante velho tomava seu lugar em uma das pontas da mesa, ao seu lado, outro homem que deveria estar chegando à casa dos trinta, com traços semelhantes ao do homem mais velho. E no outro lado do homem mais velho, estava o visitante — que chegou com a carroça mercantil — bastante sorridente conversando com as outras pessoas que rodeavam a mesa. Um olhar mais atento fez com que Lyonel percebesse algumas tatuagens subindo pelo pescoço do homem mais velho, e quando levantou a mão para pegar os talheres notou que seus dedos também estavam tatuados. Era o único que apresentava esta característica entre os que Lyonel conseguia ver. A mesa onde a refeição era servida estava muito longe para ouvir o tema da conversa, mas o castelhano conseguia ouvir o quê era falado na cozinha, embora não conseguisse entender o teor do assunto pela falta de conhecimento do idioma local, conseguiu ouvir um nome, Dr. Landa.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Seg Maio 22, 2017 9:57 pm

    As horas que Lyo havia escolhido para aguardar pacientemente a noite chegar tinham sido quebradas pela chegada de uma carroça. O castelhano tentou se apressar para voltar ao topo da árvore e poder enxergar melhor que figura vinha se aproximando. Os homens da vinícola também tinham parado os seus afazeres para observar a carroça, e Lyo fez aquela anotação mental e guardou para si. Seja lá quem fosse, ele não era uma visita esperada pelos homens do campo, embora tivesse sido - em seguida - bem recebido pelos cuidadores do casarão. Lyo estranhou a presença do arcabuz com o homem, que de todas as perspectivas parecia conduzir uma carroça mercantil comum. Seria a arma apenas para se proteger na estrada? De qualquer maneira não havia mais nada a fazer, pois o homem tinha entrado na casa e ainda restavam algumas tediosas horas até que a escuridão da noite caísse por aqueles campos.

    Para passar o tempo, Lyo pegou sua faca e começou a fazer traços no casco da árvore. Ele tentava desenhar um rosto feminino, à imagem de que tinha de sua irmã. Só então ele percebeu fazia tempo que não a via e como ela deveria estar mudada hoje em dia. Ela era uma adolescente quando foi raptada e Lyo se perguntou se a reconheceria se a visse. Ele ficou com essa dúvida até que finalmente chegar a hora de sair de sua incômoda posição no galho da árvore e buscar por informações mais concretas.

    A tosse não o surpreendeu, mas ele teve que atrasar os seus movimentos até que aquele ataque passasse. Tentou abafar o som com as mãos, mas temia que alguém pudesse ter ouvido. Quão ridículo seria eu ser apanhado porque tossi, pensou. Em seguida, ele começou a se mover de rancho em rancho. Por sorte, o lugar todo estava bem mais vazio e a torre de observação não aparentava riscos, mas mesmo assim ele se movia sempre lançando olhares em direção a ela para ver se captava alguém que não tinha visto ainda. Os ranchos não continham nada que valesse a pena perder muito tempo, e por isso o castelhano não perdeu muito tempo nos três ranchos que explorara. Agora que estava próximo da mansão, ele aproveitava os altos arbustos para se manter escondido e se aproximar cada vez.

    Observou e entreouviu partes da conversa de dois homens na varanda. Aguardou até que eles se retirassem e ocupou os seus lugares. Pela janela viu que a cozinha e sala de jantar estavam ocupadas por pessoas. Ele não reconhecia nenhuma delas, embora tenha tentado, por mais de uma vez, identificar que tipos de tatuagens o homem que viera na carroça tinha consigo mesmo. As tatuagens podiam dizer muito sobre uma pessoa. Em determinado momento, ele ficou com receio de ser descoberto ali fora, exposto como tava. Não adiantava invadir o lugar cheio como estava. Ficou mais dois minutos tentando ouvir alguma conversa mais reveladora além do nome do Dr. Landa. Depois tentou se aproximar da carroça mercantil, estacionada do lado de fora. Ele queria dar uma rápida explorada em seu interior, e aproveitaria para pegar o arcabuz que o homem deixara ali e tirar toda a sua munição e guardar para si, mas colocaria a arma de volta exatamente no lugar em que estava. Ele ainda olhou para o segundo andar da casa, tentando ver se havia movimento ou luzes acesas. Se tivesse tudo escuro, ele poderia tentar escalar e entrar por uma das janelas, para investigar um dos cômodos do local, de preferência os aposentos pessoais do dono da propriedade. Contudo se houvesse qualquer suspeita de movimento, ele retrocederia.
    Shady Dope
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Shady Dope em Qua Maio 31, 2017 8:37 pm

    Lyonel sabia que não estava no melhor local para ficar por tanto tempo espiando e tentando escutar alguma coisa a mais. Mas se arriscou por mais algum tempo. A conversa decorria sem o castelhano entender nada, o dono da propriedade gesticulava com as mãos, e apesar de tentar insistentemente, estava longe demais para observar detalhes daquelas tatuagens que via no corpo do homem, além disso, o tempo havia desbotado a tinta dificultando ainda mais aquela simples tarefa.

