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Capítulo 5: O Início da Grande Trama

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Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Jul 30, 2017 3:08 pm

O caminho até a saída da mansão havia servido para Jack reconhecer aliados e inimigos, enquanto Sir Galaham honrava seus status com heroísmo, outros apunhalavam pelas costas àqueles que pretendiam estar do mesmo lado do conflito. O gatuno desviou-se do caminho e seguiu escada abaixo evitando o combate, ainda poderiam ser vítimas de uma bala perdida, era de se julgar que nem todos na mansão morreram lutando. Jack cruzou alguns cômodos no andar inferior e finalmente saiu da mansão com Lizzie em seu colo.

Com pressa, o gatuno abriu a porta da primeira carruagem que alcançou e colocou Lizzie ali dentro. - Aqui... Se a carruagem balançar muito, segure nisto. - Jack dava dois tapinhas na alça de segurança acoplado ao encosto do banco de couro indicando onde Lizzie deveria se segurar. Em seguida a garotinha pergunta sobre seu pai, o prefeito. O gatuno tentou não hesitar na resposta. - Não... Vou te levar pra um local seguro...
E seu pai deve te encontrar lá...
- Jack fechou a porta da carruagem e trancou a porta para manter Lizzie em segurança. Em seguida, subiu na carruagem e assumiu as rédeas, partindo dali.

Jack faz a carruagem contornar a mansão e já alinhava em direção ao portão, por sorte, a carruagem que pilotava era leve e rápida. Não demorou até encostar em outra carruagem que também fazia seu caminho para fora do quintal da mansão, aquela mesma que havia preparado para uma fuga. Quando próximo o bastante, Jack reconheceu quem estava a bordo da carruagem, o guarda-costas de Annalise, o quê sugeria que ela também deveria estar ali. Mas, o porém é que havia um perseguidor acima da carruagem, um perseguidor inconveniente que Jack conhecia. - Mais isso ainda... - Resmungou o gatuno ao perceber que ainda teria que dar um jeito em Lugos. Para piorar a situação, a Víbora mantinha o dedo no gatilho disposto a trabalhar, estava fora de si.

Não havia possibilidade de entrar em combate com Lugos, Jack ainda tinha que manter o controle da carruagem, faltavam mãos para o tanto de coisa que precisava fazer. Abdicando do combate, o gatuno alinha sua carruagem ao lado da carruagem de Ratchford após este ser atingido por Lugos. As duas carruagens se aproximavam cada vez mais dos portões, e era bastante considerável o número de manifestantes reunidos no lado de fora. A situação com a revolta ficaria bastante instável e imprevisível com a morte do prefeito, a cidade estava pronta para ser tomada pelos rebeldes, mas Jack não tinha certeza se os rebeldes estavam enxergando daquela forma. De uma forma ou de outra, aquilo não era um grande problema para Jack, mas sim para os nobres que ainda estavam na mansão, o quê incluía Delilah.

Tentando manter a atenção aos portões e a carruagem ao lado, Jack se estica e tenta abrir a porta da carruagem que Ratchford pilotava. - Vamos Anna! Você escutou ele!.. - Jack aproximou sua carruagem próxima a porta da carruagem de Ratchford e deixou seu braço estendido para que Annalise deixasse a carruagem dela e pulasse para a carruagem que Jack pilotava. Os portões se aproximavam mais e mais, a janela de tempo era pequena e Annalise precisava se decidir rapidamente e tomar coragem para fazer o salto. - Venha logo! - O gatuno apressava Anna, pois logo teria que frear a carruagem ou daria de encontro com o muro.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Luxi em Seg Jul 31, 2017 8:49 pm

Mal tendo tempo para pensar, Anna não podia imaginar que pessoas tinham aquela habilidade de se lançar a uma carruagem em movimento. Nunca tinha visto algo assim, mas sua estupidez interiorana custava caro. Gritou o nome do guarda-costas horrorizada com o golpe que lhe foi desferido e depois como um animal em risco para o homem que a ameaçava, completamente vulnerável. Foi aí que Jack apareceu em sua janela.

- Jack! - ficou surpresa ao avistar o gatuno. Não sabia que o reencontro seria tão rápido, mas ao mesmo tempo estava feliz por vê-lo a salvo, não mais do que estava aflita pela situação, é claro. Precisava fazer uma escolha que lhe dava arrepios, ainda que o frio na barriga lhe desse uma sensação boa na maioria dos casos, agora estava muito mais preocupada com o guarda-costas. Sabia que não tinham tempo para conversas emocionantes e melindres de nobre.

- Eu não posso..o Ratchford... - mas ele a interrompeu, dizendo para saltar de uma vez. Sob pressão, era incrivelmente sugestionável. Parecia a coisa certa a fazer seguir o conselho de alguém experiente. Sem ela, talvez Ratchford tivesse outras preocupações. Sem falar mais nada, ela decidiu agarrar o braço de Jack e saltar.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Elminster Aumar em Sab Ago 05, 2017 11:22 pm


A pequena garota Lizzie seguiu as instruções de Jack para se manter segura no interior da carruagem em movimento cada vez mais acelerado. Jack não tinha dificuldades em conduzir o veículo, fazendo-o atravessar o quintal da casa do prefeito em grande velocidade e se emparelhar com a carruagem da frente. Lugos percebeu de imediato a presença de Jack, assim como Anna, que viu ali a oportunidade perfeita para escapar. Mas como fazer isso com os dois veículos em movimento?

Mesmo com os incentivos de Jack, era muito difícil reunir a coragem necessária para tomar tal ato. Anna se pendurou na janela de sua carruagem, tentou esticar o braço e a mão para alcançar Jack, mas sem sucesso. Alguns preciosos segundos se passaram sem que ela encontrasse o momento ou a coragem necessária para pular. Lugos riu com escárnio daquela situação.

- Quem diria que a Harpia se tornaria um defensor de donzelas? - perguntou alto o suficiente para que Jack escutasse mesmo com o barulho do vento passando forte pelo seu rosto. - Jack, Jack... - disse, chamando-o depois de muito tempo pelo seu verdadeiro nome ao invés do codinome da Irmandade. - Você está do lado errado nessa luta. Junte-se a mim, Jack. Junte-se aos Coletores e nos ajude a salvar esse mundo da podridão dos políticos que só pensam em enriquecer os próprios bolsos e estão cagando para tudo o que estão destruindo!

Lugos falara tudo isso e Anna ainda não conseguiu achar a brecha para saltar. Os portões estavam cada vez mais próximos e a julgar pela quantidade de rebeldes posicionados do lado de fora, muitos com tochas acesas e pedaços de madeira em mãos, seria extremamente arriscado tentar passar pelo meio deles. Os guardas não estavam mais conseguindo conter a multidão e os primeiros rebeldes já conseguiam atravessar os portões em direção ao jardim. Lugos parecia, de fato, fora de si, como se quisesse provar algum ponto para Jack. Ele gritava encarando o seu irmão.

- Você sabe por onde esse trem que o prefeito quer construir irá passar, Jack? Ele irá passar pelo meio da floresta. Dá para imaginar quantas árvores não serão arrancadas de suas raízes? O quão prejudicial isso será para a natureza? Pense na minha proposta, Jack!

Lugos então deu o empurrãozinho que Anna precisava. Ele a segurou pelas suas vestes e a jogou em direção a Jack, que por pouco não conseguiu segurá-la. Jack perdeu por um momento a condução da carruagem e viu Lugos assumir o comando do outro veículo no lugar de um Ratchford bastante debilitado. A Víbora empurrou o guarda-costas de Anna para fora da carroça no exato momento em que fazia uma curva para fugir dos rebeldes.

Anna estava ao lado de Jack e viu Ratch se esborrachar no chão de terra a alguns metros de distância. Tudo aconteceu muito rápido, mas ela não pôde deixar de se lembrar de uma cena em que viu momentos antes de chegar em Vicari, enquanto sobrevoava no dirigível do Sr. Scoresby: a enorme área desmatada e sem vida, tão próxima da cidade. Ela se lembrou de como sentira um grande pesar ao observar a cena.


Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Sab Ago 12, 2017 4:27 pm

Jack ignorou o deboche de Lugos, focando-se apenas em Anna, que nitidamente precisava de mais que uma ajuda. Mas a Víbora não estava saciada, tinha mais a falar, e o restante soou menos como besteira. - Você está confundindo as coisas, idiota! - Esbravejou o gatuno olhando em direção ao Lugos. - Eu não estou em nenhum lado desta luta! - Jack manteve-se focado em Lugos por alguns instantes, que continuou justificando seu lado. A Víbora não enxergava os avanços que a obra iria trazer para a região, estava cego, com a mente subjugada por uma seita ou ordem que Jack quase não conhecia. Ao fim do discurso, Lugos dá a Anna a ajuda que precisava.

