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    Ventos do Inverno

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    antonio xavier
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Qui Ago 30, 2018 4:21 pm

    Antonio Xavier caminha pelo cômodo observando cada detalhe, a roupa no chão, as velas, a música. mas Dayenne não estava ali. Aparentemente, Gwen estava certa quanto ao conteúdo de nossa noite "especial". Ele relembra as palavras da Alpha quando havia chegado. Quem seria a mulher na estrada que a Philodox pensava conhecer ou sentia conhecer.

    A ansiedade cresce no peito de Antonio, ele precisava buscar ajuda ou alguma resposta.

    Rapidamente, ele pensa no espírito do Vento e o busca em suas palavras:

    "- Diante de névoa plena e ar quente
    pressinto um inimigo
    Busco e clamo a ti: Vento, meu amigo,
    se faça presente."
    DayenneValerie
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Qui Ago 30, 2018 4:56 pm

    Valerie olhara para a água semiturva da banheira, refletindo a bela luz da lanterna colocada por Gwen tão cuidadosamente nos cantos da casa. Era um lindo brilho, hipnotizador. Ficou ali por um momento perdida em seus pensamentos e a música foi aos poucos perdendo o som, ficando baixinha, quase inaudível. Seu reflexo na água começou a mudar de forma e a temperatura baixou bruscamente. Saiu da água rapidamente, com um arrepio lhe percorrendo a espinha que lhe levou a um grito espantado.

    Lá fora, a bela lua minguante se levantava pálida e as estrelas ofereciam um parco brilho. Tudo se tornou um reflexo acinzentado. Valerie percebeu que sua forma havia mudado. - Droga, estou em Lupus - pensou. - Entrei na Umbra. Ah, o Samhain...

    Sentou-se e olhou seu reflexo novamente na água. Era mesmo um sua forma lupina.
    Gwen O'Dyna
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Gwen O'Dyna em Qui Ago 30, 2018 9:14 pm

    A língua áspera da Onça Pintada deslizava pelos tornozelos de Gwenhwyfar, que ergueu os olhos para o céu e viu a Ceifadora, a face Minguante de Luna, reinando acima das copas das árvores ancestrais. Com os olhos arregalados de choque, fitou o gentil Totem e a verdade terrível enraizou-se em sua alma e cresceu em vinhas de desespero que estrangulavam seu peito. Morto. As lágrimas corriam pelo rosto da Fianna e o coração batia acelerado e dolorido. O grito de dor de Aurora Serena fez tremerem as folhas das árvores e oscilar o tecido da Umbra, enquanto a ruiva puxava os próprios cabelos como se pudesse arrancar a imagem de sua mente ao fazê-lo.

    O pingente de floco-de-neve pendia de seu pescoço e ela via o brilho prateado entre as lágrimas. Engatinhando com as mãos e os joelhos apoiados ao solo da floresta, a Galliard se aproximou da Onça Pintada e a abraçou. Como uma pessoa em luto abraçaria seu cachorrinho. As malditas imagens estavam marcadas a ferro no olho da mente de Gwenhwyfar, que se agarrava ao Totem aos prantos. O Dragão e a Fênix. A cabana na nevasca. A Última Matilha. O torc no pulso dele. Não, Gaia, não. Gwenhwyfar não queria acreditar, não podia acreditar. Mas a Lua da Colheita brilhava sobre sua cabeça, um arco desolado de luz que indicava que a morte o havia levado há quase duas semanas. E que ele havia retornado para ela, como retornam os entes queridos, na vigília de Samhaim.

    Não saberia dizer por quanto tempo chorou com o rosto contra os pelos macios da Onça Pintada. Minutos? Dias? Já não importava. Seu pranto secou, dando lugar a uma raiva surda, profunda e fria como os Poços do Inferno. Eles iam sangrar. Fossem quem fossem, elas os caçaria um a um. E os mataria. A Fúria cantava no sangue da Galliard e - mudando apenas a garganta - Aurora Serena uivou um desafio para a Wyrm, para Luna, para a própria Gaia. Todos iam pagar. Cada um dos Anciões que se acovardou em seus caerns enquanto seu Dìonach lutava. Cada criatura que se escondeu nas sombras dos cogumelos tóxicos que queimaram a face de Helios. Cada um e todos. A ruiva podia vê-lo nitidamente, de pé contra as hordas da Wyrm, glorioso em sua luta. Ela teria sua vingança. Estriparia cada um dos malditos Anciões dos Presas de Prata da Sibéria. Quebraria suas costelas uma a uma e dançaria sobre suas entranhas!

    Mas... talvez não fosse tarde demais. Os olhos azuis da Fianna fitaram a Onça Pintada, enquanto se sentava diante do Totem, cruzando as pernas na lateral.

    - Eu pagaria qualquer preço. Para estar lá. Para que me levassem no lugar dele. - ela não conhecia os rituais adequados. Mas conhecia as lendas. Em Samhaim, o Povo Belo vagava pela Terra Mortal. Os elfos eram vistos nas florestas. As fadas estavam ao alcance dos não-iniciados, daqueles que não eram Druidas e mesmo dos que não tinham qualquer talento para as Artes Ocultas. E, em mais de uma história, as fadas concediam desejos que pareciam impossíveis.

    Aurora Serena levantou-se, afagando o Totem por um breve momento. O seu desespero havia deslizado da negação absoluta em dor e agonia para uma Fúria avassaladora. E agora esfriava perigosamente em uma trilha que poderia conduzi-la ao mais terrível dos destinos. Mas ela pagaria qualquer preço, não pagaria?

    Foi até o pequeno riacho e lavou o rosto, as mãos e os pés. "Afaste-se da minha irmã, Sídhe" - a voz de Bedwyr e o olhar de medo escondido sob o verniz de bravura indômita do irmão reverberavam em sua mente. Naquele dia, ela tinha três vezes três ciclos das estações. E as Fadas haviam mandado alguém para buscá-la. Agora, ela tinha sete vezes três ciclos das estações - vinte e um anos. O sete não era um número tão propício quanto o seis, ou o nove, mas... podia funcionar.

