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    Capítulo 2

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    Persephone
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    Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Seg Nov 27, 2017 10:08 pm




    O Ano Letivo finalmente começou e a WangJo Daehag abriu seus portões para os antigos e novos alunos. Hwang Won Bin, Kim Sun-Hee e Song Jae-Ki chegaram nesse mundo completamente novo com a única pretensão de estudar. Afinal, essa era uma oportunidade em um milhão e eles precisavam agarrá-la para que alcançassem seus sonhos.

    Para Won representava a chance de se provar e, talvez, alcançar visibilidade para o sonho Olimpico. Sun-Hee almeja ser uma médica psiquiatra e uma oportunidade como esta apenas abrilhantará ainda mais seu currículo. Já Jae-Ki só queria um futuro melhor para sua irmã, para que ela não tivesse que passar pelas dificuldades que ele vive.

    Sonhos genuínos e nobres.

    Porém, sonhos que atravessam o caminho de um grupo de herdeiros, o qual Seo Hye-Min faz parte. A jovem herdeira da HGT recebeu uma missão um tanto quanto assustadora e desafiadora de sua futura sogra: eliminar pelo menos quatro bolsistas. Apesar de ser uma pessoa boa, na maior parte do tempo, Hyemin não é do tipo que mede esforços para alcançar o que deseja. E esses bolsistas entraram em seu caminho.

    O que ela não podia imaginar era que justamente Kim Sun-Hee fosse trazer consigo alguém de seu passado. Quando os olhos de Hyemin encontraram as orelhas pontudas de Kim Joo-Hyuk, o mundo estável e perfeito da sonhadora princesa começou a tremer. Ninguém gostava de ser surpreendido por fantasmas, principalmente aqueles que foram difíceis de enterrar.

    Isso só prejudicaria a vida de Sun-Hee, pois a raiva de Hyemin fatalmente ricochetearia na atual melhor amiga de Kim.

    Felizmente, pensamentos elitistas como os de Hyemin encontram seu contra-peso em pessoas como Yeun MiSoo e Dong Hee-Kyung. Hee-Kyung, ou simplesmente Dong, é o herdeiro da TGS e uma das pessoas mais tranquilas que permeiam esse mundo. Ninguém entende muito bem como um herdeiro desse porte pode ser tão tranquilo, igualitário, justo e compreensível. Mas a verdade é que poucos, quase ninguém, sabe da verdadeira origem desse jovem. Dong conhece os dois lados desses mundos, muito embora não se lembre muito bem do passado e, junto de seus amigos, planeja uma forma de trazer equilibrio ao colégio, acabando com o bullying. Um projeto bastante audacioso e arriscado, pois o coloca na mira de quem não se importa com o próximo.

    Já MiSoo é uma jovem bem animada, sorridente, leal e companheira. É filha de uma das Miss Coreia do passado e atualmente tem uma marca famosa de roupas. Diferente de sua mãe e das outras meninas, MiSoo é inclusiva e não gosta de se deparar com situações de preconceito. Ela é impulsiva e quando percebe, está bem no olho do furacão. O problema é que a garota sempre se doa tanto aos outros que as pessoas esquecem de olhar para ela.

    Por estar sempre sorrindo ou chorando pelos amigos, ninguém ainda entendeu o grito de socorro que existe ali. Pois sua vida é um verdadeiro caos e ela precisa de um suporte ao invés de ser a eterna suporte.

    Além dos herdeiros e dos bolsistas, a WangJo também recebeu o retorno de um dos antigos reis. Park Hyun-Hee estava de volta à Coreia após passar 18 meses nos Estados Unidos. Sua chegada foi bastante comentada e esperada, mas a surpresa foi bastante negativa diante da pessoa completamente diferente que se apresentou com o nome do antigo rapaz. Hyun não era mais o mesmo - e isso não era por conta de uma alusão à passagem do tempo, mas sim porque sua mente o transformara numa fera irreconhecível.

    Os dois primeiros dias de aula foram cercados de (re)encontros, desencontros e muita, muita confusão.

    Apesar de Jae-Ki ter em mente apenas estudar e não entrar em problemas, ele reencontrou “Minah”, sua paixão das férias. Contudo, ele descobriu que seu verdadeiro nome era Eun-Bi e ela era uma herdeira, não apenas uma jovem trainee de dança. Amargurado e sentindo-se traído, não custou muito para que ele fizesse uma cena e acabasse envolvendo outras pessoas. Eun-Bi é a melhor amiga de MiSoo que não tardou em dar uma mochilada no garoto. Outros alunos acompanharam a cena e o vídeo logo viralizou. Terminava com a chegada quase heróica de Won-Bin. Com o histórico de gritos, mochiladas e bonsai caído, os três formaram uma silenciosa aliança, sem nem ao menos perceber.

    Os dois rapazes e bolsistas acabaram numa inesperada amizade por conta de Kang, um outro bolsista falador que logo tratou de fazer amizades.

    MiSoo teve o prejuízo do bonsai, mas felizmente conseguiu entregá-lo a quem de direito. Seu maior objetivo no primeiro dia era entregá-lo inteiro à Park Jung-Mi. E conseguiu! Jung-Mi não apenas aceitou o presente, como se comprometeu a cuidar muito bem dele.

    Park Jung-Mi esperava por um dia tenso, ainda mais pelo retorno de seu irmão, Hyun-Hee. Mas ele logo descobriu que Hyun era o menor de seus problemas. Afinal, assim como Eun-Bi ele também tinha “mentido” nas férias, mas sem a intenção de ser descoberto. Quando seus olhos encontraram Kim Sun-Hee, ele não pôde acreditar que a menina da cafeteria-biblioteca estava bem ali. Sun-Hee muito menos. Ela o conhecia como Young e ele fora seu amor platônico dos últimos meses.

    Como um balde de água fria, Sun-Hee descobria que o “seu” Young era Park Jung-Mi, um herdeiro e aluno número 1 de sua turma. Tudo isso sem que ele pudesse explicar - e não conseguiu até então. Pois Kim Joo-Hyuk fez questão de deixar que um mau entendido fosse criado, numa espécie de retaliação a uma atitude de Jung-Mi.

    Outro reencontro misturado com confusão foi o de Won-Bin com Bo-Mi. Nas férias, Won-Bin tinha evitado que uma menina fosse atropelada e não esperava vê-la de novo. Para sua sorte - ou azar - Bo-Mi não apenas estuda no mesmo colégio, como também é de sua sala. Fugir dela por vergonha será uma tarefa quase impossível.
    E impossível também parece ter um pouco de paz no colégio.

    Logo no primeiro dia, as alunas bolsistas foram vítimas de um trote humilhante, envolvendo muita sujeira e deboche das veteranas. Tudo foi registrado, mas as bolsistas não se ferraram sozinhas, pois o vídeo captou a imagem de Oh Yerin, a rainha do gelo, e sua melhor amiga, Hyemin.

    Sun-Hee foi uma das envolvidas na confusão, mas ela não demorou a encontrar o apoio de outras pessoas. Como seu amigo Joo-Hyuk, que chegou a se sujar com ela, levando uma ovada vingativa de Hyemin; e de Stella, uma jovem mestiça que sofre bullying severos por conta de seu “sangue impuro”. Stella é uma das amigas de Dong.

    Esse evento foi, inclusive, um dos motivos de Dong montar um plano para acabar com o bullying. E ele não está sozinho, pois o lado investigativo de Won Bin também tem um mural mental para tentar encontrar as conexões.

    No segundo dia, os jovens descobriram que todas as suas ações trazem consequência.

    Ninguém tem a capa de proteção que escape da justiça ou, simplesmente, as consequências de uma ação mal planejada.

    Jae-Ki encontrou a sua no fundo do lago. Após ser chamado por Eun-Bi para uma conversa, os dois foram surpreendidos por Taemin. O garoto, apaixonado por Eun-Bi, lançou os dois para a água. Isso foi uma resposta à ação do dia anterior de Jae-Ki e, como se não bastasse, o rapaz ainda procurou por mais confusão, marcando uma briga naquela mesma noite e que não teve bons resultados.

    Principalmente para Won-Bin. O justiceiro, fã de filmes de ação, não soube a diferença entre a vida real e a ficção. Seguiu o amigo e terminou no hospital, uma mão quebrada e um castigo que não foi físico, mas doía na alma.

    A consequência de Hyemin veio em forma de hierarquia. O diretor enviou o video do trote para os responsáveis de Hyemin e Yerin, bem como exigiu delas o pagamento de novos uniformes, como uma indenização às vitimas. O dinheiro era o de menos, pois o problema estava em casa. A jovem sentiu o dissabor da decepção e seu pai e tinha um castigo que lhe doeria no ego: pedir desculpas a Kim Joo-Hyuk. Caso não pedisse, ela perderia seu celular, cartão e deveria começar a trabalhar como callcenter da empresa.

    Para Sun-Hee, houve justiça. Mas também um revés. A consequência da inércia e do silêncio para com Jung Mi gerou um mau entendido crescente. A jovem tinha feito novos amigos, mas não recebeu a visita que mais desejava. Um desencontro amargo e que ficaria na mente dela por um bom tempo.

    Depois das atitudes do primeiro dia, Hyun-Hee experimentou a sensação do ostracismo. Aquele que antes era um dos rapazes mais populares do colégio, agora recebia olhares negativos e a distância de todos. Pelo menos quase todos. A única pessoa que parecia tratá-lo normalmente era uma estranha que ele conheceu no aeroporto após uma troca de malas. Não era como se ele fizesse questão de se socializar, mas até que ponto a solidão faria bem ao seu quadro clínico? Fora que existia a possibilidade real de alguém quere-lo morto. Como conseguiria lidar com essa possibilidade que, às vezes, parecia uma de suas alucinações?

    MiSoo precisava respirar. Seu sofrimento era psicologico e fisico e a consequência de não colocar para fora o que realmente sentia. Tinha engolido tanta coisa ao longo de sua vida que, atualmente, ela encontrou uma forma perigosa de se punir e tentar agradar aos outros. Quase nada parava em seu estômago, pois ela estava constantemente provocando vômitos após aborrecimentos ou quando sentia que abusava demais da comida. Pouco a pouco, essa falta de energia começaria a afetar o que ela mais amava fazer: o tênis.

    Dong não tinha problemas no colégio, ainda, mas passava por uma vida complicada em casa. O ódio gratuito de seus tios estava sempre buscando feri-lo, mas ele não parecia se importar. Por isso, quem acabava sofrendo mais eram as pessoas ao seu redor. O jantar com a família Dong resultou numa noite em claro para sua mãe e muitas lágrimas em Hayoung, depois de ouvir as piores coisas no caminho de casa.

    No meio de todas essas tramas, Dae Nayoung apenas observava.

    O maior desejo dessa jovem herdeira da música era...que o ano fosse diferente. Não queria passar despercebida, sem amigos ou com quem conversar. Um desejo bem sincero, mas que precisaria da contribuição dela.

    Não era apenas lamentando e se fazendo de ausente ou se escondendo em sua concha que ela mudaria seu presente. Se quisesse ser vista, precisava se fazer notada e não ser apenas uma espectadora dos outros.

    Um verdadeiro desafio para alguém tão tímido e discreto.

    Mas…

    Nada nessa história é impossível.








    [LAGO]
    (Hyun-Hee)

    7:30


    Será que era pedir muito por um momento de paz?
    As últimas horas de inconsciência serviram para que seu corpo parasse, mas Hyun-Hee ainda se sentia exausto. E não apenas isso, também estava farto daquela escola - apenas no terceiro dia! Durante o trajeto do ônibus, ele atraiu a atenção de algumas pessoas, mas não era como o olhar que recebia no colégio.

    Os passageiros - a maioria, meninas - o admiravam, apesar da curiosidade. O uniforme dele era bem visto e, bom, Hyun também era um rapaz bem bonito. Tinha chegado até receber algumas risadinhas discretas, daquelas que ele tanto gostava.

    Mas ele não tinha dado muita atenção. Sua mente estava cansada.

    Diferente do ônibus, os olhares do colégio não puderam ser ignorados. Após mais um episódio de problemas envolvendo Eun-Joo e com testemunhas dessa vez, os alunos que já estavam por ali, o encaravam com receio. Felizmente, ele ainda não tinha cruzado com seus antigos amigos, mas as meninas que esperavam pelas amigas e se amontavam em pequenos grupos, já comentavam.

    Aquilo era tão irritante, não é?

    Por que não podiam cuidar de seus próprios problemas, afinal?

    Não demorou para que ele se lembrasse do lago e, assim como no primeiro dia, ele pareceu bastante convidativo. Hyun começava a ter ideias um tanto quanto preocupantes, mas para seu azar, o lago estava interditado. Tinha uma barreira ali com grades - aquelas grades de show, não apenas uma fita de contenção - e até ele chegar no lago, teria que se expor muito e chamaria muita atenção. Ele talvez não associasse o porquê daquela contenção, mas bom, um garoto foi suspenso no dia anterior depois de jogar duas pessoas ali.

    Pelo menos, ele tinha os bancos e podia se sentar um pouco. Preferiu deitar e ficar meio largado ali.

    Ninguém iria incomodá-lo, né?

    - Really really reallyeeeeee-eeee…

    Não.

    O que era aquilo?

    Não era uma voz ruim, mas também não parecia querer afinar - estava cantando de palhaçada, não à sério. E, para piorar, não era voz de um anjo. Era aquela voz irritante que sempre implicava com ele e ainda o metia em confusões quando ele não queria.

    Diabo de joaninha.

    - Jigeum nae nunee-jeeeil areumdaun geon neoya laaadyy… oaaah- Ainda fazia uma pausa e apontava o “lady” na direção de Hyun-Hee. Ele só veria se virasse a cabeça e a encarasse irritado, senão, ela faria como coreografia mesmo. - Neol hyanghan nae nami donimyeon ama nan billionaaaaireee….



    Aproximou-se, empurrando a perna dele para o lado e sentou-se, cruzando as pernas e colocando as mãos no joelho.

    - Neol Joahaaae - Piscou, fazendo aegyo e continuou por mais um refrão.



    A garota estava com os fones de ouvido com o celular na mão. Jogou a mochila nos pés e puxou o fone, sorrindo para Hyun.

    - Bom diiiia, Felino. - Ajeitou o cabelo. - Essa é cover, eu gosto da original, mas posso te mandar se você quiser.

    Do que ela estava falando mesmo?

    Bah, não interesse.

    - Você está bem?

    Chaeyoung tinha visto Hyun-Hee chegar. Estava esperando as amigas enquanto ouvia a versão original de Really, Really, mas acabou indo para a cover quando o viu indo na direção do lago. Ele parecia diferente, preocupantemente diferente. Apesar de ter dito no dia anterior que não era amiga de Hyun-Hee, ela não podia evitar se aproximar de pessoas solitárias.

    Havia um sofrimento tão grande ali que ela sentia que precisava e, talvez, pudesse ajudá-lo. Mesmo que seu jeito fosse insuportável para ele. Não se importava muito com isso.

    Tinha abaixado o celular na hora que Sunny enviou a mensagem e, como estava na janela do grupo, nem fez barulho. Mas ela não viu porque estava olhando para Hyun.

    [SECRETARIA - PREDIO CENTRAL]
    (JaeKi)

    7:35


    Jae-Ki tinha chegado bem mais cedo do que seus amigos por conta da imposição feita por sua avó. O rapaz podia achar a ordem dela cruel, até porque, mexia no seu maior ponto fraco. Mas se parasse para pensar, nem que fosse por um segundo, saberia que, no fundo, ela tinha razão.

    Isso era óbvio principalmente depois que ele acordou e viu o estado de seu rosto no espelho. A enfermeira tinha feito bons pontos no supercílio, mas o olho continuava inchado e com aquele aspecto esquisito. Umas compressas seriam necessárias até aquilo diminuir e, por sorte, ele se lembrou de uma em especial. Não era como se fosse ter boas lembranças com aquilo, mas era melhor do que nada.

    Com sorte talvez achasse um freezer para guardar no intervalo e pegar de novo. Vai saber.

    Agora deveria enfrentar um dia sem que ele começasse com o abraço de Soo-Ji. A menininha acordaria com aquele panda carinhosamente desenhado, mas Jae-Ki sairia sem aquela “segurança” que sentia depois dos abraços da irmã. O caminho até o colégio foi bastante pensativo, tendo como trilha sonora sua playlist pronta. Comeria pelo caminho e logo - depois de uma boa viagem - chegaria até o colégio.

    Não encontrou Kang ou Won-Bin porque chegou mais cedo, mas foi até bom, pois ele tinha algo a fazer na secretaria primeiro.

