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Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

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Elminster Aumar
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Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Maio 15, 2017 9:26 pm



Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade


A temporada em alto mar havia cessado e os homens da tripulação da Mão Negra encontravam-se se divertindo numa das tavernas mais populares de Cinco Dedos.

O prédio de três andares - uma antiga fortaleza construída pelos orgoth séculos atrás e tomada pelos humanos - agora é palco de espetáculos artísticos, prostituição e comida excelente. Chamam a esse lugar de a Pousada do Afogado, e é onde Julian Macbeth se encontra no momento, sentado numa das mesas do último andar, tendo para si boa parte da visão da Ilha do Capitão. Ao longe, no porto, ele podia ouvir os gigantes-de-trabalho descarregando cargas pesadas dos navios ancorados.

Fazia alguns dias que o Capitão Black havia ordenado a parada em Cinco Dedos, um dos maiores refúgios de piratas e contrabandistas de todos os reinos, e desde então os seus marujos pouco o viram. Capitão Black não se encontrava na Pousada do Afogado, assim como ninguém o vira na Vela Alta, Moeda do Corsário ou Roda de Platina, salões de jogos de bastante prestígio na cidade. Em outras palavras, ninguém sabia sobre os planos de Black e por quanto tempo mais eles iriam ficar estacionados naquele lugar. Isso estava longe de ser um problema. Cinco Dedos era um oceano de diversões, e contanto que sua algibeira ainda tivesse alguma coroa de ouro, seria difícil de se enjoar dos prazeres que eram facilmente encontrados ali.

Julian Macbeth tinha a companhia de dois tripulantes do Mão Negra, Hyma e Dyke. Entre um copo de bebida e outro, os três assistiam mulheres humanas semi-nuas dançando no centro do salão. Hyma não conseguia esconder a sua excitação, chegando a ficar de boca aberta diante daquela apresentação maravilhosa. Dyke, por sua vez, estava com uma cara de tédio. Apesar de participarem da mesma tripulação, Julian sentia que não os conhecia tão bem. Ele sabia que ambos eram amigos e gostavam de fazer apostas um com o outro, além de serem excelentes jogadores de dados, mas era praticamente só. Os piratas não costumavam trocar muitas confidências entre si.

Quando acabou a apresentação das mulheres, Hyma logo tratou de chamar uma das dançarinas à mesa. A mulher, de rosto redondo com sardas nas bochechas e cabelos loiros ondulados, se dirigiu até o pirata com um andar vagaroso que valorizava cada curva em seu corpo. Quando ela se aproximou, Hyma cochichou algo em seu ouvido e tirou uma coroa de ouro e beijou a face da moeda antes de depositá-la dentro da peça de roupa que sustentava seus seios. Era a única peça que ela tinha cobrindo seu torso. A mulher sentou no colo de Hyma, e o pirata sorriu para Julian e Dyke. Da parte de Dyke, o sorriso não foi compartilhado de volta. Ele resmungou algo, que não foi ouvido muito bem pelos seus companheiros, e então repetiu o seu resmungo, dessa vez em voz mais alta.

- Dez dias que estamos aqui e nada do nosso capitão dar as caras. Estou começando a ficar preocupado - disse ele, complementando em seguida: - Gilbert também desapareceu. É como se tivéssemos sido abandonados à nossa própria sorte.

Hyma não levou a sério as preocupações de seu amigo.

- Eles vão aparecer no momento certo. - afirmou ele de forma categórica, se virando para a mulher sentada em seu colo e lhe beijando. - Nós só temos que curtir esse lugar e esperar. Não há mais nada a fazer. E, meu caro companheiro, se depender de sorte, você está salvo. Nós dois sabemos que sorte é o seu forte no jogo dos dados - fez a brincadeira Hyma, rindo sozinho dela.

Dyke deu um tapa na caneca de sua cerveja, fazendo-a rolar pela mesa até cair da borda e se espatifar no chão. O salão estava lotado de pessoas e o barulho não foi o suficiente para chamar a atenção de quem quer que fosse. Dyke levantou-se da mesa e ignorando a cara de surpresa de Hyma, virou-se para Julian Macbeth e disse:

- Eu irei atrás do capitão. Você vem comigo?


