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    [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

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    Rosenrot
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    [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Seg 22 Maio 2017 - 12:41

    "Life goes on, it gets so heavy
    The wheel breaks the butterfly
    Every tear, a waterfall
    In the night, the stormy night
    She'll close her eyes
    In the night, the stormy night
    Away she'd fly"

    Paradise - Coldplay







    Sienna

    Quando aquele dia amanheceu, Sienna que tinha tido uma noite problemática graças a tempestade, tinha uma sensação esquisita de que algo estava fora do lugar mesmo que não conseguisse definir exatamente do que se tratava. Ela também encontrava-se preocupada com sua irmã gêmea, que até o momento não tinha lhe dado notícias ou qualquer coisa do tipo. E a casa parecia em um silêncio quase sepulcral. O que era estranho para aquela hora da manhã. Quando reuniu vontade de realmente levantar da cama, Sienna foi cuidar da higiene pessoal, antes de dirigir-se ao salão onde a família fazia as refeições.

    Lá, ela pode encontrar o pai e o irmão, assim como alguns associados da família que viviam pelos arredores – alguns faziam parte da matilha do irmão de Sienna – era estranho ver a cadeira de Aimee vazia, mas por algum motivo estranho Sienna estava começando a se acostumar com aquela ideia. Não conseguia imaginar como a irmã ia fugir daquele casamento sem fazer algo muito drástico e que a prejudicasse.

    Mas o que a estava preocupado naquele momento não eram esses pensamentos… Era a calmaria que seu pai parecia deter diante de mais uma fuga da jovem Aimee… Normalmente empregados e subordinados estariam se movendo de um canto para o outro para descobrir onde Aimee estava àquela hora, mas nos dias que antecederam a ‘fuga’ da jovem, ninguém fez absolutamente nada.

    - Não acho que sejam uma boa ideia vocês ficarem zanzando nas fronteiras com o Norte. – Disse o pai de Sienna para seu irmão. - Vocês bem sabem de quem são àquelas terras e bem sabem que ela não gosta muito que fiquem fuxicando por lá. E além do ma... – Mas sua fala foi subitamente interrompida pela entrada de um dos criados da casa, o sujeito andou até os dois homens e cochichou algo em seus ouvidos.

    - Deixem passar. – Decretou o irmão de Sienna e o homem se retirou. Houve uma troca muito rápida de olhares entre os dois. As coisas voltaram levemente ao normal, enquanto Seamus perguntava a Sienna como ela se sentia naquela manhã e etc, etc.

    O café da manhã estava correndo relativamente bem, quando o sujeito que entrou a poucos minutos retornou, e anunciou.

    “- Senhora Mayla “A-Grande-Caçadora-Cinza.” - O sujeito mal acabou de falar e uma mulher entrou na sala… Ela não se vestia exatamente como uma nobre; sua camisa era algo bastante rústico aparentemente feito em casa e meio medieval, a saia parecia feita de peles de animais e as botas amarradas com tira de couro, pareciam ser feitas de pele de cervo… Ela era alta (cerca de 1.77m) tinha os braços fortes e os cabelos loiros trançados, atrás dela vinham mais dois sujeitos, mas que ficaram a alguma distância da Cria de Fenris, que encarava o irmão de Sienna com sangue no olhar. A mulher trazia um saco de couro numa das mãos, e ele parecia molhado ou viscoso, era difícil decidir. Na cintura, tinha presa uma Klaive.

    Ela enfiou a mão dentro do saco e de lá tirou uma cabeça de cervo que ainda sangrava e jogou na mesa do café da família, na direção de Aeron, que junto com o pai se levantou surpreso.

    – Isso é um aviso de A-Dama-da-Guerra-rhya. – Falou Mayla, Sienna já tinha ouvido aquele nome na época em que sua mãe ainda era viva. A-Dama-da-Guerra era uma Ahroun Cria de Fenris que dominava a maioria dos Caerns da Alemanha e também tinha dedos nos Caerns ao Norte da Irlanda. Era uma mulher temida e respeitada não apenas entre os Crias, mas também entre outras Tribos, tinha sido grande amiga de sua mãe. Mayla continuou.
    - Por respeito a memória e aos feitos de sua mãe, não é sua cabeça ai e agora. Mas se você e sua matilha continuarem insistindo em enfiar seus focinhos em nossas fronteiras e assustar nossos Parentes, você será morto. E essa frágil aliança desfeita. Esse é o primeiro e último aviso, Presas-Perfurantes. Nossos Parentes não são para seu entretenimento. Se você quer brincar de bonecas, use os seus. – Mayla cuspiu no chão e deu-lhes as costas, os outros dois acompanharam ela…

    Seu irmão, cabeça quente moveu-se, mas foi contido por dois membros da sua própria matilha. Seamus gesticulou e alguém apareceu para tirar a cabeça de cima da mesa. Ele lançou um olhar para Aeron, mas não disse nada.

    “- Sienna, venha comigo por favor, querida.” – Disse o homem, movendo-se para fora da sala. Tinha perdido todo o apetite afinal de contas. O homem andou pelos corredores da mansão, e dobrou em uma das muitas salas de leitura por ali, indicou que Sienna sentasse e ele o mesmo o fez. ”- Sinto muito que tenha tido que presenciar isso, seu irmão às vezes é...” – Gesticulou com uma das mãos, não terminando a frase.

    ”- De qualquer forma, preciso que você faça um favor para mim. Andei refletindo e acho que preciso abordar nosso… Porém com Aimee de maneira diferente. Acho que vocês duas se entendem melhor, então você poderá ser minha diplomata nessa história.

    Ele acendeu um charuto e aguardou.


    (…)


    Nobody said it was easy
    It's such a shame for us to part
    Nobody said it was easy
    No one ever said it would be this hard
    Oh, take me back to the start
    The Scientist - Coldplay









    Aimee


    Ela tinha demorado para pegar no sono, àquela noite. Depois de todas as coisas que haviam ocorrido e pelo fato de não conseguir parar de pensar em como sua irmã, provavelmente estava amedrontada diante da tempestade que caia. O sono demorou para chegar, porém eventualmente ele veio, e como sempre, carregado de seus mais profundos pesadelos.

    Quando acordou naquela manhã cinzenta de Bray, Aimee sentia-se muito cansada. Seu espírito estava esgotado e seu ânimo tinha lhe abandonado quase por completo. Ela demorou a se levantar da cama e talvez só o tenha feito porque o estômago exigia isso, já que estava faminta. Aimee teve algum tempo para se arrumar e descer para tomar o café.

    O lugar que tinha escolhido era pequeno e acolhedor. Tinha um ambiente vintage bastante agradável. O salão onde estava sendo servido o café da manhã era pequeno, mas muito organizado, limpo e decorado. Haviam além de Aimee apenas duas pessoas ali. Uma delas chamou bastante a atenção da Parente Prata, simplesmente pelo modo como vestia-se. Era uma jovem magra, de pele branca e cabelos escuros. Seu visual remetia a uma rebeldia estilística: cabelo raspado nas laterais, piercings, roupas escuras, maquiagem pesada. Ela estava observando um tablet e com fones de ouvido, parecia absorta em seus próprios assuntos.

    Aimee serviu-se do que queria e procurou uma mesa para se sentar. A jovem Parente teve alguns poucos minutos de sossego solitário, então alguém puxou a cadeira frente a ela. Talvez para seu espanto era exatamente a menina rebelde que Aimee tinha observado ao entrar.

    - Eu conheço você. – Disse ela, num Irlandês carregado de um sotaque de outra língua. Russo, talvez? – Você é irmã daquele Bettencourt, não é? Eu conheço você porque minha irmã pôs seu irmão pra correr daqui com o rabo entre as pernas.” – Ela deu uma risada e moveu a cabeça em negativo.

    - Sasha Smirnov. É estranho ver um de vocês aqui, sinceramente, considerando o fato de que seu irmão não é bem-vindo. – Sasha se recostou na cadeira, dando uma olhada em volta muito breve, depois moveu os ombros de leve. Não se interessava muito por aqueles assuntos de família e afins, mas informações eram sempre informações. Aimee sabia quem era os Smirnov. Eram Senhores das Sombras, e junto com outra família, dominavam alguns poucos condados da Irlanda, e Wicklow era um deles – onde Bray estava e onde Aimee tinha ido parar – ela provavelmente tinha se esquecido desse detalhe. As famílias não se davam muito bem há alguns anos e o temperamento do seu irmão não tinha ajudado já que o jovem tinha se metido em alguma confusão por aqueles lados e gentilmente convidado a não retornar mais.

    O que talvez fosse bom, já que se ele não podia ir ali… Queria dizer que não podia ir atrás dela.

    Mas ela podia ficar?

    Sasha lançou um olhar na direção de Aimee, ela se recostou na cadeira de novo. – Então, porque a Princesa tá fora do palácio?
    Persephone
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Seg 22 Maio 2017 - 20:49

    Quando Sienna abriu os olhos naquela manhã, teve a sensação que só mantivera os olhos fechados por cerca de vinte minutos. Talvez não estivesse tão longe da verdade, visto que só conseguira pegar no sono quando o dia começou a amanhecer.

    A tempestuosa madrugada trouxe uma série de preocupações para a mente da jovem Parente. Iam desde a provável falta de luz – que não era algo pequeno para ela - até a ausência de notícias por parte de Aimee. Durante os últimos dias, Sienna não desgrudara do celular, olhando para ele mais vezes do que mandava a etiqueta. Sua irmã não aparecera mais nos aplicativos e também não respondera às mensagens por SMS. Pior que estava com a sensação de que Aimee não estava tendo uma boa noite. Uma angustia crescente parecia sufocar sua garganta a ponto de fazer seus olhos lacrimejarem. Não fazia ideia porque se sentia assim ao pensar de Aimee.  

    Durante toda a noite, manteve os olhos cravados na vela que se transformava em pura cera enquanto a mão não soltava o colar de ouro branco. Num pedido silencioso, orava para que sua irmã estivesse bem e protegida.

