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    Ivy - Malkavian AT - Sabbath

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    Ivy - Malkavian AT - Sabbath

    Mensagem por Lord_Suiciniv em Qua Maio 17, 2017 11:58 pm

    Ficha - Sabá

    1. Dados
    Nome: ArcticOwl
    Personagem: Ivy
    Clã: Malkavian antitribu
    Natureza:  Monstro
    Comportamento: Camaleão
    Geração: 8ª
    Refúgio: –
    Conceito: Psicopata/Sociopata
    Saldo de XP: 00
    Saldo Ponto Bônus: 15 + 7 pontos de defeito = 22
    Descrição – Gasto de pontos bônus:

    [/color]

    Saldo inicial: 22
    Habilidades-Talentos – Gasto: -2
    Habilidades- Pericias – Gasto: -4
    Habilidades- Conhecimentos – Gasto: -4
    Vantagens- Antecedentes – Gasto: -9
    Força de vontade –  Gasto: - 3
    Gasto total: -22
    Saldo final: 00
    ________________________________________
    2. Atributos (07/05/03)
    Físicos (3)
    - Força: 2
    - Destreza: 2
    - Vigor: 2

    Sociais (7)
    - Carisma: 3
    - Manipulação:  4 (convincente)
    - Aparência: 3

    Mentais (5)
    - Percepção: 3
    - Inteligência: 3
    - Raciocínio: 2
    ________________________________________
    3. Habilidades (13/09/05)

    Talentos (13)
    - Prontidão: 2
    - Esportes: 0
    - Briga: 1
    - Esquiva: 1
    - Empatia: 2
    - Expressão: 2
    - Intimidação: 1
    - Liderança: 0
    - Manha:  2
    - Lábia: 3

    Perícias (5)
    - Empatia c/ Animais: 0
    - Ofícios: 0
    - Condução: 0
    - Etiqueta: 2
    - Armas de Fogo: 0
    - Armas Brancas: 2
    - Performance: 2
    - Segurança: 0
    - Furtividade: 1  
    - Sobrevivência: 0

    Conhecimentos (9)
    - Acadêmicos:  3
    - Computador:  1
    - Finanças: 0
    - Investigação: 2
    - Direito: 2
    - Linguística: 0
    - Medicina: 3
    - Ocultismo: 0
    - Política: 0
    - Ciências: 0
    ________________________________________
    4. Vantagens

    Antecedentes (00)
    - Mentor: 3
    - Recursos: 1
    - Geração: 5

    Mentor:

    [/color]
    NPC - The Final Nights:  O Chamado de Zillah - Autorização solicitada.

    Meredith Borgia




    É exatamente isso. Meredith é uma familiar perdida dos famosos Borgia. Seu passado é mais negro entre os membros do Sabá pois Meredith, do clã Malkavian, já foi Príncipe de uma das cidades da América do Sul. Foi abraçada quando tinha nove anos de idade quando os Bórgias estavam no poder, mas quando decidiu que valia mais a pena estar do lado do Sabá, Meredith entregou de bandeja seus domínios e todos os Cainitas que nele residiam para a Seita dos primeiros Anarquistas. Seu Mentor no caminho do Sabá era um Tzimisce e deu à Meredith um corpo adulto, a versou em uma das trilhas da Sabedoria e apesar de toda a desconfiança de seu novo bando, ela se demonstrou a mais capaz pois não era uma neófita como todos os outros. Rapidamente com a instrução de seu Mentor virou uma sacerdotiza e algum tempo depois demonstrou lealdade e ferocidade para se tornar um Bispo. Meredith é temperamental, e parte do respeito conquistado veio de sua fúria já exibida em rituais de Monomancia quando ainda era uma das massas do Sabá. É graças a sua experiência na Camarilla como uma Príncipe que Berlim ainda está de pé.

    Disciplinas (04)
    - Demência: 3
    - Auspícios: 1
    ________________________________________
    5. Virtudes
    Virtudes (05)
    - Consciência: 1
    - Autocontrole: 3
    - Coragem: 4

    Trilha Humanidade:  4

    Força de Vontade: 7
    ________________________________________
    Qualidades e Defeitos
    Qualidades
    - Φ
    Defeitos
    - Sono Pesado (1 ponto)
    - Vulnerabilidade a prata (2 pontos)
    - Infeccioso (3 pontos)
    - Repulsa a alho (1 ponto)

    QUALIDADES & DEFEITOS - DESCRIÇÃO:
    Descrição – Defeitos:

    [/color]

    Sono Pesado
    Quando você está dormindo é muito difícil acordá-lo. A dificuldade de todos os testes para acordá-lo durante o dia são aumentadas em dois pontos.
    (Vampiro, a Máscara; Livro Básico 3ª ed, pág 299)
    Vulnerabilidade a prata
    Para você a prata é tão dolorosa e mortal quanto os raios do sol. Você recebe danos agravados de qualquer arma de prata (projéteis, facas, etc.) e o mero contato com objetos de prata o incomodam.
    (Vampiro, a Máscara; Guia do Sabá 3ª ed, pág 95)
    Infeccioso
    Sua mordida transmite a loucura de Seu clã. Toda vez que você se alimenta de uma mortal, o poder do Beijo o mantém imóvel como de hábito. Porém, o mortal ganha uma perturbação temporária para cada três Pontos de Sangue que você tira deles; essa loucura dura aproximadamente uma semana.
    Os Malkavianos com esse Defeito costumam ser aqueles sobre os quais você ouve falar que atacam hospícios; é o local mais seguro para eles se alimentarem.
    (Defeito Exclusivo para Malkavianos ou Personagem que possuam Perturbações)
    (Vampiro, a Máscara; Clanbook Malkaviano 3ªed, pág. 66)
    Repulsa a alho
    Você não tolera o alho e qualquer resquício de cheiro de alho o fará sair do recinto, a menos que você seja bem sucedido num teste de Força de Vontade (dificuldade baseada na intensidade do odor).
    (Vampiro, a Máscara; Livro Básico 3ª ed, pág 301)
    ________________________________________

