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    Na Estrada

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    Soviet
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    Na Estrada

    Mensagem por Soviet em Dom Jul 30, 2017 5:31 pm

    27 de Tarsakh de 1372

    Já era a terceira pessoa que o garoto furtava.

    Ou, melhor dizendo, a terceira pessoa que Oswald via o garoto furtar. O rapaz era jovem, devia ter 14 ou 15 anos, era esguio, usava roupas simples e passava desapercebido sem problema nenhum. Somado ao desinteresse das pessoas nele havia certa destreza e mão leve para tirar os sacos de dinheiro dos bolsos e cintos dos frequentadores d'A Velha Barba, uma taverna de Portão Ocidental. Algumas pessoas estavam bêbadas, é verdade, mas isso não tirava o mérito do rapaz - se é que saber furtar pessoas sem ser pego pode ser tratado dessa forma - e o halfling, do seu palco, era o espectador de um outro espetáculo.

    Decidio a viajar, Oswald seguia pela estrada desde sua cidade natal, em Cormyr, indo primeiro para a Costa do Dragão, do outro lado do Lago dos Dragões. Saiu de Marsember em um navio mercante que tinha como destino Aglarond e outros reinos orientais, e fez como primeiro destino Portão Ocidental. Oswald poderia ter ido com a embarcação, se quisesse, pois o halfling fez amizade com Iloreth Rokas, o capitão meio-elfo do Fúria Celeste, mas o bardo preferiu seguir para o oeste. Alguns pontos influenciaram essa decisão e, mesmo que não fosse um deles, o navio enfrentou uma tempestade violenta que durou quase dois dias e o bardo nunca esquecerá que, para onde quer que olhasse durante aquelas horas, viu apenas água. Em um momento que poderia ter antecedido a sua morte, Oswald reparou como os ventos se moviam de maneira harmoniosa, apesar de toda a violência. O medo pode ter feito o halfling ver beleza naquilo que pudesse matá-lo.

    Em Portão Ocidental, uma cidade murada dominada pelo porto, por armazéns e pelos castelos muito bem protegidos das famílias nobres locais, Oswald foi apresentado para um novo mundo. O bardo tinha ouvido de um dos marujos do Fúria Celeste que "na Costa de Dragão tudo tem seu preço", mas na cidade livre o halfing entendeu que aquilo era levado muito à sério. Era possível encontrar de tudo na cidade, ilícito ou não, produtos comuns ou raros, até escravos e itens mágicos. Oswald teve chance de escolher se iria à uma arena de gladiadores e o bardo ouviu que uma companhia de gladiadores prometia que qualquer escravo que sobrevivesse por um ano conquistaria a liberdade e mil peças de ouro; uma vida dura, com certeza. Com um mercado livre para todo tipo de produto e qualquer moeda corrente em Faerûn, além da fama de que tudo tem seu preço, depois de algum tempo na cidade Oswald começou a notar que qualquer tipo de acordo poderia ser feito em Portão Ocidental. As pessoas não fechavam esses acordos à céu aberto, mas o bardo frequentava tavernas e estalagens, das mais nobres até as esquecíveis, e o álcool ajuda as pessoas a falar. Apenas o comércio de escravos não ser algo proibido na cidade - o mero conceito era repudiado em Cormyr - deixava Portão Ocidental, não tão distante assim de Cormyr em termos geográficos, extremamente distante de sua terra natal.

    Mas, apesar de todas as diferenças entre Portão Ocidental e Cormyr, a vida de um bardo ainda era a mesma. Oswald tocava em praças, tavernas e estalagens e assim foi juntando dinheiro para a refeição do dia e para o resto da sua viagem sem um destino definido. Um lugar que chamou muito a atenção de Oswald foi o Bairro Shou, um distrito onde a maior parte dos moradores vinham dos longínquos reinos de Kara-Tur, em especial do Império de Shou Lung, fugidos da invsaão da Horda Tuigan entre 1359 e 1360 CV. Separada do resto de Portão Ocidental por uma ponte que atravessa o Rio Thunn, a arquitetura Kara-Turiana, que dividia espaço com o estilo faerûniano, e o idioma daquelas terras podia ser fascinante para qualquer um que andasse pelas ruas do bairro e era muito mais comum ouvir a língua de Shou Lung do que qualquer uma de Faerûn. O Bairro Shou era uma cidade dentro da cidade, e talvez isso só seja possível pela forma como Portão Ocidental é - além do fato do Imperador de Shou Lung ter aberto uma embaixada em Elversult. O bairro não tinha uma população Shou expressiva, mas as pessoas que viviam ali também apreciavam mais a música que o halfling levava até elas, e os bolsos do bardo sempre ficavam mais pesados quando ele se apresentava no Bairro Shou. Era neste bairro que Oswald estava agora, se apresentando n'A Velha Barba, na Rua do Portão Leste, enquanto observava um garoto furtar pessoas sem ser notado.

