Um fórum de RPG online no formato de PBF (Play by Forum).


  • Responder ao tópico

Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Compartilhe
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 7753
Reputação : 24
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Ago 15, 2017 11:18 pm


As palavras de Raven soaram para Meilanie como uma batida seca de um martelo em gelo duro. Despedaçou todas as suas esperanças e planos para aquela noite. Não que Raven estivesse se importando, mas com tristeza em seu semblante, a Sra. Delon apenas acenou afirmativamente com a cabeça e procurou pela saída do lugar. Os guardas devolveram as armas de Raven, e o assassino levou a jovem nobre até as proximidades de sua casa numa viagem rápida e silenciosa. Ele não encontrou problemas pelo caminho.

A volta para a oficina de Mattieu Croix foi mais longa e serviu para Raven pensar se o breve encontro com o conde fora de algum modo produtivo. Pelo menos agora ele já não era um rosto desconhecido na multidão. Mattieu demorou para atender a campainha, e quando o fez estava mais rabugento do que o normal.

- Raven, você sabe que horas são? - questionou ao esfregar os olhos. - Ah, você quer a seringa. Eu pensei ter dito para você passar aqui só pela manhã. Mas tudo bem, eu tenho aqui em algum lugar...

Mattieu fez Raven esperar do lado de fora por dez minutos antes de voltar trazendo uma seringa e uma agulha.

- Espero que essas coisas lhe sejam úteis. Você tá com uma cara péssima. Algo me diz que você foi se encontrar com a Sra. Delon.

Ele esperou que ela dissesse algo, especialmente sobre o que andara aprontando durante a noite toda, mas estava consciente da possibilidade dela não dizer nada ou até mesmo mentir. Era realmente tarde da noite e Raven se retirou para o seu refúgio. O dia seguinte prometia.


A estação caspiana de trem estava lotada e barulhenta. Dali havia trens que levavam as pessoas para todas as partes do continente, desde os charcos nublados de Ord até o império agressivo de Khador. O trem que Raven buscava era um que a levaria para Ellsport, e ela o encontrou. Uma locomotiva escura como piche e que possuía poucos vagões, afim de diminuir o peso e acelerar a viagem.

A plataforma que dava para esse trem estava um pouco menos cheia do que as outras. Com os seus olhos aguçados, ela observava de longa o local antes de se aproximar. Não demorou muito para avistar o conde e o grupo de seguranças que o cercava. Mas havia uma novidade naquele grupo: Gregory Belgarten estava acompanhado de um gigante-de-aço robusto movido a carvão.


Rosenrot
Tecnocrata
avatar
Tecnocrata

Mensagens : 391
Reputação : 35

Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Rosenrot em Qui Ago 24, 2017 10:34 am




Raven estava diferente, quando retornou à entrada para recuperar suas armas: a graça inicial com o segurança não se estendeu, ali ela apenas recuperou o que lhe pertencia, deu o braço para Delon - eram pequenos detalhes que sabia como acrescentar - não custava nada manter Delon envolta em seus pequenos devaneios, e então partiu.

Não disse uma palavra sequer pelo caminho, ao menos nada que pudesse ser considerado uma conversa, às vezes Raven olhava para cima, observando o céu afim de encontrar estrelas, às vezes ela murmurava como quem deixa os pensamentos escaparem pela boca, mas não falava coisa com coisa ou algo que fizesse sentido prévio para a jovem agarrada em seu braço. No final das contas, sua mente era o olho de um furacão, que lhe consumia a sanidade pouco a pouco.

Deixou a jovem Delon em casa e aguardou até que a aristocrata entrasse nos domínios da segurança que o dinheiro dos seus pais podiam prover a ela. Observou, lá fora, até que a jovem estivesse atrás das portas do casarão e então deu as costas àquele lugar, Raven não tinha traços de romantismo em sua personalidade, mas por um leve instante suas ideias giraram em torno da possibilidade de nunca mais ver qualquer coisa daquelas: Delon, a casa, a rua e o céu. Afinal de contas, com a vida que levava, eventualmente alguém teria a lamina ou o gatilho mais rápido que o seu, porque o Tempo era traiçoeiro e ele cobrava suas dividas.

Ela caminhou sem pressa, pelas ruas da cidade, as mãos atrás das costas, o olhar às vezes perdido na movimentação noturna que acontecia, mas sentia-se distante e deslocada, como se alguma peça não se encaixasse em todo aquele quadro, Raven sempre fora bastante simplicista em suas concepções, ela não guardava muitas memórias além das que julgava necessária e seu passado continuava a ser uma neblina numa noite escura, já que em muitos níveis, sua mente se recusava a lembrar-se de quem ela tinha sido antes de ser Raven. Não podia dizer se aquilo era uma bênção ou uma maldição, mas podia afirmar que era um fardo.

Quando bateu à porta do velho - sua segunda e última parada naquela noite - ela o encarou com seus olhos escuros e inexpressivos e não se importou em tecer uma resposta a sua pergunta. Achava aquele tipo de interação tão desnecessário e desinteressante que não conseguia enquadrar-se nele, era como uma falha em seu próprio modo de ser. Aguardou em silêncio do lado de fora, novamente por puro instinto erguendo o olhar para o céu e observando as nuvens e as estrelas, baixou a cabeça apenas quando o velho retornou e diante de suas afirmativas, Raven esboçou um leve sorriso no canto dos lábios.