    Observações
    - Perturbação: Megalomania
    DESCRIÇÃO:

    [/color]
    Os indivíduos que sofrem desta perturbação são obcecados por acumular poder e riqueza, tornando-se os indivíduos mais poderosos de sua região, para com isso disfarçarem sua insegurança. Tais indivíduos são invariavelmente arrogantes e absolutamente seguros de suas habilidades, convencidos de sua superior idade inerente. Os meios para alcançar essa posição podem assumir várias formas, desde conspirações malignas à brutalidade explícita. Qualquer indivíduo de status maior ou igual ao da vítima é encarado como um "competidor". Vampiros que sofram dessa perturbação lutam constantemente para alcançar o topo do poder e da influência por quaisquer meios necessários. Do ponto de vista de um megalomaníaco, existem somente duas classes de pessoas: os fracos e os que não merecem o poder que têm e portanto precisam ser enfraquecidos. Esta opinião se estende sobre todos aqueles que rodeiam o vampiro, incluindo os membros de seu próprio círculo. Esta perturbação confere um dado extra em todos os testes de Força de Vontade da vítima, devido ao seu exagerado senso de superioridade. Se um vampiro megalomaníaco se vir diante da oportunidade de diablerizar um Membro mais poderoso, ele se sentirá dolorosamente tentado a fazê-lo. E preciso que o vampiro faça um teste de Força de Vontade (dificuldade 10) para que ele evite tomar "aquilo que lhe pertence por direito".
    (Vampiro: A Máscara 3ª Ed, Pg 223)
    ________________________________________
    6. Prelúdio

    6. Prelúdio:

    [/color]


    Parte 1 – Introdução

    Acredito que pessoas comuns me definiriam como psicopata/sociopata. De certa forma elas estão corretas, mas não totalmente. Os especialistas e as pessoas comuns tentam classificar-nos, mas nunca chegaram a um acordo. Para alguns, os psicopatas não possuem sentimento algum embora possuam a capacidade absurda de fingirem com perfeição possui-los. Eles costumam dizer: “Se um deles estiver ao seu lado você jamais perceberá até que seja tarde. Pois eles costumam conseguir desfilar tranquilamente como uma pessoa qualquer e não raro são as pessoas mais sedutoras, gentis e charmosas que você vai conhecer.”  Enquanto isso, os sociopatas costumam ser mais caóticos e; portanto, seria mais fácil identifica-los: “Eles não são tão frios e calculistas quanto seus pares. São mais impulsivos e violentos, sendo assim você conseguirá saber que há algo errado embora muitas vezes não saiba o que está errado.” Já para outros “estudiosos” é justamente o contrário.  

    A incapacidade deles em ver o mundo pelos nossos olhos fez com que nos classificassem da seguinte forma: “Portadores de transtorno da personalidade antissocial. Sendo os psicopatas aqueles que nascem patológicos e os sociopatas os que se tornam patológicos pelo meio.”  Dentro dessa visão limitada acredito que eu seria um sociopata, embora por muito tempo acreditei ser o que chamam de psicopata, uma longa história. Mas como eles mesmos dizem ambos sofrem o mesmo efeito que chamam de “Psicopatia” ou “Comportamento psicótico”.

    Segundo seu principal manual, o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno de Personalidade Antissocial, vulgarmente chamado de Psicopatia ou Sociopatia, é um transtorno de personalidade caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros.
    É curioso como eles tentam classificar-nos com tanto empenho para no fim colocar-nos todos juntos. Embora eles reconhecem corretamente que somos todos monstros eles não entendem e não aceitam a beleza de nossas existências particulares. Não somos todos iguais, não é possível nos classificar ainda mais se você é um deles e possui uma visão tão limitado.

    Eles tornam fácil para nós imitá-los porque eles são previsíveis, eles auto-padronizam todas as suas reações e expressões. Se uma pessoa está feliz ela sorri, se está triste ela chora ou aparenta apatia, se ela está interessada sexualmente em você ela irá demonstrar por meio de toques e palavras. Um breve estudo de micro-expressões faz com que você consiga identificar e imitar tais comportamentos; e não é difícil encontrar estudos desse tipo. O comportamento humano padrão e seus desvios são incansavelmente debatidos e divulgados.

    Como eu disse, eles parecem adorar padronizarem-se. É justamente por isso que eles nunca vão nos entender ou conseguir classificar-nos: Nós temos semelhanças, mas não seguimos um padrão. Somos livres. Talvez essa liberdade venha do que eles chamam de “incapacidade de internalizar regras sociais” ou uma associação disso com outro de seus tantos termos criados para tentar explicar-nos. Consigo agir perfeitamente de acordo com suas regras, eu as entendo. A questão é que simplesmente não me importo com elas.

    Graças a meu pai eu aprendi que para viver nessa sociedade tão limitada e conseguir explorar toda minha capacidade eu preciso fingir viver conforme suas regras enquanto estiver no meio deles. Quando disse que não estão totalmente certos ao definirem-me como psicopata/sociopata é porque embora eu realmente tenha desprezo por suas regras e seja indiferente aos sentimentos alheios eu consigo senti-los e agir conforme suas regras; e não sou tomada por impulsos. Sou perfeitamente capaz de controlar-me e seguir a ordens. Além disso eu tenho o que chamam de empatia, consigo saber como você se sentiria de acordo com o padrão. Eu só não me importo com você ou sua vida.

