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    Aurora Selvagem

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    Tellurian
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    Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Qui Set 27, 2018 4:48 pm

    Aurora Serena corria chorando, atraindo os olhares das pessoas do Caern. Uma noite antes, ela havia corrido pela floresta, com o coração aos pulos, atendendo a um chamado que pensava ser dele, de encontro a ele. Agora, corria floresta adentro, novamente com o coração disparado, mas dessa vez para se afastar dele. O medo do Tabu gritava em seu coração, e a Galliard se sentia amaldiçoada. Tudo o que ela queria era abraçar o seu amor, finalmente estar com ele de novo depois do exílio.

    -"Eu vou encontrar meu caminho de volta a você, Koshechka."- Foram as palavras que ele disse pra ela antes do embarque no maldito trem Transiberiano. O trem que o levou pra ela, o trem que a levou dele. -"Não me esqueça"- ela o ouviu dizer pela janela. Depois, uma ultima frase abafada pelo vento por clemência dos Espíritos, porque era uma frase que Gwen não poderia suportar se a tivesse ouvido.

    Ela correu durante alguns minutos, deixando as lágrimas no caminho cheio de pedras e espinhos. Ela ouviu o ruído de uma cachoeira ao fundo, e correu para ela sem saber que aquela era a nascente do mesmo córrego onde tivera sua visão no dia anterior. Onde o vira morrer em batalha.


    Uma queda d'agua despencava dez metros acima de Gwen, coroando as estrelas da noite de lua minguante. Gwen se ajoelhou diante da cachoeira, com o rosto nas mãos, chorando e amaldiçoando seu sangue e sua linhagem assombrada. Viu o pingente de floco de neve em seu peito através das lágrimas e o agarrou, fazendo uma prece silenciosa.

    E o silêncio da noite foi quebrado quando ela ouviu Andrei sair da floresta e entrar na clareira da cachoeira.

    -"Gwen... Eu encontrei você."- Ele disse, com os olhos marejados e o peito arfante pela corrida desabalada.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Qui Set 27, 2018 9:03 pm


    So if you want to love me
    Then darlin' don't refrain
    Or I'll just end up walkin'
    In the cold November rain

    --- Guns 'N' Roses, November Rain


    Ajoelhada às margens da cachoeira, Aurora Serena ergueu o rosto para fitar Anoitecer Selvagem, secando as lágrimas com as mãos o melhor que podia. Ele estava diferente. Não apenas por causa do manto branco que usava, sem camisa por baixo (na Sibéria, ela raramente havia visto Andrei sem ao menos uma camiseta). Não apenas por causa das tatuagens que cobriam todo o braço direito do Presas de Prata, onde antes não havia nenhuma. Não, a mudança não era apenas física. O Ahroun carregava novas cicatrizes agora - ela via as marcas prateadas pelo luar sobre a pele dele - mas as alterações pareciam alcança-lo em um nível muito mais profundo. A Galliard se pôs de pé, lamentando do fundo do coração estar usando aquelas estúpidas roupas de ginástica num momento como aquele.

    Descabelada pela corrida, com o rosto marcado pelas lágrimas, usando leggings pretas e aquela mesma camiseta do Iron Maiden, Gwenhwyfar imaginava que devia ser a visão do inferno para o Garou. Depois de mais de um ano sem contato, eles se reencontravam quando ela usava tênis de corrida! Só podia ser brincadeira. A Galliard afastou as ondas rubras de cabelo para trás das orelhas e trocou o peso de uma perna para a outra. Estava fugindo de confrontar o verdadeiro problema. Estava jogando luz sobre um detalhe fútil, como roupas, simplesmente para evitar pensar.

    A verdade é que sua mente tentava criar caminhos para não confrontar o fato de que o Sangue de Diarmuid estava prestes a cobrar seu preço sobre ela. A Fianna caminhou lentamente até o Presas de Prata, vendo-o arfante pela corrida e não conseguindo evitar passear os olhos pelo peito nu do Garou. Caminhava com passos leves e quase hesitantes, atraída irremediavelmente para ele como se estivesse sob um feitiço. Foi tomada por um arrepio quente e baixou os olhos para o chão, percorrendo os últimos passos sem conseguir fita-lo diretamente. Sentia a Espada de Dannu pesar sobre sua cabeça. Ergueu os olhos para Andrei e soube que já não podia mais evitar sangrar por ele.

    A ruiva era bem mais baixa que ele. Fadinha delicada diante do poderoso Guerreiro de Gaia. Baixou os olhos para o braço direito do russo, levando as pontinhas dos dedos até o torc que ele usava no pulso. Deslizou o toque pelas tatuagens cerimoniais de Andrei, sentindo a estática de tocá-lo percorrer sua mão esquerda e subir até ganhar seu coração, galopante no peito. Ao alcançar o ombro do Garou, permitiu-se espalmar a mão contra os músculos do Presas de Prata, percorrendo com a palma quente a curva do pescoço dele antes de descer para o peito do Ahroun. E só então ergueu os olhos para fita-lo, com um sorriso derretedor de cobre nos lábios rosados.

