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    Prólogo: Caminhando Entre Monstros

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    Freak(out)
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    Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Qua Jul 25, 2018 6:18 pm




    Sobre os charcos noturnos ululando,
    entre os negros ciprestes suspirando,
    nos vendavais da noite remoinhando,
    demoníacas formas noturnais;
    contra os galhos desnudos se ferindo,
    junto aos poços estanques estrugindo,
    nas penhas, sobre o mar, repercutindo,
    do desespero as sombras infernais.
     
    Certa vez (ainda o vejo em pensamento),
    antes que se estendesse um céu cinzento
    sobre o meu juvenil atrevimento,
    houve tal coisa como ser feliz;
    o céu que agora é negro refulgia,
    límpido e safirino resplendia,
    mas logo vi que em sonhos é que eu via
    tudo isso – no fatal torpor de Dis*.
     
    Mas o rio do tempo, a transcorrer,
    traz o tormento do desconhecer,
    sempre fugindo, em seu cego correr
    em direção àquele prado arcano;
    enquanto o viajante enxerga aflito
    do fogo-fátuo o fulgor esquisito
    e do petrel maligno escuta o grito,
    a vogar impotente para o oceano.
     
    Asas malignas pelo éter batendo,
    abutres que o espírito vão roendo,
    vultos negros que passam, percorrendo
    eternamente um céu de escuridão;
    contornos espectrais de ida ventura,
    cruéis demônios da aflição futura
    se mesclam numa nuvem de loucura
    e fazem da alma a sua habitação.
     
    Assim os vivos, sós e soluçantes,
    nos amplexos da angústia palpitantes,
    são vítimas das fúrias repugnantes,
    que à noite e ao dia vêm a paz roubar;
    mas para além da dor e do lamento,
    de uma vida de tédio e de tormento,
    há de coroar o doce Esquecimento
    tantos anos de inútil procurar.

    – Desespero, de H.P. Lovecraft.


    O anoitecer chegou emparelhado com uma chuva fria que, embora não fosse nenhuma tormenta, não deixava de ser desagradável para quem transitava pelas ruas estreitas e cheias de dejetos humanos e animais que eram arremessados, sem nenhuma cerimônia, pelas janelas. Os últimos comerciantes fechavam suas lojas e a grande maioria deles simplesmente se recolhia para o andar superior do estabelecimento, já que moravam no mesmo local onde trabalhavam. Logo não havia ninguém, a exceção da guarda da cidade, separados em trios, transitando pelas ruas  portando candeeiros e espadas curtas. A maioria patrulhava a pé, embora alguns entre eles preferissem prosseguir à cavalo.

    A chuva não aumentou sua força, mas um vento começou a soprar furioso. Para aqueles que se distanciavam o bastante, indo cada vez mais próximos dos portões, era possível ouvir o coaxar dos sapos nas águas e os uivos horripilantes de lobos nas matas, dando a impressão que ora estavam muito perto, ora muito distante.

    Um dos guardas parou diante dos portões por um momento, quase como hipnotizado pelos sons naturais e selvagens que ecoavam na noite e se propagavam pelo vento – sons estes, que em sua maioria, eram considerados agourentos ou malignos de alguma forma. Mesmo com o barulho do cavalo se aproximando, ele não se dignou a sequer virar o rosto.

    – Rámon? – chamou o guarda sobre a montaria. – Que se passa?

    – Não sei… Tem algo estranho lá fora. Alguma coisa que faz um calafrio percorrer minha espinha.

    – Lobos? Sapos? Que infernos te deu, homem? Agora vai se acovardar por causa de ruído de animais?

    – Não são os animais. Tem algo lá fora… Não consigo ver, mas sei que tem. Às vezes tenho uma impressão estranha, como se vultos negros contornassem os muros, espreitando dos ermos, do outro lado do rio…

    – Já chega disso – disse o cavaleiro, visivelmente incomodado. – Vamos beber um vinho, rezar uma ave-maria e então retomamos a patrulha. Os outros podem cobrir nosso intervalo.

    E então os dois guardas se afastaram, novamente adentrando cada vez mais a cidade, sem se darem conta que realmente algo estranho acontecia. Algo invisível os espreitava a distância e não estava sozinho.

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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 12:04 pm

    Reserva de Sangue Inicial (1d10)


    Machiavelli (Raphael)

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    Kraven (Mitzrael)

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    Beaumont (Beaumont)

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    Luna (Black Thief)

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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 12:54 pm


    Noite 1…

    A noite havia caído recentemente. Ainda era possível ver as pessoas transitando, recolhendo-se para suas casas. Os últimos estabelecimentos, com exceção das tavernas e hospedarias, estavam prestes a fechar. Estava frio e o céu estava encoberto. Tudo indicava que ia ser mais uma noite de inverno – miserável e ainda mais escura do que o habitual. Como se não bastasse, uma maldita garoa fina começou a cair, realçando o frio  de uma neblina densa que se espalhava por toda a cidade e os ermos que a rodeavam.  Em breve, nada restaria nas ruas, a não ser a guarda habitual que, em parte a pé e em parte montada, faria sua penosa e rotineira patrulha pelas ruas estreitas, praças e construções de porte majestoso, onde nenhum plebeu jamais entrou em sua vida.

