Um fórum de RPG online no formato de PBF (Play by Forum).


  • Responder ao tópico

Capítulo 3: Aparando Arestas

Compartilhe
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Sex Nov 03, 2017 12:31 am



Capítulo 3: Aparando Arestas


A carruagem ia pela estrada irregular, fazendo com que um cansado Jack se chacoalhasse a cada pedra pelo caminho. Ele estava sozinho no interior da carruagem, com a aba da cartola quase na altura dos olhos. Se ele se visse num espelho naquele momento, veria os círculos escuros ao redor dos seus olhos que indicavam que ele carecia de uma boa noite de sono.

Esse era o terceiro dia após o assassinato do ex-prefeito e Jack Quinzel não conseguira dormir desde então. Na noite anterior ele invadiu sorrateiramente a propriedade de Andrew Hopkins para observar como o dono do Asilo Kirton estava tratando Delilah, sua esposa, depois dos últimos acontecimentos. A mansão de Hopkins era tão grande ou maior do que a Casa da Prefeitura, e Jack perdeu toda a madrugada tentando espiar o que acontecia no interior do imóvel. O gatuno percebeu um distanciamento entre Delilah e Hopkins, mas quando os dois se encontravam para dizer algo, Hopkins parecia ser totalmente ríspido no modo de falar com ela. Delilah normalmente abaixava a cabeça, de um modo um tanto submissa, e fazia uma anuência. Aquilo deixava Jack desgostoso com a situação. Aquela não era a Delilah que ele conheceu e aprendeu a gostar, mas ao mesmo tempo ele se perguntava se ele próprio ainda era o rapaz que a fez se apaixonar por ele no passado.

Era uma manhã ensolarada, sem nuvens no céu, e os raios solares que conseguiam atravessar as folhas das copas das árvores que margeavam a estrada de terra chegavam de modo preguiçoso até lá embaixo. Enquanto Delilah fazia Jack ter pensamentos ruins, Amanda por outro lado lhe trazia felicidade. Cada dia que passa ela apresenta uma melhora. Infelizmente o gatuno teve que deixá-la para trás para resolver assuntos muito mais importantes com o Sr. Benneth. O futuro de Vicari dependia da conversa que ele teria com o seu padrinho.

Após mais algum tempo de viagem no mais absoluto silêncio além do som dos cascos dos cavalos e do sacolejo da carruagem, o cocheiro estacionou seu veículo em frente aos portões da mansão dos Benneth, aguardou receber o pagamento por seu serviço e deixou Jack ali mesmo, que teve a sua entrada rapidamente autorizada. Ele contemplou os jardins ao longe, e isso o fez novamente se lembrar de Delilah, cuja infância eles passaram juntos naquele labirinto de sebe alta.

Ele foi recepcionado na sala de estar por praticamente todos os membros da família. Myra foi a primeira que correu para abraçá-lo, com um sorriso no rosto e dizendo como estava com saudades. Sua mãe Helena veio na sequência, e ela chorou de alívio ao ver que o seu filho estava bem. Aparentemente as notícias caóticas que tomavam conta dos jornais locais de Vicari haviam chego até ali. O Sr. Benneth se aproximou de Jack e lhe deu tapinhas em suas costas, mas era difícil decifrar o que queria dizer aquele gesto. E Leo, o filho mais velho, o cumprimentou com um sereno aperto de mãos. Abby era a única ausente.

- O bom filho à casa torna - disse Barry Benneth, com sua voz se sobrepondo ao choro de Helena. - Sua mãe não foi a única que esteve preocupada, Jack, de jeito nenhum. Eu não sonhava que veria acontecer uma guerra civil em nossa cidade nem nos meus piores pesadelos. Venha, Jack, eu sei que você tem muita coisa a nos dizer, e você não poderia ter chego em melhor hora. O almoço está sendo servido e os cozinheiros fizeram um ensopado de carne que deve estar uma delícia...

Com a mão ao redor do ombro de Jack, o Sr. Benneth já puxava o seu afilhado em direção a sala de jantar, indo à frente de todos outros. Enquanto os dois iam pelo corredor de acesso, Barry cochichou para Jack:

- Fiquei triste com a morte de meu amigo Cornélius, e mais triste ainda por não ter conseguido ir em seu funeral, mas você ao que parece se saiu ileso, e nada me deixa mais feliz do que isso.


Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Nov 13, 2017 10:53 am

Cada vez que Jack esboçava cochilar, um solavanco da carruagem o acordava. Já não tinha mais sossego, os três dias após a morte do prefeito foram de sentimentos conflitantes, alguns de satisfação, mas os de tristeza eram particularmente mais fortes e dolorosos. Jack estava aflito, a lâmina cortando a jugular de Flint o assombrava o tempo todo, e temia que o sentimento de culpa o perturbasse por vários e vários anos. Era pelo reflexo da lâmina que via sua feição decrépita, mas não conseguia se olhar por muito tempo, sentia vergonha.

Estava tudo mudado, a Irmandade, a cidade, Delilah, Jack, tudo. Por um momento o gatuno desejou que pelo menos Myra não estivesse diferente quando chegasse, seria muitas mudanças para se adaptar em tão pouco tempo. Pelo menos Amanda era um ponto positivo no meio ao mar de merda que se encontrava. O caminho descendo a colina era longo e tortuoso, e Jack pensava que uma chuva cairia melhor, pensando que o ajudaria a dormir.

O gatuno estava disperso em seus pensamentos, o pausar da carruagem indicava que finalmente havia chegado no destino. Jack passou a mão sob sua cartola, se ajeitando para ficar minimamente apresentável. Jack desamarrou o saco de couro com moedas da cintura, e deixou cair no chão. O cansaço era tanto que sentia preguiça de xingar qualquer coisa, resumindo-se a abaixar-se e pegar o saco com as moedas no chão. Retirou algumas moedas e entregou para o cocheiro. Fez um sinal com a cabeça e caminhou adentrando o espaçoso quintal da mansão dos Benneth, passando por dois dos empregados que já o reconhecera.

