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    Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

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    Eleonor
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    Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Eleonor em Sex Maio 05, 2017 6:43 pm

    O Prelúdio
    da Guerra


    O final da tarde estava chegando e, com ele, o descanso para aqueles que tinham uma rotina diurna normal. Claro que havia ali pessoas que trabalhavam a noite e nesse caso eles estavam indo para o trabalho. Algumas pessoas já iam para casa, seja de carro próprio, taxi ou veículos públicos, outras iam para os trabalhos naquele momento. Também estava ali no meio da grande massa de pessoas que estavam indo assistirem as aulas de seja lá o que cursarem ou voltando das salas de aula. Havia pessoas indo para hospitais ou saindo deles... Enfim, a vida seguia normal em meio aos mundanos e quase era possível se convencer que não havia uma guerra sendo travada por baixo do Véu. A temperatura estava razoavelmente alta para a primavera, por volta dos vinte graus, mas nada que não fosse possível suportar com algum esforço. A destruição que as pessoas estavam fazendo ao mundo estava causando aquilo e os próprios humanos pareciam querer causar a morte deles - e talvez conseguissem se não fossem impedidos o quanto antes por alguém.

    Mas aquelas pessoas eram seus Parentes, seus irmãos Garou, pessoas comuns que desconheciam a dura verdade do mundo, magos que lutavam para sobreviver, vampiros que mesmo sendo aberrações podiam até colaborar com eles... Como se poderia culpar aquelas pessoas com suas próprias lutas, mesmo quando eles se detestavam? Era tão fácil julgar aqueles que não conheciam ou entendiam, mas agora com todo o mal se unindo e querendo causar a destruição do que Gaya havia criado com tanto apresso, talvez uma trégua fosse necessária e alianças entre antigos inimigos devesse ser cogitada até, pelo menos, o pior passar. Mas os anciões e mais antigos não queriam nem ouvir falar dessa possibilidade ainda e os mais novos, quando não eram cegados pelas formas de ver o mundo dos anciões, começavam a questionar nos cantos a sabedoria dos mesmos, mas nunca onde eles pudessem ouvir.

    O medo, a incerteza e a insegurança começava a aparecer no coração dos garous e dos demais metamorfos. Teria nosso mundo salvação? A Wyrm poderia ser parada? Será que havia alguma possibilidade de impedirem o Apocalipse? Eles poderiam sobreviver aquilo e salvar o mundo? Os fortes e corajosos guerreiros de Gaya iriam conseguir combater tudo aquilo? Bem, era possível que eles pudessem vencer todo aquele mal terrível com um grande esforço e provavelmente muitas baixas, diziam os mais otimistas ou, segundo alguns, aqueles que não conseguiam ver a verdade em sua totalidade. Outros diziam que lutavam uma guerra perdida. A verdade? Ninguém sabia ao certo e prever o futuro era uma tarefa árdua e cansativa em demasia, além de ser algo incerto. Não valia a pena o esforço de tentar, restando apenas a eles a simples escolha de lutar ou não pela causa da Nação Garou.


    ∗∗∗


    Sigmund estava em casa, após de um conflito na noite anterior que lhe deixara com alguns machucados. Os ferimentos não eram muito graves e em sua maioria já estavam recuperados, restando apenas alguns arranhões e cortes leves pelo corpo. Claro que ele poderia passar a noite toda em casa ou em qualquer outro lugar, mas sabia também que dificilmente os negócios “secretos” iriam para frente sem ele lá, cuidando disso. Claro que Myrella cuidaria do que pudesse e ao menos as partes dos planos e projetos seguiria normalmente, talvez a venda das armas também, entretanto na venda de informações a ruiva dificilmente iria se intrometer - não era algo que a jovem se sentisse a vontade em fazer. Mas também não poderia culpar a garota, não era realmente algo que ela se sentisse bem fazendo e já estava de bom tamanho ela compreender o suficiente sobre armas e planos para ajudar ele nisso - mais do que ele esperaria de uma garota de dezesseis anos que andava com a irmã dele.

    O homem acordou há pouco tempo, após descansar o dia inteiro para se recuperar, e ainda estava no quarto grogue quando percebeu que haviam mais pessoas na casa que dividiam com a irmã. Ele ouviu passos no corredor e o som de risos e conversas, com as vozes se tornando compreensíveis na sequencia. Aparentemente, Myrella e Sophie haviam passado a tarde juntas o que não é incomum considerando que estudam na mesma sala na escola e geralmente faziam os trabalhos escolares juntas. Isso significava que provavelmente iriam mesmo passar um bom tempo juntas.

    Eu realmente preciso ir, Sophs. Sigmund não ficará muito feliz com meu atraso e ainda vou ter que escutar o idiota do Andrew dando em cima de mim e me elogiando por metade da noite e falar merda do teu irmão... Já não aguento mais ele tentando me convencer que o Sig não presta. Tudo bem que ele é o que é, mas eu já sabia quando entrei nessa... Ninguém naquele lugar sabe metade do que eu sei. Acho que vou deixar escapar, acidentalmente, onde seu irmão possa me ouvir sobre o dinheiro que ele rouba do caixa todas as noites.

    Ela parecia um pouco irritada com o homem dando em cima dela e algo na forma que ela falou “metade do que eu sei” deixou-o, talvez, um pouco alerta. Até onde Sigmund sabia, as únicas coisas que ela poderia saber era sobre o trabalho dele, afinal ela mesma ajudava-o, e talvez uma coisa ou outra que sua irmã pudesse ter contato, mas não o suficiente para a ruiva dizer aquilo daquele modo. Mas por algum motivo o que ela sabia ou deixava de saber não importava tanto. Ela havia acabado de dizer que um dos funcionários dele estava roubando-o e ele realmente havia percebido que faltava dinheiro no caixa.

    Tem certeza que é o Andrew que está pegando? Sigmund não é bem alguém tolerante com traição.

    Sophs, você me conhece... Acha que eu acusaria alguém se não tivesse certeza do que estou falando? Eu tenho certeza absoluta que é ele e o Sig pode confirmar com as gravações de segurança.


    ∗∗∗


    Benjamin havia sido fácil de encontrar pelo cheiro. Estava em uma das delegacias de Montreal e, lá, em uma sala com vários papeis sobre a mesa de casos que ele estava trabalhando. Quando o lupino chegou e falou que precisava falar com o homem, um dos oficiais levou o recém chegado até ele. Quando Gray entrou, o Fianna ergueu os olhos para ele e olhou-o com alguma atenção. O oficial, que estava a porta ainda, dirigiu-se ao homem antes do garou.

    Ele diz que tem um assunto urgente para falar convosco, Dyatlov. – Falou e então saiu, fechando a porta trás de si e deixando os dois a sós ali.

    Sente-se. Como posso te ajudar?

    O rapaz era calmo e parecia bastante tranquilo. Havia uma profunda tranquilidade em seu olhar, como se nada no mundo pudesse abalar ele. Havia, na sala, um cheiro de flores do campo, algo que ele não conseguia definir bem o que era, mas o cheiro não era bem ruim. E tinha um outro cheiro, que vinha de um copo sobre a mesa.


