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    Capítulo 2

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    Ailish
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Sex Jan 12, 2018 12:24 am

    Sobre o colo, os dedos movimentavam-se como se estivessem deslizando por cima das teclas de um piano, embora ela não fosse uma praticante assídua. Já até arriscou algumas notas e melodias, mas o talento musical de Sunny estava numa outra área. Na concepção dela, não existia nada mais tranquilo e, ao mesmo tempo, empolgante do que os instrumentais. O coração acompanhava perfeitamente o ritmo imposto... ora sereno como uma brisa, ora raivoso como a pior das tempestades. Quando sentia-se oca, era na música que achava o ponto de equilíbrio que as medicações não ofereciam.

    A cabeça estava encaixada no encosto do banco e, devagar, pendeu para o lado conforme abria os olhos e fitava o rosto da titia. Sunny sorriu. Ela era tão bonita. Parecia mesmo um anjo... um anjo genioso, claro, mas gentil e adorável. Delicadamente para não acordá-la do cochilo, apoiou as pontas dos dedos contra a mão da mulher, iniciando um afago. Aproveitou e bisbilhotou o que os senhores faziam também e cada um estava alienado nas próprias distrações. Nisso, o celular de Sunny vibrou e quando checou o motivo, suspirou de alívio ao ver a mensagem de Stella. Diferente de Chae e Lee-Hi, que ainda dormiam, Sun-Hee respondeu de cara.

    “Euuuun, oiiii!
    Tudo bem! =D Como foi o estudo? Você e o Dong se divertiram?
    Pode deixar, vou mandar várias fotos das crianças hahaha e depois trocaremos por alguns dias, sim! Acho que vai aprovar as minhas compras.
    E intercâmbio? Quero!
    Quero! Quero! Queeeeerooooo!
    Obrigada, amiga <3 Nos falamos mais tarde, bjs!”


    Depois de enviar a mensagem, Sunny só mexeu no celular para mudar ou voltar uma música e em determinadas etapas da viagem, ela dormiu, mas não profundamente, apenas descansou um pouquinho, economizando as energias que gastaria durante o domingo inteiro.

    Já na rodoviária, jogou os braços para cima, deixando toda as articulações estalarem devido ao tempo que permaneceram sentados.

    - Cheeeeegamos!!!

    Exclamou, animadíssima.

    Enquanto Yi-Hoo terminava de se esticar, ela aproveitou a brecha e pegou um pacote de biscoito na mochila do irmão, que estava dando mole no bolso de fora. Antes do rapaz perceber, Sunny virou, enfiando um quadradinho açucarado na boca. Foi nesse momento que ela viu.

    - Hum?

    Impossível...

    Garotos altos? Para ela, então... Não era difícil de encontrar. Entretanto, o jeito das pernas longas se moverem, a maneira alinhada dos ombros...

    Sentiu o estômago embrulhar só pela perspectiva.

    - Ahn... Fala... – dizia de modo distraído, acompanhando o desconhecido começar a se confundir no meio de uma multidão aglomerada de visitantes – QUIIIIIIÉÉÉÉÉ?????????? - gritou de volta.

    Só precisou de uma olhadinha na direção de Jun-Pyo e... ele sumiu.

    - SEU BRUTO! Não empurraaaa, peste! Ahhhhh! Titiiiiiia! – apelou, mas só porque estava zangada! Para enfatizar o drama, esfregava a mão no lugar que o irmão CRUELMENTE AGREDIU e fazia biquinho.



    Quando tia Yu-Mi tacou as mochilas e bolsas nas costas de Jun-Pyo, Sunny mostrou um sorriso vingativo e de vitória. Trooouxa.

    Por culpa dele, perdeu o estranho de vista!

    E por que importava?

    Só pela semelhança com...?

    Humpf.

    Essa era uma questão resolvida, frisou mentalmente. Aliás, seria uma COINCIDÊNCIA ABSURDA!

    A animação retornou assim que, depois de acertarem os detalhes de rotas e afins, seguiram o fluxo. Era uma caminhada extensa, mas eles mal notaram os minutos transcorrerem. Sunny tirava várias fotos, porém, devido ao episódio, ela não conseguia se desligar de Seul por completo. E se fosse... Não. Não queria sequer mentalizar o nome. Não era raiva ou ódio, mas sabia que isso puxaria lembranças, e não desejava estragar o passeio com tristezas e decepções cotidianas.

    Hoje não.

    De jeito nenhum.

    - Que... lindas...

    Entreabriu os lábios e tocou as laterais do rosto quando avistou as cerejeiras. Era uma visão deslumbrante e única. As pétalas róseas despencavam feito cascatas e forravam o chão, tornando o cenário tão... puro. Sunny tirou uma foto, não se incomodando com as pessoas que apareceram na imagem. Por um instante breve, sentiu as pálpebras úmidas e precisou descer a aba do boné, na intenção de esconder a vermelhidão dos olhos e nariz.

    Aquele tratava-se de um ritual da família Kim, mas Sunny nunca deixava de perder o ar diante daquele sonho tão doce.

    Como se alguém tivesse limpado as máculas, apenas para existir no mundo um lugar em que as dores e sujeiras não tivessem a capacidade de manchar. Um lugar onde a alma se renova e que inspira alegria, gentileza e amor. E não é o que a Flor de Cerejeira representa?

    Esperança...

    Na hora de tirar a foto, tentou imitar a pose de sempre. Um braço ao redor do pai e o outro em Jun-Pyo enquanto Yi-Hoo permanecia do lado vago do Sr. Kim, abraçando-o, e a proximidade permitia que a mão tocasse o topo da cabeça de Sunny. Todos sorriram ao sinal da titia, mas no fundo, bem lá dentro dos estilhaços, ela quis chorar, o que não era diferente dos anos anteriores. Depois de cumprirem a tradição, a família tirou várias selcas uns dos outros, engraçadas e bonitinhas, enchendo as memórias dos aparelhos com novas recordações. As mais bonitas eles revelavam para colocar nos porta-retratos e espalhavam pela casa. Algumas, Sunny prendia no mural junto de momentos antigos e felizes.

    Estava adorando, sem dúvidas.

    Amava sair com a família! Mas... Não se enganava. A animação dividia espaço com aquela inusitada impressão. E como ocorria no colégio, não continha o olhar ansioso, que buscava um único alvo...

    A expressão séria e introspectiva dele...

    E agora, ridiculamente, fazia a mesma coisa.

    Não muito distante, visualizou a ponte e de maneira implicante, ela correu na frente dos familiares e de costas para que os irmãos pudessem observar as caretas propositais, precisando tomar cuidado e não tropeçar ou esbarrar nas pessoas. Apenas próxima do comecinho que ela se virou. A lente do rapaz captou o instante que ela puxava o boné da cabeça e a balançava para ajeitar os fios negros e escorridos. Sunny estava prestes a curvar o tronco e apoiar as mãos nos joelhos graças ao fôlego gasto quando percebeu uma câmera apontada em sua direção. Aquilo atraiu o interesse da menina.



    Espera... Estava tirando foto suas???

    AHHHH!

    Por quê?!?!?!

    Com medo de ser algum pervertido, ela se encolheu, apesar da distância entre os dois, até que... o estranho abaixou o braço e revelou a identidade.

    Sunny recuou um passo como se tivesse levado outro empurrão.

    Mas agora o culpado não foi Jun-Pyo.

    - Jung Mi...

    Era ele.

    Era ele mesmo.

    Esqueceu de respirar. De falar. De se mexer.

    Esqueceu do mundo.

    Como...?

    O choque a desnorteou e levou de volta ao auditório, quando o encontrou no WangJo, e ele simplesmente virou o rosto, desconcertado, como acontecia agora.

    Uma avalanche tombou sobre sua consciência e a irritou, mas aquela era uma irritação tardia.

    Dessa vez não.

    Sunny não pensou exatamente nas consequências. Ainda havia uma boa distância da família e aproveitando-se de tal, ela se deixou levar. De camarote, Jung Mi assistiria Sunny se aproximar, e a caminhada apressada logo transformava-se numa corrida/fuga até pairar diante do Príncipe, ofegante e igualmente corada. O fluxo de pessoas serviu para encobrir as ações dela, só que não tinham tempo de sobra...

    Então, ela fez o que desejou há semanas.

    Atravessou a barreira e subiu no pedestal.

    Por segundos, os olhos se cruzaram e estremeceu com a imagem tão nítida e perfeita de Jung.

    Estava mesmo acontecendo?

    Ia, de fato, se precipitar assim?

    - Vem comigo...

    Disse do jeito meigo que costumava recepcioná-lo no Café enquanto a mão lhe envolvia o punho e o puxava para o centro da confusão, perdendo-se, e de uma maneira muito torta, se encontrando também. No calor do momento, não imaginou no que a atitude poderia gerar na opinião de Jung Mi. Mas e daí? Já foi omissa demais, paciente demais.

    Talvez nem fosse de verdade.

    Porém, o contato morno e direto da mão no braço exposto de Jung a prendia aos fatos.

    Com medo que escapasse, botou mais força na pressão suave dos dedos finos, atando-se a ele feito um nó cego.
    Persephone
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Sex Jan 12, 2018 2:50 am

    [JAE-KI]

    06/04/2019 - Sábado
    11 P.M


    A resposta de Jae-Ki diante do comentário dela sobre salvá-lo fez outro sorriso surgir nos lábios da bailarina. Dessa vez, ela mordeu um pouco os lábios e abaixou a cabeça, ainda sorrindo. Respirou fundo e o encarou, tombando a cabeça para o lado.

    - Ainda bem… - Suspirou para Jae. - Mas um dia, eu vou retribuir. Eu pareço fraquinha, mas sou forte.

    Pelo menos no temperamento, ela era bastante forte mesmo. Só que quando falou isso, ela fechou os punhos, como se fosse mostrar seu modo de combate. Acabou rindo porque as mãos estavam bem erradas, mas dessa vez, ela escondeu os lábios, sendo um pouco mais discreta e recatada do que antes.

    O momento ficou sério de novo e Jae-Ki pedia para que ela contasse o que tinha acontecido. Eun-Bi não quis saber o segredo dele, porque tinha prometido às amigas que não mentiria mais para elas e, caso elas perguntassem, não poderia manter o segredo de Jae-Ki. Claro que manteria, mas aí estaria quebrando a palavra com um dos lados e não queria isso. Portanto, preferia não saber, mas ela contou a parte dela.

    Porque sentia que devia pelo menos isso a Jae.

    O tópico em si já a deixava bastante triste e as respostas de Jae, ao invés de animá-la ou acalmá-la, a preocupavam. Apesar de ser teimosa e orgulhosa, não achava que estava certa não. Não queria deixar sua mãe preocupada ou desrespeitar seus pais. Era irritante sim, mas parte dela ainda clamava para que fosse motivo de orgulho e não de desgosto para eles. Fora que os amava e nunca era bom magoar quem se ama.

    Os conselhos de Jae, por outro lado, evidenciavam a rebeldia dele. Será que ele tinha problemas graves em casa também? O olhar dela ficou um pouco triste e, meio que encerrando o ponto de vista, ela murmurou.

    - Mas eu não quero preocupar minha ommoni… - Disse num tom quase manhoso e abaixou a cabeça. - Não quero desrespeitá-la ou preocupá-la, Jae. Mas hoje...Eu realmente não queria esperar por ela e me virar sozinha. Estou cansada…

    Admitiu, olhando para as próprias unhas através do pedacinho de dedos que ficavam para fora do casaco dele.

    Eles ficaram algum tempo em silêncio, absorvendo aqueles pontos de vista até que Jae falava de novo. Agradecia por ela ter contado. Ergueu a cabeça para encará-lo e o peito chegou a doer um pouco quando ouviu que ele andou pensando muito naqueles dias. Então não tinha sido apenas ela…

    Isso era...reconfortante.

    Diante da pergunta sobre a mão forte, ela deu outro sorrisinho.

    - Eu já disse...Eu sou forte. - Disse com simplicidade, também rindo, mas ficou séria ao ouvir sobre Soo-Ji. Os olhos dela brilharam quando ouviu o nome da garotinha. - Perguntou? Ela é tão linda...- Seu rosto se iluminou, mas logo fez um beicinho. - Oh...Entendo...Eu nunca...nunca quis magoá-la. E...queria muito ensiná-la alguns passos de ballet sim.

    Sua expressão transmitia honestidade e ela engoliu em seco quando ouviu sobre WangJo.

    - É...Parece que o uniforme pesa, não é?

    Os dois se encararam bastante ao longo daqueles segundos em silêncio. Eun-Bi registrava o rosto de Jae e suas sutis nuances, como agora enquanto tomava fôlego para falar de novo. A pergunta a atravessou de um jeito estranho. Eun-Bi não estava com raiva, mas sentiu-se...estranha.

    Levantou-se da cadeira, diante do desconforto e deu um passo na direção do balcão que ele se apoiava. Apoiou os braços ali também e disse, sem encará-lo.

    - Nunca fomos namorados. - Disse seriamente e, apesar de não estarem brigando, aquele tópico a aborrecia um pouco. - Fiz para proteger você, eu já disse. - Franziu as sobrancelhas. - Eu não quero que cheguem até você, que descubram que você foi o motivo da ira dele. Porque…Eu não quero que te machuquem…

    Parou de encará-lo e quando disse “machucar”, não era apenas fisicamente falando. Era algo mais profundo do que isso.

    - Pode não fazer lógica para você, mas eu sei o que estou fazendo. Sei que é difícil confiar em mim depois de tudo, mas...pelo menos tente.

    Olhou para ele com os olhos meio marejados pelas lembranças. Contudo, a expressão dela ficou um pouco confusa quando olhou além e viu os amigos de Jae se levantando, recolhendo as coisas para irem embora.

    - Jae-Ki...Seus amigos estão indo embora. - Comentou meio aflita e o encarou de novo. - Aish, olha o que eu fiz!

    Quando Jae-Ki olhasse para trás, realmente veria que os amigos se afastavam dali. Eles queriam andar por Jung-Su, não ficar de vela para Jae-Ki! O pior era que o chip de Jae não estava ativo para receber as ligações ou mensagens deles.

    [HYUN-HEE]

    07/04/2019 - Madrugada de Domingo
    1:20 A.M


    Os primeiros instantes dentro daquele clube foram quase que nostálgicos para Hyun. Ele nunca estivera ali antes - era uma nova aliança de Jong-In, feita recentemente enquanto ele estava nos EUA. Mas o lugar era nostálgico justamente porque o remetia ao momento de sua vida que experimentou a extrema liberdade e solidão.

    Os amigos dos EUA eram efêmeros como a felicidade que sentia lá.

    Era um ambiente completamente diferente e muito mais liberal da Coreia - liberal principalmente para quem tinha muito dinheiro e isso nunca faltou a Hyun. Mal sabia ele que era um preço “barato” para deixá-lo longe de casa e de qualquer influência com a herança que realmente importava. A liberdade o permitia ter noites e dias insanos.

    Apesar do trauma envolvendo neve, a velocidade sempre o acalmava e ele costumava abusar de curvas e trajetos perigosos, fosse de carro ou moto - tinha a carteira de motorista por lá. Parecia que estava constantemente tentando flertar com a Morte, mas todas as vezes era rejeitado.

    Quando os acidentes não funcionavam, ele seguia para as noitadas com os amigos. Todas eram regadas a muito álcool e “balas” que traduziam aquelas músicas eletrônicas como o hino da vida. Tudo ganhava cores, sentido, ficava muito rápido ou em câmera lenta. A única coisa que importava era o sentir. E com isso vinham os desejos carnais que as americanas alimentavam de modo muito mais do que as recatadas coreanas.

    Era uma vida de extremos e nenhuma regra.

    Hyun-Hee podia quase tateá-la no ar quando entrou ali. Era uma parte da Coreia que não era exibida, não fazia bem para a propaganda, por isso apenas as pessoas “do meio” sabiam. As coreanas dali não diferenciavam em nada das americanas - o estilo recatado dava lugar para decotes, roupas curtas ou apertadas e elas não eram as diferentes dali, as estrangeiras que sim.

    A música já fazia seu efeito e pela aparência, alguns já alcançavam aquele grau de elevação mental proporcionado pelos entorpecentes.

    Hyun conseguiu voltar à realidade e subir até a área VIP. Já podia sentir a adrenalina percorrendo por seu corpo quando Jong-In o brindou. Ele era o maestro de tudo aquilo e o lugar já tinha indícios disso: bebidas, energéticos, cigarros.

    Taehyung e Ro Young fumavam num canto. Da Won conversava de modo privado com a noona do 3º ano enquanto Mi-Ran já dançava na frente de Ji-Ran enquanto se apoiavam no parapeito da área VIP. Jong-In riu para o amigo.

    - Essa é a intenção, hm? Precisamos sempre nos superar a cada semana! - Fez outra mistura de energético com vodka para si e brindou com o amigo.

    Ouviu a pergunta dele e fez uma careta.

    - Seria a Jimin, não é? Mas com o Taehyung aqui, acho difícil, então...Você que conseguiu sua própria surpresinha de hoje. Já eu, convidei uma menina especial, só não sei se ela virá mesmo.

    Ponderou.

    - É por isso que me manterei sóbrio até às 2:30 e depois verei. - Sorriu e olhou para Da Won. - Veja só como o amor verdadeiro é uma farsa. Se Mily soubesse, tenho certeza de que segunda-feira já estaria na sua, ao invés de esperar por ele.

    Deu a ideia. Nos intervalos, Da Won e Mily sempre ficavam naquele jogo de conversa que não ia para a frente. No entanto, ali ele parecia bem interessado na outra garota. Os quietinhos eram mesmo os piores. Jong-In nem sentia muito por isso, quem chamou foi o proprio mesmo.

    Jimin e Nana chegavam, finalmente. A loira chegava com um belo sorriso que diminuiu um pouco quando viu o Taehyung. Teve que disfarçar e manter a carinha fofa, mas cumprimentou os dois.

    - A festa parece ótima, oppa. - Sorriu para Jong-In e olhou para Hyun. Deu uma piscadinha discreta para ele e continuou andando, puxando Nana.

    - Pera aí! - Jong-In puxou Nana pelo pulso e a girou. - É sua primeira vez, não é?

    Nana arregalou um pouco os olhos e olhou para Jimin. A loira deu de ombros e largou a menina ali no meio dos lobos enquanto ia cumprimentar.

    - É a primeira da Mi-Ran também. - Jong-In a soltou. - Você já sabe as regras, não sabe? Nada de fotos ou de contar para aquela sua amiguinha…

    - Não contarei, oppa. Eu prometo… - Disse um pouco receosa e olhou para Hyun-Hee, chegando a corar.

    - Muito bem. Assim que eu gosto.

    Nana deu um sorrisinho um pouco nervoso, mas logo ela estava um pouco insegura ali. Pelo menos nos primeiros momentos. As pessoas mudavam naquela atmosfera, pareciam mais...adultas, ameaçadoras. Nana não estava acostumada com aquele ambiente, apesar de ser bem ousada.

    - Talvez ela só precise do estímulo certo… - Jong-In comentou, ponderando. - Se não for seu plano B, ela será meu.

    E depois de dizer essa frase horrível, ele deu um gole em seu drink e circulou pela área, indo falar com os outros convidados.

    [MISOO]

    8:30 A.M.


    Depois da angústia que passou diante do espelho, MiSoo estava determinada a retomar sua rotina: precisava correr, ainda que o organismo não tivesse nenhum alimento para sustentá-la. Felizmente, antes que começasse a correr pelo condomínio, numa tentativa desesperada de oxigenar a mente e se livrar dos problemas, a voz da avó a atraiu até os jardins.

    De fato, os hábitos diurnos de MiSoo tinham muita influência de sua avó. A avó gostava de aproveitar cada minuto do dia, logo nas primeiras horas e, talvez, esse fosse o segredo para aparentar uma idade que não tinha mais.

    Com roupas simples e equipada apenas com um regador, ela cantarolava uma música tradicional para suas queridas plantinhas.

    Estavam florescendo e eram lindas, mas nenhuma era mais bela do que MiSoo. A avó parou o que estava fazendo e a recepcionou com um lindo e convidativo sorriso.

    - Bom dia, minha querida!

    Deixou o regador de lado e a envolveu em um abraço apertado e gostoso. Todo o volume do casaco se desfez com aquele gesto e a avó chegou a tateá-la um pouco, estranhando a pouca carne que havia ali. Franziu um pouco as sobrancelhas, achando que havia algo de errado, mas logo meneou negativamente e apenas aproveitou o doce abraço.

    - Claro que pode me ajudar! Sentimos muita falta de você. - Incluiu as plantas enquanto entregava o regador para ela e seguia até a mesinha para colocar mais água em outro regador, de mesmo tamanho. - Sei bem, você agora é uma jovem muito bela e requisitada demais para visitar sua velha halmoni.

    Fez um beicinho dramático, mas logo sorriu.

    - Você sabe que é sempre bem-vinda, independente de um convite meu. Sempre que quiser ou precisar, venha para sua casa. - Era a cada dela também. - As plantas estão ótimas, seguindo o próprio ciclo. Não trouxe novas espécies por falta de espaço e preferi fazer a manutenção das que tinhamos. Lembra-se daquela?

    Apontou uma orquidea lilás que estava na árvore.

    - Aquela foi você quem alocou. Ela está belissima, não é? - Sorriu, orgulhosa. - E como você está? Faz tempo que não conversamos…

    Suspirou, nostálgica.

    - Como foi a sua primeira semana de volta às aulas? Como estão suas amigas? As aulas de tênis? Você? - A avó dava vários tópicos para que ela escolhesse o que se sentisse mais confortável. - Ontem eu vi vários olhares para você. Já é naturalmente linda, mas ontem estava radiante. Já descobriu que os garotos começam a ficar menos chatos aos 16 anos?

    Deu uma risadinha de modo cúmplice com ela.

    [HYEMIN]

    10 A.M.


    O trajeto para o clube tinha sido uma sessão de tortura fofa. O pai não aguentava mais tanta música chiclete, mas, no fim, lá estava ele cantarolando os refrões repetitivos e tentando imitar os “passos” que a filha ensinava sentada. Era quase um carro-karaoke. Ainda bem que não estavam filmando!
    Se isso caísse nas redes, acabaria visualizando.

    E, apesar de ser CEO de uma das empresas mais influentes nesse ramo, Sung-Ki achava que certas coisas precisavam ficar assim: limitadas às memórias. Era muito mais importante registrar esses momentos e pai e filha na mente e no coração do que num HD que poderia ser deletado depois. As memórias não, elas ficavam para sempre.

    Os dois chegaram animados ao clube e escolheram uma das quadras. Alugariam por cerca de duas, tempo o suficiente para aproveitarem o sol. Acabariam saindo dali meio dia e, por sorte, escolheram um dos cantinhos que teria a proteção das árvores. Caso contrário, o sol poderia ser um prejuízo.

    - Da próxima vez, temos que chegar mais cedo. - Comentou. - Acho que aproveitamos melhor…

    Mas nem ele aguentaria acordar tão cedo depois do horário que chegaram da Ópera. O jogo de tênis foi uma ideia que surgiu de última hora, por isso tudo foi decidido assim, às pressas. E não tinha como ser melhor, no fim das contas. Os dois teriam um momento de qualidade apenas para eles.

    O jogo foi bastante equilibrado. Apesar de ser um jogo-treino, Sung-Ki também era competitivo e não passava a mão na cabeça de Hyemin. Eles jogavam para valer e as trocas duravam vários minutos. Corriam, se jogavam, se esticavam e agachavam, mas não deixavam a bola dar dois toques. O pai era muito bom nos esportes. Hyemin sabia que, além disso, ele também nadava, jogava golfe com sócios e tinha noção de arqueirismo. Mas tênis era seu segundo favorito, de fato - preferia natação, mas para passar o tempo com a filha, o melhor era tênis.

