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    Capítulo 1

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    Persephone
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Ter Nov 14, 2017 8:57 pm

    [DONG E SUNNY]

    Apesar daquela reunião parecer uma coisa normal, a maioria das pessoas envolvidas parecia não acreditar no que estava acontecendo. HaN podia ter aquele jeito cara-de-pau e engraçado, mas nunca antes tinha feito sucesso com meninas - bem longe disso. As meninas de sua sala se cansavam das brincadeiras dele ou simplesmente reviravam os olhos e o deixavam falando sozinho, de modo que os únicos que o aguentavam eram seu grupinho do 1º ano.

    Stella também tinha um dia atípico. Raramente falava tanto ou passava tanto tempo com as pessoas do colégio. Como Dong tinha seu próprio grupo, ela evitava incomodá-lo - até porque conhecia o modo arrogante de Min-Ho e preferia ficar afastada. Porém, naquele dia, tudo parecia diferente. Até Dong começava a sugerir saídas extras, tentando abraçar todo mundo.

    Assim como os meninos, ela ainda se lembrava do comentário dele em sua casa. Era curioso que ele estivesse mudando de postura - o que não queria dizer que era ruim. Sua expressão de desconfiança, pouco a pouco foi mudando para a admiração que costumava ter pelo menino.

    Ui-Jin se sentia um pouco desconfortável ao sair de sua bolha/zona de conforto, mas Sunny, Lee-Hi e até mesmo Stella eram companhias agradáveis. Verdade que ele ainda não conseguia falar como alguém normal, mas gostava da presença delas. Já Min-Ho mantinha aquela cara fechada, meio emburrada - de quem comeu azedo e não gostou - mas conversava mais do que Ui-Jin.

    O tópico sobre filmes foi abordado. Stella meio que deu de ombros, como se não tivesse um estilo favorito, mas logo abriu a boca e disse.

    - Ah, só não gosto de terror ou suspense com demônios.

    - WAE?! - Lee Hi disse na mesma hora. - É o estilo mais legal pra ver em grupo!

    - Não, eu não gosto. Tenho medo.

    - Poxa, é o meu favorito.

    - Também acho legal. - Min-Ho disse. - Suspense, terror.

    - Combina mesmo com você. - HaN provocou, mas logo sorriu. - To brincando, Min-Ho-Shi! Eu também acho legal. Poxa, Stella-shi! Mas é tudo mentira e se você ficar com medo, pode me abraçar que eu deixo.

    Stella levou a mão até a testa, rindo, mas meneou negativamente.

    - Não gosto nem da música. Mas fora isso, eu assisto qualquer gênero.

    - Um dia você vai ver terror com a gente. - Lee Hi declarou. - Ela tem que ver. - Insistia daquele jeito fofo.

    Ui-Jin meneou positivamente, porque concordava com os outros. Terror era um dos melhores estilos para assistir em grupo e seria legal uma sessão de cinema com direito a muitos sustos e trollagens. Se bem que… - quando pensou na quantidade de besteiras que podiam acontecer, ele olhou brevemente para a expressão de Dong. Teve a impressão que viu chifrinhos em sua cabeça, revelando que aquele anjo virginiano, era um diabrete.

    A conversa sobre filmes rendeu durante todo o almoço. Como eles tinham combinado, não demoraria muito. Saíram por volta das 12:20 P.M do colégio e já eram quase 2:20 P.M. Apesar das compras que fizeram, eles eram bem objetivos. Porém, Sunny e Lee-Hi estavam começando a se atrasar bastante. Talvez até tivessem que negociar uma hora extra no fim de semana ou ficar mais tempo ao longo dos próximos três dias.

    Felizmente, ela tinha o filho da patroa como álibi.

    Quando eles se despediram dessa vez, foi pra valer. Os meninos seguiriam no carro de HaN e Dong teria a possibilidade de escolher. Ou continuava com Stella e ia até a loja de uniformes para que Sunny e Lee-Hi comprassem seu novo conjunto ou ia com os meninos. Caso optasse ir com as meninas, ele perceberia que Stella só estava brincando sobre demoras. As compras foram bem rápidas - porque a loja já estava sob aviso de que isso aconteceria. Cada uma sairia com um uniforme novo e haveria uma última parada até o café, antes que Stella o levasse para casa em definitivo.

    [SUNNY]

    7:00 P.M.

    O saldo do segundo dia na escola finalmente tinha sido positivo. O diretor não estava mentindo quando disse que resolveria aquela situação e, de fato, se posicionou diante do triste evento do dia anterior. Sunny agora tinha um uniforme novo e tivera justiça, de certa forma - o valor seria pago por Yerin e Hyemin, além das duas terem que limpar a sujeira que fizeram. Isso sem contar, é claro, com uma eventual resposta dos pais. Mas aí já não era problema de Sunny e podia ficar apenas na imaginação.
    Fora isso, Sunny também teve um bom momento com seus novos amigos. Quando ela passou no WangJo podia ter certeza de que sempre teria Joo-Hyuk ao seu lado. Ele que fora seu amigo durante todo o ensino fundamental e era parte importante de sua vida e história. O que ela não podia imaginar era que fosse se dar bem com pessoas tão diferentes em tão pouco tempo.

    Claro, ainda havia aquela sombra dos olhares odiosos e invejosos que ela recebia. Mas a companhia de Stella, Dong e seu grupo aliviavam um pouco essa situação.

    Stella ainda cumpriu com sua palavra e a acompanhou até a loja - com Dong e Lee-Hi também - para que comprasse um novo uniforme. Após a resolução, teve a delicadeza de deixá-la no trabalho e prometeu que a visitaria em breve.

    O comentário serviu como um gatilho de memória, pois outra pessoa também tinha prometido “conversar com ela depois”. No dia anterior, tinha sido impossível, será que ele iria hoje, então? Mal conseguiram se ver direito naquele dia, apenas de estudarem na mesma sala. Mas ele tinha sorrido quando a viu chegar, não foi? E tinha sido gentil ao ceder o carro ontem.

    Sunny não teve muito paz depois de pensar nisso. O café estava bastante movimentado naquela terça-feira, ainda mais com a volta às aulas de escolas e universidades. Tanto na parte da biblioteca quanto a cafeteria em si já tinha um constante movimento de vai-e-vem das pessoas. Cada vez que aquele sininho tocava, ela podia jurar que via um rapaz da altura de Jung, mas nenhum deles era.


    Para piorar, a playlist que dava um som ambiente à area de comida começou a tocar uma das músicas favoritas da menina. Nessa terça-feira, ela estava como garçonete - o que “piorava” um pouco a ansiedade e as olhadas na direção da porta. Lee-Hi que estava cuidando dos livros.

    A música num som aceitável começava a invadir o ambiente. Tinha feito sucesso num dorama famoso lá pelo ano de 2016, mas era querida até os dias atuais.

    Jin-Ki, o barista, até dublava um pouco a parte do rap atrás do balcão. Hye-Sang - a outra garçonete - revirava os olhos quando ele fingia que a música era para ela. Era uma cena fofinha de se ver, ainda que desse um aperto no coração quando qualquer um percebia que havia sentimentos ali, mas Hye-Sang os ignorava.

    O tempo passava e nada da chegada de Jung-Mi. Será que ele tinha esquecido?

    Uma pessoa, contudo, não tinha esquecido.

    Por volta das 7 P.M, o sininho tocou e uma menina diferente pisou ali. Chaeyoung usava um vestidinho de alças finas, preto com estampa de raios. Por baixo, usava uma blusa branca de manga curta e allstar de couro preto. O cabelo castanho tinha ganhado umas mechas roxas. Seus braços estavam lotados de pulseiras diferentes e os dedos com mais de um anel. Chaeyoung era um pouco extravagante, mas aquilo combinava com ela, de certo modo. Olhou ao redor e acenou quando viu Sunny.

    - Oláá! Que lugar fofinho!! - Comentou animada enquanto se aproximava e abraçava a menina que ainda usava avental e tinha um pouco de café manchando a peça. - Foi tudo bem no passeio? Cade a Lee-Hi-shi?

    Esperaria as respostas antes de se acomodar numa das mesas. a menina estava encantada com o charme do lugar.


    [HYUN-HEE]

    - Sim, é a melhor estratégia para uma criança como eu. Olha bem minha carinha aegyo que convence até um mau humorado a comer bimbipad! Não que essa pessoa seja você, mas… - Ergueu um pouco as mãos e deu uma risada.

    O menino tinha bastante lábia, além de ser esperto. Não era doce ou quietinho como Jung-Mi costumava ser, mas a simples presença dele parecia reativar aquele lado bom de Hyun-Hee. Tinha sua certa dose de inocência ali - tanto que ele ficou impressionado com os 10 mil wons, ainda que não fossem lá grandes coisas.

    A garçonete ouvia a conversa e corou um pouco com a forma que Hyun-Hee a encarou. Não era uma menina feia, longe disso, mas tinha um rosto normal. Nada de memorável ou que se comparasse às beldades do WangJo. Ela voltou a atenção para o bloquinho e tentou abstrair daquela presença marcante que Hyun-Hee tinha.

    - Mas você acabou de dizer… - Dae-Ho disse, mas revirou os olhos e falou. - No capricho, por favor.

    Voltou a encarar Hyun-Hee e respondia às suas perguntas enquanto a garçonete ia providenciar a comida. O menino se animou com as indagações de Hyun e fez uma pose de fighting.

    - Quero sim! Veja bem, eu não sou o mais rápido ou mais forte, mas tenho um raciocinio rápido e ninguém me ganha no video game. Sou muito bom mesmo, só preciso do equipamento certo.

    Mexia em alguns guardanapos e ficou boquiaberta quando ouviu que os herdeiros das duas maiores empresas que investiam em e-sport tinham filhos no WangJo.

    - Séério? Mas meu hyung nunca faria amizade para tirar vantagem. Tenho certeza de que se ele falar com essas pessoas, ele vai me dizer...Mas acho que não. Ele comentou sobre dois bolsistas como ele. - Não estava desanimado com isso até porque admirava tudo o que o irmão fazia.

    Porém, uma pessoa como Hyun-Hee podia imaginar que eles pensavam pequenos. Por que uma pessoa tendo contato com gente mais importante, faria amizade logo com semelhantes? Talvez por isso esses bolsistas acabassem se ferrando logo de cara. Porque não eram lá muito espertos, apesar do diretor ter se posicionado à favor deles. Bom, mas aquilo não era lá problema dele, afinal, tinha voltado obrigado. Por ele, podia deixar toda WangJo explodir e continuar sua vidinha no ocidente.

    A garçonete adiantou a entrada e a água que ele pedia. O pedido não demorou nada para chegar, mostrando a eficiência da cozinha. O cheiro do bimbipad ia longe e a cara parecia mesmo comida caseira. Era farto demais e não tinha aquele requinte de restaurantes com estrela Michelin. Parecia ser exatamente o que ele estava buscando.

    Enquanto comia, porém, ele nem imaginava que naquela movimentada rua, um celular era o suficiente para acompanhar a rotina dele.

    Foi breve, mas o suficiente para uma série de fotos de alta qualidade de Hyun e o garotinho, naquele restaurante. No dia anterior, as fotos foram no shopping e ele não tinha sido mais visto. Agora estava numa rua duvidosa. No dia anterior, sozinho, agora na companhia de um menino. Aparentemente, o retorno dele para a Coreia do Sul não foi aceita de braços abertos pelos antigos companheiros.

    Ele não estaria mendigando atenção de um desconhecido, caso tudo fosse como antes.

    Teriam mais fotos ali, mas uma terceira pessoa fez parte do cenário e o homem ajeitou o boné antes de continuar suas “compras”.

    O secretário Lee entrou no restaurante um pouco sobressaltado. Hyun-Hee e Dae-Ho estavam ali há bastante tempo e a comida não tinha chegado à metade. Por conta de sua atenção sempre redobrada - quase que paranoica - Hyun-Hee viu uma belissima noona saindo da cozinha para falar com uma das mesas próxima à porta. Seria ela a “Dona Yu-Mi”? Não tinha aparência de muita idade para ser uma “Dona”.

    Nesse instante, a porta foi aberta e o Secretário Lee entrou daquele modo. A mulher tinha acabado de se virar de novo e esbarrou com tudo naquele alto homem de roupas formais. Ela deu um gritinho e recuou quase tropeçando, mas ele a pegou rapidamente, por puro reflexo. Os dois se encararam e Hyun-Hee poderia achar quase ridicula aquela cena de dorama, mas estava vendo com os próprios olhos mesmo.

    - …!?!?!? - A mulher o encarava com os olhos arregalados - O que você está fazendo!? - Começou a empurrá-lo enquanto se ajeitava. - Como entra assim no meu restaurante?

    - er...er...ahm...eu...Mian hamnida! Não foi minha intenção.

    - Hunf! Sente-se, Ajosshi! Aigoo.. - Ajeitou a roupinha e saiu às pressas para a cozinha de novo.

    O Secretário Lee ficou um pouco confuso, mas logo ajeitou sua gravata e procurou por Hyun-Hee. Ao encontrar o jovem patrão, marchou até ele e o reverenciou.

    - Senhor. Sinto muito por interromper o seu almoço… - Mesmo que já estivessem no fim. - Mas precisamos ir para casa. Temos algo importante para conversar…

    O garotinho que o acompanhava, observou toda aquela cena bastante surpreso. Agora, contudo, o clima parecia nitidamente mais tenso. E a forma como o Secretário Lee o encarava indicava que não estava pedindo isso à toa ou mero capricho.


    [MISOO]

    4:30 P.M.


    MiSoo treinava com Jin-Hee há cerca de três anos e, ao longo desse período, as duas tinham construído uma relação de amizade e fraternidade. A jovem não podia considerar Jin-Hee sua mãe, porque ela não era tão mais velha assim - no caso, era só doze anos mais velha. Porém, Jin-Hee podia sim ser considerada como uma irmã mais velha. A irmã que MinT nunca foi, pois ela era amiga, companheira e sabia escutá-la, mesmo que, eventualmente, também brigasse e cobrasse bastante de MiSoo.

    Naquela tarde era o momento de escutar.

    Até porque, Jin-Hee estava preocupada com as mudanças gradativas que vinha acompanhando na menina. Como elas ficaram três semanas sem se verem durante as férias, Jin-Hee ficou surpresa como ela tinha secado ainda mais. Mesmo sem os exercícios, MiSoo tinha emagrecido bastante, o que indicava que estava levando sua dieta à sério. Por um lado era ótimo, por outro, muito preocupante.

    Conhecia o suficiente da família para saber que tipos de cobrança ela podia ter. Por isso achou por bem fazer aquela pausa e, ao seu modo, testava o apetite da menina. A conversa, infelizmente, não foi boa como a treinadora esperava. Não imaginava que ela estivesse com problemas na escola, mas pelo menos ela tinha encontrado alguém para desabafar.

    - No lago? Caramba! Como isso aconteceu? - Jin-Hee a incitava a conversar e apoiava conforme ia ouvindo. - Você está certa em proteger seus amigos, só não entre em confusões demais, hm? Não quero saber que você se machucou ou coisa do tipo! Você é muito delicada e preciosa para isso.

    Disse de jeito amável. Porém, o que serviu como gota d’água para o choro da menina foi a história do amigo. Nesse instante, Jin-Hee franziu um pouco as sobrancelhas e suspirou. Começou a menear positivamente, como se compreendesse.

    - Garotos não são fáceis mesmo… - Suspirou e encheu as bochechas, como se buscasse paciência. - Mas se é seu amigo de verdade, vocês logo vão se entender. Deve ter sido um mal entendido…

    Colocou panos quentes e logo se ajeitou na cadeira enquanto esperava MiSoo se recompor. Não demorou para que ela puxasse outros assuntos, como o clube de tênis. Estava animada com o início das aulas, seria o segundo ano dela no WangJo e os feitos do ano passado já estavam no mural de medalhas e troféus. Jin-Hee achava as meninas talentosas e acreditava que conseguiriam formar um bom time. Claro que esperava que MiSoo fosse uma das titulares porque era sua querida, mas admitia que a concorrência seria acirrada.

    No fim, a aula de tênis virou um pouco uma sessão na psicóloga. Jin-Hee ficou até mais do que elas deveriam - o que seriam duas horas de treino, viraram quase três, sendo duas só de papo. Quando percebeu, já eram 6 P.M e estavam cheias de coisas pra fazer. Perguntou se MiSoo queria uma carona até o condomínio e, caso quisesse, a deixaria no portão principal. Ela só teria que andar até sua casa.

    6:20 P.M.


    A casa de MiSoo ficava para os fundos e a família Yoon morava um pouco mais à frente. Depois da conversa com sua técnica, ela podia sentir um pouco de alívio por ter desabafado com alguém de fora. Além de também estar com a barriguinha cheia, porque, sem perceber e de modo bem natural, Jin-Hee pediu mais coisas naturais e saudáveis para que elas petiscassem enquanto conversavam.

    O melhor de tudo é que ela nem sentia nenhum peso ou embrulho. Era até uma surpresa dada as vezes que colocou a refeição para fora nos últimos dias.

    Quando estivesse passando em frente à casa dos Yoon, o carro da família tinha acabado de parar e Gyu-Sik saía dele. Estava sozinho, mas se distraía ao celular. Sua expressão parecia tranquila e ele até deu um sorriso meio bobo, como se gostasse de falar com quem estava do outro lado da linha. Virou-se para bater a porta e, de repente, reparou nela.

    Foi fechando um pouco a expressão e se despediu da pessoa, desligando o celular. Enfiou o aparelho no bolso e não soube bem como ela reagiria. Se falasse com ele, ele falaria com ela, mas se não, ele a observaria seguir pela rua antes de entrar em casa também.

    Os dois nem imaginavam que duas lojas do condominio tinham novos funcionários que, por acaso, também eram colegas do colégio.

    [HYEMIN]

    8 P.M


    Hyemin teve um dia bastante estressante. O desabafo no diário tinha rendido uma boa companhia consigo mesma - que era tudo o que tinha, no momento - mas algumas lágrimas também. Ninguém a incomodou por um bom tempo e ela só tinha um almoço bem esquisito na barriga.

    Teve todo o tempo do mundo para cuidar de suas olheiras e de seu cabelo, porque as horas pareciam se arrastar sem fim. Havia um misto de sensações ali, pois queria que aquele dia horrível acabasse logo - talvez na esperança de acordar e perceber que tudo tinha sido apenas um pesadelo - mas, por outro lado, se aquilo não fosse um pesadelo e o dia seguinte viesse, ela teria que encarar Kim Joo-Hyuk e isso era algo que ela não queria em hipotese alguma.

    Por volta das 8 P.M, a governanta bateria em seu quarto.

    - Senhorita Seo… - Disse a mulher num tom de voz educado e com uma pitada de preocupação. - O jantar está pronto, Senhorita. Por favor, coma alguma coisa...Ou eu trago até aqui, se a senhorita não desejar descer.

    Muito embora Hyemin não quisesse encontrar com seu pai naquele dia, ela podia lembrar que não era uma prisioneira do próprio quarto. O celular era seu amor, mas havia a internet, tv à cabo, telefone e ela podia sim andar pela própria casa. A governanta dava uma boa alternativa, mas até que ponto ela veria aquele quarto como refúgio e não uma prisão?

    Caberia a ela escolher.

    Seu pai nada diria. Na verdade, ele estava no escritório naquele momento, com a porta meio encostada. No caso dela descer, poderia ouvir a voz dele saindo dali, mas teria que se aproximar um pouco, caso quisesse ouvir.

    [ no caso de ouvir ]
    Spoiler:
    Seu pai estava ao telefone. Já tinha se livrado do terno e da gravata, mas seu avental estava largado em cima de uma das cadeiras, indicando que ele fizera o jantar daquela noite. Não era só em dias tranquilos que ele precisava da cozinha, quando estava irritado também cozinhava alguma coisa.

    - Eu me esqueci. - Dizia ao telefone. - Eu me esqueci que tínhamos marcado para hoje…

    O que? O que??

    - Sei, eu tenho sido relapso e lamento por isso, mas você sabia disso desde o início. Não estou pronto para dar o próximo passo. - Mas respirou fundo, meio cansado. - Você já deveria saber. Nunca menti.

    Um segundo de silêncio enquanto ele massageava a têmpora.

    - Certo, isso foi rude. Eu sinto muito. Prometo que da próxima vez não me esquecerei. Tive sérios problemas hoje com minha filha e sim, ela é minha prioridade antes que pergunte.

