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    Ventos do Inverno

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    Mellorienna
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Mellorienna em Seg Set 10, 2018 8:09 am


    If you could only see the beast you've made of me
    I held it in but now it seems you've set it running free

    --- Florence + The Machine, Howl


    Aurora Serena viu que a forma do lobo adotada por Dayenne era realmente a mais adequada para a perseguição que empreenderiam. Assim, enquanto Antonio recitava palavras para invocar um espírito, a Galliard mudou suavemente sua forma para a lupina, sacudindo os pelos vermelhos ao abandonar o vestido não-dedicado no chão da floresta.

    A forma de lobo de Aurora Serena exibia pelagem farta e brilhante, em cores de raposa que davam um ar gracioso para a Garou. Os olhos muito azuis faiscavam na pouca luz da Umbra e ela se sentou sobre as patas traseiras, olhando Antonio de modo solene. Nenhum espírito havia se manifestado.

    Teriam todos os espíritos fugido da Penumbra, como Antonio indicou? A loba ruiva olhou para a loba de pelos negros.

    (Com.Tel.) - À caça então! Lidere-nos rio abaixo, bhanrigh. Encontremos a fonte desse mal.

    Aurora Serena prepara-se para seguir Garras-de-Luna através da Umbra.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Seg Set 10, 2018 8:28 am

    Era muito estranho que todos os espíritos tivessem fugido assim, mesmo o totem da matilha ter se escondido atrás das árvores e nenhuma comunicação ter sido estabelecida pelo Theurge. Ponderou rapidamente enquanto Gwen assumia sua forma lupina. Eles precisavam mesmo entender o que estava acontecendo.

    - É melhor nos apressarmos. Precisamos entender o que está corrompendo a montanha na Umbra. Essa corrupção com certeza está acontecendo no mundo real e não temos percepção do que se passa. Talvez Gaia tenha nos guiado até aqui com esse propósito. Vamos! - e dizendo isso, começou a descer pelo leito do rio abaixo, furtivamente. Seus pêlos negros facilitavam a camuflagem no ambiente de total escuridão. - Antônio, fique próximo a nós.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Seg Set 10, 2018 10:13 am

    Antonio metamorfoseou-se em lobo também, acompanhando a marcha de suas irmãs de matilha rio abaixo na mesma velocidade de ambas. Na forma de lobo eram mais rápidos, e já conheciam o bosque. Desse modo, não tardaram em alcançar novamente a clareira ensanguentada e a entrada da gruta de onde Valerie havia ouvido a canção infantil.

    Os sussurros continuavam. Um chiado grave e baixo, como se alguém respirasse com muita dificuldade. Conforme a matilha avança pela entrada estreita, percebem que o túnel se alarga, atingindo o tamanho que seria suficiente para duas pessoas caminharem de pé lado a lado. A caverna está muito escura.

    Tosse. Além da respiração pesada, os Garou conseguem ouvir períodos entremeados de tosse molhada, ecoando pelas paredes através da escuridão, como se alguém dentro da caverna estivesse muito doente.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Seg Set 10, 2018 12:02 pm

    Estavam ali, à frente da gruta ensanguentada, avançando furtivamente pela entrada estreita. O túnel foi ficando mais largo, mas nem mesmo na forma lupina era possível ver muito bem naquele ambiente. O chão, de terra molhada e cascalho, característico de uma gruta à beira de um riacho, tinha um barulho suave de água corrente, como se escorresse das paredes de rocha nua e constantemente úmida, mantendo o túnel sinuoso sempre com a frieza invernal. Não era possível ver muito longe, exceto alguns passos à frente, mas pelo constante barulho de água corrente, seus passos eram facilmente despercebidos. - Fiquem próximos a mim - sussurrou Valerie para seus irmãos de matilha.