    Olhou para o Totem e teve certeza de que a Onça Pintada sabia o tipo de barganha que estava prestes a propor. A ideia de que a culpa de tudo aquilo era dela já começava a se avizinhar de seu coração e Gwenhwyfar percebeu que não poderia perder tempo, ou sucumbiria à depressão e então, finalmente, à aceitação. E não queria, nem podia, aceitar que ele estava morto. E que, acima de tudo, havia morrido por ela.

    Um tremor percorreu a Fianna quando - mudando a mão direita para garras apenas pelo instante suficiente - cortou a palma da mão esquerda, fazendo brotar o veio de sangue. A culpa ameaçava massacrá-la, mas a ruiva ergueu o queixinho de forma orgulhosa, obtendo um pequeno sucesso contra si mesma em espantar momentaneamente o pensamento de que ela deveria ter lutado por eles, de que deveria ter se negado a partir, de que deveria ter se erguido contra tudo e todos para estar ao lado dele quando a batalha chegou. Depois pensaria nisso. Depois sentiria pena de si mesma e se lamentaria. Mas não sem antes fazer tudo o que podia, dentro de seus poucos conhecimentos. A imagem de Gaherys surgiu na mente de Aurora Serena e ela quase desistiu de tentar desempenhar sozinha aquele rito, sem saber realmente o que fazer. Mas o irmão estava do outro lado do oceano, preparando-se para Beltane. Ela não poderia contar com a ajuda dele, ou de quem quer que fosse. Estava sozinha.

    Erguendo a mão esquerda à frente, Gwenhwyfar apertou o punho bem fechado até sentir que o sangue gotejava lentamente, tocando o chão da floresta umbral com um tinido surdo. Não olhou a Onça Pintada, evitando o pensamento de que aquilo significaria que talvez jamais voltasse para sua matilha. Ao menos, tendo o Totem como testemunha, poderia contar com o fato de que Antonio Xavier, o talentoso Theurge da Aliança de Luna, saberia de seu destino. Vitorioso ou trágico que fosse.

    Quando a terceira gota de sangue atingiu o solo, a ruiva elevou sua voz melodiosa nas sombras da Penumbra do mundo:

    - A Herdeira de Diarmuid deseja propor um Pacto aos Reis do Sonhar! O sangue dos O'Dyna, os Amados por Dannu, para mudar as estrelas trágicas de Andrei Ivanov. O Sangue de Diarmuid pela vida de Anoitecer Selvagem.

    A quarta gota de sangue desprendeu-se da mão erguida de Aurora Serena e caiu em direção ao solo. A Galliard percebia esse movimento em câmera lenta, talvez por sua enorme ansiedade naquele momento. Antes que o sangue tocasse o chão, as Fadas deveriam responder à sua barganha. Ou simplesmente não havia funcionado. E tudo teria sido em vão.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Seg Set 03, 2018 4:33 pm

    Geralmente, a invocação de espíritos envolve uma cerimônia complexa. Porém, Antonio lembrou-se que estava em meio à noite de Samhain. Sua irmã de matilha Gwenhwyfar havia lhe contado os detalhes recentemente. Tudo o que seria necessário para a invocação já estava presente na casa. Restava apenas realizar o cântico.

    Fechou os olhos e recitou a invocação. Sentiu as suas mãos tocarem a Película, e se surpreendeu em como ela estava fina. Os espíritos estavam a sua volta para a noite de Samhain, afinal. Rasgou a Película conforme recitava os versos místicos, permitindo que as palavras alcançassem o outro lado.

    Rapidamente, notou uma pequena raposa deitando-se sobre a janela e o fitando com olhos curiosos. Um espírito do Vento fora convocado.

    ***

    Passar para a Penumbra cobrava o preço de Valerie. O lado espírito que vive em todos os Garou aflorava nela, forçando-a a permanecer em sua forma de loba. Ainda sentia uma presença estranha na escuridão, e ouviu sussurros.

    Eles eram ininteligíveis, quase inaudíveis. Mas vinham da janela, do lado de fora. Alguém estava cantando?
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Seg Set 03, 2018 5:51 pm

    Após se conformar com o fato de estar na Umbra, Valerie contemplou ainda que havia assumido sua forma lupina. Seu reflexo parco acinzentado jazia na água da Jacuzzi. Olhou para a lua minguante do lado de fora em uma janela, um pouco mais próxima da banheira. No entanto, sentiu novamente aquela presença, algo perto, na outra janela do cômodo. Foi quando ouviu uma voz baixinha, cantarolando. Era uma voz meiga, infantil.

    "Se essa rua, se essa rua fosse minha... eu mandava, eu mandava ladrilhaaaaar... com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante... para o meu, para o meu amor passar..."

    Quando virou-se, uma menininha de camisola estava debruçada na janela, cantando e a observando, a luz das estrelas adornando a cena emoldurada pelo umbral de madeira. No entanto, na contraluz, não conseguia reconhecer.

    Dayenne levantou suas orelhas e deu um salto até a janela. Antes, entretanto, a menininha desceu e seguiu em direção à mata fechada. Valerie precisava entender o que estava acontecendo. Havia algo estranho no ar.

    De um salto, alcançou o chão e pôs-se a farejar buscando algo que pudesse levar à garotinha.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Seg Set 03, 2018 8:13 pm

    Antonio Xavier olhou com carinho para a raposa que havia atendido ao seu chamado e com respeito se dirigiu ao espírito do Vento:

    "- Caro espírito do Vento, eu o chamei, porque necessito de sua ajuda. Dayenne, alpha de minha matilha, desapareceu neste cômodo em que nos encontramos. Eu preciso saber para onde ela foi, preciso ajudá-la. O Senhor poderia me ajuda?"

    Antonio se posiciona de forma respeitosa e espera uma resposta positiva para que pudesse encontrar a companheira de matilha.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Ter Set 04, 2018 11:07 am

    A cantiga infantil havia pego Valerie de surpresa. A Filodox não compartilhava das crenças célticas de sua beta, mas havia de concordar que o Samhain estava se desenrolando de forma a dar arrepios. Não podia negar o caráter macabro da cena. Uma menina de camisola e longos cabelos pretos cantando no beiral de sua janela. Quando ela percebe sua presença, corre para a floresta. Valerie olha em volta, e vê a mata que cerca sua casa pela Penumbra. O Parque Nacional é morada de muitos espíritos, e era noite de Samhain. Valerie conhecia os bosques vizinhos, já correra muito por todo o Parque em sua forma de loba, explorando as maravilhas do local. Queria aproveitar essa vantagem para não ser percebida. Não gostaria que a garota fugisse para sempre.