    No meio deles eu posso ser a garota comum tímida e quieta, posso ser elegante e educada, posso ser sedutora, mas não nenhuma delas é a verdadeira.  Já mencionei antes, eu tenho sentimentos só não são os mesmos que você. Enquanto você ama outra pessoa; para mim não há nada mais apaixonante do que ver a vida extinguir-se dos olhos de alguém.

    Eu amo vê-los desesperar-se diante ao fim, alguns costumam questionar-se “Porque?”, outros perguntam-se “Como?”, outros “Você?”. Há aqueles que pedem por ajuda porque não deram-se conta de que eu sou o carrasco; infelizmente esses são a maioria. Detesto quando a morte precisa ser rápida ou não poder assisti-la, ou pior quando posso assisti-la mas não pode haver sofrimento. O mais divertido quase nunca ocorre: É quando eles sabem que vão morrer e tentam convencer-me a parar. Não, eu não gosto da bagunça que armas fazem. Há meios mais limpos, como os venenos: meus favoritos. Mas a tortura psicológica que as armas podem causar é fascinante.

    Provavelmente eu seria um monstro descontrolado e já teria sido pega se não tivesse sido guiada por esse caminho. Se meu pai e seus amigos não tivessem me ensinado a controlar-me, apagar meus passos e dado-me um propósito talvez eu transparecesse o mostro que sou. Ele desaprova meu habito de assistir as mortes ou de escrever como estou fazendo, ele diz que é um comportamento de risco e que eventualmente serei pega por isso. Entretanto, o risco traz emoção e se tudo fosse seguro qual seria a graça? Eu fico entediada facilmente e não consigo olhar alguém sem imaginá-la morrendo. Talvez seja força do habito.

    Se você está lendo isso, provavelmente cometi um erro e fui descoberta. Mas se não foi esse o caso provavelmente você será uma pessoa morta em breve. Porque? Invadiu minha privacidade, mexeu onde não devia e porque eu preciso quebrar o tédio.
    Part 2 – Retrospectiva

    Sempre que um de nós é descoberto os especialistas tentam encontrar em nosso passado, principalmente na infância, o que eles chamam de “eventos traumáticos” que poderiam ser destacados como razões para a nossa inclinação psicótica e assassina. Isso porque nem todo psicopata/sociopata torna-se um assassino e nem todo assassino é um de nós. Entretanto, não se engane, mesmo aqueles que não são assassinos tem um alto poder destrutivo para com as pessoas a sua volta. Afinal, nossa natureza é destrutiva e maligna.

    Enfim, se olhar para minha infância você vai encontrar vários dos pontos que os especialistas adoram usar de justificativa. Certamente o que mereceria destaque inicial é a exposição a um ambiente violento associado a uma série de outros fatores. Um desses fatores é: “Crianças são um recipiente praticamente vazio o qual os adultos vão preenchendo.”

    Já se perguntou porque você acredita que matar é errado? Bem, provavelmente seus pais te ensinaram isso e mais tarde você descobriu que existem leis em nosso mundo dizendo que assassinado é um crime e isso certamente lhe bastou. Enquanto seus pais te ensinavam que matar é errado meu pai (Jörn) me explicava que eu nasci para fazer isso e mostrou-me como enganar as regras. Nos registros, eu nunca fui sua filha. Porque? É simples; as autoridades prestam atenção especial aos filhos dos patrões, mas raramente dão atenção aos filhos da camareira. Além disso, o que acontece dentro das paredes de nossas casas não sai. Porque?! Se desconfiarem que você falará você já está morto, as autoridades não entram em nossas casas e as que entram estão em nossas mãos.

    Não seja ingênuo, o crime organizado não seria organizado se não estivéssemos em todos os setores: Policia, Estado e na iniciativa Privada. “Usamos os três pilares da sociedade para proteger-nos. Eu protegerei você meu pequeno anjo da morte.” Essa era a frase favorita de meu pai toda vez que eu cometia um erro, mesmo que pequeno. Qual é?! Nem tudo é perfeito e o início é sempre caótico por mais orientação que você tenha recebido. A cada evento você aprimora-se, evolui, mas até atingir o ápice você certamente deixa rastros. Minha “sorte” foi ter quem apagasse meus primeiros tropeços.

    Ah sim! Esqueci-me completamente, perdoe-me. Se está aqui é porque cometi uma falha que não pode ser reparada e você deve ser algum daqueles especialistas interessados em minha infância. Pois bem, eu não consigo me lembrar da primeira vez que assisti a uma tortura, a alguém ser espancado até a morte ou levar um tiro no meio da testa. Entenda, isso era rotina, era comum. É claro, isso não passa despercebido na escola, isso altera o comportamento das crianças e comigo, a princípio, não foi diferente. A grande diferença é que meu pai (Jörn) ensinou-me como eu devia comportar-me nesses ambientes. Da mesma forma que você ensina a seu filho que ele não deve morder o coleguinha no primário, ele também me ensinou. A diferença é que você dizia que é errado causar dor a alguém e ele me dizia que eu deveria ser amável para que ninguém desconfie de mim.

    Eu sei, esse é um exemplo ridículo e eu não me lembraria disso, raras são as pessoas com uma memória tão eficiente a esse nível. Mas exemplifica meu ponto, crianças são um recipiente vazio que você preenche aos poucos. Sim, eu precisei mudar de escola algumas vezes, mas aos 7 eu já sabia comportar-me como uma criança qualquer e as mudanças deixaram de ser necessárias. A grande questão é que eu conheço suas normas, mas não tenho apreço nenhum por elas. Fui ensinada a ver cada uma delas de um modo diferente do seu, mas a comportar-me como se as visse da mesma forma que você.

