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    Capítulo 2

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    GodHades
    Samurai Urbano
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    Samurai Urbano

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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por GodHades em Sex Dez 15, 2017 12:52 am

    - Não sou tão pão duro assim! - Exclamou, endossando que iria fornecer as bebidas que quisessem, era só pedir.

    - Comer também? Aproveitem a chance. Enquanto a mim nada comerei nem beberei.

    Dong precisaria ver como traria tanta coisa sem trupicar no processo, ele ouviu a honesta resposta de HaN que confirmava que havia sido um idiota, mesmo que no fundo ele não se sinta tão mocorongo assim.

    Se despediu de Hayoung, dando mais um aceno breve, e de lá havia ido até onde Stella estava...

    Dong foi presentado por um sorriso dela, que era sempre uma coisa boa de se ver.

    Conseguia ouvir as risadas dos amigos que se sentaram na mesa do lado, o som da coca abrindo chegou a estalar no ouvido dele, fato que lhe fez ele virar quase trincando os dentes, de brincadeira. - Aiisshh...

    Ha Neul foi ainda pior no comentário mas Dong viu ai a oportunidade, um brilho reluziu na lateral da lente do oculos.

    Diferente das lentes do gordinho que nublou daquele jeito engraçado, as dele pareciam bem translucidas. - Ótimo!! - Disse animado - Sua agenda é mais apertada que a minha não? Tenho preferencia para ser de tarde... talvez a noite. E você?

    Ambos se encaravam daquele jeito, mas o clima que se formou era cortado pelo Ui-Jin que parecia se afogar no refrigerante, o que raio ele estava pensando? Tomara que nada de constrangedor! Afinal ficava fazendo todo o tipo de som estranho, revelando seu elevado constrangimento com a atitude do amigo; que na sua concepção não estava fazendo nada mais do que ampliar sua língua digo conhecimento cultural.

    O segundo sorriso que ela deu denotou que havia gostado do chá, então o Kyung realmente acertou e isso pareceu agrada-la.

    Era um alivio que Stella estava mais calma e a intenção dele seria essa, deixa-la entretida além de saber que ela gosta do assunto sobre línguas.

    Dong acabou sem querer reparando na feição que Chae fez e virou o ombro para ver o que aconteceu, nisso observa aquele Hyun-Hee chegar, achou a reação curiosa, especialmente quando a mesma usou o celular de "jornal"... depois mexeu a boca para o lado simbolizando um "que estranho..." e procurou um lugar perto dos amigos para se sentar, como não ia comer nada, usou a ponta dos dedos para puxar o celular do seu bolso direito e usaria este para passar o tempo caso não fossem continuar a conversa. - Estou bem, obrigado Sunny... e falo em nome desses senhores Aponta o próprio grupo com o polegar- Que não vão querer nada também, já beberam demais! Sua cabeça parecia latejar um pouco mas os remédios que costuma levar junto estavam em sua mochila, ao retornar para a sala de aula, aproveitaria para tomar alguma coisa, aquela cena toda no corredor acabou sendo bem complicada para ele, apesar que por fora não parecia.

    Persephone
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Sab Dez 16, 2017 12:34 am

    [REFEITÓRIO]
    (Todos)

    Todos pareciam de acordo ao considerar que o refeitório não era o melhor lugar do mundo para se conversar, mas, mesmo assim, os grupos estavam formados e...conversavam. Era inevitável, no fim das contas. Ainda que para alguns fossem conversas mais amenas, todos estavam expostos ali e já formavam uma tela de possíveis grupos simpatizantes e contrários.

    Hyemin não tinha seu grupo completo porque Yerin expulsara as meninas da mesa, mas elas continuavam próximas à elas de todo o modo. O mesmo acontecia com o grupo de Eun-Joo e de Sunyoung que se juntou à elas depois. As rainhas tomavam conta do lado direito do refeitório e era uma seleção de belas garotas - tão lindas quanto esnobes. Olhavam, vez ou outra, para o meio ou o lado esquerdo do refeitório. Yerin era uma das poucas que já tinha coletado tudo o que precisava e agora colocava em prática o seu plano.

    O início dele consistia em cativar a confiança de Hayoung para que ela começasse a ser útil em planos futuros.

    Combinavam de fazer compras no shopping, no dia seguinte, e meio que requisitavam a opinião da menina a respeito de uma das figuras mais polêmicas da WangJo, nos últimos tempos. Hyemin, contudo, tinha uma resposta mais consistente e fazia Yerin pensar. Sabia que tinha corrido um risco, mas ela não podia recuar ou demonstrar medo diante daquele louco. Precisava se impor, como geralmente fazia em tudo na vida.

    - Vamos primeiro ter certeza se a unnie realmente deseja as desculpas ou a cabeça dele, Hyemin. Não se esforce à toa, muito menos se humilhe, hm? Agora ele me parece socializar mais com os antigos amigos, vamos ver o que ele quer… - Tombou um pouco a cabeça. - A verdade é que não é muito difícil recuperar a coroa do rei aqui. Pelo menos do 2º e 1º ano, visto que quem manda mesmo é o Myung-Hee-shi. - Aquele que Hyemin estava odiando agora. - Como disse, vamos deixar...as coisas...se acalmarem, né? E fique tranquila, ele pode ser maluco, mas eu sou pior do que ele.

    Hayoung arregalou um pouco os olhos com aquela afirmação, principalmente porque não tinha como concordar mais com Yerin. Depois disso, a lider respirou fundo e fez sinal para que Yewon, Eun-Na e até Mi-Ran voltassem. A última teve que se afastar de Ji-Ran à contra-gosto, só para manter a base social funcionando.

    Agora sim Hyemin podia se sentir querida e amada de novo, porque suas preciosas amigas a rodeavam. Elas eram tão sinceras, não é?

    Mas e ao que Yerin tinha acabado de dizer?

    Será que realmente não podiam confiar em ninguém? O quanto isso era saudável, no fim das contas? Desconfiar sempre de todos não acabaria gerando uma paranoia ou coisa do tipo? Será que ela e a tia estavam certas mesmo?

    Olha bem Hayoung, ela nem tem cara de quem pensa em coisas assim. Eun-Na também não faz o tipo estrategista...Até outro dia estavam conversando sobre tecidos. Ela teria mesmo feito isso? Yewon também! Ontem até deu chocolates e o problema dela era com MiSoo, não com Hyemin ou Yerin.

    Isso podia ser um pouco confuso.

    Mas surpreendente - ou não - era o modo como Yerin conseguia lidar com aquilo. Sua pose não mudava em nenhum momento, sempre tranquila, segura e conversando normalmente com as pessoas que ela já havia revelado desconfiar. Talvez, se Hyemin parasse para analisar um pouco o histórico de sua melhor amiga, pudesse compreender o motivo dela ser assim.

    Será que Hyemin ainda desejava ser como ela?

    Aquele processo tinha sido doloroso demais. Talvez as pessoas apenas fossem como são mesmo.

    Yerin, contudo, tinha pedido algo simples de Hyemin: manter Hayoung por perto e bem, quase como se estivesse domesticando ou treinando um animalzinho mesmo. Hyemin era capaz de cumprir isso.

    Pelo bem da missão e, claro, de seu futuro próspero e perfeito com Miwoo.

    [...]

    Pela primeira vez desde que tinha retornado à Coreia, Hyun-Hee podia dizer que se sentia em casa. Dezoito meses não foram o suficiente para mudar certos hábitos ou sensações que ele tinha por andar em grupo. Jong-In atraía as pessoas com aquele jeito sonso e sacana dele, de modo que qualquer um se sentia importante ou parte de algo - ainda que esse “algo” fosse bem raso mesmo.

    Entrar no refeitório ao lado dele e Da Won foi como um dejavu do passado. Depois de uma de suas típicas brigas com Joonie, ela corria para os braços das amigas e falava os horrores que ele a fizera passar - e olha que naquela época, os horrores consistiam apenas em deixá-la esperando porque ele se enrolou com treino, mãe, pai, obrigações ou preferiu estudar. Ou simplesmente porque tinha discordado dela de alguma coisa.

    E lá ia Joonie para o ninho de cobras que chamava de amiga. Duas delas, inclusive, se divertiam e aproveitavam bastante desses “términos” deles. Mas Jimin, com certeza era aquela que se divertia mais - fosse morena ou loira, ela sempre tinha aquele sorriso ligeiramente travesso e provocante para ele, além de encará-lo no limite do que seria correto ou bem visto.

    Jong-In apenas ria. Antes e agora. Porque nada tinha mudado mesmo.

    Inclusive o modo como ele chegava nas meninas “do outro grupo da sala”, mas que eram tão divertidas e sociáveis quanto as princesas. Certamente eram mais dignas, isso ele nem precisava se questionar.

    Porém, a presença de Chaeyoung no mesmo ambiente, dava fim ao dejavu. Apesar das coisas serem como antes, a existência dela ali indicava que estavam algum tempo à frente.

    Afinal, ela não fazia parte daquele quadro no passado. E, aparentemente, não queria fazer agora. Mesmo sob o insistente olhar dele sobre ela foi o suficiente para tirar a atenção que ela tinha no celular. Hyun queria que ela o olhasse, mas ela não queria olhar para ele. Principalmente quando seus colegas de mesa chamaram atenção - era uma mistura das pessoas da turma dele e algumas figuras do 2º ano. Para eles, ela destinou toda atenção do mundo, sorrindo e brincando.

    Pelo menos ele pôde se ocupar com outro tipo de conversa.

    Mim-Li - Mily - realmente focava sua atenção em Da Won, ainda que houvesse aquela falta de jeito mútua para conversarem. Jong-In implicava sem parar com Mi-Na que respondia à tudo, bem atrevida e respondona. Já Siyeon ficava mais quieta, por ser naturalmente mais tímida.

    Hyun foi recebido de modo amistoso e a brincadeira sobre o clube rendeu por um tempo. Jong-In até erguia as mãos como a pose de um ballet e arrancava risadas de Mi-Na.

    - Pode ser, tem razão, oppa. Serão bem-vindos, se quiserem… - Mi-Na comentou.

    - Mas ouvi dizer que você estava no hipismo. - Jong-In o encarou. - Quer ser um Cavaleiro agora?

    Provocações à parte, a conversa fluía bem e de modo divertido ali.

    [...]

    Apesar do pequeno atraso, Sun-Hee não tinha perdido nada. As meninas também não tinham chegado há tanto tempo assim e logo sorriram para ela e seu grupo, oferecendo lugares. Stella foi a única que não se sentou porque Dong veio falar com ela.

    Diferente dos meninos amigos de Dong, o lado de Sunny soube ser mais discreto. Kim ainda estava um pouco pensativo sobre as coisas que a amiga gostaria de conversar com ele - sabia que devia certas explicações a ela, mas Sunny também devia um monte. Inclusive reparou na repentina mudança de expressão dela e a desculpa rápida de ir buscar algo para beber.

    Kim não quis nada, porque não estava com fome.

    Enquanto ela ia, Lee-Hi comentava que ela estava um pouco esquisita e Chae captou aquele comentário como um cenário que eles precisariam mudar. Quando Sunny retornou, Chae a puxou para a cadeira, dizendo.

    - Senta aí e escuta o que aconteceu… - Ajeitou o cabelo. - Acredita que trouxeram uma tarântula para a escola e colocaram no armário de uma das meninas?

    - Verdade, foi um susto! - Lee-Hi respondeu, levando a mão até o peito. - A Chae fez parecer tão fácil. Você não tem medo daquele bicho, não?

    - Ani. - Chae respondeu com naturalidade. - Pobre animal. Mas enfim, fiquem de olho e mudem as senhas, a segurança aqui não é muito boa.

    - Quem diria que essa era a melhor escola da Coreia. - Kim comentou e Chae deu uma risada.

    - Digamos que o marketing é bom.

    As meninas não insistiram em comentar sobre a expressão dela, mas Chae olhou na direção que ela olhava. Viu que era para o grupo de meninos que elas tinham visto nos degraus, principalmente o que parecia o “lider”. Será que era o irmão do Hyun? Fez um bico no canto dos lábios e a cutucou.

    - Vocês sempre ficam até tão tarde no café sempre? - Tentou puxar assunto. - Trabalham fim de semana também?

    - Só na metade do sabádo. - Lee-Hi respondeu.

    - Araso… - Suspirou. - Sábado eu tenho um evento para ir com o meu appa. - Disse de modo carinhoso. - Minha mãe está indisposta com uma virose, como dizem os médicos e aí peguei o convite pra mim.

    - Qual evento? - Kim perguntou meio curioso.

    - Vou à Ópera. Dante’s Inferno. Eu gosto, apesar de não parecer.

    - Parece bem...adulto mesmo, né? Importante. - Lee Hi comentou.

    - Ye… - Chae concordou. - Meu pai adora, mas meus irmãos estão fora do país, um na China e outro na Inglaterra. Ele conseguiu os ingressos logo de cara, convidado especial, mas minha omma ficou doente essa semana. - Fez um bico no canto dos lábios. - Triste, mas eu peguei.

    Sorriu que nem criança.

    - Hm...É verdade, você nunca comentou sobre sua família, Chae. Você não é bolsista, é uma herdeira ou algo tipo eu? - Kim perguntou.

    - Ahm… - Chae coçou a nuca. - Meu pai é dono de Banco…

    - Oooh...Então uma herdeira nos dá a honra de falar com ela...Isso é novidade, pelo menos entre as meninas. - Lee Hi brincou, olhando na direção de Dong, ele também tinha sido legal.

    - Hahaha...Besteira. Como se isso fosse tudo o que represento. - Revirou os olhos. - Não disse antes porque não achava importante, mas miane...deveria ter contado.

    - Mudaria alguma coisa? - Kim questionou.

    - Ani...acho que não.

    - Então pronto. - O garoto concluiu de modo simples.

    Chae olhou para Sunny e fez um carinho na cabeça dela, algo quase maternal enquanto colocava o mesmo para trás da orelha.

    - Então, se quiserem fazer algo no domingo, vamos tentar...pode ser à tarde ou à noite. O que acha?

    Sunny sabia que na parte do domingo, pelo menos na manhã, geralmente ficava reservado para a família porque era o único momento que todos conseguiam ficar juntos. Mas à tarde ou noite, talvez tivesse um tempo. Kim deu de ombros, mas logo ergueu o dedo.

    - Ah...eu não sei. Os meninos me chamaram para jogar. Preciso confirmar com eles antes. - Indicou os meninos ao lado da mesa.

    - Então vamos fazer um programa de meninas. - Lee Hi bateu palmas. - Chamamos Stella-shi!

    - Boa - Chae apontou para ela, concordando.

    [...]

    Stella, por outro lado, não estava ouvindo a conversa que acontecia ao seu lado. Dong e ela estava em pé, naquele corredor, entre as duas cadeiras e conversavam entre si. A jovem tinha um sorriso sutil nos lábios, mas ficou um pouco corada e com os olhos arregalados quando ouviu sobre os horários dele.

    Não achava que ele estava falando sério. Deu um suspiro, ponderando e mordeu o lábio internamente.

    - Pode ser. Hoje estou livre, podemos marcar um lugar ou na sua casa mesmo.

    Nessa hora, Ui-Jin fez o barulho do refrigerante e se engasgou um pouco. HaN quase quis matá-lo por isso, mas só olhou de banda e deu uma cotovelada. Min-Ho não parecia muito disposto a participar daquelas brincadeiras, ficando mais quieto mesmo.

    Stella acabou corando por conta da reação dos outros, mas logo pigarreou e se ajeitou de novo.

    - Mas se preferir outro dia, tudo bem… - Calou-se, tomando um gole de seu chá e parando de encará-lo.

    HaN pensou em pedir aulas também, mas como acabava pensando mais à frente, ficou quieto mesmo. Podiam interpretar errado e era melhor que não fosse assim. Deu um sorrisinho para Dong, fazendo um joinha com os dedos e chegou para o lado.

    - Sentem-se logo. - Bateu no banco para que Stella o fizesse. - O que será que você não sabe, Stella-shi?

    - Japonês. - Respondeu prontamente. - Mas gostaria de aprender, um dia.

    - Olha que coincidência...Dong sabe japonês. Não sabe? - Olhou para o amigo. - Vocês trocam. Daqui a pouco vão falar todas as línguas juntos…

    Apesar do tom dúbio, ele não quis ser maldoso ali. Stella tamborilou no copinho dela e pareceu considerar mesmo aquela possibilidade. Olhou para Dong, esperando pela resposta dele e deu de ombros levemente.

    - Pode ser. - Concordou e olhou para baixo.

    O celular dela acendeu, indicando uma mensagem. HaN pendurou o olho para ver o rosto de quem era e ficou surpreso ao ver as letras ocidentais. Coçou a bochecha e olhou para Dong em silêncio. Stella deixou o chá de lado e pegou o celular para responder - de novo um sorrisinho surgia no canto dos lábios dela. Mas eles também viam que a mão dela estava um pouco machucada do tombo que ela levou.

    Era bom nem imaginar como estava o joelho.

    [...]

    Jung-Mi e MiSoo entraram no refeitório com bastante segurança. Não deviam nenhuma explicação a ninguém, assim como não tinham feito nada de errado. Atraíram alguns olhares, mas o único que Jung correspondeu foi o de Sunny. Assim como ela, ele também abaixou um pouco o olhar e se encaminhou para a mesa. Sentou-se na outra ponta, entre Gyu e Ryu, chegando um pouco depois de MiSoo. Diferente dela, ele não ouviu nada por estar muito distraído.

    Já MiSoo ouviu tudo e ficou bem surpresa com aquelas revelações.

    Gyu-Sik nem foi capaz de negar os comentários de Eun-Bi - na verdade, ele foi pego de surpresa e bombardeado pelas reações da irmã e da amiga da irmã. Antes que tivesse tempo de responder, ele se deparou com o olhar de MiSoo.

    Ficou sem palavras e isso apenas criava mais suspeitas e teorias que podiam ser falsas.

    MiSoo explicava o que tinha ido fazer e as amigas a encaravam de modo preocupado. Por duas vezes, MiSoo foi até as máquinas porque tinha se esquecido de alguma coisa. O pessoal da mesa nem comentava nada. Ryu não conseguiu completar seu raciocinio para Bo-Mi, Gyu-Sik não sabia onde enfiar a cara - ou se preferia bater me Ryu - Eun-Bi não contou sobre o que aconteceu no corredor e MiSoo continuava aquele furacão de sentimentos.

    Quando ela se sentou pela segunda vez, foi a vez de Eun-Bi entrelaçar os dedos aos dela. Não precisava dizer nada para que vissem que aquela história a tinha magoado também. Pegou a todos de surpresa, afinal.

    Eun-Bi contou que já sabia o que tinha acontecido na sala e comentou sobre o que fizeram com Stella. Mas bullying, Yewon e Eun-Na não eram os assuntos que queriam ter no momento. A mesa foi ficando tão estranha que o próprio Gyu-Sik foi o primeiro a se levantar.

    - Ahm...Vou subindo. - Comentou meio sem jeito. Jung-Mi e Ryu menearam positivamente para ele e ele abaixou a cabeça, passando pelo lado de MiSoo antes de sair. Tinha sido chamado de cruel e nem sabia porque, mas não foi isso que o chateou mais.

    Quando chegou na porta, passou por Kang, Jae-Ki e Won. Trocou um breve olhar com Won-Bin, mas seguiu direto, ainda com a cabeça meio abaixada e o olhar triste.

    Mia olhou para MiSoo e suspirou.

    - Eu também andei correndo bastante. Ser capitã de clube não é nada fácil, viu? Me arrependo um pouco de ter virado. - Revirou os olhos. - Que tal irem para minha casa hoje? Pode ser depois da aula ou à tarde. Vamos fazer uma sessão de cinema por lá, pedimos uma comida e deixamos Eun-Bi de pernas para cima.

    - Seria ótimo! - Bo-Mi se animou. - Vamos sim.

    - Farei o meu melhor para ir. - Eun-Bi prometeu.

    - Se vocês quiserem ir… - Tarde demais Mia percebeu que tinha mais gente à mesa.

    Jung-Mi e Ryu piscaram, mas menearam negativamente.

    - Fique tranquila, tenho aulas à tarde. Não vai dar, mas obrigado pelo convite. - Jung foi polido e gentil.

    - Eu também já tenho compromissos, mas obrigado. -Ryu também foi e voltou o olhar para Bo-Mi.

    Os meninos tinham passado por elas, indo até as maquinas e a visão de Jae-Ki foi o suficiente para deixar Eun-Bi um pouco aborrecida de novo.

    - Acho que também vou indo. - Comentou. - Mas vou levar isso, isso e isso. - Foi catando alguns lanchinhos, equilibrando um pacote na boca e outros nos bolsos antes de pegar as muletas e ir embora.

    - Então vamos também? - Mia já se levantou, estimulando MiSoo.

    Bo-Mi não saiu do lugar.

    - Eu já vou. - Olhou para Ryu.

    Era uma garota direta e não queria que ele a seguisse para falar algo que poderia falar na hora. Não gostava muito de ceninhas e preferia deixar as coisas explicadas. Jung levantou-se também, acompanhando o grupo, caso saíssem. No fim, só teriam os dois na mesa.

    Bo-Mi deu um sorrisinho para Ryu que pareceu um pouco impressionado com a postura dela, mas de modo positivo.

    [...]

    Quando tudo parecia perdido para os três dragões, uma conversa sincera salvou a amizade deles. Jae-Ki tinha seus motivos para se sentir frustrado e irritado com as revelações de Kang, mas ele não era o dono do mundo, nem da razão. Won-Bin fez bem em trazer o garoto para a realidade e Kang admitiu seu erro. Além disso, levou de modo bastante literal a expressão de Jae-Ki e revelou um pouco de sua vida.

    Para a sorte deles, Won era o tipo de cara calmo que sabia ouvir, mesmo diante das adversidades. O garoto parou e ouviu tudo o que os amigos tinham a dizer.

    Kang ficou aliviado ao ver que os três dragões temporariamente retardados continuavam juntos.

    - Pode tirar foto do que quiser, Jae-Ki! Mando até umas selcas minhas, se quiser.

    Disse sem pensar, mas estava muito feliz e aliviado por estarem de bem. Quanto à vida pessoal, ele não entrou mais no mérito mesmo, preferindo manter a conversa num nível agradável para todos.

    - E eu não quero mais saber o que aconteceu ontem à noite! - Disse decidido. - O que importa é que vocês estão bem e o que vamos fazer daqui em diante. Prometo que não direi mais nada a ninguém. E acho que não vamos sair mais domingo, né? - Olhou para Won. - O que você vai fazer domingo?! Dormir? Estudar?

    Teve pena de Won porque não gostava de ficar preso assim, de castigo. Provavelmente morreria de tédio, no lugar do garoto.

    Felizmente, os três conseguiram seguir até o refeitório - que estava bastante cheio à essa altura. Quando chegassem, eles cruzariam com um cabisbaixo Gyu-Sik - irmão de Bo-Mi - que apenas os cumprimentou com um movimento de sobrancelhas antes de seguir. As meninas estavam dividindo uma mesa com Jung-Mi e Ryu ainda. Bastou que eles passassem, seguissem até as máquinas e olhassem para trás para ver que elas começavam a se retirar.

    Eun-Bi ainda revirou os olhos para Jae-Ki, mas começou a encher os bolsos de comida além de deixar uma embalagem pendurada entre os dentes enquanto pegava suas muletas e saía. Os outros também saíam, pouco a pouco, de modo que apenas Bo-Mi e Ryu ficavam ali - ou pelo menos mais para o cantinho, caso Misoo continuasse.

    Kang pegava uma maçã e uma garrafa d’água.

    Ryu falava alguma coisa com Bo-Mi, mas as expressões dela não podiam ser vistas porque ela estava de costas para os meninos. O garoto deu uma risada no canto dos lábios e ela mexeu a cabeça meneando positivamente, mas depois deu de ombros. Ryu fez uma cara de “araso” e então veio com uma segunda sugestão, aparentemente. Seria uma pequena tortura mental para Won-Bin ainda mais por não conseguir ouvir o que diziam.

    Mas eles também não se demoraram muito, até porque, o tempo estava acabando.

    Eles se levantaram um segundo antes do sinal indicando os cinco minutos finais tocar.

    [...]

    Pouco a pouco, os grupos saíam dali. Yerin não ficava para esperar e logo abria caminho com suas amigas. Chae enrolaria um pouco para não cruzar com Hyun-Hee. Dong tinha seu próprio ritmo, mas agora tinha um grupo consideravelmente maior para guiar. O grupo de MiSoo já tinha dissipado, sendo Bo-Mi e Ryu os últimos integrantes do grupo a saírem do refeitório.

    Won e JaeKi talvez fossem os últimos de fato a saírem dali.

    [PARTE 2]



    O retorno para a sala de aula foi tranquilo e eles enfrentariam a 2ª parte da aula de Literatura. Agora começavam a debater sobre alguns estilos de texto, diferenciando os tipos e exaltando suas características. O dever de casa seria uma redação em forma de poema, qualquer dos tipos que estudaram e com tema livre.

    Os últimos dois tempos foram preenchidos com a aula de química. O professor Ho Pyong-Woo era uma mistura do professor de matemática com o de biologia. Não era louco como Chung, mas não era extremamente cativante como Do-Kang. Era mais sério, mas era claro, objetivo e transformou protons, eletrons e neutrons numa história mais simples de entender.



