Um fórum de RPG online no formato de PBF (Play by Forum).


    Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Compartilhe
    Leomar
    Mutante
    avatar
    Mutante

    Mensagens : 658
    Reputação : 13

    Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Qui Fev 01, 2018 6:13 pm



    Hélius Flava, a grande estrela amarela de Akaŝa, finalmente brilha no céu de Dafodil depois de dias nublados e de neblina intensa. Próxima ao rio, Nira se senta na calçada, segurando a cabeça entre as mãos.

    As dores de cabeça tinham diminuído, mas ainda vinham de quando em quando, desde aquela fatídica tempestade.

    Dafodil podia ser uma cidade barulhenta, ainda mais nos dias claros. Às vezes Nira gostava disto, mas hoje os barulhos a desnorteiam. Dois meio demônios passam falando Moloke. Um demônio grita com uma escrava em Tautalês. No porto, a tripulação barĵana discute com supostos neĵanas em Sella enquanto mais para frente um grupo de mimadinhos de Akvlando descem do barco "Secóia D'Água" com seus narizes empinados, falando em Palla. No mercado um vendedor de licores de Gaja grita em Krefal enquanto moças de Metilene tentam saber o preço em Esperanto. Alguns fanáticos de Anĝelina gritam palavras de ordem e arrependimento em Yrdok na praça.

    Nira fica em posição fetal, tapando as grandes orelhas esperando que aquele barulho simplesmente pare. Ter orelhas de raposa às vezes eram uma grande desvantagem. De sua bolsa ela pega um preparado de folhas com uma pasta e começa mastigar. O gosto era como se tivesse comendo terra com mato, ou açaí com mato que era quase a mesma coisa.

    Um herbanário de nome Icanor tinha dado a ela a nada palatável mistura mistura de ervas com algo que ela não fazia muita questão de descobrir o que era, apenas mastigava. Icanor trabalhava para la Cour des Miracles, um quarentão de pele negra e sorriso fácil que vinha trabalhando na praça Azirak Fitu (mas conhecida como Praça da Corte) ajudando quase qualquer um que o procurasse. Parecia gente boa, apesar de suas companhias.

    Além das dores de cabeça, Nira tinha algumas câimbras nas mãos e braços que eram uma dor insuportável, tudo desde o dia que foi "apagada" por dois clarões no deserto próximo. Icanor aconselhou potássio contra as câimbras, comer bananas ou água de coco. Nira riu, será que ele tinha noção de quão caro eram bananas em Dafodil? Dizem que em Gaja podia-se comprar uma penca por dois ki-kons, mas em Dafodil uma única banana podia ser vendida por 3 ou 4 kons, e se lhe pegassem roubando o preço pulava para 10 kons, ou a sua cauda, que uma vez ameaçaram corta-la justamente quando estava roubando bananas.

    Então ela se contentava em mastigar o remédio que mentalmente ela imaginava sendo feito de açaí para que seu estômago aceitasse "aquilo". Icanor tinha sugerido que ela voltasse mais tarde à praça, para conversar com um amigo dele, pois as dores poderiam ter origem mágica.

    Magia... Outra coisa que Nira via em Dafodil, mas nunca tinha tido contato direto. A ideia a assustava, embora também seduzia. Sempre fora mais rápida que humanos e demônios comuns, e isto salvou sua pele (e sua cauda) várias vezes. Porém nos últimos dias seus reflexos têm sido incríveis, sua velocidade e ela suspeita que até a inteligência têm crescido. Isto até permitiu que ela executasse alguns roubos mais ousados onde juntou mais joias em poucos dias que em toda sua vida de pequenos delitos.

    Claro que esta velocidade e astúcia cobraram o preço com dores de cabeça e câimbras. Se isto era puberdade, a puberdade doía. Graças aos deuses, apesar de Nira não se ligar muito a eles, que as crises nunca se deram quando elas estava em "uma missão", ou estaria perdida.

    Magia... Será?

    Há quatro dias Dafodil tinha acordado com neblina cerrada. A neblina já era algo que os moradores estavam acostumados, mas quanto mais densa ela ficava, maior era a atividade demoníaca. Ela já tinha VISTO isto antes, mas agora começava a SENTIR isto na pele.

    Os demônios da Necrópole vieram com tudo, queimando e destruindo casas, mandando todos de Dafodil se renderem de uma vez por todas as servos de Ades. Como sempre, la Cour des Miracles contra-atacou. A cidade virou um inferno, pior do que o inferno normal.

    Os soldados da Corte eram menos de 200, os da Necrópole mais de mil. A luta durou apenas um dia e meio, mas pareceu semanas. O final foi um grande massacre.

