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    Roubando Sonhos (Nira Ebony)

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    Leomar
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    Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Qui Fev 01, 2018 6:13 pm



    Hélius Flava, a grande estrela amarela de Akaŝa, finalmente brilha no céu de Dafodil depois de dias nublados e de neblina intensa. Próxima ao rio, Nira se senta na calçada, segurando a cabeça entre as mãos.

    As dores de cabeça tinham diminuído, mas ainda vinham de quando em quando, desde aquela fatídica tempestade.

    Dafodil podia ser uma cidade barulhenta, ainda mais nos dias claros. Às vezes Nira gostava disto, mas hoje os barulhos a desnorteiam. Dois meio demônios passam falando Moloke. Um demônio grita com uma escrava em Tautalês. No porto, a tripulação barĵana discute com supostos neĵanas em Sella enquanto mais para frente um grupo de mimadinhos de Akvlando descem do barco "Secóia D'Água" com seus narizes empinados, falando em Palla. No mercado um vendedor de licores de Gaja grita em Krefal enquanto moças de Metilene tentam saber o preço em Esperanto. Alguns fanáticos de Anĝelina gritam palavras de ordem e arrependimento em Yrdok na praça.

    Nira fica em posição fetal, tapando as grandes orelhas esperando que aquele barulho simplesmente pare. Ter orelhas de raposa às vezes eram uma grande desvantagem. De sua bolsa ela pega um preparado de folhas com uma pasta e começa mastigar. O gosto era como se tivesse comendo terra com mato, ou açaí com mato que era quase a mesma coisa.

    Um herbanário de nome Icanor tinha dado a ela a nada palatável mistura mistura de ervas com algo que ela não fazia muita questão de descobrir o que era, apenas mastigava. Icanor trabalhava para la Cour des Miracles, um quarentão de pele negra e sorriso fácil que vinha trabalhando na praça Azirak Fitu (mas conhecida como Praça da Corte) ajudando quase qualquer um que o procurasse. Parecia gente boa, apesar de suas companhias.

    Além das dores de cabeça, Nira tinha algumas câimbras nas mãos e braços que eram uma dor insuportável, tudo desde o dia que foi "apagada" por dois clarões no deserto próximo. Icanor aconselhou potássio contra as câimbras, comer bananas ou água de coco. Nira riu, será que ele tinha noção de quão caro eram bananas em Dafodil? Dizem que em Gaja podia-se comprar uma penca por dois ki-kons, mas em Dafodil uma única banana podia ser vendida por 3 ou 4 kons, e se lhe pegassem roubando o preço pulava para 10 kons, ou a sua cauda, que uma vez ameaçaram corta-la justamente quando estava roubando bananas.

    Então ela se contentava em mastigar o remédio que mentalmente ela imaginava sendo feito de açaí para que seu estômago aceitasse "aquilo". Icanor tinha sugerido que ela voltasse mais tarde à praça, para conversar com um amigo dele, pois as dores poderiam ter origem mágica.

    Magia... Outra coisa que Nira via em Dafodil, mas nunca tinha tido contato direto. A ideia a assustava, embora também seduzia. Sempre fora mais rápida que humanos e demônios comuns, e isto salvou sua pele (e sua cauda) várias vezes. Porém nos últimos dias seus reflexos têm sido incríveis, sua velocidade e ela suspeita que até a inteligência têm crescido. Isto até permitiu que ela executasse alguns roubos mais ousados onde juntou mais joias em poucos dias que em toda sua vida de pequenos delitos.

    Claro que esta velocidade e astúcia cobraram o preço com dores de cabeça e câimbras. Se isto era puberdade, a puberdade doía. Graças aos deuses, apesar de Nira não se ligar muito a eles, que as crises nunca se deram quando elas estava em "uma missão", ou estaria perdida.

    Magia... Será?

    Há quatro dias Dafodil tinha acordado com neblina cerrada. A neblina já era algo que os moradores estavam acostumados, mas quanto mais densa ela ficava, maior era a atividade demoníaca. Ela já tinha VISTO isto antes, mas agora começava a SENTIR isto na pele.

    Os demônios da Necrópole vieram com tudo, queimando e destruindo casas, mandando todos de Dafodil se renderem de uma vez por todas as servos de Ades. Como sempre, la Cour des Miracles contra-atacou. A cidade virou um inferno, pior do que o inferno normal.

    Os soldados da Corte eram menos de 200, os da Necrópole mais de mil. A luta durou apenas um dia e meio, mas pareceu semanas. O final foi um grande massacre.

    Com a vitória da Corte dos Milagres.

    A dor de cabeça cedera finalmente. Nira ainda tinha a gororoba medicinal para mais uma vez. As coisas preparadas por Icanor pareciam funcionar mesmo. Ele e vários outros têm ajudado os sobreviventes da última luta que se empilharam na Praça da Corte e no pátio do Templo de Piro.

    Falando no templo, ela escuta o tradicional toque de didgeridoo (tipo de berrante) que toca todos os dias, três vezes. Deveriam ser quase 11 horas. Como sempre muitas pessoas paravam o que estavam fazendo e iam rezar no templo.

    Nira ainda não conhecia o templo por dentro, mas ele era a construção mais impressionante de Dafodil, com suas linhas nada retas e menos ainda simétricas e ao lado dele a famosa "Torre do Alquimista". Haviam outros templos em Dafodil, para todos os deuses conhecidos e suspeita-se que até para alguns desconhecidos. Mas NADA era como o templo de Piro.

    Nira se levanta e respira fundo, várias vezes. Sim, a dor de cabeça realmente passara. O dia estava até bonito, embora "bonito" em Dafodil era sempre algo bem relativo. A cidade estava ficando pequena demais para a saat. Ela já pensara em deixar a cidade várias vezes, mas nos últimos dias isto se tornou muito forte em seu jovem coração.