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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Convidado em Ter Maio 16, 2017 1:14 pm


Trilha sonora:


Julian estava cansado das viagens, todos estavam... Por mais que sair por aí, arrumar brigas, confusão, matar idiotas capachos de um sistema falho e saquear tudo o que esses mesmos idiotas dão com o sangue para serem tirado deles futuramente pelas mãos que eles acham que os protegem fosse divertido, ainda era trabalho e como todo trabalho, tinha de ter o seu dia de repouso espiritual, gastando dinheiro com bebidas, putas, comida e jogos! Claro que Julian achava que no final das contas podiam começar a investir melhor a pilhagem, mas agora vai dizer isso pra um bando de mentecaptos estúpidos que pensam mais com o pau e com os estômagos do que com a cabeça? Ora... No final Julian era um pouco assim também, tinha de se segurar pra não gastar todo o seu dinheiro em bobagens e até estava tendo progresso, dessa ultima pilhagem não gostou tudo em putas, comida, bebidas e jogos, gastou na verdade, a maior parte em preparativos, equipamentos que seriam úteis e aquela maravilhosa bota de mekânico com ponta do pé revestida em metal que iria ajudar ele a dar um poderoso chute. Adoraria se meter em uma briga pra poder experimentar essa belezinha na boca de um otário caído, foi pra isso que tinha comprado, era um ótimo remédio para o sono mas não para os dentes e o restante do maxilar.

Estavam na Pousada do Afogado, Julian se perguntou se o nome teria alguma história ou se foi um nome aleatório. Achava difícil... Achava de alguma forma que os nomes dados pelas pessoas tinham algum valor emocional, mesmo que eles mesmos não sacassem que estavam nomeando usando algum critério próprio. Muita gente doida que se acha sábia acham que nomes eram só palavras, mas vai tirar o nome de todas as coisas pra você ver o que acontece. Ia ser uma bagunça que só... Detestava esses babacas que não falavam coisa com coisa e ainda se achavam sábios.

Julian estava perdido em devaneios aleatórios enquanto olhava a Ilha do Capitão do terceiro andar, tendo como foco o som dos motores dos gigantes trabalhadores em algum lugar do porto e o gosto da sua segunda garrafa de Rum! Mas Julian não estava alcoolizado... Ao menos não ao ponto de sair tropeçando ou agindo fora do comum, mas ele definitivamente estava um pouco alterado em seus gestos e poderia-se perceber o efeito leve do álcool em sua voz e o forte hálito da bebida. O pirata já era bem acostumado com os efeitos do álcool e não ficava tonto facilmente. Não estava dando a minima para a dançarina à sua frente, já tinha dado uma com aquela puta ruiva antes de ir para esse lugar e estava de boa com relação a sexo por agora, apenas estava ali pra acompanhar os colegas mas e então que olhando a Ilha do Capitão e refletindo do porque a Ilha tinha esse nome se perguntou baixinho, quase em sussurrado inaudível por conta da música.

- Cadê o capitão?

Seu olhar era era perdido, focava o tudo e o nada ao mesmo tempo, mas ele não estava bêbado.

Dyke escreveu:- Dez dias que estamos aqui e nada do nosso capitão dar as caras. Estou começando a ficar preocupado - disse ele, complementando em seguida: - Gilbert também desapareceu. É como se tivéssemos sido abandonados à nossa própria sorte.

Julian então virou-se para Dyke sendo tirado de seu transe, com a voz levemente alterada, ele respondeu

- Tava pensando a mesma coisa...

Hyma escreveu:- Eles vão aparecer no momento certo. - afirmou ele de forma categórica, se virando para a mulher sentada em seu colo e lhe beijando. - Nós só temos que curtir esse lugar e esperar. Não há mais nada a fazer. E, meu caro companheiro, se depender de sorte, você está salvo. Nós dois sabemos que sorte é o seu forte no jogo dos dados - fez a brincadeira Hyma, rindo sozinho dela.

Julian responde com a voz alterada:

- Sorte? HA! Não conto com tal coisa... Depender dos outros é uma merda! Chame isso como quiser, sorte, bençãos, deuses, pra mim é tudo a mesma porcaria! Temos que fazer o nosso!

Poderia estar distorcendo as coisas ou não, independente do que fosse, Julian ainda não estava bêbado. Ele se levanta um tanto cambaleante da mesa depois que Dyke derruba a caneca, achando aquilo desnecessário, mas entendendo a raiva, ele responde o outro pirata.

Dyke escreveu:- Eu irei atrás do capitão. Você vem comigo?

- Eu vou contigo!

Sem querer, ao se virar pra sair, Julian esbarrou a mão na garrafa de Rum, que ainda tinha um pouco e a mesma se espatifou no chão sujando o mesmo de Rum.

- Merda...

Resmungou um pouco alterado, mas ainda não bêbado. Olhou ao redor e torceu pra que ninguém tivesse visto, mas mesmo que alguém tivesse visto era tudo uma questão de negar até a morte e ir embora fazendo a pessoa que viesse reclamar de louca.


Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Elminster Aumar em Sab Maio 20, 2017 10:41 am



Dyke aprovava os comentários e a vontade de Julian de ir com ele atrás do capitão, mas quem era Dyke para aprovar algo senão um varredor de convés e um lutador de espadas de qualidade duvidável? Todos sabiam que Julian encontrava-se numa posição mais privilegiada do que a maioria do restante da tripulação. Ele gozava de um certo prestígio com o Capitão Black que poucos tinham, e mesmo assim, o capitão não falara nem pra ele quais eram os seus planos em Cinco Dedos. Nunca antes a embarcação Mão Negra ficara tanto tempo encalhada num lugar como agora. Parecia lógico suspeitar que o Capitão Black estava tramando algo grande, mas o que?

- Vamos então - disse Dyke.

Ele estava tão compenetrado em sair daquele lugar que nem notou que a garrafa de Rum derrubada por Julian também o atingira. Ninguém no salão todo, tampouco, se importou com aquilo. Dyke e Julian tinham que se espremer entre os corpos das pessoas para alcançar as escadas que levavam até o térreo. Durante o trajeto, muitas mulheres se ofereceram aos dois, especialmente à Julian, que parecia ter uma situação financeira melhor que a de seu amigo.

Finalmente os dois conseguem sair da Pousada do Afogado, encontrando-se agora nas ruas movimentadas do Distrito Esmeralda. Eles olharam à sua volta atentamente, procurando possíveis lugares em que pudesse estar o Capitão Black. O que mais tinha na região toda era salões de jogos, bordéis e tavernas, muitos dos quais já foram averiguados a não presença do capitão. Dando uma segunda espiada aos arredores, Dyke aponta para o topo de uma construção robusta a algumas quadras de distância.

- Me disseram que aquela é a fortaleza do grão capitão Hurley - disse Dyke, parando para admirar a imponente construção de pedras. Julian sabia que Cinco Dedos era chefiada por quatro grão capitães, todos extremamente influentes na região e donos de diversos cartéis, gangues e organizações aliadas. Eram figuras pouco vistas na cidade, mas muito comentadas. Uma ideia passava pela cabeça de Dyke naquele momento. - Será possível que o nosso capitão esteja lá dentro?

Enquanto os dois se perguntavam se seria possível entrar naquele lugar, eles caminhavam em direção à fortaleza pelo simples motivo de não ter nenhum outro destino em mente. Quando chegavam perto do local, eles foram interpelados por uma criatura pequena e de voz fina. Tratava-se de um gobber. Naquela cidade haviam muitos deles. Seu tom de pele variava de um verde escuro e um cinza claro, mas só era possível ver sua pele pela sua cabeça, pois todo o resto de seu corpo franzino estava coberto por roupas, botas e luvas.

- Hey, senhores da sarjeta. Digam o que procuram e o rato vai fornecer. O que desejam? Itens proibidos? Mulheres de raças exóticas? Contratos de trabalho alternativos? É só falar o que e o rato arranja. Sinto que procuram por algo, é só falar, andem, andem, não se acanhem. O rato manda nessa parte da cidade.

 


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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Convidado em Qua Maio 24, 2017 12:35 am



Mesmo que Julian fosse um dos tripulantes mais chegados do Capitão ele ainda não tratava os outros piratas como inferiores e sim como iguais, embora soubesse que as vezes tinha que mostrar que existia uma força de voz um pouco diferente quando o desafio batia a porta, os homens nunca vão te respeitar se você não provar que pode impor esse respeito quando preciso. Admiração era bom, mas o temor fazia parte do caos.

Assim como Dyke, Julian se questionava o que o capitão estava fazendo, Gilbert certamente sabia pois também tinha desaparecido e Julian tentava se recordar se mais algum tripulante além de Gilbert estava nas sombras assim como o capitão estava nesses dias mas não adiantava ficar especulando demais sem muitas evidencias, era hora mesmo de parar de se perguntar e procurar as respostas.

Eles passavam por entre as pessoas com os corpos espremidos, gente suada e suja, cheiro de sexo, bebida e comida gordurosa em todo o ambiente, era nojento mas era esse mundo que podia chamar de casa e claro... Julian conhecia bem seus colegas de profissão e muitas vezes concorrentes e por isso ele tomava cuidado com seus bolsos que teria sua mão cortada e procurasse só mexer os dedinhos para pegar uma moeda se quer do pirata.

Durante o caminho haviam também as putas que se aproximavam e se engraçavam, mas Julian já estava saciado então só ignorou as mulheres e continuou seu rumo.

Eles já estavam do lado de fora e Julian sentia o frescor do ambiente, não que fosse de fato fresco, mas qualquer local aberto era mais fresco que o interior da Pousada do Afogado. Os piratas passaram por vários lugares, mais do mesmo na velha Cinco Dedos, mas mais do mesmo que nunca cansava... Era quase como um tour de férias, só que não era um tour, muito menos férias... Mas poderia vir a se tornar se fossem continuar tanto tempo assim fora, até que Dyke encontrava um estabelecimento que possivelmente não haviam procurado antes.

