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    Uma segunda chance à vida (Calisto)

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    Leomar
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    Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Dom Jun 11, 2017 11:26 pm

    off: esta parte da história é para Natalie Ursa, os demais continuam no tópico anterior

    A execução de Calisto teve que ser adiada graças à Abyrrar. Seja lá o que ele tivesse convocando na cidade inteira, estava mexendo com todos os demais demônios, mesmo os mais poderosos.

    Amestreza queria matar a escrava o mais rápido, mas alguns de seus escravos tinham sido convocados e ela teria de ver isto. A execução teria que ficar pro dia seguinte.

    Apesar de relativamente bonita, Amestreza não era uma súcubo de verdade, era apenas mais uma demônio comum, uma diaba do Terceiro Círculo, que tinha ciúme até das escravas. Calisto até a servia bem, mas chamava muito atenção de Marhar, seu marido, este sim um íncubo de verdade e com muito poder na cidade-prisão.

    "Aquela vadia chifruda!" - pensava Calisto - "A própria natureza já colocou cinco chifres na cabeça da desgraçada e eu quem sou culpada por Marhar não contentar-se com ela? Aquele nojento! Todos estes demônios são tão nojentos, eu jamais ia querer algo com ele!

    Calisto tinha sido presa numa masmorra. Escapar das grades até não era problema, ela já passou por várias situações parecidas, difícil seria passar pela guarda de Amestreza. Por sorte sua equipe estava desfalcada. Tudo por causa de Abyrrar. Sem querer Abyrrar estava a ajudando muito naquele dia.

    Ela passa pelas grades usando sua flexibilidade, sempre foi boa nisto; usa uma sombra aqui, outra ali; passa despercebida por muitos lugares; consegue por dois guardas distraídos para dormir usando uma barra de ferro; por fim seduz o último vigia com promessas amorosas que ela não pretendia cumprir.

    Não chegava a ser um milagre escapar da masmorra, mas seria um milagre escapar daquela cidade. Pra onde iria uma escrava-espiã?

    Por enquanto o único lugar seguro, era no castelo de Abyrrar. Por incrível que pareça, ele estava sendo muito, muito generoso com os escravos aquele dia. Até mesmo um banquete foi oferecido! Calisto tinha que participar daquela força-tarefa de qualquer jeito.

    Se seu plano não desse certo, pelo menos ela comeria e dormiria muito bem esta noite.

    No dia seguinte, mais comida, e um exército é montado. Os enormes portões da cidade-prisão se abrem pela primeira vez.

    O céu lá de fora é lindo. A única coisa ruim é o calor. Calisto sempre teve muito mais sede que qualquer humana.

    Por um tempo tudo corre normal, até um inferno de raios surgir, matando tudo em todo lado, até os demônios mais poderosos que Calisto já viu.

    Até ela mesma ser atingida. Ela cai inconsciente, seu último pensamento foi "Estou perdida, morrerei aqui, pelo menos não morrerei naquela cidade maldita!"

    Por quanto tempo ela fica morta, ela não sabia. Esperava simplesmente acordar no Inferno, como disseram que era o destino de todo escravo. Ela escuta vozes antes de abrir os olhos:

    - Incrível Nebul'okuloj, ainda sobrou uma.

    - Ela está viva?

    - Laços fracos, mas eu posso fortalecê-los.

    - Não vejo motivo...

    - Vamos dar uma segunda chance a ela, não seja tão desagradável...

    Calisto sente um homem a segurando, colocando-a no colo. Uma espécie de energia corre do corpo dele para o dela. Era estranho, mas confortante.

    Quando ela abre os olhos, infelizmente a primeira coisa que vê é mesmo uma demônio, uma súcubo de pele vermelha. Pela barriga dela, parecia estar grávida de poucos meses.


    E ao seu lado, carregando Calisto nos braços, estava um rapaz, aparentemente jovem.


    - Ora, ora, uma bela adormecida finalmente desperta...

    Calisto estava fraca, mas olha toda a destruição a sua volta. Todos os escravos e guardas que estavam na tal força-tarefa tinham morrido. Cadáveres por todos os lados. Só aqueles dois estavam ao seu lado.

    O rapaz parecia estranhamente calmo, talvez até amigável. A súcubo... bom, tinha o olhar arrogante de toda súcubo.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Seg Jun 12, 2017 12:00 am

    - Estou no inferno...? - foi a primeira frase que Calisto murmurou antes mesmo de conseguir abrir os olhos direito, e quando o fez mal conseguia ver o que estava à sua frente, tudo estava borrado.

    Quando sua visão começou a se reajustar e seus olhos se adaptaram à luz, a primeira coisa que Calisto viu foi aquela criatura! A mulher vermelha! Só aquilo já foi suficiente para fazer seu corpo despertar por completo. Com um berro, ela pulou para trás e começou a se arrastar para longe dela, sem ter se recuperado do fenomenal susto que a criatura surgida do nada lhe proporcionou e também quase nem percebendo direito a presença do humano ali do lado. Ela só parou quando suas costas encostaram em algo não muito rígido. Quando Calisto virou lentamente o rosto para poder espiar com sua visão periférica do que se tratava, acabou percebendo todos aqueles corpos à sua volta, todos mortos. Inclusive aquele cadáver em que estava encostando e só pensar no toque do defunto em suas costas a fez dar outro berro seguindo de um pulo, no qual ficou de pé, o que não durou muito tempo, pois sua visão ficou turva e começou a se sentir tonta com o movimento súbito e as fortes emoções. A tontura que se seguiu lhe fez cair sentada na areia novamente. Foi quando começou a se lembrar do que havia acontecido com todas aquelas pessoas...