    Farejou o solo e sentiu um cheiro... conhecido. Um cheiro de família. O seu próprio cheiro. Sentiu as entranhas se revirarem, mas perseguiu o rastro. Andou durante algum tempo, procurando o cheiro. Até achar uma clareira.

    Já havia sentido o cheiro do sangue antes. Mas quando alcançou a clareira, viu as gotas espessas pingando na relva e manchando as rochas que margeavam o córrego que cortava a clareira.

    -"Nessa rua, nessa rua tem um bosque... Que se chama, que se chama Solidão... Dentro dele, dentro dele mora um anjo... Que roubou, que roubou meu coração..."

    O som da canção vinha do outro lado do córrego. Nunca havia percebido, mas havia um pequeno buraco entre as rochas cobertas de limo. E a canção que ecoava de lá de dentro dava a entender que ali havia uma gruta.

    O rastro da menina chegava até ali, e podia sentir que o sangue era dela. Mas tudo se perdia no riacho.

    De repente um uivo cortou a noite, vindo do riacho acima. Um uivo de guerra. Gwen.

    ***

    O espírito fitava Antonio com curiosidade. A cauda peluda da raposa branca sacudiu alegre quando Antonio se curvou em saudação respeitosa. Ela entrou no banheiro através da janela, e se aproximou devagar, mas sem muita hesitação. Farejou os tornozelos de Antonio, antes de se sentar sobre as patas traseiras. A pelagem prateada do espírito era suave, e seus olhos vermelhos expressavam inocência.

    -"Suas irmãs atravessaram para o lado de cá. A de pelo vermelho correu pelos bosques da Névoa, rio acima. A de pelo escuro estava aqui até pouco tempo, mas agora persegue uma presa rio abaixo. Eu não gosto da presa que ela persegue. Tem cheiro de morte."- A voz do espírito era infantil, feminina e pura, mas trazia claramente preocupação e urgência.

    Um uivo de guerra cortou a noite iluminada pela Minguante. Gwen.

    ***

    Dor. Ira. Angústia. Sofrimento. Perda. Culpa. Saudade.

    Um misto de sentimentos efervescia no peito de Gwenhwyfar. O seu peito pesava imensamente, e sentia como se não pudesse respirar. O seu coração partido sangrava. Sentia como se lhe tivessem arrancado um pedaço da alma.

    Em um ato desesperado, tentou vender sua alma partida à única força que conhecia, e que as histórias diziam serem capazes de realizar desejos impossíveis. Cortou a mão com suas garras e propôs o pacto de sangue que selaria seu destino. Não suportava a idéia de perdê-lo em definitivo. Se recusaria a aceitar.

    A quarta gota de sangue nunca tocou o solo.

    Gwenhwyfar ergueu os olhos para observar a mão que recolhera seu sangue antes que ele alcançasse a grama. Por um breve momento, acreditou que suas preces foram ouvidas e que alguma Sidhe viera lhe buscar. Porém, logo reconheceu os olhos castanhos e gentis da forma espectral de seu irmão. Olhos preocupados, mas irados e severos.

    -"Sua angústia não passou despercebida, Fada minha. O que aconteceu de tão trágico, que minha preciosa irmã decidiu abandonar a própria vida?"
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Ter Set 04, 2018 12:38 pm

    Valerie farejava aqui e ali mantendo uma distância segura. Ela não queria que a menina percebesse que estava sendo seguida. Além disso, tinha certa vantagem de terreno. A noite na Umbra era encantadora e sombria e aquela visão lhe deixava no mínimo intrigada. Ela sentiu aquele cheiro conhecido, familiar, um cheiro que era dela, mas que não estava nela. Que tipo de ser poderia lhe pregar uma peça assim? Seus pelos se eriçaram por um momento, mas prosseguindo, chegou à clareira.

    O sangue no chão manchava a margem do córrego e passava até o outro lado, fazendo um leve fio que seguia pela água. A canção, a canção continuava pelo que parecia uma pequena caverna. Sentiu que precisava entender o que estava acontecendo, mas quando seguiu até a margem, ouviu um uivo de dor, um uivo de guerra, aflito. Poderia reconhecer aquele uivo a léguas de distância. Gwen estava na Umbra.

    Valerie olhou para a lua minguante e soltou um uivo alto e poderoso em resposta a Gwen. Seu coração apertou. Ela precisava de sua ajuda, podia sentir. A angústia de deixar um assunto inacabado para trás a deixava frustrada, mas devia seguir até sua irmã de matilha. Afinal, era sua Alpha. Era sua amiga. E ela era sua beta.

    Aproveitou a vantagem de conhecer o espaço e correu, correu com tudo o que tinha na direção de Gwen.

    Gwen O'Dyna
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Gwen O'Dyna em Ter Set 04, 2018 8:39 pm

    Gaherys escreveu:-"Sua angústia não passou despercebida, Fada minha. O que aconteceu de tão trágico, que minha preciosa irmã decidiu abandonar a própria vida?"

    Aurora Serena adiantou-se para o irmão, mas deteve-se, sabendo que ele não estava realmente ali. Através do Atlântico azul e misterioso, milhares de quilômetros entre eles, o espírito dele ouviu seu chamado. E a ruiva não pôde mais sustentar a leve aparência de força que conseguiu reunir, desabando de joelhos no chão da floresta diante da projeção astral do irmão.

    - Gaherys, é Samhaim na América do Sul. E ele veio até mim para narrar o réquiem de sua morte. Ah meu irmão, Andrei está morto! - a garota escondeu o rosto entre as mãos, sentando-se sobre os calcanhares, sem se importar com o sangue que agora manchava sua face - Morto em batalha contra a Wyrm. Morto com o meu nome nos lábios...