    Alguns metros adiante, uma luz parca se mostra após uma curva do túnel. Os pêlos de Valerie se arrepiam e seu estômago embrulha novamente com o mesmo cheiro de antes, algo familiar, algo que conhecia, mas não sabia identificar de onde. Era assombroso, mas seguiu adiante com cautela. Além disso, uma respiração pesada e tosses ecoavam pelo túnel, tornando-se mais nítidas à medida que avançavam.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Mellorienna em Seg Set 10, 2018 12:59 pm


    Believe yourself and look away
    From all that's right within you
    Leave all your worries at the door and drift away

    --- Epica, Storm The Sorrow


    O cheiro de Dayenne preenchia a gruta a frente, não apenas aquele que efetivamente emanava da loba de pelos escuros, mas um outro perfume, igual e diferente. Como uma nota levemente desafinada. Uma dissonância sombria crescendo no padrão.

    Ao avistarem a luz, a alfa conclamou os demais para ficarem próximos, mas Aurora Serena apertou o passo, ultrapassando a líder sem interromper a corrida em direção a luz.

    (Com.Tel.) - Posições de batalha! - a Galliard, ainda em plena corrida, iniciou a transformação para a forma Crinos, continuando o galope em direção à luz moribunda.

    As garras afiadas pela Mãe rasparam no cascalho do chão da gruta a medida que o corpo de Gwenhwyfar assumia a forma guerreira. Não tinham um Ahroun e estavam invadindo uma gruta sem tropa-de-choque. Mas ela protegeria sua Philodox e seu Theurge - e trariam de volta Glória para a Onça-Pintada!


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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Seg Set 10, 2018 2:37 pm

    Antonio Xavier caminha junto de Gwen e Dayenne, o perigo estava cada vez mais próximo, aquela respiração e a tosse molhada eram de dar arrepios. O Theurge não sabia o que iria encontrar e ao ver Gwen mudando sua forma e tomando a frente para batalha, ele rapidamente buscou seu lobo interior, concentrando-se para tomar a forma de batalha desejada: Crinos.

    Após sua transformação o Portador da luz ficou ao lado de Gwen, colocou a mão de leve no ombro da Galliard e passou ligeiramente a frente da companheira de matilha. O garou aguçou o máximo que pode seus sentidos e passou a caminhar atentamente com o maior nível de vigilância que conseguia.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Seg Set 10, 2018 2:45 pm

    A matilha avançava em fila indiana, pois dois Crinos não conseguiriam andar lado-a-lado naquele corredor sem ficarem desconfortavelmente apertados. Com Antonio corajosamente como ponta de lança, os Garou avançam na escuridão. Onde a visão falha, os outros sentidos afloram.

    Sussurros preenchem a escuridão, como uma respiração dolorida, insuficiente. Uma respiração sofrida e pesada.

    Os dedos dos pés afundavam na terra fofa e molhada um ou dois centímetros, e a água minava por entre os dedos. Cascalhos finos se quebravam entre cada passada, produzindo estalidos breves e abafados pelo som da terra fofa comprimida conforme andavam.

    Uma sequência de tosse ecoa pelas paredes de pedra. Tosse molhada, com o gorgolejar típico de doenças graves.

    As mãos tateavam as paredes de pedra nua, e era possível sentir o frio da umidade em seus dedos, e o toque aveludado do líquen, que preenchia as reentrâncias na rocha de tempos em tempos.

    o gotejar de água e a sua fluidez era ecos constantes, e muita vezes vocês se pegam pensando em chuva.

    É possível sentir que o túnel é um declive. Estão descendo, entrando na montanha. Andando por corredores sinuosos na escuridão.

    E, por Luna, está frio. Cada vez mais. Mesmo Gwenhwyfar, que já sentiu o beijo da neve da Sibéria sente seus pêlos se arrepiarem conforme adentram na caverna.

    Então, após vários minutos (ou horas? o sentido de tempo fica torpe na escuridão) de caminhada hesitante, uma suave luz azulada ilumina o final de uma curva. Quando a matilha alcança a luz, perdem o fôlego. Uma câmara enorme jaz a sua frente. Cristais de luz azul nascem das paredes e iluminam o salão com sua luz fantasmagórica. Pilares gigantescos de rocha parecem sustentar a escuridão onde ficaria o teto. Que, graças a luz fraca dos cristais acima, se assemelha em muito a um céu estrelado.