    Tinha ficado muito feliz quando a menina demonstrou interesse pelo esporte. O tênis mexia com o corpo inteiro e isso ajudou muito Hyemin numa época de sua vida.

    Vez ou outra, o pai pausava o jogo para fazer recomendações à filha, fosse de postura ou onde a bola deveria bater para que o efeito fosse melhor. No mais, era só elogio e competição entre eles.

    Após uma hora, eles fizeram uma pausa para repor os sais minerais com gatorade. Sung-Ki estava um pouco suado e cansado, a ponto de desmoronar um pouco no banco. Deu um generoso gole em sua garrafa e a encarou.

    - Você está cada vez melhor, parabéns. - A cumprimentou e respirou fundo. -E eu estou ficando velho.- Começou com os dramas, mas não por muito tempo.

    Agora parados, podiam começar a conversar um pouco.

    - Eu não sei se te disse ainda, mas fiquei orgulhoso com sua atitude no colégio. Pedir desculpas não é um sinal de fraqueza. Fiquei satisfeito em ver que foi sincera, apesar da ameaça que fiz.

    Uma ameaça real! O pai sorriu e fez um afago na cabeça dela.

    - Mas enfim, o que achou de ontem? Você parecia muito próxima da Han Sunyoung...Já eram amigas?

    [WON-BIN]

    10 A.M.


    - Oh, terça-feira? Foi essa semana, então… - Bo-Mi meneava positivamente, compreendendo agora. - Araso… - Ajeitou uma mecha de cabelo, colocando atrás da orelha.

    Won-Bin dava risadas nervosas e ela também parecia um pouco menos confiante do que o normal. Aquela era mesmo a primeira vez que conversavam sozinhos. Sem Gyu, Kang, louco da moto ou as meninas. Bo-Mi estava se sentindo um pouco ansiosa e não entendia porque também.

    Não gostava de se sentir assim, gostava de ter o controle da situação e sentia que, pouco a pouco o perdia. Escondeu os lábios, formando um biquinho e puxou o ar diante da pergunta.

    - É...Pode-se dizer que sim. - Sorriu meio sem jeito. - Na verdade, eu...Venho quase sempre. Foi bem atípico não ter aparecido essa semana. Eu sou apaixonada pelo smoothie de baunilha da Hyosang-shi. - As bochechas brancas coraram um pouquinho. - Ela sabe sim, ela é um amor…

    A mesma mão que usou para coçar de leve a cabeça foi usada para coçar a própria nuca. Olhou para ele quando ouviu sobre a semana e um discreto beicinho surgiu nos lábios dela. Tinha ficado intrigada com o silêncio dele durante a semana. Won mudou muito depois da história do gesso e Bo-Mi não entendeu porque. Será que tinha ficado envergonhado por ter contado o motivo? Ou elas foram muito protetoras e ele se sentiu ofendido? Dificil saber.

    - Ye...Eu percebi. - Comentou meio que alfinetando. - Pensei que tinha feito algo errado, mas...que bom que foi só porque estava ocupado.

    De costas para os dois, Hyosang só meneava negativamente enquanto ouvia a conversa ali. O liquidificador fez parte da trilha sonora, atraindo a atenção dela por um instante, mas as palavras de Won pareceram mais importantes no momento.

    - Miane, eu não imaginava que você fosse saber disso. - Riu um pouco envergonhada também. O risada virou um sorriso discreto e bonito ao ouvir que ele faria novamente. - É mesmo? Então...Vou atravessar a rua distraída mais vezes quando souber que você está por perto.

    Respondeu num tom meigo, de brincadeira e abaixou o olhar.

    - Eu te procurei, sabe? - Comentou. - Nas redes sociais. Minhas amigas me chamam de stalker, mas nem foi com a intenção de investigar sua vida. Eu queria ter te adicionado. Mas...Você só me disse seu nome, na época e, bom, imagine quantos Won Bin existem na Coreia.

    Fez uma cara, dando de ombros.

    - Se eu pudesse voltar naquele dia, só teria mudado essa parte. Teria dito o nome completo…- Levou a mão até o queixo. - Vendo por esse lado, eu acho que nunca me apresentei assim, muito embora você já deva ter lido na plaquinha ou escutado na chamada.

    Colocou as duas mãos paralelas ao corpos e então o reverenciou enquanto começava a dizer.

    - Mannaseo bangabseubnida, je ileum-eun Yoon Bo-Mi (Prazer em conhecê-lo, eu me chamo…)

    Completou o nome quando já se levantava de novo e o encarava.

    Talvez o sobrenome dela...trouxesse algumas respostas e levantasse outras questões complicadas.

    [SUNNY]

    10:45 A.M.


    A família Kim aproveitava aquele domingo de modo bastante especial. Eles adoravam ver as cerejeiras de Jinhae e depois de muita bagunça, começavam a se acalmar. Sunny, por outro lado, continuava implicando com seus irmãos e tomava a frente. Fazia caretas e corria de costas. A tia e o pai se distraiam com a paisagem e apenas Pyo correspondia à implicância.

    Até que ele também ficou para trás.

    Não demorou para que Sunny se deparasse com uma câmera mirando em sua direção. À princípio ela ficou confusa e um pouco aborrecida até que essas sensações seriam substituídas pela mais genuína surpresa.

    Jung-Mi hesitou um pouco em abaixar a câmera, mas uma vez que o fez, não houve mais receio por parte dele. Os dois se encaravam diretamente, sem a necessidade de lentes, máscaras, uniformes ou nomes falsos. Naquele momento, eram apenas dois jovens que estavam aproveitando um domingo de sol e...se cruzaram.

    Os olhos estreitos dele piscaram lentamente diante da figura de Sunny. Mesmo àquela distância, ele pôde ler seu nome saindo dos lábios dela. Por algum motivo, ele sentiu vontade de sorrir porque aquilo o aqueceu e acreditava que teria sentido isso mesmo se fosse inverno.

    O garoto ajeitou a postura, pouco a pouco tomando aquele porte sério e inalcançável que costumava ter. Sunny estava em choque e ele não sabia o que dizer. Os dois se viram e não tinham como negar isso, mas ele não sabia se um aceno seria o suficiente agora. No entanto, daquela vez, Sunny decidiu por si só que as coisas seriam diferentes.

    Enquanto ele pensava, Sunny agia.

    Foi com surpresa que ele viu aquela figura solar se aproximando dele, cada vez mais rápida. Abaixou um pouco a cabeça para encará-la, ouvindo aquela ordem dita de um jeito meigo. E, mais do que isso, pela primeira vez, sentiu o toque da mão dela contra sua pele. Seu pulso grosso foi envolvido pelos delicados dedos dela e puxado sabe-se lá para onde.

    O destino importava, afinal?

    Não quando a companhia era ela.

    Jung-Mi começou a acompanhá-la naquela correria que ele não sabia onde iria terminar. Sentiu a pressão dela aumentando ao redor de seu pulso e os dois correram, correram e correram. A ponte foi ficando para trás e ela continuava na frente, o guiando.

    Até que não mais.

    A falta de reação chegou ao fim e Sunny sentiria o impacto. Jung parou de correr e virou o pulso, segurando o dela ao invés de ser puxado. Os dedos dele eram um pouco mais grossos, com as pontas calejadas - das cordas do violino, mas ela não sabia disso. Fechavam com tranquilidade ao redor do pulso dela.

    Os cabelos dela ainda voariam para frente por conta da lei da inércia, mas Jung-Mi a trouxe para trás com receio que ela acabasse caindo.

    A respiração ofegante dele por conta da corrida seria sentida no topo da cabeça dela, passando pelo tecido do boné.

    Já estavam longe o suficiente de sabe-se lá o que que ela fugia. Agora estavam numa área que tinha mais restaurantes, café e lojas de lembrancinha. O garoto respirou fundo mais uma vez até que disse.

    - Sun-Hee… - A voz grave ecoou e era preciso coragem para se virar e encará-lo logo atrás dela.
    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Sex Jan 12, 2018 11:36 am

    Sempre que Eun-bi fazia uma gracinha como falar que era forte e fechar os punhos, Jae-ki não conseguia evitar, acabava sorrindo. A garota mesmo depois do que ele disse, ainda queria retribuir sua ajuda, não parecia mais aquela esnobe que ele tinha imaginado que ela era. Guardou essa informação para si e continuaram a conversar. Infelizmente quando falaram sobre o que havia acontecido na ópera, Jae-ki acabou descarregando sua visão mais rebelde sobre pais, se colocava no lugar dela e falava como se fosse ele que tivesse que reagir, isso juntava ainda ao fato de estar aborrecido com a omoni dela. Porém havia dito algumas coisas erradas sem ter parado para pensar que Eun-bi não era como ele. Percebeu que ela ficou meio triste e hesitante, antes a vida dela parecia tão perfeita, mas ao vê-la assim de cabeça baixa dava pra sentir que a bailarina parecia mesmo incomodada com tudo isso. Jae-ki sentia até raiva, os pais da garota tinham feito ela chorar daquele jeito mais cedo e agora ela ainda se preocupava com eles. Ele já tinha passado da época em que se preocupava com o que os pais pensavam, depois de decepções tão grandes, a mágoa cobria todo afeto que poderia sentir por eles.

    " Eun-bi ainda não entende que não dá pra respeitar uma omoni que não respeita ela... Por que os pais não vê que eles erram e só nos criticam? Espera! Uwa! Ela me chamou de Jae em vez de Jae-ki? Daebak! *(incrível)"
    Sentiu seu coração acelerando mais um pouco e nem tocou mais nesse assunto de pais, não queria que ela acabasse chorando também.

    Depois que Jae-ki falou de Soo-ji, ficou observando a reação dela. Era um assunto bastante delicado e importante para ele, gostou do que ouviu e se sentia mais tranquilo. Se tinha alguma dúvida que ela desdenhava dos dois, agora estava completamente extinguida. Embora achasse que seria difícil para Eun-bi ensinar alguma coisa a sua irmã. Não dava para levar Soo-ji para Wangjo, não faria isso nem se pudesse, aquilo era praticamente um ninho de cobras. Também se perguntava se a bailarina voltaria aquele bairro de novo. Ouviu o comentário sobre o uniforme pesar, mas não entendeu muito bem o que ela quis dizer, apesar de saber que era em sentido figurativo. O que mais o irritava mesmo era a sensação de estar acorrentado, tinha que se vigiar constantemente em Wangjo, não podia ser ele mesmo. Brigar era seu jeito de se defender, como faria agora que não podia? Como mostraria aqueles ricos que não podiam mexer com ele? Era uma situação complicada.    

    Mas Jae-ki estava tranquilo ali, tanto que se sentiu confiante para fazer uma pergunta meio indiscreta e repentina. Não era como se quisesse discutir, estava calmo, longe da escola e já tinha refletido bastante. Mas não esperava pela reação dela, estava aborrecida, mas a resposta foi boa para os ouvidos de Jae. Eles não eram e nem foram namorados, isso era bom. Mas as palavras dela a seguir o fizeram franzir as sobrancelhas também. Por mais que tentasse não entendia, só que dessa vez pelo menos tinha algumas informações adicionais. "Quem vai descobrir o que? Me machucar? Será que ela ta falando dos amigos do Taemin? Não, mas ai ele mesmo contaria... Aishh não entendo..." Já ia rebater ela, porém a garota ainda acrescentou mais algumas palavras que o deixaram pensativo, principalmente ao ver que os olhos dela começaram a ficar marejados. Não queria fazer ela chorar, ainda mais depois de ter conseguido arrancar alguns sorrisos dela. Esse assunto parecia mesmo incomodá-la, talvez tanto quanto o incomodava. Será que ele podia confiar nela? Ou ao menos tentar como ela disse. A encarava tentando analisar o semblante dela quando foi avisado que seus amigos estavam indo embora!


    - Mwo?!

    Jae-ki rapidamente olhou em direção aos amigos e os viu também indo embora! Na mesma hora seu primeiro impulso foi de desencostar de onde estava, iria correr em direção a porta, chamar eles. Mas ao encontrar seu olhar com dela, parou. Eun-bi o encarava e parecia aflita. Deixaria ela ali? Não conseguia deixar ela ali, e se ainda conseguisse trazer os amigos de volta, como os convenceriam a esperar até a carona dela chegar? Não achava que era culpa dela apesar dela falar como se fosse. Lembrou que seu chip não estava no celular, por isso não deu pra receber mensagens deles ou ligações. Jae-ki ficou mesmo um pouco nervoso com isso:

    - Aish...

    Porém sua maior preocupação não era que perderia o rolê, mas pelo que ele tinha feito aos amigos mais cedo. Não queria que se zangassem com ele de novo. Lembrar disso também o fez lançar um olhar demorado e pensativo para Eun-bi, ele tinha escondido algo dos amigos e a bailarina meio que fazia isso com ele agora. Podia lembrar como havia se sentido ao ser acusado e em como ele sempre dizia que era melhor não contar do que mentir. Tinha conseguido finalmente conversar um pouco com ela, não parecia uma esnobe, mas uma garota que tinha alguns problemas, ela havia chorado bastante e os olhos marejados ao falar do que houve... Talvez devesse mesmo tentar confiar nela. Eun-bi também tinha contado um pouco da vida dela, um problema que provavelmente não ia querer que ele espalhasse na escola, confiou nele e por isso talvez devesse dar créditos a ela. Não como era se tivesse mentido de novo para ele, só omitia, embora tivesse a chance de poder inventar qualquer história.

    - Ani, você não fez nada. Eu que te fiz ficar com minhas perguntas... E eu vejo esses cara quase todo fim de semana, não é como se eu perdesse algo...

    Jae também sentiu uma estranha vontade de contar algumas coisas a ela, talvez porque parecia que ela fosse entender e sem pensar, acabou saindo mesmo:

    - É só que eu pisei na bola com eles mais cedo, escondi que tinha passado para Wangjo e só contei hoje. Eu não sei porque eu fiz isso... Fiquei com medo de perder essa chance, eu já perdi tantas coisas, aí parecia que qualquer coisa ia me fazer perder isso também. Tsc... Tomara que eles não fiquem chateados, mas eu resolvo, depois eu vou ligar para eles, relaxa, vai ficar tudo certo.  

    "Eu espero que os caras não grilem..." Ao menos Jae-ki tentava se convencer que isso não os aborreceria tanto. Depois ligaria a cobrar pra Jong-Suk. Voltou a si e viu que ela estava de pé! Mas e o pé dela?!

    -Eun-bi! Seu pé! - Exclamou, fez um bico invocado - Senta aí ou eu vou tirar esses sapatos de você, humpf... Melhor ficar sentada esperando sua carona. Acho que tá na hora de usar o aplicativo... Já te fiz ficar muito tempo...

    Não era como se ele quisesse se despedir dela, mas não poderia a enrolar por horas, poderia? Não sabia como seria ver ela na segunda, não sabia se poderiam conversar normalmente. Será que brigariam de novo? Não dava para saber. Pegou o seu celular e colocou na mão dela para que ela pudesse fazer a ligação, o plano de fundo ainda era a mesma foto da Soo-ji que ela viu naquele dia do assalto.


    - Pode usar. Ah e sobre aquilo... Eu juro que não te entendo, mas tá, eu vou tentar confiar. - Sorriu em seguida, um sorriso mais discreto, mas que tentava passar alguma segurança.

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Sex Jan 12, 2018 3:22 pm

    Ter visto a avó cuidando tão serenamente do seu jardim fez com que as angústias que assolavam MiSoo se dissipassem por enquanto. Tinha ficado contente com a visão e entusiasmou-se ainda mais quando se aproximou para lhe abraçar como se não a visse há meses. Queria poder morar com a avó, pois com ela era sempre bem diferente do que a realidade em sua casa. Com ela sentia-se bem, apoiada e amada. Em casa, antes de MinJi ir embora, sentia-se meio que deixada de lado pela mãe e nunca conseguiu se aproximar muito do pai, pois sempre foi uma pessoa bastante severa e um tanto distante. MiSoo achou que com a irmã indo morar fora sua vida naquela casa melhoraria bastante, já que não teria a MinJi no seu pé. De fato, ganhou uma atenção da mão que não tinha antes, mas sua vida na casa não melhorou muito. MiSoo apenas recebeu a troca do bullying da irmã pelas cobranças descabidas da mãe.

    Com a halmoni era diferente. Ela ouvia o que MiSoo tinha a dizer e certamente não ficava condenando suas amizades, como a mãe ou lhe obrigando a se desfazer de algumas coisas porque eram esquisitas ou infantis demais.

    Como queria morar ali com a halmoni, o tio, a prima, se ainda morasse lá, e até o primo, mas esperava que ele não fosse tão insuportável quando MinJi.

    MiSoo não conseguiu aproveitar o tempo com a avó ontem, já que o evento e as roupas tinham lhe cansado, mas agora iria aproveitar sua energia matinal para ajudá-la e conversar mais com sua querida halmoni.

    MiSoo meneava a cabeça em afirmação, com um largo sorriso nos lábios, enquanto segurava o regador recém entregue à ela e via a avó ir encher o outro.

    - Sinto falta de tooodas vocês! Elas estão muito bonitas, halmoni! Como sempre! Bom trabalho!! Você é a melhor com as plantas! - comentava com entusiasmo, dando até pulinhos cheios de energia, mesmo que não estivesse assim tão repleta de energia por ainda nem ter comido nada.

    Em seguida perguntou por onde poderia começar a regar as plantas e começou o trabalho, molhando-as cuidadosamente enquanto observava como estavam vibrantes e saudáveis.


    - Halmoni! -  a chamou em um tom de repreensão quando a ouviu falar que MiSoo tinha ficado requisitada demais para visitar a avó, mas logo riu com ela - Eu teria vindo ontem se não tivesse aquela ópera e as várias horas para nos arrumar para ir. Agora que começaram as aulas é um pouco mais difícil durante a semana, mas no fim de semana eu sempre posso vir! Aish! Vai ser ainda mais complicado agora que os clubes vão começar. É nessa semana! - comentava, enquanto se agachava no gramado para regar umas plantinhas menores e mais delicadas - Váaarias horas na escola, como nos anos anteriores.

    Sorriu com o convite de que sempre poderia voltar na casa da vovó, mas fez uma careta quando ela mencionou a falta de espaço.

    - Aigo! Precisamos de um jardim maior!! - levantou-se e exclamou de modo meio dramático - Para termos uma planta de cada tipo que existe!! - brincou, abrindo os braços em um movimento bem exagerado e dramático, chegando a deixar cair alguns pingos do regador no próprio moletom - Ou um jardim como naquele filme bem antigo! - não especificou o filme, mas estava falando de “O Jardim Secreto”, que assistiu apenas porque tinha gostado do título - Qual? - seguiu com os olhos para o local em que a avó apontava e mostrava a orquídea lilás - Yee!! Ela está muito linda mesmo! Quem bom que se adaptou bem! Qualquer planta fica feliz com a halmoni tomando conta dela! Por isso que está tão bonita agora! - se aproximou saltitante da árvore em que a orquídea estava presa e mais uma vez deu um doce sorriso enquanto observava cuidadosamente o estado da planta.



    A Sra. Kwon perguntava à neta como ela estava e MiSoo respondia à ela sem tirar os olhos das plantas que estavam perto da árvore com a orquídea, tratando de regá-las também:

    - Ah, halmoni. Eu estou bem. - tinha respondido com um pouquiiiiinho menos de entusiasmo na voz -  Melhor agora que estou aqui.



    Em seguida à avó começava a bombardear a neta de perguntas e MiSoo arregalava um pouco os olhos, sem saber por onde começar diante de tantas questões, mas tentando responder à todas o melhor que conseguisse:

    - Hmmmm… A Mia e a BoMi estão bem! Só a EunBi que não tenho muita certeza. Eu te disse ontem. Ela me mandou mensagem dizendo que ia voltar à pé da ópera para casa e eu fiquei muito preocupada, nem consegui prestar atenção no resto da ópera. - coçava atrás da orelha, pensativa e franzindo um pouco as sobrancelhas em preocupação com a amiga - Liguei para ela depois da ópera e EunBi-yah disse que estava tudo bem… Mas eu não sei. Não sei o que aconteceu e se ela conseguiu ir para casa. Queria perguntar hoje de novo, mas esqueci de recarregar o celular… E também não sei se já estará acordada.

    Suspirou, um pouco ansiosa e preocupada. Talvez fosse melhor descobrir pelo grupo, antes, se ela estava acordada. Não queria tirar sua amiga de seu sono. Talvez ela estivesse muito cansada da noite anterior e dos problemas com a mãe… MiSoo tinha parado e se voltado em direção à halmoni para lhe responder, mas agora voltava a dar atenção aos arbustos mais próximos do cercado,mas percebia que já tinha usado toda a água do regador.

    Enquanto se dirigia à mesinha onde estava a torneira para preencher o objeto de água, lembrava-se das outras perguntas a avó e tentava lhe responder deixando a preocupação na voz um pouco de lado:

    - As aulas de tênis estão ótimas como sempre! Estou feliz porque essa semana vou ter também o começo dos treinos no clube de tênis também! Vou ter bastante treino! E a capitã do clube não gosta muito de mim. É da família Do, eles são todos malucos. - resmungou fazendo uma careta - Mas eu vou ser melhor que ela, assim não vai me incomodar muito! - virou-se para a vó e ergueu o braço em um “fighting!” mudo - Sobre a primeira semana de aulas… - torceu os lábios e coçou a nuca, pensando em como começaria a contar sobre sua semana - Foi um pouquinho conturbada e cheeeia de deveres de casa! Ainda bem que agora só faltam um dever e meio! E na escola eu acabei me metendo em algumas confusõeszinhas… - fez uma carinha fofa e arrependida, coçando a nuca.


    Começou a contar sobres algumas das situações da semana como a pequena confusão na segunda, o presente de desculpas que deu à um colega - e o motivo para isso, o qual já tinha comentando com ela, pois já tinha mencionado em algum momento que tinha feito um pequeno escândalo no café - também comentou do que aconteceu na escola envolvendo o lago e sua amiga, o colega que tinha lhe ajudado algumas vezes, que tinha brigado com Gyu-Sik, mas que já estava tudo bem…. Só não tinha mencionado a quarta feira, pois não costumava comentar essas histórias de bullying com ela. Já bastava o que sabia das maldades que MinJi vivia fazendo, não queria incomodar a avó com esse tipo de coisa versão WangJo. Estava tão distraída que i regador já estava transbordando.

    - Aigo! Esqueci da água! - desligou rapidamente e voltou correndo aos arbustos, derramando a água pelo caminho enquanto equilibrava o objeto agora pesado.

    - Agora faltou a pergunta… Sobre mim…? - olhou para a halmoni sem entender a pergunta final - Mas eu o que??

    A conversa tomava o rumo da noite anterior e a avó mencionava os olhares que MiSoo tinha recebido e que, claro, a maioria nem percebeu. Ela também comentava como estava bonita no evento. Sempre ouvia a avó dizer que sua neta era linda. Era coisa de avó, não era? Mas não sabia exatamente o que ela queria dizer com radiante.

    - Acha mesmo, Halmoni? Eu não estava esquisita? Não estava parecendo outra pessoa? Mais como a Minji… Aishhh… Tinha muitas pessoas me olhando? - segurou o regador com força entre as duas mãos, sentindo-se um pouco ansiosa com a informação - Eu estava tão nervooosa. Até esqueci de retribuir os elogios… - começava a resmungar outra vez.

    De repente a  halmoni começava a falar sobre os garotos de 16 anos serem menos chatos. MiSoo arregalou os olhos e se virou para regar mais algumas plantas, respondendo dali mesmo.