    Agora era questão de saber:

    - Por onde você vai começar, Nira Ebony? - Pergunta a si mesma.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sex Fev 02, 2018 9:07 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Os dias sempre passaram rápido em Dafodil, embora minha rotina dificilmente seja repetida, o nascer e o pôr do sol aconteciam rápido demais pro meu gosto. Talvez fosse simplesmente ver as mesmas pessoas sempre, esses rostos cansados e presos nesse lugar ao mesmo tempo grande e vazio. Sim, o pensamento de escapar dessa merda passa constantemente por minha mente, tenho raiva do costume das pessoas de se acostumarem com o que tem, de aceitarem qualquer coisa. Sempre tentei ser uma pessoa boa, mas não posso mudar o mundo sentada. Irônico é que todos esses pensamentos ocorrem enquanto permaneço sentada na calçada, sem tomar uma atitude de verdade. Aliviada com a dor de cabeça finalmente me deixando em paz, me levanto, com um sorriso no rosto e pronta para fazer história. Ou não, mas aí tá tudo bem também, nem todo dia é O Dia.

    Ainda tinha cerca de quatro horas antes de precisar estar na armoria, então podia gastar meu tempo com alguma outra coisa por enquanto. Meu turno começa bem tarde se comparado com o trabalho de outras pessoas, por isso acabo não tendo muito problema ao chegar atrasada, mas recentemente tenho pedido muitos dias de folga graças às dores que tenho sentido e prefiro não ter que ouvir reclamações, felizmente meu chefe é um velho bem gentil, talvez um pouco gentil demais. Bom, espero que ele saiba que esse rabinho não lhe pertence e nunca vai pertencer a ninguém.

    Incomodada com o gosto horrível que ainda perambulava todos os cantos da minha boca, resolvo simplesmente me levantar e começar a andar, com a esperança de que um plano do que fazer caia do céu. Pensando bem, tomara que nada mais caia do céu perto de mim, estou bem cansada desse tipo de coisa depois da experiência naquela tempestade.

    Como sempre, meu primeiro plano é ir até o porto conversar com alguns amigos, mas isso completamente destrói aquele meu primeiro plano de acabar com qualquer ato rotineiro. Olha, considerando que eu sempre tenho o mesmo pensamento e falho com ele todos os dias, acho que não tem problema repetir isso mais uma vez.

    *Novamente decepcionando a mim mesma, nenhuma novidade por aqui*

    Após finalmente completar meu raciocínio, começo a caminhar para as docas, agora me perguntando se eles tinham algo para comer ou beber, literalmente qualquer coisa que pudesse disfarçar a terra que ingeri.

    Tiro meu banjo de minhas costas e começo a tocá-lo enquanto ando, cantarolando vários "la--la-lás" sem sentido.
    Leomar
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Sex Fev 02, 2018 11:06 pm

    Em dias que Hélius Flava brilhava forte, o porto se tornava a parte mais movimentada de Dafodil, competindo com o mercado e os ambulantes.

    Eram navios chegando, navios saindo, navios amaldiçoando outros navios que lhe "roubavam" os espaços para atracar, caixas sendo descidas, caixas sendo carregadas, caixas sendo roubadas, guardas correndo atrás de ladrões, mulheres se oferecendo ao marinheiros, cheiro de tabaco ao lado do cheiro de açafrão e centeio, três grandes "companheiros" dos marinheiros, além do rum e claro, peixe, muito peixe por todos os lados.

    Quase não se viam mulheres ali, fora algumas passageiras e algumas "mulheres com água salgada nas veias". Uma garota como Nira só deveria andar por ali se tivesse nascido naquele meio. Felizmente era o caso dela. Sabia se locomover bem no meio daquele caos de homens suados, caixas, cordas, velas e peixes. Pulava obstáculos, escalava mastros, desviava de pessoas com "problema" escrito nas testas, e não se perdia na confusão de cordas. Muitos com certeza acreditariam que ela tinha água salgada nas veias.

    Os anos ali haviam lhe rendidos alguns amigos, infelizmente alguns inimigos também, mas ela se concentrava nos amigos. Três barcos eram-lhe mais conhecidos: "Esmeralda", "Tartaruga Funda" e a "Nau Bruxa dos Grandes Rios". A Tartaruga Funda estava no porto hoje.

    Antes mesmo de chegar ao navio, Nikol já descia e ia a seu encontro. Provavelmente alertado pelo som do banjo e pela sua voz já conhecida, embora ele certamente diria que sentiu o seu perfume ou que simplesmente seu coração previu que ela viria hoje.



    Nikol era um de seus amigos mais novos. Ele passou fazer parte da Tartaruga Funda há apenas seis meses, enquanto outros marinheiros conheciam Nira desde que ela era "um bebe chorão". Morrer no mar era algo não muito raro, e muitos amigos de Nira já tinham partido, enquanto seus lugares eram preenchidos por nova tripulação. Nikol era um dos muitos órfãos que pedira trabalho nas docas, parecia mais velho, mas ainda não tinha completado os 17 anos, sendo poucos meses mais velho que Nira.

    E desde que a viu, ele se apaixonara por Nira. Provavelmente fosse o fascínio por sua cauda, ela ainda não entendia porque os humanos ficavam tão fissurados assim, apesar de todo preconceito, muitas vezes ela era vista como "um bichinho fofo", o que era irritante, embora algumas vezes útil. Outros simplesmente a viam como uma maravilha exótica.

    - Olha, se não é a mulher mais linda do mundo, vindo demonstrar piedade aos desafortunados com sua bela voz!

    Nikol adorava elogiá-la, mas não era muito criativo, e algumas vezes Nira suspeitava que ele não era muito inteligente também. Sempre dizia coisas como "você é a mulher mais linda do mundo, sua voz é a mais maravilhosa, seus olhos são mais lindos que o oceano, você é mais cheirosa que as sereias, eu amo seu sorriso, daria uma de minhas mãos só para beijar sua boca..."