    - Mo Dìonach... - a voz dela era encorpada, doce e sensual, sussurrando em gaélico. Meu Guardião. Ergueu a mão direita e tocou o peito do homem com as duas mãos agora, sentindo as batidas fortes do coração do Ahroun. Ergueu um pouco mais o queixinho, mordendo o lábio inferior. Quase sem perceber, começava lentamente a se erguer em èlevé na ponta dos pés - Mo ghràdh fìor - aquelas palavras ele nunca tinha ouvido dela e as bochechas violentamente coradas, os olhos azuis de cílios úmidos erguidos brilhando para ele, davam a entender que ele não saber o que queriam dizer era o único motivo pelo qual ela se permitia dize-las.

    Sua mente pragmática gritava e se debatia para que ela saísse correndo dali. Para que tirasse as mãos de Andrei, para que não dissesse nem mais uma palavra. Mas esta era uma parte muito pequena da sua consciência, afogada em um mar de sentimentos elevados, tempestuosos e selvagens. A ruiva estava nas pontas dos pés agora, e olhava para o loiro com devoção apaixonada. Um passinho de ajuste e seus corpos se colaram, ao mesmo tempo em que as mãos dela subiram do peito para os ombros e dali para a nuca dele, cruzando-se às costas do Ahroun e permitindo que ela se apoiasse inteiramente contra Andrei. Suspirou e mordeu o lábio inferior novamente, sorrindo aquele sorriso de partir galáxias enquanto se aproximava dele. E, com toda a doçura do mundo, encostou a pontinha do nariz no nariz dele, fazendo carinho.

    - Andrei... eu senti tanto a sua falta... - Aurora Serena estava muito colada contra o corpo de Anoitecer Selvagem, o suficiente para sentir o coração dele batendo contra seus seios, de encontro ao dela, e para faze-lo se perder no perfume de camomilas ao sol que vinha dela, trazendo junto aquele cheiro natural, reativo e alucinante de femme que Gwenhwyfar tinha. E do qual, sensual e inocentemente, parecia não suspeitar.

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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Sex Set 28, 2018 12:12 pm

    What I've felt
    What I've known
    Never shined through in what I've shown
    Never free
    Never me
    So I dub thee Unforgiven


    Era ela. Enfim, era ela.

    Durante toda a corrida pela floresta, Andrei parecia ter esquecido que era Garou. Corria em sua forma hominídea, esquivando de pedras e raízes, sentindo o ar invadir seu peito e queimar em seus pulmões. Tinha os olhos fixos à frente, procurando desesperadamente por ela. Ele sequer sabia como sabia que ela tinha corrido por ali, mas havia aprendido em suas andanças a conversar com seus instintos e a confiar neles. Em sua mente, as memórias do passado fervilhavam, acelerando seu coração muito mais do que a corrida jamais poderia fazer.

    -"Um dia, Andrei, vamos pra Omsk. O trem sai da cidade, atravessa a Sibéria, é lindo. Vou te levar para assistir o balé no teatro"- o espírito de Sasha parecia sussurrar em seu ouvido -"Algo de bom vai acontecer quando você for lá.”-

    Sentiu a mão pesar. Sentiu novamente o gosto do sangue em sua boca. Sentiu o toque frio da lança de prata açoitada pelo vento siberiano em sua mão. E a expressão de alívio nos olhos de Sasha quando seu espírito lhe abandonou.

    Lembrou-se do Quebra Nozes. De como estava emocionado na platéia quando a Galliard de cabelos rubros flutuava iluminada no palco, com seus movimentos de gata. Lembrou-se de como ela o alcançou no vale mais escuro de sua vida, de como derreteu o permafrost que cobria seu coração com aquele sorriso iluminado e o fogo dos seus cabelos e o trouxe de volta ao mundo dos vivos.

    Andrei quase tropeçou no caminho pedregoso. Uma pedra rolara diante de seu peso, e ele perdeu o equilíbrio. Caiu com os ombros sobre uma árvore, mas se recuperou e ficou de pé, retomando a corrida desesperada.

    Lembranças daquele dia:
    De perto, Andrei percebeu o quanto ela era pequena. Quando Yuri o apresentou e ela olhou pra cima, os olhos verdes dela encontram os azuis dele. Ela sorriu, e ele não soube muito bem o que falar, mas lhe estendeu a mão.

    -“Você dança muito bem, Koshechka.”- Andrei tentou, atrapalhado, elogiar os movimentos da moça, sem atentar à conotação obviamente dúbia do adjetivo. O queixo de Yuri quase atingiu o solo e ele levou a palma da mão ao rosto. A ruiva apenas ficou confusa por um segundo, encarando o atrevido.