    A balconista o encarou assustada quando viu o olho dele e pareceu em dúvida quanto aquele machucado. Sabia que havia algo a entregar para um rapaz chamado Song Jae-Ki, mas foi avisada que, qualquer coisa diferente, que chamasse a senhorita Yang. E foi o que ela fez.

    - Só um instante, por favor. - Disse de modo polido, apesar do susto que levou. Ligou para alguém. - Srta Yang, o Sr. Song Jae-Ki está aqui. Uhum...Certo.

    Desligou o telefone e o encarou.

    - Ela já está vindo. Sente-se ali, por favor. - Indicou uma das confortáveis poltronas de espera.

    Dois minutos depois, a Srta. Yang aparecia. Usava uma saia lápis preta e uma blusa estampada um pouco bufante, de manga comprida. O sapato era um salto fino que combinava com o jeito formal e a expressão séria dela. O cabelo estava preso num rabo de cavalo baixo. O curioso foi que ela parou na bancada onde Jae-Ki estava e uma pasta de arquivo foi entregue a ela.



    Por que a moça não tinha entregado direto, então?

    A pasta preta e fosca parecia um pouco pesada, de modo que a Srta. Yang a levou na horizontal até Jae-Ki. Olhou bem para aquele olho estranho dele, mas ofereceu a pasta com o slogan do colégio em relevo no meio da pasta.

    - Como prometido, aqui está seu material. Creio que tenha tudo o que vá precisar aí.

    Além das apostilas, ele encontraria um caderno, haveria dois cadernos universitários novos e um estojo com canetas, lápis, borracha, apontador e essas coisas. A mulher continuou a encará-lo de modo desconfiado.

    E havia dois motivos: desconfiava daquele olho roxo e esperava pelo pagamento de seu dinheiro emprestado - afinal, ele tinha dado sua palavra, não é? Ficou esperando a manifestação de Jae-Ki quanto a isso, cruzando os braços.

    [ENTRADA - PRÉDIO DO ENSINO MÉDIO]
    (Won e MiSoo)

    7:35


    MiSoo foi deixada pelo motorista na entrada do prédio principal, diante do chafariz. Misturou-se um pouco com algumas pessoas do especializado e do ensino fundamental antes de chegar até o prédio do Ensino Médio.

    Dali, mandou mensagem para suas amigas. Bo-Mi nem chegou a responder porque já estava atravessando o mesmo caminho que ela. A mochila de Eun-Bi tinha ficado com MiSoo, bem como a carteira dela. Eun-Bi respondeu que estava à caminho porque o pai se atrasou um pouco, mas chegaria à tempo. Pediu para que MiSoo guardasse seu lugar.

    A espera de MiSoo foi bem curta porque Bo-Mi e Gyu-Sik logo começavam a caminhar na direção onde ela estava. A amiga trazia uma expressão um pouco desanimada, mas forçou um sorriso quando a viu.


    - MiSoo-yah! Eu adorei o cabelinho. - Abraçou a amiga, de modo demorado e preguiçoso.

    Gyu-Sik parou e disse.



    - Bom dia. - Apenas. Não parecia nem minimamente chateado ou arrependido de alguma coisa. Começou a olhar ao redor e viu Ryu chegando com Jung-Mi. Acenou para as meninas e foi até os amigos.

    Pelo menos as duas teriam um pouco de paz. Bo-Mi bufou diante do comportamento do irmão, mas deu o braço a MiSoo, ficando para ali. Era tradição esperarem pelas outras e, como ela não tinha visto a mensagem de Eun-Bi, imaginava que fossem esperar por ela e Mia.

    - Como você está? - Perguntou de modo gentil.

    Won-Bin pôde sentir a diferença que era ter a independência de sua bike - além do esforço, exercício e vento na cara - e andar de condução. O ônibus deu mil voltas e ele, algumas vezes, imaginou que fosse chegar atrasado. Felizmente, chegou na hora certa e encontrou com Kang logo na entrada. O amigo vinha de bicicleta e quase caiu quando viu o estado dele.

    - Que isso, cara?! O que aconteceu??



    Pronto, não desgrudou mais de Won-Bin, saindo da bicicleta e a empurrando até o topo, onde ficava o prédio. Won teria aquele tempo de caminhada para explicar a ele e Kang ouviria com bastante atenção.

    Uma vez que chegassem ao prédio do ensino médio, ele logo veria Bo-Mi e MiSoo conversando. Talvez fossem uma das últimas pessoas que ele quisesse ver, mas agora já era um pouco tarde. Não tinha como ficar invisível ou se esconder.

    O nunchaku pesaria ainda mais em sua mochila e o café da manhã ficaria embrulhado no estômago.

    [SALA DE AULA]
    (Sun-Hee, Dong, Nayoung)

    7:40


    Nayoung tinha sido a primeira aluna a entrar na sala. Todos os lugares estavam disponíveis para que ela escolhesse, o que era bom e ruim ao mesmo tempo. Talvez não quisesse passar pela mesma sensação do dia anterior, onde teve a companhia de Eun-Na ao seu lado e o grupo de Yerin ao redor.

    Tinha sido um pouco opressor, não é?

    Por isso acabou seguindo até o canto da primeira fileira. Iria ficar logo de cara para o professor, mas pelo menos não sofreria com ninguém. Pelo menos acreditava nisso.

    Logo depois ela entrou, houve uma certa repetição das pessoas que chegavam ali. A primeira a chegar foi uma menina com uma expressão um pouco séria, talvez bastante segura de si. Tinha um rostinho infantil, mas um bico sempre evidente. Sentou-se no mesmo lugar que tinha sentado no dia anterior e notou a diferença - ontem não foi Nay que sentou-se ali.

    - Bom dia.

    Disse de modo educado, mas logo pegou um livro estrangeiro e começou a ler. Era uma das meninas novas. Logo depois que ela se sentou, Ye-Ji e Ye-Soltambém chegaram. Por algum motivo, as pessoas estavam se sentando do mesmo lado que ela, por enquanto. Diferente da menina nova, as duas não falaram com Nay e apenas buscaram por seus lugares. Deixaram as mochilas ali e se retiraram.

    Dong foi o próximo a entrar.

    A noite anterior não tinha sido nada animadora para o rapaz, apesar dele ter tido um bom momento com seu avô. Precisou ir sozinho para o colégio e nem esperou pelos amigos. Cruzou com Ye-Ji e Ye-Sol quando entrou na sala e sentou-se. Diferente do dia anterior, ele sentou-se no meio, porque Ui-Jin pediu para ficar no canto. Pelo menos ele se lembrou disso.

    E, por falar nos amigos, não demorou para que Min-Ho chegasse ali.

    - Bom dia, Dong-shi. Como está? - Sentou-se ao lado do amigo e não deu atenção para as outras pessoas.

    Stella chegou de fones de ouvido. Olhava para a própria soundtrack no celular até ver quem já estava na sala. Acenou para os dois e disse um discreto.

    - Bom dia. - Para Dong enquanto passava por ele e sentava-se logo atrás da carteira que seria de Ui-Jin.

    Parecia distraída com o celular e, mesmo agora sem fones, não tirava os olhos da tela, respondendo rapidamente a uma mensagem que tinha recebido. Um sorrisinho discreto surgiu em seus lábios. Dong podia pensar que era com a nova amiga dela, mas logo Sunny chegou na sala, sem o celular em mãos.

    Sunny recebeu a resposta de Lee-Hi dizendo que estava atrasada e Kim falou que ela deveria guardar o lugar deles antes que ficassem em algum lugar ruim. Quando Sunny entrou na sala, logo encontrou parte de seus novos amigos - e pôde ver como a sala ficava quando estava vazia. Stella ergueu o olhar para encará-la e sorriu. Mas, assim como fez com Dong, logo voltou a atenção para o celular, digitando rapidamente. Caso Sunny fosse espiar, veria que ela estava falando em inglês com alguém.

    Ui-Jin apareceu na sala, mas recuou e fez sinal para alguém. Ha-Neul logo apareceu meio atrapalhado.

    - Bom dia!! Aí, Dong o que você… - Ele falou antes que visse que Stella e Sunny já estavam na sala também. Arregalou os olhos, levando a mão até o peito e deixou o pacote na mesa dele antes de sair correndo.





    Um verdadeiro gesto de amizade, deixando que Dong desarmasse a bomba. Stella ergueu a cabeça mais por conta de Ha-Neul do que do pacote em si. Trocaria um breve olhar com Dong, mas logo voltou a mexer no celular. Para Sunny, explicaria.

    - Ooi, desculpa. Um amigo meu está dizendo que vai fazer um intercâmbio aqui na Coreia. Deve vir nas férias de verão. Nem acredito!



    [ENTRADA - PRÉDIO PRINCIPAL]
    (Hyemin)

    7:40


    Hayoung tinha descido de seu carro sem ânimo algum. O cabelo dela estava preso numa trança um pouco torta e por muito pouco não se esqueceu da cor do dia. Só havia um detalhe que remetia ao azul: a mochila. O resto, ela parecia ter se esquecido.



    Quando Hyemin a chamou, a menina a encarou. Os olhos dela brilharam, como se Hyemin trouxesse algo de bom, uma luz que ela estava buscando há tanto tempo. Pouco a pouco, Hayoung foi sorrindo.

    - Min-Ah! - Sorriu e se agitou, aproximando-se dela. - Bom dia! Você está linda!

    Antes que pudesse responder como estava, Hyemin a cortou. A boca de Hayoung ficou entreaberta, mas ela não queria mesmo dizer como estava. Manteve as mãos nas alças da mochila e a encarava com atenção.

    - Uma missão..yaaa - Catou um cavaco tropeçando quando foi puxada daquele modo. Ouvia as instruções dela e começava a ficar nervosa. - Nossa, é tão perigoso assim?

    Olhou meio preocupada.

    - Não vamos machucar ninguém, né?

    Não queria mesmo machucar ninguém...Ainda tinha pesadelos com o episodio da ovada. E era justamente desse episodio que Hyemin falava. Por que ela tinha que falar com aquele menino? Hayoung achou intrigante, mas ela não pedia algo dificil.

    - Tudo bem, Min-Ah! Parece fácil. Eu faço isso por você sim. - Sorriu de modo verdadeiro. - Onde quer que eu fique?



    E mesmo que fosse entre as árvores, Hayoung ficaria. Como tinha chegado ainda a pouco, também não sabia se Kim estava ali, mas pelo visto, Hyemin queria tentar até o máximo. Ficou quietinha, fingindo que nem fazia parte da cena - quase que uma samambaia no meio das árvores - e esperou.

    Hyemin traçava todo um diálogo em sua mente. Todos eles eram um tanto quanto ofensivos e ela acabava descartando.

    Depois de pensar no último, um carro não muito chamativo parou, mas o vidro um pouco escuro, não permitia que ela visse a motorista. Kim Joo-Hyuk saiu do carro, ajeitando seus óculos de armação preta. Colocou a mochila nas costas e se abaixou para falar com a motorista.

    Só podia ser ela…

    Mas talvez não fosse um bom momento para Hyemin atrair essas lembranças. Faria com que ela sentisse mais culpa.

    De todo modo, Kim, riu de alguma coisa e acenou para a mãe antes de começar a andar. O garoto deu um suspiro, engolindo em seco, evidenciando mais seu pomo de adão. Deu uma coçadinha de leve na ponta da orelha, um hábito que tinha desde sempre e começou a caminhar. Não demorou para que Hyemin entrasse em seu campo de visão.



    Hesitou por um momento, deixando que aquela expressão tranquila ficasse um pouco mais fechada. Estava prestes a desviar o olhar e seguir reto, a menos que ela tentasse pará-lo para dizer alguma coisa.

    Hayoung já estava com o celular pronto, atenta a cada movimento deles.





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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Seg Nov 27, 2017 11:34 pm

    Era exatamente entre as árvores que Hyemin gostaria que a colega ficasse. Ninguém repararia naquela criatura invisível no meio das plantas ou questionaria por que ela estava fazendo isso, pelo menos era o que achava. Na realidade, não se importava muito, desde que ela fizesse o trabalho bem feito, a seguisse e filmasse com louvor.

    - Mas por enquanto guarde a vigia do outro lado! O importante é filmar tuuudo - fechou o punho em formato de “Fighting”, estimulando sua soldado a cumprir com a missão.

    Ficou ali tensa, com o coração na boca, enquanto levava mini sustos com cara garoto que aparecia na entrada. Era um tanto irônico e, de forma perturbadora, como aquele era um sentimento muito familiar de ficar procurando pelo rosto alheio em estranhos, quando obviamente a pessoa não apareceria por anos, ou uma vida inteira.

    Não gostava daquele exercício de misturar as feições dos outros, que já podia dizer ser quase um segundo esporte. Quem ele achava que era para fazê-la de idiota mais uma vez, esperando e esperando e esperando… ?

    Afinal: será que ele já tinha chegado? Era uma possibilidade. Olhou o relógio de pulso. Do jeito que era nerd, poderia já estar na sala de aula, sentado ao lado da namorada, trocando um café da manhã queimado horroroso preparado por aquela…

    Balançou a cabeça. Respirou fundo. Tudo daria certo! O que diria a ele mesmo? Certo, tinha que trabalhar nisso. Mordeu o lábio, repassando, e de repente um carro parou na frente da escola. Qualquer expressão que estivesse carregando naquele momento desapareceu. Era assim. Como se tivesse visto um fantasma. Achou que estava livre daquela reação após seu corajoso ato libertador, mas Kim Joo Hyuk não deixava de lhe surpreender no quesito existência desagradável… e seu ato libertador seria desfeito em alguns minutos.

    Respirou fundo, olhando de forma triste para a janela escura. Sabia muito bem quem estava ali atrás. Fez um beicinho discreto e lembrou-se da bronca do pai. “A mãe daquele menino.” Uma rápida memória montou em sua cabeça e ela acabou abaixando o rosto. A ela sim devia desculpas. Se ao menos tivesse se lembrado disso antes de atacá-lo…

    O que estava pensando? Isso nem era cogitação! Sentiu uma pontada de inveja do garoto e de sua possibilidade de dar tchau para aquela pessoa no carro. Não exatamente por ser aquela pessoa, mas o que representava. Engoliu em seco e ergueu o rosto, suspirando de leve e  a tempo de observar o garoto coçando as orelhas.

    “Assim você parece mesmo um macaco”, pensou, mas logo uma lembrança fez questão de complementar a frase.

    “Desse jeito você vai mesmo acabar se tornando um. Vai, me fala. Que tipo de macaco você quer ser? Eu te deixo escolher”

    Era uma menina tonta que dava risada de sua brincadeira inofensiva. Uma menina bem idiota, que também lhe assombrava. Piscou, desanimada, recebendo aquele olhar irritante, mas que agora só fazia algo esquisito com seu humor, como se drenasse suas energias. Por que estava tão… triste? Odiava todas as coisas que Joo Hyuk trazia consigo e tinha vontade de esganá-lo para mandá-lo parar, mas no momento só o observava sem reação, vendo-o passar por ela como se fosse uma ninguém, dando as costas rumo a aula.  

    A visão de Hayoung a fez acordar. Piscou rapidamente. O que diabos estava fazendo? Não podia deixá-lo escapar! Seus cartões, seu celular, sua vida! Balançou a cabeça de novo e avançou passos para dentro do colégio, para suas costas, falando em alto e bom som:



     - YA. Kim Joo Hyugie! - foi firme e objetiva, mas mal percebeu quando o chamou com alguma intimidade. O momento apenas tinha sido construído assim na mente dela, como se ainda o conhecesse. Ela sentia as batidas rápidas e fortes no peito, ansiosa. Não tinha mais volta. Precisava pedir desculpas se quisesse reaver seu telefone. Só precisava ter calma, recuar e...  e o quê?

    No entanto, sua mandíbula travou e ela não conseguia fazer mais nada. Respirou fundo, esperando que ele virasse. Tinha que se virar. E se não virasse? Torcia para que o fizesse, para que sua humilhação não fosse ainda pior, mas parte dela não queria encará-lo naquelas desculpas, nem em dia nenhum.

    Ela tentava pensar no que dizer, mas era impossível. Um vento invisível tinha soprado toda e qualquer ideia para bem longe, de forma que ela não conseguia continuar a falar sem um estímulo, por menor que fosse. Realmente queria lembrar do que a tia tinha dito, mas o que era mesmo? Não fazia a menor ideia. Por fora, tinha aquela expressão dura, mas por dentro, sabia que só estava parada daquele jeito porque não tinha forças para sair correndo.



    isaac-sky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Seg Nov 27, 2017 11:57 pm

    "A perfeita manhã da derrota. Só falta eu me atrasar hoje, aí uma bomba explode na sala, ou algo do tipo...pra continuar a boa fase"

    Não poder usar a bicicleta só tornava o dia pior. Os momentos que usava para pedalar e pensar enquanto ouvia música eram importantes para Won, só agora ele percebeu aquilo.