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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 12:54 pm

    Luna (Black Thief)

    “É um alívio para o desgraçado ter companheiros de infortúnio.”
    – Virgílio.

    Como sempre, os guardas a questionaram, no tom grosseiro e preconceituoso de sempre. Ela então, depois de responder as perguntas habituais, estava dentro da cidade, se misturando a uma multidão cansada e mal cheirosa que andava para cima e para baixo, cobiçando nada além de comida e uma cama para dormir.  Estavam tão exaustos que sequer a encaravam com desconfiança, tampouco cochichavam entre si, daquele jeito nada discreto, como era o costume.

    Observação em Off:
    Você não está portando suas armas; ao menos não de uma forma que todos vejam, pois isso causaria problemas e chamaria muito a atenção. Você pode considerar que as carrega de forma oculta, como em um baú. Caso contrário, vou considerar que você as deixou em algum lugar antes de cruzar os portões.


    Ela conduziu-se, usando como guia suas lembranças como um mapa. Se lembrava bem daquelas ruas. Na verdade agora se lembrava melhor do que nunca. Sabia onde ficavam as tavernas, hospedarias, casas nobres e  as igrejas que costumava frequentar com o pai aos domingos. Ela sequer sabia o porquê de estar caminhando naquelas ruas. Na verdade, ela não sabia quase nada depois do que aconteceu da maneira que aconteceu. Ela tinha que se virar e ser cuidadosa, agora que vivia sozinha em dois mundos.

    Ela então parou na praça. Diante dela havia a grande biblioteca. À esquerda, a hospedaria El Gran Lobo parecia animada e cheia de gente. À direita, o sombrio Monastério de São Dominique de Silos parecia pouco convidativo, pouco iluminado e com certa hostilidade no ar.

    O que ela fazia ali, afinal de contas?


    Observação em Off 2:
    Vamos começar com uma jogada livre. Fique à vontade para interpretar.


    Resumo:
    Reserva de Sangue Inicial (1d10): 6
    Força de Vontade: 07/07
    Vitalidade: Ok.
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 1:23 pm

    Beaumont (Beaumont)

    “'Fui eu que o fiz', diz a minha memória. 'Não posso ter feito isso', - diz o meu orgulho e mantém-se inflexível. Por fim - é a memória que cede. “
    – Nietzsche.

    Teste de Auto-Controle (Dif. 9)

    Freak(out) efetuou 3 lançamento(s) de dados (d10.) :
    9 , 4 , 1

    Monastério de São Dominique de Silos, Toledo, Reino de Castilla...

    Beaumont estava deitado, com a cabeça no seio dela. Lady do Luar acariciava seus cabelos, ostentando um doce sorriso em sua face impecável. Era possível ouvir uma melodia doce de alaúde. Estava distante, mas era bonita. Quem quer que fosse o trovador, era habilidoso.

    – Um momento, meu amor. Deixe-me te mostrar algo, sim?

    Lady se levantou e foi se afastando aos poucos da cama. Seu belo corpo nu e pálido era algo realmente magnífico de se contemplar. Mas então Beaumont percebeu algo estranho. Ele não conseguia ver nada, além da cama. Havia uma espécie de luz que criava um círculo ao redor da cama, com uma extensão de, no máximo, três metros. Além disso, apenas trevas por todos os lados. Ele então viu Lady entrar na penumbra, desaparecendo por completo. Quando tentou se levantar, percebeu que estava acorrentado e não conseguia se mover.

    Lady retornou com o mesmo sorriso doce. Agora ela tinha um colar em seu pescoço que ele não conseguia ver bem como era, pois sua visão estava agora começando a ficar turva. Ela aproximava cada vez mais o rosto do dele, mas mesmo a visão de sua face agora não lhe causava bem estar. A sensação de paralisia lhe causava cada vez mais desespero e, quando finalmente Lady estava prestes a beijá-lo, uma luz verde e ofuscante brilhou por todo o seu corpo e, naquele instante, não havia mais Lady. No seu lugar havia um lupino de pelagem cinzenta. Ele urrou e avançou em uma agilidade espantosa, abrindo seu maxilar extremamente avantajado e mordendo o rosto do malkaviano. Beaumont gritou, e seu gritou ecoou nas várias camadas de sua mente, em um estado de agonia que combinada a impotência da paralisia com o fato de estar sendo devorado. No fim, uma risada diabólica, de timbre grotesco, coou fraca e reticente, até que sua consciência se apagou por fim.