Dyke escreveu:- Será possível que o nosso capitão esteja lá dentro?

Aquele lugar... Sim Julian conhecia aquele lugar, realmente poderia ser um local que o capitão estivesse querendo averiguar, negociar com os grandões, os manda-chuvas, os mais poderosos dentre os piratas. Julian se perguntava como seria sentar num trono de ouro dando ordens e xingando cada idiota que trabalhava para ele com muito gosto... Sim... O Capitão Black era uma criatura terrível e feia, talvez a mais que já tenha visto, mas ele ainda não tinha frotas de navios, era algo que o próprio Julian queria falar com o Capitão quando estava pensando em parar de gastar com prostitutas, bebida e jogos. Nunca tinha visto um grão capitão em ação mas como adoraria ver.

- Só há um jeito de descobrir, meu caro! Siga-me!

Logo já iam entrar mas então uma criaturinha pequena e feia, porém engraçada começou a dar uma de mercador de ruas para cima dos piratas. Julian não confiava em Gobbers, eram pequenos, os achava traiçoeiros e sendo cidadão de Cinco Dedos? Devia ser um malandro de carteirinha.

Rato escreveu:- Hey, senhores da sarjeta. Digam o que procuram e o rato vai fornecer. O que desejam? Itens proibidos? Mulheres de raças exóticas? Contratos de trabalho alternativos? É só falar o que e o rato arranja. Sinto que procuram por algo, é só falar, andem, andem, não se acanhem. O rato manda nessa parte da cidade!

- Ora, meu caro senhor Rato... Vejo que veio em boa hora! Sim estávamos à procura de contrato de trabalho com um tal Capitão Gordon Black, soube que ele estava em Cinco Dedos, pode nos dizer onde encontrá-lo?
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Maio 29, 2017 8:59 pm


Quando os dois pararam para falar com o gobber, a pequena criatura os levou até o inicio de um beco, fugindo assim da muvuca das ruas e de ouvidos indesejados. Julian perguntou onde estaria o Capitão Gordon Black sob o pretexto de estar a procura de trabalho. O pirata sabia que homens precavidos sobreviviam por mais tempo naquele ambiente caótico e quase sem leis.

- Que nome esquisito para um capitão - disse o gobber, pensativo. - O Rato aqui tem certeza que já ouviu falar sobre ele antes, mas eu preciso de mais... detalhes. Há centenas e centenas de capitães aqui, o que diferencia este dos demais? - perguntou especificamente à Julian, que foi quem levantou a questão. Não era difícil pensar em características únicas do Capitão Black, pois ele era muito diferente da maioria dos piratas. Pra começar, ele não era um humano. - Ahh, agora lembro quem é e eu acho que ele não vai gostar de ser incomodado por vocês, não vai não.

O gobber olhou para a fortaleza de Hurley e voltou seus miúdos olhos para os dois piratas a sua frente. Uma linha de compreensão surgiu em sua face asquerosa.

- O Rato agora compreende tudo. Vocês estavam no caminho certo, mas não, não posso levá-los até ele neste momento, não, não, não. Isso seria muito arriscado para mim, o Rato tem limites. E duvido que vocês irão conseguir falar com ele tão cedo.

- Por que não? - perguntou Dyke.

- Porque - começou o Rato, revirando os olhos como se achasse a explicação desnecessária - ele tá numa reunião muitíssimo importante naquela fortaleza - disse, apontando para a residência do Grão Capitão Hurley. - Não só ele, mas quase todos os capitães dos Cinco Dedos estão lá, discutindo assuntos importantes. Não posso levá-los até lá.

O gobber cruzou os braços e bateu o pé. Dyke deu uma nova espiada na fortaleza; o lugar todo estava sendo monitorado pela Guarda Esmeralda, e tanto Dyke e Julian sabiam como aqueles guardas podiam ser corruptos e ao mesmo tempo brutais com quem ameaçava os lucros de seu grã-capitão. Dyke retirou a algibeira que mantinha escondida sob suas vestes e abriu o laço na frente do Rato, fazendo o ouro brilhar naquele canto escuro do beco.

- Nós pagamos bem - disse Dyke, fechando a algibeira em seguida.

Aquele ato teve o efeito esperado no gobber, que quase havia se lançado ao ouro quando este foi revelado.

- Na verdade, senhores, o Rato aqui conhece um jeito de adentrar a fortaleza. Mas será perigoso e vocês estarão cometendo uns cinco crimes passíveis de pena de morte. O bom é que, se tudo der certo, eu os colocarei no meio da reunião do grão-capitão Hurley com os capitães dos Cinco Dedos.