    Com a vitória da Corte dos Milagres.

    A dor de cabeça cedera finalmente. Nira ainda tinha a gororoba medicinal para mais uma vez. As coisas preparadas por Icanor pareciam funcionar mesmo. Ele e vários outros têm ajudado os sobreviventes da última luta que se empilharam na Praça da Corte e no pátio do Templo de Piro.

    Falando no templo, ela escuta o tradicional toque de didgeridoo (tipo de berrante) que toca todos os dias, três vezes. Deveriam ser quase 11 horas. Como sempre muitas pessoas paravam o que estavam fazendo e iam rezar no templo.

    Nira ainda não conhecia o templo por dentro, mas ele era a construção mais impressionante de Dafodil, com suas linhas nada retas e menos ainda simétricas e ao lado dele a famosa "Torre do Alquimista". Haviam outros templos em Dafodil, para todos os deuses conhecidos e suspeita-se que até para alguns desconhecidos. Mas NADA era como o templo de Piro.

    Nira se levanta e respira fundo, várias vezes. Sim, a dor de cabeça realmente passara. O dia estava até bonito, embora "bonito" em Dafodil era sempre algo bem relativo. A cidade estava ficando pequena demais para a saat. Ela já pensara em deixar a cidade várias vezes, mas nos últimos dias isto se tornou muito forte em seu jovem coração.

    Agora era questão de saber:

    - Por onde você vai começar, Nira Ebony? - Pergunta a si mesma.
    Bubblegum Bitch
    Neófito
    avatar
    Neófito

    Mensagens : 26
    Reputação : 0

    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sex Fev 02, 2018 9:07 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Os dias sempre passaram rápido em Dafodil, embora minha rotina dificilmente seja repetida, o nascer e o pôr do sol aconteciam rápido demais pro meu gosto. Talvez fosse simplesmente ver as mesmas pessoas sempre, esses rostos cansados e presos nesse lugar ao mesmo tempo grande e vazio. Sim, o pensamento de escapar dessa merda passa constantemente por minha mente, tenho raiva do costume das pessoas de se acostumarem com o que tem, de aceitarem qualquer coisa. Sempre tentei ser uma pessoa boa, mas não posso mudar o mundo sentada. Irônico é que todos esses pensamentos ocorrem enquanto permaneço sentada na calçada, sem tomar uma atitude de verdade. Aliviada com a dor de cabeça finalmente me deixando em paz, me levanto, com um sorriso no rosto e pronta para fazer história. Ou não, mas aí tá tudo bem também, nem todo dia é O Dia.

    Ainda tinha cerca de quatro horas antes de precisar estar na armoria, então podia gastar meu tempo com alguma outra coisa por enquanto. Meu turno começa bem tarde se comparado com o trabalho de outras pessoas, por isso acabo não tendo muito problema ao chegar atrasada, mas recentemente tenho pedido muitos dias de folga graças às dores que tenho sentido e prefiro não ter que ouvir reclamações, felizmente meu chefe é um velho bem gentil, talvez um pouco gentil demais. Bom, espero que ele saiba que esse rabinho não lhe pertence e nunca vai pertencer a ninguém.

    Incomodada com o gosto horrível que ainda perambulava todos os cantos da minha boca, resolvo simplesmente me levantar e começar a andar, com a esperança de que um plano do que fazer caia do céu. Pensando bem, tomara que nada mais caia do céu perto de mim, estou bem cansada desse tipo de coisa depois da experiência naquela tempestade.

    Como sempre, meu primeiro plano é ir até o porto conversar com alguns amigos, mas isso completamente destrói aquele meu primeiro plano de acabar com qualquer ato rotineiro. Olha, considerando que eu sempre tenho o mesmo pensamento e falho com ele todos os dias, acho que não tem problema repetir isso mais uma vez.

    *Novamente decepcionando a mim mesma, nenhuma novidade por aqui*

    Após finalmente completar meu raciocínio, começo a caminhar para as docas, agora me perguntando se eles tinham algo para comer ou beber, literalmente qualquer coisa que pudesse disfarçar a terra que ingeri.

    Tiro meu banjo de minhas costas e começo a tocá-lo enquanto ando, cantarolando vários "la--la-lás" sem sentido.
    Leomar
    Mutante
    avatar
    Mutante

    Mensagens : 658
    Reputação : 13

    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Sex Fev 02, 2018 11:06 pm

    Em dias que Hélius Flava brilhava forte, o porto se tornava a parte mais movimentada de Dafodil, competindo com o mercado e os ambulantes.

