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    Capítulo 1

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    Persephone
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    Troubleshooter

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Dom Nov 19, 2017 2:38 am

    [SUNNY]

    Sunny demorou um pouco para perceber a mecha roxa de Chae, mas quando comentou, ela arrancou um sorriso da menina. O sorriso dela foi bastante sincero e animado, porque gostava daquele tópico em específico. Até se ajeitou um pouco para responder.

    - É maquiagem para cabelo! Sai bem fácil... - Mexeu na região. - Se quiser, um dia eu faço algumas brincadeiras com o seu cabelo. Prometo que não vai causar danos, nem nada disso. É bem tranquilo.

    Quanto ao band-aid, Chae pensou rápido no que dizer, mas acabou concordando sobre a marca de guerra de mais cedo. Comentou que foi só um roxinho, mas ela quis esconder mesmo assim para não se lembrar de como conseguiu aquilo. Pelo modo que Chae conversava, tinha sido bem convincente mesmo. Felizmente, Sunny mudava de tópico e comentava sobre os meninos que Chae também tinha gostado de conhecer.

    Mas sobre o joelho...

    - Ah, não, ainda não saíram meus resultados! Mas acho que nem vou poder. Termina sexta, né? Depois disso só com janela de transferência, acho que vou botar teatro, sei lá. Ou não boto nada também, deixo em branco pra ter um tempo livro. Culinária e Musica já tá bom, né?

    Fez uma caretinha e deu de ombros. A conversa sobre joaninhas não rendeu muito depois que Chae afirmou que NÃO ERAM AMIGOS e tinha muita convicção disso - só que não. O problema foi que a maré de azar da menina continuava, porque como se não bastasse o comentário acerca de joaninhas, ela ainda falou de um oppa lindinho.

    Que ops...

    Era somente o irmão mais velho dela. Chae só suspirou, meneando negativamente até que foi apresentada e esboçou um sorriso bonito. Aparentemente, seu sorriso também chamou a atenção do irmão de Sunny. Ou talvez fosse todo aquele visual dela que não passava despercebido por ninguém.

    - Ahm...Olá. É um prazer.

    - O prazer é todo meu...- Chae ajeitou o cabelo e via o riso de Sunny. Quem via aquela carinha de anjo, não imaginava a diaba que tinha ali. Bom saber. E ainda botava na mesma mesa! Nossa, que amor! - É, senta aí...

    Coçou a nuca. Yi-Hoo parecia tão sem graça quanto ela, por isso Chae se sentiu mais à vontade e começou a puxar assuntos aleatórios. Ela era boa nisso, percebeu, porque Yi-Hoo respondia e o assunto não encerrava. O assunto só morreu quando Sunny voltou, mas eles pareciam se entender bem.

    - Só pelo cheiro, eu já sei que não foi você. - Yi-Hoo comentou. - Ela é péssima cozinheira.

    - Tadinha, não deve ser tão ruim assim... - Chae tentou defenda.

    - Não, não. É sério, ela é muito ruim. - Olhou de banda para Sunny.

    Chae fez um beicinho e, no meio da pergunta acerca de Lee-Hi, a menina se aproximava. Estava com uma cara exausta e seus braços e pernas doíam de tanto subir e descer escadas com pesos de livro. Suspirou porque se sentia uma monstra horrorosa. Para piorar sua situação, ainda viu Yi-Hoo bem ali.

    - Aigooo.. - Escondeu o rosto e deu meia volta. - Pensei que só a Chae estivesse aqui!

    - Poxa, eu já vi que não agrado mesmo. - Yi-Hoo comentou meio dramático. - Por que está escondendo o rosto?

    - Porque estou feia, oppa!!

    - Ah, isso é impossível.

    ~~Plim ~~

    Chae arregalou os olhos, olhando para Sunny e Lee-Hi abriu um pouco os dedos, permitindo que o olhinho de banda mirasse no rosto de Yi-Hoo.

    - Oppa..? - Perguntou como se para confirmar o elogio.

    - Nem a Sunny está feia, por que você estaria? - Yi-Hoo fez aquele comentário e já se defendia de eventuais tapas da irmã. Lee-Hi bufou e escondeu o rosto no ombro de Sunny - aiish, calma!

    O grupinho ficaria reunido até que desse a hora de fechar o café. Apesar da vergonha, Lee-Hi tinha adorado a visita daqueles dois. Agora, contudo, cada um seguia um caminho diferente e Chae não parecia incomodada de andar por aí sozinha. Já Sunny, teria a companhia de seu irmão que, apesar de toda a implicância, ficou com ela até a hora da saída, sem nem ao menos reclamar do dia de trabalho dele. Que não era fácil! E ela bem sabia disso.

    Porém, algo chamou a atenção dele.

    - Hm... - Yi-Hoo observava os pertences da irmã, reparando na bolsa do uniforme. - Por que você está com um uniforme novo?

    Não sabia ao certo se era novo, mas a bolsa estava muito bem conservada, por isso chutou.

    [DONG]

    Dong era um bom menino. Pelo menos ele se esforçava para ser um, afinal, ele tinha a rara qualidade de filtrar as ignorâncias e o desprezo alheio para tentar extrair algo bom disso. Apesar dos tios nem olharem direito para ele ou sua mãe, ele se portou com toda a educação que tinha recebido em casa.

    Hayoung gostava dessa qualidade dele. E, por isso mesmo, sempre estava ali para ajudá-lo e apoia-lo nessas estressantes reuniões de família, ainda que não pudesse levantar a voz contra seus pais. Pelo menos enquanto os seis presentes não conversavam, os dois ficaram trocando memes e palhaçadas pelo celular. Porém, ela fez uma pergunta que o pegaria.

    "Você lembrou do meu presente? =)"

    O presente que ela pediu, para caso encontrasse algo no shopping que lembrasse a prima. Sunny tinha gastado um dinheirinho ali, lembrando dos irmãos e de Kim, mas ninguém - nem mesmo Stella - tinha reparado se Dong olhou alguma coisa para Hayoung ou simplesmente foi avoado - ou pão duro - demais para se focar nisso. Para seu azar, a prima tinha cobrado com um sorrisinho ameaçador. Era bom ter uma boa resposta!

    Antes que ele achasse a desculpa, contudo, o avô entrou na sala reservada. Dong tinha sido o primeiro a se erguer e o Patriarca o observou com atenção por trás de um sorriso - demasiado gentil, vale ressaltar.

    - Sim! Recebi a encomenda hoje. Gostou? - Parou de andar e a exibiu um pouco para o neto. - Se gostar dela, posso deixá-la para você quando minha hora chegar.

    - Aboji! Não diga isso! - A tia de Dong disse.- O senhor é demasiado jovem para pensar em coisas assim..

    - Hahaha...Gosto como vocês tentam me enganar. Eu gosto de fingir que acredito. - Procurou por seu lugar à mesa, ainda rindo meio debochado do corte que tinha dado na nora. A mãe de Dong não se pronunciou, ficando com uma expressão neutra e olhando para baixo.

    Todos puderam se sentar depois dele e o homem ignorou os mais velhos, dirigindo-se diretamente à sua mais nova geração. Esperou pela reação dos dois e, somente agora, os tios estavam encarando Dong como se estivessem interessados no que ele tinha a dizer. A mãe deu um sorriso discreto, satisfeita com a resposta do filho. Pela primeira vez, relaxou um pouco.

    - É mesmo? E quais foram os clubes que entrou? - Perguntou, mas logo se virou para Hayoung. - E você, pequena?

    - O ensino médio parece um desafio, vovô. - Hayoung respondeu um pouquinho nervosa, mas nem morta citaria a história do vídeo. - Tivemos poucas aulas para avaliar com clareza, mas os professores que conhecemos até então são ótimos. E eu também já escolhi meus clubes. Estarei em Tênis, Culinária e Literatura.

    - Oh, que clubes interessantes. - Comentou. - Vejo que vocês não se interessam muito por política... - Parecia um tom de recriminação, mas logo riu. - Quem é que gosta, afinal? Fizeram boas escolhas.

    Os pais ficaram um pouco tensos, mas logo deram uma risadinha meio forçada.

    - Vocês dois me orgulham bastante. Sua foto recebendo o prêmio já ganhou espaço na moldura dos netos, Hee-Kyung. - Comentou com o garoto. Um paredão da residência oficial e que tinha as conquistas dos herdeiros mais jovens.

    - A inteligência é de família. - O pai de Dong comentou.

    - Ah, é mesmo? - A tia comentou de modo um tanto venenoso.

    - O que está insinuando? - A mãe finalmente se manifestou já fechando o punho.

    - Oh! Você estava aí, Hye-Sun. Tão caladinha, estava até achando estranho. - A tia sorriu. - E você entendeu muito bem o que eu quis dizer. - Piscou lentamente e olhou para Dong. - Seus pais deveriam ser realmente inteligentes, não é?

    - Não começa, So-Ra... - Hye-Sun falou.

    - Não sei onde vocês querem chegar com isso. Ninguém aqui está comentando o que aconteceu com Hayoung, por exemplo. - O pai de Dong se manifestou, protegendo a propria familia. - Foi um deslize e tanto...

    - Um pequeno deslize que não se repetirá. Mas mesmo assim, ela continua tendo o sangue da família...

    - E o meu filho também. - Hye-Sun já trincou os dentes.

    - Você é uma excelente advogada, mas não estudou biologia no colégio? Sabe bem que é impossível. - So-Ra ainda se divertia. - Mas ele até que é simpático, apesar de esquisito. Ele quase parece com vocês...Imagina se fosse completamente diferente, seria dificil desviar das perguntas, né?

    Hye-Sun quase se levantou, mas o marido a segurou e ela sentou-se na cadeira de novo, fazendo um barulho. O avô estava com os dedos entrelaçados sobre a mesa e encarava aquilo com certa preguiça.

    - Posso continuar? - Perguntou. - Então, como eu dizia...- Suspirou. - Só faltou Hayoung, mas tenho certeza de que esse ano será diferente.

    - O Senhor deveria colocar uma foto de Hayoung sim. Apesar de tudo, ela foi muito bem nos cursos dela e ganhou honra ao mérito. - A tia de Dong continuava.

    - E por que você acha que eu seguiria seus conselhos? - O avô a encarou já começando a se irritar.

    - Sinto mutio, Aboji. Não está mais aqui quem falou.

    - É bom que não esteja. Não consigo ter um jantar em paz que vocês sempre voltam com essa discussão! Você não fez um "trabalho" melhor, pois até onde eu saiba, Hayoung é uma menina! E você não teve outros filhos!

    Hayoung nem sabia onde mais enfiar a cara. Hye-Sun estava cansada daquilo e nem imaginava que de onde tinha começado aquele veneno, havia muito mais. Ela podia parar, por hora, mas cedo ou tarde voltaria a atacá-los. A tia de Dong não tinha muitos limites e era uma mulher extremamente arrogante. Porém, ela ainda conseguia ser melhor que o marido. Sempre que Dong estava na presença do tio, sentia como se ele soubesse muito mais de sua vida do que ele mesmo.

    Era quase como se o tio o visse como uma formiga e estivesse quase pegando uma lupa para expor ao sol. Deixava que Dong vivesse sem preocupações apenas para esmagá-lo no momento mais oportuno. Porém, com a esposa que ele tinha, era dificil de acreditarem nessa sensação de Dong.

    Parecia que So-Ra era o pior pesadelo quando, na verdade, o menino sabia que seu tio o odiava mais.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Dom Nov 19, 2017 12:05 pm


    Won não reclamou da forma que o pai lhe ergueu do chão. Na verdade sentia-se tão falho que nem tinha vontade de contestar ou reagir as afirmações de seu pai.

    Quando Won finalmente falou, assumindo a culpa pelo que havia ocorrido, apenas aumentou a raiva de seu pai.

    "Faz muito tempo que ele não fica assim..."

    Não olhou para ninguém durante o caminho, apenas olhava para o estado de sua mão.

    Estavam indo para o hospital, para alivio de Jae-ki que devia achar que iam pra uma delegacia, e alívio de Won também pois a dor já lhe incomodava muito.

    Foram atendidos com certa pressa. Won já poderia se sentir melhor quanto a dor, mas ver o braço enfaixado era...

    "Os treinos, o trabalho no café, o clube de música. Eu joguei tudo fora porque eu sou um idiota"

    Ficou mais preocupado quando notou que aquele machucado poderia arruinar tudo o que ele havia conquistado nos últimos dias.

    Pelo menos Jae-ki parecia bem apesar dos pontos no supercílio e o olho inchado: sua fama de badboy na escola iria até a estratosfera.

    Jae quebraria o silêncio quando seu pai os deixaria para buscar algo para comer. Até então Won pareceria bem distante para o amigo.

    - Cara, isso que você fez foi... Incrível... Você se ferrou por minha causa! - Enquanto falava, o olhar de Jae-ki era de genuína admiração - Você me salvou totalmente! Foi um plano perfeito! Eu estaria ferrado agora e perderia a escola se me denunciassem. Isso se eu não fosse preso! Aigoo... Você levou toda culpa por mim, e tá todo quebrado... Se não fosse você... Aigoo... E o seu pai é policial? Cara que loucura! Eu... Aishi... Esse cretino loiro ainda vai pagar, mas não se preocupe, eu não vou mais marcar brigas a noite! Ele é muito covarde para algo assim. Eu não pensei que ele fosse trazer os caras deles e nem que bateriam em você, eu juro.

    "Ele disse que era só ele, a avó e a irmã ontem. Se ele passasse a noite numa delegacia ia ser complicado" tentava pensar na racionalidade daquela decisão de momento, mas no fundo ele sabia que não tinha feito aquilo racionalmente.

    Won ficou em silêncio enquanto Jae falava, ele se culpava também pelo ocorrido, ter envolvido ele. Até mesmo prometia não fazer mais aquele tipo de coisa sem falar com ele.

    Deixou ele falar, desabafar, tudo que queria e precisava.

    -A culpa é minha também - disse quando Jae terminasse de falar. Havia muito peso em sua voz.
    -Eu devia ter te impedido. Foi uma ideia horrorosa Jae-ki - não colocava julgamento em sua voz, apenas constatava fatos -Imaginei que ele fosse levar amigos e não ia lutar limpo, por isso eu levei o nunchaku

    "Que eu nem tenho treinamento ainda"


    -Fui orgulhoso, achei que eu poderia dar conta caso ele mandasse amigos pra lutar desigual. O que eu não pensei fosse que ele levaria outro tipo de amigos, não da escola, aqueles caras deveriam ser seguranças contratados

    Orgulho havia derrubado os dois naquela noite.


    -Meu pai é policial sim. Hoje em dia ele cuida mais de burocracia e esse tipo de coisa. Eu não contei pra ele, meu pai descobriu onde a gente tava de outra maneira


    Não parecia se sentir melhor diante da gratidão de Jae-ki.

    -Jae... - ele soava ainda mais sério, olhando para o braço enfaixado -A gente não pode jogar o jogo deles. Taemin, os outros que também odeiam os bolsistas, nenhum deles vai parar. Eles vão forçar a barra, vão jogar todos nós no lago, na lixeira, brigar no intervalo, fora da escola. Não importa, se a gente continuar nisso não vamos durar um mês nessa escola

    Passou a olhar para Jae.


    -Você pode me prometer uma coisa? Duas na verdade
    - não se considerava mais capaz de proteger ninguém, mas isso não o impediria de tentar de outras maneiras -A primeira é que você pare de brigar com o Taemin. A suspensão dele não deve durar nem um dia direito, então ele vai voltar com sangue nos olhos. Então deixe-o provocar, deixe-o falar o que quiser, ele vai latir até conseguir te tirar do sério - sabia que pedia algo bem difícil -Deixe ele achar que ganhou, pelo menos por um tempinho

    O segundo pedido era mais simples.

    -Depois de vocês irem pra enfermaria eu consegui falar mais com as meninas, Bo-Mi e Misoo. Consegui entender melhor nossa sala, e meio que conclui algumas coisas. O que eu quero te pedir é que você sente comigo e com o Kang, e evite sair sozinho por aí na escola. Em números é mais difícil atingir a gente - ele ponderou por um instante.
    -Fale com o Kang também, sobre hoje a noite. Ele estava preocupado com você

    Suspirou fundo.

    -Eu nunca tive muitos amigos Jae-ki. Mas os que eu tenho quero ajudar. Quero proteger você, o Kang, a Bo-Mi, a Misoo e até a sua Eun-Bi - disse quase sorrindo, era uma pequena provocação de amigo -Mas eu não tenho capacidade pra fazer isso, e a minha única qualidade era ser forte o suficiente pra segurar braços alheios. Agora eu não tenho nem isso - sua voz era carregada de pena por si mesmo.

