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    Capítulo 2

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    isaac-sky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Sex Jan 05, 2018 11:15 am

    Won percebe como a garota achava aquele lugar grande e luxuoso também. Ele conclui que a garota realmente não é alguém deste “mundo” também

    ”Se visse a Wangjo, é mais incrível que aqui”

    - Parece mesmo… - Suspirou. - Deve ser um sonho morar aqui.


    Won achou fofo aquele jeito tímido e um tanto sonhador ao olhar o tipo de vida dos ricos. Pena que aquilo tudo parece acompanhar gente um tanto problemática.

    Won sentia ficar mais vermelho conforme ela agradecia. Sorria meio nervoso e coçava a nuca.

    - Não é a primeira vez que são grosseiros comigo, os clientes geralmente são assim. - Comentou. - Mas não esperava receber algo de graça, daquele jeito. Quanto mais dinheiro, mais esnobes, não é? Uma pena.


    -Pois é. Mas eu nunca trabalhei atendendo as pessoas diretamente antes, então eu vim despreparado pra isso haha. Você pelo visto já trabalhou antes atendendo então?

    Riu junto dela com o comentário das gorjetas.

    -Hahaha, você vai ver, até o fim do dia uma boa alma nos deixará uma boa gorjeta

    ”Ei, ela até disse que eu mereço gorjeta aquela visão de inimiga e rival aos poucos vai se distanciando da mente de Won.

    Kang levava uma eternidade, até ela parecia se incomodar com isso, era ruim esperar pra continuar a comer.

    - Você deve estar com fome. Pode ficar enquanto seu amigo não aparece.


    -Aish, meu amigo está demorando demais. Acabei te fazendo esperar também, me desculpe Won acaba aceitando o bolinho para que ela não ficasse com vergonha de continuar a comer.

    Antes que desse uma mordida Won viu Kang, o verdadeiro dragão tubarão retardado.
    ”Seu desgraçado, vem pra cá logo!” nem conseguiu fazer uma carranca pra ele aparecer logo. E pior que ele estava melhor em “espionagem” se comparasse com o dia da lagoa

    Ji-Hyun explicou como tinha conseguido o emprego, Won dava uma mordida no bolinho enquanto ela falava. Não era uma história dramática, foi um chamado simples ao trabalho mesmo.
    -E eu? Ah, foi meio na sorte. Eu comecei a estudar num colégio novo e fiz um amigo que trabalha aqui nesse condomínio. Ele convidou pra almoçar e eu vi o aviso da vaga em frente. No dia seguinte eu estava trabalhando e descobrindo a diferença de machiato e cappucino - sua história era simples também quando não citava os motivos por ter tentado arriscar aquele emprego. Imaginava se ela ia achar sem graça.

    Achou fofo também quando ela começou a corar para falar do que ouvia nos fones.


    - Ahm...Eu gosto de Pop, mas eu sou muito fã do Baekhyun. Então, estava ouvindo a minha playlist dele que vai desde pop até algo mais...ahm… - Como explicar? Exemplo - Alternativa? Não sei se chega a ser alternativa, mas é...diferente. Se é que isso fez sentido.

    Quando ela disse música “alternativa” os olhos de Won brilharam por um instante. Baekhyun talvez não fosse tão alternativa assim mas era raro Won ver alguém que gostasse de algo além do kpop comum.
    -Ah, eu conheço algumas músicas, tem uma guitarra legal. Eu gosto de ouvir música alternativa quase sempre haha, mas é meio chato quando você fala de uma banda e ninguém conhece então eu guardo pra mim. Tipo Elephant Gym ou algo do tipo - percebeu que havia começado a falar de uma banda que pouca gente conhecia, poderia estar ficando bem chato...

    Mas finalmente, Kang surgiu com a comida e com uma desculpa meio convincente.

    -Ah, finalmente Kang - comentou num tom bem-humorado.

    - Olá, Kang, eu sou a Ji-Hyun.

    - Eu sei…

    - Como é?

    - Digo, oi.

    - ….? - Olhou para Won.

    ”...Kang, eu espero que tenha um excelente plano de saúde”

    -Err...sabe é? Eu nem te falei o nome da minha nova colega quando te contei que contrataram mais uma pessoa pro café - Won encara Kang com uma expressão neutra. Mas a afirmação era uma verdade, Won não tinha dito o nome dela para ele.

    Won riu pra tentar quebrar aquele clima esquisito.

    ”Meu Deus, eu vou infartar desse jeito…”

    -O Kang é o meu amigo do colégio que trabalha aqui no condomínio também. Só é meio avoado - disse apresentando o amigo com a mão direita sobre seu ombro.

    ”Se ele falar mais besteira eu quebro o ombro dele agora mesmo”

    Finalmente Won começaria a comer, esperando que aquela conversa esquisita do Kang não tivesse causado muitos danos.
    Tinha sido uma conversa legal antes, melhor que havia esperado. Começou a comer antes de continuar a falar.

    -Acho que hoje o movimento vai continuar grande. Qualquer problema lá pode me chamar - disse, solícito com um sorriso.

    Continuaria almoçando, logo provavelmente teriam de voltar.

    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Sex Jan 05, 2018 12:14 pm

    Enquanto caminhava, Jae-ki tentava explicar aos amigos sobre a escola nova, embora não estivesse muito animado depois do que aconteceu. Odiava ver os amigos zangados com ele, principalmente Jong-Suk. Havia tantas coisas na sua mente agora, nem mesmo conseguia se entender ás vezes. Podia se prometer várias vezes que tomaria mais cuidado da próxima vez, que nunca mais erraria assim, porém no fundo sabia que não era fácil ter tanto controle assim. Era fácil pensar que poderia ter tido outra atitude, mas no momento em que pisava na bola, coisas assim não passavam por sua cabeça. Também estava confuso com o que seria certo ou errado de se fazer. JR comentava algumas coisas e também fazia perguntas curioso, Jae-ki franziu as sobrancelhas um pouco antes de responder:

    - São pessoas que ELES acham importantes porque tem muito dinheiro.... Mas na verdade são todos uns dondongori (pedaço de merda). Se eu fosse querer um emprego bosta eu não ia querer estudar em Wangjo. Sei-la, eu queria entrar em alguma empresa, conseguir um emprego integral, saca? Tem umas empresas que até um estoquista ganha uma grana maneira e tem plano de saúde, eu acho. Pelo menos comparado ao que eu ganho, dá pra ter uma vida que não seja miserável... Olha se um dia eu conseguir mesmo um emprego bom, eu juro que pago um almoço para todos nós. Eu acho que a bolsa é até o fim do ensino médio, se eu conseguir ficar... Mas não tá muito fácil... Só consegui entrar também porque meu professor pagou o uniforme, não acho que ele vai pagar se eu precisar de outro.

    A pergunta de Joon assustou Jae-ki de repente, como ele conseguiu ligar garota a escola? Pior que JR entrou na dele e começou a perguntar mais sobre isso. Jae tentou se explicar rápido:


    - Ani! Não tô namorando! Era só uma coisa que eu tava pensando!

    Jon-Suk ainda parecia muito aborrecido e isso deixava Jae-ki mal. Fez até uma proposta para ele, queria que existisse uma forma de reparar isso. Quando o amigo finalmente começou a falar, Jae prestou atenção bem sério, era meio triste saber que agora ele achava que tinha vergonha deles, não era isso. E não queria ficar parecido com aqueles ricos, nunca seria um deles, só queria o dinheiro.  Quando Jong-Suk falou daquele jeito, mostrando que se preocupava,  Jae-ki se sentiu mais culpado e ao mesmo tempo satisfeito ao ver que o hyung se importava se ele iria apanhar ou não. Ainda não tinha perdido a amizade dele, daria para reparar, acreditava nisso ao menos, fazia até seu desanimo passar um pouco. Mas a pergunta sobre a garota o pegou de surpresa, se sentiu encurralado como um rato. E agora? Não podia cometer o mesmo erro de esconder as coisas, podia? Apesar de Jae-ki ter muitos defeitos, ser fofoqueiro não era um deles. Não era do tipo que sairia por ai falando mal de Eun-bi, mas devia uma explicação ao hyung e a verdade é que não tinha mesmo nada entre eles.


    - Garota? - Repetiu nervoso e um pouco corado por ter sido pego de surpresa - Ani! Eu não to namorando ninguém! O Joon-Geun? Ahn... - Jae-ki suspirou e largou os ombros - É ele tá certo, ela é dessa escola, mas não temos nada! Eu só tava perguntando no carro uma coisa que pensei! Joon-Geun tá aumentando muito isso... A gente discutiu algumas vezes, e eu não consegui entender ela, só isso. Todas as garotas da Wangjo parecem ser muito esnobes, mas essa me deixa confuso, uma hora ela parece legal e outra não... Mas somos dois estranhos, não sei qual é a dela. Mas não tem porque falar dela eu só tava curioso lá no carro. Qual é gente? Ela é uma patricinha, eu nem quero saber a dela mais, só nos falamos nos primeiros dias e sabem como eu sou com mulheres...

    Jae-ki mordeu a boca de novo, acabaria ferindo os lábios se continuasse estressado. "Aishhh, ela também é meio doida... Não adianta, eu tento esquecer ela e parece que só piora..." Depois dessa confusão com os amigos, a raiva que tinha dela tinha até quase sumido, ao menos por enquanto, só restava muitas dúvidas. Os amigos dele  sabiam como ele sempre falava de dinheiro quando o assunto era garotas. Mas bem no fundo, Jae gostaria de poder pagar as coisas para uma namorada, poder sair para lugares bacanas, bancar uma conta, ser o tipo de macho provedor, mas sabia que não tinha condições disso. Era melhor convencer a si mesmo que não daria e acabo do que se deixar ser humilhado por isso. Era melhor ele ser o que dava os fora do que ser o que era pisado e constrangido por causa disso.

    Sua voz voltou ao tom normal, tinha muita coisa para contar ao hyung e faria isso agora. Mas não queria preocupá-lo com as coisas do Taemin, tinha crescido já, não queria importunar mais o Jong-Suk com suas brigas e nem podia fazer mais isso lá, por isso também não queria ser defendido, não ainda ao menos. Também não queria que o amigo pensasse que ele estava virando um esnobe, não era como se fosse ser rico um dia, sabia que isso era impossível, não era pessimista, mas realista. Não era do tipo que costumava sonhar alto, sabia que a falta do dinheiro o restringia e tentava agir racionalmente para resolver isso, como tentar estudar em uma boa escola, uma ideia que foi do professor Kim. Só com uma faculdade poderia ter mesmo a chance de dar um salto alto, mas eram pagas e muito caras para ele, se ao menos o pai trabalhasse, ainda daria, mas isso era algo impossível. Outra coisa que o faria ser rico era ser um k-idol, mas não sabia cantar, sortudo era quem nunca o tinha ouvido cantar. Só queria poder ao menos tem uma vida normal, dar a chance de Soo-Ji sonhar, ela sim ele acreditava que tinha chances de um futuro muito melhor, mas pra isso ele teria que lutar.  Jae-ki começou a tentar se explicar, falava demais porque queria mostrar ao hyung que não tinha nada haver com aqueles rico, queria dar todas as provas para ele.

    - Hyun, eu odeio aqueles ricos! Eu não tô com vergonha de vocês, tô falando a verdade, é sério. Eu queria mesmo esperar até o primeiro dia de aula antes de contar. Eu fui um idiota. Acredita em mim, é verdade! Olha para você sacar, eu tive uma semana péssima por causa dessa escola. Em uma semana eu quase foi suspenso várias vezes. Só primeiro dia de aula discuti com uma patricinha e outra arremessou uma mochila em mim! E tem mais, só porque eu dormi na aula de matemática, fui expulso da próxima aula dele, e até já tô devendo dinheiro na secretaria, briguei com alguns assholes ricos que me irritaram... E olha só, na escola uma patricinha quase caiu, eu segurei ela e a amiguinha paty dela ainda brigou comigo como se eu fosse sei lá o que... Pior é que eu não posso ser suspenso, não quero perder a bolsa. Mas tá sendo mais difícil conseguir ficar lá do que ter passado na prova. É muito difícil, muito difícil, não arrumar briga com alguém. Mas eu vou ter que tentar... Se eu socar algum rico fresco, acho que posso acabar perdendo tudo.

    Lançou um olhar novamente para Jong-Suk antes de continuar:

    - Hyun, olha, eu quero muito conseguir ficar nessa escola, mas não por mim. Eu odeio aquele lugar e aquelas pessoas. Você saca não é? Minha irmã vai crescer, e sabe como garotas precisam de coisas bonitas, é tipo a necessidade delas...  Eu sou o único com que ela pode contar. Mas só nessa semana eu vi como é pesado ficar lá. E na real, não quero ser como eles, só quero ter dinheiro. Eu odeio tanto aqueles ricos de merda, que tá sendo ruim até falar sobre eles. Eu tô estressado, e tava curtindo nossa saída, tava maneiro até eu estragar...  Eu devo ter esquecido meu cérebro no dia daquele prova para ter feito essa merda...

    No resto do passeio, Jae-ki com certeza vai virar o rosto para ver o que considerar maneiro, alguma estrutura maneira, luzes coloridas, comida... Já sentia o estômago roncar e incentivaria os hyungs a comprar algo barato e gostoso. Adorava também comida de rua, na verdade eram raras as comidas que Jae-ki não gostava, mais difícil ainda era ter uma comida que ele não comeria.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Sex Jan 05, 2018 3:29 pm

    [WON-BIN]

    06/04/2019 - Sábado
    1:10 P.M.


    - Sim, eu trabalhava meio período numa loja de maquiagem. Mas… - Ji-Hyun começou falando animada, mas foi esmorecendo um pouco, deixando os ombros caírem. - Eu tive um desentendimento com o gerente da loja. E...Pedi demissão. Ele disse que eu nunca mais conseguiria um emprego, mas olha aí o que aconteceu.


    Deu um sorriso gentil e animado com a nova perspectiva que tinha surgido diante de si. Ji-Hyun não contou que tipo de desentendimento teve com o gerente de sua loja, o leque de opções era bastante amplo, mas ela não deu abertura para isso.

    Won-Bin teria apenas suas suposições se é que era mesmo uma boa ideia ficar se prendendo à elas. Talvez deixar a conversa fluir fosse a melhor alternativa. E foi isso o que se desenrolou ali.

    - Tomara, né? - Juntou as mãos. - Ah! E você sabia que esse emprego é muito concorrido? Quer dizer, não é o único café dessa franquia. Acho que tem mais uns seis espalhados por aí e tem crescido, mas…- E então, ela corou, rindo. - É a cafeteria de um idol muito famoso, o Shin-Hee. Você deve conhecê-lo…


    Supôs. Não sabia que o estilo de musica dele era alternativa. Mas bem, ele tinha feito muito sucesso um programa de jovens talentos há dois anos. E também houve uma grande polêmica com o seu nome, porque o “pai” dele foi condenado por vários crimes, inclusive por ter causado um acidente no Japão, matando vários funcionários. O incêndio provocado pelo pai de Shin-Hee não o matou por pura sorte - e a mãe dele também tinha sobrevivido. Daquele episodio, restou apenas uma cicatriz horrorosa no rapaz.

    De todo modo, se Won não se lembrasse do programa por não fazer seu estilo, ele talvez lembrasse como o pai dele ficou feliz com a condenação de um Yoon.

    Dizia, na época, que a justiça às vezes falhava, mas nunca tardava. Só lamentou que apenas o pai tenha sido condenado. O que o policial Hwang quis dizer com isso nunca foi explicado, até porque ele não entrava em detalhes sobre essas coisas com Won.

    - Enfim, ele é o dono do café! Quem sabe ele não apareça aqui alguma vez? Eu também gosto dele, será que me dá um autografo? - Riu, levando as mãos às bochechas.

    Nem podia imaginar que Won já tinha estado na presença dele há alguns dias e que essa tinha sido a sorte dele.

    Ji-Hyun parou de falar e olhou ao redor, vendo que o amigo de Won nunca voltava. Entregou o bolinho para ele e perguntou como ele tinha conseguido o emprego também. Chegou a erguer um pouco as sobrancelhas, ouvindo a história e o achando realmente sortudo.

    - Que coisa!

    Quanto às músicas, ela não conhecia a banda que ele indicava, mas não foi deselegante ou o cortou. Entendia que cada um tinha seus gostos e respeitava, oras. Ninguem era obrigado a gostar das mesmas coisas. Antes que ela conseguisse responder, o “amigo” de Won-Bin finalmente chegava. Era um menino bem alto e magrelo, com uma cara amistosa e engraçada.

    Falante, Kang logo se apresentou e disse que sabia que ela era Ji-Hyun. A menina achou um pouco estranho. O garoto saiu pela tangente, mas Won-Bin fez questão que ele respondesse à pergunta. Ji-Hyun também ficou curiosa.

    - Porque eu acho que é o que está escrito ali na plaquinha. - Apontou na direção dela. - Não é como se eu estivesse olhando nada além da placa, mas não é Ji-Hyun?

    - Ooh! Verdade, eu esqueci de tirar! - Levou a mão até a placa, na altura do peito esquerdo e a retirou.


    Fez uma caretinha envergonhada e Kang olhou para Won com uma cara de santo que não era. Piscou para ele enquanto Ji-Hyun não olhava, mas logo parou e começou a comer quietinho.


    (Por dentro)


    (Por fora)

    - Araso… - Ji-Hyun respondeu. - Ele é o seu amigo que indicou, então?

    - Eu mesmo!

    - Que bom que você foi legal assim com o seu amigo.

    - E eu trabalho aqui, então, qualquer coisa que precisar, vem aí no meu horário que eu atendo bem. Dizem que eu sou bom em lidar com as pessoas.

    - É, to vendo. Você é bem falante mesmo.

    - Sim, cara de pau da melhor espécie. - Riu. - E você, Ji-Hyun-shi? Tem quantos anos? Qual seu signo? Estuda onde? Tá em qual série? Tem namo...?!!!!!!!COFF - Engasgou com o proprio lamen e começou a tossir loucamente, batendo no peito.

    A menina estava com uma cara espantada, mas logo riu e o ajudou, batendo nas costas dele. Foi com um pouco mais de força e Kang engasgou ainda mais.



    - Miane!

    - Noossa que mão pesada! Tá roxa minhas costas? - Virou-se para Won-Bin.

    - Mianee!!

    Escondeu o rosto com as duas mãos. No meio daquela confusão toda, Won oferecia ajuda e Ji-Hyun respondeu apenas com um sorriso.

    [DONG]

    06/04/2019 - Sábado
    12:00 P.M. - 2:30 P.M.


    O estudo antes do almoço tinha sido bastante produtivo. Stella gostava muito de estudar idiomas, porque desde sempre ela meio que foi obrigada a isso - era da Província de Quebec, um lugar onde já era forçada a aprender tanto o inglês quanto o francês. O coreano foi um tempero, por conta de seu pai.

    Tanto ela quanto a mãe treinavam bastante, a menina com mais afinco porque queria impressionar seu appa quando ele conseguia ficar com elas no curto período que ele ia para o Canadá ou elas iam para a Coréia. Lembrava-se como, nessa época, ela adorava Seul e tudo o que aquele lugar representava. Podia dizer, com tranquilidade, que Seul era o seu lugar. O lugar onde era mais feliz.

    Mas além de Quebec, ela também morou em Lyon, na França. Talvez por sua mãe também saber falar tantos idiomas e ter facilidade para isso - afinal, era uma diplomata e ainda sabia falar alemão, espanhol e começou a estudar chinês por conta da proximidade das embaixadas e dos vizinhos do condomínio também - Stella também tenha absorvido esse gosto. Claro que estava longe de ser como a mãe, mas adorava.

    E descobria que gostava de ensinar também.

    Até tinha prometido à Sun-Hee que a ensinaria francês e inglês, quando ela quisesse. Dong era só sua primeira cobaia e os dois se saíam muito bem. Tudo foi tão produtivo que nem teve espaço para bicos ou briguinhas por desentendimento. Também era mais fácil conversar e compreender Dong sem a presença de Hayoung ou Min-Ho. Quem sabe, na verdade, o problema não fosse com a própria Stella, porque ela tinha criado escudos de proteção tão densos que qualquer coisa que algumas pessoas falassem ou insinuassem, já passava como um filtro de provocação para ela.

    De todo modo, o estudo foi interrompido enquanto eles juntavam alguns fonemas. Entre o alfabeto e os fonemas, eles brincaram um pouco com os cumprimentos formais e educados“bom dia, boa tarde, boa noite. Olá, muito prazer, como vai”. Mas ela ainda não explicava a formação da frase, só a pronuncia dela mesmo. Afinal, esse era o “ponto fraco” do menino.

    Já no almoço, Dong parecia impressionado com os dotes culinários de Ellen Jun. A mulher nem desmentia, achando graça dos elogios, mas Stella logo falou.

    - Mamãe só fez o Poutine e a torta de maçã. Ela é muito boa, é verdade, mas é uma cozinheira preguiçosa.

    - Stella… - A mãe fez um beicinho, mas logo estalou a lingua no céu da boca. - É verdade. As comidas canadenses eu fico pegando de minha memória ou da internet mesmo porque é difícil achar, por aqui, algum lugar que faça como me lembro. Então, eu saio tacando meus temperos e tiro a pimenta. Aqui tem pimenta em tudo.

    Não foi uma critica, mas para um paladar mais sensível, a pimenta podia ser um problema. Stella deu uma risada do comentário da mãe e eles tiveram um bom momento juntos durante o almoço. Tinha sido farto, variado, bem servido. Ellen até fez um carinho na própria barriga, porque Ben estava satisfeito também. O chá caiu bem para as duas. E, durante a sobremesa, Stella comeu salada de frutas da estação.