    Por sorte estava no horário e viu logo na entrada Kang.

    "Droga, seria melhor se fosse com o Jae-ki. Pra contar a história antes dele..."

    Kang escreveu:- Que isso, cara?! O que aconteceu??

    "...reagir assim"

    -Yo Kang. Calma calma, tá tudo bem - forçou um tom de tranquilidade. Ainda processava o que aconteceu naquela noite.

    Enquanto caminhavam Won falaria um pouco sobre a noite anterior, mas deixaria que Jae-ki contasse a história completa e verdadeira para Kang. Tinha o feito prometer contar afinal.

    -Eu e o Jae-ki nos metemos numa briga ontem. Com um certo alguém que você deva imaginar - Won teria certo cuidado em falar alto sobre Taemin -Jae-ki vai te contar exatamente o que aconteceu, ele disse que iria te contar com mais detalhes. Mas...não foi legal, saca? Fui idiota e acabei não te contando à respeito, me perdoe Kang - era um pedido sincero de desculpas, ele acabou excluindo o amigo daquela questão.

    Deu tudo errado e agora to bem ferrado com meu pai e o braço desse jeito...foi mal, eu to meio pra baixo hoje. Mas vai dar tudo certo - forçou um sorriso para o amigo, não acreditava muito nessa sua última frase ainda.

    O sorriso morreu repentinamente quando viu Bo-Mi e Misoo logo a frente.
    "Tinha que ser agora? E logo as duas que me chamaram de herói"

    Pelo visto o destino estava determinado a desconvece-lo de todos os elogios que recebera ontem.

    -Kang, não fale sobre a briga com elas. Só por enquanto, pode ser? - sussurrou para ele.

    Se aproximou andando até elas.

    -Err, oi - estava se sentindo sem graça, mas dessa vez não era nem pela timidez. Era pelo braço imobilizado.

    -Como está a Eun-Bi? - sabia que elas perguntariam do braço, mas queria desviar o assunto se fosse possível.

    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Ter Nov 28, 2017 12:10 am

    Jae-ki mal conseguia abrir o olho inchado, só conseguia abrir parcialmente. Sentiu os olhares das pessoas sobre ele durante o caminho para Wanjo.  Ainda se sentia vazio por não receber o abraço da irmã, ela era a melhor parte do seu dia, era sua força para aguentar tudo. O biscoito que havia comprado, não comeu tudo, deixou para outra hora. Isso era uma coisa bem difícil de se fazer, precisou de muito controle para fechar o pacote, chegou a reabri-lo mais uma vez. "Só mais um...Esse é o último..." - Prometia a si mesmo. Estava com muita fome, não que fosse novidade, porque Jae-ki estava sempre com fome. Mas dessa vez era mais, porque não comeu o café da manhã dobrado de sua halmoni. Só que Won Bin o tinha salvado na noite anterior e estava com o braço todo enfaixado, queria receber o amigo com alguma coisa, e porque não oferecer biscoitos? Parecia uma boa coisa na mente de Jae-ki. Ajudaria o amigo em tudo, levaria comida para ele, aos seus olhos era uma boa forma de começar a retribuí-lo.

    Mas na secretaria, ainda sentia aquele vazio no estômago, acordar cedo também dava mais fome em Jae-ki. Quando se apresentou para receber os materiais, notou o olhar da balconista sobre ele, e sabia que era por causa do olho roxo. "Só falta ser proibido estudar aqui com olho roxo... " O garoto torcia para ninguém perguntar sobre seu machucado. Enquanto sentava e esperava pela Senhorita Yang, Jae-ki manteve a compressa em cima do seu olho. A bolsa térmica de gel dada pela mentirosa Eun-bi era realmente boa, ainda estava gelada mesmo depois da viagem, era bastante durável, notava Jae-ki. Ele esperava não encontrar nenhum problema neste dia. Já planejava em sua mente que veria os amigos, conseguiria assistir todas as aulas até o final, não dormiria na sala... "Esses professores daqui são muito sensíveis...Ahhnnn, lembrei, hoje tenho que falar com a filha do professor Kim. Não posso falhar com ele."

    Não demorou para a Srta. Yang aparecer, Jae-ki notou como ela era elegante, isso a fazia parecer mais distante. Imaginava que devia ser o tipo de mulher que não aceitava um não tão facilmente e que gostava de mandar. O rosto dela também parecia ter uma expressão bem séria, como se nunca tivesse achado graça de situações bobas da vida, ou como se nunca tivesse feito algo arriscado e impensável, pelo menos era o que parecia para ele. O garoto a acompanhou com o olhar curioso para ver o que aconteceria, mas ela só pegou uma pasta na bancada e a estendeu para ele. Jae-ki a pegou com um pouco de receio, não entendia porque a Senhorita Yang fez questão de entregar pessoalmente. " O que tá havendo aqui? Não fale do olho roxo... O que vou dizer se ela perguntar? Cai da escada? Aishii... "    

    Jae-ki não gostava de mentir, preferia ser sempre sincero, até quando aprontava na antiga escola, acabava confessando seus "crimes" mesmo na frente do diretor, sem qualquer medo ou vergonha. " Sim eu bati nele porque ele me chamou de isekiya" - Eram até nostálgicas essas lembranças. Mas já estava acostumado com sua escola, todos já o conheciam, sabiam como ele era e até lhe davam culpas adicionais. Mas em Wanjo era diferente, qualquer passo errado o poderia levar a perder tudo, tinha que mostrar para eles que ele era um rapaz calmo e centrado, o que nunca foi.

    Enquanto abria a pasta para ver o que tinha dentro, ele tentava pensar em várias desculpas caso a mulher o perguntasse do seu olho, mas nem era bom nisso, Won Bin que era realmente bom em inventar histórias, lembrava. Quando viu o material novinho, os dois cadernos e o lápis novo, Jae-ki até sorriu. Eles tinham sido mesmo legais de compensar seu material estragado. Fechou a pasta, a colocou dentro da mochila e já queria ir para sala, porém a mulher o observava de um jeito estranho. O que será que ela queria? Se perguntava o garoto. Será que ela queria explicações do seu olho? Nem passou pela sua cabeça agradecer, sempre esquecia de ser formal e bem educado, era um hábito terrível seu, raramente agradecia, e quando fazia era com outros gestos e não com palavras. Com o material guardado, Jae-ki já botava de volta a bolsa térmica no olho.

    "Ela não perguntou nada do meu olho, eu que não vou explicar, não sou doido... Vou dar uma de esquecido e ir para sala... Vai ver ela esquece e..."

    De repente Jae-ki se lembrou de uma coisa, tinha dito que faria questão de pagar o dinheiro emprestado da passagem do metrô, e pior, depois de toda raiva e confusão só tinha se recordado agora. A cena dele comprando o biscoito mais cedo logo surgiu na sua mente, tinha gastado parte do dinheiro das passagens com esse pacote. Embora fosse pouco. E na noite anterior gastou para ir na briga com Taemin. Jae-ki levou a mão a cabeça e a coçou sem jeito:


    - Haaa... O dinheiro! Arasô... (entendi) - Exclamou surpreso por ter esquecido, pior é que não tinha levado o quantidade exata, agora eles o achariam caloteiro, mas Jae-ki daria um jeito de pagar, só não seria tudo hoje.

    O garoto pegou sua carteira, deixando a bolsa térmica um pouco de lado. Foi tirando todo dinheiro que tinha sobrado das passagens e contando em voz alta na frente da mulher, pegou o trocado do pacote de biscoito também. Contou até as moedas, mas ainda parecia faltar o valor de duas passagens. Só restou na sua carteira o cartão de passagem para voltar para casa. Entregou a quantia a Senhorita Yang e disse:

    - Falta pagar duas passagens, porque eu acabei gastando hoje no metrô... Yaaa, não importa isso. Amanhã eu trago o resto sem falta. Eu não sou caloteiro, sério... Melhor eu ir para sala, não quero me atrasar.

    Depois de entregar o valor, Jae-ki pegou de volta a bolsa térmica, colocou no olho e se virou para ir apressado para a sala de aula, logo deu as costas a mulher e esperava que ela não o impedisse, quanto antes saísse, menos tempo daria para ela pensar, imaginava o garoto. E ele sabia que mulheres pensando por muito tempo, podia dar muito ruim.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Nov 28, 2017 9:54 am

    MiSoo atravessava por entre alunos de outros anos, enquanto carregava a mochila de Eun-Bi em uma mão e digitava a mensagem para as amigas com a outra, sem prestar muita atenção no caminho à frente. Por sorte não tropeçou em nada nem em ninguém.

    Percebeu quando chegou em frente ao prédio do ensino médio e parou ali mesmo, quase na frente da entrada, voltando a atenção ao celular para terminar de digitar a mensagem e esperar por respostas das garotas.

    Logo viu a mensagem de Eun-Bi e pelo jeito teria que carregar a mochila dela até a sala, mas não tinha problema. Não era uma mochila tão pesada assim.

    Enquanto tinha a atenção voltada ao grupo de mensagens, BoMi chamou por MiSoo meio alto e a fez sobressaltar, quase deixando o celular escapar da mão.

    - Bo-Mi-yah!! - retribuiu ainda mais alto e respirou fundo para se recuperar do pequeno susto que levou, pousando o celular sobre o peito - O cabelo? Ah! Que bom, obrigada! Ainda bem. Foi difícil de arrumar. Quase achei que iria me atrasar por causa dele, mas aí lembrei que eu iria direto para a escola. - fez um beicinho irritado por alguns instantes, mas logo mostrou um grande e alegre sorriso e abraçou a amiga de volta, demorand no abraço o tempo que ela quisesse.

    Logo percebeu a presença de Gyu-Sik e apenas o olhou pelo canto dos olhos. Ouviu seu bom dia, mas não respondeu.


    Se achava que poderia agir ignorando completamente o que tinha feito no dia anterior, brigado com ela e a insultado, e ainda assim tudo iria ficar por isso mesmo… Estava enganado! Se Gyu-Sik iria ignorar as consequências das próprias atitudes, então MiSoo ia ignorar sua existência!

    Era também o que ela já tinha decidido desde a noite anterior e por isso não respondeu nem ao bom dia e nem ao aceno.

    MiSoo tentou não esboçar nada sobre seu incômodo e voltou a conversar alegremente com Bo-Mi:

    - Foi tão solitário vir sem vocês para a escola! Aishh! Parecia uma eternidade até chegar aqui!! - fez uma careta e deu uma leve batidinha com o celular na bochecha, pois ainda tinha as mãos ocupadas.

    Só então guardou o celular no bolso para dar o braço à amiga.

    Ao ouvir a pergunta de Bo-Mi, MiSoo sorriu novamente para responder:

    - Agora que não estou mais sozinha estou muito bem! Só espero não ter muita complicação hoje… E professores menos assustadores que o de matemática. - deu uma leve encolhida nos ombros ao falar do professor.

    Estava falando com Bo-Mi quando Won-Bin e Kang se aproximaram. Won dava um tímido oi, mas MiSoo cumprimentava-os com muito mais vigor para também animá-los.


    - Bom dia!! Won-Bin-shi e Kang-shi! - acenou alegremente - A Eun-Bi já-- Aigo! - arregalou os olhos e cobriu a boca com a mão - O seu braçooo!! Aigooo!! Você sofreu um acidenteee!? Está doendo?? - franzia as sobrancelhas em nervosismo e preocupação.


    MiSoo costumava ficar muito preocupada quando as amigos se feriam, assim como quando Eun-Bi tinha torcido o pé no dia anterior.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por GodHades em Ter Nov 28, 2017 11:09 am

    - Bom dia, já estive melhor. - Disse um pouco mais sério hoje, já sentado na sua cadeira. - E o senhor, Ho-shi? Bem?
    Retribuiu a gentileza o perguntando, também direcionando a atenção apenas a ele, e não muito para os demais que iam chegando.

    Pelo menos até Stella chegar com os fones parecendo bem entretida. - Bom dia. - A garota parecia deter uma aura diferente hoje, tinha até sorrisos... Kyung não seria pretensiosos de achar que este seria causado por causa de uma amizade feminina, quando Sunny adentra na sala sem o celular, essa linha de pensamento se torna evidente. - Aigoo, você não lê as coisas que te mando não??

    Dong também leva um susto quando Ha-Neul aparece ali do nada, e a praga ainda sai correndo daquele jeito depois de deixar o pacote.

    Como se fosse algo comprometedor que estivessem fazendo. Mais tarde o agradeceria direito já que a aula deveria estar começando por isso essa fuga louca e disparada. O pacote não era tão grande, na verdade seria discreto, com alguma coisa pequena dentro. Sutilmente, Kyung coloca esse pacote dentro de sua mochila, após abrir a lateral pelo zíper. Min Ho e Ui-Jin veriam bem essa cena mas Dong não entrou em detalhes.

    Parecia ser um tipo de presente para alguém, mas não era para Stella tampouco a senhorita Sunny, já que não entregou no momento em que recebeu.

    Então, a bicuda meia estrangeira confidencia a sua amiga o motivo dos sorrisinhos. Falava com um amigo de fora, com data já marcada para o reencontro.

    Dong não se moveu, continuou olhando para a carteira de maneira pensativa.

    Sua mente estava imersa em coisas mais sérias... como o ocorrido no jantar de sua familia.

    Caso ele não tivesse visto sua mãe chorar, isso seria bem claro na parte da manha, pelos olhos vermelhos que ela deve ter apresentado, já que era bem branquinha.

    Kyung sabia que aquele veneno todo a atingiu, e se havia que era sagrado para ele, era sua familia.

    Esta era a grande ironia da vida, comprou um presente para sua prima, pois gostava dela. Queria manter um bom laço, mesmo não concordando com esse comportamento de seguida dela, mas Dong não julgaria Hayoung, nem outros ali.

    Por um instante, até se preocupou com a menina, será que os tios brigaram com ela? Nem puderam vir juntos hoje.

    Ela parecia cabisbaixa nas mensagens mas... esperava que esse sentimento se esvaísse quando ela encontrasse sua ídola.


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Larissa Aprill em Ter Nov 28, 2017 11:27 am

    Nayeon levantou-se mais cedo do que o habitual e foi a primeira a chegar na sala de aula. Suspirou de alivio ao ver as carteiras vazias.


    No segundo dia, ela teve que se sentar ao lado de Eu-Na e companhia. Nayeon ficou tão tensa que mal respirava para não chamar a atenção das garotas maldosas. Milagrosamente ela não fez nenhuma atrapalhada e conseguiu passar o dia invisível como sempre. Mas ao voltar para casa, tinha aquela sensação de vazio no peito, pois não tinha feito nenhuma amiga e não havia ninguém para conversar sobre as novidades do colégio.


    Por isso no terceiro dia, ela iria se esforçar para deixar sua timidez de lado. Na sala de aula Nayeon acabou optando por se sentar na primeira carteira ao lado da janela, assim ficaria próximo da lousa e não teria problemas em enxergar a matéria. Ela chegou a sorrir quando se acomodou na mesa, tinha esperanças que esse ano seria diferente.


    Ela estava distraída arrumando seu material, quando uma menina muito bonita se aproximou  e para sua surpresa, lhe disse bom dia. A garota nova era tão linda, seus cabelos pretos chamavam a atenção e ela parecia tão segura de si.


    Nayeon corou ao perceber que estava a encarando por tanto tempo e nem tinha respondido seu cumprimento. Ela ajeitou os óculos e conseguiu falar num tom de voz baixo.


    - Bo..bom...Dia!!


    Sua voz tinha sido alta o suficiente? Nayeon olhou para a aluna lendo e aguardou alguma reação.



    Nesse meio tempo outras meninas se aproximaram daquele canto, Nayeon desta vez estaria preparada para cumprimentar adequadamente, mas elas  reservaram os lugares e partiram logo em seguida, sem dizer nada.


    Nayeon se endireita na cadeira e encara o material. Aquela velha insegurança estava voltando. As pessoas começavam a lotar a sala e interagiam entre si, enquanto ao seu redor só existia o silêncio.


    "Coragem, Nayeon...Puxa um assunto, fale qualquer coisa...."



    Ela olha novamente para a menina que estava lendo e aponta para o livro.


    - Err...o..seu...


    As palavras foram morrendo aos poucos. Era uma pergunta simples. Queria saber qual assunto do livro? Mas e se a garota a achasse intrometida demais? E se ela se zangasse? Ela encarava a menina num misto de receio e preocupação.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Ter Nov 28, 2017 12:04 pm


    A escola ganhava um aspecto de cenário criminal com aqueles cordões de isolamento. Era como se alguém tivesse morrido afogado ali dentro, o que não era muito difícil de acontecer diante daquele início escolar explosivo. O sorriso irônico que tinha dado também contemplava aquele fato. Era como se tivessem adivinhado que ele teria pensamentos estranhos.