    -“Você... acaba de chamar de gatinha? Audacioso.”- disse, mais divertida com a cantada repentina, não-intencional e fora de lugar do que necessariamente brava.

    Andrei percebeu a trapalhada e imediatamente corou. Ainda com a mão estendida, ele tentou se explicar, gaguejando. A moça começou a rir, pois já havia percebido o mal-entendido e divertia-se com a timidez do moço do interior. E apertou a mão de Andrei, suportando seu desajeitado aperto de mão de ferro. Um encabulado Yuri imediatamente se desculpou pelo tropeço do amigo, e entregou seu ramalhete à moça, que o agradeceu educadamente. Yuri se aproximou e sussurrou ao ouvido de Gwen a identidade de Andrei como Garou, e os olhos felinos da ruiva imediatamente se estreitaram em curiosidade.

    -“Eu havia percebido você na plateia. É difícil não notar um homem desse tamanho chorando feito uma criança.”- Ela se divertiu quando Andrei se revirou de vergonha ao fim da frase –“É sempre uma honra conhecer nossos irmãos. Que tal um café? Eu gostaria de ouvir algumas histórias.”- Ela disse, sorrindo para ele, e Andrei soube que seria impossível recusar.

    Lembrou-se das brigas. De como ela estava enfurecida por ele ter matado aquele vampiro no bosque sagrado dela. Lembrou-se dela lhe ensinando inglês, rindo de seu sotaque arrastado e de sua dificuldade em pronunciar as palavras. Lembrou-se da careta que ela fazia ao tomar vodka. Lembrou-se dela lhe falando entusiasmada sobre Eça de Queiroz e de como ele teve vontade de aprender aquela maldita língua, pra que pudesse ler seus livros e conversar com Gwen sobre eles. Lembrou-se de quando corriam juntos em suas peles de lobo, Neve e Sangue, Aurora e Anoitecer, Serena e Selvagem, correndo pela tundra Siberiana. Lembrou-se de como seus olhos brilhavam e ela sorria ao ver as luzes no céu, e de como ele achava aquele sorriso mil vezes mais belo que a aurora boreal.

    E lembrou-se da nevasca. Do tiro na escuridão. Do seu grito de dor e de seu sangue caindo na neve. Lembrou-se da Fúria o dominar e do medo no rosto dos vampiros.

    A corrida desesperada pela neve com a pequena em seus braços olhando pra ele com olhos desfocados. -"Mãos que ferem, mãos que protegem." Lembrou-se de como domou o Lobo Interior, engolindo a Fúria para manter a frieza e cuidar dela. Removendo a bala, limpando e fechando a ferida. Tirando as roupas delas e as suas para abraçá-la diante da lareira e dar-lhe o calor que precisava pra viver.

    E lembrou-se daqueles dias na cabana, que Gaia os guarde pra sempre em seu coração. Daqueles dias sagrados, onde abriram seus corações um pro outro. Dias de verdade. Dias onde despiram as almas um do outro. Dos dias onde ele viu amor nos olhos dela pela primeira vez, e quando o Tabu se impôs entre os dois, levando-a às lágrimas.

    Chegou a uma encruzilhada. A trilha corria para dois lados, e ele não sabia para onde ir. Sentiu a Fúria se agitar dentro de si. O Lobo uivava. Aquilo não podia acontecer. Ele não podia perdê-la de novo. Ergueu o queixo quando ouviu uma cachoeira no fundo. Sentiu o cheiro dela. E tornou a correr com o coração aos saltos.

    E veio a sua mente o dia na estação de trem. De como ela ficou em silêncio durante todo o trajeto da cabana até a estação. Da via crucis que caminharam de mãos dadas, com o coração partido e os olhos ardendo.

    -"Eu vou encontrar meu caminho de volta até você, koshechka"- ele disse pra ela quando se separaram do último abraço. Ainda carregava nas mãos a sensação dela lhe soltando e embarcando no trem sem olhar pra trás. O som agudo da campainha que indicava a partida ecoando pela estação e de como ela espalmou a mão pequena contra o vidro da janela quando o trem começou a se mover. -"Não me esqueça"- ele disse a ela da estação e viu as lágrimas descerem dos olhos azuis até o queixinho fino.

    -"Ya lyublyu tebya, koshechka"- Ele disse sem querer quando o trem já estava além de seu alcance, e orou que os espíritos não levassem suas palavras até ela.