    Apesar de parecer um pouco triste e injusto, a menina não via necessidade de comer doces. Desde criança foi impedida de comer, por isso não criou nenhum tipo de vicio em relação ao açúcar.

    Dong ainda fez questão de lavar a louça, mesmo Ellen dizendo que não precisava. Então, ela mandou que Stella enxugasse os pratos para ajudá-lo. Ainda na cozinha, a mãe falou.

    - Stella, você aplicou a insulina? - Arqueou uma das sobrancelhas, lembrando-se daquele detalhe.

    A garota arregalou os olhos, olhando para a mãe fazendo um “o”.

    - Eu esqueci, caramba! Eu esqueci totalmente.

    - Caraca, hein? Como é que você me esquece uma coisa dessas? Acho que vai ter que tomar antes do lanche agora. Mas presta atenção, menina!

    - Sorry, mom...Eu esqueci porque estava distraída, mas eu tô bem! Nem tô sentindo nada… - Fez um beicinho enquanto secava os copos.

    A mãe não continuou a perturbar quanto a isso porque já tinha dado seu recado. Stella só suspirou, mas voltou a focar na louça com Dong. Quando terminaram, eles voltaram para a sala de estudos, ainda naquele marasmo pós-almoço. O almoço até que tinha saído tarde, por conta dos estudos e isso só aumentava um pouco mais a preguicinha do momento. Jun colocou os óculos de novo porque sua vista começava a doer e o encarou de novo, comentando sobre a primeira semana.

    - Pois é, eu também achava…- Comentou, mexendo na ponta das folhas da apostila, virando rápido. Quem gostava de desenhar, fazia desenhos que ganhava movimento quando passava as folhas assim. Mas esse não era o caso de Stella. - É...Mas pelo menos teve alguma coisa. Esse novo diretor é diferente do anterior, não é? O anterior...parecia não ver nada. Esse se preocupa mais.

    Fez um biquinho pensativo, do tipo de quem morde o lábio internamente e acaba formando um biquinho sutil.

    Esse tópico não demorou muito, pois falaram das amizades que fizeram e um sorriso doce surgiu nos lábios dela. Realmente, eles estavam bem mais sociáveis do que esperavam. Como não o encarava, ela nem percebia que ele olhava de soslaio para o verde de seu joelho. Estava manchado, mas estava bem melhor do que antes.

    Eis que comentaram sobre o clube de teatro e os dois se encararam em sincronia.


    Stella foi pega de surpresa com aquela resposta inicial dele. Chegou a abrir e fechar os lábios umas duas vezes, sem saber o que dizer, então, sorriu de modo gentil antes dele se explicar. Conseguia entender o que ele dizia, pois também ficaria irritada se alguém entrasse no clube de literatura só para causar ou brincar. No entanto, ela travou de novo quando Dong revelou que existia uma causa para que ele entrasse, se ela pedisse.

    Stella moveu a sobrancelha, como se pedisse para que ele continuasse ou dissesse “qual motivo?”.


    A explicação dele, a deixou um pouco constrangida - mas não num sentido ruim. Stella também coçou a nuca, abaixando o olhar e deu um sorriso timido porque ele tinha descrito coisas que ela realmente fazia. Logo deu uma risadinha, escondendo os lábios, mas conseguiu se controlar para encará-lo de novo. Stella ficou um pouco mais séria, mas ainda tinha uma expressão de sorriso.


    - Eu entendo o que quis dizer, mas...Eu também só entraria por sua causa, oppa- Falou um pouco mais baixo a palavra e engoliu em seco, desviando o olhar antes de encará-lo de novo. - Porque seria legal...passar mais tempo com...você. - Franziu um pouco as sobrancelhas e abaixou a cabeça. - Mas também seria porque teatro é bom para perder a timidez. O problema são as pessoas que estariam lá, acho que só o Kim que seria legal.

    Pelo menos era o único que sabia.

    - Enfim, tudo bem, né? - Deu de ombros. - A gente pode pensar numa outra coisa depois. Tipo..inglês.. - Tentou mudar o assunto, olhando para a apostila de novo.


    (Segurando a cara de esquilo envergonhado)

    Mas seria um pouco mais dificil de se concentrar depois das coisas que ouviu - e concluiu. Isso era péssimo para ela porque a mente alcançava realidades alternativas e isso nunca acabava muito bem.
    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sex Jan 05, 2018 5:34 pm

    Hyun Hee ponderava se JongIn estava disposto a correr risco de morte também além de ser preso. Chaeyoung era uma tonta. Não sabia que agindo daquele jeito escroto dela estava atraindo gente bem errada para perto dela. Sentiu um ódio tremendo ao ouvi-lo falar sobre como ela era na sala de aula. A sala de aula. Aquela que ele deveria estar. O lugar que ele tinha zero gerência. Do que adiantava tentar controlar o terreno fora da sala? Tinha sido burro. É óbvio que eles podiam conversar ali dentro!

    JongIn era excelente em ser um bom amigo cordeirinho. Cerrou um dos punhos. Ele podia falar o que quisesse sobre  Han SoNa, porque ela saberia se cuidar, não era problema dele. Mas aquela menina não. Não é como se ele sentisse algo por ela, isso não. Se ela era bonita? Lógico. Se tinha vontade de se aproximar dela? Claro. Mas por que ficava tão puto? Porque ela estava brigada com ele quando deveria se preocupar com outro tipo de pessoa. Porque ela tinha aquele arzinho modo joaninha de quando ganhou a joia e começou a chorar. Porque ela tinha aceitado de um completo estranho dever favores para ele - ainda que não fosse estúpida de aceitar o convite para ir a sua casa. Porque aquela mulher não, simplesmente assim.  Não interessava muito pensar os motivos. Ele simplesmente não queria que JongIn se aproximasse dela. Ele não era boa coisa. Ele iria machucá-la. Sabia perfeitamente disso. E ele apenas não queria que isso acontecesse.

    Por que isso era diferente do que com qualquer outra garota? Porque eram amigos, talvez. Porque ela tinha sido legal com ele em momentos bem ruins, talvez. Porque gostava do jeito que ela olhava para ele, mesmo quando estava com raiva. Porque simplesmente subia o sangue de imaginar os relatos passados do amigo acontecendo com ela. Porque sim.

    Ele não respondeu sobre Chaeyoung. Fazia isso no passado quando achava ruim algo que o amigo estava fazendo. Não era atípico, mas demonstrava que ele desaprovava. Se desse uma risadinha ficaria muito falso, muito na cara.

    Então tentou desviar o assunto para Sunyoung. Concordou com a cabeça. Talvez arrumassem problemas com Minhyun por chamar Sunyoung? Mas não estavam preocupados com isso, porque, afinal, ele era certinho demais. Agora sim riu com a proposta. Era um tipo de desafio e Hyun Hee não era do tipo que simplesmente recuava.

    Espero que um garçom passasse e pegou dois coqueteis sem álcool, simulando um brinde para o colega, com um sorriso no rosto.

    - Observe.

    Mordeu o lábio, confiante. Por dentro, havia um frio na barriga de ser rejeitado, mas quem nunca? Ele deu um gole na bebida e saiu andando atrás da noona. No caminho, lançou um olhar na direção de Chaeyoung, examinando o movimento que ela fazia e concluindo que ela devia estar pedindo desculpas pela joaninha.

    Tonta.

    Ninguém viu. Por que foi se dedurar?

    Era por isso que precisava cuidar um pouco dela.

    Balançou a cabeça, ignorando a cena.  Não esperava que ela fosse pedir desculpas a ele também. Voltou as atenções para a dama solitária, aproximando-se dela esticando um dos coqueteis, junto com um meneio respeitoso.

    - Boa noite, Han Sunyoung-shi. Aceita? - sorriu, educado e esperou que ela aceitasse sua gentileza, mostrando que também tinha um coquetel para acompanhá-la. Apostava na vontade dela de disfarçar a vergonha e não passar mais nenhum segundo ali "abandonada".


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Sex Jan 05, 2018 5:57 pm

    MiSoo tinha até se divertido um pouco na pequena confusão de antes de primeira parte da ópera, analisando agora que tinha passado que o ex-ketchup não parecia mais tão ameaçador. Isso é claro, antes da mãe se meter e estragar tudo. Mas agora sim estava sendo a melhor parte do evento. Poder tirar fotos fofas e engraçadas com as amigas enquanto riam, se divertiam e se isolavam um pouco em seu próprio mundo. Isso até que MiSoo percebeu a ausência da prima.

    MiSoo inclinava-se um pouco sobre os ombros das garotas e sorria para a tela do celular onde as fotos que tinham tirado eram mostradas e concordava com as escolhas de BoMi.

    MiSoo agora sentia-se bastante alegre envolta por algumas das pessoas que lhe eram mais queridas e a presença delas também lhe ajudar a ser mais ela mesma, ou seja, mais alegre e espontânea, o que lhe fez começar a puxar o assuntos como sobre passar a noite na casa do tio.

    EunBi se mostrava animada com a ideia, mas também curiosa com a irritação da mãe de MiSoo. Curiosidade que rapidamente foi sanada por BoMi, que explicava brevemente o ocorrido de mais cedo.

    -Ye! Ji-Eun-unnie estava há um tempo fora e eu nem sabia que ela tinha voltado! Descobri há pouco tempo. – e deixou que BoMi explicasse da pequena confusão pré-ópera.

    Quando EunBi e BoMi se preocuparam com as consequências do nervosismo da mãe sobre a filha, MiSoo respondeu sorrindo para elas antes de responder:

    - Não se preocupem. Estou bem! – ergueu o punho no ar e deu uma piscadinha para as amigas – E parece que nem foi o Ketchup que jogou o broche. Ele está no camarote ao lado do que minha família está. Quando passei pelo corredor na direção do banheiro ele me disse isso. – fez uma careta pensativa, pousando o indicador sobre o queixo – Acho que, no fim, ele não é tão ruim assim quanto eu achei. Aish... – coçou atrás da orelha – A ommoni tinha dito que a família Han que iria sentar ao nosso lado, mas acabou sendo a família do Ketchup e acho que tinha outra... Eu achava que a ommoni não se enganava nessas coisas. – fez um bico, ainda pensativa – Eu até cheguei a falar disso com os irmãos Han.

    MiSoo lembrou da prima e comentava que não estava mais a vendo ali no salão.

    - Aigo! Não convidamos ela para as selcas! Talvez ela tenha ficado triste e foi embora! Será que eu fiz besteira? – agora tinha uma carinha triste no rosto, inconformada de ter esquecido de convidar a prima.

    MiSoo chegou a pensar em ir procurar a prima pelo teatro, mas BoMi logo começou a comentar sobre o vestido de Hyemin e tomou a atenção da garota, que arregalou os olhos em direção à colega com o vestido vermelho.

    - Ohh! Tem razão, está muito bonita! – reforçou a afirmação, meneando a cabeça – Ela é bonita, mas está ficando malvada como as amigas. – inflou levemente as bochechas em irritação e bufou em seguida – Eu achava ela legal, porque era uma boa tenista, mas ela é igual as outras, no final...

    EunBi logo a tirou desse pensamento também, comentando que não queria ficar em casa.

    MiSoo tinha até pensado em convidar a amiga para fazer algo, mas lembrou, ao mesmo tempo que BoMi falava, que Gyu-Sik iria ajuda-la com o poema de literatura e apertou os lábios, franzindo um pouco o cenho com toda a lembrança do que levou àquela ideia boba. Ele estava sendo tão legal nesse dia na ópera que agora MiSoo até se arrependia –ainda mais – de ter dado condições – e estragado os planos dele para o fim de semana  - apenas para aceitar suas desculpas. Se Gyu-Sik houvesse agido assim antes, MiSoo provavelmente teria até esquecido essa história que querer tanto que ele se desculpasse.

    - Ahn... Eu convidaria você para fazer algo no domingo, mas a BoMi tem razão, além da um brunch, ou almoço que terei na casa do tio, à tarde o Gyu-Sik vai me ajudar com o poema de literatura. – já tinha os lábios curvados em descontentamento – Se quiser talvez pela noite desse para fazer algo? Não sei se é uma boa ideia... – apertou a pequena bolsa dourada entre as mãos.

    A garota olhou com insegurança em direção ao chão e se deu conta dos saltos que a amiga usava mesmo despois de ter ferido o tornozelo e fez o comentário, que BoMi também reforçou.

    - Aish! Espero que já esteja bom mesmo.  Mas você não devia forçar tão cedo. Pode voltar à doer. Devia descansar um pouco mais. – acabou falando em um tom de repreensão, mas na verdade só estava bastante preocupada com a amiga e com o sonho dela - E se eu pudesse teria vindo de sapatilha! – cruzou os braços e inflou as bochechas.

    Depois disso a conversa logo morreu e MiSoo voltou a pensar na prima, em onde ela poderia ter ido, só que quando foi dar outra olhada em volta acabou encontrando Gyu-Sik com Han Minhyun e uma garota que MiSoo não conseguia reconhecer, principalmente por estar de costas. Algumas coisas passaram na cabeça de MiSoo naquele instante, mas nenhuma delas realmente tinha algo à ver com a cena. Pensava que talvez devesse falar à Gyu-Sik que Hyun Hee dissera que não tinha jogado o broche - ou talvez pedir desculpas por ter criado a situação quase que potencialmente perigosa com o ex-ketchup? Também estava um pouco envergonhada de ter falado algo à Han MinHyun que acabava por ser uma mentira, já que, aparentemente, sua mãe tinha se enganado quanto à família que utilizaria o camarote ao lado do deles. Só não sabia se era uma boa ideia se aproximar apenas para dizer isso...

    Sem se dar conta, ela acabou mantendo a atenção sobre eles, observando o que acontecia entre o trio, mas sem entender o que acontecia ali, embora ficasse bastante curiosa. MiSoo acabou esperando a garota se afastar para tomar alguma coragem de fazer alguma coisa. Pelo menos era bem melhor fazer alguma coisa por ali do que ficar apenas observando a movimenteção – algo que não interessava muito a garota – e também, sem ter ideia alguma de onde Ji-Eun tinha ido, acabava sendo meio difícil ir atrás dela. Era melhor falar com a prima quando voltassem ao camarote.

    - Eu acho que vou ali avisar que o ex-Ketchup não jogou aquele broche de joaninha em nós... – apontou na direção da dupla de garotos – Querem vir comigo?

    Esperou as amigas responderem sua pergunta e então se dirigiu co os passos meio lentos – culpa do salto alto – em direção aos garotos, sorrindo gentilmente para os dois antes de se pronunciar:

    - Boa noite, Minhyun-shi. – fez uma pequena reverência – E você eu já vi hoje. – deu uma leve implicada com Gyu-Sik, se esforçando para não voltar a ficar constrangida com o elogio dele, pois desejava voltar a agir normalmente com o garoto, se fosse possível.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Sex Jan 05, 2018 10:48 pm

    [NATIONAL THEATER OF KOREA]

    06/04/2019 - Sábado
    10:10 P.M - 10:20 P.M.


    Se Jong-In fosse o tipo de pessoa que se importava com a moral, julgamento ou opinião dos outros, ele teria vergonha de contar suas aventuras e as coisas que passavam por sua mente. No entanto, ele não era esse tipo de pessoa. Por isso mesmo nem pareceu arrependido de ter dito o que disse para Hyun.

    O silêncio dele denotava reprovação, mas e daí? Ele não era nenhum tipo de Santo.

    Contudo, o assunto sobre Sunyoung realmente chamou a atenção dele e achou muito interessante desafiá-lo. Caso ele conseguisse, Hyun-Hee provaria que o tempo nos EUA só o deixou melhor na arte da sedução. Caso ele perdesse, pelo menos Jong-In daria boas risadas com o ocorrido e poderia perturbá-lo até ele não aguentar mais.

    - Estarei com os olhos atentos. - Prometeu.

    Mas as promessas de Jong-In nunca podiam ser levadas à sério. Os olhos só permaneceram em Hyun no início, pois logo ele percebeu que a filha do banqueiro estava se afastando da conversa dela e começava a perambular sozinha pelo salão. O tipo de alvo fácil para uma iniciar uma conversa. Um sorriso surgiu nos lábios dele enquanto dava um gole em sua bebida.

    E observou Hyun apenas para ver que ele tinha conseguido a atenção da noona.

    ~

    Sunyoung não conseguia se mover.

    Sentia como se cada célula de seu corpo tivesse travado e ela congelasse completamente. Myung-Hee era tão petulante e aquela garota tão...tão!! Precisou fechar os punhos para conseguir se controlar e nem ao menos tinha coragem de olhar na direção do salão.

    Aquela noite parecia mais um pesadelo.

    Talvez sua mãe estivesse muito satisfeita com o desenrolar da noite. Afinal, estava o tempo todo na companhia do Sr. Seo enquanto ela teve que ficar aguentando a matraca de Hyemin. Não sabia de onde tinha tirado tanta paciência e sorrisos para lidar com aquela menina. Era cansativo ter que lidar com uma menina de dez anos no corpo de dezesseis. Quando a mãe dela se casasse com o Sr. Seo, daria um jeito de ser a filha perfeita dele e colocar Hyemin num internato ou num intercâmbio.

    Seria simplesmente impossível conviver na mesma casa, se ela fosse daquele jeito. E, bom, já tinha que conviver na escola e no clube. Eram lugares o suficiente!

    Como se não bastasse, ela também tinha que aceitar o fato de que a menina era noiva de Wang MiWoo. MiWoo tinha uma fama terrível e todos sabiam ou desconfiavam, mas, ainda assim, ele estava quase noivo daquela garotinha. Dava vontade de se matar porque viver num mundo assim era muito injusto. Onde que ela seria aceita por um Wang enquanto Sunyoung era a rejeitada pelo outro???

    Fechou os olhos, respirando fundo, mas de modo discreto. Não podia ficar ali parada para sempre, por isso mascarou o rosto do modo mais pleno possível e virou-se lentamente. O rosto perfeito com lábios carnudos logo fitaram o salão e captaram alguém se movimentando até ela.

    Não demorou nem meio segundo para reconhecer esse “alguém” e o gesto dele muito lhe interessou.

    Park Hyun-Hee podia ser um ano mais novo, mas ninguém podia dizer que ele não tinha presença. Era quase impossível ignorar a presença dele - fosse quando estava intimidador, fosse agora com aquele sorriso fácil e o olhar penetrante. O que será que ele queria? Talvez fosse uma boa forma de gastar os próximos minutos e deixar aquela noite infernal um pouco mais aprazível.

    Os olhos percorreram do rosto dele para a mão que oferecia um coquetel. Um sorriso discreto se formou no canto dos lábios e ela pegou a taça com bastante cuidado.

    - Aceito. - Disse, simplesmente e fez menção de brindar com a dele. - Boa noite para você também, Park Hyun-Hee-shi. Está se divertindo esta noite?

    Perguntou dando um gole delicado na bebida. Olhando para aquela garota que era quase que uma mulher feita, a atitude de Myung-Hee poderia ser considerada um sortilégio. Isso, claro, se Sunyoung não tivesse saído de um dos nove círculos do inferno, mais precisamente o da luxúria. Ela era perfeita demais, o pecado encarnado. Já era uma aluna do 3º ano, quase do Ensino Especializado. Uma verdadeira noona e um deleite para os sonhos e a imaginação dos mais novas.

    E olha só logo com quem ela conversava.

    - Soube tantas coisas sobre você na última semana...Mas agora, olhando assim de perto, tenho certeza de que era tudo uma grande mentira deslavada. Eles devem ter tido medo porque o “rei” voltou para colocar ordem na casa, não é mesmo? - Sorriu. Ela era uma das que gostava desses títulos e jogo político dentro do colégio. - Quem nasceu para majestade, sempre será temido. Principalmente por aquele ali.

    Apontou o dedo na direção de, ninguém mais, ninguém menos que Jong-In. Deu um sorriso divertido. E, caso Hyun-Hee olhasse para o amigo, veria que ele tinha acabado de chegar até a maldita joaninha. A menina o encarou, meio surpresa e não estava mais sozinha.

    - Menino esperto. Não é à toa que é o seu amigo.

    […]

    As amigas encararam MiSoo com certa desconfiança quando ela disse que estava tudo bem, mesmo depois da cena que Bo-Mi presenciara. Era engraçado como elas sempre desconfiavam da resposta umas das outras, pois eram super-protetoras e gostavam de ter certeza de que estava tudo bem mesmo. Tanto Bo-Mi quando Eun-Bi encararam MiSoo por um tempo a mais até que o assunto continuou.

    Eun-Bi não sabia, ainda, da situação do broche, por isso ficou confusa. Já Bo-Mi, demonstrou surpresa.

    - Não? Então quem deve ter sido? - Ponderou por um instante, mas a história do camarote chamou sua atenção. - Ooh, vejo que alguém está mudando de opinião. Ainda bem que a Mia-Yah não está aqui para fazer aquela cara de ‘eu te disse’. Mas eu posso dizer… - Pigarreou e fez um aegyo para dizer - Eu disse que ele estava parecendo um oppa. Agora é um oppa mesmo, não é?

    Sorriu e olhou ao redor. Eun-Bi não se manifestava porque nem tinha prestado atenção em Hyun-Hee antes. Só sabia do cabelo de fogo, mas enfim, esteve envolvida em outras situações e seu foco sempre era na direção de quem sentava ao lado dele. Não dele.

    - Nossa, sua mãe errou? - Comentou. - Será que ela ficou frustrada por isso?

    - Talvez não. Sentar ao lado de um Park deve ser melhor do que de um Han. Quer dizer, considerando, claro, o peso do sobrenome. Mas eu gostaria de sentar ao lado do Minhyun-shi. Ele é tão legal, né? - Bo-Mi deu sua opinião e o olhar acabou procurando por ele.

