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    Kim Sun-Hee

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    Kim Sun-Hee

    Mensagem por Persephone em Seg Set 18, 2017 10:08 pm



    11/03/2019 (Segunda-Feira)
    11 a.m.


    Sunny podia dizer, com bastante propriedade, que tinha o melhor emprego do mundo. Bom, pelo menos para alguém com os gostos dela. O fato de gostar de ficar quietinha e ler bastante, talvez fosse o ponto alto para aquele emprego. A biblioteca tinha uma proposta diferente, entrando um pouco na moda retrô ocidental. O lugar tinha uma iluminação aprazível e aconchegante, mas também funcionava como um café. Era fácil associar uma boa leitura com doses de cafés do mais variados tipos e tamanho.


    (Referências do Café)

    O lugar tinha sido idealizado por uma amiga de infância da tia de Sun-Hee. Sua carreira de ofício era advocacia e ela possuía um escritório de grande porte em Seul, cuidando dos principais casos que a mídia divulgava. Era, portanto, amiga da época em que sua tia vivia entre herdeiros. Apesar daquele lugar ser o sonho da mulher, pouquíssimas foram as vezes que ela tinha frequentado. Poucos também sabiam quem era o verdadeiro nome por trás daquele lugar simples e querido: Dong Soon-Kyu. Os funcionários eram bem humorados e solícitos. Além de Sunny, que trabalhava meio período cuidando das renovações dos livros e sua organização, também tinha dois garçons, dois baritas, mais um adolescente, um ano mais velha e sua colega, que trabalhava meio período e a gerente. Todos, com exceção da gerente, se revezavam para que não ficasse puxado para ninguém.


    Dong Soon-Kyu(dona)


    Lee Hi (Ha Yi) (17 anos)

    Até mesmo com isso a dona do lugar tinha se preocupado.

    Independente do período, sempre tinha gente por ali. Fossem pelas bebidas, pela decoração - que era digna de fotos - ou pelos livros em si. A parte de Sunny estava um pouco mais calma em Março, por conta das férias. Os que buscavam a biblioteca iam por conta do prazer de apreciar o silencio entre aqueles estreitos corredores.

    Aquela manhã trazia um movimento normal, mas a ansiedade estava um pouco além do normal. Sunny sabia que seu desempenho naquela prova que realizou há cerca de duas semanas, tinha ficado aquém do que ela esperava. Seu pai a tranquilizara. Disse, entre outras coisas, que ela já era uma vencedora por ter conseguido fazer até o fim e que, independente do resultado, tudo ficaria bem. O problema é que ela queria muito aquela vaga, pois quando colocava algo em sua cabeça, não conseguia tirar.

    O resultado sairia nos próximos dias, ao que parecia, mas cada hora parecia uma tortura sem fim. Seu amigo tinha dito que iria buscá-la no fim do expediente, às 15h para que comessem uma torta de chocolate e ela se acalmasse.

    Mas ainda eram 11h e o tempo não parecia parar.

    Até que alguém parou diante de seu balcão. E não era qualquer alguém.

    O perfume que ele exalava era amadeirado e não era enjoativo. Não era a primeira vez - tampouco seria a última - que ele ia até o café. Tratava-se de um jovem que tinha quase que a mesma idade dela ou talvez, no máximo, a idade de Jun-Pyo. Ele era bastante reservado e sério, ainda que sempre tenha sido polido nas vezes em que passou por ali. Estava com um fone no ouvido e outro pendurado enquanto colocava os livros para retorno. Eram livros de fotografias. Ele levou pra casa há dois dias, depois de ficar muito tempo observando aquelas imagens. Também era frequente que ele pegasse clássicos da literatura - isso, claro, se ela fosse do tipo de pessoa que reparava muito nos outros.

    - Bom dia. - Disse com a voz grave, mas ainda em transição.

    (?)

    Entregou e a encarou por alto antes de se afastar e começar a se perder nos corredores.

    Enquanto isso, outra figura que era bastante constante no café era um homem com cerca de 25~30 anos. Ele tinha a postura de alguém poderoso, por se vestir de modo mais formal e também ter uma expressão fechada, mas era bem educado. Era o oppa que a Hye Sang (a garçonete) suspirava e o barista, Jin-ki gostava de perturbá-la depois. Dava para perceber que Jin-ki a perturbava, mas se magoava um pouco com aquilo. Porém, Hye Sang era cega demais para perceber.

    (?)


    Yoo Tae-Hee (Gerente)


    (Hye Sang e Jin-ki)

    O cliente pediu um expresso duplo e parecia um pouco mais tenso naquele dia, como se tivesse uma grande decisão a tomar ali. Em sua mente criativa, Sunny podia imaginar as mil histórias que aquele quadro daria.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Ailish em Qua Set 20, 2017 4:16 pm

    O que para muitos significa uma verdadeira tortura dia após dia, para Sunny era algo quase próximo do divino colocar os seus pezinhos naquele local. Independente do movimento baixo ou acelerado, não teve qualquer ocasião em que sentiu vontade de puxar cada fio de cabelo. Então sim... Melhor emprego do mundo era um termo bastante adequado para acentuar o sentimento dela em relação ao serviço. E nessa época de férias, diante do tranquilo fluxo de clientes, ela conseguiu terminar diversos exemplares de uma sessão inteirinha de literatura estrangeira e, apesar da quantidade de livros atuais, ela aproveitou para reler alguns clássicos pelos quais nutria grande paixão. Simplesmente não conseguia encontrar nenhum ponto negativo no ambiente... Não se tratava da mais popular biblioteca de Seul, porém havia um charme que não se via nas demais. Ali, com certeza, era um lugarzinho especial. E o motivo, ao menos para Sun-Hee, estava óbvio desde que sua tia comentou sobre a amiga, a senhorita (ou senhora) Dong.

    Foi um sonho idealizado por anos...

    Um sonho que, enfim, ganhou formas admiráveis.

    E Sunny sentia-se imensamente feliz por fazer parte, até porque, todos ao redor, contribuíam pelo sucesso da biblioteca e era difícilimo escutar reclamações, tanto dos clientes quanto dos próprios funcionários.

    Ela uniu o útil ao agradável, aliás. Quando arranjava um tempinho livre, concentrava-o nos estudos, outra atividade prazerosa para Sun-Hee, por mais insano que possa parecer na opinião de terceiros, inclusive dos - poucos - colegas. O título de CDF lhe caía perfeitamente bem e ela, de verdade, não se incomodava. Embora esconda um jeitinho mais arisco, Sunny é uma garota doce e carinhosa.

    Com quem merece, vale o acréscimo da informação.

    Todavia, naquela manhã, em especial, guardava uma ansiedade fora dos moldes. Há duas semanas, e só depois de uma profunda insistência, a menina decidiu realizar o tal exame que ofertaria algumas vagas para uma instituição de enorme prestígio, o que causou um frenesi no seu colégio - um pequeno indicativo do tamanho da concorrência que enfrentaria - e a hesitação inicial se deu graças a uma estranha insegurança... Temia desapontar a si mesma, mas, principalmente, a sua família. Eles estavam tão confiantes na sua capacidade...

    Pela milésima vez, suspirou antes de bebericar um curto gole de seu chocolate-quente já quase frio.

    Queria tanto a vaga, mas sabia que seu desempenho não foi um dos melhores. Pensar na razão não ajudava em nada, apenas a deixava ainda mais deprimida. Na ocasião, acordou com uma bela enxaqueca, e precisou suportá-la por um longo período, ou seja, cada resquício de esforço e concentração na prova se revelaram tão árduos quanto correr numa maratona.

    Agora... só podia esperar o desfecho.

    Lançou outra olhada na direção do relógio e... 11h. Faltavam exatamente quatro horas para seu melhor amigo vir buscá-la, e ele prometeu que a levaria até a confeitaria favorita de ambos e encheriam a barriga de tortas até os olhos arderem. De tão animada, sentia o sabor adocicado do caramelo se destacando na língua e...

    Perdida no ritmo intenso dos devaneios, o "bom dia" a desconcertou, ao ponto de fitar o rapaz com uma feição assustada, de quem é pega em algum ato ilícito, mas na verdade, terminava de ajeitar o elástico do rabo de cavalo meio tombadinho para a lateral. Atrapalhada, ela levantou-se enquanto soprava uma resposta constrangida ao cumprimento seco, porém educado. Não precisava de muito para sentir-se uma adolescente tonta na frente do desconhecido-não-tão-desconhecido. Ou, quem sabe, fosse só o efeito do perfume amadeirado e maravilhoso - Em que posso ajudá-lo?