    Que tipo de herói Won poderia ser?

    -Tá na hora de usar esse cérebro de einsten, Jae-ki. Ou a gente vai vir várias vezes aqui

    Gakky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Dom Nov 19, 2017 1:48 pm

    Jae-ki era do tipo bem impaciente, gostava de ajudar, mas tudo na pressa. Já queria procurar água pelo amigo, mas a dor o impediu e as palavras que Won disse em seguida também. Ficou surpreso ao ver que ele também se sentia culpado. Mas na visão de Jae-ki, Won Bin não era nem um pouco culpado nisso, e sabia que a culpa era sua na verdade. Dessa vez tinha mesmo pisado na bola. Sentou no seu leito da enfermaria para escutar as próximas palavras do amigo e percebeu que não era só Won que tinha se sentido orgulhoso. Não tinha parado para pensar nisso antes, mas agora podia ver que realmente o orgulho o tinha cegado. Devia ter se preparado melhor, desconfiado da situação, e não se jogado como fez.

    Won Bin confirmava que seu pai era policial, burocrático ou não, ainda era tudo policial para Jae-ki. Mas Won Bin tinha provado ser seu amigo e já tinha ganhado o seu respeito também. Quando o amigo falava sobre Taemin ter seguranças contratados, Jae-ki não deixou de xingar:

    - Isekiya...

    De repente Won Bin parecia falar muito sério e Jae-ki prestou atenção. Ouvir a verdade que não os deixariam em paz começou a deixá-lo nervoso. Já podia sentir uma raiva crescendo aos poucos conforme escutava esses fatos. Mas o que veio a seguir que mexeu ainda mais com seus nervos. Won Bin tinha um pedido, queria que ele fizesse duas promessas! Jae-ki o observou com os olhos tensos e curiosos. Foi só ouvir que era para não brigar com Taemin, que começou a ficar realmente nervoso. "Deixar ele falar? Deixar aquele saekky achar que ganhou? Aishi... Won bin..." - Passou a mão nos cabelos quase machucando de novo o seu olho. Sim era algo bem difícil de prometer. Mas Won Bin havia ganhado o seu respeito, se não fosse por ele nem estaria na escola no dia seguinte,  dar isso ao amigo era o mínimo que podia fazer. Até tinha sentido nessas palavras, porém o mais difícil seria cumprir. Até porque não era como se fosse prometer desistir da briga, era só por um tempo, foi o que entendeu ao menos.

    Won continuou falando, e foi só ouvir sobre meninas e enfermaria, que Jae-ki se mostrou ainda mais interessado. Mas não era sobre Eun-bi e pelo menos a segunda promessa era muito mais simples que a primeira. Essa seria tranquila de cumprir. Mesmo que tivesse que contar tudo para o Kang, se Won Bin confiava nele, Jae-ki também confiaria. Além disso, ouvir que Kang estava preocupado o fez lembrar do sms de mais cedo, realmente Kang devia ser um bom amigo. Depois do que tinha ouvido do seu pai, mesmo que achasse que não dava valor a isso, era bom saber que tinha gente que o reconhecia como alguém digno de sua amizade. E quando acreditavam que Jae-ki era alguém digno para se dar importância, isso o marcava.

    O que veio a seguir de Won, após o suspiro, deixou Jae-ki novamente surpreso. Won Bin era tão incrível que tentava proteger a todos em vez de si mesmo. E quando o provocou sobre Eun-bi, Jae-ki fez um bico invocado, aquela garota ainda o tinha magoado. Ainda assim, a atitude do seu amigo era de se admirar. Quando Won ainda falou sobre segurar braços alheios, Jae-ki novamente sentiu a culpa apertar em seu peito.

    Então vieram as últimas palavras do amigo, essas tocaram Jae-ki bem na ferida. Conseguia ser inteligente suficiente para tirar boas notas, mas no resto... Tinha errado terrivelmente em todas as vezes que tentou consertar as coisas na escola. Era mesmo hora de conseguir usar sua inteligencia ao seu favor. Jae-ki podia odiar críticas na maior parte das vezes, mas quando essas vinham de pessoas que ganharam o seu respeito, era muito diferente, ele sabia escutar. A primeira promessa era muito difícil de cumprir, mas o plano era bom. Não era como se tivesse entregando a vitória nas mãos de Taemin, só usaria uma estratégia pra não se ferrar por enquanto. Achava que depois ele e Won Bin encontrariam a forma certa de se vingarem do demônio loiro. Com o olhar sério, Jae o respondeu:

    - Won Bin, você tem meu respeito. A primeira promessa que me pediu, vai ser muito difícil, eu já me sinto irado só de pensar. Aishi, me sobe uma raiva - Disse esfregando a mão no peito em forma de um soco, dando batidinhas de leve como se tentasse se livrar de algo entalado - Mas é como você falou, tá na hora de eu saber usar minha inteligencia ao meu favor. Eu tenho tentado evitar problemas, eu fiz até uma lista, mas eu falhei...

    Modeu os lábios mais uma vez e deu a resposta que Won esperava:

    - Eu prometo. Prometo as duas coisas que me pediu. Só que tem horas que meu ódio me cega, mas eu juro que vou tentar ignorar o Taemin. Aigoo... Vai ser difícil, muito difícil... Só de olhar para aquela cara dele, dá vontade de dar um soco... Mas vou encontrar algo pra acalmar minha raiva. E tá, vamos sentar juntos, somos parceiros. Acho que isso vai me ajudar a não revidar do Taemin. Ver vocês por perto, vai me lembrar da promessa. O isekiya pode ter seus seguranças, mas temos um ao outro. Pode deixar que eu conto tudo pro Kang amanhã.

    Jae-ki suspirou e sorriu suavemente quando disse para Won:

    - Mas cara, você não tem que se sentir culpado. Fui eu que fiz a merda, eu que marquei a briga e fui igual otário achando que ele ia cumprir o combinado. A raiva me cegou, hoje então... Meu pai tava lá em casa e isso só me faz ficar pior. Parece que eu vou explodir quando fico assim, é como se eu não pensasse. Mesmo que você tentasse não ia conseguir me impedir, então desencana. Tá?

    Consertou a posição da compressa de gelo no olho e continuou:

    - Você não deve ter ideia do que fez para mim hoje... Won Bin, não foi só eu que ia me ferrar, mas minha irmã também. Eu estou em Wanjo por causa dela, para conseguir um emprego bom e dar uma vida melhor pra ela. Se você não fizesse o que fez, eu perderia tudo e sabe-se lá se eu ia conseguir ir para casa hoje. Um garoto normal teria me denunciado, principalmente um filho de policial, não levaria a culpa como você fez. Só amigos de valor fazem isso. Mesmo que ninguém entenda agora o que você fez, saiba que salvou minha família. Eu tô junto nessa com você, vamos aguentar tudo isso, se você não tem braço agora para segurar braços alheios, é só me chamar que eu faço isso até você ficar bom.  E tem o Kang também, somos os três dragões, certo?

    Olhou para lado quando tocou no próximo assunto:

    - Já a Eun-bi eu não sei dizer o que ela é... Ainda não me desce que ela defendeu o Taemin, você ficou sabendo? Ela mentiu. Tá vendo Won, como as pessoas são. Elas são vistas pelos outros como pessoas boas, corretas... Mas o que fazem pelos outros? É fácil ajudar os amigos deles que já são ricos, já que eles sabem que vão ter algo em troca. Mas alguém como eu, e que ainda te ferrou, é muito difícil! Só alguém com coração grande como você, devia se sentir orgulhoso por isso. - Voltou a olhar para Won Bin e completou - Pode não parecer, mas eu sei recompensar os outros também. Você tem que prometer que vai me deixar ajudar! Somos amigos, e é isso que amigos fazem. Combinado?

    isaac-sky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Dom Nov 19, 2017 2:29 pm


    - Won Bin, você tem meu respeito. A primeira promessa que me pediu, vai ser muito difícil, eu já me sinto irado só de pensar. Aishi, me sobe uma raiva - Disse esfregando a mão no peito em forma de um soco, dando batidinhas de leve como se tentasse se livrar de algo entalado - Mas é como você falou, tá na hora de eu saber usar minha inteligencia ao meu favor. Eu tenho tentado evitar problemas, eu fiz até uma lista, mas eu falhei...

    -Eu entendo, também tenho vontade de pegar aquele cara na esquina mas não ia resolver nada sabe? Digamos que você tivesse ganhado a luta, ele volta pra casa todo machucado, chora pros pais ricos e te acusa de agressão pra polícia. Entende que a gente nunca ganha quando cai pro nível dele?

    O mais complicado realmente seria ficar tranquilo diante do loiro.

    -Digo isso porque eu acho que ele não vai tentar atingir só você ou eu. Quanto mais irado mais a chance dele querer atingir nossos amigos também - se recordava da preocupação de Bo-Mi.

    - Mas cara, você não tem que se sentir culpado. Fui eu que fiz a merda, eu que marquei a briga e fui igual otário achando que ele ia cumprir o combinado. A raiva me cegou, hoje então... Meu pai tava lá em casa e isso só me faz ficar pior. Parece que eu vou explodir quando fico assim, é como se eu não pensasse. Mesmo que você tentasse não ia conseguir me impedir, então desencana. Tá?

    Won apenas abaixou a cabeça e olhou o braço enfaixado novamente.

    -Acho que a gente nunca vai saber porque eu não tentei - ele disse mais para si mesmo.

    - Você não deve ter ideia do que fez para mim hoje... Won Bin, não foi só eu que ia me ferrar, mas minha irmã também. Eu estou em Wanjo por causa dela, para conseguir um emprego bom e dar uma vida melhor pra ela. Se você não fizesse o que fez, eu perderia tudo e sabe-se lá se eu ia conseguir ir para casa hoje. Um garoto normal teria me denunciado, principalmente um filho de policial, não levaria a culpa como você fez. Só amigos de valor fazem isso. Mesmo que ninguém entenda agora o que você fez, saiba que salvou minha família. Eu tô junto nessa com você, vamos aguentar tudo isso, se você não tem braço agora para segurar braços alheios, é só me chamar que eu faço isso até você ficar bom. E tem o Kang também, somos os três dragões, certo?

    Won sorriu um pouco quando ouviu "três dragões". O nome acabou pegando mesmo.

    -Tá tudo bem Jae-ki. Sim, tamo junto, os dragões da Wangjo. Não precisa me agradecer Jae-ki, só espero que a gente consiga dias mais tranquilos na escola

    - Já a Eun-bi eu não sei dizer o que ela é... Ainda não me desce que ela defendeu o Taemin, você ficou sabendo? Ela mentiu. Tá vendo Won, como as pessoas são. Elas são vistas pelos outros como pessoas boas, corretas... Mas o que fazem pelos outros? É fácil ajudar os amigos deles que já são ricos, já que eles sabem que vão ter algo em troca. Mas alguém como eu, e que ainda te ferrou, é muito difícil! Só alguém com coração grande como você, devia se sentir orgulhoso por isso. - Voltou a olhar para Won Bin e completou - Pode não parecer, mas eu sei recompensar os outros também. Você tem que prometer que vai me deixar ajudar! Somos amigos, e é isso que amigos fazem. Combinado?

    -Ok ok, eu aceito a ajuda com a lição de matemática porque eu não prestei atenção em nada hoje - disse sorrindo um pouco. Ainda se sentia pra baixo, mas desviar um pouco do assunto da briga de hoje era bom.

    -Eu não tenho uma opinião formada se o que a Eun-Bi fez foi certo ou não. Acho que ela tentou apaziguar a situação e evitar um conflito com o Taemin. Por você, e pelas amigas dela. Eu conversei bastante com a Bo-Mi e a Misoo, as duas estão chateadas com o que ela fez - só Misoo tentava levar mais em conta a atitude dela.

    -Ah, eu ia te contar amanhã. Graças ao nosso grande dragão Kang acabamos combinando um passei no parque com a gente e as meninas. Vai ser...ah, é, eu provavelmente não vou porque meu pai vai me deixar numa cela em casa provavelmente - era óbvio que ficaria de castigo -Mas você deveria ir. Quem sabe não consegue uma oportunidade de falar com a Eun-Bi e esclarecer isso num ambiente sem interrupções.

    Já imaginava que Jae-ki faria uma cara zangada.

    -E não me olhe assim, sei que você gosta dela, só faltava babar quando conversou com ela - era uma memória divertida, os instantes antes do caos.

    "Queria poder fazer mais do que isso"


    -Você costuma ir tarde pra casa? Não quer ligar pra sua casa pra avisar que tá tudo bem? Acho que meu pai pode dar uma carona, apesar da raiva dele
    - disse, desviando um pouco o assunto.

    Ainda tinha uma noite longa pela frente. Não queria nem pensar na bronca completa que receberia em casa.

    Gakky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Dom Nov 19, 2017 4:35 pm

    Quanto mais Jae-ki ouvia Won Bin falar de Taemin, mas ele via que o amigo tinha razão, embora ficasse mais revoltado também. "Tem que ter um jeito de vencer o Taemin! Que mundo é esse que tu fica invencível porque é rico? Aishi..." Quando ouviu da parte que o loiro poderia até querer atingir seus outros amigos, Jae-ki ficou preocupado. Isso o estava tirando do sério, ainda mais porque não poderia revidar.

    Apesar de tentar animar Won Bin, Jae-ki percebe que o garoto ainda olhava para o braço enfaixado com um olhar triste. Além de ter sido um herói, o garoto era humilde e ainda dizia que não precisava agradecer. Os dois também queriam a mesma coisa, dias tranquilos na escola. Jae se perguntava se conseguiria isso um dia.

    Ao ver que o amigo aceitou a ajuda com a lição de matemática, sorriu animado. É claro que não pararia por aí com as ajudas, mas viu que Won Bin não era um cara que fazia as coisas em troca de benefícios, por isso o recompensaria sem avisar. Quando começavam a falar de Eun-bi, o semblante de Jae-ki já mudava para o modo revoltado. Mesmo que se esforçasse para entendê-la, as ações dela ainda pareciam sem sentido para ele. Ao menos até as amigas dela agora estavam chateadas também, talvez agora pudessem o entender! Principalmente MiSoo, que tinha lhe arremessado a mochila. Nele não acreditavam, mas agora sentiram na própria pele como era quando Eun-bi mentia.

    Quase deixou cair a compressa de gelo quando Won Bin falou que tinham combinado um passeio no parque e ouvir sobre esclarecer as coisas com Eun-bi só o fez fazer novamente o bico de invocado, já ia responder quando Won Bin o pegou de surpresa. Acabou corando um pouco por ter sido pego tão de flagrante, odiava não conseguir esconder os sentimentos. Será que era por isso que Eun-bi o tratava desse jeito como otário? Porque via os seus sentimentos? Jae-ki bufou e respondeu o amigo:

    - Tava tão na cara assim? Ya! E você ficou olhando? Que humilhação... - Suspirou com uma expressão de derrotado, mas logo argumentou contra a garota - Agora vocês sabem como eu me senti no primeiro dia. Ela tinha mentido como fez agora. Eu não entendo, mesmo você achando que ela pode ter feito isso para acalmar as coisas, não faz sentido. Pela primeira vez eu senti que tinha alguém do meu lado para denunciar ao diretor, foi lá na enfermaria, pode parecer difícil de acreditar, mas minha palavra nunca é levada em conta pela escola. Com Eun-bi ali eu achei que finalmente a escola iria fazer justiça, porque Eun-bi é "alguém" pra eles. E o que ela fez? Mentiu de novo, depois de pedir desculpas! Ela não me protegeu, só tirou ela e Taemin da história. Ninguém liga se um bolsista foi empurrado no lago, por isso Taemin tá se achando tanto. Quem pode parar ele, não faz isso. Se todos ficassem sabendo que ele machucou uma garota como Eun-bi, iam ver ele de forma diferente. Entende Won Bin? Não faz sentido, acho que ninguém pode entender Eun-bi. E se ela protegeu Taemin, é porque deve gostar dele, mesmo ele sendo um babaca. Melhor esquecer esse passeio, o Kang foi legal, mas com Eun-bi não dá. E você não devia ficar tão triste, mesmo que desse, sabe como são as garotas, adoram gastar dinheiro. Não dá para passear com elas, elas vão querer presentes, comer em restaurantes, eu não tenho dinheiro para isso, não tenho nem para mim. Você não tinha aqueles filmes que ia me emprestar? É melhor do que ser feito de idiota.