    Enquanto repetia a prece, seus olhos começaram a pesar até que o sono finalmente veio. Infelizmente, ele não tinha durado muito e agora Sienna se sentia cansada demais para levantar. Mesmo assim, ela sabia que deveria fazê-lo. Já devia estar atrasada, mas esperava que não muito.  

    Ao se deparar com sua imagem no espelho, viu os sinais de olheiras que precisavam se escondidos com maquiagem. Uma dama sempre precisava estar apresentável, para qualquer ocasião. Com bastante cuidado, tratou de sua assepsia e iniciou a maquiagem. Normalmente não pesava muito, mas naquele dia precisou de um pouco mais de corretivo na bolsa dos olhos. Por conta da prática, não demorou mais do que meia hora para ficar perfeita.  

    Seus passos começaram a ecoar de modo sutil pelo piso de madeira que levava até a sala de jantar. Sienna parou por um instante, reverenciando brevemente o pai e o irmão antes de se sentar.Trajava um vestido acinturado, de mangas ¾, rendado , num tom de azul bebê. Os longos cabelos ruivos caíam numa suave cascata até a altura de sua cintura. A maquiagem era bastante delicada, destacando os olhos azuis e com um batom claro. Usava brincos pequenos de ouro branco e o colar com o pingente com um relicário caindo até o peito.  

    - Bom dia.

    Sentou-se em seu lugar tentando manter a naturalidade, mas estava bastante intrigada. Não era a primeira vez que Aimee fugia de casa, mas era a primeira vez que o pai parecia tratar com tamanha leviandade. Pelo menos aparentemente. Não fazia ideia do que ele estava fazendo por baixo dos panos.  

    O pai e o irmão continuaram com a conversa. Sienna estava colocando um pouco de leite em seu chá quando todos foram interrompidos pela abrupta entrada de um dos empregados da família. No mesmo instante, a jovem acreditou que ele trazia notícias de sua irmã. Virou-se para ele com os olhos um pouco mais abertos.

    "Deixem passar", seu irmão anunciou. Seu coração estava batendo na altura da garganta e a chegada da mulher não a tranquilizou. Trazia alguma coisa viscosa dentro daquela bolsa e o cheiro não era dos mais agradáveis. Já tinha perdido seu apetite antes mesmo de saber o que estava acontecendo, tanto que ela já havia soltado sua xicara de chá.

    Apesar da ansiedade, ela não demorou-se em observar a mulher. Voltou à postura certa e abaixou os olhos, voltando-os para o centro da mesa enquanto os Garou falavam. Engoliu em seco enquanto o cheiro começou a dominar o local. Deu um pulo para trás, arrastando a própria cadeira e quase virando o salto quando se deparou com aquele cervo. Abafou um grito e fechou os olhos com forças e sentiu repulsa e pena do animal. As mãos estavam na altura dos lábios para ajudar a conter o grito.

    Ouviu o nome de uma Garou respeitável e temida, porém grande amiga de sua mãe. Saber que seu irmão estava aprontando e colocando a reputação da mãe deles em xeque, a aborrecia sobremaneira. Gaia era injusta por permitir que alguém como Aeron carregasse o legado de sua família. Seu irmão não merecia o que tinha.

    E, mais uma vez, seus mimos trouxeram problemas. Não bastou a história em Bray, agora isso.  

    Terminariam expulsos da Irlanda graças a ele, nesse ritmo. E quem iria pará-lo? Até mesmo garota, ele parecia disposto a enfrentar a mensageira d'A Dama da Guerra.

    O clima continuou tenso mesmo após a partida da Cria. Sienna continuava no canto da sala, retraída e com os dentes trincados. Olhava para o chão porque não tinha estômago de ver aquela cabeça na mesa do café da manhã. Mordeu o labio internamente até ouvir as orientações de seu pai.

    - Sim, papai.

    Seguiu logo atrás o homem, mas olhou para a cara do irmão uma vez antes de entrar no escritório dele. Escolheu uma das poltronas em frente à mesa e meneou negativamente.

    - Sim, papai, às vezes ele é assim...O senhor não se preocupa com o que ele pode causar? - Acabou soltando, encarando o pai, mas logo se envergonhou porque podia parecer que estava criticando a criação de seus pais. - Perdão. Eu só estou um pouco nervosa com o que vi.  

    Engoliu em seco e o encarou. Finalmente ele falava sobre Aimee, mas Sienna não estava certa se gostaria de ouvir o que ele tinha para dizer.

    - O que o senhor gostaria que eu fizesse, papai?
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Seg 22 Maio 2017 - 23:28


    Dormir nunca era uma tarefa fácil para Aimee. Principalmente nas noites que tempestades assolavam o clima externo e faziam ela se lembrar de Sienna. Era algo incrível a ligação que as duas possuíam: mesmo distante, sentiam quando a outra estava aflita, triste ou em perigo... E geralmente esse sentimento mútuo só fazia as sensações ruins aflorarem ainda mais na mente e no peito das ruivas O’Shea. Naquela noite, não fora diferente. Aimee chegara molhada e muito cansada, tirando a roupa e deixando o corpo cair na cama, pesadamente. Queria mandar notícias para a irmã, mas, primeiro, não fazia ideia de onde havia deixado o seu celular, perdido na primeira noite dela na cidade; e, segundo, não podia dar brechas para o seu pai saber onde estava. Não ainda. Só voltaria quando os Kavanagh saíssem de  Wexford... Isso se de fato fosse voltar. Viajar para Bray havia dado sorte para a menina, afinal, nenhum subordinado do pai ou do irmmão havia aparecido por ali.

    A menina fechou os olhos, se lembrando do verão antes de seu noivado e de como  Sienna parecia feliz, voltando para casa para ver o pai. Ela sempre fora uma menina boazinha e um tanto ingênua, tão parecida com Eloise quanto Aimee era. A irmã nunca percebera que ser tão igual à amada mãe era uma maldição para ambas, fosse por isso afastar o pai das duas... Ou por aproximar pessoas ruins. Naquele verão, as duas se enfiaram na floresta e, por ideia de Aimee,  tentaram domar um cavalo selvagem, coisa que não deu certo e rendeu à irmã o primeiro osso quebrado e a ela um dos muitos que já partira em suas estripulias. As duas quebraram o braço, Aimee o esquerdo e Sienna o direito, assim como as suas marcas de família.

    Estreitou os olhos, tentando manter a lembrança ensolarada em sua mente e afastar aquele sentimento... E os pesadelos que a assombravam. Mas falhou miseravelmente em ambos.

    [...]

    Pela manhã, parecia estar mais cansada do que quando fora dormir. Devido estar nua e as cobertas serem bem finas ali, estava tremendo com o tempo frio e cinzento da cidade, além de ouvir seu estômago roncar e a bexiga quase gritar de tão cheia. Ao menos seu corpo ainda tinha vontade de fazer algo, embora sua mente quisesse apenas ficar ali, no quarto inundado de breu. Olhou o radiorrelógio na mesinha ao lado da cama e calculou que ainda tinha tempo, antes de terminarem de servir o café, por isso, enrolou um pouco mais na cama, se levantando apenas quando a fome e o aperto para ir ao banheiro estavam impossíveis de domar.

    Vestiu qualquer coisa para poder ir até o banheiro compartilhado e tomar um banho, embora a água quente tivesse acabado já. Decidiu não lavar a cabeça, por isso. Vestiu as únicas roupas minimante limpas que ainda tinha na mochila: uma calça jeans preta de cintura alta, o sutiã que estava vestindo há alguns dias, uma camisetinha que nem era dela e estava bem curtinha, provavelmente pegara emprestado de alguma amiga e esquecera de devolver, e o único casaco que levara para aquela viagem. Colocou o tênis, que ainda estava molhado pela noite anterior, e um óculos de sol, para disfarçar a cara de morte que estava estampada em seu rosto. Após prender o cabelo, sem muito cuidado, juntou as outras roupas na mochila e colocou a mesma nas costas, planejando ir na lavanderia após o café... e logo descera para o primeiro andar do pequenino e aconchegante hostel no centro de Bray.
    [...]

    Como gastaria uma graninha pra lavar as roupas, resolvera aproveitar o desjejum oferecido de graça no hostel. Pegou de tudo que tinha: cereal, achocolatado, frutas, pães, alguns biscoitinhos e bastante café.  Ocupou quase toda a mesinha na qual sentara, para evitar, também, companhia de estranhos no c* da manhã.

    Enquanto terminava de servir seu pequeno banquete, observou uma menina com um estilo bem alternativo sentada ali. Pensou, por um momento, se fizesse algo como aquele no cabelo e colocasse uns piercings, o que o pai diria. A imagem em sua cabeça a fez dar uma risada baixa e ir se sentar, bebericando o café em uma xícara daquelas bem grandes, feitas para chá.

    [...]

    Estava comendo, quando alguém se sentara em sua mesa. O local estava vazio, fazendo Aimee olhar feio para a pessoa. Se surpreendeu com o fato de ser a garota rebelde.

    -Sabe, a mesa onde você tava ainda está vazia– disse, após dar uma mordida em um croissant e antes da outra começar a falar. Mas logo ouviu, curiosa com o motivo da outra estar ali.  A menina logo mostrou saber quem ela era, por referência ao seu irmão. Aimee deu uma rda mulher se conter, ao imaginar o irmão, todo cheio de si, sendo expulso de um lugar por uma mulher. O sotaque da rebelde, que logo se apresentaria como Sasha, fez a imaginação ficar ainda mais engraçada.

    - Espero que tenham dado uma boa surra nele. Papai não é muito a favor de punir meu irmão – ela disse, bebericando o café e olhando Sasha. Parecera mesmo surpresa ao se dar conta que estava em território dos Senhores das Sombras, mas tranàpareceu “cagar” para aquilo, apesar de por dentro ter ficado um pouco apreensiva – E respondendo a sua pergunta, eu sou filha de uma Bettencourt – falou com orgulho, mostrando que sua relação com o irmão não era tão próxima. Na verdade, os dois tinham mais brigas do que ela com o pai.