    A voz melodiosa da Galliard carregava uma tristeza profunda e ela deslizou as mãos pelos cabelos, retraindo-se com o ardor que os fios acobreados causaram ao roçar o corte na palma de sua mão. Naquele mesmo instante, ouviu o uivo de @DayenneValerie e virou a cabeça na direção do barulho, rio abaixo.

    - É a minha bhanrigh. Ela deve ter me seguido quando entrei na floresta a procura dele... Espere, é mais fácil te mostrar.

    Desde que Gaia a tinha abençoado com Dons dos Garou, Gwenhwyfar tinha usado a Comunicação Telepática* muitas vezes para compartilhar memórias, pensamentos e planos com os irmãos. Gaherys já estava mais que acostumado a sentir a irmã tocando sua mente e Aurora Serena sentia a conexão com o irmão de forma bastante familiar. Olhando nos olhos astrais do Theurge, a ruiva enviou para ele todas as imagens - desde os sussurros vindos da mata, a corrida pela floresta ao pôr-do-sol, o encontro com o totem e as visões que teve, até o seu desespero por saber que Andrei estava morto. A imagem do Ahroun levando o torc¹ dela ao peito antes de lançar-se para a batalha repetiu-se algumas vezes, ela bem sabia, e Gaherys entenderia porquê. A Galliard afiou os ouvidos para novos sinais de Dayenne, mas continuou a conversa:

    - A face completa de Luna se mostrava nas visões, Gaherys. A última Lua Cheia foi há quase duas semanas. A morte de Andrei... - ela se engasgou com o choro, fitando diretamente a imagem tão amada do irmão - Eu preciso salva-lo, Gaherys. Preciso reverter o mal que a Wyrm fez. Se houver um modo de reescrever o passado... eu faria qualquer coisa, Merlin na Breatann Bheag². E se alguém conhece algo que possa ser feito, esse alguém é você.

    Aurora Serena queria abraça-lo, esconder o rosto no peito do irmão e chorar até que o mundo acabasse. Mas apenas ficou ali, sentada sobre os calcanhares, com metade do rosto suja de sangue, encarando os olhos do espírito de Gaherys através da distância transoceânica que a Umbra tornava nula, enquanto esperava ouvir novos sinais de sua alpha. Enquanto esperava por um milagre.

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    ¹ Torc: espécie de bracelete cerimonial que marca a passagem de celtas e vikings para a vida adulta
    ² Merlin na Breatann Bheag: Merlin da Bretanha

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    Comunicação Telepática (Nível Um): Mediante a criação de sonhos enquanto em vigília, o Garou pode colocar quaisquer personagens escolhidos em comunicação silenciosa. O Dom é ensinado por um Quimérico.

    Sistema: O Garou gasta um ponto de Força de Vontade por ser senciente escolhido e, caso o ser resista, faça um teste de Manipulação + Expressão (a dificuldade é a Força de Vontade da vítima), se eles aceitarem não é preciso do teste, apenas do gasto de Força de Vontade. Todos os indivíduos incluídos no sonho podem interagir normalmente através da Comunicação Telepática, embora não possam infligir danos através dela. Seus corpos verdadeiros ainda são capazes de agir, embora todas as Paradas de Dados sejam reduzidas em dois pontos. A Comunicação Telepática é interrompida quando todos os participantes concordarem com seu término, ou no turno no qual o Galliard fracassar num teste contra um membro relutante. Os seres afetados precisam estar no campo de visão do Garou. O Garou pode incluir toda sua matilha com o gasto de um único ponto de Força de Vontade se desejar.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Ter Set 04, 2018 9:21 pm

    Antonio Xavier ouve apreensivo as palavras da raposa e muito agradecido pela informação do espírito, o Theurge o acaricia atrás da orelha e diz:

    "- Muito obrigado! Irei atrás delas.

    O Portador da luz recorda as últimas palavras da raposa, "cheiro de morte", e fica bastante preocupado com Valerie. Ele se despede do espirito balançando a cabeça em forma de agradecimento e começa a caminhar na direção indicada, quando ouve um uivo de guerra. Antonio pensa: "Gwen!" A dúvida germina nos fios de pensamento e rapidamente ele busca resolver o caminho a seguir: "Cheiro da morte", "uivo de guerra". Parecia mais urgente o uivo e Dor-serena passou a acreditar que Valerie pensaria o mesmo, deixando de lado sua perseguição e indo em direção à Gwen.

    Antonio Xavier passou a correr o mais rápido que conseguia em direção ao uivo:

    "- Estou indo!"

    Espero chegar a tempo.

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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Qui Set 06, 2018 7:43 am

    A forma astral de Gaherys se sentou na relva ao lado da sua jovem irmã. O seu semblante ainda trazia sinais claro que estava furioso. Porém, a preocupação e o amor pela irmã venceram a Fúria e o sábio Theurge cruzou as pernas em posição de lótus e fechou os olhos, pensando sobre as imagens que Gwenhwyfar lhe havia mostrado. Seu peito nu com a figura do Gamo-rei tatuado subiu e desceu algumas vezes, conforme Gaherys inspirava profundamente e exalava lentamente, permitindo que a sabedoria com a qual Gaia lhe presenteou processasse as informações que havia visto na alma da irmã.

    -"Gwenhwyfar. Andrei Ivanov é um Garou. Eu não preciso lhe dizer o que isso significa."- Gaherys abriu os olhos, e encarava a irmã com rigor e austeridade em seus olhos espectrais. -"Tenha a coragem de mudar as coisas que puder mudar. Resignação para aceitar o que não puder mudar. E sabedoria para diferenciar uma coisa da outra. Temo que minha irmã tenha tomado uma trilha perigosa. E que esteja fundo demais nessa trilha para que possa voltar a seguir por outro caminho. Gwen, há muito sofrimento pelo caminho que você deseja seguir.-"- E Gaherys se virou para ela, com um sorriso no rosto dessa vez, e Gwenhwyfar soube que seu irmão lhe havia compreendido. -"Mas eu sei o que é ser amaldiçoado pelo amor. E o seu é puro, Fada minha."

    Ele se levantou, e passou as mãos espectrais pelo rosto de sua amada irmã, como se desejasse secar as lágrimas de seu choro desesperado.