    Um prédio redondo, A Velha Barba está aqui antes do imigrantes chegarem e foi absorvido pelo bairro, apesar da taverna ainda ser frequentada, majoritariamente, por quem sempre a frequentou: marinheiros e mercenários aposentados com suas histórias que vão noite adentro. Eles eram uma boa platéia tanto para Oswald quanto para o garoto. Mas Beshaba é invejosa e sempre quer roubar o sorriso de Tymora dos mortais, e a Donzela do Azar voltou seus olhos para o rapaz. Um mercenário não tão velho assim sentiu a mão do jovem tentando subtrair o seu ouro. O homem era corpulento e foi fácil para ele arrastar o garoto para a frente de si pelo pulso.

    - Tentando me roubar, moleque? Vou te contar o que eu gosto de fazer com pequenos ratos que encontro!

    Logo muitos diziam o que fazer com o garoto, enquanto parte dos homens que estavam n'A Velha Barba defendiam o rapaz. Toda a atenção que Oswald tinha foi perdida e, se as coisas seguissem daquela forma, o garoto não sairia com vida da taverna.
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    Re: Na Estrada

    Mensagem por TheDuck em Seg Jul 31, 2017 12:55 am

    Oswald já era habituado a superlotação dos grandes bares e tavernas que tocava, mas essa era uma que chegava a assusta-lo.

    Apesar de tudo em Cormyr parecia ser organizado até nisso, existia uma certa polidez nas pessoas. Mas ali, hã hã, nada,
    Oswald sempre achou as tavernas de sua terra natal uma bagunça, mas seus olhos já o mostravam que não. Ali sim era uma taverna raíz, perto daquilo
    as tavernas de Cormyr eram tavernas de creme de avelã com óleo de palma.

    Em meio a sua música um rapaz lhe chamou a atenção, o garoto franzino parecia dançar entre as notas tocadas de sua gaita de fole, e suas mãos
    se moviam saltitando entre os bolsos e bolsetas das vestimentas rudimentares dos ouvintes.

    Para Oswald aquilo não mudava nada, continuava a soprar ar para dentro do saco de sua gaita e a definir notas com seus míudos dedos. Naquela noite ele estava animado
    tocava músicas instrumentais com grande acuidade e agitação, as notas percorriam o salão se misturando a tantos ruídos
    fazendo uma diferença aos ouvidos dos mais atentos.

    Oswald de pé batia os pés na madeira, usando o próprio chão da taverna para dar acompanhamento ao instrumento de sopro, em alguns momentos copos quebrados e o tilintar das canecas
    pareciam se encontrar com as notas, e muitos se perguntavam se aquilo era proposital pois se encaixava perfeitamente ao compasso tocado, agregando percussão a obra.

    De fato esse era o tesão de Oswald, e no meio do caos mais algumas moedas eram jogadas em seu pequeno chapéu hafling, o que lhe abria um sorriso de gratidão ao ouvinte que apreciava sua bela música.

    O hafling empolgado dançava no meio do palco, quando percebeu uma comoção diferente ocorrendo, nas mãos de homenzarrão o franzino dançarino de bolsos estava preso, e muitos já queriam agredi-lo, Oswald provavelmente
    não faria nada se fosse outro caso, mas era como se o dançarino de bolsos fosse parte da obra da música e como por um segundo, Oswald acabou errando uma nota junto a apreensão do pequeno franzino.

    Oswald até tentou continuar a tocar, mas toda a atenção era na cena que se seguia fervorosa no salão da Velha Barba. Sem conseguir deixar passar, Oswald sorpou desafinadamente tentando chamar a atenção dos homens que decidiam o futuro do pequeno.


    - Ei pessoal, vamos. Deixem disso, o pequeno está sobrevivendo como vocês assim também fazem. Liberem o guri, peguem as moedas e peçam pro barman uma rodada geral.

    - Vamos festejar pessoal. Gritou o Hobbit. Já tentando encaixando uma música que todos conheciam.


    Oswald apostava em seu carisma, ele sempre funcionou muito bem, principalmente no meio de pessoas alcolizadas.




      Data/hora atual: Seg Jul 23, 2018 6:08 am