    Quando estava tentando dormir, ouviu aquela voz de taquara rachada, ou foi assim que preferiu classificar, cantando aquela música chiclete. Respirou fundo. Não era possível. Só podia estar alucinando...

    Really really reallyeeeeee-eeee…

    Se fechasse os olhos com força, iria embora. Era só ignorar...

    Ficou imóvel, fingindo estar dormindo de verdade. Talvez rígido demais para que fosse verdade. Alguém queria mesmo brincar com ele. Primeiro o lago, depois isso. Era uma maldição atrás da outra.

    Até que a voz não era feia, mas estava propositalmente querendo provocá-lo, aquela... joaninha maldita.

    Um sorriso discreto surgiu em uma linha de seus lábios.

    Removeu o braço de cima dos olhos e os abriu devagar, encarando a garota de forma séria, enquanto ela apontava em sua direção fazendo chacota da letra.

    Já não sorria. Suspirou, incomodado, e apoiou o corpo no cotovelo, sentando-se por fim, mas sem deixar os pés de cima do banco, o que ela pareceu prever, pois empurro para sentar-se.

    - Aishhh. Não viu que eu estava ocupado? - franziu a testa. - Que atrevimento é esse?

    Ignorado pelos fones de ouvido, ela fez um aegyo bem bonitinho, que o fez revirar os olhos e finalmente sentar-se largado, soltou um riso curto, incrédulo por aquela postura.

    Olhava para o céu. Não era hoje que teria paz em lugar algum, pelo visto. Ele queria ignorá-la completamente enquanto ela lhe dava bom dia, mas em vez disso virou o rosto por uma curiosidade maior que ele, observando-a ajeitar o cabelo e comentar alguma coisa desinteressante sobre o cover.

    - Como, se você não tem o meu... - lembrou-se que sim, ela tinha. - Aish, você ainda não apagou!? Eu com certeza fui amaldiçoado...

    Então ouviu a pior pergunta que podia naquele dia. Engoliu em seco e suspirou, parando de encará-la. Há alguns minutos, estava se imaginando estirado à beira do lago, isso significava que estava bem?

    Não respondeu, mas aquilo já poderia servir para ela. Agarrou a maleta e levantou-se, ficando de costas para ela, na expressão séria mais estranha que ela poderia ver. Não era um rosto carregado de irritação, era.... contemplativo.

    Não gostava das pessoas preocupadas com ele, fazendo perguntas, correndo atrás como se fosse um tipo de animal perigoso. Não. Não era bem isso. Ele não gostava era das respostas que poderia oferecer a elas.

    - Vou entrar. - virou-se finalmente para observá-la com um ar provocativo que ela lembrava do dia anterior, mas estava difernete, era mais misterioso, mais inatingível e inexplicavelmente triste. - Não se atrase, joaninha. - piscou para ela e saiu andando.

    Mentiu quando disse que sairia para a aula. Na verdade, queria vagar pelo colégio.

    Ailish
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Ter Nov 28, 2017 3:35 pm

    Depois de mandar a mensagem para os amigos, Sunny permaneceu no lugar, aguardando um tempinho com o celular na mão. Enquanto isso, observava o fluxo dos estudantes que chegavam na instituição, e como esperado logo no terceiro dia de aula, já conseguia reconhecer visualmente alguns rostos, mesmo aqueles que não eram da sua turma. Suspirou conforme virava a cabeça de um lado ao outro, na falha tentativa de aliviar a tensão sobre os ombros e a dor chatinha no pescoço. Aparentemente, a tempestade tinha oferecido uma trégua, certo? Se bem que o dia nem começara ainda... Mas Sun-Hee aproveitava os instantes de paz. Afinal, nunca se sabe, né?

    Enfim, recebia as respostas de Kim e Lee-Hi.

    Mostrou um pequeno beicinho para a tela do aparelho. À Lee-Hi, escreveu que se encontrariam no intervalo e pro amigo apenas confirmou que guardaria o lugar dele. Sem mais o que fazer ali e não querendo correr o risco de perder o horário, ela seguiu na direção da sala e na entrada, deu de cara com os companheiros. Outras pessoas estavam presentes também, inclusive as garotas que, junto de Sunny e Lee-Hi, sofreram nas garras maquiavélicas das elitistas veteranas do WangJo. De maneira educada, falou um “bom dia” mais geral e só então aproximou-se do grupinho – no caso imediato, da dupla – Oi, meninos! – parou na frente dos dois, sorrindo ao cumprimentá-los. Stella havia sido mais breve e Sunny viu que o motivo achava-se no celular, pois ela o encarava de um jeitinho muito animado.  

    Não demorou a continuar o percurso até sentar na cadeira próxima da mestiça e, dessa forma, o início da possível interação não seria prejudicado. Como prometeu a Kim, guardou UM EXCELENTE assento para ele ao lado da pessoa mais legal do mundo: ela mesma. Colocou a mochila na cadeira, feito um escudo, embora não houvesse real necessidade. Quem é que sentaria perto da bolsista, huh?

    Ao menos, não a maioria.

    Perímetro marcado com sucesso.

    Claro que a alegria de Stella chamou a atenção. Apesar da curiosidade, controlou o impulso de bisbilhotar, mas era mais do que óbvio que ela conversava com alguém. O olhar escorregou só um caaaaadinho e notou o idioma das mensagens.

    Hmmm.

    De repente, HaN surgiu na sala, acompanhando Ui-Jin e...

    Mão no peito.

    Olhos arregalados.

    Puf.

    CADÊ???


    Ele deixou um pacote na mesa de Dong e a atitude foi, no mínimo, suspeita.

    Hmmmmmmmmm.

    - Doooong gaaaaanhou preseeeeente – caprichou na entonação e no timbre da voz, porém não gritava – Poxa... Por que ele saiu assim? – formou o segundo bico da manhã, até fitar Ui-Jin e sorrir – Ui-Jin, booom dia.

    Stella abandonou a conversa depois da cena, virando-se para Sunny e explicava o motivo da distração.

    - Sééério? Que legal, Eun! Então ele é a razão do risinho de uma orelha até a outra! Eu estou feliz por você. Acho que essa é uma das partes mais chatas da mudança... Ficar longe dos amigos. Maaas, o legal é que também teve a oportunidade de fazer novos! – cutucou o braço da menina e a feição mudou um pouco ao perceber que Dong não falava com elas. Parecia distante... Será que aconteceu alguma coisa? Não tinha certeza se podia perguntar ou não. Se Stella não notasse, Sunny ia apontar discretamente o indicador próximo da nuca de Kyung.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Ter Nov 28, 2017 5:13 pm

    [LAGO]
    (Hyun-Hee)

    Chaeyoung percebeu que Hyun-Hee estava falando alguma coisa em tom de reclamação, por conta do movimento dos lábios, mas não ouviu por conta dos fones. E também porque não ligava muito para as reclamações dele, afinal, tinha uma performance para executar. Deu uma risadinha depois de fazer seu aegyo e puxou os fones, finalmente, começando a captar os sons do ambiente.

    Comentou sobre a música e, diante da surpresa do rapaz, ela ergueu de leve as sobrancelhas antes de dar um sorriso vitorioso. Mexeu no celular, procurando o nome dele - que estava bem no final, pois nunca tinham conversado antes e ergueu para mostrar.

    Havia o nome “Park Hyun-Hee” com o emoji de um tigrinho fofo. Mexeu o celular bem na cara dele, provocando e sorriu.

    - A foto está boa, viu? - Comentou. - E não, não apaguei porque nunca se sabe, né? Eu anotei em caso de não encontrar alguma coisa na minha mala e depois...ahm...Esqueci de apagar.

    Deu de ombros, mas tinha sido bastante sincera.

    Tanta coisa tinha acontecido naquele último mês, após seu retorno para a Coréia que a última coisa que ela pensou foi em fazer a limpa no celular. Por enquanto só estava adicionando pessoas e fazendo uma bela bagunça. Uma pessoa normal não entenderia o celular dela - assim como não entendi a mistura de pulseiras e aneis que ela usava ou mesmo seu estilo e gostos.

    Mas ela não se importava com isso.

    Ouvir aquela expressão dele, contudo, fez um biquinho triste surgir nos lábios dela. Ela o encarou e deixou os ombros caírem um pouco. Sabia que podia ser um pouco - muito - implicante, mas nunca tinha pensado que seria uma maldição para alguém. E aquela colocação um pouco severa, mesmo que fosse leve para os parâmetros dele, tinha mexido um pouco com ela.

    Talvez ela estivesse um pouco mais sensível do que o normal naquele dia.

    Tinha chegado a perguntar se ele estava bem porque achava estranha aquela expressão dele. Não parecia o Hyun seguro ou um pouco fora de si dos outros dias. Era uma versão triste e melancólica dele, algo incômodo de se ver. Chae achava melhor quando as pessoas revelavam e botavam para fora o que incomodava do que ficar desse jeito.

    No entanto, depois de ouvir aquela história de maldição, ela deixou a preocupação de lado. Quase que de modo coordenado, ela também se levantou, agarrando a própria mochila. Não ouviu a resposta sobre estar bem ou não - mesmo que ele não tenha dito mesmo.


    - Hm. Tanto faz. - Disse séria, colocando a mochila nas costas e ajeitando o cabelo. - E não precisa se preocupar se me atrasarei ou não. Não é da sua conta e espero que seu dia sejo menos amaldiçoado agora.


    A expressão dela ficou bem, bem séria e ela tomou uma distância segura dele antes de sair. Maldita hora que foi levada pelo impulso para ir lá falar com ele. Pois ele que se afogasse naquela tristeza irritante! Moleque idiota!!

    Marchava para longe dele, indo na direção do prédio.

    Hyun veria as costas dela e aquele cabelo bonito balançando de um lado para o outro enquanto ela fazia sua marcha do aborrecimento. Logo ele que queria ter feito uma saída estrategica, acabou ficando sozinho de novo - ela estava apenas a sete passos de distância, apesar de tudo. O banco estava livre de novo para seu descanso ou podia sair dali.

    Mas o que será que ele tinha dito demais para aborrecê-la?

    Mulheres são tão complicadas….

    [SECRETARIA]
    (Jae-Ki)

    A situação era semelhante, mas o ambiente diferente. A secretaria e diretoria do antigo colégio de Jae-Ki era mais visitada do que a sua própria sala de aula. Muitas vezes passou mais tempo na presença do diretor ou pedagogo do que diante de algum professor de matérias secundárias como inglês, por exemplo.

    A diferença era que a secretaria do WangJo tinha uma aura que lhe dava medo.

    Medo de falhar.

    Medo de ser injustiçado.

    Medo de perder tudo o que tinha adquirido nas últimas semanas.

    Por mais confortável que aquela poltrona fosse, não tinha como ele relaxar ou esvaziar a mente. O gatilho de memória o levava para as inúmeras vezes que teve que se justificar para algum superior. E agora ele pensava em como explicar o olho roxo, no caso de alguém perguntar.

    A balconista não olhou mais para ele, mais preocupada com o próprio serviço. Os passos da Srta Yang logo começaram a ecoar e ela pegou aquela “misteriosa” pasta antes de entregá-la para Jae-Ki. O sorriso dele foi captado pela diretora assistente, que ponderava sobre uma coisa ou duas, sem relevar. Os olhos dela, contudo, continuavam fixos no rosto dele.

    Era uma espécie de provação.

    Queria ver se ele se lembraria do que tinha prometido no dia anterior e, mais do que isso, se ele ia comentar sobre seu olho roxo ou ela teria mesmo que perguntar. A mulher tombou um pouco a cabeça para o lado diante daquela primeira reação e acompanhou tudo no mais absoluto e tenso silêncio.

    A outra senhorita tinha parado para ver o que acontecia ali, principalmente porque ele contava em voz alta o dinheiro. A Srta Yang não parecia ter muita pena disso, mas seu coração era esmigalhado por dentro. Abaixou a cabeça, por fim, e suspirou. Empurrou o dinheiro de volta na direção de Jae-Ki. Ele podia pensar que teve um trabalho inutil de catar todas as moedas, mas ela disse de modo sério.

    - Eu lhe dei uma nota inteira. Quero uma nota inteira, de volta. - Parecia uma desculpa, mas ela não ia justificar. - Até terça que vem. - Estipulou um prazo, como o empréstimo de um pequeno banco. - O que eu gostaria de saber agora é…

    Indicou o olho roxo dele.

    - Onde foi que adquiriu esse roxo no olho e os pontos no supercílio? - Piscou lentamente e o encarou. - Imagino que seja uma infeliz coincidência com a situação de ontem… - O lago. Descruzou os braços e esperou por uma resposta.

    Jae-Ki era um caso especial desde a matricula dele. Não tinha sido um parente de sangue quem fizera sua matricula, mas alguém que conseguiu uma procuração. O estudo socio-econômico dele era bem abaixo da média, o endereço ficava num lugar ruim. Há cerca de dois anos, as escolas andavam mais atentas à situação das crianças e dos jovens, buscando qualquer indício de violência doméstica ou abuso de poder familiar.

    A Srta. Yang não podia deixar esse olho roxo passar em branco e Jjae-Ki não conseguiria sair antes de dar uma desculpa.

    Ainda que fosse uma mentira, ele teria que dizer alguma coisa.

    [ENTRADA: PRÉDIO DO ENSINO MÉDIO]
    (Won-Bin e MiSoo)

    - Tudo bem?! - Kang respondeu na mesma hora e fazendo uma cara de “você acha que eu sou bobo?!”.

    Sim, porque quando eles se despediram ontem, depois do trabalho, Won-Bin estava inteiro. E então, de repente, surgia com um braço quebrado e a cara estranha, de quem quase não tinha dormido e carregava todo o peso do mundo nas costas.

    - Você e o Jae-Ki? - Perguntou num tom de preocupação, mas também uma pontinha de desolação.

    Poxa vida, eles não eram os três dragões?! Por que não estava no meio daquela confusão?

    - Alguém que eu devo imaginar? - Tentava pensar em alguem. - Quem? Oooh o loiro? - Falou alto, mas logo se abaixou e falou mais baixo. - O do lago? Meeu…Mas é claro que não foi legal, você tá todo quebrado. E Jae-Ki-Boy? Vocês quebraram mais a cara dele? Diz que sim. Como é que você vai bater suas asas de morcego agora, Bat-Bin?!

    Ainda empurrava a própria bicicleta e não parava de falar e pensar. Como assim seus amigos se meteram numa confusão e saíram perdendo? Eles eram os três dragões! Os herois, os mocinhos! Não podiam perder assim.

    - Claro que foi idiota. Vocês não me chamaram. Eu teria ajudado a correr. - Se é que isso fazia um sentido.

    Antes de seguirem até o prédio, ele ainda parou para amarrar sua bicicleta. Não demorou porque logo estava ao lado de Won-Bin, caminhando quando viram MiSoo e Bo-Mi não muito longe dali. Percebeu que Won hesitou por um momento e ouviu o pedido, mas eu cérebro logo começou a registrar de modo equivocado.

    [...]

    Bo-Mi se preocupou com a reação de MiSoo e a teria ajudado a segurar alguma coisa, caso ela acabasse deixando cair.

    - Ooi, Misoo-yah. Desculpa pelo susto. - Levou a mãozinha até o peito também e logo tratou de elogiar o penteado que parecia ser trabalhoso. - Seu cabelo é tão jeitoso, qualquer penteado pega fácil e fica lindo.

    Nem chegou a tocar nele para não bagunçar. Quanto à história de atrasos, Bo-Mi também fez um beicinho. A ida para o colégio tinha sido bem chata. Sentia falta da bagunça das manhãs e da companhia de Misoo e Eun-Bi. Sua raiva já tinha passado, em partes, mas ainda queria ouvir uma justificativa pela mentira.

    Pelo menos Taemin não estaria ali naquele dia.

    Gyu-Sik estava logo atrás de Bo-Mi e cumprimentou MiSoo como sempre. Porém, a reação da menina demonstrava que ela ainda estava bastante chateada pelo que tinha acontecido no dia anterior. Gyu a encarou um pouco curioso, mas logo suspirou também. Olhou na direção dos amigos e se despediu.

    Ele não ia pedir desculpas para alguém que o ignorava.

    Ajeitou a mochila e seguiu até o grupo de Jung-Mi.

    As meninas metidas também tinham chegado por ali. Eun-Na, Mi-Ran e Yewon andavam juntas de Yerin, mas a rainha do gelo parou num banco. Falou qualquer coisa para as meninas, mandando que elas seguissem para sala. Havia algo estranho com ela.