    - Menos chatos? - ponderou, pousando a mão sob o queixo e fazendo um biquinho pensativo - Ahn… Eu fiz mais amigos na escola nessa semana do que… Em toda a vida? É por isso? - continua bastante concentrada na ideia -  Acho que, em comparação à outros anos, eles eram bem mais chatos mesmo… A maioria. Deve ser por isso que fiz mais amigos. Aish! - agitou-se -  Acho que até fiz mais um amigo na ópera! Aliás, lá não foi tão ruim quanto eu achei que seria! - largou um pouco o regador para pousar as mãos sobre as bochechas.


    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sex Jan 12, 2018 4:29 pm

    - Vou tentar…    - fez um biquinho sobre acordar cedo. Achava era que da próxima vez era só não irem a nenhuma ópera, que tal? Mas não podia reclamar. O evento era o que tinha aproximado a família Wang. Que outra oportunidade assim tão natural teria?

    De qualquer forma, aproveitou bastante aquele jogo e mal viu os minutos passando. Não gostava de receber nenhum tipo de instrução, mas como o pai não era seu professor, entendia que eram apenas dicas, que ela ouvia com carinho, embora algumas mais longas ela nem estivesse prestando muita atenção. Era divertido passar tempo com ele, sentir que podiam se entender em alguma coisa e fazer parte de um microuniverso juntos. Ficava feliz de conseguir fazê-lo se esforçar também para jogar e de ver o pai empenhado naquela brincadeira, não apenas para deixá-la feliz, mas porque estava também se divertindo. Era bom fazer as coisas certas para variar. Sabia que não era uma boa aluna, mas tinha suas artimanhas para enganar a escola e o pai, então quando podia demonstrar algum talento que vinha dela, era muita satisfação que a preenchia por poder dar algum orgulho de verdade para ele.

    Quando pausaram, ficou um tempo sem conversar, repondo as energias com líquido e secando o rosto com uma toalhinha.

    - Obrigada, appa. - fez manha com os ombros para frente e as mãos juntas, envergonhada, porém sentindo-se a perfeita garotinha querida do papai.

    -  Para, isso nem é verdade! Um velho jamais saberia a coreografia de Likey - gostava de encher a moral do pai, e era bem verdade que não o via como velho. Na verdade, nunca pensava que um dia o sr. Seo envelheceria nessa vida. Para ela, sempre teria aquele rosto e seria seu pai querido.

    A menina estava feliz com o tempo de qualidade que passavam juntos, mas ele trouxe aquele assunto de volta. O eye smile de Hyemin se desfez com a simples menção do caso, mesmo que fosse para elogiá-la. Não via assim. Baixou o olhar em um movimento lento e virou o rosto para observar a ponta dos tênis rosados, esticando as pernas e pousando as mãos no joelho.
    - Ne. ( É.  / aquele som de “dae” )

    Por mais que ele dissesse que pedir desculpas não era fraqueza, ela sentia muita vergonha de ouvir aquilo do pai. Porque era humilhante mesmo assim. Aquele garoto não merecia suas desculpas. Só pelo ovo, tudo bem. Mas na realidade, ele tinha sido o mais cruel com ela. O pai também notara que ela tinha sido sincera e isso a magoava um pouco, porque entendia o quanto tinha sido para nada. Tinha recuperado o telefone. Tudo bem. Mas no fim, ele tinha mandado que ela não mexesse com a namorada dele e as novas amiguinhas, esfregando ainda mais o fato na sua cara. O pior de tudo é que, no dia, tinha ficado toda abalada e idiota, até falado coisas estranhas para Yerin. Queria simplesmente esquecer daquilo, então foi essa a tentativa de cortar o assunto de uma forma um pouco seca, embora sem pulso.

    O pai mudou de assunto e a fez olhar com interesse de novo, mas não totalmente empolgada.

    - Ah, ontem… - sorriu, mas nem tão enérgica, recuperando aos poucos em sua fala. - Foi bem legal, appa. Gostei muito de termos ficado ao lado do camarote dos Wang. Han Sunyoung-unnie? - agora sim parecia mais feliz. - Ani. Não somos amigas, mas ela é minha sunbae de Moda! Ahaha, é bem difícil ser amiga dela, porque ela é considerada rainha da escola, sabia, appa? Mas graças à Yerin eu posso falar com ela normalmente, porque a Rin é Rainha também. Isso faz de mim uma princesa? - botou o indicador no lábio e olhou para cima, imaginando ela e a amiga em Arendelle,  começando seus devaneios e mostrou a língua, cortando a bobagem.




    - De qualquer forma, eu fiquei muito feliz, porque a sunbae é linda e foi como uma irmã mais velha! Ela falou bem do meu vestido e me ajudou com a retocar a maquiagem. Sabia que ela quer se casar com o Wang MyungHee? Ai eu pensei que seria muito legal porque nós seríamos como cunhadas e aí a gente teria uma grife juntas! Eu gostei muito dela e agora que a gente conversou um pouquinho vai ser muito bom fazer parte do clube dela esse ano!

    Ailish
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Sex Jan 12, 2018 5:25 pm

    Não lembrava-se de ter corrido por tanto tempo assim. Gostava de exercitar a mente todos os dias, mas o corpo... blehhh. Sunny tinha um péssimo condicionamento físico, por isso não precisou de muito tempo para que os pulmões começassem a reclamar de dor graças ao fôlego que encontrava dificuldades em trabalhar. Entretanto, diante das circunstâncias, se ela tivesse que fazer uma aposta... Poderia colocar todo seu pouco dinheiro que o motivo da falta de ar não era causado pela corrida, mas sim pela pessoa a quem estava puxando com bastante segurança.

    Estava puxando Park Jung Mi.

    Inacreditável.

    Porém, naquela altura, o arrependimento já deveria ter aparecido, não? Afinal, era loucura! Burrice! Praticamente o obrigava a fazer uma coisa que ele deixou claro não desejar. Não faltou oportunidades dele chamá-la para a tal conversa, e nada. Preferiu o silêncio enquanto Sunny entrava numa espera sem fim. E agora se via nessa situação assombrosa de tão irreal. Não era de agir desse jeito, tão rude e impertinente, mas não conseguiu controlar. Não mais, na verdade. Assim como não sabia lidar com os sentimentos que inquietavam-se nas ocasiões que os olhos batiam na imagem perfeita, ou... bastava pensar no rosto de Jung Mi, ou qualquer outra coisa que remetesse ao “Young” da biblioteca.

    Mesmo quando alcançaram uma distância segura da família, Sunny não parou de correr.

    Primeiro, porque não tinha ideia de qual lugar escolher, e segundo...

    Se parasse, precisaria encará-lo, e ela estava com tanto medo daquilo que veria exposto de Jung Mi... Tanto medo que ele a machucasse de novo com a indiferença de dias atrás.

    Assim que surgiram bifurcações pelo caminho, preferiu virar à esquerda ao invés de seguir adiante. Quanto mais corria, mais segurava-se no rapaz, até que aconteceu uma brusca mudança de posições. Jung facilmente interrompeu a corrida no momento em que cravou as solas do tênis no chão e moveu o pulso de forma que os próprios dedos seguraram Sunny, tirando as rédeas de suas mãos. Foram coisas demais para que ela absorvesse de uma vez. Devido ao ato, o cabelo caiu frente aos ombros enquanto o corpo ia para trás, tendo o amparo de Jung, que impediu uma queda ou desordem no equilíbrio. Sun-Hee arregalou os olhos por conta da súbita atitude e no local que ele segurava, a bolsista conseguiu sentir a textura exata das pontas ásperas dos dedos como o calor reconfortante da palma larga o suficiente para circular o pulso dela, igual a uma algema.

    Sendo bem mais alto, a respiração acertava o boné cor de rosa, e de tão forte e desregulada, penetrava o tecido.

    A presença de Jung Mi a engolia.

    E quando ele chamou por seu nome...

    Ela ruborizou do rosto até as orelhas e finalmente entendeu como a mocinha da história ficava diante do par romântico, com o coração a mil e as pernas moles. Caso caísse, poderia culpar a pequena maratona que acabaram de fazer, né? Mas... – e o pensamento aumentou a quentura na face, além de intensificar a coloração avermelhada – carregava a certeza de que ele não permitiria o tombo. Seu toque não doía, porém, mesmo assim, era firme.

    Cuidadoso...

    Devagar, Sunny girou sobre os calcanhares, cabisbaixa, mas levantou a mão livre, pedindo um instante para recuperar o fôlego. Respirou fundo algumas vezes mais do que as necessárias, ganhando tempo antes de, enfim, erguer o queixo e fitá-lo cara a cara.



    O boné estava errado, o cabelo desgrenhado e as bochechas vermelhas conforme os lábios – sempre tão afrontosos – permaneciam meio separadinhos para empurrar a respiração ofegante. E olhá-lo foi um baita erro... Sunny apoiou a mão no peito, como se pudesse conter o calor que a queimava bem ali.

    Ele era... lindo. Absurdamente lindo.

    Claro que já viu garotos bonitos nos últimos 16 anos, mas nenhum mexeu tanto com ela como Jung Mi e desistiu de procurar os motivos que justificassem esse... fascínio. Agora, tão perto, encarando aquele rosto sério e levemente queimado de sol, não via qualquer ligação dele com a imagem que Joo-Hyuk tão seguramente esculpiu na conversa de ontem. Não... combinava.

    - Eu... Eu sinto muito... E-Eu saí te arrastando... Ahhhh, que vergonha! – ela olhou para os pés, constrangida – Miane... – falou baixinho, mas não demorava a encará-lo outra vez – Seria muito estranho perguntar se você pode conversar, mesmo depois de tirá-lo de... Hm...

    Então, ela riu em meio a um tímido sorriso que escapou graças ao nível de nervosismo.



    O que mudou quando o olhar bateu na mão que ainda a segurava. Sunny subiu os olhos aos dele e corou, porém não desviou mais a atenção.

    - Talvez eu deva reformular a pergunta...



    Um bico apareceu na boca arqueada.

    - Você quer conversar comigo, Jung Mi?
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Sex Jan 12, 2018 5:27 pm

    Hyun Hee se sentia em casa naquele lugar. Duplamente. Antigos amigos. Lugar novo, porém ambiente conhecido. Estrangeiras E coreanas dividindo o mesmo espaço. Música, álcool, cigarros. Destrutivo e errado, como ele e sua “personalidade ruim” classificada pelo psiquiatra.

    - Seria ela, né? Ainda bem que eu arrumei a minha, seu otário.  - riu e deu um sorriso estranho para o amigo, reconhecendo que ele tinha sido ferrado pela presença de Taehyung, mas também deixando claro que estava tudo certo, fazia parte. Jimin não era nenhum desejo especial. Era só um desejo. Agora, o “especial” de verdade é que o preocupava.

    - Com tanto mistério eu vou esperar demais. Mas tá, vamos esperar essa tua especial - bebeu mais um pouco, ansioso, e olhou de novo para trás, fingindo ser motivado pela fala do amigo.

    Que bosta. Onde estava a joaninha? Ela viria? Colocou a mão no bolso, no celular. Mas não podia mandar mensagem na frente dele. Era péssima essa ironia de ter que esconder coisas que Jongin não tinha a menor intenção de esconder dele.

    - Eu sou o último cara decente da Wangjo! - sorriu confiante e soltou uma risada.  -  Vou consolar todas que vocês deixarem chorando.  

    Além do mais, JongIn que ficasse sóbrio para a garota dele. Ele tinha ido para curtir. E a verdade era que estava ansioso demais até que os nomes completassem. Talvez fosse melhor pegar um cigarro e descarregar a tremedeira interna nele.

    Logo Jimin e EunNa estavam entre eles. Faltavam três. Uma delas era Sunyoung. Mais duas? Dessa vez não precisava ser discreto, então mediu as duas e fixou o olhar em Jimin, apenas para ser desgraçado mesmo e vê-la se esforçar em não sorrir tanto de volta. Piscou lentamente e lambeu o canto do lábio, deixando que ela fosse. Em seguida, observou a amiga. Nana parecia incrivelmente mais nova naquele ambiente. Além disso, ele se divertia com aqueles momento nos quais as pessoas que se mostravam muito fortes e prepotentes em público demonstravam suas fraquezas. Riu discretamente da forma que ela dizia “Eu prometo, oppa” e ser olhado o fez sentir-se muito bem. Ele praticamente podia sentir a insegurança que não existia na sala de aula. Parte bem pequena dele tinha um pouco de dó. Queria ligar pros pais dela e falar “olha o que essa louca tá fazendo”, mas a menina sabia bem o que estava fazendo… bem, mais ou menos, fato que despertou um certo instinto fraternal. Não tratava com falta de respeito quem ainda tinha alguma gota de inocência. Era só seu lado protetor de irmão mais velho falando mais alto e o apito interno tinha mesmo razão, porque o amigo caçador já estava querendo fazer “jonginnice”. Ouviu Jongin, que cogitava ser “o estímulo” da menina. Era tudo que aquela coitada não merecia.  Piscou.

    - Eu cuido da novata. - Parou de beber e ofereceu o próprio copo para ela.


    - Bem-vinda.  

    Oferecer bebida não era exatamente o jeito mais correto de proteger uma menor de idade daquele mundo horrível, mas um golinho não matava ninguém e ainda a faria sentir-se muito mais em casa.  Sorriu, aproximando-se dela e a olhou bem mais de perto agora, imaginando que talvez ela estivesse confusa com o conteúdo do copo. Era bacana de pelo menos avisar o que ela estava fazendo.

    - É vodka. -  esclareceu. - Quer um copo pra você?

    Podia ser preso agora. Aliciando menores (como se ele também não fosse um). Era por essas e outras que todos mantinham segredo nas festas de Jongin, porque todos estavam sempre errados.

    isaac-sky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Sex Jan 12, 2018 9:45 pm


    - Oh, terça-feira? Foi essa semana, então… - Bo-Mi meneava positivamente, compreendendo agora. - Araso… - Ajeitou uma mecha de cabelo, colocando atrás da orelha.

    Meneou positivamente. A forma como ela arrumava o cabelo era um tanto hipnótica, mas Won conseguiu se manter focado o suficiente mesmo muito nervoso.

    "Ela parece tão diferente, não parece tanto a garota confiante e popular da Wangjo e mais uma garota...normal? Não sei"

    Na verdade, eu...Venho quase sempre. Foi bem atípico não ter aparecido essa semana. Eu sou apaixonada pelo smoothie de baunilha da Hyosang-shi. - As bochechas brancas coraram um pouquinho. - Ela sabe sim, ela é um amor…

    Won sorriu quando ela corou um pouquinho.

    -Já que vem sempre então vou aprender a fazer o smoothie de baunilha especial da Sabiá 1 - se recordou do codinome do dia do lago que ela mesmo se deu. Acabou falando sem querer e riu sem graça - Miane, eu lembrei dos apelidos daquele dia

    Quando falou e pediu desculpas pelo seu sumiço durante a semana olhava atentamente como ela reagia. A alfinetada tinha sido certeira mesmo se não fora intencional.

    Pensei que tinha feito algo errado, mas...que bom que foi só porque estava ocupado.

    -Miane miane - se curvou rapidamente duas vezes, como se rogasse desculpas e sorriu.

    - Miane, eu não imaginava que você fosse saber disso. - Riu um pouco envergonhada também. O risada virou um sorriso discreto e bonito ao ouvir que ele faria novamente. - É mesmo? Então...Vou atravessar a rua distraída mais vezes quando souber que você está por perto.

    Aquele pequeno silêncio entre as palavras de Bo-Mi e seu sorriso pareciam durar mais que instantes, como se aquele momento durasse mais que o normal.
    Para Won, era um momento encravado em sua memória.

    Arregalou os olhos quando ela falou sobre atravessar distraída.

    "Ela tá falando sério!?"

    Riu de nervoso mas acabou entendendo que era uma brincadeira.

    - Eu te procurei, sabe? -

    O coração de Won disparou sem saber o motivo. Talvez fosse a certeza de que realmente não tinha sido um medíocre encontro, mas ela queria saber quem era ele...

    "Eu fiquei sonhando e nem procurei por ela nas redes sociais direito"

    - Nas redes sociais. Minhas amigas me chamam de stalker, mas nem foi com a intenção de investigar sua vida. Eu queria ter te adicionado. Mas...Você só me disse seu nome, na época e, bom, imagine quantos Won Bin existem na Coreia.

    -Haha, não é stalker. Eu acho que tem vários então? - respondeu um tanto incerto - Aish, aquilo passou tão rápido que se eu disse umas duas frases foi muito. Eu também queria ter te adicionado, mas minhas habilidades de investigação ainda são muito pequenas - coçou a nuca.

    - Se eu pudesse voltar naquele dia, só teria mudado essa parte. Teria dito o nome completo…- Levou a mão até o queixo. - Vendo por esse lado, eu acho que nunca me apresentei assim, muito embora você já deva ter lido na plaquinha ou escutado na chamada.

    Won ouvia atentamente.

    Então Bo-Mi fazia uma reverencia o pegando completamente de surpresa. Era um tanto engraçado, parecia a cena de algum filme onde o heroi conhecia o nome da heroína que havia acabado de conhecer...

    -Prazer em conhece-la Yoon Bo-Mi - respondeu com uma reverencia também - -Eu me chamo Hwang Won-Bin, o primeiro e único

    "Eu acho"


    Não conseguiu segurar o riso, mas não ria dela e sim daquele pequeno momento fofo.

    "Yoon Bo-Mi. Yoon...espera, é claro! Não é o sobrenome do dono do café que a Ji-Hyun comentou? E da investigação que o meu pai tinha comemorado..."

    Por sorte ia ver o pai naquele dia, se houvesse oportunidade ele iria querer saber mais sobre aquela história.

    "Não que eu seja um stalker ou algo do tipo. Será que ela é parente dele e por isso vem sempre aqui? Meu Deus, quais as chances!?"

    -Agora você pode me adicionar nas redes sociais, se quiser



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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por GodHades em Sab Jan 13, 2018 11:32 pm

    Dong não entendia todo aquele espanto e arrebate causado nos amigos, ele chegou a deixar uma das mãos no queixo, coçando sua ponta discretamente enquanto olhava a reação de Ha Neul que parecia o mais alarmado. - Até a noite sim, por que zoaria algo desse jeito? E claro que aconteceu... podemos dizer que eu e ela aprendemos muito.

    Falava em timbre normal e descontraído, mas uma mente um pouco maldosa facilmente interpretaria exageradamente esses dizeres, era tipico de nerds fazerem isso em algumas ocasiões onde envolviam a interação com o  sexo oposto. Nessa hora Kim resolveu tomar a voz, achando estranha aquela reação e animosidade toda, como se fosse algo de outro mundo.

    - Sim. - Respondeu ao amigo de Sunny, quase em perfeita harmonia com as negativas dos que responderam. Da forma como se encaravam pareciam os famosos patos: Huguinho, Zezinho e Luisinho. Dong meneou negativamente para Min-Ho entender que aquela dupla de fanfarrões estavam só gastando com ele. Kim também notaria isso com facilidade se olhasse a calma como o garoto lidava com as alegações trolosas.

    - Vocês tem liberdade para criarem amores platônicos em suas mentes juvenis, eu respeito isso. E sei que não vão fazer montagens e memes com minhas fotos e as dela. - Disse em tom de confiança mas sem perceber que dava a arma aos bandidos. - Escutem a voz da razão e da experiencia, Min-Ho e Kim nada de mal viram e estudar com uma bela e formosa garota e... - Foi quando o trapaceiro dizia sobre Hayoung, a prima dele, e as coisas começaram a desandar, e a olhada de quem queria enforcar aparece.



    - Aishhh... o que você disse Min Ho?! Ela é minha primaa! - Dong tentou ficar bravo mas ele na verdade estava meio corado com aquilo, tornando a cena, ainda pior, se antes ja estava constrangedor, agora é que Kim perceberia o nivel de sandice que se escondia naquele grupo, ainda mais por que sempre alguém dizia a famosa frase:  "mas prima não é parentee". As risadinhas ecoaram, a zoeira perpetuava... porém, perceberiam que esse tipo de tema não era do gosto do convidado, e Kyung não conhecia bem ele ainda para alimentarem esse tipo de ambiente zoeiro, também não queria que ele nutrisse uma má impressão, mas era de se esperar tal comportamento vindo de... jovens inexperientes, vamos colocar assim. - Fico grato com seu pensamento, meu caro.

    Respondeu quando ele disse aquilo de não importar quem gosta ou deixava de gostar. - É uma curiosidade boba, espero que não se ofenda com nossas brincadeiras hehe...



    Dong disse pausamente depois do aish que ouviu, parecendo cansado, como se esse topico fosse muito batido e frequentemente fizesse essa associação, só por serem amigos.



    "É o momento que percebo que foi um bobo em cogitar perguntar isso para ele, parece que o chateia um pouco." Seria chateação ou na verdade era... algo além?

    Os sentimentos masculinos, eram bem obscuros as vezes... por isso os homens são como são. Como o rapaz acabou falando tudo, Kyung nem precisou fazer a derradeira pergunta, ele só escuta tudo enquanto ajeitava seus óculos vez ou outra. - É uma situação um pouco parecida com a que tenho com minha prima, agora que tocou no assunto, Kim. - O que faria sentido as palavras de Min-Ho segundos atrás, mas o virginiano não via real malicia. - Posso concluir que estamos esclarecidos sobre Stella-shi, Sunny-shi, Prima-shi, vamos começar de uma vez. Não há espaço para amor quando se há jogos para zerar! Amar não da XP!



    Tentou disfarçar a pequena saia justa que se meteu com aquela nerd declaração, afundando de vez Ha Neul em suas expectativas de uma vida viril e saudável longe das trincheiras escuras  e oleosas que a vida geek guiava alguns jovens. Dong propôs que jogassem um pouco de King of Fighters antes de fazerem qualquer outra atividade. Vale lembrar que KOF é muito popular na coreia especialmente por seus variados times de taekwondo.

    Quando tivesse chance perguntaria a Kim sobre suas aspirações, referente aos clubs que escolheu, visto que esse era um bom assunto para usar caso os amigos voltassem a falar qualquer coisa referente a Sunny ou Stella ou Yeri... digo Hayoung.



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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Dom Jan 14, 2018 2:10 am

    [JAE-KI]

    06/04/2019 - Sábado
    11 P.M


    Eun-Bi olhava um pouco aflita na direção da janela e também chegou a se desencostar da mesa. Viu a reação de Jae-Ki e escondeu os lábios por um breve momento, imaginando que ele seguiria o impulso inicial, afinal era o que qualquer pessoa faria! Mas ele hesita em ir até a porta para chamar por seus amigos e a encara. A bailarina também ergueu o olhar e o encarou, apesar da mistura de culpa e alívio que sentia por ele ter ficado.

    Não compreendeu o “aish” que ele soltou e sustentou o olhar pelo tempo que ele também o fizesse. Jae-Ki não era como os meninos que ela estava acostumada a conviver, ele era diferente, mais espontâneo, mais...autêntico. Não conhecia regras ou limites, mas tinha um código de ética e uma honra invejáveis. Ele era cativante e foi assim desde a primeira vez que se viram e conversaram.

    Eun-Bi também sentia falta daqueles dias.

    Foram apenas três encontros, mas o suficiente para que ela quisesse ser, de fato, Min-Ah. Queria vê-lo de novo e, quem sabe, fazer parte da vida dele. Não importava a origem humilde ou os problemas que teriam que enfrentar, quando estava com ele só queria...parar o tempo. Mas suas mentiras colocaram tudo a perder e agora, mesmo que o visse diariamente no colégio, parecia que um abismo tinha se formado entre os dois.

    Um abismo que eles conseguiram atravessar naquela noite. E quem sabe quando iria se repetir de novo?