    Um leito subterrâneo congelado corta o salão, alimentado por uma cachoeira paralisada no tempo pelo frio que preenche a câmara. Diversos espíritos habitam o salão, e seus movimentos fugidios podem ser vistos por aqueles que olharem com atenção.

    Mas o que mais chama a atenção é o velho que jaz próximo à cachoeira. Ele está sentado sobre um cristal de luz fraca, que parece pulsar lentamente. Seus pés antigos estão enterrados no cascalho do leito que margeia a cachoeira. Seus olhos fechados exprimem o sofrimento com o rosto muito enrugado, marcado pela severa passagem dos anos. O ralo cabelo muito branco lhe cai sobre os ombros pesados e até o meio das costas curvadas. A espessa barba branca esconde metade de sua face contorcida de agonia. Sua respiração são os sussurros que eles ouviam nos corredores da montanha.

    O velho se apóia curvado, sobre um cajado. Ele leva a mão à boca e tosse, e sua tosse parece o trovão. E quando ele se move, tentando endireitar as costas como o velho cansado que é, o chão e as paredes da caverna tremem, fazendo cair o cascalho da abóbada acima, além da vista e perdida na escuridão.

    Pesadas correntes de aço negro cobrem o corpo do velho, agarrando-se em seu pescoço, tornozelo e braços, enroscando-se em seu torso. As correntes parecem machucar o idoso, marcando e ferindo a sua pele frágil. Ele se curva sob o peso delas, e contorce o rosto em agonia.

    O Avô está diante da matilha. E está morrendo.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Seg Set 10, 2018 3:50 pm

    Gwen ignorou o que sua Alpha falou e logo se tornou Crinos, emparedando a passagem do túnel com sua forma de batalha. Antônio seguiu o exemplo da Beta, e passou à sua frente, mas o túnel era estreito demais para que todos andassem lado a lado. Não podia culpá-los, afinal, mesmo para lobos, a iluminação era ruim e não dava para ter a real dimensão do túnel que seguiam. Valerie balançou a cabeça em reprovação. - Super estratégia - pensou. Então, seguiu o mais agachada que pôde próximo ao chão, olhando o caminho por entre as pernas dos enormes Crinos à sua frente.

    Os sussurros continuavam, uma respiração pesada era ouvida pelos três Garou. O caminho começou a ficar levemente ladeirado e cada vez mais frio, seguindo sinuosamente para o coração da montanha até perder a noção do tempo de caminhada. Seu mentor comentou certa vez que as pessoas podem passar horas e até dias na Umbra, com a percepção de que foram apenas poucos minutos. Será que era a isso que ele estava se referindo?

    A luz azulada ao final de uma curva conduzia a uma abóbada cristalizada pelo tempo e espaço, que se enevoava com o frio e uma luminosidade fraca vinda de espécies de estalactites. Olhando para cima, era como ver o céu estrelado de uma noite de lua crescente. Era uma visão linda e ao mesmo tempo desoladora, um salão cortado por um rio caudaloso congelado, vindo de uma cachoeira envidrecida. Valerie ainda sentia aquele cheiro. Estava mais fraco, mas ainda estava ali.

    Foi quando a Alpha o viu. Um velho sentado à luz da cachoeira. Mas não era um velho qualquer. Era o Avô. Reconhecê-lo, um espírito de tanta imponência, tão doente e encurvado sob o peso de correntes que lhe crivavam a carne. Uma profunda tristeza invadiu seu coração e jurou em seu âmago vingança por Gaia a todos que tinham levado o espírito da montanha a tão débil condição.