Dessa vez ninguém estava ali para recebê-lo, não estavam esperando que chegasse àquela hora. Só quando adentrou a mansão que perceberam a volta do gatuno. Myra foi a primeira a percebê-lo, e julgando pela expressão e entusiasmo da pequena, ela não havia mudado nenhum pouco. Myra correu até Jack e pulou em seus braços. - Minha nossa... Que catinga!? Você anda não tomando banho novamente? - Questionou Jack em tom debochado, abriu um sorriso, e a abraçou. Logo em seguida os outros surgiam por todos os cantos da casa para recepcioná-lo. O gatuno confortou sua mãe, comentando que era exagero tanto zelo por ele, sabia se cuidar, mas mãe era mãe. Em seguida, Jack cumprimentava a todos que vieram até ele. Jack e seu padrinho se abraçaram, dando tapinhas nas costas um do outro. A recepção seguiu até o almoço, onde Jack resumia — sem detalhes da chacina na mansão do prefeito — sobre o que estava acontecendo em Vicari.

Jack almoçou sem pressa, fazia tempos que não se alimentava tão bem, e quando Jack viu a oportunidade, chamou seu padrinho para uma sala reservada, onde contaria em detalhes sobre tudo que aconteceu em Vicari, inclusive sobre o Asilo Kirton, Dr. Hopkins, Delilah e a situação do casal. Omitira apenas, é claro, sobre a Irmandade. Jack deixaria a entender que ambos estavam atolados no meio de tudo que acontecia em Vicari, sugerindo a Barry que teriam que participar de todo o processo de politização da cidade.
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Sab Nov 18, 2017 11:32 pm



Eles se reuniram na sala de jantar. Barry havia assumido um tom de preocupação com as resumidas notícias que recebeu de Jack. Leo continuava frio com o gatuno, enquanto Myra permanecia sendo uma garota afetuosa e alegre. O Sr. Benneth pediu para que Helena fechasse as janelas do recinto e mandou que um dos criados chamasse sua esposa para o almoço.

Os passos de Abby descendo as escadas ecoou pela casa. Ela caminhava em passos vagarosos e se fez um silêncio absoluto quando ela adentrou a sala de jantar cheia de imponência. Fazia muito tempo que Jack não a via, mas ela passou reto por ele e sentou-se em sua cadeira de espaldar alto, ao lado de seu marido, Barry. Seu rosto estava mais pálido do que antes, ou talvez ela tivesse trocado o seu conjunto de maquiagem de gosto duvidoso. Havia uma tensão ao redor da mesa que o gatuno não conseguia explicar. O Sr. Benneth tentou quebrar o gelo ao apontar para o recém-chegado.

- Veja quem está aqui - disse, querendo crer que ela não havia reparado em Jack e que por isso não o cumprimentara. - Ele está de volta e deve passar alguns dias aqui, não é mesmo?

- Seja bem-vindo de volta - Abby falou de modo automático. Ela sempre fora uma figura estranha, mas agora parecia ter piorado muito mais. Ela parecia muito mais lenta e reservada do que antes, embora não tivesse perdido nenhum um pouco o seu ar de arrogância. Isso fez Jack pensar se a doença que ela tinha não atingira algum estágio avançado. - Como está Vicari? - ela perguntou sem mal mexer os lábios e com um olhar fixo em Jack. Sua postura era dura sobre o assento e desse modo permaneceu durante todo o almoço.

A pergunta de Abby fez com que Jack falasse em linhas gerais sobre os principais acontecimentos na cidade. Todos ao redor da mesa estavam curiosos em saber mais detalhes. O banquete foi generoso como sempre, mas terminou rápido. Abby foi a primeira a se levantar e se retirar. Os outros se dispersaram com a exceção de Jack e Barry, que foram ao escritório aonde poderiam ter uma conversa com maior privacidade. Ali Jack abriu o jogo sobre tudo o que ocorreu... ou pelo menos, quase tudo, já que a Irmandade continuava sendo um tabu para as conversas com o seu padrinho. Barry estava recostado numa poltrona e com os dedos entrelaçados uns nos outros quando o gatuno terminou de contar os pontos mais importantes.

- Eu não queria que as coisas tivessem sido dessa maneira - lamentou o padrinho. - Mas eu sabia dos riscos. Tenho que admitir que quando Cornélius veio me procurar, eu já sabia que a ameaça partia dos Coletores, e por isso tive medo em indicá-lo para ajudar o prefeito. Não se sinta culpado pelo que aconteceu. Quando os Coletores miram num alvo eles dificilmente erram.

Barry acendeu o seu cachimbo.

- Fico triste pela morte de Cornélius, mas você fez certo em apoiar os rebeldes depois que isso ocorreu. Você sabe que esse cargo de liderança irá me colocar bastante em evidência, Jack, não sabe? Eu agora passarei a ser o alvo dos assassinos desta organização, uma vez que não pretendo mandar parar a construção da ferrovia. - Barry bateu com o cachimbo em sua tabaqueira de prata. - Eu mandei uma mensagem para a minha filha, pedindo que ela retornasse para cá. Pelo menos que passasse alguns dias aqui conosco. E agora, depois de tudo o que você me disse sobre ela e seu marido, quero mais do que nunca vê-la. Como você acha que ela vai reagir ao reencontrá-lo aqui, Jack?



Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Seg Nov 20, 2017 9:53 am

O jantar teria sido perfeito, não fosse Abby e sua característica aura gélida e moribunda. Jack ainda não sabia ler aquela mulher, as vezes quase tinha certeza que nenhuma alma residia dentro daquele corpo. Barry e Abby simplesmente não combinavam. Ainda assim, Abby era da família, era a madrinha de Jack, e o gatuno não a destratava, guardava seus pensamentos para si, assim como ela também guardava os dela para ela.

No escritório, Jack e Barry tiveram uma conversa aberta, e seu padrinho pôde perceber a grandeza da situação em que ambos estavam envolvidos. Porém, a reação de Barry fora muito melhor do quê Jack imaginou. Barry havia enviado Jack para uma missão com fracasso certo. O gatuno não questionou Barry por ter ocultado seu conhecimento sobre os Coletores antes de mandá-lo para Vicari, assumiu que a não informação foi uma forma de protegê-lo.

