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    Lembranças de outros dias

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    Tellurian
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    Lembranças de outros dias

    Mensagem por Tellurian em Ter Set 04, 2018 4:18 pm

    Este tópico é para que os jogadores que desejarem escrever histórias spin-off sobre seus personagens. Aventuras anteriores, pequenos contos, backgrounds elaborados.

    Nos brindem com cenas lindas sobre seus personagens!

    Eu vou avaliar cada história postada. Histórias realmente boas irão render XP, Renome e/ou pontos em Antecedentes.

    Caprichem!
    Gwen O'Dyna
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por Gwen O'Dyna em Ter Set 04, 2018 11:10 pm


    Trecho do background de Aurora Serena, sobre a Galliard e seus irmãos
    ----- para @DayenneValerie, entusiasta do amor fraternal <3


    ---------------------------------------------------------------------

    Sonhava com Gaherys de tempos em tempos, sonhos vívidos que atribuía ao fato de o irmão ser um Theurge. O treinamento dos Druidas contemplava mistérios além da compreensão da jovem ruiva, mas sentia-se sempre mais animada depois desses sonhos, em que tinha notícias de casa nas quais acreditava com fé reverente. “Bedwyr sente falta de suas Bênçãos de Fada, Gwenhwyfar Le Fey. Todos sentimos”, o irmão dizia com frequência. E ela caminhava até ele, no cenário onírico das florestas virgens das Terras Altas, e recitava as palavras da brincadeira de infância que tinham: “Que a Mãe e Dannu olhem por você do Outro Lado e o tartan dos Campbell guarde seu coração do mal”. Beijava Gaherys e toda vez era transportada para a mesma lembrança. “Você não teve culpa, fada minha. Quero outro beijo para saber que ficará em paz” – o irmão tinha um sorriso solar e ela quase podia acreditar nele. Quase.

    Era criança. Tinha cerca de nove anos. Não, tinha exatamente nove anos. Bedwyr vinha até ela na Umbra. O irmão era um jovem Ahroun formidável, a voz poderosa como o rugido das cachoeiras, límpida como o trovão que se desenrolava ao longe antes de uma grande tempestade. “Afaste-se da minha irmã, Sídhe – ela se lembrava de ouvi-lo dizer. Não sabia o que era um Sídhe. Mas tinha uma amiga ao seu lado, uma menina, e ela tinha dado uma romã para que comesse. Pegou um dos grãos vermelhos da fruta – vermelhos, translúcidos e brilhantes, como seus cabelos. Abriu a boca para provar. “Não coma isso, Gwenhwyfar. Entregue para mim.” – a voz de Gaherys a alcançou a meio caminho da boca e ela interrompeu o gesto, olhando o irmão por algum tempo antes de entender o que havia de errado. Eles estavam preocupados. Ela não entendia porquê.

    A menina insistia para que comesse. Estavam de mãos dadas, sentadas na beirada do promontório que dava vistas para o mar. Uma queda de dezenas de metros logo abaixo, onde seus pezinhos se balançavam, descalças as duas amigas sentadas na beira do abismo. A menina sorria um sorriso impossivelmente largo. A ruiva piscou algumas vezes e teve a sensação de que a imagem da amiga se transformava em uma grande figura humanoide magra e alta. Como um graveto esticado. Largou a romã.

    Quando a fruta tocou a grama ao seu lado, as folhas imediatamente se tornaram negras e podres, e a garotinha gritou de susto. O grito nem tinha morrido em seus lábios quando o graveto-esticado a levantou do chão pelo pescoço, com uma única mão enorme de garras de árvore, e rugiu em desafio para seus irmãos. “Por três vezes três ciclos das estações esperamos pela filha de Nynaeve. A criança retorna comigo...” – tudo que ela viu foi o chão desaparecer sob seus pés quando a criatura a pendurou do abismo umbral – “... ou morre!” – e ela chorou.

    Não conseguia se lembrar direito do que aconteceu na sequência. Bedwyr partiu para cima do Sídhe e Gaherys lançou-se para ela quando o Changeling arremessou seu corpo por sobre o penhasco. O irmão simplesmente jogou-se atrás dela, enquanto gritava desesperada, e a abraçou forte junto ao peito. Ele só tinha quatorze anos. Gwenhwyfar tinha certeza de que ambos iam morrer. Olhando por sobre o ombro do irmão, viu Bedwyr ser ferido na luta contra a criatura, metros acima de seus corpos que caíam. Um corte terrível, do ombro até o umbigo, que fez o irmão – na forma Crinos guerreira – uivar de dor. No mesmo instante ouviu Gaherys dizer palavras que desconhecia e sentiu um frio como uma névoa atravessar sua pele. Bedwyr e o Sídhe sumiram e o irmão girou no ar, fazendo-a perder-se do contato dele por segundos que pareceram uma eternidade, antes de assumir a forma Crinos e agarrar-se à pedra nua com as garras afiadas por Gaia enquanto segurava a pequena irmã pela mão.

    Sabia que tinha subido nas costas de Gaherys e entrelaçado os dedos em seus pelos macios enquanto o irmão escalava a encosta com dificuldade. O braço que usou para interromper a queda havia se quebrado em três lugares diferentes, mas ele se manteve calmo. Com o uivo, avisou do perigo que Bedwyr corria. Quando chegaram ao alto do penhasco, sua matilha já estava ali e Gwenhwyfar foi levada de volta ao caern enquanto um pequeno grupo, liderado por sua mãe, rasgava a Película para resgatar o irmão mais velho.

    Gaherys estava ferido. Bedwyr foi trazido de volta quase morto. E ela chorava com frequência ao lado do leito do irmão. “Quem vai protegê-la desse coração doce quando eu não estiver por perto, Gwenhwyfar Le Fey? – foram as primeiras palavras de Bedwyr ao acordar, com um sorriso charmoso no rosto. E ao despertar de cada sonho Aurora Serena se fazia a mesma pergunta.


    Hagen
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    Alguns dias Atrás: Enquanto Haniball estava recebendo um boquete, Jack se despedia de sua amiga

    Mensagem por Hagen em Sex Set 07, 2018 2:33 am

    "Crawling angels and demons disguised
    The truth you don't know so try to be sure
    When your angels and demons arise
    Face the truth: God is not love!"

    '--- Angra, Angels And Demons.'





    "O Inferno está vazio e todos os demônios estão aqui."
    - William Shakespeare





    Cemitério Jardim da Saudade - Sulacap, Rio de Janeiro




    Poetas escrevem que o amor é um dos sentimentos mais puros que emanam um fulgor intrínseco, verdadeiro, indescritível... Há quem pense que o ódio seja uma convicção tão cândida, imaculada que seja uma ironia da vida estar sob o amor, há a conjectura que quando se odeia genuinamente, a cólera nutre estímulos ígneos e sombrios para a existência.

    Ódio, fogo e sombras...




    As sombras eram alimentadas naquela fatídica noite, o ódio dava uma pausa e dava as mãos para a vingança, se ausentando por um breve período dando lugar a uma profunda melancolia. A angústia camuflava as poucas lágrimas que desciam no rosto de Jack, o jovem Senhor das Sombras estava em um dos seus piores dias e ao contrário de todos, estava exposto à chuva, que descia dos céus de maneira fria, impessoal e invasiva, se misturando com poucas lágrimas que delineavam sua face austera, mesclando os pensamentos vingativos com a carne pálida, inerte e falecida de uma de suas grandes amigas, na verdade a última das cinco mortas nos últimos dois anos, era o fim uma amizade, um adeus soturno infeliz.

    Os passos demarcavam alterações nas poças pisadas e formavam manchas negras na água assim como o pesar era tingido de negro. Aquele dia era tão escuro que os céus se modulavam de acordo com o brilho das trevas que resplandecia no pesar da despedida e Jack sentia seus sentimentos um tanto confusos. Seu amor perante aos pais pendiam e eram subjulgados pelo ódio que sentia em querer dar o troco na corruptora, hoje, depois da morte de Helena, o pouco amor que sentia se esvaíra, se ausentando do coração do jovem, dando lugar ao vazio, um vácuo mental.

    ' - Jack, tem lugar para ficar? '

    '- Jack? Jack?'


    A atenção do garou era desviada. As palavras estavam distantes mesmo sendo proferidas a menos de dois metros de distância, Cólera-das-Sombras estava envolvido em pensamentos nocivos aonde seu amor se corrompia em cólera e pesar, era difícil escutar, seus ouvidos estavam em uma surdez triste que aos poucos como frequências de rádio, ia voltando a sua sintonia e aquele chiado com ruídos impertinentes iam dando forma a belíssima voz que chamava o garou, era a irmã de Helena, Sofia com suas cordas vocais que eram uma ode à tempestade que vociferava dos céus.

    - Perdão, Sofia... Não, não tenho lugar...'


    Aquela voz harmoniosa contrastava com os trovoes que ecoavam em ressonância, parecia que grave e agudo se debatiam em uma dança hipnótica aonde anjos e demônios reverberavam suas verdadeiras faces, mas a briga em si eram nos confins das nuvens e eram os mortais ali presentes que emitiam cânticos solenes e encantadores e era Sofia quem soprava aos ventos sua sinfonia final da dor. A delicadeza da voz triste de Sofia que chamava o garou, se espelhavam em um reflexo, os céus refletiam um espelho contrastando o embate dançante angélico e demoníaco e na superfície, um encontro de duas criaturas que exalavam uma imensa fúria, a Sombra reverenciava sua plenitude através do porte físico de Jack, os fios caliginosos em conjunção exata com suas íris que sempre demonstravam um mar negro de escuridão, evidenciando pequenas partes de um colosso das trevas. A graciosidade e sutileza de Sofia eram evidentes em sua herança, um misto de astúcia com um olhar hipnótico felino, uma voz suave que escondia sua grande ferocidade, era uma predadora, uma das mais fortes predadoras do mundo, uma Bastet.

    ' - Venha, vamos no meu carro, fique no meu apartamento, não te deixarei só. '


    Jack caminhava ao lado de Sofia que lembrava muito sua amiga Helena, as duas tinham em seu DNA a face dos Olhos de Seline, mas Helena era uma parente, enquanto Sofia era de fato uma Balam, os Bastets oriundos da América. Seu porte e força física era invejável, a graciosidade que andava demonstrava um aspecto felino de uma verdadeira predadora, uma onça. Sua irmã também tinha o mesmo porte e ar majestoso sendo bem similares nos trejeitos e aspectos físicos. As duas possuíam madeixas castanhas, pele levemente morena e um físico forte e feminino, o olhar de ambas demonstravam detalhes misteriosos, perigosos e ariscos. Ambas as criaturas sobrenaturais, tanto o garou quanto a Bastet vestiam-se parecido, com casacos impermeáveis jeans e tênis de couro.

    Saindo do Cemitério Jardim da Saudade em Sulacap no Rio de Janeiro em uma BMW Branca 323I, escutava-se apenas o som baixo do rádio, sintonizado na rádio chamada Transamérica. Era um domingo, as músicas não eram interrompidas por propagandas locais, fazendo com que o silêncio de ambas as criaturas sobrenaturais fosse pungente demais para se ter força para proferir palavras, independente do que pudesse ser dito. O ruído do para-brisas marcando um compasso em conjectura com o som saíndo das caixas falantes, era a única coisa que se escutava, naquele domingo de uma chuva intensa e intermitente, durante o caminho para seu apartamento na Barra da Tijuca.


    "I don't wanna close my eyes
    I don't wanna fall asleep
    'Cause I'd miss you, babe
    And I don't wanna miss a thing"

    --- Aerosmith, I don't want a miss a thing.