    E enquanto tentava fazer o mundo parar de girar e recolocar os pensamentos e as lembranças do ocorrido de volta no devido lugar, ela ignorava completamente aqueles dois VIVOS à sua frente.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Seg Jun 12, 2017 12:18 am

    - Não, não está no Inferno. Ainda não. - Era o rapaz quem respondia. - Apesar de minha amiga ser uma Sucursal.

    Os Sucursais do Inferno, Calisto como espiã tinha conhecimento deles. Eram demônios poderosos que cuidavam dos interesses do deus Ades nos dois planos: em Akaŝa e no Inferno. Estes demônios tinham meios de, ou se comunicar com almas no Inferno, ou de entrar e sair dele com certa facilidade.

    - Seu espírito estava meio fraco. Quase deixando este plano para entrar no Plano Espiritual. Mas você sobreviveu a uma disruptura de mana, seria um desperdício deixar você partir agora.

    Ele fala calmamente. Você não se lembra dele ou dela na força-tarefa. Porém haviam centenas de pessoas lá. Aquele rapaz era estranho, falava da Sucursal como "minha amiga", ninguém se referia a uma súcubo daquele jeito. Seria ele humano mesmo? alguns demônios se pareciam muito com humanos.

    - Não deveria fazer movimentos bruscos agora, menina. Ainda está fraca. - O tom da voz dele não era de ameaça. Parecia até amigável. Mas Calisto sabia que algumas pessoas disfarçavam muito bem suas intenções.

    Porém ela não tinha como correr. Aquela súcubo, se quisesse, poderia matá-la em segundos. Se eles a quisessem morta ela já estaria.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Seg Jun 12, 2017 9:47 am

    Depois de ouvir tudo o que o humano disse, ela olhou rapidamente para a súcubo e se arrependeu, voltando os olhos para o humano novamente. Era definitivamente melhor olhar para ele, Calisto não gostava das súcubos, principalmente de pele vermelha, lhe causavam calafrios.

    - Ahh... - atordoada com o cenário caótico à sua volta, Calisto se forçou a falar, para tentar pelo menos entender alguma coisa - Mas... O que foi aquilo tudo de antes?? - se referia aos raios, enquanto evitava prestar atenção à todos os corpos estirados à sua volta - E quem... Quem é vo... Quem são v-vocês?

    Estava sentada no chão, encolhida e abraçando as próprias pernas. O medo era visível em seu rosto. Tudo lhe parecia ter acontecido tão de repente e em sequencia que simplesmente não estava sendo capaz de raciocinar direito, muito menos reagir de forma mais apropriada.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Seg Jun 12, 2017 2:59 pm

    O rapaz olha em volta, analisando a destruição, pensa um pouco e depois diz à Calisto:

    - Bem... quer a versão resumida ou estendida? - Ele faz uma pausa, mas prossegue mesmo sem ela responder. - Bem, haviam forças mágicas muito fortes neste continente, e elas acabaram convergindo para cá, quando forças mágicas COLIDEM umas com as outras, isto não é bom, pois criam rupturas de mana. E quando várias forças se chocam violentamente, isto é ainda pior, pois cria uma disruptura de mana. Esta disruptura de mana é a força mais destrutiva do mundo. Nada é atingido por ela sem morrer ou sem se transformar.

    Calisto não entende metade do que ele fala. Não fazia ideia sequer do que significava um "continente" pois que durante toda sua vida nunca saiu da cidade-prisão e não esperava que o mundo fora dela fosse muito grande.

    Aquela tempestade então foi MESMO algo mágico, se é que o rapaz estava sendo sincero. Mas se não estivesse, porque estaria lhe dando estas informações?

    - Você e alguns amigos seus por algum milagre foram atingidos e não morreram, mas você estava fraca demais e ficou dormindo por alguns dias. Se eu não tivesse sentido o pulsar de seu espírito, provavelmente iria morrer aqui, pois não tem como uma filha de Jara sobreviver no calor das Hélius num deserto assim. Então eu reforcei seus laços espirituais. Talvez você fique tonta por um tempo, mas vai passar.

    "Alguns dias?! Alguns dias!!"

    Ele a chamou de "filha de Jara" (obs.: a pronúncia é Iára), mas Calisto não entendia muito o que isto significava. Nem se lembra de seus pais, se é que os teve, e não se lembra de alguém alguma vez na vida dizer que sua mãe chamava Jara. Sabia porém que não era uma humana "comum", embora nem os demônios suspeitassem disto.

    obs.: Hélius são as duas estrelas principais de Akaŝa, ou "dois sóis".

    - Ah sim, me'danda! Eu sou Ignos. - Ele sorri e estende a mão - E minha amiga aqui é Nebul'okuloj. Estávamos justamente pesquisando a área para tentar entender porque, pelos Sete Infernos, uma disruptura aconteceu aqui e agora. Encontramos outros ex-escravos que também sobreviverem milagrosamente a esta catástrofe, mas eles a deixaram aqui pois provavelmente julgaram que estivesse morta.

    Nebul'okuloj (pronuncia nebul-lokúloi, muitos nomes com j tem som de i) começa discutir com o rapaz num idioma que Calisto não entende. Ela tem uma cara de entediada, já o rapaz responde calmamente no mesmo idioma. Ele não parecia ter medo dela, aliás ele parecia até estar liderando ela. Calisto já viu demônios liderando outros demônios, mas um humano jamais.

    Além de tudo ele chama Calisto de "me'danda". Na cidade prisão me'danda era um cumprimento semi-formal, com que machos de pouco poder cumprimentavam uma fêmea mais poderosa, ou que machos de muito poder cumprimentavam uma fêmea igualmente poderosa. Não era um cumprimento que mostrava muita submissão, como "senhora", "minha dona" ou "mestra", mas também era um cumprimento que NUNCA se usavam para uma fêmea inferior como um escrava.

