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    [Prólogo] - Nimue

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    Rosenrot
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    [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por Rosenrot em Sab Maio 20, 2017 4:45 pm

    “Get up, get out, get away from these liars
    ´Cause they don't get your soul or your fire
    Take my hand, knot your fingers through mine
    And we'll walk from this dark room for the last time”

    Open Your Eyes – Snow Patrol







    O amanhecer acontecia muito antes do sol tocar as planícies e dar seu beijo desperto as espécies e aos espíritos. Para Nimue e Aine, o amanhecer acontecia muito, muito antes dos humanos, Parentes e criaturas abrirem seus olhos para um novo dia. Elas levantavam antes da escuridão derradeira deixar as terras, dando espaço para a iluminação. Levantavam e encontravam-se próximas a nascente de um dos riachos que corriam por ali. Levantavam e sentava-se, e ali, ambas comungavam com os espíritos, meditando até o sol realmente nascer, até ele acordá-las de seu estado de transe.

    Nimue viajara de longe, para ser entregue aos cuidados dos Fiannas: não haviam muitas Fúrias Negras naquelas regiões e as poucas que restavam passaram seus conhecimentos a respeito das Tradições e Culturas de suas Tribos, porém, entre as poucas presentes, nenhuma delas tinha nascido na mesma Lua que Nimue e tão pouco nascido lupina. Então, Sussurra-no-Vento ofereceu sua filha mais velha para guiar a jovem Fúria Negra em sua nova missão.

    Assim, Nimue conheceu Aine. Uma lupina de pelos alaranjados, que lhe ensinou o que fora lhe ensinado outrora: sobre a sociedade humana, sobre sua missão como Garou, sobre os espíritos, sobre a Umbra e sobre o compromisso que os Theurge deveriam ter com todos os espíritos que existiam na Tellurian ou na Umbra. Aine lhe mostrou a região, as alcateias de lupinos que vivam por ali. Lhe apresentou também os Caerns e os Parentes Humanos, com os quais agora Nimue precisava aprender a se relacionar.

    Era verdade que os Fiannas tinham costumes diferentes dos de sua Tribo de berço, mas Nimue procurava respeitar essas diferenças, já que eles lhe abriram suas portas para recebê-la, porém seu contato principal dava-se com a outra Theurge lupina, com quem agora sentava-se à beira das águas geladas e meditava. O sol finalmente as tocava e Aine abriu os olhos. Ali, a jovem encontrava-se em sua forma humana: Aine era magra, de uma pele branca e cabelos longos e alaranjados. Tinha pinturas tribais no rosto e nos braços. Os seios estavam desnudos e envolta de sua cintura, pendia uma saia feita de peles de animais. Os pés descalços carregavam apetrechos xamânicos também. Nos cabelos, Aine tinha penas e ossos emaranhados a enfeites.

    Ela se inclinou na direção do rio e com as mãos em concha, juntou a água, levando até o rosto. Borrou boa parte das pinturas feitas, e repetiu a dose até ter um rosto mais limpo, ainda que marcado aqui e ali. Pelo tempo que estava com Aine – cerca de três semanas – Nimue pode notar como a outra Theurge era silenciosa, falava pouco e geralmente apenas o necessário. Mas apesar de nova, a jovem era sabia nas artes dos espíritos e tinha também um bom conhecimento sobre a Nação Garou e sobre como a sociedade humana funcionava. Nimue tinha aprendido bastante, até então.

    Aine sentou-se sobre as pernas, observando o amanhecer. - Eu acho que lhe ensinei tudo que poderia lhe ensinar, Nimue. Acredita tu pronta para o Ritual? – Assim como Nimue, Aine ainda falava de maneira estranha a língua dos que caminhavam sob dois pés, em verdade, tinha sido Aine quem ensinara a maior parte das palavras para a jovem Lupina – que também estava aprendendo a escrever e a ler – com alguns Parentes no Caern.

