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    Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

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    Brazen
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    Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Sab Jun 24, 2017 6:10 pm



    "No começo havia apenas o Nada. E por muito tempo o Nada reinou absoluto.  Em um determinado momento, por algum motivo desconhecido, a Centelha Primordial apareceu na forma de uma grande explosão, destruindo o Nada e gerando ao mesmo tempo duas novas entidades quase igualmente poderosas:  Delphros (a Grande Luz) e Zardma (a Grande Escuridão).

    A guerra entre as duas entidades opostas começou, violenta e avassaladora. Durou mais do que qualqer forma de contar o tempo criada por qualquer ser existente atualmente poderia mensurar.  Eventualmente, Delphros venceu o combate cósmico, devorando Zardma. Mas a batalha havia sido muito dura e cobrado seu preço. Delphros não viveria muito para saborear sua vitória e tudo poderia voltar a ser o Nada novamente.

    Não desejando que fosse dessa forma Delphros, utilizando suas últimas forças, cria o mundo de  Azhol. E para povoá-lo e governá-lo, a Grande Luz traz à vida seus primeiros habitantes: os deuses. E desaparece para sempre, logo em seguida.

    E os deuses, filhos de Delphros, moldaram o mundo de Azhol. Criaram florestas, campos, mares, montanhas, rios, vulcões, etc. E quando se deram por satisfeitos, começaram a povoá-lo com vida. Surgiram assim, humanos, elfos e anões.

    E durante muitas eras, a paz e harmonia reinou entre os deuses e seus filhos.  Mas nada dura para sempre.

    Ninguém nunca soube de onde ele veio. Uns diziam que veio de um outro mundo ou dimensão, destruído por uma guerra. Outros diziam que sempre esteve ali, oculto dos olhos de todos, assistindo das sombras o reinado dos deuses florescer. Se intitulava Makrah, o devorador da vida.

    Era tão poderoso quanto todos os deuses. E trouxe seu próprio exército de bestas e feiticeiros. Seu objetivo era a obliteração do panteão e a escravização de todos os seus filhos através das artes negras da necromancia.

    O mundo de Azhol se viu em uma guerra brutal pela sobreviência. A escuridão de Makrah e suas bestas cobria tudo e a esperança se perdia nos intermináveis séculos que a guerra durou.  Alcançou seu clímax quando uma grande aliança entre os humanos, elfos, anões e seus deuses se lançou contra os domínios de Makrah e na mais sangrenta das batalhas, o devorador foi finalmente destruído.

    Azhol estava livre mas o custo da guerra foi muito alto. Os deuses estavam esgotados e se eles morressem naquele momento, tudo estaria perdido. Confiaram a seus filhos o conhecimento necessário para reconstruir o mundo da destruição e decidiram se afastar do mundo, adormecendo em um plano paralelo de existência enquanto recuperavam suas forças. Seu poder ainda seria sentido em Azhol mas eles dormiriam até a total recuperação. E quando estivessem prontos, voltariam para trazer de volta a paz e harmonia dos tempos antigos."



                                                -------------------------------------------------------------------------


    Olá pessoal, esse é a minha proposta de campanha em um cenário de fantasia medieval que criei. Os personagens estarão em início de carreira (nível 1) e utilizarei o sistema +2d6 (adaptado para campanhas medievais).

    Acredito que 3-4 jogadores está bom para começar. Mas pode ser alterado conforme necessidade.

    Como está no pequeno prólogo acima, a campanha se passará no mundo de Azhol, um mundo reconstruído pelos mortais após uma guerra sangrenta que enfraqueceu até mesmo os deuses.  Mais precisamente 500 anos após essa tragédia.


    Aqui segue a situação atual de Azhol:

    Spoiler:


    Depois de 650 anos da derrota de Makrah e da partida dos deuses do mundo físico, este é o cenário de Azhol atualmente:

    Os humanos se espalharam por diversos reinos e cidades. Seu espírito aventureiro e desbravador permitiu que reconstruíssem o mundo das cinzas e se recuperassem do trauma da guerra em velocidade recorde. A maior parte do mundo civilizado pertence aos humanos.
    Os anões possuem seu grande reino subterrâneo e vivem de mineração, forja e trabalho duro.
    Os elfos possuem seu reino na Floresta Sem Fim, onde visitantes não são bem-vindos.



    –----------------- REINOS HUMANOS –-----------------


    - Reino de Samúria
    O mais poderoso e rico dos reinos humanos. Embora tudo referente a estes assuntos seja discutido em Conclave, Sua Majestade, o Rei Eddarth II, possui a influência como auroridade máxima em todos os assuntos que dizem respeito aos interesses humanos. Suas decisões costumam ser sábias e razoáveis mas é frequentemente contestado pelo Rei de Mezara, o ambicioso Rei Vincent VI.
    É um reino extremanente cosmopolita. Membros de todas as raças podem ser vistos andando por suas ruas. Dizem que tudo pode ser encontrado em Samúria, se você procurar.


    -  Reino de Akhana
    Erguido em uma área conhecida como Vetor Mágico, neste reino fica a Grande Academia Arcana, onde 80% dos magos são formados.  Através de grandes artes divinatórias e de detecção de magia, os líderes da academia conseguem saber quem possui o talento natural para a prática de magia e normalmente essas pessoas recebem um convite até os 15 anos de idade para iniciar seus estudos. Outras pessoas podem livremente agendar um teste,  afinal, o poder e o conhecimento pode ser sempre adquirido por aqueles que possuem disciplina e força de vontade.  Os estudos na academia normalmente leva 8 anos e nesse período o mago recém-formado aprende bases sólidas.  Após esses 8 anos, é decisão o mago se volta para casa para ajudar sua comunidade, permanece na Academia para estudos avançados e pesquisas científicas ou viaja pelo mundo como errante se aventurando.  A Academia possui a maior coleção de livros, tomos e documentos do mundo conhecido, alguns datando da época antes da guerra. O reino possui um bom exército mas o imenso poder mágico empregado em sua proteção é muito mais impressionante.


    - Reino de Mezara
    A segunda nação humana mais poderosa. Governada pela mão de ferro por sua majestade, Rei Vincent VI e seus antepassados desde sua fundação.  É um reino extremamente militarizado, todos os homens possuem serviço militar obrigatório dos 14 até os 22 anos e após este período, são encorajados a permanecer e seguir carreira no exército. Para mulheres é opcional mas não se engane, várias das maiores guerreiras da história foram Mezarianas, incluindo conhecida general Alleandra, responsável por liderar a proteção das fronteiras contra os constantes ataques goblinóides nas muralhas Sul.

    Esses ataques seriam, inclusive, o motivo para que Vincent VI não tenha iniciado ainda sua própria campanha militar para tomar o controle dos reinos humanos de Samúria. É um fato conhecido que o monarca possui uma sede de poder e território que é maior do que o bom senso.


    - Reino de Astoth
    Reino fundado próximo às água dos mares de Atlanta. Sua economia é baseada em pesca e em geral, possuem relação pacífica com os demais membros do reinado humano. A costa Astothiana é conhecida por ser ataca por piratas, de forma que sua força militar é direcionada basicamente para combater esses bandidos.  


    - Reino de Winter
    Construído próximos as Grandes Montanhas Nevadas, esse reino é conhecido pelo seu clima muito frio. Os nativos possuem uma vida dura mas tem orgulho de suas raízes. Apesar de tudo, possui organização e um exército eficiente.  Aventureiros são sempre convocados oficialmente para ajudar a proteger os vilarejos mais próximos das montanhas dos monstros que eventualmente saem de lá.


    - Reino de Namoria
    É um reino erguido próximo ao Deserto Vermelho.  Possui economia sólida e uma cultura muito singular (algo típico dos contos de Mil e uma noites). Éum grande aliado de Samúria, uma vez que seus regentes são parentes relativamente próximos. O governo está sempre contratando aventureiros corajosos e habilidosos que possam mapear oásis e outras zonas menos hostís dentro do deserto.


    ------------------------- REINO DOS ANÕES ----------------------------


    A nação anã é o reino subterrâneo Khazbarhrim. Sua entrada fica em uma das maiores montanhas do mundo conhecido e se extende por túneis intermináveis sob o solo.   Os humanos e outras raças amigáveis são bem-vindos em Khazbarhrim mas as áreas mais fundas dos reinos são vistas por poucos, uma vez que apenas os anões conseguem se sentir confortáveis dentro de uma ambiante tão opressivamente fechado. A nação anã possui grande comércio com os reinos humanos, seu refinamento de joias e forja de armas e armaduras não possui concorrentes em nenhum outro lugar ou nenhuma outra raça.

    Anões não costumam gostar de elfos. Sabe-se que antes da grande guerra existiram conflitos isolados entre as duas raças. Embora os tempos atuais sejam de relativa paz, feridas antigas não cicatrizam, principalmente em indivíduos de vida longa.



    –------------------- REINOS DOS ELFOS –---------------------


    Os elfos de Azhol possuem seu lar na Floresta Sem Fim, uma gigantesca floresta que se extende até onde não tem conhecimento. Mas não se engane, visitantes não são bem-vindos. Os Elfos são extremamente agressivos com aqueles que não são convidados e eles   NUNCA convidam ninguém. Seres extremamente reservados e xenófobos, protegem a entrada da Floresta Sem Fim com um fortíssimo exército e magia poderosa. Ninguém sabe o que se esconde por trás daquelas matas e nenhum elfo jamais contará, mesmo aqueles raríssimos que possuem espírito aventureiro e deixam seu lar para explorar o mundo.

    A nação élfica possui um Rei mas o mesmo nunca foi visto por olhos humanos. Quando se faz necessário a comunicação com os reinos humanos de forma oficial, a mesma é feita através de seu diplomata, o arrogante Lorde Elenthvil, um elfo de pelo menos 600 anos e que sempre ocupoou esse cargo. A família real élfica não merece ser contemplada pelo olhos de raças inferiores como humanos e anões.
    Apesar da verdade ser completamente desconhecida pelos não-elfos, sabe-se que existe algo poderoso e acestral guardado por eles na Floresta Sem Fim. Mas novamente, é impossível retirar esta informação de qualquer elfo. Existe um feitiço inquebrável, que esconde essa informação de qualquer um que a deseje, seja por meios mágicos ou não.  



    --------------------------- MEIO ELFOS -------------------------

    Uma vez que os elfos no mundo humano são extremamente raros, os meio-elfos são praticamente inesistentes. Os elfos consideram as outras raças, principalmente os humanos, inferiores e o ato de procriar com eles é considerado uma aberração, um crime com direito ao banimento e obliteração das memórias. Da mesma forma, meio-elfos nunca serão aceitos entre a nação élfica. Podem ser confundidos com elfos puros nos reinos humanos e isso também é o suficiente para que sejam vistos com desconfiança.