    Jae-ki se aproximou para contar mais:

    - Na sala, teve uma garota que me disse que Taemin era dono dela. E você viu como ele teve audácia para falar dela daquele jeito, aishiii, chega me dar nojo. Claro, ela ainda o defendeu, só encheu mais o ego daquele lixo. Eu não vou falar com Eun-bi, porque ela vai acabar me convencendo, e eu não quero ser convencido para ela mentir de novo... - Ao falar disso, o olhar de Jae-ki parece realmente triste e magoado - Acho que ela nem me leva a sério. A única garota que merece minha atenção é minha irmã, a Soo-ji-ya.

    É claro que apesar de falar isso, o coração de Jae-ki ainda não conseguia esquecer Eun-bi, havia um sentimento forte que os ligava. Ele queria muito que tudo que estava falando para Won fosse verdade, que não queria falar com ela. A razão dizia para nunca mais confiar nela, mas seu coração era idiota e ficava querendo ver ela de novo. Isso tudo era mesmo uma droga. Mas de repente umas coisas sinistras passaram pela mente de Jae-ki. Se Taemin fosse tocar em Eun-bi, como Won Bin falou que ele poderia se vingar em outros, Jae não permitiria. Era certo que não poderia revidar, mas jamais ficaria omisso se algo assim acontecesse. Podia até sentir a tensão no ar só de imaginar algo assim, e do jeito que Taemin era, acontecer algo assim não seria difícil.

    - Se Taemin tocar na Eun-bi de novo, Won Bin, eu não vou ficar assistindo.
    - Disse com o olhar perdido e preocupado - Mas fica de boa, mesmo que isso aconteça não vou quebrar minha promessa, vou me segurar o máximo para não dar qualquer golpe naquele lixo. Só não vou ficar parado, se ele quer bater em alguém, não vai ser nela.


    Won Bin falou da carona e isso desviou o assunto um pouco. Jae-ki odiaria voltar para aquele carro de novo, o dava aflição, estar com a polícia era como estar com o inimigo, mas a ideia era boa. Se não fosse isso, teria que procurar algum metrô e gastar mais passagem. Economizar era sempre bom e Won Bin parecia saber o que fazia. Além disso, sair todo dolorido seria péssimo.

    - Eu já avisei que ia chegar tarde para minha avó. Carona? Eu não sei... O carro do seu pai faz parecer que eu vou ser preso. Mas já que você vai junto, só me deixando na esquina do meu bairro já tá perfeito. Não quero que vá até minha casa, a halmoni pode acabar falando algo pro seu pai. Imagina os dois conversando? Aishi... A halmoni ia achar que eu fui preso. Ela não ia acreditar no que você disse. Mas também não acho que ela ia desmentir, não na frente do seu pai. Até hoje não vi ela me ferrando pros outros. Só que arriscar nunca é bom.

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Dom Nov 19, 2017 5:29 pm

    Hyun Hee se afastou com sua risada abafada de loucura, no ápice da adrenalina no sangue. A postura do avô o irritava profundamente. Por acaso ele achava que era um estúpido? Por quanto tempo tentaria enganá-lo?

    - Ah, não me faça rir, haraboji… ou será que posso mesmo te chamar assim? Será que somos família? Você acha que eu não sei POR QUE me trouxe para cá? Vocês todos…. ACHA QUE EU CAIRIA NA SUA HISTORINHA POR QUANTO TEMPO?  O QUE VOCÊ ACHA QUE EU SOU?  

    Quando inclinou o corpo para frente mais uma vez, dessa vez pronto para agarrar o avô pelas vestes, sentiu uma força contrária, contendo-o e afastando. O ruivo tentou lutar e resistir bravamente, com aquela força que saía direto de seus impulsos, mas era inútil contra dois homens que o pegaram desprevinido. Virou o rosto arregalando os olhos e sentindo o pavor da morte. O rosto do secretário estava bem ali. Suas suspeitas confirmadas e agora estava completamente encurralado.

    - O quê? -Você… O QUE ESTÁ FA-- - soltou um urro, contraindo os músculos e se mexendo de um jeito brusco que apenas tornou aquela injeção muito mais dolorosa do que deveria e o fez grunhir de ódio. Se não o contivessem corretamente, agrediria até mesmo a governanta no processo. Era a gota d’água, começou a berrar.

    -  O QUE FIZERAM? O QUE FIZERAM COMIGO? EU VOU MATAR VOCÊS. TOOODOS VOCÊS - balançou o corpo como um animal selvagem, pendendo o rosto para frente, fazendo mechas cobrirem parcialmente a visão. Sentia suas forças serem alteradas. Queria gravar na memória aqueles rostos dos conspiradores, mas enquanto os encarava ameaçadoramente, acabou encontrando a imagem do avô em sua cama, tranquilamente, como se já soubesse que aquilo aconteceria.

    Aquilo doeu mais do que a seringa e injetou algo muito pior nele: o sentimento da traição e a tristeza.

    - Haraboji! - a voz escapou ofegante e desafinada, como um soluço. -  Sabia disso?  SABIA DISSO? - dessa vez o tom estava longe da ameaça, o que poderia ser efeito do remédio e das transformações em seu corpo, que passava de um pico ao outro. A visão embaçou pelas lágrimas, decoradas por bolinhas pretas que escureciam sua visão.  -  Olha o que eles fizeram… Responda…  - a voz diminuiu até se tornar mínima ou nem sequer tinha saído. Alguém estava ouvindo o que ele dizia? Por que todos estavam apenas parados olhando? Estava sendo ouvido?

    - Harabo…  


    A mente tornou-se bruma. Os braços largaram pesados, sem resistência, mas ainda assim ele tentou comandar o cérebro para esticar a mão, mas nunca saberia se tinha conseguido fazer isso.  Apenas observou a imagem do avô apagando com o resto e um último pensamento que ecoaria antes de apagar.

    “Dowajuseyo (“Socorro/Me ajuda”)…Haraboji”
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Dom Nov 19, 2017 6:41 pm

    - Eu sempre ficarei feliz se você estiver comigo, Rin. Você é a minha melhor amiga do mundo todo.

    Hyemin sorriu muito satisfeita por ter conseguido dar o apoio emocional que Yerin precisava. Poderia parecer estranho, mas era em momentos assim que sentia-se mais útil e querida.

    O pai era ausente e aparecia em esporádicos jantares com ela, nos quais era feliz, mas então ele tinha seu mundo, sua empresa e, agora sabia, um novo amor.

    A tia tinha a própria família, o que não era uma novidade, mas pela experiência já entendia o quanto não poderia preencher nenhum espaço que não o de sobrinha em sua vida. Era querida, mas era um evento, assim como cozinhar com o pai.

    Jung Mi era um grande amigo, mas que tinha opiniões diferentes e seus próprios problemas que nunca quis dividir com ela, que não estava preparada para ouvir.

    Todos os outros sempre tinham outras pessoas mais prioritárias do que ela, e mesmo quando ela achava que tinha conquistado um lugarzinho, elas decidiam partir. Ou voltavam, uma novidade naquele ano, preenchidas por outro alguém.

    De todas aquelas indas e vindas, Yerin é que tinha ficado.
    Mesmo em silêncio e um toque gelado, Hyemin retribuía o carinho pois sabia que entre tantas pessoas de seu reino mais inteligentes ou interessantes do que ela, era para Hyemin que a garota recorria no momento de dificuldade e isso lhe dava um imenso orgulho.

    Hyemin estava sempre se esforçando para ser uma boa filha, uma boa sobrinha, uma garota bonita, uma futura noiva interessante, mas quando se tratava de Yerin, podia ser simplesmente ela.  Mesmo boba, mesmo não querendo planejar o ataque aos bolsistas, mesmo colando na prova. A amiga nunca lhe forçou a nada e lhe poupava dentro do possível, apenas lhe dava conselhos de sobrevivência, que ela acatava pela admiração.

    Por isso, aquele momento no telefone tinha valido muito mais do que a bronca do dia ou o jeito que seu pai achava que ela não deveria ser ou que a tia achava que deveria.

    Ela sorriu com o agradecimento e retomou a voz mais animada, estava determinada em distrair a amiga até que ela quisesse desligar.

    - Então já que fechamos a nossa viagem por enquanto….  Podemos planejar onde iremos no fim de semana. Essa ilha me deixou com fome. Que tal voltar naquele lugar que comemos o bolo do meu aniversário? Minha tia me chamou pra sair no domingo e até lá já devo estar com tudo normal. Podemos ir para onde você quiser. E comprar roupas novas e um sapato.  Já sei, vou até procurar na internet os lançamentos. Podemos até falar com as meninas e mudar o branco da semana para uma cor que você goste mais, apesar de achar que você fica linda. Que tal? Isso, isso, vamos falar de um substituto para o branco.  Vou pegar minha tabelinha de escala de cores no computador.  

    Já sentindo-se bem melhor, Hyemin estava pronta para tagarelar com a amiga no telefone, mesmo que, mais uma vez, isso significasse um monólogo. O assunto era bobo, mas no fim ela insistiria para que trocassem o branco para algo que deixasse a amiga mais feliz. Era tudo um pretexto para distraí-la até ouvir uma despedida e um pedido de boa noite.

    Tudo ficava muito mais fácil com Yerin. De repente o dia parecia menos horrível.

    Após desligarem, a menina ainda colocaria o segundo filme de Harry Potter para rodar baixinho por uma hora, quando já teria adormecido abraçada a seu urso de pelúcia, pronta para o difícil dia seguinte.

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Dom Nov 19, 2017 10:53 pm


    Era duro admitir que Taemin teria de parecer sair vitorioso dessa vez. Mas talvez aquilo fosse o começo de algo bom, de uma forma de tornar a vida em Wangjo melhor.

    Afinal, não eram só Won e Jae-ki e seus amigos que estavam sob reino de terror naquela sala.

    Jae corando quando falava de Eun-bi e ele conversando era mais um indicativo claro de que ele ainda gostava dela.

    - Tava tão na cara assim? Ya! E você ficou olhando? Que humilhação...

    Won apenas acenou positivamente com a cabeça.

    "Não é humilhante parecer um bobo alegre diante de quem você gosta. Eu acho"

    - Agora vocês sabem como eu me senti no primeiro dia. Ela tinha mentido como fez agora. Eu não entendo, mesmo você achando que ela pode ter feito isso para acalmar as coisas, não faz sentido. Pela primeira vez eu senti que tinha alguém do meu lado para denunciar ao diretor, foi lá na enfermaria, pode parecer difícil de acreditar, mas minha palavra nunca é levada em conta pela escola. Com Eun-bi ali eu achei que finalmente a escola iria fazer justiça, porque Eun-bi é "alguém" pra eles. E o que ela fez? Mentiu de novo, depois de pedir desculpas! Ela não me protegeu, só tirou ela e Taemin da história. Ninguém liga se um bolsista foi empurrado no lago, por isso Taemin tá se achando tanto. Quem pode parar ele, não faz isso. Se todos ficassem sabendo que ele machucou uma garota como Eun-bi, iam ver ele de forma diferente. Entende Won Bin? Não faz sentido, acho que ninguém pode entender Eun-bi. E se ela protegeu Taemin, é porque deve gostar dele, mesmo ele sendo um babaca. Melhor esquecer esse passeio, o Kang foi legal, mas com Eun-bi não dá. E você não devia ficar tão triste, mesmo que desse, sabe como são as garotas, adoram gastar dinheiro. Não dá para passear com elas, elas vão querer presentes, comer em restaurantes, eu não tenho dinheiro para isso, não tenho nem para mim. Você não tinha aqueles filmes que ia me emprestar? É melhor do que ser feito de idiota.

    Jae-ki emendava vários assuntos.


    -É só um passeio de patins Jae-ki. Não é um jantar num restaurante francês
    - disse um tanto rindo -Mas eu duvido que ela gosta do Taemin.

    Arqueou as sobrancelhas quando ouviu o papo de "dona". Sem querer acabara se recordando do mapa mental e das informações que Bo-Mi anotara num papel.

    Won coloca a mão sobre o bolso da calça e pega um papel meio amassado e o abre.
    Nele estava o mapa desenhado por ele e Bo-Mi.

    -A garota que te disse isso, não deve saber o nome dela né? Lembra onde ela se sentava?

    Won concordara com Jae-ki nisso: se Taemin tocasse em Eun-bi, ou em qualquer outra garota, ele também não ficaria parado.


    -Sim, eu também não ficaria assistindo. Por isso a gente tem que ser esperto e encontrar outras maneiras


    Quando falou de carona ele parecia meio em conflito.

    -Acho que ele está nervoso demais pra conversar com sua avó se fosse o caso, mas pode ser na esquina mesmo

    Respirou fundo. A conversa até que o animara um pouco mais apesar de estar naquele estado.

    -Vou te levar o filme amanhã. Levar um pro Kang também, provavelmente algum de detetive

    "Muito treinamento pela frente dragões"

    Logo seu pai estaria voltando, manteria o silêncio com ele o máximo que pudesse. Apenas falaria para pedir que pudessem levar o Jae-ki até o bairro dele.

    Ailish
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Ailish em Dom Nov 19, 2017 11:37 pm

    Como resposta, Chae receberia um sorrisinho amarelo de Sunny enquanto ela mexia no próprio cabelo, e pelo jeitinho “hehehe, ok...”, estava claro que passaria a oferta adiante porque tinha realmente medo de fazer qualquer coisa ali. Entretanto, ao perceber a animação da garota, ela suspirou e balançou a cabeça – Tááááá bom... Só uma mecha não vai mudar muita coisa... Umazinha... – já até sofria por antecedência, mostrando bico para um punhado de fios, obviamente forçando o drama.

    Não comentou mais nada em relação ao hematoma, pois não notou nenhuma hesitação de Chae à respeito do assunto.

    - Sim, sim. É na sexta e que pena... Você parecia animada. Tenho certeza que a Lee Hi também ficará chateada com a notícia, mas não devemos brincar quando se trata de saúde – Sunny concordou – Está ótimo! Até porque vou poder perturbá-la no clube de música, assim como a Lee Hi. Culinária é interessante, mas o meu único talento com comida é... comer – balançou os ombros – A melhor parte!!!

    Não voltaram a falar sobre Hyun porque Chae NÃO QUIS, porém Sun-Hee sentia o bichinho da curiosidade mordê-la. Claro que respeitaria o espaço da amiga... Hmmm. Mas que tem coisa, ahhhh, tem sim. Ela notou o climinha na hora de ir embora e o sorriso travesso lá. Ninguém contou... SUNNY VIU.

    Nesse instante, Chaeyoung tinha a reação por conta de um oppa e após o desdobramento do equívoco, Sunny simplesmente os deixou sozinhos, mas nem foi por maldade ou para provocar a amiga.

    ...

    Um pouquinho, talvez?

    albino  albino  albino

    Pelo menos, Chae poderia ficar relaxada, pois Yi-Hoo se atrapalharia tanto quanto ela... Era charmoso e bem booonito, porém precisava de um tranco para engrenar em algumas situações.

    Apresentações feitas, largou ambos com seus sorrisos e foi em busca dos lanches, e assim que retornou, os dois pareciam super encaminhados. Ó, nem doeu!

    - Eu não sou tão ruim, irmãozinho... – retrucou entre os dentes trincados, e o lábio superior até se arqueava, imitando o rosnado de um animal – Tia Yu-Mi me ensinou a preparar vááárias coisas siiiiiimples.

    Coisas simples:

    Ferver água;
    Picar alimentos;
    Pegar os temperos no armário;
    Ir ao mercado;
    E etc.

    Para a sorte de Yi-Hoo, Lee Hi se aproximava e Sunny sorriu diante da reação dela ao descobrir a presença do irmão mais velho da amiga.

    - Não agraaaaada meeeesmo!

    Não perdeu a oportunidade de alfinetar.

    Porém, o súbito comentário/elogio do irmão pegou todas de surpresa. Quuuuê??? A mente de Sun-Hee já pensava até nos nomes dos filhos de Lee Hi e Yi-Hoo quando o rapaz lançou aquele corte. Como ele previamente adivinhou, Sunny acertou uma sequência de tapas, mas sem força suficiente para machucá-lo; apenas arder – Ahhhhh, você é impossível, Yi-Hoo! Tem a delicadeza de um elefante! – finalizou com um peteleco no meio das sobrancelhas do irmão – Lee Hi, não liiiiga. Você está linda! – fez carinho no cabelo da menina e fuzilava o “intruso” com os olhos apertadinhos – Hum! Quando a titia perguntar o motivo de você não ter namorada, vou citar exemplos!

    Bufou, mas logo mostrava um sorriso vitorioso.

    Por incrível que pareça, a ceninha contribuiu para a interação do grupo, que tornou-se mais descontraída. A conversa fluía fácil... Yi-Hoo, apesar de tudo, era um rapaz divertido e de fala mansa. O tempo correu e ao se darem conta do horário, Sunny ficou tristinha – Volte mais vezes, Chae! E tem certeza que não quer companhia? A gente não se importa em fazer um desvio... É perigoso...