O gatuno quase saltou para fora da carruagem para agarrar Anna e trazê-la para a bordo da carruagem. Segurou as rédeas com uma das mãos, por pouco não lhe faltou forças para puxar Anna, mas conseguiu. - Você está bem!? - Perguntou o gatuno para a nobre. - Segure-se! - Exclamou sem esperar por resposta. Esbaforido, Jack puxa as rédeas com as duas mãos, fazendo a carruagem frear antes de atingir a multidão e os muros. Lugos fazia seu caminho para longe dali, o corpo de Ratchford estava muitos metros atrás, Jack não conseguia observar se estava vivo ou não.

Com a carruagem parada entre a mansão e a multidão, Jack solta as rédeas e entrega nas mãos de Annalise. - A filha do prefeito está na carruagem... - Jack levou seu rosto para o baú da carruagem, atrás dele e de Anna, em seguida desceu da carrugem com pressa. - Fuja daqui... Leve a garota para um local seguro... Quem sabe um dia nossos caminhos voltem a se cruzar... - Jack comentou em tom de despedida olhando para a nobre. Não sabia onde Annalise levaria a garota, não sabia se Annalise decidiria por partir da cidade, sequer sabia se ela conseguiria escapar sã e salva. Mas no fim desejou que tudo desse certo para as duas. - Boa sorte! - Jack deu um tapa forte no lombo de um dos cavalos para que o cavalo puxasse a carruagem antes de Annalise comandar. O gatuno perdeu dois ou três segundos olhando a carruagem se distanciar, deu meia volta e correu em disparada na direção da mansão. Jack precisava salvar mais uma pessoa. Delilah.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Luxi em Seg Ago 14, 2017 2:15 pm

Anna ouvia a conversa entre os dois, confusa sobre o que falavam, mas então Jack estava envolvido com os rebeldes? Isso a fez hesitar um pouco. Sentia as pernas bambas diante daquela situação em que precisava pular. Gostaria de ser mais corajosa em vez de empacar todo o caminho, mas aparentemente era mais forte do que ela, somada à desconfiança que soprava em sua mente em relação a ele. De repente sentiu-se arremessada e soltou um grito, de repente sentindo o corpo de seu salvador. Foi muito rápido o momento que viu Ratchford também ser empurrado para fora da carruagem enquanto o outro fugia.

- Sim, eu... Obrigada! Eu nem sei o que...  - falou de novo, assustada, mas precisava obedecê-lo e se segurou como podia. Recebeu as rédeas da carruagem um tanto trêmula. - Quem? - lembrou-se da menina do jantar, mas o tom de despedida dele a estava deixando desesperada, já que Ratchford continuava jogado no chão.

Ela tentou conduzir a carruagem para perto de seu guarda-costas e saltando dela sem pensar duas vezes, ajoelhando no chão para verificar se ele estava em condições. Não podia simplesmente abandonar a pessoa que esteve com ela esse tempo todo. Assim como teimou em sair da mansão por causa do senhor Scoresby.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Ago 29, 2017 11:46 pm


A conversa entre Lugos e Jack foi breve. Não houve tempo para contra-argumentos de nenhuma das partes. O gatuno conseguiu salvar Anna de se esborrachar no chão e parou a carruagem a uns vinte metros de onde Ratchford tinha caído. Sugeriu algumas instruções a nobre de Ellsporth antes de dar um forte tapa no lombo do cavalo e descer da carruagem. O animal voltou a correr, mas Anna, com a rédea em mãos,
o fez parar antes que se distanciasse muito. Enquanto Jack voltava para a mansão, Anna ia de encontro ao seu guarda-costas.

Não demorou muito e ela alcançou Ratchford. Ele encontrava-se caído e desacordado. Anna se ajoelhou ao seu lado e tentou reanimá-lo da forma que podia, mas sem sucesso. Da janela da carruagem surge o rosto de Lizzie, a pequena filha do prefeito, olhando com curiosidade para ver o que estava acontecendo. Ela falava alguma coisa, mas a sua voz não era alta o suficiente para chegar até Anna. Pelo modo como se comportava, parecia estar querendo dizer alguma coisa. E então, ao invés de tentar falar, Lizzie apontou pro céu.

O que Anna viu a fez criar um fio de esperança: sobrevoando os jardins, ela viu o Vaporeiro, dirigível conduzido com maestria pelo Sr. Scoresby. Ele estava passando bem acima deles no momento e ele seria perfeito para escapar da multidão de rebeldes que invadiam a propriedade, além do Sr. Scoresby poder ajudar Anna a carregar Ratchford. Porém o dirigível passou reto por onde eles estavam. Teria o Sr. Scoresby não os visto? Aparentemente não. Anna acompanhou o dirigível com o olhar e viu ele chegando do outro lado do extenso jardim. Era onde estava o assassino do prefeito. Ela viu o Sr. Scoresby preparar e jogar uma corda com um laço para baixo, exatamente onde encontrava-se Lugos com a sua carruagem. Ela viu um rebelde jogar uma tocha acessa nas plantações do jardim enquanto os demais se aproximavam cada vez mais deles, com olhares furiosos. Para piorar sua situação, Ratchford estava desacordado e Lizzie havia sido deixada aos seus cuidados. Anna tinha que pensar numa saída e logo, antes que as coisas esquentassem para valer.


Jack também havia observado o dirigível aos céus, mas o seu foco no momento era procurar e resgatar Delilah. Ele não fazia a miníma ideia se ela ainda estava no interior da mansão ou se havia conseguido escapar de lá. Ela poderia até mesmo estar morta. Assumindo o risco, o gatuno se aproximou da casa e viu que a porta de entrada encontrava-se aberta. Muitos dos convidados saíam por aquela porta, alguns estavam feridos e outros muito assustados, porém nem sinal de Delilah. Ele adentrou o recinto e o que viu lá dentro foi uma cena de guerra. Alguns corpos, tanto de trolloides quanto de humanos, jaziam mortos espalhados pelo chão da casa ao lado de poças de sangue.

O gatuno foi surpreendido com a visão cambaleante do Flint vindo em sua direção. O assessor (ou ex-assessor) do prefeito se agarrou em Jack, e esbaforido, disse:

- Jack! Graças a Menoth eu ter te encontrado, Jack! As pessoas... as pessoas estão mortas, Jack. Eu não sei o que houve, os trolloides se voltaram contra a gente! E o prefeito... eu preciso de ajuda com o prefeito, o corpo dele ainda está lá em cima, e eu não sei o que fazer!

Ele falava tudo muito apressadamente, com um misto de urgência e apreensão em sua voz por não saber o que fazer. Flint parecia ter escapado ileso das balas, mas as cenas que presenciara pesava em seu psicológico. Ele estava quase que implorando pela ajuda de Jack. Uma segunda olhada pelo local fazia Jack levar a crer que a batalha estava encerrada e que não havia mais perigo no interior da mansão. O mesmo não podia dizer do lado de fora. Jack foi o primeiro a perceber que os convidados que saíam da mansão estavam indo pro lado errado. Eles estavam correndo na direção da multidão de rebeldes e sabe-se lá o que poderia acontecer com eles. Flint continuava a frente de Jack, esperando por alguma ajuda.



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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Luxi em Qua Ago 30, 2017 10:48 pm

Anna era uma jovem inconsequente. Ela desceu da carruagem sem pensar muito nos rebeldes que estavam se aproximando. Correu até ele e se ajoelhou, tentando avaliar o estrago. Era seu guarda-costas, mas se preocupava muito com ele. Afinal, era a única pessoa próxima dela que estava naquele caos. Pelo menos, era o que achava. Tentou falar com ele, fazendo uma cara de choro, mas era inútil. Como iria carregar um homem daquele tamanho? Precisava tentar manter a calma, mas isso não foi possível. Deu tapinhas em seu rosto e tentou não encostar muito no restante do corpo para que não o machucasse, mas o fato de que ele não acordava fazia seu coração apertar. Será que a rebelião chegaria até ela e tinha feito algo tão estúpido arriscando-se a toa?

Usou toda a força que tinha para começar a puxá-lo arrastado em direção à carruagem. Era uma tarefa extremamente ingrata. Enquanto tentava fazer isso, em cima de seu vestido de festa já sujo, viu a garota. A menina que Jack a tinha pedido para proteger. Tinha esquecido completamente dela durante o surto.

Primeiro, ficou feliz de ser resgatada. Tinha a certeza de que o amigo de seu pai estava ali para fazer isso, mas estava um pouco longe,não? Longe.... demais!? Arregalou os olhos. Não podia acreditar no que estava acontecendo Nunca tinha desconfiado do Sr. Scoresby. Sentiu-se traída e extrememente ingênua por ter acreditado nele. Era ele que tinha roubado seus convites? Como não tinha pensado nisso? Estava muito mais perto do que o filho do banqueiro, aliás. Queria ter a oportunidade de conversar com ele para esclarecer as coisas, era o quão tonta era.