    Amestreza, por exemplo, exigia que seus escravos a chamassem sempre de "minha senhora" ou alguns escolhidos a chamavam de "grande mestra". Alguns poucos demônios livres de médio poder a chamavam de me'danda (e ela odiava aquilo), seu marido a chamava apenas de "você" (as vezes menos do que isto) e o poderoso Abyrrar, que Calisto viu apenas uma vez falando com sua dona disse a ela apenas: "Você é uma demônio interessante, me leve pra conhecer seu quarto." e ela deve que engolir todo seu orgulho e apenas ajoelhar na frente dele e depois obedecer sua ordem.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Seg Jun 12, 2017 6:26 pm

    Dormir por tanto tempo.... Nunca dormiu tanto na vida... E, no entanto, seu corpo nem parecia muito descansado. Ela tentou acompanhar tudo o que o homem dizia, mas ele certamente estava falando muito mais do que ela estava esperando ouvir.

    Ao lembrar da cena com a sua mestra sendo humilhada não conseguiu esconder o surgimento de um esboço de um maldoso sorriso nos lábios. Era exatamente o que aquela mulher merecia!

    - Ah... - tentou chamar a atenção do humano de volta para si - Então... O senhor me salvou... Muito obrigada senhor! - ela se esforçou para sorrir, mas parecia algo tão difícil naquela situação - Me chamo Calisto...E... E por que está usando "me'danda" para se referir à mim? Se o senhor não sabe o que eu sou, pelo menos essas roupas que estou usando devem lhe dar uma pista... - mesmo o acidente que sofrera aparentemente alguns DIAS atrás não era capaz de inibir a curiosidade da jovem, que já começava a fazer perguntas uma atrás da outra... Essa atitude geralmente lhe acarretava em alguma punição se Amestreza ficasse sabendo que sua escrava estivera importunando alguém com suas muitas perguntas.

    - Oh, aliás! Quem é essa "Jara"? Ela é minha mãe? É possível você conhecer a minha mãe? Onde ela está? Ela é bonita?? - o medo em seus olhos deu um tímido espaço à curiosidade e entusiasmo, pelo menos enquanto ela não voltasse a prestar atenção na súcubo.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Seg Jun 12, 2017 7:19 pm

    - É... Pode-se dizer que eu salvei. - Ele diz como se não importasse. - Bem... - Ele dá um sorriso tentando ser levemente sedutor - ...é o mínimo que um filho de Piro poderia tratar uma jovem tão formosa. Quanto a quem és, me'danda Calisto, até onde sei você é uma pessoa que resistiu a uma disruptura de mana, o que lhe faz no mínimo interessante. Até o mês passado apenas três pessoas tinham sobrevivido a uma disruptura de mana. E uma delas era um deus.

    (pausa)

    - Mas é uma questão realmente interessante. "Quem és?" Aliada ou inimiga? Talvez o tempo diga. Rezarei a meu pai para que possa ter boas escolhas, seria um desperdício recuperar-lhe a vida só para ter que matá-la mais adiante.

    Apesar de tudo, aquilo ainda não parecia uma ameaça, pelo menos no tom da voz, ele falava como quem troca uma receita de bolo. Apesar de aparentemente não querer fazer mal a Calisto, aquele rapaz era estranho. Quando ela pergunta sobre Jara ele cai na risada. Calisto tem que esperar a crise de riso para ouvir a resposta.

    - Ai, ai! Os outros também pareciam não saber de nada! Apesar de trágico não deixa de ser irônico. Mas o que em Akaŝa não é irônico? Jara é simplesmente a deusa das águas. Se é bonita? Ma'Bah! Que minha avó me perdoe, mas não tem ninguém em Akaŝa mais bela que Jara. A noiva de Piro talvez seja tão linda quanto, porém não mais. De forma indireta ela é "A Mãe" de toda sua raça, ainda que tenha sido outra "filha de Jara" quem lhe deu a luz.

    Na cidade-prisão Calisto nunca ouviu falar de outro deus, senão Ades, o deus da Morte. Apenas ele podia ser adorado lá, e a maioria das pessoas da cidade-prisão sequer acreditava que outro deus existisse. Agora este desconhecido fala de uma deusa das águas!

    Cada vez mais parece óbvio que os dois NÃO são da cidade-prisão, nada neles parecia fazer sentido com tudo que viu estes anos todos.

    E ele falava "SUA raça", não nossa. Teria ele como saber que Calisto não era exatamente humana, ou ele não seria exatamente humano?
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Jun 13, 2017 9:08 pm

    - Filho de Piro... - repetiu para si mesma em voz alta - Espere! Essas "rupturas" acontecem o tempo todo? E... E quase ninguém sobrevive então? - olhou rapidamente para todos aqueles mortos e imaginou que sua pergunta fizesse muito sentido, mas o pensamento e a imagem da morte à sua volta lhe fez um calafrio subir pela espinha.

    Calisto tinha ignorado totalmente o sorriso do sujeito, estava muito curiosa com o novo mundo à sua frente - que aparentemente era só feito de areia - e também, aos poucos, começava a se dar conta de que estar viva ali também significava que estava livre, já que não haviam mais soldados para lhe amedrontar e tentar lhe carregar de volta à sua mestra. Calisto nem mesmo sabia o que exatamente significava ser livre do lado de fora de sua cidade, no entanto, apenas o fato de estar longe de Amestreza e de seu marido repugnante já era a maior felicidade que teve em sua vida. Estaria agora pulando e se agitando de alegria se seu corpo não estivesse meio fraco, até cansado e sua boca muito seca.
    "- Nossa... Dias sem beber nada e todo esse calor...." - pensou consigo mesma, mas estava animada demais para se ater demais à isso.

