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    Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

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    JPVilela
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por JPVilela em Ter Jun 12, 2018 6:02 pm

    Ver o peso da idade no líder de Sandford não mudava em quase nada o julgamento da ex-moradora de cabelos negros, se aquilo significava alguma coisa era que ele estava mais lento e cansado. Eram ainda mais motivos para não ser um bom líder. Ele e Duncan provavelmente tinham mais ou menos a mesma idade. Como o líder dos Reapers é alguém com quem ela convive a passagem do tempo é mais difícil de ser notada. Diferente de Clark, “Duke” ainda consegue chutar muitos traseiros.  

    Clark escreveu:- Eu achei que ela ia ficar na dela por mais um tempo, mas a Rainha pelo visto já está tramando - dizia olhando para Tachibana - Os raiders que viu provavelmente não tinham essa marca porque eram scouts. A moto deveria ser roubada do mesmo lugar que a Cheyenne, a nossa scout, arranjou a dela - disse olhando para Ash.

    Sem sair do lugar onde estava e ainda com os braços cruzados Ashley estreitou o olhar prestando atenção no símbolo presente naquele pedaço de pano que Clark mostrava. Aquilo era novidade para a atiradora, seria um grupo de Raiders que nunca havia encontrado antes? Como isso era possível?  

    - Ela? - inquiriu com uma das sobrancelhas erguidas sem gostar do jeito com que aquele bode velho não abria o jogo e falava logo de cara do que aquilo tudo se tratava. Mas Clark a ignorou e direcionava a palavra ao seu capanga.

    Tachibana escreveu:- Se conseguiram pegar mais uma moto em Fort Morris então eles tem bem mais números que imaginamos.

    Clark escreveu:- Sim...Ashley, eu acredito que vamos precisar dos serviços de sua...organização.

    Ashley agora erguia as duas sobrancelhas, com uma expressão carregada de ironia ao ouvir o sujeito havia acabado de dizer.

    - Hhhumm - imaginava o que Duncan teria a dizer sobre o fato do velho conhecido finalmente admitir que aquela cidade precisa deles - Vou avisar no rádio.

    Clark escreveu:- Você confirmou rumores que levariam alguns dias para confirmarmos, obrigado Ashley...diga ao Doutor Blazcowitz que tem meu agradecimento também. Vamos nos preparar para o pior, Tachibana irá tirar suas dúvidas e os detalhes dessa questão.

    Não expressou nenhuma mudança da sua expressão neutra ao ouvir o agradecendo. Ao final de sua frase e antes que o sujeito saísse daquela sala a atiradora completou com convicção:

    - Seus moradores estão sentindo que algo ruim está por vir, abra o jogo com eles, Clark.

    Provavelmente aquele bode velho não lhe daria mais ouvidos passado o ponto em que ela já havia completado seu papel de batedor, um batedor que trabalha de graça. Poderia capitalizar aquela informação, se o pedido não tivesse sido de alguém que significava algo para ela. Era
    nessas horas que se arrependia de não ser tão indiferente e cínica quanto outros de seus colegas de profissão.  

    O "prefeito" acabava de deixar o e Ashley respirou fundo, aliviada que não precisava mais dividir espaço com aquele que nutria tanto rancor. Agora ficou encarando o asiático braço direito do líder do lugar por breves segundos de silêncio mortal.

    - Ela? - repetiu a pergunta replicando exatamente o mesmo tom e expressão que havia usado anteriormente quando havia sido ignorada - Faz mais de dez anos que trabalho por aí atirando em Raiders e coisas piores… Como que nunca ouvi dessa "Rainha"? - completou descruzando os braços e indo em direção ao balcão de bebidas olhar mais de perto aquele novo símbolo.
    ayana
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por ayana em Ter Jun 12, 2018 10:25 pm

    Lisbeth Tozier

    Era impossível se manter indiferente à descoberta de que o Overseer tinha desejos por Lisbeth. Um detalhe tão inesperado que desafiava a capacidade dela em decifrar a psiquê humana. Se soubesse dessa paixão, com certeza iria usá-la a seu favor.

    A paixão afastava o ser humano da racionalidade. Há alguns anos, esse sentimento deixou de fazer parte da vida de Liz. Ele foi desaparecendo aos poucos, nas doses quase diárias de Fadeaway. Na época em que ela realizava dois trabalhos sujos: entregar as cobaias para o regime depois de usá-las em sua própria pesquisa. O que estava em jogo era o desenvolvimento de uma arma com um poder extraordinário. Suas ambições não poderiam ser menores do que tomar o controle do Vault, ou pelo menos destruí-lo se não obtivesse sucesso.

    Com a administração correta da droga, era possível viver integralmente em função de sua pesquisa. Uma vez concluída, o consumo de Fadeaway teve uma vigorosa queda, e o organismo da psicóloga, recordando-se de sua humanidade, eventualmente voltava a sentir desejos. Em uma dessas ocasiões, alguns beijos na boca de Robert foram suficientes para satisfazê-la. A psicóloga pediu para que o guarda a beijasse quando ele ficou sozinho em seu consultório, submisso e completamente dopado.

    Uma boa lembrança… que estaria perdida se eles não tivessem se encontrado pela manhã.

    Envolver-se com o Overseer, por outro lado, sempre esteve fora de cogitação, mesmo após descobrir que ele guardava um amor secreto. Amor que certamente havia deixado de existir; agora convertido em ódio. Observando pelo lado positivo, veio a certeza de que compartilhavam o mesmo sentimento um pelo outro.

    De repente, as lágrimas do Overseer, incapaz de se despedir da filha, despertaram certo fascínio na psicóloga. Era a primeira vez que ela submetia um usuário a uma tortura psicológica. Concluiu que estava praticando uma das formas mais cruéis de tortura. A única que chegava ao ponto de impossibilitar a completa expressão da dor. Secou as lágrimas dele com a manga do jaleco e acariciou o lado esquerdo de seu rosto. Os lábios dela foram se aproximando dos lábios dele bem devagar, como um barquinho de papel em uma poça d’água, empurrado apenas pelo ar de sua respiração quente e ofegante. A dois dedos de distância para os lábios se tocarem, Lisbeth abriu um sorriso.

    - Já ia me esquecendo que você não me ama mais - fez uma expressão triste antes de começar a rir e se afastar.

    Da mesa do Overseer, Lisbeth escutava atentamente as informações do guarda enquanto fazia anotações em uma folha de papel. A desconfiança de que boa parte dos oficiais do Vault era bem estúpida começava a se revelar como verdade, no momento em que um guarda estúpido não soube sequer informar o motivo da revolta. (Ela anotou no papel: "Eliminar os incompetentes", como uma das metas de seu governo). Pela maneira como ele descreveu os acontecimentos era muito provável que outras pessoas viram a lista que desencadeou um cataclismo no Vault.

    O que Lisbeth jamais poderia prever era que teria de enfrentar o início de um verdadeiro apocalipse, quando Deus resolvia liberar ao mesmo tempo uma série de calamidades para se assegurar de que ninguém sobreviveria. Havia uma revolta, uma doença, uma praga e uma ameaça de invasão. Mas talvez Deus não tivesse previsto que justo no dia do juízo final outra pessoa assumiria a liderança do que restou da humanidade. Uma mulher que também gostava de jogar como um Deus.

    Lisbeth ainda fazia anotações quando a voz do intercom ficou em silêncio. Sem desviar os olhos do papel, começou a passar instruções para o Overseer.

    - Escuta, você precisa deixar bem claro pra eles que é inadmissível o uso de força letal contra qualquer pessoa. Explique que agora é impossível ir até lá, mas que muito em breve você fará um pronunciamento para todos da ala leste.

    Quando o Overseer encerrou a chamada, a psicóloga ainda permaneceu em um estado de concentração cirúrgica, costurando todas as ameaças para não deixar pontas soltas. Embora detivesse o poder, tinha consciência de que sua permanência ainda era um tanto frágil. Por isso as próximas etapas do golpe de estado deveriam assegurar certa estabilidade para que as pessoas acreditassem na legitimidade da transição de poder.

    - Agora vamos consertar os erros que você e eu cometemos - disse com entusiasmo, levantando-se da cadeira e chegando mais perto do Overseer. - Animado?

    INTENÇÕES:


    • O Overseer deve ligar para o porta-voz do regime para comunicar a todos da ala leste que em breve ele fará uma retratação e um comunicado determinante para o futuro do Vault.
    • O Overseer deve pedir para o chefe de segurança trazer alguns guardas para evitar que qualquer pessoa apareça na sala dele e também enviar outros para vasculhar as cozinhas e os depósitos à procura de baratas.
    • Por fim, o Overseer deve enviar médicos para examinar as pessoas que moram no bloco da Hope.

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Natalie Ursa em Qua Jun 13, 2018 9:59 pm

    Quanto mais tempo passava, mais pessoas surgiam vindas sabe-se lá de onde, como se isso fosse alguma reunião de gangue, exceto que aquelas pessoas eram estranhas. Patrick não se admirava que um vertbird perdido em meio a escombros cumpriria bem o papel de chamar a atenção de toda a sorte de seres humanos da wasteland... Junte isso a explosão e ao tiroteio que acabara de acontecer... Patrick sabia que tinham que ter dado o fora dali quando tiveram a chance, mas Nin tinha que ser teimosa e querer voltar pela mulher ferida.

    Agora eram obrigados a lidar com possíveis novas ameaças.

    Patrick continuou observando de longe, escondido entre os escombros enquanto Nin corria até Kara e, consequentemente se aproximava dos outros homens que falavam entre si.

    Ele imaginava o que poderiam ser... Mercenários talvez?

    Instantes depois mais um surgia impondo-se e fazer exigências, além disso usava um capacete que distorcia sua voz... O rapaz apertou os dentes, incomodado ao ver que o homem podia detectá-lo. Só podia ser o capacete que Patrick mal conseguia enxergar direito pela distancia e por ainda estar escondido.

    Com o vertbird ali perto, a tecnologia do capacete e toda a a bagunça que se sucedeu naquele local, Patrick começava a imaginar se o homem, que estava claro que também tinha sido o atirador por trás do rifle - anti-matéria, se não bastasse já apenas o fato de ser um rifle - não seria um membro da brotherhood. Se ele realmente fosse, seria bem mais perigoso do que o bando de raiders... Estaria ele com os outros dois homens?

    Com aquele capacete não adiantava continuar escondido... Se conseguisse destruí-lo... Quem iria explodir a cabeça de quem?

    Patrick tirou a mochila das costas e a soltou atrás dos escombros, tirando antes um dos explosivos e guardando dentro do casaco, caso precisasse de uma ação de emergência. Só depois o rapaz levantou-se lentamente do seu esconderijo, permitindo que os estranhos lhe avistassem.

    Patrick se revelou, mas não disse uma só palavra. Ocupou-se apenas em observar os estranhos, enquanto o homem com o capacete resolveu que era uma boa hora se apresentar...

    - Califórnia...? - Patrick repetiu, mas baixo demais para ser ouvido, mas começou a lembrar-se de que tinha visto aquele homem chegando em Stanford quando o quarteto estava se dirigindo aos portões.

    Se bem se lembrava, Califórnia era um lugar bem longe dali... Faria sentido se o transporte voador fosse dele... Mas era um ranger atrás deles??

    - Enviado por quem? - perguntou, pulando convenientemente a parte da apresentação e sem tirar os olhos da movimentação dos outros dois. Já imaginava que tinha alguma relação com Stanford - quem de lá poderia estar atrás deles? - mas queria saber mesmo assim.

    Nin se rendia facilmente, o que arrancou um suspiro do loiro. Por que perdia tempo tentando ajudá-la mesmo? Patrick já estava bastante arrependido de ter voltado. Devia ter deixado ela para trás.

    Como podia estar oferecendo algo em troca...?

    " Essa garota é descuidada demais..." resmungou mentalmente para si mesmo.