    Mas ele era um garoto que não oferecia perigo. Ainda não tinha sido endurecido pelo trabalho nos navios, embora como membro mais novo ele sempre pegava os trabalhos mais ingratos e era tratado com rigor. Mas ainda era uma boa pessoa, embora Nira procurasse não beber perto dele.

    Aliás, perto de homem nenhum. Ela era boa com muitas pessoas, e muitas pessoas também eram boazinhas com ela, mas nunca foi ingênua. Não se sobrevive em Dafodil sendo ingênua e uma das coisas que ela nunca fazia era beber demais em um lugar não muito seguro.

    - Minha voz está fraquinha hoje, será que ganho um pedacinho de pão em troca de algumas músicas?

    Ele a acompanha, oferecendo pagar um pão de centeio com açafrão recém saído do forno (especialidade daquele porto) com um pouco de peixe-frito.

    - Um copo de rum para acompanhar? - Pergunta sorrindo. Não era nenhum banquete, mas ela sabia que era o máximo que um rapaz pobre como ele podia oferecer.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sab Fev 03, 2018 12:41 am


    nira ebony
    try to catch me !
    Embora muita gente odeie multidões, eu pessoalmente as adoro. Adoro ver tantas pessoas e imaginar tudo que se passa na cabeça delas, é provavelmente uma das únicas coisas que ainda aprecio nessa cidade, a quantidade de sonhos e expectativas que pessoas de todos os lugares do mundo carregam e trazem para cá.

    Fico aliviada ao encontrar Nikol, já que dificilmente conseguiria comida de verdade se pedisse pra qualquer um daqueles carrancudos mão-de-vaca que sequer trocam as esteiras de seus veleiros. É claro que a gentiliza e cantadas do garoto ás vezes me fazem questionar se deveria dar-lhe uma chance, mas eu não tinha tempo para parar e pensar sobre qualquer relacionamento, logo logo estarei longe desse lugar, quem sabe com o meu próprio barco, onde não terei espaço pra namorados. Quer dizer, ele é fofo, mas talvez seja melhor eu levar algum animalzinho comigo, afinal bichos de estimação não te desapontam como pessoas fazem.

    - Vou ter que passar a bebida dessa vez, mas você fica me devendo, kapitano. Só tenta não perder o dinheiro.

    Por algum motivo se tornou hábito chamá-lo de "capitão", talvez seja pela ironia de saber que ele se encontra tão abaixo na hierarquia da Tartaruga Funda. Podemos dizer que ele está bem no fundo.

    Tento evitar conversar muito com ele, ele costuma fazer muitas perguntas e responder elas geralmente faz com que eu me sinta exposta, especialmente as pessoais, que infelizmente são a grande maioria. Enquanto caminhamos, me mantenho na sua frente, tocando uma música mais alegre que o comum, arrancando alguns sorrisos daqueles que me olhavam.

    Espero pararmos para voltar a puxar assunto com Nikol.

    - Tem algum grande plano para hoje, kapitano? Ouvi dizer que os barcos disponíveis para serem larapiados estão acabando, é melhor se apressar.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Dom Fev 04, 2018 1:17 pm

    - Tem algum grande plano para hoje, kapitano? Ouvi dizer que os barcos disponíveis para serem larapiados estão acabando, é melhor se apressar.

    - Oxe! Como assim minha princesinha loira? Você sabe que somos Barĵanas* de alta conta!

    Spoiler:
    Em Dafodil, os chamados Barĵanas não eram assim tão famosos ou tão importantes, mas Nira conhecia o termo.

    Em Akvlando, marinheiros que eram conhecidos por uma moral muito grande eram chamados de Barĵanas, eles sempre cumpriam seus acordos, e quando não conseguiam por motivos de acidente ou força maior, buscavam diminuir o prejuízo causado pelo contratante, eles não praticam atividades ilegais como pirataria ou comércio negro nem atividades que mesmo sendo legais são de baixa moralidade, como transportar escravos. Devido esta fama de honestos os Barĵanas podiam cobrar preços mais altos por seus serviços e impor clausulas a seus contratantes. Muitos marinheiros buscam ser conhecidos como Barĵanas por causa isto.

    Já marinheiros que não eram desonestos (ou não eram famosos por isto) mas que a moral era relativamente flexível, aceitando serviços como transporte de escravos, de cargas suspeitas ou de pessoas suspeitas sem muitas perguntas, entre outras coisinhas, eram conhecidos como Neĵanas.

    Os marinheiros que não tinham fama nem boa nem ruim, ou que tinham fama bem ruim (como piratas) não entravam em nenhum dos dois grupo.

    Nira não acreditava muito na "barĵanisse" da Tartaruga Funda, ela joga um pouca de conversa fora, até Nikol começar a soltar a língua.

    - Nós chegamos no porto hoje. Estava ansioso para ver estes seus olhos azuis. Nosso capitão está trazendo algumas encomendas... um pouco mais importantes. Acho que a sorte pode ter sorrido para nós. E se os contratantes gostarem do nosso trabalho, pode ser que ela sorria muito mais para a Tartaruga Funda. Espero em no máximo uns três anos ser um capitão de verdade e então vou ter minha raposinha como esposa. - Ele segura a mão de Nira - Claro que não precisamos esperar tanto, sinto que tudo era melhorar para mim, ano que vem já posso pedir sua mão. Você me dá?

    Nira imagina que "encomendas importantes para pessoas especiais" é um eufemismo para "mercado negro", algo a se esperar da Tartaruga Funda. Nikol obviamente não irá confirmar explicitamente, mas pela forma que ele fala, Nira tem quase certeza que o lance é este.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Dom Fev 04, 2018 7:41 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Podia ver no fundo dos olhos de Nikol que seu pedido era sério, porém não consigo evitar achar toda aquela situação engraçada. Me imaginar ao lado dele era com certeza uma ideia no mínimo duvidosa. Por reflexo, minha mão foge da sua e vai até minha boca para abafar um riso frouxo.