    ___________________________________________________________________

    Em seu quarto, que era mais como um porão, Beaumont despertou. Seu corpo tremia, sua visão ficava turva e suas presas inconscientemente se alongavam. Ele gritou. Não foi um grito humano, como carregado de agonia ou tristeza, mas foi um grito bestial, gutural, carregado de uma raiva instintiva e irracional, um ódio primordial que exalava a maldição divina. Beaumont, ergueu-se. Inconsciente, agora era apenas um canal para a besta. Canalizando sua cólera e natureza, ela se levantou triunfante. Na falta de carne, seja viva ou seja semi-viva, cadeiras, mesas, livros, penas, tinteiros e tudo o mais o que era inanimado foi alvo de sua fúria. A balbúrdia que se iniciou dentro do pequeno alojamento subterrâneo do malkaviano foi assustador.

    Levou um tempo para que a sua consciência entrasse em sincronia com sua carne morta mais uma vez. Quando finalmente voltou a ser quem era, expurgando seu lado bestial do controle carnal. Sua boca salivava e seu estômago ardia, como se um ferro em brasas tivesse empalado suas entranhas. Que diabos aconteceu? Ele não estava com fome quando se recolheu para o seu sono diurno. E, além disso, que diabos foi aquele sonho, se é que foi um sonho...

    Enquanto segurava seu ventre, se retorcendo em dor e fome, Beaumont pôde ouvir passos apressados. Alguém se aproximava, e isso, depois do recente acontecimento, seria problema.

    Resumo:
    Reserva de Sangue Inicial (1d10): 1
    Força de Vontade: 07/07
    Vitalidade: Ok.
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 1:26 pm

    Kraven (Mitzrael)

    Teste de Instinto (Dif. 9):

    Freak(out) efetuou 2 lançamento(s) de dados (d10.) :
    4 , 3
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 1:41 pm

    Kraven (Mitzrael)

    “De todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar.”
    – Platão.

    Foi com um urro que o monstruoso matador despertou. O urro, carregado pela fome do organismo amaldiçoado, ecoou pelas matas fazendo os pássaros voarem e incitando os lobos a se juntarem ao som inumano com suas melodias lamuriantes de uivos.

    Não houve resistência. A natureza do morto-vivo, que sempre espreita, aguardando uma chance de dominar, lhe tomou a mente e o coração. Não lhe tomou a alma apenas, pois esta está reservada a deus ou ao diabo.

    Saltitando e gritando por todos os lados, a criatura chamada Kraven, ainda mais irracional do que nunca, entrou em territórios onde a mata era densa, sem se dar conta dos perigos que ali poderia haver. Foi entre clareiras e colinas, quedas d’água e rios que ele investiu, até que finalmente sua persona, em luta interna com o hospedeiro maldito chamado de A Besta, conseguiu regressar, vencendo a batalha momentaneamente.

    Suas entranhas queimavam. A sensação da fome era terrível e constante. Algo havia acontecido durante seu descanso diurno naquela gruta, pois se lembrava de que não estava faminto quando se lacrou dentro daquele lugar de penumbra, onde o sol não podia alcançar. Agora ele não sabia onde estava ou o que tinha feito. Não via nenhum sinal de sua serva. A única coisa que via eram muros. Muros de uma cidade chamada Toledo.

    Observação em Off:
    Você ainda está com fome e pode perder o controle a qualquer momento. Você está a cerca de dez metros dos portões da cidade e não há sinal algum de Kayra, tampouco há sangue em você, apenas terra, gravetos e folhas secas.


    Resumo:
    Reserva de Sangue Inicial (1d10): 2
    Força de Vontade: 08/08
    Vitalidade: Ok.
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 1:52 pm

    Machiavelli (Raphael)

    Teste de Percepção+Prontidão (Dif. 9):

    Freak(out) efetuou 5 lançamento(s) de dados (d10.) :
    7 , 3 , 6 , 6 , 1
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Sab Jul 28, 2018 1:52 pm

    Machiavelli (Raphael)

    "[...]é bom ser e parecer piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso; mas é preciso ter a capacidade de se converter aos atributos opostos, em caso de necessidade."
    – O Príncipe, Nicolau Maquiável.

    Machiavelli acordou em sua "casa de entretenimento", como era conhecido, na boca das massas, seu refúgio e local de trabalho. Embora não fosse uma sensação desesperadora, seu organismo lhe dizia, através de um desconforto constante, que ele precisava se alimentar. Já fazia um bom tempo desde que se alimentara pela última vez. Não era sábio fazer nada com fome. Isso valia até mesmo para um mortal, e Machiavelli estava longe de ser um tolo. Muitas ideais e planos podiam surgir nessa noite em particular, mas a tentação e necessidade de vitae falava primeiro e mais alto do que todas as outras coisas.

    Observação em Off:
    Como você tem um bom autocontrole, sua pontuação baixa de sangue inicial não vai fazer você correr risco de entrar em frenesi, no entanto essa situação é desconfortável e só tende a piorar. Essa jogada é livre, e você pode interpretá-la como quiser.