    Condomínio Waterways - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro




    Sofia estaciona o carro e logo sobe para o sua cobertura. Não tinha mais família, todos já tinham falecido e vivia longe de sua irmã que era uma estudante e sonhadora, uma jovem humana que era uma engenheira, iniciando junto com Jack sua pós-graduação. Se negava de trabalhar com sua irmã, uma renomada advogada que morava no Rio de Janeiro, possuindo um renomado escritório jurídico, querendo percorrer o seu próprio caminho e escrever sua história. Sem nenhum dos dois se comunicar, ambos foram tirando os sapatos e Sofia logo aparece com uma toalha e indica o caminho para a suíte que abrigaria o amigo de sua irmã. Jack retira suas roupas e toma um banho quente e acolhedor, que faziam sua mente se esvair em pensamentos distantes, escapando do momento doloroso e de despedida. Logo o Senhor das Sombras termina e coloca uma camisa e um short que estava em sua mochila, se dirigindo para a sala aonde Sofia já o aguardava, próxima de uma imensa varanda, observando o cair da chuva forte. A Bastet estava com um roupão preto com detalhes bordados em dourado, e tragava uma maconha que parecia ter sido feita de uma maneira delicada e artesanalmente perfeita. Na sua outra mão, estava se servindo de um uísque, Blue Label, um dos mais caros.

    ' - Servido, Jack?'


    A Felina pergunta ao mesmo tempo em que serve o garou, sem esperar resposta, colocando uísque no copo, aonde é interrompida:

    ' - Sem gelo, por favor. '


    A Balan serve o garou, aonde dá o copo em sua mão, e assim se senta, de frente pra ele, puxando novamente um trago de sua maconha, expelindo fumaça e aparentemente relaxando. Seu olhar fita o garou e olhando diretamente em seus olhos, ela puxa assunto.

    ' - Helena era uma jovem sonhadora... Gostava muito de você, por isso, não poderia te deixar na chuva...' - Sofia bebe um belo gole de uísque e se volta, falando pausadamente. - ' Mas eu e você sabemos que eu e você não somos humanos normais. Aliás, nem humanos somos, sinto sua fúria, como você mesmo com certeza sente a minha...'

    Helena dava enfâse nas palavras eu e você, por mais que ela não pudesse sentir que tipo de metamorfo era Jack, era possível notar que o mesmo possuía uma imensa raça pura, assim como ela mesma. Ambos apenas tinham uma certeza, ele não era um Bastet e ela não era um garou.

    ' - Não sou seu inimigo. Vim apenas para me despedir de Helena.'


    Sofia sorria de maneira maliciosa, com um ar de uma verdadeira rainha, soberana dentro do seu território, uma verdadeira onça-pintada exalando um porte digno de uma predadora, uma tez em sua face demonstrando que se precisasse, seria uma oponente fatal.

    ' - Um brinde à paz, como é formidável no meio das criaturas metamórficas reinar a paz. - Com uma risada singela, ela interrompe o que fala, para dar um gole em sua bebida e um trago em seu fumo -  ' O que é a guerra, quando enterramos aqueles que amamos? não sou sua inimiga, e por isso, te revelo quem sou, um voto de confiança. '


    Sofia coloca sua bebida em uma mesa que estava próxima de sua poltrona, erguendo a mão ela faz com que pêlos cresçam e suas garras apareçam, revelando uma pelagem amarelada como o ouro, com pintas negras que demonstravam o quanto era perigosa, aquele olhar arisco e fatal. Smith não se assusta com o gesto e ergue o braço para cima, fazendo com que apareçam pêlos negros e garras que demostravam o quanto poderia ser uma máquina de guerra.

    ' - Sou um garou, é o que precisa saber, estamos quites em confiança...'


    ' - Sim, como não...'


    Sofia se levanta e pega outra garrafa de uísque, colocando próximo para quando acabasse, já tivesse pronta para se servir. Ela  coloca uma dose dupla em seu copo, retornando para o seu lugar. Olhando para sua mão, ela vê os seus pêlos irem embora, assumindo novamente suas mãos fortes e suas unhas pintadas de carmesim, bem feitas e elegantes. Sofia fita por alguns minutos os céus que continuavam ecoando gritos de dor e choravam com sua tórrida tempestade dominical.

    ' - Cinco de suas amigas mortas. Todas da mesma forma, doentes. Mulheres em dois anos doentes, de um mesmo grupo, próximas... Jack, não acredito em coincidências.'


    Jack pensava o mesmo desde que sabia que Hellena ficara doente. Todas as cinco, Hellena, Ísis, Milena, Bárbara e Pietra, todas elas, belas, jovens, fortes e saudáveis, mortas da mesma maneira, doentes e subitamente levadas por febres fatais, sem explicação melhor do que uma virose, em um espaço de 2 anos. Cólera-das-Sombras, começava a investigar e pedira a um theurge para conversar com espíritos, o que fora sem sucesso algum. Através de evidências e montando quebra-cabeças, as coincidências eram enormes e gritantes entre todas. Todas as cinco eram parentes de metamorfos e naquele momento, ao saber que Hellena era uma parente Bastet, ratificava o quanto era estranho esse fato. Ísis era uma parente corax, Milena era uma parente dos Ananasis, Bárbara era uma parente dos Kitsune e Pietra que por último era uma parente Nagah. Todas as cinco no final de suas vidas estavam com a mesma marca nos punhos, como se formassem 5 pontos distintos.  Jack fitava Sofia rapidamente e sem confiar muito naquela que acabara de conhecer.

    ' - Não existem coincidências, eu assumo que é obra da corruptora. ' - Jack pensa em falar sobre o parentesco metamórfico de todas as outras, mas se cala, preferindo esperar conhecer melhor a mulher para poder revelar qualquer detalhe. - ' Irei me vingar delas, de uma forma ou de outra. Mas não sei o que fazer, ainda. '

    Sofia olhava o garou com curiosidade misturada com atenção. A mulher era mais velha, tinha lá os seus 33 anos, seus sentimentos sorriam com a juventude de Smith, o jovem fazia lembrar de sua irmã, com as fotos que a mesma enviava por emails, dos passeis e trilhas do seu grupo de amigos, as 5 beldades e o brutamontes, como os mesmos se apelidavam.

    ' - Garou, se descobrir algo... me avise por favor. '


    Sofia levanta e vai até o móvel na sala, pega um cartão de visitas que continha o telefone dela, e dá nas mãos de smith.

    ' - Souber de algo diferente da minha irmã, me avise... eu sou ocupada com a minha empresa, não me mudaria para Bela noite. ' - Sofia continua em pé, e dá uma longa golada no seu uísque, deixa sua maconha ali, que já estava apagada.  -  Fique a vontade, amanhã mandarei um helicóptero te levar, Hellena me contou que você não conseguiu dinheiro e está duro, fique tranquilo, irá pra casa em segurança... Boa noite. '

    Sofia começa a caminhar e assim se dirige para sua suíte, fechando a sua porta e indo descansar. Jack faz o mesmo, se dirige para o seu quarto, se acomoda na cama de casal e olha para o teto, escutando do lado de fora as gotas de chuva, e aquele frio que era trazido da maresia unida com a chuva, fazia com que Jack relaxasse e entrasse em um Sonho de espelhos.
    Sophia:



    Hagen
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    Dream Of Mirrors - O limiar entre a realidade e o reino do sonhar

    Mensagem por Hagen em Sex Set 07, 2018 3:41 am

    "All my hopes and expectation
    Looking for an explanation
    Have I found my destination?
    I just can't take no more"


    "Lutando para continuar dormindo, desejando que o sonho durasse para sempre, certo de que uma vez que acabasse, jamais voltaria……você desperta”.
    –-- Sandman.


    Dream Of Mirrors - Reino do Sonhar




    Quando uma mente descansa depois de ser atormentada pelos piores sentimentos existentes, a possibilidade de viajar através dos Reinos do sonhar cresce numa vertiginosa e perigosa proporção. Jack abre seus profundos olhos negros que reluziam uma escuridão sombria e identificavam sua tribo, deixando evidente sua impressão "digital" apenas com peculiaridades fortes e bem evidentes. A diferença, no entanto, era que ali, naquele reino onírico, Jack era um menino, correndo e procurando em uma praia por conchas e pedras mais polidas, enquanto um mar de ilusões, sonhos e pesadelos, permaneciam desconhecidos à sua frente.

    Aquele mar de ilusões era apavorante na mesma proporção de sua magnitude. Quando Jack parava de correr pela areia, seus pequenos olhos negros contemplavam as ondas de sonhos, que traziam aspirações humanas. Ao longe ele podia ver, poemas leves, sendo levados como uma camada de espumas fugídias, ou grandes pesadelos torturantes que eram como ondas maiores se chocando nas pedras das lamentações, sentimentos, sensações entre tantas e tantas correntes marinhas que faziam o garou estar perdido e achado, dentro de um corpo de menino. Nada era tão apaziguador como um sonho belo, a escuridão das nuvens preenchiam o céu naquele sonhar com os trovões e tempestade, a chuva tocava a pele do menino como um afago de uma mãe e assim o mesmo sentia-se acalentado como a muito tempo não se sentia. Ao longe ele podia ver uma a silhueta de pessoas e aquilo era bem familiar.

    Jack esfrega com suas pequenas mãos os seus olhinhos negros. E assim conseguia enxergar melhor, seu pai, seu irmão e irmã mais velhos e sua mãe, sorrindo com seus lábios delicados, de uma maneira que Jack mal se lembrava de como era a realidade, mas o sonho era real e não queria despertar nunca daquilo.

    O menino corre, mas corre com todas as forças que suas pequenas pernas podem alavancar. Ele se lembra e sabe que na verdade é um garou forte demais, que ostentava músculos em uma montanha de sombras com ódio, mas não ali, não agora. Jack corria, e sorria ao ver que sua mãe vinha ao seu encontro, abrindo seus braços acalentadores e quentes, com uma disposição maternal, um ar de cuidado e carinho e tudo o que Jack queria era que não acabasse aquilo.

    O Sol rompia a barreira das nuvens pesadas, o mar reluzia transparência, movimentava o reflexo do mundo real em um sonho de espelhos, a vida florescia naqueles segundos em que Jack pisava com força na areia, correndo e gritando para sua mãe.

    Felicidade...

    Sua mãe já estava a poucos metros do seu toque. Suas mãos se projetavam para frente, sua mãe se inclinava para acalenta seu filho em seus braços, abraçar forte seu filho e finalmente poder cuidar de seu garoto. Jack se estica, alça sua mão direita para tocar a sua mãe e a mesma o abraça, uma lágrima desce do rosto do Senhor das sombras menino e aquele sentimento invade seu peito de uma maneira ígnea, o ódio fora subjugado.

    O amor aparecera...

    O abraço é desmanchado no ar, sua mãe se transforma em minúsculas e milhares de aranhas que vão se desfazendo e se locomovendo. Jack sente a perda dos seus braços e mal podia sentir suas mãos, quentes com um abraço de uma mãe, formigando e tremendo por perder aquilo que seria algo mais feliz de sua vida, um abraço. As aranhas se projetam em sua frente e vão se juntando, estruturando uma forma humanóide até que fica claro quem era, sua amiga que morrera.

    ' - Milena, é você?'
    Milena estava materializada na sua frente, e caminha até aonde estava uma pedra, sacando de seu braço uma espécie de flauta.

    - Não tenho muito tempo, Cólera-das-Sombras... Preste atenção, nada foi por acaso, todas as mortes envolvem algo nefasto e sombrio, não permita que utilizem nosso sangue, não descansaremos em paz até que você destrua nosso sangue, nos ajude amigo.

    Jack ainda na forma de menino fica olhando e não entendia bem, quando iria perguntar, Milena se transforma em uma espécie de aranha gigante e o ataca. Ao despertar, vê que era de madrugada e podia notar o quanto suava e respirava, esfrega os olhos e ri do sonho, lembrando que era um menino. Pensando, Jack sorri sozinho.

    "Teria que malhar tudo novamente..."

    Jack se levanta e vai ao banheiro. Fazendo sua normal mijada de madruga, ele volta ao quarto e quando olha para a beira da cama, vê duas mulheres sentadas...

    Eram Milena e Helena...

    Continua...

    Milena e Helena:
    Milena



    Helena


    Hagen
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por Hagen em Sab Set 08, 2018 3:04 pm

    "This endless tortures building up my rage
    Holding on, hide my agony
    I'm getting weary just to be alive
    All I want is help"

    Angra, Ego Painted Grey.


    Se ora Desespero meu fim, não posso lamentar meu Desejo que, quem diria, levaria á tão frágil Morte.
    ---Neil Gaiman, Sandman.