Ouviu o barulho dos revoltados raivosos e tentou arrastá-lo um pouco mais perto. Queria tentar colocá-lo na carruagem para fugirem juntos, mas não era como se Ratchford fosse uma donzela indefesa, então tentaria seu último truque para dar uma ajudinha com a mente, caso suas tentativas fossem inuteis como imaginava.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Ago 30, 2017 11:42 pm

A sombra do dirigível chama a atenção de Jack, que continuou correndo após levar sua cabeça rapidamente em direção ao imponente transporte aéreo. Não sabia do quê se tratava, mas esperava que fosse positivo. Sobreviventes faziam o caminho contrário o de Jack, esbarrando em alguns e desviando de outros. A sola dos sapatos trilhavam o caminho com sangue, indicando o quê o gatuno iria encontrar dentro da mansão. Olhava nos rostos de cada um que cruzava em sua frente. "Você viu Delilah?", perguntava para cada sobrevivente, em vão. Ninguém estava em estado para responder qualquer coisa. O gatuno continuou em frente, adentrando a porta.

Jack se depara para a cena de uma guerra que entraria para a história da cidade. Era um verdadeiro campo de batalha que inevitavelmente deixaria um trauma enorme em Vicari. Mais um massacre, e outra vez Jack estava presente. Não era de acreditar em bobagens, mas se fosse teria certeza que estava amaldiçoado. Permaneceu em dúvida, e em silêncio. Os olhos seguiam os corpos e buscavam por Delilah, torcendo para que não a encontrasse. E cambaleante, mais um sobrevivente entra em cena, desta vez o conhecido Flint.

O assistente do prefeito estava perturbado, e não era pra menos. Jack o segura antes que caísse no chão, ficando face à face com Flint. - Não há mais o quê fazer pelo prefeito... Mas Lizzie está... Segura... - Comentou hesitando. - Praticamente todo o poder público de Vicari caiu esta noite, e la fora há uma horda prestes a reivindicar o controle da cidade... Fuja por aquela direção. - O gatuno apontou para o lado contrário ao da população revoltosa. - Ou finja estar no lado deles... - Propôs de forma cínica, afastando-se do salão e cuidando para não pisar nos corpos.

Jack caminhou em direção a escadaria e subiu até o segundo andar com pressa. Tentava identificar os corpos pelo caminho, mas o barulho no lado de fora o apressava cada vez mais. Os revoltosos estavam muito próximo. O gatuno correu até o mezanino onde o corpo do prefeito estava, e chegando la, Jack sujou sua roupa com sangue e ajuntou uma das armas dos trollóides, a arma que matou o prefeito. O gatuno segurou a respiração por alguns segundos, com a arma do crime em mãos e ao lado do corpo do prefeito, esperou ansiosamente pelos manifestantes.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Elminster Aumar em Sex Set 15, 2017 7:44 pm


Pelo canto de olho, Anna percebia a movimentação dos rebeldes e o clarão das chamas que foram acesas nos jardins da Casa da Prefeitura, tudo isso enquanto tentava arrastar o seu guarda-costas de volta para a carruagem. Quando ela se tocou que Lizzie ainda estava no interior da carruagem, Anna resolveu agir do modo mais eficaz possível, usando os seus poderes mágicos para fazer o corpo de Ratch levitar alguns centímetros do chão e ser pousado levemente na carruagem, cuja porta fora aberta pela própria pequena filha de Cornélius. Os cavalos já estavam assustados com a aproximação dos rebeldes com tochas nas mãos e Anna teve um pouco de dificuldade para lidar com eles e guiá-los para a direção contrária. Era inútil prosseguir em frente.

O olhar de Anna se encontrou com o de um rebelde de olhar furioso e sedento por cometer alguma atrocidade. Naquele momento ela se viu pela primeira vez num mundo cruel, completamente desamparada e tendo que lidar sozinha com a situação. Não havia o conforto de seu lar e dos seguranças contratados por seu pai, nem mesmo Ratchford poderia ajudá-la mais. Anna estava sozinha e tinha que agir. Ela conduziu a carruagem para dar meia-volta e retornar para os fundos da propriedade. No caminho ela se encontrou com convidados que estavam divididos entre sair da mansão depois do tiroteio que teve ou voltar para lá devido a invasão dos rebeldes. Muitos já não sabiam mais o que fazer.

Ela alcançou a extremidade oposta do terreno e se deparou com muros de mais de quatro metros de altura, feitos de pedra e de difícil escalada. Ainda mais quando se tinha que fazer isso com um homem adulto desacordado e uma inocente criança. Aquilo poderia ter sido o fim da linha para a filha do barão Belgarten, mas uma voz distante a fez criar uma nova esperança. Era a voz do Sr. Scoresby, o velho amigo de seu pai e que havia dado suporte na fuga do assassino. Anna estivera tão assustada que nem percebeu a presença do dirigível no alto sobre o céu escuro da noite. Era bastante provável que o homem que matara o prefeito ainda estivesse lá, mas tudo o que ela via era o rosto de Scoresby oferecendo ajuda.

-Senhora! - gritara o Sr. Scoresby, com uma corda na mão. - Irei jogar esta corda até embaixo. Amarre-a no Ratchford e eu o puxo, se ele estiver com você, e você vem em seguida. Por favor, seja rápida, não temos muito tempo.

Ele jogou uma corda até onde Anna estava e aguardou a sua decisão de ir ou não com ele.


O gatuno Jack, no interior da mansão, orientava Flint a fugir.

- Mas... mas... para onde eu vou fugir? - gaguejou o assistente do prefeito.

Jack sabia que o tempo era curto. Ele sugeriu para o prefeito se fingir do lado deles, dos rebeldes, e depois seguiu o seu caminho para o segundo andar. Ele encontrou o corpo do prefeito estirado no chão no mesmo lugar em que tombara. Ao seu lado havia mais dois trolloides, ambos mortos. Sangue é o que não faltava, além de armas caídas sem dono ao chão. Jack se sujou de sangue como pôde e pegou a arma que havia cometido o assassinato. Era uma tática ousada. Os minutos foram passando com apreensão, pois Jack ouvia uma gritaria quase que ensurdecedora do lado de fora e o pior de tudo é que ele não conseguia discernir o que estava acontecendo. Foi por uma das janelas do segundo andar que Jack viu uma coluna de fumaça subindo pro céu.

Alguns convidados haviam retornado para a mansão, mas todos eles pareceram ter procurado cômodos para se esconder, de modo que Jack se sentia solitário próximo as escadas que davam para o longo saguão da casa, quase que em frente a porta de entrada, que por sinal havia sido fechada por um dos convidados que o gatuno não conhecia. Então, a porta de entrada é aberta com um chute forte, pesado, e um rebelde entra por ali, com um rosto sujo do que parecia ser fuligem. Era um homem grande e largo, sem nenhum fio de cabelo e que calçava longas botas e pesadas luvas. Era fácil identificá-lo como um rebelde. Atrás dele, entraram mais cinco ou seis homens, a maioria com tochas em mãos. Um deles ameaçou botar fogo num móvel, mas o grandalhão o impediu com um tapa em seu braço.

- Não faça isso, idiota. Vamos pegar as coisas de valor que tem aqui antes - disse. Nenhum deles ainda havia notado Jack no segundo andar.

- O que aconteceu aqui? - perguntou um deles, chocado com a cena de batalha mortal que estava presenciando.

- Estranho - disse um outro - observando com terror o corpo de um trolloide morto por tiros. - Parece que outros chegaram aqui antes de nós.

- Calem a boca! - gritou o grandalhão. Ele parou por alguns segundos para ouvir e olhar para os arredores. E foi então que percebeu a presença de Jack. Ele o encarou do andar térreo e disse para os seus outros camaradas. - Não estamos sozinhos aqui.

E ele apontou para Jack. Todos se voltaram para ele. Um deles sacou uma arma de fogo.


Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Sab Set 16, 2017 1:33 pm

- O quê você está fazendo, Jack? - O gatuno perguntou a si próprio enquanto observava a fumaça brotando do lado de fora. A situação estava quente, e não era um trocadilho de mal gosto. Faltava pouco para adentrarem a mansão, muito pouco. Jack não sabia ao certo qual reação teriam, mas esperava que sua lábia salvasse sua pele, como em outras vezes. Convidados que saíram correndo porta afora agora voltavam em corrida para se esconder da multidão furiosa que chegava. A cena estava criada e o palco sangrento dava o tom que Jack pretendia colocar. Então a porta se abre.

Poucos rebeldes entraram, o gatuno permaneceu observando-os de cima. Ouviu o diálogo com apreensão e curiosidade, mas a conclusão que tiveram fora justamente o quê Jack queria, e também a mais óbvia. Outros tinham chegado antes deles, e Jack tinha convicção que "Os Coletores" eram secretos o suficiente para não serem cogitados pelos rebeldes, secretos o suficiente para aqueles que sobreviveram ao ataque sequer soubessem quem os atacou. Não demorou muito para que um deles percebesse a figura de Jack os encarando do piso superior.

Avisados da presença de Jack, um dos rebeldes saca a arma e aponta para Jack. O gatuno não estava surpreso, mas a sensação de ter uma arma apontada para si nunca era confortável. Entretanto, se os rebeldes estivessem matando todos que vissem pela frente, aquele homem já havia apertado o gatilho.