    - Espera! - agitou-se mais uma vez, soltou as pernas e colocou-se ereta, mesmo que ainda sentada no chão quente - O senhor está dizendo que há mais deuses além de Ades?? - arregalou os olhos e parecia estar muito interessada na conversa do humano, inclinando-se um pouco mais na direção dele, como se assim pudesse ouvir melhor o que tinha a dizer - Ah, minha mãe deve então ter puxado a beleza da "deusa" Jara e, por sua vez, eu puxei a beleza das duas! - constatou em um tom de voz divertido, esboçando um sorriso ardiloso.

    Sempre fora uma pessoa animada demais para uma escrava, entretanto ser assim nas condições em que ela vivia era quase impossível, mas agora que não sentia mais a sombra de Amestreza pairando sobre ela, parecia que o entusiasmo estava explodindo em seu peito. Mesmo assim, no fundo, não deixava de ter milhares de perguntas que não sabia se deveria fazer ao sujeito, além de que em alguns pontos não sabia exatamente se suas palavras deveriam ou não merecer a confiança da garota, mas era melhor do que estar sozinha naquele monte de areia e cadáveres, uma pessoa viva e falante para lhe alegrar! - E ignorar totalmente a coisa vermelha do lado dele era essencial!

    - Ah, aliás, senhor! Piro é um deus também? O senhor disse que um deus sobreviveu à ruptura! Que deus é esse? E quem são os outros dois? E o senhor... Hã.. Não é da cidade-prisão... Não é? O senhor não parece ter vindo de lá... De onde o senhor veio? O resto da "região" fora da cidade é assim mesmo? Só de areia? E esse chão de areia vai até onde? E o senhor não estava falando sério quando falou em me matar, não é? Aliás, o senhor não é humano??? - conseguia fazer tantas perguntas por segundo que era capaz de deixar qualquer um tonto e completamente perdido.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Ter Jun 13, 2017 10:18 pm

    - O tempo todo não, ou Akaŝa seria um caos. Disrupturas de mana só acontecem quando coisas ruins acontecem.

    - Akaŝa É uma caos. E coisas ruim acontecem em Akaŝa O TEMPO TODO. - Interfere a mal humorada súcubo. O rapaz faz uma expressão difícil de decifrar (na verdade várias).

    - É... por isto viemos aqui ver o que aconteceu.

    Calisto fala de Ades e o humor da súcubo piora visivelmente. Ela faz uma cara entre nojo e raiva, segura o cabo da espada com força, embora não a desembainhe ainda (obs. Ignos não está armado), sua voz que antes denunciava tédio, agora está seca. Até um leve gesto instintivo acariciando o ventre, como para acalmar o bebê, é percebido.

    - Aquele maldito sequer é um deus verdadeiro. Não passa de um humano maldito que acredita que pode se tornar deus apenas acumulando poder.

    Calisto sente até uma pequena diminuição da temperatura perto de onde estava Nebul'okuloj. Naquele calor isto até não seria ruim, se não fosse tão estranho. Ignos intervêm:

    - Calma Nebul'! Ela, como os outros, não tem a menor ideia. Não conhece nem Jara!

    - Ainda assim está só fazendo perdermos nosso tempo.

    - Temos o bastante... - volta-se novamente para Calisto - Sim, existem deusas-mães e deuses filhos.

    Calisto escreveu:- Ah, minha mãe deve então ter puxado a beleza da "deusa" Jara e, por sua vez, eu puxei a beleza das duas!

    Ele dá uma rápida, porém nada discreta "avaliada no material", em especial no decote dela, e responde sorrindo:

    - É, com certeza tem a beleza das filhas de Jara, mesmo estando tão magra e fraca. Não é de se jogar fora.

    Calisto emenda uma pergunta atrás da outra.

    - Sim. Foi ele. São os deuses da terra e... Não, não sou. Eu vim... - Ele espera ela terminar antes de tentar respondê-la. - São duas as deusas-mães: Jara e Anĝelina. E dois são os deuses-filhos: Piro e Tamuz. Estes são os verdadeiros deuses. Ou pelo menos os verdadeiramente vivos. Não sei a qual "cidade-prisão" você se refere, mas creio que se eu quiser encontrá-la é só seguir o rastro que deixaram. Este nem é um deserto realmente de areia, é apenas pó em cima deste chão de terra seca, se chegar à Fajr-Regno, lá sim existem desertos com montanhas de areia. E falei sério, caso se torne uma inimiga no futuro, pois as disrupturas costumam causar certas... mudanças a quem sobrevive a elas. Porém você AINDA não é nenhuma ameaça e não tenho porque vê-la como inimiga. Deixarei que escolha seu caminho a vontade. A partir de agora você é livre para escrever sua história. Só espero que não me decepcione.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Jun 13, 2017 11:44 pm

    - Quando coisas ruins acontecem...? - repetiu pensativa.

    Logo Calisto percebe a movimentação da súcubo e a olha com uma expressão de descontentamento.

    - E como ele não é um deus se as pessoas da cidade-prisão veneram ele? Não que eu me interesse muito por esse deus. Se ele é responsável por aquele ninho de ratos existir, eu quero mais é que ele... Evapore! - virou o rosto dramaticamente e bufou com indignação - Mas... Um humano realmente pode virar um deus? - tinha uma expressão de surpresa.

    Ela ouve de novo Ignos falar de "outros" e já estava se perguntando sobre isso antes:

    - Quem são esses outros?

    Ao ver como o estranho estava olhando para ela, sua expressão fechou-se e ela lançou um olhar de desaprovação para ele. Lembrou-se do modo nojento com o que o marido de sua mestra lhe olhava. Ia até reclamar algo, no entanto, as lembranças dos castigos que sua mestra lhe dava quando Calisto resolvia ser uma menina desobediente lhe passaram pela cabeça e ela segurou as palavras na garganta, encolhendo-se. Tinha medo que aqueles dois resolvessem lhe punir, ainda mais depois de falarem sobre mata-la.