    Quando sentou no banco, sua postura vacilou um pouco e ela levou a mão discretamente até o pulso. Os ombros estavam ligeiramente caídos, mas não demorou a se ajeitar e pegar o celular para ver qualquer coisa. Estava esperando por Hyemin e ficaria o máximo possível ali antes que o sinal avisasse que faltavam cinco minutos.

    Já MiSoo, tinha a companhia de Bo-Mi. A garota tinha acompanhado a saída de seu irmão com o olhar, mas focou-se em MiSoo.

    - Também senti saudades. Nem me atrasei e foi tão solitário. Vamos fazer as pazes logo? Eu fiquei chateada com ela, mas sinto muita falta… - Admitiu.


    Won-Bin e Kang surgiram na visão delas. Bo-Mi virou a cabeça na direção da entrada e deu um sorriso ao vê-los. Porém, pouco a pouco, seu sorriso transformou-se em preocupação ao ver o que tinha acontecido com o braço dele. O rapaz se aproximava dando um “oi”, mas Bo-Mi nem teve tempo de responder, porque tinha os olhos fixos naquele gesso do braço esquerdo.

    - ….?!


    Ela o encarou sem dizer nada, mas com os olhos arregalados. O cerebro de Kang continuava processando errado o pedido de Won-Bin.


    “Não fale sobre a briga. Mas só por enquanto. Por enquanto quanto tempo? Por enquanto. Mas o que? A Briga. Não fale? Não fale. Sobre o que? A Briga. Por enquanto. Por enquanto, logo, fale...Sobre? A Briga. Fale sobre a briga…”


    E tão logo MiSoo fez a pergunta, ele respirou fundo e disparou a dizer.

    - Não foi acidente, foi um massacre.

    - Como é?! - Bo-Mi olhou para Kang.

    - Ele e Jae-Ki brigaram com o demônio loiro ontem.

    - Taemin? - Bo-Mi falou baixinho. - Won-Bin!! - Disse num tom mais agudo. - Você perdeu o juízo?? O que foi que vocês dois fizeram?!

    - Se quebraram, não tá vendo? Aiish…

    - E você não impediu??

    - Só soube agora também e… - Olhou para Won-Bin, escondendo a boca com as duas mãos. - O por enquanto ainda tava valendo? Eu não podia contar?


    - Ah! E você ia mentir, Won-Bin-shi?!??!

    [SALA DE AULA]
    (Dong, Sunny e Nay)

    A voz de Nayoung foi alta o suficiente para que a menina entendesse a resposta. A bolsista meneou positivamente, mas quase que encerrando a interação e pegou um livro bilingue. Tratava-se de Persuasão, uma das obras de Jane Austen, mas talvez não tão conhecido como Orgulho e Preconceito ou Razão e Sensibilidade.

    A menina estava lendo a edição inglês-coreana para treinar a leitura daquela língua. Não era a pessoa mais sociável do mundo e, diferente de outras pessoas, ela estava ali para estudar mesmo!

    Tinha passado em segundo lugar, dentre os bolsistas, perdendo apenas para Song Jae-Ki, o garoto que tinha feito todas as questões no quadro, mostrando grande afinidade com os números.

    Nay parecia bastante inquieta ao lado da menina e isso acabou chamando sua atenção. A garota ouviu a voz dela reiniciando uma interação, mas antes que ela conseguisse concluir seu raciocinio, Min-Ho entrava na sala e falava com Dong. Isso atraiu a atenção da menina por meio segundo, mas aquele grupo já era formado e falava demais. Por isso, ela logo voltou-se para Nayoung.


    - Hm… - Analisou a menina por um instante. - Você também é nova aqui?

    A garota não saiu perguntando o nome, porque elas tinham plaquinhas no paletó que identificava o nome de cada um. A menina se chamava Ah Sejeong.

    Enquanto elas conversavam de um lado da mesa, o grupo de Dong e Sunny fazia mais barulho do outro lado.

    Min-Ho olhou Dong com mais cuidado depois de ouvir aquela resposta. Percebia a expressão desanimada dele, por isso desfez o sorriso e se aproximou um pouco mais.

    - Tem algo que eu possa te ajudar?

    Apesar de ser um turrão e antisocial, Min-Ho também sabia ser um amigo. Raramente via Dong daquele jeito, então, imaginava que fosse algo sério. Porém, antes de ouvir a resposta, Stella entrou na sala e também estava estranha. Era como se ela e Dong tivessem trocado de humor e ela estava sorrindo.

    Min-Ho chegou a corar um pouco e precisou ajeitar os óculos na cara, acompanhando a mestiça com o olhar depois dela dar um bom dia direcionado a Dong.

    Sunny entrou logo em seguida e trazia aquela luz que ela irradiava sempre. Falou com os meninos e deu um bom dia geral, que alcançaria Nayoung e Sejeong. Tanto que Sejeong olhou na direção de Sunny e meneou a cabeça de leve, respondendo ao bom dia. A garota logo sentou-se ao lado de Stella e foi recepcionada com outro sorriso de bom dia.

    Aparentemente, ela estava com um excelente humor.

    Ui-Jin chegou na sala e fez sinal para Ha-Neul entrar. O menino tinha lido a mensagem, mas achou melhor entregar logo antes que se esquecesse. No intervalo, as meninas podiam ver e acabaria dando no mesmo. O problema é que ele não imaginava que elas já fossem estar na sala de aula!!

    Não dormiam, não?!

    - Foi mal, Dong-shii! Prometo que compro seu café hoje também. - Disse para animá-lo e logo saiu.

    Stella tinha erguido a cabeça, vendo e o comentário de Sunny também não ajudou. Por mais discreto que ele fosse ao guardar o presente, agora todos estavam olhando para aquela embalagem.

    - O Ha-Neul é meio doido. - Min-Ho comentou. Como Dong estava estranho, ele sentiu que não podia ser o inconveniente do dia.

    Ui-Jin sentou-se na frente de Stella e sorriu para Sunny com o bom dia que recebeu. Porém, ele lançou um olhar preocupado para Dong. Stella abaixou o celular, virando a tela para baixo e contou para Sunny o que estava fazendo. Como a sala ainda estava vazia, os meninos acabariam ouvindo a história, mesmo que ela não estivesse falando alto ou para se gabar. Na verdade, ela falava até um pouco baixo.


    - Sim. Ah, mas não posso isso! - As bochechas dela coraram. - Tem três anos que moro aqui na Coréia e não vejo esse meu amigo todo esse tempo. Quando eu viajo nas férias de verão, ele também viaja, então, nos desencontramos bastante. Estou feliz por ele vir. Disse que vai passar só uns vinte dias e vou tentar ajudar a se acomodar e essas coisas.

    Explicou por alto a situação. Quanto às amizades, Stella meneou positivamente e suspirou.

    - Sinto falta do Canadá, mas gosto dos amigos que fiz aqui. Foram poucos, mas muito importantes. - Olhou para a nuca de Dong depois que Sunny apontou também. Os ombros dela caíram um pouco e ela levantou-se, fazendo sinal para que Sunny também o fizesse.

    Parou logo atrás dos meninos e se abaixou um pouco.

    - Que tal um café antes da aula? - Falou para ele. - Sunny e eu podemos ir até as máquinas e comprar alguma coisa. Faltam vinte minutos ainda, deve dar tempo. Café duplo, sem açúcar?


    Esperaria pela resposta dele e perguntaria aos outros dois também o que queriam. Ui-Jin dispensou, mas já que estavam insistindo, Min-Ho pediu um chá. Eles só precisariam tomar do lado de fora, antes que a aula começasse.

    Caso a ideia fosse aceita por Dong, Stella sairia com Sunny de novo.

    Mas enquanto não saíam, mais gente chegava.

    Um menino bastante discreto chegou. No dia anterior, ele estava sentado onde Min-Ho estava agora. Olhou para o lugar e fez uma expressão pensativa até que viu que havia um lugar entre Nayoung e Sejeong.

    - Bom dia. - Disse para Dong e seu grupo.

    Ele se chamava Jo Hyo-Shin e era um menino bastante tímido. Tão tímido que nem do grupo de Dong fazia parte, mas era um cdf como eles. Fazia parte do clube de informática e de ciências.

    Sejeong e Nayoung conversaram um pouco até que foram interrompidas com a chegada desse rapaz.


    - Ahm, com licença, esse lugar está vago? - Indicou o lugar entre elas. Esperaria que uma das duas respondesse antes de colocar a mochila ali.

    Por educação, não se sentaria, pois não queria atrapalhar a conversa delas. Ao invés disso, ficaria do lado de fora, mas somente depois de ouvir a resposta.

    [ENTRADA: PRÉDIO PRINCIPAL]
    (Hye-Min)



    Kim Joo-Hyuk lançou um brevíssimo olhar na direção de Hyemin, mas tinha sido o suficiente para que uma eternidade se passasse naquela troca. Não demorou para que ele engolisse em seco de novo e levasse as duas mãos até as alças da mochila e continuasse sem caminho.

    Aos poucos, ele levou uma mão até o bolso da calça social, mantendo a outra apoiada na alça. Os óculos continuavam fixos em seu rosto.

    Parecia seguro, mas ninguém imaginava o quanto ele estava se segurando para manter as aparências. Os dias de estudo estavam se provando um verdadeiro martírio, pois sempre acabava cruzando com Hyemin e aquele sentimento parecia querer transbordar de seu peito. Era preciso muito controle para não deixar que a vontade falasse por si só.

    Quantas coisas não queria ter dito a ela?

    Quantas verdades não estavam engasgadas dentro dele, há tantos anos?

    Porém, sempre a via, ele percebia que não a conhecia mais.

    Hyemin tinha crescido e se transformado numa pessoa bem diferente daquela criança que ele tivera contato. De modo que sempre que pensava em falar, ele se perguntava se valeria a pena se desgastar por aquela estranha. Afinal, ela já tinha escolhido seu caminho depois que ele voltou do Japão. E, bom, não era como se ela fosse obrigada a ter as mesmas lembranças dele.

    Seus passos o levaram além do chafariz central, na direção do prédio principal. Chegou a subir um degrau quando ouviu seu nome saindo daquela pessoa.

    Joo-Hyuk travou e sentiu algo semelhante a um despertar.


    Era como se estivesse dormindo fazia muito tempo e algo brusco o trouxesse para a realidade. A voz de Hyemin direcionada a ele, naquele tom, tinha um efeito semelhante a isso. Foi tão surpreendente que ele ficou imóvel por mais de um segundo, perguntando-se se aquilo tinha sido real ou se foi sua mente projetando alguma peça para ele.

    Doeria muito olhar para trás?

    Talvez.

    Mas não custava nada. Outras coisas certamente tinham doído muito mais.

    Quando Hyemin achasse que ficaria no vácuo e a mandibula estivesse quase se deslocando de tanta força, Joo-Hyk começaria a se virar. Primeiro o perfil, exibindo o nariz delicado e os traços escondidos por trás daquela máscara nerd e dos óculos grande que ocupava boa parte do rosto. O olho castanho foi na direção dela, olhando de banda até que o corpo girou lentamente e ele retrocedeu um passo.

    Desceu do degrau e virou-se na direção de Hyemin. Uma mão no bolso, a outra na alça da mochila. O olhar confuso, estava na direção do chão, até que ele ergueu e, finalmente, a encarou.

    A encarou de verdade.

    Vendo além de uma estranha.

    Hyemin teria a certeza absoluta de que sempre fora reconhecida por ele antes, mas agora, ele finalmente a via e não apenas olhava.


    Hayoung tinha ajudado Hyemin a tomar uma atitude, pois fez um movimento de questionamento quando ela demorou a se mexer. Ainda estava bem discreta no quadro, mas dando todo o zoom necessário para que captasse cada momento daquela conversa tão importante para sua ídola.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Ter Nov 28, 2017 8:00 pm

    Hyemin respirou fundo, ou achou que tivesse feito isso, já que seu corpo experimentava uma sensação de dormência, absorvendo em câmera lenta o movimento dele de virar para ela.

    Ainda que realmente quisesse que ele virasse, tinha sido uma surpresa, que lhe deixou sem reação. Porque ele poderia simplesmente passar reto, como tinha feito anteriormente. E agora? O que deveria fazer agora? Relaxou os braços ao lado do corpo, mas ergueu o rosto, em sua pose orgulhosa. Estava no controle da situação, achava, mas não conseguia parar de procurar pelo contorno dos óculos e ter um déjavu interminável. Não era nada ruim estar diante dele afinal de contas. Não havia motivos para sentir medo. Ela era muito superior!

    Foi então que ele ergueu o rosto, fazendo com que o coração queimasse por um momento e derrubasse por completo a aura que ela estava tentando construir. Sua pose não poderia ser sustentada. Aquele olhar que ele direcionava a ela não era do arrogante que tinha pena dela e era facilmente odiado. Aquele era… alguém por quem ela tinha esperado. Sentiu o lábio entreabrir, puxando ar estremecido.

    Ele não a olhava com desdém, ou através dela, ainda que tivesse algum ressentimento ali. Dessa vez conseguia reconhecer completamente aquela pessoa e tinha a certeza de que era recíproco. Como era bom ser não ser ignorada. Por mais que fosse óbvio, só agora conseguia se acalmar um pouco por não ter sido só ela que teve lembranças, ainda que ele provavelmente devesse estar se forçando a aturá-la daquele jeito, mas não importava. Tinha sido reconhecida. Era tudo o que queria e era mais ou menos assim que um dia tinha imaginado um dos reencontros. Claro, alguns anos antes e sem os vestígios de mágoa escondidos ali, mas sabia que essa última parte era culpa dela… Dele. Totalmente dele. Porque ele provocara, corrigiu-se, mas mesmo assim começava a cair a máscara de raiva que tinha bordado no dia anterior. Seu olhar era mais poderoso do que ela poderia esperar.

    As sobrancelhas cederam um pouco, e o rosto murchou.. Kim Jo Hyuk tinha conseguido desarmá-la.




    Esqueceu completamente o que estava fazendo ali, seu celular e a confusão dos dias anteriores. Apenas sentiu um aperto na garganta e os olhos mais úmidos.

    “Não chore. Isso vai ser ridículo. Não chore” , pensou tentando reforçar a ideia, mas era impossível voltar à expressão anterior agora.

    Não fugiu de seu olhar, mesmo sendo a saída mais fácil.Tinha esperado tanto… tanto…que tinha escolhido encará-lo. Afinal, era muito difícil não sentir saudade, mesmo que fosse daquela maneira torta. Quanto mais pensava nisso, mais esquecia completamente da existência de Sunny ou do incidente do ovo. Naquele micro espaço de tempo, eram duas crianças paradas no tempo, o que tornava muito reconfortante reencontrá-lo.

    “Onde você estava…? Eu sei. Por que não falou comigo? Por que me deixou sozinha? Por que… apareceu com outra pessoa? Por que você não gosta mais de mim? Por que  eu te odeio tanto que chega a doer? Por que você teve que aparecer na minha escola?”

    Aquelas perguntas não seriam ouvidas naquele dia. Era impossível. Se abrisse a boca, começaria a chorar tanto que não poderia nem se explicar para ninguém, mas era por causa daqueles pensamentos que Kim Joo Hyuk tornou-se um mosaico embaralhado de lágrima e ela foi obrigada a desviar o olhar, encontrando Hayoung confusa e voltando ao mundo real.  

    Wangjo. Estava em Wangjo.

    Tinha que pedir desculpas para reaver seu celular.

    Todas aquelas bobeiras não faziam mais nenhum sentido para quem ela era hoje. Não tinha mais 8 anos de idade. Era extramemente imbecil lembrar-se disso, mas então por que ainda ficava tão triste? Apesar de ter achado que tinha sido deixada repentinamente, no fundo, alimentava uma fantasia conservada de quem ele era. Agora, estavam assim.

    Sem aviso, o corpo da garota se curvou em 45°, fazendo com que seus cabelos caíssem para frente e ajudassem a cobrir o rosto. Enquanto fitava o chão, uma lágrima aproveitou a cortina das mechas para escorrer. O que estava fazendo? Sentia o coração muito acelerado, dando ordens para ser rápida. Estava agindo sem pensar e de repente já estava ali, curvada, na entrada do prédio principal. Respirou fundo.

    Era tão ridículo, tão humilhante, tão absolutamente estúpido tudo aquilo que estava sentindo...

    - Joeson…….. Joesonghamnida. - apesar da hesitação inicial, a maneira mais formal de se pedir desculpas em coreano tinha saído de uma forma inexplicavelmente sincera.