    Ainda precisou de outros minutos para desligar o sistema, contagem de caixa, esses tipo de processo antes de fecharem o estabelecimento.

    O irmão a aguardava do lado de fora.

    - Pronto! Vaaaamos! Desculpe a demora... – suspirou baixinho – Mas tenho algo para compensá-lo e... Uhn? – se revelou confusa, já que não esperava o questionamento e, de repente, sentiu o estômago revirar – Uniforme... novo? Ah... – Sunny encarou a bolsa como se nunca a tivesse visto – Não é meu.

    Mentiu.

    Mentiu descaradamente.

    E odiava isso.

    - Hoje, eu almocei com alguns amigos naquela galeria que fui junto do Kim, lembra? – tentava ganhar tempo para pensar em algo convincente – Então... Uma amiga, a Eun, nos deu carona. O uniforme é dela, Yi-Hoo. Na pressa de sair do carro, porque eu e a Lee Hi estávamos atrasadas, acabei pegando a bolsa por engano. Amanhã irei devolvê-lo...

    Sunny abaixou a cabeça, envergonhada.
    Gakky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Seg Nov 20, 2017 12:25 am

    Jae-ki percebeu que Won Bin fazia pouco caso do que ele falava sobre o passeio. Achou que talvez Won Bin não entendesse de mulheres, até porque se ele estava fugindo de uma garota no começo da aula, realmente não deveria entender. Não que ele fosse um grande profissional do assunto, mas sabia o bastante para entender que gostavam de gastar dinheiro. Sobre ele duvidar da Eun-bi gostar do Taemin, até ele próprio duvidava, mas o que podia fazer frente as evidências? Como gratidão pelo que o amigo o fez nessa noite, Jae-ki o alerta como um bom amigo:

    - Cara, você diz só patins, tsc... Acredite, você vai estar melhor sem ir. Pode ser só um patins para você, mas para elas é um sorvete que você vai pagar, são flores que uma velhinha da rua vende... E se tiver lojas perto desse lugar então... Ai se prepara... Isso porque eu só conheci as normais, imagina essas patricinhas... Se eu tivesse dinheiro para coisa extras assim, comprava sorvete pra mim, elas tem dinheiro pra comprar a sorveteria toda, mas ainda vão querer algo de nós. Fica esperto. Mas outro dia a gente fala sobre garotas,  o Kang que deve ser experiente nisso...

    Jae-ki sorriu com seu último comentário. Era bom se sentir entre amigos. Won Bin então o pergunta sobre a garota que tinha dito aquilo de Eun-bi e até queria o nome dela. Jae-ki se concentrou para ver se lembrava, voltou as lembranças da sala de aula e recordou que era a mesma menina que teve que cuspir o chiclete, sim conseguia lembrar o nome dela. " A garota do chiclete... Certo... Mi-Ran..." Então respondeu:

    - É Mi-Ran, é isso mesmo. A garota que cuspiu o chiclete. Ela estava sentada do meu lado.

    Os dois continuaram a falar várias coisas, até que combinaram a carona, isso se o pai do Won aceitasse. Jae-ki achava um pouco demais, mas se o amigo dizia que era confiável, então acreditaria.

    - Valeu Won Bin, mas se seu pai não aceitar de primeira, não insiste não. Eu pego o metrô, dou meu jeito.

    Quando pai de Won Bin voltasse, Jae-ki também ficaria em silêncio e apreensivo. Só quando chegasse perto do seu bairro que diria que só na esquina já estava bom.

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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por GodHades em Seg Nov 20, 2017 1:00 am

    "Comprei algo para você sim! Mas não está comigo, não me pergunte por que. u.u"

    Dong marotamente pediu para que HaN comprasse para ele o item pois se o fizesse pessoalmente, na hora, ouviria alguma coisa ou veria bicos quilômetricos de dobrar a esquina.

    - Gostei sim! O senhor vai usa-la por muito tempo ainda, vovô. Na antiguidade elas eram símbolos de imponência e sabedoria, pelos reis.

    Kyung olhou a tia com aquele comentário que parecia ser o de alguém preocupada com a saúde do patriarca. As caras que a mãe fazia por outro lado, se revelam neutras e tensas, não existia mais aquele ar de alegria e relaxamento esboçado em casa.

    - Informática, Xadrez e estou pensando ainda no próximo. - Disse com determinação a escolha. Informática era algo que lhe inspiraria mais com os assuntos da empresa da família... e o xadrez, bem, esperava que o avô dele gostasse. Caso tivesse essa sorte, poderiam jogar juntos um dia. Assim como o comentário da bengala, Xadrez também era um jogo da elite e realeza, fato que poucos conhecem.

    Dong esboçou um sorriso de canto, olhando Hayeoung. Fez isso quando ouviu que era estranho, mas simpático. - Fico feliz que aprecie nossas escolhas vovô, significa muito para nosso empenho sua aprovação.

    Assim que disse curvou o queixo novamente, bem de leve mas mostrando respeito e admiração pelas palavras do avo. Falou de maneira clara o "nosso" mostrando que ele e Hayoung não tinham inimizades.

    Até que o topico desliza para o premio que Hee-Kyung havia ganhado, no paredão já estava sendo exibido para orgulho e prestigio dos seus pais.

    Isso foi a faisca que precisava para atiçar a fogueira, a tia de Dong parecia gostar de alfinetar a mãe dele. O nível da conversa foi até engraçado para o rapaz, seria mais se o tópico em questão não fosse ele. Como a conversa era entre adultos da alta roda, Kyung não iria se intrometer, a não ser que lhe fosse requisitado resposta diretamente. Até por que o patriarca estava ali e quem tinha direito a palavra, seria ele.

    Aquele pequeno bate-boca era tolo na visão do garoto, especialmente por expor Hayoung assim, era mais pressão nos ombros dela, duas vezes mais, aparentemente, por ela ser uma garota. A arrogância da tia era intensa mas não superava a sensação estranha do tio. Era como se houvesse algo hostil nele mascarado com a pose. Se a tia queria machuca lo com palavras, por outro lado, o tio iria agredi-lo de maneira mais acentuada com aquela aura estranha. Como alguém prestes a iniciar uma troca de socos.

    Havia ódio na mesa, e Dong definitivamente não iria se alimentar disso no jantar, filtraria de sua maneira o veneno destilado, especialmente se tratando do incidente envolvendo a prima, cedo ou tarde ele sabia que isso seria abordado.

    Se absteve a ficar quietinho e sem ostentar uma expressão triste ou então afrontosa. Ele tentava prestar os respeitos aos pais, e ao avô.

    Esperava que Hayoung não se chateasse com as provocações, antes mesmo na escola já haviam falado sobre isso, sobre como esses eventos podem ser.


    Dong achou que por mudarem o local dessa vez, a tensão seria menor.

    Um pouco depois do avô ter dado a bronca, a barriga do virginiano roncou bem de leve.

    Ele não veio lanchado para o jantar, mas não iria mencionar sobre comida até os outros falarem algo a respeito dos pedidos. Kyung não estava lembrado desse club ou das comidas que ali se ofereciam mas sabendo que era escolha do patriarca, deveria ser algo do mais fino trato, tudo lá se mostra ser simétrico e bem alinhado, até os objetos da mesa eram desta forma, o estado novo dos tecidos harmonizando com os moveis.

    Só alguém de muito bom gosto escolheria um local assim.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Natalie Ursa em Seg Nov 20, 2017 2:52 am

    Não bastava lhe impor uma nova dieta mais absurda, sua ommoni precisava ser cruel também!! Por que ela tinha de ser assim? Por que não podia ser uma mãe normal? Se fosse como o aboji ainda seria um pouco melhor. Ele é severo, é verdade, mas nunca sugeriu que MiSoo se livrasse de alguém.

    Ommoni era tão… Sufocante… MiSoo desejava poder passar um tempo longe daquilo tudo... Longe do mundo da mãe. Gostaria de ficar perto da halmoni… Com um pouco de tranquilidade e natureza.

    Mas agora a tranquilidade parecia um desejo bem distante e quase inalcançável…..

    MiSoo apertou os dentes com raiva enquanto ouvia a mãe dizer que suas palavras eram ditas pensando em seu bem. Que bem era esse em que se jogava a melhor amiga para afundar em um lago…?? EUNBI NEM SABE NADAR!!

    Enquanto a ommoni falava, MiSoo puxava o uniforme da escola do cabide para colocar na bolsa e em seguida um par de sapatos.

    - Eu não sou amiga dela por conveniência! Não estou tentando tirar proveito de ninguém! - falava alto, sem se importar com a repreensão que a mãe lhe fizera antes e apertava os punhos - E eu sei que ela é mais bonita que eu, mas não vou deixar de ser amiga da EunBi por isso! A “MinT” teria feito isso mesmo, o problema é que EU NÃO SOU A MIN-JI!! - passou apressada ao lado da mãe, andando com passos pesados até o banheiro para continuar a encher a bolsa com os itens que precisaria para passar a noite fora.

    A ommoni continuou, dizendo que EunBi estava na casa do pai. MiSoo retrucou do banheiro, continuando em seu tom alto de voz, enquanto catava os itens de higiene pessoal de qualquer jeito.

    - Eu não me importo! Mas se ela não puder me deixar passar a noite lá posso ir para a casa da BoMi, ou então da Mia!! Não vai ser um problema![/color] - só queria não estar em casa nessa noite.

    Estava exausta. Queria poder descansar sem ter que ouvir a mãe, mas era impossível. A mãe estava ali, falando coisas que soavam como absurdos à filha mais nova, como que quisesse moldá-la e torná-la igual a MinJi! MiSoo não queria ser como a mãe ou a irmã mais velha. Nem que quisesse poderia ser como elas. Não tinha a beleza das duas, nao arrancada olhares de todos por onde passava. Não era o orgulho de ninguém.

    - Pegue qualquer vestido! - respondeu ao por a bolsa quase cheia sobre a cama e fitar os olhos de suas ommoni de modo quase desafiador.

    Ouviu sobre sentarem próximos aos Han e lembrou-se vagamente do garoto que ela mencionava. Lembrava de já ter falado com ele pelo menos uma vez, mas fazia mais ou menos uns dois anos. Não se recordava muito bem de como era, só que era um garoto gentil. Tinha certeza que tinha sido esse “Minhyuk” que lhe ajudara a juntar o material que deixou cair nos corredores, uma vez. Mas tinha sido há taaaaanto tempo… Já nem tinha muita certeza se o garoto que ela mencionava era o mesmo que ajudara MiSoo. Se fosse pelo menos poderia ser outra boa distração para se lidar com mais um dos eventos da mãe nos quais era sempre obrigada a ir.

    Mas… Ela tinha dito “solteiro”?? Sua mãe estava de novo com essa ideia fixa?? MiSoo se perguntava quando sua ommoni ia entender que garoto nenhum tinha motivos para se interessar pela filha mais nova? E depois ele estuda na WangJo também, onde existiam um milhão de melhores opções!!

    Ommoni não tinha jeito mesmo.

    Aliás, sua ommoni deveria ficar bem decepcionada em só ter MiSoo para mostrar aos “amigos” e “presas em potencial”… E nada mais interessante.

    Quando pegou a bolsa novamente, a Sra. Yeun aumentou a voz, mandando que a filha lhe obedecesse. MiSoo o nó do dedo com força, quase se machucando, só para tentar manter um pouco de controle e não explodir de vez com a mãe. Ela novamente largou a bolsa na cama e pegou o primeiro vestido que achou.

    - Este!! - respondeu entre os dentes, cheia de ódio.

    Fez o mesmo com sapato e bolsa.

    Recuperou a alça da bolsa grande que tinha enchido e a colocou sobre o ombro

    - Pronto! Está resolvido! Com licença!! - passou pela mãe em direção à porta do quarto.


    A essa altura já estava se esforçando para não deixar as lágrimas de um choro que era uma mistura de seu ódio pelas palavras da mãe e o sufocamento que elas lhe faziam sentir, escorrerem pelo rosto já vermelho.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Qua Nov 22, 2017 9:07 pm

    [CENA EXTRA]

    EUN-BI



    O caminho para o hospital foi feito no mais absoluto silêncio. O Sr. Choi tinha sido surpreendido com a ligação no meio de uma reunião importante com representantes da filial norte-americana, mas pediu para que o seu secretário particular se adiantasse e levasse a filha para o hospital. Tão logo terminasse ali, seguiria até lá para encontrá-los. Eun-Bi não viu Jae-Ki tampouco Taemin quando o motorista de sua família a ajudou a entrar no carro. Posicionou-se no banco de trás, ainda com a toalha no colo e repetia foi impossível não repetir as cenas em sua cabeça. Os olhos começaram a marejar e ela engoliu em seco algumas vezes, tentando segurar o choro.

    O único pertence que tinha em mãos era seu celular, por isso ela aproveitou para mandar uma mensagem para MiSoo. Enquanto escrevia, o queixo tremeu e a vista ficou completamente embaçada. As lágrimas escorreram por seu rosto, molhando o aparelho que enviava a mensagem.

    O secretário pigarreou, meio preocupado, olhando para ela pelo espelho retrovisor.

    - Está doendo muito, Srta. Choi? - O homem trabalhava há muitos anos com o pai dela e se preocupava com a família.

    - Sim... - Eun-Bi murmurou e tentou olhar na direção dele, mas a imagem estava muito distorcida.

    - Já estamos chegando ao hospital. Logo ficará bem.

    Mas Eun-Bi não estava muito certa disso. Verdade que ela estava preocupada com o seu pé - tinha um extremo cuidado com ele, porque a última coisa que precisava na vida era ficar sem a dança. Porém, ao invés de levar a mão até o pé para massagear ou qualquer coisa do tipo, a jovem se encolheu um pouco mais e massageou o próprio peito. Ali era onde doía de verdade.


    [...]


    O Secretário envolveu toda a parte burocrática enquanto Eun-Bi seguia até o ortopedista. Começava a receber a avalição médica quando seu pai entrou na sala um pouco nervoso. Choi Yong-Joon passou a mão pelo cabelo, bastante aflito com o que podia ter acontecido com a filha - não tinha lá muita noção de que tinha sido uma luxação simples. Seu cérebro só tinha registrado que a filha tinha se machucado e precisava ir para o hospital para uma avaliação mais precisa de um ortopedista. Na cabeça do homem, o ortopedista virou um neuro e ele já estava pensando num traumatismo craniano e mil outras tragédias.

    Quando viu a filha sentadinha e o Secretário ao lado enquanto a médica a atendia, respirou aliviado.

    - Aigoo...!! - Aproximou-se da menina. - O que aconteceu?! Você está bem?? Ela está bem, Doutora?

    A médica já estava fazendo algumas anotações.

    - Eu virei o pé, appa... - Eun-Bi fez um beicinho, mas os olhinhos continuavam vermelhos por conta da choradeira silenciosa no carro.

    - E como foi isso?

    - Eu tropecei, virei o pé e... - A cena se repetia em sua mente. Não tinha tropeçado, ela foi agarrada pelo braço e no movimento brusco, tinha virado o pé, usando uma sapatilha de salto médio, com uns 5 centimetros de altura, no muito. Depois disso, ela foi jogada no lago e quando pisou no fundo para tomar impulso, piorou a dor. Mas ela não podia dizer a verdade agora que já tinha começado com a mentira, por isso engoliu em seco e o encarou com os olhos meio opacos e a voz mais baixa. - E acabei caindo no lago.

    - Oy? - O pai a encarou bem, achando aquela história muito estranha.

    - Bom. - A médica se pronunciou. - O Sr. Choi não tem que se preocupar muito. Foi um entorse de tornozelo de primeiro grau, ou seja, uma luxação. Eu vou fazer uma imobilização elástica e você vai mantê-la só por uma semana. Como você é uma bailarina, vai precisar fazer um pouco de fisioterapia por duas semanas para fortalecer a região. Repouso, sem salto alto, sem dança.

    - Não... !!- Eun-Bi arregalou os olhos. - Mas nem foi tão grave assim, como é que vou ficar 1 semana sem dançar?

    - 3

    - Não! Não posso!! - Arregalou os olhos e segurou o pai pelo blazer.

    - Senhorita Choi... - A médica ajeitou os óculos e a encarou. - Essa é a minha recomendação como médica. Sei que para um profissional de alta performance e uma bailarina, essa palavra é quase que uma agressão, mas eis aqui as suas opções: A senhorita para por três semanas e fica boa ou a senhorita desconsidera minhas recomendações e fica com o trauma. Dessa vez, não foi grave, mas eu li sua ficha e pelos exames, seus ligamentos já estão sentidos - para não dizer coisa pior - Da próxima vez, não garanto que será fácil assim. Então, a escolha é sua. Vou pedir por mais compressas e para o enfermeiro imobilizar o pé. Em cerca de duas horas, poderá ir pra casa.