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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Convidado em Seg Jun 12, 2017 1:07 am





Trilha Sonora:

Julian seguiu a pequena coisa até o beco, mas suas mãos estavam no cabo da arma já carregada para se aquele vermezinho tentasse alguma coisa, levaria um tiro que não o mataria, mas o deixaria sangrando bastante e gritando de dor. Quando chegaram ao beco, Julian não abaixou a guarda, estava ainda naquela postura e atento a dedinhos engraçados em seus bolsos.

O Gobber então pedia detalhes de como era capitão Black, Julian deu uma risada alta e descreveu o capitão, era um bicho feio, muito feio mesmo... Daqueles que pareciam ser o bicho papão embaixo da cama das criancinhas, no final o Gobber parecia achar a luz dos piratas, ao que parecia o Capitão estava ocupado, muito ocupado e planejando coisas grandes com outras capitães. Julian começava a imaginar as situações, alguma missão com frotas de navios? Claro que não confiava em outros piratas, mas juntava A + B e via que o Capitão estava negociando algo grande e vantajoso com outros capitães e os lords capitães de Cinco Dedos, mas o mais importante era, já sabiam onde o capitão estava e então o Gobber dizia a eles que havia um meio de entrar quando Dyke ofereceu dinheiro e então Julian ergue sua mão para o companheiro e disse:

- Não será necessário, muito obrigado meu pequenino colega! Companheiro, dê algumas moedas ao nosso amigo pela informação, vamos voltar uma outra hora, já sabemos onde o capitão está e isso basta por agora.

Além de que, não valia a pena arriscar a vida pra entrar de penetra em uma reunião que provavelmente iria arranjar um trabalho grande pra toda a tripulação que, no minimo lhes renderia muito dinheiro, estando nas mãos de um pilantrinha que acabaram de conhecer e os deixaria na mão no primeiro sinal do cheiro de merda. O negocio era encontrar o resto da tripulação e falar com eles.  
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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Jul 10, 2017 9:15 pm


Julian interrompeu a negociação para dizer ao gobber que não seria necessário eles adentrarem clandestinamente a reunião de seu capitão. O pirata podia ver nos olhos de Dyke, seu companheiro, o desejo ter ido até lá. Era uma vontade implícita de participar de algo grande, mesmo sem ter sido chamado, mas Dyke jamais contrariaria o queridinho do Capitão Black estando sóbrio como ele estava. O homem retirou uma coroa de ouro e pagou a pequena criatura.

Rato deu uma mordida no metal antes de guardar num de seus muitos bolsos.

- Rato fica contente de ter sido útil. - Ele fez uma longa reverência, com a testa quase batendo ao chão. - Se precisarem de mais serviços, vocês agora sabem onde me encontrar.

E com essas palavras, Rato se esgueirou por outros becos e sumiu rapidamente da vista dos piratas. A Dyke e a Julian restava agora apenas esperar pelo retorno do capitão.


Na manhã do segundo dia, os membros da tripulação da Mão Negra - seja lá em que canto da cidade estivessem - foram chamados para comparecer a bordo do navio o quanto antes. Julian foi um dos últimos a chegar, quando todo o resto da tripulação já parecia estar reunida no convés principal. Eram quase duzentos piratas, e todos tinham os olhos postos para o topo do castelo da proa, onde o Capitão Gordon Black estava de pé ao lado de seu imediato, Gilbert. Após dias de ausência, o capitão parecia mais amedrontador do que antes. Ele estava com a cara fechada e as presas se sobressaíam em sua boca bestial. Aparentemente aqueles dias de reuniões com os demais capitães haviam sido cansativos e um tanto estressantes, embora fosse muito difícil ver Black de bom humor mesmo em dia de conquistas.

O silêncio imperava a bordo da Mão Negra. Todos estavam aguardando ansiosamente pelo pronunciamento do capitão. Julian não deixou de perceber que o navio já havia sido preparado e estava pronto para zarpar. Gordon, então, falou com os seus homens. Ele não precisava levantar a voz para ser ouvido, mesmo com todo o barulho e movimento que o porto estava tendo naquele dia.

- Eu e meu imediato estivemos fora tratando de assuntos importantes para o bem de nossos negócios, como algumas das mentes menos desprovidas de inteligência de vocês podem ter chego a essa conclusão. Como todos sabem, essas ilhas são governadas por quatro grãos-capitães, mas somos nós, as tripulações independentes, que fazemos a força deste lugar. Banek Hurley convidou todos os capitães que tinham seus navios estacionados neste porto para um grande conselho realizado no interior de sua fortaleza. Traçamos planos e objetivos grandiosos, assim como a repartição de saque, e hoje lhe trago uma grande novidade.