    E então a Fúria uivou em seu peito, tanto anos atrás na neve quanto agora na floresta. Quando tempo havia passado? Um ano? Dez anos? Ele se lembra do frio siberiano congelando a determinação em seu coração. Não importa o que acontecesse o Tabu seria desfeito. Ele a encontraria novamente. E ela seria feliz. Uivou para o céu em juramento que não descansaria até que aquelas palavras se tornassem verdade. Jurou pelo seu sangue, pela sua honra, pelos seus ancestrais e pelo seu amor. Custe o que custar. Haja o que houver. Daquele dia em diante, tudo o que ele faria seria para que aquilo acontecesse, e nem o Apocalipse iria o impedir.

    E caminhou. Mãe, como caminhou. Percorreu os Urais e enfrentou horrores. Atravessou desertos e passou fome. Combateu vampiros nos Cárpatos e se arrastou pelas trilhas assombradas sozinho, ferido e assustado. Singrou mares revoltos e mergulhou em lagos profundos. Atravessou as florestas da Bretanha e enfrentou Dannu em pessoa. Encontrou camaradas e até mesmo a família que não sabia que tinha. Fez novas promessas e lutou novas batalhas. Lamentou novas despedidas. Caminhou pelo Sonhar ao lado do Povo Belo e lutou ao seu lado e contra eles. Cada dia desde aquele momento na estação de trem ele esteve mutilado.

    Mas agora ela estava ali. De joelhos na cachoeira. Diante de si.

    -"Gwen... eu encontrei você."- Ele disse ao entrar na clareira. Talvez ela achasse que essas palavras se referiam apenas aquele momento. Ela não sabia de nada. Ela não tinha como saber. Mas aquelas palavras eram o ápice de uma jornada desesperada e difícil. Que custou sangue, suor e lágrimas. Que lhe fez muitas vezes achar que não conseguiria. Que não teria forças. Mas que durante todo o caminho, aquelas lembranças agridoces o levantavam quando ele estava exausto. Davam forças aos braços lassos e às pernas doloridas. Que o mantinham aquecido nas noites frias. Que lhe davam um motivo pra viver e seguir em frente.

    E agora ela estava ali.

    Andrei nem ao menos percebeu que caminhava em sua direção lentamente, e ela em direção dele, como se atraídos por um magnetismo inexplicável, forjado pelas fiandeiras do destino antes mesmo que seus ancestrais nascessem. A floresta se apagou, a cachoeira silenciou e as estrelas não existiam mais, só havia ela.

    Anoitecer Selvagem teve medo de tocá-la e ela desaparecer, como fazia todas as noites em seus sonhos. Mas quando ela tocou seu braço, ele sentiu o tão desejado, tão ansiado, tão esperado toque de sua Koshechka, ele fechou os olhos verdes e pediu a Luna que parasse o tempo. Que dessa vez fosse real. Só dessa vez, por favor.

    Não pôde impedir que uma lágrima rolasse quando ela espalmou as mãos sobre seu peito, a pele febril que ele lembrava e o cheiro suave que o entorpecia. Cheiro de Gwen. Ela sorriu, e era impossível não sorrir junto com ela. Os seus corpos se colaram, e eletricidade percorreu o corpo inteiro de Andrei, arrepios inevitáveis no ar frio da noite. Ele conseguia ouvir o próprio coração batendo junto do dela. O mundo tinha sentido de novo. Agora tudo estava no seu lugar. Até que enfim.

    Ela tocou seu nariz e ele sentiu o hálito perfumado dela em seus lábios.

    Gwenhwyfar escreveu:-"Andrei... eu senti tanto a sua falta... -

    A Fúria uivou no peito do Ahroun, lhe lembrando de quem era. Não era mais possível resistir. E ele não queria resistir. Às favas o mundo. As mãos febris do Anoitecer Selvagem alcançaram as costas da ruiva e a puxaram para si, e seus lábios se tocaram em seu primeiro beijo.

    Um beijo pela eternidade.

    e Andrei poderia morrer agora de felicidade.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Sex Set 28, 2018 3:38 pm


    Oh I, I just died in your arms tonight
    It must've been some kind of kiss
    I should have walked away
    I should have walked away

    --- Hidden Citizens, I (Just) Died In Your Arms


    Um beijo pela eternidade.

    Gwenhwyfar tremia nos braços de Andrei, os lábios colados aos dele, sorvendo o calor do beijo do Presas de Prata com intensidade. Quando suas línguas se tocaram, a ruiva sentiu os joelhos falharem, e suspirou completamente entregue. Confiou-se inteiramente a ele. Sabia que ele não a deixaria cair. Nem ali, nem jamais. Os braços fortes do Ahroun a puxavam de encontro ao corpo másculo e a garota mordiscou sensualmente o lábio inferior de Andrei, sufocando um gemidinho ao voltar a aprofundar o beijo.

    Um beijo pela eternidade.