    Resumo:
    Reserva de Sangue Inicial (1d10): 4
    Força de Vontade: 03/03
    Vitalidade: Ok.
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Black Thief em Dom Jul 29, 2018 12:10 am



    Trilha Sonora:


    A noite está fria, mais do que o de costume pois o inverno está chegando, não... Na verdade ele já chegou. Todos eles podem expirar o ar condensado que saía de dentro de seus corpos quentes, menos a jovem menina morta que se misturava à eles como um deles. Ela usava o seu manto que lhe cobria tudo, inclusive o arco, a aljava e a faca de caça, com a noite fria era fácil justificar tanta cobertura, além disso todos estavam cansados, com fome, até mesmo os guardas não deveriam estar com o melhor humor para serem minuciosos e isso era um alívio para a menina sem alma.

    Não adiantava mais rezar todas as noites como fazia antes, Ele não a ouviria mais, não a veria mais, talvez nunca viu ou ouviu, por isso o Diabo deve ter levado sua alma e largado o seu corpo. Se Deus tinha um propósito para todos, isso dava a entender que o Diabo também tinha e por isso a largou daquele jeito? Essa possibilidade a assustava mas se tivesse sorte o Diabo a deixaria em paz e esquecida, assim como Deus fizera.

    Luna veio com a multidão, estava imersa nela, ninguém ligava para ela, ninguém a espiava e era por isso que tinha escolhido uma trupe cansada que não estaria interessada em mais nada além de repouso, pão e vinho para entrar na cidade novamente, não podia mais ficar na floresta, era perigoso demais haviam coisas que antes não via, mas agora sendo uma delas, era tudo que via.

    "Cuidado com a sua própria espécie; estão em todo lugar."

    Repetia-se novamente em seus pensamentos, tentava olhar discretamente para o rosto de cada um, imaginando e temendo que outro tivesse tido a mesma ideia que ela. Com medo de topar o olho com mais algum deles, ela parou imediatamente e voltou-se para frente da mesma forma discreta e fingiu estar cuidando de sua própria exaustão. Os guardas os pararam, Luna já esperava por isso e eles faziam perguntas a todos, até mesmo à garota de manto grande que tentava simular estar com frio e respondia de forma submissa e inocente a todas perguntas grosseiras para uma mulher sem pai ou marido. Eles eram rudes, a tratavam não muito melhor que um animal que sabia falar mas Luna já era acostumada com isso, a vida inteira fora assim, porque hoje seria diferente? Elas apenas assentia ao guarda e ele a deixava passar junto com o resto do grupo de pessoas com ela.

    Eles seguiam e os grupos se dispersavam, cada um indo para o seu devido lugar. Luna conhecia bem aquelas ruas, aquela cidade, conviveu com ela todos os domingos santos e outros dias que precisou também ir com seu pai para trocar carne e pele de animal por algo que os ajudasse a viver melhor. A garota não se alimentava a algum tempo e sabia que talvez logo a fome viria.

    "Cuidado com a falta de sangue; será dominada pela fome."

    Não podia deixar que a fome tomasse conta do seu ser, não sabia o que se tornaria se deixasse, e era tão difícil controlá-la... Por sorte Luna nunca foi uma pessoa impulsiva com nada, sempre foi paciente e de um temperamento muito calmo e não fosse por isso talvez tivesse deixado se levar por... Alguma coisa sombria dentro de si, e ela acreditava que era o Diabo tentando tomar conta do seu corpo agora que ela não possuía alma, e como ela não possuía mais alma não sabia se era sua própria força de vontade que mantinha o Diabo longe de possuir seu corpo vazio, talvez fosse isso mesmo e isso a fazia ter esperança de que não precisava de Deus se ele não a queria mais como filha, e então repensou que se era assim então o Diabo não havia a esquecido como ela torcia para que acontecesse. Quando tomou o sangue daquele homem na cabana fez isso por um misto de raiva e egoísmo, sabia que beber sangue era algo profano e medonho, mas o desejo lhe era muito natural, como olhar para a água quando se está com sede e quando é assim a ideia não lhe parece tão absurda, ela apenas aceitou e o ressentimento de ver o homem que hostilizou seu pai sofrer era algo real também então não pode dar a desculpa de que o demônio possuiu seu corpo, ele estava lá naquela noite, isso era certo, mas fora ela quem fizera aquilo e não o demônio. Arrependida ela procurou amparo na igreja e foi então que sentiu que não era mais bem vinda lá.

    Foi ficando mais fácil de aceitar isso com o tempo, ela caçou animais na floresta a maior parte do tempo, isso ajudou ela a saber dosar quando estava secando uma vida e assim agora era confiante para se alimentar de pessoas sem matá-las. Ela não podia viver só de animais porque o sangue dos animais não a satisfazia e então o demônio continuava a tentar tomar-lhe o corpo.