    A pergunta sobre a etnia de Nin não era bom sinal. Patrick conhecia o ódio que algumas pessoas nutriam por essas pessoas. Para ele não fazia diferença alguma o que tinha acontecido antes, era algo muito distante dele, mas não era assim que a maioria pensava.

    De repente o ronco daquela moto da mulher que vivia em Stanford ecoa pelo lugar e Cheyenne surge no meio da bagunça reclamando e indo ajudar Kara. Patrick observa a movimentação até que Kelden se dirige ao homem mais velho para responder sua questão e demonstra seu ódio a brotherhood. Pelo menos nessa parte podiam concordar. Seria péssimo se eles resolvessem aparecer. Podiam querer o que sobrou do vertbird de volta...

    E... O Ranger já conhecia Cheyenne... Então foi assim que eles chegaram ali?

    Patrick recuperou a mochila do chão e se aproximou lentamente do trio de garotas, sempre se mantendo atento aqueles tinha visto hoje pela primeira vez. Se tinham vindo "resgatar" Nin, Kara e (talvez) John, Patrick se perguntava como eles sabiam, em primeiro lugar, que estavam em perigo. (Não, ele não se incluía na lista de pessoas a serem resgatadas.

    - Leve-a de volta para a cidade. - Patrick se dirigiu para Cheyenne enquanto apontava para sua moto e desta vez não estava se referindo a Nin, estava pensando mesmo em Kara
    Sky
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Sky em Qua Jun 27, 2018 10:35 pm


    Ash

    Ashley manteve sua expressão séria e sua postura resoluta.

    Diversas informações novas eram jogadas à ela e aquela região, que parecia tão bem mapeada pelos seus colegas mercenários, tinha novas ameaças e um novo grupo.
    Os Reapers pareciam ser mais necessários do que imaginava.

    Antes da saída de Clarke a atiradora havia feito seu alerta:

    - Seus moradores estão sentindo que algo ruim está por vir, abra o jogo com eles, Clark.

    O líder a encarou por um instante e assentiu com a cabeça. Se iria acatar ou não a sugestão não era possível saber.

    - Ela? - repetiu a pergunta replicando exatamente o mesmo tom e expressão que havia usado anteriormente quando havia sido ignorada - Faz mais de dez anos que trabalho por aí atirando em Raiders e coisas piores… Como que nunca ouvi dessa "Rainha"?

    [Tachibana]:Esse é o problema, ela é novidade pra todo mundo aqui, talvez menos novidade pro Clarke porque ele sempre sabe de tudo pelo menos dias antes de todo mundo - ele abriu uma espécie de mapa no balcão, algo feito a mão mas que Ash reconheceria como o sul da Empire Wasteland.

    [Tachibana]:O último ataque de Raiders aconteceu faz três anos, liderado por um canibal intitulado de Mad Hatter - raiders e seus nomes sugestivos - Foi um grupo pequeno, mal equipado e que foi impedido pelos guardas em menos de dez minutos. Desde então não tivemos outros ataques a Sandford e a atividade de raiders diminuiu na região.

    A última informação era verídica, trabalho naquela região sul para eliminar os bandidos tinha realmente diminuído.

    [Tachibana]:Quando esse tipo de coisa acontece é porque ou os raiders mudaram de região em massa ou estão se organizando. Os dois casos são raros mas ambos necessitam que haja uma liderança para os lunáticos - ele aponta para Fort Morris, nordeste da região.
    [Tachibana]:Fizemos algumas incursões na região do forte, primeiramente para extração de tecnologia mas nossa batedora Cheyenne entrou em contato com pequenos grupos de raiders que citavam uma líder intitulada Rainha - Ash reconhecia o nome da batedora.

    [Tachibana]: Eles temem ela demais para que contem muitos detalhes e você sabe que raiders são resistentes a tortura. Tudo o que sabemos é que eles estão sendo reorganizados e liderados por uma mulher que não sabemos nada a respeito

    Ele anda até um aparelho perto do bar. É um rádio.

    [Tachibana]:Acredito que queira comunicar seu grupo, pode usar nosso rádio. A localização da base da Rainha provavelmente fica entre oeste e Fort Morris.




    Nin, Patrick, Kelden

    Kelden conhecia este tipo de impasse. Eles costumavam acabar bem ou muito errado. Se eram àqueles que deveria trazer vivos para Sandford era melhor que acabasse bem.

    Duncan, o velho de rifle, riu diante da demonstração de intimidação do Ranger.

    [Duncan]:Ora ora, temos um cowboy com bolas enormes aqui, não é? - disse ele se aproximando do ranger - Se tem tanto medo da Brotherhood deveria usar esse rifle de anti-matéria neles, não?

    Nin intervia diante da ameaça de Kelden, até mesmo sob acusação de ser chinesa. Séculos se passaram desde a guerra mas um soldado parecia sempre odiar aqueles que vieram do outro lado do oceano, não importava qual país.

    [Duncan]:Pode baixar as mãos garota, ninguém vai atirar em você - disse mas encarava Kelden enquanto segurava seu próprio rifle.

    Patrick se revelava de seu esconderijo e se aproximava após pegar sua mochila. Enquanto isso Cheyenne chegara e cuidava dos primeiros socorros de Karah.

    Kelden escreveu:- E você loirinha? Onde estava? Fiz praticamente todo o serviço se você não reparou...

    [Cheyenne]:Eu deixo o trabalho de açougueiro para quem tem um facão. Sem ofensas, Cutelo - ela disse enquanto tentava primeiro estancar o sangramento nas costas de Karah com um pedaço de tecido.

    [Duncan]:Explicações podem ser dadas enquanto andamos até Sandford. Cheyenne, ela está estável?

    [Cheyenne]:Não, mas eu acabei de estancar o sangramento maior. Ela precisa sair daqui agora. Vou levar ela na moto, vocês vão a pé.

    Aquele impasse na verdade era repleto de conhecidos e provavelmente aliados.

    Nada como boas primeiras impressões.

    O grupo estava livre para andar de volta a cidade.

    (@Natalie Ursa, @Gakky e @Raijecki fiquem livres para conversar nesse meio tempo da viagem a pé de volta)




    Lisbeth

    Lisbeth desarmava o Overseer de seus poderes e seus segredos pouco a pouco.

    Sentiu o Overseer tremer quando tão perto de seus lábios. Sua risada cruel parecia ter despertado algo no homem que o fez pressionar os punhos por um instante, mas deixou ir em seguida, voltando a torpeza da droga.

    Que tipo de força de vontade é essa que conseguia, por um breve instante, resistir ao fadeway? Se tivesse tempo talvez Lisbeth gostaria de estudar aquele caso.
    Claro, se ela o deixasse vivo no final.

    O Overseer acatou os comandos: Ordenou que os guardas não usassem força letal e pela sua própria voz disse que faria um pronunciamento em breve. O barulho no intercom já pareceu menor.

    O intercom do porta-voz do regime e segundo no comando, O cientista Jordan, tocava e tocava mas ninguém atendia. Seus aposentos ficam no mesmo bloco dos dormitórios da elite, perto de Hope e da região de contágio.

    O responsável pela segurança estava a postos no intercom do controle de segurança. Sua resposta foi afirmativa e disse que guardas para a sala já haviam sido enviados.

    A ala médica era próxima mas não fica no mesmo bloco dos dormitórios. A equipe atendeu o intercom e disse já estar enviando médicos e especialistas. Os rumores de uma doença já estavam chegando ali.

    Das ameaças Lisbeth resolveu se focar na revolta e na doença, ignorando por enquanto o relato na cozinha e na entrada do Vault.
    Seus primeiros instantes como Overseer emergencial já mostravam a complexidade de ter tantas vidas em suas mãos.

    [Maxwell]:0...3...3...0 - o Overseer sussurrava - 0...3...3...0. 0...3...3...0. 0...3...3...0.

    Ele começava a repetir e repetir a mesma sequencia de números. 0330. Ele encarava o vazio, a mesma expressão vazia de quem estava sob o controle do fadeway. Como e porque ele murmurava aqueles números era um mistério.

    [Intercom]:Senhor...Aqui é Robert da Segurança - a voz dele carregava peso e seriedade, mas mantinha uma calma que Lisbeth reconhecia como a forma do guarda de dar más notícias - Um alarme disparou aqui no portão de saída do Vault. As portas vão se abrir em dez minutos. Nós pegamos nossas armas de fogo e...senhor, acredito que são pessoas do outro lado.

    Sua voz carregava o peso de uma verdade que todos no Vault negavam: vida do outro lado do portão, vida na terra irradiada.

    [Robert]:Quais são as nossas ordens? - Lisbeth sente a dúvida e o medo na voz de Robert mesmo que ele tentasse controla-la como o bom soldado que era.

    0
    3
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    0


    Maxwell continuava a murmurar, aguardando o próximo comando de Lisbeth.




    Ash, Kelden, Nin, Patrick


    Já havia passado do meio dia quando o grupo chegou em Sandford. Desgastados pela luta e pela viagem não havia muito o que comemorar além de um pouco mais de munição e um pip-boy como espólios de uma busca que era uma armadilha.

    Iriam direto para o pequeno prédio do líder de Sandford. Kelden, Nin e Patrick não conheciam os mercenários mas eles também pareciam ter o mesmo objetivo de falar com o líder da cidade. Nin e Patrick tinham a obrigação de reportar a ele. Kelden queria sua recompensa.

    Cheyenne os esperava na porta de entrada.


    Todos já estiveram ali em algum momento naquela sala com um pequeno bar próprio que Clarke usava como escritório e pequeno centro de operações.


    A primeira pessoa a cumprimentar o líder foi Cheyenne que rapidamente se aproximou dele e lhe deu um abraço.

    [Cheyenne]:Oi pai. De volta são e salvo e com os nossos sucateiros - Nin e Patrick sabiam que ela é filha do líder mas aquilo era uma surpresa para Kelden. Talvez isso justificasse sua irritação quando contou que apontou a arma para ele.

    Ashley veria aquele grupo entrando na sala: um branquelo que desconhecia, uma asiática que já viu por aí em Sandford mas não lembrava o nome. Também um homem de máscara e um traje que desconhecia o símbolo. E dois colegas Reapers: Cutelo e seu chefe Duncan.

    O grupo também tomaria ciência de Ash na sala: a mulher que carregava um rifle sniper nas costas e tinha algumas bandagens recentes no braço.

    Clarke respondeu a filha com apenas um assentir com a cabeça e encarou o grupo que estava ali.

    Duncan permanecia calado encarando o líder, parecia haver uma rusga entre eles, mas tomou ciência da presença de Ash. Abriu um sorriso discreto de canto de boca para ela, sua postura indicava que parecia satisfeito em ve-la viva e com a missão provavelmente cumprida.

    [Clarke]:O que aconteceu em Liberty's Torch? - disse num tom sério, como de um general que esperava o relatório de missão. Seu olhar pesava em Nin e Patrick.

    Natalie Ursa
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Natalie Ursa em Qui Jun 28, 2018 4:56 pm

    Patrick não se interessava muito pelo que diziam as pessoas que acabavam de chegar. Sua cabeça começava a doer um pouco e isso provavelmente significava que teria uma enxaqueca mais tarde. Mais uma. Pelo menos não tinha se iniciado no meio do confronto. Estar em um grupo sempre tornava tudo mais complicado. Agora tinha um bando, sendo que pelo menos um deles estava ali por causa dos sucateiros e os outros... Bom, vai saber o que estavam fazendo ali. Não mereciam confiança ou interesse e era tudo o que importava ao loiro.

    Patrick se aproximou do trio de garotas e sugeriu à Cheyenne que levasse Kara para a cidade com a moto, o que ela decidiu acatar mesmo ignorando ele. Não que isso o incomodasse, pois as vezes ignorava essas pessoas também. Não era muito bom em ler intenções de pessoas que não fossem voltadas ao propósito da auto preservação. O resto era um caminho enevoado e confuso que Patrick não tinha paciência em explorar. Era mais fácil presumir que todos eles partiam do mesmo princípio... Aquele que lhe foi ensinado desde muito novo. Todos tinham seu motivo egoísta para agirem como agiam. Mas haviam aquelas pequenas ações em meio à milhares, como as de Nin ou de Kara com o sinalizador, que fugiam do entendimento dele.

