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    [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

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    Rosenrot
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Qui Jun 01, 2017 1:46 pm

    Talvez fosse um pouco de inocência de Aimee, achar mesmo que conseguiria subtrair algo de um Garou, principalmente de um Senhor das Sombras, mas talvez sequer ele tenha notado a tentativa, era difícil dizer diante da avalanche de leves acontecimentos que ocorreram após ela começar a tentar.

    Ao sair do estabelecimento, Yuri caminhou até o outro lado da rua, onde seu carro estava estacionando, uma BMW preta aparentemente conversível, ele tinha as chaves na mão e apertou o alarme que destravou as portas, em momento algum Aimee o viu olhar para trás. Sua mão alcançou a maçaneta do carro, no instante em que a Parente parou entre ele e o automóvel. Vagarosamente, o Senhor das Sombras tirou a mão da maçaneta, os olhos indo na direção de Aimee e depois para o jornal que ela segurava.

    Eram todas possibilidades, Yuri achava – em verdade era como via o mundo na maior parte do tempo, possibilidades – talvez fosse meio pragmático da sua parte, mas era assim que as coisas funcionavam para ele. Ali fora, longe da proteção de paredes, ele parecia mais sério e menos propenso a brincadeiras e provocações. Tinha plena consciência da situação em que estava se metendo: Ele era um Senhor das Sombras, um Ahroun, um guerreiro e um estrategista. Aimee era uma Presas de Prata e se alguém – qualquer alguém – que não devesse os visse ali, tão próximos, parecendo tão, tão íntimos… Alguns jogos não podem ser jogados a luz do dia, ele sabia muito bem disso.

    Yuri deu um passo para trás, muito suave e muito discreto, exterminando aquela proximidade de ambos, seus olhos voltaram para o jornal e depois para Aimee. - Geralmente costumo ter razão. – Respondeu e discretamente Yuri olhou em volta, atentando-se ao ambiente, as pessoas que passavam. Não gostava de se sentir exposto, propenso a ser pego. - Se você quer ir para a minha cama. – Ele começou, direto ao ponto, era melhor, era mais rápido e geralmente mais eficaz. Brincadeiras não iam tirar o que ele queria saber de Aimee e ela parecia propensa a manter tantos jogos quanto ele conseguisse conceber. - Eu posso levá-la lá, para falar a verdade, seria um verdadeiro prazer. – Afirmou e agora olhou para ela de novo.

    - Mas a senhorita O’Shea quer algo, todos nós queremos, afinal. E não tenho certeza se esse algo me envolve tão diretamente quanto a senhorita está tentando me fazer acreditar que é. Então porque não ir direto ao ponto? Temos duas opções aqui, senhorita O’Shea. Uma: você entra no carro e nós andamos por aí, eu evitando minha família, a senhorita aparentemente evitando a sua. Bebemos, comemos, conversamos e no final do dia teremos mais duas opções: você fica ou você vai. E a sua segunda opção é: você fica, eu entro no carro e vou embora. Seguimos nossos caminhos. – Pausa, olhada para trás, Sasha já deveria ter notado que eles tinham saído.

    - Fato é, não é bom para você ser vista comigo, não é bom para mim ser visto com você. Entende nosso problema? – Finalizou, ele se curvou para Aimee, repetindo o movimento da cafeteria, mas dessa vez não deixou os rostos se encontrarem. - Só tenho que adverti-la.- Começou naquele sussurro. - Não tenho nada para você ganhar. – E se afastou de novo, mantendo-se frente a ela, mas não exatamente próximos.








    A velha que cuidava do lugar tinha saído e deixado ambos a sós. As chaves para o quarto que Aimee ocupava estavam no balcão. Liam notou como Sienna parecia apreensiva, mas tentou focar-se no que tinha em mãos agora.

    - Sim, essa mesma. É de fato estranho isso, vou tentar contato com uma das duas. – Avisou, pegando o celular para começar a fazer as ligações. - Claro, a chave está ali. Pode ir tranquila.

    Liam ficou no saguão, para fazer as ligações.

    […]

    As escadas levaram Sienna para um corredor pequeno, mas bem iluminado e ornamentado. Com fotografias de paisagens e coisas do tipo. As chaves em sua mão indicavam um numeral para uma das portas. Tudo era muito simples em vários aspectos, mas agradável.

    O quarto em si era pequeno: uma cama, uma mesa e o banheiro. Pelo visto a camareira já tinha passado pelo lugar, pois os lençóis tinham sido trocados, o banheiro limpo e tudo arrumado. Não haviam malas ali, ou qualquer coisa muito grande.

    Sienna deu uma olhada por todo o lugar, não existiam muitos traços da irmã por ali, mas ela pode encontrar uma coisa ou outra como alguns adornos que a irmã usava para prender os cabelos. No banheiro porém, Sienna teve mais sorte: pode encontrar um amontoado de papéis provavelmente esquecido pela camareira; eles estavam bem molhados e amassados, mas ela pode notar ao pegá-los que se tratava – ou se tratou um dia – de um mapa, e com alguma dificuldade pode ver que era um mapa de um dos pontos turísticos, onde era possível fazer uma trilha…

    Tinha chovido noite passada. Aquilo indicava que Aimee tinha ido até a trilha e voltado… Mas e depois?
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Qui Jun 01, 2017 4:54 pm


    Aimee não estava acostumada a lidar com homens mais velhos, como Yuri. Os garotos mais velhos que geralmente ficava tinham por volta de 17/18 anos, que geralmente não se importavam em dar uns beijinhos em uma menor de idade... Os "de maior" geralmente tinham medo de ir pra cadeia... E medo não parecia ser algo que caracterizasse o ShL na sua frente.
    A mudança de postura do homem a intimidou um pouco, mas ela se manteve firme ali, o olhando nos olhos enquanto ouvia ele falar sobre opções e sobre o quão certo ele costumava estar sobre as coisas.  O sorrisinho dela também havia diminuído, erguendo uma das sobrancelhas com a conversa dele. Apesar de toda pretensão, algo no discurso dele chamou atenção dela: ele demonstrara claramente que tinha intenções e quais estas eram, mas, no fim, deixou isso nas mãos da jovem Prata. Não estava acostumada com aquilo, ainda mais naquele tipo de situação.

    - Pois bem – ela disse, jogando a mochila para dentro do carro – Espero que você faça a primeira opção valer à pena, Smirnov. Um verdadeiro prazer. – disse, repetindo o que ele dissera um pouco antes, baixo, sem brincar agora. Olhou na direção para qual ele olhava, compartilhando o motivo da pressa dele. Bem, sair sem avisar Sasha e depois ser pega ali com ele não era uma situação muito agradável.

    [...]

    A menina se desencostou do carro, quando ele se afastou e disse algo sobre ela não ter nada a ganhar com ele. Finalmente o sorrisinho no canto direito dos lábios dela voltou, quando ela entendeu aquela postura que ele estava tendo ali fora. A ruiva deu um passo para frente, não respeitando novamente o espaço dele.

    – Eu só quero duas coisas de você, Yuri – disse, aparentando mais confiança do que realmente tinha – Isso – uma mão passeou discretamente um pouco abaixo do cós da calça dele e deu uma apertada rápida, usando o corpo para não deixar o que fazia evidente para quem passasse na rua. Depois, subiu a mão para o bolso dele, tirando um dos celulares de lá e voltando a dar o espaço do Garou – E isso. Só pra deixar claro – estava rubra com a própria ousadia – Posso? – indicou o celular e pulou para dentro do carro, passando em seguida para o banco do carona.

    O que estava fazendo? Ia ter a sua “primeira vez”, depois de toda aquela merda, com um ShL de uma família conflituosa com a dela? “hmm... Mas ele é tão gostoso...” pensou, enquanto desbloqueava o celular, para mandar a mensagem.

    Persephone
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Qui Jun 01, 2017 6:02 pm


    - Estranho? - Olhou para Liam com um pouco mais de cuidado. Talvez não tenha sido uma coincidência a irmã se deparar justamente com uma das Smirnov ali. Talvez a tal Sasha estivesse ali justamente por conta de Aimee. Engoliu em seco, trincando os dentes de leve, mas manteve a calma. - Certo, não vou demorar.