    A bailarina suspirou, engolindo em seco e percorrendo o olhar pelo rosto dele. Estava prestes a pedir desculpas de novo quando ele finalmente falou. Subiu o olhar para encará-lo e, naquele instante, as bochechas dela coraram por mais um motivo que ia além das palavras dele.

    Achava Jae-Ki muito bonito.

    E gostava da voz dele. O som a agradava mesmo com os trejeitos que ele tinha.

    Piscou algumas vezes tentando se concentrar nas palavras seguintes e conseguiu controlar a expressão. Pigarreou e cruzou os braços. A sobrancelha dela chegou a arquear um pouco ao ouvir que ele tinha omitido uma informação dos amigos dele.

    - Hm...Então você também tem segredos. - Quase deu um sorrisinho irônico para aquele “erro” de Jae-Ki. - Então agora você pode me entender.

    Foi ficando um pouco mais séria e sem graça porque não queria provocar, só constatou uma verdade! Ajeitou o cabelo de novo e olhou para os próprios pés quando ele o mencionou. De início não entendeu, mas logo o encarou com uma careta e mexendo as mãos para que ele parasse.

    - Aish, deixa meus sapatos! Ya! Está tudo bem…

    A voz foi diminuindo enquanto ela via o celular sendo oferecido para ela de novo. Olhou para o aparelho, tombando um pouco a cabeça para o lado, mas pegando com o polegar e o indicado. As unhas eram longas e estavam pintadas com um branquinho que dava a impressão de leveza para as mãos. Pressionou o celular com os dois dedos e então o trouxe para si.

    - É...Muito tempo…

    Olhou rapidinho para ele e para o celular. Ao apertar a tela, viu a imagem de Soo-Ji, a mesma foto que tinha visto quando se conheceram. Deu um pequenino sorriso diante da carinha de Soo-Ji, mas os olhos se demoraram um pouco mais no novo ícone do aplicativo. Estava tão imersa nos próprios pensamentos que não chegou a ouvir os últimos comentários dele, apesar da voz ser como uma melodia que ela estivesse escutando.

    Jae-Ki veria os dedos dela parados logo acima do ícone do aplicativo e os lábios abrindo e fechando por umas três vezes, como se ela estivesse pensando no que fazer.

    - Vo… - Umedeceu os lábios. - Você… - Franziu as sobrancelhas como se ainda não estivesse satisfeita com o próprio raciocínio.

    Fechou os olhos, batendo o pé no chão e meneou negativamente.

    - Eu não quero. É isso, eu não quero. - Deu de ombros, mas não devolveu o celular. - Eu não quero ir embora agora...Eu...Eu quero ficar. Você...Você pode ficar comigo? No caso… - Pensou. - Agora que seus amigos foram embora...Será que...Você não podia ficar comigo até o último trem passar? Só que...Eu precisaria que você me desse uma passagem e eu te pagaria segunda.

    A ideia soou tão absurda quando ela disse que Eun-Bi respirou fundo, meneando negativamente.

    - Esquece, vou chamar.

    Virou-se de costas para ele, morrendo de vergonha de encará-lo e começou a digitar seu login no aplicativo para pedir um carro.

    [HYUN-HEE]

    07/04/2019 - Madrugada de Domingo


    A chegada de Jimin e Nana atraiu a atenção dos presentes. Não era segredo para ninguém que a herdeira Do era uma das garotas mais bonitas e requisitadas do colégio - independente da cor do cabelo, ela tinha uma presença muito marcante, seus traços eram belissimos e o corpo, um dos mais imaginados. Já Nana era olhada por ser a novidade. Era a primeira noite dela e de Mi-Ran, mas a diferença era que Nana não tinha um Ji-Ran para protegê-la.

    Por mais avançada e ousada que ela fosse, aquela festa atingia um nível diferente para a menina. Era um território completamente novo, ao qual ela não estava nem um pouco habituada. Já tinha bebido antes, longe dos olhares de Yerin, mas ali era completamente diferente.

    As pessoas pareciam ter uma outra cara no meio daquele jogo de luzes coloridas e flashes que disparavam no ritmo das músicas que não dava para entender as letras. Ironicamente, a face que ela revelava ali era de uma menina e não da mulher que ela aparentava ser em sala.

    Nem de longe lembrava a garota cheia de sugestões indecentes para Hyun. Estava mais tensa, com o corpo rígido, numa mistura de ansiedade, medo, deslumbramento, empolgação e nervoso.

    Ficou ainda mais tensa quando foi parada por Jong-In daquela forma. Jimin parou para ver, mas como já estava um pouco aborrecida com a presença de Taehyung E Hyun-Hee, ela só deu de ombros e deixou a garota pelo caminho enquanto ia falar, toda sorridente com a mesma pessoa que ela não gostaria de ver aquela noite. Precisava manter a pose, no fim das contas e, ainda que ele não fosse a pessoa que ela desejasse, não queria criar problemas para os dias vindouros.

    Já Nana, ficou sob “tutela” de Hyun-Hee. Jong-In deu um meio sorriso quando ouviu a resposta dele e ergueu os braços, como se estivesse rendendo-se à decisão do amigo. Abriu mão de Nana e começou a circular para falar com seus convidados. Nana olhou para Hyun e pegou o copo que lhe fora oferecido.

    - Obrigada, oppa… - Disse quando pegou o copo e deu um gole leve. Fez uma careta com o sabor amargo por conta da mistura e o encarou. - Só vodka? - Tossiu, fazendo outra careta, mas virando mais uma dose do copo.

    Uma bartender chegava até a área deles, trazendo mais garrafas e gelo, como o dono do camarote havia solicitado. Jong-In agradeceu com um sorriso cheio de muitas intenções e olhou para Ro Young para que ele tomasse as providências necessárias. O garoto mostrou algo a Jong-In que disfarçou, mas havia um sorriso cúmplice entre eles, Taehyung e Jimin.

    - Não sabia que você também viria, oppa. - Comentou. - Parece que voltou a ser amigo deles, não é?

    Nana terminou de virar o copo, deixando aquela tensão de lado. Enquanto conversavam, a 10ª pessoa chegava à festa. Hyejeong chegava num salto bem alto, ajeitando os longos cabelos negros e sorrindo para os presentes. Jong-In começou a caminhar até Hyun de novo e mostrou Hyejeong.

    - Olha só quem deu as caras! - Hyejeong comentou enquanto se aproximava de Hyun, Nana e Jong-In. - Aqui parece ótimo, Jong-In-shi, parabéns!

    Enquanto os quatro conversavam, Ro Young se aproximava das garrafas que dava para abrir e começou a colocar algo dentro delas. Aquilo viraria uma roleta russa até o fim da noite e os mais distraídos - ou mais dispostos, dependendo do ponto de vista - certamente seriam os felizardos da noite.

    Hyun-Hee agora se veria na companhia de duas das melhores amigas de Eun-Joo e a menina, provavelmente, nem fazia ideia do que estava acontecendo ali. Provavelmente estava dormindo.

    A bebida continuou rolando entre eles, assim como o cigarro para alguns. O tempo passava e não havia sinal de joaninha nem Sunyoung. O horário limite para a entrada dos convidados de Jong-In era até 2:30. Foram momentos de tensão, mas assim que o horário chegou, Hyun podia sentir um misto de alívio e decepção. Chaeyoung não tinha aparecido, mas Sunyoung também não. Talvez a joaninha nunca tivesse sido cogitada ou talvez ele e o amigo tivessem tomado um fora.

    Dificil saber, mas agora era a hora de aproveitar.

    O pessoal sugeriu de alguns descerem para a pista, pelo acesso da área vip que permitia ficar mais próximo do dj e se misturar à multidão apenas se quisesse. Hyun já estava bebendo há algum tempo, mas não era o suficiente para deixá-lo alterado. Ou pelo menos não seria, se não fosse pelo “brinde” que tinha chegado em seu copo. Os efeitos começariam quando ele chegasse na pista.

    As luzes pareciam mais intensas, a música oscilava na cabeça dele. O corpo queria se mexer e divertir no ritmo da batida, mas era dificil até estipular um ritmo. Ele sentiria uma tontura e, ao mesmo tempo, uma euforia única. Sentia que podia ser o homem mais forte e sortudo daquela festa, mas não estava sozinho nisso. Ji-Ran já tinha tirado a blusa e se jogado na multidão com Mi-Ran, igualmente alterada. Jimin ria mais do que devia com Hyejeong ao seu lado. Da Won parecia mais contido, apenas dançando ao ritmo da musica. Jong-In, Ro Young e Nana não estavam à vista.

    Mas Hyun também não tinha vontade de subir de novo.

    Um cabelo laranja chamou a atenção dele na pista da multidão.

    Entre as pessoas que se batiam, a garota se destacava com uma roupa diferente e os olhos fechados. Quando abriu os olhos, dava para ver que estava um pouco alta pela bebida e o barulho, mas o rosto logo encontrou o de Hyun - ou assim ele achou - e ela sorriu para ele. A maldita joaninha estava ali. Era uma certeza.

    Mas então, outro foco de luz chamaria atenção dele. Era uma mulher mais segura de si e os lábios carnudos e vermelhos se destacariam em qualquer lugar. Sunyoung dançava de modo mais coerente e Eun-Joo se juntava a ela. As duas rainhas até que formavam uma dupla interessante, mas então uma mão seguraria o ombro dele.

    - Ya!

    A voz disse e quando olhasse para trás, veria a joaninha de cabelos castanhos e não alaranjado. Park Chaeyoung - e não apenas Chae - o encarava com mesmo olhar prepotente de antes, mas agora com um sorriso travesso nos lábios. Ela encaixou a mão na nuca de Hyun e roubou um beijo intenso, desejoso e…

    Familiar?

    Ele já havia sentindo aquele beijo antes, embora um beijo não fosse igual ao outro. O trejeito, no entanto, era semelhante a algum que ele já tinha experimentado. As batidas estavam um pouco mais lentas e faltavam sensibilidade do tato ou um foco em sua mente.

    Quando afastasse o beijo chegasse ao fim, Chaeyoung teria a imagem de Hyejeong e ria com o rosto vermelho para ele. Nunca tinha sido ela, o que significava que ela estava no meio daquelas pessoas! Precisava tirá-la dali com aquela peruca laranja! Ou então ir até Sunyoung e perguntar que porra ela estava fazendo ali. Quem sabe Eun-Joo também não pudesse lhe dar explicações do porquê estar presente numa festa de Jong-In. Qual era a relação deles?!

    Mas a verdade era que, no momento, ele precisava era encontrar o equilíbrio das pernas ou quem sabe mais um pouco de bebida - e era isso o que Hyejeong ainda tinha em seu copo na metade. Um gole e ele conseguiria se sentir mais forte de novo.

    Ou, quem sabe, mais perturbado.

    Aparentemente, o produto que Ro Young trouxe era da mais alta qualidade e com os efeitos mais loucos que já tinham experimentado.

    Spoiler:
    Luxi, você está livre para causar os estragos que quiser no Hyun agora. Eu só sei a primeira ideia do tipo de coisa doida que ele vai ver estando sob efeito de drogas. Se vai seguir pra algo agressivo, depressivo, animado ou inconsequência, fica à seu critério agora =x
    Gakky
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Gakky em Dom Jan 14, 2018 1:26 pm

    Jae-ki não sabia porque, mas acabou contando um pouco sobre o que fez com seus amigos. Percebia agora que era estranho como tinha falado sobre Wangjo com a bailarina, mas demorado a falar para Jong-Suk. Arqueou as sobrancelhas quando ouviu o comentário dela. Era verdade que tinha segredos, na verdade eram muitos segredos. Não queria ter que carregar tanto peso assim, mas não tinha muita escolha. O problema é que sentia vontade de contar algumas coisas a ela, como se tivesse enfeitiçado, as palavras apenas saíam. Já tinha acontecido duas vezes, precisaria se vigiar mais, mal conhecia a garota, embora sentisse como se fossem muito próximos e ás vezes como se fossem muito distantes, era estranho. Nada fazia muito sentido perto dela.  

    Observava fascinado o jeito dela ajeitar o cabelo quando notou os pés dela ainda de salto alto. O garoto era um pouco bruto e acabou reclamando para ela sentar. Mas Eun-bi não era tão fácil de convencer. De qualquer forma, Jae-ki achava que já a tinha segurado por muito tempo, não queria ser um chato para ela. Ainda estava muito curioso para saber o que ela escondia, para ele Eun-bi era como uma equação matemática que ele queria muito resolver, pelo menos já tinha conseguido alguma coisa e não poderia insistir muito porque tinha a impressão que ela poderia fugir para sempre. Talvez estivesse mesmo ficando louco.

    Depois de entregar o celular ficou observando e contemplando os detalhes do rosto dela, queria aproveitar cada segundo antes que este sonho também desaparecesse como os outros. Queria poder desenhar esse momento, Eun-bi com seu gorro e sua jaqueta, queria desenhar cada fio de cabelo que escapava rebelde perto da orelha dela... Não, dessa vez queria mais, queria ajudar ele mesmo a colocar as mexas de cabelo para trás da orelha dela... Nessa observação também notou os dedos dela parados acima do celular. Gostava da cor das unhas dela, gostava de como tudo em Eun-bi parecia perfeito, desde um vestido a sua velha jaqueta. Mas por que ela estava demorando tanto? "Ela quer falar algo?" - Se questionava enquanto a olhava sem intenção de desgrudar os olhos dela.

    Observou confuso a cena que se formava e franziu as sobrancelhas quando ela disse que não queria. Mas antes que pudesse responder, a bailarina continuou com palavras que fizeram Jae-ki arregalar os olhos. Sentiu que seu coração iria sair do peito e ficou sem reação. "Aigo... Ela quer mesmo que eu fique... Com ela? A garota mais bonita de escola quer ir mesmo comigo até metrô? " Era quase inacreditável que a patricinha queria andar de transporte público com ele, embora agora lembrava que não seria a primeira vez a levá-la ao metrô. Era ainda mais louco porque a garota tinha joias que talvez fossem mais caras do que o que ele ganhava num ano inteiro, mas agora ela pedia dinheiro para passagem, dinheiro do provavelmente garoto mais duro da turma.  E o mais legal é que ela não parecia se importar com isso agora. Eun-bi de fato não era como as outras patricinhas frescas, ela era diferente e muito imprevisível.   


    Jae-ki ficou uns segundos paralisado, era certo que vivia falando sobre como as garotas o fariam gastar dinheiro. Mas o pedido dela tinha sido tão irrecusável. Eun-bi queria sua companhia, não sabia se era tanto quanto ele gostava, mas era certo que ela gostava de conversar com ele. Como recusar depois de um pedido desses? Tinha praticamente ganhado a noite, talvez fosse até o mais incrível fim de semana que já teve em anos. Quantas vezes tinha sido tão sortudo assim? Ainda mais depois dela dizer tão carinhosa que pagaria na segunda. Uma passagem parecia algo tão barato agora... Jae-ki também queria ficar mais com ela. Só que por ter ficado meio paralisado, a bailarina acabou se virando e desistindo da ideia. Jae viu ela digitando o login no celular e isso o fez sair do seu estado de surpresa.


    - Espera! - Respondeu finalmente - Vai ser maneiro se você ficar.

    Jae-ki a olharia nos olhos se ela virasse, também tinha notado antes que ela estava meio desconfortável e seu instinto protetor tentou melhorar isso com um comentário bobo:

    - E se você não for comigo, vou ter que ir sozinho. Eu nem sei onde é o metrô. E se alguém tentar me sequestrar no caminho? Você não disse que queria me salvar? Se alguém quiser me roubar, é só você tacar seu salto nele.

    Ele riu, tinha um pouco de preocupação por Eun-bi, mas agora que ela estava sem joias, poderia protegê-la mais facilmente, não era como se ela fosse ir sozinha. Pegou a carteira e a abriu para conferir, observou a nota de JiHoo que estava dentro. " Caramba, Hyung, valeu mesmo, esse dinheiro me salvou! Eu sei que eu tinha que guardar para pagar a ajumma Yang, mas que se dane, ela já é rica. Depois dou meu jeito... Só não posso deixar essa chance escapar." Jae-ki não tinha esquecido de sua irmãzinha, também iria comprar algo para ela e pelos seus cálculos mentais, daria para comprar passagem dos dois, o lanche da Soo-ji e ainda sobraria bastante coisa. Estava tão feliz por Eun-bi querer ficar um tempo com ele que não conseguia pensar em futuro ou economizar agora. Estava agindo como o adolescente que era. Seu coração batia tão rápido que mal conseguia pensar direito.

    - Eun-bi, não posso ir pra casa sem levar algo para Soo-ji. Você me ajuda a escolher um lanche para ela? Eu não como muito essas coisas, você deve saber qual deve ser o mais gostoso ou o que as garotas gostam mais, só que não pode ser mais que uns 3 mil wons... - Para seus padrões, Jae-ki estava sendo generoso com o presente para irmã, ela merecia, lançou um olhar para Eun-bi e acabou falando sem pensar - Você tá com fome? Quer alguma coisa?

    Jae-ki sentiu um baque no coração. Devia estar mesmo muito louco, nem acreditava que tinha oferecido algo a ela. O que estava acontecendo com ele? Eun-bi tinha ficado tão tristinha, não sabia se ela tinha comido na tal ópera, e não seria maldade ficar até tão tarde sem ela comer algo? Se fosse barato, não teria problemas. Jae-ki tentava se convencer de que não estava sendo errado,  se não fosse Eun-bi, acharia absurda a ideia de pagar algo para uma menina rica. Mas Eun-bi não tinha dinheiro agora... Não negaria ajuda a ela, nem era uma esnobe como ele tinha pensado.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Dom Jan 14, 2018 2:15 pm

    - E energético. Mas eu só avisei a parte perigosa - sorriu como quem fala “ops” e deu de ombros. Observou a atitude da menina e concluiu que ela estava à vontade agora.

    Quem ainda não estava confortável era o próprio, que virava e mexia ficava olhando em volta, disfarçando com movimentos da cabeça na batida, quando na verdade só estava cada vez mais ansioso pela presença da joaninha, achando que a qualquer momento viraria o rosto e a encontraria nos braços de Jongin. Sua mente estava cega para aquele fato, como se fosse o pior que o amigo poderia aprontar naquela noite.

    - Uma vez amigo, sempre amigo. Somos parceiros do crime - falou mais alto. - E você? Cadê a sua amiga gelada? Ela deixou você vir aqui?    - riu debochado e aproximou mais dela para conversarem na medida do possível da música. - Não devia. Aqui é um covil de cretinos. Você aguenta? - tocou uma mecha de cabelo dela. Nunca importava de verdade o que estavam conversando, mas a troca de olhares possíveis entre flashes e a gradativa aproximação.
    Hyun Hee não era babá. Escolheu ficar ali para garantir um mínimo de proteção para aquela menina, mas também a achava atraente. Ele fez seu papel e informou bem o que tinha naquele copo. A partir disso, eram escolhas dela.

    Quando ouviu uma nova voz feminina, já virou alarmado. Mais uma. Faltavam duas. Ele a observou da cabeça aos pés e retribuiu a fala com um sorriso bem debochado, fez um gesto amistoso de “olá”, com aquela aura orgulhosa. A verdade é que sua chegada aumentou mais sua ansiedade. Onde estava a joaninha? É sério que ela seria a última? Abriu espaço para os quatro formarem um grupinho. Não mencionava Eunjoo. Aquele era um universo paralelo, onde todos esqueciam suas rivalidades e focavam na diversão. Enquanto isso, ele os julgava em silêncio. A chegada da menina cortou um pouco seu clima com Nana, então saiu para pegar mais bebida para Nana e ele.

    Logo ignoraria completamente sua preocupação inicial de estar “embebedando” sua novata, e a elegeria como sua companhia da noite, pelo mesmo motivo que achava mais fácil se abrir com Chaeyoung: ela não o conhecia em festas, nem em lugar nenhum. Aquela era sua primeira com os antigos amigos desde muito tempo e, lá no fundo, bem oculto, temia que algum assunto desagradável aparece no meio, como eram todos os “Olha quem deu as caras” “Então você voltou” de seus amigos. Podiam só focar em quem era hoje? Além disso, foi ficando ofendido com a ausência de Sunyoung e mais ainda com a possibilidade de Park Chaeyoung aparecer ali no meio. A primeira tinha perdido. Problema dela. A segunda…  a segunda não tinha nada a ver com ele. Por que ele ficaria esperando? Ia curtir com essa dai mesmo. E até que ela era legal sem aquela aura petulante da escola. Era uma menina só. Fingindo que era um baita mulherão sexy. Ela se tornaria uma, sem dúvidas. Mas ele até gostava desse jeito menina-mulher dela.

    Dançou e foi provedor das bebidas dos dois, chegando a perguntar até se ela já tinha  experimentar ou queria um cigarro. Levou a menina para fumar num canto, divertindo-se com aquele papel de “oppa”. Não estava alterado, mas sem dúvidas mais risonho e solto, sem a aura furiosa de sempre. Só estava, realmente, curtindo, embora a ausência das duas últimas ainda palpitasse.
    Convidou Nana para descerem e foi com o grupo, com o copo na mão e quando a música  tinha acabado de trocar,  foi como se as batidas começassem dentro dele.


    Olhou para aquele show de luzes que ajudavam a criar a impressão de que tinha algo saltando e ao mesmo tempo criavam aquela ilusão de que todos estavam se mexendo em stop motion. Ele mesmo estava mais lento, ficando mais lento, e a música mais distante, embora ele a sentisse. Soltou ar pela boca, balançando a cabeça e precisou piscar forte. Agora sim aquela bebida estava fazendo… efeito? Olhou o copo e deu de ombros, tomou o resto e largou em qualquer lugar canto de balcão o que estava em sua mão.  Balançou a cabeça de novo. Blé. Essa estava bem forte, hein?

    Ele não se importava muito porque parte dos efeitos de tomar qualquer coisa com remédio eram sempre uma caixinha de surpresas. Só estranhou que fosse daquele jeito. Talvez tivesse desacostumado. Ok. Pronto para a viagem. Festa. Ele olhou em volta, mas teve grande dificuldade de encontrar seus amigos. Mexeu a cabeça em algo parecido com o ritmo que ouvia, mas ele não reconhecia ninguém ali. Uma garota bonita de cabelos longos. Olar. Ah, tem alguém com ela. Mas e daí? Riu com as possibilidades. Estava até inclinado a ir lá depois, quem sabe? Sentia-se era muito bem, ela nunca diria não.


    Saiu andando ali no meio em busca de seus amigos, meio encostando nos outros sem querer para abrir espaço. Tinha um sorriso amplo no rosto. Sentia o coração descompassado, ora batendo lento forte como uma firula do ritmo, mas acelerando com o calor interno. Já sabia que isso não era muito bom, mas ah, estava finalmente sentindo alguma coisa que não fosse aborrecimento ou falsa felicidade, não é? Agora sim as coisas estavam ficando boas.

    Parou e riu alto de Ji-Ran fazendo o movimento sem camisa  e acabou dançando efusivamente também para se exibir para as meninas do lado que não recebiam lá tanta atenção. Só não tirou a camiseta, mas fazia um puta calor ali na pista, não é? Ofegou. Puxava o tecido da camiseta, incomodado. A bebida devia estar descendo ainda. Então só precisava de algum ar. Talvez. Sair daquela muvucona. Soltou outro suspiro, sentindo-se suar. Foi aí que a luz iluminou um cabelo laranja.

    Mas que porra…?

    Hyun Hee parou e arregalou os olhos, enquanto aquele calor de álcool e ódio o corroía por dentro. Jongin… seu…

    Ele todo preocupado e ela estava ali? Dançando pra todo mundo? Feliz? À toa?