    "Cuidado com a falta de sangue; será dominada pela fome."

    Tomou sangue de pessoas, tentou se passar por um animal selvagem e conseguiu, na maior parte dos casos, desacordando-as e bebendo delas dormindo, e como se o diabo tivesse pensado em tudo para os corpos sem alma, lamber a ferida apagava todo sinal de ataque demoníaco nas pessoas, e isso só aumentava o assombro e ajuda a crer que tudo aquilo era profano, tudo aquilo era mal, tudo aquilo era contra as leis da natureza que Deus tinha criado, mas Luna não tinha escolha, fora abandonada por Ele então ela tinha que sobreviver pois se seu corpo fosse destruído, agora que não tinha mais alma, morria de medo do que lhe viria depois da morte.

    Luna então viu-se sozinha na noite, a guarda estaria para começar a circular o toque de recolher, mas talvez Luna tivesse ainda algum tempo sem ter que ficar se esgueirando para não ser pega por eles e dar explicações do porque uma mulher sozinha, sem pai ou marido estava perambulando pelas ruas sem propósito. A garota via a biblioteca, um lugar que era praticamente proibido para as mulheres, Luna não sabia ler nem escrever, esse era um privilégio para os nobres e para o clero, Luna nem sabia se pelo menos era permitido às mulheres nobres lerem e escreverem com pelo menos a permissão de seus pais ou maridos, o que era muito triste... Luna nunca pegara num livro antes e sua curiosidade se acentuou mas também ficou com medo de ser pega. Ela olhou então para a hospedaria El Gran Lobo, tinha muitas pessoas lá, talvez fosse o primeiro lugar a ser evitado por agora e depois o local em que Luna jamais poderia por os pés, o monastério, não porque era mulher, mas porque tinha medo do que poderia lhe acontecer se entrasse em solo sagrado novamente, se sofreria, se morreria, se seria denunciada para toda a cidade como uma pessoa sem alma talvez pertencente ao demônio. Aquele lugar lhe botava medo, mas talvez fosse justamente porque o mal não pode entrar na casa de Deus, talvez fosse por isso que esse monastério lhe parecesse tão assustador.

    A garota estava na praça, sozinha... Sem nenhum propósito existencial além de sobreviver o máximo que puder... A garota talvez tivesse algum tempo, ela estaria a caminhar só até saber que o horário ainda lhe seria permitido, depois disso ela sabia que precisaria... Beber... Novamente e tinha um plano, um plano repulsivo que lhe dava nojo e a fazia sentir-se suja e com a honra ferida, isso se ainda lhe houvesse alguma honra, mas para sobreviver, ela topava tudo.
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por John Milton em Dom Jul 29, 2018 8:59 am

    A noite se assoma mais uma vez.

    Os predadores saem de seus covis, prontos para a caça, na busca do alimento que os sustentará.

    Tal qual um animal, Machiavelli desperta.

    A Besta, bem encarcerada pelo auto controle do Ventrue, se faz presente lembrando-lhe da Fome e da falta de seu Carniçal Merovingio.

    O Lacaio sabia que seu Senhor acordaria com fome e era sua função separar umas das meretrizes do estoque do Cainita.

    A Besta agrilhoada faz com que o Sangue Azul levante, mas seu treinamento o lembra que, se o Carniçal falhou, algo de estranho pode ter ocorrido naquela manha que anteviera seu acordar.

    Atento a tudo a sua volta, Machiavelli se veste para descobrir o que acontecera e se alimentar
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Beaumont em Seg Jul 30, 2018 11:25 pm



    Ser uma criatura da noite, era como ser amaldiçoado com um dom. O mal e o prazer conviviam no seu amago noite a pós noite. Tudo o que você faz, o que você o que você domina é em função da besta que você precisa saciar, não existe um momento que seja que eu não escute o sussurro singular da fome me pedindo cada vez mais para saborear o gosto precioso do liquido da vida humana e quanto mais se prova mais se quer. Sinto como se cada vez mais Beaumont se tornasse o meu verdadeiro eu...Eu sei que fui alguém no passado, mas esse alguém era tão...humano que sequer vale a pena perder o meu tempo com lembranças, minha vida apenas se remete a mante-lo vivo pelo único motivo que eu não posso deixar a besta vencer, se ela vencer. Tudo o que eu quero, eu irei perder, e tudo o que eu quero... É ela...

    Spoiler:

    Quando eu acordei, eu estava só mais uma vez, entre meus devaneios de vida e morte, alma e corpo se intercalavam na luta secular eterna que eu tenho de controlar essa fera que alimenta o meu ódio. Eu estava em um porão, eu esmurrei a mesa com toda a força e depois a ergui para dispersar meu ódio, havia fome do vício pelo Vitae, eu estava fraco, não conseguia pensar direito, queria Lady...Queria o seu sangue delicioso e quente escorrer pela minha garganta, eu bradei seu nome, uma, duas e até três vezes, mas foi em vão. Foi quando Derrepente !...