    Pegou a chave e seguiu até o quarto designado. Durante o percurso, ela pôde perceber que o lugar, apesar de não ter muitos luxos, era bastante agradável. O tipo de ambiente que jovens como elas se sentiriam bem para pernoitar ou se hospedar por alguns dias. Quando chegou até o quarto cujo numero correspondia à chave, ela entrou para dar uma última olhada.

    O lugar estava limpo, com a roupa de cama trocada e tudo em seu lugar. Se tivesse algo realmente relevante ali, era mais fácil estar no "achados e perdidos" do hostel. Mesmo assim, Sienna foi dar uma olhada. Achou alguns elasticos no chão, perto do criado mudo. Reconheceu de cara como sendo da irmã, pois tinham peças semelhantese  também havia um fio vermelho ali. Colocou no proprio pulso e seguiu até o banheiro. Não havia nada de relevante no quarto, porém, no banheiro ela encontrou algo que chamou sua atenção.

    Pegou com a ponta dos dedos e tentou abrir da melhor forma possivel. Estavam muito amassados e molhados, mas conseguiu identificar o mapa. Não dava para entender muita coisa, mas viu a trilha destacada. Tipico de sua irmã. Fechou o mapa e o levou consigo. Antes de sair totalmente do quarto, olhou para a janela. Sem saber, estava no mesmo ponto que sua irmã esteve, na noite anterior, olhando para o mesmo ponto especifico onde ela vira um homem parado. Franziu as sobrancelhas, sem saber o porquê e desceu novamente.

    Não tinha demoraro muito tempo no quarto, até porque queria encontrá-la logo. Esperava que Liam tivesse tido algum sucesso. Quando o visse, esperaria ele terminar o que estivesse fazendo, antes de mostrar o mapa.

    - Só achei isso. Acredito que ela tenha feito essa trilha antes de parar aqui, mas choveu tanto ontem... - Mordeu o labio internamente. - Espero que ela não fique doente por isso. Conseguiu falar com elas?

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    Rosenrot
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Qui Jun 01, 2017 9:27 pm

    Muitas, muitas coisas passavam pela cabeça de Yuri “Ruge-Como-A-Tempestade” Smirnov naquele instante. Algumas eram muito práticas como: ‘Ela tá te fazendo perder tempo, Yuri’, outras mais pragmáticas como ‘Isso é um teste, Yuri’ e outras menos imediatas como aquela música: ‘I want to fucking tear you apart’. Mas, como antes, Yuri era um sujeito pragmático. Ele foi surpreendido claro, pelo fato da Parente aceitar a ideia de sair por ai pela cidade com ele. Não sabia dizer de imediato se era uma surpresa boa ou ruim, ia ter que arriscar para ver.

    Sua mente não pensava em idade, os lobisomens raramente pensavam nesse assunto em questão. Regras da casa, praticamente. Então ele não racionalizava o fator idade naquele instante. Racionalizava outros fatores, como os Tribais, como os políticos e toda aquela merda.

    Quando Aimee tomou aquele movimento; quando seus dedos chegaram aonde chegaram houve duas coisas que a jovem Presa de Prata pode notar: O Garou travou, como se os músculos do corpo tivessem todos se condicionando a um estado de alerta, ele respirou fundo – tinha que respirar! - e então com algum autocontrole imposto deu outro passo para trás. Outra coisa bastante notável foi que ele lhe segurou a mão e enfiou a própria mão livre no bolso. Aquela garota estava começando a … Bom, a mexer onde não conhecia.

    - Todo esse esforço só pra me roubar? Era mais fácil ter pedido antes. - Resmungou ele, tentando livrar-se do quase problema que surgira nas calças.

    Ele soltou a mão dela, e tirou do bolso um dos celulares – ela poderia não saber, mas era um celular pré-pago – daqueles que você usa por um tempo e descarta. Não haviam números discados nele, nem salvos, nem mensagens, era como se nunca em momento algum tivesse sido usado. Não era o celular dele, pelo menos não o ‘oficial’.

    Agora, ele precisava pensar – excluindo todos os pensamentos pornográficos que invadiram sua mente feito uma avalanche – pensar no que fazer exatamente, tinha alguma coisa muito, muito errada acontecendo ali. Uma Presa de Prata não cai do céu na cama de um Senhor das Sombras. Ainda mais diante de todas as coisas que estavam acontecendo em Bray… Que diabos – excluindo todos aqueles outros pensamentos! - ele ia fazer com ela? Lambeu os lábios muito de leve, antes de deixar-se respirar fundo uma vez mais. Abriu a porta do carro e entrou, enfiando a chave na ignição. Esticou os olhos para o lado, a fim de ver para quem ela estava mandando a mensagem. Tinha a sensação de que um exército de Presas de Prata ia pular em cima do carro e dizer “AHÁ! PEGAMOS VOCÊS SEUS TRAIDORES!”, achava que estava, literalmente tentando dormir com o inimigo, a ideia não lhe agradava tanto, manobrou o carro e pegou as ruazinhas de Bray, conforme dirigia, sua mente se clareava um pouco mais, tinha uma ideia de para onde poderia levá-la afinal de contas. E assim, ele dobrou esquinas até cair numa pista mais agitada, onde talvez para o prazer ou terror de Aimee, ele pisou fundo.

    Enquanto dirigia o trecho de uma música lhe veio à mente, e ele riu. My lifestyle determines my death style

    […]

    O carro com Yuri e Aimee rapidamente se afastou de Bray, rapidamente deixou as pequenas ruas para trás e toda e qualquer coisa que pudessem esperar da cidade, Yuri não puxava muito assunto, preferia o rádio ligado em um jazz qualquer, tinha posto óculos escuros e deixado a capota do carro aberta. Ele entrava em rodovias menos movimentadas e cada vez mais ‘selvagens’, os prédios começavam aos poucos a serem substituídos por árvores e casas grandes e bonitas. Quando ele finalmente fez a curva em uma determinada rua, Aimee pode notar que estavam entrando em uma espécie de condomínio de luxo.

    Casas grandes e bonitas se espalhavam pelo lugar, ele virou algumas vezes, até entrar em uma garagem aberta frente a uma dessas casas. Desligou o carro finalmente, Yuri se levantou, saindo do veículo e sem nenhum gesto de cavalheirismo apenas se moveu, deixando Aimee por conta. Yuri seguiu para a porta da frente da casa e apenas parou lá, após abri-la para esperar por Aimee, lhe dando passagem.

    O interior da casa era de uma decoração rústica misturada com um toque leve de sofisticação. A sala era belíssima, adornada por uma ladeira, e lustres enormes. O local estava mergulhado num silêncio quase mortal, quando Yuri moveu-se pelo ambiente em direção ao pequeno bar, onde se serviu de uma dose dupla de vodka que tomou em dois goles, sentindo o álcool lhe queimar a garganta e avermelhar-lhe a pele. Seus instintos mais básicos – aqueles que diziam para ele agarrar a Parente ali mesmo, na sala – foram empurrados para baixo, enquanto tentava manter-se consciente das coisas que estava fazendo. Virou-se para a jovem Presa, olhando-a de cima a baixo. Na noite anterior ela parecia tão… Perdida, talvez.

    - Eu já vi muita coisa esquisita, na minha vida e nas minhas viagens pela Europa. – Falava devagar, com um tom pensativo. - Mas nada como uma Presas de Prata perdida sozinha à noite num lugar como aquele. Muito menos uma Presa de Prata querendo por vontade própria passar a noite na cama de qualquer Senhor das Sombras que eu conheça… Então, me cabe fazer uma pergunta: estou sendo usado para irritar quem e por quê? – E sorriu, o mesmo sorriso de antes.







    Sienna estava começando a ficar em um beco sem saída, era difícil saber o que sua irmã estava aprontando ou no que estava se metendo. O quarto não tinha sido lá de grande ajuda, já que dessa vez – para o bem ou para o mau – Aimee não parecia ter esquecido de nada importante. Quando retornou ao saguão, Liam ainda tentava ou falava com alguém ao telefone ele desligou poucos segundos antes da jovem Sienna se aproximar. Não parecia muito animado com as notícias.

    - Sim... – Falou o jovem. - Sua irmã estava mesmo com a Sasha… Porém parece que ela saiu com outra pessoa. – Comentou, olhando em volta e indicando para Sienna que o seguisse para fora do lugar, eles pararam próximos ao carro, enquanto Liam guardava o celular.