    Tombou um pouco a cabeça ao lado quando viu que estava conversando ao lado de seu irmão. Teve curiosidade - uma constante em Bo-Mi - de saber sobre o que falavam, mas deixaria isso para lá até chegar em casa e obrigar Gyu a contar tudo.

    As três deram conta que Ji-Eun não estava por ali e ficaram um tempo se perguntando se estava tudo bem com ela. Lamentaram por terem sido egoístas, mas a verdade foi que Ji-Eun nem reparou naquilo, estava focada em outra coisa quando as amigas se encontraram. Enfim, Eun-Bi também não se importou muito pelo salto alto, apesar de estar sim com dor.

    Tinha colocado por pura teimosia, mas tinha sido uma burrice. Era o problema de nunca dar o braço a torcer, mesmo estando errada.

    MiSoo começou a olhar ao redor e finalmente encontrou Minhyun naquela festa. O rapaz estava ao lado de Gyu-Sik e, no momento, havia uma menina com eles. A garota parecia focada em Gyu-Sik e fez uma reverência formal, de quem se desculpa. Logo a menina saiu e ainda era um pouco difícil reconhecer aquele rosto. A saída dela pareceu ter inspirado MiSoo a tomar a iniciativa de ir até lá para contar a novidade para Gyu e, também, cumprimentar Minhyun.

    - Claro! - Bo-Mi concordou na mesma hora.

    Eun-Bi chegou a abrir a boca, mas seu celular vibrou. Parou por um instante e leu a mensagem que sua mãe tinha acabado de enviar. Ergueu a cabeça, olhando ao redor e quando cruzou o olhar com ela, fez sinal como se pedisse apenas mais um pouco. A mãe só fechou os olhos, trincando a mandibula e Eun-Bi deu um suspiro pesado.

    - Ahm...Eu gostaria de ir, mas minha ommoni está me chamando para a foto… - Comentou um pouco mais baixo. - Acho que ela vai querer voltar para o camarote depois disso. Miane…

    Murmurou e deu um breve abraço nas duas, numa silenciosa despedida antes de seguir até a mãe. Mal ela saiu e Bo-Mi bufou.

    - Ela não está bem. Certeza que não foi só a Ópera… - Disse um pouco desconfiada. - Tsc...Que coisa mais chata isso. Por que ela não podia ficar com a gente?

    Se olhassem por mais um tempo, veriam que a mãe segurou no pulso dela e logo indicou um lugar para que ela se sentasse e tirasse a foto com ela. Depois disso, obrigada Eun-Bi a tirar fotos com Jimin e a familia Do inteira - Taemin não estava ali, para alívio delas. Eun-Bi dava “sorrisos de Monalisa” para as fotos sob o atento e desconfiado olhar de sua aborrecida mãe.

    Bo-Mi meneou negativamente e seguiu até o irmão e Minhyun no ritmo que MiSoo quisesse. Os garotos estavam tomando suas respectivas bebidas e conversando sobre os clubes quando as duas se aproximaram. Pararam o que estavam fazendo e olharam para elas. Minhyun era o mais velho dos quatro, então, era o que demandava maior respeito ali. Mesmo assim, a postura do rapaz era bastante tranquila, numa aura bondosa e gentil.

    - Boa noite, MiSoo-shi...Bo-Mi-shi. - Falou com as duas. - Se me permitem o elogio, as senhoritas estão belíssimas esta noite. Ouso dizer que temos a companhia das mais belas.

    Bo-Mi deu um sorriso timido, abaixando a cabeça de modo recatado.

    - Minhyun-shi é muito gentil. - Ajeitou o cabelo.

    Gyu-Sik apenas concordava, mas arqueou uma das sobrancelhas quando ouviu aquele comentário de MiSoo. Fez um bico.

    - Hunf, nunca mais te elogio também! - Disse brincando, mas sorriu para ela. E o modo como a encarava também era diferente porque não conseguia não encará-la ainda mais tão perto assim.

    Era como estar diante da mais bela obra de um artista e só conseguir admira-la - até porque, não podia tocá-la. Antes que o olhar fosse constrangedor, ele abaixou o olhar para os próprios pés e ficou testando a base das pernas.

    - Como estão? O que acharam da Ópera? - Minhyun começou a puxar assunto pelo básico, pulando as formalidades para que elas se sentissem à vontade para conversar.

    Gyu-Sik deu um gole em sua bebida, interessado em ouvir a resposta de MiSoo.

    [...]

    MiWoo era um homem acostumado a viver no limite. Aquela situação, de ser pego “no flagra” não era inédita, na verdade já tinha acontecido incontáveis vezes, nos mais variados lugares. O problema era que, daquela vez, não era qualquer affair que o via em ação com outra mulher. Sim, mulher, pois era isso o que Ji-Eun era.

    Quem o olhava era, apenas, Seo Hyemin.

    Sua futura noiva, como sua mãe gostava de destacar em todas as conversas que o nome dela surgia.

    Já tinha o que? Três anos que essa história estava rolando? Algo assim. MiWoo sempre soube que casaria com uma herdeira de ranking 1, independente da diferença de idade. Só não imaginava que fosse acontecer “tão cedo”. Ainda estava na casa dos 20 e poucos anos e já tinha que lidar com aquela responsabilidade.

    O pior era que nem podia aproveitar do status porque a menina era...bom, uma menina. Era menor de idade e, mesmo ele, tinha um código de honra. Em contrapartida, enquanto sua futura noiva ainda era uma garotinha, ele era um homem e que não abriria mão dos prazeres da vida, nem de sua juventude e beleza para “esperar por ela”. Quem fazia isso era mulher, não é?

    Ela que se mantivesse intacta, então, esperando por ele.

    Não o contrário.

    Só não podia ser pego. E isso acabava de acontecer.

    Que droga! Por que teve que perseguir aquele perfume? O cheiro impregnava seu travesseiro desde quarta-feira e, somente nessa manhã, foi substituído por outro. Só que esse novo era muito doce e ele sentia falta do cheiro de Ji-Eun. Quando a viu vestida daquele modo, olhando para ele enquanto a prima - belissima prima - falava com outra - belissima, #saudadesWangJo - menina, simplesmente não pôde se conter.

    Precisava provocá-la, precisava convidá-la de novo.

    Quem se importava com aquela Ópera, afinal? Eles podiam terminar a noite no loft dele, desfrutando de um bom vinho e da companhia um do outro. Era o que pretendia sugerir depois de entregar o brinco que tinha encontrado depois que Ji-Eun foi embora. Ironicamente, realmente o encontrou na porta do banheiro e foi a primeira desculpa que surgiu em sua mente quando viu que Hyemin os encarava.

    Agora estava pisando num campo minado e tomando todo o cuidado do mundo para não detonar nenhum explosivo.

    Estaria condenado se ela fizesse um escândalo ali. Ji-Eun, sabiamente, começou a sair de cena, do modo mais discreto e sutil possível enquanto MiWoo se aproximava com cuidado, mas segurança de Hyemin. A menina estava com a cabeça abaixada, mostrando humildade e paciência.

    E, quando o encarou, MiWoo não identificou raiva ou julgamento para cima dele.

    Era...Algo que ele não conseguia reconhecer, mas não era voltado para ele, então..Tanto faz. Se ela não fizesse nenhum tipo de escândalo e continuasse agindo daquele modo educado, gentil e refinado, estava tudo bem. Significava que ela sabia o lugar dela e que o relacionamento deles teria tudo para dar certo.

    Hyemin era, de fato, surpreendente. Porque demonstrava ser a escolha mais acertada de todas.

    Era quase um alívio.

    - Chata? - Arqueou uma das sobrancelhas, dando um sorriso logo em seguida. - Eu também achei um pouco…

    Disse de modo divertido, aliviando a tensão do momento, pelo menos tentando. Sua cara de pau não tinha limites mesmo. Na verdade, ela piorava porque não tinha visto nenhum tipo de acusação ou ódio nos olhos de Hyemin, então, não tinha que se preocupar com absolutamente nada. Só precisava fazer o momento virar para ela de novo e tudo ficaria bem de novo.

    As mãos dele voltaram para os bolsos da calça, esperando que ela contasse o porquê de estar ali.

    Se ela dissesse que estava procurando por ele, isso o faria muito feliz. E ela disse! Mesmo que indiretamente. MiWoo deu outro sorriso e, então, levou a mão - a mesma mão que estava segurando o brinco de Ji-Eun e foi tocada por ela alguns instantes atrás - até o maxilar de Hyemin, Deslizou bem delicadamente o polegar pela linha da mandíbula até que polegar e indicador encontraram o queixinho dela.

    - Você já é uma fotografia, Senhorita Seo. - Sorriu. - Vamos, tenho certeza de que teremos as melhores fotos de hoje. - Afastou a mão dela indicou para que ela caminhasse de volta ao salão, na frente dele.

    MiWoo só estava dando espaço para que ela andasse primeiro porque ele estava apenas meio passo atrás dela, mas ao seu lado. Os dois ocupavam o corredor inteiro, por assim dizer. Logo retornaram ao salão e já seguiram direto até os familiares.

    - A Senhorita Seo me falou que está na hora das fotos. - Comentou de modo tranquilo. - Podemos, então?

    Só faltava eles mesmo - E Sunyoung - mas para os Wang e Seo, Hyemin e Miwoo eram as peças que faltavam. A família teve muito foco. Os Wang juntos, os filhos e o patriarca, os netos, Wang e Seo, família de MiWoo e família de Hyemin. Hyemin, o pai e a tia. Foram vários disparos e Hyemin precisava dominar o sorriso mesmo diante de tamanha infelicidade pela qual passava.

    O noivo conseguia sair descontraído e poderoso em todas as fotos. Era quase como se tivesse nascido com um flash na cara.

    Se era tão fácil para ele, talvez fosse fácil para ela também.

    Bastava sorrir.

    [JAE-KI]

    06/04/2019 - Sábado
    10:30 P.M.


    Jae-Ki explicava seu ponto de vista que relacionava WangJo com um currículo melhor e JR apenas conseguia concordar. Bom, na teoria era bem fácil compreender. Jae-Ki estaria convivendo com os filhos dos patrões, talvez realmente conseguisse vaga em alguma empresa como qualquer coisa, não é? Mas se ele já vinha com um discurso desse, chamando todos de dondongori, será que não estava tirando essa possibilidade de sua lista?

    Quer dizer, se ele ganhar a antipatia dos herdeiros, eles com certeza dariam um jeito de boicotar Jae em algum momento. Pelo menos foi isso o que JR pensou, mas ele resolveu ficar na dele porque o garoto já estava passando por um momento denso demais.

    Fora que ele não era o tipo de pessoas que cortava plano dos outros.

    - Compreendo… - Foi tudo o que conseguiu dizer. - Esse tal de professor Kim parece legal.

    Jong-Suk apenas concordou, porque matematica era a única matéria que ele tentava ir bem, só porque gostava do professor Kim. Agora, então, que ouvia que o “cara” tinha pago até o uniforme de Jae, sua admiração por ele começava a subir também.

    Porém, Joon-Geun logo cortou aquele momento, comentando sobre a garota e isso pegou Jae-Ki de surpresa, como um soco no estômago.

    - Tá, mas você tava falando de uma garota nova. Uma garota que você nunca tinha comentado antes. Ou ela é nova no trampo ou tu conheceu nesse colégio aí de rico. Tá namorando uma ricaça, Jae? Vai dar golpe do baú…?AIISH

    Joon-Geun explicou sua linha de raciocinio, mas aí começava a viajar demais e tomou um soco na cabeça de JR. Ficou massageando a região, fazendo uma cara de vítima, mas também já se afastou de Jae-Ki, meio que indo na direção de Jong-Suk.

    - Só fala besteira mesmo! - JR rosnou. - É uma rica? - Mas também ficou curioso por saber. Na visão dele, o menino só estava se enrolando mais e mais.

    Chegava a dar pena.

    O pior era que Jae nem tinha como fugir dessa. Depois de omitir sobre a WangJo e ter aquele tipo de reação vinda de seus amigos, ele não deveria mesmo omitir mais nada. Os três estavam esperando uma resposta. Jong-Suk até tinha falado tudo o que achava e porque estava tão irritado com Jae. Era uma mistura de traição de confiança com preocupação com o que ele poderia sofrer.

    Jae resolveu, então, falar de modo geral. Não entrou em detalhes sobre como conheceu e como ela o deixava confuso, mas logo dizia que não se importava com ela, nem nada do tipo. Esse tipo de “mentira”, os amigos conseguiam compreender - menos Joon-Geun porque ele nunca tinha gostado de ninguém. Mas JR e Jong-Suk podiam reconhece ro estado de “negação” em Jae.

    - Vou te contar um segredo: nós nunca entendemos as mulheres. - JR foi bem direto e os outros acabaram dando uma risada.

    Muito embora soubessem da filosofia de Jae, os amigos não eram loucos de achar que ele viraria um monge budista. Isso nem combinava com Jae. Cedo ou tarde, ele se encantaria por alguém, independente dele ser pobre ou não. Mas não ficaram implicando muito enquanto andavam pelas ruas.

    Agora que Jae tinha começado a falar, ele não tinha previsão de parar.

    - Sim, você foi um idiota. - Jong-Suk concordou.

    E então vieram os relatos da primeira semana que acabaram despertando uma série de risadas em Joon-Geun, pelo modo que Jae contava e foi se espalhando para JR e Jong-Suk. Logo os três estavam rachando o bico enquanto visualizavam Jae sofrendo tudo isso e sem poder brigar. Olha logo quem tinha que se conter!

    - Acho bem feito! É um castigo merecido! - Jong-Suk disse entre os risos.

    Jae terminava seu discurso explicando que não fazia isso por ele e sim por um futuro para Soo-Ji. Depois de ouvir tudo aquilo, Jong-Suk não estava mais puto, apenas irritado. Mas ia passar com comida.

    Eles pararam, então, numa barraca que vendia Odeng - massa cozida feita de peixe e com molho apimentado. O caldo apimentado era à vontade, só pagavam o espetinho -e Beotteo Ojingeo - lula seca defumada com manteiga.

    - Certo, Jae. Só...Não minta mais, ok? - Jong-Suk o encarou. - Ou omita, enfim. Omitir é quase mentir e você sabe como isso só traz problemas. Agora vamos comer e deixar isso um pouco de lado, ok? Ainda vamos dar uma volta pelo distrito pra ver como é.

    comidas <
    Ailish
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Sex Jan 05, 2018 11:36 pm

    Estava bastante satisfeita com os resultados das compras, mesmo levando mais do que o necessário e planejado. No entanto, quando se falava de livros, Sunny não tinha a menor pena em gastar... o que era uma enorme ironia, já que na biblioteca em que trabalhava, podia pegar os exemplares quando desejasse e de graça também! Porém, a sensação de tê-los fazia toda a diferença... Como seus adoráveis pestinhas, Sunny tratava as coleções com extremo cuidado e carinho. Enquanto pagava a última remessa, ela checou o horário no celular e tomou um enorme susto.

    Sete horas!

    E eles ainda teriam um loooongo retorno para casa.

    Kim carregava a maior parte das sacolas, um gesto muito gentil e atencioso, e que não deixava Sunny surpresa. Mas, não permitiu que suportasse o peso inteiro. Ela segurava duas bolsas, bem mais leves. Durante o caminho até o ponto, conversaram sobre a tarde, evitando automaticamente um assunto particular por razões óbvias. No ônibus, Sunny passava as fotos que tiraram e aquelas mais engraçadas e vergonhosas, usou para chantagear Kim, dizendo que se ele fosse malvado, postaria nas redes sociais. Enfim, quase alcançando a metade do percurso, acabou adormecendo e assim permaneceu ao longo da curta viagem. Próximos de descerem, ficou na responsabilidade de Joo-Hyuk acordá-la. Além disso, o garoto insistiu e a acompanhou até a porta de casa, algo que não fugia do comum.

    - Tchau, Kim! Heeey, não esqueça de avisar quando chegar!!!

    Ela o convidou para entrar, mas não insistiu muito já que ambos estavam extremamente cansados depois de tanto baterem perna por aí. Todavia, assim que colocou os pés no interior do lar, doce lar... foi pega desprevenida por uma avalanche de latidos e patinhas velozes. Graças a um milagre, não derrubou as sacolas e nem caiu no chão. Caso contrário, tornaria-se refém daquelas pestinhas fofas. Distribuiu afagos, beijos e denguinhos, dando a atenção a cada um dos amorezinhos, sem distinção. Não demorou para que o irmão mais velho viesse socorrê-la.

    - Ah é? Pelo que tô vendo, alguém aqui já está com a boca cheia... Booooolo!

    Não estava disposta a sair, porém não ia fazer desfeita. Terminava de se levantar e entregava algumas bolsas para Yi-Hoo quando o pai apareceu. Sunny o recepcionou com um sorriso – Appa, oi! – o gesto aumentou conforme o sr. Kim analisava a quantidade coisas e o comentário arrancou risos – Mas papai... Eu não resiiiistoooo! – mostrou um beicinho exagerado que logo se desfez assim que ele lhe deu opções – Vou tomar um banho super rápido e podemos ir na tia YuMi! Só de pensar na comida da titia, minha barriga ronca – para enfatizar, pressionou o estômago de forma dramática.

    Após dar um beijinho na bochecha do pai, ela e Yi-Hoo foram ao quarto de Sunny, onde pediu para que o irmão deixasse as compras na cama. Antes de escolher a roupa, decidiu verificar o celular e ver se Kim mandou mensagem.

    - Caaaaaramba!

    Exclamou sozinha enquanto esperava todas as mensagens do grupo carregarem. Tea aproveitou a brecha e pulou para o colo de Sunny, que de tão pequeninha, se ajeitou com facilidade.


    “Gente, só cheguei em casa agora! Está tudo bem com vocês?
    E a Ópera???
    Mandem notícias T___T

    Chae, que lindaaaa!
    Esse vestido é maravilhoso e você ficou ainda mais bonita!

    Não se preocupa, amiga! A Hye-Won parece legal, tenho certeza que irá se divertir muito e trate de contar os deeeetalhes!”


    Só veria as respostas depois do banho, que realmente foi rápido, para a tristeza de Sun-Hee. Vestiu uma calça jeans básica e um suéter azul-escuro com vários bichinhos na estampa. Nem mesmo secou o cabelo ou se maquiou.

    A filha do diretor, de fato, parecia ser uma menina bem bacana. Assim como Chae, não portava o ar esnobe das outras garotas do WangJo ou agia de modo afetado com a presença dos bolsistas. Inicialmente, gostou de Hye-Won, mas era cedo para uma opinião mais concreta.

    Estranhou Stella não ter dito nada, mas logo se lembrou que ela e Dong passaram a tarde juntos, e talvez ainda estivessem estudando ou jogando, vai saber. Fez uma anotação mental para mandar uma mensagem assim que voltasse do restaurante.

    Faltava apenas o aviso de Kim para sentir-se em paz.

    - Estou prooooontaaaa!

    Gritou quando saiu do quarto, guardando o telefone no bolso e o outro braço segurava uma manhosa bola de pêlos caramelos, como se ela fosse a sua bolsinha indispensável.
    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sab Jan 06, 2018 1:26 am

    - Foi? - piscou e se animou um pouquinho quando Miwoo comentou que também tinha achado a Ópera chata. Sua expressão confusa era muito melhor do que as gargalhadas na mesa, massagens nas têmporas ou olhares irritados. Pelo menos ele era gentil. Não que achasse que tinha feito a melhor coisa em dizer abertamente que odiou aquela droga daquela história, mas ele pelo menos não a estava recriminando. Sentiu-se um pouco amparada, embora continuasse vestida daquele mal estar. Era meio parecido de quando ele tinha falado de alguns professores chatos da Wangjo. Sentia que podia ter alguma coisa em comum.

    O clima ainda continuava meio estranho, quando ela decidiu falar sobre a foto e, por sorte, ele não reagiu mal aquilo. Pelo contrário, sorria bastante. Ela não entendia mesmo por que ele estava tão feliz para sorrir tanto. Era como se nada tivesse acontecido e ela começava a achar que talvez não tivesse acontecido mesmo. Devia ser algo a ver com sua maturidade, felicidade com a própria vida, confiança em si mesmo, sei lá. Devia ser muito bom ser Wang MiWoo, pensava. Bem, era estranho estar chateada, porque só estava sendo criança com inveja de uma mulher mais velha e obviamente mais adulta. Não faria o menor sentido dividir esse seu problema pessoal com o noivo. Ele lhe dava uma sensação estranha de que tinha sonhado a cena anterior e exagerado um bocado em seus sentimentos. Isso não fazia com que se sentisse menos pior, mas se esforçava para não tratar mal o noivo que não tinha nada a ver com sua insegurança.

    De repente, ele a arrancou de sua apatia com aquele toque inesperado. Ergueu um pouco o rosto e por reflexo deu uma pequena recuada inicialmente, fugindo daquela mão, mas algo a dizia para ficar, e ela permaneceu. Tinha esperado a Ópera toda para passar algum tempo com o noivo e agora estragaria tudo por ser infantil? Bem, não era como se soubesse o que devia fazer, ela apenas soltou as mãos e ficou paralisada sentindo os dedos dele percorrerem seu rosto gelado. O que se fazia nessa situação? Era para ela fazer alguma coisa? Ela tinha que fazer algo? Por favor, alguém precisava contar isso urgentemente, porque não estava em dorama nenhum o que fazer nessa hora.

    Nenhum garoto nunca tinha encostado nela daquela forma. O único homem que já tinha feito algo minimamente parecido era o pai e para dar broncas ou limpar sujeira de bolo. Ela não estava suja, estava? O coração apertou novamente, mas dessa vez ela considerava que era algo bom. Devia ser. Seus olhos aumentaram e ela engoliu saliva já que não conseguia dizer nada e tinha medo de, sei lá, babar ou  balbuciar.