    Aine olhou para a jovem Fúria, enquanto movia-se para dentro das águas geladas do lago. Nimue sabia que todas aquelas semanas eram apenas o começo, o inicio de uma caminhada que ainda tinha muitos passos para ser dada. Ela ainda era um filhote e precisava provar-se no Ritual para receber a bênção do primeiro posto. A tarefa de Aine tinha sido instruir Nimue em seu Augúrio e prepará-la para o que lhe aguardava. - Você esta por conta Nimue. - Afirmou a jovem, mergulhando na água, antes de vir a tona de novo e falar. - Eu não esta com você lá, não em carne e ossos e sangue. Eu esta em espírito. Você pronta?
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    Re: [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por voorhees em Sab Maio 20, 2017 9:16 pm

    De todas as incríveis descobertas após a Primeira Mudança, o convívio com Aine era a que trazia mais paz ao coração de Nimue. As novas perspectivas da vida, em especial quando seus olhos estavam mais de 1 m acima da altura habitual, inundavam a mente da jovem Garou. Ela se identificava bastante com sua nova mentora, e as diferenças entre as Tribos de ambas pareciam atenuadas diante das lições sobre o Augúrio, que compartilhavam. Muito do que viu e do que aprendeu alimentou em Nimue uma forte gratidão por ser instruída por alguém selvagem como ela, e que também valoriza a natureza e comunga com espíritos.

    Nimue se sentia livre a especialmente forte quando seguia Aine pelas matas fechadas em completa escuridão e iniciava a manhã em respeitosa meditação, unindo a Umbra e o mundo físico. Ela, que tanto protegeu jovens lobos, reconhecia a verdadeira sensação de segurança. Ainda assim, já aprendeu o suficiente para saber que a segurança e a liberdade do mundo selvagem está sob constante ameaça. Já entendeu também que espera-se que ela assuma uma função na proteção de toda a existência e, em sua meditações, ela buscava orientações para se preparar o melhor possível.

    Diante a beleza selvagem de Aine e da manhã impressionante, a jovem Lupino, também em sua forma humana e de pés descalços, ainda se surpreendia em descobertas simples, como a sensibilidade de suas mãos e seu perfeito equilíbrio sustentada em duas pernas. Nimue sempre exercitava seus sentidos, em constante vigilância, e apenas observava a outra Garou entrando na água. Ser questionada sobre o Ritual despertava algum nervosismo que claramente mexia com Nimue. Não era medo, talvez, excitação.

    - Ensinar bem. Obrigada. - conhecer as palavras é mais simples que usá-las - Eu querer o Ritual. O Ritual vai saber se estar pronta, não é? - a magia da conjugação verbal ainda não foi dominada, mas usar expressões prontas trazia alguma confiança, não é? - Estar juntas em espírito fazer sentir força. Muito bom. Nimue pronta sim, Ritual vai saber.

    Ela aproveitava todos os momentos para experimentar a frágil e lenta forma humana. Esticava os braços e quase ficava tonta ao apontar a cabeça em muitas direções. A visão era especialmente diferente mas não considerava nenhuma desvantagem. Sua vida é outra e ela se dedica totalmente ao desafio lançado. Se aproximando do lago e se ajoelhando na margem, Nimue se refrescava ainda sentindo a presença dos espíritos. Ela não podia ter certeza do que enfrentaria no Ritual, mas confiava em Aine e confiava em si mesma. Se sentia pronta. - Quando vai ser?
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    Re: [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por Rosenrot em Dom Maio 21, 2017 12:09 am

    Aine continuava na água, os cabelos molhados grudando nos ombros desnudos. Seus olhos esverdeados pairavam levemente pelo ambiente, como Nimue, a Theurge ainda não perdera o habito da atenção redobrada que os Lupinos mantinham em constante. Aine passou a mão no rosto uma vez mais, continuando a limpeza das pinturas. Diferente daqueles que sempre andaram em duas pernas, Aine usava muito mais os gestos do que as palavras. Falar na língua Garou era mais fácil, mas como Sussurra-no-Vento dissera-lhe uma vez, ambas precisavam praticar a língua dos homens, também (elas falam em Irlandês).

    - Sim. – Disse-lhe a Theurge. – Ritual vai apresentar tu para irmãos e irmãs. E se tu vencer Ritual Nação vai reconhecer tu como Cliath. Vai dizer que Nimue não mais filhote e pronta para ter companheiros de alcateia, como os lobos.