    A quarta-feira parecia uma benção em comparação com a terça-feira. Terça-feira certamente era o pior composto de aulas e quarta vinha como uma esperança no futuro. Mas o volume de dever de casa estava aumentando e aqueles que estavam acumulando, logo poderiam começar a se preocupar.

    O sinal tocou e os alunos começariam a sair.

    Dong ainda tinha algo a entregar para sua prima. Apesar da menina ter cumprimentado o primo de modo animado, eles tiveram um jantar horrível que, talvez, merecesse uma conversa mais discreta ou íntima depois. Hayoung era diferente dos pais - era o que se esperava, pelo menos - mas ela também era apontada como um elo fraco da família.

    Aquilo parecia bastante injusto, dado o carisma e inteligência da menina, mas pouca coisa, quase nada era justa naquela família, afinal.

    Yerin ficou um pouco mais séria quando o sinal bateu. Precisava ir para casa, mas Hyemin seria aguardada pelo motorista da família que tinha uma surpresa: o caminho que ele levaria não seria a casa, mas sim a empresa. Ela podia se preocupar um pouco, pois existiam pelo menos duas opções: ou ela estava indo para o primeiro dia de trabalho ou indo ver o pai.

    Hyun-Hee também tinha um compromisso naquela tarde. O Secretário Lee o aguardava com uma expressão séria - mas que ficou aliviada ao ver a expressão do garoto. Ele teria a 1ª consulta com seu psiquiatra após a crise da noite anterior. Ela, por sinal, parecia mais distante agora.

    Kang, Jae-Ki e Won demorariam um pouco mais na sala. Kang estava emprestando o caderno para Jae-Ki tirar as fotos e os três tinham um objetivo simples: irem para o emprego. Kang ofereceu sua bicicleta para Jae-Ki naquele dia, porque não tinha como carregar Won na garupa e não queria deixar o amigo para trás.

    No fim do expediente, Kang podia pegar no trabalho de Jae-Ki ou algo assim.

    Won, por outro lado, tinha a dificil missão de manter seu emprego.

    MiSoo tinha a opção de ir para a casa de Mia ou ir para a própria. Gyu-Sik ainda parecia muito quieto, evitando contato visual e falava baixo perto dela. Ele não tinha pedido desculpas e também ainda não desfizera o mal feito. EunBi disse que as encontraria à tarde porque tinha que encarar sua queria mãe primeiro. Bo-Mi ia direto porque se fosse para casa, a mãe, provavelmente falaria sobre as roupas para sábado e acabariam perdendo a noção do tempo.

    Já Sunny tinha o caminho para o café. Jung também não falou com ela, mas estava evidente que, apesar de terem esclarecido tudo, havia muita coisa pendente ali. Dificil era saber quem daria o próximo passo mesmo.




    -> Foi um turno de TRANSIÇÃO, por isso parece que dei pouca ação. Só queria encerrar o refeitório e seguir o dia.
    -> Preciso que vocês deem o rumo dos personagens, por isso botei bem genérico mesmo.
    -> As opções não ficam restritas ao que falei, se quiserem outra coisa, podem seguir também.
    -> Os alunos ainda podem almoçar no colégio xD
    isaac-sky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Sab Dez 16, 2017 2:59 am


    Eram três pessoas com personalidades tão diferentes, mas a sinergia entre os três dragões era tanta que até o que parecia ser uma briga séria era desarmada com a sinceridade que os três tinham um com os outros.

    Won não tinha muitos parâmetros, mas aquilo parecia ser o que a amizade deve ser. Mesmo que não concordassem em tudo, teriam apoio um do outro.

    Kang não comentou mais sobre a vida pessoal e concluía que não queria saber o que aconteceu ontem.
    Por dentro Won respirou aliviado.

    "Melhor assim. Se a gente puder preservar o Kang da história fica mais fácil lidar com o Taemin de forma pacífica por enquanto"

    Concordou com um aceno com a cabeça, afinal sim estavam bem: era hora de olhar pra frente.
    De alguma forma aquela quase briga tirou Won de seu estado de tristeza pelo menos por enquanto. Sentia que tinha de encarar as coisas de outra maneira.

    Kang escreveu:E acho que não vamos sair mais domingo, né? - Olhou para Won. - O que você vai fazer domingo?! Dormir? Estudar?

    Won coçou a nuca e sorriu.

    -Eu estou de castigo. Vai levar um tempinho até convencer meu pai a ir em algum passeio. Mas eu ainda acho que vocês deveriam ir - disse sincero - Devo fazer todos esses deveres que os professores estão pedindo. Ver uns filmes, algo assim

    Seria um fim de semana de muito tédio. Won não tinha nada novo pra ver ainda, o mês ainda estava fraco para lançamentos de filmes de ação em blu-ray e sem chance ir ao cinema.

    -Ok, vamos ao refeitório, antes que o Jae-ki coma o meu bolinho - brincou enquanto pegava o próprio bolinho e dava uma mordida. Não tinha jeito, poderia acabar cruzando com os dois ali de novo.

    ...

    Gyu-sik passou por eles e deu um breve cumprimento. Cumprimentou ele rapidamente também.
    "Hmmm, ele parece meio pra baixo. Será que discutiu algo com a Misoo que nem ontem?" apenas supunha, não conhecia quase nada dele pra ter qualquer teoria.

    Passariam nas máquinas, Won iria na frente para evitar que os amigos fossem na direção da mesa das meninas (que já pareciam começar a sair também e para evitar conflitos). Queria estar em qualquer lugar menos ali enquanto os dois estavam...

    "Agora eles vão ter a conversinha particular deles?" sentia aquela raiva, ciúme ou qualquer que fosse o sentimento contido novamente. Nem prestara atenção em qual fruta tinha escolhido, apenas apertara o botão com bastante firmeza.
    Tentava conter seus sentimentos até para seus amigos, mas era difícil. Pegou sua fruta e um chá, que também nem prestou atenção no sabor, enquanto tentava não prestar atenção nos dois.

    E falhar. Era pior ainda não saber o assunto da conversa.

    -Será que o próximo professor vai ser do tipo maluco ou normal? Acho que a gente tem uma mistura quase igual dos dois - tentava se distrair daquela cena conversando com os amigos.

    Logo o sinal tocaria para alívio de Won. Iriam para a aula, mas Won evitaria olhar para Bo-Mi e aquele cara...

    ...

    Pelo visto literatura seria uma matéria interessante. A aula passou rápido e já tinha mais uma tarefa de casa.

    "Um poema? Aiish, eu nunca tentei...Bom, vou ter um fim de semana inteiro em casa sem fazer nada pra pensar em algo"

    Imaginava se Kang e Jae-ki teriam dificuldade nessa também.

    Química se seguiu com um professor objetivo e sucinto, mas que sabia explicar de forma compreensível.

    -Até que quarta é melhor que terça - comentou com os dois amigos quando a aula acabou.
    Ficariam um pouco a mais na sala para que Jae-ki pegasse o caderno do Kang.

    Enquanto isso Won permaneceria um tanto pensativo. Conforme via a sala levantando ele visualizava seu painel mental. Amigos que tinha feito, pessoas neutras e aqueles que já não ia com a cara...

    Won não sabia exatamente como usar seu mapa mental no dia anterior mas tinha uma vaga noção de como agiria ao saber quem eram os "mocinhos" e "vilões" da sala. Até ontem meio que acreditava que poderia ser um herói que podia surgir no momento certo para segurar os braços daqueles que ameaçassem seus amigos ou pessoas inocentes.
    As consequências dessa percepção e em parte de sua irresponsabilidade tinham acabado com esse plano inicial.

    "Como eu posso proteger eles se eu não consigo nem me mover como antes?" recordava de mais cedo no caso de Yerin caindo e ele não conseguindo reagir a tempo. O que faria da próxima vez que não tivesse o amigo junto e Taemin erguesse sua mão contra uma das meninas...

    "Não tenho mais como saltar na frente das coisas. Mas...não, seria burrice. Eu? Não, eu jamais conseguiria..." iniciava um conflito mental. Sua natureza de fazer o que achava certo batia de frente com sua timidez.

    -Ei, podemos almoçar aqui na Wangjo! - sugeriu aos amigos, fugindo de seu dilema rapidamente -Jae vai curtir a comida daqui

    Sorriu imaginando que os olhos do amigo brilhariam agora.

    Almoçariam no refeitório se não houvessem objeções. Enquanto comessem Won ainda ficaria um tanto pensativo.
    "Não...não posso mais me esconder. Eu odeio isso, mas se eu não posso ajudar eles como antes eu tenho que achar outra maneira"

    Enquanto comiam ele falaria do nada.

    -Vou entrar no grêmio estudantil - deixaria eles reagirem surpresos primeiro - Eu acho que posso fazer algo se estiver ali envolvido na "política" da Wangjo - não tinha muita ideia de como o grêmio de uma escola como Wangjo seria. Na verdade não sabia como nenhum grêmio estudantil era.

    Não sabia se os amigos apoiariam essa escolha.

    -Não sei se é uma boa, mas eu quero tentar. Não posso mais pular no meio das brigas, mas se eu puder influenciar de outra maneira eu vou - dizia determinado.

    Assim que terminasse de almoçar diria aos amigos que iria fazer sua inscrição no clube agora mesmo. Os encontraria na saída logo depois.

    "Meu Deus, eu to realmente fazendo isso?"

    ...

    -Ei Kang, não precisa deixar a bike de lado pra ir comigo - dizia diante da proposta dele de emprestar a bike pro Jae-ki. Não discutira por conta disso mas não queria causar transtornos a eles.

    Respirou fundo. A próxima batalha se aproximava.

    "Se eu contar pra chefe que foi numa briga ela vai me achar um gangster e me despedir na hora. Se eu mentir eu posso acabar com a confiança dela e perder o emprego. Eu perco o emprego em todos os cenários" não queria ter de explicar nada. Talvez se fizesse uma cara de choro pra ela e ficasse calado ela só teria pena e não o demitira.

    "Vai sonhando Won"

    De qualquer maneira iria com Kang até o condomínio fechado. Torcia para que com algum milagre mantivesse o emprego, estava disposto até a trabalhar horas dobradas.
    Entraria no café com uma expressão neutra, aguardando todos os tipos de reação da chefe.

    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Sab Dez 16, 2017 11:43 am

    Jae-ki estava aliviado ao ver que a amizade deles estava bem de novo, também estava surpreso pelas coisas que descobriu deles. Won Bin sonhava alto, era praticamente um atleta, provavelmente um lutador, por ter mencionado o dojo. Então era por isso que não tinha medo de entrar em uma briga. Já Kang não parecia ter a postura de um lutador, mas possuía uma família complicada, que Jae-ki até se identificou. Também queria fazer mais por Won, sentia que o devia muito e não sabia como retribuir. Começaria pelos deveres e já planejava fazê-los quando chegasse do trabalho. Tiraria fotos do caderno do amigo. Kang permitiu que Jae tirasse foto de tudo que quisesse e até ofereceu selcas. Jae-ki riu e respondeu:

    - Selcas? Por que eu ia querer selcas suas? - Em seguida brincou - Ahh araso, é para me ensinar os truques de tirar fotos sexys do K-dragon? Mas eu já sou muito bonito, não preciso de truques.

    Em seguida riu mostrando que era brincadeira, deu um tapa no ombro de Kang completou:

    - Relaxa, é só que eu quero fazer logo esses trabalhos, cada dia eles passam mais. E prometi que ia ajudar vocês, eu cumpro minhas promessas.

    Então Kang não queria mais ouvir o que aconteceu ontem a noite. Jae-ki até queria contar, embora soubesse que o amigo fosse péssimo em guardar segredo, mas grande parte da história já tinha sido contada mesmo. Kang até prometia não contar nada para mais ninguém e também falava de uma saída no domingo. Jae-ki se lembrou do que Won falou no hospital e suspirou ao ver a ingenuidade do amigo. Won respondeu dizendo que estava de castigo.

    - Sair no domingo? É aquele com as garotas? Kang, Kang... Essa saída não vai dar certo, eu não tenho dinheiro e garotas sempre querem que a gente pague as coisas para elas. Eu sei que vocês gostam delas, mas do jeito que tava as coisas, vocês viram, eu não posso ir nem que eu tivesse dinheiro. Mas um dia a gente podia sair para dar um rolê, deve ter uns locais maneiros para ver por aqui, ou no bairro de vocês. Depois do castigo do Won... E podíamos treinar algumas golpes de defesa, Won deve ter coisa maneira para trocar com a gente. A Sun-Hee me convidou para ir no café que ela trabalha e até disse pra eu levar minha irmã, mas eu nem tenho dinheiro para comprar lá. Não sei porque cobram tão caro um café, é só água e um pó preto.

    Eles vão andando para o refeitório, Jae-ki estava animado para comer de novo. Ele viu o grupinho de meninas e Eun-bi revirando os olhos. Elas começavam a sair. "Ótimo! Não queria ver a sua cara mesmo!" - Reclamou em pensamento enquanto a bailarina se retirava. Mas a verdade é que surgia muitas dúvidas em sua mente, as palavras dela tinham ficado decoradas e latejavam em seus pensamentos. Teria ela feito aquilo para protegê-lo? Mas isso fazia sentido? Enchia a boca de uvas e morangos, enquanto Won parecia meio perdido na máquina. Jae-ki também pegou uma garrafa de água e enquanto desembrulhava o plástico de um pedaço de melancia, respondeu ao comentário de Won:

    - Aishiii... Não me dou bem com professores... Para onde você tá olhando?

    Comeu em seguida a melancia e quase a casca, enxugou a boca e foi para a sala quando o sinal tocou. O refeitório já tinha até esvaziado, mas Jae-ki estava satisfeito de ter conseguido comer.

    (...)

    Na aula Jae-ki teve que aguentar mais uma aula chata do de literatura e pior, teria que fazer poema. "Aigoo... Me da preguiça só de pensar... Em vez de dormir vou ter que fazer esse maldito poema." Não que fosse difícil, porque se fosse tentar acabaria saindo algo, era criativo. Depois as coisas melhoraram com química, era até um pouco interessante porque tinha matemática envolvida. Nada difícil e o professor era neutro por enquanto. "Até que tô me saindo bem, nenhum professor me botou para fora de sala ainda... Só o senhor Chung que me expulsou ... " Won Bin fez um comentário de quarta ser melhor que terça.

    - Eu ainda prefiro matemática, mas fui expulso da próxima da aula.

    No final da aula, Jae-ki tirava fotos do caderno de Kang para recuperar a matéria perdida. Won Bin falava que podiam almoçar em Wangjo. Mas Jae-ki já contava com isso desde o dia que começou as aulas! Até estranhava que existisse outra opção, que tipo de pessoa recusaria almoço grátis? Ele sorriu só de imaginar a ideia de comer e respondeu:

    - Eu penso nesse almoço desde que entrei aqui. Vocês tem sorte de terem almoçado ontem. E é claro que vou gostar da comida, é de graça! Será que podemos pegar o quanto queremos ou eles que dão o prato? Vai ser tão bom... Se não tivesse comida aqui, eu ia passar fome hoje. Aquela velha não quer cozinhar pra mim só por causa do meu olho roxo.

    Jae-ki falava bastante enquanto fotografava o caderno, depois que terminou e os amigos guardavam o material, aproveitou o momento que estavam sozinhos para mostrar algo aos amigos. Antes de guardar o próprio caderno, chamou os dois pra perto dele:

    - Ya, aqui, quero mostrar uma coisa para vocês - Disse com um sorriso travesso.

    Quando os dois se aproximarem, ele vai abrir o próprio caderno e mostrar seu novo desenho:

    Spoiler:

    Caricatura do professor Chung


    - Não contem para ninguém! Fiz hoje de manhã. Acho que vou colar no banheiro amanhã. Ficou bom? Será que fica legal se eu escrever algo? - Perguntou sorrindo maldosamente.

    (...)

    Quando foram almoçar, Jae-ki se pudesse, encheria o seu prato de comida, tinha que se alimentar para o resto do dia inteiro e também aproveitar para economizar dinheiro. Quanto menos sentisse fome em casa, melhor seria. Ele enchia a boca de comida e mastigava do seu jeito despojado. Ás vezes soltava uns suspiros de apreciação da comida.


    Então Won falava de sua ideia sobre o grêmio, Jae-ki tossiu um pouco e engoliu com força a comida na sua boca.

    - Mwo? Grêmio? Mas isso parece tão chato. Você se preocupa demais Won Bin, se preocupe com sua comida para melhorar rápido. Minha halmoni diz que quando estamos doentes, temos que comer. Deixa isso pros ricos, eles com certeza tem tempo pra se preocupar. Ahhh, mashitta! *(gostoso)... Essa comida está muito boa! Mas ainda prefiro a da minha irmã, só que economizar é sempre mais importante. Quando ela tá em casa, ela cozinha para mim. Ela é nova, mas é muito esperta.

    Ele nunca economizava elogios quanto tratava-se de sua irmã. Depois de comer, Jae-ki vai caminhando para a saída com os amigos. Finalmente se sentia cheio. Agora que ia para casa, se lembrava do seu olho roxo e preocupava-se com a irmã. Estaria muito inchado ainda?

    - Ya, meu olho tá muito ruim? Vê se ele melhorou? - Perguntou para Kang e Won - Tsc, queria chegar em casa com ele quase curado. Tem certeza Won que não vai querer que eu vá te ajudar no seu trabalho?

    Kang ofereceu a bicicleta, mas para Jae-ki seria complicado usá-la, já que pegava o metrô e era muito longe para ir de bike. Achava que demoraria mais para chegar em casa assim.

    - Eu pego o metrô, meu bairro é longe. Eu não saberia ir de bicicleta e não vai dar para entrar com ela no metrô. Mas valeu. Amanhã vou trazer os trabalhos. Ei, Won, coragem, quando for no seu trabalho, mostra para eles que você sabe fazer o serviço com um braço! E o seu pai, eu não sei... Podia dizer pra ele que já tá crescido pra escolher o que fazer e que castigo é pra crianças. Nós já temos 16, mas ele é seu velho, e você conhece ele melhor do que eu... Então você deve saber o que fazer. Vou indo! Até!



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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Sab Dez 16, 2017 11:47 am

    MiSoo esboçou um sorrisinho e correspondeu o gesto quando EunBi entrelaçou os dedos nos dela. Tentava disfarçar um pouco a irritação,mas era ruim nisso. E depois estava comendo doces!! Waffles e bolinhos. Aquilo que normalmente recusava. Estava fora de controle hoje. Só queria comer para tentar amenizar todo o transtorno emocional dessa manhã. No entanto, aquilo logo se tornaria um problema ainda maior para a sua cabeça conturbada.

    Mas não pensava nisso agora. Tentou contar o ocorrido, mas EunBi já estava sabendo de tudo e mencionou sobre Stella. MiSoo fez uma careta triste e indignada com aquilo. Parece que não estavam satisfeita com as vítimas de mais cedo e precisavam atacar mais gente. Sorte delas que não tinham feito isso agora e na frente de MiSoo, pois ela estava tão estressada que provavelmente arrastaria Yewon de volta - poderia ser pelo cabelo mesmo - e obrigaria a se desculpar com Stella. A tenista não expôs sua vontade, preferiu comer mais uns waffles e beber metade de um dos copos de chá.

    Com a estranha atmosfera sobre a mesa, acabou deixando uma careta irritada e bochechuda, como costumava fazer, escapar, mas rapidamente disfarçou pegando o celular e digitando algo meio agressivamente. Na verdade só tinha feito uma busca com uma combinação de caracteres nada a ver, mas manteve o aparelho próximo ao rosto para não deixar isso aparente.

    O plano não era continuar irritada! Era esquecer!! Mas a tenista não iria melhorar sua péssima habilidade em disfarçar de uma hora para a outra e pelo jeito nem aprender a controlar a emoções que agiam sem seu total consentimento na maioria das vezes.

    Quando Gyu-Sik dizia que iria embora, MiSoo só o encarou com um olhar muito sério e meio maldoso, sem dizer nada, mas provavelmente demonstrando que não estava mais fingindo que ele não existia. Covarde. Agora ia fugir sem pedir desculpas novamente. Mas que importância tinha agora? MiSoo logo se lembrou que nem queria mais desculpas! Tanto faz agora! Para ele MiSoo era só uma garota esquisita que merecia ser chamada de ogro! Nâo era um amigo de verdade! Era melhor bem longe daquela mesa! Bom, ele parecia meio cabisbaixo, esquisito, ao passar pela garota e MiSoo quase desfez a careta. Quase. Certamente ele deveria ter outro motivo para a postura!


    Ela logo deu de ombros e voltou para as amigas, amenizando a expressão facial e falando com Mia de modo mais animado.

    - Se arrepende? Mesmo?? - encarou a amiga com surpresa - Ah… Eu sei que é um pouco exaustivo às vezes… Principalmente no início. - lembrava um pouco de quando era capitã do clube de tênis no ano anterior.

    Ela ouviu o convite da amiga e abriu um sorriso mais alegre.

    - Eu adoraria! - precisava mesmo de mais companhia das amigas e de ficar bem longe de casa para evitar complicações com a mãe como na noite anterior - Vamos sim!! - parecia mais animada agora que tinha recebido tal convite da amiga e teria feito algum convite em algum momento da manhã também se Mia não houvesse sido mais rápida.

    MiSoo adorava convidar as amigas para fazer algo, mas raramente as chamava para sua casa, pois no passado já tinham presenciado maus momentos, enquanto a irmã ainda estava lá. Provavelmente foi desse jeito que descobriram que a garota também tinha uma família complicada, pois era algo que MiSoo raramente mencionava, há não ser quando diretamente questionada. Não era boa mentirosa e não gostava de mentir, por isso acabava revelando alguma coisa, mas tentando não ir muito à fundo. Não queria incomodá-las com sua família. Preferia se focar em dar atenção à suas amigas e ajudá-las como podia.

    MiSoo sacudiu a cabeça concordando com BoMi enquanto comia outro waffle, alegre por ela aceitar também. EunBi não tinha certeza se poderia ir e MiSoo fez uma careta triste com isso. Também achou uma pena que os meninos não pudessem ir.


    Notou que logo EunBi mudou a expressão, como se algo lhe incomodasse, mas não se deu conta do que era. Não tinha prestado atenção nos meninos passando ali perto, pois estava ocupada comendo. Aliás, o peso na consciência de estar comendo tudo aquilo que nem poderia e em uma quantidade meio exagerada, começou a incomodar MiSoo. Não devia ter comido essas coisas. Mesmo que houvesse conseguido dividir com os amigos - algo que também fazia para não engolir tudo o que tinha comprado por impulso, além de gostar de mimar os amiguinhos com coisas como comida e presentinhos - ainda assim tinha exagerado e comido aquilo que mais lhe fazia mal quando estava acima do peso. Estava sendo tomada pelo remorso agora, além das outras emoções negativas que a fez comer tanto, mas tinha vergonha de vomitar na escola. Os banheiros eram públicos e alguém poderia ouvir. Não precisava de mais gente comentando sobre ela. O dia já estava bastante difícil. Teria que aguentar um pouco mais. Ia ser difícil, mas precisava tirar isso - e todas as outras coisas - da cabeça, pois ainda tinha que se concentrar na aula.

    Ouviu Eunbi dizendo que já sairia dali e enchendo os bolsos de comida, inclusive carregando um pacote com a boca e não pôde deixar de sorrir com a cena. Parecia que EunBi podia comer o que quisesse e ainda continuar linda…

    Antes que pudesse dizer algo Mia se levantou e as chamou para irem também. MiSoo concordou e se levantou de seu assento um tanto desanimada, deixando o que tinha sobrado da comida ali para quem ainda quisesse.

    MiSoo olhou em direção à BoMi que ainda estava sentada e recebeu a resposta que que ela já iria.

    - Hm. Araso. - meneou a cabeça positivamente, embora ficasse um pouco curiosa com o que a amiga iria fazer antes de ir para sala - Nos encontramos lá em cima então. - acenou para a amiga e logo viu Jung Mi levantar-se para acompanhar o grupo, deixando apenas BoMi e Ryu por lá.

    Enquanto se afastava ainda olhou um pouco para trás, percebendo que os dois continuavam ali ainda e deveriam estar conversando. A garota conteve a curiosidade e continuou seguindo com Mia, Jung Mi e Eunbi, indo devagar para acompanhar o rítmo da bailarina com as muletas.

    No segundo andar, quando o último sinal tocou, as duas se despediram de Mia e foram para a sala, mas continuaram conversando em seus lugares. MiSoo precisava manter tudo o que estava lhe incomodando longe de seus pensamentos e nada melhor do que conversar com EunBi, que falava tanto quanto ela.

    Novamente a aula do professor Lee Chang Wook era tranquila e agradável e fazia com que MiSoo se concentrasse um pouco mais no conteúdo, mesmo no estado mental em que estava. Entretanto, o dever de casa a tinha deixado meio desanimada. Poema?? MiSoo era péssima nisso! Não saberia nem por onde começar!! Nem que o tema fosse livre! Será que alguma das amigas poderia ajudar? Precisaria perguntar para elas depois.

    As últimas aulas foram de química. MiSoo conseguiu acompanhar mais ou menos, se perdendo e se distraindo várias vezes. Ficando desanimada em diversos momentos e se lembrando da comida que tinha ingerido. Em outro dia provavelmente teria conseguido acompanhar melhor. Conversou um pouco com as garotas em meio à aula, baixinho e tentando não chamar atenção do professor. Era seu jeito para não desabar completamente por ali.