    -------------------------- OUTRAS RAÇAS -----------------------

    As raças listadas acima podem ser as mais conhecidas mas não são as únicas. Também existem halflings, fadas e outros mas essas raças não costumam ter áreas suficientemente grandes para serem considerados reinos. Halflings possuem um conjunto de condados e protetorados em seu nome, onde praticam agricultura, mas normalmente é um braço anexado a algum outro reino humano.  Fadas costumam viver em florestas pequenas ou em áreas onde a magia é mais poderosa.




    Eu já descrevi outros detalhes do mundo mas vou adicionar depois de criar o tópico do jogo.


    Como dito, o sistema será o +2d6 (que escolhi por ser bem simples e porque não tenho muita experiência com D&D). E seguem as regras para construção do personagem:




    LIVRO BÁSICO SISTEMA +2d6

    ADAPTAÇÃO ESPECÍFICA PARA FANTASIA MEDIEVAL (comece por aqui para construir a ficha)


    ---------------------------------------- CRIAÇÃO DE PERSONAGEM -------------------------------------

    Nome:
    Sexo:
    Idade:
    Aparência:
    Origem:  
    Raça:
    Tendência:
    Classe:   Guerreiro, mago, feiticeiro, clérigo etc
    História:

    >>>> ATRIBUTOS  (Distribua 12 pontos de 0 a 5)

    - Força (FOR)
    - Destreza (DES)
    - Constituição (CONS)
    - Inteligência (INT)
    - Sabedoria (SAB)
    - Carisma (CAR)


    >>>> ATRIBUTOS SECUNDÁRIOS

    - Movimento (MV): 6 unidades, sempre

    - Pontos de Vida (PV): CONS +20 + bônus por vantagem (se tiver)

    - Pontos de Energia (PE): 10 + CONS + SAB (ou INT, depende do tipo de personagem). Corresponde o cansaço físico e psicológico, também usado para conjurar magias

    - Redução de Dano (RD): Armadura + bônus proveniente de alguma vantagem. Corresponde quanto dano o personagem pode absorver de ataques físicos.


    >>>> PERÍCIAS - (10 pontos)


    >>>> VANTAGENS (5 pontos)


    >>>> DESVANTAGENS (até -3 pontos)


    >>>> MAGIAS

    Para ser possível utilizar magias, o personagem deve possuir a vantagem:

    - Magia Arcana (Custo 1 a 5) –
    Você pode escolher uma lista de até 5 magias arcanas por ponto que gastar que gastar nesta vantagem. Se atentar que as magias devem possuir o mesmo nível que você possui nesta vantagem. Exemplo: Se você possui Magia Arcana x3 você pode escolher 15 magias da lista de magias arcanas de níveis 1 a 3.

    A lista de magias de níveis 1 a 5 está no manual básico.


    Espero que tenham se interessado! Estou aguardando as fichas! pirat
    Fenris Andriel
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Fenris Andriel em Sab Jun 24, 2017 10:22 pm

    Eu fiquei interessado, adoro fantasia medieval, mas sou totalmente obtuso em relação a sistemas >. <
    Brazen
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Sab Jun 24, 2017 10:47 pm

    Fenris Andriel escreveu:Eu fiquei interessado, adoro fantasia medieval, mas sou totalmente obtuso em relação a sistemas >. <

    O sistema é bem simples, da uma lida no resumo que coloquei e também nos manuais (principalmente o medieval onde está tudo mastigadinho). Cool
    Fenris Andriel
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Fenris Andriel em Seg Jun 26, 2017 6:35 pm



    Fenris Andriel



    Nome: Fenris Andriel
    Sexo: Masculino
    Idade: 310 anos, aparência de 22.
    Aparência:
    Origem: Leore. 
    Raça: Elfo.
    Tendência:
    Classe:   Guerreiro, mago, feiticeiro, clérigo etc

    ATRIBUTOS



    - Força (FOR) 2
    - Destreza (DES) 3 (+1)
    - Constituição (CONS) 2 (-1)
    - Inteligência (INT) 2
    - Sabedoria (SAB) 2
    - Carisma (CAR) 1


    ATRIBUTOS SECUNDÁRIOS



    - Movimento (MV): 6 unidades.
    - Pontos de Vida (PV): 12.
    - Pontos de Energia (PE): 13.
    - Redução de Dano (RD): Armadura + bônus proveniente de alguma vantagem. Corresponde quanto dano o personagem pode absorver de ataques físicos.



    PERÍCIAS



    Acrobacia: 1
    Arqueiro: 3
    Atletismo: 1
    Furtivo: 2
    Guerreiro: 1
    Ladino: 1
    Percepção: 1
    Sobrevivência: 0 (+1)


    VANTAGENS



    Super Sentido: 5


    DESVANTAGENS



    Vingativo: 1
    Sem Fé: 1
    Preconceituoso: 1


    APARÊNCIA



    Fenris foi abençoado com os traços belos de sua mãe e o porte físico de seu pai.

    De seu pai, ganhou um corpo digno de um verdadeiro caçador com seus 68Kg muito bem distribuídos em um 1,70m de altura. É dono de uma constituição mesomorfa e uma estrutura física ágil e acrobática, conhecido por sua flexibilidade e capacidade atlética que seu trabalho como caçador exige.

    De sua mãe, ganhou os traços belos, que mais pareciam esculpidos. Lábios carnudos, feições bem delimitadas e simétricas, nariz bem construído e cabelos lisos, que tendem a mudar seu penteado vez ou outra. Seus olhos são verde, quase prateados, suas sobrancelhas são muito bem desenhas, deixando-o com um aspecto muito atraente.


    PERSONALIDADE



    Se quando em vida o pai fora um exemplo a ser seguido, em morte fora totalmente canonizado pelo filho, tornando-o obcessivo pelos códigos de honra de seu pai, colocando a proteção da vila acima de qualquer coisa, inclusive ele mesmo. Essa obsessão só é vencida pela necessidade de vinganca que o garoto sente pela raça licantropa, em especial por Armond, o assassino de seu pai.

    Fenris, após a morte de seu pai, passou a sorrir menos, a falar menos e, no geral, a ser visto menos. Como se impusesse a si mesmo uma maldição brutal por seu fracasso naquele fatídico dia, oprimindo todo o seu ser feliz e o trancafiando naquele antro de solidão que se tornará sua capa de luto eterno.

    Fenris é muito racional e calculista, agindo segundo sua razão e seus códigos de honra. Não tem muita experiência de vida fora dos desfiladeiros de Laore, mas sua ligação com a natureza é muito forte. Não é algo como uma idolatria, mas uma extensão de seu próprio corpo, um habitat natural, seu domínio. Estar rodeado de árvores o faz ficar completamente relaxado, além de esquecer um pouco suas preocupações e frustrações.

    Em multidão, ele simplesmente desaparece. Ignorando todos ao redor, agindo com indiferença e, geralmente, responde as pessoas em sua mente, sem, contudo, mover sua boca. O que as pessoas geralmente veem é um homem parado a sua frente, olhando-o, mas parecendo não enxergá-lo. No geral os outros se aborrecem e o esquecem.



    DADOS ADICIONAIS



    Com Família: Sua mãe morreu após dar a luz a Fenris, o resultado de sua gravidez durante o Inverno de sua vida. Cresceu ouvindo de seu pai que sua mãe ficara muito feliz em dar a vida dela por ele, que a Mãe o protegeria por onde quer que fosse, pois era a semente amada de sua madre. Com esse tipo de pensamento, Fenris mais parecia um príncipe enquanto crescia, sendo o tipo de garoto amável, gentil e solícito, que iluminava o ambiente por simplesmente abrir seu sorriso.

    Infelizmente, ao estar próximo de completar seu Verão, recebera a notícia da morte terrível de seu pai, que o destroçou completamente. À essa altura não tinha mais família, herdando tudo que seus pais possuíam, mas se importando pouco com isso.

    Seu sorriso foi desaparecendo e sua dor fora transparecendo para os demais, que começaram a se afastar do solitário elfo. Com o passar dos anos, passou a se importar menos ainda com a opinião alheia, curtindo a dor que seu peito carregava da perda que jamais teria de volta.

    Com Amigos: Fenris não tem muita confiança em qualquer pessoa ao seu redor e isso fez com que seu círculo de amizade diminuísse com o passar dos anos. Era bem diferente em seu primeiro século, sempre rodeado por pessoas, exibindo seu sorriso carismático e um jeito de criança que muito parecia mágico de tão encantador, mas a morte de seu pai foi minguando sua felicidade. É comum vê-lo sempre pelos cantos, tentando parecer o mais invisível possível, escondendo-se embaixo de sua capa, ignorando totalmente a presença dos outros e falando o mínimo possível.

    Com Inimigos: Fenris tem um ódio irracional por Licantropos. Se vê um, dispara sem a menor piedade.

    Desde a morte de seu pai, assassinado brutalmente por um lobisomem após uma noite de lua vermelha, o garoto passou a odiar todos os lobos que rastejam pela terra, sonhando com o dia que enfim irá se deparar com Armon Arat, o Lobo Albino que arrancou as estranhas de Arir, seu pai.

    Com os demais oponentes, Fenris procura ser rápido e eficiente no modo de matar, não gosta de ver ninguém sofrer, lembra demais a brutalidade com que seu pai foi morto.

    Não é do tipo que faz joguinhos, muito menos tem paciência para eles, resolvendo o problema na hora ou deixando de lado e ignorando completamente seu provocador.

    Com Amantes: Fenris passou a ignorar essa questão, mesmo estando em seu Verão.

    Sua Primavera, antes da morte de seu pai, fora bem calorosa, cheia de amores passageiros e importantes momentos de prazer e realização emocional. Sua boa aparência lhe rendera amantes influentes e paixonites divertidas, embora nunca tenha realmente se apaixonado de verdade.

    Após a morte de seu pai, seu corpo se esfriou e esqueceu o que era calor humano. Não desejava mais estar com ninguém e, mesmo que atraísse olhares alheios, sempre agia com frieza e indiferença.

    Realizações Marcantes: É caçador por herança genética. Seu pai o era e ele também se tornou, quando teve idade o suficiente para segurar um arco e manipular suas tão amáveis adagas. Dizer que o garoto é exímio na arte da caça é eufemismo. Seguindo os passos de seu pai, o filho de Arir se tornou um com a natureza, tornando-se silencioso como uma sombra, de onde veio seu apelido.

    Caça sozinho, mas sempre traz mais do que os demais caçadores, embora nunca tenha ficado presente para receber seus aplausos.

    Sua maior realização fora no dia em que seu pai morrera. Conseguira abater dois lobisomens jovens sozinho e abatera um dos mais velhos durante a fuga de Armond. Apesar disso, considera um grande fracasso, já que não conseguiu vingar seu pai, além de deixar o algoz de seu progenitor fugir com seu bando.

    Conhecido Por: Não houve falhas no caminho de Fenris, ao menos não para aqueles que o cercam. É um excelente caçador, possui uma capacidade de ocultação incomum e, para os que se lembram de épocas mais brilhantes, era um garoto feliz e aberto. Entretanto, desde o falecimento de seu pai, passou a ser conhecido por sua solidão e isolamento, chegando ao ponto de quase não ser notado, mesmo quando há muitas pessoas ao seu redor — Na verdade, especialmente nessas ocasiões.