    -"As visões que os espíritos nos mostram podem ser... difíceis. Afasta tal dor de seu coração, Gwenhwyfar, pois os espíritos lhe enviaram a visão de dias vindouros. O Ahroun vive."- Gaherys então ficou de pé novamente, observando a minguante no céu. -"Mas não cabe a mim ajudá-la nessa vereda. Há na sua matilha aquele que nasceu na Crescente de Luna. E são a seus irmãos de matilha que você deve recorrer."

    Gaherys caminhou até o espírito do totem e lhe acariciou a cabeça. E a Onça-Pintada ronronou em resposta. -"Cuide de minha tola irmã, sim?"- Ele sorriu ao totem, que o observava com olhos solenes.

    -"Quem vai protegê-la de seu doce coração quando eu não estiver aqui? Adeus, Fada minha."

    E então, a forma espectral de Gaherys se desfez, deixando para trás a amada irmã.

    Poucos momentos depois, Valerie e Antonio alcançam a clareira, praticamente juntos, mas vindo de direções diferentes.
    Gwen O'Dyna
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Gwen O'Dyna em Qui Set 06, 2018 7:37 pm



    Dreams of war, dreams of liars
    Dreams of dragon's fire
    And of things that will bite

    --- Metallica, Enter Sandman



    A Galliard percebia o desgosto do irmão e, por um instante, teve medo. Gaherys, ao contrário de Bedwyr, era lento em irar-se, mas quando a Fúria cantava em seu sangue, nada poderia para-lo. Com os cabelos castanhos bem curtos, os nós de Bravura e Espiritualidade gravados no corte como intrincados desenhos nas laterais, Gaherys tinha o porte certo entre guerreiro e druida. Os olhos austeros, acinzentados e expressivos, e o Gamo-Rei destacado sobre o peito, isentavam de dúvidas: o Theurge fazia jus às lendas da sabedoria ancestral dos Fianna.

    Gaherys escreveu:-"(...) Temo que minha irmã tenha tomado uma trilha perigosa. E que esteja fundo demais nessa trilha para que possa voltar a seguir por outro caminho. Gwen, há muito sofrimento pelo caminho que você deseja seguir.-"- E Gaherys se virou para ela, com um sorriso no rosto dessa vez, e Gwenhwyfar soube que seu irmão lhe havia compreendido. -"Mas eu sei o que é ser amaldiçoado pelo amor. E o seu é puro, Fada minha."

    Aurora Serena corou violentamente. Será que aquilo contava como "revelar a forma do amor verdadeiro"? Não, não era provável. Ela teria que falar, que dizer com todas as letras, e teria que ser algo público e notório. Como quando Diarmuid levou Grainné embora da Irlanda, às vésperas do casamento com Fionn.

    Sentiu a intenção do toque espectral de Gaherys e ergueu para ele os olhos azuis, enquanto recebia o carinho do irmão - ainda que não pudesse verdadeiramente senti-lo.

    Gaherys escreveu:-"As visões que os espíritos nos mostram podem ser... difíceis. Afasta tal dor de seu coração, Gwenhwyfar, pois os espíritos lhe enviaram a visão de dias vindouros. O Ahroun vive."- Gaherys então ficou de pé novamente, observando a minguante no céu.

    O coração da Fianna acelerou no peito, rufando como tambores de guerra. Ela respirou, sentindo o ar passar quase dolorosamente até os pulmões, voltando a enche-la de vida. Acompanhou o irmão ficar de pé e dizer qualquer coisa sobre contar com a ajuda de sua matilha. Mas a mente de Aurora Serena estava galopando alucinadamente pelos prados da glória. "O Ahroun vive". O semblante da Galliard iluminou-se como as estrelas e ela apertou uma mão contra a outra, sentindo o ardor da palma esquerda recentemente cortada. "Os espíritos lhe enviaram a visão de dias vindouros". Gwenhwyfar sentiu o corpo inteiro tremer e percebeu que estava rindo e chorando ao mesmo tempo.

    Gaherys escreveu:Gaherys caminhou até o espírito do totem e lhe acariciou a cabeça. E a Onça-Pintada ronronou em resposta. -"Cuide de minha tola irmã, sim?"- Ele sorriu ao totem, que o observava com olhos solenes.

    -"Quem vai protegê-la de seu doce coração quando eu não estiver aqui? Adeus, Fada minha."

    Aurora Serena sorriu e secou o rosto com as mãos o melhor que pôde.

    - E quem diria que a frase mais profética entre nós seria sempre a de Bedwyr? - a ruiva afastou os cabelos para trás das orelhas antes de continuar - Perdão por atraí-lo até aqui com meu pranto, meu irmão, mas muito obrigada. Abençoado seja o Senhor da Primavera, para ele eu canto a Prece do Amor. Deus Divino das Trevas, Deus Divino da Luz¹, leve meu amor com você, Gaherys. Entregue parte dele a Bedwyr, sim? E a màthair². E que queimem os fogos sagrados de Beltane e iluminem o caminho para o retorno do Sol¹.

    A forma espectral do irmão se desfez e Gwenhwyfar suspirou, sentindo-se inteira outra vez. Andrei estava vivo. A Fianna caminhou lentamente até o riacho, tomou água nas mãos e lavou o rosto, eliminando os vestígios de lágrimas e sangue. A Mãe tinha dado aos Garou corpos que se curavam muito mais rápido que o dos humanos, e o ferimento na mão esquerda já não sangrava, apesar de continuar ardendo. A Galliard fitou o totem e sorriu, o alívio sobrepujando qualquer outra sensação, em uma verdadeira descarga de hormônios de relaxamento. Por um breve instante, pensou em simplesmente se deitar na relva macia e dormir sob as estrelas.

    Mas então Dayenne acorreu até a clareira em sua bela forma lupina, em trote rápido e elegante, seguida quase imediatamente pela chegada de Antonio, que - vindo da direção da casa - aproximava-se em glabro. A preocupação era evidente na expressão de ambos, mas a Galliard encontrava-se em um estado de espírito muito diferente daquele em que estava quando uivou em desafio para Luna. Aurora Serena estava - @DayenneValerie e @antonio xavier podiam ver - absolutamente serena, de pé a beira do rio, com o vestido preto longo rasgado em muitas partes diferentes.