    - Sasha foi se encontrar com o irmão mais velho, que retornou de uma viagem longa à Europa, parece que sua irmã saiu com ele, enquanto Sasha ligava para Masha, para avisar sobre o irmão... – Ele fez uma pausa breve, pensativo e parecendo tentar entender o desenrolar daquele assunto.

    - Ela não sabe para onde foram e o irmão não está atendendo ao celular. – E parecia ligeiramente desanimado. - Você tem alguma ideia de onde sua irmã pode ter ido? Masha está tentando achá-los, nesse momento…

    Não queria citar, claro, para Sienna os problemas que Yuri representava, ou talvez o grande problema que Yuri andando por ai com a filha de um O’Shea poderia representar. Achava que isso só traria mais angustias a jovem Parente e precisavam pensar a respeito do que fazer em seguida. Ele particularmente não conhecia muito os habitos do jovem Yuri, mas sua irmã provavelmente o fazia.

    - Vamos ir buscar a Sasha e tentar achar sua irmã. – Disse ele, abrindo a porta do carro para ela.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Sex Jun 02, 2017 4:16 am


    Aimee não tinha certeza se todo aquele jogo de fato daria certo. Na verdade, no fundo pensava que não. Apesar de toda pose, ela tinha incertezas enormes quanto a qualquer coisa que envolvesse a insinuação sexual, apesar de não ser insegura quanto ao seu corpo. No geral, apenas provocava e saía de fininho depois, após ganhar uma bebida ou um chuveiro para tomar banho. Mas... Com Yuri era diferente. Ela não estava tentando tirar nada dele: apesar de precisar do celular e daquela loucura servir ao seu propósito de liberdade, não era como se só pudesse realizar aquilo com ele. Podia ser com qualquer um que tivesse um celular e um membro viril entre as pernas. Qualquer um... Mas por que raios escolhera Yuri?

    Ele não parecia confiável, gentil e tampouco um cara que apresentaria para o seu pai (provavelmente essa última parte tenha sido um incentivo na escolha). O ShL também não parecia à vontade com ter uma Presas de Prata relando nele, no meio da rua. Estava desconfiado e ressabiado, até mais que a irmã aparentara, no hostel. “Quem tem tantas desconfianças tem, também, muitos segredos, não é mesmo?” a Parente pensou, enquanto escorregava para o banco do carona, observando um Yuri meio chocado e indeciso entrar no carro. Sorriu ao perceber o leve volume – bem disfarçado de pé, mas visível sentado – que se formara na calça dele.

    [...]

    Não respondeu a afirmação dele sobre o “roubo”, apenas dando de ombros e desbloqueando o celular, enquanto ele dava partida e tentava espiar o que ela fazia ali. O olhou com o canto dos olhos e estalou os lábios. – Presta atenção na estrada, Smirnov! – disse e logo voltou a atenção para o telefone.

    SMS:

    Sie, Aimee aqui.
    Estou mandando essa msg pra dizer que tá td bem.
    Desculpa não dar notícias mas perdi meu cel e só
    agr consegui um emprestado.
    Espero q esteja td bem, ontem tive um sentimento
    ruim quando a chuva começou.
    Voltarei em breve, to com sdds.
    Te amo


    Quando terminou de escrever o sms, tentou lembrar o número de cabeça mas falhou. Se ajoelhou no banco, caçando uma caderneta no fundo da mochila. Quando ele acelerou do nada, o corpo de Aimee foi quase todo pra cima dele, a bunda em direção ao seu colo. Por sorte conseguiu se segurar, não causando um acidente. – Cacete, Smirnov. Pra que correr assim? – perguntou, achando finalmente a caderneta e se sentando direito. Colocando o cinto em seguida. Achou o número da irmã e enviou e mensagem, estendendo para ele antes de apagar.

    -É melhor você se livrar dele – deu um pequeno sorriso –rápido – completou, o olhando. Sabia que ele queria ler a mensagem e havia deixado ela lá, e o aviso iria deixar ele em dúvida do que fazer, afinal, ainda estava dirigindo.
    [...]

    O restante do caminho foi tranquilo. Apesar de estar um pouco preocupada em estarem saindo da cidade, não havia nada que pudesse fazer de um carro naquela velocidade, por isso, apenas se manteve quieta, mudando de estação de rádio, colocando algo mais pop. O vento a incomodava um pouco, afinal, só vestia um casaco ainda meio molhado e uma camiseta curtinha , na parte superior do corpo, mas não reclamou.

    Quando viu que estavam chegando em um condomínio, ficou meio surpresa. Era algo bem luxuoso, quase se equiparando às moradias dos Pratas. Quando ele saiu do carro, após estacionar, ela também o fez, juntando suas coisas que haviam caído no chão do carro dele, depois do pequeno acidente na rodovia, e indo atrás. Ao chegar lá, colocou a mochila no chão, perto da porta e tirou os tênis. –Hm, quer dizer que falam de nós, mas vivem com o mesmo luxo... Só que no mato. Interessante – disse, observando ele ir para o bar e preparar uma bebida. Depois deu uma risada, ouvindo a pergunta dele.

    Colocou o casaco no lugar que tinha perto da porta para pendurar e foi até ele, estremecendo ao pisar no chão gelado.

    - Não vai me oferecer uma bebida, Sr. Smirnov? Que falta de educação... – deu um impulso, se sentando ao lado dele, no balcão do barzinho. Estava tremendo um pouco, não dava pra saber se de frio ou de nervosismo – Está sendo usado pra me... Satisfazer. Assim como você está me usando pra isso. Ponto final – disse, sobre a pergunta dele.

    Talvez estivesse realmente perdida, era algo que não dava para disfarçar no olhar. Mas quem se importava?

    Pegou o copo da mão dele, visto ele estar demorando pra servir um pra ela e deu uma golada, fazendo uma careta, mas engolindo – Parece que não vou precisar te embebedar. Você já está fazendo o trabalho por si mesmo – deu uma risada.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Sex Jun 02, 2017 2:47 pm


    Até aquele momento, Sienna conseguiu manter sua serenidade. Era verdade que não estava numa situação favorável - sendo bem honesta, nada favorável. Afinal, Aimee tinha ultrapassado certos limites, no plural, porque foram muitos. Primeiro não dava notícia há dias, segundo porque tinha parado num território complicado para sua familia e, consequentemente, para ela mesma. Terceiro, porque estava com uma Smirnov.

    Porém, quando Liam apareceu com aquela novidade, o rosto claro de Sienna ficou completamente sem cor. Uma vertigem a tomou e ela quase caiu, talvez porque também não tenha comido absolutamente nada até aquele momento - seu café da manhã fora interrompido pela furiosa aparição de uma Cria de Fenris e, depois disso, não teve tempo de comer. Fato era que se sentia mais velha e com alguns fios brancos se formando em sua cabeça. Por que diabos não podia ter irmãos normais?

    Ofegante, ela respirou pela boca, mesmo com os lábios um pouco ressecados.

    - Ela...saiu com quem?

    Piscou lentamente, algumas vezes e agradeceu quando foi acompanhada até a porta do carro. Se apoiou na lataria enquanto Liam continuava falando. Apesar de Sienna não ser expert em assuntos sexuais, ela não era burra. Por que sua irmã faria isso? Se não fosse por algo relacionado à atração física, com certeza era para afrontar seu pai. O problema é que ela não afrontaria apenas sua família, os O'Shea, era algo muito maior. O que ela estava fazendo com sua vida?! Como podia ser tão egoísta e colocar tudo em risco?! Era mais retardada do que Aeron?!?!

    Esse tipo de pensamento passava pela cabeça de Sienna, mas ela tentava se conter. Ainda se tremia um pouco e Liam não precisava explicar o que aquilo representava. E quanto à pergunta, Sienna fechou os olhos e trincou os dentes.

    - Minha irmã...escapou da atenção da senhorita Smirnov para seguir com o irmão mais velho dela. - Voltou os olhos para Liam. - Minha irmã não conhece essa cidade, então, é mais fácil se perguntar para onde ele a levaria. Eles acaso têm noção do que estão fazendo? Do que está em risco?

    Acabou desabafando para Liam, sem conseguir se conter.