- Ela pode ser útil, um dia. - Foi o que lhe disse, no fundo era apenas parte do que achava sobre Delon e seu fascínio no que Raven era, Delon poderia ser uma peça importante no seu Tempo, mas Raven não sabia exatamente como lidar com a moça e suas paixões romancistas, já que diferente de Delon, não se via enroscada em tramites de relacionamentos que não fossem interpessoais. Não criava laços desnecessários, não tinha interesse nessas experiências. Raven andava sozinha e sozinha deveria viver. - Boa noite Mattieu, espero que nos vejamos em breve. - Ela curvou-se levemente numa falsa e jocosa reverencia, antes de dar as costas ao homem e voltar a caminhar. Guardará os itens recebidos dentro dos bolsos das roupas e rumou para o único lugar em que se sentia completamente sã.

[...]

Raven ergueu o torço como um afogado saindo da água, tinha os olhos tão arregalados que podia jurar que suas orbitas iam estourar e cair em suas mãos; mãos essas que usava para se apoiar e a outra estava em cima de uma de suas muitas cicatrizes, como se cobrisse um ferimento que não estava mais lá.

Ela se levantou e caminhou até a janela, puxando de leve as cortinas que a cobriam; tinha dormido o que? Duas? Três horas talvez. Suas mãos tremiam como as mãos de um viciado em abstinência. Passou as mãos no rosto, observando o interior do cômodo: não havia decoração ou qualquer toque pessoal que desse a impressão de que aquilo era um lar; não fixava residência, não se prendia.

Havia algo naquele sonho em particular que lhe perturbava: a sensação de familiaridade. Aquela sensação de que já estivera lá, mas não se lembrava onde "lá" era. E acrescentava mais uma gota em um copo transbordante de dúvidas.

Retornou ao amontoado de tecidos que chamava de 'cama', o sono viria, ela sabia, precisava apenas esperar. Porque o Tempo era tudo.

Não houve mais sonhos e quando se levantou muito antes do sol, Raven vestiu-se com vagareza e cautela, lembrando de puxar o ar para dentro da seringa armada e guardá-la dentro da bota. Então rumou para a estação.

Lá, como um rato esgueirando-se pelos esgotos, observou o local e as pessoas, até identificar e localizar o que realmente lhe interessava.

Quando avistou o Conde e notou a pequena mudança de "cenário", Raven respirou fundo, mas não se deteve em seguir na direção do vagão, ao que tinha planejado, não acreditava que o constructo pudesse ser um grande empecilho, mas deveria manter essa informação em mente. Ela puxou o capuz para cima da cabeça, preferia não ser vista, ao menos, não por enquanto.

O Tempo tinha começado a correr. Agora era fazer ou morrer.


Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 7753
Reputação : 24
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Set 11, 2017 11:25 pm


O conde e sua trupe foram os primeiros a embarcar, num dos vagões da frente. Raven percebeu que o vagão inteiro havia sido reservado para Gregory Belgarten e seus seguranças, além do gigante-de-aço cujo propósito dele estar ali era uma incógnita para ela. Apesar de imponente o construto parecia possuir feições quase humanas. Ao aproximar-se da plataforma, Raven teve que encarar uma pequena fila de embarque. Seu bilhete, obtido graças a Mattieu, era destinado ao quinto vagão da locomotiva. Ela estava, portanto, a três vagões de distância de seu alvo.

Apesar de fazer muito tempo que Raven não andava de trem, ela não estranhou nenhum pouco o seu interior. Os vagões eram divididos em pequenas cabines para dois a quatro passageiros, e Raven teve que dividir a sua cabine com uma família de anões da distante Rhul. Era um casal e um filho, e não levou muito tempo para ela descobrir que eles estavam aproveitando suas férias para conhecer as "cidades dos humanos". Não havia nada de anormal neles, além da aparente péssima necessidade de querer compartilhar as impressões de sua monótona viagem com Raven. Eram criaturas contraditórias, os anões. Eles eram capazes de se manter fechados num casulo tanto quanto se abrir para um misterioso desconhecido. A assassina, contudo, não estava lá para ouvir suas histórias.

Raven reparou em duas coisas: ninguém a impediu de entrar com as suas armas; e havia apenas um segurança em cada extremidade do vagão. Os homens armados estavam ali para, além de evitar quaisquer problemas, cuidar para que ninguém fosse de um vagão para outro o qual não tinha direito. Mas não havia problema caminhar por entre as cabines, e em cada cabine havia uma janela.

A locomotiva logo se deu a soltar os seus sonoros apitos, indicando que estava de partida. Raven não se recorda da última vez em que esteve fora de Caspia; ela passara quase toda a sua vida vivendo nas ruas da metrópole, que de tão grande, fornecia tudo o que ela precisava. Certamente a última vez em que esteve para viajar foi para também realizar algum trabalho, como aquele que estava prestes a fazer. O trem começou a se mover sobre os trilhos, e a medida que foi ganhando velocidade, a estação e a cidade foi ficando cada vez mais longe, até que o trem virou uma curva e elas sumiram de vez. Não era uma viagem longa até Ellsporth, Raven sabia, e se ela quisesse terminar o serviço antes de chegarem em seu destino, ela precisaria agir rapidamente. Em meio aos seus devaneios, a voz do anão pai se fez ouvida quando ele lhe fez uma pergunta:

- O senhor 'tá bem? Você quase não disse nada desde que entrou na cabine.

Ela percebeu que os três anões a estavam encarando, com olhares que expressavam uma mistura de apreensão e dúvida. O filho, de fato, parecia estar com medo com as esquisitices da assassina.

- Cê tá com fome? Quer algo para comer? Eu tenho ração de viagem comigo - insistiu uma vez mais o pai.


Conteúdo patrocinado


Re: Prólogo: Noite Sangrenta sobre os Trilhos

Mensagem por Conteúdo patrocinado

  • Responder ao tópico

Data/hora atual: Qui Set 21, 2017 2:32 pm