    Aine moveu as mãos, indicando a cabeça. – Nimue não fazer desafio do Ritual com isso aqui. – Disse-lhe a Fianna, ainda tocando a própria cabeça. - Nimue fazer desafio com isso... – Então Aine esticou os braços, indicando todas as direções, todos os lugares, todos os espíritos que ali estavam presentes. – Lembrar que desafio é teu inimigo, Nimue, não subestime inimigo algum.

    Ela se calou, diante da pergunta da jovem Fúria e olhou para o céu que já estava anuviado com a promessa de chuva para aquele dia. Os lupinos, como elas tinham sua própria maneira de verem o tempo passar, de contabilizá-lo em dias, semanas, meses e anos. Aine suspirou.

    – Sussurra-no-Vento-rhya fazer assembleias na Lua do Guerreiro. Faltam quatro Luas. Então vai ser Lua do Guerreiro de novo. Sussurra-no-Vento-rhya convoca todos Garou de Folha Dourada da Grande Árvore (nome da Seita). Então filhotes recebe desafio. – Ela moveu os ombros, deixando de olhar o céu.

    - Mas não pensar nisso agora. – Concluiu, movendo-se para fora da água. – Eu fazer vigia hoje. Nimue vem junto pra observar vigia, aprender a fazer vigia também.
    voorhees
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    Re: [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por voorhees em Seg Maio 22, 2017 7:33 pm

    *- Sim... Ritual vai apresentar tu para irmãos e irmãs...* - as palavras da Fianna só aumentavam a vontade de Nimue em viver mais essa experiência. Não havia pressa ou ansiedade vazia. A Fúria sentia um enorme desejo de se provar merecedora de sua nova condição. E isso também não era reflexo de alguma vaidade. Naquela manhã tão especial, ela experimentava uma imensa e inquestionável paz interior.

    Enquanto Aine removia as últimas marcas de seu rosto claro, Nimue enfiava as mãos molhadas na terra e apertava, enraizando seus dedos finos. A ligação com a a Obra de Gaia era máxima e a Garou, de olhos fechados, inspirava com determinação. Essa ligação com todos os elementos naturais, com o mundo físico e com o mundo espiritual fortalecia a jovem Theurge. Ouvindo outra vez a voz de sua mentora, Ninue a observava com atenção e seguia todos seus gestos. Ela concordava totalmente que conhecer o mundo espiritual e respeitar a natureza era uma vantagem das duas que jamais deveria ser menosprezada. - Sim. Eu não diminuir inimigo. - Nimue acenava para Aine, colocando os punhos fechados cheios de terra para dentro d'água.

    Já com as mãos limpas ela se apoia nos joelhos e começa a se levantar. Diferente da mentora, Nimue usava roupas mais comuns, calça e camisa de tecido grosso e simples, muito parecidas com as usadas por mulheres comuns no campo. Ela tirou o excesso de terra das calças claras e um pouco curtas e olhava para o céu também. Levou as mãos aos olhos, sugerindo uma observação cuidadosa e comentou com Aine - Eu gostar de vigiar. Proteger terra e posição. Vai prestar atenção sim.

    Olhando em volta, como quem procura alguma coisa ainda perguntou para a outra Garou - Contra que vamos vigiar? Quem ser problema aqui? - A jovem Fúria caminhava com os pés descalços n'água tocando com as mãos delicadas [na visão dela] as folhas dos arbustos próximos. Ela estava contente.
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    Re: [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por Rosenrot em Ter Maio 23, 2017 11:38 am

    Aine muito mais familiarizada com aquelas matas do que Nimue, caminhava sem pressa por agora, enquanto pensava sobre a tarefa que lhe tinha sido dada. Sua própria alcateia tinha outra função naquele dia e a Theurge com mais alguns outros de outras matilhas ficara responsável pela vigia da manhã. Aine sabia também que em Caerns maiores que o Chifre do Cervo – como o gigantesco Caern de Tara – haviam alcateias apenas para fazer a vigia… E ela achava aquilo fascinante.

    Conforme andava, Aine começou a mudança de seu próprio corpo; os pelos alaranjados tomando o lugar da pele branca, as patas deixando mãos e pés para trás. Aine era um lupino alaranjado de porte médio – Nimue era um pouco maior que ela em tamanho até – com olhos amarelados e brilhantes. Era mais cômodo fazer a vigia naquela forma e para lupinos, mas cômodo falar na língua Garou, aquela que instintivamente eles aprendia e compreendiam.