    Ela respirou fundo e esforçou-se para se recompor, tentando retomar o humor de antes. Seu humor melhorou ao começar a ouvir as respostas para sua enxurrada de perguntas:

    - Ah! Então são esses quatro deuses e o A--...! - parou subitamente ao lembrar-se da reação da mulher ao ouvir o nome desse deus, então apertou os lábios e olhou para ela com o canto dos olhos - Hã....  - - "verdadeiramente vivos"? - pensou - I-Isso não é um deserto de areia? - olhou em volta, e para ela parecia exatamente a definição de um deserto o que via - "Fajr-Regno"? Onde fica isso? - olhou em volta, tentando achar algo de útil que indicasse um lugar menos... "desértico" e quando ela ouviu a parte sobre matarem ela novamente estremeceu.

    Não entendia direito por que motivo iria se tornar inimiga dele. Da outra esquisita ela até poderia entender, mas não tinha nada contra o sujeito.

    - Oras! - Calisto bufou novamente e cruzou os braços, assumindo uma pose mais imponente - Se eu não mudei ao levar esse "raio" na cabeça, duvido que eu vá mudar! Eu continuo sendo eu mesma! Calisto! Escra-- Livre!!! - indagou em voz alta e cheia de orgulho, enquanto sacudia os braços freneticamente.

    Falar alto e imponente daquele jeito a fez engasgar. Ela tossiu algumas vezes para recuperar o fôlego.

    - Mas... - continuou em um tom de voz bem mais baixo, como um charmoso e inocente apelo - Estou morrendo de sede..... - tinha a mesma expressão de um cãozinho pedindo comida - Será que o senhor teria água e seria gentil o bastante para me oferecer um pouco? - esboçou um tímido sorriso.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Qua Jun 14, 2017 2:57 pm

    Era bem visível que a súcubo não tinha paciência com as perguntas de Calisto, e parecia até bem disposta a lhe torcer o pescoço caso não fosse a intervenção de Ignos.

    - Aqueles demônios malditos que veneram o maldito do Ades não passam de malditos infelizes que se aproveitam de burros malditos como você. - falava ela - Eles podem falar qualquer coisa, pois se baseiam em dominar os idiotas. Eles não veneram o maldito Ades por seus feitos, mas sim porque são malditos gananciosos que acham que puxando o saco de alguém que descobriu como aumentar seu próprio poder, vai conseguir ter poder também, que suas almas sejam amaldiçoadas. - ela cospe no chão.

    Ignos não parece se importar com o mal humor de sua "amiga".

    - Sim, são estes quatro. Cinco se contar a nova noiva de Piro, mas a história é longa e duvido que você entenda. - Ele parece dar o assunto por encerrado - Para chegar a Fajr-Regno*, tem que seguir a constelação da aranha, em especial suas patas esquerdas, são as quatro estrelas laranjadas alinhadas - Ele aponta uma direção, mas as estrelas não tinham aparecido ainda - Elas devem começar aparecer daqui umas duas horas...

    (*A pronúncia é Fáir regno.)

    Calisto não tem certeza se já viu as estrelas específicas antes, mas será que encontrar quatro laranjadas alinhadas seria difícil? Ela presta atenção na direção que ele aponta, até agora era a única que tinha. Começaria escurecer dentro de duas horas, provavelmente ainda tivesse três horas de luz de Hélius Flava, com alguma sorte mais algumas horas de luz de Hélius Blua também.

    - Bom, disrupturas de mana são imprevisíveis. Se você se sente bem, então tem sorte. Espero que aproveite sua vida como mulher livre. - Ela estava se sentindo restabelecida, provavelmente graças a ajuda dele, e também ficava mais tranquila vendo que pelo menos por enquanto eles não pretendiam escravizá-la novamente, pois não parecia ter chance de resistir aos dois - Não trouxemos água conosco, mas estes aqui - ele aponta para os diversos corpos no chão - tem vários cantis, e creio que não precisarão mais deles. Seria prudente pegar alguma arma também, caso saiba manusear alguma, e roupas para noite, as noites aqui esfriam muito, pode ter certeza.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Qua Jun 14, 2017 5:25 pm

    Calisto arregalou os olhos e tolerou olhar para a súcubo só para poder dizer:

    - Ohh! Mas quantas vezes a senhora conseguiu falar a palavra "maldito" em tão pouco tempo! - tinha uma expressão de surpresa e realmente parecia só ter absorvido essa parte de tudo o que a mulher disse.

    - Está bem... Seguir as três estrelas... Laranjadas e alinhadas.... - repetia para si mesma em voz alta, apontando para o mesmo lugar que o sujeito apontara - Mas esse é o lugar mais perto daqui? - perguntava com curiosidade, já um pouco afastada dos dois. Estava um pouco incomodada sobre ter que passar a noite no meio do nada, queria pelo menos a possibilidade de ter algo sobre a cabeça.

    Eii!!! - esbravejou com irritação - O senhor está insinuando que a primeira atitude que eu tome como uma pessoa livre seja saquear corpos!? - cruzou os braços e o fitou com indignação - Talvez os demônios até possam se divertir fazendo isso, mas eu não! - ela deu uma olhada pelo canto do olho para a "demônia" e logo em seguida uns passos para trás.

    A maioria daqueles mortos eram como ela, escravos, e não tinham praticamente nada de bom, se pegasse algo só iriam ser migalhas e itens quase sem valor... Calisto não achava que os soldados tivessem muito mais também.

    - E não. Não sei usar uma arma. Só sei fazer entregas. - já estava perdendo um pouco a paciência de falar com aqueles dois.

    Mais um pouco e talvez quisesse encontrar e enfiar uma lança na cara não só da mulher, mas do outro também, que às vezes resolvia dar umas sugestões que nada lhe agradavam... Ora queria amedrontar ela dizendo que poderiam vir a mata-la, ora mandava ela saquear os mortos. Talvez Calisto realmente devesse arranjar uma lança e fazer isso....