    Agora deve ser aquele momento que ou me perguntaria sobre como vejo cada uma de suas normas, como me sentia quando via um tortura ou um assassinado, ou como eu lido com a morte. Disso sim, eu me lembro muito bem. Eu não gostava da sujeira que o sangue causava e se parar para pensar há logica nisso. Sangue deixa um rastro difícil de apagar. Mas eu adorava ver o pânico nos olhos quando aproximavam uma arma de suas cabeças ou uma faca de seus pescoço. Eles tinham certeza que iriam morrer naquele momento, mas não, era só o começo.

    Existem tantas formas de aterrorizar alguém, de faze-la implorar pela morte que sua pequena mente não é capaz de imaginar porque você limita-se as regras impostas pela sociedade. No início eu não participava ativamente, apenas ficava em um canto assistindo e ouvindo, mas com o tempo eu fui ganhando tarefas.

    Não, eu não sinto falta da sujeira, mas sinto falta do pânico no olhar. Lembre-se do eu que disse antes: Todos somos monstros, mas não somos iguais. Nós evoluímos e nos adaptamos, criamos um estilo próprio, mas até lá nós experimentamos. E eu tive o ambiente perfeito para experimentar o que quisesse e para desenvolver-me. Eu me interessava mais pelo comportamento humano, seus medos, seus desejos, suas regras, seu desenvolvimento psíquico e biológico. É claro que eu sempre pensava em como usar isso para causar dor e levar a morte.

    Cada um é individual, eu estudo a pessoa, seus medos, suas paixões, seus vícios e planejo o mais apropriado. Veja, o erro dos serias killers é fazer tudo sempre igual, manter um padrão e lembrancinhas. E mesmo eles facilitando vocês demoram para pegá-los. Acredito que seja porque gostam de ignorar-nos, fingir que não existimos.

    Vocês veem o grosso da podridão do mundo e ignoram a mais refinada. Se esfaquear alguém ou dar um tiro certamente será investigado, mas se alguém com problemas cardíacos morre de um enfarte raramente o médico irá aprofundar-se mesmo que seja um figurão. Se um viciado em drogas morre aparentemente de overdose em um beco, as investigações são tão mal feitas que a menos que ele seja destro e a agulha esteja na mão esquerda vocês não notam e mesmo assim corre o risco de não notarem.

    A maioria de vocês é negligente, sempre foram e começo a acreditar que sempre serão. Aprendi suas regras para saber o que procuram e o deixam passar, estudei seus comportamentos para aprender a fingir ser como vocês e estou em constante evolução, mas vocês parecem parados no tempo. Sempre fazendo tudo da mesma forma.

    Eu provavelmente serei pega um dia pelo meu vício e se não for depois que morrer alguém pode encontrar esses diários e enfim saberão quem de fato eu sou e sim ficarão surpresos. Vocês sempre ficam. “O monstro mora ao lado, as vezes dorme na mesma cama que você, mas você não nota.” Essas palavras não são minhas eu li em algum ensaio de psicologia. Ah sim, você deve estar se perguntando sobre meu vício. Se você ainda não notou, meu vício é a morte. Já disse, quando olho para alguém eu não paro de pensar em meios de executa-la, mas não o faço porque se começar a matar indiscriminadamente não há encenação ou família que seja capaz de proteger-me. Mera questão de sobrevivência.

    Nasci durante o inverno rigoroso de Munique e segundo meu pai (Jörn) no dia em que nasci ele notou que vim a este mundo para trazer a morte. Porque? Eu matei minha mãe (Ester). Naquele tempo eu era Cassandra Grigorieva ou simplesmente Cassy, mas aquele não era um nome apropriado. O significado de Cassandra é: “A que protege os homens”. Irônico que o que faço é justamente o contrário. Eu abandonei esse nome mesmo antes de mudar-me para cá e aqui eu sou apenas Ivy. Bem mais apropriado. É assim que alguns nomeiam uma planta venenosa conhecida por arbusto de hera, e eu amo os venenos. Em contrapartida eu odeio armas de fogo. Sim, eu sei, elas causam impacto e tudo mais. Entretanto elas são barulhentas, fazem sujeira, deixam vestígios difíceis de apagar e fácil de rastrear e o mais importante: “Elas estragam toda a diversão; acabam com tudo muito rápido.” Recuso-me a toca-las e usá-las, eu nunca as usei, não me atraem.

    Sabia que até o café pode matar?! Alguns viciadinhos em cafeína já experimentaram seus efeitos adversos, alguns quase tiveram um ataque cardíaco. Não, não, eu nunca tentei usá-lo, apenas li a respeito. Eu ainda não sei o que meu pai quer aqui, porque viemos para essa cidade, mas creio que em breve irei descobrir.
    Parte 3 – Revelações

    Durante o último ano perguntei-me o que viemos fazer em Berlim enquanto adaptava-me a cidade. A cultura de um povo vai além das história, ela está também nos atos rotineiros que levam aos regionalismos. A cultura de povo influência em sua visão do mundo, seus códigos de conduta e penal, ou seja, ela influência como você porta-se perante a sua comunidade. Entretanto, o mais curioso é que independentemente de onde você nasceu ou cresceu nossas comunidades guardam inúmeros elementos em comum. A cada mudança eu só precisava aprender os regionalismos e isso não levava muito tempo.