    Olhou para o Sr. Choi e deu um meio sorriso, mas não de todo gentil. A médica, que já conhecia a família, sabia que os Choi eram um pouco dificeis. Nem tanto pro Eun-Bi que era uma menina doce e resignada. O problema eram os pais, mas ela nem era louca de falar alto ou grosso com eles. Pelo menos não tinha sido a mãe dela ali, pois aí a médica acabaria se aborrecendo de verdade.

    Logo ela começou a se retirar, deixando os dois sozinhos com o secretário.

    Eun-Bi ficou com os ombros caídos e o olhar meio distante. O pai puxou uma cadeira para se sentar ao lado dela e tocou em sua mão.

    - Quer ficar três semanas comigo? Nós vamos cuidar de você e ficar de olho para que não abuse.

    - Não posso, appa...Ela me odiaria se eu fizesse isso.

    Eun-Bi abaixou a cabeça e suspirou.

    - Três dias é o máximo que consigo sem que ela surte, três semanas está fora de questão.

    - Você sabe que não precisa ser assim. Sua mãe não pode viver a sua vida por você e você não é a mãe dela para ficar cuidando.

    - Mas eu sou tudo o que restou a ela, appa. O senhor sabe disso, não é? - Eun-Bi encarou o pai com um pouco de tristeza. - Tudo. Entende o peso que carrego? Se eu for mais um desgosto para ela, eu nem sei o que ela é capaz de fazer consigo mesma...Eu...Eu não quero nunca mais viver aquela cena.

    Meneou negativamente e as lágrimas escorreram de novo por seu rosto. O pai sentia o peso da culpa nos ombros e soltou a mão da filha. Poucos meses depois do divórcio deles, a ex-esposa se dopou com remédios e teve uma overdose. Ela tinha sido encontrada pela filha e Eun-Bi teve que fazer tudo sozinha, na casa que elas moravam sozinhas. Yong-Joon não imaginava que a ex fosse capaz de tanta crueldade, mas ele também não voltou atrás. Tentou pedir a guarda da filha porque não achava que ela tinha condições de mantê-la, mas isso também foi barrado pela própria Eun-Bi que preferiu ficar com a mãe.

    Mesmo após alguns anos depois desse episodio, ele ainda se sentia muito egoísta, mas não se arrependia das decisões.

    - Eu vou ligar para ela. - Anunciou. - Pelo menos hoje você vai ficar comigo. Amanhã, você volta para casa.
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Persephone em Qui Nov 23, 2017 2:50 am

    O dia tinha chegado ao fim, talvez não da melhor forma possível. Aquele que tinha começado como uma manhã promissora para muitos, revelou-se um pesadelo do pior tipo. Porém, sempre havia uma luz no fim do túnel e, ainda no meio da adversidade, eles encontravam apoio e construíam ou confirmavam amizades. Pelo menos, a maioria tinha clara noção disso. Já outros, ainda se sentiam completamente sozinhos, como se o mundo inteiro trabalhasse contra.

    DONG

    O jantar da família Dong sempre tinha aquele clima pesado. Os tios do garoto eram realmente insuportáveis, na ausência de palavra melhor. Sempre agiam de modo a fazer com que a Hye-Sun se sentisse inferior ou atingiam o menino. O garoto, contudo, parecia mais do que doutrinado quanto a isso. Além de conseguir se esquivar dos ataques da tia, ele ainda cativava o avô com sua postura e retórica. O velho até chegava a sorrir com os comentários dele.

    Depois que ele calou a nora, pôde voltar à conversa anterior ao neto. Ele não apenas gostava de xadrez, como tinha trofeus de sua época quando ele mesmo estudava no WangJo.

    - É uma raridade, uma peça de museu hoje em dia. Mas muito me agrada suas escolhas, Hee-Kyung. Um dia podemos praticar juntos e quando tiver competição, me avise, tentarei assisti-lo.

    Sorriu de modo gentil. A mãe de Dong olhava para aquela interação com uma expressão mais calma. Já o tio, continuava naquele mortal silêncio. Era bom que o sobrinho estivesse ciente de que So-Ra era o menor de seus problemas. Podia se esquivar das verdades inconvenientes que ela dizia, mas ele não conseguiria escapar do que estava por vir. Muito menos seus pais que nem imaginavam o levante que o tio já fazia.

    Agora ele podia recuar, ceder espaço para o adotado. Mas em breve, quem teria toda a atenção e, principalmente, o controle das ações do Grupo, seria ele.

    Hayoung, por outro lado, parecia bastante abatida com toda aquela conversa. Estava cabisbaixa, mal mexeu em sua comida e sempre que Dong fizesse menção de tentar animá-la, ela menearia discretamente porque, de fato, já tinha atraído atenção demais. Seus dias estavam indo de mal a pior.

    Logo quando achava que teria um ano letivo maravilhoso ao lado de sua ídola...

    Não podia estar mais equivocada. Sentia-se distante de Hyemin e ainda precisava lidar com todas aquelas crises que aconteciam na escola e em casa. Fora a relação com o primo que sempre parecia ser travada por conta daquela mestiça execrável. Depois da discussão de ontem, não havia a menor chance delas serem amigas ou coisa do tipo. Stella a desestabilizou e chamou de mentirosa na frente dos outros! E agora o primo estava sempre com ela, saindo com ela. Quem ela pensava que era?

    Urgh!

    O jantar prosseguiria sem maiores "trocas de carícias". O avô falou um pouco do desenvolvimento da companhia, das ações e elogiou o trabalho dos filhos. Os relatórios pareciam perfeitos e os incentivou a continuarem com o bom trabalho. A verdade é que todos esperavam por algum pronunciamento ou alguma mudança drástica no Grupo, mas aquele jantar só foi feito porque o avô quis. Simples assim. Ele queria passar um tempo com a família, testar os ânimos e, talvez, se certificar de que poderiam repetir um jantar mais sério na residência oficial.

    Se eles tinham passado no teste ou não, seria um grande mistério.

    Hayoung não combinou carona com Dong para o dia seguinte. Depois contou, por mensagem, que a mãe a levaria na escola no dia seguinte e, diante do que tinha acontecido naquele jantar, não achava uma boa ideia irem juntos.

    MISOO

    Não era apenas sua mãe que era sufocante, toda aquela casa exercia uma grande influencia opressora para Misoo. No entanto, a pior parte ficava por conta da mãe mesmo. Quanto maior era a consciência da jovem sobre as atitudes da alta sociedade, mais nojo sentia de tudo aquilo. A mãe deixava claro que as amizades eram passageiras e meramente por interesse. Mais do que isso, ainda comparava MiSoo com Min-Ji.

    Com toda a razão do mundo, Misoo se revoltava e colocava parte de sua fúria contida para fora. A mãe não parecia impressionada, como se fosse apenas um rompante normal da filha justiceira e inocente demais para lidar com a realidade. Porém, a escolha do vestido não a deixou feliz. Tanto que enquanto Misoo ia para fora do quarto, Hyo-Jin só estala a lingua no céu da boca, comentando como sua filha era impossível!

    - Que péssima combinação...O que eu faço contigo? MiSoo! MISOO!!

    Gritou enquanto a menina ganhava os corredores. Por um instante, ela realmente achou que conseguiria sua liberdade. O plano era tão simples, não? A casa do pai de Eun-Bi ficava perto da dela! Mas enquanto ela se aproximava da porta principal, a mesma se abria e ela sentia um frio percorrendo por sua espinha. O pai chegava do trabalho e a mãe já alcançava o topo da escada.

    - NÃO SE ATREVA A SAIR POR ESSA PORTA!! - Gritava lá de cima.

    - O que está acontecendo aqui? - O severo homem já perguntou um pouco irritado. Como se não bastasse ter que lidar com seus pacientes, ainda ouvia os escândalos em casa. Olhou da esposa para MiSoo, esperando uma explicação racional, mas ela veio da histeria de Hyo-Jin.

    - Essa doida quer fugir de casa, Oppa! Não deixa!!

    - MiSoo. - Sang-Woo voltou os olhos cansados para a filha. - O que pensa que está fazendo? Larga essa mochila e volte para seu quarto.

    Não foi um pedido, apesar dele não ter alterado sua voz. Foi uma ordem. E Sang-Woo não esperava menos do que a obediência, tanto que ele mesmo fechou a porta e girou a chave. Caso MiSoo ainda demonstrasse rebeldia, ele puxaria, sutilmente, a mochila dela, até que ela se libertasse daquilo e continuasse presa ali.

    - E você pare de gritar, Hyo-Jin. - Disse num tom mais impaciente. - Deixe a MiSoo em paz.

    Sabia bem como a esposa podia ser. Hyo-Jin respirou fundo e desceu as escadas, desistindo de ocupar o mesmo andar para o qual a filha iria.

    - Vá para seu quarto, MiSoo. Já fez seu dever de casa? Hm? Se gostou de retornar para o tênis, é bom que se dedique aos seus estudos. É o nosso acordo.

    Decretou e deixou a mochila dela no sofá antes dele mesmo se sentar. Hyo-Jin tinha terminado de descer as escadas e foi preparar um drink para o marido. Não desgrudava os olhos de MiSoo e parecia bem irritada com a petulância de sua filha. Pelo menos a menina tinha seu celular, internet e tv. O problema era que a arara com os vestidos ainda estava no quarto dela e ela teria aquela visão para se livrar. Caso olhasse para o celular, veria que o grupo das amigas estava, surpreendentemente mudo.

    Mas Eun-Bi mandou mensagem no privado.

    "Estou na casa do meu pai, por hoje. Acho que amanhã não vai ter como fazer o esquema da carona, pois vou sair com ele e minha madrasta, MiSoo-ya. Queria tanto te ver hoje para contar as coisas pessoalmente. A Bo-Mi está chateada comigo, leu minha mensagem e nem respondeu.
    Já imagino que você saiba o motivo e espero que possa me ouvir depois -.- eu realmente fiz tentando ajudar e...não pensei que podia prejudicar minhas amigas.
    Eu sinto muito."


    Como se não bastasse todos os problemas de casa, MiSoo ainda tinha que lidar com essa crise entre suas amigas! Quando é que ela teria um pouco de paz, afinal??

    SUNNY

    O problema de mentir é que quando você começa, não pode parar. Muito menos esquecer o que disse quando ela foi inventada. Sunny nunca tinha sido uma menina mentirosa, mas, aparentemente, estava aprendendo a controlar suas próprias emoções. Yi-Hoo a encarou por mais alguns segundos enquanto engolia toda aquela explicação, mas pareceu aceitar. Ou ele estava se fazendo de bobo ou realmente acreditou.

    As duas possibilidades eram válidas. O irmão mais velho dela tinha acabado de voltar de um dia estressante de trabalho e talvez não estivesse tão atento quanto gostaria.

    De todo modo, ele não fez mais perguntas em relação ao uniforme e os dois rumaram até o metrô. Raramente Sunny voltava sozinha para casa. A família Kim se comunicava o tempo todo e sempre alguem dava um jeitinho - de modo discreto, sem que ela percebesse - de esperá-la perto do metrô ou ir direto no café e acompanhá-la. Eles sempre tinham uma desculpa pronta para quando ela dava a entender que iria embora muito tarde.

    Não gostavam que ela andasse sozinha depois de um certo horário. Joo-Hyuk também fazia parte desse coro, porque quando nenhum dos irmãos ou o pai ou tia a acompanhava, era Joo-Hyuk, nem sempre acompanhado da mãe, quem a buscava. O bom era que podiam conversar sobre o dia e não precisava enfrentar o caminho sozinha, perdida nos próprios pensamentos.

    Ao retornar para casa, a primeira coisa que a tia Yu-Mi reparou foi no uniforme.

    - Oláá, minha Sunny!! Cade seu uniforme!?!?! - A mulher já ficou desesperada ao vê-la com aquela roupa e olhou para a bolsa que não identificou como nova.

    Yi-Hoo ficaria bastante atento à essa resposta. Sunny não esperava encontrar a tia em casa às 8:30 p.m, mas ela teve um dia tão cansativo que deixou por conta do segundo chefe, que era seu braço direito. O irmão do meio ainda estava por lá. Depois que ela respondesse à essas indagações, seria liberada para tomar banho e se arrumar para o jantar que tia Yu-Mi levou do restaurante. Todos estavam animado para ouvir sobre o primeiro dia dela e a bombardearam de perguntas sobre cada segundinho.

    Por conta disso, o jantar demorou mais do que o esperado. Os cães também pediam por carinho e atenção e, como se não bastasse, Sunny ainda tinha uma pilha de dever de casa para fazer. Apesar do dia ter sido muito bom, ela logo perceberia que essa rotina seria bem dificil.

    O labo bom, era que sua mente não ficava vazia. E não a levava para lugares indesejados.

    Como um certo alguém que prometeu aparecer, mas não cumpriu a propria promessa.

    Não deu para não se incomodar com isso, mas sua mente estava tão cansada que nem antes de dormir, ela teria tempo para pensar nele. O corpo carecia de seu descanso.

    JAE-KI E WON-BIN


    O pai de Won-Bin retornou à enfermaria com aquela expressão séria, de pouquissimos amigos. Os dois jovens dragões já tinham firmado suas promessas inquebráveis e até conseguiam sorrir com algumas situações, ainda que a realidade fosse demasiadamente cruel. O policial Hwang não deixaria Jae-Ki desamparado - mesmo que não acreditasse naquela história - e disse que levaria o garoto até em casa.

    Era até melhor, não é? Pois assim poderia saber onde encontrá-lo, caso seu filho continuasse se desvirtuando.

    Não que ele fosse o tipo de policial que ameaçava, Longe disso. Mas conhecimento nunca era demais.

    Dessa vez, o carro só tinha os dois garotos e o pai de Won-Bin. Jae-Ki foi sozinho no banco de trás enquanto Won ia no passageiro, logo ao lado do pai. O rádio estava ligado nas notícias e eles ouviam algumas situações econômicas e violência em algumas regiões da capital. Won-Bin podia ver o cansaço estampado no perfil do pai e representado por aquela concentrada olheira. Eles não conversavam - o que, por si só, já era um castigo - mas logo algo mais atrairia a tenção.

    Won não era pobre. Morava num bairro de classe média, mesmo que fosse isso, média. Mas se comparasse ao bairro de Jae-Ki, podia se sentir um herdeiro da WangJo. O policial Hwang não expressou nada e, como o jovem pediu, parou o carro na esquina e observou para onde ele seguia. Não era para saber qual casa entraria, apenas uma forma de se certificar de que o menino estava bem.

    Hwang e o maldito instinto paterno!

    Quando Jae-Ki sumiu de vista por aquelas ruelas, o carro deu a partida de novo.

    WON-BIN

    Como Won não era o tipo de menino que aprontava, ele podia imaginar que o pai fosse explodir ou ter um surto de raiva, como ele geralmente via na TV. Porém, ele novamente perceberia que a vida real era bem, bem diferente da ficção. E tudo o que recebeu de seu pai, foi o mais duro e brutal dos silêncio.

    O pai não dizia nada enquanto o carro seguia até a casa deles. Chegava a ser irritante!

    Era melhor apanhar do que sofrer com aquela indiferença toda!

    Uma sensação de vazio começaria a habitar no peito de Won. Ele era familiarizado com a solidão, com o fato de não ter amigos e sempre andar sozinho, mas não com o pai agindo assim! Podia receber a indiferença das pessoa e sabia lidar com ela. Mas de seu próprio pai? Que tipo de castigo terrível era esse?

    Mas o policial não disse nada.

    Até que chegaram em casa.

    O pai entrou primeiro, retirando os sapatos e colocando as pantufas. Esperou Won-Bin fechar a porta e seguiu até a geladeira para pegar um soju gelado. Sentou-se no sofá e ligou a tv enquanto dava um longo gole na garrafa, eliminando metade do conteúdo. Olhou para Won-Bin, depois disso.

    - Amanhã você vai até seu dojo pedir desculpas ao seu Mestre e avisar que ficará ausente por conta de sua mão e porque eu não quero que você volte. - Anunciou. - Esse era o combinado e você rompeu sua parte, Won-Bin. Terei dois meses para pensar se você volta, se bem que eu não sei se você é capaz de reconstruir a confiança que destruiu hoje. Tem noção do que poderia ter acontecido?

    A mão dele fechou ao redor da garrafa e ele trincou os dentes.

    - Esse é o seu castigo, ficar sem treinar. E se você for demitido amanhã, arranjarei mais algum castigo para que ocupe seu tempo com algo útil ao invés de procurar por briga. Agora vai apra seu quarto.