    Beaumont : - Alguém ?

    Minha mente viajava como que por intensamente clamando pelo sangue de minha senhora, ou quem sabe o sangue fértil de um ingenuo mortal desavisado. Eu sabia que me alimentar de maneira negligente era como tomar um gole da mais ardilosa e mortal cicuta do reinado, mas eu não conseguia me controlar. saltei como um predador para próximo da entrada, nada fazia muito sentido, meus pensamentos se intercalavam com o sonho que tivera na outra noite, meu olho piscava como um tic, era o vício que se apoderou de mim e não me permitia pensar mais direito...quero sangue...quero sangue...quero sangue...Esperava em um angulo que não pudesse ser visto de primeira, queria pegar o alvo desprevenido, queria lhe rasgar o pescoço e provar de todo o seu sangue... sangue...quero sangue...
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por mitzrael em Ter Jul 31, 2018 12:20 am



    << Maldição onde estou ? a sede me dominou novamente isso tem acontecido com mas frequencia , aquela maldita mulher
    Por Crom irei mat-la e beber o sangue dela e cuspila do alto de uma montanha . >>falando em Teutônico


    Mas onde eu to agora isso e uma maldita cidade , Kraden odeia cidades , o seu cheiro ficor mas forte depois que foi senteciado ,
    sinto cheiro da podridao e escuto os pes arrastando de tanto acomodamento desses vermes que se portegem em suas grandes muralhas , se minha familia ainda estive se de
    pé variamos essa cidade virar por e comeriamos cada mulher e fariamos uma grande fugueira com esses homens corvades .

    << Mas falando em mulher , cade aquela mulher fraca ? não acredito que a perdi ? merda merda , melhor ver se ainda tenho tempo pra me alimentar essa cidade parace ser um bom lugar pra isso quem sabe acho uma pra ser minha escrava kkkkk >> falando em Teutônico

    Kradem dava um gargalhada abavad apor sua mascara e começava a subir as parades usando seus machados e sua força de seus braços .
    Kraden usava a escudirao para o deixar escondido e quando chega se no fim do muro veria se tinha algum guarda .

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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Ter Jul 31, 2018 6:07 pm

    Luna (Black Thief)

    Enquanto caminhava a esmo, se misturando entre os habitantes, analisando os possíveis locais que se apresentavam para ele, um dos falatórios que se misturavam entre as fofocas e conversas fiadas dos transeuntes foi a seguinte:

    Cidadão Qualquer escreveu:-- Ficou sabendo? O velho tolo, Emerico, está oferecendo uma quantia grande de ouro para quem o ajude com um serviço, ao mesmo tempo que muitos que se ofereceram foram recusados sem motivo aparente. Esse velho estúpido nunca fez sentido e deve ser alguma brincadeira de mau gosto dele.

    Luna por um momento refletiu sobre o nome Emerico, mas por alguma razão não conseguiu se recordar quem era Emerico, embora algo lhe disesse que se tratasse de alguém razoavelmente conhecido entre o povo de Toledo.

    Algo lhe chamou de volta de seu estado introspectivo, e não foi o esbarrão que um homem alto lhe deu enquanto gritava "Andando, mulher!". O que realmente chamou sua atenção foi um casal embriagado que deixava a hospedaria aos risos, enquanto falavam alto e de forma embolada sobre coisas que pareciam fazer pouco ou nenhum sentido.

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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Ter Jul 31, 2018 6:18 pm

    Machiavelli (Raphael)

    Ele deixou o seu quarto, ainda com o estômago queimando e dando pontadas. Assim que cruza a porta, ele percebe que o movimento do seu estabelecimento continua forte. Em cada canto haviam meretrizes seduzindo clientes, fossem eles homens ou mulheres, muito jovens ou muito velhos. Alguns bebiam, muitos riam e a grande maioria já se dirigia com a alguma garota ou mulher madura para um aposento, onde poderiam conversar de forma mais privativa e fazer outras coisas...

    No entanto, por mais que Machiavelli olhasse, não via sinal de seus lacaios. Não havia sinal nem de sua doce meretriz espiã ou de seu estimado embaixador.

    -- Boa noite, senhor Machiavelli -- disse uma das meninas, se aproximando e abordando-o de repente. -- O senhor parece preocupado ou incomodado com algo. Posso lhe ajudar em alguma coisa, meu senhor?



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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Ter Jul 31, 2018 6:37 pm

    Beaumont (Beaumont)

    -- O que está acontecendo aqui? -- perguntou o frade que entrava de uma forma um tanto despreocupada, para alguém que havia escutado sons de um pandemônio acontecendo no quarto. -- Está tudo bem, senhor Beaumont?