    - Você é definitivamente um cavalheiro, Nikol, mas eu gosto de viver minha própria liberdade. Quer dizer, talvez eu acabe mudando de ideia, mas no momento meus planos passam longe de qualquer casamento.

    Por algum motivo sempre tinha encarado a paquera de Nikol como uma espécie de brincadeira, porém agora percebo que é mais séria do que eu pensava. Embora fosse um ano mais nova, me sinto mais madura do que ele e mesmo assim me considero muito inexperiente.

    Por exemplo, tudo que eu gostaria naquele momento era poder jogar terra no rosto dele para distraí-lo e sair correndo para evitar essa conversa, que é o que geralmente faço em situações complicadas, mas duvido que poderia voltar a encarar ele caso o fizesse.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Ter Fev 06, 2018 6:03 am

    Um garoto de seus 10-12 anos passa correndo, quase esbarrando em vocês dois, logo atrás outro homem correndo, gritando "pega, ladrão!". Mais um dia típico de Dafodil.

    Nikol sorri ao ser chamado de cavalheiro, até arruma a postura, ficando mais alto:

    - Mas é claro, e tem liberdade maior que Dolĉamaro? - Nome de um oceano de Akaŝa - Eu preciso lhe mostrar. E sinto que você é uma das poucas mulheres que nasceu para a vida nas águas. O que faz de você ainda mais perfeita para mim. Nós dois adoramos os navios, esta vida de cordas, velas, peixes... Posso te levar para ser livre em Metilene, em Jaraŝé, em Foralen, e quando cansar de lá, posso te levar para ser livre em Gaja, conhecer todos os rios azuis como seus olhos. As noites você me esquenta com sua cauda. Depois podemos...

    Não dava para negar que persistência era um de seus fortes. Nira já se preparava para uma "caça à raposa" onde ela óbvio seria a raposa, mas antes de precisar pegar terra para jogar nele, são interrompidos por uma voz potente.

    - NIKOL!

    Era Gamesh, um dos superiores de Nikol.



    - O que diabos você está fazendo namorando uma hora desta em que temos assuntos sérios para tratar?

    Gamesh não era uma pessoa ruim depois que se conhecia, mas era conhecido por estar quase sempre de mau humor e não ser a pessoa mais gentil do mundo.

    - Mas o barco está em ordem, e o capitão disse que faremos as entregas em uma hora e meia...

    - E você acha que não tem nada que fazer nesta hora e meia, que vai ser só jogar as caixas nos ombros e beleza?

    Gamesh também era um dos que achava que deveria "endurecer" Nikol fazendo ele trabalhar dobrado.

    - Vou ter que ir, Nira, mas sempre voltarei para você.

    Ele volta pro navio, cabisbaixo. Enquanto isto bandos de bêbados lotam o porto e as redondezas, buscando sentido pra vida no fundo de garrafas. Mais um dia típico de Dafodil.

    - Estes muleques de hoje são muito folgados. Eu com 13 anos já...

    Nira já conhecia a conversa de Gamesh, ele ia falar como era um bom marinheiro, como trabalhava duro, como passou com perigos onde outros não conseguiriam salvar-se e salvar os navios, como tem uma namorada em cada porto, como conhece os lugares mais remotos do mundo...

    Mesmo nunca tendo saído de Dafodil, Nira é capaz de descrever Narudínia e boa parte da ilha de Metilene só de ouvir as conversas de Gamesh. Seria capaz até de ir do porto de Narudínia até a muito secreta Loja das Almas só com o que já ouviu falar.

    Se bobeasse, ela poderia sair dali sem ele perceber, ir afiar sua adaga perto da Necrópole e voltar e ele ainda estaria falando sobre a diferença de navegar em Dolĉamaro e Larmmaro.

    As ruas laterais tinham se esvaziado após o chamado do templo, de agora até as 13:00 diminuiria bem a probabilidade de se encontrar demônios nas ruas, e muitas pessoas se fechavam nas parcas casas afim de almoçar também, deixando só as ruas principais com algum movimento. Continuava sendo apenas um dia típico em Dafodil.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sex Abr 27, 2018 12:44 am


    nira ebony
    try to catch me !
    Estava prestes a colocar em prática meu plano de fuga quando somo interrompido por Gamesh. Ele geralmente tem o costume de ser inconveniente, mas desta vez não havia hora melhor para aparecer. Ele manda Nikol voltar ao trabalho e não demora para começar a falar sobre seus feitos históricos.

    - Suas histórias são sempre tão envolventes...

    Tento soar o menos irônica possível e espero até perceber que sua atenção não se encontrava mais em mim para desaparecer dali antes que Gamesh pudesse perceber.

    O dia estava apenas começando e por maior que Dafiti fosse, sentia como se conhecesse todos os cantos da cidade. Sem perceber, acabo decidindo ir para o mercado. Na verdade, esperava que algo interessante acontecesse antes que eu pudesse chegar em meu destino e perceber que não tinha motivos para ir até lá.

    Na pior das hipóteses, compraria uma maçã.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Sex Abr 27, 2018 8:21 pm

    Como seria juntar o paraíso e os infernos num mesmo lugar? O mercado de Dafodil às vezes parecia dar uma ideia, com o inferno ocupando maior espaço, porém.

    No mercado você podia achar qualquer coisa que quisesse, e também todas as coisas que não quisesse. A variedade de coisas vendidas era impressionante, de uvas a granel até carroças do tamanho de uma casa, de calcinhas a mapas do tesouro, de produtos de alquimia a joias, tudo era vendido nas ruas.

    E claro, aquele lugar era lotado de ladrões, com seus olhos e orelhas rápidas Nira percebe um garoto de seus seis-sete anos roubando uma manga numa barraca assim que chega perto do mercado. O vendedor também viu o pequeno furto, mas nem se deu o trabalho de correr atrás do garoto miserável.