    Rangeu os dentes, e respirou fundo, pesadamente com um tremor de raiva. Apertou o olhar fulminante, quando ela lhe soltou aquele sorriso. Não. Não estava feliz em vê-la. Estava prestes a ir até lá quando viu outra pessoa que fez as sobrancelhas arquearem.

    Sentiu algo revirar-se no peito. A ex? O que ela estava fazendo ali? Jongin… Era essa sua surpresa? O combo de maldições em um lugar só? Sentiu-se traído, por todos. TODOS eles. As duas estavam fazendo um complô? O amigo também? Estavam armando algo para ele? Por que aquela garota estava ali agora? O que mais tinha mudado?Quem sabe Chaeyoung também só estivesse se fazendo perto dele. Será que Sunyoung tinha contado para Eunjoo seu convite? Isso não fazia… o menor…. Sentido, mas devia admitir que não era nem um pouco ruim vê-las dançando juntas. Deu um sorriso perverso. Quem sabe se…

    Então virou o rosto, atraído por outra voz. A visão de Chaeyoung o desmontava. Ela não estava mais brava. Foi até ele. Não teve tempo de reagir direito, mas aquele rosto perfeito e ainda dando bola pra ele? Não perdeu nenhum segundo para encaixar a mão na cintura da garota e puxá-la para colá-la em seu corpo, enquanto a outra mão foi direto para seus cabelos. Não tinha nenhum resquício de racionalidade ali para se controlar. Só instinto e desejo, mas reparou o quanto aquela boca trazia memória, era um beijo que ele conhecia…  lembrava quem? Não importava. Quem ficava pensando nisso?  Só queria continuar beijando aquela garota que chegou daquele jeito. O resto para ficava para depois.

    Quando precisaram de ar, tomou seu rosto com as duas mãos para afastá-la e mordiscou seu lábio, dando um sorriso satisfeito. Quem diria, joaninha? Estava prestes a soltar algum comentário incrédulo e debochado para ela quando viu aquele outro rosto. Franziu a testa e precisou de um momento para olhá-la duas vezes e acreditar quem era de verdade. A dúvida gerou uma insegurança, um momento de medo. O que estava acontecendo com a sua cabeça? Ofegou e olhou em volta.

    Park Chaeyoung. Se não era ela, então…

    Virou as costas para Hyejeong sem explicações e saiu andando firme, procurando os rostos daquelas meninas. Nenhuma era ela. Nenhuma. Onde estava então? Passava entre os grupos meio transtornado. O que Jongin tinha feito com ela enquanto ele estava curtindo ali embaixo?

    - Chaeyoun-ah….

    O que ele estava fazendo nesse exato momento enquanto o tinha jogado naquela armadilha ali?

    - Park… Chaeyoun-ah….

    Rosnou para o ambiente abafado, enquanto seus olhos buscavam com urgência. A teoria estava se confirmando. Jongin e Chaeyoung… ele ia dar algo pra ela beber… ele ia levá-la para outro lugar… ele ia tirar fotos..deixá-la sozinha…

    Visualizava a sombra do amigo se colocando sobre Chaeyoung, assustada, desacordada, atordoada… Cerrou os punhos. Podia ser qualquer um dos caras ali. Mas ele não faria isso de forma explícita. Faria? Assustou com a conclusão quando avistou uma menina de cabelos compridos dançando muito com outro homem. Era ela. Só podia ser. Saiu murmurando o nome dela, emputecido, ou era algo que repetia na sua cabeça? Não tinha muita diferença agora. Quando alcançou a garota, ele praticamente a arrancou dos braços do rapaz que estava com ela, gritando um “YA” ao girá-la, mas seu rosto furioso demonstrou surpresa ao encontrar olhos diferentes.

    - Aishhh… - rosnou incrédulo e a largou. Não era ela. Que merda. -  PARK CHAEYOUN-AAAAAAH - berrou de costas para o casal, acobertado pela música. Agora estava morrendo de calor, suando e ofegante. Era um tanto desesperador olhar aquele mar de gente e não saber onde ela estava. Precisava dela.  Já não tinha mais um motivo para isso, mas encontrá-la tinha se tornado um tipo de obsessão, mas talvez ele tivesse agora problemas maiores para lidar.

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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone em Dom Jan 14, 2018 5:02 pm

    [MISOO]

    8:30 A.M.


    A avó de MiSoo tinha todo um jeito especial de lidar com criaturas delicadas - fossem flores ou humanos, como a própria neta que estava ao seu lado. Sua expressão permaneceu serena durante todas as respostas de MiSoo, apenas vez ou outra arqueando uma das sobrancelhas em tom de surpresa, preocupação ou apenas numa espécie de sorriso para os comentários dela.

    Concordava que precisavam de um jardim maior e pensava como poderiam providenciar isso. O filme antigo elas tinham assistido juntas e era meio que uma tradição delas assistir de vez em quando. Quanto ao comentário bobo da vovó carente, a avó apenas fez uma caretinha, indicando que foi uma brincadeira, não uma exigência e compreendia a situação escolar da neta.

    Porém, durante as respostas de MiSoo, a avó fez pequenas interrupções. Como quando MiSoo disse que estava bem e fez aquela carinha. Isso não passou despercebido pelos sábios olhos da velha Sra. Kwon que deu meneou positivamente, deixando essa questão de lado, mas apenas por hora. Não queria pressionar a neta a falar o que não estava confortável para dizer e, se teve algo que aprendeu durante os anos que estudou botânica e cuidou de flores era que...Tudo tem seu tempo natural. Sabia bem como a vida da neta já era complicada em casa.



    De muitas e muitas maneiras, Hyo-Jin se aproximava do temperamento do falecido pai e isso estava longe de ser uma coisa boa. Sentia que tinha falhado na criação dos filhos, mas o pai deles era um tanto quanto...dominador. A educação para o filho mais velho sempre foi rígida, severa, quase cruel, mas Joon-Gi era um bom homem. Já Hyo-Jin sempre foi muito mimada pelo pai e criada para ser...bom, do jeito que era. Isso doía um pouco em Yoo-Ri, mas ela fez o que pôde.

    Pelo menos tentava.

    Não queria que sua neta sofresse desse jeito, mas também não a obrigaria a dizer nada. Deixaria que ela sentisse que, de fato, aquela casa também era dela. E que podia sim ser seu verdadeiro lar e porto-seguro.

    Suspirou, sem deixar transparecer os pensamentos e continuou regando as plantas com aquela água que caía pelos furos de modo quase calculado.

    - É verdade, você estava preocupada com a sua amiga. Tsc...Mas que situação! Eu espero que ela não tenha falado sério sobre voltar à pé. - Comentou, meneando negativamente. Ouviu a continuação e concordou. - Entendi. Deixe para mais tarde sim, ela deve estar dormindo à essa hora. Nós que somos diferentes, né?

    Riu para a neta, mas não fez comentários ruins sobre Eun-Bi ou a mãe dela. A avó não gostava desse tipo de fofoca, muito embora soubesse de algumas coisas ali que achava muito errado. A questão é que ela também não era exemplo, então, não ia se meter na vida dos outros.

    Ouviu sobre a escola e as aulas de tênis. Deu umas boas risadas com as confusões que a neta se meteu. Levava a mão livre à boca, escondendo as risadas que não conseguia conter completamente e encarava MiSoo daquele jeito “você fez isso, minha neta?”. Ela era tão jovial e impulsiva que era impossível se sentir muito velha ao lado da neta. A energia dela era contagiante mesmo. Ficou feliz em ouvir sobre o tênis e prometeu que estaria nas competições para vê-la brilhar.

    Ao entrarem no tópico da Opera, a avó pigarreou e a encarou.

    - Não acho que estivesse esquisita, só estava muito adulta. - Comentou. - Eu acho você linda de qualquer jeito, até quando está dormindo sem maquiagem, MiSoo. Mas foi impactante vê-la daquele jeito, mostra que você cresceu. - Deu um sorriso nostálgico. - Aqueles trajes não te definem como pessoa, mas não quer dizer que não estivesse maravilhosa neles. Estava sim parecida com sua irmã quando fica de boca fechada e com sua mãe, mas até aí...vocês têm o mesmo sangue, não é? Normal se parecerem. Todas as pessoas te olharam sim. Foi impossível não reparar.

    A avó respondeu com sinceridade, mas conseguia compreender um pouco da insegurança. Aquele mundo era de aparências e às vezes, um impacto desses era necessário para que as pessoas mais discretas fossem notadas. Fez um bico no canto dos lábios, mas sorriu com o último tópico.

    - Será que é por isso? - Olhou de um jeito cúmplice. - Han Minhyun, eu vi. - Disse quando ouviu que ela tinha feito um novo amigo. - Esse menino é um verdadeiro cavalheiro. Gosto muito dele, conheci o pai dele também quando era vivo. Era bondoso como ele. - Suspirou. - Ontem eu também vi muitas pessoas, inclusive um ex-namoradinho meu.

    Deixaria a neta absorver aquela informação enquanto ela fazia uma expressão serena.

    - Está velho, caquético. Estou bem melhor do que ele- Respondeu, finalmente e logo deu uma risada.

    Tinha terminado de regar suas plantas e recolheu o regador.

    - Acho que o saldo da Ópera foi bem positivo. - Levou uma mão até o rosto dela, fazendo um carinho. - Sabe o que é positivo agora, também? Café da manhã. Esse povo deve acordar só lá para as 12h e eu estou faminta. Me acompanha no café da manhã?



    Ofereceu o braço para que MiSoo desse a mão e seguisse ao lado dela para o interior da casa.

    [HYEMIN]

    10 A.M.


    Sung-Ki não tinha tocado naquele tópico envolvendo Kim Joo-Hyuk por mal ou para pisar nos sentimentos da filha. Só estava tentando aplicar o reforço positivo, tentando mostrar para a filha que, mesmo todas as ações tinham uma consequência: ela teve uma ação ruim e foi punida, mas a partir do momento que se redimiu, também foi recompensada.

    Percebeu, bem de leve, o desânimo dela com aquele tópico, mas nem de longe imaginava a profundidade que existia ali. Felizmente, ele emendou outro assunto e tomou cuidado quanto a quantidade de gatorade que bebia para não se engasgar com um eventual comentário dela.

    - Gostou? Foi interessante mesmo. Uma pena que tenha sido corrido e não tenha dado para conversar muito. - Disse num tom neutro, para não demonstrar certas coisas, mas a filha não chegou a perceber e se empolgou com Sunyoung.

    Arqueou uma das sobrancelhas ao ouvir que não eram amigas. Achou estranho porque as meninas pareciam muito próximas na noite anterior. Ouviu sobre a história de reinados e deu um sorriso quase orgulhoso.


    - Você é uma princesa porque é a filha de um rei. - Piscou. - Também fui. Não que isso fosse “ooh”, mas eu e o Min-Joon-hyung… - O pai de Hyun e Jung e, nesse instante, Sung-Ki ficou um pouco mais sério, quase triste. - Hyung e eu éramos bastante respeitados, embora ele fosse mais velho. A escola foi uma época divertida... - A animação inicial foi sumindo.

    Olhou para a própria garrafa, fazendo uma cara um pouco mais triste. Citar Park Min-Joon foi um erro da parte dele porque acabava pensando como a vida era frágil e efêmera. Quem diria que ele, a esposa e o filho se veriam num acidente daquele? Logo quando Sung-Ki tinha achado que não sofreria mais uma perda como essas, aquele que fora seu melhor amigo do colégio e tinha voltado a ser muito próximo por conta da amizade dos filhos, se fora também.

    Respirou fundo, dando um gole maior no garotade.


    - Uma irmã mais velha, é? - Olhou para a filha. - Gosta, é? Hmm... Nossa, você já tem todos os planos muito bem pensados mesmo, né? Visionária. - Brincou.


    Tossiu de leve.

    - Eu conheci a mãe dela no clube. - Comentou. - Quer dizer, os irmãos Han não estudaram na WangJo, ainda era uma família em ascensão, nem de longe como é hoje em dia. Mas já frequentavam os clubes. Lembro dos quatro...O irmão mais velho, ela e as gêmeas. - Ponderou. - Acho que ela teria sido uma rainha, se tivesse estudado lado. Porte tem, não é?

    O pai sempre agia assim: vinha pelas beiradas, como quem não quer nada e, pouco a pouco falava de coisas que poderiam chocar Hyemin se fosse dito diretamente. Por hora, ele só parecia fazer fofocas de seu passado, mostrando que a veia “fifi” de Hyemin era de família mesmo.

    [WON-BIN]

    10:05 A.M.


    A menção do apelido que eles tinham inventado no fatídico dia do lago fez um amplo sorriso aparecer no rosto de Bo-Mi. Logo levou a mão até a boca, escondendo a risada mais alta que estava dando. Seus olhos ficaram tão pequenos que pareciam só um risco no rosto extremamente branco.

    Quando conseguiu se recuperar um pouco, ela disse.

    - Será um smoothie bem especial mesmo, afinal, não é qualquer uma que tem o smoothie do “Batbin”. - Tentou dizer séria, mas logo que lembrou do apelido que Kang dera para Won, ela voltou a rir com gosto.


    Felizmente, ela não disse muito alto, de modo que outros clientes que estavam mais no cantinho ou mesmo Hyosang, não escutariam. Só as risadas chamavam um pouco mais de atenção. Fez um gesto em negativo quando ele pediu desculpas por ter se lembrado nos apelidos e passou o dedo por baixo do olho, contendo a lágrima que tinha escapado. Conseguiu ficar um pouco mais controlada e até soltou uma indireta diretissima sobre os dias que ele não falou com ela.

    - Tudo bem, já passou… - Respondeu para o pedido de desculpas dele.

    Os dois relembraram o dia que se conheceram, naquele inusitado episodio e Bo-Mi tomou coragem para comentar que tentou procurá-lo. Ficou um pouco constrangida por dizer isso, mas felizmente a expressão de Won não mudou e ele não pareceu achá-la boba por isso. Ficou um pouco mais aliviada e só meneou positivamente com o comentário sobre “vários Wons”. Muitos mesmo.


    Decidiu, então, se apresentar de modo apropriado, pela primeira vez. Fez uma reverência formal, dizendo seu nome completo e então esperou que ele fizesse o mesmo. Quando viu a risada dele, ela também riu, já com as bochechas vermelhas.

    - Ye...Agora mesmo. - Abriu a bolsa franjada dela, sacando o celular e começou a digitar rapidamente o nome dele. Ela era muito rápida, mostrando que tinha muita afinidade ou vício em celular. Virou a tela quando o encontrou - É você? - Se a resposta fosse positiva, ela o adicionaria bem ali.

    Antes que ele conseguisse pensar muito, Hyosang a chamou pelo nome para entregar o smoothie. Bo-Mi trocou um último olhar com o Won e deu as costas para ir até a bancada para pegar a bebida e pagar também.

    A porta se abriu, nesse meio tempo e Ji-Hyun voltava para o interior do café. Estava com a expressão um pouco mais séria, mas logo deu um sorrisinho e foi até atrás da bancada também, para lavar os copos e afim. Deu uma encarada em Bo-Mi que também a encarou enquanto dava um gole no smoothie e esperava o troco.


    Bo-Mi pegou o dinheiro e jogou na bolsa enquanto se aproximava de Won de novo, dessa vez segurando seu copinho. Tomou fôlego para dizer alguma coisa quando viu a sombra de uma pessoa entrando no café. Hyosang tinha saído para ir até o estoque pegar mais canudos e guardanapos. A pessoa que entrou já era uma famosa conhecida por Won e Ji-Hyun. Era a mesma mulher arrogante do dia anterior e a “sra. Macchiato”. Estava vestida de modo elegante, como sempre, usando um salto alto nude e um macacão branco. O cabelo estava bem escovado e ela tinha acabado de tirar os óculos escuros.


    Encarou Bo-Mi com uma das sobrancelhas arqueadas, quase autoritária.

    - Demorou tanto para comprar o smoothie que vim ver se tinha ido fabricar, Bo-Mi.

    - Pensei que a senhora fosse demorar, ommoni… - Bo-Mi respondeu de modo tranquilo, sem hesitações. - Nem pedi o seu ainda.

    - Que filha ingrata. - A mulher respondeu e então encarou o menino do gesso. Analisou o garoto da cabeça aos pés, dos pés à cabeça e a distância que estava da filha dela.

    A forma de tratamento talvez ainda não tivesse ficado extremamente clara, mas olhando a mulher agora talvez ele entendesse porque o rosto era familiar. Bo-Mi era muito parecida com a mãe, pelo menos fisicamente.

    - E esse menino? O que ele fez para estar parado aqui?

    - Nada, ué! Ah, ommoni! Ele é o…

    - O funcionário novo que não sabia a diferença de macchiato e cappuccino, eu sei.

    - Ani… - Bo-Mi franziu as sobrancelhas, fazendo um beicinho. - Ele é o menino...que...me...salvou…

    - Pensei que você tivesse dito que estudavam no mesmo colégio.

    - Estudamos… - Bo-Mi respondia com a voz cada vez mais fraca, começando a ficar constrangida com o momento.


    - Então o que ele está fazendo trabalhando aqui? A não ser que… - O maxilar da mulher travou e ela respirou fundo. - É claro, bolsista. - Fechou os olhos por meio segundo e abriu de novo, dessa vez pegando a carteira e retirando de lá todas as notas que estava ali. Colocou no bolso do avental de Won e o encarou seriamente. - A vida de minha filha vale mais do que isso, mas é o que tenho no momento. Agora finalmente podemos deixar essa história de lado, não é Bo-Mi? Chega. - Fez um gesto, como se dissesse “corta”.

    Depois de passar por ele, agarrou o pulso de Bo-Mi e a levou até o balcão. Ji-Hyun olhava aquela cena com uma expressão aflita enquanto Bo-Mi não conseguia nem levantar mais a cara. Estava vermelha de vergonha e com um nó no pescoço.

    - Um macchiato. - A mãe retirou o cartão para pagar, visto que todo o dinheiro tinha ficado com Won.

    Bo-Mi mal conseguia enxergar com os olhos marejados, mas ergueu a cabeça e tentou olhar na direção de Won-Bin. A mãe segurou o rosto dela pelo queixo e a fez olhar para a frente, até se ajeitar e ficar de costas para ele de novo.


    - O que há? Eu hein. Tsc

    [SUNNY]

    10:55 A.M.



    Sunny fora aquela quem ditara o ritmo daquela estranha e inusitada corrida. A mente de Jung-Mi viajava enquanto os olhos observavam o movimento dos longos cabelos negros que balançavam por conta do exercício. Podia correr muito mais rápido do que aquilo e podia, antes de mais nada, ter evitado que aquilo começasse, para início de conversa.

    Porém, a surpresa e, por que não dizer, a vontade dele, falaram mais alto e lá estava ele, com o braço preso pela mão da menina e a outra mão segurando a pobre câmera.

    Não soube por quanto tempo eles correram, nem exatamente para onde iam. Preferiu não saber e apenas ficar prestando atenção na ondulação do cabelo dela e como Sun-Hee era capaz de surpreender. Os últimos dias tinham sido preenchidos com silêncio e pouquíssimos olhares, principalmente depois de quarta-feira. Sabia exatamente o que tinha dito para provocar aquele afastamento - se é que um dia houve proximidade - mas ele também sabia o que tinha visto para alimentar o distanciamento. As fofocas envolvendo MiSoo também podiam ajudar nisso.

    Depois de tudo isso, ele não imaginou que ela fosse capaz disso: de arrastá-lo por meio festival, como se fugissem de alguma coisa. E, talvez, realmente estivessem fugindo. Ele só não sabia exatamente do que, mas queria descobrir.

    Quando a primeira reação parou e ele sentiu que precisavam retornar à realidade, Jung-Mi fincou o tênis no chão e girou o pulso para segurar o braço dela e trazer para perto de si. Os cabelos dela voaram para a frente, mas o corpo foi um pouco para trás, evitando o contato à tempo. Estavam muito próximos e tinham aquela ligação que percorria a pele - saia dos calejados dedos dele e alcançavam a sensível derme dela, uma espécie de calor ou quem sabe eletricidade que apenas ajudava a acelerar a respiração e os batimentos cardíacos de ambos.

    A respiração dele caía sobre o boné dela, ultrapassando, em partes, o tecido do objeto. Jung-Mi também estava bastante tenso porque não sabia o que esperar daquele momento. Não sabia o que esperar dela e, principalmente, não sabia o que esperar de si mesmo.

    Fato era que não podiam ficar ali para sempre e, por isso mesmo, ele tomou alguma atitude. Sunny já tinha dado o primeiro passo, cabia a ele, dar o passo seguinte. A voz saiu um pouco mais rouca do que desejava ao dizer o nome dela. Bem lentamente, a menina começou a girar nos calcanhares com uma expressão meio cabisbaixa.

    Estaria arrependida?

    O rosto parcialmente coberto pela aba do boné ainda estava voltado para ela. Apesar de não ser possível ver o cabelo dele, Sunny podia ver o maxilar, o desenho do nariz e os olhos - ainda que protegidos pela sombra. Jung deixou os lábios entreabertos e sentiu um calor na altura dos sinos da face, chegando a corar um pouco. A cor podia ser associada à correria ou ao calor, mas ele conhecia a verdade por trás dessa mentira.

    Os olhos analíticos e sérios do rapaz percorriam por cada detalhe do rosto bem exposto dela. Graças à diferença de altura, ele tinha que ficar com a cabeça um pouco baixa, mas isso não o incomodava, de modo algum. Ficou por bastante tempo olhando assim, sem qualquer máscara, barreira ou uniforme. Sunny perceberia que apesar da expressão séria dele, ele não parecia bravo ou zangado.

    Estava contemplativo, na verdade.


    Começou a ouvir o discurso dela e quando ela o encarasse de novo depois de ter abaixado a cabeça, veria um discreto sorriso no canto dos lábios. Jung-Mi não disse nada à princípio, deixando que ela concluísse e deixasse seu nervosismo de lado. Era, também, uma forma dele ganhar tempo e colocar sua mente em ordem.

    Diante da pergunta dela, Jung soltou o braço. Parecia a resposta dele, mas ele só fez isso para conseguir encaixar a alça da câmera no pescoço e mantê-la pendurada ali por um tempo. Respirou fundo, ajeitando o boné e, para a surpresa de Sunny, levou a mão até o cabelo dela.

    Passou os dedos de modo muito delicado pela região e retirou uma pétala de cerejeira, exibindo para ela.

    - Na verdade… - Depois que ela pegasse a pétala ou a deixasse voar, ele continuaria. - Eu gostaria de ouvi-la. - Desviou os olhos da pétala para os olhos de Sunny. - Porque você me parece alguém que tem muito o que me dizer. E eu quero ouvir tudo…

    Agora com as mãos livres, levaria a mão até o pulso dela de novo enquanto enfiava a outra no bolso da casa e, dessa vez, era ele quem a “arrastava” pelas ruas do festival, procurando por um lugar onde pudessem sentar e conversar. Poucos metros depois, ele encontraram um café meio escondido e ele a olhou de banda.

    - Soa familiar…

    Comentou e permitiu que ela entrasse primeiro. Enquanto isso, o celular dela estava tocando ou vibrando sem parar no bolso dela.

    [DONG]

    06/04/2019 - Domingo


    O grupo era acostumado com esse tipo de zoação e não poupava Dong nem diante da presença de Kim. Joo-Hyuk era o mais confuso ali porque talvez imaginasse, mas não acreditasse que eles fossem ser tão cretinos com o amigo. Pelo menos Dong não parecia chateado, mas ele também não se ajudava.