    Pelo menos aquela matéria não parecia uma loucura, como a de matemática.

    O sinal marcando o final da aula tinha finalmente tocado!! MiSoo guardou suas coisas mais devagar que o normal, demonstrando certo desânimo nas ações mais lentas.

    Antes de terminar de guardar tudo se voltou à EunBi, ouvindo o que ela tinha a dizer sobre o que fariam à tarde.

    -- Aishhh… Espero que você possa ir também. Também tem aquela saída de domingo que os meninos novos convidaram. Eu não sei direito como vai ser .- coçou a cabeça e olhou para BoMi - Eu acho que eu esqueci alguma coisa. Tinha patins no meio, não? Acho que nem a EunBi nem o Won Bin poderiam fazer isso… - apontou para o próprio braço lembrando que o garoto o tinha enfaixado - Acho que não temos o número deles para resolvermos esse tipo de questão… - comentou pensativa.

    Lembrou-se de que tinha ouvido Gyu-Sik concordar em ir também, mas aparentemente ele tinha “planos melhores” para o domingo, então não deveria estar com eles. Bufou e olhou para ele outra vez com aquela expressão pouco amigável, mas encontrou novamente o garoto daquele jeito que saiu da mesa do refeitório. Apenas  ergueu uma das sobrancelhas, sem entender nada, mas deixou de lado. Não queria saber. Estava curiosa, mas não queria saber, não lhe dizia mais respeito. Que seus outros amigos o ajudassem… Mesmo que ele houvesse lhe ajudado enquanto esteve chorando como uma idiota pelo condomínio…

    MiSoo bufou outra vez e se levantou apressadamente, jogando o resto do material para dentro da mochila e a colocando nas costas.

    - Temos que nos encontrar com a Mia. Será que vamos no carro dela? - olhou para Eunbi - Quer que eu carregue essas suas mochilas? Duas são demais para segurar junto das muletas. Eu lhe ajudo. - pelo menos os amigos de verdade podia ajudar, mesmo que EunBi ainda não houvesse lhe explicado o motivo de mentir no dia anterior.
    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sab Dez 16, 2017 3:35 pm

    Hyemin tinha ficado muito tranquila após a conversa com Yerin. Agora que sabia que a amiga continuava a mesma e o motivo de suas ações, voltava a dar razão para ela e confiava em suas escolhas. Não precisava ficar ansiosa. Ela jamais meteria os pés pelas mãos. Se ela dizia para não se preocupar com alguém, como Hyun Hee, então deixaria isso de lado, ainda que fosse bem esquisito olhar um oppa dentro da própria sala de aula. Já sobre Hayoung, não conseguia ser completamente falsa. Não era boa de atuação, mas conseguia incluir um pouco mais a menina nas coisas e ser um pouco mais educada, o que achava até justo como uma questão de gratidão após aquela manhã.

    Ainda que gostasse de suas amigas, gostava muito mais de Yerin. Não confiava plenamente em nenhuma pessoa que não fosse a Rainha do Gelo. Assim, não achava que as garotas seriam capazes de divulgar um vídeo que as incriminasse, mas também não as defenderia do contrário caso Yerin as delatasse publicamente. Só não tinha por que ficar louca e paranoica pensando nisso, pois a ordem era relaxar e, afinal, as meninas nem pareciam nada culpadas. Entendia por que Yerin desconfiava de tudo e todos, mas não achava que precisava fazer isso também, a menos que a amiga lhe mandasse explicitamente.

    Por isso, foi muito fácil voltar a sorrir para as amigas e se concentrar em suas guloseimas. Hyemin novamente deixava suas preocupações sobre os ombros da amiga, sem notar que era o mesmo erro do qual tinha acabado de se arrepender. Ficava satisfeita de ter uma única tarefa bem clara, no caso com sua pet, enquanto a missão original ficaria ainda dividida entre as meninas da escola, ainda que as outras não soubessem.

    Quando voltaram para a sala, ela se esforçou para não ignorar Hayoung completamente e logo ofereceu um selinho para que ela e Yerin pudessem decorar a folha que daria início a próxima aula. Para a primeira, deu uma patinha pequena de urso, bem pequena mesmo, mas para a segunda, colou um pandinha gordo. Achava que estava sendo bem generosa.

    Naquela aula, não tinha interesse nenhum. Ficou olhando para a folha em branco e pensando como faria um poema. Era uma coisa tão idiota de se fazer. Pra que servia isso? Por acaso estavam na era Joseon?

    Bem, dessa vez ela faria sim aquela lição, e o faria durante a aula. Não deixava de ser um poema. Fez um bico e começou a transcrever o “poema” que se lembrava enquanto balançava a cabeça no ritmo.

    Spoiler:



    (...)
    Aqui sempre, sempre à beira da água
    Desde quando eu me lembro
    Não consigo explicar
    Tento não causar nenhuma mágoa
    Mas sempre volto pra água
    Mas não posso evitar
    Tento obedecer, não olhar pra trás
    Sigo meu dever, não questiono mais
    Mas pra onde vou quando vejo estou onde eu sempre quis

    O horizonte me pede pra ir tão longe
    Será que eu vou?
    Ninguém tentou
    Se as ondas se abrirem pra mim de verdade
    Com o vento eu vou
    Se eu for não sei ao certo quão longe eu vou

    Eu sou moradora dessa ilha
    Todos vivem bem na ilha
    Tudo tem o seu lugar
    Sei que cada cidadão da ilha
    Tem função nessa ilha
    Talvez seja melhor tentar
    Posso liderar o meu povo então
    E desempenhar essa tal missão
    Mas não sei calar o meu coração
    Por que sou assim?

    Essa luz que do mar bate em mim me invade
    Será que eu vou?
    Ninguém tentou
    E parece que a luz chama por mim e já sabe
    Que um dia eu vou
    Vou atravessar para além do mar

    O horizonte me pede pra ir tão longe
    Será que eu vou?
    Ninguém tentou
    Se as ondas abrirem pra mim de verdade
    Um dia eu vou saber quem sou
    (...)

    Fez uma letra bem bonita e decorou as bordas com lindas árvores e uma praia, satisfeita de seu trabalho, que seria entregue como lição de casa.

    Quando percebeu, a aula chata já tinha terminado e logo tinham mais um professor que dava medo, mas não parecia tão ruim assim. Tanto é que  ela até tentou estudar. Começou a compreender o início das explicações, mas logo seu caderno começou a encher com desenhos detalhados da família panda: o papai lenhador de bambu, a mamãe que fazia bolos de folhas, o filhinho escoteiro… e de repente tentou voltar para a matéria, quando já estava bem mais difícil de entender. Mordeu a tampa da caneta, mas fez um esforço grande de pegar partes do conteúdo. Era muito ruim quando fazia isso, pois até começava a prestar atenção em um conteúdo menos burocrático, mas de repente não sabia por que, mas estava automaticamente em outro planeta. Não fazia por mal. Agora que tentava ser uma boa aluna, tinha vontade e chorar porque tinha perdido pelo menos meia hora de explicação, então acabou perguntando baixinho para Yerin as coisas que tinham escapado. Odiava ser burra, mas aquela distração era muito mais forte do que sua mera vontade.

    Quando a aula acabou, despediu-se das amigas e saiu logo da sala. Não queria ficar ali dentro esperando os beijinhos de namorados de Sunny e Kim, então saía tão logo fosse possível, ou ficava de costas para evitar contato visual. Quando saíram, despediu-se calorosamente das amigas, reforçando para Yerin que estava sem celular, mas que ela sabia como falar com ela se fosse necessário. Dessa vez deu tchau até para Hayoung, alertando-a para o roxo que deveriam usar no dia seguinte, e partindo.

    Ao entrar no carro, lamentou não ter seu celular mais uma vez para colocar em músicas e ficou de bico ouvindo a rádio de notícias, até que o motorista colocasse, ou ela tivesse que pedir para mudar, na Radio Disney Korea, que no momento relembrava o sucesso de “DNA”, do BTS.

    Estava feliz cantando as músicas alto, quando percebeu que não pegaram o caminho normal para casa. No primeiro momento, só levou um susto de consciência.

    - Er…  - começou, mas então reconheceu a próxima rua e mordeu o lábio. - Aigoo… por que estamos indo para o trabalho do papai? - choramingou e suspirou pesadamente, cruzando os braços e encostando-se no banco de uma forma quase líquida, escorregando aos poucos.  O que vinha agora? Mais bronca? Será que Hayoung tinha feito alguma besteira na hora de mandar? Mas foi ela mesma quem mandou o vídeo. O que mais ele queria com ela? Será que estava chamando-a para almoçar com sua madrasta, que trabalhava na empresa? Tinha vontade de grudar no banco e apenas ser arrastada pelo chão gelado da HGT até a sala do pai.

    Ela parou de dançar no banco do carro para apenas cantarolar partes de Decalcomanie, do Mamamoo, quando o carro parou. A menina respirou fundo e desceu, não tão enérgica como antes, nem mesmo aquele bando de funcionários se curvando para ela como se fosse uma celebridade a deixou mais empolgada. Ela curvava de volta, por educação, mas a verdade é que já estava se imaginando uniformizada, na portaria. Naquela vez, observou bem o movimento das mãos que a funcionária fazia, pensando que teria que fazer isso. Baixou o olhar e saiu andando até o elevador privativo.

    Será que o pai a proibiria de subir ali também? Talvez devesse inventar um nome para si mesma, como se todo mundo ali não conhecesse quem era. Os minutinhos que ficou ali lembrou-se bem quem tinha aparecido atrás daquele elevador da última vez e até ficou esperando. Fez um bico irritado. Aquele garoto já estava com ela todos os dias, na escola. A sombra que viu no elevador nem existia mais. Entrou, recobrando a confiança de antes e aguardou subir até o andar do pai, para onde desfilou quase profissionalmente em seu saltinho azul, fazendo uma reverência respeitosa em silêncio quando chegasse. Não estava ainda em bons termos com o pai, que a tinha sacaneado a manhã inteira e talvez quisesse a parte dois agora.


    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sab Dez 16, 2017 5:00 pm

    Hyun Hee voltava a rir em seu grupo de amigos. Tinha plena ciência de aquilo era só uma fração da realidade, que aqueles caras tinham provavelmente ouvido calados os rumores sobre ele, sem nenhum botar a mão no fogo por ele, e que nenhum ali estaria realmente pronto para saber da verdade de seu diagnóstico ou o que realmente estava fazendo nos EUA. O sentimento de solidão continuava incrustado nele, ainda que estivesse cercado por pessoas. Era um sorriso que se assemelhava muito com o de antigamente, no exterior, mas que o machucava por dentro. No entanto, colocar aquela máscara de alegria era muito melhor do que sair exibindo a ferida. Ele pelo menos conseguia se distrair, ainda que soubesse, no fundo, que aquele grupo não era mais parte dele. Ele ainda sentia familiaridade com aquele grupo e um resquício de lealdade para com eles. Lealdade era algo estranho para falar quando pensava no passado e Eunjoo, mas em sua defesa, ele realmente tinha pensado que tinham terminado quando as coisas entre ele e Jimin aconteceram.

    - Ah, você sabe, aquela garota da minha sala, a bruxa do gelo, eu a vi fazendo a inscrição. - recordou do momento em que estavam na quadra. Não tinha nada a ver com o motivo verdadeiro, mas ninguém ali entenderia sua vontade repentina de chegar um pouco mais perto do fantasma dos pais. - Daí eu pensei: uau, só tem garotas bonitas no hipismo. Fiquei com vontade de vê-las domando um cavalo - botou a mão no peito de forma teatral. - Me senti pessoalmente atraído. Eu sou assim, indomável - riu alto com a piada ruim. - Eu devo sair dessa besteira, mas Kwon Hyejeong me recebeu muito bem, talvez eu ao menos participe de uma aula.

    Ele não queria realmente sair do clube de Hipismo, mas também não queria ter entrado. Era uma decisão que tomou no impulso e agora não fazia mais sentido. Ele só queria mesmo observar as pessoas praticando o esporte. Queria ficar sentado assistindo às atividades deles, pensando nos pais, não necessariamente começando uma atividade para a qual não tinha nenhum talento.

    - Uma pena que eles não tenham um clube de moto - conduziu um novo assunto em que se saísse bem,  debruçando um pouco na mesa e observando as garotas. -  Mas posso inventar um e levar uma de vocês para passear no tempo livre. - terminou a frase olhando para Siyeon, que sabia que não teria competição ou causaria mal estar com os outros.

    O papo fluiu tão naturalmente que ele não pensou em Chaeyoung enquanto fingia ainda ter 15 anos até voltar para a sala. Quando voltaram para a sala, Lee Chang Wook deixava uma tarefa bem constrangedora para ele. Escrever um poema.

    Lembrava-se da última vez que tinham pedido para que ele escrevesse algo: a droga de um diário sobre sentimentos idiotas e que ele escreveu com a profundidade de uma criança do fundamental. Definitivamente não era um poeta, mas não queria passar pela vergonha de repetir mais um ano. Da primeira vez, tinha o acidente como desculpa, mas agora seria humilhante de verdade, ainda que sua vontade de continuar na escola fosse muito nula.

    Tinha vontade de assumir a KOF para administrar, é verdade, e para isso precisava estudar e ser dedicado, mas naquele dia tinha acordado sentindo-se incapaz até disso, com vontade de ser, sei lá, bartender?

    De qualquer forma, não estava inspirado neste exato instante, tendo outras preocupações na mente, mas gostava de ler e provavelmente poderia cumprir a tarefa com alguma bobeira que seguisse a ordem estética e estilística correta ainda que não fosse profunda e realmente no cerne de suas preocupações, não poderia escrever algo assim para um primo. Era perigoso demais. Se fosse um professor aleatório, tudo bem ser um pouco mais sombrio, mas ali era um terreno perigoso que ele preferia se distanciar dos sentimentos e entregar algo mais pensado em métricas e quantidade correta de versos.

    A segunda aula foi normal e ele tinha um pouco de dor de cabeça por causa daquele maldito remédio para tratar seu problema. Foi uma aula mediana, mas sem incríveis proveitos. Ao final dela, estava pronto para pegar um ônibus para algum lugar. Tinha até pensado em comprar uma tinta de cabelo onde tinha encontrado aquele meninho. É mesmo… Kang alguma coisa.  Deveria ter meio que dado um alô para o hyung dele? Nah. Não tinha nada a ver com ele e não era como se isso importasse.

    Na verdade, tudo da noite anterior parecia bem distante. Foi então que observou sua babá na saída da escola. Que porre.  Queria falar que sabia o caminho e sair andando, mas não estava com paciência para brigar agora. Caminhou até a porta, como se pudesse ignorá-lo. Queria matar o próximo que resolvesse perguntar como ele estava, então não comentou nada, só aguardou que chegassem no psiquiatra.

    Tinha bastante raiva daquela obrigatoriedade de ser levado a porta. Sabia que o secretário nunca o abandonaria por conta pela desconfiança de que tinha que não fosse comparecer à sessão loucura. Revirou os olhos. Para evitar esse tipo de comentário escroto, preferiu não discutir, mas isso não significava que pretendia ir para casa logo depois do médico.

    Além disso, se fosse de transporte público, temia ser seguido. Não que esse medo não existisse agora, pois passou o caminho todo olhando pela janela, com o maior receio de ser visto pelos colegas de escola, achando que estava sendo julgado por todas aquelas pessoas na rua, que eram espiãs de ninguém menos de seu tio.

    - Você não tem que me esperar. Eu não vou sair surtando daqui. - não esperou a resposta, mas revirou os olhos de novo, sabia que não adiantava.

    Ali dentro na recepção sentia-se um lixo humano. Essa coisa de psiquiatra por si já o fazia sentir-se um inválido. O pior de tudo era saber que precisava daquilo ali. Sua vida era controlada por remédio, não podia fazer nada em liberdade que poderia acabar cometendo uma atrocidade. Sabendo disso, tinha que ser seguido o tempo inteiro, com os empregados secretamente prontos para botá-lo para dormir. O quão merda era uma vida assim?

    Para descontrair, jogou uma cantada na recepcionista e esperou ser chamado. No local, já chegou com uma piada:

    - Como estou? Eu vim buscar a minha alta. Nunca me senti tão bem. - apertou um pouco os olhos. - Não? Não foi isso que vim fazer?
    Então eu vim para dormir..
    - e foi direto para o divã, jogando a mochila no chão.

    Seu orgulho não permitia que ele se abrisse tão facilmente com o psiquiatra. Isso exigia quinze minutos de perguntas e retóricas, até que caísse na teia habilidosa do profissional. Naquele dia em especial, Hyun partiria para uma área mais densa. Estava infeliz, desesperançoso, desanimado, e com a menor perspectiva de que poderia melhorar. Seria curto e evasivo sobre a noite anterior, mas dificilmente escaparia de contar o que tinha acontecido.  

    Ailish
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Dom Dez 17, 2017 1:44 am

    No final das contas, ninguém quis nada. Na verdade, nem ela queria porque a situação envolvendo Jung Mi simplesmente a deixou com o estômago enjoado e aquele característico aperto no peito que dificultava até mesmo a passagem de ar. Sentia uma vontadezinha de chorar, mas conseguiu se conter. Para disfarçar, trouxe um chá de morango caprichado no açúcar. Quando voltou, Chae já a puxava, forçando-a a sentar e enquanto Sunny distribuía goladas curtas na bebida, escutava-a contar sobre o lance da tarântula e quase cuspiu todo o conteúdo quente no rosto da amiga, entretanto se recompôs em tempo, chegando a tossir, engasgada – Oiiiiiii??? Você disse “tarântula”?! – Lee Hi enfatizava o assunto e Sunny manteve os lábios entreabertos, sinceramente assustada porque aquilo não foi só outra brincadeira boba, mas também perigosa! – Chae! E se ela te mordesse? Falam que dói muito! – apesar de desagradável, o tema surtiu efeito e mudou a expressão de Sun-Hee, substituindo melancolia por preocupação.

    Concordou. Realmente, a última coisa que o colégio parecia ser era seguro.

    - Outro ataque aos bolsistas?

    Talvez sim, talvez não. Não tratavam-se dos únicos visados, afinal.

    Não prendeu o riso irônico diante do comentário de Kim. WangJo era o exemplo perfeito de... as aparências enganam. Embora o ensino seja excelente e a estrutura moderníssima, o lugar abrigava espécimes mais venenosas do que aranhas. Ela ficou encarando a fumaça rala que saía do chá, distraindo-se, até a pergunta de Chae fazê-la despertar do repentino “transe”. Se esforçou para prestar atenção, não por falta de interesse, mas estava aérea, com dificuldade de se concentrar. Deixou o copo descartável na mesa, desistindo de terminar a bebida – Ópera? Que legal! – um sorrisinho brotou de modo súbito, indicando que era um tema que ela curtia, mesmo que jamais tenha tido a oportunidade de participar, mas costumava assistir vídeos na Internet – É uma pena que sua mãe esteja doente – fez beicinho, mas logo imitou o risinho da amiga, que revelava-se bastante animada.

    Kim alimentava a conversa, citando uma verdade que Sunny apenas percebeu agora. De fato, quase não falaram de suas famílias, apesar de Chae já ter conhecido o seu irmão mais velho. Limitou-se em observar a interação enquanto apoiava os braços sobre a mesa e deitava o queixo neles. Chae era a prova de que nem todos os riquinhos são preconceituosos e cruéis. Independente de tudo que aconteceu até agora, Sunny via mais motivos para ficar feliz.

    Se fosse sempre tão simples assim...

    Quando sentiu o carinho na cabeça, pendeu o rosto para o lado e fitou a amiga de um jeito carinhoso, deixando-a arrumar a mecha atrás da orelha.


    - Acho uma ótima ideia. Estarei livre na parte da tarde porque de manhã irei sair com a minha família. É um ritual, pois ficamos tão atarefados durante a semana que quase não nos vemos, mesmo morando na mesma casa! Só bem no finzinho da noite, e olhe lá. Mas, eu queeeero! Por mim, combinado!

    Mas Joo Hyuk, infelizmente, talvez não tivesse como ir. Ele havia marcado de jogar com o grupo de Dong. Por causa disso, Lee Hi sugeriu um programa de meninas, que foi aceito de imediato por Sunny e Chae. Próximos ao término do intervalo, aproveitaram para convidar Stella, e Kim poderia se resolver com os rapazes.

    [...]

    Sunny não precisou de esforço para se envolver nas explicações do professor de literatura, e até então, estava sendo a sua aula favorita. Como exercício para casa, eles teriam que criar um poema. Não era algo desagradável ou trabalhoso, pelo contrário. Gostava de escrever, era uma atividade que lhe despertava prazer e a acalmava em momentos complicados, principalmente quando podia combiná-la com algum instrumento. Dependendo do movimento no Café, adiantaria o exercício lá mesmo. Enfim, a próxima aula foi de química, uma matéria neutra para Sun-Hee. No geral, ela realmente gostava de estudar, aprender... Era mais fácil quando colocava as engrenagens da mente em constante funcionamento. Semelhante à primeira, Sunny mal sentiu a aula passar e ao perceber o fim do terceiro dia de aula, ela se espreguiçou na cadeira.

    Quarta-feira estava na lista dos melhores dias de disciplinas, sem dúvidas.

    Deu "tchau" para Kim, Stella, Dong e os outros meninos. Ela e Lee Hi combinaram de lanchar no serviço, pois ambas não estavam com fome, apesar da fama que a comida do colégio tinha de ser deliciosa. Após todas as despedidas e detalhes acertados, as duas foram na direção do ponto de ônibus e não demoraram a pegar o transporte. Dentro deste, precisaram sentar em lugares diferentes porque estava cheio. Sunny aproveitou para ouvir música, encostando a cabeça no vidro da janela e fechou os olhos.


    De novo, o coração acelerou, mas conforme a melodia avançava, ele acompanhava o ritmo...


    Porém... As mãos... As mãos continuavam segurando a tensão invisível entre os dedos pálidos, tentando concentrá-la ali, mas não adiantou. Nos minutos seguintes, irradiou para as pernas, para os pés... Sunny respirou fundo e ainda com as pálpebras trancadas, abriu o bolso da mochila, puxando um vidrinho disfarçadamente.

    Dois comprimidos.

    O que dois comprimidos tão pequenos podiam causar de ruim?


    Eles a tranquilizavam, além de tornarem a vida mais suportável e os problemas menos terríveis.

    Os benefícios suprimiam as consequências.

    Era nisso que Sunny tentava se convencer enquanto as pílulas dissolviam debaixo da língua, corrompendo o paladar com o gosto amargo.      

    Outra música começou, mas ela não estava mais presente.

    Longe... Longe demais.

    [...]

    Chegaram um pouquinho mais cedo, mas mesmo assim, Sunny não quis comer e para fugir das prováveis insistidas de Lee Hi, foi aos fundos do Café, vestindo uma nova muda de roupa e o avental. Era a sua vez de trabalhar no balcão, então o dia prometia transcorrer de maneira menos acelerada.


    Não era nada saudável ficar de estômago vazio, e também não desejando deixar Lee Hi preocupada, ela pegou um capuccino... que acabou esfriando depois de tanto tempo ignorado por Sun-Hee. Ela começou a organizar alguns livros espalhados, empilhando-os. Também precisava dar baixa, atualizar cadastros...

    Okaaaay.

    Sentou na cadeira e prendeu o cabelo num coque básico e firme, de forma que os fios não tombassem na frente do rosto.  

    E iniciou os trabalhos.


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Dom Dez 17, 2017 12:37 pm


    O clima estava bem humorado entre os dragões, finalmente.

    Won riu no comentário "fotos sexy do K-dragon". A piscadela era um sucesso, definitivamente.

    -É, acho que vou aceitar ajuda com o de matemática... - respondeu sobre a oferta de ajuda de Jaeki.

    Jae-ki escreveu:- Sair no domingo? É aquele com as garotas? Kang, Kang... Essa saída não vai dar certo, eu não tenho dinheiro e garotas sempre querem que a gente pague as coisas para elas. Eu sei que vocês gostam delas, mas do jeito que tava as coisas, vocês viram, eu não posso ir nem que eu tivesse dinheiro. Mas um dia a gente podia sair para dar um rolê, deve ter uns locais maneiros para ver por aqui, ou no bairro de vocês. Depois do castigo do Won... E podíamos treinar algumas golpes de defesa, Won deve ter coisa maneira para trocar com a gente. A Sun-Hee me convidou para ir no café que ela trabalha e até disse pra eu levar minha irmã, mas eu nem tenho dinheiro para comprar lá. Não sei porque cobram tão caro um café, é só água e um pó preto.

    "Você só pagaria para elas se fosse um encontro, não?" nem Won conhecia muito bem esse "protocolo". Mas achava que Jae dava desculpas para evitar ver Eun-Bi. O que era justificado no momento.

    Os olhos de Won brilharam quando comentou sobre aprender novos golpes.

    -Ia ser demais ensinar uns golpes pra vocês. O Kang tem altura pra uns chutes bons e o Jae é rápido pra fazer os side-steps e... - Won subia a perna direita e descia, como se arriscasse um golpe, mas o braço engessado e a vergonha repentina lhe impediram de continuar.

    -Err, digo, se quiserem. Quando estiver melhor com meu pai a gente podia combinar de ir lá em casa

    ...