    Há anos os dois valsavam aquela dança da morte, em círculos ao redor um do outro, encontrando-se e separando-se sem nunca realmente se tocarem. Gravitando em órbita de um amor amaldiçoado, Gwenhwyfar e Andrei, Luna e Hélios, a eterna busca pela realização um no outro. A Fianna sentiu romper-se algo precioso e secreto em seu peito, enchendo sua alma de luz e calor, inflamando o fogo em seu coração. O primeiro beijo era um beijo de despedida, e ela sabia disso. Agarrou-se ao Garou, ávida por seus carinhos, e disposta a pagar o preço.

    Um beijo pela eternidade.

    Mil questões assolavam a mente de Aurora Serena, mas ela tinha medo de que as palavras pudessem quebrar o encanto e leva-lo para longe. Deu-se conta de que, agora que estava ali, a visão da morte dele na tundra siberiana não poderia se concretizar. Andrei estava no Brasil, com ela. E ela salvaria seu Guardião da revelação que recebeu. As lágrimas ameaçaram irromper e a Fianna interrompeu o beijo, deslizando os lábios pelo pescoço do homem, parando a cada poucos beijinhos para morder com suavidade a pele adorada de Andrei. Desceu as mãos pelo peito do Presas de Prata, passando pelo abdômen e depois desviando para a cintura e subindo pelas costas, onde arranhou bem de levinho o Ahroun ao voltar a tomar-lhe os lábios.

    Um beijo pela eternidade.

    E Gwenhwyfar puxou Andrei para baixo ao mesmo tempo em que arqueava as costas, guiando-o para que a sustentasse enquanto deitava-se languidamente na relva da margem da cachoeira, trazendo-o por cima dela. O sorriso da ruiva rivalizava com as estrelas quando ela fitou o russo na penumbra enluarada da Mata Atlântica, os lábios avermelhados pela intensidade dos beijos:

    - Os deuses me fizeram pra você. - ela sussurrou com voz de desejo e sorriu ao puxa-lo para mais um beijo, sufocando um gemidinho quando o corpo do Presas de Prata pressionou-se contra o seu. Sabia que a perdição a alcançaria, e estava assustada, mas seu coração selvagem tinha encontrado o caminho até Andrei, através de todas as impossibilidades. E Gwenhwyfar afastou os pensamentos, deliciando-se com a sensação absoluta de estar nos braços do homem que amava.

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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Sex Set 28, 2018 5:38 pm

    A mente de Andrei estava em branco. Ele não conseguia nem queria pensar em nada. Ele sonhou com cada segundo daquele momento por anos. Com o cheiro dela misturado ao seu, com os sussurros dela preenchendo a noite, com o olhar de desejo dela e com aquela pele ardente contra a sua. O manto tornou-se um fardo insuportável, e ele o removeu, lançando-o contra a grama à beira da cachoeira.

    O Ahroun era bruto, e tinha medo de machucar sua delicada Koshechka. E, mais do que isso, ele não sabia o que fazer. Por mais que tal perspectiva o envergonhasse, o Ahroun era jovem e nunca havia tido outra mulher em seus braços antes. Aurora Serena preencheu seu coração antes de qualquer outra, e esteve lá desde então. E agora, a inexperiência cobrava seu preço.

    Ele sorriu envergonhado, por ter de admitir isso em voz alta, os olhos profundamente verdes desviando sem conseguir encará-la diretamente.

    -"você vai ter de me guiar, Koshechka... Eu... Não sei o que fazer."- disse, corando envergonhado sem conseguir olhá-la nos olhos. Tinha certeza de que ela começaria a rir dele a qualquer momento.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Dom Set 30, 2018 5:17 pm


    Come feed the rain
    'Cause I'm thirsty for your love
    Dancing underneath the skies of lust

    --- Poets Of The Fall, Carnival Of Rust


    O embaraço palpável de Anoitecer Selvagem foi recebido pela ruivinha com um sorriso lascivo. Então ele queria brincar de Grande Caçada? Gwenhwyfar usou o elemento surpresa para conseguir derrubar Andrei de costas contra a relva, rolando por cima do Ahroun. Conhecia aquele truque, de fazer-se de inexperiente para então, no momento certo, rasgar o céu com as garras da luxúria. Nem sequer passava pela cabeça da Fianna que um homem tão lindo pudesse ter menos de dezenas de mulheres em sua vida.

    A Galliard não parava de sorrir e beijou o Presas de Prata com uma cascata de cabelos ruivos derramando-se sobre o homem. Ele poderia ter tido bem uma centena de parceiras na vida, mas ela não se importava: faria de um jeito que ele não ia esquecer. Deixou um gosto de desejo na boca do Garou ao se afastar lentamente, sentando-se com as costas bem eretas sobre a parte mais sensível dele, estremecendo de leve e deixando escapar um gemidinho ao senti-lo contra o próprio corpo. Antes que pudesse pensar a respeito, dançava sobre Andrei, guiando as mãos do Ahroun da sua cintura para os seus quadris, atendendo os anseios daquele toque com um rebolado cada vez mais sensual. Ah ela seria dele. Mas o russo teria que implorar antes.