    Mas antes mesmo de terminar a pergunta, ele colocava os livros sobre o balcão, devolvendo-os.

    Livros de fotografia.

    Não era uma psicopata, entretanto, fez uma nota mental de depois destinar uma inocente bisbilhotadinha no conteúdo, como ocorreu nos exemplares anteriores. E, para sua sincera surpresa, descobriu que possuíam gostos em comum, e certamente as semelhanças paravam por aí, ela imaginou. Lançando um rápido olhar, Young se afastou, indo em busca de novas leituras. De novo sozinha, Sun-Hee caiu na cadeira, desanimada, e como de costume, encarou as vestes, acreditando ter errado nas escolhas. Essa era a sensação de, mesmo que por segundos, ser encarada por ele. No mínimo, checou se não havia vestido a blusa do avesso ou botado duas sapatilhas esquerdas.

    ~ Wearing ~

    Aproveitando a brecha, folheava as páginas e surpreendeu-se ao checar as imagens belíssimas. Por cima do balcão, os olhos procuraram Young, mas ele costumava demorar em decidir as próximas leituras, até por causa do volume. Então, uma segunda presença chamou a atenção de Sunny, e depressa, tentou encontrar o rosto - provavelmente corado - de Hye Sang e a carinha tristonha de Jin-Ki, que ele disfarçava ao utilizar as excessivas provocações.

    Como Hye Sang não notava os sentimentos dele?

    Sunny deitou o queixo nas mãos depois de apoiar os cotovelos sobre as imagens ainda abertas e suspirou conforme reparava no oppa. Era um homem bonito, igualzinho ao Young. Não desejava julgar as pessoas pelas aparências, mas não pareciam frequentadores de bibliotecas. Pelo contrário, ela facilmente via o Young praticando algum esporte (onde, com certeza, teria destaque) e o oppa da Hye Sang atrás de um mesa cheia de documentos com contratos absurdos de tão vantajosos. E não foi difícil notar certo desconforto nele... Hmm, talvez também esteja esperando um resultado que alterará o caminhar de sua vida, certo? Pois é. Sun-Hee conteve o impulso de acertar dois tapinhas em seu ombro, porém voltava a tarefa de admirar as fotos, completamente encantada.

    Mas uma área do cérebro não deixava de pensar no quanto a vida era injusta em determinados casos.

    Ou seria apenas a lei do retorno?

    Satisfeita com a análise, Sunny terminou de dar a baixa dos livros entregues e, em seguida, os segurou entre os braços, levando-os até suas respectivas estantes.

    Vez ou outra, pensava nas coisas que poderiam estar acontecendo com o oppa e também nas futuras escolhas de Young.

    A cabeça recusava-se a parar de operar situações e esquemas, e era desse jeitinho, sempre.

    Uma constante...
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Persephone em Qui Set 21, 2017 3:04 pm

    O rapaz diante de Sun-Hee apenas a encarava de modo neutro enquanto empurrava suavemente os livros de fotografia para ela. Se ele tinha reparado na reação dela ou não, não dava para saber. Abaixou o olhar logo em seguida e afastou-se do balcão para caminhar até os pequenos e charmosos corredores do local.

    Quando Sun-Hee olhasse para o livro, perceberia que eram fotos de arranha-céus. Era um livro de fotografias voltado para arquitetura. Para saber mais do conteúdo do mesmo, só dando uma espiada mais aprofundada. E talvez não fosse uma boa hora fazer isso com aquele perfume tão perto dela.

    Imagina a vergonha se ele volta e a pega folheando o livro com aquela expressão quase boba que ela fez com a chegada dele.

    O pior é que ela nem imaginou.

    Começou a dar uma olhada nas páginas de modo despretensioso. Eram fotos do exterior, mas também de estruturas, como se fosse uma maquete 3D, com explicações sobre os materiais usados e tudo mais. As fotos eram sim deslumbrante e foco do livro, mas não dava para saber pelo que ele tinha se interessado mais. O livro era bem grosso e com uma capa dura, fora as folhas de papel fotógrafico. Aquele tipo de livro que só quem gostava muito do tema se prontificava a comprar ou ler - até porque eram bem caros, se comparados a romances ou afins.

    Enquanto Sun-Hee observava o "oppa de Hye Sang", Young - como ela conhecia aquele rapaz - tinha retornado. Sua ida tinha sido bastante rápida, mas ele voltou sem nada - curiosamente. Olhou para Sun-Hee esparramada em cima das imagens que ele tinha acabado de ver e a encarou com uma das sobrancelhas arqueadas.

    Talvez fosse impressão dela, mas ele pareceu dar um sorriso discreto no canto dos lábios antes de se afastar.


    Ele ia buscar alguma mesa para tomar alguma coisa, mas parou ao ver o "oppa de Hye Sang"

    - Hyung? - Sua voz em transição ecoou brevemente.

    O homem parou de ler a mensagem e voltou a atenção para o rapaz, surpreendendo-se quando o encarou.

    - Oh...Oi...Que surpresa.

    - Não sabia que você gostava daqui também. - Comentou enquanto se aproximava.

    - É, é aprazível. - O homem tinha uma voz bem grossa, o que combinava muito bem com sua voz. - E "desconhecido".

    - Sei o que quer dizer. - O rapaz riu de leve.

    O mais velho ofereceu lugar para o mais novo se sentar.

    - Faz tempo. O que tem feito da vida?

    - Tenho estudado bastante e procurado emprego. Consegui uma aluna particular nas férias e, bom, é isso...E você? Como se sente?

    - Cansado. - O rapaz foi sincero e suspirou. - Parece que tudo está para mudar e não sei se estou preparado para isso.

    - Você está. Sempre esteve. É uma das pessoas mais fortes que conheço, poucos aguentariam passar pelo...voce sabe.

    - É. Mas você também conseguiu passar por muito.

    Os dois se encararam por mais um tempo e então a pergunta veio.

    - Você já sabe, não é hyung?

    - Que ele voltou? Sim. E que ele está morando com seu...

    - E seu também, não esqueça.

    - Quase me esqueci. Você é bom em lembrar as coisas.

    - Tem coisas que não dá para esquecer. Infelizmente.

    - Mas como se sente quanto a isso?

    - Sinceramente? Com raiva. Não entendo porque foi necessário todo esse transtorno para que ele voltasse. Já não bastava o que ele fez a mim? Voltou pra que? Pra tirar o resto também? Eu o odeio, hyung.

    - O ódio é perigoso. Tenha cuidado com o que você alimenta. É o melhor conselho que posso te dar.

    A conversa entre os dois continuou. Eles falavam num tom baixo, mas Sun-Hee estava perto o suficiente para ouvir uma parte da conversa. Até que seu celular tocou com uma mensagem de Kim Joo-Hyuk, seu melhor amigo com o link que ela tanto esperava.

    "Estive dando f5 o dia inteiro e, surgiu isso. Não sei se é o oficial, mas...quer dar uma olhada?
    Eu sou um bom amigo, estou tentando acabar com sua ansiedade."


    O bom amigo não sabia que o site não estava completo. A classificação final sairia no fim da tarde, mas ela podia acessar o perfil para ver sua nota.

    Ela estava preparada para isso?

    Caso ela veja a nota, ela tirou 93.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Ailish em Sex Set 22, 2017 4:44 pm

    Conforme os olhos curiosos passavam superficialmente pelas várias páginas, não foi difícil identificar o gosto do rapaz e alcançar algumas conclusões. Ele parecia ser mais velho, não tanto quanto o oppa, mas do tipo que já estava na universidade, ou talvez fosse a impressão que o rosto sério transmitia. De toda a forma, arriscaria o palpite de que ele cursava Arquitetura ou algo pertinho desta área. Lambeu a extremidade do indicador para virar outra folha e os lábios chegaram a emitir um baixo ruído de surpresa diante da seguinte imagem... Tão linda e incrível... Um suspiro admirado escapou e antes que viajasse completamente, ela fechou o livro num baque alto. Cheeeega. Pegando os exemplares, mas de propósito deixou aquele que fuxicava da pilha recém-entregue, ela os levou até as estantes e nesse momento que conseguiu lançar uma observada mais detalhada no oppa de Hye Sang.