    Enquanto a mulher falava, Aimee pensava. Havia escolhido bem o local... Embora fosse uma escolha perigosa, com riscos de dar merda com os ShL ou de dar merda com o pai. Esperava, do fundo do peito, que a merda não fosse com lobos que pareciam querer sua família longe dali.

    -A família real ainda está no palácio, Smirnov – coolor]disse, sem responder de fato e  estendeu a Mão, após limpá-la - Aimee O'Shea - se apresentou por educação e voltou a comer.  Indicou para a menina pegar algo, se assim quisesse, comendo tranquilamente.
    Rosenrot
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Ter 23 Maio 2017 - 14:52

    O homem continuou sentando, apreciando algumas leves tragadas no charuto enquanto a jovem falava. Deixava a fumaça sair devagar, pensativo ele observou a filha em silêncio, antes de realmente começar a falar a respeito das coisas.

    - Não é como se eu pudesse fazer muita coisa a respeito, querida. Isso cabe aos outros Garou mais velhos. Só podemos aconselhar e aguardar. Gostaria que sua mãe estivesse aqui para guiá-lo. – E moveu os ombros levemente, com certo tom de pesar, mas não pretendia entrar muito naquele assunto. – Mas é provável que após saberem o que aconteceu hoje eles tentem entrar em contato com a Anciã citada para conversarem a respeito. Bem sabemos que os Crias de Fenris são um pouco… Extremistas, não é?

    Era sempre assim, de certa forma, sempre tentavam transferir parte da culpa dos atos do irmão para aqueles que ele insultava. Só restava saber até quando essa desculpa ia colar. Com os Crias, parecia que não por muito tempo. Mas já estava mais do que na hora de mudar de assunto e depois de um trago ou outro, ele o fez.

    - Bom, digamos que você agirá como minha embaixatriz. – Falou o homem. - Infelizmente as atitudes de Aimee tem trazido muitos problemas para o nome da família e para a Casa e precisamos encontrar um modo de fazê-la entender que nossa linhagem provém de deveres e responsabilidades que não podem desaparecer só porque ela resolveu fugir e brincar de se esconder na Irlanda.

    Ele fez outra pausa, esperando ter captado não só a atenção, mas o interesse da Sienna. Acreditava que mais que Aimee, a jovem entendesse sobre o que se tratava os deveres que regiam a família e a Tribo num todo e em como o comportamento que se agravava de Aimee poderia prejudicar não apenas ela, mas todos eles. – Sua irmã foi parar em Bray e tem estado por lá esses dias. Estamos mantendo certa vigilância para garantir a segurança dela, porém como você sabe, Bray não é exatamente onde nossa família é muito bem-vinda, principalmente seu irmão. Acredito que prioritariamente seu irmão. Gostaria de lhe pedir que fosse até lá e tentasse falar com ela, mas se dizer-lhe que eu a mandei. Coisa de irmã para irmã, entende? Sua entrada não terá problema. Já conversei com os responsáveis pelo lugar.

    Ele respirou fundo. - Sua mãe odiaria ver essa situação, Sienna, querida.





    Quando Aimee falou daquele jeito, sobre as mesas, Sasha lhe lançou um olhar um pouco diferente; e Aimee teve e leve sensação de que não estava indo pelo caminho certo ali. A Parente ShL sorriu de canto, um sorriso pouco amistoso ou amigável. Talvez fosse aquela velha rixa, afinal de contas. Porque aquilo também se estendia aos Parentes de ambas as Tribos, e os ShL não eram diferentes. Talvez fosse bom ter cautela.

    Mas Sasha parecia alguém muito volatil, logo perdendo o interesse naquela pequena disputinha entre as duas. A jovem ShL olhou em volta, apenas para observar o salão vazio. Sasha dava ares de ser alguém bastante agitada; ela tinha tatuagens nos braços – uma delas era um belíssimo corvo – suspirou, mas deu uma risada alta e divertida, quando Aimee citou o fato corrido.
    - Bom, não sei dos detalhes, mas podemos dizer que minha irmã Masha não se chama “Último-Aviso” a toa, hm? Esse lugar é dela, um dos pequenos investimentos nos últimos anos, acho que ela comprou praticamente todos os hotéis e hostels da região. – Moveu os ombros, não se importando muito com o assunto. Masha era efetivamente a queridinha, mas não era como se ela, Sasha, estivesse concorrendo ao prêmio de filha do ano.

    Quando a jovem lhe estendeu a mão, Sasha apertou a mão da jovem Prata. Sasha Smirnov, Garota Problema, Aventureira, Harcker e Bon Vivant. – Falou com uma risada logo depois. Recusou comida, mas sua cabeça trabalhava bastante em algumas ideias. Sasha era quase viciada em informações e ter uma presença da ‘família real’ em Bray lhe despertava algumas perguntas que pediam respostas.

    – Escuta, princesa. Não acho uma boa você andar por aí sozinha depois do que seu irmão aprontou por aqui. Eu tenho que dar um giro na cidade pra tentar saber onde meu irmãozinho caçula se meteu e se você for vista comigo por um tempinho, vai te garantir não ser tão perturbada assim. Quer dar uma volta e trocar uma ideia? Posso te apresentar uns lugares legais.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Ter 23 Maio 2017 - 16:38

    Sienna tinha perdido perdão ao pai pelo seu atrevimento anterior, mas sua opinião ainda se mantinha. A forma como o pai falava sobre não poder fazer muito à respeito além de aconselhar, apenas alimentava aquela sensação de que a criação tinha sido errada e desproporcional. Somente por ser Garou e o herdeiro, Aeron podia fazer o que queria sem sofrer nenhuma punição, enquanto qualquer coisa que Aimee fizesse, era vista como uma grave afronta à honra da família.

    Porém, Sienna era covarde. Não era como sua irmã à ponto de conseguir erguer a voz e se rebelar. Ela era, como diziam, uma Parente que sabia seu lugar. O problema é que, no fundo, ela não queria aquele lugar em específico. Queria mais, queria consertar as coisas que estavam erradas. As coisas que desandaram desde que sua mãe falecera. Não era bom pensar em como as coisas podiam ser diferentes, porque não levava à nada. Mas uma coisa era certa, sua mãe não deixaria chegar aquele ponto.

    Alguns destinos realmente não eram justos.

    Enquanto sua mente continuava pensando em contrariedades, seu corpo e expressão se mantinham impassíveis. Apenas abaixou os olhos quando ouviu à respeito da anciã que tomaria providências em relação ao caso. O pai ainda chamou os Crias de extremos. O que ele deveria ser chamado, então? Permissivo? Engoliu em seco e voltou a encará-lo. O seu silêncio poderia ser considerado anuência, como se estivesse concordando com o que ele dizia.

    Felizmente, o pai foi para o assunto que realmente interessava. Sienna chegou a se ajeitar um pouco na poltrona e focou os olhos azuis cristalinos na figura de seu pai. Como o esperado, Aimee era considerada uma rebelde, que trazia uma afronta ao nome da familia. Em partes, até poderia ser, mas Sienna conseguia mais argumentos para defendê-la do que o contrário. Fez um bico de ponderação e se preocupou ao ouvir o território que ela se encontrava. Para variar, mais um lugar que Aeron não era bem-vindo.

    Era mesmo Aimee o problema?

    - Eu vou, papai.

    Disse assim que ele terminou, antes de ouvir o apelo sobre a mãe. Antes dele dizer, sua vontade era apenas reencontrar a irmã e fugir um pouco daquela tensão que as atitudes do irmão traziam. Queria muito ver como ela estava, porque há dias não recebia nenhuma notícia. Não sabia como faria para trazê-la de volta, ou melhor, não sabia como faria para que ela ficasse na propriedade e não fugisse de novo. A irmã nunca contava o real problema que havia ali. Porém, quando o pai apelou para a memória da mãe, pela segunda vez naquela conversa, Sienna engoliu em seco e abaixou os ombros de novo.

    - Trarei Aimee de volta, papai. Eu prometo ao senhor. Me preocupa saber que ela está num território onde nossa família não é bem quista. - Franziu um pouco as sobrancelhas. - Quanto à nossa reputação, o senhor já considerou sobre a proposta de ajuda com doações de agasalho e comida para a população mais pobre da região? Muitos perderam seus empregos por conta das mudanças politicas que ocorreram, talvez pudessemos ajudar de alguma forma. Se nosso nome não está em bons termos para com os Garou, pelo menos podiamos mantê-lo respeitado pelos "suditos".
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Qua 24 Maio 2017 - 0:07


    Uma coisa que ela admirava nos ShL era esse olhar desconfiado, porém perspicaz, que consegue se comunicar sem palavras. Sasha havia pego Aimee num péssimo dia e em um horário que ela NUNCA estava de bom humor... E levado uma patada. A mulher claramente não gostou, mas, por sorte da ruiva, fora um descontentamento passageiro. Afinal, segundos depois, ela descobriria a qual família Sasha pertencia e que, por culpa de Aeron, tanto os Sminorv, quanto a maioria dos ShL daquela região, não estavam para brincadeiras com os membros da família dela. “Aaron e seu dom para piorar aquilo que nunca foi muito bom”... pensou, em relação a constante rixa entre as tribos.

    [...]

    Apesar de todos os estereótipos, principalmente dentro de sua família, em relação aos Senhores das Sombras, Sasha parecia não se encaixar perfeitamente nos moldes de sua tribo. Isso já causava uma certa simpatia na jovem O’Shea. Ser diferente, dentro dos padrões que as pessoas impõem, é sempre algo a se admirar - seja pela coragem ou pela ousadia.

    [...]

    Aimee estava bebendo seu café, enquanto Sasha contava sobre o episódio com seu irmão. Assim como a morena, ela soltou uma risada sem se conter, quase colocando café pelo nariz, mas conseguindo evitar aquele desastre. Logo se recompôs, olhando em volta e assentindo algumas vezes com a cabeça. – Esse é um bom lugar. Bem bonitinho, um preço acessível e a roupa de cama é limpa... O que é um grande luxo, se comparado a muitos hosteis por aí.  Mas eu aconselharia a sua irmã a limitar o café da manhã for free riu, olhando os pratinhos já quase vazios e numerosos na sua mesa – Tem gente que dá prejuízo, sabe?

