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    A Guerra do Direito - Kevan Hardland

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    Karaméllo
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    A Guerra do Direito - Kevan Hardland

    Mensagem por Karaméllo em Seg Maio 01, 2017 4:02 pm

    A vila de Broto'Azul, a qual era conhecida por seus campos floridos, agora em nada fazia jus à aquela fama. A fuligem negra se espalhava pelo cenário, e a cada nova rajada de vento, o cheiro do massacre ocorrido ali se tornava mais sólido. Ainda restavam alguns pontos de incêndio, principalmente nas toras principais das fundações de algumas casas, que de algum jeito, ainda mantinham-se de pé. O fogo crepitava de forma lenta, como se já estivesse quase completamente saciado, e naquele início de manhã, apenas os corvos pareciam satisfeitos com aquele som. Em meio ao caos de Broto'Azul, um jovem que também tivera seu interior devastado naquele momento, pois sua irmã fora levada como prisioneira, agora estava prestes a trilhar um caminho sem volta.

    Kevan Hardland estava parado no topo de uma colina, onde se encontrava uma espécie de fogueira onde os corpos haviam sido usados no lugar dos galhos. O fogo já se extinguira completamente, restando apenas os ossos daquelas pessoas infelizes. Por capricho do Estranho ou não, a irmã de Kevan não estava entre eles. No entanto, não havia nenhum sinal de onde a sua irmã poderia estar. Seja como for, de onde o jovem estava, ele poderia ver uma longa e extensa parte da região, inclusive, a localização de Bosquedouro. A visão que teve naquela manhã, não foi nada animadora - apesar  do sol estar nascendo de forma exuberante naquele dia-, pois na direção de Bosquedouro, havia inúmeros focos de fumaça. Uma coisa era certeza, Bosquedouro havia virado a noite em guerra, e aquele dia certamente prometia outras novidades. Kevan estava ferido, o que certamente lhe prejudicaria em sua locomoção, mas felizmente, a dor e o ferimento era algo que o corpo do jovem Kevan poderia suportar.

    Enquanto Kevan observava o céu, um som novo surgiu no cenário, e nesse mesmo tempo, os corvos que bicavam os mortos alçaram voo. Era o som de cascos batendo no chão. Não foi difícil ver quem se aproximava, pois Kevan se encontrava em uma posição privilegiada. Um homem montado em um cavalo se aproximava devagar. Não era um cavaleiro, e sim alguém com aspecto de camponês, e todo o seu corpo estava coberto de lama, e Kevan podê perceber que ele também possuía um ferimento.

    O "cavaleiro" se aproximou com cautela, ficando alguns metros de distância de Kevan.

    - Senhor? - A voz do homem saiu assobiada, pois parte dos seus dentes estavam lascados, como se ele houvesse levado um grande golpe na boca recentemente. Ele então apontou para os mortos. - Meus pais, senhor, eles foram mortos. Que o Estranho lhes proteja agora. - Ele então olhou para Kevan. - Os desgraçados vieram durante a noite, não tivemos tempo de fazer nada.

    O camponês parecia desolado, e aparentemente, era um sobrevivente daquele massacre.
    Pallando
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    Re: A Guerra do Direito - Kevan Hardland

    Mensagem por Pallando em Sex Maio 05, 2017 6:23 pm

    Kevan Hardland resmungava algumas palavras incompreensíveis pouco antes de deixar-se cair de joelhos. Logo em frente o que restara de uma fogueira humana trazia-lhe indignação, como se algo em seu interior queimasse também. Sentia a amarga sensação que vinha com a raiva e o sentimento de tristeza, enquanto sua mente imaginava um cenário em que tivesse previsto aquilo. Algumas lágrimas ameaçavam cair, mas o jovem era teimoso demais para se permitir fraquejar dessa maneira. Seu coração acelerava mais e mais a cada segundo que passava imaginando que tipo de destino esperava Lia, sua irmã, caso nada fosse feito.