    Enfim, não demorou mais do que meros minutinhos para colocá-los em seus devidos lugares e quando percebeu, já estava sentadinha na cadeira, encolhida e folheando as páginas novamente. Quanto mais se aprofundava, mais certeza tinha das preferências do Young, apesar da quantidade diversificada de temas embutidos num único. Passou os dedos sobre as figuras em 3D, embora soubesse não ser possível realmente tocá-las. Ela riu baixinho e alheia acerca do que acontecia ao seu redor. Desde que começou a trabalhar ali, não recordava-se de ninguém ter escolhido tal livro, o que configurava algo bastante específico e particular. Porém, sua atenção logo voltou ao oppa...

    Muita informação de uma vez só, não que já não existisse o costume nessa prática frenética.

    E de tão distraída em suas teorias...

    Não notou a precoce aproximação.

    Precoce demais, até!

    Sabe o sentimento de estar sendo observado? Então... é, isso mesmo. Bem devagar, virou o rosto para a esquerda e deu de cara com o atento olhar de Young. Olhar que fitava o livro... De modo apressado, Sunny abraçou o mesmo, como se assim pudesse esconder o conteúdo e o gesto piorou a situação na sua ingênua opinião. Os olhinhos arregalados fitavam o rapaz de um jeito desesperado e a vergonha ficaria nítida no suave tom rosado que se espalhou por cima das bochechas até a delicada curvatura do nariz.

    Vida... Só “pare”, por favor.

    A arqueada de sobrancelha pontuava a profunda sensação de “perdedora”. O que esse menino ia pensar, afinal? Que, no mínimo, ela era uma stalker dos livros alugados por estranhos! A vontade de Sun-Hee resumia-se a se tornar uma das fotografias e desaparecer dentro do... huh?

    Um... sorriso?



    Mas antes de conseguir qualquer confirmação se passava ou não de outro devaneio... Young deu as costas e se afastou. Sem livros. Sem nada... Só levando resquícios da dignidade de Sun-Hee.



    Ao contrário do que concluiu, ele seguiu até a área reservada para o Café, que não ficava distante do balcão de Sunny. Só que, no meio do caminho, Young pareceu encontrar um conhecido e... Era o oppa! Claro que a coincidência prendeu as orbes de Sun-Hee e ela, com o livro erguido frente ao rosto, observava a interação e captava algumas palavras como o modo que Young tratava o homem. Eles se conheciam... E Young era mais novo.

    Pescava frases soltas...

    Porém, a que mais a marcou foi “eu o odeio, hyung”.

    Havia tanta raiva...

    Que Sunny precisou desviar a face.

    Sentia-se constrangida.

    Não era certo bisbilhotar, mas...

    Quando o celular vibrou, o gesto automático foi de pegá-lo. Sem grande interesse, olhou a mensagem e... – AHHH! – o exemplar caiu no colo enquanto digitava uma resposta para Joo-Hyuk.

    "Eu quero sim dar uma olhada, mas estou com medo! Droga... Por que me mandou isso? Hyuk... Preciso de açúcar! Imediatamente."

    E agora?

    Sun-Hee ficou encarando o link...

    Encarando... Encarando mesmo... Até que...

    Click!

    Jamais se acovardou perante um desafio e aquela não seria a primeira vez.

    Os dois polegares trabalhavam em conjunto na tela e, de súbito, a nota surgiu.

    93.

    Ok...

    Não sabia o que sentir, pois...

    Entre o 93 e o 100 existiam booooons números.

    Números que poderiam fazer toda a diferença no final.

    Respirou fundo para controlar os acelerados batimentos cardíacos e a ansiedade não diminuiu... Ela tomou proporções arrasadoras!
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Persephone em Sab Set 23, 2017 1:07 am

    O grito de Sun-Hee atraiu a atenção de algumas pessoas. De repente, a menina que já queria ter se enfiado num buraco negro e sumido, percebeu que era o foco de alguns atenções. Foram breves instantes, mas que só aumentavam ainda mais a vergonha e a ansiedade dela. Felizmente, ela tinha o celular para colocar na frente da cara ou o balcão, onde poderia se esconder.

    Kim não demorou nada para replicar.

    "Mandei porque sou seu amigo e curioso.
    E eu disse que sou seu amigo, não seu escravo. Aguenta até a saída do seu trabalho que vamos comer chocolate.
    Mas se o resultado sair antes...Talvez o chocolate vá até você =)

    ps: não sou seu escravo ¬¬"


    A menina cedeu à tentação e logo estava diante de sua nota. Bom, tinha sido uma excelente nota, mas será que teria sido o suficiente? Ou ela teria que torcer pela ordem alfabética para garantir sua vaga? Parecia que quando o universo tentava conspirar à favor dela, só piorava toda a situação.

    Nesse meio tempo, Young e seu "hyung" terminavam de conversar e já se encaminhavam para sair. Aquele não tinha sido um dia bom para pegar livros para Young e agora Sunny ficaria com uma cisma à mais em sua cabeça: será que ele voltaria? Era mais fácil quando ele pegava um livro, porque sempre voltava. Mas agora não tinha escolhido nenhum. Teria perdido o interesse pelo lugar? O que ele tinha achado de sua cena?

    Será que lembraria dela de novo?

    A angustia só aumentava, mas o fluxo aumentou um pouco entre às 11:30h e 12:30h.

    Às 13h, depois de muito o que pensar e tentar se ocupar, o celular dela vibrou de novo. Dessa vez, não era uma mensagemd e Kim, mas sim com um e-mail. O nome do remetente era o e-mail oficial da escola e o titulo do e-mail vinha com a palavra "Resultado"



    De: wangjo@daehag.com
    Para: seu email.
    Titúlo: Resultado Bolstas 2019.

    Prezada Srta. Kim Sun-Hee,

    É com grande alegria que informamos que você foi ADMITIDA para o ingresso no 1º Ano do Ensino Médio de 2019.

    Seu responsável deve vir fazer a matrícula e pegar a lista de material até quarta-feira. A secretaria fica aberta das 10h às 17h.

    Atenciosamente,

    Yang Ji-Sung
    Diretora Assistente



    Anexado ao e-mail, também havia a classificação geral. Apenas os cinco primeiros nomes apareciam, pois eram os que importavam para Sun-Hee. Os outros nomes, dos que não foram qualificados, não eram exibidos, apenas suas notas. Logo ela perceberia que várias pessoas tiraram 93, também, mas por ordem alfabetica, ela ficou na frente, em 5º lugar. Uma mistura de inteligência da menina com uma tremenda sorte.

    Em primeiro lugar, estava alguém chamado Jong Jae-Ki e ele tinha 100 pontos. Ele apenas gabaritou a prova inteira. Depois dele, Ah Se-Jeong com 97 pontos; Hwang Won-Bin com 95 pontos, empatado com Kang Woo-Jin. Em 5º lugar, ela mesma. Ao todo foram 300 alunos concorrendo às 5 vagas disponiveis para o 1º ano, sem contar com os inscritos para o 2º e 3º.

    Ali, diante de Sunny estava a resposta que ela queria para mudar sua vida.

    Qual foi a primeira pessoa que ela pensou em contar? Ela tinha uma vasta lista de opções e, pelo menos 3, estavam bastante ansiosos por aquela notícia.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Ailish em Dom Set 24, 2017 6:30 pm

    Quando todos os olhares se direcionaram em sua direção, Sun-Hee arrependeu-se do gritinho histérico e quase escorregou para baixo daquele balcão, mas o celular parecia funcionar muito bem como escudo. Embora ainda sentisse o rosto quente graças à vergonha, ela não demorou a focar cada vírgula da atenção na mensagem que escrevia para o melhor amigo, e a resposta apareceu no tempo recorde de poucos segundos. Foi difícil evitar o sorriso implicante, algo que Kim já estava mais do que acostumado, e mesmo distante, poderia adivinhar exatamente a carinha de Sunny após ler as palavras bicudas. Entretanto, antes de digitar a réplica, ela não conteve o próprio nervosismo e durante a longa analisada na tela, clicou no link, descobrindo uma parcela do tormento que vem a acompanhando nos últimos dias.

    Ela pensou em tantas hipóteses e a verdade era que nenhuma parecia favorecê-la.