    Jae-ki escreveu:- Aishiii... Não me dou bem com professores... Para onde você tá olhando?

    "Droga, ele percebeu?"

    -Ahn, nada não - tomou seu chá de sabor desconhecido tentando disfarçar. Sentia vergonha do que sentia, não queria nem contar aos amigos que estava morrendo de ciúmes daquela cena.

    ...

    Jae-ki escreveu:- Eu ainda prefiro matemática, mas fui expulso da próxima da aula.

    -O que? Foi expulso? Como assim? - nem havia sabido dessa história -O que aconteceu? - arqueou as sobrancelhas, um tanto surpreso.

    ...

    Jae-ki escreveu:- Eu penso nesse almoço desde que entrei aqui. Vocês tem sorte de terem almoçado ontem. E é claro que vou gostar da comida, é de graça! Será que podemos pegar o quanto queremos ou eles que dão o prato? Vai ser tão bom... Se não tivesse comida aqui, eu ia passar fome hoje. Aquela velha não quer cozinhar pra mim só por causa do meu olho roxo.

    Won riu um pouco. Era óbvio que ele queria ir no refeitório comer de graça.

    -Você monta seu prato. Não faça os funcionários do refeitório chorarem quando pegar tudo - brincou com o amigo. A avó de Jae não queria cozinhar para ele...quanto tempo ele devia estar sem comer? Tentou desviar dessa parte da conversa, apenas brincou sobre Jae-ki fazer a limpa no refeitório.

    Então Jae-ki pegou seu caderno e mostrou um desenho.

    Era impossível não rir um pouco com o desenho. Mas colar no banheiro!?

    "De quantas maneiras você quer uma suspensão Jae?"

    -Ei, não! Vai ser óbvio que vão achar que foi você que fez - deu um leve soquinho na cabeça de Jae-ki, como se fosse um cascudo que não doía.

    "Prazer, sou Won-bin. A consciência do Jae-ki"

    ...

    Jae-ki escreveu:- Mwo? Grêmio? Mas isso parece tão chato. Você se preocupa demais Won Bin, se preocupe com sua comida para melhorar rápido. Minha halmoni diz que quando estamos doentes, temos que comer. Deixa isso pros ricos, eles com certeza tem tempo pra se preocupar. Ahhh, mashitta! *(gostoso)... Essa comida está muito boa! Mas ainda prefiro a da minha irmã, só que economizar é sempre mais importante. Quando ela tá em casa, ela cozinha para mim. Ela é nova, mas é muito esperta.

    Won ponderou um pouco sobre isso.

    -Não sei Jae. Voce pode ter razão. Só não sei como ajudar então...é algo que eu não controlo, eu quero ajudar, não sei mais como...

    Sorriu com o comentário da irmã do Jae-ki. Devia ser alguém realmente especial.

    Jae-ki escreveu:- Ya, meu olho tá muito ruim? Vê se ele melhorou? -

    -Tá menos inchado, acho que até o fim do dia fica melhor - dizia com alguma experiência de machucados de treino e torneio.

    -Não precisa Jaeki, vai dar tudo certo lá no trabalho - não sabia se acreditava nessas palavras, mas queria ter alguma esperança.

    Jae dava alguns conselhos antes de sair. Se sentia grato por se importar dessa maneira.

    -Sim, eu vou conversar com ele. Obrigado Jae-ki, se cuida, qualquer coisa mande mensagem - se despediu com um "joinha".

    Persephone
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Dom Dez 17, 2017 9:48 pm

    [WON E JAEKI]

    Kang arqueou uma das sobrancelhas com a pergunta de Jae, chegando a passar a mão no queixo, como analisasse a “petulância do cavalo” por achar que as selcas dele não teriam utilidade. Pigarreou, ajeitando seu blazer e respondeu.



    - Mas é claro que precisa de truques! Vejo que você não conhece o fator “bang, bang, bang”, meu caro, Jaeki-Boy - Na hora do “bang bang bang”, ele fez o característico gesto que Won-Bin já conhecia. - Tem muito o que aprender. - Completou dando um tapinha nas costas dele.



    Passada a história das selcas e fotos de caderno, os três finalmente conseguiram ter o momento no refeitório. Tinham poucos minutos, mas nada que eles não soubessem lidar. Won-Bin e Kang pareciam bem tímidos diante de Jae-Ki que mal estava engolindo uma fruta e já pegava mais duas, mas é porque o que habitava aquele estômago do brilhante e explosivo garoto talvez fosse um dos maiores mistérios da humanidade.

    O garoto comentou sobre domingo, mas já imaginava que tivessem mudado os planos. Não esperava ouvir que Won estava de castigo e Jae-Ki ainda vinha com aquele discurso sobre as meninas de novo. Kang engoliu um pedaço robusto da maçã e meneou negativamente.

    - Eu já pretendia levar meu irmão para dar um rolê no skate dele, por isso acabei sugerindo. Elas, MiSoo e Bo-Mi - deixou bem claro - sugeriram patins, bike e um piquenique, sabe? Não pareceu caro não. Mas também não era um encontro, tá? Seria uma saída em grupo, mas acho que agora não dá mesmo. - Olhou para Won, lamentando.

    Jae-Ki dava sugestões para o futuro e Kang meneava positivamente. Won também parecia curtir e fazia vários movimentos, sem se dar conta que fazia isso na frente de mais gente. Kang só deu a típica coçada na nuca, olhando ao redor. Felizmente, Won parou, mas pareceu se chatear com algo. O amigo nem precisou pensar muito para descobrir o que era. Jae parecia não entender, mas dessa vez, Kang ficou quieto. Só olhou para Won de modo solidário e deu um tapinha no ombro dele.

    O sinal bateu e eles logo seguiram para a sala de novo.

    [...]

    Após o fim das aulas, Kang ofereceu seu caderno para que Jae tirasse as fotos, o resto do material, ele enfiava na mochila mesmo. Não era muito organizado ou metódico, não se preocupava com a distribuição das coisas. Não chegou a fazer nenhum comentário sobre o poema, porque para ele foi meio que indiferente. Era apenas mais um dever de casa para sofrer.

    Mas quanto à quarta-feira, ele precisava concordar.

    - É mesmo, né? Também achei bem melhor. - Comentou e olhou para Jae ao ouvir sobre matemática. Diferente de Won, não pareceu surpreso. - É...Essa eu posso contar? - Esperaria Jae confirmar e, caso fosse possível, ele continuaria. - O Jae foi chamado depois que todo mundo saiu e aí o professor disse que ele não precisava entregar o trabalho porque não entraria na aula de sexta. Foi porque dormiu e ainda fez aquele estrago no quadro, acertando tudo.

    Não sabia o que sentir, por um lado, achou Jae o máximo, mas por outro, achou que o professor tinha razão. Claro que não ia dizer isso, mas…

    Sobre a comida, também meneou positivamente.

    - É uma delícia. Quer dizer, eu não tenho um gosto muito refinado para a comida, mas achei bem boa. E você pode repetir, sim, eu acho, mas ninguém repetiu ontem. Olha lá, hein Jae-Ki. - Olhou de banda.

    Pegaria o caderno quando ele devolvesse, mas o amigo estava guardando o melhor momento para o final. Assim que Kang enfiou o caderno na mochila, Jae chamou os dois mais para perto. Não tinha mais ninguém na sala mesmo. O garoto esticou o pescoço e na mesma hora, soltou uma deliciosa gargalhada.



    - HAUAHAUAHAHAHAHAHAHA - Teve que tapar a boca com as mãos para se conter, mas o rosto já estava vermelho e ele não conseguia se conter. As lagriminhas vinham e ele tossia sem parar. - Chung Fada. HAHAAUAHAUA, aiish, falei alto

    Tapou com mais força, mas o “pfffff” saiu pelo nariz. Kang respirou fundo algumas vezes e não foi capaz de dar um conselho bom para Jae-Ki. Ainda estava rindo muito do desenho para entender o plano maligno dele.

    Ainda bem que eles tinham Won para controlar essas situações. Imagina se deixassem as coisas apenas para Jae e Kang, eles certamente seriam expulsos no primeiro bimestre.

    [...]

    No refeitório, Kang ainda tinha espasmos de riso. Fechava os olhos e lembrava do desenho, de modo que começava a rir do nada - a risada dele era engraçada, do tipo que puxava a dos outros também. Quando conseguiu se controlar, focou-se na comida.

    O lugar ainda estava um pouco vazio, embora alguns alunos preferissem comer ali para economizar o tempo. Kang tinha uma bandeja farta, mas nem de longe como a de Jae. Estavam focados na comida quando Won fez aquele comentário. Kang estranhou, olhando para Won e tombando um pouco a cabeça.

    - Hm…- Não sabia opinar, por isso demorou um pouco mais, enquanto mastigava. - Não sei, eu também acho o grêmio um pouco chato e talvez tenha outras formas de ajudar, mas...Se é algo que você quer arriscar...Eu te apoio. O que que um grêmio faz mesmo? - Perguntou depois de dizer que era chato. Só pelo nome, já achava meio ruim mesmo, mas apoiaria, caso o amigo quisesse.



    Jae ainda comentava sobre a irmã e era inegável o orgulho que ele sentia dela. Dessa vez, Kang não brincou sobre a futura cunhadinha porque já tinha colocado sua vida em risco várias vezes ao longo daquela conversa. O garoto também se preocupou com o olho roxo, mas Won era mais experiente e Kang só concordou.

    Os três já tinham terminado de almoçar e agora conversavam sobre os transportes. Kang ofereceu sua bike para Jae-Ki, mas ele descartou. Olhou, então para Won e disse.

    - Tudo bem você ir sozinho hoje? Amanhã eu venho de ônibus e aí você não ficará sozinho. É porque eu realmente não vou conseguir te carregar na garupa.

    Lamentou, mas não pareceu uma decisão ruim. Os três dragões finalmente saíam do refeitório e começava a seguir, cada um para seu destino.

    [WON-BIN]

    2:30 P.M


    A ansiedade era bem grande durante o trajeto até o café. Won-Bin pensava em mil formas de tentar se explicar à sua nova chefe. Seria apenas o 3º dia de trabalho, num emprego de meio período e ele chegaria com um braço imobilizado.

    Como ia servir as mesas?

    Equilibrar a bandeja?

    Limpar o chão?

    O dia anterior tinha sido assim. Mas se ele fosse otimista, podia garantir que faria um trabalho tão bom e competente usando apenas o braço direito. Ele era ambidestro, afinal. Precisava ver como argumentar com sua chefe que, apesar de justa, não era a pessoa mais doce do mundo.

    Assim que chegasse ao café, veria que havia um pouco mais de movimento do que no dia anterior - havia uma equipe sentada numa das mesas e três pessoas falavam com Hyosang: um casal e mais um homem. Os dois rapazes usavam bonés e estavam com a máscara usualmente usada por idols e alérgicos, rebaixada. Hyosang parecia muito feliz por vê-los, mas batia com o guardanapo no rapaz que era mais bonito, atirado e solteiro.



    O casal ria da brincadeira e a menina que não largava a mão do namorado, era extremamente bonita. Seu cabelo era chanel e seu porte e postura eram de uma verdadeira princesa com uma tiara na cabeça.





    O otimismo de Won-Bin talvez oscilasse um pouco, porque sua conversa teria várias testemunhas agora. Logo a imagem dele chamou a atenção de Hyosang e, pouco a pouco, os três viraram a cabeça para encarar.

    Não era preciso ser um grande gênio para reconhecer aqueles rostos, mesmo sem maquiagem.

    Tratava-se “apenas” de Quan Lei e Shin-Hee, os atuais queridinhos da Coreia do Sul - principalmente por conta do grupo que eles tinham formado depois de vencerem a competição há dois anos. A mulher ao lado de Shin, era Myeon, a herdeira da maior e melhor emissora da Coreia. Muita gente importante, num espaço tão pequeno.



    - Won-Bin…? - Hyosang disse já perdendo o sorriso e tomando uma postura mais séria.



    Quan Lei fez uma expressão de dor/pena ao ver o braço engessado enquanto Myeon olhava com certa curiosidade. Já Shin-Hee pareceu um pouco mais preocupado.



    Era, afinal, o dono do café, sócio de Hyosang.

    [JAE-KI]

    2:45 P.M


    Jae-Ki morava um pouco mais longe e, como passou muito tempo comendo, para garantir a comida até o fim do dia, ele chegou um pouco tarde em casa. Seria apenas o tempo de trocar de roupa, jogar as coisas e ver o que tinha na geladeira. Caso abrisse para pegar água ou coisa do tipo, ele também encontraria um inesperado docinho.

    Era uma embalagem única com um hobak monaka e havia um bilhete num papelzinho rosa e letra infantil.

    “Ganhei de uma amiguinha na escola, mas guardei para você.
    Eu amei o meu Pandinha, mas senti sua falta, oppa.
    Espero que tenha um bom dia.
    Saranghae
    Princesa Soo-Ji”.




    Era um biscoito de abóbora, na versão original mesmo. Soo-Ji itnha passado em casa depois de chegar da escola. Como ele podia imaginar, ela passaria aquela tarde com a avó, vendendo coisas na barraca.

    Soo-Ji era mesmo uma menina especial. Mesmo tendo pouco, ela sempre pensava em seu oppa primeiro e abriu mão de um doce gostoso como aquele para retribuir o desenho. Ela bem que gostaria de dar outro desenho para ele, mas realmente não era habilidosa como o irmão. Sua letra, no entanto, era muito bonitinha, bem redondinha e ela caprichava na caligrafia.

    Jae-Ki tinha que correr para o trabalho e logo descobriria que correria o dia inteiro.

    Havia um grande volume de entregas naquela tarde. Uma lista de casas, apartamentos e lojas requisitando frangos fritos. Ele teria que usar a bicicleta do trabalho para dar conta de todos os endereços. O lado bom era que não teria que lidar com o gerente chato, mas o lado ruim era que teria que lidar com mil pessoas. E todos olhariam meio estranho para o roxo que ele tinha no olho.

    Agora, pelo menos, ele poderia dizer que foi um tombo de bicicleta ou coisa do tipo. Ou não dizer nada, só entregar, pegar dinheiro e acabou. O cheiro das entregas também seria tentador para seu sensível olfato, mas o almoço ainda forrava bem seu estômago.


    [MISOO]

    2:45 P.M


    Assim como Eun-Bi, Mia também morava numa dos altos apartamentos duplex e luxuosos de Gangnam. As duas, inclusive, moravam no mesmo “quarteirão”, por isso Eun-Bi tinha sido bastante segura quando disse que iria para lá depois - só precisava resolver algumas questões em casa primeiro.

    O trio optou por comer na casa de Mia ao invés de ficar no colégio. Elas tinham muito o que conversar, afinal. Assuntos que iam desde a aula daquele dia, até o suposto namoro de Gyu-Sik, a conversa de Bo-Mi com Ryu, a conversa de MiSoo com Jung Mi. Tantos e tantos tópicos para discutir não deveriam ser feitos na escola.

    Não houve nenhum problema para nenhuma delas. As três chegaram até o apartamento e foram recepcionadas por uma comidinha caseira que a cozinheira preparou para elas, mas Mia comentou que queria algo com mais sustância gordinha mais tarde - era cerca de 1:30 P.M. quando almoçaram.

    Enquanto olhasse para o prato bem equilibrado, MiSoo podia ponderar um pouco sobre os últimos momentos na escola.

    Mia comentou que estava mesmo um pouco arrependida de ser capitã porque não tinha esse espírito de liderança. Era uma carga muito grande de responsabilidades e isso a deixava um pouco insegura. Felizmente, a ideia de irem até a casa de Mia deixou essa conversa de lado.

    Quando MiSoo retornou para a sala, percebeu que Gyu-Sik continuava silencioso e mal a encarava. Parecia demasiadamente atento na aula e mesmo quando ela olhava para trás, tentando pegá-lo desprevenido, ele não estava olhando para ela e sim para o caderno. Por isso, o melhor que ela pôde fazer foi ficar conversando com Eun-Bi mesmo. A amiga fazia caras e bocas, dando piscadinhas, indicando o professor Lee Chang. Certamente era a matéria favorita da bailarina, até porque tinha um bom estímulo para estudar.

    MiSoo sabia que era só brincadeira, que EunBi não era como Eun-Na ou Mi-Ran e estava fazendo isso apenas para aliviar o clima e deixar o momento mais leve para elas.

    A garota ainda não tinha explicado a questão de Taemin, mas prometeu que faria isso quando chegasse à casa de Mia. Bo-Mi também não parecia mais insistir nisso, a tratando normalmente, apesar de ainda querer explicações - quem não queria, afinal?

    Quando foram embora, Eun-Bi aceitou a ajuda até o carro e reafirmou que iria mais tarde. Nem optaria pelo filme porque só queria mesmo era passar um bom tempo com as amigas.

    Depois do almoço, enquanto seguiam para a sala de cinema, o celular de MiSoo ficou mais claro. A foto de Gyu-Sik apareceu, mas era um “like” errado. A cara do garoto, do outro lado, provavelmente era impagável por ter dado esse missclick, ele continuava online e digitando, digitando, mas nunca vinha nada. Era uma angustia sem fim, uma vontade de falar “PARA, DEMONIO” ou “FALA, DEMONIO!”, mas ele não dizia.

    Até que ele finalmente mandou…

    O gatinho do Shrek - ironias, talvez? Mas era o olhar arrependido, de todo modo.



    “Miane. Você não é uma ogra, nem ogrinha. Eu que deveria ser chamado assim. Não queria ter sido cruel com você.”

    Bo-Mi quicou no sofá, ao lado dela antes que ela conseguisse responder à mensagem.

    - Vamos ver o que?



    - Romance bem dramático, é claro. - Mia sentou-se na poltrona, olhando as amigas. - Romance de época.

    - Eu não quero chorar - Fez beicinho.

    - Temos tempo, de todo modo. A Eun-Bi disse que só chegaria mais tarde, né? Podemos conversar sobre outra coooisas… - Mia fez um biquinho para Bo-Mi.



    - Hehehe...Que coisas? - Jogou o cabelo, corando um pouco.



    - Conversas no intervalo, não é mesmo?

    Bo-Mi escondeu os lábios e depois escondeu os olhos daquele jeito envergonhado, até que ergueu a cabeça e disse.

    - Vamos começar por ordem, então. - Olhou para MiSoo. - Como foi sua conversa com o Jung-oppa? Meu oppa estava bem irritadinho quando disse que você tinha saído com o Jung-Mi.



    Eun-Bi mandou uma mensagem também, para o grupo, acendendo as telas das três.

    “Chegarei às 3:30 P.M. Tenho fome, vamos pedir franguinho? Pufavoooo =(((“

    - Tá, depois. - Mia abaixou o celular e olhou para as amigas, esperando para ver quem começaria a falar.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Seg Dez 18, 2017 12:21 am

    Jae-ki riu da piscada de Kang, ele realmente sabia como ser engraçado. Quando falaram sobre o passeio de domingo, via como seus amigos eram ingênuos com as garotas. Mas pela insistencia de Kang, dava para ver que eles tinham se animado mesmo com as meninas. Porém nenhum dos dois notava que Jae-ki não estava convidado pra esse passeio. Tinham rejeitado sua ajuda, por que iriam querer que ele fosse? Mas não diria isso aos amigos, não agora ao menos.

    No refeitório, quando Won se animou com a ideia de ensinar golpes, Jae-ki ficou animado ao descobrir algo que o amigo gostava de fazer. Won Bin já falava até nome de golpes e tentava simular os golpes ali mesmo. Embora fosse vergonhoso para a maioria, Jae nem ligava, só sorria achando maneiro, também, para quem andava de olho roxo por ai, por que ligaria para alguém mostrando golpes? Mas realmente não sentia vergonha por coisas assim, não era algo que passava em sua mente. Comia de boca aberta, mal cumprimentava as pessoas, gritava sem importar, e outras coisas. Já estava acostumado a acharem coisas ruins dele, então tava nem aí. Essa sua personalidade até tinha pontos positivos, o fazia ser mais resistente. Porém não era imune de todos os tipos de constrangimento e incomodava quando o impediam de fazer algo por causa disso, como o risco de suspensão.

    Mas a sugestão de treinarem na casa de Won Bin, não parecia uma boa. "Ficar na casa de um policial? Não, cara, isso não é legal..." Porém era claro que Jae-ki não iria dizer o motivo de não querer ir. Só respondeu simplesmente:

    - Maneiro, mas na praça é melhor. Pais são chatos e acabam se intrometendo.

    Infelizmente nenhum dos dois respondeu porque Won Bin parecia estranho, mas Jae-ki deixou para lá dessa vez.

    (...)

    Na saída conversavam enquanto Jae-ki tirava fotos do caderno de Kang. Tinha esquecido que Won não sabia que tinha sido expulso da próxima aula de matemática. Kang perguntou se podia contar.

    - Pode. Kang, pode contar tudo pro Won Bin, só para ele. Para os outros que não.

    Eles falavam do almoço e isso só dava mais fome em Jae-ki. Um dizia que talvez poderia repetir o prato, o outro que podia montar o prato. Jae já planejava que faria um prato só, para não correr o risco de não poder uma segunda vez, sim ele era muito "esperto". No momento em que mostrou a caricatura do professor, Jae-ki riu mais ao ver a reação de Kang. Gostava de ver que tinham curtido, mas não demorou para Won Bin estragar sua brincadeira. Fez um bico quando o amigo disse que podiam o descobrir, tinha imaginado que não teria erro fazer algo assim, no banheiro ninguém saberia quem foi, nem tinha nome. Ao levar o cascudo, Jae-ki reclamou com um bico invocado:

    - Ya! Por que descobririam que fui eu? Nem tem nome... Tsc... Tá, não vou fazer dessa vez...

    Guardou o caderno na mochila a contra gosto, mas não podia correr risco de ser suspenso não é? Quem sabe outro dia, quando ninguém esperasse que fosse ele a fazer o desenho. Won tinha muitos "créditos" com Jae-ki, por isso não insistiu. Terminou de guardar o material e foi muito animado para o refeitório. Nada como comida para melhorar o humor. Já tinha dado sua opinião sobre o grêmio e sentiu que isso preocupava seu amigo. Kang também achou chato e ficou confuso sobre o que um grêmio fazia, não que Jae soubesse melhor, já que nunca teve interesse em descobrir.

    - Ajudar...- Respondeu de boca cheia, um pedaço do frango queria escapar do canto de sua boca enquanto falava, botou pra dentro, engoliu e continuou - Hum...  Você é muito maneiro Won, se preocupando com os outros, é legal. Mas a maioria nem liga. E se você acabar sendo suspenso por causa disso? Eu não me dei bem por tentar ajudar... Mas se você quer entrar, deve ter seus motivos. Eu vou te apoiar como o Kang. Mas o clube de arte é de longe mais maneiro.

    Jae-ki sorriu tentando animar o amigo. Logo chegou a hora de se despedirem. Won o tranquilizou ao dizer que seu olho tava menos inchado, esperava que sim. Queria que estivesse melhor para quando visse Soo-ji. O amigo também parecia confiante com o trabalho, isso era bom. Jae-ki admirava Won, o cara tava quebrado e ferrado em várias coisas, mas estava lá otimista e ainda pensando em ajudar os outros. Essa vontade de ajudar até já tinha passado em Jae há alguns anos atrás, mas tinha aprendido que não dava certo com ele, só se metia na pior. Decidiu então que ajudaria só seus amigos verdadeiros. Mas ás vezes acabava ajudando algumas pessoas, então não podia culpar Won. A diferença é que Jae não procurava por isso, as situações simplesmente surgiam a sua frente.

    Eles se despediram e Jae-ki acabou chegando tarde em casa. Infelizmente não veria sua irmã ainda. Largou a mochila perto da porta, tirou o tênis com o próprio pé e bocejou alongando os braços para cima. Abriu a geladeira para colocar a bolsa térmica de gel, quem sabe daria tempo de esfriá-la para desinchar o rosto? Também queria água. Mas algo chamou sua atenção, tinha um bilhete e um doce. Jae-ki leu o papel que tinha a letrinha fofa de sua irmã e sorriu suspirando quando terminou de ler "princesa Soo-ji". Soo-ji era realmente única. Sentiu o coração apertar de saudade dela e por sentir mais uma vez o quanto a irmã gostava dele. Ainda não tinha conseguido dar uma vida melhor a ela e ver que mesmo com tão pouco ainda guardava para ele, o fazia se sentir realmente sortudo. Só esse gesto já tinha sido o bastante para melhorar o seu dia. Apesar de todos os aborrecimentos que teve, havia uma Soo-Ji que pensava nele.

    A imagem do rostinho dela vinha a sua mente, queria tanto poder ver ela, mas as obrigações do dia não paravam. Ainda tinha horas de trabalho para cumprir. Não teria coragem de comer o doce da irmã, mas também não queria negar. Então pegou o bilhete pra si, levaria com ele para o trabalho. No lugar iria deixar outro bilhete dizendo que só comeria junto com ela, poderia dividir. Mas então ficou com medo que alguém mexesse no doce da irmã, talvez o aboji, não duvidava mais de nada vindo dele, já tinha roubado dinheiro deles, um doce seria fácil. "Tenho que comprar um doce para ela, já tem um tempo que ela não come chocolate. Tenho que ganhar boas gorjetas hoje, mas com esse olho roxo... Aish, ainda tem a dívida com a Senhorita Yang, mas por causa disso me sobrou dinheiro, depois eu pago ela.  Vou gastar com um chocolate para Soo-ji, é isso, deve ter vendendo no caminho. Ela vai ficar tão feliz."