    Após se apresentarem formalmente, Aimee deu um pequeno sorriso e pegou o último pratinho, visto a outra ter recusado. Esse era de frutas – Tenho a impressão que nos daremos bem – disse por dizer, querendo manter a conversa leve. As duas estavam claramente desconfiadas e a ShL claramente tinha um objetivo ali, mas uma coisa que Aimee aprendera em suas escapadas era nunca estragar uma maré boa...

    -hm, por que não? – disse, um pouco pensativa. Aquele convite podia ser uma tremenda furada... Na verdade, provavelmente era, mas podia resultar em boas coisas também. Como um passe “livre”para a cidade, apesar do seu sobrenome – Além das boates e da trilha pra Greystones, não conheci muito da cidade ainda...

    Na verdade, devido a sua força de vontade quase nula para enfrentar aquele dia, ao sentir o cheiro de um pouco de aventura, a Parente Prata quis cair pra dentro sem pensar duas vezes.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Qui 25 Maio 2017 - 13:56

    O homem, apesar de conversar com Sienna, parecia meio distante e pensativo. Como se outros assuntos estivessem lhe preenchendo a cabeça, além de Aimee e Aaron. Ele deu mais alguns tragos no cigarro com um aspecto bastante pensativo. Os acontecimentos daquela manhã haviam despejado um caminhão de novas probabilidades para tudo que vinha acontecendo desde a morte de sua esposa.

    Voltou seu olhos para a filha, encarando-a por um momento. – Essa é uma questão que teremos que tratar com bastante cuidado, Sienna. Não podemos confiar totalmente nos Senhores das Sombras, tão pouco podemos correr o risco de nos colocarmos novamente em uma posição desconfortável em relação a eles. – Suspirou, pensativo.

    - Eu vou pedir que lhe preparem um carro, infelizmente não poderei pedir que nenhum dos membros da matilha de seu irmão lhe acompanhe, pois até a próxima assembleia para resolver os assuntos pendentes, eles estão sendo orientados a ficarem longe de lá. Mas contatei alguns velhos amigos e um filho de um antigo amigo da sua mãe estará te esperando. Ele se chama Gael Ó’Sullivan. – Disse-lhe, retirando algo do bolso do paletó. – Estará lhe esperando nesse endereço, Sienna, por favor, não se meta em problemas e tente achar sua irmã e nos mandar notícias...

    Parecia ter acabado, pois já se levantava, mas repentinamente pareceu lembrar-se de algo. - Ah, querida, mais uma coisa. Talvez tenhamos encontrado um pretendente para você, em verdade, estamos conversando com a família dele para conseguirmos negociar os termos, mas acho que você gostará do resultado, acredito que em breve, poderemos falar melhor a respeito. Agora vá... – Disse-lhe, mas parou de novo, ao ouvir sobre os agasalhos. Franzia o cenho levemente; sinceramente ele não se interessava muito por aquele assunto e moveu uma das mãos, como quem espanta uma mosca.

    – Faça como achar melhor, querida. Peça o que precisar aos tabeliães. – E então saiu do cômodo, deixando-a sozinha mais uma vez.




    Sasha era um mar de dualidade. Suas expressões eram muitas e mudavam constantemente. Era uma habilidade admirável do qual todo Senhor das Sombras provavelmente detinha alguma prática. Ela observava com bastante atenção sua pequena fonte de interesse imediato. Sasha talvez se assemelhasse a Desejo, de Sandman, porque ambas eram criaturas de momento.

    – Nem todo mundo que para nesse lugar come como se fosse um refugiado. – Apontou Sasha, movendo as sobrancelhas. Fato era que um dos motivos que a levava a tomar café da manhã em muitos dos hotéis e propriedades da irmã era porque estavam sempre um bocado vazios e tinham bastante coisa para comer.

    Não respondeu sobre se darem bom, afinal de contas aquele era um conceito meio deturbado para um Senhor das Sombras. Claro que poderiam se dar bem, se descobrissem o que uma poderia oferecer a outra e claro, se Sasha tirasse mais vantagem disso do que oferecesse. A jovem de aspecto alternativo voltou a sorrir de leve. – Nossa. Você teve coragem de ir às boates. Isso é algo a se admirar. – Observou a jovem, dando de ombros levemente. Era uma coisa que não gostava ali. A vida noturna era patética e cansativa, quando queria algo de verdade, precisava ir até Dublin. Sasha aguardou que a jovem terminasse de comer, para deixarem o lugar. Lá fora, ela acende um cigarro, dando um trago forte e profundo ofereceu o maço para a Prata, antes de começar a se mover.

    - Então, além de viver num palácio cercada de falsos reis, o que mais você faz?
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Qui 25 Maio 2017 - 18:40



    Apesar de ser muito jovem e uma "simples" Parente, Sienna compreendia um pouco a situação em que se encontravam. Aimee tinha ido longe demais e não estava falando sobre distância. Falava de limites do que era aceitável e não. Como ela foi parar em Bray mesmo sabendo dos problemas com os Senhores das Sombras? Estava procurando por perigo, aventura? Não era uma simples afronta a Aeron, ela também estava se colocando em perigo ao fazer isso.

    - Entendo, papai. Não criarei confusões e agirei o mais discretamente possível.

    Meneou suavemente a cabeça, enfatizando que saberia como se portar e agir, sem chamar atenção. Seu pai continuava com as instruções e, até certo modo, preferia que não houvesse ninguém da matilha de Aeron. Não se sentiria confortável saindo com alguém do nicho dele, achava que todos eram parecidos e acabariam criando todo o alarde que Sienna esperava que não acontecesse. Esticou o braço e pegou o papel com delicadeza, dando uma breve olhada no endereço e o dobrando novamente, decorando o nome.

    - Procurarei pelo Sr. O'Sullivan.

    Estava quase tocando no assunto que queria tratar, mas calou-se quando o pai fez um adendo inesperado. Porém, diferente de Aimee, Sienna não aparentou nenhuma contrariedade ou rebeldia. Não era uma pessoa romântica a ponto de rejeitar um casamento arranjado. Aquela ideia era uma parte constante de seu crescimento e criação e Sienna nunca tinha se apaixonado ou afeiçoado a ninguém para se sentir tentada a negar um casamento. Só foi um pouco inesperado a forma como o pai falou e o momento. Agora ficava apenas a curiosidade em saber quem seria seu pretendente.

    - Que ótimo. Tenho certeza de que gostarei do resultado, confio nos seus critérios.

    Só, por favor, não seja como Aeron. Ela sorriu e quanto ao seu topico, também ficou satisfeita com a resposta, mesmo que o pai não se importasse. Bom, ela se importava e isso bastava. Mesmo que fosse o minimo, ela faria o seu melhor.

    Uma vez que se encontrava sozinha no escritório, ela olhou para o bilhete uma vez mais antes de se retirar. Seguiu até seu quarto para trocar de roupas, estava formal demais para ir até Bray e seu objetivo era chamar o minimo de atenção. Não que ela tivesse uma roupa que a deixasse deselegante, mas considerou que estava exagerada. Trocaria o vestido por calças compridas jeans escuras, quase preta e uma blusa azul clara de manga 3/4. Enfiou parcialmente a blusa por dentro da calça e completou a roupa com uma bota de cano baixo e salto pequeno.

    Amarrou o cabelo num rabo de cavalo e pegou alguns objetos para enfiar na bolsa: óculos escuros, carteira com os cartões e identidade, celular carregado e o carregador, guarda-chuva, necessaire e uma muda de roupa extra - calça jeans e camiseta além de peças intimas. Era prevenida e a bolsa o suficientemente grande para caber tudo isso. Ela também era bastante organizada. Também enfiou suas vitaminas na bolsa e pegou um blazer preto antes de sair.

    Quando desceu as escadas colocando os óculos escuros, foi informada que o carro já estava pronto. Seguiria até o mesmo sem se despedir de ninguém em especial e logo colocaria os fones de ouvido, no momento tocando Ed Sheeran, enquanto apreciava a paisagem.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Sex 26 Maio 2017 - 23:34

    Quando Sienna entrou no carro, o sujeito atrás do volante apenas lhe deu um bom dia, mas não falou mais nada durante a viagem. Era comum esse tipo de comportamento vindo da criadagem da casa e talvez ela não se incomodasse muito com isso. Não sabia exatamente como era a real relação entre os empregados e a família, mas bom… Tinha outras coisas com as quais se preocupar naquele momento.

    A paisagem de Wexford era meio bucólica, mas bonita e conforma ia se afastando para Bray as coisas iam ficando cada vez mais “interioranas”, ainda que Bray fosse uma cidade mais agitada do que as de Wexford, o lugar ainda tinha ares de interior e todo aquele clima de cidades que pareciam ter parado no tempo.

    Quando finalmente saíram das estradas cercadas por árvores e entraram em ruas mais agitadas e com carros, Sienna pode apreciar a paisagem litorânea de Bray, o dia estava cinza, mas mesmo assim não lhe roubava a beleza que a cidade exibia. O motorista parecia saber exatamente para onde conduzir o carro com a jovem e em poucos momentos após entrarem na cidade ele já estava se enfiando em ruas mais residenciais.

    Quando o carro finalmente parou, frente a uma casa ampla – nada comparada a sua, claro – um sujeito aguardava no meio-fio, com a descrição que seu pai havia dado. Os cabelos ruivos estavam penteados para trás e ele usava uma calça jeans, sapatos sociais e uma camisa social. Carregava também uma bolsa de uma alça só em transversal no corpo. O motorista aguardou que Sienna descesse, antes de ir embora.