    Valerie deu então alguns passos à frente. Os espíritos ali presentes estavam assustados com as presenças deles, mas ela sentiu que precisava se aproximar. Andou cuidadosamente sobre a superfície de gelo, até chegar aos pés do Avô. Deitou-se, então, próxima a seus pés, em sinal de respeito e reverência.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Mellorienna em Seg Set 10, 2018 8:52 pm


    Bury my dreams, dig up my sorrows
    Oh, Lord why
    the angels fall first

    --- Nightwish, Angels Fall First


    Aurora Serena contemplava a cena com o coração pesado. Em sua forma Crinos, abria caminho entre os espíritos assustados a medida que se aproximava da figura sofrida do Avô. Dayenne tinha se deitado aos pés do Totem do caern em sua forma lupina, mas não esboçou comunicação além da singela reprovação ainda no corredor de pedra. Talvez ela não se lembrasse da Comunicação Telepática, ou só quisesse dar uma dura nos companheiros de matilha. Fosse como fosse, Gwenhwyfar achava que a alpha talvez não estivesse equipada para falar com espíritos - assim como ela própria. Por sorte, tinham Antonio junto.

    Baixou os olhos e o corpo em uma reverência elegante diante do Avô, mesmo na forma guerreira. Aproveitou a proximidade para observar as correntes, percebendo com pesar e revolta que estas estavam presas ao próprio corpo do espírito ancião, de forma grotesca e agressiva, verdadeiramente torturante. Sabendo que não poderia libertá-lo, a Fianna passou então a percorrer a caverna bela e misteriosa em busca de rastros. Qualquer sinal da menina que Dayenne havia descrito, ou do sangue que viram na entrada. Através do faro, buscou localizar aquele cheiro peculiar que havia sentido, tentando estabelecer uma trilha a seguir.

    Confiava inteiramente em Antonio para lidar com os espíritos, mas - para todo o resto - queria estar preparada.

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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Seg Set 10, 2018 9:20 pm

    Nesta triste masmorra,De um semivivo corpo sepultura
    (Tomás Antonio Gonzaga, Lira XIX, 2)

    Antonio Xavier sente a dor do mundo percorrer cada singela parte de seu organismo ao avistar a cena do Avô, um grande martírio é vivenciado pelo Portador da Luz, uma pequena lágrima percorre lentamente o seu rosto, alguns versos aproximam-se de suas lembranças, um soneto de Gregório de Matos que descreve a dupla natureza das lágrimas: uma origem física e emocional simultânea, um dualismo sensorial entre a cor rubra sentimental e a cor literal cristalina.

    Os olhos do theurge percorrem os grilhões que aprisionam o espírito, observa ao redor a umidade dura, a triste masmorra e mais uma vez viaja no tempo e ouve versos ressoando em sua mente, versos de dor pela prisão:

    Por morto, Marília,
    Aqui me reputo:
    Mil vezes escuto
    O som arrastado,
    E duro grilhão.

    Meteu-me nesta infame sepultura,
    Que é sepulcro sem honras,
    Breve masmorra, escura.

    Lentamente, Dor-serena se aproxima do Avô, faz uma reverência humilde e respeitosa, olha para suas próprias mãos e fala:

    "- Sábio e grande espírito, estou aqui neste martírio de sentir o seu próprio sofrimento. Diga a mim como posso assisti-lo? Minhas mãos, meros instrumentos da cura, podem ajudá-lo?
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Ter Set 11, 2018 10:16 am

    O Avô abriu os olhos em resposta a Antonio, e seus olhos tem a profundidade da montanha. Um verde escuro, quase preto, profundo e vivo. A despeito da provação que o antigo espírito enfrentava, aqueles olhos estavam vivos. Ele passa alguns momentos observando a matilha enquanto respira sofridamente.

    -"Jovem Antonio. Faz tempo que não conversamos. Dayenne e Gwenhwyfar estão bem aqui, posso ver. Mas onde estão os dois irmãos? Hannibal e Jack? Estão todos bem, espero."- O ancião esboça um sorriso sôfrego, antes de ter uma crise de tosse novamente e se curvar um pouco mais sob o peso das correntes. Ele tinha a voz rouca e gutural, embora cansada, e falava de modo que todos o entendessem, e não apenas Antonio.

    -"Eu lamento não poder recebê-los em melhor condição, meus filhos. Ao que parece, a Corruptora estendeu suas garras até as minhas entranhas."