    Estalou a lingua no céu da boca.


    - Bom, preciso desligar. Você também. Sinto muito de novo. Até.

    [DONG]

    4 P.M


    Stella e Dong tinham deixado Sunny e Lee-Hi no Café-Literário da mãe do garoto antes de seguirem até Gangnam de novo. O lugar era bastante charmoso e ficava num bairro bem movimentado, ainda que não tivesse todo o requinte e luxo de Gangnam. Quando ficaram sozinhos de novo, Stella teve todo o espaço do banco de trás para si enquanto Dong ficava na frente.

    A menina deu as coordenadas da casa de Dong e ficou num ângulo que pudesse encará-lo.

    - Então você conseguiu sobreviver às compras das meninas. - Comentou com um meio sorrisinho. - No fim foi mais rápida do que as compras do HaN. Mas foi bem divertido, Dong-shi. - Não Dong-oppa - Talvez eu volte outro dia com mais calma para dar uma olhadinha.

    Não tinha comprado nada, mas ela se interessou por algumas vitrine de Harry Potter, Star Wars e até de jogos - ela era viciada em jogos de luta, tanto que ganhou de todo mundo no Mortal Kombat e no SF. - mas não levou nada.

    - E eu ouvi bem a história do teatro. Se quer tanto assim, amanhã mesmo vamos nos inscrever lá. Mas quero só ver…

    E ainda discutiriam um pouco mais dentro do carro. Antes que percebessem, teriam que se despedir - para o alívio do motorista que não era obrigado a aturar aquelas discussões deles. Stella ficou um pouco mais comportada e se despediu de modo formal dele, esperando que entrasse em sua residência antes de partir.

    7 P.M


    Hayoung tinha avisado sobre o jantar em família. Tinha sido um chamado do Patriarca Dong e os dois filhos e suas famílias - que não eram muito grandes - deveriam comparecer. Dong sabia que a mãe detestava esses jantares. Mesmo depois de quase vinte anos casada com Hyun-Joon, ainda havia aquele estigma dela ser uma “ranking 3” e não uma “1”, como se isso fizesse lá grandes diferenças à essa altura do campeonato.

    O pai também não gostava, porque sempre acabava dando problemas, mas ele respeitava muito o próprio pai, por isso não abria discussão. Prometia, contudo, que ela não sofreria nenhum tipo de situação constrangedora.

    O que todos sabiam que não era verdade. Hye-Sun sempre se aborrecia.

    Hye-Sun já estava vestida de modo elegante com um vestido preto com saia tubinho e joias discretas, porém muito belas. O cabelo estava preso num coque e ela andava de um lado para o outro dentro do quarto, com suas pantufas brancas até que saiu e foi até o de Dong. Já chegou falando.

    - Meu filho, se você não quiser ir, nós podemos arranjar uma desculpa. Você não é obrigado a ver essa gente. - Disse um pouco nervosa e fazendo uma expressão de angustia.

    Acabava que ela que sofria mais com esses encontros.



    [JAE-KI E WON-BIN]

    9:10 P.M


    Won-Bin tinha saído do dojo do modo mais discreto possível, mas nada passava despercebido aos olhos do Mestre Baek. O homem o observava partir daquele modo e só faltou ter uma barba longa para alisar de modo desconfiado - porque seus olhos já diziam tudo. Mandou que os alunos fizessem uma série de chutes enquanto ia ver os equipamentos.

    Gritava os nomes dos alunos que chutavam errado, mesmo sem ver enquanto olhava se estava faltando alguma coisa ali. Ao olhar a fileira de nunchaku e dar a falta de um deles, parou e ponderou.

    “Por que esse garoto precisa de um nunchaku?”


    Respirando fundo - e bastante aborrecido - ele só precisou fazer uma única ligação. E o fato de Won-Bin não ter sinal no metrô apenas deixou “a ligação” mais irada ainda…

    9:55 P.M


    Taemin estava jogando a jaqueta para o lado enquanto Jae-Ki fazia seu discurso e alguns passos começavam a se aproximar. O loiro arqueou uma das sobrancelhas, olhando na direção de quem começava a surgir das sombras.

    - Hm… - Mexeu o pescoço de um lado para o outro, estalando o mesmo e respirando fundo.

    Olhou para Jae-Ki meio entediado.

    - É uma pena. Eu raramente dou conselhos, sabe? E é realmente uma pena você não ouvir o que te disse. - Dobrava pacientemente a manga de sua blusa, exibindo os braços dele que conseguiam ser fortes como os de Won-Bin. - Você não deveria nem abrir essa boca para falar comigo, garoto. Quiçá falar de Eun-Bi. Eu disse que ela é uma viúva negra, que ela não tem lá nenhuma honra para você defender. E, mesmo assim, você acha que pode…- Sorriu bastante debochado. -Me dar alguma ordem? Vamos ver se você vai conseguir falar depois que eu te arrebentar.

    O sorriso dele morreu e o olhar dele voltou-se para Won-Bin.

    - Só um? Que engraçado...Eu também trouxe alguns amigos para assistirem.

    Assobiou e quatro caras vestidos totalmente de preto apareceram. Eles usavam gorros e bonés, mas nenhum deles parecia com os meninos do colégio - eram outra galera de Taemin. Ele, como um garoto rico, certamente tinha seguranças, fora os “colegas de treino”. Bastava pedir um favor ou dois que era atendido.

    - Esse aí é zé ninguém que tentou defender a MiSoo, né? Deem as boas-vindas a ele. Esse aqui é meu. - Apontou para Jae-Ki. - Vou mostrar quem é o isekiya!

    Spoiler:
    Jae-Ki vs Taemin

    Rolagem: Dificuldade máxima das rolagens do Jae-ki. O mínimo é 5 (se tirar 5 ou menos, considerar 5)
    Taemin: Físico 1. 1.80m x 70 kg. Judô e TKD
    Jae-ki: Físico 2. 1.75m x 60 kg. Hapkido + memoria corporal + ódio no coração

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    Jae briga:
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    Taemin não se fez de rogado, ele começou a se aproximar de Jae-Ki cheio de determinação. Jae-Ki podia não conhecer todas as artes marciais, mas percebia que o modo como Taemin avançava era semelhante ao modo como atacavam no judô. Jae-Ki até conseguiria resistir um pouco e dar contra-golpes, invertendo a chave. Porém, quando Taemin encontrou a guarda aberta nas pernas, ele fez Jae-Ki voar e bater com as costas no chão enquanto o imobilizava por cima.

    O impacto das costas naquele chão de cimento o faria perder o fôlego por um segundo, mas a adrenalina falava mais alto. Jae-Ki ainda estava consciente quando viu a mão de Taemin crescendo com um punho contra sua cara.

    E depois do primeiro soco, ele começaria a ouvir como se sua cabeça estivesse dentro de um sino que não parava de badalar.

    Um crack que não era seu, seguido de gritos podia ser ouvido na direção de onde Won-Bin estava.

    Dois caras tinham avançado na direção de Won-Bin. O primeiro já chegou dando um gancho direito enquanto o segundo deu uma rasteira e o levou ao chão. Tudo tinha sido muito rápido e o nunchaku saiu dos bolsos e ficou próximo de sua mão esquerda. O problema é que aquilo não era um dos filmes que ele gostava de assistir.

    Spoiler:
    Esquivas marotas

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    1 , 5

    nunchaku do desespero
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    Era a vida real e seu nariz já sangrava depois do primeiro soco. Quando ele tentasse pegar o nunchaku, ele sentiria o pisão da bota de um dos caras contra seus dedos. Ele meteu a bota e girou o calcanhar sobre os dedos. O crack ecoou pelo lugar, pois, pelo menos dois dedos estavam quebrados.

    - Mas já!? - O outro ria enquanto pegava o nunchaku. - Aí. Taemin...Reforço…

    Jogou a peça na direção do loiro que ainda estava sobre Jae-Ki, pronto para soca-lo mais. Jae-Ki ouviria a arma de madeira caindo próximo a ele, mas…

    O que é que estava acontecendo ali?!

    Gakky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Ter Nov 14, 2017 11:03 pm

    Tudo parecia correr como o combinado, em posição de ataque observava as ações que Taemin iria tomar. O loiro continuar se achando e ainda tinha a audácia de voltar a falar mal da honra de Eun-bi. Jae-ki já sentia a raiva crescendo, mesmo que estivesse magoado com ela, o jeito como seu adversário falava era repugnante! "Como Eun-bi teve coragem de defender esse cara?" Taemin o tratava como um ninguém, porque era bolsista e isso o revoltava demais.

    Quando Taemin comenta que trouxe alguns amigos, Jae-ki ficou surpreso, olhou para os caras que saiam das sombras, não eram os garotos da escola. Isso lhe lembrava muito das brigas de gangue, a diferença é que não lutava sozinho. Won bin e ele estavam em desvantagem numérica e isso era preocupante. Jae-ki mordeu o lábio inferior nervoso, mas não fugiria da luta, só tinha receio que Taemin não cumprisse com o combinado.

    Logo a briga começou, pelo jeito como o loiro lutava, Jae-ki percebeu que era judô, não era um estilo que ele gostava, hapkido sempre combinou mais com ele. Com suas técnicas desviou de alguns golpes, mas não estava fácil. Jae notou que Taemin apesar de ser um riquinho fresco, sabia lutar bem e era forte. Tinha mais músculos e provavelmente teria que evitar ser pego por ele, como havia aprendido por Jihoo. Um soco desse loiro parecia ser pesado e machucar muito, pelo porte dele. O problema era que não conhecia todos os golpes de judô e não estava preparado para isso. Acabou deixando a guarda das suas pernas de lado e caiu no chão quando Taemin o derrubou. O impacto no chão o fez ficar sem folêgo,  respirava fundo para recuperar-se e levantar, mas não deu tempo, o loiro já estava em cima dele e Jae-ki logo sentiu a dor do soco dele atingir sua cabeça. Taemin tinha um golpe realmente forte. A dor parecia chacoalhar com sua cabeça, lembranças rápidas como um flash passavam em sua mente, imagens que duravam apenas segundos, era o rosto de Eun-bi.

    Ouviu gritos e alguns sons estranhos vindo na direção que o amigo estava, já conseguia imaginar o que podia ter acontecido. As coisas começam a sair do seu controle, não era isso que tinha planejado, não queria que Won Bin apanhasse. Jae se encheu ainda mais de raiva por pensar que tinha envovido seu amigo nessa, sim já o considerava um amigo. E odivava quem mechesse com seus amigos!! Odiava que um cara forte desses tivesse machucado Eun-bi e odiava a forma como ele se achava!

    Jae-ki ouviu uma arma da madeira caindo do seu lado quando Taemin já se preparava para lhe dar outro soco. Só esses segundos foram o bastante para Jae-ki usar uma técnica de hapkido para combante no solo. Jae-ki puxou e segurou o punho que Taemin usaria para socá-lo, prendeu-o com as mãos, usou a perna esquerda e a passou por cima do braço esticado que segurava do loiro, golpeando o no rosto no trajeto, em seguida empurrou essa perna contra o pescoço dele ao mesmo tempo que já usava a perna direita colocando a do outro lado do pescoço de Taemin prendendo-o e fazendo força para machucar e torcer o pulso dele.

    - Saekki!! *(cretino) - Gritou enquanto fazia isso - Não mete o Won nessa!

    Referência ao golpe:

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Ter Nov 14, 2017 11:33 pm

    "Não acredito, cheguei bem na hora!" ofegante Won cumprimentava Jae-ki que respondia confiante na vitória. Tinha surgido das sombras e chamado a atenção, talvez tivesse sido melhor observar oculto mas tinha de dar apoio a Jae-ki.

    Won não concordava em brigar daquele jeito mas sentia uma certa empolgação. Era como nos filmes de ação mais modernos, um duelo por honra. Mas a realidade não parecia muito disposta a seguir o roteiro em sua cabeça.

    "Merda, eu sabia que ele não vinha sozinho" Taemin trazia capangas. Pelo tamanho eles com certeza não eram alunos.

    "Óbvio, o riquinho tem seguranças"

    Mudou a postura quando viu os quatro.

    -Mas é claro, o Esfregão Ambulante tinha que trazer os amiguinhos - comentou, debochando.

    "Quatro. Dois vindo na minha direção primeiro. Merda merda merda, se concentra Won. Lembra que numa luta em desvantagem numérica você precisa lutar ofensivamente"

    Sentia a adrenalina vindo assim como a raiva. Taemin era o arquétipo perfeito dos vilões de filmes de luta.

    Sem tempo para apresentações, reações ou sequer tempo suficiente para que Won puxasse o nunchaku eles avançaram.
    O primeiro soco veio rápido demais, antes que conseguisse dar um passo para trás.

    Nas lutas disciplinadas de torneios ninguém poderia atacar daquele jeito. O segundo lhe dava uma rasteira, lhe derrubando no chão.
    O baque das costas no chão nem se comparava a dor que viria a seguir.

    Um deles pressionava a bota sobre os dedos da mão esquerda. Sem chance de pegar o nunchaku e contra-atacar.
    Won urrou de dor. Com certeza alguns dedos ali foram quebrados.

    Pelo pouco que conseguia ver, Jae-ki também não estava se saindo bem.

    "Não não não não. Não pode acabar assim. Não é assim que..."

    Esta era a realidade, completamente diferente dos filmes. Won sentia-se vulnerável pela primeira vez em muito tempo, como se todo o seu treinamento e conselhos do Mestre Baek não tivessem servido de nada. Tudo desperdiçado por um momento de falso heroísmo.

    "Eu fiz tudo errado. Droga pai, eu..."

    Algo "clicou" em sua mente. Se recordou de tudo que havia feito até ali, dos anos que passou se imaginando lutando por algo certo, por algo além do que torneios.
    Era pra valer agora. Won precisava se tornar o Won que queria ser.

    E um Hwang jamais cai sem lutar.


    Won trincou os dentes, ignorando a dor e deu um chute rápido na lateral do cara que pisava em seus dedos. Com a manobra obrigaria o cara a soltar o pé e daria tempo o suficiente para que tirasse a mão.

    Num movimento rápido rolou para o lado e se levantou.

    Passou as costas da mão direita no nariz. Viu o sangue e sorriu. Cuspiu sangue para o lado, como se desprezasse os oponentes.

    "Usar a mão esquerda fora de questão. Que se dane, eu vou com tudo!"

    -Venham! Ou vão esperar o dono de vocês mandar? VENHAM! correu na direção dos dois.

    Em sua mente vinha uma cena de um dos filmes de taekwondo que mais gostava. Um chute duplo seguido de uma corrida.


    Repetiu o movimento que imaginava, saltando na direção do capanga da direita com um chute na região do peito e finalizando com outro chute, girando, no rosto do capanga da esquerda.

    Havia lhes repelido no momento, mas o golpe não se mostrou suficiente. Os dois continuavam de pé.

    Won sorriu novamente. A dor e a fúria lhe imergiam num estado de torpor que alimentavam o lado justiceiro de Won.

    -VENHAM!

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Natalie Ursa em Qua Nov 15, 2017 12:20 am


    A relação entre Jin-Hee e MiSoo era muito melhor do que jamais fora com sua irmã mais velha, por isso mesmo a garota sentia-se confortável em desabafar com sua treinadora.

    - Como aconteceu… - repetiu meio pensativa - Eunbi-yah estava conversando perto do lago com um amigo, o outro garoto não deve ter gostado e jogou os dois na água… Um estúpido… Troglodita! - fez beicinho, se irritando ao lembrar do loiro metido.

    MiSoo já ia concordar com Jin-Hee quando ela falou sobre proteger os amigos, mas ergueu uma das sobrancelhas com a afirmação seguinte dela.

    Mais uma pessoa lhe chamava de delicada… MiSoo não se considerava delicada em nada… Aliás, se considerava menos ainda depois do que certo amigo teve a cara de pau de lhe chamar.

    - Eu não vou me machucar. - queria ter incitado determinação nessa frase, mas ainda estava desanimada - Não se preocupe comigo, Jin-Hee-shi… Mas, muito obrigada por essas palavras. - desta vez deu um bonito sorriso em resposta.

    Nesse momento sentiu-se mais animada, pois adorava receber elogios. Era muito reconfortante ouvi-los depois de ter recebido tantos comentários negativos e depreciativos em anos anteriores, inclusive dentro do próprio lar. Gostava tanto de elogios e presentes e provavelmente poderia ser considerada uma garota mimada nesse quesito.

    Continuou a contar sobre sua manhã desastrosa até que chegou à parte que mais tinha lhe ferido, após o almoço, e acabou chorando enquanto falava.

    MiSoo ouviu os comentários da treinadora enquanto enxugava o rosto, mas fez uma careta que trazia certo ódio e estalou a língua antes de resmungar:

    - Mal entendido...? Sem chances. - tinha certeza que e Gyu-Sik não disse nada que pudesse vir a ser mal interpretado. Estava bem claro em suas palavras.

    Tinha parado de chorar para dar lugar à irritação e comeu o sanduíche com um tanto de voracidade, como se mastigar a comida fosse aplacar um pouco do sentimento.

    Jin-Hee começou a falar sobre outras coisas e assim conseguiu fazer sua pupila deixar os sentimentos negativos um pouco de lado e voltar a melhorar um pouquinho mais seu humor. Gostava de conversar com Jin-Hee, tanto sobre tênis, quanto sobre qualquer outro assunto. Considerava uma amiga como BoMi e EunBi.

    Falou sobre o clube de tênis só por cima. Não queria lembrar que a irmã do troglodita era a capitã e que teria que lidar com ela. Preferia esquecer um pouco desse detalhe.

    O tempo foi passando e MiSoo nem tinha percebido que estava conversando para bem além do horário da aula. Era normal a garota perder a noção do tempo conversando, afinal era algo que adorava fazer. Mal tinha percebido o que comera mais do que um sanduíche, mas pelo menos não se sentia estufada com o que foi consumido.

    MiSoo aceitou a carona. Era uma chance de ficar um pouco mais com aquela pessoa que era tão legal e cuidadosa com ela.

    Depois de conversarem  um pouco mais no carro, MiSoo se despediu alegremente da treinadora e desceu do carro em frente ao portão do condomínio. Fez a caminhada pelas ruas do condomínio em muita pressa, afinal o que menos queria era chegar logo em casa. No caminho tentava evitar de pensar nos problemas na escola. Eles já tinham lhe causado problemas o suficiente, inclusive atrapalhado sua atenção no treino de tênis!! Em vez disso preferia pensar no que precisava fazer amanhã. Tinha algumas ideias… Não tinha lembrado de entregar o papel de inscrição do clube de moda, talvez fosse melhor entregar logo amanhã para não correr o risco de acabar esquecendo pelo resto da semana. Também ponderava se deveria perguntar à Jung Mi se ele tinha realmente ajudado a “parar” o loiro troglodita, como achou ter ouvido ontem. Podia ter perguntado para os amigos, mas a verdade era que tinha esquecido mesmo. Só não sabia se deveria tocar no assunto, pelo menos não perto de BoMi. Não queria fazê-la relembrar do medo que uma retaliação de Taemin lhe dava só por causa de curiosidade boba.

    Andava distraída pelas ruas, quando viu o carro dos Yoon parando em frente ao portão deles enquanto passava por ali. Por curiosidade parou e ficou observando sem pensar muito. Logo viu Gyu-Sik descendo do carro e torceu os lábios, fazendo biquinho descontente.

    Notava que ele conversava alegremente com alguém pelo celular. A cena fazia parecer que a discussão deles tinha ocorrido há milênios atrás e isso incomodou bastante MiSoo. Deveria mesmo achar que tudo ficaria bem. Provavelmente nem ligava se tinha ou não irritado a amiga da irmã. Tinha coisas mais interessantes e divertidas com o que se preocupar. MiSoo começava a se arrepender profundamente por ter chorado duas vezes com essa história. Em sua cabeça de garota impulsiva e teimosa, já tinha tirado todas as conclusões necessárias.

    Ficou o encarando de longe por alguns instantes. Uma expressão bem séria, fechada. Viu ele desligar o celular e mudar a expressão ao encará-la de volta.


    Ótimo.

    Também não estava gostando de ficar nessa troca de olhares não muito amistosos com ele.

    Não demorou muito para ela girar nos calcanhares, de um modo bem desaforado e ir embora praticamente de nariz empinado, cheia de desdém.

    Esta ogra precisava retornar ao covil!

