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    Preludios

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    Hellkite
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    Garou de Posto Cinco

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    Preludios

    Mensagem por Hellkite em Qui Dez 14, 2017 6:49 pm

    Ola galera! Aqui em Preludios voces vão postar o que seus PJs faziam quando receberam a carta do Principe convocando-os para uma reunião. Fiquem a vontade para criar seus NPCs, a ambientação de sua casa, algum drama ou problema, ganchos de BG, qualquer coisa que queiram. Mais para frente tomarei a liberdade de pegar seus NPCs para interação. Quaisquer duvidas postem la no topico ON.

    Façam o post da seguinte maneira:

    Escolham uma cor. Façam o post usando essa cor.

    PJ: ---
    Local: --- (local onde se passa a cena)

    (Texto)
    Nietzsche
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    Re: Preludios

    Mensagem por Nietzsche em Seg Jul 09, 2018 9:54 am

    Matteo Giovanni



    Sempre fui um apaixonado pelo tema da morte, percebendo mais a cada dia o quanto ela anda de mãos dadas com a vida, morte e vida são uma coisa só, apesar de muitos ainda acreditarem que não. Com certeza você já deve ter ouvido falar sobre aquela questão que é assustadora para quase todas as pessoas, de que nós morremos um pouquinho a cada dia, ou seja, uma criança recém-nascida já é velha o suficiente para a possibilidade da morte.

    Esse pensamento sempre me fascinou ao em vez de assustar, sabe por quê? Porque a certeza da morte preenche a vida de propósito, dá sentido à existência. E espero do fundo do meu coração que, ao ler esse texto, você passe a enxergar a morte com mais carinho.

    Você também já deve ter pensado a respeito da imortalidade, não é mesmo? Ela seria terrível se existisse, e o principal motivo seria a procrastinação, que é “deixar para depois” tudo aquilo que é importante e precisa ser feito no hoje, no agora. Com a certeza de que nunca morreríamos, praticamente deixaríamos tudo para depois, pois não haveria pressa em si realizar as obrigações, elas sempre poderiam ser adiadas e adiadas… e é esse ponto que a maioria dos cainitas dos outros clãs jamais entenderão, até ser tarde demais.

    De fato, os vampiros em regra chantagearam a morte, são mortos-vivos sedentos por sangue, mas que ainda mantém sua racionalidade e a capacidade de realizar feios incríveis, independente das convicções que construíram antes e após o abraço. Entretanto se equivocam em pensar que são imortais, quantos amaldiçoados você conheceu com milênios de existência? São pouquíssimos os que resistem à tarefa de testemunhar ao florescimento, desenvolvimento, decadência e esquecimento de tudo o que conheciam e amavam. É aí que reside a ironia e legitima a alcunha de amaldiçoados para os vampiros.

    Todavia nós, do clã Giovanni, somos diferentes. Nós abraçamos a morte como uma velha amiga, muito antes de sentir o seu beijo. E é por isso que resistiremos quando todos os outros perecerem, porque em algum momento todos irão cruzar a mortalha que separa o mundo dos vivos e dos mortos, você estará preparado para essa nova etapa? Não!? Uma pena, pois esta é a nossa aposta, e para mim, você vale tanto vivo quanto morto.


    ---



    Sangue. Sempre foi uma questão de sangue.

    Não me refiro ao precioso vitae, mas à genealogia. Poderia passar horas escrevendo minha história, em como cresci em um ambiente abastado e cheio de segredos, desde incestos à necromancia, passando por parentes literalmente “escravizados” e outros com séculos de existência, entretanto farei essa excursão em um roteiro digno de "classe econômica".

    Eu me chamo Matteo Giovanni, orgulhoso membro da família Giovanni, descendente de poderosos mercadores italianos que calcaram seu sucesso desde Roma Antiga. Até aí metade dos italianos que tenham algum histórico em investimento comercial sabem, o interessante é a parte que permanece oculta. O nome e o sangue Giovanni não carrega consigo somente um “talento natural” para a negociação, que nos é aperfeiçoado desde pequenos pelos próprios pais e tios, onde somos obrigados a ajudar nos negócios da família, mas também para a magia, para ser mais específico, necromancia.

    É assim para todos os Giovanni e algumas outras tradicionais famílias regionais que acabamos aderindo como iguais, ou quase, são ramificações da nossa própria.