    Botou a culpa no frio que tinha sentido segundos atrás, mas agora tinha arrepiado inteirinha, principalmente porque ele não tinha o menor embaraço de fazer isso e parecia saber exatamente por que e o que estava fazendo. Sentiu-se envergonhada por ser tão vulnerável e estar um pouco assustada por uma coisa tão simples, mas é que não fazia ideia do que ele iria fazer, nem como o movimento pararia, o que a deixava mais ansiosa, até que ele falou.

    Senhorita Seo. Uma fotografia. Ela quase chorou ao ouvir aquele elogiou com voz suave. Era uma mentira tão ruim, mas tão boa de se ouvi! Aceitou. Não que MiWoo fosse um mentiroso, mas depois de sua autocomparação, estava bem óbvio que não dava para se considerar nada daquilo. Mesmo assim, era apaixonante e adorável como ele tentava fazê-la sentir-se bem, ou pelo menos era o que ela achava que ele estava fazendo. Como um homem adulto, provavelmente tinha notado sua expressão tristonha e, em vez de recriminá-la, estava tentando fazê-la ficar bem. Piscou três vezes rapidamente. Para ficar patético de vez, só se ela chorasse de verdade, como estava quase fazendo, mas respondeu com um sorriso ainda fraco, mas muito melhor do que os anteriores. Expressava gratidão, pela tentativa dele em ser gentil. Era quase como quando o pai fazia comida se brigassem ou Yerin lhe dava um microsorriso. Aquelas atitudes pequenas tinham que ser aplaudidas.

    Tinha que parar de ser chorona. Não tinha acontecido nada. Seu noivo ainda era super gentil com ela. No fim, estavam destinados a ficar juntos. Aquela mulher devia ser sua colega, amiga, tanto faz. Normal, não é?Provavelmente não era a única amiga, ele devia ter muitos colegas homens e mulheres da época da Wangjo e é claro que todo seriam bem mais próximos que ela, que o conhecia muito vagamente por eventos. Estavam começando agora… ela não podia ficar se sentindo tão mal por causa de uma única pessoa, podia? Se não tivesse ido de vermelho, então não estariam combinando e essa era uma lembrança preciosa que ela queria guardar. Nana tinha escolhido tão carinhosamente aquele vestido… a amiga tinha feito tudo pelo seu bem e com toda a dedicação. Era até injusto desprezar o vestido e os elogios de Sunyoung também.

    Sorriu sem jeito. Se ele soubesse metade do que ela estava pensando, seria até um pouco ofensivo. Criando confusão enquanto ele só estava querendo ser normal. Ou melhor… um grande cavalheiro que ainda fazia seu coração bater todo errado. Nem tinha onde enfiar a cara depois que ela a soltou, também não sabia se tinha feito algo errado ao não reagir, mas agora queria era andar na frente mesmo.

    - Está bem... - sua energia extrema já tinha ido embora, mas ela continuava conseguindo ser fofinha, porque estava um pouco envergonhada com o elogio e a atitude. Fez uma leve reverência, pedindo licença para andar e puxou o vestido, seguindo na frente e beneficiando-se do fato que ele não podia ver seu rosto.

    Ainda era muito desconfortável estar vestida assim, ainda não queria que as meninas do segundo ano a olhassem como estavam olhando Sunyoung, achando que algo ruim tinha acontecido. Ninguém podia saber que ela tinha se sentido daquele jeito tão deprimente agora há pouco. Para todos os efeitos, a Ópera tinha sido maravilhosa e ela tinha dado os primeiros passos para ser mulher ao usar aquele vermelho. Era o que queria contar para os outros.




    Porém, como estava na frente, ela permitiu-se desfazer um pouco o sorriso. Estava cansada e nem tinha acontecido nada. Esperava de coração que seu noivo não achasse que ela era uma doida ciumenta, ou que estava fazendo uma grande cena. Esforçava-se bastante para não transparecer todo seu drama.

    Acompanhou MiWoo até a família e olhou a tia e o pai sem muito entusiasmo. Queria de verdade que nenhum dos dois achasse que ela estava infeliz, porque seria muito complicado explicar que teve uma crise de ciúme boba, principalmente quando alugava os ouvidos de todo mundo por causa daquele amor e de repente estaria reclamando? Só queria parecer normal. O que já era atípico para a flor da felicidade unicorniana. Ela estava dosada e comportada, quase como se não fosse hiperativa.

    Sorriu diante da fala do noivo, agradecendo por ele poder fazer o papel de falar com os outros, que era exatamente o que ela não queria fazer. Só segurava os lábios naquele formato de Monalisa, assentindo e esperando. Engraçado como poucas horas atrás estava pulando com a possibilidade daquelas fotos.

    Ela foi até o fundo dos patrocinadores e ao virar-se observou o grupinho de Misoo e suas amigas. Será que ela a tenista era mais feliz do que ela? Era a mais linda da noite e dificilmente teria que competir com sua prima, achava inocentemente. Tinha uma mãe. E ela era estilista. E um pai, que era cirurgião. Talvez fosse legal. Além disso, namorava Jung Mi, que era um grande amigo. Se estivesse noiva de Miwoo, ele talvez apreciasse de verdade seu vestido e visse nela a beleza de família. Talvez pudesse devolver o tal do brinco pessoalmente para ela.

    Percebeu que estava divagando quando teve que ser realinhada com o restante da família, por ordens do fotógrafo.

    É mesmo, tinha que sorrir.




    A menina forçou um sorriso sem graça, segurando nervosamente a bolsinha na frente do vestido.

    Como era ruim ser fotografada sentindo-se daquele jeito. As lentes pareciam ler sua alma e ela morria de medo que os fotógrafos de repente começassem a rir dela ou a olhar.. Daquele mesmo jeito que Joo Hyuk fazia. Morria de medo de ser uma piada, de ser vista com pena, de que todo mundo percebessem que ela era uma farsa naquele vestido ou que notasse como estava triste. Quando olhassem suas fotos, ela queria que sentissem a mesma coisa que ela sentia ao ver instagram de Myeon, Peach, Yoon Shin-Hee, MinT… queria que as pessoas comentassem que ela estava bonita e que queriam ser como ela.

    Ela virou o corpo e deu um novo sorriso, menos forçado, mais posado, e torcia para estar sendo convincente e cada nova foto parecia mais fácil de fingir. Quando finalmente pediram para que os Seo se reunissem sozinhos, um tipo de aura esmagadora deu uma trégua  e ela não percebeu, mas foi ao lado do pai e da tia quando deu o melhor sorriso que tinha condições no momento. Não era a coisa mais sincera do mundo, mas era o mais natural que possuía naquele momento, ao lado das duas pessoas mais importantes para ela.




    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Sab Jan 06, 2018 2:09 am

    Era sempre bom ter aquelas amigas que se preocupavam tanto com o estado de MiSoo, mas ela não queria incomodá-las ou preocupa-las com o que acontecia em sua casa e com os problemas que sua mãe lhe causava. Não queria ficar reclamando o tempo todo nem tomando o tempo das amigas. Gostava de vê-las sorrindo e sempre se sentia melhor nessas ocasiões. Era graças às amigas que já estava se sentindo bem melhor agora.

    - Não sei, BoMi-yah... Aish! - fez um biquinho irritado quando BoMi fez o aegyo e começou a comentar sobre ela estar certa - Não sei ainda se ele é algo próximo de um "príncipe", como você falou mais cedo, acho bem difícil...E não vou chamar ninguém de oppa!- cruzou os braços, assumindo uma pose meio arredia, mas logo relaxou e deu uma risadinha.

    À essa altura, as amigas de MiSoo provavelmente já sabiam que ela só usava o honorífico "oppa" quando era forçada à tal, talvez porque o único "oppa" de sua família fosse o primo e ele era uma péssimo exemplo, assim como sua irmã não era mais chamada de unnie há muitos anos, mas nesse caso ainda tinha a prima a qual gostava de atribuir o honorífico.

    - Ah... Nem sei. - comentou com certo desinteresse acerca do comentário de EunBi sobre a possível frustração da mãe.

    BoMi, que costumava ser mais ligada à esse jogo de nomes e rankings, logo dá sua opinião sobre o assunto de quem estava no camarote ao lado do das famílias Yeun e Kwon.

    - Eu não conversei muito com Han Minhyun, mas parece que é sim. Me parece um garoto legal. - concordava, com uma carinha pensativa, porém engraçada, enquanto olhava para o teto do local.

    MiSoo já estava com a mente voltada para a sede que começava a sentir depois de tanto tempo de ópera. Será que não se sentiria mal colocando algo para dentro do estômago quando ele estava tão comprimido para poder caber naquele vestido?

    O pensamento foi afastado quando a conversa se voltou ao desaparecimento de Ji-Eun e depois para o tornozelo machucado de EunBi, o qual MiSoo ainda não estava convencida de que estava tão recuperado assim, porém nenhuma dessas duas conversas teve muito resultado, afinal.

    Quando finalmente ficaram sem assunto e MiSoo começou a se sentir meio entediada - ou a se lembrar o quão desconfortável era vestir aquela peça de roupa mais os sapatos - ela sugeriu de as garotas lhe acompanharem até o irmão de BoMi e garoto que o acompanhava. BoMi aceitou imediatamente, mas a resposta de EunBi precisou ser diferente.

    EunBi também tinha problemas com a mãe que eram bem conhecidos pelo grupo. MiSoo sempre se sentia mal quando a mãe dela lhe obrigava a fazer algo. Sabia como era a sensação e se sentia como se aquilo fosse com ela mesma. Os motivos eram diferentes... Eram diferentes mesmo? Ambas as mães queriam, de certa forma controlar a vida de suas filhas, só que faziam isso de maneiras diferentes, mas o estrago estava sempre lá, escondido em algum canto, corroendo as garotas por dentro.

    - Awnnn... - a tristeza se fez bem aparente no rosto de MiSoo quando EunBi disse que precisava ir tirar as fotos com a mãe e os Do e que provavelmente não voltaria mais para as amigas - Tem certeza...? Está bem, EunBi-yah... Não precisa se desculpar. - concordou de modo super desanimado - Boa sorte com as fotos e com o resto da ópera. Espero que não seja tão triste quanto foi até agora. - desejava fazendo a pose de fighting, mas lembrando-se como estava o rosto da garota ao se encontrarem ali.

    Devolveu um abraço numa tentativa de reconforto à amiga e apenas acenou para ela, enquanto EunBi se afastava da dupla.

    Depois que a bailarina se separou do grupo, BoMi aproveitou para comentar que não acreditava que a amiga estava bem.

    - Aigo... Eu também acho. - bufou e deixou os ombros caírem - Ye. Ela já não ficou conosco no início... Podia ficar agora. Mas ommoni dela não deixou...

    Enquanto caminhavam naquele ritmo meio devagar até onde a dupla de garotos estava, MiSoo conseguia ver a movimentação da sessão de fotos de EunBi, a mãe e a família Do e não tinha sinal algum de Taemin. Se ele não estava na ópera então não deveria ser o motivo de EunBi estar tristinha daquele jeito. Para MiSoo, era óbvio que a bailarina não estava gostando de estar lá, em meio àquelas pessoas, tirando as fotos por obrigação. Era como MiSoo que não queria estar vestida do jeito que estava e se sentindo tão insegura, muito embora os elogios que tinha recebido já começavam a lhe deixar um pouco mais confortável com a situação.

    Quando se aproximaram dos garotos e MiSoo falou com eles, Minhyun logo mostrou-se muito educado e gentil, cumprimentando a dupla de garotas e as elogiando sem nenhum constrangimento.

    O elogio repentino e exagerado - pelo menos da cabeça de MiSoo - tinha deixado a garota congelada no lugar, sem saber o que fazer. É claro que o rosto começava a ficar meio vermelho com tais palavras e a garota perdia completamente a ação. Com os olhos meio arregalados, mas sem mexer o pescoço, MiSoo olhou meio que pelo canto dos olhos primeiro para Gyu-Sik e depois para BoMi, por fim observando como ela se portava com aquelas palavras.


    Os lábios da garota se curvaram em um belo sorriso, mas antes que conseguisse agradecer à Minhyun, Gyu-Sik respondia à sua implicação com outra, tirava a atenção dela do elogio e, consequentemente um pouco do nervosismo - e vergonha - causado pelas palavras do garoto do segundo ano.

    MiSoo repidamente respondeu à Gyu-Sik em forma de uma carinha triste e indignada.


    No entanto, com a reação seguinte dele, MiSoo logo transformou a careta em um sorriso divertido. Até então nem tinha pensado em receber mais elogios dele, de qualquer modo. Acabou não prestando atenção outra vez nos olhares do garoto, pois Minhyun já fazia uma pergunta às duas e tomava novamente a atenção da garota.

    - Ah! Estou bem. - fez um discreto biquinho ao concordar com a cabeça, mas ainda sentia o rosto corar ao interagir com ele, pois ter sido chamada de "belíssima" e, junto de sua amiga "companhia das mais belas" estava longe de ser pouca coisa - A ópera... Aish. - baixou o olhar, tentando se concentrar na pergunta - É tão densa, triste. - fez outro biquinho desanimado - Eu já estava até cho-- rapidamente se corrigiu, não queria ficar espalhando por aí que tinha chorado com a peça de teatro - seeentindo muita pena do protagonista. Não é muito o meu estilo de história, mas acho que tanto a música quantos os cenários e roupas e essas coisas estão muuuito bonitos! Então, acho que tirando a parte super triste, está muito bonito... - respondia de um jeito meio hesitante e olhava em direção à BoMi, como se buscasse por um pouco de ajuda ali.

    Depois de receber o elogio, junto de BoMi já tinha até se esquecido por qual motivo tinha se aproximado dos garotos. Ficava difícil pensar direito quando ficava sem jeito com os elogios que não estava esperando. Tinham sido vários e já nem sabia mais se o que Hyun Hee lhe fizera era, de fato, apenas para enganar sua mãe.
    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sab Jan 06, 2018 2:54 am

    - Razoavelmente. Deixei o melhor para o final - deu uma piscadinha de leve e bebeu. Podia referir-se tanto a ela quando à verdadeira festa que começaria depois.

    Riu com a bajulação dela. “O rei” que voltava. Não, noona, você bem sabe que é tudo verdade e desconfio que está falando comigo por causa disso, até.  Olhou para trás, para continuar rindo, mas a direção onde ela tinha apontado não tinha nada nada de bom. Lembrou-se que estava com dor de cabeça. Apertou os olhos e deu um novo gole na taça por pura ansiedade.

    Um trapaceiro que enganava o outro, era assim que funcionava o joguinho político da Wangjo. Quando se fazia uma escolha potente, outra ficava de lado. Enquanto tinha feito a aproximação da garota do terceiro ano, deixou a guarda aberta para que Jongin se aproximasse de quem?


    Era muita cara de pau. Podia fazer algo sobre isso? Devia ter parado e falado com ela?Não. Chaeyoung estava furiosa com ele, podia até tolerar levar um fora de Sunyoung na frente de toda a Wangjo, mas não da joaninha na frente daquele lobo.  Lambeu o lábio, observando a ceninha.

    Vai. Percebe que ele é um lixo e seja bem louca como você é comigo. Vai. Logo. A espera parecia um pouco infrutífera e aquilo estava alimentando sua raiva. A menina tinha uma birra inexplicável dele.

    - Ele é.  - Faltava-lhe uma tiradinha engraçada sobre JongIn em meio a tanto ódio. Ele imaginava o convite que seria feito a Chaeyoung para irem a festa, depois como ele desviaria a menina do caminho, depois como ele a levaria para outro lug---

    Virou de costas. Bebeu de novo. Quando que iriam para uma festa de verdade?

    - Você é bastante observadora, noona. Então acho que já notou que esse lugar está entediante por causa das muitas pessoas que não deveriam ter vindo - deu apenas um passo à frente, passando a falar mais baixo, contando um segredinho. - Quer se divertir? De verdade? - olhou em volta, fazendo todo um mistério em volta do que estava falando, inclinando-se para frente para contar seu segredo. - Se deixar teu donsaeng te levar para um lugar legal depois da ópera, ele vai te tratar como merece. -  Afastou em respeito, com um sorriso. - Quer ir? Vai ser bom. - olhou bem em seu rosto e depois deu uma risadinha, como se só agora se desse conta que parecia estar chamando para um encontro individual, então jogou outras informações. - Se está preocupada comigo, saiba que é uma festa. Só com os melhores. Fiz mal em te chamar?  

    Sua vontade de conseguir levá-la a todo custo na festa agora que sabia que Chaeyoung estava de papo com Jongin era muito grande. Na verdade, isso o deixava até mais atrevido com a veterana. A verdade era que não queria perder para o amigo, embora já tivesse começado perdendo e dificilmente aquela conquista o tornaria vencedor…
    Não se importava se Sunyoung em especial o rejeitasse, mas não queria era ser rejeitado. Apenas isso. Porque seu amigo estava de joguinho e já que ele tinha escolhido Chaeyoung, então ele queria a rainha. Só não sabia ainda que a raiva não ia passar por causa disso.

    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Sab Jan 06, 2018 11:39 am

    Quando JR comentou sobre o professor Kim, Jae-ki balançou a cabeça concordando. Ainda podia lembrar da forma como ele tinha aparecido em sua casa. Era algo que de fato mexia com o garoto. Só que seus amigos sabiam ser bem curiosos e insistentes quando o assunto era garota. Entendeu o raciocínio de Joon-Geun e arregalou os olhos quando ele mencionou sobre golpe do báu, esse cara era mesmo terrível! Mas até JR depois perguntou se ela era rica.

    - Ya! Golpe? Aishh... Pode não parecer, mas eu ainda tenho dignidade! Rica? Ya, eu já falei que não tem nada.

    Jae-ki respirou fundo e só depois de contar de forma geral o que tinha acontecido, que os colegas pareceram se acalmar sobre isso. Mas as palavras seguintes de JR sobre as mulheres o pegou de surpresa, viu os outros segurando o riso. Não era algo animador de ouvir, mas ao menos não era o único a ficar confuso com garotas. Começava a se perguntar se um dia seria possível entender Eun-bi, depois dessa afirmação, não parecia haver muitas esperanças. Jae-ki acabou soltando um riso soprado.

    - Valeu pelas palavras animadoras - Ironizou com o semblante visivelmente cansado por ser um assunto difícil.

    Ele talvez falou demais depois, mas queria provar para Jong-Suk que não tinha nada ver com os ricos de Wangjo e que na verdade havia era se dado muito mal. Só que isso acabou fazendo eles rirem, seu hyung ainda falava que era bem feito. Não era para seus problemas serem engraçados, como iria sobreviver a Wangjo assim? Tinha sido uma semana bem longa e estressante. Jae-ki fez um bico invocado e reclamou:

    - Aishii... Isso não tem graça! Eu tô sofrendo...

    Mas depois de falar e ao ver seus amigos rindo, nem Jae-ki se segurou, também acabou rindo, não tanto quanto eles. Notou que chegava mesmo a ser engraçado pelo absurdo de ter conseguido se meter em tantos problemas em poucos dias. Era bem louca mesmo a ideia de se ver num colégio desses e não poder responder os outros do seu jeito. Fora toda confusão que houve com Eun-bi, seus sentimentos que não o obedeciam, era melhor rir mesmo do que lamentar. Além disso, se os amigos estavam rindo era porque não estavam zangados, gostou de ver que seu hyung Jong-Suk estava rindo depois de tudo. Tá que podia ter sido as suas custas, mas para recuperar uma amizade, valia a pena e ele tava merecendo mesmo ser zoado dessa vez.

    Eles finalmente sentaram para comer, o cheiro do odeng estava ótimo. Apesar de ter estômago para comer vários, Jae-ki se contentaria em comer só um mesmo. Escolheu o odeng mesmo e o mergulhou no caldo apimentado. Enquanto mastigava ouviu as próximas palavras de Jong-Suk, limpou com a mão o canto da boca por onde escorria um pouco de caldo e depois limpou na calça jeans. Meneou positivamente para o hyung, mesmo com as bochechas cheias. Mas para ele parecia um pouco difícil não omitir nada, ainda não tinha falado de Won Bin e Kang porque não queria deixar os amigos com ciumes, o outro logo pensou em golpe de baú, o que pensariam se dissesse que tinha feito dois novos amigos? "Jiral... Eu sou muito enrolado... Mas o Jong-Suk tá certo, eu tenho que contar as coisas ao menos pra ele. Talvez ele soubesse o que fazer."

    - Pode deixar hyung, não vou fazer mais isso. Aishh....... - Colocou a mão em cima da cabeça e as escorregou para a frente dos olhos pressionando contra o rosto por estar estressado - Eu sei que tô muito ferrado, lá eu vou ter que me tornar um maldito otário que não bate em ninguém. Mas deve ter um jeito de me vingar sem saberem que fui eu. - Tirou a mão dos rosto e continuou conversando normalmente com os amigos - Também tem outros bolsistas lá, esses são mais "tranquilidade". Eu sento perto até de dois deles, não me deram problemas. Mas com as garota tá sinistro, parece que todas resolveram declarar guerra contra mim, eu não fiz nada... Eu não sou de me vingar de garotas, mas talvez eu tenha que dar um susto em alguma delas, saca. Só tenho que saber quais são as pragas de lá.

    Sim, Jae-ki tentava contar sobre os dois amigos que tinha feito, mas falava de modo geral. Não queria correr o risco de descobrirem por outros meios. Teria sido mais específico se tivesse só com Jong-Suk.

    - Ah, vocês me dão o palito do espetinho de vocês? Eu vou guardar, posso precisar para alguma coisa. Nunca se sabe né. - Olhou para os colegas continuou com assuntos mais triviais - Sabe o que seria daora? Voltar a pichar. Eu também queria voltar a treinar, só essa semana acho que já deu para enferrujar um pouco.