    “É o mistério que permanece. Não a explicação”.





    Quando os grãos da areia do tempo escoam significando o fim da jornada, não há nada que possa se fazer para uma reversão do destino. Cada grão anuncia a impossibilidade da volta, do retorno, da certeza inevitável da vida para caminhos desconhecidos, mas o que para mentes mundanas significaria o fim, para pessoas que sofreram um terrível mal significaria um renascimento ou para outros o inicio de um longo sofrimento. Helenna e Milena testemunharam o que seria o fim do escoar de areias em uma ampulheta, mas para a cruel lógica, podemos chamar de ínicio de um sofrimento longínquo em que não dependia delas para se ter a paz e descanso merecido, a pós-vida seria mais trágica  e cruel do que qualquer momento vivido e isso agora envolveria Jack Smith, isso se ele se permitisse.

    - Jack, não tenha medo.

    As palavras sopradas navegando pelo ar como uma ondulação mística e ao mesmo tempo trágica era poética.  De uma forma tão efêmera e irônica, a figura etérea de Hellena pedia para Jack não sentir medo. Uma criatura com uma fúria imensa e grandes músculos talhados sob a benção da Lua cheia, era satírico tal pedido, ainda mais na cabeça de Jack, se elas soubessem o que ele era, pensava ele, o que não sabiam que agora elas tinham ciência do que ele era, da fera que era...

    ' - Hel... MIl... Não consegui salvar vocês e nem ninguém... perdão.

    Milena estica seu braço translúcido e toca o rosto do garou, como se fosse impedir o derramamento da tristeza, mas as lágrimas passam pela ponta do seu dedo sem obstáculo algum, apenas se transmutando perdendo o certo brilho e ficando opaca. Jack abre os olhos ao sentir um leve toque gélido em seu rosto e vê que um sorriso triste era esboçado na figura do rosto de Hellena. Millena estava impassível ao seu lado, com uma tez séria e impenetrável, como sempre fora, uma verdadeira alienigena de sentimentos e sensações, quase uma psicopata com um bom coração, sádica com práticas sexuais ortodoxas e fora dos comuns apaixonados...

    - Seu brutamontes... o curso da vida, nossa morte foi isso, você não teve culpa e não poderia fazer nada, mesmo se soubesse antes que tem esse sangue de lobo em suas veias... deve ser por isso que é charmoso.

    Hellena dá um sorriso leve, como uma pessoa que quisesse colocar uma suavidade em um assunto encoberto por uma mortalha de trevas sepulcral, Milena continua com um semblante sério e fechado como se fosse alheia aquele sentimentalismo todo e estivesse ali por uma razão, resolução de problemas terrenos, ela com uma voz fúnebre se dirige para Jack, colocando sua mão gélida no ombro de Jack...

    - O pesadelo é mostrado no rosto...

    Jack senti um frio lânguido mas ao mesmo tempo libidinoso vindo de Milena, se lembrou rapidamente dos poucos momentos íntimos que trocaram, como a maioria das meninas que faziam parte do grupo, aonde em algum ou outro momento tinham relações sexuais, menos com Hellena que era quem mantinha um amor verdadeiro e era recíproco, não que não amasse as outras, mas não era a mesma coisa.

    - Precisamos sair do reino dos mortos e da escuridão, se puder nos ajudar, seremos gratas em termos alguém no mundo dos vivos nos ajudando... Pense nisso.

    Hellena vai se esvaindo junto com Millena e as duas vão desaparecendo no ar...

    - Ei bobão, quando estiver mais forte voltamos, as outras falaram pra você malhar menos...

    Hellena dá uma piscadinha e assim olha para o portal aonde vem sua irmã em uma forma que se assemelhava uma Glabro, a mesma estava com os pêlos todos eriçados e Hellena fala para sua irmã.

    - Faça sua escolha mana, não pode ficar em cima do muro para sempre.

    Hellena e Milena desaparecem, Sofia cai de joelhos e suas lágrimas descem inundando seu rosto em um dilúvio de tristeza. Jack se ajoelha a sua frente e toca os ombros da Bastet.

    ' - Nós teremos nossa vingança...

    CONTINUA...



    Sophia, Milena e Helena:
    Milena



    Helena



    Sophia


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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por Hagen em Qua Set 12, 2018 11:50 pm

    "Um caboclo de orixás
    Logo deixa a Terra
    Vai de encontro à sua sina
    Onde o céu encontra o mar
    Achará seu porto
    E é assim que isso termina"

    '--- Angra, Carolina IV.'




    Santa Cruz - Sulacap, Rio de Janeiro







    Já eram quase cinco da manhã quando Jack e Sophia cairam no sono, estavam exaustos, parecia que a aparição de Hellena tinha puxado suas energias e o cansaço era evidente e o suficiente para os dois sucumbirem após sentimentos saudosos, adormeceram abraçados como se um acalentasse o outro. As horas foram passando consumidas pelo evidente cansaço e quando Sophia despertou, já eram praticamente 18 horas da noite, tempo apenas para a mesma tomar um banho e fazer alguns telefonemas. Logo ela volta e vê que Jack despertara, assim falando prontamente:

    ' - Se arrume, sairemos em 15 minutos. '

    Jack desperta prontamente e vai direto para o banho, em 15 minutos estava pronto, com os cabelos molhados, um jeans, camisa simples azul escura e um tênis esportivo, prontamente os dois pegam o elevador e descem para a garagem, aonde Sophia parte com um carro mais discreto, um Corolla preto e filmado, em direção para um lugar chamado Santa Cruz. Depois de cruzar a avenida das américas e rumar pela grota funda, finalmente depois de algum tempo vão se aproximando do destino e era notória a mudança de poder aquisitivo, antes um lugar de proeminência abastada, agora local de pessoas simples e casas do subúrbio, periferia.

    O Carro entra em uma rua bem simples, o chão era de terra batida que acaba sujando um pouco os pneus, Sophia estaciona em cima da calçada e bate em um portão antigo de ferro, marcado um pouco pela erosão. Assim abre uma senhora, negra com vestes simples e um misto de surpresa em sua face.

    - Sophia, quanto tempo... entre.'


    A mulher olha para Jack e fica espantada com o seu físico, era realmente bem forte, mas confiava na Sophia e assim a mesma entra e se acomoda.


    ' - Valeska, não tenho muito tempo. Minha irmã faleceu... Mas veio até nós e está presa, vagando como uma aparição. Preciso da sua ajuda. '

    Valeska não precisou de muito para ser convencida da gravidade da situação, caminhando para dentro de sua casa, ela some por alguns minutos e logo em seguida passa pelas estruturas com vestes dos orixás africanos. Assim, ela convida os dois para entrarem em uma espécie de sala que continha várias imagens de orixás, exus e outras entidades. Logo, Valeska começa um cântico, exaltando seus orixás.

    -
    Ê, Caveira, firma seu ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!

    Quando o galo canta é madrugada,
    Foi Exú na encruzilhada, batizado com dendê.
    Rezo uma oração de traz pra frente,
    Eu queimo fogo e a chama ardente aquece Exú , Ô Laroiê.
    Eu ouço a gargalhada do Diabo,
    É Caveira, o enviado do Príncipe Lúcifer.
    É ele quem comanda o cemitério,
    Catacumba tem mistério, seu feitiço tem axé. Ê Caveira!


    O Clima começa a ficar meio místico e Jack começa a ver tudo um pouco turvo, meio denso, como se a umbra começasse a se misturar com o mundo físico e não o físico a se pautar na umbra, a face de Valeska assumia um rosto diferente, como se houvesse ali um homem, um ser poderoso que era grande e forte, magnânimo e intrigante.

    - Mizifia, suncê corre perigo.

    A entidade estica a mão para a Bastet que se ajoelha e a beija, um sinal de respeito para alguém sábio, Sophia fala com a entidade como quem procurasse respostas. Jack fica um pouco incrédulo com aquela cena, mas se cala, ficando a uma distância respeitosa.

    ' - Malandro, tu que és guardião das ruas, pode me dar alguma pista sobre minha irmã? '

    A entidade, olha para o lado e vê um chápeu típico da malandragem carioca, abaixo um cigarro e cinzeiro, aonde Sophia cata uma caixa de fósforo e acende. Ali perto tinha uma taça e vinho, o malandro enche o copo e traga, parecendo relaxar como se a muito tempo não fizesse aquilo. Jack fica atento aos movimentos achando aquilo um tanto estranho.

    - A moça, teve morte horrível... Usaram o sangue dela em algo ruim... Cuidado, mais irmã de homem fera vão morrer...

    A entidade fuma e traga mais um cigarro e anda de um lado para o outro, dando uma gargalhada imensa, poderosa e tenebrosa.

    - Em terras distantes acontecer o mesmo, feras perdidas não mais estão, suncê deve achar...

    A entidade começa a ir embora e Valeska dá um passo para trás repousando em uma cadeira, suando frio, se acomodando ela olha para os dois e não perde tanto tempo, puxa Sophia para uma saleta, e tranca a porta. Mais de uma hora se passa, e Sophia sai de lá, se despedindo da cartomante que dá adeus aos dois metamorfos.

    NO caminho de volta, Sophia pega o celular e começa a dar alguns telefonemas, estava calada e Jack preferia não perguntar nada ainda. Na conversa de Sophia, só escutava ela falar com uma espécie de contato, perguntando sobre mortes em países. Jack não entendia nada, só escutava Sophia se desculpar pelo tempo distante, e que iria corrigir isso, mas que primeiro iria em busca de outras feras.

    ' - Seu passaporte está contigo? '

    - Sim, porque?

    ' - Você irá conhecer alguns cantos do mundo em pouco tempo, preciso de um brutamontes...'

    Sophia chega em casa, e pega apenas uma bolsa, carteira e abre o cofre pegando dólares, sendo o bjetiva e prática.

    ' - Pegue o seu celular e avise quem você quiser, precisarei de você por umas semanas... '

    Jack pega o celular e avisa para sua Alfa, iria partir com Sophia, precisava de respostas, se sentia impelido em saber o que ela tramava, teria tempo no avião.


    CONTINUA
    ...
    Hannibal Smith
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por Hannibal Smith em Qua Set 12, 2018 11:51 pm

    Em uma noite angustiante qualquer...


    Era um beco escuro de uma esquina bem pouco movimentada e longe dos olhos de qualquer população. Havia lixo por toda parte. O mau cheiro condizia com a situação caótica que acontecia ali naquele momento. Ao contrário de todas outras vezes, Hannibal não portava um meio sorriso no rosto. Seu olhar era firme, era centrado. Havia sangue escorrendo entre seus olhos pigando na sua camisa branca e isso dificultava sua visão esquerda, mas não a direita que tinha o desgraçado na mira. Mira essa que estava na testa. Sua pistola .380 toda preta nunca falhava e os que estavam em sua mira já deveriam saber disso. Sua natureza Sociapata não lhe permitia fortes emoções, à não ser de ver o sangue de seus inimigos escorrer pelo ralo.

    - NÃO!!! NÃO!!! POR FAVOR, NÃO ME MATE!!

    Tibúrcio era o nome do desgraçado. Que estava ajoelhado no chão de braços abertos aos prantos. Chorava como uma menininha. Lágrimas escorriam por todo seu rosto. Tremia igual vara verde e de repente o chão começou a ficar molhado...

    - NÃO ME MATA CARA, PELO AMOR DE DEUS! PROMETO NUNCA MAIS TOMAR ESSA BOCA DO KLÉBINHO! EU VÔ VAZAR DAQUI, MANO!

    Era urina. Tibúrcio mijava agora nas calças simplesmente por ver que Hannibal era inexpressivo em sua súplica. Ele não merecia pena, não merecia misericórdia. Aquela era a vida do crime: imperdoável e traiçoeira. Segurou a arma alguns segundos na testa do vagabundo enquanto via ele chorando. Hannibal então tomou uma decisão. Abaixou a arma e disse:

    - Levanta, vagabundo! Não gosto de matar ninguém chorando como uma gazela. Só corre e nunca mais pisa aqui!