    - Ela tem sorte que sou eu e não nosso irmão que está aqui.

    Entrou no carro, colocando o cinto de segurança. E quanto à "tentar", era bom que conseguisse. Liam perceberia que Sienna estava realmente aborrecida, tão aborrecida que ficou calada. Não estava mais falante e educada como antes, mesmo que não estivesse brigando com ele. E caso ele falasse, ela responderia de modo contido. Mas estava um pouco mais...fechada.

    Eis que pouco antes de chegarem ao local onde se encontrariam com Sasha, o celular dela vibra com uma mensagem. Não reconhecia aquele número, mas antes mesmo de terminar de ler a mensagem, ela ligou para o número. A mensagem de Aimee não foi enviada assim que ela escreveu. O sinal estava fraco na estrada e só retornou quando os dois chegaram até a rede da casa de Yuri. Ambos estavam começando a beber quando o celular tocou. E independente de quem atendesse, ouviria uma voz irritada e urgente do outro lado da linha.

    - ONDE você está, Aimee? Eu estou em Bray e você VAI voltar pra casa.

    Rosenrot
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Sex Jun 02, 2017 4:18 pm

    Moveu-se muito sutilmente para o lado, quando a garota praticamente caiu em cima de si, estava a uma velocidade considerável e apesar de achar que sobreviveria a uma batida – conseguiria regenerar algumas coisas – não acreditava que a Prata ao seu lado teria a mesma sorte. Suspirou, ignorando as ‘ordens’ de Aimee a respeito da velocidade e tudo mais.

    Enfiou o celular no bolso, não tinha intenções de se livrar dele, ele poderia ser útil de um modo ou de outro. E continuou a dirigir, quando ela mudou a estação de rádio, ele mudou de novo. Não ia ouvir porcaria pop porque ela queria isso. Seu carro, suas regras.

    […]

    Yuri não respondeu a respeito da viva luxuosa, Aimee era uma Parente e ele tinha plena certeza de que ela não fazia ideia do que realmente se passava na própria Tribo ou entre os Senhores das Sombras, deveria ser bom em certo ângulo, imaginou, viver na completa ignorância com apenas um simples dever a cumprir: casar e ter filhos. Quase uma dádiva.

    Sejamos sinceros, tirando a parte da atração física inicial e da curiosidade, Aimee estava começando a lhe irritar. Ele buscava ser um sujeito prático de algumas formas, e aquela insistência em manter determinados joguinhos quando a necessidade se desfazia o cansava, quando ela se sentou no balcão ele se afastou. Olhou em volta por um instante… Faziam o quê? Três? Quatro anos que não pisava naquela casa? Era estranho vê-la de novo, principalmente mergulhada naquele silêncio. Não haviam fotografias nas paredes ou porta-retratos, caso Aimee olhasse com mais atenção.

    Ouviu em silêncio o que ela falava. Então resolveu entrar na dança, ver até onde Aimee teria coragem de ir. Yuri tirou a camisa que usava – e diferente da noite passada – Aimee pode ver com mais detalhes o que estava por baixo do tecido: ele tinha MUITAS cicatrizes na região do tórax e também uma enorme tatuagem de dois corvos que pegavam peito/braço simultaneamente. O Garou se moveu, tirando os sapatos no processo. Quando ele se aproximou, pegou Aimee com a facilidade de quem pega uma sacola vazia e andou com ela alguns poucos centímetros antes de jogá-la no enorme sofá à sala.

    Ele dobrou um dos joelhos ali e se curvou na direção da Parente, mordeu-lhe o pescoço antes de ensaiar que lhe tiraria a blusa… Então sentiu alguma coisa vibrar no bolso.

    Num primeiro instante ficou parado, como se a sensação o tivesse trazido de volta ao mundo real, ou como se tentasse entender o que era aquilo, até sentar-se – afastando-se da Parente – e enfiar a mão no bolso, tirou de lá o celular que ela tinha usado antes, curioso com o número que não reconhecia… Então atendeu.

    Yuri ouviu em silêncio o que Sienna praticamente berrava.


    […]

    Liam tinha os olhos em Sienna, preocupado em como as coisas estavam acontecendo. Ele notou quando ela pareceu perder-se um pouco e a segurou para evitar que a jovem caísse e se ferisse. Perguntou mais de uma vez se ela estava bem, se precisava de algo ou qualquer coisa assim. Agora era ele quem estava muito, muito apreensivo.

    Ele decidiu levar a jovem até o carro, onde ela poderia se sentar e respirar melhor. Ouviu os questionamentos e as colocações da jovem Prata, e moveu a cabeça, preparando-se para explicar.

    - Bom… Yuri esteve fora por uns dois ou três anos... – Começou, com um suspiro muito breve. - Na verdade foi meio que uma surpresa ele ter voltado, então é meio difícil eu saber onde possa ter ido, mas Sasha ou Masha vão saber responder melhor.

    E assim, ele pôs-se a dirigir.

    E quando estava para estacionar – já podia ver Sasha na esquina, aguardando – ouviu o que acontecia ao celular, com a jovem Sienna, Liam parou o carro e aguardou que Sasha viesse.

    […]

    Ali, sentado, meio excitado e meio frustrado, ouvindo aquela garota gritar ele repassou levemente o que sabia sobre a família de Aimee – deveria ter prestado atenção nas lições de ‘história’ –, a mãe era uma Garou, o filho mais velho… Não se lembrava de ninguém mais na família dela que o fosse. Esse era o problema de lidar ao telefone, nunca dava para ter certeza. Mas o que era uma gota, para quem já estava ensopado?

    - Lamento. – Disse a voz masculina para Aimee. – Mas a senhorita O’Shea está com as mãos ocupadas e a boca cheia, não poderá falar agora. – Sinceramente, ele não conhecia Sienna, não sabia se ela ia sacar a conotação sexual da sua fala – e simplesmente não se importava –, queria só irritar alguém para descontar um pouco da sua frustração, e desligou o celular, jogando-o no chão da sala, seus olhos foram para Aimee de novo, lambeu os lábios.

    - Tem um banheiro lá em cima, à esquerda, deve ter alguma coisa da Sasha por lá pra você vestir. Vai tomar um banho quente, tirar essa roupa úmida. A cavalaria tá chegando pra te salvar do terrível dragão, Princesa. – Ele ia se levantar, mas deu uma olhada nela… Bom, por que não? Yuri se inclinou sobre Aimee de novo e dessa vez ele foi menos babaca e simplesmente beijou a garota, não era um beijo lascivo ou um beijo romântico, era só um beijo. Então ele se afastou, se levantou pegou o celular no chão e jogou para Aimee.

    - Legal te conhecer, tente ficar longe de problemas, senhorita O’Shea. – Yuri forçou um cortejo ‘real’ antes de pegar suas coisas no chão e rumar para as escadas para o andar de cima, deixando Aimee sozinha na grande e vazia sala.

    […]

    Sasha entrou no carro, enquanto Sienna ouvia Yuri falar e ouvia o celular ser desligado. A jovem tinha um estilo meio… Bom, meio diferente e deu uma olhada nos dois no banco da frente, ela jogou os óculos escuros de Aimee para Sienna.

    – Sua irmã esqueceu isso ai. – Avisou. - Acho que sei pra onde Yuri foi. – E informou ao motorista, que pôs o carro em movimento, uma vez mais.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Sex Jun 02, 2017 7:25 pm


    Tudo aconteceu muito rápido, não dando tempo da jovem Parente raciocinar. Em um momento, estavam blefando sobre o resto da noite... No outro, Yuri estava sem camisa, sem sapatos e muito, muito perto. Tão perto que podia ver cada pedacinho do tórax dele, mordendo o lábio de leve, sem perceber. Ergueu uma mão, fazendo o caminho das cicatrizes com a ponta de um dos dedos, antes de ser interrompida pelas mãos dele em sua bunda, a levantando do balcão.

    Muito perto...

    Se antes estava admirada com o tanquinho e com a masculinidade representada nas tatuagens e nas cicatrizes, agora... Estava sentindo a masculinidade em todo o seu corpo. Os braços dele envolvendo sua cintura; as pernas dela, cruzadas na cintura dele, mantendo ele pertinho; o peitoral contra os seios dela, protegidos apenas por duas camadas finas de roupa... Era tudo tão... Intenso. Aimee estava envergonha, com medo e excitada na mesma proporção, mas, ao ser jogada no sofá daquela forma e sentir os lábios e dentes dele percorrerem o seu pescoço... a equação ficou BEM desequilibrada, a excitação ganhando de lavada.