    Eram navios chegando, navios saindo, navios amaldiçoando outros navios que lhe "roubavam" os espaços para atracar, caixas sendo descidas, caixas sendo carregadas, caixas sendo roubadas, guardas correndo atrás de ladrões, mulheres se oferecendo ao marinheiros, cheiro de tabaco ao lado do cheiro de açafrão e centeio, três grandes "companheiros" dos marinheiros, além do rum e claro, peixe, muito peixe por todos os lados.

    Quase não se viam mulheres ali, fora algumas passageiras e algumas "mulheres com água salgada nas veias". Uma garota como Nira só deveria andar por ali se tivesse nascido naquele meio. Felizmente era o caso dela. Sabia se locomover bem no meio daquele caos de homens suados, caixas, cordas, velas e peixes. Pulava obstáculos, escalava mastros, desviava de pessoas com "problema" escrito nas testas, e não se perdia na confusão de cordas. Muitos com certeza acreditariam que ela tinha água salgada nas veias.

    Os anos ali haviam lhe rendidos alguns amigos, infelizmente alguns inimigos também, mas ela se concentrava nos amigos. Três barcos eram-lhe mais conhecidos: "Esmeralda", "Tartaruga Funda" e a "Nau Bruxa dos Grandes Rios". A Tartaruga Funda estava no porto hoje.

    Antes mesmo de chegar ao navio, Nikol já descia e ia a seu encontro. Provavelmente alertado pelo som do banjo e pela sua voz já conhecida, embora ele certamente diria que sentiu o seu perfume ou que simplesmente seu coração previu que ela viria hoje.



    Nikol era um de seus amigos mais novos. Ele passou fazer parte da Tartaruga Funda há apenas seis meses, enquanto outros marinheiros conheciam Nira desde que ela era "um bebe chorão". Morrer no mar era algo não muito raro, e muitos amigos de Nira já tinham partido, enquanto seus lugares eram preenchidos por nova tripulação. Nikol era um dos muitos órfãos que pedira trabalho nas docas, parecia mais velho, mas ainda não tinha completado os 17 anos, sendo poucos meses mais velho que Nira.

    E desde que a viu, ele se apaixonara por Nira. Provavelmente fosse o fascínio por sua cauda, ela ainda não entendia porque os humanos ficavam tão fissurados assim, apesar de todo preconceito, muitas vezes ela era vista como "um bichinho fofo", o que era irritante, embora algumas vezes útil. Outros simplesmente a viam como uma maravilha exótica.

    - Olha, se não é a mulher mais linda do mundo, vindo demonstrar piedade aos desafortunados com sua bela voz!

    Nikol adorava elogiá-la, mas não era muito criativo, e algumas vezes Nira suspeitava que ele não era muito inteligente também. Sempre dizia coisas como "você é a mulher mais linda do mundo, sua voz é a mais maravilhosa, seus olhos são mais lindos que o oceano, você é mais cheirosa que as sereias, eu amo seu sorriso, daria uma de minhas mãos só para beijar sua boca..."

    Mas ele era um garoto que não oferecia perigo. Ainda não tinha sido endurecido pelo trabalho nos navios, embora como membro mais novo ele sempre pegava os trabalhos mais ingratos e era tratado com rigor. Mas ainda era uma boa pessoa, embora Nira procurasse não beber perto dele.

    Aliás, perto de homem nenhum. Ela era boa com muitas pessoas, e muitas pessoas também eram boazinhas com ela, mas nunca foi ingênua. Não se sobrevive em Dafodil sendo ingênua e uma das coisas que ela nunca fazia era beber demais em um lugar não muito seguro.

    - Minha voz está fraquinha hoje, será que ganho um pedacinho de pão em troca de algumas músicas?

    Ele a acompanha, oferecendo pagar um pão de centeio com açafrão recém saído do forno (especialidade daquele porto) com um pouco de peixe-frito.

    - Um copo de rum para acompanhar? - Pergunta sorrindo. Não era nenhum banquete, mas ela sabia que era o máximo que um rapaz pobre como ele podia oferecer.
    Bubblegum Bitch
    Neófito
    avatar
    Neófito

    Mensagens : 26
    Reputação : 0

    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sab Fev 03, 2018 12:41 am


    nira ebony
    try to catch me !
    Embora muita gente odeie multidões, eu pessoalmente as adoro. Adoro ver tantas pessoas e imaginar tudo que se passa na cabeça delas, é provavelmente uma das únicas coisas que ainda aprecio nessa cidade, a quantidade de sonhos e expectativas que pessoas de todos os lugares do mundo carregam e trazem para cá.