    Não era algo ao qual daria atenção agora que a dor incômoda começava a atordoar pouco a pouco seus pensamentos. Ele olhou em direção à Nin antes de ajeitar melhor o capuz sobre a cabeça - escondendo ainda mais o rosto - mas não disse nada. Ela podia falar com aquelas pessoas o quanto quisesse, Patrick não iria intervir ao menos que começassem a se apresentarem como uma ameaça. Depois disso observou Cheyenne levar Kara embora com o seu transporte barulhento e chamativo. Talvez Kara tivesse sorte, afinal.

    (...)

    Agora que tudo tinha ficado um pouco mais tranquilo, parecia que era hora de retornarem para Sandford. Patrick estava menos comunicativo do que o normal e às vezes ficava muito para trás, mas por opção própria mesmo. Nunca perdia o grupo de vista, só queria evitar os ruídos das conversas e que falassem com ele. Além disso, ficar para trás permitia que ele pudesse observar bem aos três homens que tinham se juntado à Nin e ele no retorno para a cidade.

    Nin sabia se cuidar.

    (...)

    Toda vez que voltavam os sucateiros tinham que se reunir com o líder da cidade e desta vez não era diferente, à não ser pela grande quantidade de pessoas na sala. Patrick sempre deixava que Nin respondesse as perguntas de Clarke, já que ela gostava tanto de se comunicar. Raramente acrescentava algo ao que ela dizia e desta vez estava menos inclinado ainda à corrigir qualquer coisa que ela dissesse devido à forte dor de cabeça que estava lhe fazendo andar cabisbaixo e encolhido.

    Todos os homens que lhes acompanharam na viagem pareciam ter o mesmo propósito. O escritório de Clarke. Não era de se admirar. Se o velho tinha os mandado recolher seus trabalhadores, certamente agora estavam voltando para receber alguma recompensa. Exceto que não pertenciam ao mesmo grupo, o que confundia um pouco a situação. Patrick ainda não sabia direito o que o homem com o rosto coberto e seu companheiro estavam fazendo por perto quando aconteceu o ataque dos Raiders.

    N porta estava Cheyenne, que já devia ter chegado à cidade muito antes deles. Ela provavelmente sabia do estado atual de Kara. Patrick imaginava que Nin gostaria de ter essa informação depois de ter se arriscado para salvar a mulher de cabelos negros.

    Quando entraram na sala e Cheyenne cumprimentou seu pai, Patrick notou a outra mulher que estava ali com ele, mas não deu atenção à ela, só queria sair de lá logo e esperar a dor passar. A dor era bem conhecida dele e portanto Patrick sabia que, com sorte, talvez ela logo diminuísse até acabar. Enquanto estivesse assim não conseguiria prestar atenção em quase nada. O loiro mantinha o olhar na direção do chão com o rosto oculto pelo capuz e assumindo uma postura um pouco rígida demais.

    Clarke perguntava o que tinha acontecido em Liberty's Torch. Patrick só precisava esperar Nin fazer seu relatório de missão e poderiam sair do meio do grupo, ou pelo menos ele esperava que fosse assim.
    ayana
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por ayana em Dom Jul 01, 2018 8:47 pm

    Lisbeth Tozier

    Não havia como explicar, mas Lisbeth sabia, desde o início da manhã, que o tempo estava se esgotando. A princípio, achou que se tratava do tempo dela, mas estava equivocada... ao menos parcialmente. Não seria errado decretar a morte da psicóloga usada como um instrumento de controle social pelo Estado. A subordinação havia chegado ao fim. "Agora, o Estado sou eu", pensou ao olhar de relance o Overseer executando suas ordens pelo intercom.

    Ela voltou a se concentrar nas primeiras linhas de um texto que começou a escrever em uma folha de papel. Tratava-se da renúncia do Overseer. Ela poderia apenas ordená-lo a abrir mão do poder, porém ele não contaria a versão, criada por Lisbeth, que deveria constar nos livros de história. Era o mesmo procedimento que várias vezes ela usou para adulterar laudos com avaliações das respostas dos pacientes. Eles se saíam bem porque diziam as palavras certas, como se a psicóloga estivesse conversando consigo mesma.

    Pela terceira vez, o Overseer tentava contatar Jordan, o porta-voz do regime. Lisbeth parou de escrever para ouvir os barulhos de toque no intercom. Pareciam sussurros que tentavam revelar o que havia acontecido com o segundo na hierarquia do Vault.

    - Pode desistir, Max. Se não estou enganada, seu porta-voz mora perto dos dormitórios da sua filha. Será que ele contraiu a mesma doença que ela? - A ideia soava como mais um golpe de sorte. Não teria de se preocupar em eliminar alguns dos integrantes mais fiéis ao ditador. - Vidas importantes estão correndo riscos e se quisermos salvá-las temos que avisar os médicos imediatamente. Só que antes disso… - ela abriu um sorriso - você precisa conversar com o chefe de segurança, conforme combinamos. Se ele não demorar muito pra atender, sua filha também não vai esperar muito por um médico.

    Era fascinante - e ao mesmo tempo divertido - mexer com o psicológico dele, desencadeando pequenas reações que Lisbeth jamais havia visto em outras cobaias. Sinais bem discretos que revelavam a impotência e o desespero de alguém que tinha a liberdade aprisionada. A título de conhecimento (e de vingança), ela sentia vontade de conduzir outros experimentos, porém a sensação de que deveria concluir a tomada de poder se mostrava tão urgente quanto reviver uma pessoa cujo coração parava de bater. O poder, que veio rápido demais, também poderia ruir nessa mesma velocidade.

    Antes de concluir o pronunciamento, ela pediu para o Overseer enviar alguns guardas para vasculhar as cozinhas e os depósitos à procura de baratas. Foi o tempo necessário para se preparar para executar uma das decisões mais importante da história do Vault. Marcaria o esfacelamento de uma estrutura tirânica e o alvorecer de uma sociedade livre.

    - Chegou a hora de você prestar esclarecimentos aos meus súditos - disse ao lhe entregar uma folha de papel. - Tomei a liberdade de escrever seu atestado de incompetência. Agora você só precisa ler isso pra todo mundo.

    "Cidadãos do Vault 265, aqui quem fala é o Overseer Maxwell. Peço a atenção de todos vocês. Estamos passando por uma fase decisiva para nosso futuro e, mais do que nunca, precisamos nos manter unidos para os desafios que se aproximam. No entanto, para que chegássemos até aqui, cometi falhas imperdoáveis, traí a confiança de muitos de vocês. Não sou mais digno de governá-los. Por isso, quero dizer que estou renunciando ao cargo de Overseer! Repito: estou renunciando ao cargo de Overseer! Dessa forma, poderei me dedicar à minha defesa, em responder todas as denúncias que envolvem minha administração. Por fim, como meu último ato no poder, é com muita honra que anuncio minha sucessora. Ouçam agora as palavras de nossa nova Overseer, a doutora Lisbeth Tozier."

    Finalmente, a maior ambição na vida da jovem psicóloga estava prestes a se concretizar. Ela apenas lamentava que Ella Mae, sua mentora, não estivesse viva para ver o sonho dela se tornar realidade.

    - Cidadãs e cidadãos do Vault, meus estimados companheiros. Eu me sinto lisonjeada por conduzir uma nova era de mudanças profundas em nossa sociedade. A primeira mudança foi essa quebra protocolar no processo de sucessão de poder. A nova realidade que se aproxima requer uma nova estrutura de governo que iremos construir em conjunto. Quero deixar claro que não compactuo com os métodos empregados pela administração anterior para que conquistássemos nosso maior sonho: ver o alvorecer dos próximos dias no horizonte. Sim, companheiras e companheiros, estou assumindo o poder para nos prepararmos para a fase em que vamos tomar de volta a terra que nos foi negada! Durante mais de duzentos anos, o trabalho de cada um de vocês, dos cientistas aos auxiliares de limpeza, garantiu a sobrevivência do que restou da humanidade. Essa conquista, no entanto, não veio sem sacrifícios; tivemos que colocar de lado nossos sonhos, nossas esperanças, nossa liberdade. Agora convido todos vocês a olharem para um futuro delineado a partir dos seus sonhos, mas sem jamais se esquecerem dos erros do passado que quase nos levaram à extinção. Em dois séculos, evoluímos com a certeza de que devemos viver em conjunto e em equilíbrio. Com a certeza de que somos capazes de superar a devastação de nossos antepassados e construir uma vida de paz e prosperidade. Esse é o primeiro compromisso que vou assumir como sua nova Overseer. E estou certa de que vou alcançá-lo se puder contar com a ajuda de cada um de vocês. Se sobrevivemos até hoje é porque somos muito fortes! Agradeço imensamente pela atenção e por esse trabalho em conjunto que permitiu resgatar a esperança em nossos sonhos. Viva o Vault 265!

    Estava concluída a etapa mais importante de seu plano. A Overseer deveria se sentir aliviada, mas a ansiedade de que o tempo estava se esgotando parecia crescer como chamas alimentadas pelo vento. Ela olhou para Maxwell com a certeza de que a vida dele sim caminhava para os momentos finais. Um detalhe que de maneira alguma serviria para justificar a ansiedade dela. "Posso tirar a prova acabando com a vida dele agora mesmo", refletiu ao se aproximar dele.

    Como se pudesse ouvir os pensamentos dela, ele começou a murmurar, por vontade própria, algumas palavras. Repetia uma sequência de números, 0330, que não significava absolutamente nada para Liz. Além disso, ela não conseguia acreditar que havia uma brecha no efeito da droga que permitia aquele tipo de manifestação. Mais uma vez, apontou a pistola para a cabeça dele.

    - É realmente uma pena que você nunca tenha atendido aos meus convites para passar no consultório. Fico cada vez mais curiosa em explorar tudo que se esconde por dentro dessa sua mente doentia.

    O intercom voltou a tocar e, de repente, Liz ouviu a voz de Robert. A calma com a qual ele tentava transmitir as primeiras palavras já deixou claro que ele estava ligando para lhe trazer más notícias. "O tempo está se esgotando", ouviu sua mente sussurrar mais alto dessa vez, antes mesmo de ela ouvir que pessoas do lado de fora ousavam invadir o Vault. Queria dizer que a maldita radiação não havia se encarregado de eliminar o lixo humano rejeitado pelos Vaults. Não passava pela sua cabeça a possibilidade de que haveria seres humanos decentes no mundo exterior. Quem tentasse entrar não encontraria nada além da própria sepultura.

    Ela dispensou a intermediação de Maxwell e falou direto no intercom.

    - Capitão Robert, aqui quem fala é Lisbeth Tozier. Se você esteve atento ao último pronunciamento, deve saber que a partir de agora sou a nova Overseer. Maxwell está aqui comigo e também está te ouvindo. Quantos homens foram mobilizados para garantir a segurança do portão?

    Ela se virou rapidamente para Maxwell e ordenou que ele lhe mostrasse um mapa completo do Vault. Depois voltou a falar pelo intercom.

    - Certifique-se de que a situação na ala leste já foi normalizada e peça para deslocarem o máximo possível de guardas pra aí. Quero todos muito bem armados! Mantenham apenas uma porta de acesso aberta, para permitir a evacuação ou a chegada de outros guardas. Também quero que coloquem explosivos um metro acima da porta principal. Se for necessário, vamos selar a entrada do Vault mais uma vez. Quando os primeiros invasores entrarem, podem recebê-los à bala. Depois descubram quem eles são e o que querem.

    Uma mistura de estresse com adrenalina começava a se espalhar pelo corpo da Overseer. Na verdade, predominava o estresse que fazia Lisbeth sentir vontade de descontar sua raiva em alguém... foi então que mais uma vez, ela desviou o olhar para Maxwell que repetia à exaustão aquela mesma sequência de números. A mão direita dela agarrou o pescoço dele e o empurrou contra a parede. Seus dedos estavam quentes como se o sangue estivesse borbulhando em suas veias. Na mão esquerda, havia uma pistola a poucos centímetros da têmpora dele.  