    Desanimada, Sun-Hee suspirou e os ombros cederam alguns centímetros, refletindo o sentimento da menina. Prestes a contar para Joo-Hyuk sobre a nota, pelo cantinho dos olhos escuros, se deparou com o momento que Young e o oppa saíam da biblioteca. Aquilo provocou um estranho aperto no coração dela diante da possibilidade de não vê-lo mais. Young nunca deixava de levar livros e hoje foi... diferente. Tudo aconteceu de maneira terrivelmente errada e só contribuiu por aumentar o seu já alto mal-estar. Era uma garota determinada... mas não sentia-se tão inabalável assim. E para piorar, a mão livre tocou o estômago graças a uma forte pontada na região. Ótimo... Só estava mesmo faltando essa bendita gastrite nervosa atacá-la justo agora, no meio do expediente.

    Certamente que o seu comportamento psicopata o assustou.

    Não notou, à princípio, que apertava o aparelho de forma exagerada e só então, voltou a escrever a mensagem.

    “Claro que não é o meu escravo, bobinho. Você é o melhor amigo do mundo que não deixará a taxa de glicose de sua querida amiga baixar, não estou certa, hein?

    P.S.: muito chocolate.”


    Não contou sobre a pontuação, não ainda.

    E não mostrou qualquer sinal do desconforto que sentia.

    Afinal, para ele, para sua família...

    Tudo estava perfeitamente bem.

    Ela estava bem.

    [...]

    A partir das 11h30m, o movimento de clientes aumentou o suficiente para lhe tomar os intervalos... –  detalhe que ela agradeceu mentalmente. Desse jeito, não teria que pensar na constrangedora cena com Young, no medo de sua nota não ser o bastante e... tantas outras coisas. Mas claro que não funcionou. Em vários momentos, ela errou os nomes dos clientes ou ofereceu informações equivocadas sobre os livros. Até quando tentou ajudar os colegas de trabalho, apenas piorou a situação, derrubando uma bandeja cheia de copinhos descartáveis com chá. Sun-Hee estava praticamente implorando ao céu que, POR FAVOR, faça os ponteiros andarem mais rápido, não por ela, mas pela segurança da sociedade!

    Ela se achava perdida entre um par de estreitas estantes quando o celular vibrou na cintura. Imaginando que tratava-se de uma nova mensagem de Kim, Sunny levou um susto ao constatar que não, não era Joo-Hyuk.

    Era um e-mail oficial da escola.

    - Resultado...?

    Resultado.

    Não houve hesitação. Pelo contrário, de tão rápida, nem conseguia ler as palavras, pois procurava uma em especial.

    E escrita com letras maiúsculas, lá estava... ADMITIDA.

    Uma súbita fraqueza assumiu os tremores nas perninhas de Sunny, que calada, caiu sobre os joelhos dobrados. Diferente da reação anterior, esta era quase muda. Quase. Porque, vez ou outra, os soluços do choro ecoavam no corredor.

    Conseguiu.

    Conseguiu mesmo entrar na Wangjo.

    Não tinha como descrever a felicidade e alívio que a envolviam. Percebeu os nomes dos outros alunos e a pontuação admirável de cada um, como também a sorte que teve diante do conjunto de requisitos usados na seleção.

    Queria contar para muitas pessoas.

    Queria sair gritando e distribuindo pulinhos por aí!

    Porém...

    Após esfregar os olhos com os punhos para secar as lágrimas, Sun-Hee entrou na lista de contatos e clicou no ícone de SMS de um nome.

    A mensagem foi breve.

    Somente um...

    “Appa, eu consegui.”

    De novo, Sunny chorou.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Persephone em Seg Set 25, 2017 1:37 am

    Os colegas de trabalho começaram a se preocupar com Sunny quando ela errou o segundo pedido. Piorou quando ela derrubou aquela bandeja cheia de copinhos. A gerente-caixa correu para se desculpar com os clientes enquanto Hye Sang limpava tudo. Não demorou para que a gerente se aproximasse dela e tocasse seu ombro.

    - Você está bem, Sun-Hee? Está com algum problema em casa ou coisa assim? Você me pareceu fora de si o dia inteiro...

    Comentava. Naquele momento, Sunny insistiu em dizer que estava bem. O resultado ainda não tinha saído, afinal, era só sua ansiedade que estava crescendo. Mesmo assim, a gerente pediu para que ela não saísse de seu posto. Hye Sang e Jin-Ki eram capazes de cuidarem do movimento. O pessoal continuaria de olho nela.

    Quando ela se enfiou nas prateleiras estreitas, Jin-Ki cutucou Hye Sang para que fosse espiar. Não demorou para que eles ouvissem o som de um corpo caindo. Hye Sang tentou não se desesperar, mas logo apoiou Sunny para ajudá-la a se levantar.

    - O que houve?! O que está acontecendo, Sunny-shi? - Perguntou de modo doce e gentil.

    Ao invés de respondê-la, ela começou a chorar. Hye Sang arregalou os olhos e a guiou de volta para sua cadeira. Jin-Ki já preparava uma água com açucar. Uma vez que ela contasse ao grupo presente, o que tinha acontecido, toda a preocupação seria substituída por uma boa festa e felicitações. Sunny tinha realizado um feito e tanto! Agora só faltava saber se Lee Hi também tinha passado.

    Quanto à mensagem do pai, ela não foi respondida imediatamente.

    Ela ainda recebia felicitações quando, cerca de vinte minutos depois da mensagem ser enviada, o Sr. Kim atravessou a porta. Não estava seguido da comitiva do clã Kim, mas a emoção já estava estampada em seu rosto. Os óculos estavam embaçados por conta das lágrimas e ele não viu ninguém, só seguiu rapidamente na direção de sua pequena Sun-Hee e a envolveu num abraço orgulhoso, protetor e carinhoso.




    (Kim Jung Hwa)


    - Minha Sun-Hee conseguiu! Minha Sun-Hee conseguiu! Eu sabia!!

    - Parabéns, Sr. Kim! - A gerente disse.

    - Obrigado, mas ela que merece todas as parabenizações. Sunny... - Ele dizia de modo completamente orgulhoso. - Srta Yoo, será que a Sunny pode...?

    - Claro! Eu já estava para dispensá-la porque ela me deu mais prejuízo do que lucros, errando comandas e derrubando coisas. Agora vejo que tem motivos para comemorar. Ao longo da semana, ela fica uma horinha a mais, se precisar ou quiser.

    - Certo. Vamos, minha filha! Vamos que sua tia já está me enlouquecendo! Ela precisa que você diga pessoalmente!

    O pai esperaria que ela pegasse suas coisas para partir com ela. Tinha vindo no simples carro da família, um carro que um professor de escola pública poderia pagar. Não era moderno, de última geração, mas era confortável o suficiente para saciar as necessidades da família. O local para onde eles seguiam, não poderia ser outro: era o restaurante da tia dela.




    A primeira coisa que ela notaria quando chegasse no estabelecimento, era que ele estava fechado. Isso era assombroso, ainda mais para o horário de almoço! Mas sua tia era um pouco louca e tinha fechado o restaurante para todo mundo, por algumas horas, porque queria comemorar em família. Quando ela entrasse, logo se depararia com as pessoas mais importantes de sua vida - menos o irmão mais velho, Yi-Hoo, pois ele estava no trabalho.



    (tia Yu-Mi)

    (Kim Jun-Pyo)


    - SUN-HEEEEEEE!!! - A tia berrou de um jeito agudo que deixaria qualquer um surdo. Enquanto ela gritava, ela explodia um daqueles fogos de papel, que fazem um barulho que assusta os distraídos e libera uma imensa quantidade de papel, sujando tudo.

    Joo-Hyuk, que estava segurando um bolo de sorvete, tomou um belo susto com aquilo e quase destruiu a sobremesa. O irmão dela, Jun-Pyo, levou a mão até a boca, rindo da situação.

    - Que susto... - Kim botou o bolo numa mesa e levou a mão até o peito.



    (Kim Joo-Hyuk)


    - Me respeita! - A tia dela bateu no ombro do garoto e correu para a sobrinha. - Meu amor, meu orgulho, minha vida!!! Eu estou TÃO FELIZ que vou infartar...-  Começou a respirar de modo ofegante. - Cade meu remédio para a pressão? EU TO PASSANDO MAL!

