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Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

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Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Ago 15, 2017 11:18 pm


As palavras de Raven soaram para Meilanie como uma batida seca de um martelo em gelo duro. Despedaçou todas as suas esperanças e planos para aquela noite. Não que Raven estivesse se importando, mas com tristeza em seu semblante, a Sra. Delon apenas acenou afirmativamente com a cabeça e procurou pela saída do lugar. Os guardas devolveram as armas de Raven, e o assassino levou a jovem nobre até as proximidades de sua casa numa viagem rápida e silenciosa. Ele não encontrou problemas pelo caminho.

A volta para a oficina de Mattieu Croix foi mais longa e serviu para Raven pensar se o breve encontro com o conde fora de algum modo produtivo. Pelo menos agora ele já não era um rosto desconhecido na multidão. Mattieu demorou para atender a campainha, e quando o fez estava mais rabugento do que o normal.

- Raven, você sabe que horas são? - questionou ao esfregar os olhos. - Ah, você quer a seringa. Eu pensei ter dito para você passar aqui só pela manhã. Mas tudo bem, eu tenho aqui em algum lugar...

Mattieu fez Raven esperar do lado de fora por dez minutos antes de voltar trazendo uma seringa e uma agulha.

- Espero que essas coisas lhe sejam úteis. Você tá com uma cara péssima. Algo me diz que você foi se encontrar com a Sra. Delon.

Ele esperou que ela dissesse algo, especialmente sobre o que andara aprontando durante a noite toda, mas estava consciente da possibilidade dela não dizer nada ou até mesmo mentir. Era realmente tarde da noite e Raven se retirou para o seu refúgio. O dia seguinte prometia.


A estação caspiana de trem estava lotada e barulhenta. Dali havia trens que levavam as pessoas para todas as partes do continente, desde os charcos nublados de Ord até o império agressivo de Khador. O trem que Raven buscava era um que a levaria para Ellsport, e ela o encontrou. Uma locomotiva escura como piche e que possuía poucos vagões, afim de diminuir o peso e acelerar a viagem.

A plataforma que dava para esse trem estava um pouco menos cheia do que as outras. Com os seus olhos aguçados, ela observava de longa o local antes de se aproximar. Não demorou muito para avistar o conde e o grupo de seguranças que o cercava. Mas havia uma novidade naquele grupo: Gregory Belgarten estava acompanhado de um gigante-de-aço robusto movido a carvão.


Rosenrot
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Rosenrot em Qui Ago 24, 2017 10:34 am




Raven estava diferente, quando retornou à entrada para recuperar suas armas: a graça inicial com o segurança não se estendeu, ali ela apenas recuperou o que lhe pertencia, deu o braço para Delon - eram pequenos detalhes que sabia como acrescentar - não custava nada manter Delon envolta em seus pequenos devaneios, e então partiu.

Não disse uma palavra sequer pelo caminho, ao menos nada que pudesse ser considerado uma conversa, às vezes Raven olhava para cima, observando o céu afim de encontrar estrelas, às vezes ela murmurava como quem deixa os pensamentos escaparem pela boca, mas não falava coisa com coisa ou algo que fizesse sentido prévio para a jovem agarrada em seu braço. No final das contas, sua mente era o olho de um furacão, que lhe consumia a sanidade pouco a pouco.

Deixou a jovem Delon em casa e aguardou até que a aristocrata entrasse nos domínios da segurança que o dinheiro dos seus pais podiam prover a ela. Observou, lá fora, até que a jovem estivesse atrás das portas do casarão e então deu as costas àquele lugar, Raven não tinha traços de romantismo em sua personalidade, mas por um leve instante suas ideias giraram em torno da possibilidade de nunca mais ver qualquer coisa daquelas: Delon, a casa, a rua e o céu. Afinal de contas, com a vida que levava, eventualmente alguém teria a lamina ou o gatilho mais rápido que o seu, porque o Tempo era traiçoeiro e ele cobrava suas dividas.

Ela caminhou sem pressa, pelas ruas da cidade, as mãos atrás das costas, o olhar às vezes perdido na movimentação noturna que acontecia, mas sentia-se distante e deslocada, como se alguma peça não se encaixasse em todo aquele quadro, Raven sempre fora bastante simplicista em suas concepções, ela não guardava muitas memórias além das que julgava necessária e seu passado continuava a ser uma neblina numa noite escura, já que em muitos níveis, sua mente se recusava a lembrar-se de quem ela tinha sido antes de ser Raven. Não podia dizer se aquilo era uma bênção ou uma maldição, mas podia afirmar que era um fardo.