    Jae-ki pegou o doce para si mesmo e comeu. Era ainda mais gostoso porque era presente dela. Escreveu um bilhete rápido e deixou no mesmo lugar do dela:

    "Princesa Soo-ji, adorei o presente. Você é a princesa mais linda do mundo. Estou com muitas saudades. Saranghae, Príncipe Jae-ki."

    Riu ao escrever as últimas palavras, achou que a irmã ia gostar se ele entrasse na fantasia dela. Já tinha decidido que compraria um chocolate para ela. Sorriu mais uma vez ao imaginar a irmãzinha sorrindo. Existia uma irmã melhor que Soo-ji? Não para Jae-ki. Ele deitou por alguns poucos minutos antes de ir embora, só para esticar as costas, não iria tomar banho mesmo, ficaria sujo de novo de qualquer forma e não daria tempo. Tomara banho antes de dormir. Mesmo com preguiça, vestiu o uniforme do trabalho e foi lá cumprir seu dia.

    Estava sendo um dia cansativo de entregas, mas tinha suas vantagens não ficar perto do gerente e tinha mais chances de ganhar gorjetas. Mas o olho roxo com certeza não ajudaria, mesmo assim esforçou-se ao máximo do que conseguia ao menos. Se alguém perguntasse do seu olho, responderia que foi porque caiu da bicicleta. Se não falassem nada, ficaria quieto. O cheiro de suas entregas sempre eram tentadores, mas não ousava tocar neles, embora a vontade fosse grande. Não arriscaria perder o emprego, sua irmã dependia disso. Algumas vezes se pegou pensando em Eun-bi, ficava confuso pensando se ela por algum acaso, pudesse ter o protegido mesmo. Mas ao mesmo tempo tinha medo de ser só coisa da sua mente, queria ver algo bom nela porque gostava dela. Talvez só quisesse encontrar Min-Ah de novo e por isso não queria enxergar a verdade. Seria isso mesmo? A verdade é que parecia que estava ficando louco. De qualquer forma, prometia a si mesmo que não se aproximaria mais dela, já tinha se metido em confusões demais por causa disso. Compraria também o chocolate de Soo-ji quando visse alguma vendinha no caminho. Não seria sofisticado e nem grande, mas sua irmã iria gostar. Depois daria um jeito de completar a dívida da Senhorita Yang, tinha até terça pelo menos. Quando voltar para casa, vai estar receoso por causa do seu olho roxo, mas ansioso para dar um abraço em Soo-ji. Mesmo cansado das entregas, ainda planejava fazer os deveres.

     
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Seg Dez 18, 2017 1:59 am

    [HYE-MIN]

    Hyemin tinha conseguido, à sua maneira, aproveitar melhor a segunda rodada de aulas daquela quarta-feira. Embora não gostasse nem um pouco do professor de Literatura, o poema foi bem fácil de ser feito, considerando o gosto dela por desenhos da Disney que tinham as mais belas canções. Verdadeiros poemas. Seria menos um trabalho para Hayoung, aparentemente, visto que ela adiantou todo um poema na sala de aula, mas só entregaria na semana seguinte, junto dos outros.

    Já a aula de Quimica foi um pouco mais assustadora, mas nem de perto como a aula de matemática. Porém, o papai panda precisava trabalhar e, pouco a pouco, um lindo desenho fofinho da família Panda substituiu os átomos e os esquemas da matéria.

    Ficava bem melhor assim, aparentemente.

    Yerin, por outro lado, estava bem concentrada e anotando as informações. Só perdeu o foco quando Hyemin a chamou e ela a encarou com uma expressão de dúvida. Foi bastante cuidadosa e paciente para explicar o que o professor queria dizer, usando um vocabulário que Hyemin conseguia acompanhar - provavelmente marcas de produtos ou tipos de tecido. Depois disso, ela conseguiu retomar, mas a família Panda começou a pular do caderno dela.

    Era mais forte do que ela.

    Quando o fim da aula chegou, as meninas não seguiram juntas dessa vez. Cada uma tomou o seu tempo e Hyemin encontrou o seu motorista esperando por ela. O motorista esboçou um sorriso gentil e abriu a porta para que a sua senhorita entrasse. Como já conhecia a peça, ele mesmo tinha configurado a rádio do carro para as estações que ela gostava - achou muito incomodo não ouvir nenhuma musica animada no dia anterior, muito embora agora soubesse bem o porquê.

    Esperava que seu patrão e a princesa se resolvessem logo.

    O rumo foi diferente, mas ele ouviu a pergunta dela. Olhou através do espelho retrovisor e pigarreou.

    - Seu pai pediu para vê-la, Senhorita. Pediu para que eu a levasse até a empresa ao invés de levá-la para casa.

    Talvez a pergunta de Hyemin não tivesse sido para ele. Talvez ele não pudesse falar, mas ele gostava muito daquela menina e seu jeito avoadinho para deixá-la sem uma resposta. Enquanto tocava DNA, ele ficou tamborilando os dedos no volante, quando o grupo mudou, ele não soube mais como acompanhar e deixou que a menina cantasse.



    Parou o carro em frente ao prédio da HGT e um dos funcionários se aproximou para abrir a porta, reconhecendo o carro como da família. O motorista a observou sair e Hyemin começou sua caminhada cheia de incertezas e coisas na cabeça. O elevador privativo estava esperando por ela e foi uma subida única para a sala do pai.

    Pensando agora, por que será que Kim estava naquele elevador privativo?

    Não era só para o andar do pai dela?

    Tão logo ela chegasse, a recepcionista liberaria o caminho para ela. Enquanto abrisse a porta, ouviria o pai conversando com uma mulher - a voz ainda era a mesma e isso causaria um calafrio em sua espinha.

    - Acha que conseguimos levantar isso até o fim do dia? - Perguntava de modo impessoal.



    - Creio que sim, Sr. Seo. - A mulher respondeu.

    - Ótimo. Voltarei até às 2h para ajudar a manter sob o controle.

    - Certo. - A mulher o reverenciou e então virou-se na direção de Hyemin.

    O pai acompanhou o reencontro delas com o olhar, mas reparando bem na expressão da filha. Kim Go-Eun estava muito mais elegante do que da última vez que se viram, mas ela ainda tinha aquela expressão de antes. As orelhinhas características de seu filho também estavam nela. Olhou para Hyemin, levando um breve susto por vê-la tão crescida. Hesitou um passo com o seu scarpin preto, mas então esboçou um sorriso tímido para ela.



    - Senhorita Seo. - Reverenciou Hyemin, mas não teve coragem de falar com ela como antigamente. Hyemin não era mais aquela garotinha que ela tinha conhecido e cuidava, indiretamente, aos fins de semana. Era uma mulher feita agora e ela precisava tratá-la como a herdeira.

    Sung-Ki ficou observando em silêncio e sorriu quando Go-Eun se afastou, seguindo para a porta e fechando para deixá-los à sós. O pai encarou Hyemin e indicou a porta com a caneta.



    - Ela não sabe.

    Ou seja, Joo-Hyuk não tinha contado para a mãe e o pai dela só soube daquela cena toda porque recebeu o e-mail. Como era um homem de palavras e bem prático, ele se levantou de sua cadeira, pegando o blazer e colocando de novo. A gravata estava um pouco torta, mas ele não consertou à principio. Ao invés disso, ele abriu uma gaveta e retirou de lá o celular e os cartões de Hyemin. Caminhou com os objetos na ponta dos dedos e entregou à filha.

    - Seus pertences. - Ainda a encarava seriamente. - Sua tia está nos esperando agora, por isso mandei que viesse até aqui. Vamos almoçar com o marido e a enteada dela. Ela também está com os nossos convites para sábado. Vamos?

    Indicou a porta para que a filha seguisse na frente.

    1:30 P.M.


    O restaurante escolhido pela tia era especializado em comida chinesa, porque era o tipo favorito de seu marido, o bilionário Han. Hyemin e o pai chegariam e encontrariam apenas Chun-Ja ali. A mulher parecia um pouco impaciente, olhando para o relógio toda hora.



    Quanto os viu, porém, ela deu um sorriso e levantou-se.

    - Finalmente!! Não ficarei mais sozinha. - Deu um beijo na testa da sobrinha e olhou para o irmão de modo mais formal. - Como vai, oppa?

    - Bem. Onde estão seu marido e sua enteada?

    - Chegando. - Disse a contra-gosto.

    Não demorou muito para que eles chegassem. O Sr. Han era muitos anos mais velho do que Chun-Ja, mas seu gosto por mulheres mais jovens já era conhecido. Não era o primeiro casamento, nem o segundo...provavelmente era o quarto ou ele tinha perdido as contas. Porém, ele era um homem divertido, carismático, fácil de lidar.



    E no meio desses quatro casamentos, ele só teve uma filha, So-Na, fruto de seu segundo casamento, cujos rumores diziam que ainda era a esposa que ele mais amava. Ou tinha amado. Mas seu jeito galanteador era impossível de lidar.

    So-Na, por outro lado, era mais introspectiva, calada. Era uma das herdeiras, mas não criou um reinado no colégio e não fazia questão de participar. Era uma menina lindissima - Hyemin reconheceria a beleza dela de longe - mas ela não parecia disposta a querer agradar os outros, por isso se escondia atrás daqueles enormes óculos de grau e trancinhas meio tortas.



    Assim como Hyemin, ainda usava o uniforme do colégio e não esperava por aquilo. Olhou de banda para a madrasta, mas esboçou um sorriso para Hyemin e o pai dela. Reverenciou e procurou por seu lugar.

    - Demorou, querido.

    - Fui buscar a minha filha no colégio. Peguei um pouco de trânsito.

    - Sei...Como vai, So-Na-shi?

    - Bem. - Não perguntou “e você?”, apenas retirou os óculos por um instante e coçou os olhos, um pouco cansada.

    Um vislumbre de como ela seria, caso não usasse aquilo o tempo todo. Chun-Ja cerrou os olhos diante da beleza da enteada - bela como a mãe dela - mas logo voltou a falar sobre amenidades. Os patriarcas, falavam sobre negócios e as meninas pareciam quietas. So-Na não tinha nada contra Hyemin, mas também não tinha muito a favor.



    Olhou para ela, analisando a expressão da menina e desviou o olhar de novo. Realmente não gostava de estar ali na presença daquela mulher que Hyemin tanto amava.

    [HYUN-HEE]

    O intervalo serviu justamente para isso: ser uma trégua para a atual situação dele. Foi bom porque ele pôde se sentir com 15 anos de novo, época em que tudo era ótimo, perfeito e ele não passava horas apagado por conta do efeito de um calmante.

    Porém, quando o intervalo passou, a realidade o puxou de novo. Estava ali, na sala do 1º ano, compartilhando o mesmo espaço que seu irmão e seu primo, dois parentes próximos que o tratavam com indiferença. Pelo menos o primo tinha a questão profissional e não parecia olhar com raiva, já o irmão...bom, havia um abismo ali que não seria superado do dia para a noite.

    Ainda que Jung-Mi tivesse recebido um “conselho” do tio, ele não saberia como agir. Talvez porque não estivesse pronto para, de fato, agir.

    Quando a aula acabou, Hyun-Hee não esperou por ninguém - nem pelos amigos do segundo ano. Imaginava que pudesse seguir livremente para onde quisesse, mas isso mostrou-se uma ilusão quando ele viu o Secretário Lee esperando por ele. Sem dizer nada, o homem apenas abriu a porta e deixou que ele entrasse. Havia uma quentinha ali para ele comer, caso quisesse.

    Como o horário foi marcado em cima da hora, devido ao surto da noite anterior, ele não teve muita opção a não ser esquecer o almoço - ou comer a quentinha. O Secretário Lee nada dizia, apenas guiando até o hospital onde o psiquiatra dele estaria atendendo naquele dia. Era o hospital mais imponente de Seul e o médico dele estava de plantão, de modo que seria necessário seguir até lá.



    A ala psiquiátrica tinha uma parte só para internações, mas Hyun seguiria para o andar dos consultórios mesmo, onde Jo Nam-Yoon aguardava por ele. O Secretário Lee nem ao menos respondeu à piadinha de Hyun, apenas guiando o rapaz até o consultório. Carregava uma pasta e pediu desculpas à recepcionista pelos modos do padrão.

    O psiquiatra aguardava por ele. O consultório não tinha aparência de um consultório padrão - parecia uma aconchegante biblioteca ou sala de leitura, onde um confortável divã de couro esperava para ser usado. Ao invés de uma mesa clinica, ele tinha uma poltrona e uma mesa de centro - claro que havia, mais recuado, o espaço para ele trabalhar no computador, mas durante o atendimento, não havia o uso de máquinas, apenas papel, caneta e uma conversa.

    Caso o paciente se sentisse confortável, ele ligava uma música do gosto do mesmo.

    Obvio que era apenas uma das salas dele, visto que tinham pacientes muito piores. Mas com Hyun, ele ainda tentava ser polido. Retirou os óculos quando ele entrou e teve aquela postura mais agressiva, jogando sua mochila e deitando no divã.



    [color:5909= #df9f9f]- Sente-se bem depois de ontem? Muito bom.
    - Anotou algo no bloco. - Você pode dormir, se quiser. Estarei aqui quando acordar e quiser falar o porquê de seu dia ter sido bom. Ou, talvez, por que você perdeu o controle ontem. Estávamos indo tão bem…

    Suspirou, com certo pesar.

    - Descanse e reflita um pouco, Hyun-Hee...Estou lendo. - E lia a pasta que o Secretário Lee tinha trazido.

    O orgulho de Hyun permitiria que uma pasta escrita por um terceiro definisse tudo o que ele sentia? Na verdade, o médico estava desconfiado dos remédios que ele vinha usando, por isso lia com bastante atenção.

    Mas Hyun realmente poderia dormir. Só não teria sua autorização para pilotar motos e ainda seria recomendado que andasse com sua babá ambulante.

    No celular, por outro lado, a história era um pouco diferente. Um convite bastante inusitado envolvendo o loft de Minhyun e a uma amiga loira, surgiu no horizonte para animar aquela quarta-feira que começava a ficar cinzenta de novo.

    [SUNNY]

    Chae simplesmente deu de ombros quando falaram sobre o perigo da Tarântula. Não tinha achado perigoso e, às vezes, agia por impulso mesmo. Sentia que tinha evitado que algo pior acontecesse e isso a deixava bem. Quanto à pergunta sobre o ataque, Lee-Hi meneou negativamente. Aproximou-se um pouco para dizer que tinha sido contra uma das populares.

    Por incrível que pareça, elas brigavam entre si também!

    Kim comentou que via ali uma chance, já que brigavam entre si, significava que dariam um alívio para os bolsistas também. Ou não, né? Os bolsistas podiam ser o motivo de alianças. Esse negócio era mesmo muito confuso.

    A conversa seguiu por mais um tempo e elas ficaram de combinar um passeio em grupo, chamando Stella também. Isso acabou por motivar ainda mais Sunny para a segunda parte das aulas - já estava feliz por ser literatura e pelo professor ser legal, além de conhecido de vista, pelas visitas que ele fez ao café.

    Diferente dos dias anteriores, ela finalmente conseguiu prestar atenção na aula e elevar seu potencial ao máximo.

    Contudo, isso cobrou seu preço à caminho do café. Lee-Hi e ela pegaram um ônibus até o bairro de classe média/média alta onde o Café Literário tinha seu ponto. A música combinada com os efeitos das pilulas a fizeram levitar. O vento da janela também dava a sensação de que ela era um pássaro, capaz de alçar voos cada vez mais distantes. Naquelas nuvens não havia problemas, decepções, chateações, culpa..Havia apenas o céu infinito e sua liberdade.

    Lee-Hi precisou tocar no ombro dela para que Sunny fizesse um pouso suave.

    Foi tão rápido…

    Duas pilulas realmente não faziam mal.

    Conseguia voltar com um simples toque no ombro, afinal.

    4:50 P.M.




    Trabalhar no balcão também tinha seu grau de cansaço, mas era mais vantajoso do que equilibrar copos, pratos e andar o tempo todo. Ainda mais para ela que sofria uns efeitos de falta de sensibilidade no tato, como uma reação ao remédio.

    Os livros continuavam tendo suas baixas e atualização no cadastro. A música ambiente tinha a voz de Taeyeon, numa de suas músicas de 2016. Lee-Hi andava de um lado para o outro, atendendo várias mesas até que a porta abriu de novo e um perfume sedutor inundou o ambiente.

    Não era o perfume de Jung Mi, mas carregava um evidente enigma.

    O homem era alto, com um belo tipo físico. Usava um boné na cabeça, óculos escuros, mas uma roupa de marca - parecia aquele tipo de pessoa que queria se misturar na multidão, mas era incapaz de abrir mão de seu dinheiro. Ele procurou por uma mesa discreta, próxima à parte mais do balcão de Sunny do que da cafeteria em si.

    Sentou-se onde Jung-Mi costumava ficar e essa sensação não foi de todo boa.

    Parecia um usurpador, mas ele não chegava aos pés de Jung, não é?

    Quando ele retirou os óculos escuros, Sunny teve a sensação de que já o conhecia de algum lugar. Ele não era apenas sedutor e enigmático, era lindissimo...mas de onde ela tinha visto aquele rosto? Infelizmente, ela não conseguiria lembrar mesmo. Talvez porque não tivesse prestado nenhuma atenção na apresentação do corpo docente e da família Wang.



    O homem percorreu os olhos pelo lugar até que olhou para Sunny.

    E não tirou mais os olhos dela.



    Havia algo nela que acabou chamando a atenção dele, talvez fosse a luz que ela carregava ou a carinha fofa...difícil dizer. Mas ele esboçou um sorriso de real interesse. Lee-Hi surgiu na frente, impedindo que ele continuasse daquele jeito para a amiga e ofereceu o cardápio.

    - Expresso duplo, por favor.

    Disse de modo educado e demorando-se um pouco nela também. Lee-Hi meneou positivamente e saiu. O homem olhou para Sunny de novo, mas o celular atraiu sua atenção. Atendeu à ligação e olhou para a janela.

    - Ye. Já estou aqui…Na verdade, já estou te vendo. Você está linda.

    Sorriu meio bobo enquanto olhava pela janela. Menos de dois minutos depois, uma bela mulher entrou no café. Tinha um ar moderno, apesar do rosto doce e sorriu para o homem que via. O sorriso foi aumentando e ela se aproximou de modo tímido. Reverenciou o homem e ele tocou na mão dela, dando um galante beijo na mão.



    - Quanto tempo, Eun-Ah. - A chamava de modo intimo e cortando o nome. - Foram o que? Seis meses?

    - Um ano, oppa… - Respondeu, recuando com a mão. - O tempo fez bem a você.

    - Sabe como é? Dizem que sou como o vinho…- Sorriu, galante e egocêntrico. - Sente-se e me conte como foi a experiência na Itália...A MinT te deu sossego?

    Os dois se sentaram e começaram uma conversa breve.

    - Ela fez muitos desfiles, ainda está fazendo. Já eu, estou só de passagem pela Coreia, logo volto para meu estúdio para continuar como trainee…

    - Ótimo, já sei onde ficar quando for para Milão.

    - No apartamento da MinT?

    - Claro que não. Gosto muito mais de você…É muito mais agradável do que sua prima.

    - Continua impossível, né? Quando é seu casamento?

    O homem engasgou, rindo.

    - Casamento, de onde ouviu isso?

    - Oras, é o que dizem...você não está noivo de uma menor de idade?

    - Contrato de família, mas sou um homem livre. Tão livre que comprei um loft aqui perto...Dois quarteirões, onde posso descansar e esquecer dessa gente…

    - Com o dinheiro dessa gente…

    - Você me pegou. - Suspirou e deu um gole no café. - Mas você também não aceitaria meu convite por nada.



    - Claro que não. Eu tenho interesse...És uma boa distração, Woo-oppa.

    - Só isso? Uma boa distração?

    - A melhor de todas, se isso te dizer feliz.



    Os dois conversavam de modo íntimo, mas apenas Sunny acabaria ouvindo essa conversa descarada. Era um pouco chocante, até...Ainda que Sun-Hee não fosse do tipo que acreditasse em contos de fadas.
    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Seg Dez 18, 2017 4:15 am

    Durante o almoço na casa de Mia, MiSoo acabou comendo pouco. Só de olhar para a comida ela lembrava de tudo o que tinha consumido no refeitório e começava a se sentir mal. O peso na consciência estava lá outra vez lhe assombrando. Estava em um dilema, só poderia se sentir melhor em casa, mas não queria ir para lá. Queria ficar com suas amigas. Tinha que ser mais resistente do que isso! Ali era o melhor lugar para se estar e MiSoo sabia que iria apreciar muito aquela tarde. A companhia delas ajudava a diminuir um pouco o peso que a tenista sentia, se distraia e se divertia bastante com seu trio de amigas e era quase como uma cura para aqueles sentimentos negativos. Mas infelizmente ele retornava quando MiSoo chegava em casa.

    Provavelmente mais tarde comeria mais normalmente, quando já estivesse bastante distraída para pensar nessas coisas.

    O dia tinha sido bem complicado na escola. O bullying tinha voltado com tudo e dessa vez tinham achado um jeito de constranger MiSoo, não na frente delas mesmas, mas de Jung Mi! Pelo menos tinha resolvido tudo - o que lhe incomodava - logo com ele, mas MiSoo não podia mais deixar esse tipo de ataque vindo do ninho de cobras surtir efeito. Teria que fazer algo se quisesse desarmar essas meninas, ou não iria aguentar ver seus amigos serem atingidos junto com ela.

    Pelo menos na aula de literatura ela conseguiu dar algumas boas risadas, mesmo que precisasse se segurar e disfarçar. Estava se divertindo com as gracinhas de EunBi sobre o professor Lee Chang. Só não a acompanhou nas gracinhas porque tinha medo de ser pega mais especificamente por esse professor. Não queria decepcionar seu ex-professor de reforço! Mesmo assim era bem divertido assistir a amiga e concordar com ela.

    Só Gyu Sik continuava esquisito. Ele não costumava ser tão concentrado assim nas aulas, não é? Nem tão quieto. Mas para que se importar com isso? Não deveria nem mais olhar para ele! A palavra ogra e a falta de um pedido de desculpas ainda estavam bem frescos na mente de MiSoo. E depois de chegar a conclusão que Gyu Sik nem deveria se importar com o que disse, MiSoo não queria mais saber dele!

    Logo o almoço acabou e o trio de garotas se dirigiu à sala de cinema do apartamento de Mia. MiSoo já estava melhorando um pouco o humor depois de encarar a comida, graças à companhia e conversinhas com as meninas. Logo o olhar desanimado e ansioso dava espaço à sorrisinhos alguns esboços de caretas. A animação sempre ressurgia na companhia delas.

    MiSoo tinha acabado de desligar a tela do celular quando a viu acender novamente. Era Gyu Sik e a garota logo fez um bico quando viu a foto dele, mas… Estava mandando um like???


    Fez uma careta e parou no meio do corredor em que estava, estreitando os olhos para o celular, sem entender o que era para ser aquilo. Era algum tipo de provocação?? Estava querendo irritar MiSoo ainda mais??

    Logo a indicação de que ele estava digitando apareceu na tela… E continuou ali… E mais um pouco… E não terminava nunca!

    - Aishhh.. O que é isso? Está escrevendo uma lista de compras?? - resmungou com irritação para o aparelho - Nem quero saber! - desligou a tela e jogou o celular de volta para dentro do bolso, convicta de que não estava interessada em qualquer que fosse a mensagem quilométrica que estava sendo feita ali.


    Não muito depois que o aparelho retornou ao bolso, ele vibrou, mas a tenista ignorou e entrou na sala de cinema.

    MiSoo foi a primeira a se jogar sentada no sofá e se acomodar, meio cansada pela manhã complicada e aproveitando o conforto daquele sofá macio para relaxar um pouco. Só que estava curiosa com a mensagem que tinha recebido, embora tentasse se convencer do contrário. Não levou nem um minuto para acabar cedendo à curiosidade, tirando o celular do bolso para ver do que se tratava a mensagem que recebera.

    Logo que abriu a mensagem sua expressão mudou totalmente ao ver o gatinho. Não gostava muito da animação Shrek, mas o gatinho deles era tãooo fofinho.

    O olhar arrependido…

    Leu a mensagem que seguia junto - que por sinal era bem pequena em comparação com o tempo que levou para ser escrita.

    Finalmente o pedido de desculpas que estava esperando!! MiSoo deu um sorrisinho para a tela, mas logo inflou as bochechas, novamente fazendo uma careta. Mas espere! Ela não queria mais um pedido de desculpas! E pessoalmente seria melhor.





    Não queria dar o braço à torcer logo quando tinha recém decidido que aquela amizade não estava muito certa e talvez não fosse verdadeira, mas na verdade não sabia o que fazer com o pedido de desculpas. Talvez isso provasse que sua recente opinião sobre a amizade com ele estivesse errada?

    Tinha gostado de receber a mensagem,mas na verdade não sabia o que fazer com aquilo e antes de conseguir pensar BoMi se jogou no sofá ao seu lado, lhe tirando totalmente a atenção do celular e a trazendo de volta para a sala no apartamento de Mia.