    Drama, puro drama. E todos conheciam bem os surtos de Yu-Mi. Porque logo ela já tava agarrando a sobrinha de novo e rindo feito criança no natal.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Ailish em Seg Set 25, 2017 11:14 pm

    Uma das últimas coisas que Sunny gostava de fazer era preocupar as pessoas. Por isso, depois de cair no chão e iniciar um choro cheio de soluços, óbvio que chamaria a atenção dos colegas, principalmente de Hye Sang e Jin-Ki. Antes mesmo da menina ajudá-la a se levantar, ela já misturava pedidos de desculpas com avisos de que estava bem. E apesar da contradição escrita nas lágrimas que ainda molhavam as bochechas ruborizadas, era a mais pura verdade. Sentia-se ótima! Após uma manhã carregada de acontecimentos desanimadores, aquela notícia não podia ter chegado em momento mais adequado. Então, quando Hye Sang a questionou... ao invés de respondê-la com um “PASSEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIII”, Sunny iniciou uma nova e aguda sequência de buááááá e fungadas repetitivas. Ela só conseguiu articular qualquer explicação depois de beber quase a metade da água misturada com açúcar gentilmente preparada por Jin-Ki – Eu... Eu sinto muito por essa cena... – colocou o copo sobre o balcão e as mãos livres pressionaram os lados da face – Que vergonha – mas devia uma explicação a eles – Eu... alcancei um bom resultado naquela prova que comentei dias atrás, lembram? E... fui aceita! – do rosto, as pontinhas dos dedos escorregaram até os lábios, apertando-os, como se para controlar os suaves tremores.

    As risadas ecoaram de maneira sincera quando a dupla a abraçou para felicitar a conquista tão importante. Sun-Hee se desmanchava em agradecimentos enquanto enxugava o canto dos olhos.

    E pelos próximos 20 minutos, a onda de votos por sorte e sucesso seguiu... até a súbita presença masculina atravessar a porta do local, roubando o foco da menina. Exibindo um largo sorriso provocando pequenas covinhas, Sun-Hee esperava o pai com os braços completamente abertos para recebê-lo. Ela era quase que engolida pelo abraço de urso, mas não existia lugar mais seguro do que... ali. Sua opinião seria bastante suspeita por motivos explícitos, porém Sunny não conhecia pessoa mais doce e generosa do que o patriarca da família Kim. Era difícil explicar, mas quando via o appa... ela ficava... tranquila, feito uma brisa morna da primavera.

    - Nós! – assim que desfizeram o gesto carinhoso, Sunny segurou as mãos do Sr. Kim e riu de jeitinho meigo – Nós, papai! Sem a sua ajuda, da titia, Kim, Yi-Hoo, Jun-Pyo... Ahhh... Eu não teria conseguido.



    Falava aquilo do fundo do coração.

    Diante dos comentários seguidos da permissão, Sun-Hee entrelaçou os dedos e curvou o corpo para frente conforme novos “sinto muitíssimo” escapavam freneticamente da boca que formava um beicinho – Sim, prometo que irei compensá-la! Obrigada, srta. Yoo!

    Ao fim das despedidas, Sunny pegou sua bolsa – e o livro de Young – e junto do pai, eles foram para o carro simples e que continha todo o conforto necessário... A família tinha consciência da própria condição financeira e esta nunca se revelou um problema descomunal. No caminho, conversaram sobre a ansiedade de tia Yu-Mi e o quanto a “demora” deveria estar a enlouquecendo – não que ela fosse realmente normal. Em determinado instante, Sun-Hee pediu licença ao appa e enviou uma mensagem para o amigo.

    “Mudança de planos, não-escravo: me encontre no restaurante da titia.
    Tenho uma excelente notícia para te contar e espero receber uma igualmente maravilhosa da sua parte!”


    A viagem foi curtinha.

    Quando o mais velho estacionou o automóvel na frente da fachada do estabelecimento, Sun-Hee tomou um verdadeiro susto ao perceber que estava FECHADO. Trocou um rápido olhar com o pai, mas nada na sua expressão indicava surpresa ou algo do tipo. No momento em que entraram no lugar, deu de cara com as criaturas que mais amava!

    Só faltava Yi-Hoo, mas ela entendia a ausência do irmão.

    Até o pilantra do Joo-Hyuk!

    Sunny começou a gargalhar por conta dos acessos da tia e o susto que o amigo levou perante o BOOOOOOM de confetes – KIM! SE VOCÊ DERRUBAR ESSE BOLO, TE MATOOOOOO E RESSUSCITO SÓ PARA COMPRAR OUTRO!

    Mas logo perdia-se nos braços da tia Yu-Mi, sentindo as pálpebras marejadas de novo. Alguns papéis coloridos se prenderam nos fios escuros, porém Sun-Hee não ligava. Apertou a mulher quando ela deu aqueles surtinhos divertidos e aproveitou uma brecha para enchê-la de beijos estalados na bochecha – Titia! Eu passeeeeei!!!!!!!!!! – e as duas ficaram naquela troca até Yu-Mi decidir compartilhá-la. Ela praticamente pulou em Jun-Pyo, que era consideráveis centímetros mais alto. Não que se mostrasse uma tarefa tão difícil... Afinal, o que Sunny tinha de cérebro não se refletia na altura. enfim, aproximou-se de Joo-Hyuk e como o amigo estava com as mãos ocupadas, de maneira implicante, ela inclinou-se o suficiente para segurar as orelhas dele e as apertou.

    - E você, huh? Não tem nada para nos contar, Joo-Hyuk?

    Não que houvesse dúvidas sobre o resultado dele.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Persephone em Qua Set 27, 2017 12:50 pm

    Sunny foi recebida com bastante festa e empolgação por sua família. A "grande família Kim" era assim, cercada por momentos divertidos e dramáticos que, geralmente, eram protagonizados pela tia-mãe da menina. Yu-Mi não era o tipo de mulher que conseguia conter as próprias emoções - pelo menos na frente da família, com os clientes do restaurante, ela parecia uma verdadeira lady. Já o pai era muito mais contido e tranquilo. Ele era otimista e confiante em seus filhos, as crianças sempre lhe deram motivo de orgulho. No momento ele limpava os óculos que estavam embaçados por conta das lágrimas.

    Yu-Mi continuou agarrando sua pequena - realmente pequena - e começou a dar muitos beijos pelo rosto dela. Estava com o rosto já vermelho e chorando enquanto ria.

    - Pra que remédio quando tenho você? - Segurou o rosto da sobrinha com as duas mãos. Agora, mais calma, ela limpava os confetes que ficavam presos no cabelo da menina. - Você enche meus dias de alegrias, Sunny. Você é realmente o meu solzinho...Eu te amo. E estou muito orgulhosa de você. - Deu um beijinho na testa.

    - Será que posso?! - Jun-Pyo começava a se meter.

    - Não, não permito. - A tia disse implicando.

    - Aaaisha!- Jun-Pyo logo puxou a irmã e a recebeu num abraço de urso. Não foi dificil ergue-la do chão, apertando com vontade. - Parabéns, baixinha!! Seu caminho está garantido, será uma grande médica!! Eu tenho certeza.

    - Ela ainda está no ensino médio. Para ser médica, tem que fazer o especializado, a faculdade, pós...

    - KIM JOO-HYUK! VOCE QUER QUE EU PUXE SUAS ORELHAS?!

    - Calma, tia Yu-Mi - Kim ergueu as mãos. - Eu só to brincando.


    Fez um beicinho bem aegyo para Yu-Mi, de modo que ela só conseguiu fechar o punho na direção dele, mas acabou rindo. Finalmente chegou a vez do melhor amigo. O bolo de sorvete já estava à salvo na mesa e, mesmo que ela fosse viciada em doces, seria impossível resistir ao cheiro do churrasco pré-preparado que vinha da cozinha - as carnes terminavam de grelhar nas mesas mesmo, na chapa que geralmente fica no centro.

    - Minha matrícula está mais do que garantida. - Kim sorriu para a amiga. - Fico muito feliz por saber que ainda vamos nos aturar por muitos anos. A escola seria sem graça sem você para implicar.

    Apesar de Joo-Hyuk ter o sobrenome Kim, eles não eram parantes de sangue. Isso foi uma coincidência que aproximou os dois. Kim conheceu Sunny na 5ª série, depois de voltar do Japão. Desde então, eles se tornaram grandes amigos e os pais deles também. Diferente de Sunny, Kim não tinha uma família muito grande. Eram apenas ele e a mãe, pois seu pai tinha falecido há alguns anos. Mas, no fim, todos tinham ganhado muito.