Quando bateu à porta do velho - sua segunda e última parada naquela noite - ela o encarou com seus olhos escuros e inexpressivos e não se importou em tecer uma resposta a sua pergunta. Achava aquele tipo de interação tão desnecessário e desinteressante que não conseguia enquadrar-se nele, era como uma falha em seu próprio modo de ser. Aguardou em silêncio do lado de fora, novamente por puro instinto erguendo o olhar para o céu e observando as nuvens e as estrelas, baixou a cabeça apenas quando o velho retornou e diante de suas afirmativas, Raven esboçou um leve sorriso no canto dos lábios.

- Ela pode ser útil, um dia. - Foi o que lhe disse, no fundo era apenas parte do que achava sobre Delon e seu fascínio no que Raven era, Delon poderia ser uma peça importante no seu Tempo, mas Raven não sabia exatamente como lidar com a moça e suas paixões romancistas, já que diferente de Delon, não se via enroscada em tramites de relacionamentos que não fossem interpessoais. Não criava laços desnecessários, não tinha interesse nessas experiências. Raven andava sozinha e sozinha deveria viver. - Boa noite Mattieu, espero que nos vejamos em breve. - Ela curvou-se levemente numa falsa e jocosa reverencia, antes de dar as costas ao homem e voltar a caminhar. Guardará os itens recebidos dentro dos bolsos das roupas e rumou para o único lugar em que se sentia completamente sã.

[...]

Raven ergueu o torço como um afogado saindo da água, tinha os olhos tão arregalados que podia jurar que suas orbitas iam estourar e cair em suas mãos; mãos essas que usava para se apoiar e a outra estava em cima de uma de suas muitas cicatrizes, como se cobrisse um ferimento que não estava mais lá.

Ela se levantou e caminhou até a janela, puxando de leve as cortinas que a cobriam; tinha dormido o que? Duas? Três horas talvez. Suas mãos tremiam como as mãos de um viciado em abstinência. Passou as mãos no rosto, observando o interior do cômodo: não havia decoração ou qualquer toque pessoal que desse a impressão de que aquilo era um lar; não fixava residência, não se prendia.

Havia algo naquele sonho em particular que lhe perturbava: a sensação de familiaridade. Aquela sensação de que já estivera lá, mas não se lembrava onde "lá" era. E acrescentava mais uma gota em um copo transbordante de dúvidas.

Retornou ao amontoado de tecidos que chamava de 'cama', o sono viria, ela sabia, precisava apenas esperar. Porque o Tempo era tudo.

Não houve mais sonhos e quando se levantou muito antes do sol, Raven vestiu-se com vagareza e cautela, lembrando de puxar o ar para dentro da seringa armada e guardá-la dentro da bota. Então rumou para a estação.

Lá, como um rato esgueirando-se pelos esgotos, observou o local e as pessoas, até identificar e localizar o que realmente lhe interessava.

Quando avistou o Conde e notou a pequena mudança de "cenário", Raven respirou fundo, mas não se deteve em seguir na direção do vagão, ao que tinha planejado, não acreditava que o constructo pudesse ser um grande empecilho, mas deveria manter essa informação em mente. Ela puxou o capuz para cima da cabeça, preferia não ser vista, ao menos, não por enquanto.

O Tempo tinha começado a correr. Agora era fazer ou morrer.


Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Set 11, 2017 11:25 pm


O conde e sua trupe foram os primeiros a embarcar, num dos vagões da frente. Raven percebeu que o vagão inteiro havia sido reservado para Gregory Belgarten e seus seguranças, além do gigante-de-aço cujo propósito dele estar ali era uma incógnita para ela. Apesar de imponente o construto parecia possuir feições quase humanas. Ao aproximar-se da plataforma, Raven teve que encarar uma pequena fila de embarque. Seu bilhete, obtido graças a Mattieu, era destinado ao quinto vagão da locomotiva. Ela estava, portanto, a três vagões de distância de seu alvo.