    [...]

    Deu uma mordida mais forte no lábio inferior, pra conter um gemido que lhe viera na garganta, apenas grunhindo... E quase rosnando quando ele parou e se sentou, pra pegar aquela merda de celular. Por que raios ele não tinha se livrado do telefone?.. Aimee ficou observando o ShL, sentando de súbito ao perceber com quem ele falava. Ele podia ver o medo nos olhos dela, que pensava ter entendido o que aconteceria em seguida. As palavras dele apenas confirmaram o que pensara: alguém estava vindo buscar ela. Provavelmente a irmã ou algum conhecido do pai, pois o irmão não podia entrar em Bray.
    Estava com o olhar perdido, o focalizando apenas ao sentir os lábios de Yuri nos seus. O beijo de fato não passara de dois lábios se encostando. – Obrigada – disse, baixo, desviando o olhar e suspirando. Estava com tanta saudade da irmã que não podia fugir novamente. Mas... Podia voltar? O ShL parecia menos amedrontador que o seu destino.

    Ela deixou ele ir primeiro, sentada ali, com a blusa meio levantada e o corpo mole. Logo suspirou, estava mesmo com frio e precisava de um banho. Olhou o celular, sem a capa de trás, após o baque no chão, e deixou sobre a mesa, indo até o banheiro indicado e tomando um banho demorado.

    Caso a cavalaria chegasse lá, nesse meio tempo, não se apressaria.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Sex Jun 02, 2017 9:37 pm


    Liam era um rapaz extremamente gentil e solicito. Sienna lamentava por agir daquela forma fragilizada, mas realmente chegou num ponto que não conseguiu mais manter a sua serenidade de antes. Fraquejou diante do desconhecido rapaz, mas agradeceu por ele ser tão atencioso e discreto. Cada vez que ele perguntava se ela estava bem, ela meneava positivamente, para logo em seguida responder à pergunta seguinte, menegando negativamente. Estava bem, não precisava de nada. Talvez de água, mas não conseguia pensar nisso no momento.

    Sentou-se no banco do carona e disse que era mais fácil saberem para onde o irmão de Sasha e Masha poderia ter levado Aimee. Liam respondeu, sempre dando o maximo informação que podia compartilhar. Mas a ruiva ainda estava muito inquieta e só conseguiu voltar quando viu a mensagem. Nesse momento, ela foi tomada pela furia e ligou rapidamente. Acabou se exaltando, mas a cara de espanto dela ficou nitida quando ouviu a resposta.

    - O...que? Quem é voc...?!!!!!

    A ligação foi encerrada e Sienna afastou o aparelho, vendo que estava desligando. Não tinha entendido a conotação sexual daquilo, mas não agradava imaginar que sua irmã estava tendo uma refeição com um homem grosseiro como aquele.

    - Que vergonha...Que vergonha...Oh, Céus...

    Levou as duas mãos até o rosto, curvando o corpo para a frente. Não disse para Liam o que ouviu e se assustou quando alguém mais entrou no carro. Virou-se um pouco para trás até se deparar com aquela mulher bastante peculiar. Engoliu em seco e tentou se recompor. Apesar de Sienna ser idêntica a Aimee, havia uma nitida diferença no comportamento. Sienna parecia mais madura e elegante enquanto Aimee era aquele espirito livre que Sasha conhecia.

    Os óculos de Aimee foram jogados para Sienna. Ela pegou o objeto de mal jeito, mas logo enfiou numa bolsa.

    - Obrigada, Srta Smirnov.

    Respondeu um pouco mais séria, mas ainda mantendo a educação.

    - Ela me mandou mensagem de um número desconhecido. Quando liguei, um homem atendeu e disse que ela estava ocupada, mas parece bem.- Almoçando, mas felizmente Sienna não disse isso.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Sab Jun 03, 2017 1:41 pm

    Aimee não foi perturbada enquanto tomava banho e pode levar o tempo que quisesse lá. O quarto que ele lhe indicara era um quarto menor que o dela, provavelmente, e com os mesmos toques rústicos de mobilia e decoração, a cama era grande, com dois criados-mudos, uma penteadeira e um closed, além do banheiro e de uma janela que dava visão para os fundos da casa: podia-se ver uma enorme piscina por lá e mais alguns metros de ‘bosque’.

    Quando saiu do banheiro, pode ver sobre a cama um vestido delicadamente dobrado lá, junto com peças intimidas limpas, além de sua mochila e seu casaco, ambos que haviam sido deixados lá em baixo. Não havia sinais de Yuri ou qualquer outra pessoa no quarto ou nos cômodos próximos. Caso retornasse à sala, notaria que o local tinha sido limpo: o copo que ele usará não estava mais lá, tão pouco o celular jogado no chão.

    Não haviam telefones fixos na casa, nem TV ou qualquer coisa próxima a isso… Aimee esperou… E esperou e as horas passaram, mas ninguém apareceu para buscá-la. Uma rápida olhada pela casa faria com que ela tivesse certeza: estava sozinha.

    […]

    Os dois dentro do carro não expressão nenhuma opinião ou reação as palavras de Sienna. Sasha tinha leve ideia de como a irmã da jovem poderia estar ‘ocupada’, mas sinceramente não queria pensar a respeito disso. O que diabos Yuri estava tramando com tudo aquilo? Era uma coisa que estava se coçando para descobrir… Já Liam, bom, Liam não tinha nada a ver com tudo aquilo.

    Ele seguiu pelas indicações de Sasha por algum tempo, dobrando em ruas e esquinas até chegaram a uma casa completamente entregue a escuridão.

    - Bom, era pra cá que ele costumava trazer as vadi... – E ela fez uma pausa, dando uma olhada na jovem Prata, antes de revirar os olhos levemente e saltar do carro. - As garotas...- Recolocou, de modo menos prático, enquanto se indagava que diabos Yuri achava que estava fazendo!!?

    - Parece vazio. – Disse Liam, e de fato parecia vazio, escuro e silencioso. Sienna sabia que sua irmã não estava ali. Sasha de uma volta pelo lugar, olhando aqui e ali, apenas para constatar o óbvio: eles não tinham ideia de onde os dois tinham se metido. Sasha tentava ligar para o irmão, mas só caia na caixa postal, a mesma coisa para Sienna e o número que tinha recebido a mensagem.

    - Nós não vamos achar ele se ele não quiser ser achado. – Disse Sasha, dando de ombros, tinham perdido quase a porra de um dia todo. - Volte para o hostel, talvez sua irmã volte para lá. - Bom, ela não tinha muitas opções, o único número que tinha do irmão caia na caixa postal constantemente. Não era como se pudesse rastreá-lo com o nariz. Mas estava pensativa ao seu modo, Yuri não voltava para a Irlanda haviam três anos, como diabos ele tinha um lugar para se esconder, como diabos ele tinha feito o que fez?

    - Masha deve está procurando por eles, a gente entra em contato se descobrir alguma coisa. Mas acho que devemos manter isso entre nós, se é que me entende. - Não queria que o seu pai ou o pai de Sienna entrassem na história, isso ia... Agravar a situação.

    […]

    Aimee provavelmente já estava começando a ficar nervosa e provavelmente começando a ficar com fome, mas a cozinha – diferente do resto da casa – parecia uma coisa de um futuro distante, e Aimee mal sabia cozinhar um ovo…

    Foi então que ela ouviu o barulho de um carro chegando e da porta se abrindo, talvez fosse finalmente Sienna que viera lhe buscar… Mas quando retornou a sala, deu de cara com Yuri. Ele vestia-se mais casualmente, uma calça jeans e camiseta de mangas, carregava umas sacolas e olhou para ela meio… Surpreso, por assim dizer.