    Prestou atenção na pergunta de BoMi à Mia, que respondia que veriam um romance bem dramático e de época.

    - Também não queroo… - concordou com BoMi sobre não querer chorar, provavelmente seria a mais chorona do trio, pois normalmente era isso mesmo o que acontecia.


    MiSoo apenas ergueu as sobrancelhas quando Mia mencionou que poderiam falar de outras coisas olhando diretamente para BoMi, que pareceu ficar meio sem jeito.

    -“Conversas no intervalo”?

    Logo lembrou que BoMi tinha ficado para trás para conversar com Ryu.

    - Ohh! - logo voltou-se para BoMi com uma expressão boba no rosto, mas foi recebida com com o desvio do assunto da amiga para si - Por ordem, huh? - estreitou os olhos para BoMi e a encarou de modo implicante, acentuando ainda mais a expressão quando a garota mencionou a irritação do irmão - Seu oppa irritadinho…? Aiishhh… - disse a frase de modo irônico, até porque costumava ter vergonha de chamar os garotos de “oppa”, como as meninas costumavam fazer com Jung Mi quando ele não estava por perto.


    Mas antes que MiSoo pudesse, de fato, responder à pergunta, os celulares das três acendem com a mensagem de EunBi dizendo quando chegaria e que queria um.. frango? MiSoo ergueu uma das sobrancelhas com aquilo. Ia comer um frango pela tarde? Será que não iria comer nada em casa mesmo levando tanto tempo lá?

    Teve que retornar a mente para a conversa, pois Mia as encarava com aquele modo inquisitivo e curioso dela.

    - Ceeeeeerto. - fez um biquinho para ela - Minha conversa foi bem, eu acho. Como eu disse fui pedir desculpas pelo que ouvimos a ridícula da Eun-Na falar na frente de todo mundo. Se eu não fosse pedir desculpas depois de todas aquelas invenções que ela tinha feito sobre a gente ia morrer de vergonha! Aigooo! Que situação horrível!! - cobriu o rosto com as mãos - Eu não ia saber mais onde me esconder perto dele se não fosse me desculpar! Pelo menos ele não ficou chateado nem ofendido… - disse de modo pensativo e deu um suspiro de alívio - Mas não quer que eu peça mais desculpas. Ainda bem, já foram duas vezes em meia semana! - deu uma risadinha meio envergonhada.

    Porém agora tinha percebido algo do qual não fora capaz de pensar antes por sua mente estar bastante complicada no momento, mas Gyu-Sik tinha sido maldoso daquele jeito no dia anterior porque estava com ciúmes das novas amizades, pelo menos, naquele momento, de Won-Bin, mas pelo que BoMi dizia ali, de Jung Mi também, o que reforçava o pensamento de MiSoo. Era por ciúmes e não por falsa amizade, não é? Pois bem! MiSoo não estava contente também!

    - Okay. Satisfeeeitas? - logo cortou o próprio pensamento, voltando a conversa, pois não era a única que tinha que falar ali - Agora é a sua vez, BoMi-yah! - disse de um jeito bem implicante, porém fofinho, enquanto a cutucava.

    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Seg Dez 18, 2017 8:28 am

    Quando estava no elevador, observando os dizeres coloridos que iam até o andar de seu pai, mais uma vez pensou no orelhudo, mas acompanhado de uma pergunta. Por que ele estava naquele elevador? Tinha ficado tão chocada da última vez que não raciocinou direito, mas mesmo agora era difícil pensar por que ele tinha ido visitar seu pai diretamente. Não fazia o menor sentido para ela que Joo Hyuk fosse desacompanhado falar com seu pai tão livremente.

    Ela logo teria uma resposta, ou assim a aceitou, quando ouviu a voz da mãe do garoto de dentro daquela sala. Caso encerrado: Joo Hyuk tinha ido até lá visitar a mãe. Mas ela nem estava na sala quando subiram…

    Como sua mente só tinha lugar para um problema por vez, isso foi esquecido de novo, visto que o coração começava a incomodá-la. Sentiu vontade de dar meia volta e esperar que ela saísse. Como podia encará-la depois da vergonha de pouquíssimos dias atrás?

    Sua expressão foi de susto ao vê-la, parando na porta mesmo, enquanto aqueles pensamentos pulavam em sua cabeça. Primeiro era aquela nostalgia forte, um sentimento muito familiar e uma vontade de dar um abraço naquela mulher e chamar de “tia”, mas o orgulho e a vergonha a travavam. Já imaginava a mulher julgando-a fortemente por ter jogado um ovo na cabeça de seu filho. Talvez a odiasse bastante agora. Esperava alguma grosseria ou olhar de desprezo tal-mãe-tal-filho, mas a senhora Kim apenas deu um leve sorriso. Leve. Hyemin quase suspirou em alívio, mas estava claro que a mulher não a tratava como antes. Por isso, ela meneou a cabeça, respondendo ao cumprimento e voltando a erguer o rosto com uma expressão mais séria, meramente educada.

    - Boa tarde... - a pausa de ar que fez antes de fechar os lábios indicava que ela queria dizer algo mais, por exemplo, o nome dela. Mas não o fez. Talvez para os outros parecesse que tivesse se esquecido, mas a verdade era que ela não sabia como chamá-la. “Senhora Kim”? Soava péssimo agora. “Tiiiia” não seria mesmo um tratamento decente.

    Então preferiu fingir que tinha esquecido daquela mulher. Afinal, ninguém foi delicado de dizer tchau para ela quando saiu para morar no Japão, então por que ela teria que ser calorosa com todo mundo? Focou o olhar no pai e passou pela “funcionária”, como se ela estivesse servindo o café.

    Só voltou ao assunto porque o pai apontou a porta. Hyemin olhou para trás, voltando um pouco à naturalidade. Ficou surpresa de novo. Kim Joo Hyuk não foi chorando pra mamãe e aí eles foram contar ao diretor? Engoliu em seco, sentindo um desconforto breve. Bem, a mãe dele era funcionária de seu pai. O orelhudo sabia muito bem que não era para mexer com ela. Tinha sido por isso, é claro.

    Não disse nada. Não falaria mais daquele assunto. Já tinha passado vergonha demais e tudo já estava resolvido com quem tinha que estar - e estava falando sobre Yerin e o pai, claro.

    Estava distraída olhando a gravata torta e pensando em arrumá-la quando viu seus cartões e o celular sendo entregues e abriu um sorriso enorme. Por ela, as pazes estavam feitas!

    - Waaa - ela pegou cada um com enorme carinho, abrindo a carteira para guardar seus cartões, mas foi o celular que ela tomou com as duas mãos com carinho, esfregando as bochechas na capinha. - Que saudade, meu bebê. Nem sabe o que eu tive que fazer pra ter você de volta  - falou baixinho com o objeto, fazendo carinho nas arestas, então piscou e fez um beicinho. - Ahhh...appa…. Essa é a capinha de ontem, poxa. Hoje é dia do azul. Custava ter me dado uma nova?   - a expressão desfez logo e ela fez coração com os dedos, antes que ele mudasse de ideia.




    -  Q-quero dizer. Muito obrigada, appa. Branco combina com tudo. - a menina religou o aparelho ansiosa, enquanto o pai falava alguma coisa sobre ingressos.

    - Ah, tá bem. Sábado? O que vai ter sábado? - perguntou, distraída, mas com um sorriso alegre. Qualquer coisa estava boa se pudesse ter seu celular.

    O celular levava algum tempo atualizando após recolocar o chip, então foi quando ela decidiu aproximar-se do pai e ajeitar a gravata. Nem parecia que um dia estivessem brigados. Gostava como não tinham falado nada mais sobre aquele incidente ou o vídeo. Águas passadas. Assim mesmo. Agora podia continuar aprontando, desde que não fosse pega. E estava tudo bem, exatamente como antes, como nunca deveria ter mudado.

    No carro, a primeira coisa que fez foi mandar um emoji de unicórnio no grupo das meninas, anunciando que voltou. Depois foi incomodar Yerin por mensagens:
    “Está tudo bem na sua casa? <3 Appa me deu o celular de volta.
    Já posso fazer compras"


    Era como se tivesse ficado semanas sem o aparelho, mesmo que não tivesse completado 24 horas. Ela voltou para todos os seus grupos, querendo se meter em todos os assuntos. Quando chegaram, foi animada encontrar a tia.

    - Tiiiia. Como você está? - mostrou o celular e um sorriso largo sapeca, piscando para ela, indicando que tinha colocado em prática alguma coisa dos conselhos da noite anterior.

    Sentou-se bem feliz, ainda grudada naquele telefone, quando teve que guardá-lo ao se levantar de novo e cumprimentar educadamente a nova família da tia. Não achava aquele velhaco que ela tinha escolhido como marido bonito, mas a tia devia ver algo de bom nele. Ela já teve namorados mais atraentes. Não foi uma grande surpresa ao ver a nerdzinha ali com eles, mas ainda assim era estranho ver alguém da escola com quem não tinha o menor contato de repente em um almoço. Não tinha nenhum sentimento especial que nutria por ela, apesar de ter um pouquinho de inveja por ela agora ser filha de Chun-Ja, mas querendo ou não ela era sua unnie e desconhecia qualquer problema que ela teria causado na escola para se colocar na defensiva, então foi respeitosa no cumprimento.

    A única coisa que a incomodava era seu jeito ríspido com a tia. Franziu a testa com aquele “bem”, mas não disse nada. Era um desperdício tanto de beleza quanto de enteada. Mal sabia que poderia aproveitar aquele potencial todo. Não aguentou e pegou o celular de novo, já que todo mundo na mesa estava ocupado e ela não tinha o que falar com aquela garota.

    “Estou almoçando com a minha tia.
    E olha quem apareceu aqui.”


    Escreveu para o grupo de amigas e tirou foto da garota quando ela virou o rosto. Esperava que elas tivessem alguma fofoca para contar da menina, mas não esperava nada muito promissor, só queria conversar com as amigas mesmo.


    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Seg Dez 18, 2017 2:10 pm

    Por mais que fosse um tanto orgulhoso, Hyun Hee sabia que era burrice deixar de comer para fazer uma cena, quando nem sabia quando seria liberado do hospital. É claro que cheirou cada alimento antes de colocar na boca e observava as reações do secretário, com receio de ser uma tentativa de drogá-lo, mas como estavam indo somente ao psiquiatra, convenceu-se de que ele não queria fazer mal a ele por enquanto.

    No hospital, era muito incômodo ficar perto de gente “louca de verdade”, pois até então ele se achava muito são, como boa parte daquelas pessoas, por isso seu comportamento pouco coreano se aflorava, deixando-o mais atrevido, até se aquietar no banco. Fazia isso porque queria mostrar o quanto estava fora da convenção social e era capaz de fazer algo impulsivo se fosse provocado. Uma maneira defensiva de evitar que alguém se atrevesse a julgá-lo em voz alta.

    No consultório, acabou dando uma bela olhada na sala antes de deitar e ficar com os pés pra cima.

    - Estou ótimo. Não vê minha felicidade exalando?  - respondeu na defensiva, revirando os olhos e fechando a cara. Não queria falar da noite anterior, mas era por isso mesmo que deveria falar.

    Ficou em silêncio. Sim, estavam indo tão bem… Engoliu em seco, sentindo-se culpado. Que merda tinha feito para estragar tudo? Ele nem lembrava direito, só sentiu aquela vontade insana de esganar o avô porque todos simplesmente não paravam de olhar para ele.  

    Sem querer, estava fazendo o que o psiquiatra sugeria, refletindo sobre o dia. Isso só o fazia sentir pior e pior, afundando naquele sentimento horrível que esteve empurrando durante a aula.

    Ouviu o barulho do celular e o tirou para olhar a festa… era tipo um sinal de que nem tudo era tão horrível assim, mas no estado em que se encontrava, era só uma lembrança de que por mais que fingisse, nada seria como antes. Fechou a tela e os olhos, suspirando.

    Era tão patético como se sentia um lixo completo que não gostava de falar sobre isso. Ele só queria que aumentassem logo a dose daquilo que estava tomando, pra dormir mais e mais vezes. Sentiu os olhos arderem, mas estava protegido pelas pálpebras. Queria tanto poder tomar aquilo de novo, por conta própria, e torcer para não acordar. Do que adiantava dizer que ia dormir se quando abrisse os olhos tudo continuaria a mesma coisa? Não teria a família de volta… não faria seu irmão ficar mais perto… não viveria um ano e meio de paz... Nada fazia o menor sentido.

    Aquela festa idiota não o preencheria. Aqueles amigos não se importariam. Aquela...joaninha não o conhecia. O avô certamente o temia… o que tinha?

    Jung Mi não era mais seu irmãozinho, nem lhe contaria tímido de seu amor platônico por uma menina, ou demonstraria seus sentimentos para ele… Agora era tão desconhecido quanto seu primo na sala de aula. Será que podia demonstrar raiva? Gritar com ele? Demonstrar… alguma coisa por ele ter voltado? Não era digno nem disso.

    Na verdade, todos o estavam tratando cheio de dedos, quando ele próprio ainda se sentia Park Hyun Hee. Podia ter mudado sim, bastante, mas era ele! Será que não viam isso? Será que estava há milhares de quilômetros de distância de ser alguém com quem se importavam? Não queria pena. Queria… queria algo.

    Mas merecia? É claro que não. Só estava fazendo uma besteira atrás da outra. Agredindo uma, deixando a outra irritada, provocando todo mundo, mas sem ter ninguém para contar de verdade o que estava o consumindo por dentro.

    Aliás, por que é que estava no psiquiatra agora, depois do surto? Achava o natural que fosse para entender o que tinha acontecido, mas todo mundo tinha sido tão… calmo com ele naquele dia. Tão… pacífico e permissivo…

    Por quê?

    O avô tinha perguntado como ele estava…  cheio de culpa.
    O secretário tinha deixado que ele saísse, sem segui-lo e não tinha dito nada no carro… mas tinha dado uma marmita...seria culpa também?

    Culpa do quê?

    Porque… eles… todos eles…

    Abriu os olhos de repente e disparou bem sério, com um tom de voz denso:

    - Você quer me internar, não quer? É por isso que eu vim até o hospital. Você vai me jogar numa sala e jogar a chave fora. Meu avô mandou você fazer isso, não foi?

    Virou o rosto para encarar o psiquiatra. No dia anterior, isso o tinha irritado e feito quebrar as coisas, mas hoje… só estava profundamente ofendido, sabendo da verdade que enfrentaria e até a aceitando.

    - Você sabe o que aconteceu ontem. Perguntou para me fazer de idiota... quer que eu mesmo chegue à conclusão de que não posso conviver em sociedade. E como eu estava fazendo festas nos EUA vocês acham que aqui vão me controlar melhor.... Entendo. Pois eu estou dizendo que eu não vou. Prefiro morrer. Eu aceito assinar um papel concordando em tomar seja lá o que vocês querem que eu tome para parecer um acidente. Não é só aumentar a dose do que vocês me deram ontem? Nem vai doer, foi até bom. Será que erraram e se arrependeram quando eu acordei? Eu me arrependi também. Tudo bem. Vocês são espertos. Para que estragar o nome da empresa, não é? Tudo bem. Eu faço. Acabamos? Estou cansado dessa brincadeira. Parem de olhar pra mim desse jeito como se eu fosse um coitado. É isso que vocês querem de verdade, não é? Que eu morra. Tudo bem. Eu ajudo. Não precisam ficar pagando hospital e me escondendo. Eu sumo do jeito que vocês querem. Que tal... acidente de moto? Poético... o filho e os pais na estrada... Mas não. Não quero passar por aquilo de novo. Então... só tenham certeza de que dessa vez eu não vou acordar, ok? Porque se eu o fizer... vou dar um motivo para desejarem ter feito o serviço direito.

    Ailish
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Seg Dez 18, 2017 5:26 pm

    Vez ou outra, as costas das mãos coçavam os olhos na tentativa de afastar a sonolência que se abatia sobre Sunny. Nem mesmo o breve cochilo no ônibus foi suficiente em contribuir um pouquinho. Na verdade, surtiu o efeito reverso. Ela sentia-se ainda mais cansada e desconcentrada, tanto que apertava as pálpebras na direção do teclado, notando certa dificuldade para enxergar aquelas letras tão pequenas. Por sorte, Lee Hi estava com ela, ou Sun-Hee teria facilmente perdido o ponto. Talvez fosse isso... O súbito toque a despertou de um descanso profundo, apesar dos poucos minutinhos do colégio até o Café. Só precisava aquecer os pensamentos e o desgaste desaparecia logo... certo? Já acostumara-se, era sempre assim. Quando sentia o coração doer ou ficava emocionalmente exausta, uma insignificante dose ajudava a colocar tudo em ordem. Sem estresses, sem dores de cabeça e, o principal, sem envolver terceiros. O problema era que, nos últimos tempos, não se resumia mais numa condição psicológica, apenas.

    O fluxo de pessoas no balcão estava baixo, mas havia muito a ser feito. O que a maioria achava um serviço chato devido aos detalhes, Sunny não se incomodava em fazer. Era organizada e responsável. Independente do ambiente que agia, de acordo com a escala, ela não o deixava bagunçado ou minimamente “fora do lugar”.

    Ela se levantou de novo, preparando outra pilha de livros e, distraída, cantarolava a música baixinho até que um cheiro marcante dominou cada espaço dali, sobressaindo-se aos demais, mas Sunny moveu a cabeça por causa do instinto, já que não era o aroma que tinha a capacidade de lhe atormentar a mente. Afinal, não era Jung Mi... Entretanto, foi impossível negar como o oppa chamava a atenção justamente pelo tom de mistério que carregava não só no perfume. Porém, por incrível que pareça, ela não o acompanhou com os olhos atentos graças ao seu charme particular, e sim porque ele escolheu o canto costumeiro de Jung, próximo do balcão – num ângulo perfeito que Sunny usava para espioná-lo enquanto folheava as fotografias. Essa época parecia tão distante agora...

    Quase como um sonho.

    Meio nostálgica e zangadinha pela invasão do desconhecido, Sunny ficou o observando, mas sem da fato enxergá-lo, até que, para sua surpresa, ele tirou o boné e os óculos, revelando o rosto maravilhoso e... huh? Por que tinha a sensação de já tê-lo visto antes? Que estranho.

    Igual a Jung Mi, ele também podia ser comparado a um modelo, e acabavam aí as semelhanças. Ninguém despertou tamanho interesse nela como o Príncipe do WangJo... Sunny não precisava estar no mesmo ambiente que o rapaz para descrevê-lo perfeitamente, nos detalhes mais imperceptíveis. Por isso, tinha a impressão de que existiam dois oppas dentro de um único corpo...

    Aqui, no Café, apesar da aura solitária e indisponível ao restante do mundo, Young parecia menos... menos Jung Mi, se é que o raciocínio fazia sentido.

    De repente, e tarde demais para disfarçar, percebeu que o homem a encarava sem qualquer impedimento. Sun-Hee arregalou os olhos e sentiu o rosto quente, não pela atenção, mas vergonha mesmo, tanto que rapidamente tratou de mostrar um enorme interesse nos livros. Porém, de banda, voltou a fitá-lo, e mais uma vez, ficou surpresa quando viu que ele continuava a observando e... e sorria!

    Algo nele incomodava...

    Sunny enrugou o nariz e fingia ignorá-lo.

    Nesse momento, Lee Hi apareceu para servi-lo, mas ainda assim, quando a amiga foi atrás do pedido, notou o olhar dele queimar na sua direção. Enfim, o celular roubou o foco. Não demorou para que uma linda moça entrasse no Café, fazendo muitas cabeças se curvarem, inclusive a do oppa. Como estava pertinho do casal, Sunny conseguia escutar a interação, embora não fizesse esforço para tal. Provavelmente eram velhos amigos, mas havia certo clima... hmmm. Não queria bisbilhotar, MAS...

    Que cara mais abusado!

    Estava de casamento marcado, porém não respeitava a noiva.

    Além de tudo, era arrogante.

    Detestava esse tipo de gente.

    E mais...

    Mesmo com a feiçãozinha meiga, a mulher se mostrava tão... tão atrevida quanto o acompanhante. Se sabia que ele era comprometido, por que aceitava as investidas? Sunny balançou a cabeça, desaprovando a atitude, não que sua opinião importasse. No entanto, não conteve um alto suspiro, entediada com esse pessoal, e caso ouvissem a manifestação avulsa, ela estaria curvada sobre as páginas de um exemplar, checando o estado.

    “És uma boa distração, Woo-oppa.”

    Sério?

    Meu Deus... Que sonsa...


    Ainda que não idealizasse um perfeito e meloso relacionamento, Sunny acreditava que cada um tinha o parceiro específico, que irá completá-lo e se tornar o seu porto-seguro. Algumas pessoas possuíam a sorte de encontrar depressa, já outros percorriam um caminho mais complicado até achá-lo. Na situação da menina, o único tipo de romance que ela vivia eram os dos seus queridos livros, e estava bem desse jeito...

    Até ele aparecer... né.

    Afêêêêêê.

    Nada era tão fácil como acontecia nas histórias.

    E, pior, não existia a garantia do famoso final feliz.

    A pobre noiva desse cara...

    Woo-oppa, humpf.

    Teve pena da menina.

    No fundo, desejou que ela descobrisse a verdade sobre o canalha e desse um pé na bunda dele antes que jogasse a chance do tão desejado “final feliz” no lixo.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Ter Dez 19, 2017 1:52 pm

    Kang escreveu:- Mas é claro que precisa de truques! Vejo que você não conhece o fator “bang, bang, bang”, meu caro, Jaeki-Boy - Na hora do “bang bang bang”, ele fez o característico gesto que Won-Bin já conhecia. - Tem muito o que aprender. - Completou dando um tapinha nas costas dele.

    Won coloca a mão sobre a testa e ri um pouco. Era impossível segurar a piscadela e o bang bang.

    -Aprendamos com o mestre hahaha - brincou também.

    ...

    Kang escreveu:- Eu já pretendia levar meu irmão para dar um rolê no skate dele, por isso acabei sugerindo. Elas, MiSoo e Bo-Mi - deixou bem claro - sugeriram patins, bike e um piquenique, sabe? Não pareceu caro não. Mas também não era um encontro, tá? Seria uma saída em grupo, mas acho que agora não dá mesmo.

    Won respirou fundo antes de responder.

    -Vai ficar pra uma próxima

    ”Tipo quando eu sair do castigo, com uns quarenta anos”




    Como era horrível se sentir assim e não poder fazer nada a respeito. Pelo menos Kang parecia entender um pouco, lhe dando um tapinha no ombro.

    ”Ele percebeu!?”

    Won sorriu diante do gesto do amigo. Havia sido sutil mas o suficiente para que Won não se sentisse tão solitário nesse instante.

    Por sorte foi um momento curto pois iriam para a aula.



    Kang explicava o que tinha perdido sobre o professor de matemática e aquela “punição”

    - É...Essa eu posso contar? - Esperaria Jae confirmar e, caso fosse possível, ele continuaria. - O Jae foi chamado depois que todo mundo saiu e aí o professor disse que ele não precisava entregar o trabalho porque não entraria na aula de sexta. Foi porque dormiu e ainda fez aquele estrago no quadro, acertando tudo.

    ”Que professor babaca, só porque o Jae acertou no quadro? Se esse professor fosse esperto faria do Jae-ki seu melhor aluno na sala. Mesmo que ele tenha dormido” tinha gostado do professor rígido apesar dos protestos.

    Mas essa atitude demonstrava o que Won percebia como fraqueza e insegurança diante de um aluno.
    Se recordou sobre como o Mestre Baek lidava com alunos mais problemáticos: Baek é rígido mas conquistava seus alunos mais rebeldes e os fazia querer participar, não os afastava.

    O professor de matemática acabara caindo no conceito de Hwang.

    -Acho que ele ficou com medo de você Jae-ki. Quando puder ir na aula a gente não te deixa dormir, assim ele não vai ter argumento pra te punir - diz Won com um tom de voz neutro.

    O assunto desviara para a comida. Kang tinha razão, a comida era muito boa.

    -Se esconder atrás de uma montanha de arroz não pega bem, eu acho - comentou brincando um pouco.



    Kang gargalhava alto com o desenho do professor. Se nem Won conseguiu segurar um pouco o riso os amigos estavam rindo à vontade.
    Para alívio de Won o amigo decidiu não colar o desenho, pelo menos por enquanto.

    ”Sinto que eu vou ver esse desenho em algum lugar no futuro…Meu Deus, eu vou ter que segurar essas crianças pra não aprontarem todos os anos de escola?”

    Riu um pouco, mesmo depois de Jae guardar o desenho.



    Won novamente fez um prato balanceado e saudável: não poderia mais treinar no dojo então agora o cuidado com a comida tinha de ser dobrado ou teria um prejuízo ainda maior no seu condicionamento físico.

    A pergunta de Kang até que foi bem pontual. O que um grêmio fazia? Tinha uma leve noção, mas não tinha ideia das atividades.
    -É...eu não sei bem o que um grêmio faz - comentou colocando comida na boca.

    - Ajudar...- Respondeu de boca cheia, um pedaço do frango queria escapar do canto de sua boca enquanto falava, botou pra dentro, engoliu e continuou - Hum... Você é muito maneiro Won, se preocupando com os outros, é legal. Mas a maioria nem liga. E se você acabar sendo suspenso por causa disso? Eu não me dei bem por tentar ajudar... Mas se você quer entrar, deve ter seus motivos. Eu vou te apoiar como o Kang. Mas o clube de arte é de longe mais maneiro.