    A ruivinha ofegava, pontuando as respirações pesadas com gemidinhos leves naquela voz enlouquecedora. Esfregava-se no homem sem a menor vergonha, explorando os limites do controle do Presas de Prata. Segurava-o com força contra o chão, apoiando as mãos contra o peito nu do Garou, e sorria de forma maliciosa toda vez que ele tentava beija-la, intensificando a pressão do rebolado indecente. Era a Donzela Caçadora, montada sobre o Grande Lobo Branco. Sentiu o sangue ferver e, num movimento fluido, desfez-se da camiseta do Iron Maiden, dando a Andrei a visão de seu corpo seminu, os seios ocultos pela finíssima renda preta de um sutiã simples.

    Sabia que ele a tinha visto nua ao salvá-la da nevasca, da bala de prata, da morte. Mas, naquele momento, não havia qualquer contexto de sensualidade intencional: Andrei queria apenas que ela vivesse, e era honrado demais para aproveitar-se de uma mulher ferida e inconsciente. Porém, agora era diferente. Pela primeira vez, Aurora Serena despia-se diante de Anoitecer Selvagem. Porque queria ser vista por ele. Porque queria ser desejada por ele. Entorpecida de luxúria, a ruiva inclinou-se sobre o russo para beija-lo mais uma vez, viciando-se cada vez mais no sabor daqueles lábios. Era mais e mais difícil interromper o beijo, mas ela queria provocá-lo. Voltou a sentar-se sobre Andrei, a mão direita sobre o peito do Garou e a esquerda deslizando pelas tatuagens no braço dele, que atraiam os olhos azuis da Galliard.

    - Você antes não tinha tatuagens. - ela segurou o pulso do homem, levando-o contra os lábios enquanto dançava em seu colo - Eu gosto... São cerimoniais? O que... hmm... o que querem dizer?

    A boca ávida de Gwenhwyfar beijava os símbolos grafados na pele de Andrei quando, unindo suas consciências em uma só, a Fianna sussurrou diretamente para a mente do Presas de Prata:

    (Com.Tel.) - Mostre para mim, meu Dìonach... - Gwenhwyfar gemia de prazer ao tocar a mente de Andrei, preenchendo a consciência do Ahroun de sensações excitantes e proibidas.

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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Ter Out 02, 2018 1:22 pm

    Os beijos de Aurora Serena eram o céu. Andrei sonhou com eles durante cada minuto de sua vida, desde o momento em que a viu no palco aquela noite, no Balé de Omsk. Ela era a mulher perfeita. Ela tinha seus defeitos, claro, assim como ele. Mas ela era perfeita para ele. Naquele dia na nevasca, ela levou uma bala por ele. E ele ficou confuso durante muito tempo, sem entender o porque. Até ter visto o amor nos olhos dela, e sentido esse amor nos momentos que partilharam enquanto estavam presos naquela cabana, na nevasca que durou quatro dias. Ele não conseguia entender porque ela o amava, imperfeito que era. Mas se sentia abençoado por esse amor. Ficou feliz como nunca havia sido na vida. Completo. Realizado. Ela fazia dele um homem melhor. Os dias começam com suas auroras serenas e se encerram em anoiteceres selvagens, e ele deu como profético que esses seriam os dias do resto de suas vidas.

    Mas, quando o Tabu se impôs sobre eles, ele sentiu junto com ela o peso da maldição que assombrava a linhagem de Diarmuid. Mas, mesmo naquele momento escuro, o amor dela serviu-lhe como forma de lhe dar propósito. Ele sabia agora o que devia fazer. Ele deveria fazer o que nasceu pra fazer. Sob o Augúrio da Lua cheia. Com a Fúria que ardia intensamente em seu peito. Com o Lobo que uivava em seus instintos desde que era menino. Ele iria lutar. Lutar por ela. Lutar por eles.

    Os beijos da ruiva lhe eram prêmios maiores do que ele esperava ou teria esperança de merecer. Mas ele se sentia abençoado por eles. E mais uma vez, se deu ao luxo de ser feliz.

    Ela girou sobre ele, colocando suas costas no chão e montando sobre o Ahroun, lançando-lhe olhares lascivos. O rebolado de seu amor em seu colo lhe era algo maravilhoso demais para que ele pudesse pensar em qualquer coisa que não fosse ela naquele momento. Os gemidos sensuais de Gwenhwyfar embalavam o delírio de Andrei, que passeava com as mãos pelas curvas da moça. Ele já a havia visto nua antes, mas a urgência de socorro e a concentração não haviam lhe permitido vê-la nua. Não como via agora, com olhos de desejo.