- Tarde demais para usar sua arma, camarada... - O gatuno passou os olhos sobre os cadáveres em todos os cantos, como quem dizia "a batalha já terminou". - Sinto muito, o prefeito não vai poder lhes dar atenção agora. - Dessa vez Jack fitou o corpo do prefeito sobre seus pés, dando dois cutucões com o pé. - Não é mesmo Cornélius? - Jack começava a se questionar se toda aquela exposição recente à cadáveres causada pelas várias chacinas que presenciou estavam tirando sua humanidade, pois estava desrespeitando o corpo recém morto de Cornélius para se passar por alguém que não era. Mas o pensamento passa, no fundo, Jack tinha alguma atração obscura por aquilo, ele tinha um papel a cumprir.

- Bom... O poder político de Vicari está esfacelado, em cacos. - Jack tirou a mão esquerda do cano da arma e gesticulou enquanto falava, deixando seu braço direito descansar com a arma para baixo, demonstrando que já não pretendia mais usar a arma. - O quê vão fazer agora? - Questionou o gatuno, pretendendo saber o quão organizado os rebeldes estavam agora que poderiam tomar o controle de Vicari e implementar um novo regime. Jack se postava como autor da limpeza que eles pretendiam fazer, e tentava com aquilo trazer alguma liderança para si dentro do diálogo.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Luxi em Seg Set 18, 2017 11:53 am

Anna sentia-se completamente perdida. O correto e mais sensato teria sido fugir com o auxilio do gatuno, desde o começo, mas a jovem acreditava mais nas histórias dos livros nas quais tudo se resolvia por uma predileção do autor nos personagens. Poucas vezes, para não dizer quase nenhuma, em sua vida ela tinha vivido situações nas quais não havia nenhuma saída. Talvez apenas a morte da mãe, mas a mente infantil logo é preenchida com os esforços dos demais adultos. Talvez términos de relacionamentos? Isso era infantil demais para se comparar com a angústia que sentia agora, de ser a responsável com, literalmente, as rédeas nas mãos.

Annalise avisou o amigo de seu pai e uma esperança surgiu em seu peito. Tinha visto errado? Ele tinha mesmo ajudado aquela pessoa na mansão. O melhor amigo do pai dela não era um mentiroso, era o que pensava. Não cogitou armadilhas e traições ao olhar para aquela corda. Tudo que sentiu foi um imenso alívio.

Tinha um homem ferido e uma criança com ela. Como podia proteger todos contra uma multidão? Seria ainda mais estúpida se quisesse ficar para trás mais uma vez.

Gritou em afirmação, amarando o guarda-costas com as mãos trêmulas. Quando terminou, chamou a garotinah de dentro da carruagem.

- Venha, vamos sair daqui - estendeu a mão para ela. Sentia tanto medo que era até ridículo achar que conseguiria confortar a pequena. Na verdade, dava-se conta o quanto ela mesma tinha crescido somente no corpo. - Senhor Scoresby, muito obrigada. Nos leve agora, por favor.

Ela aguardou sua chance de subir.

Sua mente simplória só conseguia ver naquela corda uma luz acesa no quarto escuro de uma criança com medo de tempestade.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Set 19, 2017 11:02 pm


Anna não precisou pensar muito para aceitar a ajuda do Sr. Scoresby, mesmo porque ela não tinha muito tempo a disposição e precisava sair de lá o quanto antes. Amarrando com cuidado a corda ao redor do corpo de Ratchford, ela sinalizou para que o Sr. Scoresby o puxasse, e foi o que ele fez. Apesar de ter meia-idade, o piloto do dirigível estava em forma. Depois foi a vez de Anna com Lizzie, a filha do prefeito, que se agarrou em Anna como se ela fosse a sua mãe. Lizzie não parecia abalada, mas certamente estava muito desorientada sobre tudo o que tava acontecendo e fez uma pergunta enquanto o Sr. Scoresby as puxava para cima.

- Cadê o papai ou o senhor Flint? Para onde você tá me levando? - perguntara a Anna, recusando-se a olhar para baixo enquanto ganhava altura.

As duas terminam de ser puxadas para o deque principal do Vaporeiro, o dirigível. Ratchford havia sido deixado num canto, ainda desacordado e aos cuidados de Sucata, o pequeno robôzinho do Sr. Scoresby.

- Senhorita Anna! - gritou o robô ao vê-la, aparentemente feliz por reencontrar com ela. - Você está bem? Precisa de cuidados médicos?

O Sr. Scoresby não parecia tão alegre quanto a sua criação falante. Algo o estava preocupando. Ele coçou o bigode umas duas vezes antes de se dirigir a Annalise e dizer:

- Por favor, Anna, venha comigo para a minha cabine, precisamos conv...

- Não acredito que você trouxe esse cara para cá! - o Sr. Scoresby é interrompido por uma voz, e Anna logo identifica o assassino do prefeito, visivelmente contrariado e apontando para o Ratchford. - Esse cara quase atrapalhou tudo. E essa garota também - vociferou, se referindo a Anna desta vez.

- Lugos, essa garota é ninguém mais ninguém menos que a filha de Gregory Belgarten, o barão de Ellsporth. Além de tudo, ele é um amigo que eu tenho e não posso deixar a sua única filha jogada ao relento para esses rebeldes fazerem o que quiserem com ela. Lembre-se que ela é de Ellsporth, portanto não tem nenhum culpa do que acontece em Vicari.

Lugos não pareceu satisfeito com a resposta. Ele cuspiu no chão como um sinal de afronta e saiu de cena resmungando alguma coisa para si mesmo que não foi possível entender, mas Anna jurou ter ouvido o nome de "Jack". O Sr. Scoresby esperou o assassino do prefeito se retirar para os andares debaixo, e se voltou para Anna. O homem pegou em sua mão.

- Anna, eu acho que devo algumas explicações para você. As coisas não são tão simples quanto parecem. Lugos... - O Sr. Scoresby olhou para Lizzie, e pensou melhor antes de dizer: - Acho melhor terminarmos essa conversa em minha cabine.


Estando agora a vista dos rebeldes, Jack resolve falar com o pequeno grupo que invadira a mansão da prefeitura. Em seguida, ele chuta o corpo esfalecido de Cornélius para o colocá-lo a sua frente, lhe dando assim um destaque perante os rebeldes. A reação do grupo é de surpresa.

- É, é ele mesmo, é o prefeito! - disse um dos homens. - Eu vi o seu rosto na capa de um jornal uma vez, é ele mesmo.

Os rebeldes estavam boquiabertos, com a exceção do grandalhão que liderava o grupo. Ele não estava muito convencido daquilo.

- VOCÊ fez isso? VOCÊ fez toda essa matança que estamos vendo? - questionou, olhando mais uma vez para os corpos, tanto de trolloides quanto de guardas, tombados pela sala. Havia ainda um ou outro convidado que morreram no chumbo trocado.

Jack descansava o braço da arma, numa postura menos ofensivas, e perguntava agora o que eles iriam fazer. Nesse exato instante, outros rebeldes começam a adentrar o recinto. Dezenas deles. Um a um, eles entram e são pegos de surpresa com a cena que veem. "O prefeito morreu?", "Aquele é mesmo Cornélius?", "Quem o matou?", "Nós vencemos?" e "Quem é esse homem que está ao lado do corpo do prefeito?" eram as perguntas recorrentes entre os rebeldes, que tomaram todo o enorme salão que horas atrás servira para uma grandiosa festa.

O grandalhão continuava a frente do grupo, agora muito mais numeroso e agitado que antes. Haviam várias tochas nas mãos dos rebeldes e um incêndio se alastrando nos jardins do terreno.

- Alguém conhece esse homem? - o grandalhão perguntou para os rebeldes, mas nenhum afirmou conhecer ou já ter visto Jack. O homem forte, então, fez um pedido: - Tragam para cá aquele porco adestrado do prefeito.

E então, abrindo espaço no meio da multidão, um rebelde se aproxima trazendo Flint, que tinha uma adaga sobre o pescoço. Flint tremia e suava. O ex-assessor de Cornélius dividia o seu olhar para a faca que ameaçava tirar a sua vida e para Jack, que estava no centro das atenções. Fora Flint, o gatuno conseguia ver outras pessoas reféns dos rebeldes, mas era difícil discernir quem era quem no meio de tanta gente. Provavelmente eram convidados da festa que tentaram escapar e não conseguiram. O grandalhão se aproximou de Flint.

- Você atesta o que esse homem diz? - perguntou, um tanto agressivo, indicando Jack. - Ele foi o responsável por tirar a vida do prefeito?

A tremedeira de Flint pareceu aumentar ainda mais.

- Eu... eu... - ele gaguejava, sem saber o que falar. O seu olhar demorado em Jack parecia querer dizer algo, mas não na frente dos rebeldes. Era quase como se os seus olhos implorassem por ajuda naquele momento.

 

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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Luxi em Qua Set 20, 2017 5:15 pm

- Vamos para um lugar melhor. Vai ficar tudo bem - foi a única coisa que Anna conseguiu dizer para a pequena naquele momento, com um sorriso bem treinado. Abraçou a menina com carinho, mesmo não a conhcendo, mas sua doçura conquistava facilmente seu coração.