    Jae-ki sorria enquanto limpava os dentes com a língua dos últimos restinhos que tinha na boca daquele espetinho.


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Sab Jan 06, 2018 2:42 pm

    Won escutava com atenção Ji-Hyun.

    - Sim, eu trabalhava meio período numa loja de maquiagem. Mas… -

    Percebendo como ela perdia a animação ao contar, Won ficou um pouco mais sério.

    "Será que foi uma boa perguntar?"

    Eu tive um desentendimento com o gerente da loja. E...Pedi demissão. Ele disse que eu nunca mais conseguiria um emprego, mas olha aí o que aconteceu.

    Won sorriu em resposta à aquele sorriso gentil.

    "O que será que aconteceu. Deve ter sido algo sério..." sentia empatia diante da situação dela. Não se prendeu a suposições do que poderia ter acontecido apesar da natureza de Won em querer ajudar.

    - Tomara, né? - Juntou as mãos. - Ah! E você sabia que esse emprego é muito concorrido? Quer dizer, não é o único café dessa franquia. Acho que tem mais uns seis espalhados por aí e tem crescido, mas…

    -Verdade, mas eu confesso que não sabia disso até ser contratado haha - não queria "se achar" mas realmente não fazia ideia da concorrência ou como era um café famoso antes de trabalhar ali.

    - É a cafeteria de um idol muito famoso, o Shin-Hee. Você deve conhecê-lo…

    -Ah sim, verdade!

    Conhecia a história dramática de Shin-Hee, em parte pelas notícias que já tinha visto e em parte por conta dos comentários do pai diante da condenação do tal Yoon.

    "Aliás, por que ele estava tão feliz naquela época com a condenação?" nunca tinha associado essas informações antes, será que seu pai teria trabalhado no caso ou conhecia quem trabalhava?

    Só podia supor, mas quando estivesse em bom termos com o pai gostaria de retomar este assunto.

    - Enfim, ele é o dono do café! Quem sabe ele não apareça aqui alguma vez? Eu também gosto dele, será que me dá um autografo? -

    Era fofinha, até mesmo queria um autógrafo do chefe.

    -Eu vi ele essa semana aqui no café. Parece ser bem gente boa pessoalmente - disse de forma casual -Quando ele vier eu distraio nossa chefe e aí você pode pedir um autógrafo - comentou brincando, a chefe com certeza não ia achar isso muito profissional.

    O assunto mudava para sua entrada naquele trabalho e nas músicas. Won não esperava que conhecesse a banda, então só sorriu quando percebeu isso.

    Kang tinha surgido em toda sua glória espalhafatosa. Mais liso que sabão ele respondia como sabia o nome.

    - Porque eu acho que é o que está escrito ali na plaquinha. - Apontou na direção dela. - Não é como se eu estivesse olhando nada além da placa, mas não é Ji-Hyun?

    -Hahaha, nem eu percebi a plaquinha - respondeu rindo um pouco, não tinha notado mesmo.

    Won olha pra Kang com sua cara de (falso) santo. Hwang apenas estreitou os olhos como se dissesse "Você não vale um chá gelado de limão"

    - Araso… - Ji-Hyun respondeu. - Ele é o seu amigo que indicou, então?

    - Eu mesmo!

    Won assentiu com a cabeça.

    -O próprio

    - Que bom que você foi legal assim com o seu amigo.

    - E eu trabalho aqui, então, qualquer coisa que precisar, vem aí no meu horário que eu atendo bem. Dizem que eu sou bom em lidar com as pessoas.

    - É, to vendo. Você é bem falante mesmo.

    - Sim, cara de pau da melhor espécie. -

    -Nunca concordei tanto com você Kang - respondeu rindo um pouco. O amigo mais falante acabava monopolizando um pouco a conversa o que para alguém tímido como Won era algo que trazia mais tranquilidade mas...por que dessa vez Won não achava isso tão legal?

    E você, Ji-Hyun-shi? Tem quantos anos? Qual seu signo? Estuda onde? Tá em qual série? Tem namo...?!!!!!!!COFF -

    Won arregalou os olhos. Até onde ia a cara de pau de Kang? Uma intervenção divina impedia que Kang completasse a pergunta.

    -Ei, Kang, você tá legal? - deu um tapão também nas costas do amigo. Talvez com força maior do que precisava, mas qualquer tapa ia deixar Kang reclamando mesmo.

    - Noossa que mão pesada! Tá roxa minhas costas? - Virou-se para Won-Bin.

    -Você vai viver - respondeu rindo um pouco - Preciso te levar pra treinar um dia Kang, está muito fraco - brincou.

    Não entendeu se Ji-Hyun aceitaria a ajuda pois apenas respondera com um sorriso. Acabara mudando sua opinião inicial: mesmo que fosse uma rival, era alguém gente boa.

    Após almoçarem perguntaria a Kang sobre o que faria hoje a tarde.

    -Ei Kang, aquele lance do parque não vai rolar não é? Eu acho que vou terminar aquela lição do sistema solar hoje. Vou te mandar mensagem se eu estiver sem ideia

    Voltaria ao trabalho. Esperava que o restante do expediente fosse tranquilo e continuaria ajudando Ji-Hyun no que ela não soubesse.


    "Até que foi um almoço legal. Acho que o trabalho aqui vai ficar interessante...tomara que a Hyosang mantenha nós dois" pensava um tanto otimista.

    Quando tivesse algum tempo livre mandaria uma mensagem ao seu pai.

    - Oi. Você vai trabalhar até tarde hoje?
    - Eu queria te perguntar se podia marcar com o médico pra ver o braço. Quem sabe por umas talas. Vai pegar mal eu começar a coçar por dentro do gesso com um hashi



    Era a primeira vez que tentava uma conversa bem humorada com o pai desde o incidente. Torcia para que ele respondesse bem humorado também, ou pelo menos algo perto disso.

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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Sab Jan 06, 2018 11:15 pm

    [NATIONAL THEATER OF KOREA]

    06/04/2019 - Sábado
    10:20 P.M. 10:35 P.M


    - Olha, não sei o que está acontecendo entre nossas ommonis, mas você sabia que a mãe dela não falou com a minha? - Olhou para MiSoo por um instante, enquanto elas voltavam. - Quer dizer, quando chegamos, elas não estavam aqui e mesmo agora no intervalo, a ommoni da Eun-Bi não saiu de perto da família Do. Minha mãe não comentou nada, ainda, mas se eu souber alguma coisa, te conto. Espero que elas não tenham brigado, porque não quero que briga de adulto acabe prejudicando a gente.

    A amizade do grupo de MiSoo vinha praticamente do berço - Eun-Bi ainda no primário e Bo-Mi quando se mudou para o condomínio com cerca de dez anos. As mães eram amigas e não demorou para que as meninas também grudassem umas nas outras. Hoje em dia, MiSoo sabia que sua mãe dificilmente seria amiga de alguém sem algum tipo de interesse e agora ela ouvia essa história de Bo-Mi que acabava indicando que havia um problema entre as adultas.

    Todos sabiam como a mãe de Eun-Bi mudou para pior depois do acidente e do modo como controlava a vida da filha. Havia semelhanças com a mãe de MiSoo, porém, muito mais diferenças. Começando com o fato de Eun-Bi ser filha única e toda pressão, deveres e exigências estarem em cima dela. Aparentemente, não adiantava ter uma genética favorável, ser linda, talentosa, pois sempre haveria uma brecha para reclamações e controle.

    Era algo que MiSoo poderia começar a pensar e se preocupar. Mas podia deixar para depois, pois logo alcançaram os meninos. As duas foram recebidas com bastante cerimônias e elogios sinceros por parte de Minhyun.

    Receber elogios ainda era algo muito novo para MiSoo e ela não sabia como reagir quando isso acontecia. Mal ela imaginava que suas expressões engraçadas a deixavam ainda mais bonita ou, pelo menos, faziam dela única. Bo-Mi sorriu com graça e de modo recato, mas logo olhou para MiSoo e deu uma risadinha da cara da amiga, abraçando o braço dela. Gyu-Sik também a encarava e havia concordância em seu olhar. Ela estava, de fato, lindissima.

    Só que ele não deixaria uma implicância passar em branco e logo fez aquele comentário. O beicinho da amiga quase o comoveu, mas eles logo brincaram daquele jeito que se entendiam e Minhyun começou a puxar assunto. Os olhares voltaram-se para o menino e, depois, para a resposta de MiSoo.

    Eles deram um sorrisinho quando perceberam que ela disse que tinha chorado e Minhyun deu um gole em sua bebida.

    - Então você é o tipo de pessoa que aprecia esse tipo de arte. - Minhyun comentou. - Óperas são o tipo de espetáculo que as pessoas amam ou odeiam. Os mais sensíveis à músicas orquestradas e vozes líricas sentem com mais intensidade, não precisa nem saber a língua para compreender a história.

    - Minhyun-shi é do tipo que aprecia essa arte?

    - Não diria que seja o maior fã, mas eu também fiquei comovido, de certo modo. Não dá para não se identificar, em alguns momentos. - Olhou para MiSoo de novo. - E não tem problema se emocionar por algo que é belo, ainda que triste. - Olhou para os gêmeos para não excluir da conversa. - E você, Bo-Mi-shi?

    - Eu não gosto muito de Óperas com essa temática de dualidade, bem e mal, céu e inferno. Eu gosto das românticas e dramáticas, principalmente se forem histórias de Dinastias. - Foi bem precisa em seu gosto. - Mas, assim como MiSoo-ya também achei muito belo e me emocionei em algumas partes. A atriz que faz a mocinha canta muito bem, né? Parece um anjo.

    Ponderou, fazendo um biquinho. Tinha sido bem sincera, não tinha dito aquilo para agradar um oppa e esse parecia ser o diferencial do grupo de MiSoo. Minhyun sorriu para as duas e concordou. Gyu-Sik continuava quieto porque era mais do tipo observador. A obra tinha mexido com ele também, mas não era tão emotivo ou falante quanto sua irmã, sabia se segurar mais.

    - Ah… - Minhyun disse, de repente. - Você tinha dito que sentaríamos próximos, mas só agora eu a vi. Eu não sei se estive distraído ou se você se enganou, infelizmente. - Parou de beber de sua taça. - Acho que quem sentou no camarote ao lado foi a família Wang, mas acho que só aconteceu isso porque fomos convidados pelos Seo.

    - Pelos Seo? - Bo-Mi arqueou uma das sobrancelhas. - Você está dividindo o camarote com a família da Hyemin-shi?

    - Sim. Eu não cheguei a conversar com ela porque minha irmã logo a monopolizou, mas nós fomos convidados por eles. No caso, pelo Sr. Seo.

    - Hm… - Bo-Mi meneava positivamente. - Que interessante.

    - É… - Minhyun coçou a ponta do queixo. - Minha ommoni e o Sr. Seo são amigos antigos. - Suspirou e olhou para MiSoo. - Enfim, uma pena. Ainda não tinha encontrado ninguém para comentar da Ópera. Gyu-Sik sempre é sucinto em suas análises.

    Gyu-Sik deu um meio sorriso, achando graça e Bo-Mi também foi nesse meio caminho.

    - Ele é sempre assim, Minhyun-shi.

    - Claro, você pegou todo o dom da retórica para si.

    - E a beleza também.

    - Aí eu já não vou entrar no mérito porque estamos em público e não quero escândalos de sua parte.

    - Oppa… - Disse de modo ameaçador.

    - shh shh...Já basta a história do broche, ok? Aliás...A “culpada” me pediu desculpas. Parece que eu estava certo em falar com o hyung que tinha sido um engano. Não foi ele.

    - Park Chaeyoung. - Minhyun comentou. - É uma das meninas novas, mas não bolsista. Ela é bem legal e achei honrado ela vir aqui se desculpar.

    - É, eu também achei. - Gyu-Sik comentou.

    Minhyun olhou ao redor e viu que sua mãe o encarava. Era uma chamada silenciosa. Depois daquela breve conversa, ele se viraria para eles.

    - Bom, estão me chamando. Acho que é pela foto, vocês já tiraram?

    - Já… - Gyu-Sik e Bo-Mi responderam ao mesmo tempo.

    - É, então, nos vemos depois ou na segunda-feira. Foi bom revê-las, senhoritas… - Demorou-se um pouco mais em MiSoo e se retirou, seguindo até sua família. A irmã dele também estava se encaminhando para lá, depois de conversar com Hyun-Hee.

    Hyemin tirava as últimas fotos com sua família quando a família Han chegou. Nem daria muito tempo e MiSoo também seria chamada. Os Yeun e Kwon se uniriam para as fotos e o fotografo pediria para que, em algumas fotos, MiSoo ficasse sozinha e outras ao lado da prima. Ji-Eun tinha voltado há alguns instantes e só comentou que tinha ido ao toalete, de novo, mas não entrou em detalhes no momento.

    Hyun e o avô seriam um dos últimos a tirarem a foto.

    E isso nem seria um grande problema, porque o rapaz vinha aproveitando bastante aquele intervalo, pelo menos até certo ponto.

    Minutos atrás, Hyun-Hee aceitara o desafio proposto por Jong-In. Como era movido por situações impossíveis e adorava correr riscos, ele simplesmente abraçou aquela oportunidade e se aproximou de Sunyoung.

    O comentário dele acerca da festa, fez um sorriso um pouco mais audacioso surgir nos lábios da bela garota. Sunyoung aceitou aquilo como um elogio, talvez com uma pitada de narcisismo e egocentrismo. Foi muito bom ouvir, ainda mais depois da clara dispensa que havia recebido ainda há pouco.

    Porém, Sunyoung estava afim de destilar todo seu veneno e fez um comentário ácido sobre Jong-In, ainda que não imaginasse que ao apontar na direção que o garoto estava, fosse mostrar algo além para Hyun.

    Lá estava Jong-In fazendo seu joguinho de bom moço. A expressão dele era bastante serena e amistosa, como se fosse o moço mais bondoso e responsável da Coreia. Quase como se fosse um Minhyun. Até mesmo o sorriso dele parecia mais gentil. Chaeyoung o encarava com certa surpresa, mas não o dispensava. Os dois logo começaram uma conversa que Hyun não tinha como ouvir, mas tinha toda a atenção da joaninha. Os pedidos de Hyun não foram atendidos porque a garota não o expulsou de perto, pelo contrário, continuou conversando.

    A tensão e seriedade de seu rosto foram sumindo e ela deu uma risada divertida. Não chegava a ser a mesma menina que ele tinha conhecido nas férias, mas aquilo era um sorriso.

    Para Jong-In.

    No meio do movimento, a echarpe dela deslizou pelo ombro e caiu um pouco. Ela parou de rir, ficando um pouco constrangida e ajeitou a peça, mas não sem antes Jong-In olhar para o pedaço de pele que tinha sido exposto e guardar para si alguns detalhes. Quando se encararam de novo, contudo, ele a olhava de modo respeitoso e continuavam a conversa por mais um tempo.

    O garoto sentiu que era observado, mas quando ergueu a cabeça para olhar na direção de Hyun, ele tinha acabado de virar as costas. Sunyoung, contudo, parecia observar alguma coisa, mas não dava para saber exatamente o que. A noona ainda tinha um sorriso enigmático, principalmente depois disso e observou Hyun.

    - Não é apenas entediante, é irritante...Assim como nossa escola tem ficado. - Comentou com um gosto amargo na boca e deu um gole em sua bebida. Enquanto bebia, ouviu aquela proposta e acentuou um pouco a sobrancelha esquerda antes de tirar a taça dos lábios. - Aparentemente, meu donsaeng quer dar um passo maior do que a perna. Mas admiro sua coragem. - Tombou um pouco a cabeça para o lado.- Que tipo de diversão? Será mesmo que dá conta?

    Virou o conteúdo de sua bebida de novo e passou a ponta da lingua de modo discreto pelos lábios, sorrindo para Hyun.

    - Uma festa? Interessante. As famosas festas de Jong-In, não é? Verei o que posso fazer...Você até que parece um motivo bom para ir, mas seria muito triste se me decepcionasse.

    Olhou na direção das pessoas e sua mãe fazia um sinal para chamá-la. Sem encarar Hyun de novo, ela disse.

    - Veremos. Anote meu telefone e me mande as coordenadas. - Daria o numero do celular dela e pediria licença depois, seguindo até sua família.

    O irmão cruzou com ela no meio do caminho. Minhyun a encarou de modo desconfiado, mas Sunyoung estava bastante segura e confiante agora. Hyun deu uma injeção em sua moral e ela se sentia muito bem consigo mesma. Logo os Han também seguiram para as fotos.

    Jong-In também se aproximou de Hyun-Hee de novo. No meio daquela conversa, tinha terminado sua interação com a joaninha e ela estava à caminho do camarote de novo porque não havia mais nada que lhe interessasse naquele salão. O amigo o encarou coçando a têmpora.

    - E então? Vou ter que acrescentar um nome na lista?

    Depois que respondesse ao amigo, Hyun também deveria atender ao avô e tirar cerca de cinco fotos.

    O tempo do intervalo estava acabando e, pouco a pouco, as pessoas retornavam para seus lugares.

    Hyemin continuaria ali por mais um tempo. Depois que tirou a foto com os Wang e com sua família, a tia a segurou por um tempo. Mal tinham se comunicado naquela festa porque estavam preocupadas com seus respectivos problemas. Agora, contudo, podiam parar um pouco.

    Chun-Ja a avaliava por algum tempo e as pessoas que antes tinham sido alvo da reflexão de Hyemin, estavam mais próximas, tirando as fotos. Primeiro a família Han, com a estonteante Sunyoung. Hyemin perceberia que, apesar do que havia acontecido com ela por conta de Myung-Hee, a unnie mantinha a cabeça erguida e uma aura inabalável. Parecia até mais forte do que antes e sorria para as câmeras como se as convidasse.

    Não era uma modelo, mas quem podia ser. Tinha porte e postura para tal.

    Depois que terminaram, ela e a mãe se aproximaram de Chun-Ja e Hyemin. Apesar da tia não ter passado muito tempo com a sobrinha e querer alguns minutinhos, bastou a herdeira Han chegar para que as fofocas de antes se tornassem mais importantes. A garota ficava ali, num destaque em vermelho, mas nunca se sentiria tão sozinha.

    Certeza que se Yerin estivesse ali, a protegeria dessa sensação e acolheria para onde ela quisesse ir.

    Felizmente, agora, ela recebia a atenção de Sunyoung. Que se aproximou dando um suspiro feliz e a encarou.

    - E então, Min-Ah? Conseguiu tirar suas fotos com Wang MiWoo-shi? - Perguntou, parecendo bastante interessada.

    Tentava medir a expressão de Hyemin, mas, à principio achava que estava tudo bem. No instante em que Sunyoung perguntou isso, a família Yeun e Kwon seguiu para as fotos. A insegurança viria como um soco de novo. MiSoo podia não ter muito jeito com fotos, podia se sentir com medo, mas a verdade é que ela só precisava ficar parada que a magia acontecia. Estava perfeita e até mesmo uma eventual carinha de confusão seria revelada como uma bela fotografia.

    Quando se juntou com a prima, ficou ainda mais perfeita. Ji-Eun tinha um sorriso bonito e parecia ainda mais com uma personagem lúdica diante dos flashes. As primas pareciam se dar bem. E na avaliação mental que Hyemin tinha criado com MiSoo, ainda podia anotar isso: MiSoo tinha uma prima enquanto ela era filha única e a tia não lhe dera primos.

    Por que ela tinha que ficar com tudo nessa vida?

    Era tão injusto.

    Sunyoung a encarou de novo, mas fez silêncio porque o Sr. Seo se aproximava. O pai tocou no ombro de Hyemin e comentou que estavam voltando para o camarote. Ele mesmo guiaria a filha dessa vez. Deixando aquelas pessoas para trás, ele ofereceu o braço para a sua garotinha e comentou.

    - Você parece um pouco distraída. Sei que não gosta muito desse tipo de evento, mas eu prometo que amanhã faremos algo legal, ta? Que tal irmos ao cinema juntos ou jogarmos tênis? Só você e eu, hm?

    Oferecia um passeio só de pai e filha para tentar animar aquela carinha de quem estava odiando a ópera. Parecia quase uma luz no fim do tunel diante de tanta coisa pior. Felizmente, só precisaria aguentar mais uma hora de gritaria. Ou melhor dizendo, uma hora de soneca.

    [...]

    10:35 P.M


    Todos seguiam para o segundo ato. O sinal já tinha sido dado e os lugares ocupados. Dava para os presentes olharem o celular uma última vez. Hyemin teria notícias de Yerin.

    “Estou uma hora no passado, por conta do fuso, então, o jantar ainda não começou, mas estamos à caminho.
    E a Opera? Essa história é bem interessante, queria ter visto, uma pena.
    Devo voltar amanhã às 10 P.M na Coreia, se tudo der certo. Comprei umas coisas para você, mas levo na segunda porque não terei como te visitar antes. Muito tarde.
    Saudades”


    Mesmo em Hong-Kong, a amiga não a esquecia e ainda dizia que levaria presentes para ela. A mensagem foi enviada há meia hora, então, agora o jantar dela devia estar em andamento mesmo.

    Já MiSoo, receberia uma mensagem mais preocupante, de Eun-Bi, no privado.

    “MiSoo-ya! Eu estou indo embora dessa droga, não fique preocupada se não me ver depois. Mas se eu não der notícias amanhã, fique preocupada sim. Eu tô com 13% de bateria e minha mãe acabou de me desafiar a ir embora, sem dinheiro, cartão ou motorista.
    Quero nem saber, vou voltar para Gangnam à pé! QUE ÓDIO!!!
    Desculpa, eu não quero estragar sua noite, mas também prometi que não mentiria mais. Amanhã eu te ligo”


    As luzes se apagavam e a cortina se abria de novo.

