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    Song Jae-Ki

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    Song Jae-Ki

    Mensagem por Persephone em Sab Out 21, 2017 8:05 pm


    CENA EXTRA 01
    Tipo: Grande.
    Previsão: 6 rodadas (12 mensagens)


    05/01/2017


    O ano de 2017 tinha começado no calendário ocidental - ainda que o ano novo chinês fosse demorar algumas semanas. Para a maioria das pessoas, a virada de ano sempre trazia novas esperanças e perspectivas de um futuro melhor. As pessoas ficavam mais otimistas e alegres.

    Infelizmente, isso não se aplicava à família de Jae-Ki. O ano tinha passado, mas os problemas antigos continuavam. E parecia que só tendia a piorar.

    Fazia um inverno particularmente rigoroso e, diferente da beleza que as pessoas viam na neve, pessoas humildes e pobres como a família Song precisavam lidar com os problemas reais. O barraco não tinha uma boa estrutura para lidar com um frio tão rigoroso, mesmo que Jae-Ki e sua avó não medissem esforços para melhorar o aquecimento. Os dois eram incansáveis e, mesmo que ela fosse uma velha turrona e não desse o braço à torcer, ela sabia que Jae-Ki era a única pessoa que ela podia contar de verdade.

    Um fardo à mais nas costas do menino.

    Como se não bastasse, Soo-Ji estava doente. A irmãzinha que agora estava feliz por ter 6 anos, tinha começado aqueles primeiros dias com uma tosse insistente. A avó tentou dar uns chás, mas a tosse foi piorando e agora ela não saía da cama. Não era como se houvesse muitos lugares para ir - nevava muito e as pracinhas estavam impraticáveis. Soo-Ji queria muito fazer um “Olaf” com Jae-Ki, mas não tinha condições de sair da cama. A menina tinha muita febre durante às noites, mesmo que o frio tomasse conta das paredes da casa.

    A situação estava fugindo do controle. Não parecia uma mera gripe. E tudo se complicou ainda mais quando ela não conseguiu mais omitir a dor que sentia e ficou chorando por conta do ouvido que parecia a ponto de perfurar.

    Até mesmo a avó de Jae-Ki estava mais sensível e tentava amparar a menina, apoiando sua cabecinha contra seu peito e tapando o ouvido com a outra mão. Eles simplesmente não tinham dinheiro para remédio, muito menos para o médico. O pai tinha conseguido um bico numa obra em Busan, mas não dava sinais de vida. Ele sabia que era um alívio para a família tê-lo longe, o problema é que precisavam daquele dinheiro! Que nunca voltou...Porque o pai não podia ter dinheiro em mãos que gastava em bebida. Em sua defesa, ele não tinha ideia do estado de saúde de Soo-Ji, mas também, já tinha dez dias que não voltava para casa.

    Jae-Ki teria a sensação de que entrava num beco sem saída. Estava encurralado como um animal selvagem e ele só tinha duas opções: ceder ou brigar.

    Nesse ano letivo, ele fez amizade com um cara chamado Kim Jong-Suk. Era uma espécie de garoto de problema que não demorou a reconhecer outro garoto problema. Jong-Suk tinha repetido pela 2ª vez e essa, provavelmente, seria a 3ª. Não se importava com o colégio e estava a ponto de ser expulso do colégio porque não aceitariam uma 4ª matrícula para aquela série e ele estava com quase 18 anos. Kim fazia parte de uma gangue e não via problemas em falar disso com Jae-Ki. Também foi com ele que Jae-Ki voltou a praticar um pouco de artes marciais.


    O cara era bom de briga e ficou impressionado com os golpes de hapkido que Jae-Ki sabia. Numa dessas lutinhas onde eles matavam aula para ficar no terraço, Kim comentou que falou com o chefe dele sobre Jae-Ki.

    - Eu tô ligado que você tá com uns problemas de grana, Jae-Ki. E também sei como você é responsa, então...Falei mesmo. O chefe disse que quando você quisesse ir, era só lidar. Tem seus ônus e bônus. Mas fique tranquilo que eu te projeto, irmãozinho.

    Deu uma cotovelada em Jae-Ki na ocasião e sorriu.

    Jong era uma das únicas pessoas que atendiam as ligações à cobrar de Jae-Ki e agora ele tinha a opção de ligar para o único amigo que tinha no colégio ou tentar implorar por misericórdia nos hospitais. Soo-Ji não parava de chorar baixinho e os chás da avó não faziam mais efeito - porque faltavam as ervas certas e necessárias.

    - Oppa...Tá doendo.