    - Então, vamos comemorar! - O patriarca bateu palmas.

    Ninguém pareceu preocupado com lista, nota ou classificação. Eles estavam felizes pelo simples fato da menina ter passado. Essa era a vitória que eles queriam e comemorariam, independente de ser o 1º ou o 5º lugar. Quando a família retornasse para casa, a festa continuaria com o irmão mais velho e os cinco cães que estavam doidos de saudades de seus donos.



    [Interlúdio]


    Os últimos dias foram muito corridos para Sunny. Na própria terça-feira, uma pequena comitiva seguiu até o WangJo para a realização da matrícula. O pai e a tia a acompanharam para seguirem até a secretaria. Bom, não é preciso dizer que o colégio beirava um sonho. Era uma construção enorme com o jardim mais bonito que ela já tinha visto. Certamente era um dos maiores edificios escolares da Coreia e, o curioso, é que comportava pouquissimos alunos. Ficava no topo de uma colina, de onde era possível ver a parte nobre de Seul e ainda tinha um pequeno bosque arborizado e cuidado especial para ele.

    Ao todo, o colégio formava um complexo de 3 prédios. Começava com o ensino fundamental (5ª à 8ª série); passava pelo ensino médio (1º ao 3º ano); e terminava no Especializado, onde funcionava como uma prévia da universidade. Os alunos já eram preparados para suas carreiras. Os três prédios não se conectavam. Por isso havia o bosque e, principalmente, as quadras. Sunny não teria tempo de ver tudo, mas se tivesse pesquisado sobre o colégio, sabia que havia hipismo, quadras de tênis, piscinas, quadras fechadas, quadras abertas. Até mesmo um lago e uma quadra especial, onde treinavam esportes de inverno sobre patins. Quando não havia interesse dos alunos, a escola abria espaço para que atletas olimpicos treinassem ali, pois era uma área muito restrita, de fato.


    O trio chegou até a secretaria que estava vazio, no momento e logo foram recebidos pela Diretora Assistente, a mulher que havia enviado os e-mails e estava trabalhando na relação dos bolsistas. Ela também era psico-pedagoga e fora recentemente contratada para fazer parte da equipe do novo diretor.


    (Yang Ji-Sung)

    Era uma mulher jovem, muito bonita e com um rosto honesto, apesar de sério. Entregou todos os papéis necessários e, em cerca de quinze minutos, Sun-Hee era a nova aluna do WangJo. A parte ruim era a lista de material, não pelo que tinha que comprar para compor seu material, até porque os livros eram apostilas da escola. O problema tinha o nome de: uniforme.

    Antes de saírem, o Sr. Kim deu uma olhada, finalmente, na lista dos aprovados - porque havia uma lista dos que ja tinham comparecido ali. O pai ficou surpreso quando viu um dos nomes, mas não revelou o porquê de seu sorriso. Parecia que o Sr. Kim tinha uma tarefa para os próximos dias...

    Depois que saíram dali, eles descobriram que o valor do uniforme primavera-verão era de 1.000.000,00 de wons sul-coreano (R$ 2.777,58). Era feito à mão, sob medida e, fora ele, também teria o uniforme de inverno que custava, 1.500.000,00 wons sul-coreano. Eles tinham como pagar o uniforme, mas a tia Yu-Mi já pensava como aquela roupa deveria ser cuidada como uma joia rara!



    14/03/2019 (Quinta-Feira)
    2 p.m.


    Passada toda aquela correria, restava agora a calmaria. Era quase o fim de seu expediente e Lee Hi já estava ali. A colega de trabalho revelou que também tinha conseguido passar, mas para o 2º ano e se matriculara na quarta-feira. As duas fizeram uma boa festinha e agora só arrumavam os livros pendentes.


    (Lee Hi)
    Eis que, logo quando Sunny achava que nunca mais veria aquela pessoa, ele estava de volta. Não trazia nenhum livro porque não pegara nenhum da última vez. Lee Hi tinha acabado de falar algo engraçado para Sunny, pensando em como a vida delas seria a partir de Abril, quando aquela presença cresceu.

    - Boa tarde. - Disse, naquele tom sempre sério e polido enquanto entrava pelos corredores.


    O queixo de Lee Hi caiu com aquela presença e ela logo começou a dar cotoveladinhas em Sunny enquanto suas bochechas coravam instantaneamente. O rapaz seguiu até os corredores de livros de arte e foi passando os olhos pelos novos titulos - uma nova remessa tinha chegado na última terça-feira. Suspirou e pegou um com quadros e uma pequena biografia de Monet.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Ailish em Sex Set 29, 2017 11:58 am

    A ligação que tinha com a própria família era algo extremamente precioso para Sun-Hee. Tirando as constantes implicâncias entre o papai e a titia, que não podia nem ser considerada uma situação séria devido ao verdadeiro motivo escondido nas palavras acaloradas dos dois... Mas, enfim, Sunny não conseguia se lembrar de nenhuma briga realmente grave dos membros. Pelo contrário, apesar das personalidades distintas, todos tratavam uns aos outros com bastante carinho e respeito. Até Joo-Hyuk que não compartilhava o mesmo traço sanguíneo, e independente disso, era parte essencial do “grupo Kim” e a ironia do sobrenome foi uma das várias razões de tê-los unidos logo no fundamental.

    Não havia necessidade sólida em responder as amorosas declarações da titia para que ela entendesse o quanto o sentimento se mostrava recíproco. Sun-Hee nunca a chamou de “eomeoni”, porém este era o papel da tia Yu-Mi em sua vida e na dos irmãos também.

    De uma... mãe.

    Após receber o beijinho, Sunny passou as pontas dos dedos pelo rosto delicado da mulher mais velha, secando os vestígios de lágrimas de maneira cuidadosa e só então voltou a abraçá-la – Eu te amo, titia... Te amo muito... Obrigada por ser tão maravilhosa!

    E Yu-Mi sabia que o agradecimento carregava um conteúdo implícito e profundo... bem mais do que Sun-Hee deixava transparecer. Logo, Jun-Pyo requisitava a atenção da caçula, mas de modo dramático, Yu-Mi recusava-se a largá-la, o que gerou novos risos até o rapaz puxá-la para um abraço estreito, ao ponto de tirar seus pés do chão. Sunny correspondeu igualmente exagerada e estalou os lábios na bochecha de Jun-Pyo, revirando os olhos em seguida por causa do apelido – Ahhhhhh! Obrigada, sua criatura chata e terrivelmente implicante!

    Aproveitando a brecha, Joo-Hyuk provocava a amiga de infância, e ela só teve tempo de liberar um suspirinho resignado, já que a titia se adiantava em ameaçar aquelas orelhas tortas. Antigamente, Sunny dizia-se ansiosa pelo dia em que iriam voando para a escola... no entanto, com o avançar dos anos, elas ficaram mais proporcionais.  Sad

    Apoiou as mãos nas laterais da cintura enquanto aguardava a resposta de Kim sobre o resultado. O olhar apertado não permitiria a mudança de assunto e a menina TENTAVA parecer intimidadora, todavia... sem qualquer sucesso. Quando a afirmativa da nota foi confirmada, o sorriso de Sunny, como raios de sol, iluminou a face emburradinha diante da sincera felicidade e orgulho – Que notícia perfeita, Kim! Parabéns!!! HEY... Vai permitir que eu sente com você na hora do reeeeecreio? – o cutucou no ombro - Vaaai?



    Mas não demorou a abraçá-lo.

    Depois das felicitações, o appa chamava-os para comer. Claro que o olfato de Sunny, assim que pisou no restaurante, captou o delicioso cheiro da carne temperada e preparada diretamente na grelha, pois o mesmo dominava o ambiente, além de “castigar” o apetite. Ela retribuiu as palminhas, animada... Amava doces, verdade... entretanto, aquela barriga reta sustentava uma quantidade absurda de comida de variados tipos e sabores. E os créditos dessa fome descontrolada são de quem, hum???

    Para um dia que começou tão errado...

    Não recordava-se da última vez que sentiu tanta alegria.

    Ou melhor, guardava na memória sim.

    Mas, infelizmente, a dor mascarou a pureza da recordação.

    [...]