    Apressou o passo e chegou logo em casa, mas sem tirar a expressão contrariada do rosto. Entrou pelo portão da mansão e correu até a porta de entrada, adentrando a casa e subindo as escadas em direção ao quarto como um foguete. Pretendia tomar um banho bem demorado enquanto escutava algumas músicas de k-pop bem altas e animadas, o melhor remédio para restaurar seu humor e esquecer das pessoas que estragaram seu dia.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Qua Nov 15, 2017 11:02 am

    Ao ouvir as batidas no quarto, Hyemin virou o rosto com certa morosidade curiosa, mas ficou bem quieta, para que o silêncio colaborasse com seu estado de espírito. Não falaria mais com o pai naquele dia!

    Ah, de jeito nenhum! Parte dela já sabia que, pelo horário, havia a chance de ser o jantar e isso atiçava ainda mais sua fome, mas ficou um tanto decepcionada por não fazer as pazes com o pai logo naquela noite. Ainda assim era orgulhosa, para estufar o peito e pensar que “ainda bem” que não era o pai, pois não queria sair daquele quarto de jeito nenhum... Quase nenhum.

    E se fosse uma tortinha gostosa? Macarrão?

    Chegou perto da porta, pensativa, e encostou nela, fazendo um biquinho sofredor. Queria muito comer. Além disso, não era uma pessoa que se bastava com internet e o ambiente escuro e depressivo do quarto já estava consumindo sua energia demais. Para ela não adiantava (quase) nada ter tv e notebook no quarto, se era no celular que estavam as melhores coisas, como aplicativos de conversa e fotinhos. Talvez sair um pouco não fosse uma má ideia, apenas se...

    - Papai já comeu? - perguntou do outro lado, com medo que a resposta fosse não. Porque encarar o senhor Seo pela segunda vez naquele dia não era algo que ela estava disposta a fazer. Talvez nem por uma jantinha gostosa. Com uma resposta positiva, a menina suspirou aliviada. -  Já vou…

    Foi até o banheiro, acendendo a luz e checando se seus olhos ainda estavam muito vermelhos, o que era verdade. Tentou fazer um jogo de franja na frente deles, mas não adiantava muito. Estava bem acabadinha. Esfregou um corretivo nas olheiras e só então saiu do quarto, bem envergonhada.

    Andou cabisbaixa pelo andar superior até que notou a porta entreaberta do escritório. Havia uma notícia boa ali: seu pai estava ocupado de novo e jamais andaria na cozinha. Isso a fez liberar um sorrisinho e foi descendo na ponta do pé para não chamar atenção, até que uma preocupação a assolou: e se ele estivesse falando com a mãe do Kim? Contando sua humilhação toda em casa ou planejando algo pior como diretor da escola? Ou será que ele tinha voltado a trabalhar como se nada tivesse acontecido?

    A menina se aproximou do escritório para bisbilhotar e notou o avental. Ficou com vontade de correr de volta para o quarto porque não queria comer a comida do pai. No entanto, seu estômago agradecia porque sabia que o jantar estaria delicioso. Por que o pai tinha ser tão ruim e torturá-la com comida? Sentia-se um animalzinho capturado pela isca, mas até que ele não era tão ruim assim. Seu pai era muito fofo por cozinhar, mesmo bravo… podia ter ficado preocupado, talvez? De repente podia ter saído mais cedo para comerem juntos e…

    Marcado? Marcado o quê!? Franziu a testa e esticou o pescoço, ficando bem quieta do lado de fora. Que próximo passo?  Mimimi relapso? Mimimi sinto muito? Fui rude? COM QUEM ele estava sendo tão gentil e amoroso?  Porque esse era o grande ápice de fofura que ela conhecia do senhor gelado.

    Hyemin franziu o rosto e engoliu em seco, sentindo o coração queimar de ciúme. Quem era a pessoa do outro lado que ela nem conhecia? Ah, que ótimo. Uma mulherzinha ganhando tanto carinho de seu pai no mesmo dia que ele tinha sido um monstro com ela. Se estava chateada? Estava furiosa!!

    Ouviu com certo orgulho que era a prioridade na vida dele. HA, bem feito, mulher. Porém, tinha sido prioridade para ser xingada, na realidade ele queria estar em outro lugar, feliz com sua namorada. Hyemin respirou fundo e saiu em um esforço tremendo para não bater o pé, mas seu disfarce de que tinha saído do quarto já tinha ido por água abaixo quando ela arrastou a cadeira de qualquer jeito para comer e nem percebeu quando um empregado a serviu.

    Sério. QUEM era a mulher no telefone!?

    Quer dizer que às vezes ele não voltaria para casa pra sair com ela? Quantas vezes? Com certeza vááárias! Será que ele queria contar algo para ela? DEVERIA. Não, não queria saber dos casos do seu pai. Foi pega pela armadilha da curiosidade. Droga!

    Aishhh não era possível que o pai queria colocar outra pessoa na vida deles que era tão boa só os dois. Tá, mais ou menos. Então foi por isso que ele disse que ela podia ir morar com a tia? Para ele namorar em paz? Queria outra filha então com ela? ISSO seria horrível.

    Ok que o pai era um homem adulto e bonitão, e não podia ficar solteiro para sempre. Óbvio que essas coisas aconteciam, mas… sério?

    Nem era justo! Com quem ela não sabia, mas não achava justo.

    Ok. Precisava ser um pouco razoável. Afinal, o pai era um ótimo partido…. APROVEITADORAS! Tá, talvez não fosse uma qualquer… talvez fosse até uma boa mulher e quem sabe poderia ajudá-la a não levar tanta bronca? Jamais!

    Engolir o orgulho e ...o que era o ensinamento da tia mesmo? Ah, recuar. Ok. Então desde que ele não inventasse de aparecer com aquela mulherzinha em casa, estava tudo bem. Ela também não contava o que ela fazia lá fora, afinal. Não queria que seu pai ficasse sozinho quando ela casasse com Miwoo, então tudo bem ele ter uma companheira. Ele merecia alguém para cuidar dele. Mas precisava ser tão fofo com ela? Tinha que ser uma mulher incrível para que o pai gostasse dela, ah sim! Se não, não teria o direito de tocar em seu pai, de jeito nenhum!

    Reparou então no gosto da comida e ficou com o coração amolecido, por ter um pai tão bom. Mesmo se ele odiasse seu jeito, não conseguia ficar com raiva por muito tempo dele, porque realmente seu pai era a pessoa mais importante para ela no mundo.

    Mais calma, a garota apenas terminaria de comer um tanto desanimada, pegaria um pacote de Pepero de morango da despensa e seguiria para sala, somente para olhar a tela HD do crime, suspirar e decidir voltar para seu quarto.


    Ailish
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Ailish em Qua Nov 15, 2017 12:29 pm

    A parte das compras foi uma das mais divertidas. Os comentários de Ha Neul e a maneira que os amigos reagiam a isso eram extremamente engraçados. Para o desespero de Min-Ho, que ficava num misto de constrangimento e graça, HaN se animava mais e mais com as ideias ditas por Dong e Ui-Jin soltava-se ao rir daquele jeitinho fofo. No fim das contas, o resultado parecia bastante proveitoso. Quando os estômagos começaram a compor uma espécie de sinfonia, o grupo seguiu até a Praça de Alimentação, onde a conversa prosseguia de forma ainda animada. Assim que sugeriu o cinema como próximo passeio, todos pareciam favoráveis à ideia e Dong já perguntava sobre os gostos alheios. A primeira a se manifestar foi Stella, dizendo que não curtia terror e suspense, ao contrário de Lee Hi, que amava o tema! Ela era toooda fofinha sim, mas ficava feito uma psicopata diante de uma tela cheia de sangue e morte enquanto Sunny assistia apenas os dedos, pois os mesmos permaneciam frente aos olhos durante o filme inteiro. Estava no meio termo porque até gostava do gênero, porém... na hora do "vamos ver", arregava.

    Stella parecia em desvantagem numérica.

    - Hmmm, eu não me importo com o que escolherem, mas se a Eun tem medo... - a "corajosa" falando... - Podemos assistir um de comédia! Ou melhor, no dia a gente checa a programação e decidi o que vai ser. Só que Eun, já vou te alertar que a Lee Hi não irá descansar até convencê-la, e acredite: ela sabe ser muito insistente - cruzou os braços e balançou a cabeça como quem "entende das coisas".

    Seu refrigerante chegou junto dos outros pedidos, e Sunny aproveitou para apontar um hamburguer específico no cardápio. O falatório não tinha pausa, nem no momento que começaram a comer os lanches. Nas vezes que notava o silêncio tímido de Ui-Jin, Sun-Hee puxava assunto, perguntando detalhes bobos, porém suficientes para fazê-lo interagir e não se atrapalhar, até porque, não agia de forma forçada, pois realmente estava interessada em conhecê-lo. Conhecer cada um deles.

    Infelizmente, o tempo passou depressa.

    Precisavam trabalhar, e apesar de estarem com Kyung, não queria se aproveitar disso. Aquelas horinhas de atraso, em algum período, seriam descontadas. Achava mais justo assim.

    Frente ao carro de Stella, acenou para os rapazes, despedindo-se.

    O caminho foi tranquilo. Prosseguiam trocando informações avulsas, e desse jeito, construíam o início de uma amizade. Não era algo obrigado ou superficial. Era um achado precioso, sem exageros. Independente das poucas semelhanças, eles funcionavam bem juntos. Antes de seguirem ao Café, fizeram uma parada breve para pegar os uniformes. O atendimento tinha sido rápido e eficiente, e em questões de minutos, Sunny e Lee Hi saíam da loja com conjuntos novinhos. Sun-Hee conseguiu disfarçar, mas talvez, eles notassem a pontinha do nariz meio vermelha e os olhos mais brilhantes...

    Ninguém sabia o quanto foi difícil aguentar aquela preocupação.

    Um peso abandonava os ombros e o embrulho no estômago cedia.

    Ela, finalmente, podia respirar.

    [...]

    Quando chegaram no Café, Sunny até convidou Stella e Dong para entrar, mas eles não puderam, e Eun prometeu que apareceria em outra oportunidade  - Por favor, venha mesmo, Eun! E você também, Dong! Gostaria da opinião do filho da chefe sobre o andamento dos serviços - falou com seriedade, mas o sorriso surgiu logo. Aproveitou que Stella estava próxima e deu um abraço levinho nela - Obrigada, Eun, de verdade, viu? Aos dois! Nós nos divertimos, né, Lee Hi? - aguardaria a confirmação - Até amanhã!

    Ficou acenando, meio distraída...

    A mente voou tão longe... Para um rosto em especial.

    Jung Mi...

    Ele disse que queria conversar e Sunny precisava agradecê-lo.

    Mas...

    Será que ele viria?


    Com a amiga a puxando, correu para dentro do estabelecimento, já unindo as mãos e abaixando a cabeça, pedindo desculpas devido ao atraso. Conforme ia guardar os pertences e vestir o avental, pois hoje era seu dia de atender as mesas, aproveitava para refletir sobre os acontecimentos daquela manhã. Só de lembrar da entrada na sala de aula, as pernas voltavam a tremer. No entanto...

    O sorriso de Jung Mi...

    O sorriso dele trouxe paz ao seu coração.



    Drooooga.

    Ela escondeu o rosto nas mãos.

    De tudo que ocorreu até ali, das meninas pagando pelos erros de ontem, o ódio de Yerin e os olhares desconcertantes que recebeu... Era a imagem de Jung que lhe bagunçava os pensamentos.

    Por quê?

    Por que não parava de pensar nele? Ou ficar ansiosa com a possibilidade de Jung aparecer e...?

    Amarrou o laço do avental com mais força do que a necessária e batendo os pés no chão, adiantou-se até o balcão, onde haviam clientes aguardando para pedir ou pagar. Ela não tinha um ponto certo de serviço: ora ficava no caixa, ora atendendo e limpando as mesas. Terminava de servir algumas bebidas no instante que o barulho agudo do sininho tocou, rapidamente sugando seu olhar na direção da porta.

    Porém, não era ele. As alturas assemelhavam-se com a do desconhecido, mas o formato dos ombros e o corte de cabelo possuíam diferenças gritantes. Sunny suspirou enquanto uma pequena irritação agia nos movimentos, desconcentrando-a.

    E a música...

    Não ajudava!


    Ao contrário das outras ocasiões em que cantava juntinho, agora, as letras apenas incitavam o bico nos lábios arqueados e as sobrancelhas unidas, montando uma carinha zangada.

    Nem se lembrava o motivo de gostar tanto! Não era tão legal e, na verdade, estava super ultrapassada!

    Música boba...

    Boba! Boba! Boba!

    De onde se encontrava, conseguia ver as tentativas de Jin-Ki para chamar a atenção de Hye-Sang, o que não funcionava. Era mesmo uma cena bonitinha, mas Sunny não deixou de concluir que gostar de alguém podia se transformar numa queda do precipício mais alto. Jin-Ki ria, brincava... entretanto, por dentro, devia estar partido de tantas vezes que alcançava o chão após as silenciosas declarações não-correspondidas.

    Sunny evitou a porta.

    Mas não controlava os batimentos sempre que o sininho anunciava uma nova decepção.

    Porque ele, definitivamente, não apareceria.

    E certa disso, quando o sino ressoou de novo, dessa vez, Sunny não encarou. Estava terminando de passar pano na mesa assim que percebeu Chae. Prontamente, abriu um sincero sorriso, feliz em vê-la, e interrompeu a ação para cumprimentar a amiga - Chae! Você veio! - correspondeu o abraço, tomando cuidado para não sujá-la de café - Hoje a Lee Hi ficou responsável pelos livros, mas vou chamá-la! E foi muito legal! Conversamos sobre a próxima saída, e a senhorita e o Kim não escaparão, heeein? Huuuum! - riu enquanto apontava a mesa que acabou de limpar, caso ela quisesse - Eu não tive como falar nada mais cedo por conta da correria, mas Chae, desculpa pelo mal-estar com o seu amigo... - suspirou - Pelo menos, no fim, ficou tudo ok. Agora, escolha algo bem gostoso que eu vou atrás da Lee Hi.

    Se apressou para procurar Lee Hi, seguindo até a sequência de estantes, pois não a encontrou no balcão.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Qua Nov 15, 2017 3:44 pm

    ”Até porque seria bem difícil para um bolsista se misturar com algum herdeiro naquele lugar” , pensou, mas não destruiu os sonhos daquela criaturinha. Ele ainda tinha muito tempo pela frente para se decepcionar completamente com a vida.

    - Só o tempo dirá, garoto. Quem sabe um estágio para jovens aprendizes? Continue tentando.

    Nem acreditava que estava realmente incentivando o pivete, quando era claro que não conseguiria ir muito longe com aquele pensamento pequeno. Não era muito culpa dele, já que o irmão mais velho, que deveria ser um grande incentivador, aparentemente não estava empenhado o suficiente, também. Dava um pouco de pena que ele se espelhasse tanto em um hyung tão ineficiente. Mesmo assim, olhando para trás, gostava quando sua única preocupação era um campeonato de luta e foi por isso que soltou aquela frase de forma quase despretensiosa e sem muita fé.

    Finalmente a comida chegou e ele conseguiu se concentrar em uma memória que não era ruim. Comida caseira e o cheiro de alegria. Era assim que classificava aquela comida. Achava que longe daquela movimentação toda estava seguro e, por tanto, sua guarda estava relativamente baixa, mas não o suficiente para não reagir com prontidão quando o secretário apareceu daquele jeito. Sua expressão fechou automaticamente, só para achar lamentável ter se movimentado tanto por causa de uma ceninha daquelas. Revirou os olhos, mas acabou soltando um riso abafado. Sua babá estava completamente envergonhada diante de uma bela mulher. O quão idiota ele era?

    Voltou para a comida, balançando a cabeça negativamente. Não era assim que ele deveria fazer. Então a “dona” Yumi era bem bonita. Estava esperando uma senhora explosiva, mas era bem diferente disso - a parte do explosiva era verdade, mas era um charme.

    Já preparado para a aproximação de seu empregado, Hyun Hee nem se mexeu ou deu importância para sua urgência na voz.

    - E eu tenho um almoço importante para terminar. Espere lá fora, como eu disse para fazer. Ou… pode fazer companhia para o meu amigo aqui - indicou o menino com o rosto.

    Tinha entendido que o assunto era importante, mas talvez por isso mesmo não quis levantar. Odiava que chegassem lhe dando ordens e não queria se sentir um tipo de foragido do hospício. Qualquer coisa podia esperar.

    “Não é como se a vida de alguém que eu me importo estivesse em risco, afinal” , pensou, amargo, mas sua expressão já indicava a irritação antes de uma tempestade. Estava com raiva de ter que resolver seja lá qual fosse o assunto que necessitava de sua presença. Por esse motivo, Hyun Hee fez questão de terminar seu almoço de uma maneira ainda mais lenta, apreciando o sabor do caldo de propósito, mas infelizmente não havia muito mais para terminar ali e logo ele perdeu as desculpas para ficar. Quando achou que tinha feito o secretário entender bem que ele sairia de lá quando quisesse, levantou-se de repente, colocando uma nota na mesa muito mais do que suficiente para pagar as refeições.

    - Fique com o troco, garoto. Se for bom mesmo, um dia posso ser o seu patrocinador.

    O ruivo estalou as costas com um movimento na escápula e saiu andando, dando uma piscadinha para as funcionárias antes de sair. Somente no lado de fora quis conversar com o secretário.

     - Diga. Parece tenso. Por acaso meu avô morreu?  - sorriu com a própria piada mórbida. Sentia-se no direito de brincar com aquele tipo de coisa.

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por GodHades em Qua Nov 15, 2017 8:50 pm

    Dong não poderia concordar mais com Lee Hi a respeito do terror, suspense e demônios. HaN ainda dizia que combinava com Min Ho como se estivesse fosse uma assombração. Queria rir mas o amigo entenderia como um deboche então fez as gengivas dançarem dentro da boca, contendo-se.

    - Ela vai ver sim, faremos com que veja. De preferencia um filme com espelhos. - Reforçou a fala de Lee em um tom de motim e tramoias, enquanto todos pareciam concordar plenamente que era a pedida certa para grupo, o terror. Stella não veria apenas chifrinhos, e sim o conjunto todo, tridente e bigode inclusos.

    Kyung se sentiria feliz em servir como álibi para Sunny e Hi... Com o tempo, esperava que elas pudessem contar com ele, sobre mais coisas que precisassem, já que tinha alguma influencia, nada mais justo do que ajudar quem pudesse.

    Após o saboroso almoço, Dong explica aos rapazes que iria até loja de uniformes, especialmente depois de ter pego carona com Stella. Os gracejos seriam inevitáveis, e sabia que nas mensagens do celular haveriam muitas carinhas de beijinhos, beiços e coisas caricatas, enviadas por Ha Neul e Ui-Jin, por isto evitaria de olhar em seu aparelho para não se desconcentrar; já que se o fizesse, riria.

    Quando eles finalmente foram até o loja, achou que demoraria bastante especialmente, por ele ter pouca experiencia em sair com meninas.

    Seu conceito foi errado e as compras foram bem ágeis, bem diferentes do que o geek estipulava.. sentiu uma certa tristeza ao notar como passou rápido, logo ele também teria que voltar para casa e resolver seus assuntos familiares com o tal jantar.

    Depois, quando chegaram no Café, Sunny chegou a convidar eles, e Kyung respondeu para toda seriedade que a menina lhe esbanjava. - Pode deixar, irei checar tal serviço, controle de qualidade vai ser meu sobrenome! Aparecer de surpresa, como uma chuva de verão, e se possível disfarçado! - Falou como se desse para disfarçar aquela cara fina de óculos. A não ser que ele viesse de cosplay, ai a conversa era outra.

    Acenou, e partiu com Stella, sendo que ele ficou no banco da frente. - Preciso contar que Ha Neul demorou mais com seus aparatos que as meninas, isso será motivo de risada por uns dias.

    Dong não havia levado nada de especial para marcar aquele dia, as companhias de hoje já seriam o bastante para a memoria dele.

    - Tentarei liberar o Shakespeare que existe dentro de mim. Se sobrevivi a natação, sobrevivo a teatro, deve ser quase a mesma coisa que o roleplay com os meninos.

    Kyung subestimava o poder do teatro, parecia não ter ideia do mundo terrível que estava prestes a desafiar. Sorriu com a cara do motorista parecendo não aguentar mais aquelas conversas de jogos e outras besteirinhas e dali se despediu.