    Não abriu espaço para discussões e ficou em silêncio, olhando para a TV ainda que não se importasse com o programa que via.

    JAE-KI


    Jae-Ki ainda podia sentir os olhos do pai de Won-Bin em suas costas. Ser observado, era uma sensação ruim, mas bastou virar a primeira casa que ela passou e ele também ouviu o carro partir. Agora, mais tranquilo, tudo o que ele precisava fazer era chegar até sua casa. Tinha avisado que chegaria mais tarde.

    Mas o que iria dizer quando o vissem com aquele olho roxo?

    Fora que seu pai tinha sumido de novo! A avó, provavelmente, estaria preocupada.

    Porém, para sua grande surpresa, assim que chegou em casa, ele encontrou apenas o som baixo da TV na sala. O pai estava dormindo no canto, com bafo de alcool, mas em casa. A avó estava catando feijão vermelho, mas os olhos piscavam bastante porque ela morria de sono - estava esgotada! Mas ainda precisava trabalhar. Quando ouviu a porta abrindo, ela olhou um pouco esperançosa para Jae-Ki.

    Esperava vê-lo cansado do trabalho, mas não esperava por aquilo. A expressão quase orgulhosa da velha foi diminuindo a ponto dela ficar completamente séria. Chegou a franzir um pouco as sobrancelhas e desviar o olhar para o feijão. Logo quando Jae-ki começava a recuperar um afeto mais evidente, ele aparecia aprontando alguma! A velha suspirou e não disse nada, nem se mexeu para ajudá-lo.

    Ele sabia o que fazer para lidar com aquele tipo de dor.

    - Faça o que tiver que fazer em silêncio. Soo-Ji já está dormindo. E faça o favor de sair antes dela, não quero que ela acorde e veja sua cara assim. É uma péssima forma da menina começar o dia.

    Disse bem ríspida e irritada, mas pelo menos acordou para o trabalho.

    Apesar de alguns pontos positivos, esse segundo dia tinha sido péssimo. E era bom nem perguntar o que podia piorar, porque isso sempre era possível.




    03 de Abril de 2019
    Quarta-Feira




    HYUN-HEE

    Um sono sem nenhum tipo de sonho ou pesadelo. Foi tudo o que Hyun-Hee tivera naquelas últimas 12 horas. Ninguém sabia por quanto tempo mais ele dormiria, mas ele precisou ser contido. Sua mente vagava por um labirinto sem fim ou inicio, no vácuo, na solidão. O corpo descansava, mas apenas metaforicamente.

    Ao longo daquelas 12 horas, Hyun suou muito, se mexeu muito. Teve sede, mas não podia pedir água. Tinha fome, mas não tinha condições de comer. Tnha suas necessidade, mas nenhuma sanada.

    Até que os olhos se abriram.

    Um minuto antes do despertador.

    A boca estava extremamente seca e o teto do quarto estava desfocado. Foram sessenta segundos de tontura até que tudo estivesse estabilizado, inclusive o próprio Hyun. Qual era a primeria coisa que precisava fazer? Tinha tantas necessidade ao mesmo tempo: fome, fedor, bexiga apertada, muita, muita sede.

    O celular começou a tocar para despertá-lo para um novo dia, mas quando ele se sentou para desligá-lo, a porta do quarto foi aberta pelo avô dele. O velho usava um roupão e andava com uma bengala. Sua expressão estava bastante abatida e ele não tinha dormido nada naquela noite, preocupado com o neto. Ele entrou no quarto ao ouvir o despertador, mas se deparou com um Hyun acordado.

    - ...Como se sente?

    Perguntou de modo tímido.

    Caso Hyun estivesse se sentisse disposto a seguir para o colégio, poderia ir e receberia a notícia de que teria uma sessão no psiquiatra à tarde. Mas caso ele ainda estivesse dentro daquele torpor, ele podia ficar em casa. Naquele dia, essa falta seria perdoada.

    HYEMIN

    Enquanto alguns teriam a falta perdoada, Hyemin sabia que a última coisa que teria ser um alívio em relação ao seu castigo. Para sua "infelicidade", o pai a esperava para o café da manhã. Ele parecia ótimo, extremamente tranquilo e lia o jornal como se nem tivesse tirado todos os cartões e seu amado celular. Pior! Ele nem parecia preocupado com a ordem que tinha dado.

    Os dois tiveram o café mais longo da história até que, finalmente, tinha dado a hora.

    O pai levantou-se, pegando seu blazer e colocando por cima de sua roupa perfeitamente alinhada - ele estava usando um colete! Co-le-te! O quão maravilhoso isso podia ser?! Por que seu querido papai tinha que ser tão lindo e tão insuportável? O estilo dele não tinha erros, mas Hyemin não queria encontrar nada de bom!

    Podia ter um defeitinho, né?

    Qualquer um! Mas não tinha.

    O pai a encarou, esperando que ela se levantasse e o seguisse. Escovariam os dentes e partiriam para o colégio.

    Que?

    Sim, o Sr. Seo fez questão de ir ao lado da filha no banco de trás e deixá-la bem na porta do colégio. O caminho não teve os amados k-pops dela, mas sim as musicas alternativas que ele gostava. Era quase como para lembrar quem estava mandando ali e quem tinha que obedecer. Quando ela saísse do carro e batesse a porta, ele abriria o vidro e tiraria os óculos escuros para dizer.

    - Tenha um bom dia também, Minah. E, ah! Não esqueça, hein? Tem até 12h.

    Sorriu da forma mais ridícula possível antes de fechar o vidro. Hyemin veria o proprio reflexo chocado antes do carro partir.







    Vamos lá! Vou deixar que vocês transitem para o próximo capítulo!

    > TODOS descrevam o que fizeram em casa, como foi a noite e como vão para o colégio.

    > MISOO e DONG estão sem carona

    > WON BIN vai de condução

    > TODOS vão chegar antes das 8h, então, vocês decidem se já vão pra sala ou se vão esperar os amigos (sem baits, dessa vez. É realmente pra ver como começo o proximo capitulo)

    > HYEMIN turna por último, ok?

    ps: não sei o que rolou na formatação, amanhã corrijo :B
    isaac-sky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por isaac-sky em Qui Nov 23, 2017 12:31 pm

    O silêncio era mortificante. Won não disse uma palavra ao pai e o pai igualmente não diria nada.

    ”Bem que o Jae-ki disse que morava longe” pensou quando chegaram no bairro de Jae. Notou como era uma região de moradia mais precária. Tinha notado que ele parecia ser mais pobre, mas aquilo lhe dava certeza. Não sentia pena dele por isso, mas sentia um pouco mais de admiração: ele tentava perseverar mesmo em uma situação pior que a dele.

    Won olhou para os olhos cansados do pai. Se sentiu pior ainda: seu pai tinha toda a razão por aquela raiva, e além disso estava alcançando a exaustão com esse trabalho até tarde na delegacia.
    Sentia seu fracasso até em tentar tornar a vida do pai mais tranquila, como poderia sequer se considerar um heroi?

    Acenou com a cabeça se despedindo de Jae-ki. Sentiu um frio na barriga ao perceber que agora estaria sozinho com seu pai.
    O que era pior? O sermão ou o silêncio?



    ”Pelo amor de Deus! Grita comigo! FALA ALGO!” chegava a ser desesperador. A viagem para casa em silêncio era pior que todos os sermões que podia imaginar.

    ”O que foi que eu fiz? Eu queria fazer amigos, proteger eles, mas eu perdi até o meu pai…” o dia terminaria com um saldo negativo. Decepcionando o Mestre Baek e seu pai, quem sobrava?
    Tinha os novos amigos mas...eles seriam seus amigos para sempre? O que garantia que Won não estragaria as coisas com eles também?

    Won se sente como num abismo, tragado por um sentimento de solidão gigantesco.

    Quando chegaram em casa e Won fechou a porta, ele carregava as coisas. Seu pai não era muito de beber, mas o dia tinha sido duro e a situação o fez tornar metade da garrafa de uma vez. Foi quando seu pai decidiu quebrar o silêncio.

    - Amanhã você vai até seu dojo pedir desculpas ao seu Mestre e avisar que ficará ausente por conta de sua mão e porque eu não quero que você volte. -

    Isso Won poderia aceitar

    Esse era o combinado e você rompeu sua parte, Won-Bin. Terei dois meses para pensar se você volta, se bem que eu não sei se você é capaz de reconstruir a confiança que destruiu hoje. Tem noção do que poderia ter acontecido?

    Mas a possibilidade de nunca mais treinar jogou Won num estado de desespero.

    -Mas pai não...eu… - se dissesse mais uma palavra teria revelado a verdade ali mesmo, contado tudo o que havia acontecido. Mas tinha feito um sacrifício pelo seu amigo, não poderia desonrar isso agora. Sentia o rosto ficar quente, os olhos marejando.

    -Sim, está bem - respondeu olhando para baixo.

    - Esse é o seu castigo, ficar sem treinar. E se você for demitido amanhã, arranjarei mais algum castigo para que ocupe seu tempo com algo útil ao invés de procurar por briga. Agora vai pra seu quarto.

    Apenas pegou suas coisas e foi para seu quarto. Fechou a porta, como se tivesse a bloqueando. Won fica alguns instantes recostado sobre ela. Aos poucos deixaria o corpo cair no chão, ficando sentado encostado na porta.

    Respirou fundo e olhou para o braço imobilizado mais uma vez. Não doía mas toda vez que olhasse para ele seria como ver sua derrota estampada.
    Nem tinha notado, mas entre suas coisas ao seu lado estava o nunchaku. O pegou e segurou firme com a mão direita.

    ”Se eu voltar a treinar eu vou aprender a usar essa coisa” pensou mas era uma esperança vazia. Era impossível imaginar uma realidade onde a luta não fosse parte de sua vida.

    Sem o Taekwondo, o que era Won? Sentia que era a única coisa onde poderia se destacar. Agora até isso estava em cheque.

    ”De que adiantou? Do que adiantou lutar tudo aquilo? Todo aquele esforço pra escolher os clubes, o trabalho, enfrentar o Taemin. Tudo pra jogar fora sendo um idiota…” se levantou e deixou o nunchaku no chão.

    Encarou o maior poster de filme que tinha na parede, era do Donnie Yen, seu maior ídolo dos filmes de artes marciais. Seu ídolo de treino também.

    ”Eu não sou um protagonista de filme de ação. Eu não sou um mestre de luta que chega numa cidade nova pra resolver todos os problemas. Eu não posso resolver as coisas só porque eu quero fazer a coisa certa. As pessoas não vão me dar tapinhas no ombro quando eu tentar fazer algo pelo bem de alguém. Eu não sou um herói”

    Sentiu uma grande raiva crescendo. Não era contra algo ou alguém, mas contra si mesmo.

    ”EU NÃO SOU UM HEROI!” levantou o braço direito e arrancou o poster da parede. Com o único braço livre o rasgou todo.

    Ofegante, apenas jogou os pedaços do poster que tanto gostava para o lado, e deitou na cama.

    Acabou se pegando pensando no dia que descobriu seu amor pelas artes marciais, quando tentou ingressar num dojo de kungfu e com uma dica bem estranha acabara indo parar no dojo do mestre Baek.
    Eram lembranças que se tornavam agridoces. Todo esse esforço seria pra nada? Todas essas lembranças não serviriam mais? Todos esses anos sendo um filho exemplar, um aluno esforçado, nada disso valia mais aos olhos do pai?

    Bastava uma decisão ruim para tudo ruir?

    Sem a menor chance de conseguir dormir, Won pega o velho bloco de notas que ganhou do pai, seu diário, e escreve um pouco nele.

    Pegou o celular e colocou algo para ouvir antes de dormir.


    Era uma noite longa, nem seu braço lhe deixaria descansar bem.



    Não teria nem a liberdade de sua bicicleta hoje de manhã. Tomaria um banho rápido, escovaria os dentes e tomaria seu café em silêncio, evitando a todo custo interagir com seu pai. Uma mistura de medo e culpa.

    Pegou suas coisas, colocou o nunchaku na mochila e pegou condução para a escola. O sentimento de derrota era completamente oposto ao ínicio do dia anterior. Esperava que esse dia passasse rápido, mas sentia muita ansiedade com o encontro com Mestre Baek e com a explicação que tinha de dar no café.
    Além disso, todos veriam seu braço imobilizado. Jae-ki é o único que sabia da verdade e ele provavelmente contaria para Kang. Mas o que diria aos outros? O que contaria pra Bo-Mi?


    O Round 3 acabou de começar e Won já se sentia perto do nocaute. Quando chegasse esperaria por Jae-Ki e Kang antes de ir pra sala.

    Gakky
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Gakky em Qui Nov 23, 2017 3:33 pm


    Apesar dos problemas dessa noite e do sentimento de frustração, Jae-ki conseguia se sentir um pouco sortudo, porque havia ganhado um amigo leal. Isso lhe dava até uma certa esperança, acreditava que Won Bin poderia ajudá-lo a sobreviver em Wanjo. Juntos, até imaginava que poderia vencer Taemin depois de planejarem melhor. Não achava que o amigo tinha errado, mas ao contrário o achava incrível. Era sempre bom saber que podia contar com alguém quando se estava no meio de tantos problemas, e lealdade para com amigos era algo valioso para Jae-ki.  

    Quando o pai de Won apareceu novamente, Jae-ki voltou ao seu modo tenso e quieto. Observou Won Bin pedir a carona sem fazer qualquer comentário, deixou tudo nas mãos do amigo, até porque era o pai dele e ainda policial. "Se os caras soubessem que eu tô pegando carona com um policial... Nem sei o que daria... Iam me achar corajoso, suicida, ou talvez um traidor? Aishi.... Isso não..." Dentro do carro, Jae ficou meio tenso por ir sozinho no banco de trás, ás vezes observava o pai e o filho, mas logo voltava o olhar para a janela se percebesse que o policial o olhasse pelo retrovisor.

    Jae-ki não sentia o mesmo medo que Won de ser castigado, também não tinha horário certo para chegar em casa. Mesmo que sua avó pegasse no seu pé e até o irritasse, não tinha autoridade para lhe dar um castigo e mesmo se tentasse, sabia que não conseguiria fazer o neto obedecer. O único castigo de Jae-ki era sofrer na pele as próprias consequências dos seus erros. Por causa da ausência de responsáveis, Jae-ki se tornou um adolescente que fazia suas próprias regras e seguia seu próprio julgamento do que seria certo e errado. Talvez por isso fosse difícil fazê-lo ficar na linha, só mesmo um grande motivo. Sua responsabilidade com Soo-ji, era o maior motivo para fazê-lo seguir algumas regras. Também era mais fácil para Jae-ki seguir conselhos dos amigos que ganharam seu respeito, do que seguir os de sua avó ou de algum adulto. Por isso acreditava nos ideais dos seus amigos de gangue.

    Quando chegaram no seu bairro, não passou nem pela sua cabeça ter algum tipo de vergonha. Won Bin era seu amigo e não havia motivos para se sentir constrangido com isso.  Ficou aliviado quando o policial cumpriu com o combinado e o deixou na esquina. Viu o aceno de cabeça de Won Bin e correspondeu com outro aceno, era uma despedida simples, mas satisfatória para Jae-ki nesse momento. Não podia entender o quanto Won estava nervoso, mas imaginava que teria uma discussão entre eles.

    Ao ir embora, ainda sentiu o olhar do pai Won em suas costas, assim que virou na rua, respirou aliviado por sair dessa tensão de estar sendo vigiado. Enquanto caminhava em direção a sua casa, preocupou-se com o que encontraria lá. A halmoni com certeza já sabia do sumiço do pai, e provavelmente teria que procurá-lo nos próximos dias. Mas o pior mesmo era chegar com o rosto machucado, sua avó nunca entenderia e o ficaria julgando. Porém temia mais por Soo-ji, que ficaria preocupada.

    Assim que entrou em casa ficou surpreso ao ver seu pai dormindo, tinha bebido, mas para seu alívio estava em casa. Talvez ainda teria alguns dias sem ter que sair pra procurá-lo. Era bom que estivesse já dormindo, pois se o visse machucado, com certeza ia se achar mais certo. "Não quero dar esse gosto para ele... Aboji não enxerga os erros dele e fica me julgando, não fiz nada de errado." Jae-ki tirou seu gorro e deixou em algum canto qualquer, viu a avó ainda acordada catando feijão, logo sentiu o olhar julgador dela. Nem foi preciso dizer nada, porque halmoni falou primeiro e dessa vez tinha tocado em seu ponto mais sensível, Soo-ji. Ainda lembrava de como ela tinha chorado da outra vez. O que ela pediu era até um pouco cruel. Gostava de tomar café da manhã com Soo-ji e até levá-la para escola. Mas a vó o tinha apresentado uma situação difícil. Estragaria o dia da irmã se a deixasse começar o dia o vendo dessa forma? Não queria que a menina fosse com rostinho de choro para escola. Suspirou já irritado só por ter que decidir sobre isso.