    Quando chegou o dia de realizar a matrícula, Sunny estava estranhamente nervosa e o sentimento piorou assim que entraram no território requintado e imponente da Instituição WangJo. O fôlego abandonou os pulmões graças a visão deslumbrante do lugar... Um sonho era simplório demais para descrever o cenário... Em sua inocência, pensou que esse tipo de colégio só existia nos filmes.

    Não queria admitir, mas... ficou amedrontada.

    A realidade quebrava sobre sua cabeça... O famoso “cair da ficha” de que estudaria mesmo ali.

    Na escola desejada por centenas de adolescentes.

    Centenas?

    Tsc...

    As fotos do site particular da Wang não expunham metade da sensação de vê-la ao vivo e em cores e quando os pensamentos se embolaram em sua mente, ela não aparentava surpresa.

    Pensamentos, dúvidas... receios.

    Corria risco de se perder? Conseguiria acompanhar o nível do ensino? E o trabalho? Não queria se afastar da biblioteca...

    E as pessoas?

    As pessoas seriam... gentis?


    Pesquisou cada detalhe e revelava-se tão pouco ao se dar conta da grandiosidade... Sun-Hee abaixou a cabeça e projetou a boca num beicinho angustiado.

    Na secretária, uma moça bonita e elegante os recebeu e auxiliou com a papelada. Algumas leituras e assinaturas foram necessárias para a conclusão da matrícula. Sun-Hee só notou que prendia a respiração assim que a srta. Yang desejou “boas vindas”, forçando-a a liberá-la em sopros perceptíveis. Ela segurou a mão da titia e a apertou. Antes que perguntasse se tinha algo de errado, Sunny sorriu docemente, movimento que acabava enrugando o nariz de jeito fofinho. E voltou a se encolher, mas por um razão diferente, ao ler a lista. Uniforme? Ah...

    Espera...

    1.000.000,00????????????????

    UKÊ??????

    O pai não demonstrou nenhuma surpresa ou choque por causa do preço. Ele... sorria?

    Até Yu-Mi questionou a atitude fora de contexto, mas o patriarca desconversava, ainda com uma feição satisfeita. Apesar da curiosidade, Sunny não insistiu, pois como a titia, pensava no valor da roupa e em toda a CAUTELA que precisaria ter para não sujá-la, rasgá-la, perdê-la e etc e etc e etc. Aquele conjunto de peças se transformaria num órgão a partir do momento em que o colocasse no corpo!

    Dentro do carro, voltou a revisar a lista, gravando item por item.

    [...]

    O rosto de Lee-Hi parecia uma imagem celestial...

    Sunny quase se ajoelhou e agradeceu quando a menina passou pela porta de entrada. Não que estivesse reclamando, porém... às vezes, e só às vezes mesmo, ela sentia-se extremamente cansada, independente se executou muitos serviços ou não. Ainda precisava passear com as cinco crianças antes de escurecer, até porque, imaginava que reduziria o fluxo da atividade assim que as aulas iniciassem. E falando nisso, comemorou junto da colega graças à notícia de que ela também conseguiu uma das vagas para o segundo ano na Wang! Elas se abraçaram aos gritinhos e fizeram planos, apesar de não estarem na mesma turma. Para brindarem a ocasião especial, pegaram dois caprichados Caramel Machiatto.

    Minutos mais tarde, próximas das estantes, organizavam alguns livros, já que era comum às pessoas bagunçarem as obras, trocando-as constantemente de lugar. Sun-Hee estava no terceiro degrau de uma escadinha para alcançar as prateleiras do topo e colocar os exemplares que Lee-Hi lhe dava. Foi nesse meio tempo, mais exatamente após a menina terminar um de seus vários e divertidos comentários... que ele apareceu. Sunny descia devagar e engoliu o riso quando escutou o cumprimento. Se Lee-Hi não tivesse respondido, Young receberia certo vácuo porque a surpresa não permitiu que Sun-Hee elaborasse algo coerente como outro simples boa tarde.

    A cena dele vendo-a bisbilhotar o livro retornava semelhante a um carma.

    Fingiu não entender as cotovelas de Lee-Hi, embora o rosto estivesse tão vermelho quanto o da colega – O que houve, Lee-Hi? – claramente bancava a “sonsa” – Não se sente bem? – continuou perguntando conforme arrumava os livros de uma fileira que, bem...

    Já estava mais do que arrumada.

    - Sabe, Lee-Hi... - começou como quem não quer nada... - Esses dias, eu encontrei aquele livro, lembra? – a voz soava mais alta, de propósito – Com as fotos bonitas de arranha-céus que você me pediu. Só esqueci de te avisar que achei esse livro... POR ACASO!!!



    A garota não entenderia nada sobre o que Sunny falava, mas não importa... depois explicava direito.

    A intenção era que Young não pensasse que tratava-se uma stalker, e caso se lembrasse do episódio, concluiria...

    “Oh, veja só, ela estava procurando o livro para a amiga e não me bisbilhotando. Isso faz mais sentido que achá-la uma louca fuxiqueira, verdade, verdade.”

    De tão orgulhosa da ideia repentina, Sunny mostrou um sorrisinho que ia de orelha a orelha.

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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Persephone em Dom Out 01, 2017 2:25 am

    Lee-Hi encarou Sunny como se ela fosse uma traidora! Tinha dado as cotoveladinhas na menina para indicar a presença de Jung, não para que ela falasse alto daquele jeito. A amiga logo fez um beicinho enquanto Jung não parecia prestar atenção naquela conversa. O rapaz abria o livro e olhava algumas imagens, esboçando o inicio de um sorriso - para as obras registradas, provavelmente.

    - Livro? - Lee- Hi prontamente respondeu à amiga, caindo na armadilha. Levou a mão até o queixo, pensando e nem percebeu que ia desmenti-la na mesma hora.

    Jung tinha parado de olhar para as obras e o sorrisinho dele pareceu aumentar um pouco.

    - Eu não lembro desse livro, Sunny-shi. Do que está falando?

    Toda a pose orgulhosa da menina acabaria caindo por Terra. Porque a amiga tinha acabado de desmentir a história. Jung deu um breve suspiro, fechando o livro sobre Monet, decidindo que era aquele. Aproximou-se da bancada e, como Lee-Hi já havia assumido o posto, ela que pegaria o empréstimo. Aparentemente, o rapaz não associou aquela conversa a ele. Lee-Hi estava um pouco aflita, ainda esperando a resposta de Sunny.

    Jung olhava para baixo, arqueando uma das sobrancelhas enquanto esperava.

    - Obrigado.

    Respondeu por fim e se retirou. Nem ao menos ficou para o café. No fim, Lee-Hi ainda perguntou de novo, mas provavelmente receberia uma resposta cortante.

    Novamente, ela tinha passado vergonha na frente de Young. Aquilo era quase que frustrante...

    Quando chegasse em casa, ela encontraria um clima hostil. Tia Yu-Mi estava de mal com o pai de Sunny. Ela não quis entrar em detalhes, mas, aparentemente, o pai tinha assumido uma responsabilidade que aborreceu a tia. O irmão contou que ouviu que o pai usou uma parte do dinheiro para comprar outro uniforme. Parecia que ainda discutiam sobre a história do menino que o pai dela incentivou a fazer a prova. Caso Sunny quisesse compreender o pai, ele responderia tranquilamente.

    Disse que tinha uma dívida moral com aquela família. Quando era jovem, ele também era um caso perdido, mas um amigo o salvou muitas vezes naquele momento, inclusive da fome. Não podia ficar parado sem fazer nada, numa situação como aquela. Explicou à filha que matriculou o menino sob uma procuração, porque ele passou em 1º lugar e porque a avó dele não pôde comparecer. Também contou sobre o dinheiro que depositou para que comprasse o material.

    Se Sunny o julgasse por isso também, ele aceitaria. Cada um tinha sua forma de pensar, mas ele não se arrependia de absolutamente nada. O dinheiro seria reposto, porque eles trabalhavam duro para que nunca faltasse nada. Não custava nada fazer o bem, de vez em quando.

    Com o tempo, aquela situação foi amenizada. Os dias se passaram, a raiva diminuiu, tia Yu-Mi acabou entendendo, mesmo que discordasse.

    Quanto ao trabalho, decidiram que Lee-Hi e Sunny revezariam. Durante a manhã, a biblioteca ficaria fechada, mas no horário que elas fossem ao trabalho, uma ficaria no balcão e a outra ajudaria a servir as mesas. Um dia Sunny ficaria na biblioteca, no outro serviria café. Era o justo e uma forma de não prejudicar ninguém. Ainda mais porque elas foram aprovadas naquela dificil prova.