    -Valeu. Eu só...gosto de ajudar, é meio que a minha natureza - sorriu, grato pelo apoio que recebia dos amigos - Talvez não seja no grêmio. Vou pensar a respeito

    Jae falava sobre a irmã. Era diferente ver ele falando dela com tanto orgulho: ela não é somente quem pode desarmar seu jeito mais explosivo, mas ela é uma grande motivação para ele.
    ”Será que eu seria que nem ele se eu tivesse irmãos?”

    A hora de sair estava chegando por mais que Won não quisesse pensar nos eventos que viriam. Sentia um frio no estômago, a próxima grande batalha estava vindo.

    - Tudo bem você ir sozinho hoje? Amanhã eu venho de ônibus e aí você não ficará sozinho. É porque eu realmente não vou conseguir te carregar na garupa.

    -Relaxa Kang, está tudo bem. Vou aproveitar o caminho mais longo pra pensar no que vou falar - disse não conseguindo esconder a preocupação por completo - Não precisa vir de ônibus amanhã. Se almoçar aqui todo dia vai precisar do exercício físico - brincou com o amigo, mas Kang devia ser magro de ruim como Jae-ki.

    Era hora dos dragões se separarem para suas próprias batalhas pessoais. Won torcia que o dia dos amigos fosse melhor que o dele será.

    -Até mais galera, vejo vocês amanhã- se despediu e andou até o ponto de ônibus. Colocou os fones de ouvido e respirou fundo.

    Não tinha decidido o que falar com a chefe ainda.


    O caminho parecia curto demais diante da ansiedade de Won. Queria prolongar a espera daquele momento mas era inevitável.
    Tinha de encarar de frente. ”Ela tem toda a razão se quiser me demitir, eu não vou conseguir fazer nada com um braço só! Aish, vamos logo com isso…”

    Abriu a porta do café, esperando todo tipo de reação.

    Para o desespero de Won a chefe não só estava acompanhada como estava com gente famosa. Já não bastasse o sermão que ouviria, ainda seria humilhado diante de outras pessoas importantes.
    Pareciam estar numa conversa animada e bem-humorada mas que era interrompida pela chegada do mais novo funcionário do café: O cara com o braço engessado.

    O estomago dava piruetas no lugar e Won sentia as pernas ficarem um pouco mais fracas. Todo o otimismo que tinha era substituído por preocupação dobrada.
    Deu alguns passos na direção de Hyosang, tirando forças sabe-se lá de onde para levantar as pernas que pareciam pesar toneladas.

    Ficou de frente para a chefe e se curvou o quanto podia devido o braço.

    -Mian hamnida - pediu desculpas da maneira mais formal possível - Ontem um amigo meu estava em apuros e eu fui ajuda-lo. Ele está bem mas eu me machuquei - dentre tantas possibilidades, histórias diferentes que podia contar, decidiu contar a verdade mesmo que não desse todos os detalhes do que ocorreu.

    De alguma maneira havia percebido que era uma mulher que poderia ver uma mentira a quilômetros de distância.

    -Eu posso usar uma mão só pra trabalhar, só devo levar algum tempo a mais. Mas eu posso trabalhar horas dobradas sem que precise me pagar a mais - se mantinha curvado.
    -Me perdoe, contou comigo para este trabalho e eu voltei...desse jeito

    Se ergueu, pronto para ouvir o pior. Apenas desejava que terminasse rápido.

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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por GodHades em Qua Dez 20, 2017 12:41 am



    Para os companheiros aquilo soaria como uma brincadeira, Dong entretando começava a tratar isso mais seriamente, visto que Stella realmente se... interessou pela ideia. O barulho do refrigerante ecoando alto e travado por Ui-Jin tiraria a atenção de qualquer um... mas não Dong, ele nem riu mais, parecia mostrar-se mais sério como se estivesse focado.

    - E na sua casa não, podemos? Deve ter todo o material necessário lá. Confesso que faz tempo que não vou até sua morada, se estiver tudo certo... lá pode ser o local. Domingo então.

    Chegou a encarar HaN de lado vendo que ele pretendia dizer alguma coisa, Kyung estava já aguardando pelo pedido do amigo... que acabou não vindo.

    Esperto como era aquele garoto...

    Dong se senta com toda a calmaria que lhe era de direito. A conversa pairou sobre Japones, o idioma, e isso chamou a atenção do garoto.

    - Acho uma boa pedida... meu interesse pelo idioma foi mais questão de hobby. - Para não dizer jogos, e não parecer muito superficial. - Qual é sua razão Stella-shi?

    Levantou essa questão mais pela curiosidade mesmo, ajeitando seus oculos vez ou outra de volta para o rosto magrinho.

    Novamente as caras de HaN o entregaram quando ele esticou o pescoço após olhar aquela mensagem da garota.

    - Sua mão parece vermelhinha. - Como a pele dela era bem pálida tal marca era facilmente destacada, no joelho seria ainda mais evidente... mas Dong não sabe se ela precisaria ir na enfermaria para ver isso.

    ----

    O intervalo não duraria muito e Kyung seria rapido no seu retorno, para ele não havia problemas em passar por grupo A ou B, para ele eram só alunos, alguns educados outros nem tanto.

    As vezes ele só parecia um geek indiferente e alheio as maldades que fofocam mas pouco a pouco... Dong começava a se tocar de que deveria sim, ser mais protetor com os seus amigos..

    A segunda parte da aula de Literatura correu bem, pode absorver bastante coisa e ainda se manter atento.

    Mesmo não tendo bebido café ou comido algo, foi até bom não ter feito isso...

    Um poema de tema livre, era algo que lhe interessava, mas imagina que Stella seja melhor do que ele nesse quesito, talve peça uma ajuda para ela; já que ambos estariam resolvidos quanto a questão do Ingles.

    Poyong era o proximo instrutor e Dong rapidamente se sente cativado pelo ensinamento objetivo, esse estilo o herdeiro apreciava muito, ele só tenta conter sua empolgação sobre Photons e Eletrons para não parecer mais nerd do que já mostrava...

    Dong ainda antes de ir faz perguntas ao professor se era possivel gerar combustão do ar caso vibrasse os atomos numa reação quimica.

    Era um assunto estranho mas relativo a aula...

    O sinal tocou quase sem que ele percebesse a diferença das horas, ele se despediria dos companheiros, caso Stella passasse por ele antes, iria explicar que pretendia falar com a prima dele, Hayoung.

    Ele tinha umas coisas a tratar com a garota ainda, especialmente após o jantar, só aquele sorriso animado dos cumprimentos não lhe seria o bastante.

    Kyung também achou que Jun estaria bem entretida com o celular dela visto, dos enormes sorrisos que garota dava toda vez que olhava a tela do aparelho.

    Respondeu ao "tchau" de Sunny, Kim e das outras meninas também, caso dessem.

    Fez um sinal para Hayoung, a chamando com a mão ou algo que pudesse chamar a atenção dela, mostrando que queria conversar.

    Dong não vê razão para mandar uma mensagem para ela avisando, esperava que pudesse pegar uma caroninha com ela, e iria aguarda-la pacientemente lá depois dos portões onde os carros costumam estacionar para pegar os alunos.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Qua Dez 20, 2017 11:42 pm

    [DONG]

    1:00 P.M



    No intervalo, Stella comentou que preferia sábado, se fosse possível, pois domingo ela estava ocupada. Isso serviu como um alívio para os amigos de Dong, visto que já estavam fazendo programas de jogatinas. Quanto ao japonês, Stella disse que tinha planos de conhecer o Japão um dia e gostaria de ter alguma noção - ou talvez fosse apenas um mero interesse dela, pois a menina tinha facilidade com línguas e gostava de estudar.

    Os amigos não fizeram mais piadas, deixando que eles tivessem sem momento. Mas quando ouviram o comentário sobre as mãos vermelhas, todos acabaram olhando meio indiscretos. Talvez o diminutivo tivesse chamado a atenção. Stella engoliu em seco, recolhendo as mãos e deu um sorriso meio triste, dizendo que não era nada.

    De volta à aula, Dong conseguiu acompanhar bem o fim da aula de Literatura e não pareceu desanimado com o trabalho. Porém, foi a aula de química que realmente o cativou. A pergunta dele foi respondida com tranquilidade, afinal, eles aprenderiam que o oxigênio era o maior comburente. Por isso em incêndios, a melhor fuga é meio abaixado, por isso fogo sobe em busca de oxigênio para queimar mais. Contudo, explicações mais detalhadas seriam tratadas em aulas futuras quando falassem de reações químicas. No entanto, o professor disse que mandaria algumas coisas para Dong, caso ele quisesse se adiantar nos estudos.

    O sinal tocou e o grupo começou a partir. Ui-Jin e Min-Ho estavam prontos para esperá-lo, mas Dong dispensou os amigos. Eles acharam meio estranho, porque não sabiam que o embrulho que ele trouxe era pra Hayoung.

    Stella, por outro lado, foi mais atenta e fez um “ah” quando ouviu o motivo.

    - Tudo bem. Até amanhã, então. - Acenou discretamente e saiu de perto dele com a cabeça baixa.

    Hayoung o encarou do outro lado da sala e meneou positivamente para o chamado. Despediu-se das amigas e foi embora com o primo. Ui-Jin e Min-Ho já tinham ganhado distância e verem os primos Dong juntos não era uma grande surpresa.

    - O que foi, primo? - Hayoung perguntou curiosa. - Você está bem?

    Depois de ontem, ela quis saber, mas não completou. Ela já tinha esquecido, em partes, mas voltar para casa sempre causava um certo incômodo. Os dois teriam todo o caminho das escadas, dos prédios e até o chafariz para conversarem. Quando chegaram lá, o carro de Stella tinha acabado de chegar.

    Eun-Seok olhou para trás, vendo os dois juntos, mas só olhou de cabeça aos pés para Dong antes de entrar e bater a porta, sem dizer mais nada. A cara dela também não transmitiu muita coisa, quase como se ela tivesse colocado uma máscara de indiferença que impedia que vissem seu real pensamento. Já Hayoung, ainda esperava pelas respostas de Dong.

    O carro dela não estava longe e agora não via problemas em levar Dong para casa. Afinal, era caminho, o chato seria fazer isso na companhia do pai, pela manhã.

    - Vamos? - Indicou o carro quando ele chegou e entrou antes do primo.

    Ali eles teriam todo o trajeto para conversarem melhor.

    [MISOO]

    A mensagem de Eun-Bi seria ignorada por hora, até porque não tinha nada de urgente a ser respondido ali. As meninas estavam muito mais interessadas e empolgadas em saber o que tinha acontecido ao longo do intervalo, principalmente com algumas conversas: MiSoo, Bo-Mi e até mesmo Eun-Bi que teria muito o que explicar sobre sua confusa situação atual.

    A ideia dos filmes foi deixada de lado e as duas focaram a atenção no rosto de MiSoo. Nenhuma delas parecia chateada pela amizade dela com Jung-Mi, muito pelo contrário. No dia do bonsai, Bo-Mi tinha ficado um pouco irritada, mas não por Jung-Mi - ela teria ficado irritada se fosse com qualquer um e o motivo era bem simples: diferente dos outros e até do próprio Gyu-Sik, a menina tinha plena convicção de que seu irmão gostava de MiSoo. E ela achava maravilhosa a ideia dos dois ficarem juntos e ela ter MiSoo como irmã.

    O problema foi que a história que ouviu no intervalo a confundiu também e ela estava com raiva do próprio irmão gêmeo. Inclusive, rastrearia o perfil daquela sem vergonha para saber o que diabos estava acontecendo.

    Passado aquele drama de seu “shipp familiar”, por culpa do proprio irmão, Bo-Mi achava bem legal a aproximação de MiSoo com Jung-Mi. Desde que tudo aquilo tinha acontecido com a família do garoto, ele sempre era bem distante, poucos conseguiam falar com ele ou atrair a atenção dele. Não havia muito gosto, vontade ou porque não dizer vida, na expressão dele. Era automático, como se apenas seguisse o fluxo e aceitasse a coroa que lhe deram por ser indiferente e tão...inalcançável.

    Esse ano, contudo, ele parecia bem diferente.

    Quase como se ele tivesse sido iluminado de novo. Fosse pela explosão de MiSoo, pelo retorno do irmão ou por algo desconhecido, era bom saber que Jung-Mi não era apenas um rosto bonito, mas sim uma pessoa bem legal.

    - Uwaa… - Bo-Mi ficou encantada com aquele comentário.

    - Jung-Mi-shi parece tão gentil quanto o irmão dele costumava ser. - Mia comentou. - Hyun-Hee-shi era um verdadeiro principe, sabe? É um pouco chocante ver como ele voltou, antigamente ele era o mais querido e mais popular. E não deixava de ser bondoso.

    - Vamos torcer para que Jung-Mi não fique como o irmão, né? Porque esse Hyun que você conheceu, está bem diferente do menino da nossa turma. Você não acreditaria nas coisas que ele sugeriu para a Eun-Na hoje. Fiquei envergonhada.

    - Sério? - Mia arregalou os olhos.

    - Uhum. - Bo-Mi meneou positivamente. - MiSoo ouviu tudo. Mas eu fico contente, MiSoo-yah! - Virou-se para a amiga e segurou a mão dela. - Pelo menos tirou esse peso das suas costas e agora pode ficar normal, sem precisar se esconder!

    Sorriu e não contou suas percepções sobre a raiva de Gyu-Sik. Não era como se MiSoo estivesse interessada, afinal. Logo a conversa virava para Bo-Mi de novo. Ela respirou fundo, com as bochechas um pouco corada e então finalmente disse.

    - Bom...O Ryu-oppa me chamou para sair no domingo.

    - Ashaaa! Vocês formam um casal lindo, Bo-Mi-yah! - Mia disse toda animadinha.

    - Aigooo - Bo-Mi se encolheu um pouco, corando. - Se fossemos só nós dois, eu não aceitaria não. Porque eu tenho vergonha e não sei se posso corresponder aos sentimentos e expectativas dele. Ryu-oppa é lindo, inteligente, educado, bem colocado…

    - Mas…?

    - Mas eu não sei se gosto dele assim. - Deu de ombros. - A questão é que ele me chamou para uma saída dupla. Porque… - Fez um bico pensativo, olhando para as duas. - Meu irmão vai sair com a tal Soyeon. Eu disse que já tinha planos pro domingo, que era sair com vocês e os meninos, nós íamos te chamar,  unnie! - Disse para tranquilizá-la. - Mas agora que não sei mais se vamos sair mesmo, talvez eu vá só para ficar de olho nessa garota mesmo.

    - …. - Mia ficou um pouco confusa sobre o que dizer, esfregando o queixo e olhou para MiSoo.

    - Então, sair com o Ryu-oppa vai depender dos nossos planos porque vocês são minha prioridade, mas se ninguém fizer nada, eu vou para ficar com um olho no meu irmão e outro na tela do cinema. E...é isso.

    Escondeu os lábios, fazendo um beicinho e encarou MiSoo de novo, aguardando pela decisão dela. Tudo o que diziam parecia deixar mais evidente que Gyu estava mesmo com outras ideias com aquela menina, mas ele mesmo não tinha dito nada ainda. Se ele estava tão feliz com a possível namorada, por que parecia tão bicudo e chateado? Enciumado?

    - Por que não vamos todos? - Mia sugeriu, arqueando uma das sobrancelhas. - É só dizer o shopping que MiSoo, Eun-Bi e eu aparecemos lá também, por mero acaso.

    - Stalker. - Bo-Mi resmungou. - Depois dizem que eu que fuxico a vida dos outros, tá vendo só?

    - Aprendi com você mesmo.

    As duas deram uma risadinha para tentar quebrar o clima, mas ainda esperavam pela reação de MiSoo.

    [WON-BIN]

    As quatro pessoas presentes ficaram em profundo silêncio com a chegada de Won. O garoto sentia os olhares sobre si, principalmente o gesso dele. Os amigos de Hyosang deram espaço para que ela chegasse até ele e tomasse a decisão de uma chefe. Won se curava e pedia desculpa do modo mais formal possível.

    Shin-Hee sentia a mão de Myeon apertando mais seu braço, quase como se sentisse pena pela situação do menino. Quan Lei ficou quieto, preferindo pegar seu café e dar um gole, não gostava de se meter nessas coisas. Já o próprio Shin, encarava e prestava o máximo de atenção possível. Hyosang respirou fundo, massageando a têmpora quando ouviu as palavras dele.

    - Sim. Contei que você fosse responsável e tivesse juízo. Disse que tinha conseguido uma bolsa de estudos na WangJo e parecia um menino centrado. Mas aí...dois dias depois, me aparece com um braço imobilizado.

    Suas palavras não soaram como grosseria, mas sim uma mistura de decepção com preocupação. Não tinha tempo dela se afeiçoar por Won, mas ela tinha empatia o suficiente para lamentar pela situação dele.

    - Do que vai adiantar você ficar até mais tarde? Alguém vai ter que ficar com você, não é? Porque eu não sou doida de confiar a chave a um menino que arranja confusão.

    - Hyosang-shi… - Quan Lei não se aguentou e fez uma cara de “po…”.

    - Quieto! - Disse bem severa. - Ou eu corto seu café!

    - Aish… - Fez uma careta e olhou para o outro lado.

    - Não sei o que fazer com você, Won-Bin! Eu realmente tinha gostado de você, mas como posso confiar agora?! - Cruzou os braços.

    Myeon e Shin-Hee ficaram encarando às vezes o menino, às vezes Hyosang. Myeon logo ficou na ponta dos pés e sussurrou algo ao pé do ouvido do noivo. O rapaz alto meneava positivamente, concordando com ela, mas o que poderia fazer? Hyosang virou a cabeça para encará-lo e Shin indicou os fundos para falarem.

    - Fique aqui. - Rosnou para Won-Bin e seguiu com Shin-Hee para o local que ele indicou.

    Won se veria sozinho com Quan Lei e a bela herdeira da Shine Bright.

    - É preciso muita coragem para vir até aqui e pedir desculpas por um erro. - O linguarudo Quan Lei falou. - E também parece honrado por defender os amigos. Também tive minha quota de confusões por isso.

    - Todos nós já tivemos. - Myeon disse de um jeito mais gentil. - Fique calmo, rapaz. Hyosang pode parecer brava, mas ela sabe ser justa.


    [...]


    - Não vou te desautorizar na frente do seu funcionário, até porque você é tão dona desse café quanto eu, por isso te chamei para o canto. - Shin iniciou seus argumentos. - Dê até o fim de semana para o menino. Veja se ele aguenta mesmo com o braço assim, se ele aguentar, bom, você sabe que ele não ficará engessado para sempre e se ele consegue fazer tudo com uma mão só, com certeza fará melhor com as duas.

    - E a confiança, como fica?

    - Você já confiava completamente nele?

    - Claro que não.

    - Então.

    - ...Mas ele arranjou confusão, como vou garantir que não arranje confusão aqui?

    - Por um amigo, até onde a gente sabe. E se tiver confusão aqui, chame a polícia. - Deu de ombros, simplificando as coisas. - Se for o caso, coloque o anúncio de novo e contrate um a mais por esses dias. Os lucros vão bem e se você estiver com medo, eu cubro a diária desse menino até o fim de semana. Daí você avalia se ele fica ou não.

    - Tsc… - Estalou a língua no céu da boca, cruzando os braços.

    - Vamos lá, você foi capaz de me ajudar.

    - Por isso mesmo já atingi minha cota de bondade, não? - Sorriu cinicamente para ele.

    - Aishaaa… - Cerrou os olhos. - Então é a minha vez. Posso dizer a ele para se trocar?

    - Você disse que não ia me desautorizar.

    - Então diga você…. - Deu um tapinha na cabeça dela, sorrindo de modo igualmente cínico.

    - Mais respeito com sua noona.

    Hyosang bateu na mão de Shin e ele fez coração com os dedos indicador e polegar. Logo eles voltaram até o salão, onde Myeon e Quan Lei ainda tentavam tranquilizar Won-Bin.

    - Vá se trocar. - Disse meio ríspida. - Você está sob análise até sábado, prove que não estou errada por dar uma chance e você. - Hyosang bufou. - Anda, Won-Bin! O que está fazendo parado aí!?!? Vai trabalhar!!!

    Bateu as palmas para agilizar o serviço. Shin-Hee até se afastou, com medo dela, mas sorriu para o garoto.

    - Nós também já vamos…. - Myeon cortou a insanidade. - Ainda temos outros convites de noivado para entregar - Sorriu timidamente.

    - Obrigada por terem se preocupado! Você também vai falar com o seu hyung, Shin-Hee? - Olhou para ele, tinha intimidade o suficiente para isso.

    - Na verdade, já entreguei. Falei com minha cunhada antes de vir para cá, ela ficou muito feliz, mas não vi as crianças...Uma pena.

    - Faz tempo que não os vejo também. - Hyosang ponderou. - Devem ser as aulas.

    - Sim, certamente. - Shin ajeitou-se. - E já estamos vendo um jeito de você pegar o buquê no ano que vem. Já imagino a cara do Tae-Gyu.

    Os outros deram uma risadinha, deixando Hyosang bem envergonhada, mas talvez aquela fosse a meta de amizade que Won-Bin buscasse para a vida dele um dia. Logo os três foram embora junto da equipe que os acompanhava e o café voltou a ter o movimento normal.

    Uma das missões, Won tinha cumprido, mas precisava dar o melhor de si até sabado. Sem espaço para erros.

    Poderia sentir o olhar analitico e julgador de Hyosang sobre as costas dele durante todo aquele dia. Não ia falar nada sobre o horário extra que ele tinha prometido, veria se ele mesmo já tomaria a iniciativa de ficar por vontade própria.
    [/color]


    [JAE-KI]


    As entregas daquela tarde estavam em alta. Jae-Ki teria a sensação de que correra numa maratona ou, talvez, tivesse dado uma volta por Seul inteira - claro que ele não saiu da região onde sua loja cobria, mas foram tantas idas e vindas que não seria uma surpresa se os quilometros percorridos fossem o mesmo de uma volta por toda a capital.

    Os clientes variaram um poucos. Algumas entregas foram residenciais e outras em lojas de mecânica, de material de construção e até numa floricultura. Ninguém perguntou sobre o olho roxo, mas todos repararam nele mesmo assim. Entregavam o dinheiro e Jae-Ki era dispensado, às vezes sem gorjeta mesmo.

    O lado bom era que não precisava lidar com seu chefe diretamente ou ficar limpando a loja. O lado ruim era o cansaço mesmo, mas também podia ver gente, rua...pensar.

    Pensava em casa, em SooJi, como ela estava, como ela tinha sido gentil e querida por ter cedido o doce para ele. Não podia se esquecer de levar um doce para ela de volta! Numa das vezes que se lembrou, encontrou uma loja pelo caminho que não era das mais caras e conseguiu comprar e guardar num lugar seguro - longe de seus olhos gulosos, antes que comesse também.

    Porém, quando saísse da loja, ele se daria conta de onde estava.

    Havia uma estação de metrô ali perto e era o bairro onde Eun-Bi tinha dito que morava. Era uma região de classe média, mas não para um aluno da WangJo. Provavelmente ela tinha mentido por isso também.

    Por que disse, então?

    Ver aquela estação era um pouco difícil e Jae-Ki não conseguia controlar a mente até voltar para o 3º e mais importante dos encontros. Parado perto da bicicleta, ele podia projetar aquela cena em qualquer lugar. Soo-Ji e ele tinham ido para a praça em frente à escola de ballet e Min-Ah saiu pela porta já olhando ao redor, com a certeza de que os encontraria. Quando viu que estavam ali, ela deu um sorriso que não tinha outra definição além de perfeito.

    Tinha se despedido das aluninhas dela e olhou ao para os lados antes de atravessar e acelerou um pouco até eles, no caso, até Soo-Ji. Não tinha intimidade o suficiente para sair abraçando Jae, apesar de existir aquela tensão entre eles. Mas Soo-Ji já corria até ela e pulava nos braços da bailarina que a tirava do chão, esmagando num abraço de urso. As duas sorriram e se aproximaram dele, de mãos dadas. Naquele dia, Min-Ah usava uma blusa mais larga com o esboço de uma borboleta e uma calça jeans mais justa, com alguns rasgos no joelho.

    Ela tinha aquele perfume doce sem ser enjoado, o mesmo que Eun-Bi usou nos últimos três dias. Uma das verdades que ela carregava.

    Min-Ah sorriu de modo especial para Jae-Ki e com Soo-Ji de mãos dadas entre eles, ela o convidou para algo diferente. Disse que estava com muito calor e os convidou para tomar um sorvete numa loja próxima ao metrô. Aparentemente, ela já tinha reparado que a irmãzinha de Jae queria muito ir até lá, mas nunca pedia. Ela também sabia onde ele morava e até pelas roupas, imaginava que sorvete fosse um luxo. Por isso ela os convidou e quem pagou foi ela.

    Soo-Ji escolheu sentar ao lado dela e pediu um sorvete bem simples, ainda que Min-Ah a tivesse deixado bem à vontade. Pediu só um sorvete de vanilla com feijão vermelho por cima. Min-Ah pediu uma casquinha de tutti-fruit, mas o sorvete era azul e Jae pode escolher o dele também.