    Porque isso é importante?! Bem, é o jeito que eu faço as coisas. É como eu levo a morte até você! Ah! Por favor, não se engane. Toda a minha busca por esse conhecimento, por compreender a natureza humana não é para deixar de ser o que sou. Se no fim você concluirá que sou psicopata ou sociopata não importa, esses agrupamentos são frutos de sua mente limitada tentando organizar-se e nos justificar. Mas, não precisamos ser justificados, somos o que somos: O seu pior pesadelo, o monstro no armário, e etc, etc, etc.

    Enfim toda a minha sede por conhece-los é para que a cada momento eu torne-me melhor em engana-los. É para tornar minha atuação perfeita e assim poder satisfazer minha paixão: “Ver o último brilho de vida apagar-se de seus olhos”. É como disse anteriormente: Nós evoluímos e nos adaptamos até desenvolvermos um estilo próprio e aqui está o primeiro erro de meus semelhantes: Eles param de buscar a evolução, a adaptação e deixam de aperfeiçoar-se em suas artes. Sim, matar é uma arte! E há escolas para todos os gostos: Vão das mais brutais as mais sutis. A questão é que quando paramos de evoluir, de nos adaptar, nós nos aproximamos de nossa ruína. É nesse momento que somos pegos, descobertos, pois assim como vocês, ao atingir esse ponto, paramos no tempo. É quando começamos a limitar-nos, e nos tornamos descartáveis, assim como vocês.  

    A organização usa-me para seus propósitos, seja eliminar alguém, obter informações ou para qualquer outra coisa que achem um enquadramento para mim. Eu realmente prefiro quando envolvem mortes, mas já discutimos isso antes: Fazer dos assassinatos um habito é contra a evolução porque diminui nossas chances de sobrevivência em seu pequeno universo.  

    A questão é que ao contrário de alguns colegas que apenas fazem seu trabalho, pegam seu dinheiro e vão embora. Eu os uso também, para aprimorar-me e não tornar-me descartável. Talvez eu faça isso e veja dessa forma por que pertenço a família e como essa é minha casa para onde iria?! Ou talvez seja mais esperta que meus colegas. Ah sim, você deve estar se perguntando: Se pertenço a família porque tenho a preocupação de tornar-me descartável? Por acaso você já conheceu uma “família” que não tenha rixas?! Nós também temos, a diferença é que as nossas frequentemente te levam a morte.

    Pensando nisso, preste atenção nessas duas frases: “O inimigo do meu inimigo é meu amigo” e “Mantenha seus amigos próximos e seus inimigos mais próximos ainda” parecem duas frases excludentes, mas não são. Olhe para nós, para toda essa organização, somos amigos porque temos um inimigo em comum: O sistema. Mas dentro de nossa própria amizade há inimizades e a fim de proteger-se você os mantem sobre vigia ou dependência, ou seja, os mantém perto.

    Não, esse não é o motivo de preocupar-me em tornar-me obsoleta e descartável. Esse é o motivo de desconfiar de meu pai. O motivo de buscar constante aprimoramento é na realidade uma mistura entre não admitir que alguém faça o trabalho melhor que eu e o fato de que esse trabalho tem suas vantagens e eu gosto.

    Conhecer os comportamentos padrões humanos e imitá-los não é algo que se consegue do dia para a noite. Eu venho construindo e aprimorando isso desde que posso recordar-me. É algo que meu pai começou a me ensinar quando pequena e que tomei como interesse próprio com o passar dos anos. Não basta ler sobre, você tem que vivenciá-los, ver com seus próprios olhos e testar. Ao longo dos anos trabalhei em nossos bares, em nossas boates, galerias de arte, joalherias, onde eu pudesse estar para aprender seus costumes, seus comportamentos e testar minhas habilidades eu estive. Enquanto eu estudava os comportamentos humanos para tornar-me a melhor em minha função eles continuavam com o tráfico de drogas e prostituição nas boates e bares; e, é claro, com a lavagem de dinheiro nas galerias e joalherias. Onde eles arranjavam as armas, e se estavam trabalhando com isso, eu não sei e não ligo. Eu odeio armas.

    Não, eu não importo-me com a estrutura de nossa organização, afinal isso muda e muda rápido. É raro aquele que consegue se manter em uma posição por muito tempo. Porque? Quando se é o chefe o risco de morte cresce exponencialmente, você terá que se preocupar não apenas em tornar-se visado pela “policia” como também com outros chefes e, é claro, como consequência disso terá de se preocupar com muitos como eu. Quanto mais se sobe, mais poder você acumula assim como os riscos, você precisa ter certeza que os quer e está preparado para eles. O que me interessa é o que eles podem oferecer-me para aprimorar-me, para evoluir minhas habilidades.

    Enquanto meus trabalhos forem necessários e eficientes eu estarei levemente segura. Mas, pessoas como eu, que limpam a sugeria deles e descartam o lixo, ou seja, eliminamos os problemas que não tem solução. Bom, com o tempo pessoas como eu tornam-se um risco para a família, para a organização, ao saberem demais e é então que nos tornamos alvos de outros como nós. Não exatamente psicopatas, mas assassinos. Lembre-se do que eu disse: "Nem todo psicopata é um assassino e nem todo assassino é um psicopata. Mas todos, de certa forma, somos representações de seus medos, seus monstros na escuridão." É por isso, por sobrevivência, que eu não os questiono sobre seus alvos e eles não me questionam sobre o que peço para executar minhas funções desde que o trabalho seja realizado no prazo e com sucesso.

    Meu pai treinou-me muito bem e nos últimos dois anos estive a disposição diretamente da família e até o momento não houve motivos para reclamações. É claro, que as ordens vem pelo comando de meu pai e obviamente isso começou a me incomodar. Ele tentou controlar tudo em minha vida, tudo que precisava ele conseguia, mas nada era meu. Isso, com o tempo, começou a tornar-se insustentável e a levantar suspeitas. Eu precisava tomar o controle de minha vida.