Enquanto Barry acendia seu charuto, Jack deixa seu corpo cair sobre o sofá, fechando os olhos enquanto mantinham a conversa, sinal claro de seu cansaço. - É... Eu sei... - Pela resposta de Barry, já tinha aceitado o papel que lhe caiu sobre os ombros, e Jack continua logo em seguida. -Talvez haja uma maneira de dialogar com os Coletores. - O gatuno apresentava uma possibilidade, mesmo que fosse improvável, não custava tentar. Se não fossem bem sucedidos, pelo menos conheceriam melhor quem era seus inimigos. Jack ainda tinha uma carta na manga, Lugos.

Quando o assunto volta a ser Delilah, Jack passa as mãos sobre os olhos, coçando-os antes de responder qualquer coisa para Barry, mas com um pequeno atraso, responde. - Não pretendo estar aqui quando ela chegar... Então acho que não teremos problemas quanto a isso. - Jack abre os olhos novamente, sentindo dificuldades de encarar a figura de Barry por conta da iluminação que adentrava o escritório através das vidraças. - Acredito que você terá que ir para a cidade, se encontrar com os revolucionários... Articular os próximos passos... - Jack comentava o óbvio. Mas não custava lembrar Barry que ele não poderia passar tanto tempo com sua filha quanto ele gostaria.

O gatuno suspira e boceja, e lembra da situação de Abby novamente. - Sra. Abby não parece estar bem... Tem algo que eu possa fazer pra melhorar isso? - Jack não sabia se o quê fez ele se oferecer a ajudar Abby era seu afeto por Barry, por Delilah, ou por uma necessidade crescente de redimir-se de seus atos recentes, mas acreditava que mostrar interesse sobre o estado de Abby era o certo a se fazer.

Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Nov 28, 2017 10:42 pm



A conversa entre Jack e Barry transcorria como muitas outras vezes acontecera naquele mesmo escritório. Os ponteiros avançavam pelo relógio da parede e o sol começava a perder o seu brilho. Foram muitos os assuntos debatidos e esmiuçados entre os dois, mas alguns despertavam maior atenção.

- Dialogar com os Coletores é impossível - decretou Barry, descartando a ideia de Jack. - Eles são os mais temíveis assassinos que podem existir no mundo, e você os viu com os próprios olhos. Eles são ecoterroristas, Jack. Espero que compreenda o que essa palavra quer dizer. Tente dialogar com um cachorro ou um cavalo e possivelmente você terá mais sorte do que dialogar com um coletor.

 Ele também foi contra a ideia de Jack ir embora antes que sua filha viesse pra casa. Barry insistiu que o melhor pra todos seria que eles fizessem as pazes, e ele próprio se mostrou relutante em ir para cidade sem antes passar alguns dias com a sua filha.

- Sim, Jack, eu irei conversar com os revolucionários, mas isso terá que aguardar mais um pouco. - Barry levantou de sua poltrona, achando que a conversa tinha se encerrado, quando então o gatuno traz a tona a situação de Abby. Mesmo Myra teria notado como a expressão de Barry se alterou; ela de repente ficou mais fechada e sisuda. - Não! - a resposta foi seca e imediata, e Barry, percebendo que havia cometido um deslize, tentou consertar: - Quero dizer, Jack, que infelizmente não há como ajudá-la. Apenas a medicina e a fé podem ajudá-la. E, veja só... o tempo parece passar mais rápido quando conversamos. Já está quase anoitecendo e você está notavelmente cansado e com sono. Vá descansar, Jack, e amanhã conversamos mais.

Barry pareceu ter desistido de sair primeiro do escritório, de modo que voltou a se sentar e esperou Jack ter a iniciativa de ir embora do cômodo. Mais tarde, o gatuno jurou a si mesmo que havia visto sombras ao redor dos olhos de Barry quando ele o deixou.

O quarto de hóspedes em que Jack passava as noites na mansão não devia muito para os quartos dos Benneth. Era espaçoso e luxuoso, e tinha a vantagem de ficar no último andar da casa. Jack adormeceu praticamente no mesmo instante em que deitou na cama, de tão cansado que estava. Ele teve sonhos agitados durante a noite, que envolviam Abby, Delilah, Flint e Lugos. Acordou de repente em sua cama, após possivelmente ter ouvido algum som que lhe despertou. Ele notou que havia dormido com as janelas do quarto abertas e uma rápida verificação para o lado de fora foi o suficiente para ver que devia ser bem tarde da madrugada. Mas havia algo mais ali.

Jack viu um vulto caminhando pelos jardins dos Benneth. Ele andava sozinho por entre as sebes altas. Era incrível como o gatuno havia perdido o sono tão rápido com aquela visão. E o que mais o assustou foi que pelo jeito do caminhar, aquele vulto só podia ser de Abby.



Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Nov 29, 2017 10:48 pm

A cada discordância de Barry, o semblante de Jack ficava mais e mais cansado. Tudo aquilo tava dando no saco e ele não conseguia pensar em mais nada, Barry o conhecia bem, e mesmo se não conhecesse, não era difícil notar as necessidades de Jack naquele momento. Após a recusa — um tanto quanto ríspida — da ajuda de Jack, o gatuno levanta a sobrancelha mostrando sua indignação, Barry não aparentava tanto quanto Jack, mas também estava no seu limite. Os dois concordavam que estava na hora da conversa terminar, precisavam espairecer, mudar de assunto, tratar de qualquer coisa mais leve, ou simplesmente fazer nada por algum tempo.

O gatuno parecia ter percebido o semblante pesado de Barry apenas quando já estava de saída, mas só parou para refletir sobre isso enquanto já estava no seu banho, estático, deixando a água quente escorrer pelos seus ombros e percorrendo o corpo. Jack fechou os punhos, e se fez do restante de sua força de vontade para não esmurrar o azulejo da parede, deixando seu punho tocar a parede suavemente e forçando-o contra ela, gastando o pingo de energia que lhe havia sobrado naquele dia. Jack tentou chorar enquanto pensava nos seus recentes fracassos, nas tragédias que havia assistido e vivenciado, mas estranhamente nenhuma lágrima se misturou com a água do chuveiro. Após o banho demorado, Jack deitou-se e dormiu feito pedra.