    Gael se aproximou e esticou a mão para a jovem Parente. - Sienna, imagino eu. – Falou, apertando a mão da moça. - Seu pai avisou meio em cima da hora, então não tive muito tempo para preparar nada… É sobre sua irmã, certo? Como posso ajudar?
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Sab 27 Maio 2017 - 2:02



    Antes de pegar os fones de ouvido para invocar uma trilha sonora para a viagem, Sienna olhou para o motorista e respondeu ao bom dia de modo educado e amistoso, mas ainda mantendo aquela distância que os próprios criados estavam acostumados a criar. Pelo menos com alguns tratadores de animais e agricultores, Sienna conseguiu uma aproximação - o mesmo com algumas empregadas da casa. Outros que ela não via com frequencia, contudo, tendiam a se manter longe. Fora que, no momento, ela estava um pouco angustiada para tentar socializar.

    Mesmo assim, Sienna passava aquela aura de boa pessoa, de alguém confiável e, talvez, ingênuo demais. Ela era agradável, mesmo quando se silenciava. Registrou o rosto dele tanto pelo perfil quanto pela imagem dele no espelho. Esboçou um pequeno sorriso e colocou os fones, finalmente, iniciando a sequência.

    A paisagem fazia bem aos olhos. Era bucólica e transmitia aquela falsa sensação de paz - pelo menos para aqueles que sabiam que havia um conflito acontecendo justamente ali. Não ficou pensando em muita coisa, apenas observando como as coisas pouco a pouco mudavam. Do bucolico para uma cidade um pouco mais agitada do que as que cercavam Wexford, porém, pequena se comparada a Dublin. Mesmo que tivesse crescido num colégio de regime semi-internato, ela passeou algumas vezes por Dublin e chegava a ser injusto comparar.

    Porém, era uma agitação atemporal. E a ansiedade, pouco a pouco aumentava.

    Quando finalmente pararam em frente a uma residencia, os olhos da jovem se depararam com um homem parado rente ao meio fio. Suas descrições batiam com o que fora dito. Desceu do carro, pegando seu blazer e ajeitando a alça da bolsa nos ombros enquanto o homem se aproximava. Estendeu a mão, indo até de encontro a dele com uma expressão suave ao dizer.

    - Deve ser o Sr. O'Sullivan, é um prazer conhecê-lo. - Porém, sua expressão mudou, ficando um pouco preocupada e, até de certo modo constrangida. Não sabia que tinham usado o contato em cima da hora, imaginava que ele ao menos tivesse um pouco preparado. - Oh, eu sinto muito pelo incomodo, Sr. O'Sullivan, eu não sabia que meu pai o contatou tão em cima da hora...Sinto muito.

    Repetiu, recuando a mão e abaixando um pouco o olhar.

    -- Imagino que ele tenha agido desse modo por preocupação. - Não disse "sinto muito" uma terceira vez, felizmente, mas ela mesma se encontrava preocupada. - Sim, minha irmã gêmea, Aimee. Ela ahm...se ausentou de casa há cerca de três dias e hoje meu pai me informou que ela estaria aqui em Bray. Acredito que o senhor esteja ciente do delicado relacionamento que meu irmão criou com algumas pessoas daqui, principalmente a Senhorita Smirnov. Minha irmã, às vezes, é um tanto quanto inconsequente e eu gostaria de levá-la pra casa causando o minimo de transtorno possivel.

    Olhou para Gael de novo.

    - Se bem que já comecei com o senhor, então, eu prometo que não tomarei muito do seu tempo. Talvez se me acompanhar até os hosteis e pousadas daqui, já seja o suficiente...

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Sab 27 Maio 2017 - 16:30


    Observar a jovem ShL era interessante, aos olhos de Aimee. Não estava acostumada a conviver com tribos tão...Peculiares, como os Senhores das Sombras, mesmo já tendo uma carga de “viagens” grande. Sempre que ia para algum lugar, acabava escolhendo um mais seguro... Afinal, apesar de gostar de liberdade,  ainda tinha um pouco de juízo na cabeça. Até aquele momento.  

    Não se lembrava exatamente de sua motivação para ir pra Bray. Apenas lembrava do desespero ao saber da visita do noivo e de seu pai; e de pegar a primeira carona que conseguiu na estrada. Parar em Bray foi por acaso, e, por sorte, tinha conhecidas lá. “Eu devia ter mais cuidado” pensou, mas ignorou o próprio pensamento enquanto se levantava para colocar os pratinhos na mesa destinada às louças sujas e ouviu o comentário de Sasha, dando uma risada – Sempre bom ter em mente que pessoas assim, como eu, podem aparecer... Pros negócios, sabe... – disse, não deixando claro se falava apenas dos pratos. Colocou as louças no devido lugar e voltou para a mesa, esperando a jovem de estilo alternativo se levantar, enquanto pegava a mochila que estivera jogada no chão durante todo aquele tempo.

    Quando Sasha comentou sobre a “coragem” de se admirar, que a menina teve ao ir nas baladas da cidade, a ruiva deu de ombros, colocando de volta os óculos de sol, enquanto caminhavam pelo ambiente bonitinho daquele hostel, em direção à rua.   – A bebida é bem barata... e a fiscalização das identidades bem baixa. Por que não? – deu um meio sorriso e aceitou o cigarro. Só havia fumado algumas vezes (para impressionar um peguete mais velho, que tinha no último ano do internato) mas sentia que aquele não era o momento para recusar.  A ShL tinha olhos selvagens... E sabe o que dizem, nunca vire as costas para um animal selvagem e saia correndo. [...] Colocou o cigarro nos lábios e se aproximou, para que ela acendesse com o dela já aceso, a olhando nos olhos. Logo deu um trago mais leve, jogando a fumaça na direção oposta ao vento.

    -Hm, não muita coisa. Sabe como é a vida real, né? Acordar, fazer as unhas, falar com passarinhos – deu um pequeno sorriso novamente, um tanto esquiva – Aqui vocês parecem ter bem mais o que fazer que em Wexford. Mesmo a cidade não sendo tão agitada. Sinto um pouco falta de Dublin – divagou, acompanhando a outra. – E você? Não deve ter o título de garota problema atoa – mais uma tragada.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Dom 28 Maio 2017 - 16:03

    - Pode me chamar de Gael. – Disse o sujeito, após apertar a mão da jovem Sienna, ele voltou as mãos para os bolsos da calça, ouvindo o que a jovem explicava. Não acreditava que eles – tanto Sienna quanto o pai – entrariam em grandes detalhes a respeito da irmã e sinceramente preferia assim. Sabia como aqueles assuntos familiares podiam ser complicados. Ele moveu a cabeça aqui e ali, e talvez Sienna entendesse porque seu pai havia escolhido alguém como Gael, o sujeito parecia extremamente discreto e pacato.

    - Bom, não basta muita coisa para irritar Masha, de qualquer modo, mas ouvi sim… E também ouvi sobre os Crias, devo admitir que a Mayla costuma ser alguém bastante… Viável, por assim dizer. É uma Cria, claro, mas dá pra lidar com ela sem aquele clima tenso que os Crias parecem carregar com eles. Fiquei surpreso ao ouvir os boatos que seu irmão conseguiu tirá-la do sério.

    Ele suspirou de leve, observando o céu cinza da cidade naquela manhã sem graça. Talvez não devesse tocar no assunto, talvez sim, mas achava que era válido, Sienna precisava ter ideia de onde estava pisando. – De qualquer modo, nós vamos ter que falar com a Masha, se sua irmã está ou esteve aqui, Masha vai saber e podemos focar nossa busca em um lugar mais específico. Também pedi ajuda de alguns outros, vamos ver se temos algum retorno.

    Nova pausa, uma olhada breve na direção da jovem Prata. – Alguma coisa em especial trouxe sua irmã à Bray?





    Sasha não estava muito interessada em falar a respeito dos negócios da irmã. Masha geralmente sabia como, onde e porquê gastar o dinheiro que ganhava – e era bastante dinheiro – e Sasha se preocupava menos com esses detalhes e focava-se em ajudar a irmã a ganhar mais dinheiro. Informação era tudo naquele mundo e quem tinha as informações certas, tinha o poder de usá-las.

    A jovem Senhora das Sombras não sabia exatamente o que pensar a respeito da Prata ao seu lado. Parte de si achava que Aimee estava tentando provar algo para alguém – ou para ela mesma – e esse pensamento era divertido, principalmente vindo de uma Prata, parte de si achava que talvez aquilo fosse só uma desculpa para se enfiar em Bray e tentar descobrir alguma coisa sobre como andavam os negócios. Quer dizer: seu irmão não podia pisar ali, mas ninguém tinha dito nada sobre as irmãs, tinha? Não sabia se Aimee poderia ser, de alguma forma, tão sagaz assim.

    Tragou o cigarro, acendendo o da jovem Prata e então tirou o celular do bolso, digitando uma mensagem com uma velocidade impressionante – ela mão olhava para a tela, enquanto digitava. - Porque os lugares são horríveis. – Respondeu, ao questionamento de Aimee a respeito das boates. - Bebida falsificada, pista suja, gente feia. – E moveu os ombros levemente. Eram coisas que Sasha sabia, na verdade havia muita coisa sobre aquela cidadezinha que ela sabia e a maioria das pessoas sequer imaginava. Isso lhe fazia rir, às vezes.

    - Não faço ideia de como é a vida real, vossa majestade. – Respondeu Sasha, movendo as sobrancelhas enquanto a fumaça dançava próxima ao seu rosto, ela agora parecia bastante atenta a rua, aos detalhes. Deu uma risadinha, ao ouvir Aimee falar sobre a cidade e sobre Dublin, mas não teceu comentário algum – detestava Dublin – e tinha seus motivos para isso, apesar de achar a vida noturna lá muito melhor.

    - Eu? – Indagou, agora olhando para Aimee. - Não sou uma garota problema. Se fosse, estaria com reais problemas. Veja bem. – Começou, devagar a tentar compilar o difícil modo como levava sua vida junto a ideologia da própria Tribo. - É tudo uma questão de não pisar nos calos, sabe? Vamos dizer que há uma cota de merda que você consegue fazer sem irritar ninguém, e mesmo quando você faz uma quantidade X de merda, há uma quantidade Y de coisas que você pode fazer para anular essas merdas. Digamos que eu viva no limite entre X e Y. Sei me fazer útil e eles relevam as merdas que eu faço. É uma conta simples.