    Fico aliviada ao encontrar Nikol, já que dificilmente conseguiria comida de verdade se pedisse pra qualquer um daqueles carrancudos mão-de-vaca que sequer trocam as esteiras de seus veleiros. É claro que a gentiliza e cantadas do garoto ás vezes me fazem questionar se deveria dar-lhe uma chance, mas eu não tinha tempo para parar e pensar sobre qualquer relacionamento, logo logo estarei longe desse lugar, quem sabe com o meu próprio barco, onde não terei espaço pra namorados. Quer dizer, ele é fofo, mas talvez seja melhor eu levar algum animalzinho comigo, afinal bichos de estimação não te desapontam como pessoas fazem.

    - Vou ter que passar a bebida dessa vez, mas você fica me devendo, kapitano. Só tenta não perder o dinheiro.

    Por algum motivo se tornou hábito chamá-lo de "capitão", talvez seja pela ironia de saber que ele se encontra tão abaixo na hierarquia da Tartaruga Funda. Podemos dizer que ele está bem no fundo.

    Tento evitar conversar muito com ele, ele costuma fazer muitas perguntas e responder elas geralmente faz com que eu me sinta exposta, especialmente as pessoais, que infelizmente são a grande maioria. Enquanto caminhamos, me mantenho na sua frente, tocando uma música mais alegre que o comum, arrancando alguns sorrisos daqueles que me olhavam.

    Espero pararmos para voltar a puxar assunto com Nikol.

    - Tem algum grande plano para hoje, kapitano? Ouvi dizer que os barcos disponíveis para serem larapiados estão acabando, é melhor se apressar.
    Leomar
    Mutante
    avatar
    Mutante

    Mensagens : 658
    Reputação : 13

    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Dom Fev 04, 2018 1:17 pm

    - Tem algum grande plano para hoje, kapitano? Ouvi dizer que os barcos disponíveis para serem larapiados estão acabando, é melhor se apressar.

    - Oxe! Como assim minha princesinha loira? Você sabe que somos Barĵanas* de alta conta!

    Spoiler:
    Em Dafodil, os chamados Barĵanas não eram assim tão famosos ou tão importantes, mas Nira conhecia o termo.

    Em Akvlando, marinheiros que eram conhecidos por uma moral muito grande eram chamados de Barĵanas, eles sempre cumpriam seus acordos, e quando não conseguiam por motivos de acidente ou força maior, buscavam diminuir o prejuízo causado pelo contratante, eles não praticam atividades ilegais como pirataria ou comércio negro nem atividades que mesmo sendo legais são de baixa moralidade, como transportar escravos. Devido esta fama de honestos os Barĵanas podiam cobrar preços mais altos por seus serviços e impor clausulas a seus contratantes. Muitos marinheiros buscam ser conhecidos como Barĵanas por causa isto.

    Já marinheiros que não eram desonestos (ou não eram famosos por isto) mas que a moral era relativamente flexível, aceitando serviços como transporte de escravos, de cargas suspeitas ou de pessoas suspeitas sem muitas perguntas, entre outras coisinhas, eram conhecidos como Neĵanas.

    Os marinheiros que não tinham fama nem boa nem ruim, ou que tinham fama bem ruim (como piratas) não entravam em nenhum dos dois grupo.

    Nira não acreditava muito na "barĵanisse" da Tartaruga Funda, ela joga um pouca de conversa fora, até Nikol começar a soltar a língua.

    - Nós chegamos no porto hoje. Estava ansioso para ver estes seus olhos azuis. Nosso capitão está trazendo algumas encomendas... um pouco mais importantes. Acho que a sorte pode ter sorrido para nós. E se os contratantes gostarem do nosso trabalho, pode ser que ela sorria muito mais para a Tartaruga Funda. Espero em no máximo uns três anos ser um capitão de verdade e então vou ter minha raposinha como esposa. - Ele segura a mão de Nira - Claro que não precisamos esperar tanto, sinto que tudo era melhorar para mim, ano que vem já posso pedir sua mão. Você me dá?

    Nira imagina que "encomendas importantes para pessoas especiais" é um eufemismo para "mercado negro", algo a se esperar da Tartaruga Funda. Nikol obviamente não irá confirmar explicitamente, mas pela forma que ele fala, Nira tem quase certeza que o lance é este.
    Bubblegum Bitch
    Neófito
    avatar
    Neófito

    Mensagens : 26
    Reputação : 0

    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Dom Fev 04, 2018 7:41 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Podia ver no fundo dos olhos de Nikol que seu pedido era sério, porém não consigo evitar achar toda aquela situação engraçada. Me imaginar ao lado dele era com certeza uma ideia no mínimo duvidosa. Por reflexo, minha mão foge da sua e vai até minha boca para abafar um riso frouxo.