    [JAE-KI]

    06/04/2019 - Sábado
    10:30 P.M. 10:45 P.M


    O quarteto começou a relaxar conforme conversavam. Aquela tensão inicial por conta da revelação omitida por Jae até então, estava se dissipando. Talvez porque estivessem ouvindo o quanto ele estava sofrendo e o modo como Jong-Suk o respondia, debochando da situação dele.

    Claro que não queria que o amigo se ferrasse, mas que era bem feito, era.

    Quando Jae comentou “não tem graça, estou sofrendo!!” foi aí que os meninos riram mais. Além de ser o mais novo, Jae também era o mais falante e o modo como ele contava era muito engraçado. Ele mesmo precisou rir, num típico “depois que passa, a gente ri”.

    Conforme pegavam as ruas e caminhavam por aquele perímetro mais agitado, continuavam ouvindo a saga de Jae enquanto Joon-Geun farejava algum lugar para comer. Concordavam que era mesmo uma droga ter que se conter.

    - Sempre tem um jeito de se vingar sem parecer que foi você. O problema é que você sempre deixa na cara. - JR comentou.

    - Pura verdade, JR. Lembra da vez que ele quebrou a lâmpada porque o bastão voou da mão dele?

    - E quando pifou a TV? Tipico “não fui eu, ja tava ruim!”

    Os garotos mais velhos ficavam imitando as caras de Jae relembrando os pequenos acidentes que ele tinha provocado. Não era por vingança ou algo do tipo, mas eram exemplos de que ele não conseguia disfarçar.

    - Mas se você trabalhar isso, talvez consiga se vingar. Deve ser muito ruim não poder socar a cara dos mauricinhos. Será que já fizeram plástica? - JR ponderava.

    Pareceram se interessar um pouco na história dos outros bolsistas. Novamente, riram quando Jae se colocou na posição de “vítima”. Ele nunca fazia nada contra as meninas, né? Era só um pobre coitado. Os meninos pararam na barraca pedindo um espetinho. Enquanto todos compravam 2, Jae pedia apenas um. JR trocou um breve olhar com Jong-Suk e disse.

    - Toma mais um. - Entregou depois que ele comeu. - Eu pago a comida e o Jong-Suk paga a bebida depois. Nossa forma de dar parabéns, né?

    Jong-Suk revirou os olhos, mas bufou dizendo.

    - Claro...Vamos procurar uma loja de conveniências depois. É mais barato do que esse roubo.

    Olhou e banda para o dono da barraquinha que também o encarou de modo emburrado. Logo eles precisaram circular e Jae ficava se limpando daquele modo deplorável, mas ninguem falava nada. JR e Jong-Suk limpavam em guardanado. Joon-Geun limpava no cabelo e no casaco. Cada um tinha seus proprios habitos de higiene, ne?

    Os garotos entregaram os palitinhos de boa, de modo que agora Jae tinha oito palitos de cerca de vinte centímetros para reaproveitar depois. Criatividade não faltava, talvez até ajudasse com o trabalho de biologia.

    - A gente pode treinar amanhã, se quiser. Seria bom socar essa sua cara de novo rico mesmo. - Jong-Suk o provocava, mas estava obvio que era brincadeira.

    - Pichar, só na nossa área. Acho que somos bem-vindos aqui, mas só poderiamos aprontar aqui com os cabelos coloridos, né? - JR falou.

    - Eu vou em qualquer coisa. - Joon-Ggeun já se convidava.

    - Para apanhar também? - Jong-Suk já dava uns soquinhos e o garoto tentava desviar, mas logo pararam.

    Depois de andarem por uns dez minutos, entraram numa loja de conveniências que ficava de esquina para uma avenida, mas próxima a uma praça também. Ali no horizonte, podiam ver o Teatro que Dan havia citado, mas à noite só parecia um prédio lindo e muito bem iluminado. Eles não eram tão cultos a esse ponto. Os garotos entraram na loja e foram atrás das bebidas.

    Eles não furtavam como Dan, mas tinham carteiras falsas. Jong-Suk tinha a cara mais acabada e passava por velho mesmo, assim como JR. Ele comprou quatro garrafas de soju e uma latinha da bebida que Jae e Joon-Geun quisessem.

    Não demoraram muito tempo ali dentro e logo saíram, para a parte que dava para a praça. Não era uma praça para crianças brincarem, era apenas um ponto verde daquela cidade, com bancos e um círculo mais rebaixado, onde alguns grupos de rua se apresentavam enquanto outros assistiam ao redor.

    No momento ocorria exatamente isso, mas era uma disputa de dança. O grupo não se aproximou muito, porque queriam beber em paz, mas havia uma concentração razoável de jovens ali: cerca de uns quinze. Sendo que seis disputavam ali no círculo ao som de IKON. Um deles era, inclusive, Rey, o garoto de cabelo vermelho. O cabeleira azul também estava perto, olhando e incitando o publico. Ren estava sentado, autistando. Nenhum dos três prestou atenção na chegada deles e eles também não se envolveram.

    JR bebia com Jong-Suk, olhando para a pequena aglomeração e umas meninas bonitas que estavam ali. Joon-Geun passava a mão na barriga, com fome.

    Quando Jae-Ki esteve naquela loja, ele tinha visto várias coisas gostosas que podia levar para Soo-Ji. Apesar de ser mais cara do que as que tinha perto de casa, mas também não era das mais caras. Fora que tinha conseguido comer a mais, ainda beber algo gostoso. E sua irmãzinha, provavelmente, só comeu arroz.

    Será que não podia comprar mesmo um agrado para ela?

    Enquanto ficava refletindo o peso do dinheiro em seu bolso, uma brisa suave bateu e trouxe consigo um cheiro que seria capaz de arrepiar a espinha do garoto. Parecia uma maldição. Como alguém podia ter aquele cheiro?

    De repente, todos os sons ali morreriam para Jae. O rap alto, as risadas do grupo ali em frente, a bebida sendo sorvida, os carros que passavam.

    Ouviria passos no chão “tap...tap...tap…”.

    O sino da loja de conveniência tocou e uma sombra entrou no lugar. As janelas de vidro davam total visão lá de dentro. Uma garota - ou mulher - de costas, indo até o caixa. Longos cabelos negros presos num rabo de cavalo baixo e ombros e costas à mostra - um escândalo! Como alguém andava assim na rua? À noite? Naquele lugar?

    A mão dela era erguida, mostrando um objeto retangular, provavelmente um celular. O atendente a encarava, olhando da cabeça aos pés e ela recuava meio passo para trás. Não dava para ver sua expressão, apenas aquele cabelo perfeito e alinhado balançando suavemente pelas costas brancas com um vestido preto de alças grossas.

    E o cheiro ainda continuava impregnando o nariz de Jae como se nem houvesse uma parede separando os dois.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Dom Jan 07, 2018 1:23 am

    [WON-BIN]

    06/04/2019 - Sábado
    1:10 P.M. - 9 P.M


    O almoço tinha sido bem divertido para o inusitado trio. Depois dos tapas que recebeu, Kang ficou um pouco mais comportado e deixando que Won e Ji-Hyun falassem mais. Dentre as perguntas, ela contou.

    - Eu tenho 16 anos, estou no 1ºano do Ensino Médio e passei para um colégio só de meninas. - Famoso e teve sua glória no passado, mas nada comparado ao WangJo. - Eu sou sagitariana. - Deu de ombros porque não sabia se isso fazia alguma diferença.

    O assunto continuou, depois disso, mas ela não respondeu coisas muito pessoais. Logo ouvia a conversa entre amigos. Kang encarou Won diante daquela pergunta sobre o parque.

    - É, então. Ninguém falou nada, parece que miou mesmo. Mas eu vou sair com o meu irmãozinho porque ele quer andar de skate no parque. Daí é melhor do que ficar em casa com um moleque hiperativo.

    Só colocou a mão na cabeça, revirando os olhos.

    - Tá, me liga sim. Eu tô pensando em fazer 2d, como um quadro feito de grãos, sabe? Acho que não vão ligar se eu pegar alguns grãozinhos. - Ponderou.

    O almoço chegou ao fim e Kang se despediu do dois, recolhendo o lixo enquanto os via seguia até o café de novo. Ji-Hyun e Won-Bin não veriam, mas Kang os observou por mais algum tempo. Achava que, talvez, formassem um casal interessante, mas...o contraste parecia melhor com Bo-Mi. Ou talvez pensasse assim só porque gostava mais da espiã do colégio por conhecê-la há mais tempo.

    De todo modo, torcia pela felicidade do amigo.

    O expediente correu na maior tranquilidade. Depois que aquela suspeita inicial passou e Won baixou a guarda, o trabalho fluiu melhor. Ji-Hyun não o perturbava muito, pelo contrário, ela o ajudava quando via que o braço podia ser um problema. Ela levava jeito para a coisa e Hyosang estava gostando do modo como eles estavam agindo.

    O pai dele não demoraria a responder à mensagem.

    “Hoje eu tenho plantão, só chego amanhã cedo.
    Vamos ao hospital amanhã à tarde para ver isso. Você só quebrou os dedos, afinal, acho que dá pra melhorar isso também. Sente dor ou algo assim? Como foi seu trabalho? Tem comida congelada para você quando chegar em casa. Fui ao mercado antes do trabalho.
    Cuide-se.”


    Se Won tinha conseguido dar o primeiro passo na mensagem, a resposta foi boa. O pai falou mais naquela mensagem do que tinha dito na semana inteira. Talvez fosse uma resposta aos esforços do garoto.

    O horário dele acabaria às 4 P.M quando outros funcionários chegariam - os que geralmente trabalhavam de manhã durante a semana. Ji-Hyun se despediu dele, agradecendo pelo almoço e pelas dicas do dia. Hyosang também deu um tchau meio distante, mas pelo menos falava direito agora.

    Aparentemente, ele tinha voltado a entrar nos eixos, fazendo as coisas certas. Reconquistando a confiança pouco a pouco. Agora teria todo o tempo do fim da tarde e a noite livres para poder fazer os exercícios, ver um filme, navegar na internet. Não tava liberado para sair de casa - nem tinha pra onde ir - mas pelo menos podia sossegar um pouco.

    Era um pouco solitário porque só tinha ele em casa, mas os amigos estavam bem ali, no celular.

    À noite, por volta das 9 P.M. ele receberia uma mensagem de Jae que estava, por algum tempo, com wi-fi ligado.

    " Não posso mesmo colar a caricatura no banheiro? ㅠㅠㅠㅠㅠ *choro* Mas como vou me vingar do professor? Acho que a briga com o isekiya loiro deu certo, hein! Seus dedos não se quebraram atoa Won Bin, pode ter certeza. E mostra pra esses saekki ricos do seu trabalho que você vai conseguir essa vaga."


    Kang não chegou a ler porque, provavelmente, estava ocupado com o trabalho que disse que faria naquela noite também.

    [SUN-HEE]

    06/04/2019 - Sábado
    9 P.M.


    Yi-Hoo deu um suspiro quando a irmã disse que iria. Ele olhou meio de banda para ela, porque estava torcendo para que ela falasse não. Tinha muita coisa para fazer do trabalho e queria adiantar naquela noite, mas também não gostava de fazer desfeita.

    - Se você quiser ficar em casa…- O pai começou com aquele jeitinho dele.

    - Não começa, appa! Eu vou sim, vou lá me trocar.

    Disse depois de ajudar a irmã com as bolsas e fechar o notebook para deixar o trabalho para depois. O Sr. Kim deu um sorriso. Admirava o modo como o filho se dedicava ao trabalho. Yi-Hoo era incansável. Sendo bem justo, todos eram e o sr. Kim nem acreditava como era sortudo por ter tido filhos tão maravilhosos.

    Cada um deles tinha sua qualidade que os fazia únicos, mas todos eram muito esforçados. Yi-Hoo, contudo, ia além. Ele se agarrava à esse emprego na chaebol, mesmo que fosse como trainée da área de TI porque queria fazer jus à indicação da mãe de Joo-Hyuk e, também, precisava do dinheiro para economizar para a faculdade. Yumi tinha dito que ajudava, assim como disse que ajudaria Jun-Pyo no curso de gastronomia, mas Yi-Hoo era orgulhoso como o próprio pai, Jung-Hwa.

    Achava isso bom, mas também se preocupava com a qualidade de vida de Yi-Hoo. Estava tão focado na carreira profissional que, às vezes, se esquecia de todo o errado. Com exceção da família, mas..todo o resto que um rapaz de 21 anos deveria fazer além de só trabalhar, trabalhar, trabalhar.

    O Sr. Kim ajeitou os óculos e se levantou para se trocar também.

    Enquanto isso, em seu quarto, Sunny tinha alguns instantes de descanso e a companhia da fiel e caramelo Tea. Não demorou para que a bichinha se acomodasse no colo dela enquanto a dona lia as mensagens. As meninas também logo responderam.

    Lee-Hi: Ooi, amiga! Como foi o passeio com o Kim? Os preços estavam bons? Compraram muita coisa?

    Chae: Ooi! Eu ainda estou terminando de arrumar pra ir! Vou mandar uma foto.

    E enviou duas fotos mostrando o vestido e o vestido com a echarpe. Fez algumas caretas durante as poses porque ainda não tinha ajeitado o cabelo, nem terminado a maquiagem.

    Chae: Que bom que gostaram!! Eu tô me sentindo tão estranha =( faltam acessórios x.x mas minha mãe falou para ser mais discreta hoje. Não sei o que ela quis dizer com isso =XX sou tão discreta =xXXX

    Lee-Hi: kkkkkkkkkkk

    Chae: Obrigada, meninas! Eu vou lá porque já estou atrasada. Depois conto como foi!

    Depois disso, o grupo se acalmou de novo e Sunny tomou seu rápido banho e começou a se arrumar para sair com a família. Logo, os três se reuniram e seguiram até o carro do Sr. Kim, deixando para trás os cinco filhotes com carinhas de abandono. Todos dramaticos, obviamente.

    No carro, Sunny receberia o sms de Kim.

    “Desculpa a demora, mas eu cheguei!
    Espero que tenha um bom dia amanhã”


    Uffa, todos bem.

    O trio seguia tranquilamente até o bairro do restaurante quando, o Sr. Kim, finalmente disse.

    - O aniversário da tia de vocês está chegando. - O que queria dizer que o da mãe deles também. Yi-Hoo olhou um pouco sério para o pai, imaginando que ele ia falar sobre a ida ao hospital, mas o pai disse. - Ela nunca gosta de comemorar essa data, mas que tal fazermos uma festa surpresa pra ela? Só pra tentar ser diferente.

    - Ahm…-Yi-Hoo ponderou. - Se ela não gosta de comemorar, será que vai gostar da data?

    - Sabemos porque ela não gosta da data, mas esse ano eu queria que fosse diferente. Não pretendo ir ao hospital, por exemplo. - Comentou. - Depois do ano passado, eu...eu realmente não acho uma boa ideia voltarmos lá. Não faz sentido darmos atenção para uma pessoa e deixarmos Yumi sozinha. Acho mais coerente comemorarmos com ela, dessa vez. Mas quero opiniões.

    Olhou para Sunny pelo espelho retrovisor. Yi-Hoo virou a cabeça para trás, olhando para a irmã.

    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Dom Jan 07, 2018 12:19 pm

    Quando não estava tirando as fotos, podia observar as outras pessoas que ali estavam posando. Sentiu um pouco de vergonha de ver o diretor tão perto na mesma semana que tinha sido punida por causa do vídeo, levando uma bronca pessoalmente na sala de aula. Só teve coragem de observá-lo agora que ele estava obviamente distraído com as câmeras, depois desviaria o olhar. Não era a toa que o pai tinha ficado tão bravo, se iam se encontrar tão logo no mesmo evento. Devia ser meio chato para o papai ter que reembolsar os bolsistas e depois falar com o diretor como se nada tivesse acontecido, mas isso não era problema dela, que nem tinha muita cabeça agora para ficar pensando nisso muito a fundo. É só que era impossível ignorar aquela cara de Imortal do diretor agora que estava olhando os outros tirarem as fotos e nem estava tão exclusivamente focada em Miwoo, por vergonha.

    Han Sunyoung apareceu, e ela tinha vontade de consolar a garota, mas ela parecia que nem tinha sido abandonada completamente por causa daquele traidorzinho. Era essa a diferença de uma menina que nem ela e uma mulher? Ela parecia até mais forte que Yerin, que até ficava algum tempo silenciosa com uma barreira de choque em volta dela até conseguir se recompor para sua vingança louca implacável. Então era isso que acontecia quando você ficava mais velha… deveria tentar ser mais assim.  Sentiu um remorso de ter tirado as fotos com uma cara meio apagada. Queria voltar e tirar tudo de novo. Será que ficaria muito óbvio que ela estava infeliz naquele momento? Mas era tão difícil inventar uma expressão… talvez ela devesse ter investido em teatro em vez de Tênis, aí não teria que aguentar aquela tchonga daquela Hayoung… nem Misoo, que até então não tinha nenhum problema, mas agora só de olhar para ela, lembrava-se de sua prima linda.

    Pensou em se distrair com o celular, mas seu rosto se animou um pouco quando Han Sunyoung chegou perto para conversar, mas ela a olhou com cuidado, preocupada pelo que tinha visto com Wang MyungHee. Será que ela estava bem de verdade? Parecia que sim. Que bom. Sorriu, mas nem de longe tão animada quanto estivera naquele tempo todo.

    - Sim! Ele está tão lindo. A ópera valeu bastante a pena. - tentou forçar um pouco mais de alegria, mas era uma atriz horrível e aquilo começava a doer um pouco, então resolveu mudar de assunto. - Você está bem?

    Perguntou com alguma preocupação, mas logo observou a família das fadas com muito desânimo. Era quase impossível esconder, já que desejava demais estar naquela outra família. Quem não queria ter uma mãe estilista? Ou melhor, quem não queria ter uma mãe? Uma prima legal para passar o tempo, uma irmã incrível para levar nos desfiles… Mesmo não sendo nada de exemplo de beleza na escola, com aquelas roupas simples e jeitão constante de quem estava na aula de educação física, Misoo seria uma estilista renomada bem logo, porque estava no clube de Moda e teria os caminhos abertos com facilidade.  Que vida injusta. Quando observou JiEun então...  virou o rosto, dando de cara com Sunyoung e coçou o rosto.

    - Ai, que invejinha. Queria eu ter uma mãe estilista. Seria tão bom, né? Hahah. - falou daquele jeito sem raiva, porque queria tentar ser mais forte, como a própria menina, fingindo que estava tudo certo e diminuindo o problema para si mesma.

    Deixou o sorriso sumir quando o pai apareceu. Podiam ir embora já? Já estava cansada… Suspirou. Não queria mais ficar uma hora lá dentro. Pegou o braço do pai, fazendo um beicinho desanimado enquanto andavam. Era muito bom ficar com ele. Tinha um cheiro muito reconfortante, um calorzinho no braço, mesmo com o terno, que tiravam aquele aspecto gelado dela. Apertou o contato um momento e encostou o rosto no braço dele como um bichinho, dando um sorrisinho verdadeiro e fofo, até fechando os olhos por alguns segundos enquanto caminhavam. Era chato ter que participarem de coisas assim para ficarem juntos. Às vezes só queria poder ligar um dorama para assistir com o pai no sofá, encostada nele como fazia com a amiga. Será que isso era possível? Mas ele era muito ocupado para aquele tipo de coisa. Por isso quando ele deu seguiu sua fala com o convite, a menina soltou o ar surpresa e ergueu o rosto para olhá-lo.

    - É sééério? - seus olhos brilharam, e ela já estava emotiva o bastante daquele tempo segurando o choro. - AAAA, vai ser tão legal! Eu quero jogar tênis. -  sorriu de orelha a orelha. Sim, porque se fossem no cinema, teriam que ficar quietos para assistir o que estava na tela e ela não queria isso. Queria conversar, ouvir a voz dele e observar suas expressões. Era por isso que gostava tanto de cozinhar com o papai e sair para jantar. Porque conseguia guardar no coração sua imagem para quando ele estivesse ocupado com o trabalho. - Appa, por que tinha que ser uma ópera tão chata? - choramingou. - Aquela da princesa era muito mais legal. Isso é uma tortura. Eu quero ir emboraaaa - juntou as mãos no braços do pai, fingindo que estava implorando a ele, aproveitando o momento que tinha só com ele. Suspirou então, fazendo um beicinho. -  Então eu acho que eu mereço alguma coisa legal para compensar. Acho que a HGT podia trazer a Selena para fazer show na Coreia e eu podia ir no meet & greet, não éé??? Já gostei. Eu quero, apaaaa  - riu, já toda boba. Hyemin tinha voltado a ficar animada. Era até simples cuidar de seu humor. Bastava lhe dar atenção de verdade.




    De volta ao lugar, suspirando de cansaço, mas não mais tão infeliz, a menina pegou o celular para ver as mensagens e ficou animada ao ver mensagem da melhor amiga.


    ”Hahhah
    Só você para achar legal essa chatice. Eu não aguento mais.
    Estou morrendo de saudade.
    Você fez muita falta. Queria conversar com você.

    O que é? O que é? Querooooo
    Sinto sua falta.

    Coma bastante coisa gostosa por mim.
    Beijooosss"


    Deu um pequeno sorriso para o celular e, novamente, não o desligou, mas dessa vez sorrateiramente ligaria o fone de ouvido nele e deixaria o aplicativo de música ligado, tocando sua playlist favorita, enquanto ela ouvia na surdina da escuridão da Ópera para tornar aquilo mais suportável.