    Presença: Antes, Fenris era difícil não ser notado, sua presença precedendo grande alegria e sorrisos por quem tivesse contato com o garoto.

    Depois do sucedido, se tornou uma sombra em sua capa, andando sem fazer som, falando o mínimo possível e quase como se não emitisse ruídos. No geral, Fenris não seria notado, a menos que quisesse.

    Visão Religiosa: Era muito crente nos deuses por causa de sua mãe. Durante sua primavera, Arir ensinou muito a seu filho sobre o amor da primeira Mãe e de sua coragem em enfrentar o mal supremo. Disse que Ela sempre guiaria o rapaz e traria muita felicidade ao seu caminho. Talvez tenha sido essa escolha de palavras que o fez ter tantas dúvidas a respeito de sua própria fé. Culpou-a pela infelicidade que sentia e por sua falta de proteção para a pessoa que o garoto mais amava.

    Não desacredita na Matriarca, mas não confia mais que Ela se importa com ele, ou com qualquer um de seus filhos.

    Relação com o Reino: Não é uma questão de inimizade ou de pura repulsa, apenas de decepção.

    Fenris habita na fronteira do reino élfico com um vilarejo de lobisomens, numa vila chamada Laore. O vilarejo, apesar de próspero graças a relação das criaturas da luz com a natureza, sofre de ataques raros dos licantropos, em especial durante a época da lua de sangue, quando a vila entra em alerta total. Na opinião do mero caçador, seu reino deveria fortificar aquela fronteira, antes que os lobos conseguissem ultrapassá-la e avançar em direção ao coração da Floresta sem Fim.

    Metas e Motivações: Matar Armond, mesmo que para isso tenha de morrer na escuridão.

    Fenris não vai ter o seu descanso enquanto esse ódio não for, enfim, saciado. Ele precisa vingar a morte de seu pai. Só assim poderá voltara ser ele mesmo e seguir seu caminho sem esse peso que o acompanha.


    HISTÓRIA


    — Armadilhas postas! — Foi o que eu disse, abaixando meu capuz enquanto deixava a segurança das sombras das árvores. Um sorriso maroto brincava em meus lábios, ainda mais ciente de que assustara Evbel, obrigando-o a saltar de onde estava.

    Ele me olhou feio antes de capturar meus lábios, numa demonstração de afeto à luz do dia, no meio da comunidade, sem qualquer pudor. Totalmente natural. Eu ri com sua coragem, ainda mais com meu pai há metros de distância, olhando-nos com vontade de esmagar a cabeça do garoto entre seus braços musculosos.

    Estávamos do lado de fora das muralhas, fincando estacas de madeira para o caso do pior acontecer. Eu havia passado as últimas quatro horas instalando armadilhas nos arredores e verificando tantas outras que haviam sido instaladas durante a semana. Graças a Aine estávamos adiantados!

    — Precisa me assustar toda vez? — Inquiriu, sorrindo abertamente.  

    — Preciso! — Devolvi e, para se vingar, ele me fez cócegas. O que me obrigou a gargalhar de forma melódica, como eu sempre fazia. Era tão belo, que as pessoas em volta riram junto comigo.

    — Bom saber que alguém está se divertindo no meio dessa confusão. — Arir Andriel, o comandante das forças de defesa de Laore durante aquela Lua Vermelha, deixou sua voz grave reverberar pela pequena clareira silenciando as risadas.

    A expressão do meu pai era intimidadora. Evbel se encolheu em sua capa, disfarçando e fingindo ir verificar um dos armamentos dos mais novos. Eu ri. O loiro sempre fora evasivo e esguio. Meu pai tinha uma dificuldade enorme em aceitar um fujão como genro, ainda mais quando tanto ele, quanto eu mesmo éramos tão necessários na vila. Ele só não implicava mais porque sabia que era algo passageiro, logo eu me enrabichava por outra pessoa e deixava Evbel de lado.

    — Encontrou algum deles? — Inqueriu, a expressão preocupada.  

    — Não, aparentemente será um noite calma. — Disse, sorrindo confiante. Meu pai, no entanto, não pareceu tão seguro. Ele nunca ficava calmo em noites de lua de sangue.

    — Que a Mãe nos permita, Fen. — E bagunçou meus cabelos ao passar por mim, indo verificar mais um dos preparativos. Eu resolvi entrar, ver como estavam as coisas dentro da cidade.

    Laore estava em estado de alerta.

    As pessoas se movimentavam de um lado a outro, dirigindo-se para o abrigo subterrâneo, construído abaixo do prédio da guarda. Vi muitos de meus amigos se dirigirem para o edifício feito de pedra cortada, que erguia-se no meio da cidade. Um alquimista aplicaria um líquido selador na porta para que todos os odores da entrada fossem totalmente apagados e o ancião lançaria o feitiço que manteria a porta trancada até o dia seguinte.

    O ancião era um bruxo que vivia em Laore há muitos anos. No início, chegara para estudar o nosso cotidiano, tão próximos dos lobos, mas acabou afeiçoando-se ao povoado. Foram anos de desconfiança, até o dia em que ele ajudou a salvar uma pequenina que estava doente de um ataque surpresa de um lobo desgarrado. Depois disso, a desconfiança foi sumindo e passamos a tratá-lo como parte da família.

    Os portões também receberiam o mesmo tipo de encantamento selador, enquanto sentinelas ficariam vigiando por sobe as muralhas. Se eles chegassem àquele ponto, choveria flechas sobre eles.  

    Isso acontecia todo mês em Laore, era parte da nossa rotina como vizinho dos Lobos. Toda vez que a lua de sangue se erguia, nós nos preparávamos para a guerra, embora nem sempre ela viesse. Às vezes os lobos nem chegavam a atravessar a fronteira;  às vezes era apenas um desgarrado, facilmente abatido pelas sentinelas; às vezes, no entanto, um bando inteiro vinha para a nossa cidade com a intensão de assassinar quem encontrasse pela frente.

    Era muito rara a incidência de um bando inteiro marchando contra Laore, considerando que não éramos, exatamente, sua iguaria mais desejada, mas ainda assim, nos mantínhamos em alerta, preparados para o pior cenário. Meu pai comandava nossas forças já há anos e, mesmo estando no Inverno de sua vida, parecia no auge de seu vigor e sanidade. Dando ordens e transmitindo confiança para as forças que comandava.  

    Ainda era cedo e tínhamos horas de vantagem até a lua de sangue, mas minha inquietação aumentava a cada segundo que o relógio de sol avançava. Não gostava nem um pouco de ver a cidade naquele estado, mas entendia a necessidade.  

    — Nós estamos indo! — Falou meu pai, me abraçando por trás. Um abraço longo e apertado. Desses que anunciam uma despedida final. Queria ter aproveitado mais aquele abraço.

    — Que a Mãe os guie a vitória! — Desejei. — Vou vigiar com as sentinelas! — Garanti, feliz por ser útil de alguma forma, embora preferisse estar com meu pai.

    Ele havia reunido os caçadores mais experientes para caçar os que estivessem rondando nossas fronteiras. Eu deveria estar com ele, mas ele insistira que eu era mais necessário nas muralhas, para comandar a defesa de Laore, caso as coisas fugissem do controle. Na minha cabeça era apenas uma desculpa muito bem elaborada e do tipo que não podia argumentar para me manter longe do perigo, enquanto ele mesmo estava se expondo.

    Subi as muralhas, vendo os portões sendo lacrados com o feitiço costumeiro, acompanhando o séquito de trinta caçadores que começavam a desaparecer sobre as sombras das árvores.  A partir daquele momento, nada entrava e nada saía. O feitiço não podia ser desfeito, não importa qual fosse o mago ou a intenção. Mesmo que quiséssemos abrir os portões, era impossível.

    Caso fosse necessário, os caçadores tinham uma cabana estratégica próximo aos desfiladeiros, com algumas defesas, em que eles poderiam recuar. Já havia a usado várias vezes quando precisei para repousar entre uma caçada e outra, mas se o caso fosse uma invasão de um bando, duvido muito que ela conseguiria conter os avanços dos licantropos.

    — Preocupado, meu príncipe? — Phiaar fez uma vênia exagerada, um sorriso debochado em seu rosto.

    Eu ri e soquei seu braço de leve.

    Phiaar era um dos meus ex-namorados. E, desde que ele descobriu que eu tinha ascendência real, ele passou a me chamar daquela forma. Não é como se eu tivesse direito ao trono de Dugeloff. Eu devia ser, sei lá, o septuagésimo nono a ter o direito ao trono. Minha mãe era prima da princesa e, durante muito tempo foi sua aia, antes dela encontrar-se com meu pai e se apaixonar perdidamente.

    Segundo meu pai, o casamento fora especialmente estressante para ele. Minha mãe se atrasara e ele ficara apavorado com o fato dela ter desistido do casório e fugido com um nobre qualquer, mas valeu a pena vê-la tão linda no final da clareira, o seu sorriso contagiando a todos com sua beleza. Segundo ele, foi um dos momentos mais felizes da vida dele. Ele dizia que eu tinha o sorriso dela.

    A princesa comparecera ao casamento, causando choque nos convidados, e levara um presente muito especial para minha mãe. Um par de kukri's, forjadas com o brasão real na base da lâmina. A lâmina era especialmente afiada, como nenhuma outra já vista, o punho, feito de âmbar com uma pedra de jade cravejada na ponta, era especialmente confortável e seguro.

    Minha mãe nunca usara aquela arma, apenas a mantivera como decoração em cima da lareira, para alivio do meu pai. Segundo ele, mamãe era muito desastrada.

    Muito mais tarde, meu pai me dera as adagas, que eu guardava comigo a todo tempo, uma maneira de me lembrar da minha mãe, de sentir que ela estava comigo. Isso era suficiente para confortar naquele dia cheio de tensão.

    ***


    A alvora se foi, dando lugar ao crepúsculo, a noite cada vez mais próxima de nossa cidade. As sentinelas estavam com seus olhos firmes no horizonte, vigiando cada ponto cardeal, seus arcos tensionados preparados para serem tencionados ao primeiro sinal de movimento entre as árvores.

    Minha atenção estava voltada para onde eu sabia que era o primeiro posto de vigia, há 5 quilômetros de minha posição, outra fora posta há 3 quilômetros e o terceiro há 1. Era um sistema para que nós soubéssemos o avanço dos oponentes, se é que haveria algum. Se fosse apenas um desgarrado, os vigias lançavam apenas uma flecha vermelha, que explodiria no céu. Uma azul representava uma invasão de bando.

    A lua se erguia, conforme os uivos de Ovedo eram trazidos pelos ventos. Estava feliz que ao menos os ventos estavam ao nosso favor, trazendo o odor de nossos inimigos, enquanto escondia o nosso próprio. Nossos caçadores tinham sentidos apurados e eram exímios arqueiros. Não teria com o que me preocupar, não naquele momento.