    Não sou estupida. Meu pai um dia cairá também, todos os chefes caem, cedo ou tarde; e se eu depender apenas dele eu cairei junto. A mudança repentina para Berlim e sem justificativa aparente deixou-me inquieta. Por isso, nos últimos tempos estive fazendo pequenos acúmulos: Qualquer coisa que eu acredite que garantirá minha sobrevivência. Obviamente eu preciso evitar que ele note, afinal ele poderia pensar que estou planejando trai-lo; e, ai sim, meu fim estaria selado. Esse cuidado extra em não deixá-lo notar tem barrado alguns avanços e contorna-los não parece fácil.

    Lembra-se que eu disse que o motivo de desconfiar de meu pai estava na frase: “Mantenha seus amigos próximos e seus inimigos mais próximos ainda”. Pois bem, minha desconfiança revelou-se não ser mera paranoia. Eu acreditava quando criança que ele mantinha-me dependente e próxima a ele porque era sua filha e queria proteger-me de mim mesma. Com o tempo acreditei que ele fazia isso porque tinha medo por saber que eu jamais o amaria. Isso porque ele sabe que só poderia ama-lo durante sua morte e nem seria a ele que amaria, mas o momento.

    Ele fingia entender que embora minha natureza fosse má ela tinha um bom propósito e que me perdoava pela morte de minha mãe. Fingiu que aceitava-me como eu era e que se importava comigo. Entretanto, tudo não se passou de uma farsa perfeita. Admito, no momento em que descobri eu fiquei admirada e com inveja, ele atuou perfeitamente durante todo o tempo e eu acreditei. Eu deveria ficar com raiva segundo seus conceitos, mas não. Eu me senti convidada a uma competição, uma última competição, um último desafio para um de nós.

    Você deve estar se perguntando como eu descobri a farsa, bem, odeio admitir, mas não foi por minha desconfiança ou por minha inteligência. Para cada trabalho novo era deixado um pacote em minha penteadeira com as informações que deveria estudar e após planejar como faria eu encomendava tudo que precisaria. Dessa vez, foi diferente, não havia um alvo no pacote e sim minha história, a história que fui incapaz de enxergar.

    Eu não matei minha mãe (Ester), meu pai matou (Jörn), ele sempre me entendeu porque é como eu. Talvez aqui, vocês que se dizem especialistas e amam nos estudar dirão que sou a sociopata e que está a raiz de detestar armas e sua sujeira e seus barulhos. Eu tinha 2 anos quando ele atirou na cabeça de minha mãe e eu estava em seu colo. Ele me deixou lá, junto a seu corpo e em meio ao sangue por horas enquanto decidia o que faria com a filha bastarda.

    Eu não preciso contar o que ele decidiu, porque o que eu sou é o que ele decidiu. O grande erro, é que eu gosto de ser o que sou. Ele fez um bom trabalho, eu sou o mostro que ele sempre desejou, mas não farei exatamente o que ele planejou para mim. O desafio foi lançado, certamente por alguém o detesta, e apenas um de nós sairá vivo. Quem o detestaria tanto? Meu caro, pessoas que levam a vida que levamos colecionam inimigos. Talvez meu pai biológico (Anton) a quem ele planejou que eu matasse, mas isso não importa. O que interessa é que o jogo finalmente começou. E eu já tenho a um plano em mente. Não teria a menor graça simplesmente mata-lo e se eu fizesse por impulso de modo aleatório a família desconfiaria de mim e bem eu seria caçada. Eu esperei o melhor momento e ele o escolheu quando decidiu que era o momento de matar meu pai biológico(Anton), seu irmão.

    Eu planejei sua morte como se fosse a de seu irmão e ele me deu tudo que precisei para executá-lo. Ele me mantinha tão presa a ele que assim como ele conhecia meus hábitos eu conhecia os dele melhor que ninguém. Havia um momento que ele dispensava sua segurança e me aproveitei disso. Ele foi encontrado na cama de sua prostituta favorita, ambos afogados em seu próprio sangue. Não, esse não é meu estilo, por isso a família não associaria a mim tão rapidamente. Mas não ele não morreu rapidamente, eu apreciei cada momento de minha vitória. Ele soube que fui eu, ele morreu olhando em meus olhos.

    De todos os sentimentos humanos o luto é o mais difícil para fingirmos porque não conseguimos encontrar uma razão por trás dele. Felizmente, eu não preciso fingi-lo ao menos não da forma que uma pessoa comum o sente, a família sabe o que faço e que isso nos torna frios. Embora eu seja fria não pelo que faço mas porque eu não sinto remorso, compaixão ou carinho por uma pessoa. Se eu tivesse sumido após mata-lo eu estaria acusando-me, até o momento não houveram acusações, não contra mim. A lista de inimizades de meu pai é longa e prontifiquei-me a cuidar pessoalmente de seu assassino quando decidirem de quem é a culpa. Não houveram objeções, talvez apenas eu, meu pai biológico e quem enviou-me aquele pacote, que foi destruído a dois meses atrás, saibam que eu deveria estar na lista de suspeitos.

    Não pretendo ficar na família por muito mais tempo, apenas tempo suficiente para conseguir deixa-la sem suspeitas ou ter as ferramentas corretas para desaparecer. Não há mais nada que a família possa me oferecer, eu estou livre do único que um dia foi capaz de controlar-me e tenho um mundo enorme para descobrir.