    A Fianna deslizou os olhos azuis de um irmão-de-matilha para o outro enquanto dizia:

    - Não sei como puderam me ouvir através da Película... Talvez por causa de Samhaim. Mas, irmãos... Eu recebi visões do Apocalipse que se aproxima.

    A brisa da Umbra agitou os cabelos-de-fogo de Gwenhwyfar e fez dançar ao seu redor os frangalhos da saia longa de tecido leve. A garota tomou o pingente de floco-de-neve na mão direita por um instante, e então - guardando a pequena joia que era seu tesouro - passou a narrar para os companheiros de matilha:

    - Eu vi um Dragão tentar devorar Luna. E a Fênix que fez sangrar o Dragão. Vi uma planície na tundra siberiana, e os poços de piche de onde a Corrupção brotava como crias das trevas. Vi uma matilha de Garou, a última resistência, lutar em honra da Mãe uma batalha perdida. Vi pássaros-de-fogo e seus ovos de morte, trazendo cogumelos enfeitiçados de chama viva, que calcinavam tudo e todos, obliterando o mundo em uma luz cegante. - a Galliard falava baixo e de forma pausada, criando o efeito de suspense a medida que descrevia as visões - A Mãe me abençoou com o Dom de tocar outras mentes e tudo que vi posso mostrar em detalhes vívidos a vocês. Cada imagem. Cada memória da revelação. Mas não neste momento. A Umbra guarda perigos em cidades, perigos maiores em cidades como Bela Noite, e perigos descomunais em noites como Samhaim em cidades como Bela Noite. Devemos retornar? Ou algo os trouxe aqui, irmãos, além do meu desespero profético?

    A ruiva olhava de um para o outro, aguardando.

    ---------------------------------------------------------------------

    ¹ Parte dos cânticos tradicionais em honra a Cernunnos nos Ritos de Beltane.
    ² Máthair: forma gaélica de "mãe".
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Qui Set 06, 2018 8:32 pm

    I'd go anywhere for you
    Anywhere you asked me to
    I'd do anything for you
    Anything you want me to

    Antonio Xavier olha para Valerie e um sentimento de alívio preenche seu corpo e sua mente. Realmente, como ele havia pensado, a  Alpha havia seguido o uivo de Gwen, mesmo ele tendo ouvido um 2o uivo, que deveria ter sido da Philodox. No momento em que ele ouviu o 2o uivo, Antonio corria em direção da Galliard, o theurge chegou a pensar em retornar para Daeyenne, mas sua intuição o manteve firme eu seu caminho.

    O Portador da luz ouvia espantado o relato de Gwen, ele possuía algumas convicções em relação a visões. Havia lido muitas peças gregas em sua época de graduando e o conceito de "Moira" era altamente presente em cada uma das tragédias e o que isso significava? Significava que a única imutável era Átropos, a "inelutável", mas toda vez que mexiam com Cloto, a "fiandeira", Láquesis entrava em cena e distribuía de acordo com a personalidade de cada um a sorte a eles reservada. Parecia que sempre que alguém buscava modificar uma visão, era justamente tal atitude que tornava a visão verdadeira.

    A mente de Antonio Xavier dava um nó naquele momento, o que fazer?

    O Portador da luz se aproxima de Gwen e a abraça ternamente e com carinho se dirige a ela:

    "- Temos que ter muito cuidado com as visões que temos, muitas vezes é o fato de termos conhecimento sobre o futuro que torna este suposto futuro realidade. Estou aqui ao seu lado e irei contigo onde quer que você vá.

    Antonio volta seu olhar para Dayenne e ainda preocupado com a Alpha pergunta:

    "- Dayenne, o que aconteceu com você? Devemos nos preocupar? Podemos fazer algo?
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Qui Set 06, 2018 10:50 pm

    Valerie corria com tudo o que tinha na direção da clareira, preocupada com o que poderia estar acontecendo com sua Beta naquela sombria noite de Samhain. Ela conhecia o terreno com propriedade, por isso sua chegada foi calculada e graciosa, apesar da pressa.

    Ao chegar, do outro lado da clareira, aparecia também Antônio, em sua forma Glabro. A expressão dele era, no mínimo, preocupada.

    Ao olhar para Gwen, no entanto, Valerie a percebeu muito serena, embora completamente maltrapilha e descabelada. Seus cabelos balançavam aleatoriamente. Dayenne percebeu a brisa umbral passando por seus pêlos. Foi quando percebeu o totem ao fundo, sentado sobre uma rocha, lambendo as patas. Era mesmo uma criatura imponente e Valerie se sentiu compelida a ir até a onça e deitar-se a seus pés em sinal de respeito.

    Passou a ouvir atentamente o que Gwen dizia, sem perder nenhum detalhe. Observou solene o abraço que Antônio ofereceu à sua Beta. Era importante manter esses laços afetivos entre os membros da matilha e sentia que, como seu mentor Presas Mortais de Gaia dizia, ela era uma peça importante para manter junto um grupo tão difuso como aquele abençoado sob a onça.

    Após ouvir atentamente, pensou por um breve momento e sentou sob as patas traseiras.

    - Quando entrei na Umbra, ouvi uma voz de criança que cantava uma música infantil. Não consegui distinguir quem ou o que era, mas usava uma camisola e tinha cabelos escorridos por sobre os ombros. Ao perceber que eu a tinha visto, correu para a floresta. Estava assistindo assim perseguindo furtivamente essa criança, quando ouvi novamente a voz ao chegar na beira do córrego, um pouco distante daqui descendo por aquele caminho - apontou com o focinho - ali, a canção novamente era cantada e havia um rastro de sangue cruzando o rio até uma gruta. Foi quando ouvi o uivo da Gwen e vim para ver o que estava acontecendo. Mas esse assunto realmente me intrigou. Acho que deveríamos ir lá investigar.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Sab Set 08, 2018 7:38 am

    O grupo conversava à luz da Minguante, sob os olhos atentos da Onça-Pintada. As visões de Gwen sobre o Apocalipse eram terríveis. Mas as palavras de Antonio eram sábias. Por muitas vezes, encontramos nosso destino pelo caminho que tomamos para evitá-lo. Lutar contra o próprio destino quase sempre era uma luta vã. E nas poucas vezes em que era possível mudar as próprias estrelas, tal bênção só era alcançada após provações desesperadas. Algumas vezes, tentar evitar o destino apenas resultava em um destino pior.