    - Pensei que ia voltar pro castelo. – Falou num resmungo, ainda que parecesse bem menos mau humorado do que horas atrás, movendo-se para a sala, em direção a cozinha. Naquela época do ano, o sol parecia se por mais cedo, ainda eram por volta das 16hs, mas já começava a escurecer. Na cozinha, deixou as sacolas sobre um dos balcões no meio dela, e começou a retirar as coisas de lá, para guardá-las e fazia isso com calma, colocando cada coisa em seu devido lugar. Era estranho, mas ele se sentia realmente satisfeito por está em ‘casa’. Deu uma olhada breve em Aimee, caso ela o tivesse seguido até a cozinha, sejamos sinceros, ele era completamente ignorante ao fato de que Aimee não era muito boa em lembrar de detalhes.

    Ele pegou algumas panelas e alguns ingredientes, pretendia fazer algo para comer, estava faminto afinal de contas. Catou uma garrafa de vinho, também e duas taças. Pelo visto não ia se livrar da sua companhia tão cedo quanto esperava. - Fome? - Perguntou e serviu vinho para ele e para ela. Yuri se moveu para perto de uma das paredes, onde parecia haver uma pequena tela, deu alguns cliques ali e em segundos um som tomou conta do ambiente, um jazz calmo e lento, cantado por uma mulher.

    Voltou-se ao balcão, encheu uma panela com água e pôs no fogão - que acendeu automaticamente - e depois despejou um pacote de ravióli ali. Então começou a preparar as coisas para o que parecia ser um molho; cortou tomates, cebolas, queijo, etc, etc. Tinha algum dote culinário. Misturou-as em outra panela e levou ao fogo, mexeu um pouco e então deixou que ficasse lá por um instante. Yuri se recostou ao balcão em frente ao fogão e pegou a taça de vinho que tinha servido para si. Agora já não tinha o mesmo aspecto de horas atrás e já não parecia tão interessado em Aimee, ainda que a achasse extremamente atraente.

    - Você sabe. - Ele começou, depois de um gole. - Nós dois temos um problema. - Concluiu, e tinham não tinham? Maior para ela do que para ele, claro, mas ainda sim um problema. - Mas a verdade é que eu não posso proteger você se não souber do que você anda fugindo, entende? - Afirmou, dando outro gole no vinho e voltando-se para o que cozinhava. Achava que talvez ser mais claro com Aimee lhe trouxesse algumas respostas mais imediatas, não custava tentar já que acreditava que fosse o que fosse que a garota tinha aprontado, ele tinha caído bem no meio e precisava encontrar um modo de reverter essa situação.

    - Não sou o tipo de homem que gosta de ter problemas não resolvidos na mão. - E isso era muito verdade. Problemas não resolvidos tinham a capacidade irritante de aparecerem em horas bem inapropriadas. - E a pessoa que gritou comigo do outro lado do telefone me parecia bastante irritada, então, em que ratoeira nós estamos, Aimee?
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Sab Jun 03, 2017 3:58 pm


    Tomar um banho demorado, em um chuveiro tão bom quanto aquele, era um luxo que ela não tinha há algumas semanas. Apesar de o hostel ter água quente, ela acabava bem cedo e Aimee não era uma pessoa muito fã de acordar cedo. Ela ficou lá por um tempo, deixando a água relaxar os músculos de seus ombros e costas, além de acalmar o fogo em seu corpo, causado pelo ShL, e o medo, resultado da ligação que recebera. Ao contrário de alguns minutos antes, agora o medo era bem maior que qualquer outro sentimento dentro de si.

    Não temia exatamente o ato de voltar para casa. Já estava acostumada com as broncas do pai, afinal de contas, mas, agora, com a idade que estava, era perfeitamente plausível que ele quisesse adiantar o casamento devido a essa fuga. Principalmente pelas merdas que o irmão havia feito, a família precisava cada hora mais de aliados.

    A menina suspirou, lavando também a cabeça antes de sair do banho. Se secou calmamente, achando a roupa que fora deixada na cama e ficando surpresa, dando um pequeno sorriso. Apesar de Sasha ser um pouco mais alta e magra, o vestido ficou bom no corpo dela. Colocou o casaco por cima e enfiou as roupas sujas na mochila, indo, por fim, para o primeiro andar. Conheceu um pouco o exteiror da casa, enquanto esperava, a área da piscina, o jardim, a área externa. Não foi para o bosque, embora estivesse curiosa, pois sabia que a "cavalaria" provavelmente estava chegando. Será que Yuri estava lá? Se sentou na beirada da piscina, sem por os pés na água devido ao frio, e ficou esperando...E esperando.

    Mas ninguém chegou.

    Acabou entrando, quando começou a escurecer, um pouco preocupada. Foi até o celular ver se tinha alguma chamada, mas nada. Nem chegou a reparar que ele estava sem sinal. A ruiva se jogou no sofá, ouvindo o estômago roncar, só havia tomado café, afinal. Foi até a cozinha, procurando alguma fruta ou biscoitos, mas não achou nada. Bufou, voltando pro sofá e ligando a TV se tivesse uma na sala. Ainda esperava a “cavalaria”, pensou que Yuri tinha voltado pra cidade, deixando ela ali, por isso nem se preocupou com a volta dele. Ao ouvir a porta, deu um pulo, achando que era algum amigo de seu pai. Não sabia, de fato, que era a irmã que estava a procura dela.

    [...]

    -Eu também pensei. Parece que você escondeu bem a princesa – disse, se levantando e seguindo ele. Estava interessada nas sacolas, o estômago roncou. Ela ficou mais afastada, também parecia menos fogosa e até desanimada, observando o que ele fazia.  Assentiu apenas, quanto a estar com fome. – Quer ajuda? – perguntou, embora estivesse na cara que não sabia fazer nada. Roubou um pedaço de queijo, sentando na bancadinha, que não ficava tão perto do fogão.

    Balançava as pernas, prestando atenção na letra da música enquanto ele terminava de preparar e bebendo um pouco do vinho que lhe fora oferecido, ficando corada pelo álcool – Essa música é melhor que a que você tava ouvindo no carro – comentou por alto, antes de ele começar a falar. Ela suspirou, o olhando. Bebeu o resto da taça.

    - Não se preocupe, estar aqui é minha escolha, não vou te culpar por nada – deu de ombros – Como sua irmã diz, não gostam de princesas fora dos grilhões do castelo. Esse é o problema aqui. Se eles não aparecerem, vou voltar, para não causar mais problemas – disse, não gostando, principalmente, de ser um problema pra irmã. Se ela tinha passado o telefone que Aimee mandara mensagem, a coisa devia estar meio feia para ela. E ainda tinha Yuri, que caíra nisso sem ter escolha. – Posso só jantar antes?  - perguntou, desembaraçando o cabelo ainda molhado com a ponta dos dedos.

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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Sab Jun 03, 2017 7:46 pm


    O carro tinha ganhado aquele ar mais denso e sério. Antes de tudo aquilo acontecer, Sienna e Liam até conseguiam manter uma conversa agradável e amistosa, quase como se não tivesse uma batata quente na mão. Porém, agora, com a presença de Sasha e o sangue da ruiva fervendo - por falta de comida e também por excessiva preocupação - tudo tinha ficado um pouco mais quieto demais.

    Apesar de Sienna não ser o tipo de pessoa que reclamava de tudo, era possível ver pela expressão corporal dela que estava bastante inquieta e receosa. Ela tinha se encolhido, cruzando um pouco os braços e mexia a perna constantemente. Por várias vezes tentou ligar para o número e falar com aquele mal educado de novo, mas agora só dava caixa psotal. Chegou, inclusive, a dar o numero para Sasha, para ela anotar caso não o conhecesse ainda. De todo modo, as ligações se mostraram infrutíferas.

    Assim como a ida até aquela casa. Só de olhar a fachada, já era possível perceber que não havia ninguém ali há algum tempo. Ao ouvir o comentário da irmã mais nova do dito cujo, a ruiva a encarou com uma das sobrancelhas arqueadas. Sua irmã não era uma vadia! E ainda bem que Sasha mudou o discurso antes que a situação ficasse ainda pior. Como estava economizando energias, a jovem apenas ouviu todas as opiniões. Respirou fundo e engoliu em seco.

    - Uma noite. É o que eu posso aguentar sem levantar a desconfiança de meu pai. Também não quero que essa história tome proporções maiores, porque sei o que aconteceria com Aimee E, principalmente, porque nossas famílias não estão em bons termos, por hora. Prometi que não causaria maiores problemas, por isso eu concordo que devemos minimizar isso, por enquanto. Mas...Se ela não aparecer até amanhã, eu não terei argumentos.