    Os melhores colégios, ternos, sapatos, carros e mulheres que o dinheiro possa comprar. A vida parece uma maravilha vista de fora, mas não é bem assim o que realmente acontece. Somos apenas peões de um jogo muito maior, todos esses “benefícios” vem com um preço, também somos obrigados a estudar os mortos e a própria morte. E não, isso não é nada “educativo”, “instrutivo” ou qualquer eufemismo que queira usar para traumatizante... sabe o que é pedir para um garoto de 12 anos abrir um “cadáver” e descobrir que o coração e o restante dos órgãos ainda continuam funcionando com a morte cerebral? É, eu descobri quando o primeiro jato de sangue foi de encontro à minha bochecha, o vômito chegou a subir para a garganta e ter o olhar de desaprovação dos seus “professores” e ter que engolir aquela merda azeda para evitar qualquer “constrangimento”. Constrangimento... outro eufemismo, surras com varas e réguas de madeira, para cada erro cometido, mas sempre batendo em partes que não eram visíveis para as outras pessoas, ainda tinham um nome à manter.

    E foi nesse ambiente alegre e feliz que eu cresci, tendo que sobreviver ao trauma de abrir e estudar um corpo, seja morto ou vivo, acabei me fascinando pela coisa. Engraçado, não?

    Todo o dia 4 de abril acontece uma grande festa, que até então eu não sabia o porquê, mas vinham familiares de vários cantos do mundo que eu mesmo nunca tinha visto ou conhecido, isso é claro, até ser aprovado para cursar medicina em Harvard, quando fui convidado para a celebração pela primeira vez.

    Lembre-se que nessa altura eu já sabia dos incestos para manter a linhagem pura, mais propícia a desenvolver um talento mágico com os mortos, apesar de eu mesmo nunca ter tido nada do tipo, até aí tudo bem, mas vampiros? Foi nesse dia que eu descobri sobre a verdadeira origem da Família Giovanni, do porquê celebrarem o dia 4 de abril e o motivo do convite, foi me garantida a “honra” de receber um Beijo de Procuração, basicamente é me tornar um carniçal, revelando a verdadeira natureza da família e é claro, com a promessa de um dia, se eu surpreender às expectativas, me tornar um vampiro. Eram muitos como eu, querendo aquela oportunidade, mas eu neguei, é aí que as coisas começam a ficar engraçadas... ou não.

    Isso chamou a atenção de um ancião, que em um breve futuro seria meu mentor. Após as celebrações eu fui “dispensado”, conseguia ver a cara de algumas daquelas “coisas”, mesmo mortos, com a pele pálida e os olhares vítreos eu sentia a reprovação deles, foi quando eu decidi pegar uma taça de vinho e ir até o quintal, sentar em um dos bancos de madeira e olhar o luar se desdobrando entre as ondas do mar, sentir o cheiro das parreiras com o vento que trazia seu odor terreno ao lado de onde a antiga mansão veneziana havia sido construída. Foi quando eu ouvi a voz dele pela primeira vez, do meu mentor, Andrea Giovanni.

    Ele aplaudia rindo, enquanto eu me assustava e deixava derramar um pouco de vinho por cima do terno, enquanto me virava para ver quem estava ali. Meus olhos não conseguiram acompanhar, tomei um outro susto ao virar para trás e “do nada” alguém se prontificar à minha frente, com um lenço em mãos, limpando o termo, pois era “um pecado manchar um trabalho como aquele”, lembro até hoje dessas palavras.

    Foi quando se apresentou, afirmando que a maioria da família não havia entendido a minha resposta, que presumiram ser uma atitude de soberba. Mas não, que ele sabia qual era o verdadeiro motivo, que eu queria me livrar de tudo aquilo e seguir meu próprio caminho.

    Andrea me contou que poderia assegurar aquela oportunidade, mas que eu carregaria para sempre o fardo de ser um Giovanni e com elas certas responsabilidades que um dia seriam cobradas. Que o mesmo estaria indo para os Estados Unidos também e que era um ávido pesquisador também, tanto dos vivos quanto dos mortos, que tinha conhecimentos que jamais imaginaria.

    A conversa dele me fascinava, ao mesmo que amedrontava, naquele momento eu sabia que eram seres imortais que bebiam sangue, não precisei juntar 2+2 para deduzir que eram vampiras, então você pode imaginar a quantidade de estereótipos que me passaram pela cabeça, desde fazer o sinal da cruz para me salvar, orar, um colar de alho, água benta e até mesmo uma estaca de madeira. Andrea estava se divertindo, olhando fixamente para mim enquanto ria, era como se conseguisse ler meus pensamentos. Pegava a taça das minhas mãos e cheirava, falando que era uma das coisas que sentia de quando ainda era vivo, vinho e porpetas, mas que o sangue havia substituído tudo aquilo e transformado todos os sabores em serragem. De fato, sua aparência era corpulenta, com uma barba protuberante, como se tivesse saído de um quadro da nobreza de meados do século XIV.