    Ui-Jin ficou com as bochechas coradas quando ouviu que “claro que aconteceu” e HaN, super bobão, ficou segurando a risada daquele jeito engraçado. A risada veio alta e asmática quando ouviu sobre as fotos. Até Kim acabou dando uma risada - mais por conta da de HaN do que pela situação em si. O garoto mais velho logo tratou de pegar o celular e anotar o tanto de meme que ia fazer com as fotos do amigo.


    Min-Ho encarou Dong quando ouviu a resposta sobre a prima.

    - E daí? Nas dinastias até irmãos se casavam e, considerando que vocês dois são primos e “nobres” pelo nome, não é impossível que se casem.

    A diferença de HaN e Ui-Jin para Min-Ho era que o último falava muito sério, se baseando em fatos e quase convincente nos argumentos. Os outros dois falavam mais pela zoeira e agora até ficaram um pouco surpresos com aquilo. Kim pareceu ponderar e ficava com dó da saia justa que colocavam em Dong. Por isso ele tentou colocar panos quentes e atraiu a atenção para si.

    A reação dos amigos demonstrou que não tinha sido o melhor dos planos.

    Dong tomou a vez de novo e logo eles resolveram que o assunto estava resolvido. Amar realmente não dava XP e só foi falar em KOF que eles resolveram montar o campeonato. A regra era simples: quem vencesse, não largava o controle. Os nerds já se alinhavam, estalando dedos, pescoços, mexendo ombros, alongando braços, movendo dedos e estavam prontos. Ui-Jin até tirou a bombinha de oxigênio dele para casos de emergência. Kim ficou limpando os óculos, parecia uma criatura bem tranquila.

    Até que segurou os controles e o ar de bom moço deu lugar...ao bad Kim. O olhar dele ficou diferente, a postura parecia mais agressiva. Ele exalava...hostilidade.

    >>

    Farpas foram trocadas e ele venceu Ui-Jin, Min-Ho, quase perdeu para HaN, mas caiu perante o ser mais viciado em KoF que havia naquele recinto: Dong. Foi o suficiente para ficar puto e ainda bem que usava o proprio controle. Teve que dar a vez, mas na volta prometia vingança. Prometia SANGUE!
    E perdeu de novo.


    HaN não tinha mais fôlego dentro de si para as gargalhadas que dava diante do bad-Kim. Ele parecia um louco berrando e sempre que passava um minuto na espera, ele voltava a ser um menino normal. Então, bastava pegar o controle de novo que...BOOM, insano.

    - Imagina jogando lol!!


    - Trashtalk deve ser rotina para ele.


    - MALDITO DONG! SEU HACKER! QUE DROGA É ESSA?! NÃO É POSSÍVEL, VOCE TÁ ROUBANDO!

    Ui-Jin deu a risada de porquinho e HaN já chorava de tanto rir. Min-Ho, acostumado às derrotas para os meninos - e para Stella - podia compreender seu companheiro e só piorava.

    - Ele rouba sim, ele coloca nos cantinhos.


    O clima da sala só voltou ao normal depois que eles pararam para lanchar alguma coisa. Estava decidido que, talvez, fosse melhor jogar RPG do que videogame. Ui-Jin contou sobre a campanha que estava narrando e perguntou se Kim queria entrar.

    - Eu não entendo muito desse sistema, mas posso tentar fazer um personagem para o proximo encontro. Isso, é claro, se o Dong-shi me perdoar pelos gritos. Não sei o que acontece comigo quando jogo.


    - Você fica possuído, é simples. - HaN falou.

    - É, algo assim. Miane.


    - Então, a gente não precisa continuar com a campanha por hora. Vamos jogar algo em coop pra ter menos briga, que tal? - Ui-Jin sugeriu.

    - Pode ser. - Os outros três concordaram.

    Mas durante o lanche, que ainda estava rendendo, Dong talvez pudesse começar a falar dos topicos que tinha em mente. Ali, reunidos, estavam as pessoas que ele confiava ou gostava em WangJo, aquelas que talvez fossem ajudá-lo em seu projeto. Além, é claro, de poder conhecer melhor Kim Joo-Hyuk, o belo nerd que dava rage quando segurava um controle.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi em Dom Jan 14, 2018 5:52 pm

    Hyemin não tinha como saber o que o pai estava prestes a contar para ela. O que era bom para a menina, mas um processo demorado para o pai. Foi logo conquistada pela nova conversa e sorriu toda meiga ao ser chamada de princesa. Conforme o pai falava, ela o imaginava como protagonista de Boys Over Flowers da época, todo mauricinho, com um ar sério cheio das meninas gritando  “F4! F4! F4” como aquelas do dorama.




    Seu rosto se encheu de orgulho ainda mais quando ele mencionou o pai de Jung Mi e ela ainda chegou a fazer um comentário antes de notar que ele foi ficando triste.

    - Que legal, appa, o Jung Mi também é rei do primeiro ano! E o Park Hyun Hee era--... - foi aí que lembrou do acidente, notou a expressão do pai e mordeu o lábio, abaixando o rosto.  Fez um biquinho, um pouco constrangida por causa da gafe e deixou o assunto passar. Era esquisito falar de sentimentos com o pai. Não ficava à vontade de falar dessas coisas ou ouvir nada desse tipo dele, apenas tinham o costume de deixar o assunto morrer e encontrar um melhor. Foi o que fizeram.

    A menina falava com alegria da menina sem saber o que se passava na mente do pai, então achou um pouquinho estranho ficarem fofocando tão a fundo sobre os Han, mas gostava disso. Fez um biquinho, ouvindo de forma neutra, embora achasse legal a menção de gêmeas na história, até que ele perguntou sobre o porte da senhora Han. Os olhos da menina se arregalaram, porque lembrou-se imediatamente daquele flashback com o rosto de outra mulher que achou tão parecida com ela…

    Nunca falavam dela. Então não simplesmente diria com quem é que a mãe de Sunyoung se parecia. Desceu o olhar para o pescoço do pai, sem conseguir olhá-lo diretamente e ficando um pouco sem graça. Estava tentando disfarçar, porque a senhora Han não tinha nada a ver com aquela reação e não merecia ser tratada diferente por causa disso. Forçou um sorriso e balançou a cabeça. Era ruim admitir, mas sua mãe era linda mesmo. Quer dizer… a senhora Han. A senhora Han era linda. Não tinha por que não falar isso.

    - É. Tem sim.

    Hyemin captou algum ar, girou o corpo no banco e voltou a olhar os próprios pés. Era sempre ruim quando pensava na mãe e a tia sempre lhe dava bronca por causa disso, porque o tema só trazia desgraça, então precisava se controlar. Sorriu.

    -  É. Parece uma família legal. Ah, e achei Han Sunyoung unnie uma pessoa bem forte. Ela sorri bastante e parece mesmo uma modelo. - mudou o foco para a filha, com quem não tinha nenhum problema.

    Não é como se ela não gostasse da mãe da veterana, mas é que era incômodo pensar nela, mesmo que tivesse sido só uma lembrança rápida. Até isso era bastante ruim.

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Natalie Ursa em Dom Jan 14, 2018 9:16 pm

    Ao contrário da halmoni, MiSoo não estava muito atenta às reações da idosa, pois tinha sua atenção voltada às belas plantinhas do jardim, que queria regar com todo o cuidado para não exagerar os se esquecer de por água suficiente. A garota costumava a ter um pouco de dificuldade em prestar atenção em coisas diferentes ao mesmo tempo. Se tentava normalmente acabava cometendo algum erro bobo e facilmente evitável.

    MiSoo parou um pouco o que fazia para prestar melhor atenção no comentário da avó acerca de EunBi. Como ela, esperava que a amiga realmente houvesse falado que iria a pé para casa apenas por falar. Sò porque estava irritada na hora. Talvez até MiSoo tivesse vindo com a mesma conversa no lugar dela.

    - É mesmo. Só eu que gosto de acordar cedo… As meninas devem estar dormindo ainda. - fez um breve biquinho, mas logo deixou o pensando de lado para rir com a avó e voltar a atenção para o jardim e comentar sobre as demais questões da avó, como suas queridas aulas de tênis e a semana no novo ano na escola.

    Ria junto da avó quando ela achava graça de algumas das situações malucas em que a netinha se envolvia na escola. Realmente, vistas de fora, depois que já tinha acontecido, soavam engraçadas algumas das situações nas quais MiSoo se envolvera. Era ainda mais engraçado quando a avó parecia quase perplexa com as atitudes maluquinhas da neta. MiSoo não conseguia segurar o riso alto e entusiasmado. A garota também ficava muito contente quando a halmoni dizia que iria nas suas competições de tênis. Gostava muito quando a avó e as amigas podiam ir e torcer por ela.



    A conversa logo tomou o rumo da ópera e MiSoo precisou questionar a avó sobre como realmente estava parecendo naquele evento.

    MiSoo arregalou os olhos com a resposta inicial da halmoni. Nunca tinha passado por sua cabeça que poderia estar parecendo mais adulta, mas agora, ouvindo esse comentário sair da boca da avó, até que parecia fazer algum sentido. Não tinha a intenção de parecer uma adulta. MiSoo gostava da idade que tinha. Ainda haviam muitas coisas que não sabia nem tinha feito para se sentir minimamente uma adulta. Mas talvez fosse por isso mesmo que não se sentisse muito ela mesma na  ocasião. Ainda precisava de alguns anos.

    - Aish. Estou longe de parecer uma adulta. Se cresci deve ter sido na altura só. Ainda me sinto a mesma.  Deve ser por isso que me senti esquisita. - cutucava a ponta do próprio queixo com o indicador, ponderando sobre o assuntos e observando brevemente as nuvens no céu tranquilo da manhã.

    A avó dizia que ela era linda de qualquer jeito, mas no fundo MiSoo achava que era só um comentário da boca para fora já que os elogios vindos dos rapazes vieram apenas nessa ocasião especial. Talvez aquela imagem “adulta” dela fez com que os rapazes esquecessem que MiSoo já foi mal vista na escola por seu sobrepeso. Seria mesmo uma fantasia, no final a s contas?

    A semelhança com MinJi lhe incomodava um pouco, mas entendia que por serem irmãs era meio difícil se escapar disso. Pelo menos a avó tinha dito que era só quando de boca fechada e próxima da mãe. MiSoo só tinha ficado calada e perto da mãe quando ia para os camarotes.

    O assunto tornava-se sobre os garotos da idade de MiSoo e a garota ficava intrigada com a ideia que nessa idade eles melhoravam. Sorriu para a avó com o tópico, mas ficou meio sem jeito quando ela falou sobre Minhyun. Não sabia que a avó estava de olho no que MiSoo fazia. Ainda bem que, além do pequeno mal entendido com o broche, não tinha feito mais nada de estúpido.

    A avó falava mais sobre o garoto e MiSoo ouvia atentamente, concordando com a cabeça sobre ele ser um cavalheiro.

    - Ainda não falei muito com ele, mas parece ser isso mesmo! - concordou com um sorriso de satisfação nos lábios por ver que a avó confirmava um pouco do que achava.

    Halmoni menciona o “ex-namoradinho” que tinha visto na ópera e sua neta a encarou com um ar de total surpresa na face. Em meio a expressão até engraçada, tudo o que MiSoo conseguia fazer era mover os olhos de um canto ao outro tentando absorver a informação inusitada.



    Antes que MiSoo conseguisse dizer algo, a avó completou, chamando o tal sujeito de velho caquético, comentário que fez a neta cair na gargalhada, largando o regador na grama e inclinando o corpo para frente, enquanto pousava as mãos sobre o rosto.



    - Halmoni! - falava em um tom divertido de repreensão e meio aos risos - Mas é porque a senhora é a halmoni mais bonita e cheia de energia de todas! - parecia uma criança enquanto elogiava a avó.

    Também acaba a chamando a avó de senhora, pois já era acostumada a fazer isso com a mãe e nem percebia que estava usando sem querer.

    - Mas é uma pena estar tão velho! Assim tenho menos chances de ter um avô novo! - implicou de modo brincalhão, fazendo uma careta engraçada.

    - Ye! Mas ainda assim preferia um musical! - simulou uma careta meio irritada, mas logo inclinou a cabeça para o lado com o carinho e sorriu, só faltando ronronar como um gato - O que? - perguntou acerca do que a avó achava ser positivo naquele momento, mas o sorriso acabou morrendo um pouquinho com a menção do café a manhã.

    Realmente estava com fome e sentia o estômago roncar, mas tinha aquela parte de si que sentia medo de ingerir algum alimento no momento. Aquela mesma parte que tinha ficado muito decepcionada com o próprio reflexo no espelho. Se continuasse a comer voltaria a ter o peso de antes! Mas aquele pensamento só trazia de volta a ansiedade e, consequentemente, a fome aumentava.

    - Ye, halmoni. Lhe acompanharei. - respondeu sentindo-se meio derrotada, mas disposta comer só um pouco, pois não queria recusar um convite da avó - Acho que vamos ter bastante tempo antes deles acordarem mesmo e ainda penso em correr um pouco ainda nessa manhã. Temos tempo. Mas posso passar a manhã toda lhe fazendo companhia se quiser! Sabe que eu adoro passar bastante tempo com minha halmoni! - logo retomava o entusiasmo na voz e o sorriso no rosto ao abandonar a conversa sobre comida.

    MiSoo abraçou o braço da avó e a acompanhou animada para dentro da casa, em direção da cozinha vazia e tranquila.

    - Quer que eu cozinhe algo bem especial para a minha halmoni? Para compensar looongo tempo que não nos vemos. - questionou quando chegaram à cozinha, com um largo sorriso nos lábios.

    MiSoo gostava de cozinhar para as pessoas de que gostava, mas eram bem raras as vezes em que tinha a oportunidade.
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Ailish em Seg Jan 15, 2018 12:47 am

    Não sabia como se comportar direito, o que fazer e dizer. Jung-Mi a encarava com a típica seriedade, embora não fosse hostil ou sequer demonstrasse qualquer resquício de zanga ou frustração. Mas ele ficava lá, com os olhos presos ao seu rosto, alimentando uma intensa quietude que a torturava lentamente, pois forçava centenas de pensamentos, e a imaginação de Sunny – principalmente quando atiçada - era algo muito perigoso... Muitíssimo perigoso. Enquanto ele precisava abaixar a cabeça para fitá-la, a menina tinha que manter o queixo inclinado, mas assim como o rapaz, não parecia se incomodar com esse detalhe. A aba do boné de Jung-Mi projetava sombras sobre a expressão dele, porém Sunny ainda era capaz de enxergar os traços bem desenhados da face. Por isso, conforme o esperava, também tirava o tempo para apreciar cada minúcia daquele rosto e dessa forma, guardá-lo num lugar especial da mente, onde poderia reviver várias e várias vezes a imagem tão próxima. Próxima o suficiente para que um mero estender de braço afastasse a distância.  

    Ele mostrava-se igualmente observador, mas de certo que os motivos não eram semelhantes aos dela. Provável que estava se recuperando do choque em ser arrastado pelas ruas do festival, dentre uma multidão de curiosos e admiradores das famosas flores de cerejeiras.

    Ciente que passara da hora de falar alguma coisa coerente e explicar a súbita e ensandecida atitude, Sunny começou a pedir desculpas. A voz até saiu mais baixinha enquanto soltava aquelas palavras simples, mas que provocaram uma nova alteração no ritmo cardíaco. No entanto, isso não comparou-se com o discreto sorriso que encontrou espaço no canto dos lábios de Jung-Mi. Um sorriso. Um sorriso de verdade. Aquilo lhe deu segurança de continuar e concluir. Assim que terminou, ela respirou fundo e, de repente, teve o braço liberto do sutil aperto, o que provocou o breve arregalar dos olhos apertadinhos. Sunny, por instinto, trouxe a mão rente ao peito, dando a impressão que ele a machucou, mas então, sentiu a vergonha queimar nas bochechas de novo quando entendeu a razão. Até porque, não esperava que Jung-Mi a segurasse para sempre... certo?

    Ah, ela esperava sim...

    Queria que as horas parassem ali, congelando aquele momento.

    Sunny uniu os dedos diante do corpo, aguardando.

    Mais uma vez, os lábios se dividiram quando Jung-Mi levou a mão até os fios escuros, e das mechas desalinhadas, retirou a pétala rósea, expondo-a frente à Sun-Hee, que ainda estava incrédula com a ação atenciosa.

    O sorriso desabrochou ao pegar o suave presente, deixando-o sobre a palma e depois de uns segundos, fechou os dedos com cuidado para não amassar. Enquanto isso, Jung finalmente a respondia, mas Sunny já não temia mais... Não significava que estava segura com o que viria a enfrentar adiante, porém de todos os sentimentos que mantinham-se entre ela e Jung-Mi, não permitiria que o medo reinasse. Logo, no momento que os olhos se buscaram, quase cronometrados pela sina, Sunny concordou.

    Você não tem ideia, Jung-Mi...

    Todavia, segurou o pensamento.

    Ambos de acordos, dessa vez, quem assumiu a rota foi ele. E Sunny não ansiou descobrir qual o destino. Durante o percurso, após guardar a pétala no bolso do short, apenas buscava acompanhar as passadas longas, já que independente de manter uma velocidade menos acelerada que a de antes, Sun-Hee precisou se esforçar para não retardá-los. Agora era ela quem podia o observar... E gostava da maneira que os ombros dele se mexiam. Como os dois andavam contra o vento, o cheiro amadeirado da loção masculina praticamente entorpecia seus sentidos. Sério... Não havia como aquilo estar, de fato, acontecendo. Só podia ser um sonho... Com certeza estava deitada na cama, apagada por conta de uma cartela de remédios. Afinal, eram os únicos instantes que conseguia paz.

    Mas não...

    Nem em seus sonhos mais reais ela teria a habilidade de moldá-lo tão perfeitamente. Agora, por exemplo, viu uma faceta diferente das outras ocasiões.

    Não demoraram a encontrar uma espécie de Café num ponto mais discreto da festança. Jung-Mi acabou parando perante o estabelecimento, e de modo sutil, a fitou. O comentário seguido do olhar de esguelha a fez arquear a sobrancelha e sorrir – É... Eu também tenho essa estranha impressão... – replicou de um jeitinho fofo.

    A primeira coisa que notou assim que entraram no local foi a brusca mudança de temperatura. O ar-condicionado criava um clima agradável e de imediato, Sunny se sentiu confortável, pois era um ambiente de aparência aconchegante e reservada, e como Jung-Mi acrescentou, familiar. Por cima do ombro, o encarou e apontou uma direção onde não teriam que se preocupar com possíveis intrometidos. Ela caminhava devagar, olhando para os lados, até escolher uma mesa mais aos fundos. Sunny sentou e colocou a bolsa na lateral da cadeira, se ajeitando ali enquanto o nervosismo voltava a atormentá-la.

    Também retirou o boné, largando-o sobre o colo e o movimento bagunçou o cabelo, a forçando a penteá-lo com os dedos e jogar para frente, o amarrando com o elástico preso no punho, pronto em salvá-la de emergências do tipo. Era um processo rápido.

    Ok, e agora?

    Ela encarou Jung-Mi conforme os dentes castigavam o interior do beicinho.

    Droooooga!

    Não sabia como começar!

    E se o irritasse?


    Estava tudo tão bem... Não queria estragar o momento com assuntos pesados e complexos, mas adoraria conhecê-lo, seus gostos e costumes... Porque, nesse instante singular, não importava que ele fosse Young ou Jung-Mi. Não importava mesmo.

    O que era um nome?

    Sabia que tentava diminuir o peso dos problemas. Mas...

    - Huh?

    Assustou-se ao finalmente perceber a insistente vibração no bolso traseiro e... – Ahhhhhh! Eu esqueeeeeci! – Sunny deu um tapinha na testa e pegou o celular, encarando o nome da titia estampado no visor como quem lê a própria sentença de morte – É a minha tia... – olhou para ele e sorriu – Eu vou... ahn... mandar uma mensagem! Preciso avisá-los que nada de ruim aconteceu.

    Mensagem.

    Não ligação.


    Aguardaria cair na caixa postal para enviar a SMS.

    “Titia, eu estou bem!
    Miane! Miane! Miane!!! Eu me perdi no meio das pessoas e acabei encontrando um amigo com quem precisava conversar algo muito importante.
    Então... irei demorar um pouco, mas logo os encontro, tá?”


    Ela imaginou que a mensagem não seria o bastante para tranquilizar tia Yu-Mi, porém acalmaria os corações angustiados da família. Voltou a olhar para Jung e riu, sem graça.

    - Estou aqui com a minha família. Errr... Desculpe envolvê-lo nessa confusão. Aliás, espero não ter o atrapalhado... – não dizia aquilo para colher informações, mas porque realmente não havia como concluir se ele veio acompanhado ou não – Mas... Estou feliz por causa da coincidência de te ver aqui – Sunny abaixou a cabeça, fitando as mãos que se contorciam.

    Boba! Olhe para ele!

    E foi o que ela fez, chegando a dar um pulinho e ajeitar a postura de maneira exagerada, mas suspirou em seguida.

    - Eu entendo agora...

    Um sorriso tímido apareceu enquanto ela apontava para a câmera.



    - Você gosta de fotografar, por isso os livros que mais pegava eram os relacionados com fotografias. Não havia uma linha específica... Às vezes, imagens de pessoas, outras de lugares... Tinha certa preferência por... por... por... – foi se calando ao notar que falava demais – Bem... – arrumou uma mecha atrás da orelha – Admito que bisbilhotei alguns.

    O rosto ruborizou um pouco com a confidência que nem era tão secreta.


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por isaac-sky em Seg Jan 15, 2018 4:12 pm

    Won nem imaginava que Bo-Mi riria também diante da lembrança dos apelidos e daquele momento. Acompanhou ela na risada, tentando se conter sem sucesso.


    ”Ela fica mais bonita rindo também”

    - Será um smoothie bem especial mesmo, afinal, não é qualquer uma que tem o smoothie do “Batbin”. - Tentou dizer séria, mas logo que lembrou do apelido que Kang dera para Won, ela voltou a rir com gosto.

    Won acompanhou na risada. Agora o apelido nem parecia tão ridículo como nas primeiras vezes que ouvira.



    ”Ainda bem que mais ninguém ouviu, eu ia levar um bom tempo explicando o que significa.”

    Se ela não se incomodava com o apelido de Sabiá então Won com certeza usaria no futuro.

    Respirou aliviado quando Bo-Mi disse que estava tudo bem, diante daquele pedido de desculpas por tê-la ignorado. Naquele momento tão bom Won tinha esquecido completamente dos motivos que o deixavam enciumado.

    Naquele instante eram só os dois e Won não queria fugir nem se esconder dela nunca mais.

    ”Se eu tivesse encontrado ela nas redes sociais, será que eu teria adicionado? Aish, conhecendo meu jeito é provável que não” pensou. Admirava Bo-Mi pelo desprendimento e coragem que ela tinha em muitas coisas. Era uma característica oposta a sua personalidade, por isso achava ainda mais legal.

    Os dois se apresentaram formalmente e Bo-Mi agia proativamente mais uma vez: ela pegou o celular e encontrou seu nome em velocidade recorde.

    -Sim, eu mesmo - respondeu olhando para seu avatar (que não trocava fazia um bom tempo).
    Hyosang chegou interrompendo aquele momento. ”Aish chefe...podia ter demorado um pouco mais”

    Assentiu com a cabeça quando Bo-mi o olhou uma última vez antes de ir na bancada.

    ”Quando eu contar amanhã o Jae-ki vai querer me dar um sermão sobre como as garotas são problema e o Kang vai dar alguns mortais para trás de empolgação. Mas eu acho que isso acabou muito melhor do que eu imaginava” continuava com um sorriso bobo no rosto.

    Nem deu muita atenção a expressão meio séria de Ji-Hyun mas logo viu seu pequeno sorriso então concluiu que estava tudo normal.
    Tentou voltar a sua tarefa, mas não conseguiria com Bo-Mi ali tão perto, então apenas tentou parecer ocupado enquanto ela pegava seu smoothie.