    Nira aprendeu cedo a sempre deixar itens de maior valor nos bolsos de dentro de suas roupas, e deixar apenas moedinhas de cobre nos bolsos de fora caso fosse emboscada ou cruzasse com um ladrão mais ágil que ela no caminho (coisa que estava sendo cada vez mais difícil).

    Num lugar cheio de ladrões, o que também não falta são vigias. De guardas de clãs uniformizados a pessoas que vigiam apenas uma barraca, passando por moralistas que simplesmente gostam de denunciar e derrubar ladrões pelo simples prazer de vê-los se dar mal. Nira conseguia escapar de todos eles três a cada cinco vezes que pegava algo "emprestado". Atualmente poderia aumentar esta estatística para cinco a cada seis vezes. Apesar de estar mais rápida, estava também mais cuidadosa. A medida que crescia, crescia o risco de sofrer perigos maiores caso fosse pega.

    E enquanto avaliava o mercado (algo já instintivo), Nira percebe que tinha chamado atenção de alguém. Alguém com capuz (algo comum na cidade) parece observá-la de longe. Nira anda um pouco dentro do mercado e a figura anda atrás dela. Mesmo se mantendo longe ela percebeu que ele estava realmente de olho nela, e parecia ser um dos vigias bons, pois Nira só o percebeu pois ela era muito boa também, por enquanto fingiria que não tinha percebido.

    - E aí gostosa, vem cá pro "papai"... - Algum imbecil grita de dentro de um buteco, atualmente ela recebia cantadas todos os dias, outra coisa bem típica de Dafodil.

    Vendedores e vendedoras tentam chamar atenção geral de tudo que é tipo, e o fulano que a seguia continuava atrás, fingindo ver um produto aqui, outro ali...

    O barulho no mercado diminui, e pessoas perto começar cochichar. Aquilo era muuuito estranho em Dafodil. E Nira não demora a perceber o motivo: um par de asas se destaca na multidão.

    Muitos demônios e até meio-demônios andavam em Dafodil com suas asas membranosas, mas asas com penas eram raras. Um anjo estava ali no mercado, a algumas dezenas de metros a frente. Anjos são tão raros aparecer em Dafodil como dinheiro aparecer na minha carteira no final do mês Sad tanto que era a primeira vez que ela via um anjo com os próprios olhos.

    Até então ela tinha apenas ouvido falar que um ou outro anjo foi visto na cidade. Uma vez quando tinha seis anos e aconteceu uma guerra na cidade, e ela ficou debaixo da cama esperando a guerra passar, outra lá pelos doze, também quando a cidade estava travando alguma disputa, e algumas vezes que relatos de anjos aparecem no sul da cidade para despejar exilados de Ajros ali.

    Aquilo não tinha nada a ver com ela, mesmo assim ela não consegue deixar de observar o anjo a pouca distância dela. Ninguém a sua volta não notava a figura "perdida" ali.

    Observações off escreveu:Se quiser tentar despistar o cara que está atrás de você, role 2D10, se a soma der menos de 15, consegue se livrar dele, se der exatamente 15, ainda consegue despistá-lo, mas terá de correr, o que chamará atenção de outros e ficará bem cansada.

    A princípio ele se manterá a distância, TALVEZ ele nem queira problema, mas é suspeito.

    O anjo também parece, a princípio, só estar passando por ali, ainda não demonstrou que percebeu você e é provavel que, se você não interagir com ele, ele também não interaja com você.

    Também é possível interagir com os mais diversos tipos de vendedores, num primeiro momento não precisa rolar nada, a menos que veja algo que realmente lhe interesse (pode descrever o item como quiser) e queira rolar para avaliar ou barganhar (tudo rola 2D10). E possível também falar com pessoas que estejam no mercado, imagine que a diversidade ali é bem grande, a maioria parece apenas pessoas comuns, outras, pelas roupas dá pra ver se pertencem algum grupo (Cour des Miracles, Atemenses, ciganos, marinheiros...) ou se são magos, religiosos, etc.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sab Maio 05, 2018 10:04 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Depois de passar no porto, é refrescante ver a quantidade de pessoas que ainda caminhavam pela cidade. Uma coisa que sempre gostarei em Dafodil são as multidões, pensar que cada pessoa estava ali por um motivo diferente, contendo sonhos diferentes me animava. Não demora muito para uma dessas pessoas se mostrar desagradável, mas após alguns anos socando todas as pessoas que te incomodam, você começa a perceber que elas não valem a pena os calos que deixam nas mãos.

    De certa forma, tinha me acostumado a ser encarada, já que depois de tantos anos aprendi a aceitar que tenho, de fato, orelhas enormes e peludas, mas raramente sou seguida. O sentimento definitivamente me aborrecia.

    Enquanto focava em agir naturalmente até conseguir planejar algo, percebo a presença de um anjo em meio a massa de clientes e mercadores. Me imagino no lugar dele. Mesmo sempre me intitulando como meio-demônio, não era comum termos características animais tão fortes. Noto como as pessoas reagem a sua presença e instantaneamente sinto vontade de fazer milhares de perguntas para ele, mas o que a pessoa de capuz faria se eu simplesmente parasse no meio da multidão?

    Brilhante.

    Me aproximo do anjo, parando em sua frente com uma mão na cintura e uma postura confiante.

    - Perdido, anjinho? Ouvi dizer que vocês são uns demônios entre quatro paredes.

    Não sei se me sentia a raposa mais idiota ou mais astuta do mundo. Era um plano horrível, mas nunca fui muito boa em planos de qualquer forma. Meus pensamentos voavam entre a cantada que havia recebido, o anjo e meu perseguidor, então por que não unir o útil ao agradável?
    Leomar
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Qua Maio 09, 2018 8:17 pm

    R.Oc.
    Obs.: o anjo estaria carregando uma espada, não arco.



    A princípio o anjo olha Nira com raiva nos olhos, talvez pronto para mandá-la para  inferno. Mas quando ele olha pra baixo e percebe quem tinha falado aquilo, fica pensando. Seu rosto passa de raiva para desânimo e ele suspira profundamente antes de falar algo.