    Puxou mais um trago do cigarro e pegou o celular que tinha tocado, lendo a mensagem que nele estava. Ela suspirou e indicou a Aimee que atravessassem a rua. Sasha movia-se pela cidade com bastante fluidez e parecia conhecer cada pequeno beco ou atalho, as duas andaram algumas quadras e dobraram algumas esquinas, até chegarem até o que parecia um café ou qualquer coisa assim. Sasha empurrou a porta e parou ali por um momento, observando as poucas pessoas presentes, até localizar uma mesa bem ao fundo, onde um sujeito lia um jornal.

    - Agora nós vamos conhecer o real garoto problema da família. – Comentou ela, movendo as sobrancelhas. A jovem moveu-se em direção a mesa e quando chegou lá se sentou do mesmo modo atrevido que tinha feito com Aimee alguns minutos atrás. - Pappa quer matar você. – Ela disse, enquanto se ajeitava na mesa.

    - Ficaria surpreso se não quisesse. – Respondeu… E aquela voz, aquela voz não era estranha para Aimee, ainda estava fresca na sua memória, não estava? Devagar, ele baixou o jornal e olhou para Sasha, tinha um charmoso sorriso de canto de lábios. Seus olhos claros foram em direção a Aimee e ela viu que ele a reconhecia, mas não demonstrou isso próximo a Sasha. - Ah. – Disse Sasha. - Essa é a Srta Princesa Encantada Aimee O’Shea, irmã no sujeitinho que tirou a Masha do sério.

    O seu “herói” da madrugada anterior voltou a esboçar um sorriso de canto e estendeu a mão na maior cara de pau, como se nunca tivesse visto Aimee na vida. -Yuri Smirnov. – Se apresentou. - Não aconselharia a senhorita andar por aí na companhia da minha querida irmã, dizem que ela é má companhia. – Ele voltou a sorrir e Sasha ergueu o dedo do meio, a jovem se levantou da mesa. - Vou ligar pra Masha e avisar que você tá vivo ainda, não fuja. – E se afastou, deixando Aimee e Yuri sozinhos.

    - Então... – Começou ele, após Sasha sair. Voltou a abrir o jornal e depositar seu interesse em qualquer notícia. - Você fica muito mais bonita quando não está ensopada e perdida no escuro.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Dom 28 Maio 2017 - 17:39



    - Gael. - Sienna se corrigiu uma vez que ele a havia autorizado chama-lo dessa forma, abrindo mão da formalidade formalidade. Ela também não o tinha corrigido quando o Garou a chamou pelo nome.

    O fato dela não ter entrado em detalhes sobre a fuga de Aimee não tinha relação com as tribos em sei, era mais uma questão de intimidade familiar que a jovem preferia não ficar espalhando e explicando para um estranho. Também não era como se tivesse julgado mal o Garou, pelo contrário, era apenas uma forma de preservar o seu núcleo. Ainda que fosse membro da matilha de Aeron, ela não diria os detalhes. Relaxou um pouco a expressão quando ele pareceu comrpeendê-la.

    Contudo, quando Gael começou relatar sobre a situação que seu irmão criara com os Crias e os Senhores das Sombras, Sienna abaixou os olhos, parecendo verdadeiramente envergonhada. Não tinha outro modo de descrever o que sentia. Por mais que quisesse defendê-lo, por ser seu irmão, Aeron não era o tipo de pessoa pela qual Sienna procuraria argumentos favoráveis. Era triste ter a sensação de que ele afundaria o prestigio que sua mãe conquistara para a família.

    - Eu também fiquei. - Sua voz saiu baixa demais e ela precisou pigarrear suavemente antes de prosseguir. Ainda se lembrava do café da manhã que se quer tivera e isso fez seu estômago roncar ao mesmo tempo em que a lembrança o embrulhava. Levou a mão até a região e engoliu em seco. - E temo pelo futuro dele se continuar agindo de modo imprudente e desrespeitoso. Sei que existem piores do que ele, mas não justifica suas atitudes.

    Diferente do tanto que preservara Aimee, Sienna acabou falando demais quanto a Aeron. Franziu as sobrancelhas e estalou a lingua no céu da boca. Agora já tinha passado e não se arrependia.

    - Você acha que a Senhorita Smirnov se aborreceria com a presença da minha irmã? - Gael fez uma pequena pausa e então a encarou de novo. Ao ouvir a pergunta, Sienna meneou negativamente. - Não acredito que tenha sido algo proposital. Na verdade, creio que ela se perdeu, eu não tenho contato com ela desde a primeira noite. Não sei se perdeu o celular ou se não trouxe um carregador.

    Massageou o lado esquerdo da têmpora.

    - Eu realmente espero que compreendam que essa situação não tem nada a ver com meu irmão. Como disse, minha irmã é um espírito livre e, apesar de admirar seu comportamento, isso também a faz inconsequente. Ela não veio para cá de caso pensado.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Dom 28 Maio 2017 - 21:21


    Era engraçado como a visão das duas meninas era diferente sobre as coisas. Talvez pela outra ser mais velha, tinha mais maturidade quanto ao ato de “se divertir” e de “ser um problema”. Para a jovem O’Shea, se divertir era perder a linha, não importava tanto o lugar, o tipo de bebida ou o que quer que fosse. Fora criada dentro de tantas regras que a sensação de quebrar cada uma delas era deliciosa. Na verdade, talvez se divertir, para Aimee, fosse causar problemas para o pai, apesar de nunca ter se metido em um que pudesse dar tão errado quanto andar com uma parente dos Senhores das Sombras em um território hostil aos seus familiares... Mas, paciência.  Sua distração, ao entrar na cidadezinha, não parecia estar tomando um rumo ruim, até aquele momento.

    [...]

    Observava a ShL enquanto andava, também com uma opinião dúbia quanto a conduta dela. Não tinha a ilusão de que a menina estava fazendo aquilo de forma fortuita, mas tinha dúvidas se Sasha estava apenas brincando e tentando conseguir algo dela ou se tinha uma intenção ruim, devido ao histórico de bagunças que Aeron fizera com Masha.

    A morena se distraiu com o celular, dando tempo da menina olhar em volta, tentando gravar o caminho que tomavam... O que provavelmente não seria bem sucedido. Tragou mais uma vez o cigarro, acompanhando a ShL que digitava e andava ao mesmo tempo, como se conhecesse tanto a cidade quanto o teclado de forma íntima.

    -Hmm – disse, pensando no que a outra dissera quanto a teoria dos problemas. Nunca havia pensado daquela forma. Talvez por sua natureza “real”, na qual tudo era muito extremo... Não tinha certeza se seu pai e irmão tinham um meio termo. Mas era algo interessante a se pensar. – Faz sentido – disse, dando apenas de ombros, apesar da cabeça estar a mil. Não comentou mais sobre aquilo, acompanhando Sasha pelos atalhos que tomava.  Ameaçou falar algo quando estavam chegando, mas não o fez, vendo que a outra parecia ocupada no telefone.

    -Sasha, não to com fome... – acabou dando uma risada, ao ver ela entrar em um café. Mas logo ouviu o que a outra disse, sobre conhecer o “garoto problema” da família e ficou curiosa – Vocês são mesmo uma família cheia de Shadow lambs deu uma risadinha, fazendo uma piadinha adaptada de “ovelhas negras” e tendo o humor melhorado pelas coisas novas que estavam acontecendo naquela manhã. Quando a jovem Smirnov se sentou daquela maneira, ela revirou os olhos, sem saber exatamente o que fazer. Cruzou os braços, olhando em volta enquanto ela conversava com o amigo, ou seja lá o que fosse. Não demorou a voltar o olhar para o homem misterioso, reconhecendo a voz. Teve a confirmação quando ele baixou o jornal, a olhando e fingindo não a conhecer. Deu um pequeno sorriso, ao ser apresentada.

    -Aimee O’Shea – apertou a mão dele, como se nada tivesse acontecido. Não julgava quem mantinha a família longe de assuntos pessoais e não ligava, pra ser sincera, pra aquele tipo de comportamento. Logo foram deixados sozinhos e ela ergueu uma sobrancelha, com a afirmação dele.  Se sentou, colocando a mochila no colo e tirando os óculos de sol – Você acha? Dizem que meninas molhadas são um fetiche pra vocês – deu um pequeno sorriso – Assim como caras sem camisa e todos machucados, no meio do nada, para nós – provocou, se lembrando que ele parecia ter bem menos pompas do que transmitia no momento.


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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Seg 29 Maio 2017 - 14:22

    Gael ficou em silêncio – não tinha a intenção de entrar num assunto de família – e o comentário de Sienna parecia mais um desabafo do que qualquer outra coisa. Compreendia a necessidade de discrição naquele momento. Era algo que dava para captar no ar de maneira bastante simples. E talvez ficasse claro o provável motivo do pai de Sienna ter escolhido alguém como Gael. Deixou o assunto sobre o irmão da jovem morrer, com naturalidade.

    - Não acredito que Masha vá encarar qualquer problema com sua irmã. Não ouvi nada a respeito disso nos últimos dias. O outro caso foi um problema isolado, se você entende o que quero dizer. – Falou. A situação formada entre Aeron e Masha iam além de um simples desentendimento. Eram dois Ahroun, de duas Tribos que não se cheiravam muito. Bastava uma faísca.

    – Apesar do que gostam de dizer, Masha é bem sensata. Se sua irmã não lhe causou problemas, ela não vai julgá-la pelos atos do seu irmão. De qualquer forma, um amigo, Liam MacKenna, ele trabalha com Masha, conseguiu um horário para nós. Digo, para você, pois eu tenho que retornar à faculdade ainda hoje, mas você estará em boas mãos com Liam.