    Diz Hannibal de modo frio e firme. E então Tibúrcio se levanta patinando em seu próprio mijo com um olhar de 'não acredito que estou escapando' dessa. Virou as costas como deu e então ainda com suas pernas tremendo, tentou correr. Falhou a primeira tentativa, mas na segunda juntou suas forças. Quando abriu uma distância de 20 metros, Hannibal colocou sua pistola em mira novamente.

    "Não, não merece escapar..."


    POWWWWW!!! POWWWW!

    Dois tiros na cabeças era mais que o suficiente pra ver à 20 metros de distância o cérebro de Tibúrcio espalhar pela parede do beco. Hannibal não gostava de matar ninguém que chorava compulsivamente daquele jeito. Dar a esperança de viver depois de saber que perderia a vida e depois tirar essa chance era algo muito mais divertido do que simplesmente chegar e matar. No entanto, não havia nenhum vagabundo que merecesse viver naquela boca de fuma e por isso não fez questão de poupar os 13 que ousaram em tomar aquela boca de fumo de Klébinho, seu brother.

    Tudo começou em um belo dia que estava aproveitando mais uma noitada com Sophia. Recebia carinho dos tipos mais perversos de sua 'amada', quando Klébinho ligou desesperado dizendo que o inferno havia caído sobre sua cabeça e com ele perdido seu irmão mais novo, quem ajudava no seu mundo de crimes. Hannibal não encompridou o assunto. Sabia que Klébinho só tinha Hannibal como ajuda e só lhe restava perguntar quem havia feito aquilo e seu nome era tibúrcio. Desligou o telefone dizendo que resolveria. E resolveria.

    "Nome ridículo pra um cara corajoso... Infelizmente matou o irmão de um amigo meu... A coragem já matou muitos homens e hoje matará mais outro..."


    Pensa consigo enquanto via Sophia rebolar em seu pau com o maior desejo do mundo. Tudo tinha seu momento, sua hora e por isso passou mais 2 horas com Sophia, até terminar, de beber sua garrafa de whisky e fumar seus 3 baseados. Estava pronto para sua vingança à pedido de Klébinho. Já havia escutado que esse Tibúrcio era um traficante local que não tinha piedade de nenhum que atravessasse o caminho. Em uma nova ligação para Klébinho, ele contou toda a história. Seu irmão havia tido um caso de amor com a irmã de Tibúrcio e esse por sua vez pegou os dois na cada e simplesmente fuzilou o pobre menino.

    "Ninguém deveria morrer por amor..."


    Aquilo deixou Hannibal puto. Quando sua irá despertava, pouca coisa poderia impedir o Ragabash ou talvez nenhuma. Montou em seu Mustang 1969 e dirigiu parando 3 esquinas antes, tirou sua pistola do porta luvas, conferiu seu pente de balas e colocou mais no bolso, o que dava em torno de 20 munições extras. Pegou uma faca de médio porto e colocando em sua calcanheira. Por sorte do destino tinha uma granada Flashbang também em seu porta-luvas e a colocou no outro bolso. Tinha um plano e sabia que não falharia. Colocou sua arma na cintura das costas, desceu do carro e foi até a entrada. Logo ao descer, existia mais ou menos 5 ou 6 vagabundos armados.

    "Previsível..."


    Eles apontavam a arma para Hannibal que parou de andar imediatamente enquanto arrancou 50 reais do bolso.

    - Eita, pessoal! Se acalmem aí! Quero cinquentinha de um pó branquinho pra eu ficar acordado e fazer um amor gostoso com as minhas princesas, tem como?


    O chefe de segurança, o do meio, que provavelmente deveria ser o que cuidava de quem entrava e saía, sorriu. Gostavam de dinheiro. Uma boca de fuma era um comércio e que comércio não gostava de lucrar? Mal sabiam que era o inferno batendo em sua porta. Se aproximou dos vagabundos, ficando de frente com eles até que o chefe veio pegar o dinheiro. Estendeu os 50 reais e disse sorrindo.

    - Capricha lá, parceiro.


    O chefe dessa vez não sorriu. Que comerciante gostava de perder ou dar brinde? E nem precisava. Não fazia questão mesmo. O vagabundo disse para o outro que buscava a encomenda dentro da boca.

    - Pega lá pra ele esses cinquenta conto de...


    E foram suas últimas palavras. Se aproveitando que seis vagabundos se distraíram pela sua simpatia e pela ordem de seu chefe, em um saque rápido disparou exatamente oito tiros.

    POOW! POWW! POWW! POW! POWW! POWW!


    Um pequeno intervalo e depois...

    POW! POW!


    Mais dois na cabeça do vagabundo que ousou pegar seus 50 reais.

    Sem pensar duas vezes enfiou a mão no casaco pegando a Flashbang, com a boca arrancando o pino e jogando dentro da boca de fumo que se resumia em um quartinho escuro e fechado.  Sua proteção era uma parede espessa. Dava pra escutar passos de mais 5 ou 6 vagabundos quando...

    BOOOMMM...


    Era gemidos de angústia, dor, tontura. A Flashbang era bem útil para momento como aqueles.

    "Pra que gastar balas com idiotas como esses..."

    Sacou da faca da canela e como passar manteiga no pão fatiou um por um. Os 2 primeiros que estavam mais fáceis uma simples facada no pescoço foi o suficiente. Os outros dois mais próximos bastaram duas facadas rápidas em cada no peito para que silenciassem. O quinto já estava mais desperto e esse rendeu dois socos, levando um. Mas uma cabeçada o fez ficar tonto novamente e a faca fez seu trabalho. Em um reflexo, puxou o corpo do vagabundo em si...


    POW!! POW!!


    Dois tiros disparados pelo último bandido quase acertam Hannibal se não tivesse usado aquele desgraçado de escudo. Para sua infelicidade, não havia acertado e como consequência, a morte também lhe encontrou. Com a faca perto de entrar em sua veia, perguntou para o vagabundo:

    - Cadê seu chefe?


    O vagabundo apontou para uma escada.

    - Obrigado.


    Sem remorso, simplesmente cortou seu pescoço. Sacou sua pistola novamente e foi subindo devagar. Subindo, subindo, até que viu o tal de Tibúrcio pulando pela janela.

    "Os covardes sempre sobrevivem..."


    Aquilo não era aceitável. Em passos rápidos correu pulando pela mesma janela e antes que Tibúrcio tivesse força para escapar, Hannibal o atingiu com uma rasteira nas duas pernas fazendo com que os dois fossem ao chão entrando em luta corporal. Tibúrcio também tinha uma surpresa: uma faca. Essa que por sua vez passou ventando o pescoço de Hannibal. Se não fosse pelos seus bons reflexos, morreria na praia. A facada ainda resvalou em sua cabeça dando um talho fazendo cair sangue entre seu rosto.

    E então uma cotovelada forte. Tibúrcio ficou tonto. Dois socos no queixo e outro na boca do estômago. Caiu no chão se retorcendo de dor.

    - Quem é você, cara?! O que quer? Quer essa boca?! Pode ficar, porra!


    Hannibal respondeu então:

    - O que eu quero você não pode dar, que é a vida do garoto que você matou hoje por estar fodendo sua irmã.


    Tibúrcio sabia que ali naquele momento havia encontrado seu fim. Se ajoelhou e daí um pedido para não matar, choro, mijo. Deixou correr e matou. Simples. Direto. Rápido e sem qualquer tipo de ressentimento. Frio como gelo. Negro como a noite. Eficaz como de fato deveria ser para com todo aqueles que cometiam tais atrocidades. Tirou seu celular do bolso, tirou uma foto de Tibúrcio com a cabeça explodida e mandou uma mensagem para Klébinho.

    "Taí seu troféu e sua vingança, parceiro. Limpa essa bagunça e nunca se esqueça que quando eu precisar, você responde. Valeu."


    Tirou um lenço de seu bolso, limpou seu sangue da cabeça, onde insistia escorrer mais. Guardou o lenço ensanguentado novamente no bolso. Acendeu um cigarro, deu duas tragadas, jogou fora, montou em seu mustang 69, deu partida e voltou de onde tinha vindo para descansar o resto daquela noite.

    Ninguém deveria morrer por amor. Não enquanto estava transando.

    Esse era o recado que Hannibal havia passado para aquele filho da puta.
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por kaiosilveira89 em Qui Set 13, 2018 10:07 am

    He's walking like a small child
    But watch his eyes burn you away
    Black holes in his golden stare
    God knows he wants to go home

    Ele está andando como uma pequena criança
    Mas encarar seus olhos queima você
    Manchas negras em seu olhar dourado
    Deus sabe que ele quer ir para casa

    Children of The Damned, Iron Maiden




    Filho do Amaldiçoado

    Oymyakon, Leste da Sibéria



    (...) Os olhos do garoto se abriam com dificuldade. Sua cabeça parecia girar, ele sentia sua garganta queimar como se tivesse acabado de tomar sopa quente, ou vomitado muito mais do que poderia imaginar. A sua frente, um velho o olhava calmamente. Assim que Nikolayev pode perguntar a respeito, Sussurro-da-Neve explicou tudo o que havia acontecido naquela noite, o quão próximo o ritual chegou de ser concluído e o destino que o garoto havia dado a seu pai. O velho também explicou como os Siberakh haviam tomado conhecimento da cabana, uma construção extremamente incomum em terras tão desoladoras para os humanos, e como o garoto havia dado sorte da Tribo ter tomado partido naquela noite e se comprometido em salvá-lo. Ainda assim, o Ritual havia sido iniciado e, mesmo que inacabado, Nikolayev estava marcado pela Wyrm. Wyrm? Aquele nome lhe era familiar. Muitas de suas noites de pesadelos foram regidas após histórias sobre ela, contadas por sua mãe.

    O Conselho de adoção de Nikolayev foi calorosa. O garoto mal havia se convencido de que tudo o que estava a sua volta era real e ainda assim via-se diante de acusações de sangue impuro e coisas ainda mais bizarras. Ele ainda não podia acreditar que havia sido responsável pela morte de seu próprio pai, mas após conseguir transformar-se espontaneamente, a ideia parecia cada vez mais plausível. Alheio a isso, o Conselho seguia, até Sussuro-da-Neve tomar partido. O Ancião da Seita deu sua palavra final: o garoto seria submetido ao Ritual de Passagem -isso trouxe memórias desconfortáveis ao menino- e então, caso provasse ser merecedor, seria integrado a Tribo. No entanto, sua Mácula era um assunto muito mais profundo. Diante disso, em qualquer matilha que fosse integrado, Nikolayev seria tido como Ômega , e suas ações deveriam provar se ele era merecedor ou não de ser aceito pela Tribo. Sendo assim, nos próximos quatro anos Nikolayev deveria mostrar um temperamento impecável e, acima de tudo, respeito absoluto à Litania para receber a absolvição de sua Mácula e, consequentemente, o aceitamento definitivo da Tribo. Seus feitos, no entanto, haveriam de ser reconhecidos, pois Nikolayev seria um Siberakh, apesar de tudo.

    O menino sentia falta de casa. Mas como voltar? Como encarar o olhar de sua mãe após contá-la sobre tudo o que havia acontecido? Ela provavelmente saberia da existência dos Garou por todas aquelas histórias, uma Parente, certamente, mas dai a matar seu próprio pai? Um crime imperdoável. Era demais para uma criança suportar. Nikolayev decidiu ficar, e agarrar com todas as forças seu novo, denso e frio mundo. Era apenas o segundo dia largado ao relento, seu Ritual de Passagem exigia mais vinte e oito até que ele, finalmente, pudesse voltar à Tribo, se conseguisse. Ele imaginava se não haveriam instrutores ou qualquer coisa assim o vigiando, esperando que ele demonstrasse fraqueza e trouxessem-no de volta ao conforto, ou ao menos ao calor, das cabanas, mas aquele não era o jeito Garou, se Niko falhasse, aquele seria seu túmulo. Ele lembrou de seu pai, imaginou quantos mais como ele se escondiam pelo mundo afora, se levantou, assumiu sua forma Lupina e partiu em busca de alimento.