O Capitão Black fez uma pausa apenas para sentir a ansiedade começar a tomar conta de seus marujos. Eles estavam a dias parados, e embora a maioria tivesse aproveitado bem os dias, a verdade é que eles estavam começando a se cansar de ficar nos Cinco Dedos. Um bom pirata nunca se dá satisfeito parado muito tempo em terra firme. Quem voltou a falar para fazer o grande anúncio foi Gilbert. O imediato tomou um passo a frente, apoiou-se na amurada do castelo de proa e encarou a tripulação abaixo dele.

- Homens e cães sarnentos, espero que todos vocês estejam prontos para partir, pois hoje vocês iniciarão a maior viagem de suas vidas. Como há muito tempo não se via, uma enorme frota foi acordada para a missão, e a missão começa aqui e agora. Iremos saquear uma das maiores cidades do reino de Cygnar! Nós iremos para Ellsporth, homens, e tomaremos todas as suas riquezas!

Gilbert agitou os braços, gesto repetido pela enorme tripulação de mais de duzentos homens. Gordon Black se permitiu um sorriso de canto de boca, ainda que fosse assustador, enquanto observava o regojizo coletivo de sua tripulação. Julian já ouvira falar em Ellsporth. Era uma cidade importante que ficava no Ducado de Caspia. Quando a balbúrdia diminuiu, Gilbert falou novamente, dando maiores detalhes da viagem.

- Saindo da Baía de Pedra, nós avançaremos pelo Mar das Mil Almas e passaremos por algumas rotas bem guarnecidas. Para alcançar os Baixios da Água de Aço e consequentemente os domínios de Ellsporth, passaremos por outra cidade, Portão Alto, conhecida por proteger essas águas. Poderemos derrubar duas cidades numa cajadada só. Quero que até meio-dia todos você estejam prontos, pois zarparemos em direção aos dias de maiores glórias de nossas vidas!

E uma nova onda de agitação tomou conta do convés. Gordon se retirou para a sua cabine enquanto Gilbert ficou no mesmo lugar para supervisionar os marujos, que aos poucos, se dispersavam para assumir suas posições no navio. Seu olhar chegou a se encontrar com o de Julian e ele lhe fez um aceno com a cabeça.


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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Flamesh em Qui Ago 17, 2017 1:40 pm

Era fácil ver que o companheiro estava afim de se arriscar desnecessariamente com a desvantagem de ter um pequeno sacana como guia...

"Qual é Dyke, me diga que você é mais esperto que isso".

Dyke dera a moeda ao Rato e ele conferia se o dinheiro era autentico, nada que Julian mesmo já não tenha feito algumas vezes e tinha até arrumado briga por "desconfiar da honra alheia", e após as negociações estarem encerradas e o Rato agradecer pelo breve serviço e reverência cômica, além de paparicada, Julian respondeu:

- Será o primeiro a quem consultarei, meu carissimo Rato. Até algum dia.

Assim que se afastaram o suficiente, Julian deu um tapinha nas costas de Dyke e disse com um sorriso malandro:

- Ora, Dyke, não fique chateado... Acredite em mim não valhe a pena confiar naquele rapazinho com nossas vidas. Assim como eu e você, deixariamos qualquer idiota para trás se fosse pra salvar nossas próprias peles, e se pudessemos até pegar o ouro da algibeira deles seria melhor. Porque o carinha lá não pensaria assim? Vamos...





Julian não chegou a voltar para hoteis, voltou para os botecos onde terminou de encher a cara o restante do dia e da noite e com as ultimas forças do corpo embriagado que lhe restara, voltou ao navio onde lá descansou e acordou no dia seguinte, com dor de cabeça e muita movimentação no ambiente.

Julian caiu da cama, tonto, chegou a vomitar logo em seguida no chão, mas ninguem viu, todos já tinham se movimentado às preças para cima, pelo menos todos que também tinha voltado para o navio. Julian então pegou suas coisas e se aprontou com o visivel desanimo, escutava coisas lá em cima, estavam todos reunidos? O capitão voltou???

Julian se apressou um pouco atrapalhado devido ao excesso de bebedeira noite passada mas quando terminara subiu para o convés principal onde encontrou toda a tripulação junta. Julian passava entre eles para se aproximar mais e ver o que estava acontecendo até ver o Capitão e o Imediato ali.

"Capitão... Você tá mais feio que o normal..."

Pensou ao ver o Capitão de muito mal humor, se o Rato tivesse falado a verdade e ele estava mesmo negociando com os Titãs dos mares, devia ser esse o motivo.