    Estava chocada com a maneira que tinha dito isso, pois seus ensaios nunca chegaram naquela perfeição, mas por que o peito doía tanto? Não tinha feito nada de errado, apesar daquele ovo. Não era culpa dela, era só uma consequência, tentava se convencer, mas não compreendia o significado que seu inconsciente tentava imprimir naquela frase. Não podia parar por aí. Tinha que terminar o que tinha começado, embora fosse uma luta para não simplesmente desabar em lágrimas.

    - Eu….

    O momento era horrível e interminável, como se toda a escola girasse e ela acabasse sendo estampada como uma pessoa ridícula em um banner no topo da escola, mas simplesmente não conseguia parar. Começou a sentir raiva daquela situação. Não queria passar por isso, não queria sentir toda aquela culpa, quando obviamente não tinha sido ela a primeira a errar, mas as palavras continuavam a sair. Um vídeo precisava ser feito, afinal, justificava-se.

    - Não devia ter atacado você.

    Ótimo. Estava perfeito. Só precisava ir embora agora, mas… como faria para levantar o rosto? Recuar… engolir o orgulho…  Respirou fundo e discretamente passou a mão no rosto, fingindo que estava apenas aproveitando para ajeitar o cabelo quando ergueu a cabeça e tornou a olhá-lo de maneira fria, ou o mais próximo que conseguiu disso, tentando distanciar-se de toda aquela confusão mental.

    -  Isso é tudo. - declarou, inerte e a frieza sumiu um pouco. Agora só estava cansada.

    “Por favor, vire-se e vá embora. Por favor, vire-se e vá embora” , torcia com todas as forças. Não aguentava nem mais dois segundos naquela posição, então espiou Hayoung para ver se ela estava filmando de verdade e aliviar a tensão.


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Ter Nov 28, 2017 9:06 pm

    Apesar de Kang poder se sentir meio chateado por ter sido excluído da briga Won se sentia um tanto aliviado por não ter envolvido o amigo. Pelo menos um dos dragões estavam intactos.

    Sim, eu e o Jae-ki Kang não era muito chegado em discrição mas entendeu que estava falando de Taemin - Devia ter imaginado que ele ia ter guarda costas. É, o Jae acertou uns golpes mas a briga foi interrompida quando chegou um carro da polícia já emendaria antes dele gritar "POLÍCIA?!"

    -Meu pai é policial e chegou lá. Resumindo, eu quebrei dois dedos e o Jaeki tava com o olho inchado ontem
    Não teriam nem o gostinho de vitória de ver Taemin de olho roxo.

    -Sem asas Kang. Esse lance de herói me subiu a cabeça, eu não sou nada disso acabou soando mais depressivo do que queria.

    É, correr era a decisão mais esperta na verdade disse um tanto sério.

    ...

    A tentativa de distrair perguntando da Eun-Bi não chegou nem perto de funcionar. Misoo viu e já perguntou se estava doendo. Bo-Mi arregalou os olhos.
    Começaria a dizer -Não, tá tudo bem foi só... mas Kang nem deu essa chance.

    - Não foi acidente, foi um massacre.


    "Não Kang. Não!" arregalou os olhos, ele estava fazendo o contrário que tinha pedido!

    - Como é?! - Bo-Mi olhou para Kang.

    - Ele e Jae-Ki brigaram com o demônio loiro ontem.


    Won abria a boca mas as palavras não saiam. Estava em choque, Kang estava falando tudo!!!

    - Taemin? - Bo-Mi falou baixinho. - Won-Bin!! - Disse num tom mais agudo. - Você perdeu o juízo?? O que foi que vocês dois fizeram?!

    - Se quebraram, não tá vendo? Aiish…

    - E você não impediu??

    - Só soube agora também e… - Olhou para Won-Bin, escondendo a boca com as duas mãos. - O por enquanto ainda tava valendo? Eu não podia contar?


    "Kang. Você sabe correr bem rápido, não é? Corre. Só corre" encarou Kang, seu olhar já dizia tudo: mesmo que sem querer ele tinha feito exatamente o contrário que pediu.

    Se virou para Bo-Mi e Misoo que estavam preocupadas. Agora não poderia nem mentir. O dia não ia nada bem, e essa situação agora só piorava tudo.

    Respirou fundo. Won não conseguia encarar Bo-Mi nos olhos, mas se esforçou para olhar de frente para as duas. Mentir agora seria estúpido, então Won decidiu apenas omitir que quem fez o convite a luta foi Jaeki.

    -Eu e o Jaeki acabamos numa briga com o demônio loiro num ferro velho a noite. Ele levou uns amigos. Eu...machuquei dois dedos, o Jae só tá com um olho roxo. E...olha eu sei que foi uma idéia idiota. Eu fui orgulhoso e subestimei ele. Me perdoem meninas, eu não sou nenhum herói. Eu perdi. acabou falando mais do que queria também.

    Deixou que suas palavras fossem digeridas.

    -Foi a primeira e única vez que eu vou brigar com ele. Jae concordou em ignorá-lo a partir de agora. E...eu sei que ele vai vir atrás de mim e do Jae mesmo assim. Isso não vai acabar tão cedo. Por isso eu sei que se vocês andarem e falarem comigo é um risco. Tudo bem caso queiram deixar de falar comigo na Wangjo, acho que é o mais seguro a se fazer. Senão vocês não terão paz a proposta se estendia a Kang também. Era claro que agora Won perdera a confiança em cumprir sua promessa de protegê-las, mas queria tentar ainda à sua maneira.

    Aquilo doía mais do que imaginou, mas Won estava disposto a perder essas amizades tão valiosas para protegê-los.

    -Não se preocupem comigo, isso aqui em duas semanas eu já tô novo mentiu, fingindo um sorriso.

    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Ter Nov 28, 2017 9:14 pm

    Chaeyoung era, sem dúvida alguma, a criatura mais imprevisível que ele já tinha conhecido - e isso em qualquer esfera, mesmo no passado. Não podia ver de onde saiu aquela mágoa toda. Jamais poderia imaginar que chamá-la de maldição era a causa. Na cabeça dele, era apenas um repente insano que o fez franzir a testa. Seu olhar era matador e frio. Era quase como se fosse sua versão feminina em dias bem ruins. Estava calmo o bastante para perceber aquilo. Ficou olhando a menina sair do nada, fazendo-o de trouxa e lhe dando um belo tapa de pelica social, mas por um motivo ainda mais estranho, tinha gostado muito disso.

    Estalou a língua. Tinha feito algo ruim, mas importava? Nem sabia direito seu erro. Só sabia que não queria verdadeiramente incomodar a garota. Até que ela não era tão insuportável assim. Na verdade, tinha conseguido arrancar um sorriso dele, meio a contragosto, com sua chegada triunfal.

    Bufou. Não seria um dia fácil, de jeito nenhum. No entanto, estava sozinho agora. Olhou na direção que ela saiu balançando os belos cabelos e depois para o banco vazio. Refletiu por meio segundo, caminhando de volta para o assento e jogando a maleta de qualquer jeito no espaço que antes ela ocupava, para evitar novas companhias.

    Sacou o celular e buscou o contato dela. A maioria dos números ali já nem fazia mais sentido, pois eram todos nomes em inglês de pessoas que dificilmente veria de novo. Levou algum tempo até encontrar o número da estressada.  Editou com um emoji de joaninha e por algum motivo quis olhar sua foto de perfil também.  Acabou rindo baixo de novo.

    Abriu seu contato e começou a escrever.


    “Isso foi muito mal educado.
    Não se deve dar as costas para alguém assim.
    Achei que você fosse mais educada do que uma pessoa como eu. :]
    Pelo visto somos muito parecidos.

    P.S.: sua foto de perfil também não está ruim.
    Mas a cara de ódio que você acabou de fazer pra mim é mais bonita.
    Pense nisso  “


    Releu, achando um pouco de graça de sua brincadeira idiota. Não fazia muita diferença. De certa forma, era até divertido cutucar a onça que obviamente estava irritada. Talvez isso desse muito errado, mas ele lá tinha medo desse tipo de coisa? Pelo contrário, sem perceber estava distraído da infelicidade matinal, ocupado em imaginar a cara de perturbada dela.


    Não adianta tentar me ignorar: lembre-se que você deve uma música.
    E dois favores.
    :]


    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Ter Nov 28, 2017 9:24 pm

    Quando a senhorita Yang empurrou o dinheiro de volta, Jae-ki ficou surpreso. A mulher parecia falar muito sério, mas conseguir pagar com uma nota inteira não era tão fácil para ele. Achava também que esperar até terça era um pouco arriscado, era bom ter um prazo maior, mas e se esquecesse de novo? E se precisasse do dinheiro e acabasse usando até terça? Ou pior, e se seu pai surtasse e pegasse esse dinheiro? Como faria para pagar na terça? Muita coisa poderia acontecer até lá, e o garoto gostaria de se livrar logo de sua dívida o quanto antes. Mas antes que pudesse responder, a mulher logo fez uma pergunta, aquela que ele torcia para ela não fazer.

    Quando ela questionou que seu olho poderia ter haver com os acontecimentos de ontem, Jae-ki sentiu um frio no estômago. Parecia que a senhorita Yang conseguia adivinhar que ele tinha brigado com Taemin.  Ele mordeu os lábios nervoso, sua boca logo ficou seca, o que respondesse agora poderia lhe causar mais problemas ou livrá-lo. " Aigo... Mais problemas não... Ela vai me suspender? Ela descobriu do Taemin? Calma... Preciso ter calma... Sem desculpas terríveis, mas se eu falar a verdade, posso ser suspendo também... Otoke... Otoke..."

    Não daria pra mentir que foi um acidente, percebeu Jae-ki, ninguém acreditaria que ele caiu da escada ou que bateu num poste, era claro que alguém o tinha socado. Mas também não podia dar entender que ele era briguento. Ele sentou novamente, de pernas abertas, quase como largando o corpo, suspirou e disse com o dinheiro ainda na mão:

    - Aishi... Não vai acreditar se eu falar que bati em um poste não é? Tsc... Eu não quero arrumar problemas, a verdade é que não foi minha culpa... - Começou se justificando, sentia calor de nervoso - Não foi aqui! Um garoto me acertou ontem de noite, depois que sai do meu trabalho - Disse para reforçar que não foi na escola - Eu só estava me defendendo... Até que o pai de um amigo meu apareceu e botou eles para correr... Ele também me levou no hospital. Não foi nada grave... E não fui eu que comecei a briga! Não sou o tipo de garoto que fica começando brigas. Eu juro que vou tomar mais cuidado, ainda tô me acostumando com as regras daqui... Imagino que chegar de olho roxo não pega bem...

    Em parte, o que Jae-ki dizia era verdade, ele só omitia algumas coisas que poderiam ligá-lo a Taemin. Não sabia se tinha ido bem em sua resposta, se a convenceria, era tão difícil uma situação dessas, não dava para saber o que falar. Apesar de ter sido ele mesmo a marcar a briga, acreditava mesmo que foi o loiro que começou tudo. Ele só estava se defendendo do ataque do lago quando marcou o encontro, era assim que via em sua cabeça, nunca arrumava briga porque queria, mas sempre como uma defesa, era sua forma de responder ao que faziam de ruim com ele, já que só falar professores e com a direção, acabava nunca resolvendo seus problemas. A senhorita Yang não podia suspendê-lo por algo fora da escola, podia? Se perguntava Jae-ki preocupado. Não sabia como gente de escola rica reagiria a algo assim. Desejava muito que ela não perguntasse mais detalhes, porque aí sim teria que começar a inventar coisas. Era tão exaustivo se manter fora de problemas.

    Jae-ki gostava de falar a verdade sempre, mesmo que chocasse algumas pessoas. Na sua escola antiga era sempre libertador poder dizer o que fez, não era um covarde para esconder seu atos, não tinha do que se envergonhar em tentar se defender, e sempre havia um motivo para quando agia tão agressivo, infelizmente, a direção e os professores não levavam em conta, já que quem revidava acabava perdendo o direito de vítima e levando a culpa.

    O garoto abaixou o olhar para o dinheiro que estava em sua mão, o que iria dar para Senhorita Yang e ela não aceitou. Antes que a mulher pudesse lhe fazer mais perguntas, Jae-ki insistiu para ela pegar o dinheiro:

    - E eu acho que é melhor você aceitar esse dinheiro logo, não vai ser tão fácil para mim conseguir uma nota inteira. E também pode acontecer algo até terça que me faça gastar esse dinheiro. Pagar o restante vai ser mais fácil do que pagar tudo de uma vez. Pode até fazer um recibo se quiser, se ficar preocupada que eu esqueça o que falta ou me engane e dê menos do que realmente é... Mas se não quer mesmo o dinheiro em trocado... Eu vou dar meu jeito de conseguir inteiro...

    Jae-ki lançou um olhar para a diretora assistente esperando pela resposta dela, não tinha mais como fugir dali. Queria ver se a mulher aceitaria que ele pagasse em partes, e também se ela perguntaria mais sobre seu olho roxo. Esperava com toda sua força que ela ficasse satisfeita com sua resposta e que não o suspendessem por se meter em brigas, mesmo que essas fossem fora da escola. Já podia imaginar ela falando que o padrão da escola não era para garotos que chegavam com olho roxo. Ter que lidar com gente rica era mesmo difícil, percebia Jae-ki. Era tão difícil assim não ser suspenso?

    Se a senhorita Yang o liberasse, Jae-ki respiraria aliviado e iria direto para a sala de aula. Se não, teria que que dar um jeito de não ser suspenso.
     
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Ter Nov 28, 2017 9:48 pm

    Quando os cumprimentos terminaram, aguardou o início das conversas, mas isso não ocorreu. Ou melhor... Sunny arregalou os olhos por um rápido instante ao escutar a voz de Min-Ho. Ele... respondeu... um... comentário... avulso? E dela? Aquilo era uma surpresa escandalosa, considerando os tratamentos iniciais. Após o discreto choque, ela sorriu e balançou a cabeça positivamente. Entretanto... – Mesmo assim, ele parecia particularmente assustado e misterioso... – batia o indicador contra o nariz, uma mania, enquanto refletia algumas hipóteses que sequer se aproximavam da real. Na verdade, Sunny perguntava-se... o que aconteceu com eles hoje?!?!?! Trocaram de personalidade? Foram vítimas de um experimento?

    [ 01) Stella sorria. Não que fosse antipática, mas na maior parte do tempo, ela era fechada e mantinha um bico fofo e emburrado.

    02) Min-Ho falou por livre e espontânea vontade. F-A-L-O-U. Incrível.

    03) E Dong... Dong carregava uma aura estranha que não combinava com o jeito receptivo e descontraído.
    ]

    Ahhh...

    Mas Ui-Jin continuava o mesmo, tímido e adorável.

    Obrigadaaaa. <3

    Apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na mão, encarando Stella assim que a amiga abandonou o celular – Nossa, três anos?! Não sei se conseguiria ficar tanto tempo longe do Kim. Às vezes, ele é pior do que os meus irmãos, mas... – revirou os olhos ao se lembrar de determinados episódios – Humpf. Enfim... Será uma excelente oportunidade para os dois, apesar dele só vir por 20 dias. Parece que a sorte começou a soprar a favor de vocês, que ótimooo – ela mostrava-se sinceramente alegre por Stella. Sunny tinha suas opiniões particulares à respeito de Eun, e independente de se revelar cedo demais para concluir qualquer coisa, ainda sentia aquele sentimento de proteção e ficava satisfeita ao vê-la dessa forma, animada e sorridente.

    - É como dizem... Quantidade não é sinônimo de qualidade.

    Nééé?

    - Depois você me conta detalhes de lá? Admito que não é o país no topo da minha lista de viagens dos sonhos – balançou os ombros – Nada impede que se torne também – sorriu.

    O assunto mudou o foco no momento que apontou para Dong. Prontamente seguiu Stella e uma de cada lado, pairavam ao redor do rapaz – Sim! Um café cairia muito bem agora! – conforme esperavam as respostas e os pedidos específicos do trio, um menino desconhecido entrava e agia de maneira educada. Sunny correspondeu o bom dia, acenando e ela foi uma das primeiras a vê-lo pelo seguinte motivo...

    Pois o olhar, insistentemente, encarava a porta da sala.

    Esperando alguém, embora não soubesse o que fazer ou pensar.

    Afinal, de certo modo...

    Tinha levado um bolo, não?
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Nov 28, 2017 9:59 pm

    - Owwwnn!! - pousou o celular na bochecha outra vez e fitou a amiga com um olhar brilhante de comoção.


    Também estava muito contente em ouvir os elogios que BoMi lhe fazia. O modo como ela tinha lhe elogiado era tão fofo e gentil, que MiSoo quase derreteu com o agrado da amiga. Era tão diferente do irmão gêmeo que foi capaz de compará-la à um ogro por péssimos motivos! Era por isso que ele merecia ser ignorado!!