    “- A Vigia é importante em tempos de paz e de guerra. Talvez até mais importante em tempos de paz, para se evitar as guerras.” – Disse-lhe a jovem Fianna, enquanto ambas se esgueiravam pela mata. - Eire (Irlanda) não é mais como era antes. Há outras Tribos nessas Terras e nem sempre nossa convivência foi pacifica. Os filhos do Grande Lobo (Crias de Fenris) estão ao Norte e nossa aliança é fraca. Os filhos do Avô Trovão (Senhores das Sombras) também estão aqui e neles não podemos confiar de olhos fechados. Os filhos do Rato (Roedores) inundam as cidades de Eire e nunca sabemos exatamente como lidar com eles… E claro… A Besta da Corrupção sempre espreita, Nimue, ela nunca descansa e nós não devemos descansar também. Ela já esteve aqui, uma vez. Muito antes de mim ou de você. Um dos Filhos do Falcão trouxe a Corruptora com ele e ela atacou nossos Caerns. Nossos antepassados lutaram com bravura para expurgá-la, mas ela sempre espreita. A Vigia é importante, em tempos de paz e em tempos de guerra, pois como nossos irmãos lobos, somos criaturas territorialistas.

    Ela fez uma pausa, respirando fundo e farejando o ar. – Há ainda muitas disputas por territórios. Por isso é importante manter os nossos vigiados e protegidos. Vamos, vamos correr que talvez você consiga ver a alcateia dos Lobos do Norte. É bonita, Nimue… Eles foram nossos amigos, antes de se tornarem berserkers assassinos. São grandes guerreiros, mas se viciaram ao gosto de sangue. Mas não os subestime, Nimue. São leais aliados quando se precisa deles.

    (…)

    A Vigia consistia em percorrer todas as fronteiras demarcadas como território do Caern de Aine e Nimue, era um trajeto longo, e Aine havia explicado a Nimue que elas ficavam com um lado e outros Garou com outro lado, e à tarde, essa vigia era passada para outra alcateia e à noite para outra e pela manhã à outra e assim seguia-se o ciclo.

    Como a Fianna havia dito, Nimue e ela puderam ver os Crias de Fenris patrulhando as próprias fronteiras, eles – eram três – pararam por um momento para saudar as duas lupinas. Eram lobos grandes – maiores que as duas – com aspecto forte até mesmo na forma lupina. Seus pelos eram de um cinza claro, dois deles tinham olhos azuis e um olhos amarelos, as mandíbulas eram largas e com aspecto forte, também. Nimue podia imaginar o que Aine tinha dito: eles pareciam guerreiros valorosos mesmo.

    Elas voltaram a correr e eles também, indo em direções opostas.

    - Aquele era Máni “Manto-de-Sombras” filho do Ancião de Canções de Chuva, o Caern mais próximo daqui. São os poucos Crias de Fenris que vivem fora do Norte de Eire, estarão na assembleia do seu desafio.

    O resto do dia tornou-se apenas isso, ambas correram pelas divisas das fronteiras do Caern até a chegada de outros Garou para que passassem o ‘turno’ para os próximos vigias. Aine precisou voltar aos seus afazeres com sua própria alcateia e Nimue tinha de retornar ao Caern para seus aprendizados com os Parentes humanos, onde aprendia a ler, escrever e sobre o comportamento na sociedade humana.

    OFF:
    Voorhees, como sua personagem está um pouco mais avançada que os demais (já passou pela mudança) nosso prólogo vai ser mais curto. Tente fazer um resumo dos próximos dias da Nimue (o que ela fez, onde foi, o que aprendeu) você pode usar a Aine nesse resumo também, pois agora voltaremos apenas na assembleia. Eu vou fazer nos outros prólogos as mudanças e resumir os ensinamentos deles para dar prosseguimento e juntar todos na mesma assembleia. Busque ser o mais detalhista possível no resumo dos dias dela, para que possamos explorar bem esses dias no Ritual. Outra coisa. Sobre o nome Garou. Você escolheu algum ou vai deixar ser escolhido por mim? Pode me responder essas coisas lá no tópico off.
    voorhees
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    Re: [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por voorhees em Qui Maio 25, 2017 12:41 am

    Nos dias seguintes a rotina de Nimue era de continuo aprendizado e ela gostava disso. A jovem Fúria se sentiu muito bem acolhida no Caern e tentava aproveitar ao máximo a convivência com Aine, com quem se identificou muito espontaneamente. A líder Sussurra-no-Vento também representava algo especial, quase mítico, para Nimue, que valoriza bastante a força feminina e a proteção da natureza.