    Pegou a mochila e acenou para Stella de modo formal, e seguidamente ao motorista.

    - Eu mentiria se dissesse que gosto, mãe, entretanto, também não gosto de nadar. - Já chegava deixando bem claro o ponto para sua adorada mamain e logo se viu na posição de dizer algo a respeito da aparência dela. - Mas agora que a senhora está tão linda e elegante desse jeito, seria uma boa chance de mostrar como o pai está bem casado e é um homem de sorte, e eu, um filho afortunado.

    Enquanto falava ainda detinha mochila num dos ombro, pela alça. Por poucos segundos pareceu com um diácono de igreja falando. Só faltando dar glória a Deus.

    - Além do mais, prometi a Hayoung que iria e..

    Hye-Sun perceberia que o garoto gostava da prima, ele estava indo só por causa dela, então?! Apesar da situação entre as famílias, que as vezes podia ser bem áspera, as gerações mais novas não mostravam esses desafetos, pelo menos não de modo acentuado e azedo. Após falar, Dong percebe que aparentemente a mãe não tinha visto o carro de Stella lá fora o trazendo, o que acabou lhe poupando de piadinhas.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Qui Nov 16, 2017 10:50 pm

    [HYUN-HEE]

    Pela primeira vez desde que se conheceram no início do mês passado, Hyun-Hee não teria uma ordem obedecida imediatamente. O Secretário Lee o encarou seriamente e disse num tom mais autoritário.

    - Agora, Sr. Park. É urgente. - Anunciou e olhou para o menino. - Sinto muito por interromper o almoço dos senhores.

    E voltou-se para Hyun. O homem em questão era bastante disciplinado e aceitava todas as ordens do jovem patrão com suas excentricidades. Porém, acima de sua obediência, estava o dever primordial: zelar pela segurança de Hyun-Hee. Foi para isso que fora contratado e, desde o dia anterior, depois do incidente no shopping, ele estava ainda mais cuidadoso com isso. Sentia que tinha falhado e foi um choque descobrir que vinha falhado há mais tempo do que poderia imaginar.

    Posicionou-se atrás da cadeira de Hyun e a puxou com precisão. Caso ele se mantivesse naquela postura rebelde, poderia acabar se desequilibrando e quase cair - o que seria um pouco patético, mas o homem não estava preocupado com isso. Sabia que o jovem patrão não gostava de ordens e era deveras mimado, mas agora era urgente.

    Fez de tudo para Hyun sair dali sem que tivesse de usar força bruta, mas a usaria, se fosse necessário - e Hyun não ia gostar disso. Logo começaria uma rápida caminhada para fora do restaurante e o guiaria com cuidado até o carro. Caso Hyun deixasse as ironias de lado, ele perceberia que o Secretário estava um pouco arisco, atento, olhando de um lado para o outro. Parecia muito com o próprio Hyun no dia anterior, no shopping. O secretário o levou até o carro e o enfiou ali sem muita gentileza antes de seguir para o lado do motorista e sair dali.

    - Não, mas seu avô não passa bem. - Disse com a voz fria e o olhou pelo retrovisor por um momento. - Está sob medicamentos depois do relatório que recebeu.

    Explicava enquanto dirigia, saindo dali.

    - O senhor tem sido seguido, Sr. Park. - Declarou. - Entrei em contato com alguns amigos meus seguranças e eles me passaram as gravações de ontem, do shopping que o senhor esteve. Pedi as gravações do horário que esteve lá e...De fato, alguém apareceu em diversos quadros.

    E daí?

    O secretário o olhou pelo retrovisor de novo.

    - Não é a primeira vez que vejo aquele homem. No dia em que foi se encontrar com aquela senhorita para desfazer as malas, eu também o vi. Parecia um sujeito normal, mas agora, com essa concidencia, ele já deveria estar de olho em você. Por que estariam te seguindo, Sr. Park? Apesar de sua rebeldia, sempre o achei um jovem inteligente.

    Na cabeça do Secretário Lee, é preciso ser muito inteligente para enganar os psiquiatras e conseguir uma licença para dirigir, por exemplo. Sabia que ele tinha algum problema, isso era evidente. Mas também sabia reconhecer quando estava diante de uma mente apurada e esperta o suficiente para conclusões mais refinadas. O Secretário meteu o pé no acelerador e logo voltou para Gangnam.

    Quando chegassem à residência de seu avô, o homem, de fato, estaria acamado. Tinha chegado de viagem naquela manhã e tudo estava bem até aquele período da tarde quando recebeu a cópia dos arquivos. Sua pressão tinha subido e precisou ser medicado e ficar de repouso. Estava em seus aposentos, lendo com calma o que tinha em mãos, esperando pela chegada de Hyun-Hee. Não era mais um homem jovem, precisava ter cuidado com sua saúde. O problema é que, apesar de tudo, tinha se apegado ao menino e de fato estava preocupado com seu bem-estar.

    [MISOO]

    Gyu-Sik tinha desligado o telefone depois que viu MiSoo do outro lado da rua. O rapaz tinha se virado um pouco mais, para observá-la e ver o que ela faria: se falaria com ele ou se ainda estava chateada pelo que tinha acontecido mais cedo. Ele se lembrava, era claro que se lembrava. Mas não era o tipo de pessoa que demonstrava. Diferente de Misoo, ele não era transparente, nem se deixava revelar tão facilmente.

    Quando a menina começou a andar daquele jeito, Gyu-Sik simplesmente deixou que ela fosse. Sem que ela percebesse, o rapaz deu um suspiro cansado e massageou a têmpora antes de girar nos calcanhares e entrar em sua casa.

    [...]

    Depois daquela tarde no clube, MiSoo se sentia um pouco melhor. Ficar fora de casa sempre era gratificante, principalmente porque não precisava aturar sua mãe. Era muito mais fácil lidar com a rigidez de seu pai do que com os surtos da mãe. Porém, alguma hora ela precisava mesmo entrar em casa, ainda mais quando o banho se fazia necessário.

    MiSoo teve todo o tempo do mundo para refletir enquanto eliminava os residuos daquele dia e seguisse para sua rotina - ou tentativa de rotina - de cuidados com a pele. Ainda também podia gastar um generoso tempo secando os cabelos ou simplesmente saindo com eles molhados daquele jeito. Enquanto olhasse no espelho e observasse o próprio rosto, ela não veria as bolachas de sempre, ela veria...um rosto feliz. Os elogios de Bo-Mi e Jin-Hee faziam um efeito mágico e ela podia sim perceber que era delicada.

    Não uma ogra.

    Gyu-Sik estava errado e parecia que já tinha esquecido aquele assunto. O melhor que MiSoo podia fazer era esquecer também. Para que valorizar aquelas palavras rudes? Gyu-Sik que as engolisse inteiras!

    Quando saísse do banheiro, porém, ela tomaria um susto. Sua mãe estava no quarto e trouxera uma arara pequena, mas com sete opções de roupas, dez possibilidades de sapato e várias bolsas num cantinho para montar o look perfeito. A mulher usava o espelho grande do quarto, colocando os vestidinhos - que eram dedicados a Misoo - por cima da própria roupa para avaliar se ficava certo. Ao ver a filha, ela a encarou com um sorriso verdadeiro - como se nunca tivessem brigado antes. - e a chamou para perto.

    - Venha, venha, meu amor! Olha o que mamãe trouxe para você!! - Indicou a arara e bateu palmas, satisfeita com o proprio feito. - Como você nunca está disponível para me acompanhar e não temos muito tempo até sábado, decidi eu mesma pegar a coleção nova. Está tudo aí para você decidir. Vamos, experimente!

    Incitou a menina a ver. MiSoo podia encontrar mil motivos para não gostar de nenhuma daquelas roupas. Apesar de serem lindas, não combinavam muito com o estilo dela e sim de MinT; o salto alto a incomodava muito, mesmo que as cores dos sapatos fossem aprazíveis. Porém, o principal problema que ela veria, era que...as roupas eram um manequim abaixo do dela. A mãe parecia ciente disso e enquanto a observava, sentada na cama, disse.

    - Não será um problema. Faça uma dieta detox para desinchar. - Deu de ombros, como se não fosse nada. - Alias, soube o que aconteceu hoje na escola.

    Arqueou uma das sobrancelhas, tombando a cabeça.

    - Estou surpresa por vê-la em casa e não grudada na Eun-Bi. Vocês brigaram? Você ajudou a derrubá-la no lago? Se sim, acho uma boa iniciativa sua. Não vejo mais como essa amizade pode ajudá-la, sabe? Eun-Bi sempre se destaca muito e acaba ofuscando você, isso não é bom. - Coçou um pouco a nuca. - Não quero que você seja conhecida como a sombra dela, ainda que ela seja mesmo muito bonita.

    A mãe só transformava aquele momento numa tortura ainda maior. Além de MiSoo ser sufocada pelos vestidos, ainda começava a ser sufocada pelos comentários venenosos de sua própria mãe. O pior era que ela acreditava no que dizia, de modo que nem percebia o mal que fazia à própria filha.

    [SUNNY]

    Chae abriu ainda mais o sorriso quando viu a expressão de Sunny mudar por conta da surpresa. A menina meneou positivamente, batendo palmas antes de abrir os braços para abraçá-la.

    - Claro que viim!! - Diferente de Sunny, Chae não teve muito cuidado para abraçar, sem se importar muito.

    Aceitou a mesa que ela lhe oferecia. Enquanto se ajeitava, ouvia Sunny falar e não perceberia que tinha esquecido de retirar o band-aid na altura de suas veias por conta do exame que fez naquela tarde. Ajeitou seu cabelo, sem comentar muito sobre suas mechas diferentes - afinal, o que mais tinha na Coreia eram maquiagens para cabelo e apliques. Aumentou o sorriso e meneou positivamente.

    - Quero muito ir na próxima vez! Já tem duas vezes que não consigo me divertir com vocês. Se bem que ontem não foi divertido, mas... - Mordeu o lábio internamente. - Eu teria revidado, com toda certeza do mundo. Então, talvez fosse divertido. Enfim, eu quero muito sair com vocês e os meninos na proxima vez! Eles parecem tão fofinhos!

    Comentou meigamente, apoiando os cotovelos na mesa e fazendo meio que uma pose de tulipa para apoiar o rostinho.

    - Amigo?- Ponderou, coçando a lateral da cabeça enquanto pensava que amigo, até que fez um "o" com a boca quando ela citou o mal-estar. - Ah...ele. Hm...Ele não é meu amigo...Eu acho. - Fez um bico, ponderando. - Esses ricos são um pouco excêntricos, sabe? E ele me deu uma jóia liiinda de joaninha porque...

    Suas bochechas coraram quando lembrou-se de como ele descobriu da joaninha. Catou o cardápio e colocou na frente da cara, se escondendo.

    - Porquenada,nãosomosamigos, euachoquenão...- Pigarreou depois de dizer tudo de uma vez e mudou completamente de assunto. - Vou querer Hotteok - Indicou. Era uma panqueca doce geralmente com arroz, recheada com amendoim, castanhas diversas, canela e açúcar mascavo. - E café...preto, com muito açucar. - Arregalou os olhos e forçou uma carinha aegyo, logo em seguida.

    Hyun-Hee não era um tópico que ela entraria. Pelo menos não no momento. Enquanto Sunny a encarava, meio de costas para a entrada, o sininho tocava de novo. Dessa vez, Chae que olhava na direção da porta e os olhinhos dela brilharam quando viram a pessoa que entrava. Era um rapaz mais velho, um verdadeiro oppa. Estava bem vestido e tinha uma carinha lindinha. Os olhos de Chae pareciam criança no natal e as bochechas coraram enquanto ela sussurrava para Sunny.

    - Não olha agora, mas olha que oppa lindinho, Sunny...Que gracinha e...- Arregalou os olhos. - Por que..ele tá...

    A expressão foi substituída por um pokerface quando o rapaz se aproximou de Sunny e tocou em seu ombro. O toque e o perfume já eram conhecidos por ela. Tratava-se de Yi-Hoo, seu irmão mais velho que, de vez em quando, passava no trabalho para buscá-la.


    - Como vai, criaturinha? Ainda trabalhando? - O rapaz perguntou meio surpreso.

    Chae já tinha começado a afundar na cadeira depois da gafe que tinha cometido ao chamar o irmão da amiga de gracinha.

    [HYEMIN]

    A governanta respondeu que o pai não tinha jantado ainda, mas solicitara que o jantar fosse servido no escritório. Logo, Hyemin podia ter toda a sala de jantar para si, sem correr o risco de encontrar com o Sr. Seo. Aparentemente, nenhum dos dois tinha humor para se ver de novo. Estavam muito magoados para isso.

    Porém, quando passou em frente ao escritório, uma conversa estranha chamou a atenção da menina. O pai estava distraído o suficiente para não notar a presença da filha, até porque estava de costas para a porta. O modo como ele falava com a pessoa ao telefone já trazia toda sorte de pensamentos à Hyemin. Vários perfis eram montados e ela já imaginava que o possível relacionamento do pai tinha alguma ligação com a briga de mais cedo.

    Quase como se ele fosse realmente capaz de abandonar a filha para viver um casamento do zero.

    Ainda bem que Hyemin não tinha feito nenhum escândalo ou cobrado explicações àquela altura do campeonato. O pai já estava suficientemente aborrecido e decepcionado para ter que lidar com uma atitudes dessa da filha. Ouvindo os conselhos da tia, Hyemin recuou e seguiu até a sala de jantar onde foi servida. A comida do papai tinha um tempero bem especial, alguns segredos que ela já vinha anotando no caderno e outros que ela associava por conta do paladar aguçado.

    O pai tinha feito um pesto com camarão. Ele gostava de cozinha estrangeira, principalmente massas, muito embora também cozinhasse muito bem as comidas tradicionais. Hyemin sabia que o pai era um homem viajado e teve uma fase que quis fazer gastronomia, mas mudou completamente de rumo, seguindo o que o pai queria.

    Ele nunca mais tinha voltado a cursar nada relacionado à gastronomia, mas sempre que podia, se dedicava a esses estudos por si só.

    De todo modo, Hyemin não estava com muito humor para elogiar o pai - nem mentalmente!. Pegou um pacote de pepero na dispensa e seguiu para seu quarto. Ela não fazia ideia, mas tinha muitas mensagens perdidas de Yerin em seu celular. Quando chegasse ao quarto, ouviria o raro toque do telefone. Não era costume usar o telefone fixo, por isso ela demoraria alguns segundos para entender que era o objeto rosa que fazia um barulho. Quando atendesse, ela teria uma surpresa. Do outro lado da linha, ouviria um suspiro antes da voz de Yerin.

    - Hyemin-Ah...? - Sua voz estava fraca, meio cansada.- Vamos...pensar na nossa viagem ao redor do mundo?

    Era um código.

    Elas usavam o tema de viagem e as coisas que poderiam fazer e descobrir juntas apenas para fugir da realidade que ambas viviam. Yerin não admitia, mas aquilo era terapeutico. Se Hyemin teve um tempo ruim em casa, podia imaginar o que a amiga tinha passado na propria. Principalmente agora que ela ligava, para o telefone fixo só para falar do código delas!

    O pior de tudo é que ela sabia que, no dia seguinte, Yerin apareceria como se nada tivesse acontecido.

    Mas agora...

    - Eu queria começar vendo a praia. - Revelou. - Uma praia de areias brancas e onde o mar seja calmo...Um lugar assim existe, não é?

    [DONG]

    Hye-Sun não podia ter pedido por um filho melhor. Dong tinha um jeito único de ser e conseguia preencher todas as inseguranças, incertezas e medos de sua mãe. Ele podia não se dar conta, mas era o grande anjo da vida dela. Ao ouvir o comentário elogioso do filho, ela deu um sorriso e acariciou a cabeça dele, colocando o cabelo para trás.

    - Certo... - Ponderou.

    Não ficou muito certa sobre a questão de Hayoung. Não tinha nada contra a menina, mas conhecia bem a família dela. Os pais eram pessoas dificeis de lidar e parecia muita inocência ou utopia imaginar que o fruto cairia muito longe da árvore. Ficava feliz em saber que o filho tinha um bom relacionamento com a prima, mas temia por uma eventual decepção. Quanto à questão de Stella, ela não cometeria a indiscrição de comentar que vira os dois juntos. Ela não era o tipo de mãe que colocava pilha no filho. Se eles eram amigos, era bem normal que estivessem juntos.

    Depois de se certificar de que o filho iria, Dong teria seu tempo para se arrumar. A mãe ainda circulava e mudou de roupa umas dez vezes até voltar ao look inicial. Tinha sido a primeira a começar a se arrumar, mas foi a última a descer. O pai já estava lendo alguns e-mails no celular e muito bem arrumado enquanto a esposa dele.

    - Aah, finalmente. - Comentou, respirando fundo, mas logo foi delicado. - Valeu a pena a espera. Você está linda.

    Hyun-Joo sorriu e ofereceu a mão, dando um delicado beijo na região antes de colocar a mão dela sobre o ombro. Logo indicou a porta para que todos seguissem até o carro. Naquela noite, eles teriam um motorista particular, apenas no caso de beberem. O avô, patriarca da família Dong, tinha reservado uma sala do restaurante do Country Club apenas para a reunião da família. Geralmente fazia isso na residência oficial da família, mas depois da última situação que ocorrera lá, preferia que seus pertences não fossem danificados.

    Quando Dong e seus pais chegaram até o restaurante, Hayoung e os pais já estavam lá. Deok-Hwan, o irmão mais novo de Hyun-Joo tinha uma expressão serena, mas escondia uma pessoa...difícil de lidar. Nunca teve uma boa relação com Dong, principalmente por conta de suas origens e o que envolvia as ações e herança da Chaebol. Sua esposa, So-Ra tinha problemas diretos com a mãe de Dong. Ela olhava para Hye-Sun como se fosse inferior, pois não faziam parte do mesmo ranking. Hayoung era a única que trazia um sorrisinho, tentando ser simpática.

    Dong ouviu sua mãe suspirar e logo os cumprimentos começaram. Os pais de Hayoung falaram de modo amistoso com o pai de Dong, mas olharam de modo desdenhoso para mãe e filho.

    - E o Sr. Dong? Já chegou? - Hyun-Joo perguntou.

    - Ainda não. - Deok-Hwan respondeu. - Parece que chegamos cedo.

    - Que tal sentarmos, então?

    - Parece uma boa ideia. - A cunhada disse.

    - Oi... - Hayoung cumprimentou o primo e a tia, mas logo recebeu um olhar de repreensão da mãe.

    Não demorou para que os seis seguissem até a sala reservada para o jantar da família. Foi um momento extremamente estranho e desconfortável. De um lado estavam Dong e seus pais, do outro Hayoung e os pais dela. O avô demorou cerca de meia hora para chegar e durante todo esse tempo, o silencio dominou. Cada um parecia muito distraído com os proprios problemas. O pai de Dong olhava para o celular enquanto a mãe mantinha a cabeça erguida, ainda que recebesse olhares hostis. A mãe de Hayoung a analisava da cabeça aos pés, procurando algum defeito, mas sem encontrar nenhum.

    Hayoung estava com a postura um pouco relaxada, preocupada. Até que o silencio foi cortado com a chegada do Patriarca, Dong Han-Yong da família. Os seis se ergueram e reverenciaram a chegada do patriarca. O homem andava com certa dificuldade e tinha ajuda de uma bengala. Sentou-se na ponta da mesa e fez sinal para que relaxassem.

    - Lamento pelo atraso. Espero que todos tenham colocado a conversa em dia enquanto estive ausente. - Disse de modo divertido, pois sabia bem que os dois lados se odiavam. - Vocês dois eu vejo sempre, então...meus netos, como vão? As aulas já voltaram, não é? Como está o colégio? Tenho ações com o grupo Wangjo, gostaria de saber se meus netos tem recebido o retorno.

    Hayoung ficou um pouco corada, mas olhou para Dong, permitindo que ele começasse os relatos primeiro.

    [JAE-KI E WON-BIN]

    Jae-Ki parecia pensar que todos os garotos da escola eram apenas meninos ricos que não sabiam se defender ou não era bons de briga. Logo no primeiro instante, ele veria que estava bastante errado quanto à essa impressão. Talvez ele tivesse esquecido um dos principios que aprendera em suas aulas de hapkido quando mais jovem - ou até mesmo as aulas que a vida lhe dava todos os dias quando se envolvia com as brigas de gangue: nunca podia subestimar um inimigo. Taemin aproveitou-se daquela surpresa e não poupou esforços para machucar o rapaz.