    Won ergueu a cabeça quando a viu se aproximando e esperava com um sorriso o que ia dizer.

    Mas uma sombra roubou o fôlego de Bo-Mi e de Won também.

    ”Aish, a sra. Macchiato de novo. Que hora ruim, e logo eu vou ter de atender?” desfez o sorriso mas ainda não sabia que a situação era muito pior que imaginava.

    A primeira surpresa tinha sido descobrir que ela conhecia Bo-Mi.

    - Demorou tanto para comprar o smoothie que vim ver se tinha ido fabricar, Bo-Mi.
    ”Ela é arrogante até com quem ela conhece?” sentia a mesma revolta de ontem crescer no peito mas se manteve calado.
    - Pensei que a senhora fosse demorar, ommoni… - Bo-Mi respondeu de modo tranquilo, sem hesitações. - Nem pedi o seu ainda.

    ”Ommoni? O que!? É a mãe dela!?” a segunda surpresa tinha sido pior. A revolta crescia junto com a apreensão.

    A mulher encarava Won da cabeça aos pés.
    ”Ela olha pra mim como se não tivesse me visto mais umas duas vezes só essa semana. Aish como eu sou idiota, elas são igualzinhas, como eu não reconheci antes?”

    - E esse menino? O que ele fez para estar parado aqui?
    - Nada, ué! Ah, ommoni! Ele é o…
    Won abriu um sorriso educado, tentando manter a cena o mínimo amigável.

    - O funcionário novo que não sabia a diferença de macchiato e cappuccino, eu sei.

    Desfez o sorriso, ficando sério.



    ”Que bom que mantemos essa relação de apelidos saudáveis, sra. Macchiato” pensou irritado.


    - Ani… - Bo-Mi franziu as sobrancelhas, fazendo um beicinho. - Ele é o menino...que...me...salvou…
    - Pensei que você tivesse dito que estudavam no mesmo colégio.
    - Estudamos… - Bo-Mi respondia com a voz cada vez mais fraca, começando a ficar constrangida com o momento.

    A atitude da mulher já era irritante, mas ver como Bo-mi ficava cada vez mais acuada diante da má educação dela incendiava um tipo diferente de fúria em Won.
    O mesmo tipo que sentira diante do evento do lago ou de outros momentos onde via injustiças.
    Won pressiona o punho livre, se segurando.

    -Sim, eu…
    .
    - Então o que ele está fazendo trabalhando aqui? A não ser que… - O maxilar da mulher travou e ela respirou fundo. - É claro, bolsista. - Fechou os olhos por meio segundo e abriu de novo, dessa vez pegando a carteira e retirando de lá todas as notas que estava ali. Colocou no bolso do avental de Won e o encarou seriamente. - A vida de minha filha vale mais do que isso, mas é o que tenho no momento. Agora finalmente podemos deixar essa história de lado, não é Bo-Mi? Chega. - Fez um gesto, como se dissesse “corta”.

    Won nem teve chance de falar nada para a mulher ou para Bo-Mi. Num instante ela sacava todo o dinheiro da carteira e enfiava em seu bolso e “pagava” por ter salvo a vida dela.
    Estupefato Won encarou a mulher. Seu coração batia forte e ele sentia o calor subir no corpo, como se estivesse prestes a estourar.

    Se fosse somente uma ofensa a seu orgulho, somente algo contra si mesmo, Won teria engolido o sapo e ficado calado diante àquela atitude. Devolveria o dinheiro para Hyosang afirmando que não poderia aceitar e encerraria o dia empregado e só com uma história chata pra contar pros amigos.

    Mas quando a mãe de Bo-Mi a arrastou para o balcão e puxou seu queixo...quando viu Bo-Mi com aquela expressão triste…os olhos marejados dela…

    O antigo Won desapareceu, assim como nos momentos que saltava para proteger os amigos, dando lugar ao Won que não se importava com os danos colaterais ou com qualquer protocolo social.
    Já não respirava ofegante como antes, apenas tinha uma expressão muito fria no rosto.

    Chegou do lado esquerdo da mãe de Bo-Mi e com a mão boa pegou o dinheiro do bolso e amassou no punho. Com muita força bateu o punho na bancada e deixou o dinheiro.

    O impacto provavelmente faria muito barulho e assustaria a senhora Macchiato. Era a ideia.

    -O caixa fica aqui e eu não atendi você para que me desse gorjeta - disse com um “você” nada educado ou apropriado.
    -E o nome é Won-Bin - sua voz mais grave que o normal - Está na placa

    Se afastou dando dois passos para trás.

    -Você tem razão, a vida da Bo-Mi vale muito, muito mais que essas notas que me deu. Mas por que fala como se sua filha tivesse um valor em dinheiro? Que tipo de mãe quantifica esse tipo de coisa? - Won não ergue a voz, mas existe algo levemente desconcertante em como ele fala de forma tão neutra - Eu salvei sua filha daquela moto porque era o que um ser humano decente faria, não porque eu queria uma recompensa. Se você oferece esse tipo de coisa, não está ofendendo a mim, e sim a sua filha

    Encarou a mãe de Bo-Mi. Provavelmente perderia o emprego, estava confrontando uma cliente e cliente parente do dono.

    Mas Won não podia aceitar ver aquela expressão em Bo-Mi. Era inaceitável vê-la chorar e não fazer nada.

    Inaceitável.


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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Persephone Ontem à(s) 2:53 am

    [JAE-KI]

    07/04/2019 - DOMINGO
    12 A.M.


    Eun-Bi se sentiu bastante idiota depois de ouvir a sua proposta em voz alta. Em sua cabeça, o plano parecia coerente, mas depois de transformá-lo em palavras, só conseguiu revirar os olhos. Apesar de não ser a pessoa mais inteligente do mundo - academicamente falando - Eun-Bi sabia reconhecer a condição financeira de cada um. Jae já tinha comentado sobre isso algumas vezes, além dela reconhecer as roupas dele e de Soo-Ji. Nunca os julgou ou afastou por isso, mas fato era que por mais barata que fosse a passagem, ela podia fazer falta para ele.

    Mesmo que ela prometesse pagar na segunda-feira.

    Por isso mesmo, ela bufou, irritada com o próprio egoísmo e virou-se com o celular em mãos. Melhor mesmo pedir a droga do carro e permitir que Jae-Ki tivesse uma noite legal com os amigos. Quem sabe conseguisse alcançá-los, visto que não fazia muito tempo que tinham saído dali. Respirou fundo e começou a digitar o login até que ouviu a voz dele. Parou e virou-se um pouco, encarando-o.

    A expressão meio bicuda foi amolecendo de novo e ela tombou um pouco a cabeça.

    - Sério?

    Sorveu o lábio internamente, contendo o sorrisinho, mas isso se tornava uma missão cada vez mais difícil, quiçá impossível. Principalmente depois de ouvir o comentário dele sobre o sequestro. A bailarina deu uma risada, mexendo os ombros e foi virando de frente para ele de novo. Estendeu a mão, devolvendo o celular.

    - Verdade, eu prometi te defender. Você é muito magrinho mesmo, acho que um vento seria capaz de arrastá-lo por aí.- Provocou também e deu outra risada, esperando que ele pegasse o próprio celular de volta.

    Desviou o olhar quando ele mexeu na própria carteira e encontrou a nota que Ji-Hoo havia dado para ele antes de ir embora. Era uma nota mais alta, como uma espécie de “pagamento” pela noite dele. Jae-Ki já tinha usado uma parte para comprar o espetinho, mas somando com parte da gorjeta dele, havia o suficiente ali para colocar em prática todos os planos dele: desde o doce de Soo-Ji até a passagem. Até porque, ele tinha o cartão de estudante que Eun-Bi também tinha, porém, diferente dele, ela não andava com esse cartão o tempo todo.

    Não havia necessidade, afinal.

    - Hm? Eu gosto de Choco-Pie! - Disse animada, juntando as mãos, mas logo fez um gesto em negativo para que ele não pensasse em comprar pra ela. - Ani, ani! Eu estou bem, não quero nada… - Só a garganta que estava seca, mas ela realmente não queria abusar dele. - Para a Soo-Ji hm...O que uma princesinha iria gostar?

    Ponderou e começou a entrar nos corredores da lojinha, indo até os docinhos. Deu um gritinho quando achou algo que talvez fosse fofo como ela. Quando Jae chegasse perto, ela mostraria a caixinha de Koala’s March e a outra mão segurando o Hello Panda. Ambos seguiam o mesmo princípio: eram biscoitos recheados e os sabores tinham algumas combinações diferentes. A questão era que era uma coisinha fofa e gostosa. Eun-Bi pareceu feliz por mostrar a ele por ser algo que faria Soo-Ji feliz.

    Depois que Jae-Ki se decidisse, eles encarariam o dono da loja juntos. Eun-Bi ficou ao lado de Jae-Ki, com os braços cruzados e uma cara mais emburrada para ele. Era mesmo muito afrontosa quando queria e ainda bateria o pé, se fosse o caso.

    Tão logo pagassem as comprinhas para Soo-Ji - e o que mais ele quisesse, ganhariam as ruas de Jung-Gu de novo. Fazia uma noite agradável do lado de fora, estava fresco e o casaco de Jae não era muito quente para fazer com que Eun-Bi suasse ou morresse de calor. Contudo, ele sentiria o braço arrepiando vez ou outra por conta do vento e da situação em si.

    O pessoal ainda estava disputando dança, mas acabaram seguindo o caminho oposto - os meninos da outra gangue ainda podiam estar por lá e Jae também não quis mostrar Eun-Bi para os amigos antes.

    Apesar daquele distrito político ter mais atrativos durante o dia, as cores de sua noite também eram muito interessantes. Já era um pouco tarde - mais de 11h - mas as lojas dos centros ainda estariam abertas, cada uma com seus grupos - de kpop e outros ritmos - fora os restaurantes que ficavam em edifícios que trazia um grande vai-e-vem de pessoas. A praça próxima à prefeitura tinha uma espécie de chafariz direto do solo que ficava ligado durante a manhã e trazia momentos de diversão e constrangimento - afinal, ninguem queria ser molhado - principalmente durante o verão.

    Eun-Bi e Jae-Ki passariam brevemente por esses cenários, ainda misturados às pessoas, mas andando bem próximos. O instinto super-protetor dele falava alto demais, mas a verdade é que ali, a bailarina era apenas mais uma na multidão. Talvez agora de gorro, jaqueta, vestido e scarpin, ela fosse considerada excêntrica demais. Mas quem é que se importava com isso, não é mesmo?

    Os dois riam de coisas bobas, fosse de pessoas ou de algo avulso que acabassem ouvindo. E também conversavam sobre coisas aleatórias. Era difícil para parar conversar sobre assuntos pessoais demais, de modo que eles falaram mais sobre a semana de aula, o céu daquela noite, o preço absurdo da pelúcia que estava na vitrine e esse tipo de coisa.

    Em nenhum momento, Eun-Bi reclamou do pé doendo. Na verdade, nem estava sentindo direito porque parecia feliz demais para se concentrar na dor.

    Quando passaram pela praça, Eun-Bi ficou um pouco deslumbrada com o visual do lugar e então segurou a manga da blusa de Jae-Ki apontando.

    - Vamos tirar uma foto ali, vamos? Eu tiraria se meu celular estivesse carregado. - Fez um beicinho, franzindo as sobrancelhas. - Vamos, vamos, depois você me manda! Vamooos

    E puxou o menino com ela, tirando o gorro dele pela primeira vez para ajeitar o cabelo. Soltou o cabelo do rabo de cavalo e o colocou parcialmente sobre os ombros, olhando para ele e perguntando se estava bonita. Riu e esperou que ele posicionasse a câmera para a bendita selca ao lado dele. Fez um “v” com os dedos e umas carinhas bem aegyo ao lado dele.

    Os dois quase pareciam um casal naquelas fotos, o que pouco a pouco, foi deixando o momento um pouco constrangedor. Eun-Bi corou um pouco e o olhou de banda - mas a tela mostrava isso por conta da selca. Ela riu sem graça e antes que conseguissem dizer qualquer coisa…

    O celular dele tocou, com o nome de MiSoo.

    - Mwo? Você tem a MiSoo-ya?

    Eun-Bi o encarou com bastante desconfiança até perceber que era o chip dela. Soltou um “aish” e catou o celular para atender a amiga. Afastou-se um pouquinho, mas sem sair de perto dele enquanto dizia.

    - Annyeonghaseyo! Ye, eu estou bem. Estou...Uhum, miane, não queria ter te preocupado. Eu fiquei nervosa e bem irritada com minha ommoni, mas...As coisas se resolverem. Fique tranquila, amanhã conversamos melhor. Sim, sim...Ah, vá então. Amanhã te passo as fotos também. Ye. Tchau…

    Desligou e viu o horário. Arregalou um pouco os olhos e olhou para trás, procurando por Jae. Aproximou-se dele de novo, mas dessa vez, pegaria o chip dela antes que acabasse esquecendo no aparelho dele.

    - Então...Já está um pouco tarde. Precisamos ir até o metrô antes do último ir embora… - Coçou a nuca por baixo dos longos cabelos que agora estavam soltos e balançando de levinho. - Vamos?

    [HYUN-HEE]

    07/04/2019 - DOMINGO


    Minutos antes de seu mundo inteiro começar a cair, Hyun-Hee até que teve seu momento de diversão. Perto de Nana, ele se sentia bem trajando aquela roupa de “oppa”. A menina de sua turma podia ser mais nova, podia ser inexperiente para esse tipo de ambiente, mas isso não quer dizer que ela não fosse mais avançada do que a maioria das meninas de sua turma. Nana tinha sua dose de malícia e o sorriso veio fácil diante daquela vertente do Hyun galanteador e protetor.

    Bebeu aquela mistura mesmo não gostando do sabor inicial e economizou um pouco nas caretas. Quando Hyun se aproximou dela, ela nem ao menos se mexeu e continuou a encará-lo.

    - Minha amiga gelada não está em Seul e ela também não precisa saber de tudo. Sabe como são essas pessoas frias, não é? Falta um pouco de aventura… - Nana respondeu do mesmo modo, mordendo o lábio inferior enquanto olhou dos olhos até o pescoço dele e voltou para os olhos.

    Sorriu diante da pergunta e mexeu a sobrancelha.

    - Veja por si mesmo.

    Piscou, mas a chegada de mais uma convidada àquela festa cortou o clima. A 10ª pessoa estava presente, ainda faltavam Sunyoung e a 12ª. Não demorou para que Hyun percebesse que sua noite não andaria se continuasse se preocupando com aquela maldita. Por isso mesmo acabou por eleger Nana sua companhia da noite. Os dois dançaram, beberam juntos e ela continuou bebendo enquanto ele fumava. Recusou porque o gosto não lhe agradava, fora o cheiro - tudo bem que ficando ao lado de um fumante também absorveria o cheiro, mas ela preferiu evitar.

    A bebida, contudo, estava muito gostosa e talvez ela estivesse abusando um pouco. O problema era que estava cada vez mais dificil resistir aos efeitos e ela queria dançar como se fosse a melhor bailarina da JYP ou SM. Nem percebeu quando Hyun a pegou pelo braço para descer, só seguiu e continuava agindo daquele modo meio ausente porque a mente saía e voltava. Repetidas vezes.

    Em dado momento, Hyun a perdeu.

    Porque as batidas começaram em sua cabeça. Em seus ouvidos. No ritmo dos flashes e jogos de luzes. As pessoas estavam muito lentas e ele muito acelerado. Via os amigos de relance e ria e se mexia sem nem ao menos se dar conta do que estava fazendo. Até que uma pessoa apareceu.

    Tinha certeza de que Park ChaeYoung estava naquela festa e aquilo se tornou uma gigante obsessão, assim como a necessidade daquela música em progressão. Hyun beijou uma de suas antigas amantes - uma das melhores amigas de Eun-Joo - achando que era Chaeyoung. Assim que viu quem era, descartou a menina como se fosse um lixo reciclável - não deixava de ser verdade, no fim das contas. E agora olhava para aquela pista, vendo que ela estava logo ali.

    Bom…

    Novamente, não era Chae.

    Mas dessa vez, era tarde demais.

    Hyun gritava por alguém que não o escutaria. Além da música ser muito alta, a pessoa em questão não estava mesmo presente daquela festa. Tudo era coisa da cabeça de Hyun e o efeito do adicional que existia em sua bebida. Porém, quem se importava com o que se passava na mente do garoto?

    O acompanhante da última vítima de Hyun não se importava nem um pouco.

    Se para ele era normal ser agressivo com as garotas de WangJo - tacando água, jogando contra armários, gritando ou descartando - ali, naquele lugar de adultos e extremamente hostil, haveria uma resposta. Assim que Hyun virou de costas, ele veria o corpo indo para a frente. Talvez a sorte - ou o azar - era que ele não estava sentindo, exatamente. O seu tato estava ausente, de modo que as dores só viriam depois.

    O homem parrudo deu um chute na altura do quadril de Hyun e foi o suficiente para que o corpo do garoto fosse projetado para a frente. Como seria dificil firmar os pés, pela ausencia de sensibilidade, ele foi tropeçando e as pessoas saíram do caminho até que ele caiu próximo à escada. O corpo foi chutado ali mesmo, com palavras que tava dificil de ouvir. Mas o homem, bem grande e sem rosto definido o chutou várias vezes na lateral esquerda, na altura da cintura, das costelas, da cintura e o fazia quicar no chão. Estava realmente PUTO e queria matá-lo por ter se metido com a garota dele.

    Três chutes bicudos além do empurrão inicial.

    Isso seria o suficiente para fazer alguém normal chorar de dor, mas não Hyun no momento. Quando estava perto de agarrar Hyun para começar os socos, os seguranças apareceram. Os seguranças da Boate o Secretário Lee. O Secretário Lee foi o mais incisivo de todos porque, afinal, precisava proteger o corpo de Hyun-Hee. Era seu trabalho! Mas também estava no ódio diante de uma cena daquelas.

    Hyun sentiria o gosto de sangue na boca.

    Mas talvez achasse isso divertido. Quando o agressor foi afastado, o Secretário virou-se para Hyun e tentou falar com ele. Só dava para ver a boca mexendo, mas era dificil fazer uma leitura labial. Tudo girava ao redor dele e ganhava formas caleidoscópicas até que a consciência simplesmente o abandonou.

    Talvez, apenas talvez, ele tivesse conseguido alcançar seu objetivo de não mais existir.

    Mas por que parte dele estava desesperada com isso? Logo agora que tinha assuntos inacabados...ele iria acabar assim?

    ---

    Eram 7h da manhã quando Hyun-Hee ouviu um som que era bastante conhecido dele: apitos...de aparelhos hospitalares. Uma sonda estava em seu nariz o ajudando a respirar enquanto a veia recebia soro. Hyun estava com o peito desnudo e muitos curativos do lado esquerdo, mas também sentiria um gosto estranho na boca. O Secretário Lee estava de pé, olhando a janela e seu terno estava jogado numa cadeira. Passou as últimas horas acompanhando aquele moleque mesmo durante a lavagem gástrica pela qual ele passou.

    Ouviu a movimentação e olhou para trás por um instante, vendo a cara do “inocente”. Era sorte que ele tivesse levado dinheiro vivo consigo. As leis podiam ser pesadas na Coréia, mas as notas sempre seriam mais.

    Por isso odiava essa vida fácil de herdeiros.

    Eram inconsequentes demais porque tudo podia ser comprado.

    Até a moral dos outros.


    [MISOO]

    07/04/2019 - DOMINGO
    8:30 A.M. ~ 4 P.M.


    Após uma agradável manhã de conversas, avó e neta seguiram juntas de braços dados até a cozinha. Naquela casa, MiSoo podia dizer que se sentia muito feliz. Ali habitavam as melhores memórias de sua infância - pelo menos no que tange a família, visto que brincar com as melhores amigas também lhe trazia agradáveis recordações - e também havia a presença de sua avó.

    A matriarca Kwon podia ser considerada a mãe de fato de MiSoo. No que Hyo-Jin fora ausente, a avó sempre se mostrou ausente e a verdade disso era que...MiSoo devia se considerar muito sortuda. Porque nem tudo era trevas em sua vida.

    As risadas em relação ao ex-namoradinho da avó ecoaram por um bom tempo. A própria avó foi rindo a ponto de ficar vermelha, quase sem fôlego. Não tinha como aquela manhã ser melhor.

    Na cozinha, MiSoo teve total liberdade para demonstrar seus dotes culinários. Os ingredientes eram diversificados e bem frescos, de modo que ela podia escolher o que quisesse. De propósito ou não, a avó escolheria algo que MiSoo adorasse comer. E assim compartilhariam, de modo cumplice, aquele adorável café da manhã. Conversavam durante todo o tempo, agora falando de receitas e coisas relacionadas a cozinha. A sra. Kwon não era uma expert em cozinha, mas tinha um paladar refinado.

    Depois do café, MiSoo pôde correr pelo condomínio.

    A corrida sempre se mostrava libertadora para a menina, só o lugar que era um pouco estranho. Diferente da tranquilidade que sentia dentro da casa da avó, correr pelo condomínio não lhe trazia tanta paz assim. Pode-se dizer que sentia falta da possibilidade de encontrar seus amigos - fosse Bo-Mi, Gyu-Sik ou a própria Eun-Bi nos dias que ficava com o pai. Ali ela quase não reconhecia os vizinhos e não tinha o Café Beautiful que ela gostava de ir.

    Mesmo assim, o tempo que passou consigo mesma foi muito bom.

    Assim como o resto da manhã.

    Como já tinha previsto, os moradores da casa demoraram a acordar. O tio estava de pé quando MiSoo voltou da corrida e ele foi extremamente gentil com ela - sempre era gentil e tinha uma aura paternal ao redor de si. Elogiou a comida de MiSoo e a convidou a ir mais vezes, apenas mostrando como ela era, de fato, bem-vinda. Os primos, por outro lado, só acordaram por volta das 12h.

    O brunch seria servido no jardim, próximo à piscina. A mesa redonda ficou lotada de pratos que lembravam uma mistura de café da manhã com almoço. O primo mais velho estava com a cara amassada e seu mau humor típico, mas só consigo mesmo, pois não descontava nos outros. A prima trazia aquele sorriso angelical dela e conseguia ser gentil, mesmo morrendo de sono.

    Conversavam sobre amenidades e ali MiSoo soube que a prima voltaria para a Europa na quarta-feira. Sua passagem pela Coreia foi bem curta mesmo, mas muito proveitosa. Foi um tempo de qualidade que ela conseguiu passar com pessoas queridas.

    Aquele momento foi o encerramento de seu periodo na casa da avó. Não teve como ser mais perfeito!

    Porém...Logo a tarde chegava e ela precisava passar pela dura missão de retornar para casa. O dia foi tão corrido que ela nem teve muito tempo para se preocupar com o celular, mas quando o pegasse, teria mensagens de Eun-Bi.

    “Oi, amiga <3 Como foi sua noite e manhã com sua avó? Espero que tenham se divertido =]
    Eu estou bem! Vim de metrô pra casa, consegui pegar o último. Claro que minha mãe está uma fera comigo -_- claro que me ameaçou de todas as formas -_- claro que eu disse que vou contar tudo pro meu pai.
    Então, ela devolveu os cartões que meu pai me deu e, bom, está fazendo aquele drama de sempre. Estou cansada disso, mas...Você nem acreditaria no que aconteceu ontem, nem eu acredito…
    Mas isso é assunto para contar pessoalmente ou por telefone. Depois da sua aula com o Gyu-Sik, me liga, ta? =]
    E tô achando a Bo-Mi meio estranha, ela está muda desde as 10h. Será que aconteceu alguma coisa?
    Beijos e te amo <3”

    Bo-Mi realmente não dava sinais de vida há muitas horas. Bom, MiSoo sabia que ela tinha a tal reunião da mãe dela para ajudar a montar, mas, ainda assim, era um pouco estranho. De todo modo, às 4 P.M. ela encontraria com Gyu-Sik e poderia perguntar pessoalmente para ele.