    Nikolayev logo descobriu que a neve era nada menos que água fora de seu estado líquido, sendo assim, sede não lhe foi um problema. No entanto alimentar-se era outra história. Acostumado com os pratos de sua casa rica, comer carne selvagem parecia aterrador... Ou deveria parecer. O cheiro das presas parecia muitíssimo atrativo, suas formas alteravam seus sentidos e percepção de mundo, e logo ele concluiu que poderia suportar sem maiores problemas uma dieta fora do que estava habituado. Contudo, achar animais naquele clima parecia impossível. Achar cheiros perdidos já era complicado, encontrar comida fresca era uma tarefa árdua. Até seu quinto dia Nikolayev viveu de pequenos roedores os quais conseguiu desenterrar a muito custo por pouco resultado, parecia que seu gasto em energia para capturá-los não compensava a nutrição que recebia em troca. Seu fim parecia inevitável, até encontrar uma matilha de lobos. O Alfa havia vindo reclamar o território que lhe era de direito e dar cabo do invasor com seus companheiros. Niko raramente largava sua forma Lupina, ela era apropriada para caçar, resistir ao frio e, caso fosse necessário, se defender. No entanto eles eram bem mais que um lobo, toda uma matilha estava reunida, e não pareciam amigáveis. Nikolayev normalmente teria fugido, mas ele sabia que os Garou governavam sobre os lobos, e fez valer sua autoridade.

    Um desafio limpo, ainda que injusto. Nikolayev era pequeno em sua forma de lobo para afrontar todos eles, mas o mesmo não podia se dizer estando em Hispo. A batalha não demorou muito, logo Niko estava com a mandíbula ameaçadoramente presa ao pescoço do Alfa, mais alguns centímetros e sua vida seria retirada. Os lobos cederam. Nikolayev era o novo líder. Estranhamente sua maior fonte de problemas até então, além do próprio lugar, fora o que, muito provavelmente, o salvou da morte. A matilha conhecia os territórios de caça viáveis, mesmo naquela época do ano. Nikolayev sempre caçava em Lupino, era difícil conseguir acessar outras formas além dessa e da hominídea, e isso fazia com que o garoto pudesse se sentir mais próximo dos lobos da matilha a qual agora liderava. Um mês se passou e o pequeno Ahroun voltou pra casa. Ao menos era o lugar o qual ele tinha para atribuir esse nome agora, seu lar era ali, dentre os Puros. Naquela noite, um Bardo contou a história de seu Ritual de Passagem: como o garoto havia resistido as privações naquele Ritual que muitos consideravam impossível para um forasteiro, e de como seu ímpeto havia lhe levado a liderar uma alcateia de Parentes durante um mês do inverno siberiano. Alguém estava olhando, afinal.

    Mesmo que realizado por ter sobrevivido e aprendido tanto naquele mês, Nikolayev ainda se perguntava sobre o mal que se escondia lá fora. Até onde estava entendendo, os Siberakh não se envolviam com o mundo externo além do que fosse criticamente necessário, a Tribo era composta por uma larga maioria de Lupinos, e alegava que para se manter pura precisava manter distância das tramas da  auto-intitulada Nação Garou e, consequentemente, de suas batalhas. No entanto haviam assuntos mais urgentes à serem tratados: Nikolayev precisava se integrar em uma matilha. Isso parecia algo bem complexo e imprevisível para ele, mas todos os integrantes da Seita, inclusive seus futuros companheiros, tinham conhecimento de seu futuro. Uma matilha com quatro Garous, carecendo de um Ahroun, denominada Os Renegados. Tudo parecia ter sido até mesmo orquestrado, mas Nikolayev não era nenhum exemplo de genialidade para se dar conta de uma possível trama sob tudo isso, ele nem mesmo conseguia se lembrar do nome dos outros Augúrios que não fossem o seu.

    Língua de Cobra: Ragabash dos Siberakh. Um dos poucos hominídeos na Seita do Lobo Invernal. Em outros tempos ele detinha outro nome Garou, mas certa vez sua ações arrogantes o levaram a cair em desgraça. Confiante de que o raciocínio humano lhe conferia vantagem sobre a maioria de seus irmãos lupinos, tentou usar de mentiras para conseguir benefícios na Seita, pagou com a bifurcação de sua própria língua e seu nome em desgraça. Lágrimas de Sangue: Theurge dos Siberakh. A única Impura viva na Seita havia recebido esse nome por seus pais, que concordaram em serem punidos com a morte pela vida da filha, essa é a única história permitida na Seita sobre eles desde então, e lidar com ela foi parte do Ritual de Passagem dela, que após saber disso foi batizada, protagonizando um horripilante espetáculo de drama. Suporta a Vergonha: Philodox dos Siberakh. Um lupino que já não vivia seus melhores dias, o Alfa da matilha havia fracassado em um número consecutivo de missões com sua antiga matilha, até ser expulso dela. Passou anos sob o Harano, e por pouco não foi sacrificado pela Seita. Foi posto em sua nova matilha para viver seus últimos dias inglórios. Filho do Vento Sul: Galliard renegado dos Presas de Prata. A loucura deste hominídeo o acometeu de forma incomum, mesmo entre os Presas de Prata, com uma força descomunal e de forma incrivelmente desconfortável. Após mostrar, por algumas vezes, que não tinha controle sobre sua Fúria e causar problemas para a Tribo, foi exilado e partiu para o norte, onde foi aceito pelos Siberakh, que lhe curaram de seu mal. Mas sua cura era recente demais para ele ao menos pensar em outra matilha além daquela. Eram histórias trágicas, mas o mundo está repleto delas, e poderiam ter sido ainda piores. O Caern das Presas Renovadas, situado nos domínios da Seita, era um Caern de Cura, e não por muito além disso essa estranha matilha havia sido formada, aparentemente, os Siberakh não costumam ser tão benevolentes, em nenhum dos casos que figurava no grupo, sendo assim, por pior que pudesse parecer, aquela matilha dava uma chance à todos de se provarem, e de provarem seu valor à Tribo. Com a integração de Nikolayev a matilha, ela se encontrava finalmente completa, o que significava poder ir em busca de seu Totem. Aquela seria a primeira missão de Niko e antes mesmo das buscas começarem, o pesado fardo de seu nome já o acometia: Sangue-do-Dragão. Sua mácula seria seu legado, enquanto ele não a superasse (...)
    Hagen
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por Hagen em Qui Set 13, 2018 1:55 pm

    Waiting for someday when the ocean and sky
    Will cover up the land in deep blue
    Renaissance is over and I wonder
    Should I always be the same once again?

    ---Angra, Deep Blue.

    Estados Unidos - Litoral, Cânions e Montanhas




    Tudo foi muito rápido, parecia que o tempo ia devagar apenas quando as gotas da chuva caíam no rosto de Jack, quando se despedia de sua amiga, o último saudoso aceno. Depois foi uma sucessão de acontecimentos importantes e místicos, aparição da própria Helena, a ida à um  barracão de umbanda, conhecer Valeska a cartomante e depois sem saber de muito, embarcar numa viagem com a Bastet que até então era conhecida apenas por fotos no Orkut.

    As horas dentro do avião serviram para Jack e Sophia conversar bastante sobre tudo o que acontecia, de maneira calma e singular, até chegarem no hotel em que iriam se hospedar e esticar as pernas, ambos conversaram mais e de maneira mais intrínseca, já que estavam sozinhos. Sophia revelou para quem efetuou as ligações, e era para Amandha, uma Bastet como ela, em que se empenhava na América do Sul para lutar contra a wyrm e quem se metia em destruir as florestas. Era sabido já que parentes de Metamorfos estavam sendo caçados e no jogo de Búzios, feito por Valeska, fora revelado que não eram apenas as cinco que morreram dessa forma e vagavam no limbo, mas haviam outras mulheres, que compartilhavam do cruel destino. Juntando o místico com a investigação, Amandha e seus contatos, conduziram Sophia à uma viagem aos Estados Unidos, aonde seriam recepcionados e iriam averiguar quem morreu da mesma forma, tendo seus espíritos vagando e com os malditos cinco pontos no pulso.

    Jack neste momento sentia que era hora de se juntar por um tempo com a Bastet. Sophia conversou com o lobisomem e reiterou alguns pontos da guerra da fúria, mas que não iria levar isso em consideração, precisaria da Fúria do lobisomem e a Bastet sentia que ela pulsava dentro do coração do guerreiro. O tempo em que descansavam serviu para Sophia contar que Valeska era próxima da família da Bastet e que quando seus pais eram vivos, recorriam a família da cartomante e aos Orixás, explicando que todas as religiões eram conectadas, mas só eram formas diferentes de praticar o bem. Jack ficava atento as palavras de Sophia e conhecia um pouco melhor a guerreira felina. Muitas questões foram elucidadas, principalmente que parecia que as mortes das cinco brasileiras estavam envolvidas diretamente com mortes de algumas jovens pelos Estados unidos, e era isso que os dois buscavam.

    Passado o tempo de descanso, Sophia e Jack deixam suas coisas no hotel e partem para alugar um carro. Logo, devidamente motorizados, andam e cruzam o país por estradas, dirigindo em uma velocidade grande e chegando ao litoral, aonde estava um pouco frio demais, ventos gélidos batendo n rosto e poucas pessoas numa espécie de cais, e ao longe, perto de um farol e contemplando o mar com um olhar frio, estava uma mulher.

    Sophia e Jack se aproximam e a mesma vestia coisas simples, tinha um olhar bruto e era uma mulher forte, de fala firme e pausada.

    ' - Novidade para mim, os felinos e lobos andando juntos... Não entendo vocês da superfície...'

    Sophia se aproxima e os dois param ao lado da mesma, contemplando o mar. Logo sem cerimônias, Sophia conduz a conversa e alertara previamente Jack, para ficar calado, era um garou e não sabia como seria a recepção dos outros metamorfos, sua raça pura poderia apenas atrapalhar alguém mais ávido pela vingança.

    - Miesha, creio eu... A presença de Jack é necessária, além do mais, ainda não sabemos se parentes garous morreram, infelizmente algumas raças sim...

    ' - Por isso estamos aqui, deixei um pouco os mares para conversar com você. '

    Miesha era fria e seca, extremamente direta e metódica. Jack demoraria a perceber que ela era uma predadora natural, sem desejo por matança, mas incrivelmente forte, uma Rokea, com expressões imponentes em seu rosto, mas extremamente misteriosas para o garou.

    ' - Não vamos perder tempo. Nos mares há pouca movimentação e espíritos marinhos não sabem o que estão acontecendo... Há um brilho intenso no meio do oceano, o que nós, Rokeas, acreditamos que seja um caern perdido clamando por algo. Mas esse caern é de antes da guerra da fúria, um caern que demonstrava a união dos homens-fera. Através dos mares, próximo do extremo norte e dos icebergs, salvamos um Gurhal e descobrimos que eles estão vivos. Era um Gurahl Polar, muito ferido, parece que conseguiu impedir que espíritos levassem sua parente, mas a mesma está desaparecida. Tentamos puxar mais informações, mas o mesmo entrou em um sono profundo e está dentro de nossos domínios, sendo protegido por nós, talvez seja a chave para sabermos mais. Somos imaculados e nossos domínios não sofreram com o desejo de poder dos Garous, esses malditos tem sorte de não saberem nadar... Mas esquecendo o passado, sabemos que há movimentação espiritual intensa e que há um fluxo pelos mares, chegando ao sul do continente.  '

    Sophia estava surpresa pelo surgimento dos Gurhal, os homens-urso, assim a mesma continua e tenta extrair mais algo da Rokea.

    - Gurhal... Será que há outros homens-fera, que achávamos estarem mortos?

    ' - Mandaram você ir ao norte, procurar perto dos pântanos uma mulher conhecida como Yaskhara... Vai descobrir quem ela é. Fique longe dos Ratkins, são os únicos que entre os contatos não quiseram se envolver, nós estamos voltando para a terra firme, quem tem parentes humanos e os que tem parentes tubarões ficando mais próximos, até descobrirmos o que acontece... Até lá, manteremos contato, sabemos te procurar, se o lobinho se provar digno e ganhar nossa confiança, quem sabe procuramos ele também... mas sei que não precisaremos... Na áfrica, seus irmãos gato estão se movimentando, parece que os únicos burros que não sabem de nada... melhor assim, garous marcam destruição por onde passam...'