    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Dom Jan 07, 2018 12:28 pm

    Hyun Hee observava o sorriso em câmera lenta e apostava no tipo de conversa que estavam tendo. Xavequinhos baratos. Sério, Chaeyoung, você vai cair nessa? Quase infartou com aquela demonstração de cuidado que o amigo tinha com a joaninha desavisada. Se fosse ele mesmo que tentasse fazer isso, ela não diria algo grosseiro como “eu faço isso sozinha” e puxaria o echarpe bruscamente? Isso o incomodou um pouco. Por que com JongIn ela tinha que ser uma verdadeira dama filha modelo do banqueiro? Ah, sim, porque o amigo, diferentemente dele, não estava sendo transparente com sua verdadeira natureza desgraçada.

    Teve vontade de sair de lá no mesmo momento e prender o seu broche naquele echarpe para que ela ficasse coberta até o pescoço enquanto Jongin estivesse ali. O maldito broche que ela nunca devia ter jogado nele. Colocou uma mão no bolso tateando a joaninha. Arrependeu-se parcialmente de não ir até ela devolvê-la, mas não queria que ela jogasse de novo nele ou em algum lugar irrecuperável. Tinha que esperar a poeira baixar e estava pagando um preço muito alto por isso.

    Apesar de ter sido sacaneado por JongIn, não podia se esquecer que estava em terreno perigoso ainda ao lado de Sunyoung. Uma demonstração de afeto a mais e aquela notícia de que Hyun Hee estava enciumado por causa da filha do banqueiro tornaria a vida dos dois um inferno. Por isso, deu as costas ou não teria concentração nenhuma para continuar aquela conversa.

    Não estava odiando estar ali diante da noona tentando trazê-la para festa. Era muita cara de pau falar daquele jeito com uma mulher mais velha, um ano que fosse, e isso lhe dava uma adrenalina boa, que era o que ele precisava para tentar driblar o ódio pela cena que tinha acabado de ver

    Ele tinha acertado nas palavras. Jogava um verde sobre presenças indesejadas, por causa do fora que ela tinha acabado de levar e ela já se declarava anti-bolsistas, ainda que não fosse uma surpresa. Então começava a colher mais dados sobre que máscara podia apresentar para ela para ser agradável. Sorriu fingindo timidez quando ela disse que estava tentando dar um passo maior que a perna, mas logo a observou atentamente enquanto ela fazia aquele gesto provocante. Ele já começava a pensar na festa e esquecer um pouco daquela ópera.

    - Com isso você não deve se preocupar. Mas receio que terá que aparecer lá para descobrir. Vou te esperar. - deu uma piscadinha de leve. Anotou o telefone dela e a observou ir em direção ao painel de fotos. Logo teria que fazer o mesmo. - Até mais tarde, noona.

    Sorriu satisfeito, saindo do lugar, mas o amigo apareceu, fazendo-o lembrar da interação com a joaninha. Ele o encarou com seriedade nos primeiros minutos que ele veio conversar. Nos tempos antigos, estaria empolgado comentando o feito, mas não dava para olhar naquela carinha de cordeiro e não ter vontade de arremessá-lo do alto do camarote. Então piscou, como se estivesse apenas fazendo mistério o tempo todo.

    - É claro que sim. - sorriu e o observou por mais algum tempo. Estava preocupado. Queria que ele lhe desse informações sobre sua conversa com Chaeyoung, mas fingiria que não tinha visto nada. O amigo adorava se gabar, então que falasse de uma vez. Ele tinha chamado Chaeyoung? Ela tinha dito sim? Chaeyoung iria naquela porcaria cheio das piores pessoas da Wangjo? Fala. desgraçado. - Até mais tarde, ‘hyung’ - deu um toquinho no ombro do amigo e saiu andando.

    Filhodaputa. Não conseguia ficar dois segundos mais animado que aquela raiva já voltava e ele dava mais atenção para a dor de cabeça. A primeira coisa que ia querer era um remédio da bolsa de alguma das meninas, mas até lá ficaria assim. Ele estava com zero vontade de assistir mais tempo de ópera. Foi até o avô e se posicionou em silêncio para as fotos. Todas as suas expressões ficaram iguais, sérias, mal humoradas ou “misteriosas e sexy”, dependendo de quem visse.


    Depois disso, tinham mais uma rodada de ópera para concluir, mas Hyun Hee não queria passar por aquilo de novo. Quando as luzes se apagaram, tratou de aproximar-se do avô e falar baixo em seu ouvido.

    - Não tô me sentindo bem, vou dar uma volta

    O que era até adorável da parte dele em comunicar, já que nos últimos tempos só lhe dava as costas e saía. O tom de voz tinha até saído um pouco carinhoso, para lhe arrancar simpatia, então ele diria para não se preocupar, que estava bem, só precisava de ar, e sairia. Queria dar uma volta lá fora de verdade e comprar um remédio pra dor de cabeça como desculpa, só querendo voltar lá pelo final da ópera, talvez.

    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Dom Jan 07, 2018 1:25 pm

    Por conversar com os amigos, Jae-ki já se sentia menos tenso. Era certo que estava acostumado a brigar e até se machucar, mas ser ameaçado pelo próprio JiHoo era bem diferente. Também seria terrível se algum dia acabasse apanhando dos amigos. Porém agora o susto passava conforme conversavam mais e mais. Falam de como poderia se vingar sem ter que bater em alguém ou levar a culpa. Logo os garotos concordaram que Jae era péssimo nisso e ainda falavam exemplos com imitações! Nada como a sinceridade dos amigos.

    - Ya... - Já ia reclamar, mas nem tinha o que falar, eles estavam certos - Aishh... Tá, tá, talvez eu não ser o melhor nisso...

    Prestou atenção no conselho de JR que dizia que se ele trabalhasse bem nisso poderia conseguir se vingar. Balançou a cabeça concordando que era ruim mesmo não poder socar aqueles ricos de nariz empinado. Em sua mente, não se defender como "homem" era deixar que pisassem nele, era ser otário. Mas os amigos estavam certos, ele nunca foi bom em ser discreto, deixava mesmo na cara. Será que conseguiria fazer diferente? De repente o assunto mudou para plástica. Isso nem tinha passado na cabeça de Jae-ki ainda.

    - Plástica? Sei-lá... Se for, esses ricos são mais falsos do que eu pensei.

    Ficava surpreso com as perguntas que passavam pela cabeça dos amigos, mas até que eram intrigantes. Isso ficaria na sua mente por um tempo com certeza. Talvez tivesse pensando em Eun-bi demais, assim outras coisas acabaram ficando em segundo plano. Os quatro continuavam curtindo e comendo juntos. Quando JR lhe deu um espetinho, Jae-ki ficou realmente comovido, olhou logo na direção de Jong-Suk surpreso por mesmo depois do que aconteceu ainda quererem pagar algo para ele.

    - Uwa! Caras... Vocês são mesmo parceiros! - Disse para JR e Jong-Suk - Ainda mais depois daquela merda...

    Mal terminou de agradecer do seu jeito e já estava comendo o espetinho que havia ganhado. Era difícil não gostar de amigos assim. Jae-ki achava que se a halmoni os conhecesse como ele os conhecia, talvez não reclamasse tanto. A parte ruim é que ficava cada vez mais apegado. Guardou os palitinhos no cinto na calça, achava que poderiam ser usados em algum trabalho. Eles saíram e continuaram a caminhar, Jae não se incomodava com os hábitos de higiene dos caras, até porque ele mesmo tinha alguns péssimos hábitos ás vezes, não tão ruins quanto de Joon-Geun. Dificilmente também sentai nojo das coisas, não era mesmo alguém fresco. As roupas sujas espalhadas pelo chão do seu quarto era uma prova desses hábitos.

    Jong-Suk já se animava a voltar a treinar e implicava com o mais novo. Jae-ki riu e respondeu:

    - Ya! Ani! Na minha cara não! Vocês ouviram o que o Dan disse, e o meu rosto também é muito bonito pra ser socado.

    Disse na brincadeira, até penteou as mexas de cabelo para fora do gorro com os dedos e em seguida riu. Não era como se achasse um cara muito bonito, mas não se achava feio. Tinha sua própria auto estima que definitivamente não era baixa, mas nem alta. Mas apesar da brincadeira, tinha lembrado que não podia ferir o rosto, não que acreditasse que Jong-Suk faria isso, mas pretendia treinar por causa disso mesmo. Riu ao ver os amigos também se provocando, JR tinha razão sobre a pichação e além disso, não tinham levado material mesmo. Mas se tinha uma coisa que Jae-ki gostava de fazer, era desenhar, rabiscar, grafitar, curtia misturas as cores e inventar.

    - Mas na moral, sem brincadeira agora, eu tô querendo achar um jeito de não ficar com o rosto machucado. Chegar em casa com olho roxo, não tá sendo uma boa para minha irmã. E com a escola não vai pegar bem. Vou ter que treinar um jeito de me defender melhor. Priorizar o rosto do que as outras partes. É eu sei que é meio doido, mas é o jeito.

    Depois de alguns minutos de caminhada, entraram na loja de conveniências, Jae-ki apenas os acompanhou, mas é claro que observou aqueles produtos, entrar numa loja dessas era realmente uma distração, tinha muita coisa para ser vista e comida. Mas na maioria das vezes, Jae não comprava nada, ficava só na vontade e observando as novidades. Mais uma vez se sentiu surpreso por Jong-Suk ter mesmo pagado uma bebida para ele. Era mais um motivo para querer um bom emprego um dia,ser um amigo que pudesse pagar as coisas para os outros sem sentir que estava tirando da casa. Tinha sempre aquela preocupação financeira na cabeça e o medo de precisar depois.

    Jae-ki saiu com os amigos para a praça e ficou observando a disputa de dança enquanto bebia a latinha de refrigerante. Lembrou do clube de dança que tinha entrado e pela disputa que assistia, podia imaginar que talvez fosse maneiro dançar. Será que conseguiria fazer passos assim um dia? Mas também dependia do que aqueles riquinhos iam querer fazer e já decidia que ninguém ia obrigar ele a usar aquela roupa apertada de ballet. Tinha algumas garotas bonitas ali na praça também, só não chamava atenção de Jae-ki, que já tinha conhecido a mais bonita de todas e sofria por isso. Reconheceu dois garotos da gangue de cabelo colorido ali, mas estavam distantes o bastante para não serem reconhecidos. A música era boa, IKON, Jae-ki conhecia bem.

    - Maneiro - Disse enquanto observava.

    Em seguida se distraiu um pouco, terminou o refrigerante quase num gole só, amassou a latinha de refrigerante com uma pisada. Ficou brincando com o lacre entre os dedos enquanto pensava na irmã. Sabia que tinha pensado em fazer uma economia, mas ele tinha comido algo bom e ela só arroz. "Posso começar a economizar amanhã, eu já comprei pra mim, Soo-ji merece muito, e é sábado." Enquanto pensava nisso, sentiu junto com a brisa um aroma muito familiar. Seu coração logo deu um baque. Não era possível isso, será que alguém usava o mesmo perfume dela? Será que estava maluco? De repente nada mais importava, sua atenção se voltou somente para isso.

    Ouviu os passos e o sino da loja, procurou com o olhar a origem disso e viu as costas daquela menina. Parecia uma miragem, aquelas costas a amostra, os ombros, a pele que parecia tão lisa e macia... Só podia ser ela, mas ainda assim parecia loucura que estivesse assim em um lugar daqueles e a essa hora. E esse cheiro que fazia seu coração apertar? Não havia dúvidas que era o mesmo perfume de Eun-bi e pelo jeitinho das costas dela, só poderia ser ela. "Aigoo... Não pode ser... Eu estou doido assim? " Percebeu logo o olhar do atendente e aquele estranho passo que ela tava para trás, isso deu uma certa raiva nele, mesmo sem saber porque. Talvez porque ela parecesse tão vulnerável. Não tinha ninguém acompanhando ela, estava sozinha e desprotegida, ao menos era o que parecia. Como uma patricinha como ela tinha ido parar ali? Ou ele era louco de achar que era ela, ou ela era a doida de estar ali. No momento já não importava se tinham brigado, se havia combinado que não se falariam ou se era uma mentirosa. Jae-ki só sentia uma coisa, que tinha ir lá antes que algo ruim pudesse acontecer. Seus instintos protetores praticamente gritavam, não podia perder nem mais um minuto. Ele nem olhou para os amigos quando avisou:

    - Já volto.

    Foi rapidamente para dentro da loja onde a garota estava e perguntou:

    - Eun-bi?

    Se ela virasse veria a expressão confusa e preocupada dele. Jae-ki usava um gorro preto e jeans escuros e rasgados no joelho. Assim que visse se era mesmo Eun-bi, Jae logo lançaria um olhar invocado para o atendente e depois novamente para ela esperando alguma reação.

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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Dom Jan 07, 2018 3:42 pm

    [JAE-KI]

    06/04/2019 - Sábado
    10:45 P.M


    A noite de sábado formava o quadro mental que Jae-Ki tanto queria quando imaginava como seria a reunião com seus amigos ao fim de semana. Mesmo que eles tenham tido um desentendimento e agora ele tivesse receio do que Ji-Hoo aprontaria para ele, no momento, ele desfrutava um daqueles momentos efêmeros que podia ser chamado de felicidade.

    Estava, afinal, na companhia de seus amigos mais antigos, comendo, bebendo e rindo. Apesar de não ter nenhuma baderna envolvida, ainda, os quatro se divertiam implicando uns com os outros. Jae teria que sofrer como alvo das provocações durante todo o percurso até que eles se sentaram na praça e relaxaram um pouco.

    JR e Jong-Suk bebiam mais devagar para que o soju não fizesse efeito rápido demais. Eles também eram os motoristas, mas considerando que a noite mal tinha começado para eles, o soju já teria ido embora quando pegassem as motos - pretendiam ir embora pela manhã, aproveitando o trânsito quase zerado de uma amanhecer de domingo.

    A vista certamente valeria à pena, com o sol surgindo enquanto eles atravessavam a ponte do Rio Han numa velocidade acima da permitida.

    No momento, eles só curtiam o som que não era deles e a viam a disputa. JR comentava que o ruivinho dançava bem e parecia menos sério enquanto competia. Também viam Kai instigando a multidão e se aproximando de uma das meninas bonitas dali. Dan era o único que parecia um pouco entediado, dando um bocejo aqui e ali, coçando os olhos de um jeito fofo.

    Jong-Suk e JR continuavam conversando e bebendo enquanto Joon-Geun ficava olhando para o céu, vendo as estrelas daquela noite de primavera. Ainda sentia fome, quase como se tivesse um buraco negro do estômago. Coisa da idade, diziam. Os quatro desaceleravam um pouco, curtindo o momento e a brisa reconfortante que bateu. Nenhum dos amigos de Jae fazia ideia como aquele ventinho bom mexeu com ele.

    Jae parou de falar com eles, vendo a cena que ocorria dentro da loja de conveniência e seu impulso foi mais forte do que qualquer coisa que tivessem conversado até então. Saiu apenas dizendo que logo voltava, mas o modo como ele saiu foi o suficiente para atrair a atenção dos amigos.

    - Mwo? Aconteceu alguma coisa? - Joon-Geun sentou-se de novo e os três ficaram em silêncio enquanto o viam entrar na loja.

    Agora era Jae quem ficava de costas para a janela, mas ele tapava a vista da pessoa que ele tinha chamado.


    --


    - Ani. - Eun-Bi recuou meio passo, franzindo as sobrancelhas. - Eu só preciso usar um pouco o carregador, jebal! - Pediu por favor, deixando os ombros caírem um pouco e a voz embargando. - Eu deixo o anel, o colar, os brin…




    Tentava implorar para aquele mercenário quando o sino da porta tocou e alguém entrou. Eun-Bi sentiu o frio do medo percorrer por suas costas e congelá-la por um instante, pois não descartava a ideia de que sua mãe tivesse mandado alguém atrás dela depois de sua afronta.

    Provavelmente, ela não esperava que a filha fosse aceitar mesmo abandonar a Ópera estando apenas com os documentos e o celular quase completamente descarregado. Sua mãe tinha recolhido todo o dinheiro e cartões - os dela e os que o pai tinha deixado com ela. - jogando a bolsa em Eun-Bi logo em seguida. O que aconteceu na sequência foi uma sucessão de atos impulsivos dela que a levaram até ali.

    Com 5% de bateria em dez minutos, o tempo que ela levou para andar do Teatro até aquela loja com os saltos que usava agora.

    O sino continuou tocando, dessa vez ecoando na cabeça dela.

    Os lábios ficaram entre abertos e ela teve medo de fazer movimentos bruscos. Não sabia nem se estava respirando direito até que ouviu aquela voz. O choque em seu rosto foi evidente e o comerciante tentava entender o que estava acontecendo ali. O moleque que entrou era mal encarado, assim como os amigos dele, mas não era como se sentisse medo dessas crianças. A garota bem vestida parecia conhecê-lo.


    Eun-Bi estava com o braço recolhido, segurando o celular com a mão esquerda e a alça da bolsa com a direita. Virou-se lentamente, primeiro de perfil até que ergueu a cabeça e terminou de girar, o encarando. Finalmente lembrou-se de respirar e uma espécie de soluço passou pelo corpo dela.


    Jae percebia que os olhos dela estavam vermelhos pelas lágrimas que ele finalmente tinha visto rolar. A cor também era presente na ponta do nariz e nos lábios dela. Mesmo assim, ela estava muito bem maquiada e vestida de modo elegante, ainda que com simplicidade - seus acessórios eram bem discretos e o vestido longuete não tinha nada de chamativo. Além, é claro, do ombros descobertos e um decote retangular.

    Também estava mais alta e agora teria a altura dele, por conta do tamanho dos saltos que usava. Ela não estava com o pé machucado até sexta-feira?

    - Jae-Ki…? - Perguntou meio incrédula, lembrando-se de respirar.

    Levou a mão até o pescoço, por cima da gargantilha e fechou os olhos. Estava num misto de alívio por não ser ninguém atrás dela, mas também de incredulidade. Dentre todas as pessoas que podia cruzar em Jung-Su, por que logo ele?

    Não era possível, só podia ser sua imaginação atrapalhando sua sanidade.

    - E então? Vamos voltar a fazer negócios, Senhorita? Vou querer os brincos, pelo carregador.

    O homem grosseiro interrompia o momento deles porque tinha mais o que fazer. Eun-Bi abriu os olhos de novo, ainda chorosa, mas irritada por passar por aquela humilhação na frente de Jae-Ki, mas levou a mão até os brincos e começou a tirá-los.

    Spoiler:





    Eun-Bi e a mãe retornavam para o camarote. Ela andava com a cabeça meio abaixada, ao lado da mãe que pilotava a própria cadeira elétrica com uma expressão fechada de pouquíssimos amigos.

    - Não entendo porque eu não podia ficar mais um tempo com minhas amigas. Quer dizer que eu tenho que ser a sua bonequinha para exibir aos Do, mas não posso ter meia hora de paz com as minhas amigas? - Eun-Bi não conseguiu se conter e começou a reclamar ainda no corredor.

    Antes que a reclamação seguinte viesse, a mãe cravou as unhas na altura do cotovelo dela, espetando sua carne.

    - Meça bem suas palavras, Eun-Bi. Você parece ter esquecido que não está mais na casa do seu papai querido. Você vai falar com quem eu quiser, porque diferente de você, eu penso no seu futuro. A família Do será sua família, um dia.

    - Nunca. - Disse com o nariz ficando vermelho já e puxando o braço. - A senhora não sabe o que diz. Se tem uma coisa que eu nunca farei nessa vida é ter alguma relação com os Do. Esqueça isso, ommoni.

    - Vamos ver.

    A conversa parecia ter chegado ao fim quando elas se enfiaram no camarote, um pouco antes da família Do chegar.

    - Não vamos, ommoni. Isso é algo que eu não vou permitir e tenho certeza que o appa também não! Você defende pessoas que nem ao menos conhece e fica me afastando das pessoas que eu gosto.

    - Suas amigas não têm culpa, é verdade. As mães sim. Não quero você metida com os Yeun e Yoon em eventos importantes como esses. Faça amizade com Jimin, vocês têm muito mais em comum.

    - Não temos nada em comum.

    - Para de me retrucar! - A mãe começou a ficar irritada. - Quem você acha que é para ficar alterando a voz pra mim ou rebatendo desse jeito? Garota tola! Acha que porque ficou uns dias com o seu pai, as coisas vão mudar?

    - Por que você sempre tem que citar o appa? Te incomoda muito o fato de eu ter gostado de ficar lá, não é?

    - Como visita, você é adorável, mas seu pai é egoísta demais para ficar com você. Cade seu appa agora? Viajando com a nova família, bastou você sair de lá para que ele ganhasse a liberdade de novo. Aceite que você só tem a mim, Eun-Bi. Essa rebeldia não vai levá-la à lugar nenhum.

    - Não é verdade… - Eun-Bi disse ainda de pé. - Porque eu não aguento mais. A senhora consegue destruir tudo.

    - Como é que é? - A mulher a encarou.

    - A senhora destrói tudo, sozinha - Eun-Bi tentou ser mais firme, mas sem fazer escândalos. Mas as lágrimas já alcançavam seu rosto. - Eu não vou deixar mais que faça isso comigo.

    - Enquanto você depender de mim, do meu dinheiro, da minha casa, você não é livre, Eun-bi. Você é minha responsabilidade e fará o que eu mando porque eu sou sua ommoni, você querendo ou não. - A mulher nem ao menos se abalava com as lágrimas da família. - Quer fazer um teste? Se isso aqui está tão insuportável para você, vá embora.

    - …?

    Eun-Bi arregalou os olhos, perdendo um pouco a cor com aquelas palavras.