    ∗∗∗


    Naquele dia, as aulas da manhã haviam transcorrido rápidas e indiferentes para a garota que agora regressara ao seu quarto na republica. Não havia a mesma animação que talvez outra pessoa tivesse sentido com a mesma coisa. Mas ao menos uma coisa havia sido bom: quando estava em aula, sua mente se ocupava com outras coisas e ela não se recordava do passado. Aquele... Homem... Não voltava a sua mente enquanto o professor falava de forma monótona ou quando os debates ocorriam, desde que ela conseguisse se envolver com o tema. Haviam vozes e sons vindas do lado de fora da casa, mas nada muito importante. Os cheiros do quarto se misturavam, mas logo ela já estava tão acostumada com tudo aquilo que não sentia mais o perfume após algum tempo ali.

    Mas, por algum motivo desconhecido, ela sabia que em breve sua vida daria outra reviravolta e os terrores do passado regressariam com força para ela. As sombras que outrora ela lutara para afastar não ficariam mais distantes e paixões do passado... Bem... Elas sempre regressavam nem que fosse apenas para implicar conosco.



    Montreal. Uma cidade fria, com uma quantia relativamente boa de Fiannas que haviam decidido por ali viver. O dia estava até um pouco quente e razoavelmente seco, mas não o suficiente para ser desconfortante.



    Informações e observações:
    - Podem descrever como foi seu dia, sem problemas, desde quando acordaram até o momento atual, as 18:03 da tarde.
    - Gostaria de lembrar que vocês controlam seu pj e exclusivamente seu pj, os npcs são meus.
    - Sem limite de tempo para postar, o turno vira apenas quando todos os personagens envolvidos realizarem suas ações.
    - Interações entre jogadores podem ocorrer livremente sem a postagem do narrador no meio, permitindo uma interação mais rápida entre eles.
    Persephone
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Dom Maio 07, 2017 11:22 pm

    Diferente da maioria das pessoas, Ashe era grata pelas aulas ou atividades que aconteciam aos sábados pela manhã. Aquela, em especial, era um debate que acrescentaria horas extras ao currículo. Apesar de ser um tema um tanto quanto maçante, foi capaz de se focar nas palavras do palestrante ou, simplesmente, no sono dos presentes.

    Era melhor quando sua cabeça estava funcionando apenas para a vida universitária que tinha.
    Infelizmente, ela não teria que trabalhar na biblioteca no período restante. Foi para lá mesmo assim e ficou até umas 15h, quando a mesma fechou.

    Uma vez na República, ficou sabendo que suas amigas planejavam uma saída. Era sábado, fim de mês, mas segunda-feira teriam dinheiro! Podiam usar um pouquinho de nada do cartão de crédito e, na pior das hipóteses, Kim e Morgana disseram que pagariam. Ashe estava considerando o uso do cartão de crédito mesmo.

    Não queria depender de ninguém de novo.

    O plano das meninas era bem simples: passar as primeiras horas no PUB. Kim e Morgana conseguiriam as bebidas com os contatos dela e, depois de beberem por ali, poderiam seguir para alguma festa no centro da cidade. Aparentemente, Jenna já tinha todas as possibilidades listadas, desde as mais alternativa até as mais caras.

    Ashe duvidava que fosse conseguir passar da primeira parte do plano.

    Por volta das 18h, elas chegaram até o PUB. Ainda estava um tanto quanto vazio, considerando a lotação máxima do local, mas já tinha um bom movimento. Jenna foi correndo conseguir uma mesa – que acabou sendo compartilhada com alguns amigos que ela tinha enquanto as outras duas pediam bebidas no bar.

    Naquele instante, Ashe não se sentiu que poderia fazer parte de nenhuma das possibilidades.
    E percebeu que a ida a um PUB não era a melhor ideia que tivera recentemente.

    As cores, os sons, as risadas...

    Não se comparava à NY, mas aquele tipo de lugar sempre tinha um padrão a ser seguido.

    Inclusive pela existência de jukebox. Ashley caminhou até a mesma, já tinha uma musica ambiente e ela não pretendia mudar, só queria dar uma olhada.

    Como era um fim de tarde frio para uma primavera, ela usava uma jaqueta de couro preta por cima de um vestido vermelho. A saia era um pouco rodada, mas havia a segurança de uma meia calça grossa preta, que não relevaria absolutamente nada, caso acontecesse alguma coisa. Nos pés, um par de botas de cano baixo.

    O cabelo estava solto e já batia na altura da cintura. A maquiagem era básica, o tipico gatinha nos olhos e o batom bordô. Ela gostava de acessórios, então tinha muitos anéis pelos dedos, inclusive de falange e dois colares – um mais curto e outro comprido. Nada era de prata, mesmo sendo prateado.

    Ao chegar próxima da Jukebox, ela deu um suspiro enquanto mexia na alça da bolsa.

    - Tsc, já quero ir embora.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por shamps em Dom Maio 07, 2017 11:22 pm

    Era um fato notável que a maioria das pessoas odiava acordar cedo, mas isso não acontecia com as irmãs Dana e Moyra, que acordavam cedo para se embonecarem para irem para o colégio. O dia hoje seria puxado, já que teriam muito treino após as aulas. Um grande evento de líderes de torcia se aproximava e Dana tinha a ideia fixa na cabeça de que queria manter o prêmio para seu grupo, conquistado arduamente no ano anterior.
    Seus pais já tomavam o café da manhã e aguardavam as filhas para que depois do café as levasse para a aula.

    - Obrigada, daidí – disse sorrindo para seu pai – mas agora eu tenho carrooooo– e sacudiu as chaves, empolgada com o presente novinho em folha que tinha ganhado dos pais.

    O dia na escola transcorreu normalmente, com valentões brigando, nerds sendo zoados, garotas sonsas morrendo de inveja dela e de suas amigas e com a melhor parte, garotos lindos e ricos dando em cima delas, ou seja, coisas normais em qualquer colégio e no mais elitista deles não seria diferente.
    O que importava mesmo era o treino após as aulas, onde ela se dedicava completamente. Eram duas coreografias que tinham que ensaiar: uma para a competição de líderes e a outra para o campeonato esportivo do colégio. Dana era muito exigente nos ensaios e ficava brava quando erros aconteciam, ela não perdoava, nem mesmo se fosse sua irmã.

    - Qual é a sua, Mo? – perguntou para a irmã em um tom bem severo – já é a terceira vez que você erra o passo... um passo que você sabe fazer – aparentemente Moyra estava com a cabeça no mundo da lua por causa um rapaz – não vou perdoar mais um erro... Quero bastante atenção nessa sequência, por favor, isso vale para todas... vamos lá... cinco, seis, sete, oito...

    Durante os intervalos prestava auxilio para as moças e foi conversar com a irmã também.

    - Moyra... o que está acontecendo – dessa vez o tom era brando e fraternal – achei que já tínhamos discutido isso... separar as coisas, né? Garotos da porta para fora – suspirou e pois a mão no ombro da irmã - Há algo te incomodando?