    Não era uma ameaça. Sienna estava disposta a abafar o escândalo e, pior, se vincular a Sasha para evitarem problemas. Por que era pior? Porque seria um segredo que teria com a Srta. Smirnov. E a verdade é que a ruiva não achava uma boa ideia ter segredos com ela - com qualquer pessoa de fora, nesse caso. Olhou para Liam e Sasha e respirou fundo.

    - Liam, eu agradeço por ter disponibilizado seu dia para me ajudar e sinto muito por não termos nenhum resultado. Srta Smirnov, peço desculpas pelo transtorno em nome de minha irmã. Segurei seu conselho e me hospedarei no mesmo hostel que ela estava.

    Uma derrota naquele dia. Sienna estava cansada. Precisava voltar para um lugar para se recompor. Tinha muda de roupa extra, mas acima de qualquer cansaço, tinha fome. Caso não fosse incomodo, pediria para que Liam ou mesmo Sasha indicasse algum lugar onde ela poderia comer e não os importunaria por hora. Era uma Parente sozinha em Bray, mas não pretendia fazer nada demais. Almoçaria - ou jantaria - dependendo da hora e seguiria para o quarto depois.

    - Ah! - Disse antes de se despedir de Liam. - Agradeça ao Sr. Sullivan por mim, também, por favor.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Rosenrot em Sab Jun 03, 2017 9:20 pm

    Para a provável infelicidade de Aimee, não havia TV na casa, nem rádio (pelo menos não um aparelho visível), nem computador. Nem nada que lhe desse qualquer tipo de leve entretenimento. Então teve que se contentar com seus próprios pensamentos, para o bem ou para o mau.

    Quando Yuri chegou e a viu ali e falou o que tinha falado, ele deu de ombros levemente. - Achei que soubessem onde você estava. – Comentou e aquilo tinha sido uma falha sua, que registrou calmamente em sua cabeça para não cometer de novo.

    - Não. – Respondeu sobre a ajuda, imaginava que Aimee sequer sabia o que era lavar uma louça, quanto mais cozinhar e ele não pretendia ensiná-la ou qualquer coisa assim. Estava realmente com fome e não muito afim de enrolar para conseguir comer.

    Riu-se de leve, ao ouvir sobre a música, duvidava que o gosto da jovem passassem de algo além das moças pops que as meninas da idade dela gostavam e que ele não fazia ideia de como se chamavam, mas não teceu comentários a respeito.Yuri tinha sim crescido numa família relativamente rica, mas diferente de Aimee, sua vida tinha sido imposta ao modo Senhor das Sombras: você ganha o que você luta para ter. Não havia, ele achava, uma Tribo mais meritocratica que a própria. Você poderia ser filho do próprio Margrave, se não merecesse, não chegaria a lugar nenhum. E isso formava caráter, formava homens e mulheres dispostos. Formava pessoas como Yuri.

    Então ele riu, uma quase gargalhada, voltando-se para o molho e retirando ele do fogo. - Eu não teria problemas nem se você saísse daqui correndo e gritando dizendo que te violentei ou qualquer merda assim.- E não teria mesmo, qualquer Philodox ou Theurge poderia averiguar as verdades em suas palavras, não estava preocupado com isso. - E não foi o que perguntei. – Concluiu, tentando chegar ao cerne da questão. Ela estava conscientemente fugindo de algo. - Mas se você não quer falar, eu não vou insistir.

    Quando a jovem perguntou se poderia ficar para o jantar, Yuri lhe deu uma olhada breve. - Não sou o monstro que sua Tribo diz que sou, viu? Não vou matar você de fome. – E voltou-se para terminar de cozinhar o ravióli, coisa que durou mais alguns minutos. Quando estava pronto, ele partiu para todo o procedimento padrão: escorrer, colocar nos pratos, jogar o molho, etc. Yuri pegou os pratos.

    - Trás a garrafa e as taças. – Pediu, enquanto segurava os pratos com os talheres nas mãos. Moveu-se para a porta lateral da cozinha e saiu numa espécie de pequena varanda, de frente para a piscina. Poucas luzes se acenderam, quando eles entraram no 'cômodo', ali estava um pouco mais frio do que dentro da casa, mas ainda era confortável. A piscina era um brilho azul escuro perdido ali próximo e atrás dela estendia-se o caminho para o bosque, coberto pelo manto noturno, era meio assustador, observando agora na falta de luz.

    Ele pôs os pratos na mesa e se sentou, serviu o vinho de novo, a música continuava ali fora, um pouco mais baixa. Então ele fez a pergunta que talvez fosse foder sua vida pelo resto dos dias, e talvez até a dos seus descendentes muito depois de ele já ter morrido, mas precisava fazer, não precisava? Era algo que estava lá, estava no ar. A atração, o desejo, a vontade e a curiosidade. O que era uma gota, para quem já estava todo molhado? Ele se levantou e como estava próximo a Aimee não precisou ir muito longe, pegou a mão da jovem Parente e a puxou para perto, meio rude e moveu-se com ela, como se dançasse ao ritmo lento da música que tocava. Tinha os olhos nos olhos dela, em silêncio ao som da música eles dançaram – ou quase isso – enquanto Yuri a conduzia pelo pequeno espaço que tinham ali, ele se curvou como se fosse beijá-la, mas não o fez. Seu rosto encostou no dela e de novo, como outra vez antes ele sussurrou. - Fica?


    […]


    Sasha tinha lá suas preocupações, mas elas estavam longe de parecerem com as que Sienna tinha. A jovem Parente ShL era mais imediatista em suas suposições. Não tinha entendido bem como ou porque Aimee tinha saído com Yuri do café e só estava parando para pensar sobre isso agora. Ela precisava de mais informações e para isso precisava voltar para a cidade. Procurar as pessoas certas, nos lugares certos. Temia o que podia acontecer ao irmão e nada mais. Não era como se os ShL tivessem uma reputação para zelar, afinal de contas.

    Sequer se deu ao trabalho de retribuir o olhar de Sienna, achava que poderia reduzir aquela Pratinha a poeira em dois tapas, mas não queria entrar nesse tipo de conclusão ao problema que tinham em mãos, uma precisava da outra e isso era uma via de mão dupla. Lambeu os lábios, frustrada e voltou para o carro.

    Achava que Sienna estava fazendo drama desnecessário ou simplesmente não tinha a menor noção de como lidar com situações como aquela. Será que a jovem não via que tinha o queijo e a faca na mão? Seu irmão não podia entrar na cidade, seu pai provavelmente não se deslocaria até lá, tudo com o que contava eram com contatos e aliados, Sienna poderia ganhar tempo, se soubesse como fazê-lo e Sasha achava que precisava ensinar alguns truques a jovem Prata.

    Mas inicialmente ela apenas concordou, não tinha porque concorda. Achava que ambos – Yuri e a Parente – iam aparecer de manhã. De volta ao carro, eles partiram de volta para a cidade.

    - Você pode comer no hostel. Vou avisar a Masha para não cobrarem nada de você por lá. Pode ficar no mesmo quarto da sua irmã.- Anunciou a Parente, enquanto digitava freneticamente no celular. Demoraram um pouco mais, já que o transito tinha ficado mais intenso, porém chegaram lá enquanto o sol se punha. Sasha passou um cartão para Sienna, com o numero do seu telefone.

    - Te ligo de manhã ou se tiver noticias. – Avisou.

    No hostel Sienna pode comer uma refição simples, mas quente, alguém tinha arrumado o quarto para ela também, toalhas tinham sido trazidas como outras 'comodidades', havia uma cesta com algumas coisas bobas, como shampoo, sabonete e algumas guloseimas, estava assinada por Masha que se desculpava pelo inconveniente e prometia resolver tudo o mais rápido possível de maneira discreta. Lá também tinha um telefone que Sienna poderia ligar caso tivesse algum problema. Ela podia notar que o assunto preocupava ambas as partes, já que os ShL pareciam dispostos a manter isso no escuro. O que talvez levantasse certa curiosidade ou suspeita a respeito de quem estava com Aimee.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Bastet em Sab Jun 03, 2017 11:00 pm


    Observar Yuri cozinhando era curioso. Ele parecia muito tranquilo e muito certo do que fazia, como o “homem” que encontrara mais cedo na cafeteria. Não sabia o que ele tinha feito nas horas que saíra, mas era certo que havia acalmado a fúria e a luxúria que estava junto com ele, sobre ela, naquele sofá. Olhou de relance para o sofá, pela porta da cozinha, ficando vermelha ao lembrar o que acontecera ali há pouco tempo.