    - Agora me diga o que significa essa droga de números!
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Raijecki em Dom Jul 01, 2018 10:22 pm



    Kelden Smith


    As palavras proferidas pela jovem garota atingiram a moral de Kelden como uma lâmina afiada. Justamente porque sabia que ela estava certa em seu ponto. O mundo já tinha ido para o lixo á muito tempo atrás, e todos ali só tentavam sobreviver dos restos do mesmo. E tinham os mesmos inimigos em comum, o que ajudava e muito a estreitar as relações.

    - Calma garota, foi só uma pergunta, nós estamos do mesmo lado. - A respondeu tentando acalmar os ânimos, apesar de notar que pelas marcas de batalha e um chamativo "pip-boy", a tal garota sabia se defender muito bem. O individuo oculto finalmente se revelava após as ameaços de Kelden. Era um garoto, não aparentava ter mais de 20 anos. Pelo modo que se juntou aos demais e pelas características descritas por Clark, só podia se tratar do ultimo sucateiro, mas o que ele fazia escondido enquanto os demais lutavam por suas vidas Kelden só poderia imaginar.

    "Um covarde talvez?"

    Era provável que a presença de muita "testosterona" acabaria em certas intimidações e provocações, coisa que o Sr. Ninguém sabia muito bem, e estava acostumado a essas situações por já ter liderado e participado de vários pelotões ao longo de sua carreira militar. Claro que portar um imponente rifle-anti matéria também colaborava. O velho mercenário começava a provocação rindo e debochando de Kelden, questionando se ele tinha medo de enfrentar a Brotherhood, e lógico que ele não deixaria barato, o respondeu em tom sério, também o encarando:

    - É por isso que enquanto nós da NCR temos nossa sociedade prospera, vocês meros mercenários vivem de restos velhote, vocês não sabem diferenciar cautela e estratégia de covardia.

    Ao mesmo tempo em que Cheyenne fazia os primeiros socorros, respondia ríspida a pergunta de Kelden, o que o deixou confuso, pois não entendia a razão para tal mal humor de ela com ele, mesmo tendo ajudado a salvar os sucateiros. "O que foi que eu fiz de errado?"

    Por fim Cheyenne e o velho mercenário conversavam sobre a condição da jovem lesionada e sobre deixarem as explicações para a volta até Sandford. Coisa que Kelden já havia dito já a algum tempo, mas pelo jeito a moral do Ranger ali só não era das melhores como também não estava melhorando. Mas tentava se manter focado em seu objetivo, e agora com a missão concluída, só restava recuperar sua recompensa. Nada mais importava.

    Ficou decidido que Cheyenne levaria a ferida de volta Sandford com sua moto  e o resto viajaria a pé, decisão que deixara Kelden aliviado, pois não gostaria de precisar andar naquela coisa nunca mais se fosse possível. Como aparentava não ser uma companhia agradável aos outros, Kelden decidiu ficar mais atrás dos demais, sempre atento a movimentações suspeitas com seu radar.

    Por coincidência ou não, o garoto loiro também parecia preferir não se relacionar com os demais, pois também mantinha certa distancia do grupo. Algo nele fazia Kelden se lembrar de sua problemática juventude, quando detinha aquele mesmo olhar, de alguém que estava sempre incomodado e desconfiado com algo e ainda tentando achar seu lugar ao mundo.

    - Hei garoto albino, como você se chama? - As habilidades sociais de Kelden não eram das melhores, mas passar toda uma "odisseia" da Califórnia até a Empire somente ouvindo as rádios locais o forçavam a tentar melhorar. Para o bem de sua já cansada sanidade.

    (...)

    Ao finalmente chegarem ao edifício da prefeitura, Cheyenne os esperava em frente a porta. Emfim chegava a hora de Kelden descobrir a localização de seu nêmesis. Mal podia disfarçar sua ansiedade e já foi entrando antes dos outros no escritório e bar particular de Clark.

    Uma mulher já estava entre eles, tinha um rifle nas costas e algumas bandagens recentes em seu braço. Pela aparência, só poderia ser mais um membro da gangue de mercenários do velhote de antes. Mas o que chamou realmente a atenção de Kelden foi o cumprimento de Cheyenne com Clark. Agora ele conseguia entender o motivo de ela estar irritada, talvez colocar a arma na cabeça do pai dela não havia sido uma boa ideia.

    "Boa Kelden, você conseguiu mais uma vez se superar... Ah mas também eu não tinha como saber disso não é?"

    Por um momento depois desta revelação, que aparentemente só teria sido surpreendente para Kelden, um breve silencio se instaurou no local, sendo quebrado pela pergunta séria de Clark sobre o que teria acontecido em Liberty's Torch. Kelden já sem muita paciência, se é que já teve alguma, retirou seu capacete segurando-o debaixo de seu braço e o respondeu assertivamente:

    - O mesmo de sempre, sucateiras idiotas acreditando que podem mudar de vida da noite para o dia e caindo em uma armadilha mais idiota ainda. - Não falava para ofender os jovens, mas de uma forma a tentar a avisar a eles que a vida não era fácil no mundo em que viviam. Tinha experiencia e autoridade para falar disso, mesmo que as lembranças de sua família o deixassem extremamente triste e revoltado. Ainda bem que tinha matado alguns raiders antes, assim poderia se manter mais calmo.

    - Agora quero a localização daquele filho de uma puta que você me prometeu Clark, depois vocês vão se ver livres de mim.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por JPVilela em Ter Jul 03, 2018 9:14 pm

    A atiradora ouvia atentamente ao que o guarda costas de cabelos longos tinha a dizer, novas informações como aquelas eram tanto uma boa moeda de troca, quanto uma vantagem estratégica para a gangue. Tentava guardar bem os locais e nomes, inclusive agora que Tachibana falou, relembrou que Cheyenne  era o nome da filha do líder daquela cidade. Esse fato era algo que sempre lhe surpreendia, lembrar-se que o sujeito permitiu que sua princesinha trabalhasse em algo arriscado como batedora. Pessoas em posições de poder geralmente tendiam a manter seus familiares e amigos mais próximos a salvo nas posições mais prestigiadas o possível. Esse era um fato que até melhorava a percepção que tinha do líder de Sandford, mesmo que sempre enevoada por muito rancor.

    Tachibana escreveu:- Eles temem ela demais para que contem muitos detalhes e você sabe que raiders são resistentes a tortura. Tudo o que sabemos é que eles estão sendo reorganizados e liderados por uma mulher que não sabemos nada a respeito.

    Isso por que vocês não estão empregando os torturadores certos para esse tipo de gente, respondia a mercenária em pensamento.   

    Tachibana escreveu:- Acredito que queira comunicar seu grupo, pode usar nosso rádio. A localização da base da Rainha provavelmente fica entre oeste e Fort Morris.

    - Sim. Vou repassar essas informações a Base. - comentou aproximando-se do rádio. - O que você falou bate com o pouco que eu sabia disso tudo. - Ao menos da parte dos Raiders estarem inativos por aqueles arredores.

    Ashley não perde tempo e sintoniza o aparelho na frequência do radio presente no quartel general do Reapers, informando o sucesso de sua atual missão e da situação local. Depois de algumas trocas de informação, deu câmbio final e voltou-se para o sujeito com quem dividia o ambiente:

    - Bem, então é isso. - disse respirando já aliviada, contando que agora poderia sair dali e voltar para seus amigos. - Entraremos em contato o mais rápido possível. - completou com assertividade na voz, da maneira mais profissional com a qual era capaz de proferir sentenças, como se houvesse acabado de fechar um acordo milionário com o homem à sua frente. - Nos vemos por aí. - e após uma breve pausa, saiu daquele personagem, relaxando a postura dando uns tapinhas no ombro do sujeito antes de rumar em direção a saída da edificação.

    Antes de dar o último passo escritório afora, lembrou-se de algo:

    - Ahnn... - virou e voltou a encarar Tachibana - Eu escoltei um sujeito chamado... Vance hoje cedo, aqui para a cidade. Não tivemos tempo de checar o que ele trazia no Brahmin que conduzia... Mas... Ele agia um tanto estranho para um mercador. Sabe alguma coisa sobre essa pessoa? - não custava tentar descobrir mais coisas, se o suspeito mercante fosse problema, era melhor tanto ela saber, quanto as autoridades da cidade…

    -------------------------

    Após resolver o pedido do Dr. B., Ashley deu uma rápida volta no mercado local procurando por bons preços em algumas coisas que ela já queria comprar faz algum tempo. A final de contas, tinha um pagamento em mãos, e aquelas caps tinham que logo virar ferramentas para suas próximas jornadas, ela não é o tipo de mulher que sabe fazer poupança... Um tempo depois, voltou para a clinica, para ver como estava Brooker, e ensinar um pouco mais a Juliet como fazer bom uso daquele rifle. Mas não ficou por muito tempo, por que logo, outro capanga de Clark chegou, solicitando sua presença.... novamente.

    ------------------------

    A mercenária estava encostada em uma das paredes, de braços cruzados, assoprando para o lado uma porção de cabelos que caia sobre o rosto, já nervosa com o por que aquele manco desgraçado estava lhe tomando mais de seu tempo. Estava prestes a descolar as costas daquela parede rachada e dar o fora dali quando várias pessoas adentraram o ambiente, alguns eram completos estranhos, outros eram faces familiares em diversos graus, como a garota de cabelos negros e olhos repuxados. Essa estava acompanhada de um sujeito de capuz que Ashley não lembrava de já ter visto nessa cidade. Outro cara mais alto trajava-se de maneira bem interessante, como quem estava pronto para ir a guerra, mais ainda pelas armas que carregava consigo, aquele rifle chamava bastante a atenção da atiradora, agora lembrava-se que havia visto ele na garupa da moto da loirinha filha do manco mais cedo. Estavam suados, provavelmente vieram de fora dos portões.

    Mas a maior surpresa ficou por último, tinha sido informada pelo rádio que Duncan não estava na base, mas não fazia ideia que iria trombar com ele e Cutelo, mas lá estavam eles. O que diabos estava acontecendo hoje?

    A presença do chefe dos Reapers era o bastante para melhorar seu humor, mesmo nesse lugar, dividindo o ar que respirava com aquele outro sujeito que odiava... Deu uma piscadela, esboçando um sutil sorriso para seu chefe e logo mais descruzou os braços e foi andando em sua direção, se posicionando ao lado, e próxima ao cara com capacete que emitia luzes.

    Agora era hora de ouvir aquela história, se bem que o sujeito de voz modulada meio que já estragou tudo contando uma versão super resumida.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Gakky em Qua Jul 04, 2018 8:17 pm

    Nin respira fundo e abaixa as braços com o que Duncan diz. Quando Kelden explica que era só uma pergunta, ela fica menos desconfiada dele. Ela vê Patrick se revelar e fico feliz por ele ter ficado perto. O garoto se fazia de durão, mas ela conhecia o lado mais mole dele. Ela observa as reações de Cheyenne e vê que Ducan quer explicações durante o caminho de volta.

    Nin fica aliviada ao ver que Kara recebe ajuda. No caminho ela aproveita para explicar o que tinha acontecido para Cheyenne e para quem gostaria de ouvir. Falaria desde a proposta de John até voltar salvar Kara. Mas omitiu a parte que ia deixar a colega para trás, ainda não estava preparada para admitir essa sua falta de humanidade, não sabia como lidar. Em algum momento chegaria perto de Patrick para saber se ele estava bem:

    - Você tá bem? Valeu por não ir embora. - Disse com um sorriso discreto.

    (...)