    Em um impulso de raiva o jovem se reergueu e pôs-se a olhar ao redor, tentando acalmar-se ao mesmo tempo que ainda esperava que sua irmã fosse aparecer a qualquer momento de algum lugar e dizer que havia se escondido, que não fora capturada e estava bem. Sentia dor onde a flecha ainda estava enfiada, o que apenas servia para irrita-lo ainda mais. Obviamente não encontrou nada a primeiro momento, então pôs a mão sobre a cabeça e tentou pensar com clareza. O que faria agora? Se os malditos haviam levado sua irmã para o Bosquedouro, será que ainda estariam lá? Já podia imaginar-se pregando uma flecha na testa de cada um dos infelizes.

    Foi quando um novo som chamou-lhe a atenção, assustando-o a principio. Kevan olhou na direção de onde vinha o som dos cascos batendo no chão e encarou a figura que vinha sem pressa. Um homem coberto de lama, aparentemente um camponês, também ferido e um pouco receoso na hora de se aproximar. Talvez estivesse assustado. O jovem Hardland o encarou com fúria no olhos, ainda considerando a possibilidade de se tratar de um inimigo ou um ladrão de passagem, mas toda a raiva sumiu quando ouviu-o falar primeiro. No final da contas era apenas mais uma vítima do ataque. Um pobre homem que perdera a família.

    Seja como for, aquele sobrevivente poderia lhe ser útil com informações na busca por sua irmã.

    - Então os covardes atacaram um vilarejo de camponeses durante a noite... e ainda tinham o efeito surpresa de vantagem.- Normalmente Kevan não teria objeções quanto a esse tipo de estrategia "covarde", mas estava irado demais com aquelas pessoas. Ofenderia-os da maneira que pudesse.- Você vivia com seus pais aqui? Conhecia a filha do velho Hardland, a Lia?- As perguntas vieram sem pausa entre elas, mas depois cessaram enquanto Kevan ainda tentava conter sua raiva e inquietude.- Quero saber o que viu. Aqueles desgraçados fizeram prisioneiros?
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    Re: A Guerra do Direito - Kevan Hardland

    Mensagem por Karaméllo em Sab Maio 13, 2017 12:04 pm

    O camponês se encurvou de medo quando Kevan começou a desferir palavras, temendo que a fúria do jovem pudesse se abater sobre ele. No entanto, vendo que a fúria de Kevan era direcionada aos atacantes da noite anterior, o camponês começou a contar o que tinha acontecido.


    - Eles vieram a noite, e ninguém da vila os viu chegando. Eu estava com meus pais, ajudando-os a recolher algumas ervas do nosso jardim, quando eu escutei gritos de pavor em meio a noite. E então, eu pude ver as tochas. Eram inúmeras tochas, e todas elas se moviam de forma parecida. Os homens que a empunhavam vestiam armaduras, e pareciam bem treinados. No começo, nós sentimos medo, mas os homens não estavam atacando ninguém. Eles fizeram perguntas, e então começaram a vasculhar todas as casas em busca de alguma coisa. Eles vieram a minha casa, e destruíram nosso jardim quando não soubemos responder onde estava a Lia Hardland e outras meninas. - O camponês fez uma pausa, e logo voltou a falar. - Sim, Lia, eu a conhecia. Ela sempre trazia algumas frutas para nossas crianças, e costumava contar histórias para elas. Os soldados estavam em busca dela, e de outras meninas "bem nascidas". Foi então que uma delas foi encontrada, e então o caos começou. Disseram que iam nos punir, pois ao escondê-las, estávamos ajudando os traidores. E assim, os soldados incendiaram as casas, e começaram a matar todos sem piedade alguma. Tudo foi muito rápido, nossos homens ainda não estavam preparados para lutar, e nunca venceríamos de qualquer jeito.

    O camponês parecia abalado, dando algumas informações que pareciam difusas, algo que poderia ser resultado de uma noite de puro terror. O camponês não disse nada sobre como fora a morte de seus pais, mas o silêncio que ele exibia agora, parecia responder que a situação fosse uma das piores. Após alguns segundos de silêncio, o camponês voltou a falar.