    Ele sequer teve tempo de gritar. Antes que seus olhos terminassem de se esbugalhar, Beaumont já estava sobre ele, como um animal. Eles se atracaram e ambos foram ao chão. As presas do malkaviano perfuraram sua carne sem encontrar nenhuma resistência e todo aquele néctar da vida descia pela garganta do cainita. Era como um orgasmo, só que mais intenso e viciante. A razão havia lhe abandonado. Havia ali apenas o instinto da Besta e o seu desejo primitivo de se saciar. Quando a besta se foi, ela deixou Beaumont sozinho, em um convento, com o corpo de um frade aos seus pés. A coloração do corpo era bizarra, e não haveria muitos argumentos que pudessem salvá-lo caso ele fosse pego ao lado de uma cadáver sem nenhuma gota de sangue -- ainda mais em solo do clero.

    Resumo:
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Ter Jul 31, 2018 7:06 pm

    Kraven(Mitzrael)

    Maquinando seus planos, o monstruoso gangrel locomoveu-se pela relva e, sem ser notado pelos guardas, nadou e cruzou o lago. Mesmo com o equipamento pesado, conseguiu chegar do outro lado e esgueirou-se pelas laterais, tendo como aliada a própria penumbra da noite. Foi então que chegou no momento mais complicado de seu plano: escalar as muralhas e adentrar a cidade, sem ser notado.

    Eram muros incrivelmente altos e lisos na maior parte. A chuva, embora fraca, foi o bastante para deixá-los molhados. Isso tudo deixou a tarefa de escalá-los incrivelmente difícil, para não dizer impossível. Kraven começou a escalá-los e, antes que completasse dois metros, caiu. A queda não era o bastante para machucá-lo, mas era evidente que era muito improvável que ele fosse conseguir entrar na cidade dessa forma.

    Um dos guardas se aproximou e contornou as muralhas. Kraven, percebendo a aproximação dele, rastejou até as águas do lago, ficando submerso.

    Observação em Off:
    Embora o guarda não tenha visto Kraven ainda, ele está desconfiado e está rondando o local em que Kraven está e não parece que vai deixar de rondar por lá tão cedo.

    Mesmo submerso, Kraven pôde ouvir, graças a sua audição aguçada, que algo parou próximo. Pelo barulho, tudo indica que uma carroça parou nos portões e está dialogando com outro guarda. O condutor falava alto, e solicitava permissão para entrar na cidade.

    Resumo:
    Reserva de Sangue: 2
    Força de Vontade: 08/08
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por mitzrael em Qua Ago 01, 2018 12:33 am



    pensando :Hum isso parece brincadeira tinha de ter algo pra impedir , mas eu irei invandir , nada fica no caminho de kraden , kraden comquista tudo que quer .

    Apois ver que o muro não tinha firmesa para subir e ainda dentro da agua ouviu algo como uma carroça .

    pensando: Salvo humano idiota vc ia ser meu alimento mas ja que algo vai facilitar pra entrar entao assim será .

    Kraden ia de vagar aproveitando que os dois estavam destraidos pra ir pra baixo da carroça e se segurar nela ate entrar na cidade .

    Pensnado : vo me alimentar desses vermes ate não poder mas e quem sabe eu acho uma mulher pra ficar no lugar da Kayra .
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Freak(out) em Qua Ago 01, 2018 8:59 pm

    Camilo de Castilla (Claude Speedy)

    “Deus está morto: mas, considerando o estado em que se encontra a espécie humana, talvez ainda por um milésio existirão grutas em que se mostrará a sua sombra.”
    – Nietzsche.

    Ele suava sangue por todos os poros de seu corpo nu e frio, enquanto corria no meio daquela floresta, em uma noite fria e chuvosa. Seu coração, por algum motivo, voltara a bater. Ele não conseguia controlar. Apenas batia e batia muito, muito rápido. Atrás dele um frio ainda mais intenso parecia se mover aos poucos, com o ar, e um urro gutural, similar a risada de uma hiena, vinha cortada pelo vento.

    Ele corria. Camilo continuava a correr, mas nada encontrava. Havia árvores, barro, relva e escuridão, principalmente escuridão. Foi então que ele tropeçou e, quando seu tórax se chocou contra o chão, as raízes das árvores ao redor se estenderam como longos dedos e começaram a se enrolar em suas pernas, braços e costas, até que subiu para o rosto, deixando apenas os olhos de fora. Seu peito doía e o coração batia ainda mais rápido. A risada soou clara dessa vez. Estava próximo, atrás dele. Podia sentir o seu hálito podre na nuca. Cheirava como um poço de morte e doença.

    A criatura o agarrou e o levantou. As raízes se partiram, mas permaneceram em seu corpo, imobilizando-o. Camilo então foi virado e, estando cara a cara com o monstro, pôde encarar seus olhos.