    - Você é definitivamente um cavalheiro, Nikol, mas eu gosto de viver minha própria liberdade. Quer dizer, talvez eu acabe mudando de ideia, mas no momento meus planos passam longe de qualquer casamento.

    Por algum motivo sempre tinha encarado a paquera de Nikol como uma espécie de brincadeira, porém agora percebo que é mais séria do que eu pensava. Embora fosse um ano mais nova, me sinto mais madura do que ele e mesmo assim me considero muito inexperiente.

    Por exemplo, tudo que eu gostaria naquele momento era poder jogar terra no rosto dele para distraí-lo e sair correndo para evitar essa conversa, que é o que geralmente faço em situações complicadas, mas duvido que poderia voltar a encarar ele caso o fizesse.
    Leomar
    Mutante
    avatar
    Mutante

    Mensagens : 658
    Reputação : 13

    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Ter Fev 06, 2018 6:03 am

    Um garoto de seus 10-12 anos passa correndo, quase esbarrando em vocês dois, logo atrás outro homem correndo, gritando "pega, ladrão!". Mais um dia típico de Dafodil.

    Nikol sorri ao ser chamado de cavalheiro, até arruma a postura, ficando mais alto:

    - Mas é claro, e tem liberdade maior que Dolĉamaro? - Nome de um oceano de Akaŝa - Eu preciso lhe mostrar. E sinto que você é uma das poucas mulheres que nasceu para a vida nas águas. O que faz de você ainda mais perfeita para mim. Nós dois adoramos os navios, esta vida de cordas, velas, peixes... Posso te levar para ser livre em Metilene, em Jaraŝé, em Foralen, e quando cansar de lá, posso te levar para ser livre em Gaja, conhecer todos os rios azuis como seus olhos. As noites você me esquenta com sua cauda. Depois podemos...

    Não dava para negar que persistência era um de seus fortes. Nira já se preparava para uma "caça à raposa" onde ela óbvio seria a raposa, mas antes de precisar pegar terra para jogar nele, são interrompidos por uma voz potente.

    - NIKOL!

    Era Gamesh, um dos superiores de Nikol.



    - O que diabos você está fazendo namorando uma hora desta em que temos assuntos sérios para tratar?

    Gamesh não era uma pessoa ruim depois que se conhecia, mas era conhecido por estar quase sempre de mau humor e não ser a pessoa mais gentil do mundo.

    - Mas o barco está em ordem, e o capitão disse que faremos as entregas em uma hora e meia...

    - E você acha que não tem nada que fazer nesta hora e meia, que vai ser só jogar as caixas nos ombros e beleza?

    Gamesh também era um dos que achava que deveria "endurecer" Nikol fazendo ele trabalhar dobrado.

    - Vou ter que ir, Nira, mas sempre voltarei para você.

    Ele volta pro navio, cabisbaixo. Enquanto isto bandos de bêbados lotam o porto e as redondezas, buscando sentido pra vida no fundo de garrafas. Mais um dia típico de Dafodil.

    - Estes muleques de hoje são muito folgados. Eu com 13 anos já...

    Nira já conhecia a conversa de Gamesh, ele ia falar como era um bom marinheiro, como trabalhava duro, como passou com perigos onde outros não conseguiriam salvar-se e salvar os navios, como tem uma namorada em cada porto, como conhece os lugares mais remotos do mundo...

    Mesmo nunca tendo saído de Dafodil, Nira é capaz de descrever Narudínia e boa parte da ilha de Metilene só de ouvir as conversas de Gamesh. Seria capaz até de ir do porto de Narudínia até a muito secreta Loja das Almas só com o que já ouviu falar.

    Se bobeasse, ela poderia sair dali sem ele perceber, ir afiar sua adaga perto da Necrópole e voltar e ele ainda estaria falando sobre a diferença de navegar em Dolĉamaro e Larmmaro.

    As ruas laterais tinham se esvaziado após o chamado do templo, de agora até as 13:00 diminuiria bem a probabilidade de se encontrar demônios nas ruas, e muitas pessoas se fechavam nas parcas casas afim de almoçar também, deixando só as ruas principais com algum movimento. Continuava sendo apenas um dia típico em Dafodil.
    Conteúdo patrocinado


    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: Qui Fev 22, 2018 1:55 am