    Voltaram para casa, ela animada e cansada, fez seus deveres, tomou banho, socializou com a família e depois foi para seu quarto. Enquanto aguardava o jantar, tentava espantar seus pesadelos ligando o rádio e planejando coisas para a equipe, como ideias para figurinos. Ela sempre procurava manter a mente ocupada para espantar uma sensação que a perseguia desde sua infância e não sabia o que era.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 12:00 am

    Depois de viajar muito e por muitos lugares, minha mãe resolveu sossegar um pouco, ela comprou uma chácara lá pelos lados de Wallagrass, no Maine. Era um lugar sossegado, com pouca gente, onde dava para criar Sean e Megan de maneira razoável e sem problemas. É claro que haviam outras razões na escolha do lugar: Uma Seita Fianna ficava por ali e mesmo quando ela precisasse viajar com meu pai, poderia deixar os dois com alguém de confiança. Ela não gostava tanto da vida na estrada quanto meu pai gostava, então pretendia manter o ritmo mais devagar. A chácara era uma boa pedida: isolada e próxima as matas, ela poderia dar conta de sua vida dupla como mãe e como Garou, também passou a ajudar a Seita local e tudo mais e a chácara sendo afastada como era, servia de ponto seguro para os membros do motoclube do velho, quando precisavam de um lugar para se esconder.

    Isso fazem uns três meses, ela recebeu uma ligação há algumas semanas, do pessoal falando sobre a situação no Canadá e pedindo ajuda, Eve não queria realmente se meter em tudo aquilo, então sobrou para mim. Em parte, seus argumentos eram certos: estava na hora de eu me virar um pouco sozinho, conhecer a ‘vida lá fora’ e outros Fiannas precisavam de ajuda.

    Eu viajei de Wallagrass até Quebec na minha moto, foram mais ou menos quatro horas de estrada sem parada, era estranho viajar sozinho – muito estranho -, mas de certo modo também era bom. Levei poucas coisas: umas roupas, dinheiro e um celular. Minha mãe tinha aberto uma conta pra mim e disse que ia depositar dinheiro lá mensalmente enquanto eu estive fora, eu esperava que não fosse muito. Eu parei em Quebec, precisava abastecer a moto e comer alguma coisa, acabei em uma festa meio doida e só sai de lá no final da tarde de sábado, meio bêbado e sem a minha blusa: tinha uma mordida no meu pescoço que não lembrava qual das duas tinha feito, mas isso ia sumir rápido. Subi na moto de novo rumo ao me destino, Montreal.

    A viagem para Montreal demorou três horas – eu tinha pego o caminho mais longo – apenas por diversão e quando cheguei lá, no início da noite, parei na beira da estrada, me enfiei no mato e uivei para pedir passagem, quando foi dado, voltei pra moto e entrei na cidade… Era um lugar diferente, mas não exatamente ruim, e eu estava seco para beber alguma coisa, circulei por alguns lugares com a moto, antes de escolher um PUB que me pareceu legal. Estacionei por ali.


    Ainda tinha os cabelos loiros – agora um pouco mais ‘queimados’ pelo sol, e estava consideravelmente mais alto (1.90), mas não tinha um porte magrelo como era padrão para alguém com aquela altura, seu físico tinha se desenvolvido de acordo com sua rotina pesada, não era nenhum ‘fortão’, mas estava longe de parecer um magricela. Não tinha mais os cabelos raspados nas laterais, também, estava longo, preso num rabo de cavalo e a barba havia crescido. Alguns diziam que se parecia muito com seu pai naquela idade.

    Mas os olhos continuavam os mesmos, e as várias tatuagens também. Quando ele entrou, não chamou muita atenção – talvez de uma garota aqui e ali -, mas nada muito alarmante. Calçava coturnos, uma calça jeans meio surrada e uma blusa de uma banda aleatória qualquer, o colete do motoclube tinha ficado guardado, mas a jaqueta estava ali. Aproximou-se do bar, onde pediu uma cerveja e jogou uns trocados ali, se recostou e olhou em volta para se ambientar, não era o cara mais bem-arrumado do lugar, mas sinceramente não se preocupava muito com isso. Conseguiu matar a cerveja em uns dois goles – estava com muita sede – antes de procurar o banheiro – tinha ficado quase quatro horas em cima de uma moto – achava que seria uma boa além de dar uma mijada, lavar a cara. Avistou o que precisava então se desencostou de onde estava e começou a se mover.

    A vida tinha dessas coisas, afinal, ele focou o olhar na jukebox próxima a entrada para os banheiros, franziu o cenho. Fazia um tempo que não via uma daquelas, na verdade a última vez que se lembrava de ter visto uma jukebox tinha sido… No Trevo, em Nova Iorque, uns dois anos atrás. Era engraçado como aquelas memórias voltavam meio que de repente, então foi quando sentiu que esbarrou em ‘alguma coisa’ e voltou seu olhar na direção da garota.

    “- Nossa, foi mau.”
    - Começou – até sua voz estava um pouco mais mudada, mais adulta. “- Eu tava meio distra….” - Mas a frase morreu ali, enquanto suas sobrancelhas se arqueavam. Não era possível, era? Não tinha certeza, levantou a cabeça, olhando em volta, meio que instintivamente procurando pelo primo, se ela estava ali, ele também estaria, não estaria? Ele estava diferente, claro; agora também tinha uma cicatriz no pescoço, descendo para o ombro, mas oculta pela camisa. Não tendo sucesso em localizar quem ele achava que estaria ali, voltou os olhos azuis na direção dela.

    “- Hei.” - Ele disse, enfiado na mais sem falta de jeito que talvez não tivesse sentido. “- Eu podia te oferecer uma cerveja, mas acho que você ia querer me bater.” - Completou.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Seg Maio 08, 2017 12:38 am

    Tão logo resmungou que gostaria de ir embora, Ashe virou-se para a direita e bateu em "alguma coisa".

    - Ouch...

    Levou a mão levemente até o braço, massageando a região depois do encontrão que recebeu. Os olhos voltaram-se para a frente, vendo o pescoço do homem – Ashe era uma moça alta e ainda estava de salto alto. Assim que se deparou com aquela marca de chupão, ouviu a voz dele.

    Mais grave, mais velha.

    E, ainda assim, tão nostálgica. Um arrepio percorreu todo seu corpo enquanto o tempo ficava um pouco mais lento. Piscou os olhos lentamente uma...duas vezes até finalmente ergue-los. Olhou para cima já com os olhos bastante marejados, mas não permitiria que nenhuma lágrima fosse derramada. Certamente era por falta de lubrificação, mesmo que ela tivesse acabado de piscar.

    Franziu as sobrancelhas quando se deparou com aquele homem e recuou meio passo.

    Ele olhou para os lados e mesmo que não dissesse nada, ela sabia exatamente o que, ou melhor, quem ele estava procurando. Os lábios se crisparam e ela engoliu em seco.

    Ashley também estava diferente desde a última vez que eles tinham se visto. O cabelo estava comprido como da primeira vez e melhor tratado. Não tinha mais aquela cara de adolescente, tornando-se uma mulher cada vez mais atraente. Ela tinha aquela aparência selvagem e uma beleza quase exótica - não era ruiva, nem loira, não tinha olhos azuis, nem verde. Era uma mistura de tudo isso e parecia que cada parte de si não podia ser uma coisa ou outra, mas sim ambas.

    Apesar da expressão de consternação, ela deu um sorriso. Os dentes brancos e perfeitos presentes abaixo dos lábios com o batom bordô mate.

    - Só posso estar...
    - Pigarreou – louca.

    Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e meneou negativamente antes de se virar pra se afastar.

    - Não foi nada, senhor.

    Realmente pensou que estivesse vendo coisas.

    Ou pelo menos projetando aquela imagem em pessoas que não tinham nada a ver com ele. Deu um passo na direção dele, mas para passar e seguir até onde suas amigas estavam.