    A tensão só aumentava, conforme as horas iam passando e nenhuma flecha cortava o céu escuro. Os uivos eram aterrorizantes e pareciam cada vez mais próximos, mantendo todo o corpo da guarda nervoso. Era possível notar pelo modo como todos se mexiam demais ou balançavam as pernas, muitos tiques se manifestaram e eu ri nervosamente.

    Phiaar, ao meu lado não se distraiu, apenas deu um meio sorriso, mantendo seu olhar no horizonte.

    — Se acontecer alguma coisa, agente faz você rir. Eles vão se acalmar e ir embora! — Comentou e eu dei-lhe um soco no ombro, como de costume.

    Evbel se aproximou de nós dois, o olhar enciumado. Fez questão de enlaçar meu corpo de forma possessiva, enquanto o outro parecia nem se importar com isso. Eu não gostei da atitude de Ev, embora já a esperasse. Boa parte de nossas brigas sempre eram por causa dos ciúmes dele. O fato de eu já ter ficado com boa parte da cidade pode até ser uma boa razão para isso, mas eu nunca traí ninguém.

    Ouvimos o zumbido de lago subindo os céus e, para nosso horror, há 3 quilômetros de nossa posição, o céu ficou iluminado com uma coloração azulada. Era uma invasão de bando.

    Meu primeiro pensamento foi entender que o primeiro posto de vigia já era. Meu segundo pensamento foi perceber que meu pai estava em apuros. Eu precisava ajudá-lo.

    Sem dizer uma palavra mais, peguei uma poção que estava próxima e a sorvi totalmente, enquanto pegava o gancho e a corda que usávamos para a necessidade de descer ou subir pela muralha, caso fosse necessário.

    — O que você pensa que está fazendo? — Ev esbravejou, mas eu dei pouca atenção a ele. Minha mente só conseguia pensar em meu pai sendo encurralado por um lobo naquelas condições insanas. Eu precisava salvá-lo. — Eu não vou deixar você ir! — Ele disse e segurou meu braço.

    — Pretende ir comigo? — Perguntei e, como eu previra, ele recebera aquilo como um golpe, afrouxando o aperto e me dando a oportunidade de fincar o gancho na muralha. — Phi, você está no comando. Vou atrasá-los! — Falei firme e Phiaar acenou afirmativamente.

    Eu saltei pela muralha com agilidade, munido de meu arco e aljava e minhas kukri's bem embainhas, presas acima das minhas nádegas. Meu manto era diferente dos demais. A tintura dele era feita de forma a parecer com as árvores do local, numa camuflagem bem feita.

    Baixei o capuz enquanto entrava na sombra dos pinheiros. Aproximei minha mão do meu nariz para perceber que eu estava fedendo, no mesmo odor da floresta. Ainda bem que eu lembrara de tomar aquela poção antes de descer. Ela manteria meu odor disfarçado. Eu usava isso para poder caçar, fazendo com que o animal não sentisse meu odor natural, mas o da natureza que o cercava.

    Inspirei fundo, enquanto começava a me movimentar pela floresta, escolhendo os lugares que iria pisar, evitando as folhas secas, dançando como um bailarino na ponta dos pés, saltando com graça pelo emaranhado de raízes sem nem me afetar, cair ou cansar. Não era questão de planejar demais meus movimentos. Há 300 anos eu corro por aquela floresta, caço nela e vivo nela. Não há um metro quadrado daquele lugar que eu desconheça, uma árvore se quer, da qual eu não saiba a quantidade de folhas que tem e quantas já caiu. Aquele era meu lar, meu lugar seguro, meu maior tesouro e eu não permitiria que cachorro nenhum mijasse no meu território.

    Avancei os metros sempre atento aos meus arredores. Em dado momento eu ouvi o andar desenfreado do que parecia um mastodonte pesado se arranhando pelas árvores. Parei. Entendi que não era apenas um, mas dois. Naquele ponto eu ainda não havia chegado a primeira vigia, portanto, ou eles já foram derrotados, ou esses dois apenas atravessaram sem que eles vissem — O que, dado a quantidade de barulho que faziam, seria impossível.

    Subi na árvore e tensionei meu arco. Deixei minha respiração imperceptível, abaixei meu ritmo cardíaco e permiti que as folhas das árvores me cobrissem, me escondessem, me tornando um com aquela árvore, que já havia me dado abrigo antes, quando caçava corças.

    Eles vieram como tempestade, tropeçando nas raízes, se arranhando nos galhos e com suas costas salpicadas de flechas fincadas. Seus olhos eram vermelhos e seu pelo parecia grosso e ensebado. As patas estavam machucadas, haviam caído nas armadilhas que eu tinha montado, um deles estava com o lado esquerdo todo cortado, exibindo suas vértebras, provavelmente fora pego no pêndulo. Essa foi uma armadilha difícil de esconder. Na verdade, eu tinha quase certeza de que eles não cairiam nessa! Aparentemente, naquele estado, não eram lá muito inteligentes.

    Eles passaram por mim, mirei a flecha no que passou com as vértebras expostas. Lembrei-me das inúmeras vezes que cacei lobos comuns e disparei, mirando a flecha no coração da criatura. A flecha não teve dificuldade de transpassar a carne já exposta e empalar o coração da besta. O lobo caiu. O outro parou, farejando o ar, ficando de pé.

    Percebi que não era exatamente tão grande, talvez um dos mais jovens. O que, afinal de contas, estavam fazendo ali? Meu pai me contara que os lobisomens evitavam a todo custo desastres durante a lua de sangue, trancando-se em suas cidades. Claro que aconteciam acidentes aqui e ali, mas aquilo parecia muito estranho. Talvez um grupo jovem que ignorou os avisos de seus pai?

    Talvez fossem eles os invasores! Se fosse apenas isso, tudo estaria resolvido no momento que puséssemos todos abaixo.

    Tentei parecer invisível de novo, mas o disparo já havia me denunciado. Ele já sabia que eu estava ali.

    Foi um segundo que meus olhos piscaram e as garras dele já vinham contra o galho onde me encontrava. Fora um salto e tanto, mas imagino que para aqueles músculos impressionantes não devia ser praticamente nada. Tive pouco tempo de reação, deixando o arco no meu lugar e usando o galho como impulso para um salto para trás. Agarrei um dos galhos da árvore que tanto conhecia e usei a inércia do movimento que havia jogado meu corpo para trás para voltar com meus dois pés, num chute contra o desajeitado monstrengo. Usei o impulso do impacto do chute para dar uma pirueta no ar, caindo de pé, enquanto ele era arremessado pela força do golpe.

    Meu arco já era, partido no meio pelas garras dele. Minha capa estava com um rasgo e tanto na barra, mas não fora tão ruim quanto podia ter sido. Saquei minhas kukri's e elas imediatamente brilharam no meio da escuridão da floresta. Não eram o tipo de arma que eu gostaria de usar para missões furtivas, mas o fio da lâmina era tão afiado que tenho certeza que poderia abrir talhos bem firmes naquele monstrengo. Além do mais, ele estava no meu território.

    Ele se ergueu, rosnando pra mim. Avançou feito uma carruagem desgovernada descendo a ladeira, tropeçou numa das raízes e se desequilibrou. Eu saltei para o lado com agilidade, avançando na direção do lobo, paralelo a ele. Minha adaga abriu um talho em toda a lateral de seu corpo, desde o antebraço, passando pelo torax e chegando a cocha. Saltei para traz, antes que a mão dele esmagasse meu pequeno corpo.

    Ele teve que fazer uma força extrema para arrancar seu pé, já ferido por conta de uma armadilha de urso que ele pisou, da raiz. Em seu ímpeto de retalhar meu corpo, em vingança pelo que havia feito, ele deu de cara com uma árvore, enquanto eu deslizava sem maiores problemas por baixo de seu corpo imenso, cortando fora seu escroto. Isso lhe causara uma dor tão intensa, que o golpe final fora simples de dar. Saltei e cravei as duas facas em seu crânio. Ele tombou, morto.

    Tão logo eu arranquei as facas, eu as embainhei, iniciando uma nova dança pela floresta, saltando as raízes e me esquivando dos galhos, emitindo nenhum som, feliz pelo vento estar soprando de frente para o meu rosto, trazendo o odor de meus inimigos para mim. Há frente, eu senti o odor de sangue. Era o local do primeiro posto de observação.

    Saltei em uma árvore e passei a pular de galho em galho, usando a sombra das árvores e a folhas para tentar me manter o mais escondido possível, aproveitando minha leveza para fazer pouco ou nenhum ruído. Encontrei a armação da torre de madeira, oculta pela vegetação e por tintura feita de extrato de folhas.

    Subi na torre como um gato. Segurei bem firme em uma das vigas e a usei como trave, impulsionando meu corpo para cima, pousando em pé no posto. Um punhado de flechas foram apontadas para mim, embora não tivessem disparado, para meu alívio.

    — Como estão? — Perguntei e eles disseram estar bem.

    Abaixo da torre de vigia, três lobos estavam abatidos. Aparentemente foram pegos de surpresa por uma boa saraivada. Todos tinham o mesmo tamanho dos que eu abatera, portanto também deviam ser jovens. Minha suspeita de que alguém resolveu ignorar o costume de reclusão aumentou, mas precisávamos fazer alguma coisa.

    — Desçam e sigam para as demais vigias, vejam como os outros estão, resgatem os feridos. Se possível, dividam-se em um grupo de caça e me encontrem na cabana. Vou ver como está meu pai e os demais. — Falei sério, como meu pai falava quando estava dando instruções. Não percebi, até aquele momento, que eu tinha esse tipo de espírito de liderança, tão pouco a capacidade de pensar tanto em uma estratégia para um resgate tão rapidamente. — Se entrarem em combate com eles, permaneçam sobre a densa vegetação. Não tenham pressa em atacar. Essas coisas não conseguem nem nos encostar se quisermos.  — Garanti, recebendo um aceno afirmativo dos vigias.

    Com a mesma agilidade com que subi, eu desci, descendo de galho em galho, até pousar sobre a carcaça de uma das feras, não sem antes pegar um arco reserva na torre. Tomei o caminho à esquerda, me dirigindo para os as ondas que se quebravam, próximo aos desfiladeiros marítimos. Era uma diagonal grande, enquanto eu trancava meu caminho por entre as árvores, dançando silenciosamente, conforme os ventos traziam o odor da batalha que ocorria no local.

    Eu sentia cheiro de sangue fresco, o cheiro ensebado dos lobos e o cheiro das essências com que nos banhávamos. Eu estava indo para o lugar certo.

    Demorou mais do que imaginei, mesmo com minha velocidade, talvez uns cinco minutos no meu ritmo furtivo. Mas lá estava, a batalha. No caminho, vi corpos dos caçadores e dos lobos, aparentemente eles foram recuando para a cabana, como imaginei. A caçada deve ter começado simples, como era de costume, mas imagino que eles tenham ganhado território, forçando os caçadores a recuarem passo a passo, até encurralá-los nos desfiladeiros.

    Não abandonei a floresta de imediato, analisando bem a situação. Ela era meu refúgio mais seguro.