    Seus olhos eram negros e, ainda assim, emitiam um brilho estranho, como uma luz prateada que iluminava como uma tocha. Eram vazios, e o vazio emanava deles. O hálito nauseante foi acentuado quando a criatura falou

    -- Salve, Camilo, maldito iludido que nada salva e tudo condena! Uma alma como a tua nenhuma serventia tem no paraíso. Você é meu!

    E então o demônio escancarou a mandíbula. Sua boca aberta cobria facilmente todo o tamanho da cabeça do Lasombra e, quando ele estava prestes a engoli-la, uma luz ofuscante surgiu subitamente por de trás do monstro. A luz pareceu enfraquecê-lo na mesma hora, pois ele largou Camilo e levantou voo, fugindo de lá desesperado, como se estivesse em chamas. O Lasombra caiu de lado no chão e, mesmo imóvel, conseguiu ver quem ou o que emanava a luz ofuscante.



    A luz foi amenizada, deixando ser ofuscante para se tornar agradável e aconchegante. Camilo pôde ver com clareza cada traço da beleza angelical. Logo ele estava em paz e, mesmo imobilizado, sentia conforto e calmaria.

    -- Não dê ouvidos ao profano. Não é a luz ou a sombra que define o destino de uma alma; é a escolha que ela faz -- A voz do ser ecoava como uma melodia muito doce. -- Os que desejarem a salvação serão salvos. Mesmo entre os amaldiçoados, esperança ainda há!

    Ela caminhou de forma graciosa até Camilo e lhe tocou a testa.

    -- Escute minha voz e se guie pelos meus sinais... Em breve o colar estará ao alcance de suas mãos. E será por ele que tua chance de glória virá!

    O corpo de Camilo relaxou, assim como sua mente. Tomado pela paz interior, seus olhos se fecharam.

    ________________

    Quando ele abriu os olhos, percebeu que já era tarde; mais tarde do que costumava despertar. Ele se levantou zonzo, como se tivesse levado um golpe recente na cabeça, mas estava fisicamente bem. As palavras do anjo, assim como sua imagem e a imagem daquela entidade demoníaca, ainda estavam frescas em sua memória. Aquilo não parecia ter sido um simples sonho.

    Observação em Off:

    Você despertou mais tarde do que de costume. A jogada inicial é de livre interpretação para fazer o que quiser.

    Resumo:
    Reserva de Sangue Inicial (1d10): 10
    Força de Vontade: 04/04
    Vitalidade: Ok.
    Claude Speedy
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

    Mensagem por Claude Speedy em Qua Ago 01, 2018 10:19 pm



    Cambaleando apoiando nas paredes de meu aposento, rapidamente me aproximo de meu rosário. De imediato começo então a fazer preces tentando lembrar as palavras que me foram reveladas....

    -Pai Nosso que estas nos céus...

    Minha alma estava saciada pelo sangue doado de meus irmãos, apesar da Revelação eu presenciei necessitava de mais força para me manter de pé.

    ...Santificado seja o Vosso nome...

    Não é o meu nome que deve ser santificado, o demônio me tenta alegando que eu não posso salvar. E ele tem razão, meu papel nesse mundo é de carrasco e para isso é que fui trazido da morte. Ainda que meu sangue, tão azul em minhas veias mortas, pode livrar meus irmãos ele o faz pelo poder de Deus.

    ...Venha a nós o Vosso Reino...

    E eis que veio do Seu reino nos céus o anjo, e peço que se mantenha sua intervenção em minha frente para que eu possa entender sua mensagem.

    ...Seja feita a Vossa vontade...

    Se devo achar esse colar, seja qual for, eu farei. Pois não deixarei nenhum artefato se afastar de minha vista e nenhum mal será poupado porque naquele dia haverá a grande colheita. Acharei esse colar, porque teu anjo assim disse.


    ...Assim na Terra como no Céu...

    Onde quer que minha alma esteve em meus sonhos, sejam por quais planos me guiou meu mentor no passado, eu bem sei que serei fiel à missão que realmente compõe aos renascidos do sangue. De cumprir sua vingança terrível...

    ...O pão nosso de cada dia nos dai hoje...

    Nutrida com o sangue dos seus mártires e o sangue dos pecadores... Tu tens me dado o sustento.

    ...Perdoai as nossas ofensas...

    ...eu hei de faze-lo, ajuda-me nisso...

    ...Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...

    ...assim como eu tenho ajudado os monges desse lugar...

    ...E não nos deixeis cair em tentação...

    ...sem nunca me deixar pensar que sou eu o Salvador...

    ...Mas livrai-nos do mal...

    ...porque sei bem que sem Ti não sou capaz.


    Amém.


    Me ergo enquanto em uma mão seguro o rosário, pego a espada com a outra e vou enrolando em seu cabo deixando a cruz à mostra enquanto caminho vestindo meu manto pelos corredores, buscando o altar principal do monastério e esclarecimento...
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    Re: Prólogo: Caminhando Entre Monstros

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      Data/hora atual: Dom Ago 19, 2018 10:32 am