    Contudo, as deliberações do grupo foram interrompidas. Um silêncio repentino, daqueles que só percebemos quando os ouvidos chiam sozinhos, se abateu sobre a floresta. As nuvens espectrais cobriram a Ceifadora no céu, e os espíritos que habitavam o bosque correram. A Onça pintada eriçou os pêlos das costas e arreganhou os dentes, e então correu para as árvores. O som das árvores chacoalhando veio primeiro, como se um vento sombrio chacoalhasse a floresta. E então as pedras menores do leito do riacho rolaram. E a terra tremeu sob os pés de todos.

    A convulsão durou apenas alguns segundos, embora poucos. Aqueles que já experimentaram terremotos anteriormente não veriam nada de excepcional no tremor. Era leve e rápido. Porém, era mais que o suficiente para amedrontar aqueles que estão acostumados com o estável solo brasileiro.

    Após o fim do tremor, todos ouvem um sussurro vindo da montanha. Um suspiro, uma exalação de consternação e dor.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Gwen O'Dyna em Dom Set 09, 2018 12:11 am


    The curse ruled from the underground down by the shore
    And their hope grew with a hunger to live unlike before

    --- Agnes Obel, The Curse


    Aurora Serena retribui o abraço do Theurge com carinho, aninhando a cabeça sob a curva do queixo do Portador da Luz e suspirando ruidosamente. Era como acordar de um pesadelo. Ainda que as palavras de Antonio fizessem sentido, o peso de tal presságio não poderia jamais se igualar ao alívio de saber que as visões tratavam do futuro. Estivesse onde fosse, naquele exato momento, Andrei estava a salvo. A Galliard apertou os braços ao redor do irmão-de-matilha, e sorriu para si mesma, apoiando a testa ao peito do Garou após acenar positivamente, indicando que entendia e agradecia a disposição e a amizade de Antonio.

    Deixando o conforto do abraço do amigo, a Fianna virou-se para escutar o relato da alpha. A medida que se desenrolava o conto de Dayenne, a expressão de Aurora Serena mostrava-se cada vez mais séria. Uma criança, uma cantiga e um rastro de sangue. Com certeza aquilo merecia invest---

    Narrador escreveu:Contudo, as deliberações do grupo foram interrompidas. Um silêncio repentino, daqueles que só percebemos quando os ouvidos chiam sozinhos, se abateu sobre a floresta. As nuvens espectrais cobriram a Ceifadora no céu, e os espíritos que habitavam o bosque correram. A Onça pintada eriçou os pêlos das costas e arreganhou os dentes, e então correu para as árvores. O som das árvores chacoalhando veio primeiro, como se um vento sombrio chacoalhasse a floresta. E então as pedras menores do leito do riacho rolaram. E a terra tremeu sob os pés de todos.

    A convulsão durou apenas alguns segundos, embora poucos. Aqueles que já experimentaram terremotos anteriormente não veriam nada de excepcional no tremor. Era leve e rápido. Porém, era mais que o suficiente para amedrontar aqueles que estão acostumados com o estável solo brasileiro.

    Após o fim do tremor, todos ouvem um sussurro vindo da montanha. Um suspiro, uma exalação de consternação e dor.

    A Galliard manteve-se firme, apenas virando a cabeça de forma graciosa na direção da exalação suspeita que vinha da raiz da montanha. Não se poderia dizer que a Bretanha tinha grandes abalos sísmicos, mas terremotos não eram estranhos à Escócia. Tremores mais intensos que aquele, mas ainda assim bastante leves quando comparados aos grandes terremotos pelo mundo, atingiam o Mar do Norte e reverberavam pelas Terras Altas pelo menos uma vez a cada par de anos.

    Entretanto, ambos os irmãos-de-matilha eram brasileiros: acostumados à estabilidade geológica de um país continental. A ruiva tocou seu tesouro aninhado entre os seios por cima do tecido do vestido e quebrou o silêncio com um tom frio permeando sua voz melodiosa:

    (Com.Tel.) - As raízes da montanha agitam-se no sono. O Avô desperta às Portas do Apocalipse. - a Galliard virou-se então para os amigos. E sorriu. Ah aqueles sorrisos estelares de Gwenhwyfar! A luz parecia percorrer um caminho mais lento, só para demorar-se uma fração de segundo a mais sobre ela quando sorria. Descabelada, maltrapilha e gloriosa diante do fim do mundo, a garota acenou positivamente e então continuou - (Com.Tel.) Daye. Antonio. Nossas mentes estão unidas. Basta que vocês pensem em falar. Nenhuma palavra precisa ser dita em voz alta. Nós iremos nos ouvir perfeitamente. É assim que estou falando com vocês. Vejam, o silêncio que se abateu sobre a Penumbra funciona de duas maneiras. Por um lado, conseguimos ouvir uma montanha suspirar - o que vocês devem concordar que não é algo que se escute todo dia - porém, por outro lado, qualquer criatura ou espírito poderá nos ouvir sussurrar como se estivéssemos gritando, não é? Precisamos ser cuidadosos.

    Aurora Serena moveu-se suavemente pela grama, os pezinhos de bailarina tocando a relva como uma carícia delicada enquanto se aproximava da água do riacho. Olhou para o alto, incomodada com o fato de Luna ter sido encoberta na Umbra. Aquilo chegava a ser mais preocupante que o terremoto.

    (Com.Tel.) - Precisamos de um plano. Sem dúvidas o rastro de sangue que levava para o interior da montanha parece ser a nossa trilha para descobrir o que causou tamanho abalo nas raízes profundas das pedras. Mas, seja o que for a criatura que você perseguiu, Daye, eu duvido muito de que seja realmente uma simples garotinha de pijama.