    Haviam cinco deles, rodeando a cabana. Eram bem maiores do que os que eu enfrentei. Também estavam machucados, com flechas despontando aqui e ali. Eu vi, não apenas uma vez, armadilhas presas em suas patas, cortes profundos em seus corpos e ferimentos graves. Demorariam para se curar, com toda certeza.

    Um deles se destacava. Era maior de todos e sua pelagem era branca como a neve, suas garras eram afiadas e vis. Pelo modo como agia, aquele era o líder da alcateia, rosnando ordens que os outros não relutavam em obedecer. Ele era meu alvo.

    Aproveitei minha capacidade de me esconder, mesmo naquelas circunstâncias, e tencionei o arco, mirando com paciência. Inspirei fundo, sem executar qualquer som e deixei a flecha voar do meu arco, enquanto eu finalmente me movia, pondo uma segunda flecha e disparando-a instantaneamente na mesma direção. Estava recuando sem, contudo, olhar para traz, conhecia meu abrigo.

    Não aconteceu como imaginei. O disparo realmente abateu um lobo, mas não fora o albino. O negro se intrometeu e adiantou-se para proteger seu mestre, caindo inerte em seguida. Seu chefe latiu as ordens de ataque enquanto eu já iniciava o meu recuo.

    Os quatro que sobraram estavam prontos para vir atrás de mim, mas a confusão os fez se distrair da cabana. Disparos desceram sobre eles e mais dois caíram. O lobo albino uivou, recuando passo a passo para o desfiladeiro, lançando-se nele junto com seu outro comparsa, de pelos cinzas.

    Esperei ainda um pouco antes de finalmente sair da minha toca. Os caçadores já deixavam a segurança da cabana para me encontrar. Apenas cinco deles. Não vi meu pai entre eles. Seus semblantes estavam desolados quando se aproximaram.

    — Eu sinto muito! — Foi o que ouvi de um, mas não conseguia enxergar a pessoa direito. Estava embaçado demais.

    ***


    No dia seguinte, nós enterramos trinta guerreiros, numa cerimônia em que não consegui emitir um som se quer. Todos me olhavam, esperando que eu chorasse ou gritasse ou qualquer coisa do tipo, mas tudo que eu podia fazer era olhar para as lápides erguidas, pensando no quão fútil foi a carta de pedidos de desculpa que o Rei Mikain mandou, dizendo que não descansaria até que encontrasse o culpado por aquele atroz ato de terrorismo. Ela não traria de volta as vidas perdidas. Ela não traria de volta meu pai.

    Fiquei ali, diante da lápide de meu pai, mesmo depois que todos já haviam se dispersado.

    — Eu vou destruir todos esses malditos cães! — Jurei pra mim mesmo. 

    I'm going to destroy all these damn dogs!


    I'm going to avenge my father's death!




    Azhol - Renascido da Guerra
    ------------------------------------------------------------------------------
    @Lilah

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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Seg Jun 26, 2017 11:58 pm

    Fenris, seus pontos de vida na verdade são 14 (10+ 2xCONS). Você gastou seus 5 pontos com Super Sentidos mas ainda pode gastar 3 pontos (pelas desvantagens que comprou). Não esquece também de colocar seu equipamento inicial.

    Obs.: gostei do nível de detalhes, seu personagem é bem complexo.
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    Perguntas Uivantes

    Mensagem por Howling Wolf em Qui Jun 29, 2017 3:41 am

    Estou interessado, farei minha ficha; mas já escolhemos a classe ou é para fazer como Fenris fez? Sobre as raças, podemos escolher qualquer uma ou ficar entre as citadas na apresentação (humanos, elfos, anões, fadas, halflings)? Já quanto ao equipamento inicial, quais são as "normas" para defini-lo? Sou novo aqui. Cheio de vontade, mas cheio de dúvidas.

    E a respeito da frequência de postagem, tudo bem ser algo de duas vezes por semana apenas? Agora tenho como fazer mais, bem mais, mas depois das férias não terei muito tempo, e ficará ruim escrever com pressa.

    (Edit: peço perdão, acabo de encontrar o manual para criação de ficha; fiz as perguntas antes de lê-lo).
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Fenris Andriel em Qui Jun 29, 2017 8:03 am

    Abigo, a classe eu esqueci mesmo...Porque fiquei entre decidir ser Ladino ou arqueiro e acabei esquecendo hauuanjabaja
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Howling Wolf em Qui Jun 29, 2017 7:29 pm



    Nome: Murilo Murilo
    Sexo: Masculino
    Idade: 18
    Origem: Reino de Astoth
    Raça: Humano
    Tendência: Benevolente
    Classe: Mendigo

    Atributos
    Força: 3
    Destreza: 3
    Constituição: 3
    Inteligência: 1
    Sabedoria: 1
    Carisma: 1


    Atributos secundários
    Movimento (MV): 6
    Pontos de Vida (PV): 35 (23 + 12 por vantagem)
    Pontos de Energia (PE): 20 (14 + 6 por vantagem)
    Redução de dano (RD): -


    Perícias:
    (10 pontos + 2 por bônus de raça)
    Tolerância: 3
    Equilíbrio: 2
    Escalar: 2
    Correr: 2
    Arte da fuga: 3


    Desvantagens:
    Imbecil (-1)
    Estigmatizado (-1)
    Miserável (-1)


    Vantagens:
    Imunidade a doença (1)
    Estômago de ferro (1)
    Imunidade a venenos (1)
    Energia Extra (3)
    Pontos de Vida Extra (2)


    Pertences:
    Wilson, a espada bonita (Lâmina Grande)

    Aparência:
    Das centenas de predicados possíveis que uma pessoa pode receber, aquele que o destino tratou de conceber a Murilo Murilo foi único: horrível. Horrível da cabeça ao cérebro. De cabelos escuros e sujos, de olhos escuros e burros. Sua pele é tão sarnenta que há tempos nem sequer o pobre rapaz, e quanto menos aqueles que o observam de longe, sabem o que ali é marca de nascença e o que ali é apenas sujeira impregnada; seus banhos de mar nunca são o suficiente para limpá-lo. Quanto ao seu tom de pele, a verdade é ainda mais desastrosa: ninguém realmente sabe se Murilo é um homem branco ou um homem moreno, pois toda a morenice que esbanja carrega um fedor assassino de lixo.

    Em poucas palavras, as damas que o veem assustam-se, e as crianças que o olham riem. Nem o mais disforme Orc é capaz de considerá-lo um irmão, nem o mais humilde homem é capaz de considerá-lo um ser vivo dotado de coração pulsante. Murilo Murilo não agrada nem mosquito!

    Personalidade:
    Das centenas de predicados possíveis que uma pessoa pode receber, aquele que o destino tratou de conceber a Murilo Murilo foi único: jumento. O pobre coitado não tem o menor traço positivo, nem por fora nem por dentro. É verdade que em seu coração ele é tão inocente e tão benevolente como qualquer criança de cinco ou seis anos, mas não há competência nem possibilidade para ele exercer essa bondade, tornando-o unicamente um bolo de carne que se move sem destino, sem nem sequer ser capaz de buscar um destino.

    Murilo é burro. Nunca estudou, nunca aprendeu a ler, e se tem a capacidade de contar números ninguém teve coragem de chegar perto o suficiente para descobrir. Por mais que seja um imbecil, contudo, ainda opta Murilo por seguir a lei, pois aprendeu com sua mãe que nunca se deve fazer o errado. Teria ele sucesso se tentasse a política? Com efeito, muito provavelmente sim, mas como dito ele não é capaz de quebrar a lei, porque "mamãe não deixa."

    Vítima de retardo mental crônico, ele não tem capacidade nem para sofrer com isso. Sua alegria está em subir nas árvores e imitar os passarinhos, em pular nas folhas secas e sentir os vermes de sabor azedo e os vermes de sabor docinho correndo pela sua pele, em encontrar na lata de lixo um grande e delicioso pedaço de pão esquecido. Ah, sim, comia do lixo, ou da terra, pois fora disso era impossível achar alimento. E gozava da saúde de ferro de um cão!

    Wilson, a espada bonita!



    Apelidara-a de Wilson, a espada bonita! Claro, não andava com ela por aí, pois mamãe não deixa, então tinha de deixá-la enterrada embaixo da árvore de flores amarelas, um dos lugares onde Murilo mais gosta de dormir. Volta e meia desenterrava-a só para ver o quão era bonita, e o quão era somente dele: uma linda espada que era somente dele. Será que havia guerreiros lendários que trajavam roupas tão desbotadas? Perguntava-se isso, pobrezinho, com o fétido brilho de um imbecil que tenta ser sonhador. Nunca empunhou a arma nem para balançá-la no ar, sabia que sua mãe ficaria muito brava se ele fizesse isso, mas mesmo assim adorava grandemente ficar a olhando. Wilson, a espada bonita, era o único pertence de Murilo além de suas roupas rasgadas, e quando fosse adulto ele até se casaria com ela.

    História:
    Murilo é um jumento, um imbecil, um retardado, um horrendo, um que só não morreu ainda porque ninguém se preocupa em matá-lo e porque de algum jeito comer tanta sujeira fez com que seu estômago virasse o estômago de um rato, ou mesmo de um avestruz.

    Nasceu há 18 anos, filho de uma pobríssima família cujo nome é ignorado, vítima de um retardo mental que a medicina da época é incapaz de averiguar. Sua mãe morreu no parto, e depois de sete anos, dois anos depois de começar a ser tocado pelo seu pai, fugiu correndo no meio de uma noite chuvosa para nunca mais ser encontrado. Detestava ser tocado pelo seu pai. Para tão longe fugiu, e tão sem nem sequer olhar para trás, que jamais ficou sabendo que seu pai acabara morrendo poucas semanas depois, assassinado por mercenários contratados por um comerciante qualquer (difícil era saber qual das inúmeras dívidas do homem fora responsável pela tragédia). Murilo nunca pensou nisso, não se dá conta de que o que tinha era uma família e não sentia empatia pelo antigo pai, mas até hoje sofre por lembrar do que acontecia quando ele fazia algo de errado: se mexia onde não devia, era tocado; se falava o que não devia, era tocado; se sugerisse que fizessem alguma coisa de errado, também era tocado. Aconteceu tantas vezes que o garoto era capaz de jurar que de vez em quando era tocado sem que houvesse nenhum motivo. Seu pai sempre dizia: “Mamãe não deixa, agora vai ter de ser a mamãe.”

    Quem era mamãe, afinal de contas? Mais tarde aprendeu que mamãe é a mulher que cuida de algumas crianças, mas não devia ser dessa mamãe que seu pai falava. Algumas palavras são assim, têm vários significados, como “jumento”: servia tanto para designar o animal como para designar o menino. Ele gostava mais da palavra “pata”, porque fazia quá quá e também era o pezinho dos animais da floresta. Cresceu Murilo sem saber que cresceu, e por precisar de um sobrenome inventou que era Murilo, donde Murilo Murilo.