    Cada dia trazia novas descobertas:
    Especialmente descobertas sobre os seres humanos e sua incrível sociedade. Mas a Garou ainda tinha uma visão bastante limitada do que a aguardava. Acompanhar sua amiga Fianna no dia-a-dia, meditar e comungar com espíritos, reconhecer o território e aprender sobre todo o mundo novo era um privilégio, uma dádiva. Nimue, porém, demorou um pouco a perceber que não poderia continuar a aprender se permanecesse como uma sombra de Aine. A sensação de conforto e segurança de ter a realidade traduzida por uma jovem Garou que nasceu Lupina como ela era irreal, incompleta, e distante do desafio de interagir com toda a Criação sem aquela intérprete tão querida.

    Caçar, correr, aprender, meditar e vigiar junto com Aine eram lições realmente agradáveis para Nimue e ela poderia viver aquilo pelo resto da vida, em uma bolha isolada das inúmeras complicações do mundo. Quando foi orientada a tentar aprender a partir de Parentes e outros Garou, a Fúria sentiu o impacto. Lidar com espíritos animais era uma coisa, mas entender etiquetas e costumes sociais, e toda complexidade das relações entre humanos parecia um absurdo após o outro.

    Dominar a comunicação verbal era um desafio claro para ela, mas esse sempre fácil de ser compreendido e tinha influência imediata no seu cotidiano. A cada dia havia incontáveis informações muito importantes para aprender sobre modos básicos, do que se deve fazer e, talvez mais importante, do que não se deve fazer diante dos olhos humanos. O papel das roupas e outros acessórios, por exemplo, era bastante simples. Ela própria se sentia bastante vulnerável com a exposição da sua pele sob a forma humana, significativamente mais frágil que sua cobertura de costume. Logo aprendeu rápido a dominar um ritual que preservasse suas roupas comuns quando se transformasse e isso foi uma conquista comemorada.

    Ainda assim, fazia muito pouco sentido a necessidade das constantes trocas de vestimentas e tantos acessórios que mudavam apenas sua aparência. Foi quase impossível conceber o que seria vaidade e qual sua importância. Quando tentaram lhe ensinar o uso de substâncias específicas para alterar textura e coloração da pele, com técnicas e instrumentos específicos para diferentes situações sociais, Nimue mal podia acompanhar o que era dito. Ela tentou esboçar riscos horizontais e escuros abaixo dos olhos, tentando imitar a os símbolos que via no rosto de Aine, mas a todo tempo perguntava qual o significado do ritual e como os espíritos a veriam. Nenhuma das mulheres em volta foi capaz de fazê-la entender a importância de delineamentos de sobrancelhas e tantas outras iniciativas inimagináveis. Por fim, ela se limitou a usar um acessório que permitisse prender os cabelos quando quisesse, mas não confessou a ninguém que só fazia aquilo para mostrar algum esforço e sucesso mínimo naquele aprendizado.

    A mesma dificuldade foi a instrução sobre uso de perfumes. Os cheiros revelam muito no mundo animal e manipulá-los até poderia ser uma vantagem, mas ela achava que tantos odores artificiais confundiam sua própria percepção antes que pudesse ser útil contra algum indivíduo. Nimue, claro, tinha sua feminilidade instintiva e natural e se apoiava bastante no uso de olhares e gestos para se comunicar, especialmente sem o domínio da língua falada. Os artifícios criados pela humanidade para disfarçar emoções e percepções, porém, eram absolutamente estranhos para ela.