    Young não tinha retornado mais. Ele provavelmente tinha retornado durante o turno de Lee-Hi. Depois do último mico, ele certamente evitaria encontrá-la de novo. Ou pelo menos, era essa a impressão que passava.

    Até que, na última semana de férias, a porta da cafeteria se abriu e aquele perfume logo atingiria Sunny. Mais do que isso, ele não tinha nenhum livro para devolver. Na verdade, ele carregava um embrulho num papel de bolinhas brancas num fundo azul. Depositou o embrulho - que pelo formato só podia ser um livro ou uma caixa - em cima da bancada de Sunny e entregou a ela.

    - Ahm, bom dia... - Pela primeira vez, ele hesitou um pouco em falar. Suspirou e disse. - Isso é pra você. Não acho que livros sobre arranha-céus sejam do seu gosto de verdade, mas...Eu também gosto desse. É o meu presente de despedida. Obrigado pelas trocas de livros...

    Reverenciou Sunny de modo contido e, dessa vez, ele realmente não pegaria nada.

    Agora que a vida voltaria ao normal, o rapaz não teria tempo de ficar ali, como podia nas férias. Talvez fosse uma boa forma de deixar sua marca - Sunny podia ficar com ele ou colocar para empréstimos. Sem muito mais o que dizer, ele partiu. Caso Sunny abrisse o embrulho ali, encontraria um livro de fotografias sobre as quatro estações da Coreia e toda aquela nuance de cores e estilo que iam mudando ao longo de 1 ano.
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    Re: Kim Sun-Hee

    Mensagem por Ailish em Dom Out 01, 2017 7:06 pm

    Foi a vez de Sunny encarar Lee-Hi, mas ao invés do grandioso sorriso anterior, fitava-a com olhares dignos de uma verdadeira bazuca! COMO ELA NÃO PESCOU A SITUAÇÃO, PELO AMOR DE DEUS? Ok, não esperava que a amiga revelasse poderes telepáticos, mas... mas... mas... – Como assim, Lee-Hi??? Aqueeeeele livrooooo... – tentou outra vez, e agora, arqueava as sobrancelhas conforme soprava as palavras pelo canto dos lábios. Os dentes trincados davam um tom mais forçado na voz normalmente mansa e baixa... Todavia, ela ficou quietinha quando o alvo da estranha conversa apareceu. Não tinha como saber se ele entendeu ou não o contexto, e torcia para que sequer tivesse escutado! Sun-Hee até retrocedeu um pouquinho e virou de costas enquanto Lee-Hi atendia Young.



    No instante que escutou os passos e o barulho da porta fechando-se contra o batente, Sunny deixou os ombros cederem alguns centímetros... Um suspiro resignado escapava quase ao mesmo tempo em que Lee-Hi voltava com aquele assunto constrangedor. Sabia que ela não tinha qualquer culpa, mas mesmo assim, não conteve um “Humpf!” extremamente zangado e a ignorou por longas horas até reconhecer a própria criancice. No finzinho do expediente, desculpou-se pela maneira que a tratou e também explicou a situação, envergonhando-se mais.

    A caminhada habitual para casa lhe deu oportunidade de refletir.

    Não entendia o interesse naquele menino, já que nem trocaram nada além de simples e educados cumprimentos. Na verdade, não seria uma surpresa caso Young escolhesse outra biblioteca para frequentar e era segunda vez que pensava nessa opção. Afinal, ela era uma boa observadora e durante os dias, aprendia a analisar as pessoas e o que as expressões transmitiam conforme andavam entre as numerosas estantes. Às vezes, buscavam realmente livros, seja por estudos ou prazer, mas outras... só queriam minutos de paz.

    Longes do mundo...

    De seus mundos particulares.

    Gostava de imaginar que dentro do estabelecimento, eles criavam suas histórias e se permitiam vivê-las.

    Uma singela e fugaz fuga.

    Young sempre se mostrou um mistério.

    Porque ele parecia reunir todas as motivações citadas e a curiosidade de Sunny a impedia de notá-lo como os demais clientes.

    Seus pensamentos perderam o fluxo assim que chegou na entrada da residência. Não precisava ser uma criatura incrivelmente empática para perceber que havia acontecido algo de errado e não teve dificuldades em descobrir a razão do clima arisco. Titia dizia uma coisa, o irmão completava com novas e... faltava alguém para que ela compreendesse ao certo o que se sucedeu. Sunny, depois de tomar banho e fazer um lanche leve, procurou o pai e o achou na varanda, rodeado de anotações e livros, mas embora ocupado, mostrou um sorriso para a filha, convidando-a a se aproximar. Provavelmente estava ali por causa da discussão com a tia Yu-Mi, e apesar da feição serena, Sun-Hee sabia que ele não gostava de brigas, ainda mais com a cunhada. Não precisava de explicações para a atitude generosa, mas apreciava ouvir o appa... Antes dele terminar, a menina sorria e carinhosamente o tocou na mão – Você é a pessoa mais bondosa do mundo, appa. Estou tão orgulhosa do senhor... – ela se levantou e o beijou na testa, aproveitando para abraçá-lo – E tenho certeza absoluta que a titia também sabe disso. Dê um tempo a ela e tudo se resolverá rapidinho.    

    Sunny completou:

    - Eu vou ajudá-lo. A biblioteca me rendeu uma boa economia e posso dá-la para que reponha o dinheiro, mesmo que não seja todo o valor, não me importo – e de fato, não se incomodava – É algo muito bonito o que está fazendo por esse rapaz, papai. Se todos tivessem chances de mostrar potencial ou aprender de maneira mais digna, acredito que não... existiriam tantas...

    Injustiças.

    Mas ela não continuou a frase.

    Acomodou-se ao lado do pai, e prometendo silêncio, passou o restante das horas o observando fazer suas leituras, o que era comum entre os dois.

    [...]

    Como disse ao appa, tia Yu-Mi entendeu a escolha de ajudar o aluno, por quem o sr. Kim nutria um sincero afeto, mas não concordava. Pelo menos, ela e o papai voltaram a se falar, algo que não demorava mesmo a acontecer. Com a proximidade das aulas, Sun-Hee precisou decidir aspectos importantes, inclusive o novo decorrer da rotina. Junto de Lee-Hi, dividiriam as tarefas na parte da tarde porque de manhã, o lugar ficaria fechado... detalhe que entristeceu Sunny, porém era uma escolha necessária.

    Não viu mais Young.

    Ele apareceu no turno de Lee-Hi para devolver o livro de Monet e não levou outro. Tentou disfarçar a decepção com a notícia, só que a amiga notou, apesar de não comentar nada. Por isso, quando o cheiro amadeirado do perfume voltou ocupou o ambiente, Sun-Hee julgou se tratar de uma mera impressão, no entanto, bem diante dos seus olhos...

    - Hum?

    Era difícil acreditar.

    - B-Bom dia.

    Sussurrou baixinho, o encarando de modo chocado ao ponto das bochechas corarem. Tudo se desenvolvia de maneira tão rápida... Ela não conseguia acompanhar e um súbito aperto no estômago surgiu quando ele colocou o embrulho na bancada e afirmou ser um presente de despedida – É... é...muito gentil – pegou o bonito pacote, olhando-o demoradamente... e sentiu uma sutil umidade nas pálpebras. Mas não chorou. Nesse instante de devaneio, Young se afastava e aquela, definitivamente, seria a última vez que iria vê-lo. Sunny terminava de abrir o embrulho enquanto o garoto saía da biblioteca. Arregalou os olhos ao fitar as figuras, a profusão de cores e... de repente, levantou-se e correu até a porta como se sua vida dependesse da ação inusitada. Ela o avistou numa distância considerável, mas ainda assim, gritou – Young! – se virasse para trás, enxergaria Sunny com o livro de fotos na mão, balançando-o próximo ao rosto – Obrigada...

    E a última lembrança não seriam as cenas bobas e atrapalhadas.

    Mas sim o sorriso solar da menina.



    Após o agradecimento, Sunny voltaria a bancada para olhar cuidadosamente cada imagem e, com certeza, guardaria o presente como uma preciosa recordação.
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    Re: Kim Sun-Hee

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      Data/hora atual: Dom Jun 24, 2018 11:18 pm