    Tão logo ela passasse, ela franziria as sobrancelhas de novo e olharia para as costas dele.

    Não podia ser...

    Podia?
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 10:35 am

    Donovan tinha travado ali, num semi-estado de espanto. Ele não era exatamente um cara inibido, muito pelo contrário já que na maior parte das situações era ele o mais descontraído, mas era como se sentisse que toda a energia do seu corpo para piadas tivesse sigo sugada de uma única vez, ele tinha os olhos nela: observando-a, procurando confirmações do que estava realmente vendo. Afinal faziam dois anos desde que tinha subido na moto e ido atrás dos pais, deixando Nova Iorque para trás, deixando ela para trás também.

    De novo, ele olhou em volta, fazia tempo que não falava com a família em Nova Iorque – os primos, etc – e talvez eles tenham sido chamados para ajudar também. Era uma possibilidade, mas ele não conseguia encontrar Liam por ali e nem a possibilidade dele. Ela falou de novo e Donovan voltou a baixar os olhos para ela, ainda com a expressão confusa, o cenho franzindo e as sobrancelhas curvadas. Tinha um nó na garganta difícil de engolir, era igual quando a jukbox apareceu. Uma enchente de lembranças estavam chegando, coisas que ele tinha deixado para trás, perdidas na poeira da estrada, passou a mão no rosto – e agora tinha tatuagens nas costas das mãos e dos dedos também – daquela mão era uma flauta pan, Flauta que ela bem lembrava que aparecia no pescoço dele em outras formas – e os dedos tinham letras: E E D S M que remetiam aos pais (Eve e Elliot) a ele e aos irmãos.

    Mas as coisas aconteciam mais rápido do que ele estava conseguindo agir, ela já tinha começado a se mover, se afastando e passando por ele. Quando ela passou, Donovan se virou para ela de novo, tinha esquecido plenamente sua intenção de ir ao banheiro. Sinceramente ele não estava com muita paciência para aquela jogatina: estava cansado, com fome, precisava tomar um banho e tinha visto que a garota tinha o reconhecido, pelo menos parcialmente. Alguém tinha esbarrado nele, afinal ele estava praticamente no meio do caminho para os banheiros, mas Donovan ignorou isso.

    A mente pensava diversas coisas para se falar naquele instante, mas as palavras morriam antes mesmo de chegar a serem vocalizadas, ele ficou olhando para ela de novo, quando a jovem se virou na sua direção, então, repentinamente deu de ombros. “- Gostei do cabelo.” - Disse, agora movendo-se ele. Precisava sair daquele ambiente, precisava de um pouco de ar puro, ele enfiou a mão no bolso e puxou as chaves da motocicleta, jogando para ela. Era um jeito simples e sem palavras de dizer que não estava indo a lugar nenhum. Pelo menos por enquanto.

    Donovan saiu do PUB e moveu-se na direção da moto estacionada ali perto, onde se recostou, tateou os bolsos atrás de um cigarro e o levou à boca acendendo assim que encontrou um. É, o Canadá pelo jeito ia ser uma grande surpresa.


    Spoiler:
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Seg Maio 08, 2017 1:01 pm

    Deveria ter continuado a se afastar, mas a tentação foi maior e ela precisou parar para encará-lo. Precisava ter certeza de que não era ele, que era só porque a maldita música tinha começado a tocar toda hora nas rádios graças a uma maldita série de bullying e suicídio!

    Contudo, as siglas tatuadas nos dedos só ajudavam a supor o óbvio.

    EEDSM

    Eve, a mãe sempre primeiro; Elliot; Donovan; Sean e Megan.

    Ashley virou para trás de novo, encarando as costas dele. Tinha uma certa confiança e segurança no olhar, até que seus olhos de cores diferentes se depararam com aquele azul tão profundo. Era como mergulhar e Gaia sabia bem o resultado de profundos mergulhos.

    Ela sempre se afogava.

    Os olhos cerraram um pouco bem como um bico foi formado ao ouvir o elogio para o seu cabelo. A chave foi jogada em sua direção, mas Ashe não se moveu. A mesma caiu no chão, deslizando um pouco enquanto ela tentava se recompor. A respiração ainda estava um pouco ofegante até que Donovan se foi.

    - ....

    Passou a mão pela cabeça e olhou ao redor, catando a chave antes que ela fosse chutada de um lado por outro do PUB.

    Não saiu imediatamente atrás dele. O cigarro já estaria na metade – considerando que ele não vai sorver tudo num fôlego só - quando a garota empurrou a porta e procurou pela moto. Não era a mesma de antes, mas sabia que antes de encontrá-lo, veria uma moto.

    E lá estava, Donovan fumando seu tipico cigarro enquanto se recostava na moto vermelha.

    Umedeceu os lábios, levando as mãos até os bolsos da jaqueta. Aproximou-se e entregou a chave para ele.

    - Você deixou cair.

    Soltou a chave e recuou.

    Mexeu o nariz de leve, fungando e o encarou de novo.

    - Está só de passagem pela estrada?
    Rosenrot
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 1:27 pm

    O chaveiro em que a chave estava era uma mistura de bugigangas que talvez só fizessem sentido para o dono: tinha um trevo de quatro folhas, uma rosa, uma fluatinha, uma coruja e um bichinho que parecia ter vindo de alguma coleção de brinquedos infantis, e uma motinho também. Sabendo de quem se tratava, não era difícil para ela imaginar que eram itens que remetiam à família dele.


    Ele terminava um trago mais lento, quando ela finalmente chegou perto, ali numa iluminação menos debilitada, era possível ver as mudanças em seu rosto e como parecia bastante cansado naquele dia. Esticou a mão esquerda e pegou as chaves, deu uma olhada rápida no chaveiro, antes de enfiar no bolso. Agora as ideias começavam a se assentar, parecia ficar um pouco mais fácil pensar a respeito do que estava acontecendo, daquele reencontro não planejado no último lugar do mundo onde achasse que poderia acontecer.

    - Você deixou minhas chaves caírem? Tsc. – Comentou, respirando fundo e olhando em volta de novo, antes de se focar nela. Tinha ouvido a pergunta, claro, mas ficou em silêncio por um tempo, terminando de fumar o cigarro – que agora pela proximidade ela podia ver que era um artesanal – tinha um cheiro de canela. – Isso me lembra quando você e a minha prima roubaram a minha moto. – Ele tinha se referido à Eny como ‘minha prima’ e não pelo nome, como geralmente fazia e não parecia realmente emocionalmente envolvido ao citar a garota, se ajeitou na moto, meio que sentando, meio que se encostando.

    – O que diabos você tá fazendo aqui, Seren? – Perguntou de uma vez. Era mais fácil ir direto ao ponto do que ficar dando voltas, se ajeitou de novo na moto, mas estava começando a ficar incomodado com o lugar também. Difícil definir por quê, talvez fosse parte do cansaço físico que sentia agora que a viagem tinha acabado. Mas pensaria nisso depois, ainda precisava achar um lugar pra dormir, um hotel talvez, e pela manhã ir resolver o que tinha que resolver.