    Para sua surpresa - e felicidade - a governanta da casa informou que os pais dela tinham saído para almoçarem fora. Isso era quase que um acontecimento porque ultimamente, era muito raro que o Sr. e a Sra. Yeun saíssem para ter um momento de privacidade. Quem sabe não voltassem mais felizes, né? Assim encheriam menos o saco. Os pais aproveitariam aquela tarde juntos, passeando por uma exposição, aparentemente.

    Eles já tinham sido avisados que Gyu iria até a casa deles à tarde para estudar e não viam problemas nisso.

    Portanto, pontualmente, às 4 P.M, a campainha tocaria e Gyu-Sik surgiria atrás da porta. Estava com a mochila pendurada num ombro e o smoothie de morango pra ela, mas também carregando um chá gelado consigo. Usava uma calça jeans clara, uma camiseta rosa clara - que ficava bem na pele branquela dele - e um tênis.

    - Olá…Foi aqui que pediram um smoothie de morango? - Perguntou em tom de dúvida e aquela expressão séria enquanto encarava MiSoo.

    O sorriso veio logo em seguida e ele a reverenciou antes de oferecer o copo para ela.

    [HYEMIN]

    07/04/2019 - DOMINGO
    11 A.M. ~ 1 P.M


    Sung-Ki meneou positivamente quando viu que a filha mudou o foco para Sunyoung. Aquilo foi indício o suficiente para que ele percebesse que...bom, não era a hora ainda.

    - Se essa for sua definição de forte, eu estou diante da garota mais forte da Coréia, quiçá do mundo. - Tombou na direção dela e “roubou” o nariz. - Tem o sorriso mais lindo e parece a minha modelinho.

    Sorriu bastante carinhoso e então se levantou. Como percebeu que não conseguiria ir muito adiante com aquela conversa - e talvez nem fosse o momento mesmo porque queria aproveitar melhor com a filha, apenas para variar. O próprio Sung-Ki reconhecia que usava de artifícios para falar certos assuntos com ela. Como sabia que ela gostava muito de cozinhar - um hobby herdado dele, modéstia à parte - ele sempre usava da cozinha como point para assuntos mais sérios ou polêmicos.

    A quadra de tênis nunca tinha sido usada até então. E...ele achou melhor assim.

    Os dois voltaram para a hora final que tinham alugado a quadra. Havia uma lista que deveria ser respeitada - embora ele pudesse comprar aquele clube, se quisesse. Pai e filha continuaram se divertindo bastante, fazendo aquelas trocas e Sung-Ki dando mais dicas ou mesmo aprendendo coisas novas com a filha.

    Após o confronto, perceberam que nenhum dos dois estava contando.

    - Então eu ganheeei!! - O pai ergueu os braços e caso ela começasse a protestar, ele correria atrás dela até agarrá-la pela cintura e colocá-la no ombro. - Ganhei siiim, sou mais forteee

    Giraria com a filha e a colocaria como uma princesinha no colo antes de deixá-la no chão de novo.

    - Vamos comer comida japonesa? Estou com muita vontade de comer um barco inteiro. - ainda mostrou o tamanho que queria, mas caso ela preferisse comer outra coisa, ele acataria ao desejo da princesa.

    Não comeriam no clube dessa vez, mas tomaram um banho por lá e trocaram de roupa também. Como imaginava que a filha fosse demorar, ele levou um pouco de trabalho para analisar enquanto esperava. Quando Hyemin o encontrasse, ele estaria usando uma calça comprida caqui, cinto e uma camisa num tom cru-creme com as mangas dobradas. O cabelo estava um pouco jogado para cima e os oculos pendurados na camisa.

    Sorriu para a filha e a levou para o almoço especial.

    No trajeto, ela teria muitas mensagens.

    Hayoung colou no grupo o artigo que tinha saído na revista online. Havia uma crítica sobre a Ópera, mas uma prévia da festa dos herdeiros. Hyemin aparecia em três fotos - com a familia Seo, com a familia Han representada pela mãe de Sunyoung e com os Wang. MiSoo também tinha ganhado bastante destaque nas fotos e Hyun-Hee aparecia como um dos mais enigmáticos da noite.
    No meio da euforia que ocorreu no grupo, por parte de Hayoung, Hyemin receberia uma mensagem surpresa, em privado. Nana dizia.

    “Oi, Min...Você...Pode tomar um sorvete mais tarde comigo? =/”


    Era um pedido tão estranho, mas...ei! Sorvete, né? E Nana tinha sido tão legal que talvez merecesse esse carinho. O domingo estava tão agitado que nem lembrava a chatice de um domingo normal.

    [WON-BIN]

    07/04/2019 - DOMINGO
    10:30 A.M.


    Ver aquela expressão em Bo-Mi tinha ativado um detonador dentro de Won-Bin. O sempre tão calmo e passivo rapaz começou a sentir, novamente, aquela fúria percorrendo por suas veias. Bo-Mi não se sentia oprimida ou acuada pela mãe, estava era com vergonha do modo que ela estava tratando seu amigo. Por isso começou a ficar um pouco mais quieta...tensa...nervosa.

    A mãe, por outro lado, parecia bastante normal. Tratava Won como se ele fosse qualquer um porque para a Sra. Yoon ele era mesmo insignificante. Só tinha salvado sua filha e...bom, era isso.

    Para Bo-Mi não. Mas a mãe não tinha como saber isso logo de cara.

    Quando achou que a situação não podia piorar, Won-Bin resolveu se aproximar daquele jeito. Ji-Hyun estava bastante apreensiva atrás do balcão e ficou com os olhos um pouco arregalados quando viu Won se aproximando daquele jeito - as feições dele não pareciam pertencer ao rapaz que ela tinha conhecido. A expressão da atendente chamou a atenção de Bo-Mi que olhou para a esquerda apenas a tempo de ver aquela cena.

    O impacto fez o efeito desejado, mas os outros clientes também pararam o que estavam fazendo para encarar aquilo. A mãe de Bo-Mi arqueou uma das sobrancelhas, deixando os lábios entreabertos e o encarou bastante chocada com aquela atitude.

    - Isso não é gorjeta. Não acha um pouco alta demais para o seu serviço mediano aqui? - Perguntou com a lingua bem venenosa, pois não ia se rebaixar diante de um garoto que tinha saído das fraldas agora. - Petulante…

    Resmungou e sentiu a mão de Bo-Mi em seu braço.

    - Omma…- Bo-Mi tentou dizer, mas a voz de Won cortou o raciocínio dela.

    A Sra. Yoon continuou encarando Won e deu uma risada debochada, no fim.

    - É mesmo? Vai me dizer que um garoto como você é o juiz da moral e virtudes? Se não quer aceitar o meu presente, é problema seu. Imaginei que alguém da sua classe fosse se sentir feliz por receber esse valor. Deve ser mais do que ganhará o mês inteiro aqui. Tanto faz.

    Empurrou o dinheiro na direção do caixa e Ji-Hyun já estava com a mão tremendo enquanto colocava o macchiato para viagem bem ali.
    Hyosang chegou naquele momento, sentindo a alma abandonar o corpo ao ver a tensão no ar. Umedeceu os lábios e pigarreou enquanto se aproximava com uma expressão neutra.

    - Olá, Sra. Yoon, como vai? - Forçou um sorriso mesmo diante do caos.

    - Estava muito bem até cruzar caminho com esse seu atendente ousado e encrenqueiro. - Olhou para Hyosang. - Só não peço para que o demita porque bem ou mal temos uma dívida, mas cuidado, Hyosang-shi...Ele afasta a clientela.

    - Omma…

    - Quieta. - Ordenou e olhou Hyosang. - Esse dinheiro aí é dele, mas se o “Woo-Bi” não quiser, coloque como crédito para as crianças.

    Pegou o Macchiato dela depois de guardar o cartão na bolsa.

    - Tchau, Hyosang-shi, tenha um bom dia.

    - Tchau… - Hyosang disse se controlando para não agredir alguém.

    A mãe de Bo-Mi virou-se e com a mão livre, agarrou o braço da filha a arrastando dali. Bo-Mi deu uma tropeçada e passou a mão delicadamente por baixo do olho, sem ter coragem de erguer a cabeça para pedir desculpas a Won. O vestidinho balançava, bem como a franja da bolsa dela.

    Houve silêncio até que Ji-Hyun disse.

    - Ela foi uma ignorante com ele, noona…Por favor, não brigue com ele…

    - Eu sei. - Hyosang disse, por fim e encarou Won. - Você está bem?

    [SUNNY]

    07/04/2019 - DOMINGO
    11 A.M.


    Jung-Mi deu outro sorriso numa espécie de suspiro e permitiu que Sunny entrasse primeiro na cafeteria, seguindo logo atrás como um verdadeiro protetor. Mesmo que se sentisse bastante seguro por guiá-la pelo caminho do festival, ele preferia a visão que tinha antes - e por isso mesmo, somado ao cavalheirismo, deixou que ela fosse na frente. Havia algo naquele mar negro que o cabelo dela formava e que percorreria até se perder na cintura que o hipnotizava também.

    Durante aquela semana inteira ele teve a visão do pescoço, das costas e do ligeiro perfil de Sunny. mas apenas agora ele percebia o quanto aquela imagem o agradava. Era capaz de trazer uma paz que há anos ele havia perdido.

    Era como se os céus tivessem enviado um pedaço de si para garantir que tudo ficaria bem...Desde que cuidasse daquela frágil menina.

    O rapaz seguia logo atrás dela e quando ela indicou o lugar, ele apenas fez um suave meneo, indicando que, por ele, estava perfeito. Sun-Hee se acomodou primeiro e parecia um pouco apreensiva. Jung foi um pouco mais metódico, puxando a cadeira até uma distância confortável para si e retirando a mochila das costas. Pediu as pernas para o espaço que tinha e sentou-se, colocando a mochila com cuidado no chão. Mexeu um pouco os ombros que estavam um pouco mais tensos também.

    Puxou o boné, revelando o cabelo um pouco espetado por conta do suor e do abafamento do tecido. Fez uma careta enquanto mexia nos fios, mas acreditava que não estava muito bom.

    - Você se incomoda se eu ficar com o boné? Creio que a visão sem ele não será das mais agradáveis. - Não penteou o cabelo antes de sair. Estava uma bagunça.

    Em caso positivo, ele colocaria o boné de novo e se sentiria mais confortável assim. Mas se ela achasse muita falta de educação, ele tiraria e jogaria o cabelo para trás. Paciência...Fez sinal para que trouxessem o cardápio, mas logo se assustou com a reação dela.

    - O que houve?! - A encarou um pouco preocupado. Fez um “o”, movendo um pouco as sobrancelhas e concordou dela mandar a mensagem. Enquanto isso, pegava o cardápio para eles.

    Havia vinte e duas ligações perdidas de Yumi. E menos de um minuto depois da mensagem de Sunny, ela receberia uma resposta.

    “Kim Sun-Hee, você tem vinte minutos para sair daí e nos encontrar na ponte. Não me interessa se você tá com o Presidente, com um rei da Dinastia Wang, com o Papá. NÃO LIGO! VENHA PARA CÁ ANTES QUE EU FAÇA UM ESC NDALO PELO PARQUE E TE ARRASTE PELOS CABELOS!!!!”


    Sunny leria ouvindo a voz de sua tia berrando. Um arrepio percorreria por suas costas, mas antes que ela desse a notícia para Jung Mi, o pai enviou uma mensagem também.

    “Hm. Que bom que está bem. Não faça isso de novo.
    Converse com seu amigo e nos encontre às 12:30h no restaurante chines. Creio que 1 hora e meia seja mais do que o suficiente.”


    E na sequência.

    “Seu pai me desautorizou, mas ainda farei um escândalo quando você vier. Apenas aguarde.”


    Jung-Mi ficaria acompanhando as nuances da expressão dela, achando um pouco curioso e, porque não dizer, engraçado. Ele piscou quando percebeu que Sunny abandonou o celular e agora se dirigia a ele. Corrigiu a postura e esboçou outro pequeno sorriso.

    - Compreendo. Não tem problema, eu vim sozinho… - A palavra carregava um peso para o rapaz. Aquele evento envolvia família ou pelo menos namorados. Mas ele tinha ido até lá completamente sozinho…Como alguém comum. - Eu estou surpreso, mas também feliz…

    Falou mais baixo a última parte e não compreendeu o que ela tinha entendido.

    Até que ela apontou para a câmera e ele precisou olhar a direção que ela havia apontado para compreender.

    - Ah… - Segurou a câmera com as duas mãos e tirou a alça do pescoço. - Sim, eu gosto… - E a encarou de novo, percebendo que ela tinha notado os detalhes.

    Quer dizer, todos os detalhes. Jung-Mi ficou um pouco sem graça, mas acabou achando graça de novo. Arqueou uma das sobrancelhas e completou a frase por ela.

    - Por edifícios... É… - Entrelaçou os dedos, apoiando o punho na mesa. - E você gostou dos que viu? Admito que tinha ciúmes por devolvê-los e imaginar que outras pessoas o veriam, mas...Quando eu via que era você bisbilhotando, eu parei de sentir isso. Viu as páginas marcadas?

    Páginas...marcadas…?

    Então era por isso que alguns livros voltavam com aquela marcação dentro deles? Quando entendesse o que tinha acontecido, veria um sorriso sacana no canto dos lábios do rapaz.

    - Na terceira vez, eu percebi que você parecia gostar de fotografia também. Então, comecei a marcar. Só que achei que você fosse gostar mais do livro que te dei. Não sei porque, mas acho que paisagens naturais combinariam com você…Parece...Que você faz parte do quadro.

    Tombou um pouco a cabeça e então ofereceu a câmera para que ela visse.

    - Essas foram as de hoje…

    Permitia que ela visse um ponto muito, muito sensível da vida dele. Poucas pessoas tinham acesso àquela câmera e, agora, Sunny tinha a chave para aquele mundo.
    GodHades
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por GodHades Ontem à(s) 2:58 am

    Os amigos eram audaciosos, pelo menos foram do ambiente do colégio, as conversas eram bem bestas para não dizer cretinas! Dong levava com bom humor algumas coisas, mas Min-Ho acabou sendo um pouco mais insistente em sua defesa sobre a prima. Kyung arqueou uma sobrancelha diante daquela frase pronta, com tamanho efeito. - Ora parece que o senhor esta bem estudado sobre o assunto não? Será que já escreveu uma fanfic tambem?!

    Depois de chegarem a um consenso, finalmente era a hora tão esperada, um pequeno torneio foi montado com sistema de rodizio, ou como chamam por ai "rei da mesa" que consistia em quem ganha, continua jogando, e quem perde, vai revezando. Quando Kim assumiu seu modo de jogador, todos puderam sentir uma estranha pressão pairando no ar, um tipo de competitividade estranha começava a se manifestar do belo rapaz. Dong estava impressionado pela habilidade que ele mostrava, derrotando um a um dos seus amigos, contudo, não era uma situação justa.

    Isso deu tempo para Kyung estudar e ver o estilo de jogo e com que personagem Kim usava como main. Seria muito mais fácil contera-lo dessa forma. A luta deles foi até disputada porém rapida ja que ambos mostravam um estilo de luta ofensivo, por um momento todos achariam que o Joo-Kyu arremessaria o controle na parede, na verdade, o garoto parecia sofrer quase um transtorno bipolar quando assumia a posição de jogador, e depois quando não era a sua vez, revelava uma aureola tranquila.


    Imagina jogando lol!!




    - Acho que não quero imaginar mais. - O primo de Hayoung só pode esboçar um discreto sorrisinho com os comentários maldosos, mas saudáveis. - Me desculpem, depois do sacode que Stella deu, eu andei treinando um pouco, isso é um pouco desleal com o Kim que provavelmente não se preparou e ainda assim jogou muito! Diferente de uns certos senhores! Palmas para o Doutor Hyde!

    Ainda deu um apelido para o iluestre desafiante, já os outros não tinham desculpas até por que tinham o jogo e ainda haviam um vexame daqueles. Não havia regalia para eles e Dong achou foi pouco o que fez.

    Ele se segurava para não engasga toda fez que Uin-Jin emite uma risada suína, fora as asmas, depois resolveram comer quando barrigas roncaram de maneira coletiva. Kyung menea o rosto positivamente, concordando com a ideia proposta da campanha. - Confesso que fiquei assustado no começo mas isso me fez pensar que você vai ser um grande ator um dia Joo-shi!




    Ao invés de parecer bravo ou intimidado, Dong apreciou aquela maneira competitiva e até mesmo um pouco violenta, não eram todos os jogadores que mostravam esse comportamento num jogo de luta, sendo que Kim foi além disso, pois ele oscilava, como se fossem polos diferentes, pessoas opostas vivendo dentro um só ser!

    - Esperarei ansioso pelo seu personagem, tenho certeza que Ui-Jin vai adorar mestrar para ele. - Dessa vez o asmático amigo não deveria estar dando risadinhas, ao pensar na possibilidade de Kim ser "possuido" no RPG também. Quase como numa resposta imediata... o gordinho sugere que mudassem a temática das jogatinas para algo mais cooperativo e amistoso.

    No meio desse ambiente, enquanto jogavam Kyung comentária com os rapazes, o que todos pensavam sobre algumas coisas estranhas de WangJo.

    Primeiro ele pergunta o que todos achavam do diretor. Das sansões aplicadas por ele, dado o que foi mostrado, inclusive com provas.

    Em seguida... o filho unico fala sobre o projeto mediocres, nome que era provisório claro, mas ele explica que pensava em algo que afetava a mediocridade do instituto, e que queria tentar ajudar os bolsitas e pessoas que e sintam oprimidas de alguma maneira.

    Era uma ideia deveras ambiciosa mas se tivesse apoio e condições, poderia realizar. Todos ali saberiam que Dong não buscava fama e muito menos dinheiro ou qualquer retorno com isso, ele realmente queria montar algo que pudesse engrandecer ainda mais WangJo de alguma maneira...

    Porém, para começar a sequer pensar numa coisa desse tamanho, ele precisaria conhecer mais pessoas, e obter muita informação sobre o que realmente acontecia, que os seus olhos miopes ainda não puderam ver.


    Luxi
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    Re: Capítulo 2

    Mensagem por Luxi Ontem à(s) 9:06 am

    Hyun Hee percebeu a rota do corpo para a frente e tentou travar o pé no chão instintivamente, mas o corpo dormente não respondia a seus comandos a tempo. Continuou tentando, trançando as pernas enquanto os braços se ergueram para tentar, em vão, o equilíbrio, mas logo eles tiveram que tentar apoiá-lo no chão.

    Quando resmungou, a figura do homem já fazia um sombreado por conta das luzes e afundava o bico do sapato em suas costelas. Por um momento, esqueceu até onde estava e não conseguiu concluir por que estava apanhando. O corpo formigava e reagia internamente.



    Por que esse cara…?

    Quem é esse cara?

    O que tá acontecendo?


    Foram pensamentos que passaram girando como o ambiente. Recebe o segundo chute em câmera lenta, mal sentindo os golpes. Tossiu. Supostamente devia reagir, não é? Mas os braços nem estavam ali direito, nem as pernas, nem o ar.

    Em uma posição patética, de lado, sem se mexer, guinchou baixo, na busca involuntária do corpo por respirar corretamente. Aquela boate estava muito abafada agora. Suava, sentindo a pressão do ambiente e de todos os olhares sobre si, ainda que não visse nenhum rosto.

    Levou o terceiro chute, agora ainda menos reativo, e talvez por isso seu agressor quisesse provocar nele mais dor, pois era um adversário sem graça como um saco de pancada. O homem o agarrou para detonar seu rosto. Haha. Estava bem puto mesmo, hein?

    Ainda que estivesse derrotado, Hyun Hee o observou de forma maníaca e provocativa. Sentiu um desejo imenso de tomar aquele soco e o instigava com o olhar. Soltou um princípio de gargalhada asmática que logo foi misturada com tosse e sangue.

    O herdeiro não se mexeu. Tombando a cabeça para trás e ali ficaria se não fosse a visão do Secretário. Hyun Hee estava surpreso, mas não muito. A situação era muito engraçada. Onde estava? Por que sua babá estava ali? Sentia-se em um sonho muito louco. Riu abafado, porque não conseguia entender nada do que estava falando com ele. Era irônico e muito ridículo que fosse buscado ali, mas, quem diria, sempre estava precisando da ajuda dele, não é mesmo? O que será… que aconteceria se….? A cabeça foi pesando e ficando confusa, com frases espaçadas. Então sua mente expeliu seu principal pensamento da noite, o único que ficava mesmo depois de levar uma surra.

    - Chaeyoun-ah~  - murmurou em rouquidão, dando uma engasgada na última sílaba e podia jurar que um facho de luz brilho em laranja, formando a perfeita imagem daquela garota contra o sol, até que tudo ficou preto.

    [/color][/color]

    Os irritantes apitos coordenados do hospital lhe traziam um aperto desagradável. Significavam que não tinha sido dessa vez que tinha morrido e também o faziam lembrar-se da sensação de acordar de repente, meses depois que pediu para morrer antes de apagar.

    Abriu os olhos lentamente, vendo aquele monte de luz no quarto e até estranhando não sentir metade da loucura do dia anterior. Sóbrio, podia entender uma coisa: Jongin. Um pequeno sorriso formou em seu rosto. Ele foi à balada sabendo que coisas muito erradas aconteceriam ali. Mas o amigo realmente se superava a cada ano. Em breve seria um mafioso, tinha certeza. Observou o acesso no braço como um velho amigo e resmungou baixo, soltando um suspiro. Olhou em volta no quarto e encontrou sua babá.

    - Hey, nanny. (Oi, babá)  - falou, com muita petulância para quem tinha acabado de passar por aquilo. Estalou a língua, tentando se livrar daquele gosto. - Responde. Você quer namorar comigo? Vive me seguindo… Preferia acordar com uma mulher do meu lado.
    Piscou e tentou sentar na cama, reparando nos curativos e na dor do lado esquerdo.

    - Aishhh- reclamou e voltou a deitar. Que merda tinha acontecido mesmo? Passou a mão na cara, tentando lembrar da noite anterior, mas era muito difícil lembrar das loucuras completas, só lembrava de ter brigado, de cair, apanhar e aquilo ter sido bem louco. Mas por quê? Bem, sabia que estava procurando Chaeyoung e que ficou com uma menina, considerou que talvez fosse a Hyejeong de novo,  e era isso.

    Piscou, ficando mais sério.

    - Quando é que eu vou pra casa? Pretendem sumir comigo para qual país dessa vez? Pode ser o Brasil, ouvi dizer que lá é festa todo dia. - riu, amargo, enquanto aquela menina continuava em sua cabeça.

    Foi assim que tudo tinha começado.

    Chaeyoung.

    De novo aquela raiva.

    Jongin…

    Rosnou.

    - Meu celular cadê? - analisou a expressão do secretário e já completou com uma ameaça. - Bem, se não achar eu vou ter que ir buscar - e ameaçou tirar o soro. Como sua babá, achava que o homem devia considerar o celular o problema menor.Tudo que ele queria era ver mensagens. Ou melhor…  Na verdade, ele só queria o contato de uma única pessoa para checar até que ponto aquilo tudo tinha sido um pesadelo.


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    Re: Capítulo 2

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      Data/hora atual: Qua Jan 17, 2018 9:43 pm