    Foi quando fez a proposta de financiar minha ida para os Estados Unidos, com a condição que seria seu aprendiz no futuro, depois de aprender tudo o que Harvard havia me ensinado sobre os vivos, ele me ensinaria através e além disso, sobre o que os vivos não sabem dos vivos e sobre os mortos, e até mesmo algumas coisas que os mortos não sabem sobre eles mesmos. E é claro, com a promessa de emprego em um hospital que abriria em uma cidade chamada Redmond, um investimento da família, querendo expandir sua influência em terras Yankees.

    Confesso que não entendia bem, era muito para processar em tão pouco tempo, mas um cheque em branco de um patrocinador é sempre bem-vindo. Mantive contato com Andrea por telefone, foi tudo como planejado, me mudei para Boston, onde fica a Harvard Medical School (HMS), sempre telefonando para Andrea aos finais de semana, para contar como estavam indo as coisas enquanto ele estava em Redmond, apesar de vez em quando ter a sensação de alguém me observando.
    Bem, o dia da formatura chegou, eu tinha 28 anos, com as marcas de expressão já formando na testa. O curso e a residência haviam sido finalizados, eu havia sido aprovado para seguir minha carreira como médico, em praticamente qualquer lugar do mundo. Sabia que Andrea não viria para a colação pela tarde, ele já havia me contato do problema dos vampiros com o sol, uma das lendas que se provou verdadeira, mas jamais esperava o presente que ele iria me oferecer ao abrir a porta e entrar no meu apartamento, logo após o cair da noite, percebendo que ele já estava lá.

    Ele veio ao meu encontro, com os braços abertos e com um sorriso no rosto, retribui o gesto, pronto para um abraço e a parabenização pela conclusão do curso, mas o “abraço” que recebi foi outro. Lembro da dor excruciante, era como se enterrassem lâminas quentes no meu pescoço, apesar da dor eu não conseguia reagir, era estranho. Apesar da dor, a sensação do sangue esvaindo pela carótida era relaxante, era como se eu havia entrado em um êxtase, a luz do mundo foi sumindo à medida que minha vista perdia o foco e meu corpo as forças, foi quando eu alcancei o limiar entre a vida e a morte, escutando a voz de Andrea no fundo da minha e alma, o cheiro de sangue, mas não era o meu, enquanto palavras eram repetidas: “beba e viva”.

    Foi quando eu aceitei o pulso rasgado do meu mentor, meu destino e todas as oportunidades que surgiram desde então, inclusive o estopim para a mediunidade que nunca havia apresentado.

    Passaram-se alguns anos desde a minha transformação, mas ainda sou um “neófito” na Sociedade Cainita, é estranho usar termos que não usuais para nós Giovanni. Atualmente moro em Redmond, administrando a April Clinic & Surgery, o hospital em que Andrea é proprietário. Antes disso, por óbvio, passei por um longo tempo sendo instruído pelo meu mentor, em sobre o que é ser um vampiro, minhas limitações, as políticas da seitas e do nosso próprio clã. Fui devidamente apresentado ao “Príncipe” local, que permitiu minha estadia, acredito ter negócios pendentes com meu Signore, como Andrea Giovanni gosta de ser chamado...e é claro, cada vez me aprofundando mais nos conhecimentos e práticas das artes necromânticas.

    Apesar de não morarmos juntos, constantemente nos vemos, além das ligações telefônicas. Eu ainda vou ensinar meu mentor a usar o whatsapp, mas ele cisma em manter o laço à moda antiga, não confia muito nos aparelhos eletrônicos modernos, mas se vc for pensar bem... nada é mais seguro do que o olho-a-olho, ninguém para grampear seu número ou hackear suas correspondências online, ou uma foto comprometedora na nuvem.
    Sou um vampiro moderno, um necromante que combate a ciência que tanto aperfeiçoei em Harvard com a magia do sangue, uma ponte entre o tradicional e o novo, mas acima de tudo... sou um Giovanni.

      Data/hora atual: Ter Dez 11, 2018 10:11 am