    Quando entraram no bar de Clarke, Nin se manteve uma postura respeitosa. Para ela era normal saber que ele era o pai de Cheyenne. Ela notou a mulher com um rifle nas costas, pelas bandagens ela devia ter se ferido com alguma coisa. Nin tinha uma aparência bastante desgrenhada, cabelos curtos mais cortados, estava ainda mais suja pela poeira da explosão que ocorreu durante o confronto. Ela no entanto se sentia vitoriosa por ter sobrevivido. Clarke perguntou o que tinha acontecido e Nin estava pronta para responder, sabia que Patrick ia ficar caladão na sua. Porém antes de abrir a boca o irritante Kelden se intrometeu. As palavras dele fizeram Nin ficar irritada, o homem os estava inferiorizando, ele provavelmente não sabia a importância do trabalho de um sucateiro. E pela outra pergunta dele, dava para ver que ele devia ser um tipo de mercenário fazendo um dever em troca de outra.

    - Ele não perguntou para você, e você não estava na história toda - Disse Nin ao Kelden fazendo um bico invocado - Não fala do que não sabe! Não acreditei que ia mudar minha vida, só queria fazer um trabalho bom. Não somos idiotas, você que é por sair por aí apontando a arma para os outros e achar que pode responder o que não tava vendo. John era um conhecido, não achei que ia mentir pra gente.

    Olhou para o líder e continuou o relato:

    - John e a Kara nos convidaram pra ver um bom local de coleta, parecia bom e nós fomos. Só que vários raiders apareceram, pareciam ter feito algum acordo com John. Ele sumiu quando a gente tava tentando escapar dos raiders, a Kara ficou ferida... E então esse... Homem de máscara apareceu e logo vi os outros... Acho que John não está mais vivo... Ás coisas não pareciam boas pra ele também no final... Só que salvar ele seria muita perda de energia... Desculpe...

    Fez uma reverência comum aos asiáticos para Clarke.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Natalie Ursa em Seg Jul 09, 2018 7:33 pm

    (...)
    No longo caminho de volta a Sandford, Patrick ficou mais para trás do grupo e notou que o homem com o capacete fazia o mesmo. Não estava afim da companhia dele, mas se ficasse quieto seria como se não estivesse ali, então não haveria problema.

    Infelizmente o sujeito não tinha a intenção de ficar calado como Patrick.

    Patrick já estava familiarizado com os vários nomes que lhe davam por causa do cabelo e pele muito claros. Já tinha os ouvido inúmeras vezes e, sinceramente, não se importava com os apelidos ou as pessoas que os inventavam.

    - O que importa como me chamo se vocês já se decidiram como querem me chamar? - retrucou de maneira ríspida, sem erguer muito a cabeça.

    Os nomes eram usados para defini-lo desde muito antes de Patrick se juntar à Sandford... Eles surgiram desde que seu cabelo começou a desbotar, muitos anos antes, quando ainda era uma criança. Seus cabelos não eram muito mais escuros do que atualmente, tampouco claros o suficiente para lhe atribuírem tais palavras.

    Se Kelden estava disposto a treinar suas habilidades sociais, Patrick não. Não as julgava realmente necessárias. Uma vez um lobo solitário, sempre um lobo solitário, o jovem julgava, mesmo que o seu "ideal" de existência já estivesse caindo pouco a pouco desde que aceitara se juntar à uma comunidade como a de Sandford. Talvez, ainda lá no fundo, Patrick entendesse que o caminho solitário era o pior para qualquer pessoa naquela situação.

    Mas não significava que suas barreiras, altas como as paredes de uma fortaleza, ainda não estivessem firmes e impenetráveis.

    Ás vezes Patrick ainda se lembrava de palavras que uma vez lhe foram ditas, muitos anos atrás: "Com o tempo, até mesmo a água pode derrubar as paredes de um forte."

    Bem, na realidade em que ele vivia, não havia todo esse tempo para que algo fosse feito. Tudo tinha que ser sempre muito rápido. Era isso ou a morte. Se não tivesse agido rápido contra os Raiders, talvez a segunda opção fosse a que Patrick iria encontrar.

    A cabeça doía, mas por enquanto ainda era aceitável. Enquanto ele passava os dedos pelas têmporas, falando o mínimo possível que conseguia com o Ranger, Nin se aproximou e começou a puxar conversa com o rapaz. Patrick respondeu à asiática meneando a cabeça em positivo. Não queria que ela se desse conta de que estava outra vez com uma enxaqueca. Não tinha a intenção de complicar o retorno deles só por causa disso. Retornar era a prioridade. Depois disso Patrick poderia se preocupar mais com a dor.

    Normalmente Patrick escondia o rosto sob o capuz, pois o sol queimava sua pele com facilidade, mas do jeito com que ele estava ajeitando o capuz o tempo todo talvez deixasse meio óbvio que o rapaz estava protegendo os olhos da luz do dia.

    Só podia esperar que a dor não aumentasse durante o trajeto. Infelizmente aconteceu. Quando chegaram na sala de Clarke a enxaqueca estava em um nível bem incômodo, tanto que Patrick tinha certa dificuldade em se concentrar no que estava acontecendo, principalmente na conversa.

    Patrick ouviu mais ou menos o que Kelden respondia - se intrometendo - para Clarke. Pouco se importava se o homem estivesse menosprezando sucateiros, Patrick nem se considerava direito um, já que seu objetivo nunca foi juntar Caps com essa atividade, mas nem ele podia negar que a parte sobre "cair em uma armadilha mais idiota ainda" era bem incômoda.

    Bem depressa, Nin se manifestou sobre as palavras do homem. Ela sim era parte dessas pessoas que queria uma boa grana com o ofício e era do tipo a esquentar bastante a cabeça com tal comentário.

    Patrick poderia quase rir com o modo como a jovem começou cortando a afirmação do ranger. Talvez um ranger não soubesse que as pessoas abandonadas na vastidão desértica desse planeta não tivessem várias opções à disposição de como manter-se vivo. Patrick não conseguia ver Nin em outras funções, talvez ele mesmo a menosprezasse, de certo modo, mas parecia que essa era a melhor habilidade da garota. Juntar as sucatas e falar sem parar.

    Em meio às dores nas têmporas, Patrick lançou um olhar quase mortal em direção à Kelden. A enxaqueca já tinha sumido com o mínimo bom humor que o loiro poderia ter, sua paciência estava começando a diminuir.

    Nin tinha razão. Aquele homem não podia afirmar nada quando tudo o que fez foi aparecer no meio de um tiroteio e disparar contra aqueles que mais lhe convinham.

    Patrick não estava em condições de raciocinar o que, de fato tinha acontecido lá e por que Raiders teriam esperado eles chegarem para atacá-los, quando poderiam ter removido tudo que lhes convinham do vertbird quando bem entendessem. Era por isso mesmo que não confiava em praticamente ninguém. John tinha só dado mais uma prova daquilo em que Patrick acreditava. Talvez até mesmo Nin o traísse, quando chegasse a hora... Ou talvez o contrário.

    Patrick deixou que Nin continuasse o relato, mas não tirava os olhos do Ranger. Agiria contra o sujeito, se isso se mostrasse necessário, mesmo que a enxaqueca lhe trouxesse uma razoável debilitação. Quanto à moça de sobretudo, ainda mal tinha a notado e continuaria assim enquanto ela não se apresentasse mais uma ameaça.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Raijecki em Seg Jul 09, 2018 10:33 pm



    Kelden Smith


    (...)


    O garoto respondia ríspido a pergunta de Kelden. Provavelmente não gostara da forma como ele o chamara.

    - Calma aí rapaz, se quer que as pessoas te respeitem você primeiro tem de colaborar, não acha? - Não que Kelden fosse um exemplo de cidadão social, é claro, mas tentava pelo menos não parecer um completo lunático que sairia atirando em todo mundo por aí.

    - Conheço essa atitude, também já passei por isso, e sei que não é fácil falar e confiar nas pessoas - Kelden notava que o garoto albino não tirava os olhos da garota asiática, e emendou - Hum, parece que você já tem alguém em que confiar, isso é bom, aproveite bem, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã...

    O tom de voz de Kelden, mesmo distorcido pela mascara, não era de ameaça, mas mais como um conselho de quem já havia vivido aquilo tudo e já sabia o infeliz final que as coisas tinham naquele mundo. Acenou com a cabeça e deu privacidade para a garota poder conversar com o garoto.


    (...)


    Diante da ferocidade com que Nin atacava as palavras de Kelden e os olhares ameaçadores de Patrick, O Sr. Ninguém fechou ainda mais a cara, e os respondeu:

    - Eu sei muito bem senhorita! Mais inclusive que vocês pois já fui um sucateiro tendo de viver nessa merda! Agora você baixe o tom pra falar comigo e não se esqueça, se não fosse por minha arma aqui vocês provavelmente já estariam mortos! - Engrossou ainda mais a voz para cima dos dois, não deixaria que ditassem o ritmo da conversa sem antes que Clark revelasse o paradeiro de Rust.

    - Tá olhando o que albino?! Se vai fazer alguma coisa então faça! - Respondia aos olhares de Patrick.

    A situação toda só deixava mais clara a condição deprimente em que Kelden se encontrava. Vivia somente a fins de acabar com a vida do Rust, portanto discutir com jovens adolescentes não era exatamente a coisa certa se fazer, e ele sabia muito bem disso. Respirou fundo, tentando se acalmar e caminhou em direção as bebidas do bar de Clark. Sentou em um dos bancos largando seu capete em cima do balcão e disse:

    - Ahhh droga... Preciso de um drinque... Ouçam, eu só quero a localização da pessoa que busco e mais nada, então se puderem ir logo com isso melhor.


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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por JPVilela em Seg Jul 09, 2018 11:03 pm

    - Tsc... - a atiradora estalou os lábios enquanto revirou os olhos quando o sujeito com capacete legal e voz modulada resolveu discutir de volta com os adolescentes.

    Por que alguém que trazia uma certa aura de imponência com todos aqueles equipamento se incomodaria com aquilo? Ash mais do que ninguém sabia que isso era algo que não dava em nada, por mais que aquele homem tentasse passar alguma lição com suas próprias experiências, pois fora a adolescente mais insuportavelmente revoltada que conhecera no seu tempo....

    Só esperava que aquela estupidez não escalonasse para uma briga, depois do chá de cadeira que estava tomando sabe-se lá por que.

    Ao meio daquele mini conflito de egos conseguia entender melhor o que havia acontecido com aquele grupo... Mas ainda não ouviu a pessoa que mais esperava contar por que foi parar naquele prédio.

    Duncan e Clark não se batem bem desde muito tempo, e quando o líder dos Reapers resolveu sair da cidade anos atrás, a jovem Ashley foi junto.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Gakky em Ter Jul 10, 2018 11:22 am

    Quando ouviu aquela resposta de Kelden, Nin suspirou irritada. Estava cansava desses homens ignorantes, grosseiros que se achavam alguma coisa só por estarem segurando uma arma. E daí que ele já foi sucateiro? O problema era dele se menosprezava isso. Ela tinha orgulho do que fazia, até porque ser um soldado e matar pessoas não era nada bonito também! Estavam todos no mesmo mundo destruído e chamar tudo de merda não iria ajudar. Ela queria responder, gritar, mas seu treinamento dizia ao contrário. Ainda podia se lembrar das lendas do seu mestre, responder ira com ira só prejudicava as coisas.

    Nin respirou fundo tentando se evaziar da raiva. Já tinha sido substimada antes, então porque esquentar o sangue com esse homem das cavernas? Ela olhou para Kelden com calma dessa vez e disse em um tom leve, como se falasse as coisas mais naturais possíveis, como se Kelden não tivesse engrossado a voz:

    - Não tenho culpa se você menosprezava seu trabalho. Todos os trabalhos são importantes em Sandford. Ser sucateiro é uma merda? Mas até merda ajuda a cultivar plantas como adubo, SENHOR Kelden. Eu agradeço realmente por ter me salvado, mas usar isso para se sentir superior a nós, vai te fazer virar um monstro.

    Ela repetia os mesmos ensinamentos do seu mestre querido. O resto que Kelden falou, Nin não deixou de se intrometer:

    - Busca alguém querido? Ou busca vingança?
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Raijecki em Ter Jul 10, 2018 8:01 pm



    Kelden Smith





    (...)