    Ela tirou a camisa, ficando de sutiã. Andrei reencontrou seu velho inimigo. Naquele dia na cabana, ele havia desistido de tentar abrir o maldito fecho enigmático que Andrei amaldiçava novamente três vezes, enquanto apanhava para abri-lo novamente. Como anos antes, ele desistiu, e apenas arrebentou o fecho. Ahrouns são Ahrouns, no fim das contas. Se for pra resolver enigmas, que chamassem um Theurge.

    Os seios de Gwen eram maravilhosos. Andrei não pôde resistir ao seu chamado. Deslizou as mãos por suas curvas e beijou-os o quanto pôde. Gwen arrepiou-se e tremeu com o abraço do guerreiro, seus beijos lascivos e seus carinhos.

    Ela perguntou-lhe sobre suas tatuagens, e Andrei sentiu a mente de Gwen fundir-se com a sua, como ela fizera tantas vezes antes. Mas, naquele momento, com aquelas sensações, tal elo mental lhe era... incrível. Estavam conectados de mente e alma. Restava apenas o corpo.

    Mas, entorpecido pelos carinhos e pelo desejo, Andrei permitiu que Gwenhwyfar visse as imagens de suas memórias. E esqueceu que não eram memórias agradáveis.

    Sasha. Vanya. Ivan. Suas mortes, seu julgamento, sua culpa. Seu banimento. Sua condenação. Sua solidão. Seu medo.

    Por dias e sete noites consecutivas, Andrei reviveu os piores traumas de sua vida, de novo e de novo, em pesadelos incessantes, enquanto os Unseelie devoravam pedaços de sua alma e queimavam seu corpo a ferro, tingindo as feridas com tinta. As tatuagens seriam a chave da ponte para o Sonhar, e de volta dele, mas o preço era dor além do que a mente pode suportar. Andrei aceitou o pacto sob as gargalhadas dos demônios feéricos que o torturaram.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Qui Out 04, 2018 10:19 pm


    Unseelie. As lembranças de Anoitecer Selvagem congelaram o coração de fogo da ruiva, travando o rebolado de seus quadris. Parada sobre o Ahroun, a Highlander sentiu os olhos se encherem de água à medida que as torturas desenrolavam-se no olho da mente de Andrei, transmitindo-se a ela com um jorro de sensações que teria deixado uma pessoa menos acostumada ao elo telepático refém de uma ânsia vertiginosa. Mas Gwenhwyfar tinha domínio do Dom que Luna lhe ofereceu e isolou devidamente os sentimentos: dor, medo, angústia, tristeza, revolta - esses vinham das memórias da tortura; calor, doçura, urgência, desejo, amor - esses vinham do momento atual, dos beijos, dos seios dela na boca dele.

    Aurora Serena sentiu uma cascata cálida de carinho inundar sua alma e emergir em um abraço firme, no qual ela prendeu o Presas de Prata, sufocando-o contra seus seios. Beijou os cabelos do loiro, murmurando em gaélico com uma voz amorosa, antes de começar a falar diretamente na mente de Anoitecer Selvagem:

    (Com.Tel.) - Oh meu Dìonach, por quê? O que você buscava com tanto afinco no Sonhar para valer sete dias e sete noites de tort... - então ela soube. E seu coração se partiu em mil pedaços - O Geas de Diarmuid. Andrei...

    A Fianna sentiu-se imediatamente perturbada e levantou-se de um salto, afastando-se do Ahroun. Os olhos azuis da moça estavam cravados nas tatuagens no braço direito dele, como se ela tivesse diante de si os Sinais do Apocalipse. O peso do tabu voltou com força total sobre a Galliard, que estava seminua, excitada, preocupada e triste - tudo ao mesmo tempo. A confusão transparecia em seus olhos, e no gesto nervoso de afastar os cabelos de fogo para trás das orelhas.

    Desviando os olhos de Andrei, ela buscou pelas roupas, dando com o sutiã cujo fecho tinha sido arrebentado. Um arrepio quente percorreu o corpo da Fianna, que não conseguiu evitar voltar-se novamente para o russo. Ele era simplesmente perfeito para ela. Era, sem dúvida nenhuma, um homem calçado em defeitos, alguns bastante graves. Mas os olhos de Gwenhwyfar brilhavam para Andrei, acima de todas as reviravoltas do destino. A impressão que a Galliard tinha era de que havia um Manual Para Seduzir Gwenhwyfar O'Dyna em algum lugar, e somente Andrei tinha lido as instruções.