    Eu não matei o homem que acreditei ser meu pai durante toda minha vida por raiva ou indignação ou qualquer outro motivo que você ache justificável. Ele era como eu, um psicopata/sociopata, e ensinou-me a sobreviver entre pessoas comuns como você. Agora, você deve achar que eu fui ingrata, mais gratidão é um sentimento que entendemos mecanicamente, que é fácil fingir, pois conseguimos ver uma certa lógica nele embora seja uma completa perda de tempo e não, nós não o sentimos. Eu o matei porque um dia o aprendiz deve superar o mestre. Ele me enganou por muito tempo e eu o invejei por isso até o momento em que vi em seus olhos que ele não esperava que eu me voltasse contra ele.

    Recentemente eu li um livro interessante "Mentes perigosas: O psicopata morra ao lado."  Há muitas verdades nesse livro, a princípio pensei que era um de nós falando sobre nós, mas não nenhum de nós faria isso é ilógico e a autora ainda está presa a suas convenções sociais limitando-a. Entretanto, ela começou a abrir sua mente e a enxergar um pouco como nós. Isso me leva a seguinte pergunta para você: Quando passamos a entender e a pensar como um monstro o que nos separa dele?! Eu poderia te dar essa resposta, mas acredito que você a tema e prefira pensar que estou tentando te confundir. Mas, me diga, pra que eu lhe confundiria se a única condição para você estar lendo meus diários e permanecer vivo é o fato de eu estar morta? Vocês insistem em perguntar-se o porquê fazemos o que fazemos e a resposta é simples e já lhe dei anteriormente. Entretanto há uma parábola que eu adoro e nos representa bem, dentro de algumas limitações, é claro. Eu a contaria de outra forma, mas manterei o mais próximo do original possível. Porque?! Bem, porque deve facilitar sua compreensão.

    "O escorpião aproximou-se do sapo que estava à beira do rio. Como não sabia nadar, pediu uma carona para chegar à outra margem. Desconfiado, o sapo responde: - Ora, escorpião, só se fosse tolo de mais! Você é traiçoeiro, vai me picar, soltar o seu veneno e eu vou morrer.
    Mesmo assim o escorpião insistiu, com o argumento lógico de que se picasse o sapo ambos morreriam. Com promessas de que poderia ficar tranquilo, o sapo cedeu, acomodou o escorpião em suas costas e começou a nadar. Ao fim da travessia, o escorpião cravou o seu ferrão mortal no sapo e saltou ileso em terra firme. Atingido pelo veneno e já começando a afundar, o sapo desesperado quis saber o porquê de tamanha crueldade. E o escorpião respondeu friamente: - Porque essa é minha natureza."
    Parte 4 – O início

    Era uma questão de tempo para que chegassem até mim, para que a família descobrisse o que fiz. Eu sabia que precisava ir embora e tentei. Veja, quem me mandou aquele pacote certamente sabia o que eu faria e se não sabia após o assassinato saberia ao menos que eu teria motivos. É claro que os motivos que você acredita, não são os verdadeiros motivos e já os expliquei anteriormente. Por favor, não seja idiota! Soube no momento em que vi as informações daquele pacote que era alguém entre nós ou um amigo da família porque não há outro modo de saber tudo aquilo sem estar ligado intimamente a família. Eles vieram atrás de mim e... sim, eu imaginei que isso aconteceria e mesmo assim não consegui resistir a mata-lo. Talvez devesse ter programado melhor minha saída ou encontrado quem enviou o pacote e ter o eliminado primeiro. A verdade é que isso exigiria mais tempo e eu não pude resistir a poesia que havia por trás de mata-lo quando ele esperava que eu estivesse eliminando meu pai biológico e em faze-lo arrumar tudo que eu precisava. Não, não seja tolo, não pense que me arrependi. Eu não me arrependi por um momento se quer. Na verdade, foi a melhor coisa que eu fiz nos últimos anos. Um prazer até então sem igual.

    Enfim, foi como desconfiei, eles vieram até mim, mas ao invés de simplesmente me matar levaram-me para o que chamamos de interrogatório e você certamente chamará de tortura. Eu só conhecia dois motivos para não me eliminarem sem questionamentos: Eles não tinham certeza ou/e ainda precisavam de mim, ou melhor do que sou. Assim que vi o pacote nas mãos do meu carrasco eu sorri e perguntei se ele poderia me mostrar o conteúdo. Ah, meu caro leitor ingênuo, nesse momento eu sabia que ou quem me enviou o pacote denunciou-me ou aquilo não se passava de um teste da família com algum motivo qualquer. Eu não me importava com os motivos, apenas pensava que saindo dali com vida alguém morreria por isso.

    Ah não, não pense em vingança, é apenas mais um desafio que eu não recusaria. Aquilo era um convite para o mesmo jogo que joguei com meu pai. Uma caçada. E eu comecei perdendo e não, eu não aceito perder. Para meu desafiante era melhor que não tivesse saído daquela sala com “vida”. Aquela sala provavelmente te apavoraria, mas não a mim, eu conhecia o jogo, eu amava aquele lugar. Obviamente eu não estava na minha posição favorita, mas eu sabia o que esperar deles e o que eles esperavam ou não de mim.

    Eles procurariam qualquer sinal de confissão, e caso não achassem e quisessem eles criariam, mas havia algo que eles jamais veriam: Culpa ou remorso. Mesmo que eu admitisse eles jamais veriam tais sentimentos a menos que eu os fingisse e isso, a ausência de sentimentos, manteria a dúvida principalmente se eu fingisse indignação. A menos é claro que eles tivessem provas concretas contra mim ou soubessem o que sou: que eu sou uma psicopata. Esses sentimentos, assim como compaixão, eu posso fingir mais não senti-los. Nenhum psicopata/sociopata é capaz.