    Depois de uma troca, Jae-Ki estava no chão por conta de um golpe perfeitamente aplicado pelo loiro. Além de cair de um jeito torto e sentir o ar fugindo de seus pulmões, ele ainda teve que lida com uma sequência de dois potentes socos que o loiro aplicou sobre ele. O primeiro já fez seu supercílio sangrar e o segundo já inchava o olho. Mais um roxo para a coleção.

    Porém, no instante em que Jae-Ki ouviu aquele "crack" vindo de onde Won-Bin estava, algo começou a crescer dentro dele. Não podia permitir que seu amigo se ferrasse daquele jeito. Taemin estava pronto para golpeá-lo de novo, mas a atitude de Won e a lembrança de Eun-Bi fizeram Jae-Ki desviar. Seu corpo agiu por puro reflexo e ele rapidamente aplicou um chave que, se tivesse sido melhor nada, certamente teria deslocado o braço do loiro. Infelizmente, para Jae-Ki, não chegou a tanto - apenas foi o suficiente para que ele conseguisse sair daquela situação de desvantagem e conseguisse ficar de pé de novo.

    Jae escapar:
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    Ataque Jae:
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    "Será que esse soco doí?"

    Persephone efetuou 1 lançamento(s) de dados (d10.) :
    8

    Taemin tinha sentido um pouco de dor, mais um pouco e seu osso provavelmente estaria deslocado. Mas ele pensou rápido também e conseguiu mitigar os danos. No meio da confusão, o nunchaku rolou para longe deles e o loiro se preocupou mais em massagear o ombro e ver se estava tudo bem.

    - Não mete o Won nessa? Quem foi que trouxe o amiguinho? Você! Você é o responsável por tudo o que for acontecer aqui!

    Taemin atacando:

    1d10

    Persephone efetuou 1 lançamento(s) de dados (d10.) :
    7

    Jae luta:
    Gakky efetuou 1 lançamento(s) de dados (d10.) :
    9

    E sorriu de modo malicioso antes de avançar contra ele de novo. Como Taemin imaginou que o ponto fraco de Jae-Ki fossem as pernas, ele tentou aplicar um golpe semelhante. Dessa vez, contudo, foi ele que subestimou as habilidades de Jae-Ki. Seu golpe teria sido mais efetivo ainda do que antes, mas Jae-Ki pensou rápido e não caiu. A troca começou a ser franca, só no punho. O hapkido de Jae-Ki seria usado mais para se esquivar e anular o judô de Taemin. O estilo de luta estava mais para livre e não pensavam mais nas técnicas, só queria se socar mutuamente para ver quem caía primeiro.

    Ambos apanhariam, mas Jae-Ki tinha uma leve desvantagem porque sangrava há mais tempo e sua visão estava prejudicada.

    Não muito longe de Jae-Ki, Won-Bin tinha que lidar com a realidade. O seu lado heróico desmoronava quando ele percebia que a vida era bem, bem diferente dos filmes de herois. Talvez aquele dia no beco, quando lutou em sintonia com Ji-Hoo tivesse despertado a ilusão de que ele sempre seria bem sucedido. Veja bem, naquela noite, ele tinha lidado com facas e um tiro, mas Ji-Hoo parecia mais acostumado com esse tipo de situação e livrou os dois de um fim trágico.

    Mesmo assim, a semente do "inquebrável" parecia ter geminado em Won-Bin, de modo que ele realmente achou que fosse uma boa ideia levar uma arma que nem sabia usar. Pior, ele revelou-se de modo inocente enquanto o inimigo, Taemin, tinha uma estrategia um pouco mais elaborada.

    O herói caía.

    E a dor em sua mão esquerda só reforçava como a realidade podia ser avassaladora. O cara que pisou na mão dele tinha se divertido com isso. Achou fácil demais e Won tinha acabado de entrar para uma extensa lista de vítima. Vítima. Era esse lugar que Won-Bin queria residir? Como uma estatística??

    A dor começou a cegá-lo de novo. Parte de si estava quebrada por ter falhado com seu Mestre - que provavelmente teria vergonha daquela iniciativa lamentável - e também com o seu pai, que sempre confiou tanto nele. Porém, a outra parte dele, a que ele sempre sufocava, estava ali gritando para se libertar. E a fúria veio como uma onda, sufocando a dor da mão e simplesmente liberando um Won que ele não conhecia também.

    Os chutes foram bem aplicados, lindos de se verem. Mas os caras não eram dublês e não cairia por qualquer motivo. Na verdade, eles apenas viraram um pouco o rosto e cuspiram um pouco de sangue, mas logo o encararam de novo.

    isaac-sky efetuou 1 lançamento(s) de dados (d10.) :
    6

    Rolagem de ataque supimpa

    isaac-sky efetuou 1 lançamento(s) de dados (d10.) :
    9

    Segundo ataque

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    Capanga 1 "será que doeu muito?"

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    Capanga 2 "será que doeu muito?

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    Estavam prontos para atacá-lo de novo. Mas havia um certo receio, afinal, o garoto tinha se erguido daquele modo, mesmo depois de sofrer aqueles duros golpes. Resistente ele era, ao menos. Ou talvez muito inconsequente. Fato era que os dois avançavam, mas eram bem coordenados e tinham um único aobjetivo: nocautear Won-Bin. Porém, eles também foram surpreendidos como Won conseguiu se defender e, mais do que isso, fazer com que o golpe de um deles tivesse efeito oposto. Eles não sabiam voar como Won - TKD não era a praia deles - e preferiam ir com punhos e torções, mas acabaram sofrendo um contra-ataque e precisaram de um tempo para lidar com isso.

    Capanga 1 revidando (1d10)

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    Capanga 2 revidando (1d10)

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    Era o momento que Won podia se aproveitar também, mas tinha a grande limitação da mão. Para um ambidestro, a mão esquerda inutilizada fazia uma grande falta - fora a dor, obviamente. Era dificil manter o balanço e o equilibrio quando seu corpo não tinha mais toda a fluidez de antes.

    Nunca, nem nos treinos ou campeonatos, ele já tinha passado por isso.

    Agora tinha que lidar com dois que estava prestes a virar 3x1. Algo totalmente covarde, mas ninguém tinha mandado Won-Bin ir até ali também!

    [...]

    Os dois amigos encontraram problemas. Won quase foi neutralizado, agora que tinha mais um - e esse sim, entendia melhor de TKD. A ideia dos três caras era que um segurança Won e os outros dois batessem e ficassem revezando assim, até que ele desmaiasse. Mas ainda não tinha conseguido nem a primeira parte do plano, visto que, apesar de tudo, o garoto conseguia se defender bem. Até que eles pegaram o ponto fraco: a mão quebrada e estavam prestes e iniciar a sucessão de agressões que iriam deixá-lo apagado no chão.

    Jae-Ki também via problemas. Ele não tinha voltado ao chão, mas agora estava contra um dos postes de iluminação. Taemin o empurrou para lá e mais uma vez o ar faltava. Todos os dois mini-grupos estavam perto da vitoria até que...

    O som de um carro começou a ser ouvido, bem como a sirene da polícia. Taemin hesitou, lançando um olhar para Jae-Ki com o punho fechado. Fez um "tss" com os lábios.

    - Medroso. - Declarou e cuspiu na direção de Jae-Ki.

    Disse isso porque achou que ele não tivesse chamado apenas Won-Bin e sim a polícia. Won também foi largado, empurrado de qualquer jeito enquanto o grupo de cinco jovens começavam sua fuga. Precisavam chegar até o carro do mais velho, que não estava estacionado muito longe dali. Como tinha sido o proprio Taemin quem indicara o lugar, ele sabia os melhores trechos para sair - não era a primeira, nem última briga ali.

    Jae-Ki e Won começariam a sentir a adrenalina abaixar. Para Jae-Ki, aquele som de sirene sempre trazia sufoco, mas suas pernas não o obedeciam e um carro civil, mas com a sirene da policia no teto, entrou em cena. Os farois estavam altos, iluminando ainda mais aquele ringue. Dois homens saíram do carro, também vestidos de civis. Um deles era parecido com Won-Bin, principalmente agora com a cara séria, irritada e extremamente decepcionada. Já o outro era mais parrudo, parecia um policial burocrático e não de rua.



    - Won-Bin?!!? - O homem perguntou num tom autoritário e sua sombra cobriu o corpo de Won.

    A expressão dele estava carregada de decepcção e preocupação. Meneava negativamente, sem saber exatamente se dava uma lição naquele moleque ou se o levava o hospital.

    - Hwang! Tem outro guri aqui! - O outro policial se aproximou de Jae-Ki. Ele tinha uma expressão amistosa, apesar de tudo. - E aí, garoto? Você consegue levantar? Vamos para o hospital.



    Não foi uma pergunta, foi uma ordem. Jae-Ki seria ajudado por aquele homem e logo Won-Bin e Jae-Ki estariam no banco de trás do caror do Policial Hwang, à caminho da emergência.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Qui Nov 16, 2017 11:53 pm


    "Como foi que eu parei aqui? Eu acordei achando que era o Batman pra descobrir que eu to mais pra capanga numero 5"

    A situação não ia nada bem. Won tinha conseguido se livrar do cara que lhe amassava os dedos e revidar com dois chutes.
    Nem movimentos perfeitos de filme eram capazes de derrubar aqueles caras.

    "Droga eu fui orgulhoso. Eu fui um idiota" pensava encarando os três capangas se aproximando. Mantinha a mão esquerda colada no abdômen, visando mante-la protegida.
    A dor começava a subir, mesmo com a adrenalina, mas Won ignorava.

    "A única coisa que eu sei fazer e não vai servir de nada" sentia que o desafio era impossível. Não foram somente seus dedos quebrados, mas sua vontade fora igualmente triturada.

    -VENHAM! - esbravejou uma última vez, numa bravata de falsa coragem que vinha ao peito.

    Não adiantava, eram muitos e Won só sabia lutar dentro das regras. Golpes foram trocados, Won já nem sabia mais se estava perdendo ou ganhando, apenas acertava como podia seus chutes.

    E então a sirene da polícia.

    Won sentiu a espinha gelar. Taemin e os outros fugiam.

    "Não! Eu não mandei a mensagem. Como ele podia saber?"

    A dor aumentava, começava a se tornar insuportável. Won se sentou ali mesmo, não adiantava correr, era tarde demais.

    Tinha quebrado uma promessa.

    Olhou para Jae-ki, estava preocupado se ele ia levantar.

    -P-Pai. Não é o que... - não conseguia olhar pro pai, apenas sentia vergonha. Vergonha por não ter conseguido ajudar o amigo, vergonha por ter se exposto daquele jeito e por ter quebrado a promessa.

    - Hwang! Tem outro guri aqui! - O outro policial se aproximou de Jae-Ki. Ele tinha uma expressão amistosa, apesar de tudo. - E aí, garoto? Você consegue levantar? Vamos para o hospital.

    -É meu amigo! - gritou, mas não pela situação, era pela dor. Ficava mais difícil se concentrar. Nem queria olhar mas era impossível não ver como seus dedos estavam tortos agora.

    -O nunchaku. Pai...pega o nunchaku. É do...mestre Baek - a dor não o deixava formar frases muito bem. Caso o pai não pegasse a arma ele mesmo tentaria se levantar e pega-lo.

    ...

    No carro, Won não conseguia dizer nada. Tanto pela dor como pela vergonha.

    O carro, com seu velho aparelho de som, tocava uma das músicas que seu pai gostava.



    "Eu não sou um herói. Eu nunca fui, nunca vou ser"

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Sex Nov 17, 2017 12:22 am

    Foi um alívio ter conseguido se livrar de Taemin e saído do chão, mas era uma droga que não tivesse conseguido deslocar o osso dele. Enxugou com o dorso da mão o sangue que saía do ferimento no supercílio enquanto ouvia o que o loiro tinha dizer. Essas palavras que diziam que ele responsável por tudo ali, inclusive por Won ter vindo, ficaram mais em sua memória do que imaginou que ficaria. Mas não havia tempo para arrependimentos agora e nem para pensar quem era o culpado.

    Os dois voltaram a avançar um sobre o outro, Taemin tentou novamente atacar suas pernas, mas Jae-ki já estava esperto quanto a isso e sorriu quando o adversário errou, um sorriso de calor de batalha. A coisa depois ficou tão intensa que já quase não havia mais técnica, só quando Jae tentava anular os golpes do seu adversário. Mas o que queria mesmo era acertar Taemin. Jae-ki só queria machucar o máximo que podia esse desgraçado da sua frente. Queria descontar nele toda sua raiva, e o seu ódio pelo péssimo dia que teve que havia começado na confusão do lago. Queria provar que era mais forte, que tinha mais valor do que o cretino loiro, que o dinheiro nem sempre poderia vencer. Precisava mostrar para Taemim que ele tinha mexido com cara errado e que apesar de toda as suas desvantagens, ele sabia se defender.

    Enquanto tentavam derrubar um outro, só lembranças instintivas passavam pela sua mente, fragmentos de tudo que havia lhe causado raiva. Não pensava onde essa briga iria parar nem como terminaria, apenas agia e tentava acertar ao outro com pressa. Won Bin não saiu de sua mente, mas precisava derrotar Taemin para ajudá-lo. O pior é que sentia a visão prejudicada por causa do sangramento, estava atrapalhando e doendo, por isso acabou se ferrando um pouco mais do que o outro. De repente foi empurrado com força contra um poste e isso lhe tirou o ar novamente.


    Mais uma vez encurralado, só que agora muito mais cansado do que no começo. Tentava puxar o ar o mais rápido que podia até que ouviram um som conhecido por Jae-ki. Quando não podia mais piorar, acabou piorando, pelo menos era o que Jae achava. Tudo foi muito rápido, a falta de ar, Taemin o chamando de medroso e indo embora depois cuspir em sua direção. O medo já começava a apertar no seu peito, sabia que tinha que fugir, sair correndo dali, seu instinto gritava por isso, como sempre fazia com sua gangue, mas suas pernas não obedeciam, o que deixou mais apavorado. Se apoiava no poste enquanto escorregava para o chão sem forças e ar para sair dali.

    Porém Jae-ki, mesmo com a visão prejudicada por causa do supercílio, notou que não estavam vestindo uniformes e um deles parecia conhecer Won Bin."Won me traiu?  É a policia?" Mas logo ele perceberia que havia algo mais ali, Won chamou o homem de pai! Jae-ki olhava ao redor procurando desesperadamente uma direção para fugir, como um animal acuado por um predador, sabia que deveria dar o fora dali. Gelou ao ver o homem perto dele, queria sair correndo, mas parte sua sabia que isso agora seria impossível. O coração batia muito acelerado, pela sirene julgou que eram policiais, deviam estar vestidos assim por causa do Won, ou porque estavam fora do seu expediente. Tinha razões o bastante para temer esse tipo de coisa. Se fugisse agora seria levado a força de qualquer jeito se eles fossem do tipo que temia. Ouviu Won Bin tentar explicar que eram amigos, mas no que isso ajudaria agora? Seu amigo o tinha colocado em uma enorme furada.

    Sem escolha, nem conseguiu responder ao homem de tão assustado que estava, só balançou a cabeça em sinal de sim, mostrando que estava sem fôlego demais para falar, mas tentou se levantar. Seria um erro recusar, apenas pioraria tudo se tivesse que ser levado a força. Estava um pouco zonzo por causa da falta de ar e tossia, por isso acabou recebendo ajuda. Apesar do cara parecer mais burocrático, Jae-ki só conseguia ficar assustado, estava tão nervoso que não pensava com clareza apenas associava que era um policial e que isso era terrível. Deixou ser levado para dentro do carro. Antes de entrar, Jae-ki chegou a lançar uma última olhada fora, para a liberdade. Uma vez que entrasse no carro, não sabia o que aconteceria a ele.

    Uma das coisas que mais temia era o que estava acontecendo agora, estar dentro de um carro de policiais. Até mesmo seus amigos da gangue tinha medo de algo assim, pois sabiam que significa um problema enorme. Logo Won Bin também entrou. Jae-ki encarou o amigo com um olhar de raiva, achava que tinha sido traído. Mas não podia discutir isso agora dentro do carro, sabia que tudo que falasse seria usado contra ele, não era burro. Tinha que esperar para ver em que situação se encontrava antes de poder dizer qualquer coisa. Então ficou calado e apenas meneou negativamente para os lados enquanto o encarava. Apontou para Won discretamente, na altura nas pernas e depois para a frente, onde estavam os policiais, voltando a encará-lo, mordeu os lábios nervoso. Tentou fazer mímica com a boca para ver se Won entendia:

    - Nãa-o...Fa-la...Na-da... -Disse sem som apenas movendo a boca exageradamente.

    Mas não sabia se isso seria efetivo. "Merda! Logo você Won? Filho de policiais? Será que ele se aproximou de mim pra isso? Será que fingiu ser meu amigo para me denunciar? Talvez tudo tenha começado no dia da mochila! Aishh... Ou eu tô certo ou estou louco.... Mas ele é filho desse policial... Policiais não são confiáveis.... Aigooo... Ele não pode falar do Taemin, não pode dar nomes, o cara tem dinheiro e advogados, eu não. Vai ser horrível... Tô ferrado, tô muito ferrado."

    Ainda ofegante, Jae-ki desviou os olhos de Won por uns instantes e olhou para baixo colocando as duas mãos na cabeça, estava nervoso e precisava pensar no que faria, no que falaria. Já não podia confiar mais em Won Bin, estava sozinho novamente, mas em uma situação muito desesperadora. Não podia contar de Taemin porque seria muito pior, seria incapaz de se defender contra a riqueza dele. Poderia até acabar em várias dívidas e processos por causa de seus advogados. Estava tão preocupado que já podia imaginar-se perdendo a casa da avó para pagar as dívidas. De jeito nenhum poderiam falar o nome do Taemin. Mas então falaria o que?! Também era outro problema. Talvez pudesse dizer que não viu quem batia neles, mas como explicaria o fato de estar em um ferro velho vazio? Sim ele estava totalmente ferrado, e quanto mais pensava em uma solução, mas se via em um penhasco sem fundo. Mesmo que inventasse alguma mentira, havia Won Bin ali que poderia contar toda a verdade e acabar de ferrá-lo. Tinha acabado de ver que não conhecia quem tinha chamado de amigo. Quantas vezes mais iria ser traído nessa vida? Quantas vezes teria que quebrar a cabeça para aprender a não confiar? "Shi-bal*(porr..)... Eu estava com o filho de um policial esse tempo todo... Aishi... Eu confiei nele! Que droga! Até quando vai ser otário Jae-ki? Só conhece ele há dois dias Jae-ki, dois dias! "

    Won Bin o tinha colocado em uma terrível situação, ele era filho do policial e com certeza iria sair dessa. Mas e Jae-ki? Quem tiraria ele da prisão? Quem na polícia se importaria que ele poderia perder a vaga na escola? Sua visão de policiais era que eles nunca cediam, nunca ouviam e que jamais acreditaram em um garoto perdido como ele. Mesmo tentando se acalmar para pensar numa solução lógica, só lhe passavam as piores coisas na sua cabeça. "E se me levarem para uma prisão de menores? Como Soo-ji vai ficar sem mim? Aigooo, o que eu fiz? O que Jihoo faria agora? Estou totalmente ferrado! E quando o diretor ficar sabendo... Uma escola dessas não vai aceitar um garoto que passou pela polícia, e eles sempre acabam contando para os diretores. Eu devia ter desconfiado do Won, ninguém ajuda alguém assim tão rápido. Aigoo, otokeee, otokee...*(o que faço)"  Além das preocupações começava a sentir o corpo doendo em várias partes por causa da briga, quando ficava parado que começava a doer mais. Jae-ki nunca tinha se visto tão sem saída quanto agora, já teve momentos muito difíceis, mas sempre havia um plano para seguir, alguma opção para escolher seguir, algo para tentar. Mas agora não dependia dele, polícia era algo muito sério e Won Bin poderia contar tudo e acabar com ele. Isso porque já seria difícil mesmo se mentissem. Dessa vez, sentia que realmente tinha errado terrivelmente. Em seus pensamentos repetia: "Tenho que sair dessa, preciso sair dessa, se tudo ficar bem eu nunca mais marco uma briga assim, eu saio da gangue, só quero ficar longe de policiais, quero dar uma vida melhor para Soo-ji, por favor, tenho que sair dessa... Não vou confiar mais em ninguém desse jeito, aprendi, só mais uma chance, por favor" Jae-ki nem mesmo sabia com quem falava, seus lábios já estavam vermelhos de tanto mordê-los, tentava arrancar a pele no lábio superior com o dentes sem nem notar que fazia isso de tanto nervoso.