    Sentado de costas para todos os outros, Kelden ouvia a valente jovem e suas fortes palavras. Quando a jovem terminou sua primeira sentença, ele a respondeu virando um copo de Whisky que havia pego da bela coleção na prateleira de Clark.

    - Não entenda errado garota, eu não estou menosprezando, eu sei que é difícil entender o que eu vou dizer mas... - Ele se vira e olha fixamente para Nin. - Isso aqui que você está vendo... - Apontava para ele mesmo. - É o máximo que vocês vão conseguir se continuarem como estão, eu já vivi essa vida e posso garantir, se da próxima vez vocês não forem mais espertos que os outros... Bem, acho que não preciso dizer mais nada, afinal eu sou apenas um lunático que sai atirando em todo mundo como você mesmo apontou, não é mesmo? - Havia um tom de tristeza e rancor na voz de Kelden. Algo que ele guardava já á vários anos, mas já estava cansado de tentar esquecer e ignorar, obviamente em vão. E que mal haveria de falar disso tão longe de casa? Essa provavelmente seria sua ultima missão, o que ele mesmo já tinha por decretado.

    Ninguém mais o esperava em sua casa, ninguém mais se importava. Realmente "ninguém" era uma palavra que ele entendia como mais nenhum outro.

    Nin apesar de muito jovem, chamava a atenção de Kelden em como conseguia se controlar e reverter a situação. Ela agora demonstrava interesse na pessoa em que ele procurava incansavelmente desde muito tempo. O motivo ele não saberia dizer, mas não era segredo para ninguém que ele gostaria de ver Rust morto e enterrado, não necessariamente nesta ordem.

    - Justiça garota, justiça. - A respondeu com um olhar focado e determinante, virando mais uma boa dose de Whisky.

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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Natalie Ursa em Ter Jul 10, 2018 10:41 pm

    O garoto ouviu a conversa de Kelden sobre respeito... Para ele o homem não tinha a mínima ideia do que estava falando. Não era sociável o suficiente para precisar do respeito das outras pessoas. Não tinha boas relações o suficiente para se importar o que pensavam sobre ele.

    A conversa do Ranger passavam de respeito para confiança e para a Nin. Tinha tocado em um assunto importante ao loiro, mas ele não sabia exatamente até que ponto podia confiar em Nin e por isso confiava o quanto conseguia... Tinha acabado de confiar demais nela e a deixou voltar para Kara. Tinha se arrependido um pouco, pois a situação poderia ter se tornado irreparável. Patrick ainda tinha que trabalhar muito para se entender nessa parte da confiança. Não só com Nin, mas com qualquer outra pessoa. Era difícil quando já se fora traído da pior maneira.

    O jovem acabou se afastando um pouco de Kelden para evitar mais conversas e encontrou Nin, que quis saber como ele estava e só recebeu o menear de cabeça em resposta.

    (...)

    Patrick normalmente não se metia nesse tipo de conversa. Não costumavam dar em nada, a não ser esquentar a cabeça de alguns mais suscetíveis à provocação. Mesmo assim as palavras do Ranger não deixavam de ser um pouco incômodas. Ele podia ter um pouco mais de idade que a dupla, mas teria mesmo toda a experiência necessária para achar que poderia dizer tais coisas? Ninguém poderia saber o que aquele par de olhos verdes já tinha encontrado em seu caminho em sua não tão longa existência. Patrick sabia que todos que tinham vivido lá fora tinham sentido da pele o que era o verdadeiro sofrimento, algo que talvez Nin jamais precisou encarar. Talvez ela fosse uma das poucas pessoas de sorte, afinal.

    Tirando a historinha do ranger de já ter sido um sucateiro, a parte em que ele dizia que se não fosse por ele, a dupla estaria morta, fazia Patrick esboçar um sorriso cínico nos lábios, embora um pouco contrariado por Nin ter agradecido por isso. Ele não estava lá no começo, quando existia o verdadeiro caos e o trio, Nin, Kara e Patrick, estavam cara a cara com as armas dos raiders, tudo o que fez foi chegar depois e ficar atirando de uma distância segura com uma arma bem mais potente que a dos seus inimigos. O loiro apertou o maxilar. Se não fosse pela enxaqueca talvez Patrick não se importasse tanto com tal comentário.

    Patrick fez o mesmo que a mercenária, que também assistia à pequena conversa junto com os outros homens, e estalou a língua, tirando a mochila pesada das costas e deixando-a cair ruidosamente no chão, sem tirar o olhar de predador sobre o ranger. Ele se incomodou com o olhar e reclamou, tentando incitar Patrick a fazer algo.

    - Eu não preciso fazer nada. - Patrick respondeu em um tom um tanto quanto sarcástico.

    Quanto a conversa entre Nin e Kelden, não significava grande coisa para Patrick, ele mesmo tinha uma visão divergente dos dois. O ranger era um lunático mesmo, como dizia, por tentar dar uma de homem sábio para cima dos dois e claramente saber muito pouco, na visão de Patrick.

    Nin perguntava sobre quem Kelden buscava e ele dizia estar atrás de justiça.

    Justiça... Vingança... Tinham o mesmo conceito para Patrick... Ele também já desejou "justiça" no passado e até mesmo esse conceito lhe foi dolorosamente arrancado. Não existia justiça. Não naquele mundo. Era mais um motivo para que Patrick não se interessasse - ou acreditasse - em nada do que vinha da boca do Ranger.

    A dor nas têmporas era extenuante e incomodava o rapaz a ponto dele estar seriamente cogitando em se juntar ao Kelden na bebida, mesmo que não gostasse do homem, mas, bem... Apesar das consequências, o álcool podia diminuir um pouco o inconveniente mal-estar no interior de sua cabeça. Patrick podia estar longe de ser a pessoa mais educada naquela sala, mesmo assim não era do tipo a tomar conta do lugar e pegar bebidas como se pertencessem à ele. Seu senso de individualidade não lhe permitia ficar se utilizando de pertences alheios à bel prazer.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Sky em Ter Jul 24, 2018 12:21 pm



    Ashley fez a rápida comunicação com o quartel dos Reapers: quem se comunicou com ela foi Molotov, uma garota estranha e de sotaque carregado que tinha ficado na base.

    Decidira sair para fazer compras e se preparar para a missão que viria, mas não deixou de perguntar sobre o misterioso mercador que havia trazido.

    [Tachibana]: Vance? Ah...é um amigo pessoal de Clarke. Eu também não sei exatamente o que ele faz, mas o chefe disse que ele ia trazer “ânimo” com o que ele trouxesse. Vamos descobrir qual é a dele em breve, acredito.

    ...

    Era um grupo distinto que se formava depois de Liberty’s Torch e harmonia não parecia ser bem o forte: origens, passados e métodos muito diferentes entre eles criavam conflitos em suas visões de como resolver as coisas.

    Mal imaginavam que seus destinos estavam conectados.

    Patrick decidiu se fechar em seu próprio casco como um minelurk e não interagiu muito com o grupo no caminho para Sandford.

    Kelden não se intimidava nem pelo experiente mercenário que era Duncan

    - É por isso que enquanto nós da NCR temos nossa sociedade prospera, vocês meros mercenários vivem de restos velhote, vocês não sabem diferenciar cautela e estratégia de covardia.

    O mercenário apenas riu, o considerava um garoto tolo, mesmo que não fosse tão novo assim.

    Nin demonstrava sua postura mais positiva, até mesmo agradecendo Patrick por não tê-la abandonado, mesmo que tivesse vários motivos para fazê-lo. E ele era o único que sabia que a própria artista marcial havia quebrado seu código por um instante.

    Por mais diferentes que fossem os três de certa forma estavam mais aliviados por Cheyenne levar Kara na frente. Era uma longa caminhada pela frente mas não teriam de correr com uma mulher ferida nas costas.



    Patrick se mantinha mais afastado, não que isso impedisse que tentassem falar com ele: Kelden se mostrava uma figura em constante choque com ele.

    O ranger baixou um pouco a guarda mas não parecia agradar muito o albino de qualquer maneira.

    [Cutelo]: Eles te lembram alguém? - o mercenário encapuzado dizia ao mais velho, Nin poderia ouvir.
    O velho Duncan apenas riu brevemente, como se achasse graça de uma piada.

    [Duncan]: Se eles não tentarem atirar um no outro na próxima meia-hora vou considerar eles uma dupla melhor que eles



    Aquela sala não costumava ficar tão cheia. Sucateiros, mercenários, ranger, todos convergiam para o coração e mente por trás de Sandford: Clarke podia não ser o mais carismático dos líderes mas ele com certeza sabia como fazer e reunir contatos.

    Duncan e Cutelo se encostaram na parede junto de Ash, ficando ao seu lado. Tachibana ficava quase oculto no outro canto da sala, de olho em todos ali.

    [Duncan]:Se divertindo hoje também? Presta atenção nesses garotos, já tá mais divertido que assistir Fratura e Solda discutindo - disse baixinho para que Ash ouvisse, se referia a Kelden e Patrick
    [Duncan]:Cadê o Brooker? - perguntou demonstrando o máximo de preocupação que sua postura de líder dos Reapers permitia. Decidiu ficar um pouco de canto para analisar a situação e as pessoas que tinha cruzado e encontrado na jornada até Sandford.

    No pedido de explicação do que houve o Ranger era o mais ansioso em terminar aquela reunião. Tirou o capacete, revelando que era uma pessoa aparentemente saudável por baixo, e iniciou seu relatório de missão.

    - O mesmo de sempre, sucateiras idiotas acreditando que podem mudar de vida da noite para o dia e caindo em uma armadilha mais idiota ainda.

    Simples e direto. Por que será que o povo de Sandford não parecia tão simpático com o ranger?
    Clarke fez um sinal com a mão para que o ranger parasse de reclamar sobre sua “recompensa” e que a discussão se encerrasse. Tudo em seu devido tempo, primeiro iria ouvir os outros relatos.

    A responsabilidade de contar o ponto de vista dos Sucateiros tinha caído sobre Nin. Protestou contra a afirmação de Kelden: todo trabalho de sucateiro tinha seus riscos. Os de hoje tinham extrapolado as expectativas.

    - John e a Kara nos convidaram pra ver um bom local de coleta, parecia bom e nós fomos. Só que vários raiders apareceram, pareciam ter feito algum acordo com John. Ele sumiu quando a gente tava tentando escapar dos raiders, a Kara ficou ferida... E então esse... Homem de máscara apareceu e logo vi os outros... Acho que John não está mais vivo... Ás coisas não pareciam boas pra ele também no final... Só que salvar ele seria muita perda de energia... Desculpe...

    A expressão de desculpas e a postura honesta de Nin poderiam tocar o coração de muita gente mas Clarke não era um líder de coração mole. Não havia lugar para sentimentalismo, apenas o que seria o melhor para a cidade.

    [Clarke]:Esse local de coleta não foi informado a nenhum outro Coletor ou líder de Sandford, assim como nenhum mercador ou viajante havia reportado nada. Vocês tomaram uma informação que era desconhecida para o máximo de lucro, mas não suspeitaram da forma como John ou Kara sabiam. Além disso o único que poderia explicar essa sua conexão está morto, ou possivelmente morto…

    Ele se aproximava, a expressão séria como um general.

    [Clarke]:Se Kara tivesse desaparecido e John que tivesse sido carregado até Sandford, ferido, seria ela que teria feito um acordo e os traiu? - ele insinuava a possibilidade de que a informação seria inventada.
    [Clarke]:Entendam minha posição: Três sucateiros e uma guarda-costas saem da cidade sem avisar seus superiores, em busca de sucata de alto nível no meio do deserto da Empire Wasteland e voltam com um deles desaparecido, um ferido e diversas perguntas sem resposta além do envolvimento de forasteiros. É óbvio que também não houveram raiders sobreviventes para falar como fizeram um acordo com um dos nossos…

    Parte do último ponto não era culpa de Nin e Patrick mas a chance de ter um raider capturado passou.