Apesar de fazer muito tempo que Raven não andava de trem, ela não estranhou nenhum pouco o seu interior. Os vagões eram divididos em pequenas cabines para dois a quatro passageiros, e Raven teve que dividir a sua cabine com uma família de anões da distante Rhul. Era um casal e um filho, e não levou muito tempo para ela descobrir que eles estavam aproveitando suas férias para conhecer as "cidades dos humanos". Não havia nada de anormal neles, além da aparente péssima necessidade de querer compartilhar as impressões de sua monótona viagem com Raven. Eram criaturas contraditórias, os anões. Eles eram capazes de se manter fechados num casulo tanto quanto se abrir para um misterioso desconhecido. A assassina, contudo, não estava lá para ouvir suas histórias.

Raven reparou em duas coisas: ninguém a impediu de entrar com as suas armas; e havia apenas um segurança em cada extremidade do vagão. Os homens armados estavam ali para, além de evitar quaisquer problemas, cuidar para que ninguém fosse de um vagão para outro o qual não tinha direito. Mas não havia problema caminhar por entre as cabines, e em cada cabine havia uma janela.

A locomotiva logo se deu a soltar os seus sonoros apitos, indicando que estava de partida. Raven não se recorda da última vez em que esteve fora de Caspia; ela passara quase toda a sua vida vivendo nas ruas da metrópole, que de tão grande, fornecia tudo o que ela precisava. Certamente a última vez em que esteve para viajar foi para também realizar algum trabalho, como aquele que estava prestes a fazer. O trem começou a se mover sobre os trilhos, e a medida que foi ganhando velocidade, a estação e a cidade foi ficando cada vez mais longe, até que o trem virou uma curva e elas sumiram de vez. Não era uma viagem longa até Ellsporth, Raven sabia, e se ela quisesse terminar o serviço antes de chegarem em seu destino, ela precisaria agir rapidamente. Em meio aos seus devaneios, a voz do anão pai se fez ouvida quando ele lhe fez uma pergunta:

- O senhor 'tá bem? Você quase não disse nada desde que entrou na cabine.

Ela percebeu que os três anões a estavam encarando, com olhares que expressavam uma mistura de apreensão e dúvida. O filho, de fato, parecia estar com medo com as esquisitices da assassina.

- Cê tá com fome? Quer algo para comer? Eu tenho ração de viagem comigo - insistiu uma vez mais o pai.


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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Rosenrot em Qua Out 04, 2017 4:00 pm




"But I won't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive"
Ordinary World,
Duran Duran




Eu tento evitar olhar para mim todos os dias. Não aquela aparência vista do espelho, o que tento fazer a cada segundo, a cada badalada inacabável do Tempo é não enxergar o que está aqui, dentro do que sou, do que fui. Vejo as pessoas, sinto seus corações, seus cheiros. A vida. E então, sinto nada.

Andei, passo após passo entre a multidão, mas meu olhar é vazio e minha existência é parca, não faço parte disso, nunca fiz. E é quando as feras despertam selvagens e sedentas. Minha mente entra em torpor e meus sentidos são tudo o que restam. Então, como clarões elas vem: nunca se afogaram, sobreviveram, livres e soltas, inibidas, limitadas até que tudo seja destruído. E é com elas - as memórias - que tenho certeza que estive num trem antes e antes.

Os corredores transformaram-se e moldaram-se, mas bastava apenas um piscar para trazer minhas feras para o agora; tínhamos um trabalho a fazer, poderíamos enlouquecer mais tarde. As pessoa comigo falam, mas a verdade é que não as escuto. Estava pensando; era um trabalhinho de merda, não era? O contratante sequer teve a decência de facilitar a entrada, de subornar os guardas. Valia a pena? Questionava-me num momento. Arriscar-se tanto para matar a porcaria de um gordo nobre? Não tinha a menor intenção de morrer por conta de um sujeito como aquele.

Morrer não me incomodava.

Morrer por nada era inadmissível.


Mas então sou puxada de volta por uma voz, arqueio levemente uma sobrancelha quando meu olhar paira pelo trio que volta-se a mim. Há um misto, entende? De tantos sentimentos e sensações.

- Há algum modo de entrar em contato com um passageiro de outro vagão?

Ignorei sobre a comida. Minha fome não é saciada, minha fome não tem fim.
Elminster Aumar
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Elminster Aumar em Sab Out 07, 2017 10:25 am


Era estranho para Raven estar num vagão de trem, compartilhando uma cabine com pessoas absolutamente normais e tediosas a não ser pelo fato deles serem anões. Ela se sentia como um corvo fora do ninho, mas com a vontade de encontrar uma carniça para beliscar, e por isso perguntou para eles como fazia para entrar em contato com um passageiro de outro vagão.