    Naquele dia, ele se sentiu mais à vontade para contar um pouco mais sobre ele. Disse que tinha passado por uma prova, mas não especificou para qual colégio. Min-Ah viu ali mais um motivo para que comemorassem o grande feito. Soo-Ji dizia que tinha o irmão mais inteligente do mundo e Min-Ah concordava.

    Ela ainda disse que podia ensinar alguns movimentos de ballet para Soo-Ji sim, que adoraria fazer isso. Foram cerca de quarenta minutos de uma conversa que passou num piscar de olhos. Efêmera como a vida de uma borboleta, mas muito, muito preciosa para aqueles três.

    Quando sentiu para o metrô, para se despedir, eles até chegaram a se esbarrar um pouco e prometeram que se veriam quarta-feira.

    A quarta-feira que nunca aconteceu.

    Essa mesma menina doce chamada Min-Ah, revelou-se uma geniosa Eun-Bi. Uma garota forte o suficiente para jogá-lo contra a parede, gritar e mostrar preocupação. As duas tinham o mesmo rosto, eram duas mentirosas e o deixavam louco! Tinham o mesmo perfume, o mesmo timbre de voz...o mesmo sorriso.

    Jae-Ki ficou muito tempo ali, imóvel, lembrando-se de cada detalhe que se lembrava tanto de Min-Ah quanto de Eun-Bi quando o celular dele vibrou.

    Um sms de Jin-Hoo para o grupo.


    “Sábado, às 8:30 P.M. Partiremos da Toca às 9 P.M e vamos até Jung-Gu resolver pendências. Não se atrasem.”


    [HYEMIN]


    Sung-Ki apenas arqueou uma das sobrancelhas com o comentário da filha em relação à capinha. E ele, por acaso, sabia, qual capinha era do dia? Uma encarada foi o suficiente para desfazer aquela expressão emburrada dela, enquanto ele vestia seu blazer e ajeitava as mangas, mas sem consertar a gravatas.

    - De nada. - Disse sério. Diferente da filha, ele ainda lembrava do que tinha acontecido e também estava esperando uma postura diferente dela. Mas...verdade fosse dita, ele não gostava de ficar assim com ela. Era uma espécie de punição para si mesmo também. - A Ópera, Hyemin. E, depois, sairemos para jantar.

    Mas ele não disse com quem. A verdade é que Sung-Ki tinha uma pessoa para apresentar a Hyemin também, inclusive estariam sentados no mesmo camarote. Ainda estava pensando qual seria a melhor forma de contar isso ou se ele realmente levaria adiante essa história do jantar.

    Um problema de cada vez…

    Precisava se focar no almoço com a irmã, primeiro.

    Chun-Ja não estava nada feliz. Odiava ficar esperando e odiava ainda mais a atenção que o marido destinava àquela petulante So-Na. Tinha casado sabendo que ele tinha uma filha - que não tinha idade para ser sua, porque era muito adulta, na mente de Chun-Ja. Mas, mesmo assim, esperava que fosse conseguir roubar o marido para si.

    Isso era demasiadamente frustrante para ela.

    - Oi, meu amor. Você está quase linda. - Disse a frase com sinceridade e fez um carinho na bochecha de Hyemin, mas não era apenas o carinho, estava tirando um pouco do blush. -Melhor agora. Agora está linda.

    So-Na e o pai chegaram e foram polidos com os presentes. Sung-Ki gostava de conversar com o cunhado, apesar de achar que ele podia ser seu pai. Talvez realmente fosse assim que o visse e, justamente por isso, gostava tanto dele. Era uma forma de conversar com alguém mais sábio, apesar do cunhado ter atitudes bem juvenis, às vezes. Chung-Ja, por outro lado, dividia sua atenção entre a conversa dos homens e das meninas.

    Hyemin já mandava mensagens para as amigas. Hayoung estava longe do aparelho, Yerin também parecia ocupada. Eun-Na e Yewon estavam mais solícitas. Até porque, era para falar mal de alguém.

    “Gente, não entendo essa estranha. Ela é rica e apresentável, mas se porta como alguém acima do bem e do mal. Não supooortooo!! Freiraaa!!” - Eun-Na dizia.

    “Também acho estranha, viu? Mas não tenho nada que macule a imagem. Ela mesma já faz isso, por sinal. Só fica lendo mangás e essas coisas, pelos cantos. Ou lendo livros ou com fones.” - Yewon falou.

    “Ela tá no clube de Moda, Min-Ah! Como é que pode?!” - Eun-Na

    “QUE?! KKKKKKK” - Yewon rachava de rir.

    “É, ela já era desde o ano passado. Pior que é talentosa, viu? Deixa ver aqui onde mais ela tá…”

    “Ai ai…”

    Quando Hyemin olhasse para a frente, veria que So-Na a encarava com certa curiosidade. Sua sobrancelha estava um pouco arqueada e os dedos tamborilavam na mesa. Era uma garota inteligente e não gostava de rodeios.

    - Então, Hyemin-shi… - Disse. - Parece que teremos um clube em comum, né? Moda… - Esboçou um micro-sorriso no canto dos lábios. - Está animada?

    “Informática e teatro...que que ela vai fazer em teatro, gente?! Aff…” - Eun-Na continuava.

    - Sim, ela está animadíssima. - A tia falou pela sobrinha.

    - É mesmo? A senhora é a porta-voz agora?

    O pai pigarreou ao lado de So-Na e ela deu um meio sorriso.

    - Miane. Apenas acho curioso que tenha entrado na conversa.

    - So-Na… - O pai a olhou de banda.

    So-Na abaixou o olhar e continuou o frango agridoce de seu prato. Chung-Ja tinha perdido o apetite e virou a taça de vinho chinês com mais vigor.

    - Trouxe os convites, como prometi. - Anunciou e retirou da bolsa. Entregou ao irmão e à sobrinha. - Nós vamos dividir o camarote com os primos distantes de meu marido. - Os outros Han, incluindo Sunyoung, a bela capitã do clube de Moda. - E quer a notícia boa? Os Wang estarão logo ao lado. - Sorriu. - A noticia não muito boa é que os Yeun estarão do outro lado junto dos Yoon e Kwan.

    A familia de MiSoo e de Bo-Mi. Muitas possibilidades poderia surgir na mente de Hyemin agora. Estaria perto de sua futura familia, no mesmo lugar que uma unnie importante e, de quebra, ainda poderia falar com a cunhadinha.

    De repente, a ópera parecia o melhor programa de sábado à noite.


    [HYUN-HEE]


    O psiquiatra nem se deu ao trabalho de responder o comentário inicial de Hyun. Apenas deixou que ele se acomodasse e começasse sua imersão enquanto ele também se aprofundava um pouco mais na leitura que fazia. Lia o prontuário de Hyun-Hee e a listagem de medicamentos que ele usava lá.

    Já vinha fazendo essa pesquisa desde que começaram o tratamento e ele achava que havia algo de muito errado naquela medicação. Porém, precisava que o menino o ajudasse em relação ao remédio - e não podia contar com ele, no momento.

    Estava distraído, escrevendo alguma coisa no prontuário quando ouviu aquela pergunta e deu uma meia risada.

    - Por que eu ia querer isso? Pra ter mais trabalho com você? - Olhou bem sério. - Deixe-me esclarecer uma coisa, meu jovem...Com o poder que seu avô tem, se ele quisesse que você morresse, ele podia ter apenas te deixado nos EUA ou te internado aqui assim que você chegou. Ele fez isso?

    Foi uma pergunta retórica e o médico deu de ombros.

    - Você já se perguntou o por quê? - Olhou para a ficha de novo enquanto falava. - Você já...saiu da sua posição de vítima perseguida, oprimida, revoltada e incompreendida e se colocou no lugar das pessoas ao seu redor? Creio que não.

    Fechou a ficha e o encarou. Deixaria todo o discurso correr e não diria nada, apenas o encararia.

    Quando terminasse, ele diria.

    - Interessante como sua mente funciona. - Abriu de novo a ficha. - Veja...Eu me formei em medicina e quis me especializar em psiquiatria, então, eu não posso dizer sobre as questões de chaebol, quem quer alguma coisa ou não. Esse jogo de poder só me interessa porque criam mentes confusas como a sua...e aí me dão material para que eu tente compreender o que se passa com alguns seres humanos como você.

    O medico norte-americano nunca tinha sido tão...escroto quanto esse. Não tinha outra palavra para definir o jeito franco e aberto que usava para falar com Hyun.

    - Você acha que morrendo o seu sofrimento vai acabar? Eu realmente não sei, mas posso dizer o que você se tornaria para os vivos. Número. Apenas isso. Mais uma estatística coreana de jovens que tiram a própria vida. Lamentável estatística. - Meneou negativamente. - No seu histórico, eu vi que você era uma promessa das artes marciais, uma promessa de muitas coisas, mas infelizmente a vida não seguiu como você queria, não é? Acontece nas melhores famílias, Hyun. A sua não estava blindada disso. - Continuou a encará-lo. - Agora, o que você tira disso é que vai defini-lo daqui para a frente. Você quer um remédio? Ok, eu te dou um remédio.

    O que?!

    - Estão todos errados. - Saiu riscando algumas coisas na ficha dele. - Sua cabeça não funciona como a de uma pessoa normal, por conta dos traumas do acidente, mas esses medicamentos também não colaboram. Só te deixam pior. Gostaria de testar um novo. Ele vai manter sua mente mais clara, longe desses conflitos que você entra a cada hora. Como hoje você não parece disposto a racionalizar, é isso o que posso fazer. Farei a receita para o Secretário Lee. E seu avô ao invés de interná-lo, comprará remédios para tentar ajudá-lo. Mesmo depois do ataque de ontem. Incrível como as pessoas são, não é?


    [SUNNY]


    A cena presenciada por Sunny era bem incômoda. De longe, eles pareciam um casal de jovens tendo um bom momento no café, mas a balconista tinha acompanhado o início e podia ouvir parte da conversa. Além do homem tê-la encarado por muito tempo, ele ainda tinha uma noiva que não era aquela loira que o acompanhava!

    A conversa só piorava porque eles começaram a se provocar, mesmo que de modo discreto - para todos, menos Sunny que mal conseguia se concentrar nos cadastros que tinha que atualizar. Apenas cerca de uma meia hora depois, eles pediram a conta se retiraram do café. Foi o tempo de tomar uma bebida antes de irem para o tal loft que ele dizia ter ali perto.

    Deprimente, não?

    Ainda tinham sentado na mesa que Jung-Mi usava! Era tão irritante de tantas mil formas que o duas pílulas pareciam muito poucas para toda raiva concentrada de Sunny. Felizmente, depois disso, o dia passou a transcorrer melhor. Kim apareceu no fim daquela tarde, trazendo uma fatia de torta para ela e outra para Lee-Hi - a de Sunny com muito chocolate e a de Lee-Hi com morangos.

    As duas comeriam na companhia do menino que só tinha ido como parte do acordo silencioso que a família fizera. Dessa vez, ele que iria andar com ela de metrô, muito embora descessem em estações diferentes.Lee-Hi também pegou o metrô, mas para outra linha.


    7:30 P.M.



    Quando Sunny chegou em casa, pôde, finalmente relaxar. Pela primeira vez, nos últimos dias, ela não sentiu nenhum tipo de tristeza ou peso ou cansaço. Tinha trabalhado bastante, é verdade, mas chegou mais cedo e podia passear com os bebês! A tia ainda estava no restaurante com o irmão dela e o pai não chegou da escola também. O irmão mais velho tinha acabado de chegar e decidiu acompanhá-la só para tomar um ar fresco também.

    Os dois dividiram a quantidade dos bichinhos e deram uma boa volta no parque da região. O irmão comentou sobre o dia e se mostrou bastante interessado no dela também. Não comentou sobre Lee-Hi ou a amiga de cabelo diferente. Parecia mais interessado na irmã mesmo - quase como se a história do uniforme ainda o incomodasse um pouco.

    Depois que os cães e os humanos esticaram suas pernas, retornaram para casa. Agora o sr. Kim estava presente, já tomando uma generosa dose de café para se concentrar no preparo da aula do dia seguinte.

    Estava exausto, mas nunca deixava o trabalho de lado.

    E isso acabava lembrando algo...Sunny tinha, enfim, conhecido o menino que o Sr. Kim tanto se orgulhava de ser professor. Ele não tinha comentado sobre Jae-Ki, nem forçou uma amizade entre eles. Achava que era melhor fluir naturalmente, mas certamente ficaria orgulhoso de saber.

    - Olá, você! - Falou com Sunny. - Como foi seu dia? Teve aulas interessantes, meu bem?  






    AVISOS


    > DONG pode fazer todas as perguntas que quiser e controlar o tempo dentro do carro.

    > WON pode ir pro 2º desafio do dia (O Dojo). Caso vá, considere que são umas 20h.

    > JAE-KI também pode ir pra casa e, no seu caso, considere que são 21h.

    > HYUN-HEE pode ir embora, também. Pode considerar o tempo que quiser e ir para onde quiser - mas o Secretário Lee leva!

    > MISOO continua nessa interação

    > SUNNY também continua, mas pode dizer o que pretende fazer depois da conversa.

    > HYEMIN pode encerrar o almoço e o motorista leva pra casa!

    > TODOS serão respondidos em bloquinhos. Daqui a umas 3 rodadas +-, eu vou pro SÁBADO. Quem ainda não decidiu o 3º clube, favor decidir (repetirei isso nas outras vezes uu)
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Qui Dez 21, 2017 12:46 am

    Ficar fora da loja tinha boas vantagens, não precisava olhar para a cara do gerente e nem sentir que estava sendo constantemente vigiado. Era irritante o quanto vinham sempre para checarem se estava fazendo o seu trabalho, mesmo quando já trabalhava lá há um ano. Na rua também podia olhar o celular entre as entregas, embora não tivesse muita coisa nele, já que estava sem internet. Mas nem precisaria do celular, porque seus pensamentos viajavam longe quando estava fazendo entregas, refletia sobre várias coisas, planejava o que faria nos próximos dias, algumas vezes pensava em matemática, cantarolava baixinho trechos de alguns dos seus rap favoritos, mas principalmente pensava na irmã. Sorria sozinho ao se lembrar das coisas que ela fazia, como o bilhete que encontrou mais cedo, não podia esquecer de levar algo pra ela.

    Depois de tanto pedalar, alguns fios de cabelo começavam a grudar na sua testa suada. Parou quando viu uma loja onde poderia comprar o chocolate da irmã. Seu estômago roncou ao ver todas aquelas variedades de doces e biscoitos, escolheu um para Soo-ji que parecesse gostoso, mas que não fosse tão caro. Ao menos no valor próximo de uma passagem de metrô, podia ser num valor até um pouco maior, mas não tanto. Não podia se dar ao luxo de comprar mais alguma coisa, porque se precisasse de algum remédio no mês ou alguma outra coisa, precisaria ter dinheiro. Sempre havia coisas mais importantes para comprar e o custo de vida em Seul era caro para alguém como ele. Além disso, ainda tinha a dívida com a diretora assistente. Depois de pagar o chocolate da irmã, o guardou e saindo da loja sentiu o coração apertar ao perceber onde estava. O bairro que Eun-bi disse que morava, ou melhor, que ela com certeza mentiu que morava. O quanto ela devia ser rica? Talvez por isso ela nunca o entenderia, na verdade sentia que ninguém de Wangjo poderia entendê-lo.


    Jae-ki suspirou, mesmo que quisesse esquecer foi inevitável não pensar naquele dia, conseguia se lembrar de cada detalhe, do que ela estava vestindo, do sorriso dela, do perfume e até do seu coração acelerando quando a viu. Ficava tão idiota perto dela, lembrava de como estava sempre com um sorriso quando falava com Min-Ah. Vê-la abraçando Soo-ji, os três andando juntos... Era como um sonho perfeito. Muitas garotas achariam chato andar com uma garotinha, só pensavam em si mesmas. Nessa época foi como fugir da sua realidade, estava passando por maus momentos  e apesar de tudo, conseguia sorrir para Min-Ah com tanta facilidade.

    Sorriu sozinho ao lembrar da sua irmã escolhendo o sorvete e fazendo questão de sentar ao lado da bailarina, era como ter sido transportado para este dia. Soo-ji tinha escolhido um sorvete simples e Jae-ki escolheu um de sabor diferente para dividir com a irmã e ela poder experimentar outro tipo. Podia lembrar exatamente do rostinho da irmã e sua boquinha suja de sorvete, o quanto estava feliz... Quantas garotas tinham sido tão gentis assim com sua irmã e com ele? Geralmente as que Jae-ki conhecia só queriam ouvir o quanto eram bonitas e o que iria pagar para elas. Foi assim que Min-Ah acabou ficando no seu coração de vez, e agora não saía de jeito nenhum. Só que essa Min-Ah não era exatamente como a Eun-bi que encontrou na escola, apesar de serem incrivelmente lindas.

    Nesse dia também acabou contando mais do que devia para Min-Ah, ela tinha esse poder, mas nem podia imaginar o quanto tinha mexido com ele quando mostrou ter ficado feliz pelo seu resultado na prova. No dia em que tinha recebido o resultado, nem teve como comemorar com sua família, tinha ido encontrar o pai bêbado, que nem queria saber da sua vida. Por isso ter comemorado com Soo-ji e Min-Ah tinha sido realmente importante, foi perfeito e por isso doía tanto, mas agora era só uma lembrança, uma ilusão para ele e para sua irmã. Nunca teria imaginado que ela fosse tão rica e não conseguia entender porque ela tinha sido tão legal se agora o desprezava o tratando de qualquer maneira, mentindo, defendendo Taemin e discutindo como se não tivesse feito nada.

    Pensar em Min-Ah e Eun-bi fazia seu coração doer. Essas memórias agora ficavam dolorosas, fazia seu peito apertar de um jeito cruel porque sabia que esses momentos não voltariam, e pior é que tinha exposto sua vida sem saber a uma garota muito rica, enquanto ela mentia e escondia a vida dela. Sentia até vergonha agora que parou para pensar nisso. Ficava louco só de imaginar o que ela tinha pensando dele, será que ela era desse tipo que zombava igual sua turma da antiga escola? Infelizmente apesar de tudo, sentia saudades dela, da Min-Ah, dos breves momentos que sorriam e conversavam os três juntos. Ainda estava confuso com a última discussão, como uma garota podia ser tão difícil de entender? Tinha pensado até que tudo não passava de um fingimento para ela se divertir as suas custas, mas agora tinha ficado mais complicado.

    "Ela me chamou para pedir desculpas naquele dia... Mas ela sabia que Taemin iria para lá? Queria me usar para causar ciumes nele? Não pode ser isso..."


    Jae-ki lembrava de como ela tinha ficado surpresa com a presença do loiro e até como tentou o defender. "Ela me defendeu, mas depois na enfermaria defendeu aquele isekiya!" Não fazia sentido, depois tinha rejeitado sua ajuda e o respondido como se ela não tivesse feito nada de errado. O desprezou na frente das amigas dela! E depois ainda se achou no direito de discutir com ele porque brigou com o loiro idiota! Nem reconheceu que tinha feito isso por causa dela, em vez disso o chamou de burro! Mesmo com um pé machucado, Eun-bi sabia ser furiosa e teimosa. Ainda tentava entender o que ela disse, estava preocupada? Queria protegê-lo? Em alguns momentos tinha parecido que sim, falou que Taemin iria revidar, como Won tinha dito... Mas ainda assim não fazia sentido. E ela era mesmo uma bailarina delicada? Onde aprendeu a xingar? Eram tantas dúvidas...

    "Como ela me protege defendendo o Taemin? Aishii... Essa garota me deixa louco, é impossível entender ela! Eu ainda nem sei porque ela mentiu que morava aqui! Depois ainda me trata como se eu fosse o errado! Ela me esconde tudo, não se decide se vai me tratar bem ou mal! Se tá do meu lado ou do Taemin! Eu tenho razão para estar nervoso! Não ela! Mas só sabem falar de mim! Eu sempre o culpado! Não ela que mentiu! Ainda fui chamado de intrometido por tentar ajudar! O que ela quer? Me proteger? Me desprezar? Me enganar? Aigo... Por isso acabei brigando com meus amigos, ainda tenho que compensar o Won e dar um jeito de ajudar a Sun-Hee também... São tantas coisas..."

    Jae-ki queria agora só pensar em coisas simples, voltar a fácil e previsível matemática. Tá que Eun-bi não era a primeira garota que ele tinha odiado, mas era a primeira que fazia seu coração doer e bater acelerado. Ainda havia os sentimentos esquisitos que não iam embora e como o deixava louco, ele sabia o que era, só não podia admitir nem pra si mesmo. Pior era que teria que vê-la todos os dias, como ia esquecer assim? De qualquer forma, já tinha planejado não falar com ela. Se alguém tinha que pedir desculpas e esclarecer as coisas era Eun-bi! E era até melhor que ela não viesse, só o deixava confuso. Não iria mais aceitar encontrar com ela em algum canto, se ela tinha mesmo algo pra dizer, que falasse logo de uma vez ou não aparecesse mais. Além disso, o que uma garota rica iria querer com ele? Achava que teria sido tudo mais fácil se ela o tivesse desprezado logo no começo de uma vez em vez de ficar o enlouquecendo. Apesar de tudo isso, parte sua ainda queria acreditar que ela ao menos tinha gostado dos momentos como Min-Ah, ela tinha dito algo assim na escola, que queria lembrar dos momentos bons, mas podia mesmo acreditar nisso? Não acabaria iludido de novo?

    O celular vibrou e logo Jae-ki foi ver o que era. Jihoo marcava o que fariam no fim de semana. Jae ainda lembrava do que aconteceu na sua última briga e do olho roxo que estava lhe causando alguns problemas. Não podia ganhar um machucado novo, não um que aparecesse. Planejava contar algumas coisas para Jihoo e com certeza tomaria cuidado redobrado com policiais. Tá a parte de ir no carro do pai do Won Bin poderia omitir. Ele respondeu com um sms a cobrar:

    "Ok. Tive problemas essa semana, sábado te explico. "

    Foi até bom receber essa mensagem para Jae-ki voltar a realidade. Era isso, seu lugar era na gangue, com garotos iguais a ele, com famílias destruídas, e que tinham aprendido a resolver seus problemas com os próprios punhos, não em um sonho onde uma garota rica se importava com ele e sua irmã. Mas isso já não parecia mais bom aos olhos de Jae-ki, correr riscos todo fim de semana estava se tornando uma tarefa árdua. Deixar Soo-ji durante a noite também não o deixava satisfeito. Também teria muito dever de casa por causa de Wangjo, ainda tinha os clubes, a preocupação de perder tudo... Mas o que podia fazer? Era essa sua vida, sempre complicada. Gostava dos amigos da gangue apesar de tudo, se sentia como um igual com eles e também devia muito, sempre devendo favores, odiava ser ingrato e esperava não ter que ser ingrato um dia. Tinha sido assim que conseguiu sobreviver e proteger a irmã. Faria tudo de novo por ela, mesmo que repetisse todas ás vezes que se machucava feio, ela merecia isso.


    Finalmente as horas do trabalho se passaram, Jae-ki caminhava enfim de volta para casa. Estaria mais cansado se não tivesse acostumado, só que ainda gastava muita energia e isso lhe dava uma fome desgraçada, era como ter um buraco no estômago. Nem ia poder dormir tão cedo, tinha que fazer todos aqueles deveres, mas finalmente veria a irmã. Assim que viu a entrada de casa ficou preocupado com o olho roxo. "Queria ter um tapa olho agora, podia fingir de pirata, fazer uma surpresa... O pirata Jae-ki e a princesa Soo-ji?  Aish... Isso é péssimo, o que eu tô pensando... Desculpa Soo-Ji, vou evitar isso da próxima vez, vou proteger melhor o meu rosto, eu vacilei muito."

    Jae-ki teve uma ideia meio idiota, mas ao menos achava que amenizaria o choque. Quando entrou em casa, cobriu o olho roxo com uma das mãos e o outro olho deixou destapado. Chamou pela irmã e se ela viesse correndo, se abaixaria e a abraçaria com um braço só enquanto tapava o olho com a outra mão, quase desequilibrando e caindo no chão na hora do abraço.

    - Soo-ji!! Ahh, que saudade!! Uwa! Você tá ficando muito forte!! Eu tenho duas coisas pra te falar.  Não fica preocupada! Eu machuquei meu olho, mas não é grave, quase nem tá doendo. Lembra da nossa conversa do outro dia? Eu sou forte e foi para defender uma garota. Depois vai ficar bom rápido igual da outra vez. E eu trouxe uma coisa para você, é simples, mas acho que vai gostar. Tudo bem? Posso destapar meu olho agora? Promete que não vai assustar? É só como se eu tivesse manchado com canetinha roxa, nada demais.

    Jae-ki olharia para irmã esperando a reação dela. Tentaria passar confiança através de suas palavras. Se ela se mostrasse calma, destaparia o olho devagar torcendo para que não estivesse tão inchado, ainda tinha os pontos que levou no olho, esperava que não tivesse tão assustador. Em seguida pegaria o chocolate e daria para ela, se ela começasse a ficar triste também pegaria logo o chocolate:

    - É seu, só seu! Eu já comi doce hoje, foi você que me deu lembra? Eu gostei muito. Agora eu quero ver o sorriso da Soo-jiya!


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    Re: Capítulo 2

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      Data/hora atual: Qui Abr 26, 2018 3:05 am