______________________________________

O gatuno havia voltado no tempo, estava sentado no banco, encarando o labirinto verde do jardim da mansão dos Benneth, ao seu lado estava Delilah. Os dois estavam de mãos dadas, ambos mais jovens. Mas ao contrário de sua memória, Delilah não sorria para Jack, estava triste. O gatuno tenta anima-la, mas Delilah o evita, se desvencilha do gatuno e corre em direção ao labirinto. Jack a segue, fazendo o caminho até o centro do labirinto, não fora difícil, já havia feito o caminho antes, mas uma força dificultava sua corrida, como se tentasse para-lo. Quando o gatuno chega ao centro do labirinto, não encontra nada além da estátua de mármore que jazia em cima da fonte. A estatua estava quebrada, a fonte estava vazia. Quando volta o seu olhar para a mansão novamente, Abby o observava de cima do telhado, Jack sentia o olhar de Abby invadindo seu interior e não se pergunta como ela havia subido la. E num piscar de olhos, Abby deixa seu corpo cair em queda livre. Jack não conseguiu ver que fim aquilo havia dado, mas fazia o caminho reverso, saindo do labirinto.

Ao sair do labirinto, se depara com Lugos na porta do Hotel Burton. A Víbora sorri maliciosamente para Jack e coloca uma máscara verde de duende sobre o rosto. O gatuno sente um impulso de perseguir Lugos, e assim o faz. Lugos corre para dentro do hotel, Jack, com a mesma dificuldade de antes, adentra logo depois, notando Lugos subir pela escadaria que levava aos andares superiores. Jack empurra algumas pessoas que estavam no seu caminho e continua sua perseguição. Lugos deixava um rastro de destruição por onde passava, móveis, quadros e vasos quebrados, não era difícil seguir a trilha que deixava. Após subir alguns lances de escada, Jack chegava no final do rastro, o quarto que havia alugado no hotel. Lugos estava em frente a cama do quarto, encurralado. Jack estava com uma arma em mãos, Lugos não, estava desarmado e pedindo misericórdia. O gatuno nunca havia visto Lugos se acovardar daquela forma. O gatuno estava enfurecido, mirou a arma para o peito de Lugos e puxou o gatilho. O corpo cambaleia para trás e cai de costas para a penteadeira. O sangue se espalha rapidamente. Jack caminhou até o cadáver estirado no chão, retirando-lhe a máscara, quando percebe que o homem em quem havia atirado era Flint. Um sentimento de culpa se mistura com a ira, e enquanto esbravejava, a janela do quarto do hotel se abre abruptamente, fazendo um estrondo que chama a atenção de Jack.

______________________________________

Jack abre os olhos, e a primeira coisa que nota é a janela do quarto, estiraçada. O céu denotava o tom da madrugada, parecia ter dormido o suficiente se comparado com as noites de sua última semana. A brisa gelada lhe trazia arrepios. O gatuno se senta na cama, esfrega seus olhos, e coloca a pantufa manchada de tinta vermelha que Myra tinha lhe dado de presente tempos atrás. Jack se levanta e caminha até a janela. O quê Jack não esperava era ver algo, ou melhor, alguém, caminhando pelo jardim naquela hora. O gatuno não demorou a ligar a imagem que via com Abby, o quê o deixa confuso e intrigado. Abby mal saia de seu quarto durante o dia, o quê faria ela caminhando pelos jardins durante a madrugada?

Aquela era uma oportunidade, estava mais transparente que água, e sem pensar duas vezes, Jack alcança um calçado apropriado e o roupão dobrado no pé da cama, veste o calçado e passa o roupão por cima dos ombros, saindo do quarto logo em seguida, tendo o cuidado de ser silencioso e fechando a porta. O gatuno amarrava o roupão enquanto cruzava o corredor e descia a escada. Afastado dos quartos, Jack aumenta sua passada, se apressando a sair da mansão.

O gatuno se esgueirava pelos jardins e seguia Abby cautelosamente, sem fazer barulhos. Jack investiria algum tempo observando Abby, tentando identificar qualquer sinal de comportamento estranho. Qualquer coisa que pudesse usar para ajudá-la. O gatuno seguiria Abby por um bom tempo, e se ela não fizesse nada além de caminhar e observar o seu jardim, então Jack apareceria para ela.
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Qua Dez 06, 2017 1:16 am



Mediante a assustadora visão de Abby caminhando sozinha pelos jardins em plena madrugada, o gatuno não poderia fazer outra coisa a não ser se vestir apressadamente com um roupão e ir averiguar o que estava acontecendo. Jack desceu silenciosamente as escadas da mansão, tomando todos os cuidados para que ninguém o visse ou percebesse a sua presença. A situação já era ruim o suficiente sem envolver outros membros da família dos Benneth.

Ao passar pela porta dos fundos, o gatuno acelera os seus passos até alcançar o jardim em forma de labirinto. A sebe alta ultrapassava a altura de Jack, o que tornava para ele impossível de ver a posição atual de Abby. Contudo Jack tinha em mente - embora sem muita precisão - a direção que a vira tomando quando estava em seu quarto. Seguindo com base a uma mistura de intuição e lógica, o gatuno adentrou o corredor de arbustos e ramos secos e tudo ao seu redor ficou mais silencioso e depressivo. Conforme avançava cada mais pelo interior do labirinto, mais distante ficavam os sons ambientes de todo o resto, como os sons das águas que escorriam das belas fontes espalhadas pelo terreno e os pios das corujas. Havia uma tensão fora do comum naquela noite. Jack sabia que ele poderia passar horas procurando por Abby e nunca encontrá-la. O labirinto possuía dezenas de corredores e várias saídas.

Persistente, Jack seguiu caminhando em busca de seu alvo. Depois de vários minutos terem se passado, ele então se depara com a primeira dica de que estava na direção certa: Sangue. Havia sangue no chão a sua frente e nas plantas da sebe ao seu redor, e o sangue ainda estava fresco. Ele percebeu outras pequenas poças de sangue e se deu conta de que elas lhe apontavam um caminho que precisava ser seguido.

A uns trinta metros mais a frente, o gatuno vê a origem de todo aquele sangue que ele perseguia e um desgosto lhe tomou conta. Um cavalo estava estatelado no chão, cheio de sangue a sua volta. Ele possuía vários ferimentos pelo corpo, mas todos muito pequenos e alguns não pareciam ser tão recentes, pois já começavam a se cicatrizar. Levou um certo tempo para Jack perceber que o cavalo ainda respirava, embora parecesse estar em seu últimos suspiros de vida. Jack notou também que havia uma corda que prendia uma das patas do cavalo à sebe. Era difícil compreender o que estava acontecendo. Enquanto Jack observava com pena os últimos segundos de vida daquele que outrora fora um belo garanhão, Abby continuava fora de vista.



Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Ter Dez 12, 2017 10:16 am

Seguir Abby através do labirinto seria uma tarefa difícil. A princípio, o gatuno usava o silêncio da noite a seu favor para seguir o som que a fonte no centro do labirinto servia como referência. Em contrapartida, todo restante parecia ficar cada vez mais distante, isolando Jack do resto da mansão, mas nenhum sinal de Abby.

Jack, após adentrar ainda mais no labirinto, percebe algo incomum, algo que não fazia parte de sua lembrança. Ao observar o líquido vermelho no chão, reluzente com o reflexo da lua, Jack se aproxima e se agacha, passando o dedo indicador sobre o líquido vermelho e levando o dedo molhado até o nariz. Parecia ser sangue. O gatuno deslumbrou o cenário por alguns instantes, e imaginou o quê poderia ter causado aquilo. Era certo que Abby não inspirava confiança, sua saúde mental não era das melhores, mas o corpo dela não estava ali. Ainda assim, Jack se apressou e continuou seu trajeto em busca de Abby, em silêncio. O caminho a seguir era claro, o rastro de sangue interligava o destino de Jack até a primeira poça de sangue encontrada. E se fosse o sangue de Abby, ela estava perdendo muito mais sangue do quê poderia para que Jack ainda conseguisse ajudá-la.

Outra vez o gatuno se depara com o inesperado, todo aquele sangue era de um cavalo. Um cavalo estirado no chão com uma de suas patas presa à sebe. O quê um cavalo fazia dentro do labirinto, Jack não fazia a menor ideia. Jack conjecturava algum cenário possível para explicar aquilo, e a explicação mais óbvia era que o cavalo havia se perdido, mas isso ainda não explicava os ferimentos. O gatuno não acreditava que Abby fosse capaz de maltratar o animal sem algum motivo.

Quando aproximou-se ainda mais do cavalo, o gatuno notou a respiração pesada do animal. Se agachou próximo a ele e passou a mão delicadamente em seu focinho, tentando acalmar o animal. Jack observou os ferimentos do cavalo por algum tempo tentando identificar que tipo de ferimento eram aqueles. Os suspiros do animal não demoraram para finar, cessando a vida do cavalo. A falta de ligação com o animal fez com que o gatuno sentisse menos a morte do cavalo, embora lamentasse.

Após observar os ferimentos do animal e questionar-se como tinha adquirido, Jack continuou a adentrar o labirinto em busca de Abby, aliviado pelo sangue encontrado não ser dela. Em meio à escuridão, os sons que os ventos traziam era sua melhor pista, e os ruídos de Abby tenderiam a ficar mais vívidos com o restante dos sons ficando mais reclusos.
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Sex Dez 15, 2017 10:59 pm



Jack esteve ao lado do cavalo em seus últimos instantes de vida. Era uma cena triste de se ver, mas não havia nada que o gatuno pudesse ter interferido. Se ao menos ele tivesse chego um pouco antes...

Jack retomou a sua perseguição. Ele sabia que Abby, pela fragilidade que tinha demonstrado nos últimos meses, não poderia ter ido muito longe. Certamente ela ainda estava no interior do labirinto, só restava saber onde procurar. Os pingos de sangue no terreno a frente lhe davam uma pista. Jack prosseguiu caminhando pelos corredores de sebe alta, notando que o som da água da fonte no centro do labirinto ficava mais nítido a cada passo. Ele ia devagar e furtivamente, como quem não deseja ser detectado. Um vento bateu em seu rosto, lambendo friamente a sua pele exposta ao ar da noite. Jack não sabia mais o que pensar ou quais conjecturas fazer sobre o que estava acontecendo, ele apenas seguia em frente.

Virou para a direita, depois para a esquerda. Continuou reto e virou novamente a direita. Agora ele via que ao final desse corredor abria-se um espaço amplo a céu aberto. Aquele era a parte central de todo o labirinto. Jack avançou com cautela, esgueirando-se nas plantas. E então ele viu. A poucos metros de onde ele estava escondido, Abby - pelo menos é quem parecia ser, a julgar por suas vestimentas - estava de costas para ele e encurvada para a fonte, como se estivesse bebendo a sua água. Levou algum momento para o gatuno perceber que o que ela estava fazendo não era beber a água da fonte, e sim limpar a sua boca, pois a sua boca estava toda manchada de sangue. A água da fonte rapidamente se tornou vermelha.

Abby, então, inesperadamente virou-se exatamente na direção onde Jack estava esgueirado. Ele pôde ver como o seu rosto estava diferente; estava mais agressivo e amedrontador, e ela tinha dentes pontiagudos que se sobressaíam em relação a todo o sangue ainda contido ao redor de sua boca. Abby - ou a criatura que agora era ela - vociferou para Jack:

- SAIA DAQUI!

E ela avançou dois passos em sua direção. Uma parte sua parecia querer atacar Jack, enquanto a outra parte tentava frear o seu ímpeto instintivo. A única fonte de iluminação era o parco brilho da lua sobre o labirinto, o que tornava todo o ambiente escuro e opressor.



Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Sex Dez 15, 2017 11:45 pm

Assim como na memória de Jack, as gotas de sangue percorreram o mesmo caminho que o gatuno fazia quando era mais jovem. Faltava pouco para chegar no seu destino, embora não garantisse que encontraria Abby quando chegasse la. Jack tomou ainda mais cuidado quando notou que viraria a última curva para ir de encontro à fonte. O gatuno esgueirou-se até a esquina e colocou um de suas mãos no chão, servindo de apoio para inclinar-se para frente e espiar a cena que lhe aguardava.

Jack só não esperava que a cena que lhe aguardava seria assustadoramente assombrosa. Abby, com seus lábios banhados de sangue, gotas de sangue pingando através de suas afiadas presas, e um olhar ameaçador que encarava o gatuno, que sequer teve chance de se esconder. Não teve tempo de pensar em absolutamente nada, Jack levou sua mão até a cintura por puro reflexo e instinto de sobrevivência, seus dedos procuraram a bainha da espada-bengala, mas não tinha o quê desembainhar, não havia trazido consigo nenhuma arma, e não poderia imaginar que fosse precisar. No susto, o gatuno cai sentado no chão, se arrastando para trás até que sua nuca encontra a sebe atrás de si.