    - Pela Virgem*! Você não é nova demais para falar tanta besteira, saat? O que você quer, criança?

    *A Deusa Virgem, uma referência clara à deusa Anĝelina, deusa do ar o protetora dos anjos.

    Enquanto Nira estava falando com o anjo, a pessoa que a perseguia se mantinha longe, Nira quase o perde de sua visão periférica (algo que os anos de gatunagem lhe ensinaram treinar) então pelo menos parte do plano funcionou.

    O anjo, apesar da expressão inicial, demonstrava descontentamento, mas não parecia hostil. Provavelmente sentia pena de Nira, como ele disse, ela era nova demais e provavelmente ele sabia que aquela cidade era dura demais para uma menina como ela. Talvez Nira até conseguisse inspirar alguma simpatia e quem sabe a figura que a estava seguindo desistisse de seu intento (fosse qual fosse) enquanto ela estivesse com o anjo.

    O anjo não falou muito, e certamente não apoia o tipo de linguagem que Nira usou, ainda assim parecia confiável, talvez até um pouco bonito, não podia negar. Todos ouviam histórias sobre a bondade dos anjos, mas também sua religiosidade ferrenha.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Qui Maio 10, 2018 2:24 am


    nira ebony
    try to catch me !
    Certamente não esperava uma resposta diferente e acabo não conseguindo impedir uma curta risada de escapar. A ideia de flertar com um ser santificado definitivamente parecia melhor quando minha maior preocupação era despistar quem estava me seguindo e não atualmente ter que interagir.

    Chego a me questionar o porque de me sentir confortável com o anjo se referindo a mim como Saat depois de tantos anos negando minha origem, mas por algum motivo me sentia segura para permanecer conversando.

    Minha postura imediatamente relaxa assim que volto a falar.

    - Ah, não seja tão grosso comigo, foi só uma brincadeira.

    Finjo uma expressão triste enquanto digo.

    Embora tentasse soar simpática, ainda tomava cuidado para me manter alerta a o que acontecia ao meu redor.

    - Admito que fiquei um pouco curiosa com o que um anjo estaria planejando nas ruas de Dafodil, especialmente porque tudo que sei sobre vocês é que possuem asas e têm um péssimo senso de humor.

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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Qui Maio 10, 2018 8:50 pm

    As pessoas na rua param para ouvir a conversa. Mesmo se houvesse muito o que se fazer em Dafodil, e não havia, as pessoas de lá eram curiosas demais, a boa parte tinha tempo para mexiricar.

    O olhar do anjo estava distante, como se aqueles olhos verdes estivessem lá em Ajros.

    - Certamente jamais viria para cá por vontade própria. "Por quão longos e tortuosos caminhos o dever pode nos chamar!" - então ele abaixa de leve o olhar para lhe enxergar - Perdoe se não tenho motivos para ter um humor agradável aqui. Não tens tu culpa alguma pela cidade em que vive. Apesar de meu desagrado não tenho direito de ofendê-la só porque... (pausa) Bom, não tenho direito de ofendê-la. Seja como for, isto aqui pode ser seu lar.

    Uma comerciante menos discreta, ou mais corajosa que os outros avança para perto dos dois.

    - Ora guardião, um homem tão elegante com tu deves gostar de presentear as belas-damas... Por que não compras um ramalhete para sua namorada?

    Aquilo parece "quebrar o encanto" das pessoas que estavam paradas que nem idiotas olhando, as pessoas começam andar e conversar, já não tão fascinadas pelo anjo, embora as atenções ainda estejam voltadas para ele.

    Nira Ebony perde de vista seu perseguidor, sem conseguir ver se ele desistiu ou só se afastou.

    - Ela não é minha namorada. - diz o anjo irritado - Qual problema de vocês? Não vê que é uma criança? E mesmo que não fosse, que conceito ridículo tendes vós oferecendo flores cortadas como cortejo. Ainda que momentaneamente belas, elas só irão morrer. Se tivessem o mínimo de senso, ofereceriam flores plantadas.

    A vendedora diz alguns palavrões em Trans-Tareno. O anjo volta a andar. Caso Nira resolva segui-lo um pouco, ele não se oporá, embora também não tenha se esforçado em ser amigável, esforçou-se apenas por ser bastante educado.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Seg Maio 14, 2018 12:26 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    A forma como o anjo agia era consideravelmente cômica, criticando basicamente qualquer atitude que lhe parecesse ofensiva.

    Claramente irritado com como a mercadora lidou com minha presença ao seu lado, ele volta a caminhar sem fazer qualquer questão de minha companhia. Pois bem, tendo tempo de sobra para perder e entretenimento ao meu dispor, resolvo segui-lo para encher sua cabeça com mais perguntas.

    - Só para constar, não sou uma criança, tá bom? Além disso, assim como qualquer presente, o fato de você gastar suas próprias moedas com outra pessoa é o que deixa as flores encantadoras.

    Dou uma breve pausa antes de voltar a falar, agindo como se minha presença já estivesse nos planos do anjo.

    - Afinal, para onde estamos indo?
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Seg Maio 14, 2018 8:05 pm

    - Oh, desculpe-me, senhorita, se não sabia que sua raça é uma das que amadurece mais cedo que as humanas! É que de onde venho saats são raras. Sei apenas que ŝëts amadurecem lá pelos dez anos e humanos só aos dezoito e pensei que você seguiria a regra dos humanos. Me diga, já completou os dezoito anos?

    - Não, mas tenho dezesseis, então não sou uma criança.

    - Ah! Dezesseis! Me lembro desta época da infância. Então sou só um pouco mais velho. Farei cento e sessenta dentro de dezoito meses. - Nira percebe que ele dá um sorrisinho irônico de canto de boca.