    Racionalmente nós temos plena consciência de nossos atos, mas não sentimos nada a respeito deles a não ser a satisfação e o prazer de saciar nossa natureza. Segundo especialistas nós não temos consciência porque ter consciência é uma mistura entre estar consciente (razão) e ser consciente (emoção). Dessa forma, eu concordo, não temos consciência porque somos incapazes de nós conectar verdadeiramente de modo emotivo com o mundo, mas somos excelentes atores.

    Eu não poderia negar reconhecer o pacote, pois era o padrão em minhas contratações e se não fosse arrogante mostraria que estava com medo, ou seja, assinaria minha confissão. Aquilo iria doer, certamente iria, eu conhecia bem seus métodos. Se acha que a dor não me afeta você é burro, dor é em parte fisiológico e portanto eu a sinto assim como você. A diferença está em como lidamos com a dor. Agora, você certamente acredita que eu tenho a mente mais ferrada e doentia que conheceu; mas não, eu não sou louca, apenas não vejo o mundo como você. E nem sou um cordeiro que nega a existência do mal e implora para ser abatido como vocês. Até os especialistas admitem que nós não somos loucos, não possuímos uma desordem mental, alguns deles nos chamam de “predadores sociais” e dizem que somos “líderes natos da maldade”. Acreditava nisso e ainda acredito, mas descobri que nós, em nossa condição humana, somos apenas um passo na evolução, um passo no caminho para fazermos jus a tais termos.

    Já estava pronta para sentir a dor que seria infligida assim como já estava preparada para uma possível morte. Veja, ter medo da morte é quase antinatural para pessoas como eu. Não que sejamos imunes ao medo, mas ela é uma parte integrante de nossa natureza, nós a amamos e talvez por isso sejamos capazes de apesar do “medo” abraça-la com um sorriso nos lábios, pois estaríamos nos reunindo a nossa essência. Desculpe-me, perdi-me em devaneios e você certamente quer saber como escapei da família e como o interrogatório acabou. Sem dúvidas foi algo que não esperava e que certamente jamais se passaria pela sua mente, mas foi algo tão magnifico que expandiu minha visão do mundo ainda mais. Eu estava diante do próximo passo da evolução de minha natureza e eu desejei ter todo aquele poder para mim no momento em que vi o que ela foi capaz de fazer.

    Instantes antes de minha punição ter início todos puderam ouvir um grito e enlouqueceram, debatiam-se em agonia e, bem... eu não pude deixar de sorrir ao vê-los daquela forma. Não, eu não havia feito nada e nem sabia o que estava acontecendo, mas eu não precisava negar a satisfação que aquilo trazia. Eles sabiam o que eu era e o que fiz, eu não tinha motivos para fingir não ser o mostro que era ou melhor que sou. Ainda estava sorrindo quando Meredith adentrou no recinto após quebrar a porta, até então não poderia dizer que ela havia sido responsável por aquilo, mas quando ela os matou com as próprias mãos da forma mais agressiva e violenta que eu já havia visto e embora não goste da sujeira desses atos eu fiquei fascinada e soube que ela era o motivo de se debaterem. Eu fiquei fascinada com tamanho poder, eu sabia que independente de quem fosse aquela mulher, ela representava o meu próximo passo evolutivo.

    Até aquele momento eu acreditava que vampiros eram uma lenda criada por pessoas como você tentando explicar a maldade que existia na humanidade mudando a natureza daqueles que cometem atos que consideram cruéis. Mas o que quer que eu acreditasse deixou de importar naquele momento, vampiros eram reais e eu desejei aquele poder. Como humana eu já não estava mais no topo da cadeia, eu era tão insignificante como qualquer outro e eu precisava voltar ao topo. Eu não sei porque ela me escolheu e, talvez eu devesse me importar, mas eu realmente não me importo com isso. Eu só me importo com todo esse poder, com todas as novas possibilidades que ela estava oferecendo e que aceitei.

    Claro que ela queria algo em troca, não seja ridículo. Se eu estivesse em sua posição eu também iria querer. Eu servi meu pai e a família por toda minha curta vida até o momento que aquilo não tinha mais nada a oferecer. Meu pai guiou-me pelos caminhos de minha natureza até o momento em que o derrotei e agora eu estava livre para continuar evoluindo. O que ela propôs não parecia diferente da relação que tive com meu pai, com a única diferença de que aparentemente eu teria mais liberdade. E quanto ao fato de dar minha alma ao diabo, bem, se eu acreditasse nisso: Em um deus e um diabo. Meu caro, eu não posso negar, minha alma já pertencia ao diabo desde o momento em que nasci. Não estou falando do momento em que Cassandra nasceu, mas de quando ela começou a morrer e eu nasci em meio ao sangue de minha mãe. Como Ivy eu assumi minha natureza e hoje eu morri como humana e ressurgi como um vampira e novamente em meio ao sangue de minha família. Eu não posso negar, e você também não deveria, a poesia desse evento. Afinal todas minhas transições estiveram marcadas pelo sangue.

    Ainda não sou o que eles chamam de “Sabá Verdadeiro”, meu aprendizado apenas começou e sim, eu estou me divertindo. Ela sabe quem enviou a mim e a família aqueles pacotes e prometeu-me que revelaria essa informação após meus primeiros trabalhos para ela. Lembre-se, eu disse anteriormente que era melhor para quem colocou-me naquela situação com a família que eu não saísse com “vida” dali, não porque desejo vingança, mas sim porque desafiou-me e eu não recusaria tal desafio nem mesmo quando era humana. Portanto, não o recusarei agora também. Mas antes disso, eu preciso saber do que sou capaz agora, preciso aprimorar-me. Porque? Para tornar tudo mais divertido. Para mim é claro.

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