    - É. Vai embora, veja até onde sua liberdade sem dinheiro vai te levar. - Antes que Eun-Bi conseguisse reagir, a mãe catava a bolsa da filha e mexia sem nenhum escrúpulo. Tudo foi tão rápido que a garota nem tinha energia para reagir. Ela retirou todo o dinheiro e cartões dela, devolvendo a bolsa com os documentos, a maquiagem e o celular que ela já carregava. - Vá. Vá embora.

    - Ommoni…?

    - Quero ver até onde você vai. Se você não chegar até amanhã em casa, eu chamo a polícia para te encontrar. Vai, liga pro seu papai, se ele estiver em casa para te buscar aqui. Eu duvido, Eun-Bi. Vai embora antes que cheguem. Não aguento mais olhar pra sua cara de rebelde sem poder te dar uma lição. Em casa, se você chegar, nós conversamos.

    Recolheu tudo o que estava em seu colo e colocou na própria bolsa.

    No fundo, ela duvidava que Eun-Bi fosse embora dali, mas era muito orgulhosa e dura para voltar atrás. A garota, por outro lado, também era muito orgulhosa para recusar um desafio desses. Já queria ir embora mesmo e, sem pensar nas consequências, ela pegou o que tinha e saiu do camarote.

    Enfiou-se no banheiro quando viu que a familia Do estava e deu um tempo. Respirou fundo, olhando seu reflexo no espelho e secou um pouco as lágrimas. Dali, ela mandou uma mensagem para MiSoo, dizendo o que estava acontecendo, em linhas gerais. Pretendia ligar mesmo para o pai e pedir socorro, mas no fundo não sabia se ele estava em casa.

    Quando ouviu o silêncio nos corredores e o som da orquestra, ela saiu e começou a andar para longe daquele lugar. Estava tão ofegante que nem percebeu que, no segundo andar, Hyun-Hee também tinha fugido da Ópera. Eun-Bi levou a mão até a boca e acelerou os passos, andando o mais rápido que conseguia com aquele salto e as pernas meio trôpegas.

    Pelo caminho, ela ligou para o pai.

    Isso se mostrou um desperdício de bateria e tempo. A cada toque que ele não atendia, o desespero a consumia ainda mais. Atravessava as ruas com o celular no ouvido, escutando a caixa postal.

    Ele realmente tinha viajado com a madrasta dela.

    Não era como se fosse culpa dele, afinal, ele não era adivinha. Mas droga! Por que quando a filha mais precisava, esse tipo de coisa acontecia?!

    Como se não bastasse, seu pé começava a doer de novo. Percebeu as luzes do outro lado da avenida e a loja de conveniência talvez pudesse encontrar ajuda. Só um pouco de bateria e chamaria um carro com carga o suficiente para levá-la até sua casa em Gangnam. Não conseguiria ir até lá à pé, mesmo que tivesse muita vontade disso.

    A Divina Comédia ocorria no Teatro, mas quem estava no Inferno era Eun-Bi.


    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Dom Jan 07, 2018 6:15 pm

    Conforme ela foi se virando, o coração de Jae-ki batia mais acelerado. Não tinha se enganado, era mesmo a Eun-bi. Era estranho como o tempo parecia parar quando a encontrava, era ainda mais intenso porque a bailarina estava incrivelmente linda. Nunca a tinha visto de vestido antes, e apesar de simples estava muito bela. Jae ficou paralisado por um tempo a encarando. Parecia que ela tinha o poder de aparecer nos lugares que Jae menos esperava. Eun-bi se destacava de qualquer coisa que estivesse ali, era como uma aparição de outro mundo, ela não devia estar ali. Estavam na mesma altura e logo percebeu os olhos vermelhos dela e cheios de lágrimas, assim como o rosto corado pelo choro. Isso aumentava ainda mais a vontade de querer protegê-la. Por que ela estava chorando? O que teria trazido a menina rica para um lugar como esse? E quem teria descuidado tanto da proteção dela pra estar ali? Na verdade que louco a deixaria andar por aí? Não era como se ela fosse como ele, era uma patricinha. Olhou dos pés dela usando salto para o rosto dela, a garota usava um salto, mesmo tendo se machucado há pouco tempo. Seria ela tão louca pra sair andando por aí?Ninguém a ensinou a tomar cuidado?


    Estava tão surpreso que quando ela falou o seu nome, o garoto nem respondeu, a beleza e a presença dela tão repentina, o deixava um pouco sem palavras. Mas foi a voz do atendente que o chamou de volta para realidade. Jae-ki observava a cena tentando entender o que acontecia ali. Percebeu o celular desligado na mão dela e ligou ao que o homem dizia. "Que? Eun-bi vai dar um brinco por um carregador? Ela não tem dinheiro?" Viu a garota começar a levar a mão pra retirar os brincos, isso o irritou, aquele atendente era um cretino. Se virou para o homem e disse para ele com o semblante invocado:


    - Ya! Um carregador pelos brincos? Aishh... Isso é um roubo! Ela não vai te dar nada, ela não precisa disso.

    Em seguida se voltou para Eun-bi:

    - Tá com o celular descarregado, então usa o meu. Não dê seus brincos para esse cara.  

    Ver que ela estava tão linda e com os ombros de fora o incomodava também, era de noite e um lugar cheio de garotos lá fora, garotos que Jae sabia como poderiam ser. Ele não pensou duas vezes quando retirou sua jaqueta e colocou sobre os ombros da bailarina, retirou o celular do bolso, mostrou pra ela e a chamou para se distanciarem um pouco do caixa. Seu olhar não estava invocado, mas visivelmente preocupado, não gritava ou discutia, encarava principalmente os olhos vermelhos dela quando falou:


    - Eun-bi... O que você veio fazer aqui? Não devia estar aqui sozinha e a essa hora. É perigoso para uma garota. O que houve? Por que você tá chorando? Não te machucaram?


    Não havia como ficar com raiva dela agora, Eun-bi parecia muito frágil e desprotegida. Havia algo muito mais importante do que qualquer raiva, e isso era deixar ela segura. Jae-ki segurava o celular na direção dela, teria perguntado se ela tinha sido assaltada por causa da falta de dinheiro, mas logo viu que não era o caso, já que estava com o celular, a bolsa e os acessórios. Era menos pior, mas então por que ela esta ali? Era tão ingênua para sair assim?

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Dom Jan 07, 2018 7:30 pm

    - Ani…? - respondeu à amiga.

    MiSoo ficou apreensiva com as palavras de BoMi. Ainda mais ao lembrar do que a mãe dissera sobre querer que ela se afastasse de EunBi. “ A amizade não era mais conveniente”, nas palavras da mãe, assim como “má influência” e… “Mais bonita”... Pelo discurso dela naquela noite, era bastante visível que a Sra. Yeun não estava mais interessada naquela amizade - fosse com mãe ou filha - Já não era mais “conveniente” aos olhos dela, por causa da separação dos pais de EunBi.

    A lembrança trouxe grande tristeza à pobre garota, que não queria dividir tal sentimentos com a amiga, não queria vê-la mais preocupada com isso… Nenhuma das duas. O importante é que MiSoo não abandonaria elas mesmo que as mães não quisessem nunca mais se verem!

    - Nada vai prejudicar nossa amizade… - respondeu de um modo bem mais retraído e desanimado, baixando o olhar na direção do elegante piso do salão - Somos amigas, não importa o que elas façam ou pensem…

    Embora reafirmasse a força da amizade delas, MiSoo não podia deixar de sentir aquele terrível aperto em seu peito. O medo de que tudo pudesse dar errado, de que o egocentrismo e interesse da mãe, no final, vencessem.

    Também estava preocupada com EunBi. Preocupada com o quanto as garras da mãe estavam prejudicando sua vida.

    Por que as mães de ambas tinham que ser tão insuportáveis…?

    MiSoo teve que deixar o pensamento de lado, pois tinha ido, junto à BoMi, falar com o garotos e não poderia ir com aquela cara até eles. Ela respirou fundo e tentou se focar em coisas boas, cumprimentando Minhyun e implicando com Gyu. Já deveria ajudar um pouco a melhorar seu humor… Até que recebeu os elogios e acabou esquecendo de tudo o que estava pensando.

    Para quem nunca recebia tais elogios de garotos, aquela ópera já estava parecendo até uma dimensão paralela à realidade.

    Nem sempre sabia quando elogios eram palavras de pura formalidade ou comentários sinceros, mas com os dois garotos à sua frente sentia que suas palavras não eram mentirosas e isso lhe surpreendia, a deixava sem reação e constrangida. A pele branca deixava o rubor meio visível mesmo sob a maquiagem mais elaborada. MiSoo tinha vontade de esconder o rosto, ou talvez se esconder por inteiro, sem coragem de olhar para o rosto do garoto do segundo ano. Até segurava um pouco a respiração, sem se dar conta.

    Felizmente a resposta de Gyu-Sik à sua implicância tinha feito com que voltasse a realidade, ou que pelo menos começasse a reagir, fazendo seu cérebro voltar a funcionar. BoMi lhe abraçar o braço também lhe amparava emocionalmente a ponto de tentar retornar à conversa sobre a ópera.

    - Ahn... Na verdade não gosto tanto assim de óperas, são interessantes, mas eu prefiro musicais. - logo respondeu, meio sem jeito, sem saber se seria uma resposta muito apreciada depois do garoto ter concluído que MiSoo apreciava óperas - Então acho que não amo nem odeio.

    BoMi retornava à ele a pergunta e com a resposta de Minhyun, MiSoo sentiu-se menos reprimida ou talvez excluída pela própria resposta, mas baixou os olhos em direção a bolsa segurada firmemente com as duas mãos quando o garoto mencionou sobre se emocionar.

    Não tinha percebido que todos tinham compreendido que ela tinha chorado com a ópera ao quase ter revelado, por isso mesmo ficou mais uma vez com vergonha. Será que ainda estava na cara que MiSoo tinha se emocionado demais?? Será que tinha tinha conseguido disfarçar direito??

    Pelo menos ele tinha jogado a pergunta para BoMi e desviado a atenção de MiSoo. A garota sentiu-se um pouco mais aliviada com isso. E ainda mais com a resposta de BoMi, que MiSoo concordava quase que completamente. Teria gostado mais se a temática fosse uma das que BoMi apontava.

    MiSoo concordou e sorriu para amiga com sua resposta.

    - Ia ser mais interessante mesmo se fosse uma história assim. - concordou com um pouco mais de animação - Ye! Ela é muito boa e de voz incrível. - mesmo que BoMi não estivesse respondendo à amiga, MiSoo se intrometeu para responder outra vez, afinal era sua amiga e já estava acostumada a falar o que quisesse perto dela.

    De repente Minhyun mencionada o assunto sobre sentarem próximos que MiSoo tinha dito durante a semana na escola  e que também era o motivo dela ter se aproximado - até esquecer completamente por causa do elogio. A garota ficava novamente sem jeito por ter afirmado algo que nem tinha acontecido e queria se explicar, mesmo que não soubesse o que realmente tinha acontecido.

    Antes que ele mencionasse os Seo e Wang, MiSoo respondeu com o que sabia:

    - Pelo jeito não nos sentamos próximos. Mas foi o que minha ommoni tinha dito no meio da semana, que a família Han ia sentar ao lado da nossa. - esboçou uma expressão pensativa - Eu acho que ela errou, porque aparentemente foi a família Park que utilizou o camarote ao lado.

    Para o resto do que Minhyun falava, BoMi se pronunciou, movida pela curiosidade que as amigas já conheciam. MiSoo também ouvia com interesse à resposta do garoto, mas ela arqueava as duas sobrancelhas com a informação de que a família Seo tinha os convidado. Será que tinha sido um convite de última hora, por isso sua mãe tinha uma informação errada sobre o local de onde a família Han estaria? MiSoo não entrou nesse assunto, estava curiosa, normalmente se interessava facilmente pelo que os outros tinham para contar - talvez por passar tempo demais com BoMi - mas não realmente interessada sobre tais detalhes, apenas na conversa em si.

    Prestava atenção na conversa entre Minhyun e BoMi, mas não tinha o que dizer sobre Hyemin e a família dela. Tirando o episódio assustador do ataque às bolsistas e outras meninas - cujo os gritos tinham deixado MiSoo com muuuita pena delas - e também o fato de as duas gostarem de tênis, a jovem não sabia muito mais sobre ela e seus familiares.

    Até que Minhyun voltasse a atenção à MiSoo, se lamentando que não estivessem em camarotes próximos.

    - Ah! Pergunte para ele por mensagem de texto! - tinha um sorriso refreado, porém engraçado no rosto - Talvez receba uma resposta mais elaborada. - comentava por pura provocação ao garoto, uma pequena parte se referia ao pedido de desculpas que recebera apenas por mensagem, mas a maior era apenas a implicância costumeira.



    Terminou com um grande sorriso divertido. Talvez não fosse a pessoa mais genial com esse tipo de brincadeiras, mas queria esquecer o desentendimento que tiveram e voltar à normalidade, embora em meio à ópera estivesse sendo um pouco mais difícil para MiSoo, talvez pelo elogio “atípico” que ele lhe dera.

    Para ela, essa também era uma forma de fazê-lo falar mais. Implicava com ele porque, às vezes, era o único jeito de fazê-lo dizer algo menos “sucinto”, como Minhyun classificou a análise de Gyu-Sik. Começou provocando o irmão gêmeo da amiga só para receber alguma resposta de volta - afinal sempre via BoMi sempre conseguir fazê-lo falar assim - mas no fim acabou se tornando uma prática divertida entre os dois. Também costumava chamá-lo de ninja porque era comum o garoto se aproximar sem dizer nada e MiSoo, que sempre foi meio distraída, só percebia depois de algum tempo… Ou se dissesse algo mesmo.

    Logo os gêmeos já estavam discutindo entre si e MiSoo quase sempre achava graça dos dois. A interação deles costumava lhe fazer imaginar o quanto sua vida seria melhor se as implicâncias da irmã mais velha fossem assim, bobas e engraçadas. Mas aquela garota que partilhava o mesmo sangue de MiSoo só saberia ser insensível e impiedosa. Totalmente indiferente ao sofrimento de sua dongsen.

    MiSoo sorria, mas as lembranças da irmã lhe deixavam com um gosto amargo na boca.

    Gyu-Sik começava a mencionar sobre o broche, fazendo MiSoo se lembrar que também tinha ido até eles para comentar sobre isso, mas, aparentemente, o garoto já tinha conhecimento de que não fora Hyun Hee que jogara o objeto e sim “uma garota maluca”, ou pelo menos foi o que o ex-ketchup dissera.

    - Aish! Você já sabia que não tinha sido ele? Achei que tinha ficado corajoso! - inflou um pouco as bochechas, simulando uma careta de decepção, mas rapidamente tirou a expressão do rosto e continuou - Cheguei a conversar com o Ket-- Com Park Hyun Hee e ele me disse que uma garota quem tinha jogado o broche em você. Até era isso que eu ia falar quando vim aqui. - não queria mencionar que queria falar sobre o erro da mãe com Minhyun também porque achou que soaria estranho - Fiz besteira outra vez… - coçou a cabeça atrás da orelha e fez um biquinho triste e desapontado, baixando um pouco a cabeça.

    - Eu acho que eu vi ela… - tinha certeza que vira, pois presenciou, mesmo de longe a interação deles e a garota que se afastou deveria ser Park Chayoung, embora não a conhecesse - Na escola. - ficou com vergonha de mencionar que estava observando a garota se desculpar - Mas não a conheço, nunca falei com ela. Fico feliz que ela também tenha se desculpado. Acho que o problema morre aqui, então. - incluía nesse “também” o fato dela mesma ter se desculpado com o ex-Kechup, o problema é que nem tinha falado sobre isso com o trio.

    Minhyun comentava que precisava ir com a família tirar as fotos no fundo de patrocínio e perguntava que os demais já tinha tirado. Os gêmeos responderam positivamente, mas MiSoo ainda não tinha feito isso.

    - Essas ainda não tirei. - torceu sutilmente os lábios em desânimo com as fotos que ainda precisaria tirar - Acho que terei que ir logo também.

    - Até depois, Minhyun-shi! - acenou para o garoto mais velho com um gracioso sorriso que iluminava seu rosto.


    MiSoo tinha gostado da presença do garoto. Parecia bastante gentil e fácil de se conversar e esse tinha sido o momento em que mais trocaram palavras até então. Além do mais, tinha recebido aqueles belos elogios meio exagerados, mas que tinham impressionado e envergonhado a garota. Se tivesse pensado muito neles com certeza não teria conseguido conversar direito e passaria ainda mais vergonha.

    Tirando Mia, MiSoo não costumava se comunicar com o pessoal dos anos à frente, então sabia pouco sobre a maioria deles. Sabia mais com que as amigas he contavam e o que conseguia guardar na mente dessas informações, o que normalmente não era muito.

    - Aish. Fiquei constrangida de ter dito o que minha ommoni falou e que, no final, nem era verdade… - cobriu o rosto com as mãos, mostrando os dentes de forma exagerada, enquanto comentava com BoMi.




    Não conseguiu conversar muito mais com os gêmeos porque logo também foi chamada para as tais fotos e tinha que se apresentar imediatamente à família, pois não queria ouvir mais reclamações da mãe.

    MiSoo se despediu dos amigos dando um abraço apertado em BoMi, sem pensar se amassaria ou não seu vestido, e acenando com as duas mãos próximas ao rosto para Gyu-Sik enquanto tinha um sorrisinho fofo.



    Afastou-se com seus passos mais lentos em direção à famíla e o sorriso alegre se apagava um pouco. Provavelmente teria saído meio séria nas fotos se não fosse pela presença da halmoni e da prima, que tinha ficado mais animada em ter reencontrado agora. Ficava mais aliviada em saber que Ji-Eun só havia ido ao toalete e não tinha ficado triste por não ter sido chamada nas fotos com as amigas de MiSoo.

    MiSoo sorria normalmente nas fotos, mas não do jeito alegre e fofo com que normalmente sorria para seus amigos. Mesmo assim tinha gostado de tirar umas fotos apenas com a prima e ficou um pouco sem jeito nas em que precisou pousar sozinha. Era bem mais fácil quando posava para fotos com as amigas, mesmo que elas quisessem apenas tirar uma foto de MiSoo sozinha. Tudo acontecia com mais espontaneidade e a garota sentia-se mais à vontade para fazer poses e caretas. Ali, diante de um fotógrafo profissional e de várias pessoas lhe observando, sentia-se um pouco como se aqueles olhares estivessem lhe julgando. Como se algo estivesse errado com sua aparência e com a roupa. Precisava se concentrar para não encolher os ombros ou acabar fazendo uma careta sem querer, mas no final achou que se saiu bem, apesar da insegurança. Pelo menos tinha saído sorrindo, não tinha feito nada de esquisito e a mãe não lhe chamara a atenção.

    Quando a sessão de fotos acabou já era hora de voltarem ao camarote para a segunda parte da peça. MiSoo já estava um pouco cansada de estar ali no teatro, mas seguiu a família sem reclamar, enquanto conversava um pouco com a prima e a avó sobre o que fariam no dia seguinte e avisava também que à tarde teria um dever da escola para fazer.

    Chegou a pensar em perguntar para a mãe por que tinha dito que a família Han sentaria perto deles, mas depois de ter brigado com MiSoo, a garota achou melhor ficar quieta.

    Quando já tinha se sentado em seu lugar mais uma vez e esperava a ópera ir para seu segundo ato, ouviu o baixo toque do celular recebendo uma mensagem privada e tirou o aparelho da bolsinha, percebendo que tratava-se de uma mensagem de EunBi. Uma mensagem que deixara MiSoo extremamente nervosa!

    Como EunBi decidia ir embora sem ao menos dinheiro para um táxi??!?!?

    Talvez, na impulsividade, MiSoo também fizesse o mesmo, mas olhando de fora via como era uma péssima ideia que a amiga teve. Estavam longe do apartamento de EunBi! MiSoo queria correr atrás da amiga e impedir que a garota tomasse tal atitude. Com o celular nas mãos, a garota levantou-se com pressa e desajeitadamente de sua poltrona e já ia de qualquer jeito em direção à saída do camarote quando seus olhos cruzaram com os da mãe, que não estavam nada contentes com aquela ação abrupta da filha. Nem deu tempo de MiSoo se afastar de sua poltrona e as luzes já se apagavam, deixando o camarote quase que engolido pela escuridão antes da iluminação da peça ressurgir por detrás das cortinas e a música voltar à reverberar pelas paredes da construção.

    Sem saber o que fazer, mas já imaginando que seus problemas seriam infinitamente maiores com a mãe do que foram no corredor do camarote se saísse agora - além de provavelmente irritar o pai também. A garota voltou a sentar-se sentindo um grande aperto no peito. Pegou o celular mais uma vez e começou a digitar para a amiga, esperando que os 13% de bateria fosse o suficiente para receber a mensagem.


    “EunBi-yah, não saia por aí sozinha! Se quiser eu chamo um taxi para você para o condomínio.
    Aí peço para algum dos empregados lá em casa pagar o táxi.
    De lá pode ir para casa do seu pai.
    Espera na frente do teatro que eu chamo o táxi para você.”


    Foi obrigada a desligar logo a luz na tela do celular, pois os pais não pareciam muito contentes com a garota mexendo no aparelho durante a peça. Agora seria muito difícil de se concentrar na ópera, pois MiSoo não conseguia parar de se preocupar em como a amiga estava e se torturar mentalmente por não poder fazer nada por ela. Eram nesses momentos que a fome começava a aumentar… E já estava sem comer há tanto tempo…

    Quanto ao táxi, esperaria alguma resposta da amiga para tentar chamar um para ela, mesmo que os pais lhe olhassem feio outra vez por culpa da luz do celular.
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    Re: Capítulo 2

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      Data/hora atual: Sex Jun 22, 2018 2:46 am