    Sem saber o que fazer, Jae-ki só tinha a opção de ver o que aconteceria. Embora as chances de se dar mal eram imensamente grandes. Estava tão nervoso que só conseguia pensar no pior agora, mesmo que se forçasse a achar uma solução, não dependia dele. Passou pela sua mente até quebrar a janela e sair por ela como um fugitivo, que loucura, devia estar mesmo doido. Sentia-se agoniado de estar num carro com policiais. Olhou para a janela do seu lado, pensava em tantas coisas, mas principalmente em Soo-ji. Tinha tanto medo de não poder vê-la de novo, dela ter que se virar sozinha. O desespero parecia o sufocar, mas já não sabia se o que sentia era por causa da briga ou por estar tão assustado.

    Respirou fundo, mas acabou sentindo mais algumas dores da briga quando fez isso.  Durante o caminho vai ficar olhando várias vezes pela janela com o olhar espantado, o peito subindo e descendo ofegante. Se alguém prestasse atenção veria que as mãos de Jae-ki estavam tremendo e que ele balançava uma das pernas nervoso. Deve encarar também algumas vezes Won Bin com o olhar misturado de medo e raiva. Jae-ki sabia que não podia fazer nada por enquanto, e que veria sua vida ser destruída nas próximas horas, ah não ser que algum milagre acontecesse. Porque mesmo que por sorte ainda ficasse livre, sua escola saberia da sua passagem na polícia. De qualquer forma era só esperar para ver as próximas desgraças do seu dia.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Sex Nov 17, 2017 1:12 am

    Jae-ki parecia ter visto um fantasma. Won-Bin não sabia exatamente por que ele estava tão preocupado, afinal, estavam livres de Taemin e seus capangas.

    - Nãa-o...Fa-la...Na-da...

    Won entendeu muito bem o que o amigo queria dizer. Jae-ki talvez estivesse preocupado em ser preso, será que ele teria alguma passagem pela polícia?
    Hwang entendeu o recado, talvez ali fosse sua única chance de fazer algo certo.

    Somente quebraria seu silêncio quando seu pai começasse a falar. O conhecia, estava tão furioso que podia ver a fumaça dali.
    Ele com certeza quebraria o silêncio com frases como:

    "O que você tem na cabeça?!"
    "O que você pensou quando roubou seu dojo para parar ali?! O que aconteceu?!!?"

    -F-Foi minha culpa. Eu arranjei... briga com um cara da Wangjo, aquele loiro, porque ele empurrou uma garota no lago da escola. Então eu marquei com ele pra a gente se resolver aqui, o Jae-ki tentou me impedir - não levantou os olhos. Não queria ver diretamente seu pai pelo retrovisor enquanto mentia.

    -O Jae tentou me defender, o cara tinha seguranças particulares. Levei o nunchaku como precaução - falava pausadamente devido a dor na mão.

    Não olhava para Jae, também não queria confrontar essa mentira com ele.

    "Olha só, eu fiz igualzinho a Eun-bi. Mas se essa é a única maneira de proteger o Jae-ki de mais problemas...

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Natalie Ursa em Sex Nov 17, 2017 2:11 am


    Como esperado, o banho que MiSoo tomou tinha feito milagres com seu humor. Durante o demorado banho também aproveitou para ouvir e cantar bem alto várias das músicas que gostava. Com isso, o pouco que dedicou desse tempo para refletir mais sobre os acontecimentos recentes, tinha tentado focar apenas nas partes boas. Tinha feito amigos novos e nas circunstâncias mais inusitadas! Tanto no dia de hoje quanto no anterior! Nunca teve tantos garotos como amigos antes!! Na verdade só… Mas esse era um assunto proibido nessa sessão de reflexões. Praticamente morto e enterrado!

    MiSoo tinha também recebido elogios de BoMi e de Jin-Hee!!  Elas foram tão fofas!! Era tão bom ouvir elogios! Ainda mais depois de ser insultada!!!

    Ainda sorria em lembrar dos elogios quando se olhou no espelho, depois de sair do banho e colocar o roupão verde-limão. Era engraçado como até estava gostando do que via em seu reflexo. Normalmente, depois das várias palavras que já recebera na vida sobre sua aparência, não queria nem chegar perto de uma superfície refletora. Parecia até uma maldição ser daquele jeito e ter nascido em uma família de modelos. mas até que não estava tão ruim agora e até parecia um pouco melhor com os elogios.

    O “delicada” que usaram… Será que era sobre o rosto que já não era tão rechonchudo, com bochechas cheinhas? Imaginou que era isso mesmo. Não importava. O importante é que estava feliz em ouvir tais elogios, mesmo que o efeito deles houvesse sido meio tardio.
    Ia deixar o cabelo como estava, secando ao natural, mas depois de ver o próprio rosto, que não se parecia com o de uma ogra, até se animou a cuidar melhor das madeixas, indo secá-las e usar algum produto para deixá-lo mais arrumadinho e brilhoso.

    Já tinha colocado um vestido bem folgado sobre o corpo quando saiu do banheiro de banho tomado, pele cuidada - podia não ser a pessoa que mais entendia de cosméticos no mundo, mas adorava o cheiro de alguns cremes que ganhou da mãe e por isso começou a usá-los com maior frequência - e cabelos penteados. Ao abrir a porta para sair do banheiro tomou um susto com todos aqueles objetos espalhados pelo quarto, que antes estava bem arrumadinho e com tudo no lugar, como ela gostava que ficasse. E,principalmente, surpreendeu-se com a presença da mãe ali, cheia de sorrisos e bom-humor para com sua filha mais nova.

    Estava na frente do espelho de MiSoo… Provando roupas? Não tinha o próprio quarto com seu espelho próprio? A garota ficou confusa com a cena, chegando a inclinar a cabeça para o lado, ainda parada na porta.

    MiSoo ergueu uma das sobrancelhas com o chamado da mãe, mas acabou obedecendo e se aproximando sem pensar muito sobre o assunto. Viu a mãe bater palmas, bastante animada. Observou por cima as roupas antes dela começar a explicar o que faziam ali.

    - Experimentar…? - repetiu, ainda meio surpresa, se aproximando um pouco mais da arara.

    As roupas não faziam muito seu estilo, eram a cara da MinT e da mãe, mas bastante diferente de MiSoo. Mesmo assim, como gostava muito de presentes, não seria algo com o qual iria chiar muito. O maior problema provavelmente seriam os sapatos de salto altíssimos, os quais MiSoo falhava em aprender a usar.

    A jovem estava até disposta a fazer o que a mãe queria, experimentar as roupas e escolher a “menos pior” dentre elas, mas quando puxou a primeira e viu a etiqueta, percebeu logo que aquele não era o número que ela usava… Será que a mãe tinha errado e trazido tudo do tamanho da MinT?

    - Acho que o tamanho está errado, Ommoni… - avisou inocentemente à mãe, enquanto erguia a peça em frente ao espelho.

    Ouviu a sugestão da mãe sobre a dieta e apertou os lábios, fazendo uma careta de incômodo e decepção. A mãe já estava começando outra vez. Não bastava a dieta normal que fazia, queria mais uma junto??

    MiSoo suspirou, deixando o ombros caírem um pouco para frente, mas logo arregalou os olhos quando a Sr. Yeun comentou que já tinha acontecimento do que tinha acontecido na escola. Não sabia direito do que a mãe se referia exatamente, mas ficara um pouco alarmada pelo fato dela já saber de algo.

    Um pouco nervosa, MiSoo voltou um olhar hesitante para a mãe, para ouvir o resto de suas palavras.

    - Eu não briguei com a EunBi! - respondeu logo que a mãe mencionou a possibilidade, mas a Sr. Yeun continuou e mencionou a queda no lago como podendo ser da autoria da própria filha!!

    MiSoo fez um bico revoltado enquanto ouvia o resto daquela ladainha horrorosa. Não conseguia nem acreditar que a própria mãe lhe incentivava a derrubar sua melhor amiga no lago e desdenhar a amizade delas. Transformava a relação das duas em um grotesco jogo de interesses!!

    As palavras da mãe enojavam MiSoo, que tinha agora uma careta retorcida de incredulidade e pavor.

    - Como você pode ser assim? Pensar assim!? - falou alto e agressivamente, jogando o vestido que segurava para longe - ELA É MINHA AMIGA!!! EU NUNCA A EMPURRARIA NO LAGO!! - suas palavras eram cheias de indignação para com o modo deplorável com que a mãe pensava que suas amizades funcionavam - E com certeza não me importo se ela se destaca mais do que eu!! Isso não é um desfile de moda! EunBi é minha amiga e você não tem o direito de falar assim dela! E eu não sou a sombra de ninguém! - tirou outro vestido da arara e jogou-o no chão com agressividade - Você tem razão! Eu nem deveria estar aqui! Vou para a casa da EunBi! - anunciou sem pensar.


    Com passos apressados e pesados e movida por pura irritação, MiSoo foi para dentro do closet pegar uma bolsa grande onde pudesse colocar tudo o que iria precisar para passar a noite fora. Ainda mal podia acreditar no que a mãe tinha insinuado. Começava a jogar as coisas dentro da bolsa, sem cuidado nenhum, só queria sair daquela atmosfera sufocante o mais rápido que desse.
    Luxi
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Sex Nov 17, 2017 9:57 am

    Hyun Hee pousou o talher por cima da tigela, surpreso pela atitude firme do secretário. Não o via mais do que um mordomo até segundos atrás. Não tinha motivos para acatar qualquer conselho dele, especialmente quando falava daquele jeito servil, então foi com grande facilidade que seu rosto embranqueceu ao ter a cadeira puxada daquele jeito tão brusco. Fincou o pé no chão para não cair e a cabeça foi para baixo, encarando o chão por segundos, incrédulo com o que tinha acontecido. Soltou ar pela boca e apertou os olhos, virando o rosto pronto para enfrentar a pessoa audaciosa o bastante para fazê-lo passar por isso.

    - YA

    O secretário tinha o que queria. O ruivo estava de pé, com os olhos brilhando de ódio e aproximando-se para agredi-lo, mas encontrou uma frieza no outro que o controlou um pouco. Alguma coisa estava mesmo muito errada. Jogou a nota na mesa, saindo com a expressão fechada daquele lugar e fazendo suas piadinhas mórbidas para esconder o que realmente sentia.

    Ouvir sobre o avô o ajudou a fazê-lo calar a boca. Ao colocar os pés para o lado de fora, meteu as mãos no bolso e olhou para os lados, mais de uma vez. Encostou-se no banco de qualquer jeito, irritado por ter passado por aquela humilhação, mas havia um sentimento embolado bem pequeno no peito, que resolveu lhe dar choques de ansiedade conforme o secretário falava.

    Imediatamente sentiu todos os olhares dos transeuntes sobre ele. Pelo vidro fumê, os rostos dos culpados possíveis o seguiam, colados naquele bando de anônimos. Poderia ser qualquer um, absolutamente qualquer um. Seus olhos passaram de rosto em rosto, sentindo que todos voltavam sua atenção para aquele carro, e talvez olhassem mesmo, pelo modelo destoante que dirigia naquelas ruas mais simples. Porém, para ele, os espiões comentavam entre si que ele estava indo embora, passando a informação adiante para que fosse encurralado no lugar certo.

    Estalou a língua e deu um pulo pro lado, ficando no meio do banco e se espalhando mais, involuntariamente procurando o abraço confortável do couro, mas quem o visse o acharia apenas displicente e mal educado.

    Dedilhou os aneis. Pela primeira vez quis voltar para casa desesperadamente. “Casa”. Como se tivesse um lugar para ir. Por acaso podia confiar de verdade em alguém na Coreia? Podia confiar em alguém? A frase do secretário bateu nele com seriedade e seus pensamentos foram conduzidos. Quem o seguia?

    Quem?

    Quem?

    Cerrou o punho. A pergunta era somente uma retórica, pois no momento em que lhe foi sugerido isso, sua mente começou a piscar fortemente a imagem do tio, como se fosse uma exibição projetada de filme antigo. As batidas do coração aceleraram o processo, cada vez mais forte, enquanto a mente fazia o trabalho de entrelaçar a imagem do irmão ali. Ele não queria pensar nisso. Não queria.

    Respirou fundo. Precisava contar. Contar. Contar.

    Quem?


    Tinha muita clareza da imagem de Jung Mi. Não podia ser. Piscou forte e permaneceu assim. Conseguia controlar suas emoções. Sua mente fazia isso às vezes. Não era…  real. Lembrou-se do menino na mesa sorrindo como seu irmão… o pequeno irmão.. Que ele ...não era….real...

    A voz racional foi desaparecendo por um grito mental repetitivo e apavorante, urgente.

    Quem?

    Quem?

    Cada vez que a pergunta surgia, a imagem de Jung Mi ficava mais forte e se então se solidificou. A ausência. O desprezo. A falta de coragem para falar com ele… Nem o olhava nos olhos. Começava a fazer completo sentido agora. Não conseguia encará-lo porque sabia de todo o plano. Sabia que estavam querendo matá-lo, pegar seu dinheiro, ser o único herdeiro. Um plano diabólico, arquitetado por anos. Agora o irmão gostava do poder. Gostava de ser o único. Seus pais…

    Arfou olhando para o chão. Não queria aceitar isso, de jeito nenhum. Uma dor aplacava seu peito e o fazia marcar os dedos apertando os anéis de metal. Queria socar alguém. Queria destruir o banco do carro, quebrar aquelas janelas….

    Traído pelo próprio irmão.

    Depois de tudo….

    Não era possível.

    Era sim. Porque ele o culpava.

    Ele estava morando em sua casa. Porque era de direito seu, não do assassino dos pais….

    O tio tinha consumido a mente de seu irmãozinho.

    Aquela criança tinha morrido como ele também tinha?

    Não era possível.

    As pupilas dilatadas em pavor encontraram o retrovisor. Primeiro, viu uma única gota escondida no canto do olho, mas havia também o rosto do secretário, plácido. Estava jogando com ele. Estava tentando manipulá-lo também? Por que tinha confiado naquele homem? O que sabia de verdade sobre o secretário? Talvez… o avô também…

    A velocidade com que o carro continuava agora o fazia pensar em muitas possibilidades. Olhou as janelas, procurando uma rota de fuga e o veículo tornava-se claustrofóbico. Suava como se estivesse acorrentado em uma caixa jogada ao mar.

    O secretário também queria levá-lo para a morte. Todos eles estavam tramando contra ele. Tinham-no enviado de volta para a Coreia porque estava prestes a levar alta, porque estava muito bem e construindo uma vida. Agora queriam enlouquecê-lo e assassiná-lo onde os contatos eram mais fáceis de limpar os traços. Tudo isso porque o avô tinha ódio dele por ter matado sua mãe. Era uma vingança por matar a “única” filha.  Ele tinha dito. Um pai nunca deveria enterrar a filha.  Por culpa dele…. Era isso. Só podia ser.

    Quando o carro estacionou, Hyun Hee já estava sem ar. Tentou abrir a porta com violência e continuou tentando até que fosse destravada, segundos antes de pensar em meter o pé ali, quando pisou em falso e cambaleou para fora do carro, ofegando. Olhou em volta, tentando reconhecer o local. Estava em “casa”, pelo menos. Então por que não parecia convidativo e aconchegante?

    Porque não era mais sua casa. A trama era revelada agora. Olhou para o lado, desconfiado do próprio secretário e se afastou cinco passos dele, sem lhe dar as costas. Largou tudo o que tinha no carro, era como se vivesse uma alucinação. A boca estava seca, procurando saliva para engolir a cada minuto. Por que estava demorando tanto ali fora? Se fosse uma conspiração exclusiva do secretário e o tio… um espião… então se ele o matasse longe do avô…

    Hyun Hee acelerou o passo e disparou para entrar em casa, atropelando o que estivesse na frente e esbarrando em uma cômoda, derrubando um enfeite no chão e anunciando sua chegada. Alargou os passos até o quarto do avô, mas mesmo diante da imagem do senhorzinho doente, ele não se conteve e marchou após o estrondo da porta, desbruçando sobre a cama, cuspindo seu ódio desenfreado sobre o homem.

    Era impossível se controlar, mas todo o respeito patriarcal da família Park, por incrível que parecesse, exercia uma camisa de força sobre ele, fazendo-o colaborativo, como demonstrado nos dias anteriores. Dessa vez, no entanto, ele tremia muito. Fazia um imenso esforço para não… agredir aquele homem que chamava de avô.

    - Que merda está acontecendo, “harabeoji”? Por que REALMENTE me trouxe pra essa droga de país? O QUE VOCÊS TODOS QUEREM? QUE MERDA VOCÊS ESTÃO QUERENDO COMIGO - meteu a mão nos papéis que o avô segurava, jogando par ao lado. -  POR QUE NÃO ME FALAM?
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Ailish em Sex Nov 17, 2017 12:58 pm

    Antes de sair, porém, ela viu Ji-Kin e acabou fazendo um sinal para que o colega de trabalho chamasse Lee Hi. Naquele horário, próximo do fim do expediente, o movimento tinha reduzido, ainda que houvesse um pequeno fluxo de pessoas. Chae ajeitava-se na mesa enquanto Sunny permanecia ao seu lado, encarando-a na espera do pedido e só então se tocou de algo... - Ahhh, meu Deus, Chae! - ela bateu a mão na testa e mostrou uma caretinha diante da própria falha de observação - Seu cabelo tá ROXO. Quer dizer, não totalmente, mas... Ficou uma gracinha! - comentou após a mexidinha entre as mechas coloridas. Ela sorriu. Realmente gostou do up na aparência, até porque, Chaeyoung possuía um estilo mais chamativo e interessante. Era alguém que se destacava e não de um jeito ruim. Sun-Hee não tinha metade da coragem de ousar daquela forma. Desde sempre, usou o cabelo da mesma maneira: preto, liso e comprido. Básico. Já era um sofrimento cortar as pontinhas, imagina pintar de azul ou rosa? E não combinava com a sua imagem "apagada", no entanto achava incrível nas outras meninas.

    Chae continuava a respondendo e outro detalhezinho atraiu a atenção da bolsista.

    - Você se machucou? - apontou para o curativo - Tadinhaaa - pendeu a cabeça de leve e um beicinho se projetou - Ou seria marca da guerra de mais cedo, hein? - Sunny arqueou a sobrancelha, provocando a amiga. Depois que acontecia, tudo era engraçado... Ok, nem tudo... - Eu até falaria que ia gostar de vê-la revidando, mas não. Ainda bem que não estava lá, Chae... Ainda bem. Porque ficaria mais triste em ver outra amiga sofrendo nas mãos daquelas... metidas - Chae poderia notar que Sunny mudou o termo ofensivo para algo menos agressivo no último minuto - E já haviam colocado alvos em nossas testas. Por sermos bolsistas ou por algum motivo que nos tire do "padrão-perfeito" delas - balançou os ombros - Prefiro receber ovadas e peixe podre... qualquer coisa... do que me parecer com aquele grupinho ou me encaixar nos seus moldes distorcidos

    Resmungou.

    Entretanto, mudava de assunto para comentar sobre pessoas bem mais legais e importantes.

    - Não são? - Sunny riu - E além de fofos, são muito engraçados, principalmente o HaN. Se você entrar mesmo para o clube de dança, vai vê-lo nos seus modelitos diferentes e... nossa. Você não tem ideia... - apertou a palma sobre os lábios, abafando o riso - Irá adorá-los, tenho certeza. E falando nisso, resolveu a questão do joelho? Poderá participar? Diz que siiiiiiim, porque ou você ou a Lee Hi precisam filmar as apresentações do Ha Neul!!!!!!!

    De repente, o rostinho meigo de Chae modificou-se diante da menção de um dito-cujo, e Sunny precisou disfarçar o sorriso e quando ela mencionou a joia... - Sério? De joaninha? Tipo a que você perdeu... Uau, Chae! Foi uma atitude muito... doce...

    Doce demais para quem parecia tão malvado.

    - Hmm...

    A expressão reflexiva de Sun-Hee sugestionava a quantidade de pensamentos conclusivos que formulava na mente criativa.

    E estes triplicaram assim que Chae usou o cardápio de escudo.

    - Pois é... Excêntricos...

    Sunny segurou o queixo.

