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Capítulo 3: Aparando Arestas

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Elminster Aumar
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Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Sex Nov 03, 2017 12:31 am



Capítulo 3: Aparando Arestas


A carruagem ia pela estrada irregular, fazendo com que um cansado Jack se chacoalhasse a cada pedra pelo caminho. Ele estava sozinho no interior da carruagem, com a aba da cartola quase na altura dos olhos. Se ele se visse num espelho naquele momento, veria os círculos escuros ao redor dos seus olhos que indicavam que ele carecia de uma boa noite de sono.

Esse era o terceiro dia após o assassinato do ex-prefeito e Jack Quinzel não conseguira dormir desde então. Na noite anterior ele invadiu sorrateiramente a propriedade de Andrew Hopkins para observar como o dono do Asilo Kirton estava tratando Delilah, sua esposa, depois dos últimos acontecimentos. A mansão de Hopkins era tão grande ou maior do que a Casa da Prefeitura, e Jack perdeu toda a madrugada tentando espiar o que acontecia no interior do imóvel. O gatuno percebeu um distanciamento entre Delilah e Hopkins, mas quando os dois se encontravam para dizer algo, Hopkins parecia ser totalmente ríspido no modo de falar com ela. Delilah normalmente abaixava a cabeça, de um modo um tanto submissa, e fazia uma anuência. Aquilo deixava Jack desgostoso com a situação. Aquela não era a Delilah que ele conheceu e aprendeu a gostar, mas ao mesmo tempo ele se perguntava se ele próprio ainda era o rapaz que a fez se apaixonar por ele no passado.

Era uma manhã ensolarada, sem nuvens no céu, e os raios solares que conseguiam atravessar as folhas das copas das árvores que margeavam a estrada de terra chegavam de modo preguiçoso até lá embaixo. Enquanto Delilah fazia Jack ter pensamentos ruins, Amanda por outro lado lhe trazia felicidade. Cada dia que passa ela apresenta uma melhora. Infelizmente o gatuno teve que deixá-la para trás para resolver assuntos muito mais importantes com o Sr. Benneth. O futuro de Vicari dependia da conversa que ele teria com o seu padrinho.

Após mais algum tempo de viagem no mais absoluto silêncio além do som dos cascos dos cavalos e do sacolejo da carruagem, o cocheiro estacionou seu veículo em frente aos portões da mansão dos Benneth, aguardou receber o pagamento por seu serviço e deixou Jack ali mesmo, que teve a sua entrada rapidamente autorizada. Ele contemplou os jardins ao longe, e isso o fez novamente se lembrar de Delilah, cuja infância eles passaram juntos naquele labirinto de sebe alta.

Ele foi recepcionado na sala de estar por praticamente todos os membros da família. Myra foi a primeira que correu para abraçá-lo, com um sorriso no rosto e dizendo como estava com saudades. Sua mãe Helena veio na sequência, e ela chorou de alívio ao ver que o seu filho estava bem. Aparentemente as notícias caóticas que tomavam conta dos jornais locais de Vicari haviam chego até ali. O Sr. Benneth se aproximou de Jack e lhe deu tapinhas em suas costas, mas era difícil decifrar o que queria dizer aquele gesto. E Leo, o filho mais velho, o cumprimentou com um sereno aperto de mãos. Abby era a única ausente.

- O bom filho à casa torna - disse Barry Benneth, com sua voz se sobrepondo ao choro de Helena. - Sua mãe não foi a única que esteve preocupada, Jack, de jeito nenhum. Eu não sonhava que veria acontecer uma guerra civil em nossa cidade nem nos meus piores pesadelos. Venha, Jack, eu sei que você tem muita coisa a nos dizer, e você não poderia ter chego em melhor hora. O almoço está sendo servido e os cozinheiros fizeram um ensopado de carne que deve estar uma delícia...

Com a mão ao redor do ombro de Jack, o Sr. Benneth já puxava o seu afilhado em direção a sala de jantar, indo à frente de todos outros. Enquanto os dois iam pelo corredor de acesso, Barry cochichou para Jack:

- Fiquei triste com a morte de meu amigo Cornélius, e mais triste ainda por não ter conseguido ir em seu funeral, mas você ao que parece se saiu ileso, e nada me deixa mais feliz do que isso.


Makaveli Killuminati
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Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Nov 13, 2017 10:53 am

Cada vez que Jack esboçava cochilar, um solavanco da carruagem o acordava. Já não tinha mais sossego, os três dias após a morte do prefeito foram de sentimentos conflitantes, alguns de satisfação, mas os de tristeza eram particularmente mais fortes e dolorosos. Jack estava aflito, a lâmina cortando a jugular de Flint o assombrava o tempo todo, e temia que o sentimento de culpa o perturbasse por vários e vários anos. Era pelo reflexo da lâmina que via sua feição decrépita, mas não conseguia se olhar por muito tempo, sentia vergonha.

Estava tudo mudado, a Irmandade, a cidade, Delilah, Jack, tudo. Por um momento o gatuno desejou que pelo menos Myra não estivesse diferente quando chegasse, seria muitas mudanças para se adaptar em tão pouco tempo. Pelo menos Amanda era um ponto positivo no meio ao mar de merda que se encontrava. O caminho descendo a colina era longo e tortuoso, e Jack pensava que uma chuva cairia melhor, pensando que o ajudaria a dormir.

O gatuno estava disperso em seus pensamentos, o pausar da carruagem indicava que finalmente havia chegado no destino. Jack passou a mão sob sua cartola, se ajeitando para ficar minimamente apresentável. Jack desamarrou o saco de couro com moedas da cintura, e deixou cair no chão. O cansaço era tanto que sentia preguiça de xingar qualquer coisa, resumindo-se a abaixar-se e pegar o saco com as moedas no chão. Retirou algumas moedas e entregou para o cocheiro. Fez um sinal com a cabeça e caminhou adentrando o espaçoso quintal da mansão dos Benneth, passando por dois dos empregados que já o reconhecera.

Dessa vez ninguém estava ali para recebê-lo, não estavam esperando que chegasse àquela hora. Só quando adentrou a mansão que perceberam a volta do gatuno. Myra foi a primeira a percebê-lo, e julgando pela expressão e entusiasmo da pequena, ela não havia mudado nenhum pouco. Myra correu até Jack e pulou em seus braços. - Minha nossa... Que catinga!? Você anda não tomando banho novamente? - Questionou Jack em tom debochado, abriu um sorriso, e a abraçou. Logo em seguida os outros surgiam por todos os cantos da casa para recepcioná-lo. O gatuno confortou sua mãe, comentando que era exagero tanto zelo por ele, sabia se cuidar, mas mãe era mãe. Em seguida, Jack cumprimentava a todos que vieram até ele. Jack e seu padrinho se abraçaram, dando tapinhas nas costas um do outro. A recepção seguiu até o almoço, onde Jack resumia — sem detalhes da chacina na mansão do prefeito — sobre o que estava acontecendo em Vicari.

Jack almoçou sem pressa, fazia tempos que não se alimentava tão bem, e quando Jack viu a oportunidade, chamou seu padrinho para uma sala reservada, onde contaria em detalhes sobre tudo que aconteceu em Vicari, inclusive sobre o Asilo Kirton, Dr. Hopkins, Delilah e a situação do casal. Omitira apenas, é claro, sobre a Irmandade. Jack deixaria a entender que ambos estavam atolados no meio de tudo que acontecia em Vicari, sugerindo a Barry que teriam que participar de todo o processo de politização da cidade.
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Data/hora atual: Sab Nov 18, 2017 2:04 pm