    Ele parecia muito mais adulto agora, diferente do jovem brincalhão que ela tinha conhecido em Nova Iorque, ainda que tivesse o mesmo brilho divertido nos olhos cansados. Donovan olhou para ela com um misto de curiosidade e preocupação - na maior parte do tempo os Fiannas pareciam preocupados com seus Parentes, afinal - enquanto aguardava a garota responder.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Seg Maio 08, 2017 2:20 pm

    Ashley não tirou os olhos mais dele e percebeu que a resposta dele tinha ignorado sua pergunta inicial. Piscou lentamente, já bem recomposta depois do susto inicial, parecia que cada segundo ela parecia mais "tranquila" e ele mais incomodado. Quase como se tivessem invertido os papeis.

    A lembrança citada por ele fez um sorriso suave surgir no canto dos lábios dela. Mesmo que isso não significasse que ela estava feliz em vê-lo, era mais porque a lembrança a divertia.

    As loucuras que você faz no desespero...

    - Se bem me lembro, foi um furto por boa causa. Você está aqui agora, não é?

    Ou seja, furtaram a moto por ele. Ashley respirou fundo, puxando o ar com certa vontade e cruzou os braços em seguida, se encolhendo um pouco.

    A pergunta dele foi respondida com um leve balançar de cabeça.

    - Você deve estar me confundindo com outra pessoa. Meu nome é Ashley e eu perguntei primeiro se você está de passagem...

    Fez um suave bico ao sorver o lábio internamente. Olhou para os lados e, bom, sabia que aquele jogo não funcionava muito bem com Donovan. Até porque, eles conseguiriam falar tudo cedo ou tarde - às vezes um pouco tarde, é verdade, mas sempre colocavam pra fora de alguma forma.

    - Você está sozinho.

    Não achava que ele fosse querer beber sozinho, sem o pai, pelo menos. Mesmo que a família estivesse por ali, eles teriam parado juntos de alguma forma. Ainda mais que Donovan era uma pessoa que não combinava com solidão.

    Voltou a encará-lo.

    - Eu me mudei pra cá há quase 5 meses. - Começou a explicar. - É o tempo que não tenho contato com NY também.

    Sozinha, uma Parente sozinha.

    E, por algum milagre ou falta de raça pura, ela não teve nenhum problema com garous até então.

    - O que está fazendo aqui?
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 4:50 pm

    Ele deu um riso, na verdade não exatamente um riso, mais uma exclamação e moveu a cabeça levemente em negativo quando ela falou que tinha sido por uma boa causa e que por isso ele estava ali: não achava exatamente isso, claro. A situação em si iria se resolver de um jeito ou de outro, mas não ia entrar em detalhes naquela história tão antiga. Estava mais interessado em outras coisas naquele momento.

    Franziu o cenho, quando ela falou o nome e revirou os olhos. “- Que nome de patricinha americana.” – Ele, Ashley sabia, apesar de ter nascido na América, tinha a família praticamente toda Irlandesa – exceto pelo pai americano – e todo o costume, cultura e afins, ligados à Irlanda. Mas ele resolveu responder a pergunta dela.

    - Depende do que você considera ‘de passagem’ eu tô sempre de passagem por qualquer lugar, de certo modo. – Afirmou com um suspiro breve, enquanto se ajeitava na moto, sentando nela como se fosse partir, enfiou a chave na ignição também. - Tô. – Bom, estava sozinho mesmo, aquilo não era algo que dava ou queria esconder, girou a chave, ligando a moto. O motor rosnou baixo – Donovan tinha um gosto participar a respeito daqueles motores – não entendia bem porque tinha gente que tirava as descargas dos canos, gostava daquele som exatamente do jeito que ele era.

    – Sobe que vou te levar pra casa. – Avisou, puxando o encosto com o pé e equilibrando a moto com o corpo. - E deixaram você vir sozinha? O que esse povo tinha na cabeça? – Resmungou, enquanto ela revelava sobre a mudança.

    - História longa e complicada. Vou te deixar sei lá onde você mora e caçar um hotel. Preciso dormir, preciso comer, preciso tomar banho, amanhã a gente pode conversar melhor e você vai me explicar essa história maluca. – Agora de incomodado ele parecia ligeiramente irritado com o fato da matilha de Nova Iorque ter deixado ela sozinha por aí, aquilo era uma irresponsabilidade tremenda, achava Donovan, pegou o capacete e passou para ela. Era um daqueles articulados, onde o queixo não era coberto, apenas passava uma fita ali e tinha a viseira longa. Aguardou por ela.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Seg Maio 08, 2017 6:46 pm

    Deu de ombros com relação ao nome. Não era como se tivesse algum apego ou preferência por ele, a verdade é que a escolha ocorreu simplesmente por ser um nome popular e de fácil memorização. Não teria nada ali que se sobressaísse e marcasse de algum modo. Exatamente o que ela queria naquele momento de sua vida.

    Observava a mudança dele. Donovan já dava as costas pra ela até ficar de lado de novo, estava se preparando para sair.

    - É, isso é verdade, você sempre está de passagem.

    Não explicaria o que ela quis dizer com isso, mas deu pra sentir em sua entonação que tinha algo a mais além de uma simples constatação.

    Deu uma risada debochada com a reação dele em relação ao que tinha acontecido, dela estar sozinha ali. Ele não tinha sido o primeiro a ir embora? Por que agora estava aborrecido com a partida dela?

    - Deixaram e certamente foi um alívio. Afinal, foi você quem me levou pra lá e eles se viram na obrigação de abraçar um problema que não era deles. Foi melhor pra todo mundo assim, inclusive pras minhas irmãs.

    Mas ela sabia que eles sabiam onde ela estava. Só era mais cômodo imaginar que não e eles já tinham problemas o suficiente para se preocuparem com ela.

    Viu o capacete na direção dela e, ao invés de pegar, empurrou suavemente na direção dele de novo.

    - Não.

    Era a primeira vez que ela dizia não pra ele, que demonstrava em palavras que não aceitava algo que ele estava fazendo ou dizendo. Uma sensação estranha de quase autonomia e, talvez, fosse mais estranho ainda pra ele aquele ato de "rebeldia".

    - Não vou pra casa. Eu não vim com você ou por sua causa, eu vou entrar, beber, dançar, beber mais e, com sorte, sair com outra pessoa. E amanhã acordarei ao lado de alguém que não conheço e com uma tremenda ressaca!

    Até parece que faria tudo isso, mas era bom ele ter ciência de que ela PODIA fazer isso.

    - Mas você realmente deve estar cansado. Se precisar de alguma coisa em Montreal, eu posso te ajudar, inclusive posso te dar o endereço de um hotel bacana e meu cartão para ajudar, se quiser.

    Começou a mexer na bolsa pra pegar a carteira e o celular dela.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 7:20 pm

    A primeira frase fez Donovan arquear as sobrancelhas e olhar na direção da jovem Parente. Era aquele tipo de coisa que ele não estava a fim de discutir, aquele tipo de situação que não estava, exatamente, a fim de passar. Voltou a olhar para frente, respirou fundo e pausadamente enquanto ela continuava falando. Falando sobre o pessoal do Trevo e aquilo ele gostava menos…

    Por que bom, eles tinham aberto as portas, tinham ajudado quando precisavam, era o que eles faziam pelos Parentes e ela se portava como se eles quisessem, a qualquer momento e qualquer motivo se livrar dela. Não era bem assim, nunca tinha sido. Surgiram problemas? Claro que surgiram… Mas eles eram família. Donovan segurou com mais força a manopla da moto, a mão apertando ali por um momento enquanto a Fúria subia à garganta.

    Então o capacete voltou na sua direção e ele baixou a mão ouvindo Ashley falar. Cruzou os braços então.