Obviamente que a primeira criatura que lhe vinha na cabeça era uma vampira, as da lenda, mas Jack não iria arriscar acreditar que entendesse do quê estava acontecendo, ou como deveria agir. A mensagem que Abby passava verbalmente denotava sua expressão corporal, era uma ameaça clara, o gatuno não poderia ignorar, ou tentar contornar a situação. O gatuno deu mais uma última olhada para a água ensanguentada, e depois para o rosto feral de Abby. Em seguida, levantou-se e correu o mais rápido que podia, fugindo daquele local. Os corredores do labirinto nunca foram tão apertados e confusos quando naquele momento. Era como se não conseguisse pensar em mais nada, apenas na cena que acabara de presenciar.

Se conseguisse chegar até a mansão, Jack chegaria até seu quarto e se trancaria dentro dele. Esperando a noite passar, deitado na sua cama, tentando dormir. Se a insônia ou sua adrenalina não permitisse, procuraria no banheiro, onde guardava-se remédios, alguma solução que fizesse-o dormir. Na manhã seguinte, o gatuno confrontaria Abby, ou seja la qual criatura ela fosse. Julgaria que Abby não o faria mal dentro da mansão, como se aquilo fosse um solo sagrado, ou de difícil desova para um cadáver.
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Dom Dez 17, 2017 9:54 pm



A fuga desabalada de Jack estimulou os instintos ferais no interior de Abby. A última coisa que o gatuno viu quando se virou para correr foi Abby preparando para dar o bote. O labirinto nunca pareceu tão grande como aquela noite. Ele corria a toda velocidade e às vezes lhe escapava se estava tomando o caminho correto. Eram muitas as bifurcações e Jack mal conseguia raciocinar frente ao perigo. Ele não via mais Abby, mas de algum modo sentia que ela estava perto e que se parasse por um segundo de correr ela o alcançaria.

Foi com extremo alívio que Jack chegou à saída do labirinto. Seu coração batia tão forte que chegava a lhe doer o peito. Ele seguiu correndo até adentrar a mansão. Rapidamente foi até o seu quarto e se trancou lá dentro. Tratou de trancar também as janelas. De todos os pesadelos que ele tivera naquela noite, esse que acabara de presenciar com certeza havia sido o pior de todos eles. Ainda era difícil crer que aquilo era real. O que aconteceu com Abby? Como ela ficara daquele jeito? Será que mais alguém sabia de sua condição? Eram muitas as perguntas e muito os temores. A vida de todos naquela casa podia estar em risco. Jack não conseguiu voltar a dormir, nem tomando os vários remédios que dispunha para insônia. Logo amanhecera, com a iluminação solar invadindo as frestas das janelas.

Tudo o que aconteceu no labirinto ainda estava muito vivo em sua mente, e ele se assustou até quando bateram à sua porta.

- Jack, Jack, acorda! - ele ouviu a voz de Myra do outro lado. - Já são 11 horas! - Ela esperou que ele abrisse a porta para atendê-la. - Você perdeu o café da manhã - disse Myra.

Ele desceu com a pequena garota e encontrou Léo conversando com Barry em frente a porta do escritório.

- Mamãe não está nada bem - comentava Léo baixinho para o pai. - Se trancou novamente no quarto de hóspedes.

- Depois cuidamos disso - disse Barry, percebendo a chegada de Jack e Myra. - Ora Jack, finalmente acordou, heim?! Bom, você bem que estava precisando de uma boa noite de sono. Não gostaria de levar Myra para brincar lá fora? Ela tá com medo que você parta novamente tão rápido que nem da outra vez.

Aparentemente a vida na mansão dos Benneth não havia mudado depois dos acontecimentos daquela noite. Tudo continuava igual, incluindo a Abby se isolando dos demais. Myra, por sua vez, estava louca para passar aquele dia com Jack, e por isso ela não se desgrudava de sua mão. Talvez não fosse o melhor momento para confrontar Abby ou àqueles que eram parte da sua família, apesar das notórias preocupações de seu padrinho e de Léo.



Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Ter Dez 19, 2017 9:43 am

O gatuno abre os olhos, o que causa uma terrível incomodação mesmo com as janelas fechadas. Não tinha certeza de quanto tempo havia dormido, ou se de fato havia dormido, sua percepção é que não tinha pregado os olhos em momento algum. Não estava nada bem e, por mais que fosse Myra o chamando, a última coisa que queria era sair daquele quarto. Não mais por medo, mas por sentir-se totalmente letárgico, depressivo. Jack ignora o chamado da garotinha por alguns segundos, e quando decide se levantar da cama, faz com um enorme esforço. O gatuno passa o roupão sobre os ombros e coloca a pantufa manchada, arrastando seus pés no chão. Jack se despreguiça, move sua cabeça de um lado para o outro, estalando suas articulações enrijecidas com a péssima noite mal ou nada dormida. Quando decide abrir a porta do quarto, Myra, insistentemente ainda estava la.

Jack faz um cafuné em Myra, deixa um sorriso amarelo e é praticamente carregado por ela até o primeiro piso. Quando chegaram em frente ao escritório, o gatuno percebeu a mudança repentina de assunto. Começava a desconfiar que ninguém ali sabia do segredo de Abby, talvez Sir Barry, mas não tinha certeza. A vontade de Jack foi negar o pedido de seu padrinho, mas provavelmente ninguém tinha tempo e saúde para brincar com Myra fazia muito tempo. Não que com Jack fosse diferente. Não era a melhor hora para confrontar Sir Barry ou Leo, e Jack gostaria que Myra ficasse por fora do assunto. Mas definitivamente aquela era uma excelente hora para confrontar Abby, esperar anoitecer não seria uma boa hora.

- Claro... - Jack respondeu de forma simplória, de forma que talvez Sir Barry notasse que o gatuno não estava nada bem. Jack deixa o local e caminha com Abby até a varanda. Na varanda, o gatuno para e simula uma reação de confusão.