    Tentava memorizar os passos que ele seguia para fazer o jantar. Duvidava que fosse lembrar, mas era um conhecimento que devia ser útil... Fazer coisas comíveis, quando não tem ninguém para fazer para você.  “Picar coisinhas... Tomate, cebola, pimentões? Sei lá. Depois tirar o macarrão... Pera, quando ele colocou o macarrão ali? Deve ser antes de picar... Molho de tomate... Concha, põe no prato. Hm, não parece tão difícil” pensou, o olhando quando voltou a falar.

    Ficou satisfeita quando ele não perguntou mais sobre o motivo de ela estar ali. Não que fosse segredo federal, mas não era legal comentar com o homem que ela quase dormiu que estava metida em tretas de casamento e rixas familiares. Ao menos estava longe disso, até terminar o jantar. – Que nobre de sua parte – disse e deu um pequeno sorriso, pulando da bancada e indo pegar as taças e a garrafa de vinho. Observou para onde ele seguiu e foi logo em seguida, reparando na varandinha bonita. Se surpreendeu com o zelo dele para aquela refeição, olhando em volta. Dali, com o cair da noite, a vista era realmente bem interessante...

    - Eu dei uma volta, quando você saiu e essa é uma bela ca... oh... –ia falando, enquanto colocava as taças na mesa. Mas logo sentiu o toque dele em sua mão e o puxão pra perto, totalmente inesperado.  O olhou, sem entender... Mas não o afastou. Nem podia, os olhos tempestuosos do homem estavam nos seus e as mãos a mantinham perto. Dançavam calmamente, ela o acompanhando sem problemas, sem desviar o olhar. Quando ele se aproximou, o coração dela quase pulou da boca, ficando vermelha, entreabrindo os lábios.  Deu um suspirinho insatisfeito quando ele passou direto com aqueles lábios, rumo ao seu ouvido. Ela ficou em silêncio por uns segundos, o afastando um pouco, para o poder olhar em seguida. Ficou na ponta dos pés, dando um beijo nos lábios dele – Isso que se faz, quando os lábios estão próximos – disse, ainda com eles próximos, sem o ar de brincadeira de mais cedo. Estava um pouco mais tímida até, como se o fogo na bunda tivesse cessado um pouco. Desviou o olhar para os lábios dele e apenas assentiu à afirmação. – A comida vai esfriar – alertou, sem se afastar, apesar disso.

    Se tinha uma coisa que o ShL era bom, era distrair a jovem dos problemas reais.


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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

    Mensagem por Persephone em Sab Jun 03, 2017 11:34 pm


    Depois de se despedir de Liam e Sasha, guardou o cartão que recebeu desta última e seguiu para o interior do hostel. Já tinha agradecido e se desculpado pelos transtornos, mas continuaria alerta caso recebesse uma ligação no fim da noite, madrugada ou somente no dia seguinte. Sienna já estava no limite de suas forças, depois de ter ficado mais de 12 horas sem comer. Parecia até um pouco mais pálida, em parte por conta de toda preocupação e raiva acumulada, em parte por falta de nutrientes. Mesmo assim, conseguiu entrar no hostel sem nenhum problema.

    Tudo já tinha sido preparado para ela. Antes de optar por subir, ela precisou urgentemente de comida. A refeição simples foi recebida ingerida com bastante gosto e, mesmo faminta, ela se manteve educada. Não queria criar mais rumores, mesmo que ninguém parecesse se importar. Quando terminou, ela ainda sentia a necessidade de se alimentar e pediu por uma poção extra. Comeu com o mesmo gosto e etiqueta de antes até que, por fim, seguiu para o quarto. Sentia um bolo na garganta e um embrulho em seu estômago. Entrou rapidamente, jogando a bolsa em cima da cama e se enfiou no banheiro. A única coisa que fez foi acender todas as luzes possíveis.

    O corpo inteiro tremia, já ciente do que estava para acontecer. Segurou o cabelo com uma mão, enfiou o dedo na garganta com o outro e começou a vomitar toda a comida no vaso sanitário. Forçou o vômito até não aguentar mais, eliminando tudo o que entrou em excesso, mas também parte do que precisava. Não sabia quando ou como aquela compulsão havia começado. Mas atualmente, raras eram as refeições que ficavam intactas em seu estômago. O pior era que, diante do espelho, ainda achava que não estava com a aparência saudável o suficiente. Sienna sentiu remorso depois de vomitar daquele jeito e precisou se apoiar nas paredes para conseguir se levantar. Acabou caindo durante a tentativa e se apoiou na parede, levando as mãos à cabeça e ficando assim por um tempo.

    Precisava colocar as coisas em ordem...

    Agora que já tinha saciado sua ânsia, talvez ela conseguisse colocar a mente em ordem...

    Sasha provavelmente não tinha a mesma preocupação de Sienna. Contudo, ela estava REALMENTE preocupada com a situação de seu irmão. Por que? O que poderia haver de tão estrannho com o tal Yuri Smirnov? Ele tinha passado 3 anos longe da Irlanda e retornado recentemente...O que podia ter acontecido para a partida dele ou seu repentido retorno? Quem era Yuri?

    Sienna sentiu suas forças quase que renovadas e se levantou. Lavou o rosto e foi até o quarto pegar a própria necessaire. Ela era uma jovem prevenida e não escolheu uma bolsa pequena à toa: ali tinha de quase tudo. A diferença era que a roupa extra que levou para Aimee seria para ela mesma agora. Enfim, mas achou educado o gesto de Masha em deixar aquela cesta para ela. Escovou os dentes e colocou o celular para carregar enquanto procurava. A primeira pesquisa foi em inglês mesmo e encontrou coisas que já imaginava que encontraria.

    A Família Smirnov era composta por 6 membros: pai, mãe e quatro filhos. Yuri era um dos mais velhos, senão o mais velho e aparecia, pelo menos até 2014, em fotos publicas com a familia. Havia muita informação acerca dos investimentos que eles tinham pela Irlanda, mas principalmente em Bray. Nesse instante, ela fez uma pausa, olhando para o quarto. Só faltava ter uma câmera por ali. Isso a fez se encolher um pouco mais para que apenas ela tivesse acesso à tela do celular.

    - Certo...

    Murmurou, vendo que não havia nada demais ou suspeito. Mas...Ele esteve pela Europa, certo? E se pesquisasse em outros idiomas? Alemão? Francês?...Russo.

    Quem iria imaginar que ela fosse encontrar alguma coisa em Russo? Havia uma matéria relacionada à um caso "não resolvido". Um acidente de carro tinha matado 3 políticos importantes na ocasião, mas que eram investigados sob suspeita de pertencerem à grupos terroristas na Russia. Segundo a noticia, acreditava-se que Yuri Smirnov estava no carro e era apontado como um espião, mas essas acusações foram retiradas sem nenhum tipo de explicação e ficou constado que ele estava em outro veiculo que também sofreu danos no acidente.

    Sienna abaixou um pouco mais a notícia, vendo as fotos do acidente. Não era um acidente normal...

    Começou a passar o dedo pela tela, tirando print de todas as paginas e enviando para o próprio e-mail. Além de enviar o link da noticia também. O acidente não tinha nada de normal, ela, conhecedora da sociedade Garou podia identificar algumas caracteristicas. Agora...O que foi que aconteceu? Ele se descontrolou e matou aquelas pessoas; ele lutou contra aqueles três politicos? Eles foram atacados? De que lado ele estava e o que aconteceu? Sienna esticou o braço para sua bolsa e catou um caderno e caneta, fazendo algumas anotações.

    Como não tinha nada para fazer e encontrou aquela história, ela quis saber um pouco mais. Anotou os nomes dos políticos e depois os procuraria para saber quem foram e se identificava alguma família ou coisa do tipo. Pelo menos tinha encontrado algo interessante para se focar naquela noite.
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    Re: [Prólogo] - Sienna e Aimee O'Shea

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