Assim que subiram, soltou a menina e se aquietou quando viu que Ratchford estava em segurança.

- Sucata! - exclamou aliviada ao ver o robô, que não tinha como ser uma criatura corrompida, pelo menos como ela pensava. - Não se preocupe, eu estou bem. Por favor, tome conta do Ratchford. - virou-se para a menina - Você está machucada? Como era mesmo o seu nome?

Antes que pudesse conversar mais, o senhor Scoresby apareceu e de repente ela só o enxergou como o amigo de seu pai. Não havia nada de errado, não é mesmo? Mesmo assim, ela sabia onde aquele dirigível estava parado. O sorriso do rosto desapareceu quando aquele homem surgiu.

- Você! - deu um passo para trás, aproximando-se do guarda-costas ferido e da menina. Especialmente essa última. Olhou indignada para a garota e o homem. Estava diante do assassino do pai da menininha. O quão imoral era aquilo? Mesmo assim, o senhor Scoresby não parecia ter virado um vilão de repente. Ele a citava como filha de seu amigo e a defendia apesar de tudo. Mesmo assim, não conseguia segurar seu sentimento de revolta.

- SENHOR SCORESBY! Como pode? - colocou-se na frente da menina. Balançou a cabeça negativamente. - Sim, o senhor tem que me explicar muitas coisas! - segurou a menina pelo braço - Mas não vou deixá-la sozinha com aquele psicopata. - saiu andando atrás dele.

- Sr. Scoresby, sabia de tudo isso? O senhor é amigo do meu pai. Como pôde me trazer para essa festa sabendo que tudo isso aconteceria? Está... está com eles? Afinal, o que foi tudo isso?
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qui Set 21, 2017 7:55 pm

- Toda matança?.. - Jack questionou retoricamente. - Não... Toda matança não... Só parte dela... - Respondeu olhando diretamente para o grandalhão, que era quem o indagava.

Mais e mais rebeldes se juntavam àqueles que já estavam no salão, e todos se impressionavam com a matança que seus olhos presenciavam. O burburinho era inevitável, a surpresa pela morte precoce do prefeito também. Jack esperava em silêncio para aproveitar toda reação dos rebeldes. Se encostou no peitoril do mezanino aguardando também a resposta pela sua pergunta, mas o homem se fazia de surdo, ou sequer sabia o quê responder.

Já não havia necessidade para aquelas tochas, e o incêndio no lado de fora incomodava o gatuno, que balançava a cabeça desaprovando o quê os outros rebeldes faziam. Ainda esperava pela sua resposta, e os rebeldes pareciam cada vez menos organizados aos olhos de Jack, o quê era bom, pois pareciam precisar de uma cabeça para organizá-los, e Jack tinha algumas pessoas em mente que pudesse ocupar tal lugar, incluindo ele mesmo. Provavelmente os rebeldes não entendiam o quê esta revolta significaria para além dos limites de Vicari.

Jack ficou indiferente quando o grandalhão pediu para levarem o corpo do prefeito até ele, inclusive se afastou do corpo para facilitar o trabalho para os homens. Logo em seguida alguns rebeldes aparecem no salão com Flint rendido. O assessor do prefeito era mesmo muito lento, ainda estava em choque e não conseguira fazer nada que Jack havia sugerido. Cabia ao gatuno resolver mais aquela situação. Tudo aquilo atrasava as outras tarefas que Jack ainda tinha que fazer. O gatuno continuava sua feição de indiferença e esperou poucos segundos, e assim que os homens chegaram para carregar o corpo do prefeito, Jack os acompanhou até o salão, fazendo o caminho junto a eles e ganhando algum tempo para pensar numa resposta, caso Flint não tivesse nenhuma.

O gatuno desceu as escadas com calma, demonstrando segurança, pois já havia aquietado a adrenalina dos rebeldes que já percebiam que o prefeito tinha sido vencido. Jack olha outra vez para o corpo do prefeito assim que os homens o coloca próximo ao grandalhão. Jack estava agora junto aos rebeldes, com a arma em mãos, mas sem nenhuma intenção de usar, ficava claro na sua linguagem corporal. A aproximação do gatuno tentava deixar mais claro que ele não temia os rebeldes e que os rebeldes não tinham por quê temê-lo, e que seus objetivos naquela noite eram os mesmos. Tentava se posicionar no mesmo lado que eles, para que eles vissem nele uma figura aliada.

Jack se colocou próximo ao grandalhão e o corpo do prefeito estirado no chão. Olhou para Flint e começou a responder pelo assessor do prefeito. - Algo dá muito errado durante a preparação do evento para esta noite... O prefeito recebe uma carta anônima de ameaça, uma carta muito convincente falando que assassinariam o prefeito durante o evento. O prefeito, desesperado, procura um de seus aliados, um aliado acostumado a lidar com situações semelhantes, alguém muito ligado as causas dos desfavorecidos, mas ele provavelmente não sabia disso... E esse aliado indica um profissional para fazer a segurança do evento. - Talvez tudo o quê o gatuno falaria a seguir confundiria a cabeça de Flint.

- O prefeito já havia uma guarnição preparada para tal. Cabia ao profissional contratado preparar a segurança do evento... Então, nas vésperas do evento é idealizado a segurança do evento, idealizado pelo profissional contratado... O profissional faz bem o seu papel, organizou os soldados de uma forma que seria improvável que qualquer tentativa de invasão fosse bem sucedida, até mesmo um impostor poderia ser identificado antes de tentar qualquer coisa. - O gatuno continuava sua história encarando Flint, soando bastante convincente no que falava, afinal, tudo o quê estava falando era verdade, e Flint sabia daquilo.

- Já estava tudo devidamente organizado. Durante o evento, o profissional contratado se vestiria a paisana para ter uma vantagem a mais para investigar quem era a ameaça ao prefeito... Contudo, o profissional contratado tinha passe livre por toda a mansão, assim como estaria no comando dos soldados que fariam a guarda no evento, fazendo o quê quisesse, e como julgasse melhor, tudo para defender a vida do prefeito. - Jack fez uma pausa, mas continuou encarando Flint.

- Os soldados não sabiam quem era o profissional contratado. Sabiam que ele era um dos convidados, e que se identificaria para eles quando precisasse... O profissional contratado usaria um echarpe bordô... - Jack afrouxou o echarpe bordô que vestia no pescoço e retirou, jogando em cima do corpo do prefeito. - ... E a palma da mão marcada pelo naipe de espadas... - Jack mostrou a palma da mão marcada para Flint, mas os rebeldes também enxergariam.

- E livremente... Agiu durante o evento... Bom, não demorou para tudo dar errado... - Jack não havia mentido para Flint, mas da forma com quê contou os eventos daria a entender que ele fora quem planejou tudo aquilo. - Responda o homem, você acha que eu matei o prefeito? - Indagou Jack ao assessor do prefeito.

Contudo, Jack não queria que Flint respondesse qualquer coisa, apenas queria provar com sua história e com a reação de Flint que sim, ele era o responsável pela morte do prefeito. Então, interrompe Flint antes que pudesse responder e volta a falar com o grandalhão. - Olhe para o homem... Ele está em choque... Deixe ele ir... Inclusive, já está na hora de parar com essa piromania... A cidade já está tomada... Não somos selvagens para chegar nesse ponto. - O gatuno sugere para que os rebeldes parassem de vandalizar o local, pois aquilo não servia para nada.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Set 25, 2017 1:15 am


Um grupo de rebeldes se destacou para subir a escadaria da mansão e pegar o corpo do prefeito. Jack observou-os checando os batimentos cardíacos que já não existiam mais, e depois tomando o corpo em seus braços fortes para descê-lo de volta pelos degraus. Jack os acompanhou na descida. O grandalhão, suposto líder dos rebeldes, deixou de lado por um momento a pergunta que havia feito para Flint e se agachou ao lado do corpo de Cornélius, examinando-o. Havia uma expectativa no ar quando o homem tornou a se levantar, para dizer:

- Não há mais nenhuma dúvida. Este é o corpo do prefeito e ele está morto! - anunciou, para a celebração geral dos rebeldes, que gritaram e batucaram nos móveis que haviam por perto.

Aos poucos as atenções foram se voltando a Jack, que agora estava no térreo, entre Flint e o grandalhão, e começara a discursar. Aproveitando o gancho da pergunta que fora feita a Flint, o gatuno contou uma história verídica sob muitos aspectos, mas com pequenas nuances que fazia parecer que ele havia sido o responsável pelo assassinato do prefeito. Jack viu o olhar de Flint demonstrando um medo crescente a cada nova frase que ele falava, e quando mostrou o echarpe bordô e a palma da mão com o símbolo, o ex-assessor olhou para baixo, como se finalmente houvesse caído a sua ficha. Quando Jack terminou o pequeno discurso, houve um burburinho geral entre os rebeldes, a maioria de aprovação, Jack percebeu. Flint não conseguiu responder a pergunta do gatuno, primeiro porque o próprio gatuno não deixou que ele o fizesse. Voltando-se novamente ao grandalhão, pediu para deixar que o ex-assessor do prefeito fosse embora e que desse um fim às hostilidades no terreno da prefeitura.