- Droga... Esqueci de pegar uma coisa no meu quarto e... Acho melhor eu trocar essa roupa, não quero que aconteça o mesmo que aconteceu com a pantufa. - O gatuno comentou direcionando o olhar para a pantufa manchada pela própria Myra. Deixou um sorriso para a garotinha, dessa vez sincero, após perceber que ela tinha lembrado da arte que outrora tinha aprontado. - Espere aqui, eu já venho,
prometo não demorar.
- Disse o gatuno deixando a varanda e indo novamente para o interior da mansão.

Jack sobe as escadas novamente, indo na direção do seu quarto. Rapidamente ele se troca, coloca suas vestes casuais, seu sobretudo, e para garantir, embainha uma adaga na cinta, por dentro do sobretudo. O gatuno coloca sua bota e volta a sair do quarto.

No corredor, Jack espia os dois lados, espera não ter ninguém por ali e se esgueira corredor adentro, indo em direção ao quarto onde Abby passava o dia trancada. Não tinha como passar totalmente desapercebido pois sua mãe provavelmente estava cuidando de Abby dentro do quarto, mas esperava que ela guardasse o segredo da visita de seu filho para a madrinha.

Em frente a porta do quarto de Abby, Jack bate na porta três vezes, bem baixinho, esperando por alguma resposta. E caso não tivesse, entraria mesmo assim, cuidadosamente.
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Dez 26, 2017 9:41 pm


Jack estava anormalmente quieto naquela manhã. Disse poucas palavras no breve encontro com Barry e Léo antes de caminhar com Myra até a varanda. Era muito improvável que os dois adultos, sobretudo Barry, não tivesse percebido que algo com Jack não estava certo. Ele, contudo, não falou nada.

O gatuno seguiu com a pequena garota até a varanda com vista para os jardins... os mesmos jardins que protagonizaram o pesadelo da noite anterior. Com a desculpa que tinha que trocar de roupa, Jack deixou a pequena garota o esperando enquanto ele tomava outro rumo. Myra pediu para que ele não demorasse para voltar, mas a verdade é que Jack não sabia quanto tempo poderia ter que tomar para fazer o que ele pretendia. Ele, de fato, vá pegar suas roupas, além de uma adaga para a sua proteção, mas então ao invés de retornar até a varanda, ele segue para o quarto de hóspedes em que Abby estava morando desde a sua última visita à mansão.

Desta vez Jack não encontra empecilhos pelo caminho, nem mesmo sua mãe parecia estar lá. Ele encontra o andar vazio, porém a porta de Abby estava trancada. Bateu três vezes e não foi atendido por ninguém. Só restava a ele usar os anos em prática na Irmandade para destrancar a porta, e o gatuno conseguiu fazer isso com facilidade. Enquanto abria a porta lentamente para não fazer barulho, o seu coração começava a se acelerar de expectativa.

Estava totalmente escuro lá dentro. As janelas estavam todas fechadas e as luzes encontravam-se apagadas. Ele usou a iluminação gerada pela fresta da porta aberta para ver que a cama do quarto estava ocupado por Abby, como era o esperado. Ela parecia estar em sono profundo, pois não notou a sua entrada e mal dava para notar sua respiração. Ele se aproximou da cama de Abby com passos cuidadosos. O silêncio absoluto no quarto indicava que até o sistema de aquecimento à vapor estava desligado naquela parte da casa. Ao chegar próximo o suficiente, viu o rosto de Abby com os olhos fechados, aparentemente dormindo, e todo o seu corpo por fora das cobertas. Ela não vestia mais as roupas da noite anterior, Jack notara. Eram roupas novas e limpas que ela usava.

O gatuno se assustou quando ouviu a voz de Barry.

- Jack... o que está fazendo aqui? - o seu padrinho havia adentrado o quarto de hóspedes. De tão compenetrado em Abby, Jack demorou para notá-lo. Barry era uma sombra debaixo do batente da porta, entre a claridade do corredor e a escuridão do quarto de hóspedes. - Abby precisa descansar, Jack. Você sabe disso. A sua doença...

Barry continuava parado debaixo do batente, demonstrando uma certa cautela com a situação, enquanto Jack estava do lado da cama de Abby, que permanecia em seu sono.


Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Jan 03, 2018 1:37 pm

Sem encontrar a porta aberta, o gatuno foi obrigado a destrancá-la por sua própria conta e risco. Era uma fechadura comum, então não seria difícil, e não foi. O clique era o sinal que havia conseguido, e logo após destrancar a porta o gatuno abria a porta vagarosamente. A escuridão do interior quase dava inveja a Jack, ainda pensando em dormir. O gatuno adentra o quarto, e se aproxima cuidadosamente da cama em que enxergava a silhueta de sua madrinha, totalmente diferente do que havia encontrado durante aquela madrugada.

Por azar, ou desatenção, não havia ouvido a aproximação de alguém pelos corredores, e Barry infelizmente interrompe Jack antes do gatuno poder fazer qualquer coisa. Após o susto, Jack suspira pesadamente, e volta a caminhar para fora do quarto, mas não antes de parar em frente a Barry e confrontá-lo. - Eu não sei se você é burro, ou se acha que eu sou burro, o que faz você ser duas vezes mais burro... Sinceramente, estou decepcionado com você. - Jack volta a caminhar para fora do quarto, voltando para o piso térreo e seguindo na direção da varanda, onde passaria a tarde com Myra. Logo voltaria para a cidade e gostaria de aproveitar o momento com a pequena, talvez analisar o que ela tinha aprendido em sua ausência, ou ensinar algum golpe novo, não tinha por que desperdiçar o talento da menina.

Na primeira oportunidade que tivesse, o gatuno descansaria em seu quarto, buscando adormecer dignamente pela primeira vez em dia, mesmo que isso significasse ficar a noite em claro, o que de certa forma seria até melhor, uma rotina mais cômoda com sua situação, ou profissão.
Elminster Aumar
Administrador
avatar
Administrador

Mensagens : 8043
Reputação : 35
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/211.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1012.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/811.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1212.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/410.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1511.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/512.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Jan 16, 2018 1:39 pm


A aparição de Barry impossibilitou Jack de tomar qualquer atitude perante Abby. Por mais inocente que ela parecesse naquele momento, dormindo como uma pessoa qualquer, Jack agora conhecia a fera que habitava em seu interior e do perigo que ela era para todos que moravam na mansão.