    Ele fez uma pausa breve, enquanto dobravam uma esquina e entravam em uma grande avenida. Gael indicou um prédio maior, mais pomposo que ocupava o final da rua. Continuaram caminhando por alguns poucos minutos, à frente do prédio um jovem aguardava por eles. Gael fez as apresentações de Sienna e o jovem Parente Fianna Liam. Depois das apresentações, Gael também se despediu, deixando ambos ali, deixou seu número com Sienna, para caso ela precisasse de algo.

    Liam parecia um sujeito simpático e bastante proativo. - Infelizmente não vamos conseguir falar com a Srta Masha, lamento muito, Srta O’Shea, porém ela me passou todas as informações que conseguiu reunir sobre sua irmã. E pediu para assegurar-lhe que a senhorita e sua irmã são bem-vindas à cidade. Pode ficar despreocupada. – Ele fez uma pausa, antes de indicar um carro estacionado a alguns metros dali. - Conseguimos o endereço do lugar onde sua irmã se registrou. Vou levá-la até lá.








    Sasha tinha rido da piadinha de Aimee e tinha gostado da sacada com a coisa de Shadow e ovelhas, mas não teceu comentários: era uma coisa meio Shadow Lord afinal de contas, quanto menos soubessem sobre, melhor. Quando a jovem saiu para fazer as ligações, deixando os dois sozinhos, mal imaginava sobre os acontecimentos da noite anterior.

    […]

    Yuri parecia realmente interessado no jornal enquanto seus olhos fitavam qualquer coisa que estivesse lendo ali, ele pegou a xícara de café à sua frente e sorveu um leve gole, mas mantendo seus olhos ao papel. A luz do dia, longe daquela confusão que fora a noite passada, ele parecia bem diferente. Não estava tão ‘fora de si’ quanto parecia na noite em que se encontraram e estava muito menos propenso a dar-lhe a impressão que ia saltar sobre ela e lhe devorar. Para falar a verdade, tinha nele uma tranquilidade estranha, muito diferente de qualquer outro Garou que Aimee já tivesse lidado até então. Yuri parecia completamente o oposto do seu irmão, por exemplo. Era difícil imaginá-lo como o sujeito da noite anterior, e isso fazia-lhe talvez pensar a respeito do que poderia ter causado aquilo.

    Quando Aimee falou, Yuri baixou o jornal e voltou-se todo para ela em atenção e postura, os olhos observando a Parente agora com mais atenção, captando detalhes e estudando a postura de maneira mais altiva, coisas que não poderia ter feito na noite anterior, era como se ele a estudasse detalhadamente, tentando entendê-la apenas por observá-la. Ele voltou a dar aquele charmoso sorriso de canto. – São? – Perguntou numa voz rouca, mas extremamente agradável. Foi notável para Aimee saber que não era difícil não gostar de Yuri, ele tinha aquela presença agradável e parecia saber como falar e o que falar. Era um sujeito carismático. - Acho que não me passaram essa lista de fetiches quando essa coisa toda aconteceu. – Brincou.

    Riu-se um pouco, e ele tinha um riso leve, gostoso de ouvir. Bom, ele conseguia imaginar momentos melhores para ficar molhado, sem camisa e no meio do nada do que os da noite anterior e isso o fez rir de novo, antes de falar alguma coisa.- Exceto pela chuva e pelos machucados, posso repetir a dose da parte sem camisa no meio do nada, se te agrada tanto. – E moveu as sobrancelhas, muito de leve. O sujeito olhou na direção em que Sasha tinha ido telefonar.

    - Tem uma saída nos fundos e meu carro não está muito longe. – Completou, voltando a olhar para o jornal como se não tivesse sugerido absolutamente nada.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Ter 30 Maio 2017 - 12:23



    - Eu compreendo...

    E conseguia compreender mesmo. Apesar de ser uma Parente e não poder participar ativamente das discussões em sua casa, ela não era burra ou ignorante para as questões políticas. Conhecia as desavenças de sua Tribo, algumas histórias e não era difícil imaginar a tensão que existia sempre que a Srta Smirnov e seu irmão se encontravam. Por outro lado, Gael acreditava que Masha não faria nenhuma retaliação para com Aimee e Sienna conseguia confiar nele nesse sentido. Tinha entendido porque seu pai escolhera, dentre todos os Garou aliados, justamente Gael.

    Ele parecia sensato, educado e também discreto. Talvez uma exceção extrema entre os Fiannas, mas Sienna agradecia por isso.

    Meneava positivamente conforme ele continuava seu discurso sobre Masha e, agora, um rapaz chamado Liam. Voltou os olhos na direção da bolsa dele quando ficou claro que Gael não ficaria até o fim da situação e abriu um pouco os lábios, formando um "o".

    - Oh, claro! Eu agradeço por sua ajuda e orientação, Gael. Estou mais tranquila depois de suas palavras. Obrigada.

    Fechou os olhos e balançou suavemente a cabeça, numa delicada mesura. Seguiu, por fim, pelas ruas de Bray até que chegaram diante de um pomposo prédio, onde um jovem com uma longa trança os esperava. Feita as apresentações, ela descobriu que o nome do rapaz em questão era Liam. Segurou a mão dele com a mesma educação e cordialidade que tratara Gael e logo recuou. Despediu-se do Garou e voltou suas atenções para o rapaz.

    Engoliu em seco quando ouviu que Masha não poderia recebe-la. Gael tinha falado minutos atrás que tinham conseguido um horário e agora Liam, alguem mais proximo, dizia que não. Ficou com a impressão que a mulher não queria ver ninguém da família O'Shea e que Liam estava agindo como um diplomata que tenta colocar panos quentes. Do tipo: "Olha, ela não quer se misturar com vocês, mas aqui está o que ela podia te dizer pessoalmente. Só que entregues por mim". Se fosse uma pessoa mais orgulhosa ou cabeça quente, teria se aborrecido com aquilo. Porém, Sienna não tinha ido até ali para fazer escândalos ou complicar a situação da familia. Tinha entendido o recado e guardaria a impressão para si mesma.

    - Obrigada, Liam. Fico feliz em saber disso e gostaria que agradecesse a Srta Smirnov depois por mim, por favor. Espero conseguir partir antes do fim do dia com minha irmã. - Sorriu, sem parecer incomodada com nada. Seguiu até o carro de Liam e não esperou formalidades, entrando no banco do carona.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Ter 30 Maio 2017 - 18:50


    Aimee observava o menino problema Smirnov, enquanto ele lia. Se ele não tivesse mostrado que, sem dúvida alguma, fora ele a ajudá-la na noite passada, era capaz de a menina achar que sua memória estava lhe pregando peças. Os “dois” homens eram completamente diferentes. Na noite anterior, encontrara um homem selvagem, ácido, machucado e cheio de fúria, que quase a abandonara sozinha em uma trilha escura... Naquela manhã, Yuri se mostrava outra pessoa: calmo, gentil, cheio de charme e até mesmo com um senso de humor agradável. A calma era tanta que ela esquecera estar perto de um Garou propenso à fúria da noite anterior.

    [...]

    Se pegou com os olhos nele por tempo demais, quando ele baixou o jornal e a encarou. Não desviou o olhar imediatamente. Os olhos dele ainda eram o mesmos... Era difícil não cair na profundidade daqueles olhos de mar tempestuoso. Assim como era difícil resistir ao sorriso charmoso presente naqueles lábios. A menina focalizou o olhar quando ele falou, dando um pequeno sorriso em resposta ao dele. – Ah, um dia desses eu te passo, se quiser. Pode ser bem útil – entrou na brincadeira de Yuri, até que ele continuou a fala, a deixando levemente sem graça.

    Se ele estivesse atento, veria um leve rubor nas maçãs do rosto da menina. Era uma proposta ousada, do tipo que não costumava receber... Ou aceitar, desde o problema com o seu futuro sogro. Mas estava tomada pela curiosidade e pelo orgulho, não conseguindo demonstrar a insegurança e a guardando beem lá no fundinho. “Queria que a Sie estivesse aqui pra me aconselhar” pensou, sabendo que a sensatez da irmã sempre limitava os impulsos mais danosos dela...Mas, infelizmente, não tinha como se comunicar com ela.  Observou na mesa, vendo se Yuri havia deixado o celular ali... Talvez, se fosse com ele, conseguisse pegar e mandar uma mensagem para Sie. Talvez conseguisse mais que isso... Coisa que também a incentivava um pouco. Como aquele tanquinho que vira na noite anterior.

    -Só sem camisa? – se inclinou levemente sobre a mesa, abaixando o jornal que ele lia e o obrigando a olhá-la nos olhos. Estava bem confiante, aparentemente. “Merda, merda, merda”, pensava, apesar disso.

    Olhou na direção de Sasha, quando ele sugeriu para saírem dali. – Está com medo da sua irmã, senhor Smirnov? – disse, ainda pertinho, por estar inclinada. Não negou o convite, apesar disso. - Ou daS suaS irmãs.... - disse mais baixo e mais perto.



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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Qua 31 Maio 2017 - 0:43

    Liam a conduziu para o carro e abriu a porta para a jovem Sienna, os Fiannas não era lá muito chegados a etiquetas, mas eles pareciam estar se esforçando ali, para dar a jovem Prata algum conforto próximo ao que estava acostumada a receber. Notável talvez que seu pai tivesse algum grau elevado de prestígio entre eles, afinal de contas.

    - Infelizmente Masha foi pega no meio de uma situação familiar, também. – Falou Liam, após entrar no carro e dar a partida. - Ela receberia a senhorita hoje cedo, antes de sair paras as reuniões, mas acabou de receber uma ligação da irmã e teve que se ausentar. – Completou o jovem advogado, manobrando o carro e colocando-se em movimento. Em poucos minutos Sienna e Liam estavam em trânsito pelas ruas pacatas da Bray.

    A conversa seria amena, caso Sienna tivesse algum assunto para puxar, caso contrário ele ligaria o rádio numa estação qualquer, deixando a música bem baixinha para não incomodar a moça. O trajeto não era longo, mas havia um trânsito aqui e ali que os atrasou um pouco. Alguns minutos depois estavam estacionando à frente de um hostel simples, num canto menos nobre da cidade. Liam desligou o carro e abriu a porta, aguardando por Sienna, e juntos moveram-se para dentro do lugar.