O anão pai pareceu pensar no assunto por trás de sua espessa barba.

- Hm... não conheço muito bem os seus costumes... - começou o anão, indeciso. - Por que 'cê não chama o guarda e pergunta para ele? Eu os vi, tem dois guardas, um no inicio do corredor e outro no fim dele.

Raven ainda percebia o olhar inconveniente do anão filho sobre ela. O garoto - se é que podia chamar um anão assim - chegou até mesmo a puxar a manga da roupa da sua mãe para comentar algo que ele achou provavelmente achara esquisito no Raven. O pai não compartilhava nem estava atento aos medos de seu filho, e, em tom de brincadeira, comentou:

- Veja bem, na pior das hipóteses 'cê pode subir em cima do trem pela janela e pular para o outro vagão - e ele riu em seguida, obviamente achando aquela situação um absurdo.

As opções de Raven não eram muitas. Era verdade que ela teve poucas informações e pouca ajuda para fazer aquela tarefa. Não era de se estranhar que nenhum outro assassino tivesse aceitado o trabalhou. Ela pretendia matar um dos homens mais importantes de Caspia e nem mesmo sabia direito os motivos disso ou quem era o contratante. Era um trabalho de mercenário. Valia apenas pela alta quantia de ouro que ela receberia, cuja quantia era de cinco mil coroas de ouro, segundo Mattieu. Contudo Raven não viu nem mesmo o brilho de uma única dessas moedas. A seringa e a passagem no trem foram as únicas ajudas que recebeu. Nenhuma dica de como executar o trabalho. Era ela por ela. A impressão que passava era que o próprio Mattieu não acreditava muito no sucesso daquela missão, e que talvez por isso ele tenha evitado falar os nomes das pessoas que queriam o conde morto.

Raven precisava agir. A orientação era para assassiná-lo enquanto o trem estivesse viajando e que se parecesse com um acidente. Essa segunda parte seria a mais difícil, ela sabia disso. Pela janela, mencionada pelo anão pai, Raven avistava campos cobertos por uma vegetação alta e algumas fazendas ao horizonte.

 

Rosenrot
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Rosenrot em Seg Nov 06, 2017 10:55 pm

Seus olhos voltaram para as janelas, para a paisagem que passava correndo por ali. Ela não sabia exatamente o que buscava olhar - a verdade é que não buscava por coisa alguma -, mas seu olhar era constantemente atraído de volta para lá. Era difícil afirmar que Raven estava ouvindo alguma coisa do que aquelas pessoas falavam. Ela mordeu os lábios, tão forte que quase os rasgou, mas cessou a pressão antes que isso acontecesse, seu olhar negro e vazio retornou ao trio inusitado à sua frente e ela respirou fundo.

Tempo.

Raven ergueu a mão, fechando os dedos, deixando apenas o indicador levantado e os levou aos lábios, fazendo um sinal de quem pede silêncio, houve um instante, um breve e intocado instante em que ela quase sorriu. "Vai ser nosso segredinho", ela sussurrou, antes de voltar-se para a janela, apoiando uma das mãos no banco em que sentava, girou no seu próprio eixo, os pés unidos.

Uma.

Duas.

Três vezes, ela chutou, até achar que a janela tinha cedido espaço suficiente para que ela pudesse passar. Ela baixou os pés e não deu atenção a sua plateia inicialmente, moveu o corpo na direção da janela, e estava prestes a tentar começar a passar por ela, mas então olhou os anões.

- É uma coisa assustadora, não é?" - Raven falou. - Amar algo que a morte pode tocar.

Ela não tinha tanta certeza de onde vinha aquele pensamento, mas ele chegou, como muitos e muitos outros chegavam num infinito fluxo incontrolável. Enfiou o torso para fora da janela buscando onde segurar e puxar o resto do corpo para fora. E havia aquela sensação inicial, aquela... Premeditação, um quase êxtase. Não conseguia definir bem, mas agora empurrava tudo para longe, agora ela precisava se focar ali, no que fazia. No Tempo que corria. E o Tempo não era seu aliado naquele momento.
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Elminster Aumar em Qui Nov 09, 2017 10:42 pm


Os olhares dos três anões acompanharam a trajetória do dedo indicador de Raven em direção aos seus lábios, como quem pedisse silêncio. E os anões atenderam o seu pedido. Eles pareciam hipnotizados de temor. Quando ela falou, o anão pai, que antes tentou passar uma impressão de quem estava no controle da situação, agora engoliu em seco sem acreditar no que estava acontecendo. A assassina lhes deu às costas, e com os pés, chutou a janela até que ela se abrisse o suficiente.