    Mas pensou melhor... Eles tinham armas e sabiam usar, Calisto tinha pouco conhecimento de combate... E menos ainda sabia manejar uma lança.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Qua Jun 14, 2017 8:00 pm

    Nebul'okuloj olha Calisto com total desprezo, como um Rottweiler que vê um pinscher latindo. Ignos, apesar de se manter (aparentemente) amistoso, também parece não se importar muito com o destino da ex-escrava.

    - São quatro, não três. Não é o lugar mais próximo, o mais próximo seria voltar para onde veio, direto para sua antiga vida de escravidão, pelo menos é um destino conhecido. A segunda opção seria rumar direto para o norte, em destino à Ĵokona. Não sei de qual "cidade-prisão" você veio, mas duvido que seja pior que Ĵokona. Também duvido que uma vez em Ĵokona você tenha qualquer chance de não se tornar novamente uma escrava ou coisa pior. Portanto, ao que me consta, sua ÚNICA esperança é seguir as estrelas de que falei. Mas agora você é uma mulher livre, e se quiser ir para qualquer outro lugar, não iremos lhe impedir.

    Calisto escreveu:Eii!!! - esbravejou com irritação - O senhor está insinuando que a primeira atitude que eu tome como uma pessoa livre seja saquear corpos!? - cruzou os braços e o fitou com indignação - Talvez os demônios até possam se divertir fazendo isso, mas eu não!

    Ignos balança os ombros.

    - Como eu disse, NÓS não trouxemos água. Se acha que uma sereia consegue sobreviver no deserto sem água, o problema é seu. Aliás terá muito deste tipo de problema enquanto for livre: escolhas.

    Mais um mistério do estranho homem, na cidade-prisão nenhum demônio, a não ser os que a conheciam desde sempre, sabiam que ela era uma sirena, pois sua forma física era exatamente igual de uma humana.

    Ignos dá uma olhada nos corpos, ele pega uma espada leve de um antigo soldado demônio e joga para Calisto, não na intenção de ferí-la, mas para ver se ela pegava:

    - Esta parece boa para um ser da água. Pegue, ou não pegue. Eu não me preocupo, e como eu disse, duvido que eles também se preocupem. As almas deles já estão no Inferno e pouquíssimos destes aqui sairão de lá.

    Ele faz uma pausa, depois continua.

    - Não achei muita coisa de útil aqui. Você, se quiser encontrar os outros que despertaram antes de você, é bom se apressar e não sair do caminho que falei.

    Ele dá as costas para ir embora, pelos rastros que vocês tinham deixado, aparentemente os dois iriam em direção à cidade-prisão de onde você tinha fugido.

    Ignos ainda fala algo em um idioma desconhecido para a sucursal do inferno. Ela responde irritada no mesmo idioma desconhecido. Ele sem perder a calma fala alguma outra coisa num tom bem suave, como se estive fazendo pedindo um favor. Ela xinga algo e Calisto apesar de não entender acha que é algo pior que "maldito". Ele pondera. Ela resmunga, como se fosse obrigada a obedecê-lo, então faz alguns gestos na direção onde provavelmente estaria a tal Fajr-Regno que ele falou antes, e pronuncia algumas palavras mágicas. Uma leve neblina começa se formar.

    - Uma última ajuda, mantenha-se na neblina, será mais fácil. Afinal não queremos que você pense que os demônios não tem coração.

    Nebul'okuloj fala novamente algo no idioma deles, embora Calisto não entenda, poderia apostar que era algo do tipo "pouco me importa o que ela pensa", até porque Ignos responde:

    - O deus que você SEGUE não gostaria que ela pensasse assim.

    Ela abaixa a cabeça sem ter o que responder. Um gesto de submissão que os escravos aprendem logo. Mais uma vez aquilo era bizarro. Os dois simplesmente deixam Calisto lá e seguem andando.

    off:
    Provavelmente eles não irão responder mais nada, a menos que faça alguma pergunta muito pertinente de única hora. Nebul'okuloj já está irritada, se a chatear mais poderei cobrar uma rolagem com 1D12.

    Eles a deixam sozinha com os corpos, mesmo que a maioria fosse corpos de escravos e outra boa parte estivesse totalmente destruída (alguns corpos viraram carvão, outros viraram uma pasta) como haviam muitas pessoas na força tarefa, entre eles haviam muitos odres com água, carne seca para viagem, roupas, armaduras e algumas armas. Era tudo (ou quase, pois alguns soldados tinham status) comum e de baixa qualidade, mas talvez fosse melhor que nada.

    SE for procurar algo entre eles, me diga o que está procurando, mas não é obrigada a pegar nada, a não ser algo para calçar, pois andar descalça no deserto é realmente impossível.

    Pode também seguir ou não o conselho de andar pela neblina mágica da outra, apesar de tudo parecia uma boa ideia, pois protegeria um pouco do calor do deserto.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Qui Jun 15, 2017 11:19 am

    -"Sou muito grata a esse homem por ter me trazido de volta à vida e me ajudado com as respostas." - pensava, enquanto observava os dois indo embora - "Mas ele devia conhecer melhor boas maneiras... Até eu sei que não se faz futuras promessas de morte à alguém que acabou de conhecer e da qual nada sabe sobre!! E depois, como ele pode insinuar que eu poderia querer voltar à escravidão?" - bufou - "Mas que dupla mais esquisita!!!"

    - "Só me pergunto como ele sabe o que sou.... Mas deixa isso para lá por enquanto...." - sabia que não teria como saber no momento, já que tinham ido embora.

    - Então... - olhou novamente para todas aquelas vítimas da ruptura e pensou na sugestão do sujeito por um momento, enquanto se abaixava para segurar a espada que Ignos jogara em sua direção.