    ***

    Os espíritos se escondiam quando Gwenhwyfar passava. Eles estavam amedrontados. O que poderia fazer espíritos sofrerem tanto? Ficarem tão assustados? O que diabos poderia ferir um espírito? Porque eles estavam assustados?

    Explorou o saguão da caverna, e percebeu que, além do corredor por onde tinham chegado, quatro outros se ramificavam, rumo ao interior da montanha.

    Durante todo o percurso, sentiu que estava sendo vigiada.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Ter Set 11, 2018 3:26 pm

    Valerie olhou para o Avô, que sofria. Até mesmo em sua voz poderosa, era possível perceber o cansaço e a dor que se apoderava do espírito. Sabia que havia muitos tentando corromper aquele solo, mas não sabia a que ponto chegava. Solenemente, sentou-se e colocou uma de suas patas sobre o joelho do Avô. Em seguida disse:

    - Grande Avô, totem do nosso Caern, por Gaia, descobriremos o que está corrompendo esse sagrado ambiente e vamos destruir essa mácula. Mais cedo, persegui uma sombria presa que entrou nesta montanha, deixando um rastro de sangue e morte. O senhor tem ideia de que ser pode ser esse? Uma cria pútrida da Wyrm, com vestes brancas e cabelos negros... - e hesitando por um momento continuou - Havia, no entanto, algo familiar em seu cheiro, algo que não consegui identificar...

    E baixando a cabeça, completou:

    - Quanto aos meus primos, apesar de todo o esforço para ficarmos juntos nessa delicada noite na qual a Película está mais fina, optaram por estar em outros lugares, no seio da Weaver...

    Olhou para o lado e viu Gwen fazendo uma varredura ao redor da caverna. Os espíritos, amedrontados, corriam para cá e para lá enquanto ela buscava algo suspeito. Era uma boa irmã de matilha, buscando a segurança de todos, mas em meio a tanta graciosidade de movimentos, Gwen precisava às vezes centrar no entendimento da situação, para em seguida tomar atitudes. Por isso precisava de liderança. Entretanto, Valerie sabia que sua intenção era boa, para evitar serem pegos de surpresa por algo. Usando sua comunicação telepática, a Alpha perguntou para ela: - Encontrou algo? Se não, venha para perto de nós, mas fique alerta. O Avô pode nos dar algumas respostas.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Ter Set 11, 2018 9:15 pm

    Antonio fica bastante apreensivo e busca respostas em seus conhecimentos para poder de alguma maneira ajudar ou aliviar um pouco a dor do grande espírito Avô. Enquanto Gwen procura por alguma pista na caverna, Dayenne conversa com o espírito, neste momento, o Portador da luz se aproxima do Avô e mexe em sua bolsa (objeto que sempre carrega com ele).

    Antonio busca alguns elementos e enquanto os separa se dirige ao Avô e a Dayenne:

    "- Dayenne, Avô, tentarei aliviar os sintomas que o Senhor enfrenta através de um Ritual de Purificação."

    O Theurge acende com um isqueiro um ramo de folhas e traça com o ramo fumegante um círculo em sentido anti-horário ao redor do Avô. Em seguida, ele molha o ramo com água de um frasco e segura o cordão em seu pescoço, que possui um pequena garrafa com um flor de camomila.

    A partir deste momento, Dor-serena inicia uma repetição contínua de pequenos versos ensinados pelo velho e sábio Mestre Chan:

    "-Yu Mo Gui Gwai Fai Di Zao"

    Ele se aproxima novamente do Avô e respinga o ramo sobre o espírito sem deixar em nenhum momento de emitir as palavras do mantra.


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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Mellorienna em Ter Set 11, 2018 10:03 pm


    'Cause I was filled with poison
    But blessed with beauty and rage

    --- Lana Del Rey, Ultraviolence


    Dayenne Valerie era sempre preocupada demais com a proximidade dos membros da matilha. Ao escutar os pensamentos de sua bhanrigh formulados em sua mente, Gwenhwyfar olhou para a Garou por sobre o ombro em sua forma Crinos e assentiu com um gesto. A Philodox certamente tinha problemas de confiança e gostava de manter os outros ao alcance dos olhos - e das garras. Aurora Serena acreditava que isso se devia a experiências difíceis, em especial no seio da Tribo, e culpava silenciosamente os Senhores das Sombras pelos traços distintos de paranoia maníaco-compulsiva que detectava na amiga.

