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    [High School] - Todos

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    ayana
    Samurai Urbano
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    Samurai Urbano

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    Re: [High School] - Todos

    Mensagem por ayana em Qua Nov 07, 2018 10:27 pm

    Ayana Ngozi Adichie

    Era possível sentir a insegurança nos olhares dos amigos, mesmo assim, nenhum deles apresentou qualquer objeção à ideia de invadir uma casa mal-assombrada. Foi melhor assim, a prevalência da Lei do Silêncio. Se Ayana pusesse seus medos para fora, alguém poderia desertar. Poderiam considerá-la uma galinha medrosa, o que significaria um afastamento do grupo, pouco depois de se comprometerem a ficar juntos até o fim.

    - Acho sim que devemos ir à casa. Podemos nos encontrar com Oliver depois da escola e decidir melhor como agir - disse Harriet.

    Uma vez confirmada a missão, ela teve de deixar os medos de lado, juntando todos como uma pilha de roupas sujas jogada em um cesto. Em seguida, ela se levantou e disse com determinação:

    - Se o cãozinho estiver lá, tenho certeza que vamos conseguir resgatar ele! - Ayana bateu continência e logo em seguida o sinal da escola anunciou o início das aulas. Ela foi marchando até o canto da sala e pegou a mochila. - Hora de ir pra aula... - disse com a voz trêmula de um soldado antes do primeiro salto de paraquedas. - Onde é a nossa sala?



    Ayana se sentou em uma cadeira na frente porque sabia que no fundão ficavam os dorminhocos e os bagunceiros. Ela ficou de queixo caído quando viu que foi naquela região que Blake resolveu se sentar. "Achei que ele fosse um garoto inteligente e comportado", o pensamento veio com uma dose de decepção.

    Outras crianças entravam na sala e tomavam seus lugares. "Será que eu estou sentada no lugar de alguém?", Ayana pensou. Mesmo preocupada, sentia vergonha de perguntar. Não queria nem mesmo encarar as outras pessoas. Deixou a mochila no colo e ficou fingindo que estava procurando alguma coisa lá dentro. Seu desejo, na verdade, era conseguir se esconder dentro da mochila, que nem uma tartaruga recolhida em seu casco.

    Quando a professora pediu para a garota se apresentar, ela realmente se sentiu como uma tartaruga, só que colocada com o casco virado para baixo, com os membros tremendo sem a possibilidade de se levantar e fugir. Até que, de supetão, ela saltou da cadeira e se colocou de pé. Era assim que sempre encarava o medo. Com um impulso que nem Deus conseguia precisar de onde surgia. A garota olhou para todos antes de se apresentar.

    - Oi, gente. Eu me chamo Ayana e tenho 10 anos. Meus avós vieram da Nigéria, mas meus pais nasceram aqui nos Estados Unidos, só que lá no sul. A gente se mudou pra Derry quando eu ainda era um bebê. Nessas férias, eu me mudei para uma nova casa porque…

    Ela olhou para baixo, na altura onde estava o colar por baixo da blusa.

    - Eu perdi meus pais no ano passado… - disse com a voz vaga de quem resgata uma lembrança antiga. Logo levantou o rosto com um sorriso tímido.

    - Agora eu ganhei uma família nova que é muito legal! A gente foi em um monte de lugares divertidos e o que eu mais gostei foi quando viajamos pra Bangor. Meus pais queriam ver a casa de um tal de Stephen King. Eu achei que a gente fosse conhecer a casa por dentro, mas me disseram que ninguém pode entrar lá.

    Quando se sentia entusiasmada, a garota falava sem parar, como uma pastora resumindo em minutos a criação do mundo por Deus em sete dias. Além dos detalhes da viagem a Bangor, ela também contou sobre a casa na árvore que construiu com os pais e até sobre os planos de ampliá-la, acrescentando um escorregador ao redor do tronco da árvore. Em momento algum ela deixou subentendido que sua estrutura familiar era diferente da tradicional.

    As apresentações prosseguiram, atraindo sua completa atenção. Ela não se permitiu ceder à curiosidade e encher de perguntas alguns dos colegas, principalmente o garoto que vinha de um país bem distante. Queria saber se havia muitos macacos na cidade onde ele morava, do mesmo jeito que havia muitos esquilos em Derry. Quando Arthur se sentou, Ayana se virou para trás, olhou nos olhos dele e sorriu.

    Um garoto chegou atrasado, com um skate debaixo do braço, fazendo piadinhas. A sala toda riu, portanto ele deveria fazer parte do grupo dos populares. Ayana suspirou. Não gostava de pessoas exibidas. E foi só descobrir o nome dele para sua mente começar a se agitar como um cachorro coçando as costas na areia. De que Thomas, afinal, os amigos estavam falando? Esse era o amigo idiota do Burger ou era aquele outro garoto que ela viu na entrada da escola? E enquanto ela tentava identificar traços de idiotice no garoto, ele soltou uma revelação que fez Ayana sentir um arrepio nas costas.

    - Eu invadi a casa dos SMITH!

    Se a primeira impressão fora negativa, agora Ayana estava admirada por encontrar alguém tão corajoso. Com certeza iria convidá-lo para se juntar a eles na missão depois da aula. Se bem que, como a integrante mais recente do grupo, não pegaria bem convidar outras pessoas sem consultar os outros. Por isso, assim que possível, daria essa sugestão para Harriet, Blake e Jenny.



    Ayana foi correndo se encontrar com os amigos. Estava atrasada porque foi perguntar para o diretor se seus irmãos estavam matriculados na escola. Durante todo o recreio, ela procurou por eles. Ainda que a escola não fosse muito grande, talvez ela apenas não tivesse dado a sorte de encontrá-los; quem sabe, eles ficaram em casa e só viriam nos próximos dias.

    Cumprimentou a todos, ofegante, e se desculpou pelo atraso. Blake foi logo fazendo a pergunta que ela tanto queria ouvir e Thomas confirmou a suspeita de que havia um monstro naquela casa.

    - Se tem um monstro lá dentro, a gente precisa de um bom plano antes entrar. Mas vai ser melhor se a gente conversar isso com o amigo de vocês. Onde fica a casa dele?

    Ela seguiu os amigos em silêncio, mordendo o canto do lábio, olhando para cima como se as boas ideias revoassem sobre sua cabeça. Eram como borboletas; fáceis de capturar quando ficavam distraídas sugando o néctar das flores. Elas nem percebiam que a garota segurava, atrás das costas, uma rede de pegar insetos. Deus, os anjos, arcanjos e santos; os papas, pastores e padres, todos eles reconhecem uma coisa: Ayana era uma notável caçadora de borboletas.

      Data/hora atual: Qui Nov 15, 2018 2:17 am