    Calisto aproveitou a posição para se curvar como se estivesse diante de sua mestra e, em voz alta, proclamou:

    - Eu sei que não podem me escutar... Mais... Mas eu gostaria muito de me desculpar por pegar seus pertences! Eu sinto muito! ..... Talvez nem tanto quanto aos soldados... Mas eu realmente espero que vocês não tenham ido para o inferno!

    Com isso dito ela levantou-se, ainda bastante incomodada de ter de fazer isso, mas sendo vencida pela secura que dominava o interior de sua boca...

    - Então vejamos.... Preciso de água eeeee.... - olhou para os próprios pés - Acho que preciso de sapatos... Talvez mais armas? E se fora da cidade for mais perigoso que dentro? Será que eu preciso carregar um arsenal? Será que eu preciso aprender a usar um arco? Talvez eu devesse conseguir uma roupa que me deixe mais protegida....? Cintos? Hã... Acho que comida! Acho que não como faz uns dias...- aparentemente ela não fazia milhares de perguntas exclusivamente para os outros.

    Além dos dois objetos que ela julgou essenciais, a sirena acabou resolvendo olhar tudo o que tinha em volta, embora observar os corpos lhe deixasse um pouco enojada.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Sab Jun 17, 2017 12:35 pm

    Sem muita escolha, Calisto começa fazer suas "compras", um bracelete aqui, uma armadura de couro ali... sua capa também estava surrada, melhor trocar por uma mais estilosa... E porque não ficar com algumas joias? Afinal não é por ser ex-escrava que não poderia ficar linda.

    Ela busca entre as coisas dos guardas, pois além de obviamente ser melhores, eles mereciam ser saqueados por toda a dor que causaram. Quanto os outros escravos, Calisto não podia fazer nada por eles. Sequer confiava nos deuses para dirigir uma prece, e só ficou sabendo da existência destes outros deuses agora.

    Ela caminha pela neblina criada por aquela súcubo estranha. Calisto percebe que consegue caminhar muito mais rápido por aquele caminho, pois a neblina bloqueia parcialmente o calor intenso de Hélius Flava, que de outra forma a assaria viva naquele deserto.

    Além disto parecia haver "algo a mais" naquela neblina. Magia provavelmente. Sem ter com quem conversar ou o que fazer naquele cenário sem absolutamente nada por todos os lados, a não ser terra seca, Calisto anda um dia inteiro, embora pareça ter andado muito mais na neblina.

    A noite tem sonhos estranhos, com demônios propondo-lhe diversas "vantagens" caso ela queira se alinhar a eles: ouro, companhia de súcubos ou íncubos sedutores, servos para mandar...

    Quando acorda na manhã seguinte, o deserto ainda está frio, mas esquentaria rapidamente. A neblina tinha se dissipado em fim, mas o deserto dava os primeiros sinais de vida.

    Um moita de capim seco aqui... outra mais adiante... um lagarto entra num buraco no chão, bem mais a frente ela enxerga algo que deve ser um arbusto...
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Dom Jun 18, 2017 11:58 am

    Calisto recolheu tudo e vestiu o que podia: Botas, capuz e as jóias. Queria poder ver seu próprio reflexo para saber se os itens haviam lhe caído bem, mas não tinha nem poças de água ali para isso.

    A solidão era tão exaustiva quanto a caminhada, embora fosse muito mais agradável caminhar por entre aquela neblina do que fritar no sol do "não deserto".

    E os sonhos... Parecia que esses demônios chatos estavam lhe importunando até dentro de sua cabeça. Embora ganhar ouro fosse bastante interessante.

    Ao acordar, comer um pouco do que tinha e beber a água que saqueara vergonhosamente dos corpos, ela observou melhor o lugar, agora sem a neblina. O maldito calor retornava e não tinha mais nada. Nada de interessante! Pelo jeito deveria continuar seguindo o nada até achar alguma coisa, embora sempre prestasse atenção nas pequenas moitas e animais do percurso para ter certeza de que não havia nada escondido ali. Não exatamente inimigos que ela procurava, mas objetos que fossem interessantes e que, por ventura, houvessem sido largados no meio do deserto.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Dom Jun 18, 2017 1:02 pm

    Aos poucos aquela passagem desanimadora vai se modificando, aparece um cacto aqui, uma árvore ali... Calisto vê uma árvore com frutas! Aquilo era algo lindo, pois ver uma árvore com frutas, ainda mais madura dentro da cidade-prisão era quase impossível.

    Sem se importar de nunca ter visto aquelas frutas antes, ela pega e come. Eram até doces*.

    *off
    Spoiler:
    seu paladar não é muito bom, você tem apenas uma "noção" do sabor, mas era um sabor doce.

    Ao passo que ela vai andando as árvore surgem de uma em uma, depois de duas em duas, até que finalmente o deserto fica para trás, e uma espécie de floresta surge*.

    *off2
    Spoiler:
    Você acredita ser uma floresta, pois nunca viu tanta árvore junta, e árvores bonitas, cheias de folhas e até frutas. Na cidade-prisão até as árvores eram tristes, peladas... porém você chegou na verdade numa área de cerrado que está longe de ser uma floresta de verdade, só que você nem sabe disto.

    Calisto fica um bom tempo admirando tudo aquilo, em seus 17 anos nem sonhava que um lugar tão bonito existia.

    Depois de passar o deslumbramento (algumas horas depois) ela procura sinais de outras pessoas vivas por ali. Ela nunca pensou que um dia chegaria a agradecer Amestreza por algo, mas seu treinamento como espiã lhe dava uma leve noção do que fazer.

    Começando por seguir em frente. Apesar de estranhos, aqueles dois te indicaram um caminho para um lugar bem mais agradável, e ainda te ajudaram chegar rápido aí, então sua melhor aposta era continuar no mesmo caminho.