    Sophia concorda com a cabeça e olha para o rosto de Jack, que ao mesmo tempo fita a bastet, quando Sophia se vira para falar mais algo, nota que a Rokea não estava mais lá, ficando apenas um cordão azul, que parecia uma pedra do fundo dos mares.


    -Considero como um presente... Vamos lobo, temos uns pântanos e montanhas para visitar...

    Sophia caminha com Jack para o carro alugado e dá a partida, pegando uma estrada, rumo a sua investigação.




    CONTINUA...

    Miesha:
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por antonio xavier em Sex Set 14, 2018 6:50 am

    Antonio e Ana

    What can I do to make you mine?
    Falling so hard, so fast, this time
    What did I say?
    What did you do?
    How did I fall in love with you?


           
    [justify]Os raios de sol transpassavam as muitas árvores que envolviam  uma pequena vila de casas, era possível observar alguns rastros de luz que tocavam o gramado, as borboletas coloridas voando entre as flores e alguns girassóis indecisos entre a sombra de luz que vencia as folhas e a jovem mulher que caminhava com os pés descalços se dirigindo a uma pequena mesa ao centro da vila.
           
            Ana usava um vestido azul claro com um fino tecido combinando com o céu naquele momento, ao se aproximar da mesa, a menina ergueu as mãos para o pescoço passando delicadamente os dedos nevados pelos cabelos castanhos. O movimento tornou possível ver o delinear do corpo de Ana com nitidez e a brisa fresca, que corria pelo campo, não resistiu àquele quadro e acariciou a menina carinhosamente.
           
            Antonio notou pela primeira vez como o vestido de Ana mal parecia tocar em sua pele, dando a impressão de estar sobre uma almofada de ar quando ela se movimentava, como o tecido flutuava em torno do corpo, roçando na pele como as asas de um anjo: ele compreendeu naquele instante como uma mulher deveria ser tocada.

             Isabel observava o olhar do filho da janela de sua casa. Não havia percebido que ele não era mais apenas o menino ávido pelo estudo e pelo crescimento espiritual de outrora. Mas, agora, o rapaz havia se denunciado sem nem ao menos se dar conta disso. Era perceptível que Antonio ficava em muitos momentos centrado em um mundo interior inalcansável pela mãe e por seu mestre, entretanto pensavam que eram apenas reflexões sobre algum Koan ensinado: a resposta chegava como um verdadeiro despertador acre, como o sol sobre o olho. Um sol estridente, a contrapelo, imperioso, que bate nas pálpebras como se bate numa porta a socos.

             Antonio caminhou lentamente até Ana. Eles haviam crescido juntos, tinham corrido e brincado por entre as casas e as árvores. Ela sempre o tratara com carinho e amizade mesmo ele tendo sido fruto de um rasgo da litania: Antonio compreendia desde a tenra infância  que eles eram parte um do outro e que nunca estariam sozinhos. O que havia mudado? Uma voz em sua mente dizia suavemente:

    - Oi.

             Ana virou-se ao chamado daquela voz tão doce que falava ternamente ao seu coração, um sorriso luminoso abriu-se em seu rosto e se espalhou por seu olhar. Antonio entendia agora os versos de Dirceu para Marília: "Seus olhos são uns sóis. Aqui vence Amor ao Céu: que no dia luminoso, o Céu tem um sol formoso, e o travesso Amor tem dois."

    - Oi, Antonio.

             As mãos se resvalaram levemente e Ana fingiu que não entendeu, corou e levou a vista ao chão. A menina não precisava de palavras para compreender a energia que caminhava e se expandia de um para o outro. Ambos, haviam estudado muito sobre a espiritualidade, sobre a formação do ser humano, sobre uma força física, um elemento único, que unia todos os seres vivos. Ana e Antonio conheciam inteletualmente cada tópico, mas agora sentiam. E os sentidos e as emoções eram maiores que a razão.

    - Você está muito bonita, Ana. Mais bela que esta natureza esplêndida nos cerca.

             Antonio tocou no rosto de Ana carinhosamente e afastou os cabelos ondulados do rosto da menina. Os dois se aproximaram com um sorriso pueril, Ana inclinou levemente a cabeça e permitiu que Antonio a beijasse. Eles se perderam nos segundos que estavam unidos, parecia eterno cada momento em que aquele beijo durasse.

    - Antonio!

             Uma voz forte soou como um chicote no silêncio cúmplice que envolvia os jovens namorados. Uma energia como um verdadeiro choque elétrico percorreu cada poro de Ana e Antonio, que se afastaram rapidamente. A menina correu para longe e o rapaz apenas volveu seus olhos para a origem daquele som pertubador.

    Hagen
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    Roots Bloody Roots

    Mensagem por Hagen em Sex Set 14, 2018 1:03 pm

    "...VIOLENCE CALLS!
    I want his fall...
    his epic fall... in this evil war...
    ...fought to protect our ancient throne"

    --- Rhapsody of Fire, Steelgods Of The Last Apocalypse.

    Pântanos e Montanhas do Norte dos Estados Unidos.




    Os dois metaformos que o destino quis que corressem juntos, estavam lado à lado, desbravando florestas densas, sombrias e escuras, embaixo de uma lua resplandecente nos céus em sua forma cheia, iluminando um pouco o que as folhas das árvores permitiam. Horas atrás tinham chegado a um pequeno hotel e como "exploradores", deixaram todos os pertences lá, partindo pela floresta e percorrendo próximo do pântano de uma forma mais selvagem. Jack estava correndo na sua forma hispo, um poderoso lobo enorme, com pelâgem negra como as trevas e olhos amarelados que parecia um lobo característico de um belo filme de terror. Sophia corria em sua forma feline, que era graciosa e ágil ao mesmo tempo, permitindo à mesma uma grande flexibilidade para se movimentar. Os dois percorriam a distância de uma forma quase perfeita, de vez em quando encontrando algum riacho e bebendo um pouco de água pura para se hidratar. Os animais encontrados no caminho fugiam com medo, dois predadores no topo da cadeia alimentar, Jack não entendia, mas sentia sua marca do predador em seu peito, batendo como se fosse o mais feroz e selvagem, Sophia pelo contrário sabia que como uma das maiores predadores da américa do sul, todos os animais a temeriam, ela era a rainha dos selvagens daquele  continente...

    A Sensação de Jack nessa corrida era de uma liberdade intensa. O instinto primitivo incitava seu coração e fazia com que ele se sentisse a vontade, era curioso, pois o garou era homínideo e conforme o tempo fosse passando ele se sentia a vontade com esses momentos, assim como gostava das raves pós faculdade que ia com todas as meninas, Hellena e Ísis falvam que era um grupo selvagem, depois de saber que todas eram parentes de metamorfos, essa frase nunca foi tão verídica. Os pensamentos de Jack estavam distraídos, até serem interrompidos por Sophia, a Feline para por um momento aonde passam por uma clareira, na outra ponta estava em uma árvore uma cobra, uma imensa cobra enrolada no tronco da árvore e descendo vagarosamente. Jack como combatente dá alguns passos para frente e rosna, tentando intimidar o réptil, sem sucesso...

    Com uma rapidez impressionante, a Cobra que estava na árvore já estava na frente de Jack, mas de uma forma como se fosse um crinos imponente, um crinos cobra. Em sua pele brilhavam duas manchas vermelhas quando estava em sua forma rastejante, agora na forma "crinos", duas Jambyias vermelhas reluziam com o brilho lunar e dançavam em uma hipnótica movimentação corporal, cortando o ar em direção ao senhor das sombras.

    Jack esquiva indo para trás, para os lados e evitando totalmente os golpes daquele réptil insano e enlouquecido, gastando sua fúria, ao fazer uma manobra de esquiva, Jack se coloca para a direita e apoiando uma das patas dá um impulso se metamorfoseando rapidamente em crinos, descendo sua mão direita de cima para baixo cortando a pele escamosa da grande cobra, fazendo jorrar sangue em um ataque certeiro e forte, a força do Senhor das sombras era inigualável, abençoado pelao totem da Onça, ficava mais efetiva e em crinos, incrivelmente fatal.

    A Cobra ao tomar o dano se afasta e faz uma espécie de rosnado, com mais raiva, ela se projeta em um ataque, como se fosse uma Naja preparando para dar o bote com suas enormes presas. Jack contra ataca, o que era pior para o réptil devido as habilidades de luta do garou e machuca de uma forma quase fatal, inutilizando totalmente o réptil que volta para sua forma racial. No mesmo momento o ataque de fora era mais efetivo e dessa vez, mais uma cobra ataca Jack pelos flancos, sua percepção não era o melhor o fazendo tomar o dano, com fúria gasta pelo ataque, Jack empurra a Nagah longe e fazendo um arco de cima para baixo, faz um gancho com suas garras negras, atingindo o peito da Nagah em cheio, de imediato urra de dor. A luta era favorável ao Senhor das Sombras que era forte e combatente, dominando por completo suas oponentes. Mas algo iria mudar e dessa vez, nas partes extremas da clareira, aparecia uma jovem de cabelos negros e olhar sinistro, toccando uma flauta melodiosa. O Sangue jorrava das duas Nagahs, uma desacordada e a outra muito ferida. Jack olha para a moça tocando uma flauta e quando se dá por conta ela explode em minis-aranhas negras, se transformando em outro lugar em uma imensa aranha gigante, uma forma de batalha das Ananasis. Era surreal aquela imagem, mas era o perigo de um trabalho em conjunto, Jack caiu na armadilha e escuta apenas Sophia berrando para o Senhor das Sombras:

    - CÓLERA, A SUA DIR...

    Não houve tempo hábil para poder se esquivar. Jack tomara o dano de concussão de maneira total, distraído e fácil para uma espécie de "crinos" Carneiro, que bufafa e investia em um ataque poderoso abaixando a cabeça e dando um potente e perigoso golpe. O Bufar misturado com uma face de fúria e uma corrida trespassando o espaço, investindo na lateral do garou, fizeram ele ir abaixo e o crinos negro caiu, desacordado, Sophia que estava em sua forma crinos se aproxima protegendo o corpo inerte de Cólera-das-Sombras, que abre os olhos e pisca, desmaiando e voltando a sua forma racial...    
    ...CONTINUA
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    Encontro com as Feras

    Mensagem por Hagen em Sex Set 14, 2018 3:44 pm

    "One last minute passes by your soul
    Just one minute lost in the horizon
    You will face the judgement day
    (Scream your voice free to the air)
    Waiting for the judgement day"

    --- Angra, Judgement Day.

    Dia do Julgamento.




    Jack abre seus olhos devagar, sua visão embassada ainda sentia a pancada forte que tomara e chega até a vomitar, tamanha fora a investida butal do Crinos carneiro. O Senhor das sombras não sabia o que havia lhe atingido, mas sentia da forma mais dolorosa que fora tomara dano por algo imponente e extremamente forte.

    Ao Abrir os olhos se depara dentro de uma espécie de caverna, tochas e mais tochas iluminavam o lugar e haviam muitos metamorfos dos mais diferentes tipos, Homens-ursos, aranhas, cobras, Corvos, raposas, Touros e carneiros, Répteis, Felinos, um enigmático homem-elefante, entre outras criaturas misteriosas e que aparentemente eram dadas como extintas. O Ahroun se surpreende com o que via, era magnífico muitas raças daquelas à sua volta, mas nenhuma olhava o garou com compaixão. Um grande Leão que estava numa espécie de trono, fala algo incompreensível e uma das metamorfas que estava em uma espécie de forma glabro se aproxima de Jack, falando para ele e Sophia que estava ao seu lado:

    - Forma de batalha, os dois!

    Sophia automaticamente se coloca em crinos e Jack faz o mesmo, ambos em forma de batalha. A mesma que estava em glabro, volta para sua posição mudando para a mesma forma e aparentemente todos ali estavam em suas respectivas formas. Burburinhos eram escutados e Jack podia compreender agora o que falavam, coisas como: "...Vamos matar o lobo, eles são responsáveis pela guerra da fúria, são a escória da nação metamórfica, eles extinguiram alguns de nós e não podem saber da existência de outros"... Até uma hora que um enorme rugido do Homem-leão que estava ao centro, interrompe as conversas paralelas e assim inicia olhando e fitando os dois.