    - Beleza. – Ele disse e desligou o motor logo em seguida. – Vamos lá, quero ver você beber, dançar e beber mais e sair daqui com alguém. – Puxou de novo o descanso da moto, prendeu o capacete por ali e se levantou.

    - Preciso não, a ruiva tá mandando dinheiro. – Avisou, enquanto voltava a andar na direção do PUB. - Você vem ou não? – Quis saber. Ah, cara, aquele era um jogo para dois, beber, dançar e beber mais era uma coisa que ele gostava bastante de fazer. Bastante.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Seg Maio 08, 2017 7:33 pm

    Realmente, o modo como Ashley colocava seu ponto fazia parecer que ela era ingrata a tudo o que o Trevo fez por ela. Mas não era isso, ela apenas tinha se expressado mal. A verdade é que ela seria sempre grata a eles, mas verdade fosse dita, ela era um problema que eles nunca pediram.
    E sim, ela se via dessa forma.

    Sabia que eles eram uma família, mas era difícil para alguém que não cresceu com uma família de verdade, aceitar que faz parte dela. E quando a história com Liam veio à tona e viu as reações negativas direcionadas a ele, ela considerou que tinha encontrado a solução: começar em outro lugar.

    Contudo, ela estava ciente de que tinha uma grande "dívida" ou qualquer outro termo que soe um pouco mais amistoso para isso. Ela jamais se negaria a ajudar nenhum deles, porque sabia que era seu dever, mas também um prazer. Talvez por isso ela também tivesse escolhido a carreira jurídica, mesmo que agora em outro país.

    Caso ocorresse algum problema entre fronteiras, no Canadá ou uma consultoria que fosse, ela ajudaria. Inclusive estava querendo ajudar Donovan agora. Era o mínimo que podia fazer.

    Só não oferecia a própria casa porque morava numa República feminina e não teria como ele ficar ali. Contudo, daria assistência em outras situações, caso ele quisesse.

    Mas Donovan tinha se aborrecido...

    Ela viu isso no instante em que ele fechou os punhos daquele jeito.

    Não deveria nem ser 18:30 da noite e eles já tinham se irritado um com o outro.

    Ashley respirou fundo. Apesar de ter sido algo que realmente pretendia fazer, não foi inteligente provocar um Fianna com coisas que Fiannas adoram.

    Beber, Dançar, Transar? Era praticamente o lema deles, juntando Cantar.

    Levou a mão até a cabeça e umedeceu os lábios.

    Ele já saía andando e perguntava se ela ia.

    - Vou.


    Bateu o pé e virou-se na direção do Pub. Aproximou-se e teve duvidas de quem entraria primeiro, ficando aquele quem ia, até que ela empurrou a porta e entrou primeiro fazendo um "tsc". Seguiu até o balcão e pediu um shot.

    Por que um shot e não uma cerveja?

    Porque Donovan a deixa burra!

    Brindou a ele e virou o shot de uma vez só, sentindo suas narinas quentes como a de um dragão.

    - Bem-vindo ao Canadá.

    Pediu mais uma dose.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 8:27 pm

    Esperou ela passar na sua frente entrando no lugar, era meio instintivo olhar em volta ao mudar de ambiente e ali não foi diferente. Ele pôs as mãos nos bolsos, verificando carteira, celular e chaves e se moveu bem atrás dela, na direção do balcão, recostou-se ai ao lado da jovem, diferente da garota, Donovan pediu duas cervejas. Bebeu um gole leve da primeira, movendo a garrafa na direção dela simulando um ‘brinde’ quando ela ‘brindou a ele. Diferente de momentos atrás, parecia muito, muito mais tranquilo.

    Bebeu mais um pouco, voltando a encarar o ambiente. Era estranho estar num lugar daqueles de novo, quer dizer, aquilo ali era muito mais ‘elite’ do que os lugares que durante os dois últimos anos ele vinha frequentando. Geralmente espeluncas e bares de beira de estrada. O único lugar que se recordava de gostar era o Trevo, e fazia bastante tempo que não entrava naquele lugar. Sentia-se um pouco nostálgico até. Mas bom, aquele Pub canadense estava longe de chegar aos pés do Trevo.

    - Valeu. – Respondeu as boas vindas enquanto olhava em volta de novo, como se procurasse algo, mas logo voltou sua atenção ao balcão e a Ashley, ele tirou o celular do bolso, digitando rapidamente uma mensagem pra mãe. Eve não era exatamente superprotetora, mas era paranoica. Era melhor evitar a ira da ruiva. Ele não achava que Ashley fosse aguentar muito, ainda mais bebendo doses daquele jeito. Ela provavelmente ficaria bêbada lá pela quinta ou quarta, enquanto ele já décima cerveja ainda estaria ‘alegre’, era só enrolar.

    Quando ela terminou a segunda dose, ele pediu em seguida a terceira para o barman. - Então, como tá a faculdade? – Quis saber, para enrolar. Era só questão de enrolar.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Persephone em Seg Maio 08, 2017 9:59 pm

    Era preocupante ver Donovan tranquilo. Isso acontecia quando ele encontrava sua zona de conforto e assim era difícil conseguir vencer qualquer coisa dele. Parecia que ele sabia todas as ponderáveis - e imponderáveis - de modo que não havia como escapar dele.

    Ashley deu outra rápida golada na segunda dose, fazendo uma suave careta. Pelo canto dos olhos, viu que ele estava mexendo no celular. Algumas coisas realmente não mudam tanto assim.

    Começou a puxar a jaqueta para trás, sentindo uma súbita onda de calor – suas bochechas já estavam até um pouco mais coradas e não por conta do suave blush. Dobrou a mesma sobre o colo, revelando o vestido vermelho que havia por baixo. A saia era bem rodada, era acinturado, mas sem mangas. O decote era um pouco chamativo, mas também porque os colares dela chamavam atenção.

    Lá estava o colar um pouco mais comprido com uma meia lua crescente e um menor com uma estrelinha simples. Ashley usava aquele colar mesmo antes de conhecer Donovan, mas talvez ele acabasse tendo uma conotação diferente depois de Liam. Não era por ou para ele, mas podia gerar essa interpretação no fim das contas.

    Donovan pediu a 3ª dose antes mesmo que ela fizesse menção de pedi-la. Não virou de primeira, virando-se para Donovan.

    - Boa. Consegui entrar para McGill, ensinam em inglês, mas já estou trabalhando um pouco no francês. - Não dava para ser fluente naquele período, mas Ashley já arriscava algumas conversas breves - Apesar de só ter ficado um período em Yale, alguns contatos ajudaram a chegar até aqui. E faço meio período na biblioteca e no grupo acadêmico. Ainda preciso ver algum escritório, mas isso também requer um pouco de tempo e contato.

    Depois de responder à pergunta, ela virou o 3º shot e fez sinal de que não queria um quarto.

    Não era apenas Donovan quem queria tempo.

    - E você? Encontrou o que buscava nas estradas ou ainda está procurando por aí?

    Fez um suave bico, fechando a boca para encará-lo de novo.