    Ao poucos alguns leves indícios de que alguém passou por ali aparecem, algumas marcas no chão, até achar um vestígio óbvio de marcas sulcadas na terra paralelamente. "Marcas de rodas de carroças!" Seria impossível não enxerga-las, pelo menos por enquanto, pois Hélius Flava não demoraria a se por (Calisto passou várias horas só admirando a paisagem, e depois seguiu mata a dentro devagar.)

    Ela escuta o barulho de vários insetos (até deles ela sentia falta, pois nem inseto tinha no deserto) e também algumas aves, o cenário ia ganhando vida! Assim observa também as árvores em volta, não queria se pega de surpresa ao olhar pro chão para ficar só vendo os rastros. E acaba vendo uma flecha fincada no tronco de uma árvore.

    Logo a frente tinha outra árvore marcada com uma flecha, e outra... e outra... aquelas árvores pareciam formar um caminho marcado.

    Os dois sinais indicavam que alguém passou por ali e pouco tempo. Os rastros de carroça estavam um pouco mais pra esquerda, e as árvores marcadas com flechas estavam um pouco mais pra direita. Se Calisto quisesse seguir uma ou outra pista teria de correr enquanto tinha luz, mas se quisesse desviar dos sinais, o melhor seria procurar um lugar para se proteger a noite e seguir viagem só no próximo dia.




    mais 1 off:
    Não costumo por muito off, mas como está no começo vou só explicar as rolagens.
    o dado de 12 lado representa sorte pura, e quanto MAIOR o resultado melhor (isto pode mudar quando eu permitir rolagens de sedução, mas não vem ao caso ainda). Nesta rolagem surpresa eu ai ligar o resultado ao poderes mágicos latentes, mas como deu baixo você não sentiu nada ainda.

    já as rolagens de 2D10 somam os números e o MENOR resultado é sempre maior. Caiu na trave também, pois tinha que tirar 10 e tirou 11, foi um "quase acerto", então dei o básico de rastreamento: as marcas de carroça pois os outros não se preocuparam em esconder, e as flechas nas árvores que não eram tão óbvias, mas também não eram tão difíceis de ver se alguém estivesse procurando alguma coisa.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Jun 20, 2017 6:25 pm

    Calisto estava encantada por poder ficar em meio à tantas árvores, com tanta sombra e tranquilidade. O som dos vento batendo nas folhas das copas era algo tranquilizador. Aquele parecia o som perfeito para a liberdade. Só achava que as árvores de uma floresta fossem um pouco mais altas, pelo que lera uma vez em um livro, mesmo assim aquelas estavam ótimas para ela.

    Mas depois que as horas se passaram, Calisto voltou a se sentir sozinha, além de sentir a necessidade de ver como os novos itens estavam nela. Não tinha nada para se ver melhor, nem ninguém para notar suas novas aquisições, que, às vezes, lhe causavam certo remorso, quando lembrava-se de suas origens, por isso preferia nem pensar mais nisso. Na verdade iria pensar apenas que aqueles objetos poderiam ser melhor honrados se fossem apreciados pelos olhares de outras pessoas.

    Quando Calisto começou a encontrar indícios de quem alguém - aparentemente mais de um - passara por ali, ela começou a se animar e a torcer para que não se tratasse de alguém perigoso ou mal intencionado. Já bastava os vários desse tipo com os quais precisou lidar na cidade-prisão.

    Ela achou melhor seguir a trilha deixada pela carroça, já que flechas eram algo que transmitiam um pouco mais de intimidação do que uma carroça e também, caso conseguisse se dar bem com o dono da carroça poderia até, quem sabe, conseguir uma carona.

    Ter animais e insetos por perto deveria ser um bom sinal. Ou pelo menos um indício que que não deveria haver outro deserto lhe esperando logo à frente.

    Agora ela tentava avançar meio escondida por trás das folhagens das árvores mais baixas e arbustos, para ter certeza de que não daria de cara ou fosse pega de surpresa por estranhos, só por via das dúvidas. Queria ter a chance de se preparar mentalmente para se apresentar, caso achasse alguém.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Leomar em Ter Jun 20, 2017 6:44 pm

    O terreno vai ficando acidentado. Para Calisto até não era difícil desviar de raízes e pedras, sempre deve uma agilidade boa, mas quando Hélius Flava começa se por tudo fica mais difícil.

    Calisto tem que esperar sua visão se acostumar com a luz azul de Hélius Blua. Era a primeira vez que via a luz da segunda estrela brilhando plenamente, pois a neblina praticamente eterna da cidade-prisão não deixava a luz de Hélius Blua ser vista direito.

    Antes da noite cair totalmente ela vê marcas de sangue no chão, brasas de uma fogueira que deveria ter sido usada ainda aquela tarde, e a carcaça de um animal que provavelmente teve o fim na fogueira que viu antes e já começava ser disputada por aves.

    Calisto estava se aproximando de alguém.

    Ela escuta vozes ao longe, com certeza eram mais de uma pessoa. Seu olfato ruim era compensado por uma boa audição, mas ainda não conseguia distinguir o que era falado, seja quem for, estavam longe. Calisto porém identifica pelo menos duas vozes femininas e duas masculinas.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Jun 20, 2017 6:57 pm

    A sirena não esperava encontrar tantos ao mesmo tempo. Ouviu quatro, mas quem garantiria que não haveriam mais deles? A possível quantidade de indivíduos juntos lhe deixou um pouco receosa sobre seguir seu plano original. Ela achou melhor, por enquanto, apenas se aproximar o suficiente para poder ouvir o que era dito, mantendo-se abaixada e oculta o máximo que pôde.

    Estava bastante curiosa com a conversa e um pouco ansiosa para encontrar seres vivos falantes, no entanto ainda tinha um pouco de sensatez o suficiente para não se jogar na frente de um grupo de estranhos. Se fosse só uma pessoa talvez pensasse o contrário.
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    Re: Uma segunda chance à vida (Calisto)

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