    Gostava de Dayenne, verdadeiramente. Não pensou que isso pudesse ser possível, dada a desconfiança natural que nutria pela Tribo de sua alpha. Mas a Philodox havia se provado uma líder equilibrada e bastante justa, na maior parte do tempo, e isso era mais do que poderia esperar de uma liderança que não fosse Fianna. A bem da verdade, ter uma Juíza como bhanrigh era uma sensação familiar e Gwenhwyfar aproveitava o homecomig que isso significava.

    De igual maneira, gostava verdadeiramente de Antonio. Ouviu quando ele começou a recitar os versos ritualísticos e torceu para que a intenção do amigo resultasse em bons frutos. O Theurge era realmente muito dedicado e tinha um coração heroico por baixo daquela camada plácida de lucidez constante. Aurora Serena acreditava que o treinamento quase estoico a que o Portador da Luz Interior se submetia enganava os olhares mais desatentos: Antonio seria capaz de lançar-se às chamas do Inferno para resgatar um amigo em perigo. E, para a Galliard, não poderia haver bravura maior que essa.

    Andou devagar, indo e voltando, analisando as quatro passagens que encontrou. Na forma guerreira, farejou e tocou as pedras que bloqueavam os corredores, em busca de pistas. Nada. Nenhuma marca de sangue. Nenhum cheiro específico. A caverna parecia segura, embora a sensação de estar sob observação a acompanhasse a cada passo. Indistinta, sem uma direção, sem forma. Apenas a vaga e irritante sensação de ser seguida por olhos invisíveis.

    Movendo-se com graça cada vez mais evidente a medida que diminuía de tamanho, retornando aos poucos à forma original, Gwenhwyfar acercou-se do Avô e dos companheiros de matilha já como hominídea, envergando à guisa de traje tão somente um longo cordão de ouro branco de onde pendia um floco-de-neve no mesmo material, que brilhava de maneira encantada entre seus seios, refletindo a luz azul dos cristais da caverna. Embora aquela fosse a primeira vez que Dayenne e Antonio a viam nua, Gwenhwyfar não parecia se importar minimamente com o fato, movendo-se com a típica delicadeza de Fada que caracterizava seus gestos, sem qualquer traço que não a mais pura naturalidade.

    - Nobre Avô, vivemos para servi-lo diante de Gaia. Seus conspurcadores serão nossa presa e, pelos Chifres do Gamo-Rei!, pagarão em sangue o preço de sua dor. - os olhos da ruiva eram muito azuis e brilhavam como se animados por um fogo fantasmagórico enquanto ela sentava sobre os calcanhares diante do espírito ancestral, aguardando o desfecho do ritual.

    Quase sem perceber, tomou uma mecha de seus cabelos-de-fogo e passou a trança-la, de forma intrincada e em nada similar às tranças comuns que se vê por aí. Com a habilidade de quem domina um alfabeto desconhecido, Gwenhwyfar trançou Saúde e Sucesso em sua mecha ruiva, em nós celtas, colocando em cada volta o desejo de que o Avô pudesse encontrar alívio na presença dos três ali.

    - Bhanrigh, eu deveria tentar buscar os demais Garou do caern? Traze-los aqui? Talvez o líder entre os Theurges? - a Galliard olhou para a loba de pelos negros e esperou pela decisão acerca do melhor de curso de ação a seguir.

    Tellurian
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Qua Set 12, 2018 10:59 am

    O Avô levanta sua mão com dificuldade e a pousa sobre a cabeça de Valerie, acariciando sua forma lupina entre as orelhas, e lhe oferece um sorriso cansado. Ele aparenta satisfação com a preocupação de seus filhos.