    Ele a acompanhou para dentro do lugar, que apesar de simples era bastante agradável e explicou a Sienna que aquele lugar fazia parte de uma pequena rede que pertencia a família de Masha. Na recepção, tocou a pequena sineta e logo uma senhora veio os atender.

    Liam explicou brevemente a situação para a mulher, ele retirou um pedaço de papel da bolsa que levava e Sienna pode ver que era algo impresso de alguma câmera de vigilância e pode ver também que se tratava de sua irmã, na primeira vez que entrara naquele lugar. Pela expressão da senhora, Sienna pode notar que sua irmã tinha estado mesmo ali. A mulher explicou que a jovem estava hospedada, disse o número do quarto e tudo mais…

    Mas que ela não estava lá naquela manhã e que a tinha visto sair acompanhada de Sasha.

    Sienna pode ver a tranquilidade de Liam desaparecer de seu rosto quase num instante. Ele agradeceu e esperou a mulher sair, antes de voltar para Sienna.

    - Acho que temos um pequeno problema. – Comentou, movendo-se para um canto mais reservado. - Sasha é irmã mais nova da Masha… E não é exatamente uma… Hmm… Boa companhia... – Falou, com um suspiro. - Vou tentar falar com uma delas, você quer ir ver o quarto?







    Ele não respondeu, num primeiro instante a respeito da lista, dos fetiches ou de qualquer outra coisa. Não achava que aquele tipo de comentário deveria receber uma resposta, apenas voltou a sorrir muito sutilmente, enquanto os olhos atentavam-se ao que ele lia. Era difícil lê-lo com facilidade, ali quando ele parecia muito mais centrado e calmo do que na noite anterior, o que talvez levantasse ainda mais curiosidade na jovem Prata a respeito do que realmente tinha acontecido com o Garou naquela noite chuvosa.

    Quando Aimee olhou a mesa com mais atenção pode ver sim, dois celulares e um molho de chaves próximo a xícara de café que Yuri tomava. Ele tinha acabado de dar outro gole leve no café e terminado de deixar a xícara na mesa, os olhos atentos a notícia que parecia tanto, tanto lhe interessar, quando Aimee falou e baixou o jornal que Yuri lia; a coisa tinha funcionado, já que o Garou voltou os olhos para a Parente. Ali estava algo que ele sinceramente não esperava vindo dela e era um fato curioso que deixaria guardado na memória para buscar respostas depois.

    E houve silêncio, enquanto eles se encaravam, enquanto Aimee brincava com algo que não conhecia e Yuri lhe encarava talvez com um tom de surpresa e divertimento. Era difícil saber o que se passava na mente do jovem Senhor das Sombras, sua expressão não tinha se alterado muito desde o início do contato. Ele soltou o jornal, os olhos fixos na jovem Parente. Aimee era bonita, ah, se era, talvez mais bonita do que qualquer outra Parente que tenha visto até então… Mas haviam questões, não haviam? Sempre haviam.

    Ela tinha feito a jogado dela, era sua vez agora. Yuri encurtou ainda mais a distância entre os dois e tombou muito levemente o rosto para o lado, aproximando o próprio rosto do da jovem Presa, chegou a recostar sua bochecha com a barba por fazer nas bochechas dela, ele tinha cheiro de pós barba e uma colônia masculina qualquer, e então, próximo a sua orelha, ele lhe confidenciou em um sussurro como se fosse um segredo. – Pode ter o que quiser, srta Bettencourt. – Baixo, como uma brisa, direto como uma tempestade.

    Yuri se afastou dela e se levantou recolhendo as chaves e os celulares, tinha os olhos em Aimee enquanto fazia isso e tirou uma nota do bolso, deixando-o sobre a mesa. Olhou na direção para onde Sasha tinha ido e sorriu de leve. – Medo? Não. Só não estou no clima para uma reunião de família nesse momento. – Enfiou as coisas nos bolso e se virou, indo para a porta dos fundos. Não sabia se Aimee viria, mas algo lhe dizia que sim e o que aconteceria depois?

    Bom, não tinha planejado essa parte ainda.

    O jornal sobre a mesa noticiava um incidente na noite passada, onde um dois homens suspeitos de estarem envolvidos em ataques a mulheres na trilha que Aimee se perdeu foram achados mortos, não havia pistas do que tinha acontecido.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Qua 31 Maio 2017 - 21:28


    Uma das mãos de Aimee passeava na mesa, tendo o jornal que tirara da vista dele como escudo. Ia calmamente em direção ao celular mais próximo dela. Se aproveitava da situação, o corpo inclinado, o decote à mostra, a atenção de Yuri voltada para ela... Era perfeito. Mas, a jovem Prata não estava esperando o movimento rápido e certeiro de Yuri, capturando o olhar dela por um tempo inapropriadamente perigoso e se aproximando ainda mais, sem aviso.

    Imediatamente, a mão delituosa parou, sendo usada para firmar a ruiva, balançada com aquilo... Principalmente quando aqueles olhos, turvos de significados, se aproximaram.  Ela instintivamente recuou um pouco a cabeça, afinal, o encarar de perto assim evidenciava ainda mais que aquele era o homem com quem estivera na outra noite: selvagem, enigmático e, provavelmente, perigoso.  Não conseguia decidir o que estava sentindo naquele momento: medo, apreensão ou... Coisinhas em lugares abaixo da linha do equador. Provavelmente ambos. Talvez os hormônios da adolescência estivessem falando mais alto do que a sensatez; talvez o perigo fosse como uma lâmpada, a atraindo feito mosca desavisada; talvez sua audácia e seu orgulho estivessem a levando para um caminho sem volta.

    [...]

    Ela se arrepiou de leve, ao sentir a barba por fazer de Yuri roçar sua pele das bochechas e o cheiro másculo dele invadir as suas narinas. Novamente o rubor leve surgiu... E ela torceu para que o homem não tivesse reparado em nenhuma das reações bestas de seu corpo. Ouviu aquilo, o encarando quando ele voltou e se levantou, aproveitando para pairar o olhar no corpo dele, sem disfarçar. Logo deu um pequeno sorriso, vendo ele se afastar, após dizer qualquer coisa sobre as irmãs, que a menina nem se preocupara em dar atenção.

    -Filho da puta murmurou pra si mesma, observando ele se afastar, com toda aquela pretensão. Estava na dúvida, quanto a ir com ele, até que viu a notícia no jornal que ele havia deixado ali. Pegou a mochila em seu colo e se levantou, olhando para onde Sasha estava. Bufou, sabendo que estava fazendo merda e foi na direção da porta dos fundos, com o jornal na mão, esquecendo completamente dos óculos de sol na mesa do café.

    Ao sair, procurou Yuri, indo até onde ele estava, se apoiando na porta do carro quando ele estava para abrir e ficando, novamente, perto, entre ele e algo que ele estava fazendo antes de ela se meter – Parece que você tinha razão, quanto aos lobos ferozes, na floresta – disse, indicando o jornal em sua mão – O problema é que não dá para saber o que acontece nas sombras... Ou quem “acontece” lá... – o olhou com um pequeno sorriso.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Qua 31 Maio 2017 - 22:59



    Sienna não esperava tamanha cordialida por parte de Liam. Não era como se o julgasse, mas certas coisas em relação a etiqueta não eram usadas no cotidiano e ela não se importava com isso nomomento. Porém, foi uma grata surpresa, respondida com um sorriso gentil e um "obrigada" enquanto ela se sentava. Colocou o cinto de segurança e se ajeitou, colocando sua bolsa no colo enquanto o esperava.

    Seu coração falhou uma batida quando ouviu a justificativa. Será que ele tinha lido seus pensamentos? Ou ela deixou transparecer alguma coisa? Ele estava dizendo o oposto do que ela tinha achado. Respirou fundo e o encarou novamente.

    - Não tem como negar o chamado de um irmão, não é? Afinal, estou fazendo o mesmo, de certa forma.

    Voltou o olhar para a frente e não reclamou do volume do som, nem da rádio que ele escolheu. Já sentia necessidade de fazer nenhum tipo de exigências, além de não ser de seu feitio ser uma garota mimada e egoísta, ela reconhecia que tanto Gael quanto Liam estavam fazendo um favor. Nada daquilo era obrigação deles, mas bastou um telefone para começar a mobilizá-los e interromper, mesmo que parcialmente, o dia deles. Ela fugia um pouco do que seu irmão, por exemplo, apresentava como caráter, ainda que aparentasse ser um pouco "passiva" demais.

    Conversaram um pouco apenas sobre a diferença de Bray e Wexford para Dublin e coisas amenas. Sienna perguntaria qual era a profissão dele e sua especialização e só diria que ainda não terminou o ensino médio, mas que tinha uma noção do que gostaria de fazer. Foi uma conversa bastante tranquila, mas ela tratou em deixá-lo aborrecido ou entediado. Tinha um jeito educado e agradável de falar, quando não estava preocupada.

    Até que finalmente chegaram. Sienna saiu do carro e esperou por Liam, entrando depois dele no hostel. Observou o lugar por alto enquanto ouvia suas explicações acerca dele. Era uma das propriedades de Masha, por isso foi fácil de conseguir a localização de Aimee. Viu a foto, mas a mulher podia ter falado de Aimee só de olhar para Sienna. Elas eram identicas, apenas tinham posturas e comportamentos diferentes. Arqueou uma das sobrancelhas ao ouvir que ela tinha se retirado com Sasha e pela expressão de Liam, aquilo não era bom.

    - Irmã da Srta Smirnov? Não foi ela quem ligou? Deve ter falado de Aimee.

    Concluiu num misto e alivio e apreensão.

    - Eu posso ir? Aimee é um pouco avoada, posso ver se ela esqueceu alguma coisa...

    Caso fosse possível, ela seguiria até o quarto da irmã.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

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      Data/hora atual: Seg 21 Ago 2017 - 22:31