O silencio era sepulcral, tenso... Parecia que alguem tinha morrido ali. De fato, muitos homens morreram nesse convés mas não era o caso agora, até porque... Estava tudo já ajeitado para zarpar, o que só podia ter significado uma coisa e aquilo fez Julian erguer um sorriso maquiavélico.

"Temos um curso..."

Capitão Black escreveu:- Eu e meu imediato estivemos fora tratando de assuntos importantes para o bem de nossos negócios, como algumas das mentes menos desprovidas de inteligência de vocês podem ter chego a essa conclusão. Como todos sabem, essas ilhas são governadas por quatro grãos-capitães, mas somos nós, as tripulações independentes, que fazemos a força deste lugar. Banek Hurley convidou todos os capitães que tinham seus navios estacionados neste porto para um grande conselho realizado no interior de sua fortaleza. Traçamos planos e objetivos grandiosos, assim como a repartição de saque, e hoje lhe trago uma grande novidade.

"Temos mais que um curso..."

O sorriso de Julian não se intensificou por fora, mas dera uma gargalhada por dentro. Diferente dos marujos que se mostravam ansiosos se remexendo com batedeiras elétricas que ainda não existiam, Julian ficava imóvel de braços cruzados com aquele sorriso malandro de quem diz "Já ganhei". Então o imediato Gilbert continuava o pronunciamento.

Imediato Gilbert escreveu:- Homens e cães sarnentos, espero que todos vocês estejam prontos para partir, pois hoje vocês iniciarão a maior viagem de suas vidas. Como há muito tempo não se via, uma enorme frota foi acordada para a missão, e a missão começa aqui e agora. Iremos saquear uma das maiores cidades do reino de Cygnar! Nós iremos para Ellsporth, homens, e tomaremos todas as suas riquezas!

Como em unissono, imediatamente Julian retirou a alfange da bainha e junto com os outros gritou em guerra com toda a sua potência. Todos estavam eufóricos e Julian não era diferente, saquear não era só lucrativo, era divertido, a sensação do poder era viciante, e acabar com os mais fracos que você, trazia essa sensação. Fazer o que quiser, quando quiser... e ninguem enchendo o seu saco pra dizer "Mas isso é errado", "não faça com os outros o que não quer que façam com você". Isso sim era uma vida bem vivida!

Então as comemorações acabaram, era fácil ver que o Capitão Black estava satisfeito com a reação da tripulação depois de um bom tempo de espera. O local que iam saquear era grande, Julian já tinha informações sobre ele, os dias de planejamento foram bem justificados.

Imediato Gilbert escreveu:- Saindo da Baía de Pedra, nós avançaremos pelo Mar das Mil Almas e passaremos por algumas rotas bem guarnecidas. Para alcançar os Baixios da Água de Aço e consequentemente os domínios de Ellsporth, passaremos por outra cidade, Portão Alto, conhecida por proteger essas águas. Poderemos derrubar duas cidades numa cajadada só. Quero que até meio-dia todos você estejam prontos, pois zarparemos em direção aos dias de maiores glórias de nossas vidas!

Essa viagem estava ficando cada vez melhor... O perigo e a adrenalina já corriam pelas veias de Julian, mal podia esperar para ver a cara de Portão Alto quando forem pegos de calça arriada, Julian podia experimentar finalmente suas botas de mecânico na boca de alguém no chão.

Logo a tripulação se agitava com o Balburdia novamente, todos começaram a correr para seus posts, Julian se manteve por ali enquanto todos se agitavam, os olhos do imediatado e do pirata se encontraram, Gilbert assentiu, Julian olhando para cima assentiu de volta com um sorriso de canto, sua confiança era nítida, e só depois disso ele pos o capus e assim se juntou aos companheiros a iniciar o trabalho, mas diferente deles, sem gritar como um retardado animado, dessa vez.
Elminster Aumar
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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Set 11, 2017 9:45 pm


Dyke não conseguiu dizer nada além de assentir pras palavras de Julian. Ele estava certo, afinal de contas, e não se podia confiar num trambiqueiro, ainda mais quando se tratava de um gobber.

Já no convés do navio, todos os marujos pareciam aprovar o novo rumo que o Capitão Black arranjara; Julian estava entre os mais empolgados. Eram nos saques que os homens mostravam o seu valor e podiam almejar subir de posição dentro da tripulação. O entusiasmo teve que ser contido pois havia muito trabalho para fazer até o meio-dia.