- Ele ainda terá um papel a desempenhar - disse o grandalhão, visivelmente menos desconfiado de Jack do que anteriormente. - Não posso deixá-lo ir. Sobre o fogo, cuidaremos dele. Essa é uma bela casa, afinal, e não precisa virar cinzas e pó. Iremos fazer uso dela - garantiu. O homem então retirou a luva da mão direita, revelando dedos grossos e calejados, e os estendeu à Jack para cumprimentá-lo. - Eu me chamo Herbert, embora você já deva me conhecer, se o que diz é verdade. Você não explicou tudo o que aconteceu aqui, mas vou lhe dar esse voto de confiança. Já você...

Herbert se aproximou de Flint e flexionou seus joelhos, para que seu rosto ficasse na mesma altura que a de Flint, que desviou o olhar.

- Você irá nos ajudar a ter o controle dessa cidade, não vai? - perguntou, em tom ameaçador. Flint não respondeu de imediato, o que fez o grandalhão elevar o tom de voz. - Responda quando lhe dirijo a palavra.

Tremendo, Flint assentiu com a cabeça. Herbert não ficou totalmente satisfeito com a resposta silenciosa, mas voltou a ficar ereto e a caminhar a frente da multidão rebelde. Era a sua vez de discursar.

- Homens, por muitos anos o poder governamental de Vicari nos submeteu à leis desvantajosas que nos obrigavam a trabalhar em péssimas condições e por mais de doze horas por dia, para que eles se enriquecessem às nossas custas, ao nosso suor e ao nosso esforço! - Os rebeldes soltaram gritos de concordância. - Havíamos virado reféns do sistema, obrigados a aceitar que nos era imposto para que colocássemos comida nos pratos de nossos filhos. Mas isso acabou, e por isso essa noite é histórica. Vicari agora nos pertence! Nós faremos as leis! - Mais gritos entusiasmados. - Alguns de vocês podem estar se perguntando como faremos isso, mas é só olhar a nossa volta para saber que nós temos a faca e o queijo na mão!

Os homens comemoravam. Era uma classe que sofrera muito, e isso era visível em seus rostos. Alguns chegavam a ter lágrimas escorrendo pela face.

- Agora, mais do que nunca, precisaremos de um novo prefeito para a cidade - disse Herbert, antes de se dirigir novamente a Flint - e é aqui que você entra na jogada. Os papéis irão se inverter, e agora você é que será o nosso braço forte. Você irá sair daqui vivo, como um herói. Criaremos uma história para que assim seja. E você deverá disputar as próximas eleições para prefeito, e se a nossa história tiver sido convincente, tenho certeza que você ganhará a eleição, se tornando assim o novo prefeito de Vicari. Em outras palavras, você trabalhará para nós, que estaremos por trás de sua figura coordenando todos os passos. Quanto a você, assassino do prefeito, não sei o que posso fazer para recompensá-lo por tal ato de bravura. Talvez uma posição dentro do conselho da cidade? - sugeriu Herbert, soando como uma proposta.


- Liz... Lizzie.

Esse era o nome da filha do prefeito, e foi o que ela disse para Anna. Era uma menina adorável e bonita. Não tinha nenhuma semelhança com o prefeito assassinado, levando Anna a pensar que ela puxara a mãe, seja quem ela fosse. Com a saída de cena de Lugos, Annalise reuniu a coragem necessária para questionar o Sr. Scoresby.

- Por favor, Anna, se acalme, eu irei explicar tudo - pedia o homem. Com a negativa dela ir sem a menina, ele disse: - Eu receio que ela ainda não sabe ou não entende o que aconteceu com o seu pai... mas bem, uma hora ela terá que saber, não é mesmo? Então que seja agora.

O Sr. Scoresby desistiu da ideia de ir até a cabine. O motivo disso era apenas para poder falar abertamente com a Anna sem precisar se preocupar a com a pequena garota. O Sr. Scoresby tirou o chapéu de sua cabeça e limpou o suor que escorria vinha de seu couro cabeludo grisalho para a testa.

- É difícil dizer isso para uma criança, mas... o seu pai está morto.

Lizzie arregalou os olhos a princípio, talvez sem acreditar ou achando que era alguma brincadeira, mas então ela se virou para Anna, e o rosto de Anna dizia que aquilo era verdade. Com os olhos marejados, Lizzie se agarrou em Annalise mais forte do que quando elas estavam subindo a corda às alturas. O Sr. Scoresby deu um tempo para que a menina chorasse e colocasse pra fora a sua dor, e só então voltou a falar com Anna.

- Tem certeza que quer prosseguir a conversa com a menina junto? - perguntou.

Caso Anna optasse por sim, o Sr. Scoresby continuaria o seu relato ali mesmo. Se ela optasse por não, os dois seguiriam até a sua cabine e deixariam Lizzie ao lado de Ratch (desacordado) e Sucata.

- Anna, eu quero deixar claro, em primeiro lugar, que eu não sabia que as coisas chegariam a esse ponto que chegou. Era para tudo ser rápido e limpo, sem qualquer perigo para você ou para os outros convidados. Bom... para você entender melhor a situação, acho que terei que contar desde o inicio.

O Sr. Scoresby respirou fundo antes de retomar a fala.

- Eu e o seu pai, sim, o seu querido pai, acredite se quiser, trabalhamos para uma organização secreta chamada de Os Coletores. O nosso papel no mundo é proteger o meio-ambiente, e por isso atuamos em várias cidades. Por muitos anos a organização combatia o emprego da tecnologia e o crescimento das cidades urbanas, sendo elas as grandes responsáveis pela destruição da fauna e flora de nosso planeta. Ainda fazemos isso, mas nos dias atuais usamos métodos mais eficazes. Descobrimos que é muito mais fácil colocar alguém favorável a nossa causa no poder do que simplesmente tentar frear os avanços inerentes ao crescimento da sociedade. Por isso o seu pai e meu amigo, Gregory, está no poder de Ellsporth. Ele está lá para garantir que não haverá excesso por parte dos homens obcecados por dinheiro. Se duvida do que falo, você com certeza já deve ter reparado em como o seu pai sempre se preocupou com questões como a poluição ocasionada pelas fábricas e o desmatamento das árvores.

O dirigível, Anna percebera, já havia a muito se distanciado das propriedades da Casa da Prefeitura. Ela não sabia para onde eles estavam indo, mas talvez não importasse tanto quanto ouvir o resto da história do amigo do seu pai.

- Nos mantemos em segredo por uma simples questão de segurança - disse. - Veja, há muitos homens poderosos que fariam de tudo para destruir aqueles que se opõem em seu caminho ganancioso. E nós nos opusemos no caminho de Cornélius. Temos um espião no centro de poder de Vicari, e ele nos relatou que o prefeito construiria uma trilha de trem interligando Vicari à Ellsporth. O problema é que para que isso acontecesse, eles fariam a trilha no meio da floresta que fica entre uma cidade e outra. O desmatamento que vimos quando chegávamos aqui era resultado disso, embora ainda houvesse uma esperança de que, com a nossa ameaça ao prefeito, ele desistisse da ideia. Infelizmente, como vimos em seu anúncio na festa, ele não havia desistido de seu plano, e por isso Lugos o matou. Era o nosso último recurso matá-lo, mas assim tivemos que fazer. Lamento pelo que veio depois disso. Havíamos comprado a lealdade dos trolloides que faziam a segurança do prefeito, mas apenas o usaríamos em caso de extrema necessidade. E era necessário que eles agissem, mas criaturas burras como são, eles acabaram provocando um tiroteio com os demais guardas que colocou a vida de muita gente em risco. Inclusive a sua, e por isso peço desculpas - o Sr. Scoresby parecia sincero em seu pedido, visto o semblante carregado em pesar que demonstrava. - Gregory jamais me perdoaria se tivesse acontecido algo a você, por isso voltei para salvá-la dos rebeldes. Ah, falando nos rebeldes, eles foram outro fator que fugiu de nosso controle, pois não sabíamos que eles iriam tão longe em suas manifestações.

O Sr. Scoresby olhou para trás, em direção a uma coluna preta de fumaça no céu, possível de ver mesmo naquela distância em que se encontravam.

- O futuro de Vicari é incerto - disse. - Com a morte do prefeito, esperamos que suba no cargo alguém que simpatize por nossos ideais, talvez o próprio espião que temos, isso se os rebeldes não o tiverem matado. De qualquer forma, Anna, quero que entenda que as nossas intenções são as melhores que existem. Eu contei tudo isso para você por que uma hora ou outra você ficaria sabendo. É desejo do seu próprio pai se junte a nossa causa, e por isso ele quis que você viesse para cá e presenciasse os eventos dessa noite. Mas, é claro, a escolha é sua.


Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Set 25, 2017 10:22 am

O gatuno havia conseguido conquistar a atenção dos rebeldes, que comentavam uns para os outros a narrativa de Jack. Era tudo o quê queria, a apreciação de parte deles pelo que havia feito, ou dado a entender que foi feito. E de Flint, não era mais do quê esperava, de certa forma o gatuno já havia condicionado o ex-assessor do prefeito àquela reação.

O grandalhão já não tinha a mesma desconfiança com Jack, que dá a mão cumprimentando Herbert. Mas a reação e as intenções dele não eram o quê Jack esperava. O gatuno não esperava nada muito elaborado vindo daquele homem, julgando-o como homem que ficava na base da pirâmide social, e não era preconceito do gatuno, era pela probabilidade dele não ter sido instruído a lidar com uma situação que estava lidando agora. Tudo aquilo era novidade para todos, mas Jack entendia que os rebeldes estavam muito mais despreparados para lidar com a mudança que estavam impondo do quê outros. Jack deu ouvidos para o quê o grandalhão falava, mas agora envolto no meio daquela revolução não poderia aceitar de mãos atadas as decisões que aquele homem estava tomando, ficando visivelmente incomodado com a proposta ao Flint e o discurso feito a seguir.

Apesar de ter trabalhado ao lado de Flint, era apenas uma relação de conveniência, o gatuno já havia demonstrado para Annalise sua empatia pela causa dos rebeldes, e agora que o conflito estava caminhando para sua resolução em Vicari não queria que a causa fosse perdida por uma decisão impensada.

Jack aproveitou que Herbert volta sua atenção para ele e oferece um cargo de prestígio para dar seus primeiros conselhos, já que assim ele estava propondo ao gatuno. Jack sorri para o grandalhão e o responde. - É uma honra, Herbert... Mas preciso pensar na proposta, não quero tomar uma decisão precipitada.

Em seguida, o gatuno se afastou um pouco da multidão e fez um sinal para Herbert se aproximar, pois não queria que aquilo fosse uma conversa para todos, preferia discutir àquilo entre os dois, até para não questionar Herbert na frente da multidão e colocar em cheque a liderança do grandalhão, Jack entendia que uma situação dessas poderia prejudicar o progresso que tinha conquistado até então.

Quando Herbert se aproximou, Jack deu sua opinião à ele. - Você ouviu tudo o quê falei? - O gatuno fez uma feição cínica, como quem sugerisse que ele não prestou atenção em sua narrativa. - Você vai transformar o ex-assessor do prefeito em um herói e trabalhar pra ele se tornar o novo prefeito?... Isso sequer soa como um plano, parece uma decisão inadvertida e impensada. - Jack fazia sua crítica de forma dura, mas não estava confrontando Herbert, sua intenção em ajudar era verdadeira. - Se o quê fez você pensar que ele poderia jogar o jogo corretamente por entender o meio político pela experiência que tem... Pense novamente... Existem mil possibilidades melhores, pessoas ligadas ao meio político sem necessariamente estar no meio político... Pessoas com recursos, aliados... E carisma... - Distante de Flint, Jack voltou seu olhar para o ex-assessor do prefeito, dando a entender que ele não era uma figura carismática para o cargo.

O gatuno deu um tempo para Herbert conciliar as críticas, mas continuou seu ponto de vista logo em seguida. - No cargo de prefeito,
por maior que seja a influência dos trabalhadores no governo, ele poderá fazer muita manobra por baixo dos panos que não são de acordo com as nossas causas.
- Jack comentava já se incluindo na causa dos trabalhadores. - Esse cargo tem que ser entregue para alguém que esteja de acordo com a causa e com a luta. Caso contrário... Tudo isso não adiantará para nada... - O gatuno ficou encarando Herbert com uma feição séria, demonstrando preocupação e deixando claro que seria uma oposição caso aquilo fosse adiante. - Você pode contar a história que for... Essas pessoas sabem a verdade, e sabem quem esse homem era antes da revolução. - Jack apontou para a multidão, dando paixão a sua entonação. O gatuno suspirou e colocou uma das mãos sobre os ombros de Herbert, aproximando-se ainda mais e deixando a conversa ainda mais reservada. - Eu posso te apresentar candidatos melhores que este homem, pessoas que estão de acordo com a causa, que possuem recursos e aliados... Precisamos da pessoa certa no cargo, pois nenhum governante da região, e possivelmente do continente, ficará contente com o quê conquistamos aqui... Temos que consolidar o poder, acredite, a luta está apenas começando. - Jack sugeria que poderia indicar a pessoa certa para o cargo, e deixa a entender que os governantes da região iriam suprimir a revolução antes que se alastrasse para outras cidades.
Luxi
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Luxi em Seg Set 25, 2017 5:50 pm

- Sr. Scoresby! - falou em tom de bronca, indignada que ele tivesse falado de forma tão fria sobre o prefeito. Ela ajoelhou no chão e abraçou a menina de volta, fazendo carinho em seus cabelos. Murmurou palavras reconfortantes para ela, beijando sua testa e acariciando seu rosto. - Vai ficar tudo bem... eu já volto, está bem? Desculpe pelo meu amigo - lançou um olhar irritado ao Sr. Scoresby - Fique com o Sucata. Ele é muito legal. Ok? Se precisar de mim, meu nome é "Anna".

Sorriu de leve, limpou o restante das lágrimas e se levantou, para conversarem em privado.

- Eu vou com você. Não precisava fazer isso. - franziu o cenho, cruzando os braços. Sua paciência com o amigo de seu pai começava a sumir. Claro que estava grata por ter sido salva, mas era a segunda decepção do dia. Deixou que ele falasse, o que fez com que sua expressão fechada fosse mudando gradativamente. Ela não podia acreditar naquelas revelações. - Meu pai? - sempre achou que o pai seria do tipo que concordaria com o prefeito. Era o que estava se condicionando a pensar naquele caminho, mas é claro que tinha ficado triste com o estado da cidade mais feia que já tinha visitado.  - ...De fato, Ellsporth é tão... diferente... - comentou com um tom de leve tristeza. Sentiu um respeito e orgulho repentino pelo pai. Não fazia ideia de que ele era membro de uma organização secreta. - Eu teria colaborado desde o começo!!! - já não guardava mais rancor. - Eu... eu não acredito que meu próprio pai queria que eu me juntasse a... - balançou a cabeça, confusa. - E aquele homem ali fora?? - apontou simbolicamente - Ele não pareceu nada feliz em me ver. Não acho que nenhuma pessoa dessa sua sociedade ia gostar da minha presença, aliás... bem, com certa razão.  Isso é tão maluco... - levou a mão ao peito. - Mas por que eu? O que é que eu poderia fazer? Seguir o legado do meu pai, é claro, mas...  Olha, eu não concordo com nada disso que vocês fizeram. Foi extremo e cruel. Mas eu também não acho que aquele homem fosse a melhor coisa que Vicari poderia ter como prefeito. Sei como podem ser as pessoas nobres e até eu gostaria de ver algumas mortas de vez em quando, mas só pensava isso de brincadeira. Nunca pensei que, de verdade... Quer dizer...  Às vezes acho que algumas merecem. Você está mesmo me chamando para fazer parte disso?
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Out 03, 2017 12:02 am


Anna e o Sr. Scoresby ainda discutiam no interior da cabine do dirigível, enquanto Lizzie havia ficado com Sucata e Ratchford do lado de fora. Anna não conseguia esconder a surpresa no rosto com as informações reveladas pelo Sr. Scoresby. Seu pai era um Coletor, embora o significado disso ainda não estivesse totalmente claro na cabeça da garota.

- Eu sei que você o teria ajudado desde o começo - disse o mekânico, gentilmente. - Gregory tem as suas razões por ter te mantido às escuras por tantos anos. Sobre o homem lá fora, o seu nome é Lugos. Ele é o que chamamos de executor dentro de nossa organização. É quem faz o trabalho sujo. Enquanto eu lidero uma equipe de mekânicos responsável por criar tecnologias sustentáveis, Lugos é responsável por ameaçar, e quando necessário, executar homens importantes que vão contra tudo o que pregamos.

Antevendo uma reação negativa por parte de Annalise, ele complementa:

- Veja bem, Anna, nós matamos apenas em último caso. Lugos fez um bilhete chegar para o prefeito dizendo dos riscos que ele corria caso autorizasse o levantamento da ferrovia. Infelizmente, o prefeito não deu ouvido às ameaças.

Anna viu através do vidro da cabine Ratchford se mexendo, aparentemente recobrando a consciência, e ficou feliz com isso. Era ao menos uma boa notícia em meio a um turbilhão de dúvidas que passavam por sua cabeça naquele momento. Anna agora queria saber o que ela poderia fazer naquela organização.

- Há muito trabalho a ser realizado, Anna. Como eu disse agora pouco, eu lidero uma equipe de mekânicos. Não se preocupe, nós não matamos ninguém. Colocamos as nossas mentes criativas a disposição da organização, para construirmos um mundo melhor para os nossos filhos e netos. Inclusive, quando eu vim para Ellsporth, eu trouxe uma mekânica comigo de muito talento, e por coincidência, ela tem um nome muito parecido com o seu. Ela se chama Hannah Hanzenult. Está me ajudando a criar uma tecnologia que se permita os navios a vapor poluírem menos o ar e os rios.