    Todo esse exercício, claro, foi recompensado. O esforço em tentar aprender o que lhe parecia tão incomum foi fundamental para que ela se conhecesse e definisse sua personalidade e sua visão do mundo. Ajudou em sua comunicação, em seus modos e, em sua própria visão, seria facilmente confundida com uma mulher comum. Ela escolheu para si o estilo visual de mulheres simples, sem grandes adereços. Usava botas baixas em couro e uma calça em tecido grosso como linho, não muito justa e que mal cobria aos tornozelos. Vestia uma blusa em um tom escuro de azul presa por dentro da calça, com mangas compridas. O material também era rústico, porém, bem feito e não tão espessa como a calça. Por cima da camisa, um simples colete de couro, escuro como as botas e a calça. Nimue se sentia mais protegida com aquele fino colete aumentando a cobertura do busto e dando mais segurança para sua movimentação. De fato, sua aparência não chamaria atenção, especialmente em ambientes menos urbanos.

    Compreendeu como poderia se alimentar quando não estivesse em sua forma original mas achou muito complexa a variedade de alimentos e mal reconhecia a maioria daquilo que era consumido pelos outros. No entanto, preferia decididamente caçar e se satisfazer como lobo. Conheceu formas de transporte e comunicação que não se via capaz de usar. Ouviu sobre lugares e povos desconhecidos. Se fascinou com as assustadoras cidades, tão cinzas e secas. Aprendeu a importância de abrigos construídos pelo homem e estranhou dormir em cômodos fechados, sob luz e ventilação artificial. Preferia dormir ao ar livre e outro importante ritual foi dominado. Agora ela era capaz de usar estruturas mínimas como seguros refúgios.

    Todavia, nas últimas semanas a transformação dela era inegável. Ampliando muito sua experiência com o mundo natural, Nimue conheceu a sociedade humana, a Umbra e os Garou. Sua existência agora era plural, complexa, e ela se via membro de toda essa realidade cheia de dimensões e percebeu os princípios e os conflitos mais importantes de cada manifestação. A jovem Fúria, sempre respeitosamente, explorava o mundo espiritual e seus habitantes, buscando compreender melhor a ligação entre os diferentes domínios. Aine a orientava bem nas questões relativas ao seu Augúrio e Nimue se esforçava para ampliar seu ponto de vista, complementando suas experiências. Não raramente ela se permitia andar pela Umbra e aprender com os espíritos mais acessíveis e bem dispostos. Muitas vezes ela entrava no mundo espiritual sem intenção, tamanha sua ligação com essa forma de existência.

    Quem viu a jovem selvagem ser apresentada à Sussurra-no-Vento pouco mais de um mês antes e a vê agora é testemunha de alguém que se dedicou e se esforçou genuinamente para fazer parte e fazer por merecer estar ali. Provavelmente essa evolução teria sido totalmente diferente se não tivesse Aine e sua mãe como principais referências entre os Garou. A identificação original foi fundamental para criar as bases para todo esse aprendizado. Os Parentes e muitos outros Garou sabem que a motivação dela em se dedicar às suas lições vai além do conteúdo assimilado. Nimue faz de tudo para não perder oportunidades de manhãs como aquela que teve com Aine, junto à natureza e aos espíritos. Correr com a outra Theurge pelo território do Caern representava aquilo que Ninue mais valorizava e defendia.

    A jovem Garou, à expectativa do Ritual que lhe apresentaria para a Seita, buscava aprender o que pudesse sobre os outros com quem imaginava interagir vivendo naquele Caern. Ela não esquecia os guerreiros filhos do Grande Lobo que viu na primeira vigia que fez com Aine. No entanto, ela não se intimidava, com a participação deles em seu desafio. Não diminuía a importância do que a Fianna já tinha dito mais de uma vez, "não subestime seu inimigo", mas não era o caso. O desafio só a consagraria se fosse superado, vencido, e ela só esperava conquistar isso se de fato fosse capaz. A origem Lupina dela trazia um poderoso instinto de sobrevivência, mas simplificava sua visão, no sentido de que jamais esperaria que o desafio se adequasse a ela. O natural era o contrário. Ela não subestimaria seus inimigos, mas também não os escolheria.