    Mas MiSoo nem ia gastar tempo pensando nisso, pois estava alegre pelas palavras de BoMi e por isso retribuiu o abraço dele vigorosamente, chegando a sacudi-la um pouco.

    Enquanto a abraçava chegou a ver Yerin sentada sozinha no banco, não tinha visto quando as outras ainda estavam perto dela, só quando ela agia de um jeito meio diferente do que era o “normal” dela. Mesmo assim não demorou mais do que alguns segundos olhando para ela e logo ignorou, não queria saber nada sobre a líder das cobras. Era uma garota terrível que já tinha maltratado novatas antes mesmo do primeiro dia oficial de aula e não merecia sua atenção.

    BoMi concordava com MiSoo que o trajeto até a escola era muito melhor quando estavam juntas. Tinha saudades do grupo reunido e agora parecia disposta a resolver tudo com EunBi! MiSoo deu pulinhos de alegria ao ouvir aquilo. Era seu objetivo mais importante para esse dia e parecia que iria se resolver naturalmente, afinal!

    - YEEE!!! - gritou, provavelmente chamando a atenção de todo mundo que estava em volta e erguendo os braços para o céu, inclusive quase jogando a mochila de EunBi para longe, por sorte apenas ergueu ela junto com as mãos - Vamos! Vaaamos! Ela vai chegar em cima da hora, mas eu também estou morrendo de saudades!!! - fez uma cara de choro, mas desta vez foi mais para demonstrar seu alívio do que propriamente chorar.



    Estava até fazendo uma pose aegyo para a amiga e quase apertando suas bochechas, quando os meninos se aproximaram.

    MiSoo perguntou do braço e Kang prontamente disse ter sido um “massacre”. A garota arregalou ainda mais os olhos e continuou com as mãos sobre a boca -inclusive aquela com a que segurava a mochila.

    - Massacre?? - repetiu com espanto.

    Kang continuava explicando que Won-Bin e Jae-Ki tinham brigado com Taemin.


    - Mas por… Como? ELE FOI ATRÁS DE VOCÊS!?? - MiSoo perguntou mais uma vez exclamando alto, bastante irritada com a possibilidade de Taemin ter ido se vingar dos garotos - Aquele... AISHHH!! - cerrou os punhos com força e inflou as bochechas, o que acabava fazendo às vezes quando estava irritada para valer também - Eu deveria dar uma raquetada nele mesmo! Aigo! Eu não estou com a raquete!

    E de repente, percebeu algo ainda pior!! Se Taemin tinha ferido até Won-Bin, BoMi certamente ficaria ainda mais assustada com a possibilidade de retaliação do loiro.

    - Aigoo!! - começou a ficar nervosa por BoMi.

    “Otoke?? OTOKE!?!?!?”

    Se acalmou um pouco para ouvir a versão de Won-Bin da história.

    - Em um ferro velho…? - repetiu a informação meio que incrédula, sem entender como tinham ido parar em um lugar tão perigoso.

    Ficou ainda mais nervosa ao entender como o garoto estava se sentindo derrotado. Não podia acreditar que o garoto loiro estava fazendo tudo isso com as pessoas à sua volta. Como ele ousava causar tantos problemas para seus amigos!?!?!?!

    - Hajima, Won-Bin-Shi! Ainda assim você me ajudou ontem! É um herói sim!

    Ia falar mais, mas decidiu ficar quieta para que Won terminasse de dizer tudo o que queria.

    Ouviu atentamente o que ele tinha a dizer, mas tinha ficado bastante incomodada com sua proposta. Não era o tipo de solução que interessava MiSoo. Por isso ela cruzou os braços e o encarou com uma expressão - um tanto exagerada - de seriedade.

    - Eu não abandono as pessoas por medo. Eu tenho a BoMi para proteger daquele maluco e até posso lhe proteger enquanto você está machucado! - respondeu com firmeza, mas por pura impulsividade, pois claramente sabia que não tinha chances contra um garoto violento como ele e que Won provavelmente se defenderia do garoto melhor que ela mesmo com a mão engessada.

    Não importava.

    Só não queria ver as pessoas à sua volta retraídas por medo de um colega. Nem que tudo o que pudesse fazer fosse animá-las um pouco.

    - Você se meteu com Taemin porque nos ajudou. Não há nada mais justo do que retribuir a ajuda! - novamente utilizava-se de toda sua determinação para acalmar as inseguranças daqueles que estavam acuados pelo loiro - E duas semanas logo vão passar, aí você voltará a ser um heróis completo outra vez, só que agora saberá que os vilões podem jogar sujo!
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por GodHades em Qua Nov 29, 2017 3:08 am

    - Ter tem, quer dizer, depende do Ui-Jin, se ele armasse uma mesa para nós, já me ajudaria muito. - Falava dos jogos, para variar, isso lhe distrairia quando não estivesse ocupado estudando e a essa altura começava a sentir falta daquelas reuniões deles. - Será que ele esta se inspirando no que anda vendo aqui para a nova campanha? Soube que agora ele deseja se focar mais nas meninas e...

    Falou com Min-Ho, como se o amigo não estivesse do seu lado.

    Era para o gordinho ouvisse mesmo, e percebesse que queriam interpretar. Graças a sua personalidade timida, Dong esperava uma reação engraçada.

    - Olá Sun-He! Não, não é para mim este presente, ora quem dera! Se fosse para me agradar, deveria ser algo com cafeina... e o pacote também precisaria estar mais alinhado. - Kyung de pronto responde, num tom de voz honesto e bem tranquilo, como o de alguém que planejou algo cautelosamente. Ele não havia gostado muito da maneira como dobraram o pacote, mas como não pode destacar isso pessoalmente na loja... ficaria por isso. - Misterios de WangJo.

    Falou por ultimo, vendo ela se reunir com Stella. Contrariando a percepção da Sunnyista, o rapaz respondeu e até brincou com ela. No fundo, estava realmente um pouquinho abatido, seu corpo doia pelos treinos de natação, Dong não era exatamente um rapaz que malhava e tinha físico bom para essas atividades. Cansaço lhe resumia e o café praticamente lhe mantinha de pé. Ontem teve coias para pensar, depois daquele jantar, mas não  pretendia incluir os seus colegas nos problemas intimos, talvez não quisesse aborrece-los com isso.

    - Sua voz é como melodia para meus ouvidos. - Respondeu a oferta do café com essa frase, piscando os dois olhos bem lentamente, ficando até surpreso ao ver Min-Ho se pronunciando, e para a canadense ainda. De súbito ele avista um menino e acaba respondendo o cumprimento com outro. - Ahh, bom dia...

    Curvou de leve o queixo para baixo, cumprimentando Jo Hyo-Shin, ele tinha um jeitinho meio reservado, parecia esperto e bem alinhado.

    Dong acompanhou com o rosto notando a educação dele ao pedir seu lugar, em seguida voltou a observar Jun. - Vai me trazer, mas não seria muito incomodo?

    Os olhos castanhos pareceram brilhar por tras das grossas lentes do oculos. Ele cita uma frase que escutou num dos programas que costumava assistir.

    - Quero bem amargo! - Disse de maneira exigente, mas não detalhou o nível. Ia dizer amargo feito ranço de canceriano mas ai aquele lindo sorriso de "orelha a orelha" desapareceria e um belo bico se formaria no lugar.

    Esperaria a resposta delas, o que iriam decidir, quando trouxessem, Kyung iria beber lá fora.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Nov 29, 2017 9:00 am

    Nayeon percebeu que o livro que a menina lia era em inglês. E achou incrível como ela conseguia ler em outra língua com tanta facilidade. Enquanto olhava para Sejeong e tentava puxar assunto sobre o livro, a garota prestou atenção nela.


    Não conseguindo conter a surpresa, ela arregalou os olhos por atrás da armação grossa do óculos. Estava mesmo conversando com alguém!!! Seu pressentimento de que esse ano seria diferente, estava finalmente acontecendo. Nayeon começou a ficar mais agitada e girava o lápis entre os polegares, num gesto nervoso. Ela tinha imaginado tantas vezes como seria ter colegas de classe que se perdeu em pensamentos e demorou um pouquinho para responder.


    - Eu...não...


    A expressão dela foi mudando aos pouco.  Antes estava nervosa mas claramente feliz por ter recebido a atenção da Sejeong. Mas aquela pergunta a fez lembrar que mesmo estudando a tantos anos no colégio, não fazia diferença, pois nunca teve intimidade com ninguém. Esse pensamento a deixou triste e ela abaixou a cabeça, escondendo o rosto com a franja.


    Se sentia uma completa idiota, por nunca ter se destacado em nada. E apesar de sua família ter dinheiro, as pessoas a ignoravam.


    Mas então aquele momento de reflexão foi interrompido pela chegada de um aluno novo. Nayeon foi erguendo a cabeça aos poucos e ao ver o rapaz parado diante das duas, sentiu seu rosto corar violentamente.




    Imediatamente ela desviou o olhar e escondeu o rosto com as mãos. Por que ela tinha que ficar tão sem jeito assim na frente de garotos?  Sem saber o que responder e sentindo seu coração bater mais rápido de nervosismo, ela esconde o rosto no caderno.


    Esperava que Sejeong deixasse o menino sentar entre elas, afinal ele era tão bonitinho. Mesmo "escondida" com a cara no caderno e morrendo de vergonha, ela prestaria atenção na resposta da menina.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Qua Nov 29, 2017 4:01 pm

    [LAGO]
    (Hyun-Hee)

    Hyun-Hee tinha conseguido o que queria desde o início daquele dia: ficar sozinho e em paz. Depois de ter chateado Chaeyoung por algo que ele nem tinha ideia, pôde ocupar o banco todo de novo. Porém, cinco minutos na presença dela tinha mudado um pouco o desejo dele, de modo que agora ele não queria ficar em silêncio.

    Queria cutucar aquela onça-joaninha com uma vara curtissima, só para provocar mesmo.

    A garota estava se afastando do lago com passos bem aborrecidos e marcados até que recebeu a mensagem. Hyun tinha sido rápido em sua decisão de provocar e ela tinha acabado de alcançar a lateral do prédio principal quando recebeu a mensagem. Virou a cabeça, olhando para trás depois de ter lido aquela resposta. Mesmo à distância, ele poderia sentir furioso em sua direção.

    E isso foi o suficiente para que ele visse o "digitando..." aparecendo abaixo do nome dela.

    "Não somos nem de longe parecidos, com exceção do sobrenome, menino.
    E você ia sair primeiro, mas espero que tenha sentido um gosto bem amargo ficar sozinho >D
    Palhaço ¬¬"

    "Você é estranho. Prefere ver as pessoas irritadas ou furiosas do que sorrindo. Isso não faz bem pra você, sabe? Deveria repensar esses gostos peculiares. Ana Steele não existem, pelo menos não deveriam. E se você não entendeu a referência, não vou explicar não O.o"

    "Não devo nada. Se quiser a joaninha de volta, pode pegar ¬¬"

    "Mentira, é minha. ù.u"


    Não dava mais para ver a cara que ela fazia enquanto digitava tudo isso para ele. Fato era que Chae disparava mensagens sem fim, mas logo mudou de janela para dar atenção à pessoas sãs. Finalmente leu a conversa no grupo das meninas, mas à essa altura - cerca de 7:40 - SUNNY já estava chegando na sala de aula.

    "Poxa, só vi agora, meninas. Eu tô aqui na entrada, vou ficar mais um tempinho antes de subir. Não quero encontrar aquela maluca de ontem não"


    Lee-Hi logo respondeu que ela estava à caminho e se esperasse um pouquinho, subiriam juntas. Chaeyoung concordou e caminhou mais um pouco até a ENTRADA DO PRÉDIO parando, mais ou menos, próxima a um grupo de amigos que estavam ali. Havia um grupinho de umas quatro pessoas e um dos meninos estava com o braço quebrado. Fez beicinho, lamentando e esperando que ele não fosse canhoto.

    Parou de prestar atenção quando olhou para o celular de novo e foi ver se o idiota de cabelo de fogo tinha respondido.

    - Espero que você tome um zero hoje. - Resmungou sozinha. - Maldição...

    Revirou os olhos e bufou.

    Já Hyun-Hee podia ficar se divertindo com as mensagens com ela ou continuar matando o seu tempo até o horário da aula. Não tinha muito o que aprontar do lado de fora, mas o dia já tinha começado diferente. Nos anteriores, ele não tinha dado risada de nada logo nas primeiras horas. Mas essa pequena interação com a garota foi o suficiente para espantar, pelo menos por hora, aquela sensação de que era observado ou que iriam matá-lo a qualquer momento.

    Dava para quase ser normal. Quase.

    Porque aquela sensação sufocante de prisão não tardaria a alcançá-lo de novo. Era o que acontecia quando a mente ficava muito tempo vazia, pensamentos ruins logo chegavam e o faziam entrar num loop infinito de auto-punição.

    [SECRETARIA]
    (Jae-Ki)

    - Não, não vou. - A Srta Yang disse com bastante tranquilidade, apesar da seriedade.

    Era bom ver que Jae-Ki não a achava tola a ponto de acreditar em qualquer historinha que ele fosse contar. Ele precisaria contar a verdade ou, pelo menos, uma história convincente. A mulher continuou de pé, mesmo quando o viu se render daquele modo para explicar os próprios problemas. Ouvia suas justificativas e quanto mais ele frisava que não tinha sido no colégio ou com alguém do colégio, mas Srta. Yang entortava um pouco a boca.

    - Compreendo... - Respondeu, por fim e suspirou. - Se tivesse sido aqui no colégio, seria de nosso conhecimento. Mas não se preocupe, você não será suspenso pelas coisas que faz do lado de fora, a menos que seja algo envolvendo ficha criminal ou coisa do tipo. O que tenho certeza de que não acontecerá.

    Explicou e ajeitou.

    - Entendi sua história, mas é bom que isso não seja um hábito, Sr. Song. - Disse de modo polido. - Isso pode não gerar uma suspensão para você, mas constantes "acidentes" onde os pais não se responsabilizam ou dão conta, nos obriga a tomar medidas com o Conselho Tutelar. Cuidado.

    Arqueou uma das sobrancelhas e, quanto ao dinheiro, ela meneou negativamente. O menino não tinha entendido que ela meio que "deu" o dinheiro para ele. A história de devolver a nota inteira era apenas uma desculpa para que ele ficasse com tudo e pagasse quando pudesse. Não ia fazer questão de algo assim, ainda mais depois de ter conseguido o material novo pra ele.

    - Guarde o dinheiro. Depois você me devolve. Agora cuide desse olho e vá para sua sala.

    Nem deu tempo dele se justificar mais, já começando a sair dali. Já eram quase 7:45 e não era uma boa ideia ele se atrasar e criar inimizade com outro professor. Quando saísse da secretaria, ele ainda veria seus amigos Kang e Won-Bin reunidos na entrada principal com a "doida da mochila" e a menina que falou para ele ir ao lago - MiSoo e Bo-Mi. Mas nada de Eun-Bi ainda.

    [ENTRADA: PRÉDIO DO ENSINO MÉDIO]
    (Won-Bin, MiSoo e Jae-Ki)

    Depois que Kang soltou sua lingua como se fosse um locutor de corrida de cavalo, restou a Won-Bin explicar bem direitinho o que tinha acontecido. Bo-Mi estava com a boca meio aberta, preocupada e assustada com as informações iniciais que tinha recebido de um exagerado Kang - mas assumiu como verdadeiras, diante do braço engessado de Won-Bin.

    O discurso de Won-Bin foi fazendo aquela onda de braveza - típica de quem dá esporro quando alguém faz besteira - passar. Os ombros dela caíram um pouco e ela só meneou negativamente quando ele pediu perdão. Estava pedindo perdão pelo que?

    Antes que ela pudesse falar, contudo, MiSoo reagiu. Meneou positivamente para o que ela disse, porque concordava. Claro que tinha medo da retaliação que todos sofreriam, mas não ia abandonar os amigos por isso.

    - MiSoo tem razão, Won-Bin-shi. - Disse, finalmente. - Antes mesmo de ontem, você já tinha sido o meu herói e isso não vai mudar. Só lembre-se que você é humano, de carne e osso. Existem formas mais efetivas de proteger quem gostamos e vai muito além das agressões físicas. O demônio loiro jogou muito sujo e eu lamento pelo seu braço.

    Fez uma carinha de pena e escondeu os lábios por um instante.

    - Mas ele tem errado muito mais do que a gente. Sabe por que? Porque formamos um time, uma Liga! - Fez o "fighting"

    - Vingadores... - Kang disse com os olhos brilhando e já levando os punhos fechados até o quadril, numa pose nada heroica.