Sob a supervisão atenta do imediato Gilbert, a tripulação aprontou o navio para zarpar bem a tempo do horário programado. Veio o grito de ordem para subir a âncora e no momento seguinte a Mão Negra se movimentava pelas águas da Baía de Pedra, ao lado de outras centenas de navios. Talvez nunca antes na história os piratas haviam organizado uma frota tão imponente quanto aquela. Haviam desde caravelas simplórias que não suportavam mais do que quinze homens até galeras movidas à vapor com um contingente de trezentos ou quatrocentos tripulantes. O mar foi tomado pelas velas hasteadas dos navios piratas, a maioria delas na cor preta com algum símbolo no centro. O grande navio do Grão-Capitão Banek Hurley ia à frente de todos, com fileiras e mais fileiras de canhões a postos em ambos os lados.

O percurso seguiu conforme o comunicado pelo Capitão Black: saindo da Baía da Pedra, a frota pirata navegou pelo Mar das Mil Almas, tomando a precaução de se manter afastada da costa.

Ainda que alguns estivessem acostumados a passar por ali, aquelas águas eram território do Império Cryxiano, uma região nefasta governada por Toruk, o Pai-Dragão, e seus doze lordes liches. Dizia-se que Toruk era o progenitor de todos os dragões que habitavam aquele mundo, embora a maioria dos homens nunca tivessem chego a ver de perto uma cria dracônica. Os que viam costumavam não viver para contar história. Todo o cuidado e protocolo cabíveis foram tomados para não despertar a ira do Pai-Dragão, e assim a frota avançou com o passar dos dias até alcançarem a entrada para os Baixios da Água de Aço, vigiada pela cidade de Portão Alto.

Esse era o primeiro grande desafio da cruzada pirata. Portão Alto era uma cidade militar potente, uma vez que ela foi construída justamente para frear quaisquer ameaças que cheguem até Cygnar, seja pelas hordas de criaturas estranhas de Cryx ou pelos audaciosos piratas. Era o primeiro ponto de defesa do reino contra as forças inimigas que vinham do oeste. O seu porto continha toda a força da Esquadra Meridional, e eles estavam preparados para a guerra.

O início da batalha aconteceu ainda em alto mar. As duas frotas começaram a descarregar todo o seu poderio de armas de fogo uma contra a outra, causando grandes danos e focos de incêndios começaram a surgir aqui e ali. Os almirantes da Esquadra Meridional reordenavam os seus navios enquanto os capitães piratas contra-atacavam com fúria e ambição. Era um cenário de guerra, e até Gordon Black foi visto no convés incentivando os seus homens. Mão Negra conseguiu escapar ilesa dos canhões inimigos e avançou o bastante até alcançar o porto da cidade. De lá dava para ver toda a beleza de Portão Alto, uma cidade esculpida ao redor de uma montanha pedregosa. Suas casas maciças eram construídas por rochas locais porosas - de uma cor quente marrom avermelhada cheia de conchas fósseis e facilmente corroídas quando expostas ao ar - que eram situadas camadas sobre camadas, com avenidas entrecruzadas atravessando penhascos ou topos de precipícios e protuberâncias. A cidade abarca um barranco que cai diretamente para o mar, e uma única ponte de pedra maciça abrange todo o barranco de 350 pés.

Muitos navios afundam, de ambos os lados, mas a frota pirata parecia levar vantagem. Apesar da Esquadra Meridional ser melhor preparada para esse tipo de situação, eles estavam numa desvantagem numérica que seria difícil reverter. Tudo ia bem com o navio do Capitão Black, até que ele foi abalroado por uma embarcação cygnarana. O choque entre os navios derrubou alguns dos homens mais desatentos, e pontes foram rapidamente colocadas por ambas a tripulações para interligarem os dois navios. Ninguém escapou da selvageria da matança. Dyke foi para a linha de frente, com a sua alfange em mãos, enquanto Gilbert e o Capitão Black ficavam na linha de trás, com as suas armas de fogo. Julian estava ainda no meio do convés, quando foi surpreendido por um ataque que passou raspando por ele. Um homem viera atacá-lo com uma espada longa. Julian percebeu pelo seu tamanho que o navio que os atacara era um dos principais da Esquadra Meridional. Um segundo homem se juntara ao primeiro para combater contra Julian, e o mesmo começava a acontecer com todo o resto da tripulação. Capitão Black pareceu não se importar com a situação desfavorável que sua tripulação se encontrava, ou talvez ele nem mesmo tivesse percebido, mas Julian viu o capitão apontando para o topo do castelo de proa da embarcação inimiga, onde havia uma mulher trajada em aço. Ele grunhiu para seus homens:

- Aquela é a Comandante Evelyn Turpin! Peguem-na, mas não a matem! Se a fizermos refém, essa guerra é nossa! - e ele soltou uma diabólica risada, já cantando a vitória antes da hora.


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Re: Capítulo 1: Prenúncios de uma Tempestade

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