    - O que temos aqui? Um garou com os pêlos tão negros que só pode ser descendente dos que incitaram a guerra da Fúria, sua raça pura exala que tem o sangue daqueles que odiamos, os famosos e nefastos Senhores das Sombras. - O Olhar magnânimo do Leão se volta para Sophia - Uma traidora, que além de correr com um lobo, abandonou o seu povo em prol de conquistas pessoais, correndo pelo nosso território, que nem garous se importam... minha pergunta será uma, antes do julgamento e sentença: O QUE FAZEM AQUI?

    Sophia que era emponderada iria começar a falar, mas Jack a interrompe com a mão e se dirige ao centro, dando dois passos à frente. Rosnados eram escutados na pláteia, ganidos e bufos com a presença do lobo eram evidentes e assim, com os olhos amarelos, Jack se dirige ao líder daquele julgamento, de maneira imponente, estufando os peitos e elevando a voz para que fosse audível à todos.

    - Sou Cólera-das-Sombras, Ahroun da tribo dos Senhores das sombras e não fiz parte da Guerra da fúria. Meus antepassados fizeram e não vim aqui buscar isso, vim aqui junto com a Bastet Devastação-de-Seline, elucidar pontos sobre as mortes de cinco jovens no Rio de janeiro e outras que são parentes Feras. Por isso estamos correndo juntos e...

    - CALADO! Acha que vou acreditar que os Garous esão preocupados com parentes de outras raças? Logo você! Da tribo dos mais manipuladores garous, dos mais sujos! Correndo com uma Bastet indigna que só pensava no seu próprio bem-estar? CHEGA! Já ouvi baboseiras demais, ao menos que Avô-Trovão venha te salvar, será condenado!

    Com as mãos, O Leão aponta para os dois e se vê as Nagahs (mulheres-cobras), indo em direção dos julgados e condenados para a execução, quando tudo de repente começa a tremer, luzes começam a se apagar, deixando poucas queimando e ardendo com um fogo frio,  um fogo mais azulado do que normalmente fica, ardendo e emanando uma sensação gélida e etérea, misturando a realidade com o mundo bucólico espiritual, do lado de fora trovões ecoam, raios caem dos céus e as nuvens negras aparecem, na caverna que tinha uma acústica natural perfeita, que impedia que sons saíssem e entrassem, notavam que trovões ecoavam do lado de fora, arrepiando a espinha de todos os presentes. A película era mais fina ali e todos sabiam que era algo etéreo acontecendo, Jack demora a perceber, sua gnose era baixa, mas aos poucos ele enxerga à sua frente materializando uma enorme e imponente besta, parecia a forma Feline de Sophia, uma imensa rainha, uma onça pintada digna de realeza, majestosa, com seus pêlos límpidos e lindos, contrastando com a escuridão que resplandecia, emergindo do nada e para a presença de nobres criaturas selvagens. A luz parecia que era direcionada à mesma, todos se amedrontam quando a onça emite um rugido imenso, Jack demora a perceber, não era Sophia, era seu próprio totem. Imponente, a onça rosna para o leão e se aproxima como se o cheirasse, intimidando um rei, o mesmo se encolhe apavorado e venerando o espírito de maneira leal, um leão servindo à uma rainha, cedendo à realeza de uma fêmea imponente, o misto de pavor com respeito era evidente na face de um leão que no momento se transforma em um traquineiro gatinho. A Onça olha à todos em sua volta, voltando o olhar para Jack, como se estivesse em sua forma de ataque e se volta para o imponente Rei-leão-gato.

    - COMO OUSAS JULGAR E CONDENAR AQUELE QUE PROTEJO? SE NÃO QUISERES MINHA IRA PERANTE À TI, ORDENO QUE CESSE SUA ORDEM!!

    o Rei-leão se acomoda em seu trono e fala um pouco temeroso com o espírito, em uma fracassada testagem de força de vontade, aonde não conseguia se sobrepôr e assim obecede ao comando da Rainha Onça.

    - Se se se... afastem do Lobo!! Deixe-os, é uma ORDEM!.

    A onça dá um novo rugido que o evento demonstra o quanto era imponente e tenebrosa sua presença, nos céus do lado de fora a chuva continuava forte, mas os trovões e raios eram poucos escutados e apenas mais um trovão ecoava para dentro da caverna, o que alimenta o espiritual de Jack, que fecha os olhos e sente a espiritualidade tomar conta do seu corpo.

    "Avô-trovão, sei que é você, me honra sua presença..."

    - Protejo Cólera-das-Sombras e o abençoo. Ele está aqui porque uma das minhas crias sofre. Crias das aranhas, crias dos corvos entre outras cias sofrem e é nosso dever proteger nossa ninhada! MEUS FILHOS CORREM PERIGO! Cólera-das-Sombras e Devastação-de-Seline estão correndo atrás disso, não existem coincidências e o mundo espiritual favoreceu o encontro dos dois, e hoje eles são abençoados por mim. HOMEM LEÃO, eu exijo que os deixe em paz.

    - Sim Rainha Onça, sua vontade, minhas mãos...

    A onça acalma sua agitada figura e ficava mais a vontade, mechendo com os pés no terreno arenoso da caverna, se dirigindo ainda ao leão, ela faz um último edido.

    - Faça com que o desertor das cidades interceda por ti, procure também saber se desapareceu uma ninhada do lobo da Weaver.

    A Onça se desmaterializa e vai sumindo, quando se vira para Jack e Sophia e brada de maneira autoritária:

    - Salvem meus filhos, protejam a ninhada de Seline!!

    Todos ficam calados e pasmos com a intervenção do espírito no julgamento. A Onça era poderosa, mas tinha se esvaído fraca demais, por ter até mesmo falado palavras que mesmo quem não possuísse dons pudesse entender, O Leão-Rei sabia disto e imediatamente brada pra que todos os xamãs ali presentes, os que fossem envolvidos com o mundo espiritual fossem para a umbra e convocassem espíritos para que a Rainha dos Felinos pudesse recuperar sua energia. Logo, alguns bichos feras oram e emanam palavras mantras: "On tamarakukan Iasharam! - Dalmaz Samandá Bodananm Abilauken Soaka - Bibi cantara bamba, bibi cantara bamba - Om Muni Muni Maha Muni Shakyamuni Soham" Espíritos dos mais diversos apareciam e concordavam, partindo para a umbra para proteger o espírito Felino, em total aprovação e acordo entre aquele conselho fera que via a necessidade de proteger o espírito e sabiam que se ela entrou na proteção do Garou e Bastet, era porque deviam ajudar. O Rei leão bate novamente com seu cetro no chão e Ruge para que tomasse a atenção pra si e todos se calam prontamente, o Rei olha novamente para os dois.  

    - Creio que devo dar meu voto de confiança... Pois bem, façam um pedido e irei no mínimo aceitar que são confiáveis. Na Argentina, existem Bastet que precisam de ajuda, espero a ajuda do "poderoso" lobo e sua parceira felina. Alguém vai dar detalhes para vocês...

    O Leão emite uma ordem e todos se calam, batendo novamente no chão ele convoca um metamorfo.

    - PSYTRANCE, saia das sombras...

    Saindo da escuridão uma fera imensa se aproxima, envolvida em um manto escuro que escondia dua face e identidade metamorfa. Retirando o capuz, se revela como um garou, com brincos, algumas mechas coloridas e uma aura descontraída.

    - Preciso que saia das sombras e haja como espiã, você está a um bom tempo afastada da nação garou, dada como morta. Volte para os seus e saiba se já começaram a matar parentes das tribos garous. Sabemos que isso aconteceu com a tribo perdida de vocês, não pode acontecer com qualquer fera ou outra tribo garou.. Chame agora Asas-da-sabedoria...

    A Garou concorda com a cabeça e prontamente se afasta, chamando de longe um ser que estava mais para pedras acima da caverna, observando tudo. Em sua forma de corvo, a metamorfa se transforma em uma fera grande também, não muito combativa e assim passeia pelo local, se aproximando vem a Nagah que atacou os dois e as duas estavam ali frente a frente com a dupla Bastet/Lobo. Todos no recinto vão voltando as suas formas raciais, e assim a serpente, começa a falar de maneira pausada e firme.

    - Sou Yaskhara, sabia da vinda de vocês dois e achei que eram nossos inimigos. Tive uma irmã morta também, apareceu com cinco pontos no pulso e seu espírito vagando pelas cidades. Isso tem mais de 1 ano. Sabemos que faz parte de rituais para caírem os metamorfos, mas não sabemos quem está por trás disso, se é a Wyrm, Weaver, ou qualquer um. As Aranhas, mesmo de acordo com a weaver estão fazendo parte do nosso conselho de feras. Existe apenas uma garou, Psytrance, quem esteve aqui, uma agente dupla, desertora da nação e por hora trabalhando conosco. Não espero que vocês apoiem nossa causa, mas peço cooperação no caso das parentes mortas.

    Yaskhara:

    - Hahahaha, Não espere que queremos você aqui, Lobinho! Não creia nisso. - Interrompeu Jack, a Corva que descera dos céus da caverna. - - Só precisamos que você alerte os garous sobre o que está acontecendo, sabe nossa função, as do Corax? Então lobinho, leve a mensagem, mas antes disso, vá para a Argentina, o Rei quer a confiança e ajuda de vocês e lá me encontrarão, vocês farão nosso trabalho sujo, senhor das sombras.

    Corax:

    O rei leão caminha com o Cedro em sua forma homínidea, parando em frente ao Jack e dando sua útima palavra.

    Rei Leão:

    - Sigam para a Argentina e ajudem os meus comandados lá... Illiana irá estar por lá, nossa corax e ir[a encaminhar aos contatos, alguns parentes morreram nessa terra, e creio que terão pistas. - O rei olha para Sophia - - Depois, se não morrerem, você vai ao centro da América, estarei lá te esperando para conversarmos, sem esse garou.

    Illiana, a Corax dá uma piscadela pra Jack e se ausenta. Logo vem um brutamontes enorme, maior inclusive que Jack, escoltando-os para fora da caverna, sem falar nada, ele vai conduzindo, até que fala pra Jack.

    - Chefia, nada pessoal, sei que minha cabeça é dura.

    Carneiro:

    Jack, sente de novo a dor de cabeça do golpe e nota que foi ele quem o apagou, sorrindo Jack brinca, por ser competitivo.

    - Um dia, a gente cai numa luta sem surpresas...

    O Homem-carneiro sorri e pede calmamente.

    - Será uma honra Garou, não fale que existimos... te peço, se guardar segredo, te devo um favor quando for ao Afeganistão..

    - Tudo bem, vai que um dia eu precise ir...

    Jack e Sophia assumem suas formas Hispo e Feline e assim partem cruzando a floresta...



    ...CONTINUA
    Gwen O'Dyna
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por Gwen O'Dyna em Sex Set 14, 2018 11:41 pm



    Come touch me like I'm an ordinary man
    Have a look in my eyes
    Underneath my skin there is a violence
    It's got a gun in its hand

    --- Archive, Bullets



    A dor perfurou Bedwyr como a estrela da morte. A lança nas mãos experientes do Ahroun oscilou e então pendeu, caindo com um baque surdo contra a terra batida do campo de treinamento. A antiga cicatriz queimou um rio de ácido desde seu ombro até o umbigo e o poderoso righ dos Fianna curvou-se, indo de joelhos ao chão. Sentiu o gosto da própria bile misturado ao sabor do sangue dela subindo à sua boca e a Fúria agitou-se nele como tufões erguendo o Mar do Norte. Quando deu por si, uivava a plenos pulmões, a forma imponente de Crinos fazendo sombra contra seu parceiro de treino, que tremia com os olhos fixos nele, sem entender o que estava acontecendo.

    Era um Càirdeach – um Parente – e por isso não tinha sucumbido ao Delírio que teria assolado os humanos. Mas ainda assim encarava o gigantesco Ahroun com pavor tingindo a alma. O que o Fianna percebia com uma estranha sensação de distanciamento, como se aquilo estivesse acontecendo com outra pessoa. De modo vívido, doloroso e aterrorizante, os olhos de Bedwyr presenciavam outra cena.