    Em dado momento, o visitante arrasta sua cadeira para trás da mesa e em seguida se levanta, ele vira seu corpo na direção da cozinha e o olhar do homem por alguns milésimos de segundo pareceu se cruzar com o olhar de Lyonel. O castelhano se abaixa rapidamente, sentindo o sangue ferver em suas artérias. A dúvida sobre se tinha sido visto pelo visitante perturba o castelhano que rapidamente sai de trás do peitoril da janela, esgueirando-se novamente entre as paredes externas do casarão.

    Lyonel se afastou daquela varanda com pressa, partindo até a esquina da parede e cruzando a varanda da frente em direção a carroça do próprio visitante. Não havia ninguém em seu caminho, parecia que todos estavam entretidos demais para preocupar-se com qualquer coisa além do jantar e da recepção àquele homem. Rapidamente Lyonel se põe atrás da carroça do homem. Havia uma porta que parecia a de um armário, e sem dificuldades o castelhano conseguiu abri-la para ver o quê havia ali dentro. Havia dezenas, talvez centenas de frascos e garrafas com diversos tipos de conteúdos líquidos dentro, o visitante em questão deveria ser algum tipo de boticário, alguém que vendia remédios, perfumes e poções milagrosas, uma profissão incomum mas que começava a surgir com frequência no leste e sul do continente. Lyonel passou a mão sobre alguns produtos, vasculhando a carroceria da carroça com mais afinco, até que encontrou alguns invólucros guardando uma série de documentos.

    O castelhano tem sua atenção quebrada pela presença de alguém. Lyonel ouvia passos estalando a madeira do piso da varanda. Por algum momento os passos cessam, até que o som volta com mais firmeza, descendo as escadas da varanda. Alguém estava se aproximando por um dos flancos da carroça que Lyonel vasculhava.
    Elminster Aumar
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

    Mensagem por Elminster Aumar em Ter Jun 06, 2017 8:14 pm

    O coração de Lyo acelerou-se quando viu o seu olhar cruzar com o do visitante. Ele estava ciente de que se abaixara rapidamente, mas ao mesmo tempo, aqueles milésimos de segundos pareceram horas. Era como se o tempo tivesse parado naquele breve instante. A dúvida martelava a cabeça do corsário. Com sorte ele viu apenas um vulto pela janela e vai pensar que é um animal qualquer, pensou, tentando parecer otimista para si mesmo. Ele ainda tinha trabalho a fazer e não podia arredar pé dali sem descobrir por mais pistas.

    Esgueirando-se sempre pelas paredes da mansão a fim de usá-las como coberturas, o castelhano alcança a carroça do visitante e inicia o seu trabalho de investigação. Abrindo uma porta na traseira da carruagem, revelou-se vários frascos com conteúdos de cores diversas, e Lyo não resistiu a tentação de pegar alguns desses frascos e colocar em sua mochila. Ele já estava com a lama nos joelhos, afundar um pouquinho mais não faria tanta diferença. Mas algo o interessou mais do que os frascos: os invólucros contendo documentos. Ele chegou a abrir um desses envelopes e começava a olhar documento por documento quando percebe a presença de mais alguém. A pessoa estava na varanda, e Lyo prende a respiração para poder escutar melhor o que acontecia. Instintivamente a sua mão foi para o coldre de sua arma. Os passos agora indicavam que a pessoa tinha descido as escadas da varanda e se aproximava de um dos flancos da carruagem.

    Lyo aguardou. Se desse para se manter escondido ali, ali ele ficaria. Atento e com a mão a postos para puxar a arma, Lyo procurava algum ângulo de visão para poder ver quem se aproximava. Seus pensamentos não paravam de atormentá-lo, dizendo o quão burro ele fora de ir até lá sozinho. Lyo nunca fora um ladrão ou um espião. Ele era um homem de armas, um homem respeitável e digno; se ver naquela situação era ultrajante para ele.
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    Re: Prologue: The Pirate's Obsession

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