    [Cheyenne]:Pai, você não tá achando que a Nin teria feito uma emboscada com raiders - disse denotando o absurdo que a acusação parecia. Patrick notaria como ela tinha dito somente Nin, não “Nin e Patrick”.

    [Clarke]:O que eu acredito ou não, não importa. A dúvida na lealdade dos dois é colocada a prova e Sandford não tem lugar para quem não é leal a sua cidade.

    Era este o Clarke que revoltava Ash. Duncan olha para a atiradora, lendo sua expressão.

    [Clarke]:A menos que possam provar a todos quem exatamente estava por trás da emboscada não posso permitir que continuem vivendo aqui - era uma afirmação séria - Mas terão a chance de reverter essa situação.

    [Duncan]:Lá vem, ele fazendo de novo. Chegue logo ao ponto, Clarke - o mercenário mais velho interrompeu impaciente. Clarke apenas o ignorou.

    [Clarke]: Você não é confiável, muito menos parece ser uma adição positiva para Sandford, mas eu fiz um acordo não fiz? - disse se dirigindo a Kelden - Mas eu acho que você vai querer ficar pra ouvir tudo.

    Ele deu um sorriso cínico. Era sua pequena vingança.

    [Clarke]:Rust está sob custódia da Rainha dos Raiders faz duas semanas. Eu sei que a Rainha não mata seus prisioneiros, muito menos quem se entrega. Não imediatamente

    Isso não fazia sentido. A figura misteriosa de Rust tinha se entregado a líder dos Raiders de mão beijada? Que tipo de serviço teria de fazer afinal?

    [Clarke]:Esse é meu contrato para os Reapers, Duncan - se dirigiu ao veterano pela primeira vez naquela tarde - Quero que invadam o campo da Rainha e extraiam as motos que ela roubou, assim como fazer a maior quantidade de destruição possível. Sem essa tecnologia ela fica vulnerável e sem mobilidade pra continuar tramando contra Sandford.

    Ele repentinamente se virava para os sucateiros

    [Clarke]:Vocês também vão e irão encontrar John ou quem sabe sobre o John. Se ele sobreviveu foi levado até esse mesmo campo. Se ele foi morto eu quero uma prova física. Ranger, Rust estará lá também.

    Objetivos que convergiam.

    [Duncan]:E o que te faz pensar que eu e meu grupo vamos aceitar isso, Clarke? - disse cruzando os braços.

    [Clarke]:Como se os carniceiros dos Reapers ignorassem uma quantia tão grande de caps. Acho que pretendem trabalhar nessa região antes que a Rainha domine tudo, não?

    Cruzou os braços, no centro de todo o grupo. Quase sorria diante da execução de seu plano de formar um grupo para enviar numa missão suicida: nem teve de contabilizar a perda de alguns guardas.

    [Clarke]:Perguntas?






    Lisbeth sabia que sua disputa agora era com o relógio. Precisava priorizar suas ações e quais medidas deveria tomar.
    Tinha tomado o poder a minutos e já passaria por sua primeira prova de fogo.

    O chefe da segurança confirmou o envio de dois guardas para a cozinha para verificar o que exatamente acontecia ali: garantir a segurança dos alimentos era questão de vida ou morte no Vault.


    - Chegou a hora de você prestar esclarecimentos aos meus súditos - disse ao lhe entregar uma folha de papel. - Tomei a liberdade de escrever seu atestado de incompetência. Agora você só precisa ler isso pra todo mundo.

    Maxwell não tinha a força para protestar mas Elisabeth notaria a revolta nos olhos dele. Seguindo seus comandos ele começou a ler.

    Nova Overseer. Pela primeira vez na história registrada do Vault haveria um Overseer eleito sem a morte do Overseer anterior.
    A primeira quebra de tradições acontecia ali.

    Ela fez seu anúncio. Um grande discurso diante das crises que se formavam.

    O silêncio após o anúncio era ensurdecedor. Era difícil dizer da sala do Overseer o que estava acontecendo.

    [Intercom]:Doutora...digo, Overseer Lisbeth. Os protestos pararam, estão dispersando - o guarda dizia com a voz em um monotom diferente do normal. Era como se estivesse muito surpreso, talvez até em choque.

    O Ex-Overseer batalhava sua própria luta interna.


    - É realmente uma pena que você nunca tenha atendido aos meus convites para passar no consultório. Fico cada vez mais curiosa em explorar tudo que se esconde por dentro dessa sua mente doentia.

    Maxwell diz, agora não mais num sussurro mas sim em alto e bom som:

    [Maxwell]:-Zero. Tres. Tres. Zero - uma única vez e em seguida se cala.

    Enquanto isso a comprovação de vida fora do Vault vinha de forma nada agradável. Lisbeth pedia um mapa.

    [Maxwell]:Meu pip-boy, ele possui o mapa - dizia o Ex-Overseer apontando para uma gaveta na mesa.
    Pip-boys não eram usados no Vault 265, o Overseer o utilizava em segredo e longe dos olhos dos habitantes. A doutora se lembraria de vê-lo utilizando somente nesta sala, por isso saberia o que é um pip-boy.

    Com a situação na ala leste normalizada foi possível confirmar o envio de guardas pra entrada do Vault. Robert apenas respondeu positivamente para as ordens recebidas e seguiu de acordo.

    [Robert]:Explosivos posicionados, homens à postos. Vou manter o intercom ligado para que possa ouvir, Overseer - ele dizia com o mesmo respeito que se reportava ao ex-overseer.
    [Robert]:Muito bem homens, vamos mostrar a esses idiotas como a humanidade resiste! Somos o Vault 265!!!

    Os homens respondiam com um urro de confirmação. Ele era um bom líder, um bom soldado.

    Tinha de torcer para que isso bastasse.

    - Agora me diga o que significa essa droga de números!

    Maxwell forçou um sorriso. Na verdade estava mais para uma carranca, pois forçava os músculos do rosto enquanto o restante do cérebro mandava que ficasse sério.

    Era uma cena horrorosa, ele estava claramente se machucando fazendo isso.

    [Maxwell]:Não é obvio?

    [Intercom]: Dez segundos! Armas à postos, preparar…

    [Maxwell]: Você é...tão boa nisso - ele dizia, as palavras vinham com um esforço gigantesco

    [Intercom]: Contato visual, abrir fogo! - o som ensurdecedor de metralhadoras disparando.

    [Maxwell]: Nós jogamos o jogo e eu perdi. Parabéns…

    [Intercom]: Senhor, eles são muitos e te… - um dos soldados dizia, outro gritou - Homem caído, homem caído!

    [Maxwell]: Vai ser tão bom...ver o Vault ruir. E a culpa é sua - ele dizia entre os dentes.

    [Intercom]: Pra trás, pra trás. Recuar! - a voz de Robert. A batalha ia mal - Os explosivos! Ative os explosivos!

    [Maxwell]: Os números? São minha senha. A senha do meu terminal. Se divirta doutora, espero que ela não te mate. Você precisa conviver com o que você fez antes de morrer…

    Quase livre do controle mental, Maxwell agiu desesperadamente: ele pegou uma caneta de sua mesa, próxima ao intercom, e a fincou com violência em sua coxa direita. Caiu no chão, urrando de dor.

    O Vault todo tremeu. Eram os explosivos para selar a saída e entrada do Vault.

    Silêncio no intercom.

    [Intercom]: Que bonitinho, eles tentaram selar a saída? Brat, use a escavadeira pra tirar essas pedras. O resto de vocês vem comigo, vamos mostrar a eles como se recebe uma Rainha.


    — Ross





    Mecanica
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por JPVilela em Qua Jul 25, 2018 6:01 pm

    Ao que via, os ânimos daquele pessoal começavam a se apaziguar, ao menos agora o forasteiro barbudo e a garota pareciam não ser dois moleques discutindo. Ashley relaxou um pouco mais a postura e estava até surpresa que a jovem de cabelos lisos parecia mais madura que o homem próximo ao balcão. Achou aquilo engraçado abrindo um leve sorriso e desviando o olhar em direção ao teto. Logo mais escutou o questionamento de seu líder:

    Duncan escreveu:- Cadê o Brooker? - perguntou demonstrando o máximo de preocupação que sua postura de líder dos Reapers permitia. Decidiu ficar um pouco de canto para analisar a situação e as pessoas que tinha cruzado e encontrado na jornada até Sandford.

    Ashley virou seu rosto, mas sem precisar baixar muito o olhar para encarar o experiente mercenário encostado na parede ao seu lado, que era bem mais alto que ela. Logo desviou o olhar antes de dizer alguma coisa, momentaneamente sentia-se não tão confiante quando lembrou que o colega fez quase todo o trabalho de eliminar aqueles vermes sozinho... Enquanto ela errava tiros e fugia de granadas. Duke era das poucas pessoas naquele mundo com quem se importava com a opinião, e falhar com aquele nível de desleixo era algo que a atingia em cheio.  

    - Encontramos Raiders na escolta… - falou tentando manter o tom despreocupado - Ele está com o Doutor B. se recuperando de uns tiros que levou. - tentava enfatizar na casualidade que sua voz denotava, para deixar claro que nada de muito grave havia acontecido com o colega.

    Queria falar sobre a aquisição da moto, dentre outras coias, mas Clarke resolveu desembuchar. Os detalhes de sua missão teriam de ser relatados mais tarde. Para a raiva de Ash, o velho logo começou com o seu jeito juiz e juri encarnados em uma só carapaça decrépita que as pessoas daquela cidade por algum motivo ainda achavam que era uma boa ideia ouvir o que ele tinha a dizer:

    Clarke escreveu: - O que eu acredito ou não, não importa. A dúvida na lealdade dos dois é colocada a prova e Sandford não tem lugar para quem não é leal a sua cidade.

    A mercenária ficava com os punhos cerrados quando ouviu o julgamento de Clarke sentenciava aos sucateiros emboscados. Como que aquele filho da puta mandava civis de sua cidade direto para um lugar dominado de Raiders? Pelo visto importava sim, e o velho acreditava que pessoas não eram mais do que peças em um jogo… É…  ela já tinha entendido essa mentalidade faz tempo.

    Aqueles garotos podiam saber como se virar, mas fundamentalmente não eram guardas treinados, ou soldados. Estava muito incomodada com o como conveniente o trabalho deles tornou-se de servir de infantaria para aquele velho arrombado.

    Duncan olha para a atiradora, lendo sua expressão.

    - ...É sério isso? - Ashley arfou lotada de rancor, massageando as têmporas com a mão do braço não machucado, deixando o resmungo baixo escapar por entre seus lábios.

    Não se importava de seu grupo ser contratado para aquele tipo de coisa, era exatamente o que era esperado de quem trabalhava naquele ramo. Muito menos com o barbudo ali do lado ser jogado no balde junto com a gangue... O sujeito já parecia trajado para guerra... E ver aquele rifle em ação seria bem legal se aquilo não fosse apenas para intimidação por parte do estranho...

    Mas era outra história com aquela dupla, estava na cara que não tinham nada a ganhar trabalhando com Raiders... E estavam sendo chantageadas a troco de nada na frente de seus olhos. "É isso ai pessoal, é o tratamento que se ganha ao morar nessa cidade..."
    Gakky
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Gakky em Qua Jul 25, 2018 9:48 pm

    Nin ouviu aquela última resposta de Kelden, mas somente respirou fundo em vez de responder. Seu mestre havia ensinado que não adiantava discutir se o outro não pudesse mudar a opinião de alguém. Patric continuava quieto, e Nin acabou perguntando sobre quem Kelden buscava. Nin ouviu ele dizer justiça, mas duvidou. Justiça também era um tipo de vingança.