    Quase chegando a Lua do Caçador que marcaria sua passagem, ou sua queda, Nimue tentava participar ao máximo dos grupos de vigia e das incursões com Aine. Essas experiências fortaleciam sua ligação com o que ela entendia como vida de um Garou e, claro, era o que lhe trazia mais prazer e satisfação. Seus sentidos muito apurados, mesmo entre os lobos, mereciam destaque nos grupos de busca e ronda. A Fúria Negra, no entanto, não se via como parte lobo, parte espírito e parte mulher. Ela acreditava que era tudo isso por inteiro, uma unidade, uma Garou que se identificava com todas as realidades distintas que se apresentavam agora, e desejava conquistar seu espaço em sua sociedade.

    OFF:
    Nimue não precisa aprender muito mais sobre a natureza selvagem. Já dava aula disso enquanto lobo. A sociedade Garou, as relações humanas e a interação com a Umbra e seu Augúrio, porém, são muito recentes para ela. Como está sendo observada e orientada, é razoável imaginar que existe algum equilíbrio nesse aprendizado. Com toda certeza, porém, a ligação com o mundo dos homens é a menos natural para ela. No enorme texto, talvez ,por absurdo que pareça, não tenham sido pontuados muitos detalhes, ainda que os principais traços, qualidades e defeitos estejam ali. A narradora pode orientar que algo seja melhor explicado e não temos nenhum problema com o ritmo ou com a espera. Nimue está na boa correndo por aí. E o nome Garou dela fica por conta da narração!
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    Re: [Prólogo] - Nimue

    Mensagem por Rosenrot em Ter Maio 30, 2017 11:21 am

    Os dias e noites de Nimue foram dúbios. Havia tanta coisa nova para aprender. Tanta coisa nova para descobrir. Aine mostrou-se uma boa professora. Paciente e focada, ela lhe instruía em tudo que tinha sido instruída. Era fácil para ambas conseguirem lidar uma com a outra, graças suas familiaridades em raça e augúrio. Outros Garou também instruíam Nimue, como os Philodox e os Ahroun, lhe ensinando coisas sobre Leis e sobre lutas.

    Os Parentes humanos mostraram-se um desafio a parte para a jovem lupina. Era difícil entender seus costumes e entender sua essência e presença. Os Fiannas eram um povo festivo, e Nimue descobriu isso logo, era difícil acompanhá-los, às vezes. Mas Nimue era bem tratada pela maioria deles sem muitos problemas.

    Os dias iam e vinham. Então o dia chegou.

    Nimue sabia que era um dia importante, ela podia, desde o inicio daquela manhã ouvir muitos e muitos uivos pedindo passagem, de muitos Garou que vinham de outros lados da Irlanda, trazendo suas histórias, seus filhotes e tudo mais. Para ser sincera, Nimue nunca tinha visto tanto Garou juntos e se perguntava quantos mais poderiam haver por aí.

    Quando a noite chegou e eles foram todos para dentro da mata, para dentro das clareiras formadas próximas ao Caern, ela podia observar a miríade de culturas ali: haviam os Fiannas, os Presas de Prata, os Fenris, os Roedores. Um Uktena aqui e ali. Era interessante.

    Sentada com Aine em um canto, próximas a uma fogueira, enquanto as duas conversavam e Aine lhe identificava Tribo a Tribo, dois Garou se aproximaram, Aine se calou, para ouvi-los
    .

    - Antes-Que-Anoiteça. – Disse Máni, se aproximando de Aine e Nimue. - Essa é a filhote Lailah, dos Filhos de Gaia. – E a Aine voltou seus olhos para Lailah, olhando-a de cima a baixo por um breve instante, antes de voltar seus olhos para Máni. – Essa é Aine “Antes-Que-Anoiteça”, Laila, Theurge Fianna, filha da Líder desse lugar.

    Próxima a Aine estava outra Lupina, de pelo negro e branco. Aine voltou-se a ela e disse. - Máni "Manto-de-Sombras", filho de Erik "Justiça-Primeva". - Lailah pode notar como a outra ruiva tinha bastante dificuldades em falar a língua comum. - Está é Nimue, filha do Pegasus, esteve sob minha tutela até o dia de hoje, para o ritual.

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    Re: [Prólogo] - Nimue

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      Data/hora atual: Qua Out 18, 2017 11:05 am