    A menininha disse baixinho quando foi passada para o colo dele. A avó tinha se levantado para tentar fazer mais chá, ainda que não surtissem mais efeito. Fazer qualquer coisa era melhor do que não fazer nada.

    - Eu vou tentar um empréstimo no banco. Se eu conseguir pagar o cartão do plano social, a gente consegue internar. Vamos dar um jeito.

    A avó disse meio nervosa, mas, no fundo, Jae-Ki sabia que as opções eram bem, bem poucas.


    Gakky
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    Re: Song Jae-Ki

    Mensagem por Gakky em Dom Out 22, 2017 12:58 am


    Desde muito cedo Jae-ki sabia que era o único que sua pequena família poderia contar, principalmente a sua irmãzinha que era ainda muito nova. Ele a amava mais que qualquer pessoa, e por isso assumia cada vez mais responsabilidades, entendia que se não fosse ele, não haveria mais ninguém para fazer isso. E de alguma forma, apesar de ser um fardo grande para sua idade, Soo-ji era sua força, por causa dela, Jae-ki nunca desistia. Mesmo que se sentisse derrotado por um dia, estava no próximo tentando mais uma vez.

    Infelizmente apesar dos seus esforços, problemas sempre apareciam e nos piores momentos. Não tinha paz nem no começo do ano. Os planos de brincar na neve haviam sido cancelados quando a realidade mostrou-se dura mais uma vez. Se tinha algo que deixava Jae-ki mal, era ver sua irmã doente, mais até do que estar ele mesmo doente. Além disso, ver que os dias passaram e que Soo-ji não melhorava o fazia sentir muito medo. Mal conseguia dormir porque vigiava Soo-ji durante toda noite, quando era vencido pelo cansaço acabava tendo pesadelos terríveis com sua irmã.

    Foi numa dessas madrugadas, em que observava o rostinho sofrido de sua irmã, que lembrou da proposta de Jong-Suk. Ter amigos era algo que Jae-ki gostava, mas não dava sorte em mantê-los. Por isso era tão importante a amizade de Jong-Suk, e por ser mais velho, o via como um irmão mais velho. Uma das coisas que Jae-ki sempre desejou era não ter que enfrentar seus problemas sozinho, como as brigas da escola.

    Nesse dia em que seu hyung o convidou para entrar na gangue, ele ficou um pouco indeciso. Sabia o que as pessoas falavam sobre gangues, não parecia algo certo de se fazer. Mas ao mesmo tempo lembrava como as pessoas o estavam sempre julgando mal. Entre todos os alunos bem falados de sua turma, foi o mal falado que havia se tornado seu amigo, um bom amigo. Enquanto os outros o criticavam, era Jong-Suk que via algo de bom nele. Além disso, ver que alguém se preocupava com seus problemas e dizia que iria protegê-lo, era algo que marcava Jae-ki.

    Soo-ji continuava piorando e chorava baixinho quando sua vó a deixou em seu colo. Ele abraçou a irmã para confortá-la e aquece-la, seu coração doeu mais ao ouvir a irmã reclamando de dor. Sua avó disse que tentaria um empréstimo do banco, mas Jae-ki sabia que isso seria difícil, já tinha ouvido falar como o banco podia ser exigente para empréstimos. Ele voltou seu rosto para a irmã e encostou a testa na dela. Já tinha chegado ao seu limite, estava disposto a fazer qualquer coisa para tirar Soo-Ji desse sofrimento, não deixaria seus piores pesadelos acontecerem, nem que para isso tivesse que roubar. Era a vida da sua irmã, então tudo era válido agora.

    - Soo-ji-ya... - Sussurrou para sua irmã - Você vai ficar boa, eu prometo, vou fazer essa dor passar.

    Quando Jae-ki se determinava a fazer algo, nada conseguia fazê-lo mudar de ideia. Roubar tinha passado pela sua mente, mais ainda era uma de suas últimas opções. Poderia ainda implorar nos hospitais, mas implorar para pessoas que provavelmente se importavam mais com dinheiro parecia ter poucas chances de dar certo. Então sua primeira opção foi ligar para pessoa que acreditava se importar de verdade, seu "irmão mais velho". Ainda com a irmã no colo, pegou o celular, discou a cobrar para Jong-Suk e quando atendido suas palavras foram praticamente um pedido de socorro:

    - Hyung, estou desesperado, minha irmã está doente e não tenho como comprar remédios para ela, não tenho como levar ela no médico. Já faz dias que ela não melhora, não sei o que fazer... Eu não posso perder ela...


      Data/hora atual: Dom Nov 19, 2017 4:56 am