    Porém o pior foi quando Clarke começou a responder o relato deles. Do jeito que ele falava parecia colocar a culpa nela e em Patrick!! Isso era um absurdo! Por que suspeitaria de Kara e John? Eles eram de Sandford também! E Nin sabia como o líder era ocupado, não esperava que ele fosse querer um aviso deles assim. Cheyenne fez o questionamento que Nin estava querendo. Era triste ver como duvidam dela, que sempre foi tão leal no seu trabalho. E quando Clarke falou que não podeira viver lá, Nin sentiu um aperto no coração. Par aonde iria nesse mundo caótico? Gostava de Sandford, era seu lar, onde achava que poderia ajudar fazendo sua parte. Tinha vivido lá desde pequena, tinha se apegado a esse lugar.

    Porém surgiu uma esperança de poderem ficar em Sandford, só que o que precisavam fazer era bastante arriscado. Invadir o campo de Rainha tinha grande chances de morrerem. Nin ficou triste por ver o quanto o líder a considerava. Um nada provavelmente. Se fosse a filha dele, sabia que isso não aconteceria. Mas como era ela, uma estrangeira sem ninguém, era fácil não se importar. Nin tinha um semblante triste e espantado com tudo que ouviu. Fechou os punhos para segurar sua vontade de se desesperar. Mestre tinha ensinado a controlar as emoções, não podia chorar também, isso era fraqueza.

    - Líder... Eu vivi aqui desde pequena, anos de lealdade não contam? Sandford sempre foi minha casa... Eu sei que não tem provas pra saber se estou dizendo a verdade, mas também não tem provas contra mim... Isso é o bastante pra descartar nossas vidas?  Kara vai confirmar tudo quando ficar melhor, não mentiria também.... Mas o senhor é o líder...  Por favor, reconsidere.

    Nin se curvou esperando a resposta do homem. Porém se ele se continuasse com essa ideia, pediria desculpas e iria ver como se daria essa missão perigosa. Ficar fora de Sandford também era tão arriscado quanto, no final, ela não tinha muitas escolhas. Só dar o melhor de si para provar pra todos que não era uma asiática mentirosa, ela era leal sim e teria que sobreviver pra ver o rosto do líder checar isso.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Natalie Ursa em Qui Jul 26, 2018 7:21 pm

    Clarke começou a falar. Acusava Nin e Patrick, entre outras coisas, de gananciosos, conspiradores e mentirosos. Cada frase era mais absurda do que a anterior. Patrick tinha trabalhado um tempo com Raiders, mas não fez "contatos" para um dia resolver criar uma emboscada para sucateiros desavisados e fazer acordo com aquelas pessoas. Ele os achava muito desorganizados e impulsivos para sequer cogitar a possibilidade. Clarke não tinha - ou não deveria ter - como saber disso, mas seria muito fácil ver essa "culpa" - infundada - recair sobre os ombros da pessoa que tinha se juntado à cidade há não muito tempo e de quem ninguém sabia nada. Com as mãos sobre as têmporas latejando, Patrick começava a perder a paciência com a ladainha do líder da cidade.

    Ouviu a filha dele o questionar sobre Nin. Já era mais atitude do que Patrick poderia esperar de qualquer um na sala, mesmo assim era algo mínimo. Não produziria resultado algum.

    Clarke falava de lealdade... E ele tinha razão. O jovem em sua frente não era leal à Sandford, nem pretendia ser. Estava lá como poderia estar em qualquer outro lugar. Sandford não passava de um abrigo um pouco mais protegido do que a maioria. Nada daquilo deveria atingir Patrick. Mesmo assim as palavras daquele homem o incomodavam. Não exatamente o que dizia, mas a prepotência que ele demonstrava pela posição que ocupava. Fora de seu temperamento normal, o rapaz desceu as mãos da cabeça para o grosso casaco que vestia e  pressionou com força o tecido entre os dedos. A lembrança de que ainda tinha um explosivo no bolso oculto dentro a peça de roupa lhe passava pela mente por um momento.

    Por um instante apenas, Patrick sentiu esse desejo irracional, vã de explodir o prédio, quem sabe até a cidade. Ver tudo ser engolido e consumido pelas chamas. Mas os gritos... Os gritos de sofrimento fariam sua dor de cabeça tornar-se insuportável... Era sempre assim. Inevitável.

    Era só um devaneio... Uma lembrança...

    Não. A resposta era muito mais simples. Se Patrick não podia mais viver ali, bastava ir embora. E era isso que o rapaz queria fazer naquele instante. Dar meia volta, sair daquela sala e passar pelos portões da cidade para nunca mais voltar. Evitava toda essa conversa fiada e manipulativa. Estava claro para o loiro, quando Clarke veio com a parte sobre se redimirem, de que a conversa toda não passava de uma manobra para conseguir quem fizesse o trabalho sujo de graça para Sandford. E parecia que o caso não era muito diferente para o Ranger. O trio tornava-se vítima do homem que começava a revelar suas verdadeiras cores aos olhos do arqueiro.

    O que diferenciava ele do "Doutor"? Patrick não se surpreenderia se descobrisse que Clarke pensava do exato mesmo jeito que ele. Enquanto uns tentam apenas sobreviver, outros estão atrás de muito mais.


    Após Clarke terminar de apresentar todo o seu plano inescrupuloso para as pessoas presentes em seu escritório e virar-se aos sucateiros, Patrick descobriu a cabeça e encarou o líder com o mesmo olhar de predador que antes dirigia à Kelden. Sempre soube que se juntar à Sandford seria um erro. Tinha evitado entrar para a vida de mercenário até então, mas agora alguém estava tentando lhe forçar à isso.

    Maldito velho.

    - Não. - Patrick respondeu ao questionamento do líder - Neste momento, você precisa mais de mim do que eu preciso de Sandford. - continuou, austero, deixando a dor de cabeça de lado para se impor - Por isso, eu não tenho nada para provar.

    Patrick deu às costas para as pessoas que compunhma o grupo que enchia a sala do líder e se dirigia à porta, até que a voz de Nin ecoou pelas paredes e o forçou a parar antes de chegar ao seu objetivo.

    Nin não queria abandonar sua cidade. Patrick deveria ter imaginado. A garota parecia se importar com o lugar. Mas será que ela não via o que estava acontecendo ali? Como estava sendo manipulada e como estava caindo na conversa do velho?

    Patrick ficou parado onde estava. Não sabia mais o que fazer. Não queria fazer o trabalho sujo de Clarke, mas devia demais à Nin para deixá-la nas garras do lobo. Se ele saísse agora a garota provavelmente acabaria aceitando a oferta e... Patrick não achava que ela voltaria viva.

    O rapaz respirou fundo e exalou o ar dos pulmões, deixando os ombros cairem um pouco e perdendo a pose que tinha assumido pouco antes de dar as costas à todos.

    Será que ele conseguiria convencer Nin a viver como uma andarilha? Talvez fosse perigoso demais para alguém que viveu a vida inteira em uma cidade como Sandford. Patrick não sabia o que fazer e acabou desistindo de continuar pela porta de saída. A enxaqueca começava a nublar seus pensamentos. Só restava uma coisa a ser feita.

    Patrick se dirigiu até o Ranger, pegou a garrafa da qual ele estava se servindo antes, derramou a bebida em um copo e bebeu quase todo o conteúdo de uma vez.

    O velho não merecia ter seus pertences mantidos intactos depois dessa reunião.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

    Mensagem por Raijecki em Sab Jul 28, 2018 9:52 am



    Kelden Smith


    Enquanto virava mais uma dose do bom e velho uísque de Clark, Kelden seguia ouvindo aquela hipócrita pessoa despejando asneiras como se fosse o dono da razão.

    Até ali, nenhuma novidade, mesmo não sendo tão velho, Kelden já tinha presenciado muitas quedas de supostos “líderes” – quando não era ele mesmo que puxava o gatilho - que se diziam protetores de sua população enquanto por debaixo dos panos armavam seus planos somente para seus próprios interesses.

    E era exatamente o que acontecia ali, todos os envolvidos eram costurados e presos na teia de planos que Clark vinha montando já há um bom tempo.

    Não que isso importasse muito para o ranger, afinal de contas seu objetivo era somente acabar com a existência de Rust, dar meia volta e retornar para o escaldante deserto do Mojave, para então poder descansar eternamente como um honrado membro da NCR.

    O problema real era que mesmo com toda essas experiências de traumas e rancores, ele ainda era humano e acabava sentindo compaixão para com os outros, mesmo sabendo que no final da história todos acabariam no mesmo lugar, os mortos – se tivessem sorte – enterrados, e os sobreviventes chorando suas perdas como verdadeiros bebês recém-nascidos.

    Ver a angustia daquela jovem garota tendo se humilhar mendigando um perdão como se não fosse ninguém para aquele velho estupido e seu suposto namorado dando as costas para aquela cena fora o estopim para Kelden.

    Por mais que ela não tivesse ido com a cara dele, não poderia deixa-la implorar daquele jeito, enquanto o “sortudo” de seu namorado albino além de aparentar ignorar toda a situação, ainda bebia ao lado dele como se só estivesse esperando o tempo passar.

    - Você deve dar valor para ela enquanto ela estiver viva seu garoto idiota. – Dizia cerrando seu olhar para Patrick. Ninguém mais do que o próprio “Sr. Ninguém” tinham mais autoridade e conhecimento sobre aquele assunto.

    O que ele não daria para poder voltar no tempo e amar as pessoas que ele deveria ter amado.

    Então levantou deixando suas coisas em cima do balcão e caminhou até Nin, segurando seus ombros e a aconselhando para que não agisse daquela maneira:

    - Levanta essa cabeça garota, esse velhote caduco não merece a sua atenção, você é melhor do que isso, pode acreditar.

    Então Clark enfim voltava sua atenção para o ranger, cumprindo a parte de seu acordo:

    Você não é confiável, muito menos parece ser uma adição positiva para Sandford, mas eu fiz um acordo não fiz? - disse se dirigindo a Kelden - Mas eu acho que você vai querer ficar pra ouvir tudo.

    - O tempo vai lhe mostrar que você é que não serve para este lugar, pode apostar. – Encarava Clark como se ele fosse o verdadeiro inimigo de todos ali, enquanto o líder de Sandford continuava com seu sorriso cínico estampado em seu rosto. - Ainda bem que sua filha é melhor do que você. - Dizia se referindo a tentativa de Cheyenne em defender Nin.

    Rust está sob custódia da Rainha dos Raiders faz duas semanas. Eu sei que a Rainha não mata seus prisioneiros, muito menos quem se entrega. Não imediatamente.

    Aquilo realmente era surpreendente. Como diabos Rust havia se entregado para essa tal de “Rainha”? Estavam falando do mesmo monstro? Kelden não podia acreditar no que estava ouvindo.

    - Se entregou? Hum, se você estiver mentindo e eu voltar vivo Clark, eu vou... – Interrompeu a frase ao perceber os olhares de Cheyenne. Talvez fosse melhor não ameaçar seu pai em frente a ela. Clark poderia ser um verdadeiro filho de uma puta, mas sua filha parecia ser uma pessoa boa, não merecia ver aquela cena.

    Os próprios mercenários pareciam ter a mesma opinião sobre Clark, principalmente a moça sniper que lançava olhares raivosos e fechados para o velho. Talvez eles pudessem ser de ajuda mesmo sendo verdadeiras armas de aluguel movidas a tampinhas.

    Respirou fundo e voltou para o balcão a fins de continuar secando as garrafas de Clark. Depois que ele terminava de contar seu plano e perguntava se alguém tinha perguntas, Kelden se atravessava na frente dos outros novamente:

    - Pode começar dizendo quem é essa tal de rainha e onde fica sua base... – Mais um gole, mais um fundo de copo se chocando com a madeira do balcão e o ranger puxava de dentro de seu sobretudo um maço amassado de cigarros. Acendia um deles com seu isqueiro com os dizeres “Fuck Communism” gravados em seu metal inoxidável - que todos os Rangers possuíam - e tragava o cigarro logo em seguida.

    Spoiler:



    - E quero saber tudo o que você sabe sobre Rust, começando em como ele ou ela é, portanto comece a abrir essa boca desdentada logo.
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    Re: Capítulo 1 - Fragmentos e Fantasmas

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      Data/hora atual: Sab Dez 15, 2018 8:21 am