    - Acho que escutando tantas negativas dessa "não-amizade", não existe escolha diferente que a de acreditar, né? - piscou as pálpebras de modo fingidamente angelical, mas logo era a vez da amiga em se mostrar fofinha - Okaaaaay.

    O sininho repentinamente vibrou, porém Sun-Hee programou a cabeça para NÃO OLHAR NUNCA MAIS naquela direção.

    Porta idiota. Barulho irritante. Sunny tonta.

    De tão concentrada na imagem do oppa, Chae não perceberia o bico zangado enquanto Sunny pegava o caderninho no bolso do avental e anotava os pedidos. Porém, subitamente, notou as estrelinhas brilhantes nas pupilas da amiga... - Oppa lindinho? - interrompeu o gesto de virar o pescoço, disfarçando com a mão na nuca e encarando o chão ao mesmo tempo que o rapaz aproximava-se da dupla e tocava o ombro de Sunny - Yi-Hoo? - disse ao fitá-lo, surpresa - Siiiiim. Falta só um pouquinho até encerrar o serviço. Eu tô bem, e você? Veio me buscar? Awnt... -  apertou a bochecha do irmão para implicar com ele... sem novidades. E precisava conter o riso devido à carinha constrangida de Chaeyoung, que se encolhia tanto, na expectativa de desaparecer no interior da cadeira - Ohhh, deixa eu te apresentar a minha nova amiga. Essa é a Chae! Estudamos juntas, mas ela é da sala da Lee Hi. E Chae, esse aqui é o Yi-Hoo, meu irmão mais velho.

    Embora Sunny não tenha dito nada, Chaeyoung veria na feição da garota o quanto ela ria por dentro.

    - Senta aí com ela. Vou trazer algo para você também, não deeeemoro. Aposto que não se alimentou direito... tsc.

    Seguiu atrás dos lanches.

    E ficou conversando com o responsável pelo preparo e, de fato, foram apenas minutinhos até retornar à mesa. Serviu Chae primeiro e depois Yi-Hoo, colocando a caneca de expresso e os baekseolgis na frente dele, um dos poucos doces que o irmão gosta de comer - Pronto... - segurava a bandeja vazia contra a barriga, esperando-os começarem a beliscar - Antes que faça QUALQUER piadinha, Kim Yi-Hoo, não... não fui eu quem fiz.



    TALVEZ DEVESSE ENTRAR NO CLUBE DE CULINÁRIA, HUMPF!!!

    - A Lee Hi ainda não apareceu? Deve estar enrolada... Por causa da volta às aulas, o movimento aumentou bastante - explicava a eles.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Sex Nov 17, 2017 2:17 pm

    Quando chegou no quarto e ouviu o raro toque do telefone, assim que reconheceu o brilho rosado e entendeu que era uma chamada para ela, a menina bateu a porta com o pé, ignorando mais uma vez sua tentativa de ser discreta, e deixou o pacote cair no chão ao lado do pufe, atendendo a ligação já com o coração na boca.

    - Yeoboseyo (alô). - prendeu a respiração ao ouvir aquela voz tão fraquinha. A proposta da amiga partiu seu coração. Quantas vezes será que a amiga tinha tentado ligar para ela? Soltou o corpo no pufe, com um suspiro. Tinha falhado com sua amiga por causa das regras do pai. Esse era um dos motivos para não ficar sem celular. - Rin, eu… me desculpe. Appa pegou meu celular e meus cartões e me falou um monte de… - respirou fundo e tentou se controlar. A amiga precisava dela agora. Muito mais do que suas bobeiras. Já tinha tido sua cota de choro e de momento de tristeza. Agora precisava tentar ajudar Yerin. - Sim, vamos. - disse em um misto de tristeza e confiança, mas a voz era mansa e suave.

    Dóia seu coração ao imaginar o que Yerin poderia ter sofrido para ter recorrido ao último recurso só para falar com ela. Tinha vontade de sair de casa naquele momento para ir correndo lhe dar um abraço apertado, assar o bolo mais gostoso do planeta com um monte de recheio e cobertura, depois jogá-la em uma piscina de confeitos e assim sua mente começou a viajar, o que era excelente para aquele momento.

    A amiga falava em uma praia com areia branca, então Hyemin começou a falar, com um sorriso dócil e a voz sussurrada de quem conta uma história de ninar.


    - Nesse lugar, a areia é branca e tem gosto de açúcar. A ilha é povoada por unicórnios e homens de biscoito… Eles não gostam de água, porque eles derretem, então o mar parece uma gelatina quando chega no inverno. À noite, o mar é uma grande cama elástica, e a gente pode fazer uma festa do pijama. Os peixinhos que moram nele são feitos de jujuba e crescem de novo quando a gente morde eles! As árvores soltam cupcakes, mas eles não engordam, nem deixam a pele feia. Na verdade, eles têm uma fonte termal gostosa de fondue de chocolate e depois podemos dormir em um spa de algodão doce. Os travesseiros são fofinhos, como as nuvens, e têm cheiro de baunilha… Nesse lugar… - a voz dela tremeu um pouco. - Até você pode sorrir à vontade, Rin, porque nenhuma pessoa vai poder ver. Só eu. Porque nesse lugar não tem ninguém que a gente não gosta… só tem animais fofos e coisas gostosas. Toda vez que alguém fica triste, o povo-coala traz potes e potes de sorvete com sabores de arco-íris que deixam qualquer um que come muito feliz. - fez uma pausa e respirou fundo. - Você pode achar que esse lugar não existe, Rin, mas ele existe sim! N[os só não podemos achá-lo agora porque… precisa de um passaporte especial. Só pessoas muito especiais podem entrar nesse lugar. Então quando a gente for… vai ser mágico. E vamos virar as princesas dessa ilha. E eu não vou deixar ninguém te incomodar lá… eu prometo. Então… qual é o próximo lugar que você quer ir?

    GodHades
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por GodHades em Sab Nov 18, 2017 1:45 am

    Os cabelos de Dongo rapidamente voltaram para frente quando a mãe retirou sua mão. Ele coçou um pouco na bochecha, imaginando como iria correr esse evento familiar.

    Acabou então indo para seu quarto afim de selecionar o vestuário adequado para a ocasião, precisava estar elegante na presença do patriarca, mas ainda assim não perderia o seu ar geek por causa disso. Depois de ficar pronto desceu para ir até os pais e logo seguiram até o carro, no caso o motorista particular.

    Country Club seria o destino deles e Kyung mandou uma mensagem para Hayoung avisando que já estaria chegando lá.

    Quando a família dele chega no local o clima desdenhoso seria inevitável, sua mãe emanava uma energia estranha, talvez pudesse ser descrita como uma aura tensa.

    Kyung parecia igualmente relaxado, ainda mais ao ver Hayoung. Ela ainda deve se lembrar das palavras do primo, de que seria sua salvação...

    - Annyeonghaseyo tios, é um prazer reve-los.

    Dong's faz uma breve reverencia com o queixo abaixando uma vez, mostrando seu tom amistoso e simpatia.

    Quando encarou a prima, ele retribuiu o sorrisinho, ficando evidente, e estranho, como eles eram diferentes dos pais.

    Depois dos cumprimentos, seguiu até a sala e ficou admirado com o luxo. Apesar do clima desconfortável dos pais, seus dedos atiçados trocavam mensagens com Hayoung,  com as mãos ligeiramente escondidas por debaixo da mesa para não ficar tão evidente.

    Finalmente o Patriarca chega e o rapaz foi um dos primeiros a se levantar, em pleno respeito para reverenciar.

    Caso o velho lhe olhasse, veria seus olhos brilhando, cheios de admiração. Depois voltou a se sentar ajeitando a cadeira para frente.

    - Muito bem obrigado Hadabuhjeee!! O senhor parece ótimo, essa bengala é nova?

    Esboçou repeito e mais simpatia enquanto os olhos brilhavam ainda mais na direção do avô. - Wangjo tem um ensino bem aprimorado, os professores são de alto nível e o diretor parece ser um líder preocupado. Já escolhi dois clubes para ingressar até agora.

    Depois olhou para Hayoung que parecia corada, esperando ela dizer algo, e rezando para que conversas sobre videos não entrassem em pauta.
    Persephone
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Sab Nov 18, 2017 1:52 am

    [CENA EXTRA]

    JUNG MI



    Nem sempre retornar para casa era sinônimo de segurança. Assim como muitas pessoas - mais até do que Jung-Mi podia imaginar - o tempo do lado de fora de casa era muito mais valioso e bem aproveitado do que o instante em que os portões da Mansão Park eram cruzados.

    Há cerca de dois anos, Jung-Mi fazia questão de ter uma rotina bem rígida e cheia de afazeres. Escola, clubes, natação, aula de violino, aula de inglês e japonês, aula de administração. Essas eram as atividades fixas dele, mas cada brecha que ele encontrava em sua agenda para poder ocupar a mente era muito bem-vinda. Normalmente, ele se enfiava nos livros, fosse para estudar ou simplesmente passar o tempo. Não era sempre, afinal, que podia desfrutar de seu hobby favorito: a fotografia.

    Porém, naquele dia, lembrar da escola trazia um certo rancor para o rapaz.

    Apesar do dia ter sido bastante produtivo - mesmo com as situações envolvendo lago, suspensões, bem como a retaliação do diretor, a última imagem tinha sido a que ficara em sua mente. E não saía desde então. Nem ao menos conseguiu se concentrar direito na aula de administração porque não parava de pensar na insolência daquele amiguinho de Sun-Hee. Como ele tinha ousado desafiá-lo daquele modo?

    E porque ele se importava, afinal?

    Tinha prometido que conversaria com ela no dia anterior, mas a tarefa se mostrou impossível após a infeliz ideia das veteranas em humilhar os bolsistas. Conseguia compreender o porquê de Sun-Hee não poder falar com ele. O que não entendia era porque ela não tinha falado hoje, por exemplo. Não teve tempo? Não se importou? Durante o intervalo ele ficou com isso na cabeça, mas foi na saída que ele tinha conseguido compreender um pouco melhor.

    Depois de ver aquela cena, ele realmente não viu mais porquê manter a promessa de ir até o Café. Talvez realmente tivesse acabado o tempo de ser alguém diferente e gastar o seu tempo um lugar desconhecido. Parecia que o universo o avisava de que ele não podia ser outra pessoa além de Park Jung-Mi e que agora tinha que lidar com o retorno definitivo de seu irmão. Nem ao menos conseguiu encará-lo naquele dia.

    Era...Era como reviver tudo aquilo que tinha passado.

    Fora que aquele aluno que entrou na sala em nada lembrava seu hyung. Parecia mais um animal selvagem, pronto para atacar ou morder qualquer um. Inclusive tinha escutado histórias preocupantes acerca da agressividade dele.

    Jung-Mi estava cansado de pensar e não soube por quanto tempo ficou usando o uniforme enquanto se deitava na cama de seu quarto, olhando para o teto. O celular dele tocou por conta do despertador e, foi então que ele reagiu. Tinha que botar água no bonsai, ainda mais naquele tempo estranho que a primavera estava trazendo. Levantou-se da cama, já sem o blazer do colégio e caminhou um pouco preguiçoso até o bonsai para espirrar água. A peça tinha um defeitinho por conta do tombo, mas o rapaz não rejeitou o presente e estava fazendo o sue melhor. O bonsai não parecia infeliz ou prestes a morrer por conta daquilo.


    - Então, como foi seu dia? - Espirrou água enquanto perguntava. Até que revirou os olhos ao perceber o que estava fazendo. - A que ponto de solidão chegamos, não é? Conversar com uma planta...

    Sua voz foi ficando mais baixa, como se estivesse resmungando. O bonsai era uma mesmo uma gracinha, mas o remetia a uma conversa que tinha servido como um divisor de águas. Jung-Mi nunca se considerou uma pessoa influenciável, mas algo naquele dia fez um click em sua mente. Jamais tinha se passado por sua cabeça que Yeun MiSoo fosse alguém tão empática e capaz de captar aquilo que nenhuma outra pessoa tinha visto - ou quisera ver - até então. Ela chorou naquele dia e Jung ainda não sabia interpretar se tinha sido um choro dele que ela absorveu ou se tinha sido a presença dele que a incomodava a ponto dela querer chorar.

    Fato era que aquilo o mudou um pouco. E acabou culminando em posturas que ele vinha adotando recentemente. O bonsai não era apenas uma planta, ele bem sabia, tinha sido um presente, mas também uma lembrança de que ele não era um robô. Afinal, estava se importando em cuidar de um ser vivo e totalmente dependente dele para que sobrevivesse - pelo menos na questão da água, poda e lugar bom para a iluminação.

    Jung tinha parado de espirrar água e olhou na direção do case de seu violino. Tinha uma partitura de música cover para treinar e ver se tinha melhorado nas nuances, saindo das notas mais graves para as mais agudas. Precisava de uma transição limpa e que não doesse os ouvidos de ninguém - isso porque ele era extremamente exigente consigo mesmo. Tocava desde os 5 anos e era bom nisso. Olhou para o bonsai uma última vez e uma ideia boba, mas não totalmente estúpida veio à sua mente.

    Em poucos minutos, ele tinha arrumado o amplificador apenas com piano e violão da musica em questão. Ajeitou as partituras que o professor dera e diminuiu o som dos outros instrumentos antes que ele começasse a tocar.


    A música era libertadora. De repente, o rapaz não estava mais naquele quarto, nem se sentia trancado. Sua mente conseguia ir para qualquer lugar que a música o guiasse. Enquanto tinha o violino apoiado em seu queixo, podia se preocupar apenas com a pressão das cordas e o modo como deslizaria por elas. O som que saía era agradável e trazia um sorriso de satisfação, uma tranquilidade que ele poucas vezes encontrava nos dias de hoje.

    O momento chegou ao fim sem nenhum tipo de interrupção, mas não demorou para que ele escutasse uma movimentação em casa. Isso significava que o tio estava ali. E logo ele seria avisado de sua presença, como se aquilo fosse extremamente importante. Jung já estava guardando o violino quando a governanta fez exatamente o que ele achou que faria.

    O jantar seria servido em vinte minutos, mas o tio o aguardava no escritório.

    Jung-Mi até imaginava o motivo, mas ele não demoraria em se apresentar. Quanto antes terminasse, melhor.

    Não demorou para que ele chegasse até o escritório que, um dia, fora de seu pai. Agora tinha o tio ali, virado meio de lateral enquanto via as correspondências. Jung bateu na porta com os nós dos dedos e esboçou um pequeno sorriso quando o tio o encarou.


    - Jung-Mi-Shi.

    - Samchon... - Cumprimentou de modo educado.

    - Ainda de uniforme?

    - É, dia cheio, acabei me esquecendo.

    Ji-Mong deu um meio sorriso, como se compreendesse.

    - Como foi o dia, Jung-Mi? Foi tudo bem?

    - Foi. Foi sim. - Jung se encostou na porta, sem ânimo para entrar e ter aquela conversa que, aparentemente, nenhum dos dois queria, de fato ter. - E o seu?

    - Reuniões e mais reuniões, mas tudo bem. - Parou de mexer nos envelopes e encarou o sobrinho. - Como se sente?

    - O senhor quer saber se eu o vi, não é?

    - Quero.

    - Eu o vi, mas não conversamos. Ele...

    - Está diferente. Sim, eu recebi o relatório final dele da clinica dos Estados Unidos. Já disse que acho que o seu avô cometeu uma insanidade, mas...

    - É. Mas ele parecia bem hoje.

    - Você deveria conversar com ele.

    Deveria...? Jung-Mi franziu um pouco as sobrancelhas, sem entender muito bem. Durante todo esse tempo, a única coisa que o tio dizia era que não deveria se aproximar do irmão ou pensar nele, pois o Hyun-Hee que eel conhecia tinha morrido naquele acidente. Que tipo de piada era aquela?

    - Seu irmão não parece muito normal, pelo que ouvi. E agora que estão na mesma sala, é bom manter os olhos fixos nele. Para que ele não faça nenhum mal a você.

    - Tio... - Jung franziu as sobrancelhas. - Com todo o respeito, mas...Eu não acho que ele fosse capaz disso...

    - Ele foi capaz de coisa pior, esqueceu? - O tio o encarou. - Mantenha os amigos perto e os inimigos mais próximos ainda, Jung-Mi. Fale com o seu irmão amanhã. Assim ficará mais fácil de você se defender, caso ele esteja disposto a arrancar tudo de você. Como nós dois sabemos que ele é capaz de fazer.


    Jung-Mi ficou em silêncio depois disso e abaixou um pouco os olhar. O tio pedia por algo muito dificil e ele não prometeu que faria, mas...sabia que o tio estava certo. Precisava ficar de olho em Hyun-Hee antes que ele o apunhalasse de novo.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Dom Nov 19, 2017 1:21 am

    [HYUN-HEE]

    Todos os funcionários da residência Hong sabiam da condição especial de Hyun-Hee. Quando o patriarca da família tinha tomado a drástica decisão de pegar a guarda de seu neto, ele fez um dossiê para que todos soubessem o que fazer em casos como aqueles. Deveriam tratá-lo normalmente, mas um surto nunca era impossível de acontecer, aind amais para o quadro que o psiquiatra norte-americano tinha diagnosticado. O psiquiatra coreano ainda estudava o caso, tendo um pouco mais de cuidado para ver se o colega do outro lado do mundo estava certo mesmo.

    E, bom, até que estava demorando.

    Um mês tinha se passado sem nenhum episódio desses. Verdade que ele tinha oscilações de humor e alguns desmaios, mas...Nunca um surto.

    O Secretário Lee o encarou meio desconfiado quando ele saiu do carro daquele jeito. Hyun-Hee não conseguiria se distanciar o suficiente do olhar atento do homem que logo colocou o fone e já se comunicou com os outros empregados citando o código.

    Hong Ji-Woon estava sozinho em seu quarto porque a governanta tinha saído para trazer algum lanche. O patriarca já se sentia um pouco melhor, mas precisava permanecer em repouso. Começou a ouvir uma movimentação estranha e olhou na direção da porta arqueando uma das sobrancelhas. Hyun entrou no quarto como um furacão.

    O avô respirou fundo, abaixando os papeis somente para ver todos voando de uma só vez. Começou a ficar assustado, mas precisou manter a postura firme.

    - Do que está falando?!

    Tentou manter sua autoridade, mas ainda estava fragilizado. Hyun estava tão focado em "avançar" na direção do avô que nem percebeu quando o Secretário Lee, a governanta e outro segurança entraram já com uma seringa. A governanta tinha recebido a mensagem e correu para pegar o medicamento receitado pelo psiquiatra. Quando os surtos vinham assim, precisavam de uma dose alta para pará-lo. Em outras palavras, dopá-lo.

    Hyun-Hee teria tempo de mais alguns gritos para o avô, mas não receberia a resposta, porque logo foi agarrado pelos dois homens enquanto a governanta aplicava a seringa na veia dele. Ao mesmo tempo que tudo aconteceu muito rápido, Hyun sentiria como se fosse em câmera lenta.

    Os inimigos estavam por toda a parte. Estavam bem ali na casa de seu avô!

    Os inimigos o feriam, o furavam com uma seringa e um liquido entrava por suas veias.

    Por que o avô não fazia nada??

    Será que queria matá-lo também??

    Por que ninguém explicava nada???

    Por que...se sentia tão...sonolento?

    Por que essa sensação quase lhe trazia o sentimento de gratidão?

    Há quanto tempo não dormia de verdade? Será que agora teria um pouco de paz?

    Hyun-Hee desmaiaria em menos de um minuto, mas não sem antes lutar. Mesmo sendo preso por dois homens, o surto do menino tinha sido forte e ele fez um estrago. O avô olhava para aquela cena com bastante pesar e os empregados estavam ofegantes depois de tudo aquilo.

    - Peço perdão, Senhor. - O Secretário Lee abaixou a cabeça, de modo humilde. - Fui precipitado ao contar a ele sobre o que descobrimos. Não imaginei que ele fosse...

    - Tome cuidado, Secretário Lee. Não sabemos ainda como ele reage aos novos medicamentos, não podemos despejar esse tipo de informação sem preparar o terreno.

    - Eu falhei, Senhor.

    - Sim. E espero que pela primeira e última vez, Secretário Lee. Caso contrário, tomarei medidas drásticas. Hyun-Hee... - Olhou para o corpo do menino que era levado pelo outro segurança- É tudo o que tenho. Ele não é apenas uma vingança, ele tem todo o afeto que me resta. Não falhe comigo de novo, Secretário.