    - O despertador vai acabar acordando ela de qualquer jeito... - Respondeu a avó em voz baixa e com o semblante invocado - Então amanhã você leva ela para escola.  

    Estava um pouco aborrecido com a halmoni por ter dado essa ideia, principalmente porque fazia certo sentido. Soo-ji teria escola amanhã e não queria deixá-la preocupada. Mas ao mesmo tempo seu coração doía só de ter que imaginar sair sem vê-la. E se ela ficasse chateada também? O que era pior? De qualquer forma, ele não estava afim de pensar muito e decidiu não preocupar a irmã antes da aula. Por isso, foi ao quarto bem devagar e tentando fazer o mínimo de barulho possível, trocou de roupa no escuro com ajuda do celular. Jogou a que usava antes em um canto, porque estava suja. Viu o rostinho da irmã dormindo tão inocente, e isso lhe tocou profundamente. Faria de tudo para ela não chorar e torcia para o seu olho roxo estar melhor quando voltasse para casa amanhã. Para o despertador não acordar a irmã, Jae-ki pegou dois cobertores no armário, tudo com o máximo de silêncio possível, não iria dormir no quarto essa noite. Odiava isso, mas o despertador a acordaria, e sem o despertador ele não iria conseguir ir para Wanjo. "Eu vou melhorar as coisas Soo-ji"- Repetia em pensamento para si mesmo - " E o Taemin ainda vai me pagar por me fazer passar por tudo isso".

    Antes de sair do quarto, lançou um olhar para uma certa gaveta e lembrou da bolsa térmica que Eun-bi o tinha dado, o seu olho roxo o fazia lembrar disso. Ele tinha sido idiota o bastante para ter guardado. "Eu devia ter jogado essa coisa fora... " Mas não lembrou só da sua raiva, mas também que era gelado e talvez ajudasse a desinchar seu olho. Se conseguisse tornar o machucado menos pior, Soo-ji não se assustaria tanto. Jae-ki abriu a gaveta e pegou a bolsa térmica com cuidado. Antes de sair ainda lançou outro olhar a irmã, nunca dormiam a noite separados, ela parecia tão desprotegida sozinha. Mas essa vez seria para uma boa causa, se convencia Jae-ki, seria só uma noite.

    Ele foi com os cobertores para a cozinha e os esticou no chão em um canto onde pudesse ficar de olho na porta do quarto. Halmoni e seu pai costumavam roncar bastante, mas por sorte Jae-ki tinha um sono fácil, dormia em qualquer lugar e rapidamente. Colocou a bolsa térmica na geladeira e se deitou chateado por não poder ver a irmã. Dormiu rapidamente como previsto.

    (...)

    De manhã o celular o acordou um pouco mais cedo, faria tudo antes da Soo-ji acordar. Infelizmente sua avó não preparou o seu café da manhã. Jae-ki pegou seu uniforme e foi tomar banho sem tentar acordar ninguém, embora halmoni devesse ter acordado. O roxo parecia pior do que antes, doía e mal conseguia abri-lo. Tentou jogar a água fria da torneira no rosto para ver se melhorava, mas não resolveu muito.


    Na cozinha procurou algo para comer, como não era muito habilidoso, se achar um ovo vai cozinhar para ele e se achar sobras, vai comer mesmo frio. Se não tivesse nem ovo, nem arroz pronto, Jae-ki tentaria fazer um arroz, embora não fosse bom nisso. Estava morrendo de fome e queria colocar alguma coisa no estômago. Antes de sair, fez um desenho rápido enquanto mastigava. Deixou o desenho com cuidado ao lado da irmãzinha. Era o desenho de um panda bem fofo do jeito que ela gostava, deixou escrito também: saranghae (te amo). Sabia que a irmã entenderia e não queria que ela se sentisse abandonada por ele ter saído mais cedo. Não trocou palavras com sua avó, pegou a mochila, que não tinha nenhum material escolar dentro, já que haviam estragado, pegou a bolsa térmica da geladeira e saiu com ela no olho. Esse olho precisava desinchar até o final da tarde.  

    No caminho, Jae-ki vai ver se tem alguma vendinha aberta, se tiver vai comprar um pacote de biscoitos e enfiar na mochila. Usava a gorjeta do dia anterior, a secretária da escola havia ajudado com o dinheiro da condução para semana inteira, então não faria falta comprar um biscoito. Além disso, devia ser mais caro nas máquinas da escola do que no seu bairro. Se não for no seu bairro, vai ver se tem no caminho do metrô. Queria muito comprar algo diferente agora e sentia que merecia pela noite anterior, ainda mais porque tinha sobrado um dinheiro.

    Na viagem para escola aproveitou para cochilar, ainda sentia o corpo dolorido. Mas antes de dormir, lembrava-se de Won Bin, estava ansioso para revê-lo e saber como iam coisas. Jae-ki acreditava que tentar resolver as coisas como "homens" era o certo a se fazer, o erro foi Taemin ser um covarde e não cumprir com o combinado.  Também admitia a si mesmo que foi relapso em ter subestimado o inimigo, se tivesse se preparado melhor, poderia ter vencido a briga. Pelo menos era o que achava. Mas como Won falou, se tivesse vencido, o dinheiro de Taemin podia fazê-lo pagar caro.

    Quando chegar na escola, Jae-ki vai passar na secretária como havia combinado no dia anterior, esperava pegar os materiais novos. Ainda carregava a bolsa térmica na mão, apesar de ser daquela garota, estava sendo útil e tudo valia a pena para não assustar Soo-ji depois. Esperava que ninguém implicasse com ele pelo olho roxo, se encontrasse os amigos no caminho, acenaria para eles e diria que estava indo na secretaria.

    - Jae-ki - Disse na secretaria assim que chegou, apoiava os cotovelos no balcão - Song Jae-ki. Me falaram para passar aqui hoje.


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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Luxi em Qui Nov 23, 2017 5:10 pm

    Uma noite sem pesadelos e de sono verdadeiro era muito rara nos últimos tempos. Na última semana, então, se tinha dormido três horas por noite era muito, mas o estranho era que acordava inteiro, inexplicavelmente altivo e confiante. Era efeito dos remédios, segundo seu psiquiatra americano, e não tinha problema nenhum, fazia parte do tratamento, ele dizia.

    Naquele dia, porém, acordava diferente, mais lento, disperso. A calça grudava no corpo de suor, mas o peito estava nu. Alguém tinha feito a gentileza de ao menos trocá-lo. Gentileza ou invasão de privacidade? Ficava a critério que seria avaliado mais tarde, ou não.

    Mexeu os lábios, sentindo a garganta seca, um dos primeiros sintomas de consciência. Respirou fundo e abriu os olhos sem pressa. Não sabia onde estava a princípio ao enxergar aquele teto nebuloso. Resmungou baixo e virou para o lado. A mão direita estava dormente e ele tinha certeza de que em algum momento tinha dormido em cima dela.

    Sentia o corpo pedindo para levantar-se, ir ao banheiro, se mexer, sair da mesma posição, mas mais do que essas necessidades básicas, queria dormir. Não foi surpresa então quando soltou um “Aish” cansado ao ouvir o despertador. Sentou-se obrigado e meteu a mão no aparelho, ainda de olhos semicerrados. Foi então que olhou o dormitório perfeitamente arrumado, exceto pelas cobertas chutadas ao chão. Por um momento chegou a achar, ou até desejar, que estivesse nos EUA, mas seu quarto americano nunca esteve bem cuidado daquele jeito. Sempre havia um frasco ou alguma bagunça no chão.

    Já sabia que não tinha ido para o quarto por conta própria, principalmente quando viu o avô entrando no quarto trazendo consigo a culpa de um flash rápido de memória. Hyun Hee suspirou e abaixou o rosto. Não conseguiu encarar o homem, que ontem afrontara e quis agredir. Lembrava-se da vontade de estrangulá-lo, por ser um maldito traidor. Por que tinha cogitado isso? A ideia era extremamente estúpida e não fazia sentido nenhum.

    Respirou fundo. Não respondeu, porque não sabia. Além da absolutamente falta de vontade de sair da cama, não sentia nada além de remorso. Levantou-se com má vontade, mas olhando para baixo.

    - Vou tomar banho - declarou simplesmente e deixou que o avô lhe fizesse o comunicado ali se preferisse, mas não se viraria por nada, apenas fecharia a porta da suíte para cuidar da higiene, por fim se enfiando na ducha.

    Demorou por tempo demais ali dentro, com o rosto debaixo do chuveiro refrescante. De olhos fechados, conseguia lembrar-se do que tinha feito no dia anterior, nos dias anteriores. Garrafa, joaninha, gritos, parede, avô. Precisava de tudo isso? Sentia-se um verdadeiro imbecil por ter existido naqueles últimos… meses. Anos. O que estava fazendo, afinal? Já não tinha mais seus pais para se preocuparem, seu avô obviamente o via como um estorvo e o restante da família o desprezava ou tinha um plano para matá-lo. Sua existência era insignificante, não fosse seu nome e sua parte no inventário.

    Ele não tinha mais um propósito verdadeiro. Para que recuperar sua casa? Tanto fazia, Jung Mi merecia estar ali, era o mínimo que devia a seu irmão. Talvez se estivesse morto também, sua paz de espírito estivesse completa. Pelo menos o culpado não seria o único e irônico sobrevivente. Talvez não ter uma sombra insana a aparecer na vida fosse o que ele precisasse para voltar a ser um bom garoto, um irmão gentil e adorável.

    O corpo logo se acostumou à temperatura fria da água, mas meia hora ali debaixo do chuveiro já começava a fazer com que começasse a ficar gelado de verdade. Acabou desligando e saindo para se olhar no espelho.

    Cabelo ridículo. Ele era o que, um palhaço, por acaso? Que merda tinha na cabeça para ter escolhido um vermelho tão chamativo? Puxou um fio. Ótimo. Tudo que ele precisava era atrair todas as atenções do dia para ele.

    Bufou balançando a cabeça e abriu a gaveta de remédios para a dose diária. Pra quê estava tentando? Não fazia diferença nenhuma ir à escola. Voltou ao quarto e começou a se vestir. Estava especialmente comum naquele dia. Não que tivesse se importado em ajeitar a gravata, mas de repente ter todo o trabalho de botar alguma maquiagem na cara ou acessórios, ou qualquer coisa parecia demais, mas ainda assim ele não se sentia ele mesmo sem aquelas coisas, então os anéis ficaram, mas era inegável que, apesar do cabelo, estava mais discreto.

    Desceu as escadas para o desjejum e evitaria conversar. Não tinha mais aquela energia para isso. Sentia-se completamente envergonhado e infeliz. Era imperdoável maltratar assim o patriarca da família. Seus pais estariam muito decepcionados com sua atitude infantil, ou melhor dizendo, animalesca. Sentia que os funcionários todos olhavam para ele, analisando seus passos, então não foi surpresa quando o secretário se aproximou dela na menor tentativa de se dirigir ao local onde estava sua moto. Hoje não. Não estava disposto a brigar naquele dia. Já estava fazendo muito saindo daquela casa, sendo que o quarto ainda o chamava. Só não queria ficar no mesmo teto que aquelas pessoas ou que todos ficassem julgando e comentando na porta as horas que ele estava dormindo.

    Não disse uma única palavra ao secretário, apenas o seguiu para seu carro, o que foi uma sensação horrorosa. Travou. Não conseguia entrar ali. Observou a porta por algum tempo e, com um repente, saiu andando.

    - Hoje eu vou sozinho.

    Não estava de moto, mas também não estava de motorista. O que ele estava pensando? Hyun Hee também não sabia, mas precisava andar um pouco. Resolveu pegar um ônibus na metade do caminho, criando essa ideia assim que avistou o coletivo. Ficou em pé mesmo, aguardando a chegada ao ponto próximo do colégio.

    Era uma sensação estranha, mas ainda bem que não tinha pego a moto. Não estava em condições de dirigir e sabia disso. Percebeu que tinha sido uma escolha sabia ao notar que tinha descido um ponto depois do necessário. Não estava no dia mais atento do mundo.

    Sentia os olhares sobre ele e teve vontade de ir embora. Talvez fizesse isso. Não fazia nenhum sentido estar ali, mas la fora era seguro? Não. Lá fora, havia alguém que o queria mal, a sete palmos do chão. Mas seria tão ruim assim? Talvez devesse simplesmente sair desarmado, de braços abertos e deixar que a pessoa fizesse o serviço. Não seria o melhor para todos? Ele procurou o banco próximo ao lago para repousar. A natureza era reconfortante, mas mais do que isso, era o lago que o atraía. Podia imaginar-se deitando naquela água, abraçado pela sensação gelada que invadiria seus pulmões lentamente, até que seus sono fosse respeitado e os pensamentos parassem.

    Deu um sorriso amargo. Só estava cansado. Só precisava dormir. Afastou a maleta e então deitou-se no banco mesmo, cobrindo o rosto com os braços.

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Natalie Ursa em Qui Nov 23, 2017 8:30 pm

    MiSoo só precisava de uma noite tranquila depois do dia complicado e da conversa com a mãe. Tudo o que precisava era passar um tempinho fora de casa. Só precisava sair pela porta e ir até a casa de alguém. Só um pouquinho de ar fresco para aliviar toda a pressão que sentia dentro daquela casa…

    Não conseguia suportar a visão da mãe sobre amizades. Como as pessoas eram descartáveis para ela. Mas MiSoo era completamente diferente. E suas amigas também! As meninas sempre foram suas amigas mesmo quando MiSoo era menosprezada por muitos outros por causa de sua aparência - até mesmo pela própria irmã mais velha!!

    EunBi, BoMi, Mia… Essas eram as garotas que ela considerava como suas verdadeiras irmãs, pois foram elas que estiveram do seu lado de verdade.

    MiSoo não acreditava que, mesmo com a dieta, um dia seria tão bonita quanto a irmã de sangue, mas a verdade é que não queria se parecer com MinJi em nenhum aspecto! E ultimamente a mãe andava lhe causando a mesma sensação que a irmã lhe causava…

    Ela não era tão sufocante assim até MinJi ir embora, porém, após perder sua filha favorita, tinha se tornado insuportável. MiSoo tinha convicção de que a mãe queria lhe transformar na MinJi, mas também estava convicta de que não seria como a irmã, não importasse o quanto a mãe insistisse.

    Tinha aceitado fazer a dieta porque realmente estava insatisfeita com seu físico. Se sentia péssima com ele. Queria, uma vez na vida, não sentir os olhares de julgamento sobre seu corpo, seu peso... Mas isso não queria dizer que desejava se tornar outra pessoa!

    Enquanto passava pelo corredor, com a bolsa cheia de roupas e outros objetos e a mochila da escola, MiSoo ouvia a mãe gritando seu nome, mas ignorava, estava farta daquela voz e com certeza sem vontade de ouvir o escândalo que ela logo viria a fazer.

    Iria deixar a mãe falando sozinha e iria embora. Simples. Ela já tinha escolhido as roupas que a mãe queria, podia muito bem ir fazer o que quisesse.

    Estava se aproximando da porta quando a viu abrir e a visão de quem surgia atrás dela deixou MiSoo paralisada onde estava.

    O Aboji tinha retornado do trabalho. A presença do pai diante de si era o suficiente para deixar a jovem ainda mais nervosa, ainda mais depois de ouvir a mãe berrar do topo da escada a impedindo de sair. Sabia que o pai não gostava das discussões entre as duas. Se berrassem então…

    MiSoo já percebera a irritação do pai no tom de voz com que perguntou o que acontecia. A tenista fez uma careta com um bico, como se estivesse sendo acusada de algum crime e baixou o olhar em direção aos pés, deixando que a mãe respondesse a pergunta.

    - Eu- Eu não estou “fugindo de casa”. - sua voz agora era tão frágil quanto sua postura - Eu só… Ia passar a noite na casa da EunBi… Ela machucou o pé… -mordeu os lábios de leve e voltou o olhar derrotado para o chão, já sabendo que àquela altura, com o pai já sem paciência, não faria muita diferença se explicar.

    Não tentou desobedecer o pai. Sabia que seria um esforço inútil e só deixaria ele ainda mais irritado. Já estava cansada demais para mais uma discussão. Tudo o que não precisava era mais algum castigo idiota que o pai pudesse imaginar para lhe punir injustamente. Mesmo assim não pretendia obedecer completamente. Não iria para o quarto.