    (pausa)

    - Eu realmente não entendo a cultura de vocês, e sinceramente acho que jamais vou querer entender. Até porque vejo que a maioria só a aceita por falta de opção. Seja como for, em minha cultura um presente dado com amor não pode ser efêmero. Presentear com ramalhetes seria quase ofensivo! Antes presentear com algo para comer. Ou com um doce, se você fosse criança.

    O anjo ainda tinha um pouco de formal, mas já se mostrava um pouco menos chato (ou não) com a leve ironia sobre a falta de idade de Nira. Ela dá mais uma olhada no mercado, seu perseguidor tinha de fato sumido. As pessoas ainda ficavam encarando, mas ficavam nas delas.

    Nira Ebony escreveu:- Afinal, para onde estamos indo?

    - Estamos indo para... EI!! EU estou indo resolver um assunto muito chato com pessoas perigosas e que gostam de escravizar outras pessoas. Já você não deveria estar na escola? Ou se tiver algum parquinho naquela direção posso te deixar lá para brincar.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Seg Maio 14, 2018 9:35 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Apesar de me ofender com suas respostas, me alegro ao perceber que, embora demonstre do seu próprio jeito, o anjo estava sendo no mínimo amigável.

    - Sua cultura parece legal, é uma pena não ter conhecer muito bem.

    Faço questão de entoar o trocadilho com suas asas com um sorriso no rosto.

    O sorriso permanece quando o anjo cita seu destino. Desembainho uma de minhas adagas, fazendo um pequeno malabarismo com a mesma, que gira uma vez no ar antes de voltar para minha mão.

    - Que divertido! Um fato interessante sobre mim é que brigar por igualdade é o meu tipo favorito de briga. - dou uma breve pausa antes de continuar - Inclusive, respondendo sua pergunta, eu tecnicamente precisaria ir trabalhar logo, mas já que claramente precisa da minha ajuda, ficarei contente em te acompanhar nessa jornada.

    Embora eu considere minha altura "média", sempre a meço contando minhas enormes orelhas, o que na verdade me faz ter basicamente a altura de uma criança. Sou obrigada a apertar o passo para ficar ao lado do anjo.

    - Bom, para seguir nossas tradições inúteis, você agora é obrigado a citar um fato interessante sobre você, Sr... Pássaro? Dizer seu nome não conta como citar um fato, só pra constar, por isso irei revelar que o meu é Nira.

    Na verdade, essa tradição está longe de existir, mas espero que ele não saiba disso, já que minha curiosidade perante o anjo só aumentava.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Ter Maio 15, 2018 7:14 pm

    Se o anjo entendeu o trocadilho, não deu sinais, embora seja bem provável que não entendeu mesmo.

    - Seria uma bênção se pudéssemos levar a cultura de Ajros para outros lugares, mas os missionários que temos nesta empreita ainda são poucos, e os obstáculos muitos. Às vezes tentamos dar alguma ajuda à Igreja Cisne Branco, mas mesmo assim raramente conseguimos mais do que alfabetizar alguns e olhe lá!

    Como muradora de Dafodil, Nira já tinha ouvido da Sagrada Conduta (doutrina de Anĝelina, seguida pelos anjos) e da Igreja Cisne Branco, embora provavelmente não tenha se aprofundado em conhecê-las.

    A Sagrada Conduta tinha dogmas rígidos sobre tudo e seus seguidores eram vistos como fanáticos, uma parte da população de Dafodil e outras vilas da Ilha dos Exilados era formada por pessoas tragas de Ajros que não se adequavam a esta Sagrada Conduta. A Igreja Cisne Branco seguia basicamente a mesma coisa (seja bonzinho, honesto, justo, evite brigas, não use drogas, etc.) mas parecia ser um pouco menos rígida.

    Havia um templo, talvez até dois, da Cisne Branco em Dafodil. Não era o mais popular da cidade, mas haviam boatos que a Igreja era a mais influente de Akaŝa. Eles pregavam uma doutrina pacifista e ajudavam com pequenos trabalhos sociais, como distribuir pratos de sopa aos mais miseráveis (que existiam às pencas na cidade), fazer alguns trabalhos de cura e, já que o anjo falou, Nira se lembra de um ou dois professores que gastavam seu tempo tentando ensinar crianças ou adultos lerem.

    O anjo suspira ruidosamente ao ver Nira brincar com a adaga.

    - Garota, por mais que eu, bem provavelmente, precise derramar sangue injusto em nome da justiça, não há absolutamente nada de "divertido" nisto. É sério, meu caminho provavelmente levará a disputas desagradáveis e perigosas; e ainda que eu acredite que uma garota possa, em tão hostil ambiente, vir a aprender mais cedo do que deveria a se virar sozinha, a última coisa que quero é arrastar uma criança para esta contenda. Não apenas seria irresponsável como seria errado e, se não bastasse, você iria me atrapalhar. Então seja uma boa menina e vá brincar com suas amigas, ou correr atrás de algum rapaz, sei lá o que vocês fazem aqui. Podemos ir juntos até o final do mercado, me disseram que tem um caro que faz gostosas sobremesas com raspas de gelo e suco de frutas, lhe pago uma. Temos um trato?

    Nira Ebony escreveu:- Bom, para seguir nossas tradições inúteis, você agora é obrigado a citar um fato interessante sobre você, Sr... Pássaro? Dizer seu nome não conta como citar um fato, só pra constar, por isso irei revelar que o meu é Nira.

    - Agradeço em se apresentar Lady Nira! Que A Virgem lhe abençoe, e sobretudo lhe dê sabedoria. Sou Lorde Índigo, em seu idioma. Sou um Guardião da Sagrada Conduta em Talula e fui mandado para este... (...) lugar, para investigar e levar à justiça alguns suspeitos de bruxaria que fugiram de Ajros. Suspeitamos que implicações mágicas de grande escala, algo complicado demais, possa ter acontecido aqui com "ajuda" destes bruxos, além disto são suspeitos de raptarem cidadães de Ajros e tratá-los como escravos. Portanto sinto muito, mas não há nada que posse achar "interessante" sobre mim, então não posso responder à sua tradição.