    Gwenhwyfar retorna a sua forma natural, nua em sua glória, mas imediatamente sente a pele se arrepiar pelo tremendo frio que preenche a caverna, suficiente para congelar uma cachoeira. Ela se senta sobre seus calcanhares e se encolhe, tentando em vão se proteger do frio que a domina. Felizmente, Antonio inicia o rito de purificação, e ela muda novamente para a forma Lupina, para poder realizar o uivo final da cerimônia.

    Antonio repete as palavras sagradas que lhe foram repassadas pelo grande Shifu Chan, enquanto traça um círculo no chão ao redor do antigo espírito, em sentido anti-horário. O ritual, mais uma vez, precisa ser feito de improviso. Porém, a situação do Avô exige que se faça algo com o que se tiver em mãos. Antonio acende uma pequena fogueira, e joga nela raspas de tronco de pinheiro, que encontrou na floresta lá fora. Ele derrete com o fogo um pouco da água congelada do leito subterrâneo, apenas o suficiente para molhar um ramo de folhas que buscara no exterior. Andando ao redor do Avô, o Theurge realiza os cânticos sagrados enquanto asperge água sobre o ancião.

    Quando completa três voltas, emite o uivo que marca o final da cerimônia, sendo acompanhado pelas suas irmãs de matilha.

    As correntes se afrouxam por um momento, e o Ancião suspira aliviado. Porém, o alívio dura pouco. Imediatamente, as correntes rangem e todos tem a impressão que elas crescem, e o peso retorna, mantendo o espírito imobilizado e curvado, soltando uma exclamação sofrida de dor.

    -"Da... Dayenne.... N... Uuurgh... Não seja tão crítica com seus irmãos. G-gaia dá d-diferentes cores a todos... Seus irm... Cof cof cof... São como precisam ser. U-uma boa líder tem paciência.."- falar causava intensa dor ao espírito, e demandava grande esforço. Ele contorcia o rosto de dor enquanto falava, mas seus olhos não abandonavam a expressão bondosa.

    -"T-tenham cuidado, meus filhos. Ela está aqui. A Faminta. Meu poder a mantém afastada, mas ela se alimenta de meus mananciais e eu estou fraco... Cof cof cof... Vão embora e salvem-se, enquanto eu ainda posso protegê-los. Vão embora, antes que Jacqueline devore a vocês também."- o ancião falava tentando elevar os olhos para vigiar o entorno, mas a dor era imensa.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por DayenneValerie em Qua Set 12, 2018 1:58 pm

    Gwen voltou, aparentemente contrariada, retomando sua forma hominídea à medida que chegava perto do Avô. Era a primeira vez que a via totalmente nua. Mesmo em seus banhos na jacuzzi, quando Valerie estava por perto ela sempre estava usando algo, mesmo que mínimo. Sua naturalidade com a nudez era mesmo típica de uma Fianna. O corpo lindo que veio à tona à medida que a forma de batalha deixava sua tez também não ficou à mostra durante muito tempo, diante do frio. Ela ainda ensaiou umas intrincadas tranças nos cabelos aos pés do Avô, mas o frio a fez querer voltar à forma lupina. Valerie apenas observou a cena. - Melhor nem comentar... - pensou.

    Então o Avô fez cafuné na cabeça de Valerie, algo que não podia deixar de achar agradável, por mais que pensasse que demonstrar prazer nisso poderia desmoralizar sua imagem de Alpha. Enquanto isso, Antônio fazia o rito de purificação e, ao terminar, foi acompanhado em seu uivo por Valerie.

    Não pareceu durar muito o alívio do grande Avô, o que deixou Valerie ainda mais consternada diante de sua condição. Movida de profunda empatia, por um momento, sentiu sua dor e moveu-se de íntima compaixão. Precisavam fazer algo.

    Ele falou para ter mais paciência com seus irmãos e ela vinha buscando desenvolver isso para tornar-se uma Alpha melhor. Mas como era difícil com aqueles dois... No entanto eram sua família de sangue e de Tribo e a unidade precisava ser mantida. Por isso ela se esforçava.