    - Ye! - Bo-Mi disse. - Nós não temos que te perdoar por nada. E, bom, a melhor forma de nos protegermos é cuidando uns dos outros. Vocês já são nossos amigos e somos a equipe de espionagem mais tosca da WangJo. - Deu uma risadinha divertida. - E esses problemas só vão nos deixar mais unidos. O demonio loiro mexeu com as pessoas erradas, porque isso não vai ficar assim.

    Foi ficando um pouco mais séria até que se lembrou de algo.

    - E eu espero que você não tenha tomado essa medida com Jae-Ki por minha causa. Verdade que eu estava e, ahm, ainda estou com medo. Mas eu jamais desejaria que meus amigos se colocassem em risco assim por um medo meu. Se você fez isso, me perdoe.

    Abaixou um pouco a cabeça, pedindo sinceras desculpas. Em seguida, lançaria mais um olhar na direção do braço ferido e daria um suspiro triste por isso ter acontecido com ele.

    Enquanto conversavam, uma menina com um estilo bem diferente - usava coturnos e tinha muitos acessórios nos braços e nos dedos - estava apoiada perto da escada, sem largar o celular. No banco, também olhando para o celular, Yerin continuava sentada. Em movimento, Gyu-Sik, Jung-Mi e Ryu começavam a se aproximar do grupo. Eles não pararam, contudo, apenas trocaram um rápido olhar com eles.

    - Bom dia, meninas. Bom dia. - Jung-Mi cumprimentou MiSoo e Bo-Mi e depois deu bom dia para Kang e Won-Bin, ainda de modo simpático, mas não tão intimo, por motivos óbvios.

    Gyu-Sik também cumprimentou os garotos, acenando e parecendo bem tranquilo mesmo diante da história do dia anterior. Ryu também fez o mesmo, mas ele parou e voltou, chamando a atenção de Bo-Mi. A menina olhava para o braço de Won-Bin, mas virou-se um pouco na direção de Ryu quando ele a chamou.

    - Bo-Mi-Yah...Será que podemos conversar no intervalo? - Perguntou num tom baixo e discreto.

    Bo-Mi arregalou um pouco os olhos, surpresa com aquele pedido, mas logo meneou positivamente.

    - Claro, Ryu-Ji-shi. É algo sério?

    - Depende do ponto de vista. - Sorriu, achando certa graça. E Bo-Mi sorriu também.


    - Tudo bem, então...nos falamos depois.

    Ela tinha se virado um pouco de costas para falar com o garoto. Ryu concordou e se afastou, acelerando um pouco para alcançar Jung e Gyu-Sik. Enquanto Bo-Mi falava com Ryu, Jae-Ki pôde ser visto com o seu belo olho roxo. Kang fazia uma expressão confusa, tentando fazer cálculos mentais e estava de costas para Jae-Ki. O amigo briguento só veria MiSoo de frente para ele, mas Kang e Won-Bin eram facilmente reconhecíveis de costas.
    [/color]

    [SALA DE AULA]
    (Dong e Nay)

    Sejeong não era uma pessoa muito paciente ou com um trato social extremamente aflorado. Olhou para Nayoung, esperando algo mais além de "eu...não". Até porque, estava sentindo o olho de Nayoung em seu livro e imaginou que ela fosse muito tímida para começar uma conversa. Só não imaginava que a timidez também estava presente e a impedia de manter uma.

    - Hm... - Sejeong comentou. Mas não soube o que acrescentar.

    Ainda deu a oportunidade da menina falar mais alguma coisa, mas diante da atitude dela, de abaixar a cabeça e esconder o rosto, Sejeong corrigiu a postura e pegou o livro de novo.

    Ela não entendia muito bem as pessoas. Era direta demais.

    Eis que um menino se aproximava e perguntava se o lugar estava vago. Para ela, era indiferente quem fosse sentar ao seu lado, por isso deixou para Nayoung responder. O problema foi que ela também não respondeu e o menino ficou sem saber. Hyo-Shin conhecia Nayoung de vista, mas nunca tinham conversado por muito tempo - ele também fazia parte dos timidos e sem grupo, mas diferente da menina, conseguia se comunicar um pouco melhor.

    Hyo-Shin olhou para a menina nova e ela deu de ombros.

    - Não tem ninguém aí, pode se sentar sim.

    Ofereceu o lugar.

    - Ah, obrigado... - Hyo-Shin colocou sua mochila ali e olhou para Nayoung mais uma vez. Os modos dela podiam ser interpretados de maneira equivocada.

    Principalmente num colégio como WangJo. Esconder-se assim, geralmente era porque sentia vergonha de ser visto com determinada pessoa ou coisa assim. Hyo-Shin não esperava por isso, mas fazia questão de se sentar na primeira fileira, por isso ficaria com aquele lugar. Porém, ele não se sentou. Pegou o celular e foi para o lado de fora, jogar um joguinho sentado no corredor, proximo à janela.

    Já do outro lado da sala, Stella Jun tentava animar o amigo Dong com um pouco de cafeína - os amigos conheciam tão bem o vício dele na bebida que todos ofereciam café para animá-lo. Felizmente, Sunny também tinha aceitado participar daquela gracinha.

    - Não, né? Se eu estou perguntando. - Stella revirou os olhos, fingindo impaciência, mas sorriu de leve porque seu humor estava muito bem. - Já sei que é bem amargo. Sunny vai me ajudar a trazer.

    Ajeitou-se e seguiu com a menina para o lado de fora. Como não devia ter fila para isso, àquela hora, elas podiam descer rapidamente os lances de escada e pegar as bebidas - menos de dez minutos, estariam de volta e ainda daria tempo de beberem. Quem sabe encontar os amigos pelo caminho.

    Dong só viu os cabelos delas para trás e, novamente, estava sozinho com seus amigos. Agora, sem meninas, Ui-Jin sentiu-se à vontade de falar.

    - Podemos continuar nossa campanha de rokugan. - Ui-Jin comentou. - Você conseguiu salvar essas mochilas azaradas. - Referia-se a Ha-Neul e Min-Ho.

    - Eu sou um shugenja (especie de mago em rokugan), meu dever era lançar a magia.

    - Você só pegou magia idiota, Min-Ho. Só deixei passar porque é cansativo te ouvir argumentando sobre suas fichas absurdas e preferi que sofresse na prática.

    - Ui-Jin, você é muito injusto! Minhas fichas são maravilhosas

    - Que nem aquele bardo que não sabia tocar música nenhuma.

    - Mas é porque você queria que eu cantasse de verdade

    - Você tá interpretando ou não tá?!?!

    - Você faz de proposito, certeza.

    - Podemos começar outra campanha ou só jogar video game, Dong. Quando podemos nos reunir? Sabado? Domingo?

    - Sábado.

    - Prefiro domingo.

    - Olha como ele é implicante, Dong.

    - Eu sou o mestre, posso ser implicante.

    - Pois vou começar a narrar também.

    - Boa sorte. Talvez eu te ensine a fazer umas fichas.

    - Ui-Jin... - Min-Ho engrossou um pouco a voz e o gordinho deu de outros.

    - E o Lolzinho? Quando vamos jogar?

    - Mid é meu.

    - Precisamos de um ADC. Será que o Kim joga?

    [ESCADAS]
    (Sunny)

    Enquanto desciam as escadas, Stella aproveitava para responder algumas perguntas de Sunny.

    - Também acho 20 dias pouco, mas é um intercâmbio breve, sabe? E poxa, tem três anos que não nos vemos, fora que o fuso-horário não ajuda também. Mas vamos aproveitar bastante esse tempo, tenho certeza.

    Sorriu, animada.

    - Eu nasci no Canadá, mas não morei apenas lá porque minha mãe é diplomata. Minha família sofreu um pouco com isso, porque meu pai passou para a Procuradoria e, bom, ele tinha que ficar aqui, né? E minha mãe gostava muito do trabalho dela. Então, eu nasci no Canadá, mas já morei na França dos 6 aos 10 anos, até que voltei para o Canadá e fique até os 13. Daí minha mãe conseguiu ficar em definitivo aqui na Coreia, na embaixada daqui e sem novas mudanças.

    Suspirou.

    - Talvez eu possa te explicar um pouquinho dos dois países. - Sorriu. - E ensinar francês, se quiser.

    Dizia enquanto descia as escadas até que, no último lance, elas começaram a ouvir vozes masculinas. Não seria nenhuma surpresa para elas, visto que existiam muitos meninos na Wangjo. Mas Sunny podia reconhecer bem aquela voz, talvez até estranhasse um pouco o timbre porque parecia mais relaxada e menos formal do que o normal.

    Quando estava no topo do último lance de escadas para o térreo, ela veria Jung-Mi no meio dela, subindo até onde Sunny e Stella estavam. O rapaz ria de forma breve de alguma coisa até que percebeu que tinha mais gente e, ao olhar para cima, deparou-se com Sunny. O sorriso dele vacilou um pouco e ele parou por um breve momento, sem saber para qual lado ela iria. O rosto foi ficando mais tenso, mas ele não diria nada a ela, caso ela também não dissesse.

    Sua intenção era chegar logo até a sala.

    Stella também tinha parado de falar e engolia em seco, um pouquinho ansiosa por estar diante de oppas tão populares ali.

    [ENTRADA: PRÉDIO PRINCIPAL]
    (Hye-Min)

    Hyemin não podia imaginar como Joo-Hyuk agradecia por aqueles segundos onde ninguém falava nada. Sua mente ainda estava em dúvida se ela realmente chamara por ele ou se foi obra de uma cruel ilusão. Agora que via que, de fato, Hyemin estava ali apenas a alguns metros dele, Joo-Hyuk também não sabia como reagir.

    Era como se a visse pela primeira vez, depois de tantos anos; como se os últimos dois dias não tivessem existido, muito menos o brevíssimo encontro no elevador.

    Piscava mais do que gostaria e precisou ajeitar os óculos pelo menos uma vez mais para se manter no mesmo lugar. O que ela queria, afinal? Apenas gritar seu nome para testá-lo? Bom, se era isso, ela tinha conseguido! E ele falhara na tentativa de tratá-la como vinha fazendo. Era muito mais fácil imaginar que Hyemin era uma pessoa desconhecida do que olhar para ela e saber que ela tinha mudado por vontade própria.

    Doía saber a verdade, por isso era mais fácil jogar aquele jogo mental, onde a realidade recebia o véu da ignorância.

    Chegou a franzir um pouco as sobrancelhas, abrindo e fechando os lábios algumas vezes enquanto ainda a encarava. Estava prestes a perguntar "O que você quer?! Hein?!" "O que você vai querer tomar dessa vez?!" "Não cansou, não?!". Mas aquela aurea de irritação foi perdendo a força conforme via a expressão dela mudar.

    Os olhos dela estavam brilhando ou era impressão dele?

    Que tipo de atitude era aquela??

    Sem nenhum tipo de aviso ou resposta para suas indagações internas, Hyemin se curvava diante dele. Joo-Hyuk mal podia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Era surreal demais! Hyemin nunca tinha se curvado para ninguém, por que estava fazendo isso agora diante dele? Até chegou a olhar ao redor, como se procurasse alguma explicação e, infelizmente, ele viu que a menina inseparável estava mexendo no celular de modo suspeito.

    Hayoung chegou a arregalar um pouco os olhos e tentou disfarçar, mas Joo-Hyuk fechou a cara.

    Não podia mesmo acreditar que Hyemin ainda tinha um resquicio de quem era. Obviamente, aquelas lágrimas faziam parte de algum truque. Será que a retaliação em relação à atitude do diretor já tinham começado? De onde estava, ouviu os pedidos de desculpa dela, mas seus ouvidos não acreditavam naquela sinceridade.

    Hyemin logo perceberia a aproximação dele. Agora Joo-Hyuk estava sério de novo e parou bem diante dela. Parecia que suas orações não eram mais atendidas pelos céus.

    - Erga a cabeça... - Pediu num tom de voz baixo, mas sem muita empatia ou intimidade.

    Quando Hyemin olhasse para Hayoung, a menina menearia negativamente, como se indicasse que algo tinha dado errado. E, assim que Hyemin olhasse para cima, veria que Kim também olhava na direção de Hayoung antes de encará-la de novo.

    - Eu não sei que tipo de coisa você está armando agora. Mas reconheço seu esforço por me chamar e se curvar assim para pedir desculpas tão formais. Eu as aceito, em parte, mas se quiser um verdadeiro perdão, mude sua atitude em relação às outras meninas também. Principalmente Sun-Hee. Não precisa pedir desculpas assim, só não as machuque mais.

    Que tipo de condição era essa?

    Por que simples desculpas não bastavam para aquele Dumbo?!!?

    E ele ainda continuou.

    - Por que a sua amiga está com o celular virado pra ca? - Perguntou, num tom curioso, mas estava evidente que ele não tinha acreditado completamente nela, por conta do deslize de Hayoung.

    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Qua Nov 29, 2017 5:17 pm

    Jae-ki apenas escutou receoso a resposta da Senhorita Yang. Sentiu-se mais leve ao ouvir que não iria ser suspenso por coisas fora da escola, só isso lhe tirava um peso dos ombros. Engoliu a seco quando ouviu as palavras "ficha criminal", sim ainda se lembrava do policial pai de Won Bin. Mas foram as próximas palavras que o deixaram preocupado de novo. " Conselho Tutelar? Que? Mas que jiral... " Em seguida a mulher recusou novamente o seu dinheiro, ela estava tentando ser gentil, mas Jae-ki não conseguia perceber isso. E se tinha algo difícil para ele, era saber o que as mulheres queriam dizer quando não falavam claramente. Só Soo-ji era fácil de entender, mas ela era uma garotinha ainda.

    Como não queria se atrasar e nem correr o risco de mais perguntas, ele guardou o dinheiro, fez um aceno com a cabeça para a diretora assistente, e finalmente saiu da secretaria. Que alívio!! Deixou a cabeça cair para trás alguns instantes e fitou o teto satisfeito por não ter levado uma suspensão. Quantas vezes tinha saído assim tão livre de uma secretaria?

    Porém logo que deu seus primeiros passos, as palavras "conselho tutelar" latejavam em sua mente. Seria um problema a mais para pensar, não tinha imaginado que se achassem que tinha uma família ruim, poderia ter tantos problemas. Seu maior medo era tirarem a guarda deles do seu irresponsável pai, e de sua avó, que não conseguia dar conta sozinha. Ele podia já imaginar que teriam que ir para algum orfanato, e a ideia de ficar longe de Soo-ji ou afastado, era terrível. Eles nunca entenderiam que a irmã estava muito melhor com ele! Não podia deixar de jeito nenhum que achassem seu pai ruim, embora fosse a verdade. Sua halmoni também não tinha condições para estar indo ao seu colégio o acompanhando. Já era difícil antes, dessa vez com um colégio longe era pior. Agora mais do que nunca, Jae-ki constatava que precisaria evitar a todo custo ter qualquer olho roxo ou ferimento visível. Seria sua prioridade nas próximas brigas, defender o rosto. Anotava isso mentalmente quando olhou ao redor e viu as costas dos amigos na entrada principal, logo um sorriso animado surgiu no seu rosto preocupado. Mas assim que viu Misoo e a amiga Bo-mi, o garoto foi se aproximando deles com o olhar focado em Misoo como se estivesse espantado ou vendo algo bem bizarro:


    Quando chegou perto suficiente, Jae-ki exclamou bem espontâneo para ela:

    - Aigoo! O que aconteceu com seu cabelo? Tá parecendo aquele rato, o... Mickey?

    Não tinha falado por mal do cabelo de Misoo, mas infelizmente era uma mania sua fazer comentários indelicados e muito sinceros. Por que será que não se dava muito bem com garotas? Devia ser por isso. Estava com a bolsa térmica na mão, ainda pressionando contra o olho roxo. Virou rápido para os amigos colocando o braço no ombro de Won-bin os cumprimentou:

    - Yo! Won-Bin! Kang!

    Nem passou pela sua cabeça cumprimentar as garotas. Jae-ki logo começou a tirar a mochila das costas de Won-bin do nada mesmo, muito apressado. Queria ajudar o amigo o quanto antes, o braço enfaixado dele só o lembrava cada vez mais do que tinha sido feito na noite anterior. Também rapidamente percebeu que Eun-bi não estava ali com suas amigas, isso o preocupou. Será que ela estava muito machucada? Será que o pé dela estava doendo tanto? Nesse momento tão rápido, nem passou pela sua mente a mentira dela, não ainda. Ainda começando a tirar a mochila de Won-bi, logo perguntou instintivamente as duas garotas:

    - A Eun-bi não melhorou? Como ela tá?

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    Re: Capítulo 2

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      Data/hora atual: Ter Dez 12, 2017 2:44 am