    Quando a viu pela última vez, era uma adolescente sardenta de sorrisos meigos. Mas agora era uma mulher – ele a via distintamente, os cabelos-de-fogo agitando-se em ondas ao redor de sua figura feérica. Os olhos azuis oceânicos arregalados de pavor. O pequeno corpo feminino tombando lentamente em direção ao chão coberto de neve.

    O peito queimava e ele uivou enlouquecido pela dor mais uma vez, as garras raspando a terra a medida que lutava para agarrá-la, voltando à forma racial no processo.

    - Bedwyr.

    A voz do irmão o trouxe de volta, levando seus olhos para longe da Pequena Fada e de volta para o mundo tangível, onde o righ sentiu as lágrimas embargarem sua garganta, impedindo qualquer discurso longo. Engolindo em seco e encarando o Lua Crescente como se pudesse chegar-lhe ao espírito, o Ahroun disparou:

    - Neve. Sangue. Gwenhwyfar.

    As sobrancelhas de Gaherys ergueram-se de espanto. O que equivaleria a gritos e uivos vindo de qualquer outro homem da Tribo.

    - Bràthair, você tem cert---

    - Vá, Gaherys. AGORA.

    O Theurge apenas fechou os olhos, o corpo instantaneamente caindo de costas. Mas Bedwyr o amparou a tempo, evitando que o irmão batesse contra a terra ao projetar sua forma astral em busca de Gwenhwyfar. Ajoelhado no chão, com Gaherys nos braços, o Lua Cheia olhou para o Parente com quem treinava até então.

    - Encontre Niall e diga para trazer Nynaeve-bhanrigh aqui. Rápido. – o garoto, recuperando-se do susto, já tinha começado a correr quando o Ahroun completou – Bom trabalho, Allan. Você orgulha os Sinnsearan.

    O jovem assentiu e voltou à corrida, encontrando forças renovadas no pensamento de que seus Antepassados sorriam para ele. Enquanto isso o righ encarava o rosto do irmão, sentindo o estômago torcer-se a cada careta que Gaherys fazia, o coração batendo dolorido no peito.

    O tempo singrou a tarde e a noite nasceu quando Nynaeve pisou no campo de treinamento. O Lua Crescente permanecia deitado na poeira, uma camisa no tartan dos Campbell dobrada sob a cabeça à guisa de travesseiro. Bedwyr ajoelhado ao seu lado, os olhos cinzentos faiscando de Fúria aos primeiros raios de Luna.

    A Philodox nada disse, sentando-se no chão do outro lado do corpo adormecido do Theurge, tomando-lhe o pulso antes de dignar-se a encarar Bedwyr. Os cabelos ruivos de Nynaeve e os olhos verdes como grama do Verão tornavam muito fácil reconhecê-la como mãe de Gwenhwyfar, embora faltasse à Meia Lua a suavidade feérica da filha, a doçura do olhar e a inocência dos pensamentos.

    - Màthair.

    A Philodox torceu levemente o nariz diante do cumprimento antes de responder, a voz seca de trinado estridente e frio:

    - Bedwyr-righ.

    Existia um lago de tensões entre o Ahroun e a mãe. Muito havia sido falado, muito havia sido calado. E agora a barragem frágil que impedia a tragédia absoluta vergava-se sob o peso da preocupação por Gwenhwyfar. A bhanrigh havia mandado sua piuthar para longe contra a sua vontade e Bedwyr culpava a mãe por todos os infortúnios do destino da irmã. Estava prestes a dizer exatamente isso e reacender as chamas da guerra entre ele e Nynaeve...

    ... quando o Theurge abriu os olhos.

    - Gwenhwyfar vive.

    O peso que saiu dos ombros do Ahroun pareceu fazer morada no semblante da Juíza e ele a odiou de todo o coração. Ergueu-se de um salto, tomando a lança novamente nas mãos enquanto o irmão se sentava, balançando a cabeça de um lado para outro, visivelmente tonto. Os olhos inexpressivos da mãe acompanharam os movimentos do Lua Cheia e Luna cantou em seu sangue antes que pudesse temperá-lo com melhor juízo.

    - Você a mandou para a morte.

    Cada fibra de seu ser estava concentrada em não mudar para Crinos, mas sabia que rosnava para a mulher mesmo assim. A maldita mãe que Gaia havia dado a eles. Nynaeve desejava mesmo ver Gwenhwyfar morta? Bedwyr ergueu a lança na direção da Philodox, a lâmina reluzindo ao luar a centímetros da garganta delgada da Garou que sequer movia um músculo, mantendo a expressão inalterada de leve desgosto ao fitar o filho mais velho.

    - Assim que Gaherys estiver bem, saia das minhas terras. E mande um mensageiro à Tara na primeira luz da manhã. Gwenhwyfar volta pra casa, màthair, e viverá comigo. E você nunca mais vai mandá-la para onde eu não possa protegê-la.

    O Fianna girou a lança na mão e deu as costas a Nynaeve e Gaherys, tomando o rumo da Caverna. Antes que se afastasse três passos, ouviu a voz plácida do irmão anunciar:

    - Ela manda seu amor para você, Bedwyr.

    O Ahroun não se virou, nem respondeu. Ele sabia que sim. Apertou com força a lança, sentindo a arma vibrar com a pressão de seus dedos. Para a Caverna. E para o Inferno se necessário. Mas era dele a missão de proteger a Pequena Fada. E Bedwyr prometeu que não falharia outra vez.

    Hagen
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    Contos Cômicos - Não vivemos apenas de apocalipse...

    Mensagem por Hagen em Qua Set 19, 2018 3:32 pm

    OH MEU DEUS!





    Gwen sentia convulsionar o seu intestino e cada vez que seu corpo palpitava, sua pele alva como o marfim mostrava seus finos pêlinhos ruivos se arrepiando, indicando o quando estava desequilibrada. A louça branca fazia seus cabelos contrastar imediatamente, aquele ponto vermelho no mar alvo cristalino de azulejos. Gwenhyfar pensa em como era legal pensar em cerindwar e tentava lembrar como invadia vladivostok, conquistando 3 territorios à sua escolha. Até que  uma lágrima desce e parecia que  a wyrm estava rasgando sua carne, tb pudera, era frágil e delicada como uma flor silvestre que habitava os campos, nesse mometo Gwenhyfar estalabece a comunicação telepatica com valerie.



    COM. TEL.
    - OH Meu Deus! Banhrigh, a dor é deveras insuportável, rasga-me as entranhas e corroi o meu intrinsico. Oh Meu Deus! Sinto dor e tristeza minha Banrigh como se Cerindwan tivesse me punindo severamente, que nem o próprio chifre do Gamo-Rei possa proteger-me de tais provações. Oh meu Deus!



    Valerie fica imediatamente preocupada perguntando com uma exasperação normal de uma líder, questionando aonde estaria sua beta:



    -Aonde vc está, minha beta?



    Gwen responde já com lágrimas descendo em sua pele branquinha, trespassando as curvas do seu pescoço e chegando a inundar o pingente de floco de neve que ficava em cima de sua camisa do iron maiden:


    - Se eu partir dessa, preciso que cante, se ficar eu te honrarei minha banrigh, pelo Gamo rei, Oh meu deus!.  Você tem um bom ar ai?



    Valerie não entende bem o que a moça fianna queria dizer com isso, até que pensa:

    "Ela está com dor de barriga?"

    - bom ar?



    Gwen, responde de imediato:

    - Essa dor de barriga esta me matando!!!

    Balançando seus pequenos pézinhos de bailarina, ela cantarola uma musiquinha de ninar, os passarinhos vem e se aproximam da janela, mas estava tudo tão empesteado que eles fogem assustados.

    -Oh meu Deus!







    É Pavê ou Pacomê?






    Hanibal chega na casa da prima e estava feliz depois de uma noite encontrando Sophia, experimentando novas bebidas. Estava meio cansado quando olha Valerie trazendo  pavê e no mesmo momento fala:


    - É pavê ou pácomer!



    Antonio que estava com seu óculos tentando mudar um pouco do mahjong para o sudoku, apenas desvia o olhar para Hanibal e a expressão era: "imbecil", o pensamento era:



    "posso aprender muito com ele, no que nunca quero me tornar..."

    Gwen vem pelo corredor andando deslizando através de seus pézinhos de bailarina como linda pluma leve, dando  uma piscadela marota para Valerie, depois de estabelecer conexão telepatica, os passarinhos tinham se afastado e aparecia um urubu na janela, o que todos estranham, até porque Gwen era quase uma princesa da Disney.



    Hanibal vai em direção ao banheiro, e Gwen se exaspera, quase ligando a conexão telepatixa para impedir o primo problema de banrigh, tarde demais.

    Hanibal entra no banheiro e estava sentindo uma dor de barriga dos infernos, lembrava de sofia e pensava que ainda bem que não sentiu antes  caganeira, atrapalhar os servicos da moça seria um pecado mortal, ainda mais com a maestria que ela executava.  

    O ragabash fecha a porta e já tapa o nariz e fala:



    -Eita porra, essa ruiva tá podre. Comeu a wyrm amassada com feijão? Agora entendo pq fiannas tem dons de resistencia à toxinas.



    Hanibal se despe e vai se acomodando no vaso, pegando um cantil de uísque, pega o celular e liga para o irmao, comeca a peidar e grita no tel:



    - É por isso que sou filho do avo trovão seu viadinho, olha os trovoes ai. Hehehehwheua
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    Re: Lembranças de outros dias

    Mensagem por antonio xavier em Qua Set 19, 2018 3:40 pm

    Antonio e Ana - Parte II
    "Não me maldigas... Num amor sem termo
    Bebi a força de matar-te a mim
    Viva eu cativa a soluçar num ermo
    Filho, sê livre... Sou feliz assim...

    - Ave - te espera da lufada o açoite,
    - Estrela - guia-te uma luz falaz.
    - Aurora minha - só te aguarda a noite,
    - Pobre inocente - já maldito estás.
    Perdão, meu filho... se matar-te é crime
    Deus me perdoa... me perdoa já."
                   (Castro Alves - Mater Dolorosa)

    Antonio viu sua mãe na janela com tons rosados visíveis na face e um olhar que misturava rubro e prata: a cor cristalina revelava as lágrimas presentes nos olhos marejados e o tom rubi desnudava que a corrente havia sido pelo peito destilada.

    Não compreendia com exatidão  o martírio pelo o qual Isabel passava. O quadro composto por Ana e Antonio trazia à tona sentimentos há muito tempo lacrados no fundo do baú de sua alma. A caixa deixada bem no canto escuro e miserável das lembranças encontrava a chave que a tiraria daquela prisão. Aberta, o martírio silencioso se apossou pouco a pouco até explodir em um violento grito.

    O rapaz não compreendia de onde vinha aquela dor, de onde vinha o seu nome chamado com tanta violência. No mesmo instante em que viu a mãe e absorveu superficialmente o que acontecia, Antonio perdeu Isabel de vista. Após o grito, a mulher correu para os fundos da casa onde havia um quarto destinado a pequenas plantações de flores e outros vegetais.

    As orquídeas brancas tocaram levemente em seu braço e deslizaram até suas mãos.

    Uma menina corria com os pés descalços por entre as árvores e um rapaz a seguia com um rosto repleto e pleno em sorrisos. O sol brilhava, a natureza cantava. Não havia cenário mais perfeito para o Amor vir com sua aljava e ferir corações. Não se sabia se o quadro era realmente paradisíaco, outros poderiam não enxergar, mas ele refletia o espírito cúmplice do casal.

    Isabel segura em suas mãos as orquídeas lilás e as lágrimas que escorriam antes pelas pétalas brancas secam. Um ligeiro ar de altivez reverbera pelos olhos escuros. A mulher pega as chaves caídas no chão impuro de sua consciência, mira a caixa aberta aos seus pés e uma forte energia percorre sua face, a enrijece. É possível ouvir o estrépito do fechar-se e a caixa retorna para o seu devido lugar.

    A porta se abre.

    - O que houve , mãe?

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    Re: Lembranças de outros dias

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