    - De onde eu estava escondido, eu pude ver tudo o que aconteceu... Eles fizeram alguns prisioneiros, tais como a Lia e as meninas bem nascidas que moram em Bosquedouro ou tem parentes por lá. E alguns meninos, que de alguma forma, foram poupados. Eles foram colocados em jaulas de madeira, e uma carroça os levou embora. Uma carroça foi para Bosquedouro, a outra foi na direção oposta, para Passo'Frio. Infelizmente, não sei se te dizer quem estava em qual carroça.

    Kevan conhecia as duas localizações. Bosquedouro, obviamente, era de onde ele próprio havia vindo e onde havia sido perseguido até chegar aquela vila. No entanto, talvez o fato de ser perseguido tenha distraído Kevan, e por isso, as carroças tenham passado despercebidas. O outro caminho era Passo'Frio, um caminho que fora forjado para facilitar a comunicação entre Bosquedouro e Pousoveloz, sede da casa Rowan e Osgrey, respectivamente.

    Spoiler:
    Demorei a postar pq essa semana foi tensa, e chegou na quinta/sexta eu só queria dormir para descansar husuhsa
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    Re: A Guerra do Direito - Kevan Hardland

    Mensagem por Pallando em Qui Maio 18, 2017 9:27 pm

    Kevan sentiu o coração apertar ao ouvir que os inimigos haviam perguntado especificamente por sua irmã. Era como se o destino tivesse feito as coisas daquela forma apenas para enfurecer o jovem Hardlan, e estava dando muito certo até então. Obviamente sua mente foi infestada de dúvidas a respeito do porquê, mas a raiva impedia-lhe de tentar pensar com clareza naquele momento. E então continuou ouvindo o pobre infeliz que lhe dava importantes informações, sem surpreender-se ao saber que o rapaz realmente conhecia Lia. Ter a gentileza de distribuir frutas e contar histórias para crianças certamente eram coisas de sua irmã.

    Assim como seu pai, Kevan jamais entendera como Lia crescera tão gentil mesmo ao lado do irmão que tinha. Se alguém na família merecia sofrer com um ataque noturno, esse alguém com certeza não era Lia, e naquele momento, ouvindo o que o homem dizia, Kevan via-se sendo um mero espectador enquanto seus piores pesadelos eram trazidos para a realidade. Cada vez mais sentia raiva e a tristeza que quase o fazia querer chorar, sendo bem fácil dizer que escolheria a morte se isso livra-se sua irmã daqueles covardes.

    Talvez em uma outra situação o jovem Hardland tivesse dado maior atenção à dor do camponês, mostrando algum tipo de compaixão para com sua desgraça, mas esse não era o caso. Kevan sequer importou-se com o abatimento e a perda do homem, vendo-o apenas como um valioso informante que lhe diria o que queria saber ou sofreria ainda mais. Não gostou nenhum pouco de ouvir o camponês dizer que não sabia se a carroça com Lia tinha seguido para o Bosquedouro ou Passo'frio.

    - Obrigado.- Esforçou-se para dizer quando o que realmente queria fazer era forçar o homem a tentar se lembrar de mais. Levou as mãos à cabeça e lamentou, respirou fundo e tentou reprimir toda a raiva para que pudesse pensar claramente.- Desejo-lhe sorte a partir de agora.- Despediu-se enquanto começava a andar ainda sem rumo.

    Sabia que um cerco provavelmente fora feito em Bosquedouro e que talvez o lugar já houvesse até cedido, mas não conseguia pensar em uma razão pela qual levariam sua irmã para lá, ainda mais agora que sabia que eles procuraram especificamente por ela. Por outro lado, também não entendia o que queriam seguindo para o Passo'frio. Fazer a escolha não era nada fácil, pois seria uma aposta cujo custo de perder era se distanciar ainda mais de sua irmã. Não queria prolongar o sofrimento dela para além do que fosse necessário.

    No fim, optou pelo Passo'frio, acreditando que faria mais sentido levar a carroça de garotas capturadas para longe da batalha, ainda mais uma que talvez não fosse muito longa. Kevan montou no cavalo que o trouxera até ali e então colocou-se no caminho escolhido, rumo ao lugar em que, se tivesse sorte, encontraria Lia Hardland.


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    Re: A Guerra do Direito - Kevan Hardland

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