    A ruiva deu de ombros e então emendou:

    (Com.Tel.) - E agora que estamos ligados, acho que compartilhar as visões que tive pode ajudá-los a entender contra o que lutamos. E traçar um plano de ataque eficaz.

    E assim ela fez. Mas não integralmente, como quando dividiu a visão com seu irmão Gaherys. Aurora Serena mostrou para os companheiros de matilha todas as partes relevantes da profecia que recebeu, mas em flashes, omitindo assim qualquer dado sobre a cabana na tundra e sobre Andrei. A ruiva foi extremamente cuidadosa, revelando integralmente todo o resto, em detalhes vívidos. Ao final, com os cogumelos atômicos e a luz cegante, ela trouxe de volta a mente dos amigos para o presente e repetiu:

    (Com.Tel.) - Precisamos de um plano.





    (Com.Tel.) Comunicação Telepática: Aurora Serena gastou 1FV.

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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Dom Set 09, 2018 3:15 pm

    A onça pintada correu, as pedras rolaram pelo rio, as árvores chacoalharam, a noite tomou-se de total escuridão. Valerie nunca tinha presenciado um tremor de terra, algo que a fez temer por si mesma e por sua matilha. Fincou-se sobre suas quatro patas, tentando manter o corpo o mais rente possível do chão. Por alguns segundos, teve a sensação de que uma fenda se abriria sobre eles, jogando-os sob algum tipo de abismo umbral. Mas ela não podia demonstrar temor. Ela era a Alpha. O som de dor vindo da montanha após os breves, porém terríveis segundos de tremor, fez Valerie lamentar pela Wyld, por Gaia, pelos Garou e pelos seres humanos. O fim estava cada vez mais próximo e sinais se mostravam que haveria brevemente batalhas contra seres dos quais ouvira falar apenas nas profecias que seu mentor lhe contava.

    Seus pensamentos se tornaram ainda mais dolorosos com a visão compartilhada por Gwen. A dor da Mãe era visível no que vira e teve vontade de uivar pelo Rei Trovão por forças para enfrentar todo aquele caos que estava por vir. Mas não podia. Engoliu seco, sabendo que naquela escuridão espectral, algo que os expusesse na Umbra poderia levá-los a sérios perigos.

    Através de sua comunicação telepática com Gwen e Antônio, disse-lhes:

    - Estamos em um ambiente de absoluta escuridão. Em minha forma lupina, acredito que levo vantagem em relação à visão nesse ambiente inóspito, por isso, fiquem próximos a mim, de maneira que possam sentir meus pêlos junto a vocês. Na Umbra, tenho limitações para mudanças de forma, mas vocês precisam se conectar com seu instinto primitivo e assumir suas formas de batalha. Não sabemos o que pode acontecer daqui para frente. Antônio, você pode tentar se conectar com algum espírito da montanha para entender melhor o que está acontecendo, por favor. - disse ela solenemente. - Conheço todo esse terreno como a palma da minha mão. Posso guiá-los no leito do rio abaixo ou podemos aguardar a comunicação com algum espírito para entender melhor o que se passa.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Dom Set 09, 2018 8:14 pm

    Antonio Xavier sente a terra tremer e sua mente estremece. Como seria possível um abalo como esse em terras brasileiras? Como seria possível uma oscilação como essa na Umbra? Os pensamentos rapidamente passavam como flashes na mente do garou que só conseguia enxergar uma resposta na menina que Valerie perseguia.

    Gwen inicia uma comunicação telepática e compartilha de sua visão, sua dor, seus anseios. O Portador da luz sente, pleno de empatia, o martírio vivido por sua amiga, contudo Antonio foi ensinado a racionalizar os sentimentos e consegue manter sua mente funcionando, lembrou de Mestre Joshu: "Então, vá lavar suas tigelas!"

    "Estar presente e atento às atividades do momento. Ser capaz de responder com adequação e assertividade às necessidades verdadeiras. Nada além disso."

    Antonio ouve com clareza as palavras de sua Alpha e sem ao menos respondê-la se concentra e declama:

    "- Espírito da montanha,
    não trema com minhas palavras.
    Tudo, nesse momento, me estranha
    mas nada me para.
    Venha até a mim, este humilde servo que chama,
    torne minha mente clara
    ilumine-me com sua chama
    deem-me a honra de sua fala."
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Seg Set 10, 2018 8:46 am

    Nada além do silêncio permanece após o tremor. A invocação de Antonio parece ter falhado. Mesmo caminhando pela Penumbra na noite de Samhain, o espírito da montanha, O Avô, é uma entidade por deveras demais poderosa para que seja invocada sem os ritos apropriados. Da outra vez ele havia conseguido pois toda a decoração e preparativos feitos por Gwenhwyfar substituíam bem o ritual prévio. Mas no bosque não haviam os incensos nem as lanternas de papel. De qualquer forma, Antonio sentiu que precisava tentar. Porém, os espíritos pareciam assustados pelo tremor, e nenhum respondeu a sua invocação improvisada.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Seg Set 10, 2018 9:04 am

    Antonio Xavier sentiu em seu corpo o silêncio, cada poro foi preenchido por uma imensidão de nada e isso, incrivelmente, foi a "melhor" resposta que poderia ter recebido.

    Mesmo estando na Umbra, o que tornaria a conjuração um processo fácil, nenhum espírito, nem mesmo os mais inferiores, foi capaz de responder ao seu chamado. O entoar de seu mantra não recebeu retorno, apesar de Antonio entender o silêncio como resposta.

    O Theurge medita rapidamente sobre o que eles estão passando naquele momento e se comunica mentalmente com Valerie e Gwen:

    "- Dayenne, Gwen. Os espíritos não respondem ao meu chamado. Acredito que o abalo que sentimos aqui na Umbra os assustou.

    Antonio Xavier respira profundamente, como se não quisesse falar o que estava prestes a dizer:

    "- Pra mim, é possível que a menina que você estava seguindo, Dayenne, seja a causa. Precisamos seguir até o local onde você a viu antes de atender ao uivo de Gwen."
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    Re: Ventos do Inverno

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      Data/hora atual: Dom Set 23, 2018 12:14 am