    - Compreendo, Senhor. Perdão.

    [MISOO]

    Hyo-Jin até achou fofinha a forma como sua doce MiSoo falou que a roupa não cabia nela, mas logo tratou de revelar seu plano cruel: era só a filha não comer que tudo ficaria bem. Podia fazer uma dieta só de liquidos e muito detox, assim ela iria desinchar. Pelo menos era dessa forma que a mente da ex-miss Coreia funcionava.

    MiSoo até podia aturar isso. Parecia que já estava se acostumando aquele tipo de situação. O que ela não podia aceitar eram os comentários seguintes.

    A mãe deu um suspiro, revirando os olhos diante da petulância de MiSoo.

    - Ya! Pare de gritar! Você não está falando com suas coleguinhas não. Seja educada! Tenha modos!! - A mãe a repreendeu e colocou o vestido de lado.

    MiSoo continuava com aquele seu discurso utópico sobre amizades e a mãe deixava que ela falasse bastante e a seguia até o closet apenas para ver onde a filha queria chegar.

    - Eu penso no seu bem, MiSoo. Apenas disse que não a julgaria, se tivesse sido você a fazer isso. Faz muito tempo que Eun-Bi não é mais uma amizade conveniente para você. Desde que a mãe dela se acidentou e depois se separou do marido, eu tenho achado um pouco ruim essa sua ligação. O problema é que você é boba e pensa pequeno! Não percebe que ela é uma má influência e só te ofusca porque, infelizmente, é mais bonita que você. - Bufou, meneando negativamente e ajeitando o cabelo. - MinT certamente já teria colocado a Eun-Bi no lugar dela.

    Suspirou, um pouco desanimada e fazendo um beicinho. Parecia que ela sentia muita falta da filha mais velha que era sua companheira inseparável de compras, salão de beleza, spa e festas importantes.

    - Pare com esse showzinho. A Eun-Bi está na casa do pai dela e você não vai lá se misturar. Diferente de você, eu sou bem informada.

    Fofoqueira, ela quis dizer.

    Mas isso significava que a amiga estava mais perto do que ela imaginava, visto que o Sr. Choi tinha uma residência naquele condomínio também - Eun-Bi só não morava ali porque vivia num duplex com a mãe, em outra parte de Gangnam. Mas seu pai tinha se mudado com a nova família para ali, não tinha muito tempo.

    - Venha escolher o maldito vestido que você vai usar sábado! Nós vamos sentar perto dos Han. E eu sei que o filho mais novo de Kyung-Soon está solteiro.

    O filho mais novo da herdeira dos Han, era Minhyuk um menino bonito do 2º ano e capitão do clube de esgrima. Um menino que sempre foi gentil e educado, mas era o irmão mais novo de Sunyoung, a líder do clube de Modas. A irmã dele era bastante metida, diferente dele que parecia sempre muito solícito e educado com todos. Pelo menos isso tornava a ópera um pouco menos irritante, mas...as intenções da mãe sempre estragavam tudo.

    - Eu não tô pedindo, eu to mandando! Larga essa bolsa e vem resolver isso logo!!!

    [HYEMIN]

    - Percebi que você estava sem celular quando vi a última hora que apareceu online... - Yerin comentou ainda naquele tom de voz cansado e baixo do outro lado da linha.

    Hyemin não podia vê-la, mas podia imaginá-la deitada em sua cama. Provavelmente estava com um conjunto de roupa de cama roxo ou preto, quem sabe roxo e preto com poucos detalhes em branco. O quarto de Yeirn era bem diferente do Hyemin, sendo muito mais "sério" e com cores mais fortes. Era bonito, realmente bonito, mas sério demais. Frio demais.

    A menina podia ter certeza que no meio daquela fortaleza, estava sua amiga que pedia para que conversassem sobre a viagem que pretendiam fazer. Era curioso como uma pessoa tão inexpressiva queria estar num lugar quente...aconchegante...

    Uma simples praia de areia branca e mar tranquilo.

    Um cenário desses não combinava em nada com a Yerin que todos conheciam, mas Hyemin conseguia imaginá-las perfeitamente bem ali. Na verdade, imaginava muito mais do que aquilo. Quando Yerin falou da viagem, estava pensando num lugar real, mas Hyemin a surpreendia - ou não - com a descrição de um lugar...fantastico.

    - Gosto...de açucar? - Yerin demorou um segundo para entender o que a mente de Hyemin projetava. - ... - Mesmo assim, ela não interrompeu o delirio da amiga e permitia que a própria mente também seguisse por um caminho mais lúdico.

    Podia quase sentir os sabores e os cheiros, bem como visualizava todos os detalhes descritos por Hyemin. Um sorriso começava a surgir, do outro lado da linha, mas ele morreu no mesmo instante em que ouviu a voz de sua amiga tremer. Ouvir que ela podia sorrir à vontade, mexia um pouco com ela. O sorriso morreu e houve um silêncio do outro lado da linha. Yerin não fazia sons ou movimentos bruscos, mas no fim da narrativa, ela fungou e disse.

    - Nenhum. Eu gostei tanto dessa ilha que...quero morar para sempre nela. Ainda mais se você me prometer que ninguém vai me incomodar. Você seria feliz num lugar assim? Se sim, eu também acho que conseguiria ser, Min-Ah...

    Suspirou.

    - Komawo...

    [JAE-KI E WON-BIN]

    Jae-Ki e Won-Bin não podiam imaginar que o incidente do lago fosse resultar numa noite tão desastrosa quanto a que eles viviam. Ambos estavam desesperado, mas não exatamente pelos motivos certos. O policial Hwang, também chamado de pai, por Won-Bin, estava realmente furioso, mas também decepcionado e preocupado. Won-Bin até tentou falar com ele, apontando para o nunchaku, mas o homem não estava se importando nem um pouco com aquilo. Simplesmente pegou o filho pelo antebraço direito e o ergueu do chão para praticamente arrastá-lo até o carro.

    Não era como se quisesse machucar o filho - apesar de achar que ele merecia uma boa lição pelo nervoso que o fez passar nos últimos cinquenta minutos - mas também não foi "delicado".

    Já Jae-Ki era ajudado pelo outro policial e este sim, pegou o nunchaku no meio do caminho antes de conduzi-lo até o carro. A sirene tinha sido o suficiente para deixar Jae-Ki com o modo alerta e desconfiado ligado. Sua mente criava tantas teorias de conspiração que ele nem reparava que o carro era civil, não policial e nenhum dos dois usava uniforme - estavam à paisana. Won e Jae-Ki seguiam no banco de trás e a aflição deles era quase palpável e o olhar insiquidor de Hwang acompanhava aqueles rostos pelo espelho retrovisor.

    A música começou a tocar no carro e aquilo só piorou o momento. Hwang apertou as mãos nos volantes e não aguentou mais segurar sua explosão.

    - O que você tem na cabeça, Won-Bin!?!? O que pensa que estava fazendo?? Você nunca foi disso! O que você pensou quando furtou seu dojo para parar ali?! O que aconteceu?!!?

    - Sang-shi... - O amigo tentou acalmá-lo e indicou o caminho.

    - Eu tô calmo!!!!

    Não estava.

    E a resposta de Won-Bin só pareceu irritá-lo mais. O pai cerrou os olhos, deixando-o apenas dois riscos no rosto e olhou para Won e Jae-Ki. Seu filho nunca tinha mentido para ele, mas também nunca tinha furtado nada, nem se metido em brigas. Pelo menos não que ele soubesse. Agora ele começava a se perguntar desde quando Won fazia esse tipo de coisas - sua confiança estava abalada e isso não era bom. Sempre tiveram tanto diálogo e companheirismo!

    Por que seu filho estava fazendo isso?!

    Sua vontade era começar a gritar e dar uma boa lição nos dois garotos, mas também não podia acusar o outro injustamente. Fora que eles estavam feridos e a prioridade era que fossem até o hospital. Jae-Ki ouviria aquela resposta de Won e, aparentemente, todos mentiam perto dele, porém, alguns mentiam para seu bem. Won-Bin tinha se colocado numa situação ainda pior, somente para acobertar o amigo que fizera há dois dias.

    Aquilo poderia tranquilizá-lo, mas foi a imagem do hospital que o deixaria ainda mais calmo. Não estavam indo para a delegacia, afinal. Hwang parou o carro na porta do hospital e pediu para que o amigo estacionasse enquanto ele guiava os garotos. Nem teve tempo de tentar melhorar a mão de Won ou parar com o sangramento de Jae-Ki. Na hora da raiva, nem pensou nos primeiros socorros, só quis tirá-los dali. Agora eles entravam daquele jeito na emergência e chavam a atenção da recepção.

    - Você tem plano de saúde? Cartão Social? - Foi a única coisa que perguntou a Jae-Ki.

    Pegaria os documentos dele, caso tivesse e iria adiantar a parte burocrática enquanto eles eram levados para a emergência por um enfermeiro. Hwang já tinha seus contatos no hospital, por isso parecerma mais pacientes com ele, entendendo que se tratava de um pai nervoso, não de uma ação policial.

    [...]

    Uma hora depois, Jae-Ki e Won-Bin estariam em seus leitos na enfermaria, separados por uma cortina - mas que no momento estava aberta porque não tinha problema conversarem. Jae-Ki levou pontos no supercílio e tinha um olho bem inchado com uma compressa de gelo em cima. Suas costelas também tinham roxos por conta dos impactos que recebeu, mas não foram quebradas. Já Won-Bin tinha dois dedos quebrados, mas precisou enfaixar o braço esquerdo todo por conta das terminações nervosas. Além disso, tinha um roxo aqui e ali.

    Pela segunda vez, no mesmo dia, Jae-Ki estava num leito de enfermaria. Da primeira vez, ele não tinha sofrido nada, mas agora ele sentia a dor da briga. Já Won tinha que aguentar, além das dores fisicas, as consequencias de seus proprios atos. Por conta dos dedos, ele ficaria 6 a 8 semanas com o braço enfaixado e isso significava que ele não poderia treinar corretamente; teria problemas no trabalhos; e o clube de música também estaria comprometido - se a intenção dele era tocar instrumentos. Como se não bastasse, o pai estava decepcionado com ele.

    Jae-Ki tinha uma enorme divida moral para com o amigo.

    Será que Won-Bin ainda o consideraria um amigo em potencial, depois dos erros da última noite?

    Hwang não estava com eles porque estava providenciando algum lanche e também conversava sobre a situação do filho com a enfermeira plantonista.




    • Adiantei esses turnos por conta do avançar da hora. De todo modo, esse é o penúltimo turno geral e esperarei as respostas de Sunny e Dong pra concluir no próximo;
    • Jae-Ki e Won-Bin terão direito a um adendo cada (Gakky-Isaac-Gakky-Isaac ou Isaac-Gakky-Isaac-Gakky, como preferirem).
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Dom Nov 19, 2017 2:12 am

    Jae-ki estava mesmo desesperado e não via uma saída para essa situação. Apesar de dar uma de forte, ainda era um adolescente e nada poderia fazer contra a polícia. Além disso, já contava que teria que passar por isso sozinho, e que não haveria ninguém para ficar do seu lado na delegacia, nem sua própria família. Era assim na escola, até ai tudo bem, mas e agora na delegacia? Levou um susto ao ouvir a voz explosiva do pai de Won Bin. Com certeza ele ficaria muito irritado depois de saber quem foi o culpado pelo filho estar ali e o prenderia para se vingar.

    Quando chegou a vez de Won Bin falar, Jae-ki até prendeu a respiração de tão nervoso até ouvir as palavras do amigo. Ficou boquiaberto e com os olhos arregalados, soltou o ar que tinha prendido, sua expressão era de total surpresa e um pouco de medo ainda. Mal podia acreditar no que Won Bin falava, era como um milagre? Sim, se parasse para pensar, era como um milagre encontrar um amigo assim. Lá estava Won levando toda a culpa que nem era dele por Jae-ki. Ele jamais teria imaginado que algo assim iria acontecer, seu amigo não era um traidor, em vez disso, tinha o salvado de um problema enorme. Notou que a mentira de Won Bin era perfeita! Embora mentira fosse algo que não gostasse, era um momento bem desesperador que até uma mentira seria válida, tudo para salvar seu futuro. E o que mais surpreendia Jae-ki ainda, era ver que seu amigo se preocupou com ele sem que precisasse explicar o quando estaria ferrado se fosse denunciado. " Won Bin... Isso foi... Aigoo... Incrível".

    Won Bin havia se sacrificado para o seu bem, não só seu, mas da Soo-ji, ao menos era o que Jae-ki pensava. Porque perder a escola, era como perder uma chance para sua irmã. O plano era perfeito porque apesar de levar uma bronca, Won Bin não seria expulso de Wangjo, já que o policial era seu pai. Mas se fosse com ele mesmo, teria que sentia a fúria do policial. Nunca pensou que o filho de um policial poderia fazer isso por ele, abandonar a honra assim por um amigo que conheceu a pouco tempo era realmente uma prova de amizade. Jae-ki via agora Won Bin como um verdadeiro herói e tinha a certeza de ter encontrado um amigo verdadeiro, na verdade, um amigo de diamante. Durante o resto do caminho ainda ficou em silêncio com medo de falar algo errado ou estragar alguma coisa. Seu coração estava mexido pela atitude de Won Bin, e até a raiva tinha desaparecido nesse momento. Já tinha se magoado muito com mentiras de ex amigos, até de Eun-bi, mas nenhum deles tinha mentido para salvá-lo. Jae-ki até queria contar para o pai de Won Bin toda a verdade, mas não podia, porque muita coisa estava em jogo, inclusive sua irmãzinha. Sabia que o melhor para ele era deixar que Won Bin o salvasse agora. Mas jamais esqueceria o que o amigo tinha feito por ele, agora o admirava muito mais do antes. Teria feito algum sinal com a boca para Won junto com seu semblante surpreso, isso se ele olhasse para Jae-ki.

    Quando viu que pararam em frente ao hospital, Jae-ki respirou mais aliviado, embora ainda sentisse como se estivesse em perigo constante perto daqueles dois caras, como se carregasse uma bomba que se soltasse poderia explodir. Entrou na emergência com uma expressão receosa, os dois realmente tinham se dado mal essa noite e ele sabia porque. Quando questionado sobre cartão social, Jae-ki balançou a cabeça positivamente e entregou seus documentos ao homem, embora ainda tivesse o olhar assustado por tudo que acontecido, era uma noite muito doida e cheia de fracassos e vergonha.

    Só quando foram para os leitos da enfermaria que Jae-ki se sentiu mais tranquilo, livre daquele peso estranho de sentir que está sendo vigiado. Talvez fosse por causa de sua paranóia com policiais, tinha aprendido a correr deles e não ficar perto de um. Nunca pensou que esse dia chegaria. Por sorte não quebrou nenhum osso, mas sentia dor no toráx quando se movia. Depois de lhe darem os pontos, observou seu amigo sendo tratado e viu que o estrago na mão dele havia sido muito grande. Sentou com cuidado em seu leito enquanto observava Won, isso o fez lembrar infelizmente das palavras de Taemin:

    "Quem foi que trouxe o amiguinho? Você! Você é o responsável por tudo o que for acontecer aqui!"

    Essas palavras pareciam latejar junto com a dor do seu olho roxo. Não queria lembrar de mais coisas, mas as palavras do seu pai voltavam agora também. Era terrível como gente feito Taemin e o seu pai pareciam ter razão sobre ele agora. "Que merda eu fiz... Parece até que aqueles cretinos tavam adivinhando... Tsc, eu só estava tentando fazer o que parecia certo. " Ver o amigo ferido desse jeito fazia Jae-ki perceber o quanto o tinha prejudicado e por isso sentia-se realmente culpado e arrependido agora. " Eu devia ter ido sozinho... Won não se ferraria assim, ele não merece isso... Aishii... Mas eu ainda vou provar que não sou o que eles dizem que eu sou, só não vai ser mais em brigas de noite... Também não vou deixar mais Won se ferrar desse jeito por minha causa"

    Depois que terminaram de cuidar de Won Bin, Jae-ki aproveitou que estavam sem os "policiais" para falar com ele. Mordeu a boca nervoso, sua mania de sempre e disse:

    - Cara, isso que você fez foi... Incrível... Você se ferrou por minha causa! - Enquanto falava, o olhar de Jae-ki era de genuína admiração - Você me salvou totalmente! Foi um plano perfeito! Eu estaria ferrado agora e perderia a escola se me denunciassem. Isso se eu não fosse preso! Aigoo... Você levou toda culpa por mim, e tá todo quebrado... Se não fosse você... Aigoo... E o seu pai é policial? Cara que loucura! Eu... Aishi... Esse cretino loiro ainda vai pagar, mas não se preocupe, eu não vou mais marcar brigas a noite! Ele é muito covarde para algo assim. Eu não pensei que ele fosse trazer os caras deles e nem que bateriam em você, eu juro.

    Olhou para baixo suspirando e completou:

    - Tsc, eu fiz uma grande merda... E ainda te envolvi nisso, você não estaria aqui com a mão ferrada se não fosse eu... Acho que eu deveria ter vindo sozinho, sei-lá... Ao menos não ia te ferrar. Agora seu velho acha que você é um perdido, é assim que policiais pensam... E você ainda roubou aquela arma por minha causa... Cara...  Aigoo... O que foi que eu fiz? Eu só queria mostrar pro Taemin que ele não podia tratar os outros daquele jeito só porque tem dinheiro... Mas fui um fracasso... Como eu imaginar que um rico fresco saberia lutar e ainda que traria amigos...

    Jae-ki se levantou e ficando de frente para Won Bin, disse com o olhar determinado:

    - Won, eu prometo que vou sempre te perguntar antes de fazer as coisas, ultimamente eu só tenho errado mesmo tentando acertar. E eu vou fazer todos os seus trabalhos enquanto você tiver com o braço assim! Vai tirar dez em todos para o seu velho te perdoar! E posso te dar aula também para não perder a matéria, ou copiar no seu caderno também, copio duas vezes, o meu e o seu! Também vou ajudar a carregar seu material e no que precisar. Somos amigos, não, não... Somos irmãos, é isso. Tamo junto nessa, você comprou minha minha briga e agora minha liberdade. Então pode ter certeza que já comprei suas brigas também. Somos irmãos, cara. E aigoo... Estamos tão quebrados... - Sorriu ao sentir um pouco de dor por estar falando muito, não era riso de zombando ou achando divertido, mas um sorriso amigável de gratidão - Valeu mesmo Won Bin. O seu pai é assustador, mas deu pra ver ele gosta de você, ele vai te perdoar, já que ele foi lá te pegar. Mas se fosse comigo, eu já estaria na prisão, eu acho. Não se estressa, vou ajudar a desenrolar isso, pode confiar. Eu achei que nada mais de bom ia acontecer comigo, mas ai você me salvou. Por que fez isso? A gente se conhece só há dois dias. Você deve me considerar mesmo seu amigo para fazer isso, é? Não foi você que chamou seu pai foi? Eu vi que não, você não ia querer se ferrar assim. Na hora eu achei que você tinha chamado a polícia! Foi mal, é que já pisaram muito na bola comigo. Mas eu já vi que tu é parceiro.

    Jae-ki estava se sentindo muito culpado ao ver o amigo ferido, não preveu que Taemin mandariam o atacarem, queria recompensar o que Won tinha feito por ele, mesmo que não soubesse como, daria um jeito. Ao mesmo tempo também estava feliz e surpreso, primeiro por ter se livrado de uma barra pesada, tinha ficado realmente apavorado, e também porque ganhou um ótimo amigo, sentia que era importante para alguém e isso era sempre bom, ainda mais em uma realidade que só o julgavam. Não tinha dinheiro, mas mesmo assim acabava de ver que tinha uma amizade de diamante, como dizia algumas músicas de rap. Alguém o achava maneiro o bastante para se sacrificar daquele jeito, e este era Won. Mesmo que andasse como um garoto pobre incapaz de dar algo a alguém, por isso só podia significar mesmo uma amizade verdadeira. Se Won Bin estiver sentado, Jae-ki vai abraçá-lo de lado, como parceiragem, se ver que causou dor ao amigo vai parar. Ainda se sentindo muito arrependido e grato, vai perguntar logo em seguida:

    - Precisa de água? Eu vou buscar! - Já ia se levantando antes da resposta dele, mas sentiu dor por ter sido rápido e soltou um xingamento, colocou a mão onde doía - Jenjang!
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    Re: Capítulo 1

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