    Ouviu seu Aboji mandar a Ommoni parar de gritar e sentiu um pouquinho de satisfação por não ser a única vítima da irritação do pai, mas a sensação logo desapareceu quando o aboji voltou a falar com MiSoo.

    - Eu ia fazer o dever depois do banho, mas Ommoni queria que eu escolhesse roupas… - respondeu ainda no tom baixo - Eu vou fazer agora, mas vou fazer no jardim, Aboji. Espero que não tenha problema ir para o jardim. - o cansaço que sentia à tarde tinha voltado e MiSoo já não tinha forças para aguentar nem mesmo a rigidez do pai.

    Já que  não poderia sair, só queria poder ficar sozinha o mais breve possível. Não tinha vontade de conversar, argumentar ou reclamar.

    Só queria o silêncio.

    Não apreciava a solidão, mas era melhor do que os gritos da mãe e as ordens do pai.

    Voltou-se à sua bolsa no sofá, ao lado do pai, e de lá só tirou o celular e o diário. Ainda estava com a mochila e o material para fazer as tarefas de casa já estavam ali dentro.

    Com tudo em mãos, MiSoo fez uma rápida reverência ao pai e se apressou para a porta dos fundos, que dava direto para o jardim, passando ao lado da mãe, mas sem olhar em sua direção. Ainda estava muito incomodada com as palavras dela.

    MiSoo parou na parte coberta do jardim, onde tinha uma mesa redonda de madeira com cadeiras, tudo combinando. Sentou ali envolta por vários vasos de plantas e espalhou seu material. Quando terminou de por os objetos sobre a mesa, sua visão estava embaçada pelas lágrimas que antes tinha se esforçado para conter, quando ouvia as coisas horríveis que saíam da boca de sua mãe.

    Não bastavam os problemas que MiSoo tinha enfrentado na escola hoje? Tinha mesmo que ouvir sua mãe tentar destruir sua amizade com a melhor amiga porque achava que EunBi já não tinha mais nada a lhe oferecer? Mas é claro que ela tinha algo a oferecer!!

    Companhia, compreensão, apreço… Coisas que a mãe provavelmente era incapaz de oferecer aos amigos. Pelo menos não sem receber algo vantajoso em troca.

    A tenista limpou as lágrimas com as costas das mãos e tentou afastar o assunto da mente, respirando fundo. Não queria mais pensar sobre o que a mãe disse, era torturante, embora aquelas perguntas de matemáticas não fossem muito melhores, mas era no que realmente precisava se focar. Se não passasse com boas notas esse ano o pai provavelmente inventaria um castigo bem pior… MiSoo nem queria imaginar o que o Aboji faria se ela não passasse.

    Depois de fechar os punhos e ergue-los na direção do vaso de petúnias rosas, suas favoritas, e exclamar um ”FIGHTING!”, MiSoo pegou a lapiseira de ursinho com chaveirinho de macaron e começou o dever, tentando responder da melhor maneira que conseguia, com o pouco que tinha entendido da aula.


    Depois de cansar de fazer tentar fazer os exercícios, mas tendo conseguido responder boa parte, a garota aproveitou que estava ali, envolta pelas plantas e sentindo-se um pouco melhor, apesar de mentalmente cansada, para escrever um pouco no diário sobre o que deveria fazer na aula do dia seguinte.

    Só depois das tarefas de casa e do diário, que MiSoo lembrou-se de olhar o celular, já achando que teria milhares de mensagens para ler, mas surpreendentemente estava bem quieto ali e tudo o que tinha recebido era a mensagem de EunBi.

    A mensagem tinha lhe deixado um pouco angustiada. Também queria ter falado com EunBi pessoalmente, mas tinha sido impedida. Saber que BoMi não tinha a respondido também deixava MiSoo triste. Era um sinal de que realmente precisava fazer algo ali para resolver aquela situação horrível.

    Queria muito ouvir o lado de EunBi e acabar com toda a angústia, sofrimento e o afastamento que a mentira estava criando entre suas duas amigas, mas também estava meio triste por ter de ir sozinha para a aula do dia seguinte. Sempre iam juntas, conversavam e brincavam. Era sempre bem animado e divertido o passeio, uma das melhores partes de se ir para a escola.

    A possibilidade de ter que ir no silêncio em um carro vazio e solitário, fazia com que MiSoo voltasse a se sentir desanimada. Era quase como reafirmar que algo estava errado entre elas. Que algo tinha se quebrado e precisava urgentemente ser consertado. Essa era a tarefa mais importante de MiSoo para o dia seguinte. Consertar o que tinha sido danificado.

    A garota respondeu à amiga tentando lhe animar e dizendo que tudo iria ficar bem amanhã e que não precisava se preocupar. Sabia que EunBi deveria estar bem preocupada com o pé que tinha machucado. Conhecia ela e sabia o quão ficava apavorada em ferí-lo.

    Depois mandou uma mensagem para BoMi dizendo que poderiam se encontrar na entrada da escola e também afirmou que o dia seria melhor e que tudo ficaria bem.

    Já era bem tarde quando MiSoo foi comer algo. Estava com o estômago meio embrulhado por culpa das discussões e complicações do dia, que agora voltavam a passar por sua mente, por isso acabou comendo pouco, já que não sentia muita fome. Pelo menos tinha algo saudável para ingerir ali, embora sua mente estivesse já pensando em como queria muito poder apreciar algo doce.

    Enfim poderia dormir depois de um dia tão estressante e cansativo.

    (...)

    Não acordou tão cedo quanto os outros dias, mas estava um pouco mais animada e determinada em suas tarefas para essa quarta-feira. Dessa vez comeu cereal com leite e suco de maçã. Não gostava muito de comer coisas salgadas pela manhã.

    Colocou o uniforme, a maquiagem e dessa vez optou por usar um penteado com dois coques laterais, pois gostava de brincar com o cabelo e ir cada dia com um penteado diferente, também ajudava a melhorar seu humor, o que estava precisando já que também queria alegrar suas amigas. Calçou tênis menta desta vez e meias de rendinha.


    Referência.


    A parte de ir sozinha, apenas com o motorista, foi tão ruim quanto imaginava. Tentou se alegrar colocando os fones de ouvido e tocando músicas bem alegres, mas ainda sentia a falta da bagunça que era ir acompanhada de todo mundo para a escola e das conversas que se desenrolavam naquele ambiente. Pelo menos tinha certeza que a solidão para ir à escola seria só por um dia, logo voltariam à programação padrão.

    Depois do trajeto desanimado, MiSoo finalmente chegou à escola, se despediu do motorista e logo que pôs os pés para fora do carro pegou o celular e mandou uma mensagem para o grupo para saber se já tinham chegado. Pretendia se encontrar com as garotas antes de ir para a sala de aula.
    Ailish
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por Ailish em Sex Nov 24, 2017 4:01 pm

    Enquanto encarava os próprios pés, Sunny torcia mentalmente para que o irmão acreditasse na rápida justificativa e que não insistisse mais no assunto. Não queria prolongar a mentira e se conhecendo tão bem, tinha certeza que seria uma tarefa difícil a de sustentá-la. A culpa a castigava antes mesmo de receber a resposta de Yi-Hoo e combinada com as batidas cardíacas... Aquilo era extremamente desgastante. A maneira que seu corpo reagia à situações de extrema pressão física e, em principal, psicológicas não se mostrava nada saudável. Às vezes, ficava cansada ao ponto dos sentidos vacilarem e, por alguns instantes, ela até pensava que iria desmaiar. Não gostava nem de imaginar essas hipóteses porque estava consciente de que qualquer passo errado ou muito distante da curva, acabaria envolvendo a família nos problemas dela. Problemas que eram apenas dela. Sentia-se apavorada com a ideia do papai, da titia... de todos... descobrirem que...

    Descobrirem que existe algo errado.

    Não!

    Existia.

    No passado.

    Afinal... Ela aprendeu a lidar, ela conseguia cuidar de si mesma sem que outras pessoas precisassem sofrer.

    Ela não necessitava de pilares.

    Sunny arregalou os olhos e fitou o irmão quando ele começou a falar, assustando-se com a forma que a mente divagou de súbito. Por sorte, Yi-Hoo se revelou aéreo demais para interrogatórios ou de sequer notar os sinais indicados na postura da caçula. Ou, talvez, fingia... Quem sabe com a intenção de pegá-la de surpresa mais tarde? Era uma possibilidade possível, ainda mais tratando-se daquela peste!

    Durante o trajeto até o metrô, Sun-Hee permaneceu cabisbaixa e silenciosa.

    E era insano, sim, mas... Preferia ir embora sozinha do que acompanhada pelo simples fato de atrapalhar a rotina dos familiares - inclusive de Kim -, que após um dia exaustivo, se preocupavam com a sua segurança. Do momento que decidiu arranjar um emprego, desde o princípio estava disposta a assumir qualquer responsabilidade gerada por este, sem envolver ninguém. Porém, a família bateu o pé e quanto a isso, independente da teimosia, não tinha nada que Sunny pudesse fazer além de aceitar as imposições.

    Assim que chegaram na estação, o processo se desenrolou de modo automático. Em menos de minutos, Yi-Hoo e Sunny se encontravam sentados nos bancos, um ao lado do outro e somente as bolsas criavam uma barreira entre eles.

    Ela foi dura na queda.

    Não era fraca, e repetiria tal afirmação na quantidade necessária para que a firmasse em sua cabeça como uma cicatriz.  

    Claro que o movimento suave causaria o efeito sonolento em Yi-Hoo. Sunny observou o rosto adormecido do irmão e, de repente, as lágrimas ganharam força e violentamente transbordaram... Distorcendo a imagem do mais velho, mas... era o primogênito que ela enxergava sob o choro compulsivo.

    - Me desculpa... Por favor, me desculpa...

    Sussurrou quase sem voz.

    Um fiapinho bem pequenininho que não vinha da garganta...

    Esticou a mão, ameaçando acariciar a que Yi-Hoo apoiou sobre a mochila, mas desistiu. A reação inversa provavelmente chamaria a atenção dos presentes ou não...

    Pois curiosidade é diferente de se importar.

    Então, que olhem...

    A única pessoa que não podia descansava logo ali, numa abençoada ignorância. Já Sunny... Com os cotovelos enterrados nas pernas e o corpo meio curvado, escondeu a face nas mãos, e esvaziou-se. Criando a ilusão de que, de fato, estava bem...

    A pior de todas as mentiras.

    [...]

    Em casa, a primeira recepção surgiu da tia Yu-Mi, algo que surpreendeu Sunny devido ao horário, porém disfarçou e sorriu para ela, respondendo-a - No lugar mais protegido e inalcançável do mundo inteiro e que não conto nem para a senhora! - falava em tom brincalhão - Eu troquei de roupa na biblioteca porque não queria correr o risco de sujá-lo. Por isso, pode respirar fundo, titia... Está tudo ok, ok? - piscou.

    Os latidos animados cortaram prováveis réplicas e Sun-Hee usou a chance para "escapar". Ajoelhou-se, recebendo seus adoráveis furacões, que a lambiam nas bochechas e pulavam no colo, buscando atenção e afagos da garota - Calma, bagunceiros... Preciso de um banho e guardar essas coisas antes de brincar com vocês.

    Entretanto, acabou enrolando mais um pouco até os peludinhos finalmente a libertarem.

    No jantar, ela contou os detalhes do dia - sempre excluindo as partes desagradáveis - e também mencionou a situação inusitada de um menino super inteligente - Foi incrível! Ele resolveu TODAS as questões! - e também falou animadamente da coincidência de conhecer o filho da sua chefe - Eles são tão legaaaais e engraçados! - quando disse que almoçaram na galeria, aproveitou para pegar os presentinhos de Yi-Hoo e Jun-Pyo.

    Depois de ajudar a tia com a louça, Sunny foi para o quarto e separava o caderno e a apostila na mesa em gestos muito lentos... estava morrendo de sono. Tanto que teve que ler as mesmas frases mais de duas vezes para entender o que o exercício pedia. Na última lição, suspirou de alívio, deitando o rosto contra as páginas abertas e no instante que fechou as pálpebras, o rosto de Jung Mi lhe assombrou.

    Não que fosse uma novidade.

    A diferença era que antes pensava em Young.

    Por que ele não apareceu?

    Será que tinha acontecido algo?


    - Eu quero falar com você, Jung Mi... - murmurou em meio ao bocejo - Eu quero...

    E, desse jeito, Sunny adormeceu.

    [...]

    O sorriso projetava-se até as orelhas e não cansava de olhar o uniforme novinho diante do espelho, insistindo em ajeitar amassados inexistentes na saia. Pelo menos aquele ponto do perrengue havia sido resolvido sem maiores danos colaterais.

    Ainda sentia o cabelo meio quente por conta do secador enquanto ajeitava a delicada tiara - que de tão escura, quase não era vísivel sobre os fios negros -, empurrando a cabeleira para trás e deixando o rosto à mostra, livre de maquiagem, só um protetor labial. Já completamente pronta, e com medo de se atrasar, apenas apareceu na cozinha para beber um copo de suco e dar um beijinho em quem viu pelo caminho.

    Escolheu o ônibus como transporte para o colégio e chegou pouco antes das oito horas.

    Ela caminhava de modo distraído até a entrada, concentrada em mandar uma mensagem no grupo e outra para Stella e Kim.

    Aliás, seria mais fácil adicioná-la também.

    Caso ninguém respondesse, Sun-Hee seguiria para a sala de aula e aguardaria por lá.
    GodHades
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    Re: Capítulo 1

    Mensagem por GodHades em Sex Nov 24, 2017 11:56 pm

    O clima pesado era incomodo mas por sorte a comida fazia valer o dinheiro, e isso animava um pouco Dong. Usualmente, Kyung se sentia muito mal nesses eventos mas estando seu avô presente, sentia em seu peito que conseguiria se esquivar das flechas verbais que voavam pela mesa, vez ou outra.

    "Oh meu Deus, oh meu deus!" As palavras do velho lhe acertam em cheio, não sabia se era real, se realmente um homem ocupado e importante como esse fosse comparecer uma competição dessas, mas...

    "Ha Neul vai morrer quando souber!!"

    Se HaN fosse mesmo um expert no tema, deveria conhecer então a fama do avô de Dong, potencialmente.

    Respondeu ao sorriso do avô com outro, também genuino... Seu tio esboçava um olhar venenoso, como o de uma cascavel.

    Hayon não parecia muito animada com a ocasião mas pelo menos Dong estava lá com ela, conforme o jantar seguiu, Kyung tentou induzir um ambiente mais familiar na mesa, conversando com a prima sobre a escola e outras coisas que eles fizeram lá.

    Abordar crises e problemas ocorridos não iriam ajudar as familias nessa situação, e quando o avô falava, escutava com respeito, mostrando que gostava desse tipo de reunião.

    Que parecia bem melhor que a passada.

    Quando tudo acabou, Dong menciona sobre a carona mas parece que sua priminha de sorriso adorável tinha outros planos. Compreendeu o contratempo e fazia mesmo sentido a mãe dela ir junto para esclarecer algumas coisas.


    [ Em casa ]

    Depois de chegarem o rapaz diz que está com muita dor de cabeça para seus pais, seguiu o ato indo tomar uns remédios. Alguns foram até para asia, que ele não tinha a propósito.

    Após chegar no seu quarto, Dong deitou-se assim que terminou de vestir roupas mais confortáveis e curtas.

    No celular, viu algumas mensagens e as respondeu.

    Queria falar com HaN sobre a possibilidade do avô ver uma das competições de Xadrez, talvez isso animasse o capitão dançarino.


    [ Na Escola ]

    Antes das 8 marcarem, Hee-Kyun estava lá, e novamente de taxi, sem motorista particular.

    Dessa vez não esperou seus amigos, ele decidiu seguir direto até a sala de aula, até se sentar no lugar dele.

    Nessa manhã, Dong parecia mais sério. No jantar ele estava se esforçando para ser polido e bem educado, especialmente pela presença ilustre.

    Provavelmente os pais ficaram bem estressados depois que chegaram em casa e isso deve ter se estendido na hora do café.

    Agora com mais frieza ele digeria as conversas que escutou dos seus tios, não entendia por que a tia lhe tratava tão mal, seria só pelo dinheiro? Genética? Pelo menos Hayon não tinha esse comportamento peçonhento.

    Na hora do intervalo iria pedir para Ha Neul o item que havia comprado para ela.

    No mais, ficou quieto mexendo na carteira aguardando o professor chegar e os rostos conhecidos, para cumprimentar.
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    Re: Capítulo 1

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      Data/hora atual: Ter Set 25, 2018 7:54 pm