    Aconteceu quando um religioso veio conversar com ele, numa época em que ainda não fedia muito. Perguntou se queria ajuda, se queria seguir a Palavra, e perguntou qual era o seu sobrenome. Murilo respondeu que não sabia que ajuda podia precisar, pois ele quem escolhera deixar sua casa, e também que não era muito bom com palavras para poder seguir alguma. Quanto ao sobrenome, ao responder repetitivamente que era Murilo, o religioso irritou-se e perguntou: “Seu nome é Murilo Murilo Murilo Murilo, diabo??”, no que Murilo respondeu que sim, já que não queria ser abusado, e viu o religioso indo embora o amaldiçoando. Mais tarde decidiu: Murilo Murilo Murilo Murilo é longo demais, prefiro que seja apenas Murilo Murilo. É chique quando a pessoa tem só um sobrenome, fica parecendo até personagem de história bonita. Murilo Murilo queria fazer parte de história bonita. Ser chamado assim ia até ser conveniente, no final das contas, pois aquela era a única palavra que sabia escrever!

    Sobre moradia, é claro que não possuía muito; e com efeito preferia ficar distante de qualquer moradia, pois quando ia para lá as pessoas ficavam tristes devido ao seu cheiro. Até tomava banhos para resolver isso, mas era sempre no mar, e seu cheiro nunca saía, aquilo só adiantava para deixar a sua pele salgada. Quando chovia a pele não ficava salgada, mas também não adiantava muito. Ainda assim Murilo era feliz, mesmo que só por não ter cabeça para ser triste. E por ser feliz, apesar de todas as adversidades, na realidade sem notar essas adversidades, acabava por sempre desejar o bem de todos, sem ter ódio nenhum no coração, sendo um típico otimista de coração puro, ainda que solitário, e é daí que tirava o seu maior sonho: ver as pessoas felizes.

    Sempre que ele estava por perto, as pessoas se entristeciam, mas mesmo quando ele não estava por perto era capaz de ver as pessoas tristes. Pescadores gritando no mar, gente brigando nos bares, mulheres apanhando de seus maridos... Será que tinha de ser assim aquele mundo? Será que não havia nenhuma outra opção?
    Fedia, não pensava, nunca tivera uma virgindade, nunca tivera uma família, e a única palavra que conseguia escrever era Murilo, mas de uma coisa sabia muito bem: as pessoas seriam mais felizes se provassem dos vermes azedinhos e dos vermes docinhos.
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Qui Jun 29, 2017 10:41 pm

    Howling Wolf escreveu:Estou interessado, farei minha ficha; mas já escolhemos a classe ou é para fazer como Fenris fez? Sobre as raças, podemos escolher qualquer uma ou ficar entre as citadas na apresentação (humanos, elfos, anões, fadas, halflings)? Já quanto ao equipamento inicial, quais são as "normas" para defini-lo? Sou novo aqui. Cheio de vontade, mas cheio de dúvidas.

    E a respeito da frequência de postagem, tudo bem ser algo de duas vezes por semana apenas? Agora tenho como fazer mais, bem mais, mas depois das férias não terei muito tempo, e ficará ruim escrever com pressa.

    (Edit: peço perdão, acabo de encontrar o manual para criação de ficha; fiz as perguntas antes de lê-lo).

    Humanos, elfos e anões são as mais comuns Mas outras raças podem ser incluídas também, o sistema é bem customizável. Com relação ao equipamento inicial, a gente segue conforme o manual. Você começa com dois itens (arma e armadura/escudo) desde que o NR (ver na tabela) seja menor ou igual a 1.

    Com relação a frequência, acredito que 2x por semana está ótimo. Claro que se der pra ser mais a gente vai indo mas com 2 da para manter um ritno legal
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Short Monk em Sex Jun 30, 2017 12:34 pm

    Me interessei bastante na história e estou criando um personagem, mas estou com uma dúvida: Meu personagem vive no Reino de Mezara, gostaria de saber se com esse serviço militar eu ganho alguma perícia qualquer.
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Sex Jun 30, 2017 7:49 pm

    Short Monk escreveu:Me interessei bastante na história e estou criando um personagem, mas estou com uma dúvida: Meu personagem vive no Reino de Mezara, gostaria de saber se com esse serviço militar eu ganho alguma perícia qualquer.

    Como o cenário é algo que eu criei recentemente, ainda não pensei nesses detalhes. Mas nada impede que você distribua suas perícias e compre (ou crie) vantagens para um combatente mezariano.

    Estou aguardando sua ficha!

    Pessoal, eu vou pedir o tópico do jogo agora.
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Nimaru Souske em Sex Jun 30, 2017 9:00 pm

    Ainda tem vaga ? Se tiver, gostaria que me informassem o que o grupo precisa para eu criar um personagem ^^
    Brazen
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Sex Jun 30, 2017 10:23 pm

    Nimaru Souske escreveu:Ainda tem vaga ? Se tiver, gostaria que me informassem o que o grupo precisa para eu criar um personagem ^^

    Sim, com você fechamos o grupo. pirat
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Nimaru Souske em Sab Jul 01, 2017 3:12 am

    Me desculpe, somei os bônus do atributo no PV e na Percepção, pois pensei que estava considerando. Aqui nesta ficha eu resolvi esta confusão. Muito obrigado pela assistência.

    Eu sou um tubarão-ogro-humanoide... acho que tô no lucro se alguém não me atacar só por ver minha presença e confundir com um monstro. E não entenda como se meu personagem não fosse alguém que converse e tente um diálogo, ele vai ser bem comunicativo e interativo como uma criança (que ele realmente é) então ele até tenta ser social, só que é muito ruim nisso XD

    Khirodon No’hi:




    Nome: Khirodon No’hi
    Sexo: Masculino
    Idade: 3 Meses
    Origem: Astoth
    Raça: Orc das profundezas
    Tendência: Inconstante
    Classe: Campeão (Deus do mar)
    História: Seu primeiro estado foi o de inexistência, qual ele passou incontáveis anos. Aquele não-ser disforme e ausente de consciência um dia abriu aquilo que iria passar a chamar de “olhos” de agora em diante. Sentiu o peso corpulento de sua própria massa ante a gravidade e  a respiração onde inalava o que chamavam de “ar”. Estava preso em redes de pesca onde alguns homens no navio gritavam algo que ainda não era entendido. Olhou para baixo o pôde ver a água do mar e dela, sentiu o calor materno. Surgira do oceano, fruto dos últimos desejos de um deus que finalmente caíra em sono profundo. Em sua mente, apenas uma coisa ecoava: “ Khirodon No’hi” em uma voz grave, praticamente gutural, que gentilmente repetia incessantemente aqueles fonemas que agora já eram entendidos como palavras por aquele ser que, finalmente, se via como devidamente um “ser”. O significado daquilo, ele não sabia até então, pois era uma língua a muito tempo esquecida, a língua dos deuses e aquela voz era pertencente ao grande Deus governante dos mares que lhe criou com uma função simples: “Khirodon No’hi = Proteja meus filhos”. Mas esses mesmos filhos, qual o grande ser que se assemelhava a um tubarão humanoide deveria proteger, o caçaram após finalmente conseguir arrebentar sua prisão de cordas e fugir para alguma gruta escura. Em pouco tempo seu raciocínio melhorara ao ponto de aprender a falar, escutando alguns errantes que passavam por perto das praias qual ele se escondia, tanto que dera a si mesmo um nome, aquele nome qual não sabia o que significava, mas que fora as primeiras palavras que escutou quando veio ao mundo: Khirodon No’hi. Mais após esses meses consideravelmente tranquilos, o mar se agitou. Os pescadores se irritaram com a diminuição da quantidade de peixes na costa, derivada da alimentação de No’hi, então resolveram promover uma caçada final. Armados com foices, tridentes e tochas, foram até uma caverna onde o “monstro” descansava e começaram o ataque... mas ao final, só sobraram corpos desfigurados e um homem de pele escamosa que segurava uma âncora que pegara para se defender... mas aquilo não era um homem... então o que era?

    A partir deste dia ele resolver peregrinar pelo mundo para descobrir o motivo pelo qual existe e porque todos ao seu redor exalam tanta agressividade para com ele, forçando-o a se defender para não perder, deste modo, sua própria vida e, sendo obrigado, a tirar a vida daqueles seres que até então não mereciam morrer. Khirodon carregava consigo uma ânsia por respostas e a dor de ter matado quem ele deveria proteger, mesmo que ele nem ao menos soubesse disso ainda.


    >>>> ATRIBUTOS  (Distribua 12 pontos de 0 a 5)

    - Força (FOR) 4 (+ 1 Orc) (gasto 3)
    - Destreza (DES) 3 (gasto 3)
    - Constituição (CONS) 4 ( +1 Orc) (gasto 3)
    - Inteligência (INT) -1 (- 1 Orc) (gasto 0)
    - Sabedoria (SAB) 3 ( gasto 3) +1 de força de vontade
    - Carisma (CAR) -1 ( -1 Orc) (gasto 0)



    >>>> ATRIBUTOS SECUNDÁRIOS

    -- Movimento (MV): 6 unidades, sempre

    - Pontos de Vida (PV): 24

    - Pontos de Energia (PE): 17

    - Redução de Dano (RD): 6

    - Ataque: Desarmado: +6
                   Âncora: +5
                   Jato d’água: +3

    - Dano: Desarmado (soco): 1d6+2
                Desarmado(garras\mordida): 1d6+3
                Agarrar: 1D6 + 4
                Âncora: 2D6 + 4
                Jato d’água: 2d6

    - Iniciativa: + 5

    >>>> PERÍCIAS - (10 pontos)

    - Atletismo 2 ( +1 Orc) (gasto 1)
    - Guerreiro 2 (gasto 2)
    - Navegador 2 (gasto 2)
    - Percepção 2 (gasto 2)
    - Presença 1 (gasto 1)
    - Sobrevivência 2 (gasto 2)


    >>>> VANTAGENS (5 pontos + 3 das desvantagens)

    - Trespassar (1 ponto)
    - Resposta rápida (1 ponto)
    - Duro de matar (1 ponto)
    - Resistência a dano (3 pontos)
    - Guelras (vantagem racial)
    - Jato de água(poder de água 2)(causa 2d6 de dano , alcance de 4 m) (2 pontos)


    >>>> DESVANTAGENS (até -3 pontos)

    - Extremamente alto: -1pt
    - Aparência hedionda\monstruosa: -2PT

    >>>>EQUIPAMENTO: (1 nr)

    - Porrete Âncora pesado(2 mãos)- 1nr

    Âncora :







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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Short Monk em Sab Jul 01, 2017 10:09 am

    Ficha.:



    Nome: Urias Betsabá
    Sexo: Masculino
    Idade: 22
    Aparência: Urias tem um corpo robusto, medindo 1,75 e pesando 70 kg.
    Seu rosto não é dos mais feios: sua boca é bem desenhada, nariz não muito grande nem muito pequeno e olhos marrons, como seus cabelo e barba.
    Origem: Reino de Mezara
    Raça: Humano
    Tendência: Inconstante
    Classe: Soldado Mezariano
    História:

      Nasceu há 23 anos, filho de uma bela mulher de cabelos longos e rosto delicado, chamava-se Isabel Betsabá e de um homem bruto, machista, capitão do exército, chamado Ambrose Burnside.
    Ambrose, pai de Urias, conseguiu capturar um dos três assassinos que haviam assassinado uma camponesa junto de seus dois filhos de 3 e 5 anos, os outros dois assassinos, depois de um mês, com ajuda de alguns informantes descobriram que quem havia capturado seu amigo era Ambrose e quando descobriram onde ele mora, foram para sua casa se vingar dele. Quando Ambrose estava voltando para casa e quando chegou, viu algo muito estranho, a porta estava quebrada e aberta. Depois de entrar na casa estava tudo quieto, nada além de silêncio. Empunhou sua espada e foi andando com passos leves para não fazer barulho, nem sequer teve tempo de achar sua mulher morta no chão e foi atacado por traz, a lâmina perfurou sua barriga, mas antes de morrer conseguiu escutar:
        - Eles não tinham um filho?  
        - Não sei, vamos embora daqui antes que nos vejam.
        Urias estava escondido no armário, não viu nada e nem quis ver. Saiu correndo dali de olhos fechados para não ver seu pai nem sua mãe estirados no chão.
    Ao chegar à rua, saiu correndo chorando e esbarrou em um soldado. Curioso, o soldado perguntou ao garoto:
        - Por que está chorando rapaz?
        - Os homens maus mataram minha mãe e meu pai
        - O que?! - perguntou assustado - onde você mora?
        - Ali - disse ele apontando para sua casa.
        - Mas ali mora o capitão Ambrose... Ele morreu?
        O garoto estava chorando demais para responder, então, o soldado foi em direção à casa e viu a cena. Abalado, chamou seus superiores para ver.
        Em pouco tempo vários soldados entraram na casa para ver se era seguro. Um dos soldados, amigo de Isabel, mãe de Urias, viu o colar em seu pescoço e pensou que poderia dar para Urias, então pegou o colar e foi em direção à Urias, que estava sentado em um banco em frente da casa:
        - Ei, garoto, eu achei isso aqui na sua casa, era da sua mãe, talvez você queira ficar com ele? - Disse entregando a Urias.
        - Pode ser... - disse Urias ainda abalado
        O soldado viu o garoto colocar o colar e decidiu deixa-lo sozinho, não conseguia pensar em uma maneira pior de perder os pais.
    Alguns minutos depois, uma caçadora de cabelos ruivos e olhos castanhos, com um corpo de aproximadamente 1,70 e pesando de cerca de 70 kg, armada com um arco nas costas e flechas na aljava, o encontrou chorando no banco e perguntou:
        - O que está fazendo aqui, garotinho?
        - Nada.
        - Onde estão seus pais?
        - No céu... Eu acho - respondeu o garoto.
        - Você mora ali? - perguntou apontando para a casa cheia de soldados.
        - Morava - disse cabisbaixo
        - Eu posso te levar para minha casa se quiser, moro em uma cabana na floresta - disse sem pensar muito bem, mas achou interessante a ideia de cuidar de alguém.
        - Mas os soldados vão deixar?
        - Vou perguntar para eles, depois volto aqui falar com você.
        Lá foi a caçadora conversar com um dos soldados, na verdade, decidiu conversar com um capitão que estava observando tudo:
        - Bom dia, me chamo Joana d’Arc
        - Bom dia, como posso ajudar?
        - Bem... Eu conhecia a mãe do garoto e sei que ele não tem mais nenhum parente e gostaria de saber se posso leva-lo para minha casa, para cuidar dele - mentiu inocentemente.
        - Bem, se o garoto quiser ir, leve-o.
        - Muito obrigada! - disse alegre.
        Voltou em direção de Urias e disse:
        - Ele deixou, quer vir?
        - Por que não? - respondeu ainda triste, mas um pouco mais feliz.
        E lá foi Urias, sem nem saber se era realmente uma boa ideia ir. Seus pais sempre lhe disseram para não confiar em estranhos, mas agora quem aplicaria as broncas, de qualquer maneira? Além do mais, precisava de alguém para cuidar dele. Foram conversando no caminho, Urias contou-lhe sobre seu pai e sua mãe terem sido mortos, contou sobre o colar, já que ela perguntou, e também contou que sempre quis ser um soldado. E a caçadora contou também sobre sua vida, que não tinha pai nem mãe, mas ambos morreram de causas naturais.
    Depois de muita caminhada e conversa, chegaram à cabana. Era feita de madeira, tinha duas janelas na frente e outras quatro dos lados, tinha um pequeno jardim de flores na frente e uma porta bem bonita. Era uma bela cabana.
        Quando Urias entrou na cabana, percebeu que ainda não havia perguntado o nome da moça, então a perguntou:
        - Meu nome é Joana d’Arc. - disse ela
        - O meu é Urias Betsabá. - respondeu
        Na manhã seguinte, Joana perguntou a ele se queria ir caçar um pouco. Urias, sem mais nada para fazer, disse que sim. Ambos foram para trás da cabana, onde estavam três lindos cavalos. Joana disse a ele que podia escolher qualquer um deles, Urias, surpreso perguntou:
        - Vamos de cavalo?
        - Claro! É bem mais fácil se irmos com eles! - respondeu sorridente
        Urias então foi em direção a um dos cavalos, o mais bonito de acordo com ele, era branco com manchas pretas e tinha uma espécie de cabelo branco. Joana foi para outro cavalo, parecido com o de Urias, porém com manchas cinza.
    Urias nunca tinha cavalgado, tinha um certo medo de cavalos, mas sabia que para se tornar um soldado não se pode ter medo de nada.
    E lá foram eles, de manhã caçar algo para comer. Depois de uma hora, Joana parou o cavalo, e em seguida Urias também:
        - Por que paramos? - perguntou curioso.
        - Vamos passar a noite aqui, que tal? - disse sorridente.
        - Mas não temos nada para comer e vai ficar frio de noite... - disse um pouco assustado.
        - Então você faz fogo e junta algumas folhas para dormirmos nelas e eu vou caçar um pouco.
        - Tudo bem... - respondeu ainda assustado, mas ansioso para algo acontecer.
        Joana o ensinou a fazer fogo e mostrou onde pode pegar algumas folhas e foi logo caçar.
        Urias então, depois de várias tentativas, conseguiu fazer fogo e juntou várias folhas no mesmo lugar e viu uma folha bem grande numa árvore, pegou ela e colocou em cima das outras folhas, como se fosse um lençol.
    Joana, depois de meia hora voltou com dois esquilos pequenos e logo os colocou na fogueira. Urias, meio recioso, disse:
        - Sabe... Só 8 anos e quero ser um soldado quando crescer, então você pode cuidar de mim até eu fazer 14 anos?
        - Claro, mas você vai precisar aprender caçar e também como sobreviver sozinho na mata, na floresta tudo é mais difícil - disse ela ansiosa para passar seus ensinamentos para alguém.
        - É claro! Vou me esforçar bastante
        - Muito bem então, amanhã vou te ensinar como usar espadas, tudo bem?
        - Sim! Mas eu não tenho espada...
        - Sem problemas, eu tenho uma na minha cabana.
        Depois, viu que os esquilos estavam prontos e disse:
        -Olha, está pronto - disse pegando-os e entregando um para Urias.
        Urias nunca tinha comido um esquilo antes, na verdade, não sabia se tinha, ele apenas comia carne, era disso que chamava, não era carne de nada, apenas carne. Tinham um gosto bom, nada de muito especial.
        Na manhã seguinte, quando já estavam acordados, montaram em seus respectivos cavalos e voltaram à cabana. Urias percebeu que adorava cavalgar, parecia que tinha nascido para isso. Depois de um bom tempo conversando sobre assuntos variados, finalmente chegaram à cabana.
        Colocaram os cavalos no cercado e, mais uma vez, Urias usou a cerca para conseguir descer. Joana fechou à cerca e ambos foram, em silêncio, para dentro da cabana. Chegando lá, Urias perguntou:
        - Vou treinar hoje?
        - Claro, só vou pegar a espada e vamos para onde eu normalmente treino.
        Urias estava animado, sentia algo vindo de seu coração, algo que nunca havia sentido antes, era como se estivesse realizando um sonho. A única vez que segurou uma espada foi escondido de seus pais, eles o achavam muito novo para tal.
        Joana, sem Urias perceber, já estava do lado de fora da cabana esperando-o com sua espada, o garoto foi correndo em sua direção não se esquecendo de fechar a porta. Lá se foram os dois, em direção a uma árvore cheia de buracos. Urias, curioso, perguntou:
        - O que são esses buracos?
        - São buracos das minhas flechas - respondeu - Você pode treinar nessa outra árvore - apontou para uma árvore ao lado.
        - Posso pegar a espada? - perguntou ansioso
        - Sim, aqui está - entregou a espada para o menino.
        Era uma espada de madeira, mas era tudo que o garoto precisava.
        - Lute contra mim - disse ela pegando outra espada.
        Ao fim da luta, Urias deitou-se no chão e dormiu de cansaço. Sonhou que era um grande guerreiro, o melhor do mundo. Derrotava monstros e salvava inocentes do perigo. Ao acordar, sentiu uma leve tristeza por tudo ter sido apenas um sonho, mas isso apenas o incentivou ainda mais. Ainda eram 3 horas da tarde quando Uris acordou, levantou-se da cama, pegou a espada de madeira que estava ao lado da cama e foi para fora da cabana treinar, Joana ainda estava lá, então aproveitou para “lutar” contra a árvore, como se fosse seu pior inimigo.
    E assim passaram-se os dias, Joana ensinou Urias a como sobreviver sozinho na floresta fazendo fogueiras e achando um bom lugar para dormir. Ensinou também a como se doma um cavalo. Mas não era tudo um mar de rosas, Urias também sentia falta de seus pais, do carinho de sua mãe, dos avisos de seu pai e principalmente, sentia falta do amor que o cobria em sua casa. Apesar de sentir falta da sua vida antiga Urias não gostaria de voltar para ela, afinal, viver na cabana com Joana não era tão mal assim e seus pais já estavam mortos, nada mudaria.
    Aos 12 anos de idade, Urias já possuía algumas habilidades: Conseguia correr por um bom tempo na mata; desenvolveu alguma habilidade em caça, e o que Urias mais gostava, sua habilidade com a espada. No inicio, Urias queria utilizar duas espadas, achava mais rápido, mais prático e também, bem mais forte. Só que isso não era bem verdade, Urias não conseguia fazer nada com duas espadas, não se sentia livre para fazer o que quiser, sentia-se preso em alguns ataques. Tentou utilizar uma espada de duas mãos, mas isso só piorou, mal conseguia se mover devido ao seu tamanho e ao peso da arma. Estava sem saber o que fazer: sentia-se melhor com apenas uma espada e uma armadura, mas se sentia um pouco truncado nos movimentos. Depois de pensar um pouco, decidiu que utilizaria uma espada e uma armadura mesmo.
        Depois de algum tempo, 1 ano e 5 meses para ser mais preciso, Urias se sentia pronto para o serviço militar, tinha uma pequena armadura a qual havia ganho de Joana, não o protegia muito, mas era melhor que nada. Urias tinha 13 anos, faltava uma semana para fazer 14. Tudo que conseguia pensar era sobre como seria sua vida, o que faria quando saísse de lá e como seria sua vida após.
        Uma semana depois, finalmente Urias havia feito 14 anos, se despediu de Joana agradecendo por tudo e abraçando-a. Foi sozinho ao local onde sua vida iria mudar. No caminho, lembrava-se de seu pai e sua mãe dizendo-o para nunca seguir uma carreira militar, “sua vida será triste filho, você perderá pessoas que ama” diziam eles. Mas agora ele já perdeu pessoas que ama e já havia se recuperado. Apesar de sempre se lembrar do carinho de sua mãe nas noites mais frias, mas, era apenas olhar para o colar que se sentia mais calmo e acabava dormindo.
        Nunca havia nem pensado em se vingar, matando aqueles que mataram sua infância, junto de sua inocência. Mas aquilo passou por um segundo em sua cabeça... Seria aquilo certo? “Matar não é certo”, pensava, mas depois era retrucado com o próprio pensamento: “Mas assim minha mãe e meu pai nunca irão dormir em paz”. Pensamento vai pensamento vem decidiu que isso já passou, não adiantaria mata-los, não é como se estivessem prendendo seus pais em algum lugar.
        Aos 22 anos, Urias estava muito mais alto, cresceu cerca de 30 cm e estava com 1.75. Decidiu deixar seu cabelo e barba crescerem para se aquecer no frio. Urias aprendeu várias coisas enquanto no serviço militar, aprendeu a utilizar sua espada facilmente, como se estivesse apenas movendo seu braço. Particularmente, Urias não gostava muito da ideia de usar armadura, mas era a melhor opção de defesa.
    Decidiu que, durante um ano treinaria para ser o melhor guerreiro de todos os tempos. Treinava de dia e de noite dormia, ficou nessa rotina durante 1 ano inteiro. Comprou para si uma espada, tinha cerca de 60 cm e pesava 500 g(Lâmina Média), junto da espada, comprou uma armadura leve, Urias nunca teve muito dinheiro, teve apenas dinheiro para isso. Gostaria de uma armadura também, mas seu dinheiro era pouco e nunca gostou de gastar muito dinheiro. Para Uris, guardar dinheiro era algo essencial e jamais daria nem sequer um centavo para qualquer um.
        Urias, aos 23 anos tornou-se um soldado, considerava-se o melhor soldado de Mezara, aquele que salvaria todos um dia, para ele, a hierarquia não fazia sentido, apesar de sempre obedecer a seus comandantes. Sentia poder em suas mãos. E finalmente, havia realizado seu grande sonho. Mas sentia que algo ainda faltava... O que seria?