    Lorde Índigo continuava falando de forma rebuscada, aquilo chegava ser engraçado para alguém de Dafodil, cujas grandes orelhas estavam tão acostumadas a palavrões, vulgaridades, ameaças, palavrões, gírias e palavrões. Se Nira tinha achado estranho ser chamada por "senhorita" antes, ser chamada de "Lady" parecia até um deboche, mas o anjo não parecia ter falado com ironia. Ele parecia mesmo deslocado como um peixe fora d'água naquela cidade, ou no caso um pássaro dentro de um aquário.

    Em Dafodil, algumas mulheres que possuíam algum poder, algo que certamente não era o caso de Nira, podiam ser respeitosamente chamadas de "me'danda". Pessoas que mandavam no lugar eram chamados de "senhor" ou "senhora" e normalmente eram pessoas perigosas. Já os que se faziam chamar por "Lady" ou "Lord" eram realmente MUITO perigosos.

    off:
    Bom, até o momento nada muda no mercado. Se aceitar o sorvete que ele propõe, ele irá embora depois e cada um pode voltar a fazer o que ia fazer.

    Caso contrário pode postar sua resposta e reações, mas no final jogue também um lance de iniciativa, é rolado com 1D12. Vou jogar uma aqui também para adiantar.

    Leomar efetuou 1 lançamento(s) de dados (d12.) :
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sex Maio 18, 2018 10:39 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Quanto mais o anjo insistia em me chamar de criança, mais a simpatia que havia criado por ele ameaçava desaparecer, embora suas asas brancas praticamente comprovem sua bondade, sua arrogância camuflada me incomodava.

    - Deixe as raspas de gelo para depois de sua missão, quem derrubar mais bruxos ganha uma sobremesa.

    Posso perceber que minha voz para de se projetar de forma tão amigável, mas de qualquer forma meus dias em Dafodil raramente eram agitados, então a oportunidade de agitar um pouco as coisas me parecia deveras convidativa.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Leomar em Seg Maio 21, 2018 7:07 am

    Nira e Índigo começavam a se irritar um com o outro, mas por algum motivo Nira já não queria deixar de seguir o anjo. Deixa de se preocupar com o seu perseguidor (que já tinha saído do radar) para ir atrás de problemas que nada tinham a ver com ela. Talvez os saats fossem tão estranhos como os humanos eram.

    Índigo lê algo em um papel que levava e observa os arredores, provavelmente conferindo indicações de endereço e vendo se estava no lugar certo.

    - Agora é sério, garota. A partir daqui minha missão fica perigosa. Volte agora. Por favor!

    Eles estavam numa das muitas ruas da cidade que davam param infinitos becos entranhados em um dos muitos morros da cidade. Um "favelão" bem típico de Dafodil. Nira se afasta um pouco, mas não pelo pedido do anjo, e sim por algo que sua visão treinada de ladina percebeu. (off: resultado das rolagens de iniciativa)

    - No telhado! - Avisa Nira.

    - Sério, não tenho tempo p...

    - Você vai ser emboscado! - Ela percebia um arqueiro escondido, já mirando nos dois. Índigo, embora não a leve muito a sério ainda, saca a espada e se volta para onde ela falou, assumindo posição de defesa.

    - Mais um motivo para ir, agradeço o aviso, mas assumo!

    Nira acredita que, apesar de ter assumido postura de defesa, o anjo ainda não tinha percebido o inimigo. E era verdade: uma flecha corta o ar em direção a ele e só então ele percebe onde estava o inimigo. Lord Índigo porém é extremamente ágil e desvia da flecha em frações de segundo, agora encarando seu oponente.

    - Yukaranda topissis meè käh' raidors perike Anĝelin'a! Miputinus ü iókakanáto!

    Até então os dois falavam em Sella, o anjo pára para dar alguma ordem de aviso para seus inimigos em Yrdok, Nira só entende "Anĝelin'a" e sinceramente se pergunta que porra o anjo tá fazendo.

    A intimidação dele parece não fazer efeito, e o arqueiro se prepara para atirar novamente. Índigo levanta voo em direção ao telhado.

    Nira observa rapidamente, a casa em que o anjo parecia olhar como destino era igual quase todas de Dafodil, mas logo percebe um pequeno grupo aparentemente organizado vigiando e observando o anjo e o arqueiro: três pessoas ao lado de uma rua e mais uma do outro lado, além de possivelmente mais gente escondida nos telhados irregulares.

    O tempo dela fazer esta rápida observação é o tempo que Índigo demora para acabar com o arqueiro e fazer nova ameaça para os inimigos.




    off: por enquanto a maioria está preocupada com o anjo e não com você, teve vantagem na primeira rolagem de iniciativa e o primeiro ataque também será certeiro, depois eu faço um mapa de como estará cada um, mas pode já ir planejando algo enquanto está em vantagem.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

    Mensagem por Bubblegum Bitch em Sex Maio 25, 2018 6:40 pm


    nira ebony
    try to catch me !
    Tudo acontece rápido demais. Assim que Índigo parte para atacar o arqueiro, tento localizar todos os inimigos em meu raio de visão e logo que o faço, percebo que o anjo já havia terminado sua luta e estava pronto para a próxima.

    A velocidade com que ele derruba seu oponente me surpreende, então decido aproveitar a atenção que Índigo recebia e deixar o pequeno grupo em suas mãos para atacar aquele que estava sozinho.

    *Ainda bem que ele desconsiderou a proposta da sobremesa.*

    Saco ambas minhas adagas e dou alguns passos para frente na intenção de me aproximar. Arremesso uma das adagas na direção do inimigo e antes de poder dizer se acertei, corro em sua direção. Assim que fico perto o suficiente, deslizo no chão, ficando abaixada para dar um chute em sua panturrilha e derrubá-lo.
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    Re: Roubando Sonhos (Nira Ebony)

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