    Toda aquela rebeldia e autonomia tinha sumido um pouco. Ela parecia mais séria e disposta a conversar com ele. Era melhor encarar de uma vez do que ficar fugindo. Deveria ter um motivo para eles se cruzarem daquele modo, no último lugar no mundo que achava que fosse vê-lo.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Rosenrot em Seg Maio 08, 2017 11:07 pm

    Parte dele sabia… Sabia que ela era tão impulsiva quanto qualquer outro Fianna, era o sangue sabe? Que elevava as paixões – e não apenas as boas – ao máximo. Ele sabia bem, sua mãe era uma Irlandesa ‘sangue-puro’, com aquele velho temperamento irlandês. Ela ia do amor ao ódio em menos tempo do que o motor da moto dele conseguia ir de 0 à 100.

    Ele não estava muito interessado sobre a coisa da faculdade. Era um ambiente que não lhe enchia muito os olhos. Tinha estudado num colégio militar boa parte da infância e mesmo depois da mudança foi forçado a continuar estudando até terminar pelo menos o básico. Nunca quis ir para uma faculdade, igual sua mãe tinha se formado. Mas falar da faculdade era um jeito fácil de quebrar o gelo.

    Terminou sua primeira cerveja, antes de pedir um uísque para o barman, ele virou para ela, notando como a agora Ashley desarmava as defesas, ficou observando e claro lhe lançou um olhar ao decote, mas isso foi rápido. Voltou para o uísque servido e tomou tudo de uma vez.

    – Nunca fui procurar nada na estrada. – Falou e emendou o uísque com a segunda cerveja, tomando um gole rápido. - Fui onde minha família ia. – Completou. – Mas a ruiva resolveu dar um tempo, ela não gosta tanto da estrada quando o velho, já tava cansada e as crianças precisavam de um chão. Comprou uma chácara lá pros lados da Nova Inglaterra tem uns três meses, uma cidadezinha com uns 500 habitantes, o vizinho mais próximo mora… Sei lá, há uns 20km de lá. É sossegado, isolado e ela pode criar as crias sem dor de cabeça e o velho pode viajar de boa. E lá tem mais de nós por perto também. - ‘Nós’ eram os Fiannas, mas ele não pretendia falar muito a respeito disso, matou a cerveja num gole rápido.

    - Eu vim pra cá por que estão precisando de uma mão e a ruiva não queria se meter, mas não queria se abster. Sobrou pro bucha, que no caso sou eu.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Jezreel em Ter Maio 09, 2017 8:56 pm

    À este ponto, era um alívio ter chegado. Mal havia acostumado com a ideia de ser Garou e já teve de se tornar humano e fazer uma viagem. Gray não confiava em veículos, para não dizer que tinha medo. Como lobo, seria mais fácil caminhar por 10 dias, mas como humano, as coisas eram diferentes. Andar com duas patas, ou melhor, duas pernas, a falta de pelos em seu corpo e esse contínuo desconforto que roupas causavam em si eram suas principais reclamações pra qualquer um que por acaso perguntasse. Não havia tomado banho todo esse tempo, nem mesmo trocado de roupa, isto explica o cheiro não tão agradável vindo de si, mas ele não se importava muito. Na verdade, não tinha ideia como os humanos faziam para tomar banho, com certeza se este era um assunto que deveria ser levado em consideração, seria um dos últimos. Havia muita coisa para se saber, muito o que digerir e Gray não teve tempo de nada disso. Saindo diretamente das montanhas rochosas do Canadá, parando rapidamente em uma pequena vila em Morden, Monitoba vindo direto para Montreal, Quebec à mando de um mais estranho do que conhecido chamado Nikola Strauss, sem contar a triste perda de todo seu bando, destacando mãe de seus filhos e filhos. Ouvira de alguns da vila que sua vida apenas estava começando, esperava que não fosse o começo de uma história de dor incurável.

    Haviam muitos cheiros em Montreal, mas como um bom macho alfa, ele apenas se preocupava em encontrar seu alvo. Em meio à tantos pensamentos turvos e tempestuosos, também havia espaço para caçar sua presa. Manteve seu foco até encontrar um cheiro parecido com os cheiros dos Garous daquela vida. Por sorte ou destino, a primeira delegacia que encontrou possuía o cheiro característico do que buscava e prosseguiu em sua jornada do conhecimento de si mesmo.

    Discretamente, Gray observava as interações humanas. Algo de misterioso e enigmático habitava ali. Ele preferia o silêncio de sua voz do que ter de fazer suas cordas vocais funcionarem. Se fosse assim, que se tornasse lobo de uma vez e uivasse para chamar seus companheiros... Companheiros, algo que talvez ele nunca mais tivesse. Antes, quando lobo solitário à procura de uma nova matilha, ainda havia esperança de encontrar, porém agora, nem lobo era mais, o que lhe restara se não memórias?

    Imediatamente ao pisar na delegacia, seguiu o script que haviam lhe instruído e rapidamente viu-se na sala com a famosa figura e tão procurada por ele mesmo à sua frente. Não havia hostilidade no ar, o rapaz parecia inabalável, mesmo com o mal cheiro de Gray causado por vários motivos, principalmente a falta de banho. Gray passou algum tempo encarando a figura, como se quisesse decorar seu rosto, demorou um pouco para sentar-se, mas seu cansaço o lembrou que sentar relaxaria seu corpo e o mesmo ansiava por um relaxamento há dias.

    A pergunta que lhe foi direcionada o incomodou. Tinha certeza que assim que o encontrasse, o homem saberia o que fazer, assim como foi seu encontro com os nativos daquela vila. Rapidamente lembrou que ao chegar à cidade, encontraria um deles por ali, mas ninguém nunca falou onde e como. Será que estariam falando dele? Não era lógico, se não, estariam falando 2 vezes de uma só pessoa. Provavelmente teria que esperar até depois deste encontro. Sem perceber, o ex-líder da alcateia, estava pegando uma mania talvez não muito educada para humanos, mas sem valor algum para lupinos que era demorar para responder por não ter certeza de fato do que dizer. Palavras ainda eram coisa nova para ele. Só falou rápido com um dos oficiais porque disseram à ele o que dizer e então foi repetindo consigo mesmo durante toda a viagem. Talvez também por sua vida passada não haver sequer palavras, apenas sons e linguagens corporais. Provavelmente seria mais fácil dizer um resumo de tudo o que entendeu durante todo esse drama.

    - Sou Galliard Fianna. Nikola Strauss mandou-me até você.

    A voz era naturalmente rouca com um grave característico de si. Ele ainda não perbera isto, porém qualquer um que o ouvisse, certamente perceberia. Os olhos de Gray procuravam o motivo daquela sala cheirar a flores do campo se não havia flor alguma por ali. Aquele cheiro o fazia querer voltar a sua forma natural e esquecer de tudo o que estava acontecendo nestes últimos dias.
    Sr Lucius Montgomery
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Sr Lucius Montgomery em Qui Maio 11, 2017 5:55 pm