    Foi quando o Avô interrompeu seus pensamentos. A Faminta. A expressão era familiar. Seu mentor já havia feito menções a essa expressão, mas ela nunca entendeu exatamente do que se tratava, relacionando a palavra à Wyrm, a Corruptora. E Jacqueline? Quem era? Uma cria da Wyrm, certamente. Com certeza aquela criatura que vira cantando à sua janela. Olhou para o Avô uma última vez e virou-se para Gwen e Antônio.

    - Precisamos reunir a matilha completa. Vamos buscar Jack no aeroporto. Teremos um novo convidado. Quase um príncipe. Explico no caminho. Precisamos saber por onde anda Hannibal e o Predador. Estou preocupada com eles. Em seguida, voltaremos para o Caern, onde vamos comunicar o que vimos ao grande ancião Theurge. Vou precisar de uma conversa com meu mentor também. Vamos! - e começou a seguir na direção do local por onde entraram.
    Mellorienna
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Mellorienna em Qua Set 12, 2018 2:19 pm


    Oh ela era uma tola, realmente. Achou que acalmaria os espíritos ao se apresentar na forma hominídea, deixando a Crinos guerreira. Mas quase congelou de frio. Tola e imprudente. Mudando para lobo e acompanhando o uivo ao fim do ritual, Gwenhwyfar viu com pesar que não poderiam ajudar o Totem. Precisavam de ajuda.

    Acompanhou os diálogos, tomando nota mental de cada nome, de cada referência. Jacqueline. A Faminta. Abaixou-se elegantemente em reverência ao poderoso Totem tão sofrido, os olhos azuis faiscando de promessas de vingança e de ternura. Passou a seguir a alfa de perto, em silêncio, a mente trabalhando em alternativas para os problemas que a Noite de Samhaim descortinaram diante de todos.

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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por antonio xavier em Qua Set 12, 2018 3:26 pm

    Antonio viu os resultados momentâneos de sua iniciativa com um ar de otimismo, porém foi apenas uma lição e pode compreender e sentir parte de seus ensinamentos sobre como tudo é momentâneo, como tudo é passageiro.

    A visão e o carinho do Avô o faziam sentir uma tristeza profunda, sua incapacidade de fazer algo para mudar aquele quadro agravava um pouco aquela dor de mundo que carregava sempre com ele. O Theurge ouviu as palavras de sua Alpha e antes de acompanhá-la, ele olhou para o Totem e falou:

    "-Me Desculpe!"

    Após sua voz sair e ser levada pelo ar, o Portador da luz busca em seu interior a forma lupina. Assim que se torna um lobo, mesma forma de suas companheiras, Antonio caminha em direção a Dayenne para acompanhá-la e seguir às suas ordens.
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    Re: Ventos do Inverno

    Mensagem por Tellurian em Qua Set 12, 2018 3:41 pm

    o grupo corre, deixando o espírito ancião para trás, com a promessa de breve retorno. O coração de todos estava pesado quando saíram do salão principal e retornaram aos corredores escuros. O que poderia ter deixado um espírito tão poderoso quanto o Totem do Avô tão abalado, tão consumido? E mais, quem teria coragem de tratar assim um espírito tão nobre e amoroso? Precisavam da matilha, precisavam de seus irmãos. E precisavam de seus líderes.

    Contudo, a voz do ancião se eleva como trovão, com uma severidade muito diferente do tom carinhoso de antes, fazendo todos olharem para trás com preocupação.

    -"Você não triunfará, demônio."-

    Quando se viram, vêem o velho debilitado fazendo imenso esforço para se levantar, à despeito do peso terrivel das correntes que o imobilizam. Ele parece querer se afastar de seu perseguidor. A montanha treme em resposta, derrubando pedras do teto e fazendo os joelhos falharem quando a terra sacode.

    E o grupo vê o algoz do Avô. Uma menina de pouco mais de seis anos, de cabelos escuros caindo sobre os ombros, camisola branca, e abraçada a um urso de pelúcia.

    Uma menina com olhos negros de boneca e dentes de tubarão.

    Ela acena para a entrada do túnel, e ele se fecha. E a montanha convulsiona.
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    Re: Ventos do Inverno

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