    Atributos
    FOR: 2
    DES: 2
    CONS: 2
    INT: 2
    SAB: 2
    CAR: 2

    Atributos Secundários
    MV: 6
    PV: 14
    PE: 14
    RD: 1

    PERÍCIAS:
    Cavalgar: 3 // Atletismo: 3 // Guerreiro: 3 // Sobrevivência: 3

    Vantagens:
    • Combate Montado (1)
    • Memória Eidética (3)
    • Aparência (2)

    Desvantagens:
    • Avareza.

    PERTENCES:
    Espada média
    Armadura leve
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Brazen em Sab Jul 01, 2017 3:09 pm

    @Fenris
    Não esquece de mandar sua ficha com as correções, ok?

    @Howliwng
    Ficha aprovada

    @Nimaru

    Seus pontos de vida são iguais a 10+ CONSx2 ou seja, 10+8, PVs são 18. Então você aplica o bônus de vantagem (duro de matar ) e ganha +6 pvs, 24.

    A vantagem Percepção será 1 (neste sistema eu não estou considerando bônus para perícias baseado em atributos, somente o valor que você comprou mesmo)

    E também a iniciativa será +5 (o bônus de iniciativa para percepção é apenas quando o atributo é maior que 3)

    Tirando essas alterações, acredito que a ficha está pronta. Tem certeza de que vai querer um personagem tão ruim com atributos sociais? Já tem o Murilo que também não é um personagem lá muito carismático kkk


    @Short Monk

    Pela imagem do seu personagem, acho que seria interessante você também pode ter uma armadura leve (ganha RD 1) porque é NR1 também. Você também +2 pontos extras de perícia (por ser humano) para distribuir além dos 10 pontos iniciais. Você possui 5 pontos de vantagens para gastar livremente sem a necessidade de comprar desvantagens.
    Nimaru Souske
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Nimaru Souske em Sab Jul 01, 2017 3:42 pm

    Me desculpe, somei os bônus do atributo no PV e na Percepção, pois pensei que estava considerando. Aqui nesta ficha eu resolvi esta confusão. Muito obrigado pela assistência.

    Eu sou um tubarão-ogro-humanoide... acho que tô no lucro se alguém não me atacar só por ver minha presença e confundir com um monstro. E não entenda como se meu personagem não fosse alguém que converse e tente um diálogo, ele vai ser bem comunicativo e interativo como uma criança (que ele realmente é) então ele até tenta ser social, só que é muito ruim nisso XD

    Khirodon No’hi:




    Nome: Khirodon No’hi
    Sexo: Masculino
    Idade: 3 Meses
    Origem: Astoth
    Raça: Orc das profundezas
    Tendência: Inconstante
    Classe: Campeão (Deus do mar)
    História: Seu primeiro estado foi o de inexistência, qual ele passou incontáveis anos. Aquele não-ser disforme e ausente de consciência um dia abriu aquilo que iria passar a chamar de “olhos” de agora em diante. Sentiu o peso corpulento de sua própria massa ante a gravidade e  a respiração onde inalava o que chamavam de “ar”. Estava preso em redes de pesca onde alguns homens no navio gritavam algo que ainda não era entendido. Olhou para baixo o pôde ver a água do mar e dela, sentiu o calor materno. Surgira do oceano, fruto dos últimos desejos de um deus que finalmente caíra em sono profundo. Em sua mente, apenas uma coisa ecoava: “ Khirodon No’hi” em uma voz grave, praticamente gutural, que gentilmente repetia incessantemente aqueles fonemas que agora já eram entendidos como palavras por aquele ser que, finalmente, se via como devidamente um “ser”. O significado daquilo, ele não sabia até então, pois era uma língua a muito tempo esquecida, a língua dos deuses e aquela voz era pertencente ao grande Deus governante dos mares que lhe criou com uma função simples: “Khirodon No’hi = Proteja meus filhos”. Mas esses mesmos filhos, qual o grande ser que se assemelhava a um tubarão humanoide deveria proteger, o caçaram após finalmente conseguir arrebentar sua prisão de cordas e fugir para alguma gruta escura. Em pouco tempo seu raciocínio melhorara ao ponto de aprender a falar, escutando alguns errantes que passavam por perto das praias qual ele se escondia, tanto que dera a si mesmo um nome, aquele nome qual não sabia o que significava, mas que fora as primeiras palavras que escutou quando veio ao mundo: Khirodon No’hi. Mais após esses meses consideravelmente tranquilos, o mar se agitou. Os pescadores se irritaram com a diminuição da quantidade de peixes na costa, derivada da alimentação de No’hi, então resolveram promover uma caçada final. Armados com foices, tridentes e tochas, foram até uma caverna onde o “monstro” descansava e começaram o ataque... mas ao final, só sobraram corpos desfigurados e um homem de pele escamosa que segurava uma âncora que pegara para se defender... mas aquilo não era um homem... então o que era?

    A partir deste dia ele resolver peregrinar pelo mundo para descobrir o motivo pelo qual existe e porque todos ao seu redor exalam tanta agressividade para com ele, forçando-o a se defender para não perder, deste modo, sua própria vida e, sendo obrigado, a tirar a vida daqueles seres que até então não mereciam morrer. Khirodon carregava consigo uma ânsia por respostas e a dor de ter matado quem ele deveria proteger, mesmo que ele nem ao menos soubesse disso ainda.


    >>>> ATRIBUTOS  (Distribua 12 pontos de 0 a 5)

    - Força (FOR) 4 (+ 1 Orc) (gasto 3)
    - Destreza (DES) 3 (gasto 3)
    - Constituição (CONS) 4 ( +1 Orc) (gasto 3)
    - Inteligência (INT) -1 (- 1 Orc) (gasto 0)
    - Sabedoria (SAB) 3 ( gasto 3) +1 de força de vontade
    - Carisma (CAR) -1 ( -1 Orc) (gasto 0)



    >>>> ATRIBUTOS SECUNDÁRIOS

    -- Movimento (MV): 6 unidades, sempre

    - Pontos de Vida (PV): 30

    - Pontos de Energia (PE): 17

    - Redução de Dano (RD): 6

    - Ataque: Desarmado: +6
                   Âncora: +5
                   Jato d’água: +3

    - Dano: Desarmado (soco): 1d6+2
                Desarmado(garras\mordida): 1d6+3
                Agarrar: 1D6 + 4
                Âncora: 2D6 + 4
                Jato d’água: 2d6

    - Iniciativa: + 5

    >>>> PERÍCIAS - (10 pontos)

    - Atletismo 2 ( +1 Orc) (gasto 1)
    - Guerreiro 2 (gasto 2)
    - Navegador 2 (gasto 2)
    - Percepção 2 (gasto 2)
    - Presença 1 (gasto 1)
    - Sobrevivência 2 (gasto 2)


    >>>> VANTAGENS (5 pontos + 3 das desvantagens)

    - Trespassar (1 ponto)
    - Resposta rápida (1 ponto)
    - Duro de matar (1 ponto)
    - Resistência a dano (3 pontos)
    - Guelras (vantagem racial)
    - Jato de água(poder de água 2)(causa 2d6 de dano , alcance de 4 m) (2 pontos)


    >>>> DESVANTAGENS (até -3 pontos)

    - Extremamente alto: -1pt
    - Aparência hedionda\monstruosa: -2PT

    >>>>EQUIPAMENTO: (1 nr)

    - Porrete Âncora pesado(2 mãos)- 1nr

    Âncora :







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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Short Monk em Sab Jul 01, 2017 3:55 pm

    Ficha corrigida Smile
    Howling Wolf
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Howling Wolf em Sab Jul 01, 2017 4:19 pm

    Eu tô muito feliz por poder jogar com um mendigo glutão conterrâneo de um tubarão-ogro-humanoide recém-nascido. Cheguei no fórum agora e já está tudo nota mil. Ansioso para os outros ficarem prontos.

    #AvanteAstoth
    Nimaru Souske
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

    Mensagem por Nimaru Souske em Sab Jul 01, 2017 4:23 pm

    #Astoth4ever

    Vou colocar o mendigo nos ombros e formar the great megazord of Astoth orc bárbaro templário
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    Re: Azhol - Renascido da Guerra.- OFF TOPIC

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