O Sr. Scoresby coçou a ponta de seu bigode enquanto também observava o lado de fora da cabine.

- Essa garota, a filha do prefeito, não estará segura nessa cidade. Como você pôde testemunhar, uma multidão de rebeldes invadiu o lugar querendo a cabeça de Cornélius. Eles tomaram a cidade e a filha do prefeito talvez seja uma ameaça aos planos dos operários. Se quer a minha opinião, Anna, devemos levá-la com a gente até Ellsporth. Ela parece ter gostado de você. Seu pai está morto e sua mãe, até onde se especula, é alguma prostituta dos bairros pobres. A menina não tem muitas alternativas, por isso sugiro a você que cuide dela até que ela cresça. Meu amigo Gregory irá compreender e aceitar.


O gatuno diz que irá pensar na proposta de Herbert, e em seguida, o chama de canto para uma conversa mais franca e reservada. Alguns rebeldes olhavam curiosos para os dois no canto da sala, mas eles não poderiam ouvir o que estava sendo dito. Jack estava dando todos os seus pitacos sobre que tipo de pessoa deveria assumir a liderança da cidade. Herbet ouvia atentamente. Era evidente que o líder das forças rebeldes, por mais que fosse uma figura de destaque entre os trabalhadores das classes mais baixas, carecia de instrução acadêmica. Jack, por sua vez, era bom com as palavras e conseguia vencer a maioria das negociações com a forma que ele conseguia se pronunciar.

- Eu pensei que havia sido um bom plano... - comentou, parecendo decepcionado consigo mesmo. - Mas você tem razão. É claro que tem! Precisamos de um aliado poderoso que nos apoie. Veja, muitos dos nossos homens estão com tochas em mãos porque não conseguimos armar todos armas de verdade. Se conseguimos tomar a cidade desse jeito, imagine se tivéssemos mais armamento militar a nossa disposição, como rifles e granadas.

Herbert havia entrado em êxtase com os seus próprios pensamentos. Jack havia conseguido fazer com que ele enxergasse um futuro mais próspero do que ele havia imaginado anteriormente. Porém um pensamento passou pela sua mente e ele rapidamente voltou a realidade, e em seguida, fixou o seu olhar em Flint.

- O que devemos fazer com ele, então? Ele não nos será útil mais, mas ao mesmo tempo não podemos deixá-lo simplesmente ir embora. Ou podemos?

Jack não sabia se a pergunta fora feita a ele ou fora apenas dita em voz alta por Herbert. De qualquer modo, ele não parecia muito inclinado a soltar Flint depois dele ter presenciado tudo o que presenciara. E ainda havia a questão dos demais convidados, que até onde sabe, Delilah poderia muito bem ser uma das convidadas que foi feita de refém pelos rebeldes. Jack não descartava essa hipótese.

- Você parece ter uma sugestão de nome em mente - comentou Herbert para o gatuno. - Quem é a pessoa que você indica para nos auxiliar nessa causa e assumir a prefeitura da cidade?



Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Out 04, 2017 11:21 am

A resposta de Herbert não era exatamente a resposta que Jack gostaria de ouvir, mas era o suficiente no momento. Ficava claro que Herbert tinha um pensamento militar, embora não tivesse tato para tantas outras coisas, e se aquilo fosse um talento, o gatuno sabia que poderia vir a ser útil para o próximo passo da revolução, a consolidação do poder da classe trabalhadora. Jack ainda estava confuso se havia escolhido àquilo ou se simplesmente tinha acontecido se se dar conta, mas já estava envolvido até o pescoço com os eventos políticos de Vicari.

Quando percebeu que já havia dobrado Herbert, o gatuno dá dois tapinhas nas costas dele e sorri ao final do vislumbre do grandalhão. Mas ainda haviam pontas soltas, e uma delas era justamente àquela que ambos estavam encarando, Flint. Quando perguntado sobre o quê fazer com o ex-assessor do prefeito, Jack passa a mão sobre a barba rala no queixo, pensativo. Herbert não estava muito disposto a deixar Flint ir, e não poderia ser somente por ele ter visto o quê fora feito, pois muitos tinham visto e Jack não permitiria que Herbert prendesse todos, ou pior, matasse todos. De todo modo, Flint sabia de coisas que poderia prejudicar Jack de uma tal maneira que seria difícil o gatuno justificar-se.

Jack faz um gesto com a mão para que Herbert deixasse que ele lidasse com a situação. O gatuno caminhou até em frente a Flint, que estava rendido pelos rebeldes. Flint era um homem covarde, dava para notar em seus olhos. - Você era o homem mais próximo do prefeito, certo? - Jack já sabia a resposta, era uma pergunta retórica. - Você tem familia? - Jack esperou a resposta de Flint, que responde afirmando que tinha. - Aqui em Vicari? - Continuou o interrogatório com Flint, dessa vez a resposta era negativa. Neste momento o gatuno faz uma pausa, fitando Herbert por alguns segundos. O grandalhão ainda estava muito interessado no ex-assessor do prefeito, Jack sentia que tinha que entregar algo para Herbert, para ganhar sua confiança definitivamente. O gatuno voltou seu olhar para Flint e continuou. - Onde vivem? - Jack esperou a resposta de Flint, que poderia estar temeroso em responder, mas ele cuspia a informação, querendo ou não. O ex-assessor revela que sua família vivia em Caspia.

O gatuno não tinha certeza se o que estava fazendo era a coisa certa, provavelmente não. Mas é como diz o ditado, não se faz gemada sem quebrar alguns ovos. Jack se aproxima ainda mais de Flint e fala em voz baixa, mas suficientemente alto para que os mais próximos pudessem ouvir. - Não se preocupe com sua família, eles vão ficar bem... - Jack deu dois tapinhas no ombro de Flint, se despedindo do ex-assessor do prefeito. Em seguida, o gatuno desembainha sua adaga que estava por dentro de sua roupa social e leva a lâmina até o pescoço de Flint. O aço frio da lâmina apertava o pescoço gordo de Flint, rendido pelos rebeldes, e Jack não deixa Flint sequer pedir misericórdia, afinal, qualquer coisa que falasse poderia ser algo revelador para os rebeldes. Jack faz o movimento do carrasco, rasgando a carne de Flint, fazendo jorrar sangue da jugular do ex-assessor do prefeito. Agora aquela ponta estava atada. O gatuno encara Flint até ele falecer, queria lembrar-se daquele semblante até o fim de sua vida para ter como se envergonhar, pois certamente aquela morte iria amedrontar Jack em suas noites de sono.

Após o corpo de Flint ser deixado no chão, Jack limpou sua adaga nas partes limpas da roupa de Flint, e voltou a guarda-la dentro de seu traje. O gatuno abriu o terno de Flint e começou a vasculhar os seus bolsos, qualquer documento que pudesse o identificar. A identidade de Flint ajudaria o gatuno a encontrar a família que ele deixou em Caspia, assim, auxiliando-os durante o restante de suas vidas, era o mínimo que poderia fazer para diminuir sua culpa.

Jack volta a se levantar, dessa vez caminhando até Herbert. A morte de Flint era uma ação de graça para o grandalhão, afim de selar entre os dois uma aliança duradoura e uma relação de confiança, uma demonstração de quê Jack estava sujando suas mãos pela causa que ambos lutavam. - Pronto... O quê está feito, está feito! - Jack falou com melancolia. Mas retomou sua fala com mais firmeza. - Mais nenhum sangue precisa ser derramado hoje. Essas pessoas precisam testemunhar um pouco de misericórdia depois do quê viram hoje.
Libertem os reféns, vários deles serão eternamente gratos por isso... Outros tentarão se vingar... Mas pior seria se nas cidades vizinhas propagassem que nós, revolucionários, estamos fazendo uma limpeza classista. Não precisamos dificultar ainda mais nossa luta.


O gatuno tomou a iniciativa e se colocou afrente dos demais rebeldes, começando a abrir as portas da mansão para que os reféns fossem soltos, com isso poderia dar de cara com Delilah, sua maior preocupação naquele momento.
Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Out 04, 2017 11:46 am

Herbert, curioso pelo nome que Jack tinha em mente para o cargo de prefeito, perguntava para o gatuno qual era esse nome. Outra vez, o gatuno se aproxima de Herbert, comentando sobre o assunto junto a ele. - Você conhecerá essa pessoa em breve, camarada... Entrarei em contato. Você, eu e essa pessoa temos muito o que discutir para decidirmos qual o próximo passo a ser dado. - Jack dá mais dois tapinhas nas costas de Herbert, e volta a comentar. - Você não irá se decepcionar... Até logo camarada. - Após vasculhar a mansão atrás de Delilah, o gatuno sai da mansão, com ou sem ela.
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Re: Capítulo 5: O Início da Grande Trama

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