Virando-se uma última vez em direção aos anões, Raven disse uma última frase enigmática antes de pular para o lado de fora da janela. O mais jovem dos anões chegou a soltar um grito de espanto, mas o seu grito foi logo sufocado pelo barulho do vento que agora atingia o rosto da assassina. O trem estava em alta velocidade e Raven precisava fazer força para se segurar onde podia. Um vacilo e ela seria arremessada no chão a uma velocidade e força assombrosas. Mas ela era perita no que fazia, afinal ninguém conquista a fama que tem sem algum mérito. Apoiando suas mãos no teto do vagão, ela impulsionou seu corpo com toda a força que tinha e se ergueu de pé sobre o trem, gastando algum tempo para conseguir se equilibrar com as fortes rajadas de vento que a golpeavam.

A vista dali de cima, ao menos, era bonita.

Raven avançou com cautela, mas foi ganhando confiança a medida que conseguia se manter de pé, e quando já se aproximava da beirada do vagão, ela correu os últimos passos e saltou para o próximo vagão. Sem perder as contas de quantos vagões ela teria que pular, Raven foi saltando de um para o outro, até chegar ao vagão que transportava o conde. A assassina conseguia ouvir a voz do Sr. Belgarten, o que possivelmente indicava que ele estava próximo de alguma das janelas abertas.

- [...] não vejo a hora de me encontrar com a minha filha - dizia o conde a quem quer que fossem os seus ouvintes. - Eu sei o quanto ela ficará feliz com a minha nomeação. Além do mais, ela tem muito a me contar também sobre a sua estadia em Vicari. Espero que o guarda-costas tenha feito bem o seu papel.

O Tempo que Raven tanto perseguia chegou. Era hora de agir.



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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Rosenrot em Sex Nov 17, 2017 12:14 am

Raven esperava que os anões não fossem fazer alarde, não tinha tantas certezas se sua leve ameaça seria suficiente para mantê-los na dele, mas esperava que sim. O vento ali incomodava e a impedia de pensar com clareza, já que o próprio barulho lhe era incomodo, mas tinha aquela coisa: aquela força interior que forçava sua cabeça a voltar quantas vezes fosse necessário. A fome não era grande e o Tempo não era seu amigo.

Ela parou, por um micro segundo para observar a vista, havia algo naquilo que lhe trazia algum conforto: se morresse ao menos não seria em um beco escuro e sujo. Mas morrer para ela não era uma opção, ao menos não enquanto pudesse evitar. Raven ficou um momento ali, após os saltos, após todo o trajeto até o vagão em que o sujeito estava, não para escutar a conversa dele ou para qualquer outra coisa nesse sentido, ela ficou ali porque era um momento dela.

Então O Corvo se moveu, como uma dança, a coisa toda parecia acontecer em câmera lenta. Como uma dança, ela seguiu. Raven se posicionou da melhor maneira possível: era como se visualizasse o que pretendia muito antes de fazê-lo. Ela se apoiou com as duas mãos e usou as pernas como o maior impulso para romper a força da janela e abri-la de uma vez e foi assim que fez.

Raven sentiu o corpo cortar o vento, sentiu o impacto dos pés na janela e logo depois no chão, ela se levantou num segundo, após saltar e 'cair' de pé como um felino, se levantou erguendo as mãos como quem se entrega por um crime que sequer cometeu - ainda - seu capuz estava abaixado e o cabelo negro trançado jogado no ombro esquerdo: seu sobretudo estava fechando, ela correu o olhar muito rápido pelo ambiente antes de focar-se em quem realmente interessava.

Sorriu, de canto, um sorriso curto e cheio de intenções - não as quais imaginaria o homem, achava. - Difícil de alcançar, você. - Raven falou, lambeu os lábios. - Vai me revistar? - Completou, ainda sorrindo.
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Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

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Data/hora atual: Qua Nov 22, 2017 9:20 am