    Sábado, dia em que a loja de Lurth ficava aberta em menor tempo que o normal, ( o que era lógico), a escola na qual se formara também tinha aulas no sábado pela manhã, era uma escola elitizada, e, no passado, era ali que estudava. Como havia aula, e sua loja de artigos esportivos era em frente a escola, acrescentando o fato de alguns campeonatos de primavera estarem próximos de acontecer, havia a chance de vender bastante nesta manhã.
    Enquanto não havia clientes para serem atendidos, Lurth averiguava se havia alguma coisa fora do lugar para organizar, ou ficava atrás do balcão em um PC, as suas costas, havia uma foto do tempo de escola, do time de futebol americano que participava (em algum lugar na escola logo em frente havia uma foto igual, em um daqueles murais onde ficam fotos anuais e etc), um certificado da escola com assinatura do diretor, gratificando-o pela sua participação massiva no Conselho Estudantil (por três anos seguidos) e uns três troféus e sete medalhas, conquistados todos nesta época escolar, e por fim, uma placa de reconhecimento de treinamento concluído pela polícia montada. Se não tivesse nenhuma pendência, como alguma nota fiscal para dar entrada no sistema da loja, ficava lendo algum livro, ou recapitulando um ou outro ensinamento de seu Mentor: Lawrence Edgar Hammersmark.
    A manhã havia sido boa e tranquila, depois de fechar a loja e ir para casa, passou o resto da tarde com Lisa. Era véspera de seu aniversário, no dia seguinte, dia 30 de Abril, Lurth completará 26 anos. Não que esperasse ou quisesse, mas tinha a possibilidade de Lisa estar preparando alguma surpresa para ele esta noite, ou para amanhã mesmo. Mas também, tinha a chance dos seus semelhantes de sangue solicitarem sua presença para alguma coisa megaformal. Já havia alguns anos desde sua primeira transformação, mas se tratando dos Presas de Prata, Lurth sempre descobria alguma coisa nova, algum procedimento cheio de formalidades vagarosas (por parte da maioria dos mais velhos que tendem a ser mais conservadores com estas coisas). Então, já não sabia muito bem o que esperar deles. Embora não seja exatamente parte de uma matilha, Lurth presta bastante deferência ao Sr. Hammersmark, que esteve sempre presente em sua vida como o pai que não tivera...
    Mais ou menos umas 17:50 Lurth saiu com Lisa, a fim de irem em algum barzinho de ambiente agradável, chegaram, Lurth pediu uma caneca de cerveja escura de 600ml e Lisa também fez seu pedido. Conversavam riam, bebiam e jogavam mais conversa fora.

    Agora eram 18:03, pediu licença para sua namorada, foi para um lugar fora do bar, onde fosse ter mais privacidade (quiçá sigilo), então pegou o celular e ligou para sua mãe, na Alemanha.

    -Alô, Sra. Schuwald...mãe?
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Sinner em Sex Maio 12, 2017 8:50 pm



    Duro como aço
    Quente como Fogo



    Ouvindo a conversa que acontecia a uma parede de distância um sorriso frio se formava em meus lábios enquanto escutava tudo com atenção e aproveitava para separar algumas roupas que consistiam basicamente de um terno negro e um paletó branco, além das calças e sapatos sociais da mesma cor. Em minha área de negócios eu havia aprendido há algum tempo que elegância por si só é uma extremamente útil, seja para negócios ou guerra, afinal quantas pessoas imaginam que um homem vestido elegantemente seja um assassino brutal e violento? Exatamente, essa é a ração pelo sucesso dos psicopatas e sociopatas, não que eu não seja um.

    — Hoje realmente será um dia agitado…. Idiotas aparecendo um depois do outro. – Murmurei me lembrando dos acontecimentos da noite passada e dando uma última olhada em meu reflexo no espelho depois do banho que havia terminado de tomar e logo coloquei meus óculos antes de sair, um sorriso pendurado em meus lábios enquanto saudava as duas garotas depois de as encontrar.

    [color=#cc0000]— Vocês realmente estão animadas de manhã, isso é uma surpresa, considerando que não é nenhum feriado. [/color



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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

    Mensagem por Eleonor em Sab Maio 13, 2017 1:13 pm

    Narração
    Quando saiu do quarto e encontrou as duas, Myrella sobressaltou-se e dei um pequeno pulo, reagindo mais rápido do que a irmã ao repentino surgimento dele e olhando-o atenta. Sophie apenas se limitou a olhar para o irmão e arquear uma sobrancelha antes da ruiva começar a falar um pouco apressada. Talvez fosse apenas um nervosismo ocasionado pelo que ela falara antes dele surgir de repente.

    Senhor Sigmund! Só... Só estávamos trabalhando no projeto de ciências! – Havia algum rubor na face dela e um nervosismo ao falar que normalmente não acontecia quando ela decidia falar com ele no trabalho.

    Ah, é, sabe como Myrella se anima com isso. É uma pena que tivemos que interromper porque ela tem que correr para o trabalho. O que até agora não entendo.

    Myrella olhou acusadora para a amiga e depois mexeu nos ruivos cabelos antes de responder com a voz mais controlada. Por algum motivo, o homem pensou que aquele era um tema delicado para ela.

    É coisa minha, Sophs. Não gosto de gastar o dinheiro da família se não for realmente necessário.

    Roupas:



    ∗∗∗


    Quando Gray falou aquilo, o homem ergueu uma sobrancelha e se ergueu, indo até a porta que trancou e olhando para ele. O homem pareceu analisa-lo por um tempo antes de dizer com calma.

    Não é comum aparecerem garous aqui, desculpe-me, mas temo que possa sim lhe auxiliar. Creio que não conheça em muitos detalhes nossas histórias, tradições e a litania.

    A voz dele era calma e tinha alguma melodia, chegava a ser estranho. Ao procurar na sala, ele não achou nada que explicasse o perfume além de um pequeno jarrinho com algumas flores, aparentemente novas apesar de ser estranho estarem vivendo naquela coisa esquisita.


    ∗∗∗


    Dana havia tido um dia até agradável na escola, com suas amigas e seguidoras. Havia tido, claro, um pouco de stress por causa de alguns erros nos passos de dança ou mesmo por causa de algumas pessoas que implicavam com ela e a irmã, mas nada que não fosse facilmente resolvido por elas. Sua irmã havia alegado apenas que era preocupação com as notas e provas, mas que tentaria não voltar a errar - e realmente os problemas haviam parado depois dela se comprometer com tal coisa! No rádio, as músicas eram variadas: jazz, blues, pop, rock, música internacional... Eram tantas opções! Também haviam estações passando noticias, caso ela quisesse ouvir alguma.

    Havia algumas lições de casa a serem feitas também, mas nada que ela não pudesse fazer em pouco tempo. Por algum motivo, a garota achava que aquela sensação não iria abandona-la tão cedo! Após um período inconstante de tempo, a jovem foi chamada pelos pais para o jantar, que era ensopado irlandês.


    ∗∗∗


    A namorada do rapaz estava bem animada naquele dia, feliz e pensativa. Havia recentemente conseguido um novo emprego e tudo corria perfeitamente bem com ela, tinha alguns colegas de trabalho que ela gostava da companhia e o chefe não era ruim. O salario poderia, é claro, ser melhor, mas pelo menos era paga em dia e dava para se manter tranquila com o dinheiro que recebia. Quando ele se afastou para ligar para a mãe, ela murmurou um "Não demore" e voltou sua atenção para o ambiente. O telefone tocou três vezes antes da mãe lhe atender.

    Lurth? Olá, pode falar.


    ∗∗∗


    Pessoas entravam e saiam do ambiente onde a Parente e o Garou estavam, fazendo uma turbulência de rostos constantemente. O som de conversas enchia o ar, tal como as risadas e a música baixa da jukebox. Mas não que aquilo atrapalhasse os dois. As amigas da garota ainda estavam por ali, conversando animadas na mesa que estavam sentadas.
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    Re: Capitulo Um - O Prelúdio da Guerra.

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