O gatuno confrontou Barry ao passar por ele, dizendo palavras ríspidas. Ele nunca havia agido assim com o seu padrinho.

- Jack, eu não entendo - comentou Barry, mas ele entendia. O gatuno sabia que ele entendia. - Espere um momento...

O gatuno não esperou. Seguiu o seu caminho até ir se encontrar com Myra, que o estivera aguardando pacientemente. Jack refletiu como em seu meio havia tantos segredos e conspirações, sendo ele próprio o autor de vários, e em como Myra era um poço de inocência num mundo cruel e selvagem. Os dois passaram a tarde brincando e se divertindo, e por incrível que parecesse, a pequena garota conseguiu desviar os pensamentos ruins de Jack e levá-los por um caminho bom. Fora, em meses, a melhor tarde vivenciada pelo gatuno.

Quando a noite chegou,
Jack se refugiou em seu quarto e por lá ficou até conseguir adormecer. Dessa vez não houve sonhos nem pesadelos. O seu sono foi pesado, fazendo-o dormir feito pedra. Acordou apenas na manhã seguinte e assim que desceu as escadas foi chamado por Barry para eles terem uma conversa em seu escritório.

Não houve cortesias nem dizeres em tom de brincadeira quando Barry sentou-se em sua habitual poltrona e encarou Jack.

- Eu peço desculpas - disse Barry, iniciando a conversa. - Me desculpe por tudo. Por não ter te contado desde o inicio. Você sabe do que estou falando, é claro que sabe, inteligente como é. Você sabe que minha esposa não está apenas doente... ela tem algo muito pior dentro dela, Jack, e eu ainda não sei exatamente o que é. Mas se tivesse que dizer o que ela tem, eu diria que ela carrega uma maldição consigo.

Barry nunca havia sido tão franco como estava sendo agora.

- Esse é um dos motivos pelo qual reluto em ir para Vicari. Eu não posso deixar Abby cuidando dos nossos filhos, principalmente de Myra, ela não está em condição para isso. Além do mais, se eu não ficar de olho nela o tempo todo, sabe-se lá o que pode acontecer. Abby precisa ser curada, Jack. O médico da nossa família, o Dr. Phenygham, já se mostrou incapaz de fazer isso. Você por acaso conhece alguém que pode nos ajudar, Jack? Algum médico mais qualificado e de confiança que pode vir e cuidar de Abby nesse tempo que ficarei fora? Essa é a minha única condição de sair daqui e ir para Vicari, pois só assim poderei ir em paz.


Makaveli Killuminati
Adepto da Virtualidade
avatar
Adepto da Virtualidade

Mensagens : 1978
Reputação : 26
Conquistas :
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/311.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1312.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1711.png
  • https://i11.servimg.com/u/f11/17/02/65/26/1413.png

Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Jan 17, 2018 9:54 am

Definitivamente, aquela fora a melhor noite de sono em muito tempo. Não sabia como, já que nunca esteve tão imerso em problemas como atualmente, mas a companhia da pequena Myra era milagrosa. E naquela manhã a primeira coisa que pensou foi em Abby, como teria sido a noite dela. Não tinha pensamentos trágicos sobre o que poderia ter acontecido, aparentemente Abby tinha noção de seu problema e mitigava como podia. E em seguida, os pensamentos de Jack voltaram-se para a Irmandade, mais precisamente na Raposa, como estaria sua recuperação. Toda vez que Delilah vinha em sua mente o gatuno tentava pensar em outra coisa, o que de certa forma lhe aliviava de qualquer aflição ou ansiedade que tais pensamentos poderiam causar.

Descendo a escada, Barry já esperava o gatuno, que não hesitou, entrou diretamente, em silêncio. Jack sentou-se em sua poltrona e esperou Barry sentar-se na dele a seguir, a porta atrás de si fora fechada, como de costume, ali era o local de trocar segredos, nada saia dali. Barry começou a falar, e o gatuno apenas o ouviu. Seu padrinho estava abrindo o jogo, as vezes era difícil demais expor problemas de família, mesmo para alguém tão íntimo, e Jack acreditava que este era um desses momentos. O gatuno pensou em questionar e reclamar por Barry ter exposto sua mãe Helena, sabendo do mal que afligia Abby, mas guardou para si, não queria incomodar ainda mais seu padrinho. Se ele expôs Helena, provavelmente sabia que Abby não faria mal a ela. Se essa conversa tivesse sido no dia anterior, o gatuno teria reclamado, mas a boa noite de sono havia melhorado seu estado de espírito.

- Fica tranquilo, padrinho... Está tudo certo. - Comentou o gatuno, clareando o desentendimento que tiveram. Jack passou as duas mãos sobre sua cartola e a inclinou em frente aos seus olhos. O gatuno ouviu o que seu padrinho ainda tinha para falar, que era a justificação por não estar tão disposto a sair da mansão, compreensível levando os fatos em consideração. Óbvio que quando Barry perguntou sobre algum médico, Jack pensou em Dr. Handrámon, e até mesmo no Dr. Hopkins, mas Jack não estava disposto a expor Handrámon, e Hopkins definitivamente não era confiável.

- Não sou especialista, mas... Nunca ouvi falar em médicos que tratassem desse tipo de problema. E olha que já testemunhei muita coisa. - Comentou Jack, sugerindo que a medicina talvez não ajudasse no estado clínico de Abby. - Talvez... Talvez... Bem, quem sabe o tipo de profissional que a gente precise procurar seja outro. - O gatuno estranhava falar aquilo, sua forma de ver o mundo ainda era cética, mas não poderia simplesmente ignorar o quê havia presenciado, e não tinha como questionar aquilo.

- Se você aceitar a posição de liderança para dar continuidade a revolução que os operários fizeram, as próximos reuniões podem acontecer aqui... Até tudo se normalizar. - Comentou o gatuno, julgando que essa seria a melhor forma de manter Barry na frente da revolução sem ter que abrir mão da família.

- Que horas Delilah chega? - Perguntou o gatuno, curioso. Não sabia ao certo se para evitar ou não um encontro entre eles.
Conteúdo patrocinado


Re: Capítulo 3: Aparando Arestas

Mensagem por Conteúdo patrocinado

  • Responder ao tópico

Data/hora atual: Dom Abr 22, 2018 3:44 am