    Pegou o sutiã nas mãos. É, estava imprestável. Ahrouns serão Ahrouns, e a ruiva sorriu, corando ao olhar para o Presas de Prata de soslaio. Pegou a camiseta do Iron Maiden do chão e vestiu. Localizou a camisa azul marinho sobre verde floresta - as cores do tartan de guerra dos Campbell - e tomou-a nas mãos, finalmente olhando para Andrei:

    (Com.Tel.) - Você atravessou para o Sonhar sem a minha bênção. Sei que era uma brincadeira de criança quando eu abençoava meus irmãos para atravessarem para a Umbra e o Sonhar. Eles carregam o Sangue de Diarmuid, afinal. Mas você não. No seu caso, meu Dìonach¹, a Bênção de Fada poderia realmente guarda-lo do Mal. - a ruivinha mostrou a ele a camisa xadrez - Lembra-se do tartan do meu Clã? Eu protegi um Cliath dos Presas de Prata recém-chegado da Rússia com ele. Bela Noite é uma cidade que sangra nas garras dos Senhores das Sombras há tempo demais. E o rapaz é Prionnsa² da Nação Garou. Um parente de Tamara-bhanrigh. - a Galliard se aproximou de Anoitecer Selvagem novamente, beijando-o levemente nos lábios e continuando - Nikolayev veio da Sibéria. E poucas horas depois você apareceu. Para estragar meu sutiã...

    Ela riu, tanto em voz alta quanto dentro da mente do Ahroun, uma risada que dava vontade de rir junto, e que ela selava com beijinhos nos lábios de Andrei. Estava feliz demais para ser totalmente prudente, mas a amargura das lembranças do Garou havia tingido esse ânimo, relembrando-a dos limites desconhecidos do tabu que carregava.

    Será que já era tarde demais?





    ¹Dìonach: gaélico para "Guardião"
    ²Prionnsa: gaélico para "Príncipe"

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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Sex Out 05, 2018 3:07 pm

    A ânsia do desejo e o calor da pele dela era tão excitante que Andrei demorou a perceber que Gwen estava vendo -e sentindo- todos aqueles momentos terríveis que ele enfrentou em sua jornada até ela. Para liberta-la do Tabu e lhe permitir ser feliz. Ela percebeu o quanto Andrei sofreu, e pelos olhos dela, ela se culpava. A moça se levantou e buscou suas roupas.

    Andrei ainda arfava, com a pele quente e os hormônios borbulhantes. Mas entendeu a dor da moça. Ele não conseguia imaginar o que sentiria se fosse o contrário, e Gwen tivesse enfrentado o inferno tantas vezes por eles, enquanto ele permanecia ignorante de seus caminhos.

    -"Gwen... eu..."-- Andrei tentou consolar a moça. Mas o sangue ainda fervia em suas veias, e ele optou o caminho da prudência. Precisava voltar a pensar direito, e respeitar a dor da Galliard. Ela era sensível e romântica, dramática e teatral. Uma mulher doce a quem Andrei desejava intensamente, mas que tinha que ser capaz de esperar, deixá-a levar as coisas no tempo dela. Não parece, mas o coração de Gwen é frágil, e precisa ser tratado com carinho e cuidado.

    Andrei buscou seu manto e o vestiu novamente, apanhando a lança de ferro que cravara no chão ao lado do riacho.

    Finalmente a moça tornou a encará-lo. Se sentiu envergonhado pelo sutiã arruinado. Deveria comprar outro pra ela quando conseguisse algum dinheiro, mas o pensamento de entrar numa loja de roupas femininas e comprar um sutiã quase o fez gargalhar sua risada de trovão.

    Gwen escreveu:- Você atravessou para o Sonhar sem a minha bênção. Sei que era uma brincadeira de criança quando eu abençoava meus irmãos para atravessarem para a Umbra e o Sonhar. Eles carregam o Sangue de Diarmuid, afinal. Mas você não. No seu caso, meu Dìonach, a Bênção de Fada poderia realmente guarda-lo do Mal. -

    Andrei sorriu. O amor de Gwen pelos irmãos sempre o fazia sentir o coração mais leve. Ele tinha sentido realmente muita saudade da ternura com a qual a moça fala de seus irmãos.

    Gwen escreveu:Lembra-se do tartan do meu Clã? Eu protegi um Cliath dos Presas de Prata recém-chegado da Rússia com ele. Bela Noite é uma cidade que sangra nas garras dos Senhores das Sombras há tempo demais. E o rapaz é Prionnsa da Nação Garou. Um parente de Tamara-bhanrigh. - a Galliard se aproximou de Anoitecer Selvagem novamente, beijando-o levemente nos lábios e continuando -

    Andrei sentiu uma pontada de ciúme agitar suas entranhas. Gwen era sempre carinhosa com outras pessoas, e muitas vezes isso fazia o Ahroun ter de engolir a Fúria em silêncio. Mas, Fada que é, a ruiva usou seu Dom mágico de eliminar qualquer raiva que ele possa sentir. Ela sempre fazia isso: irritava-o profundamente, para depois tirá-lo dos Pântanos da Fúria com um simples agitar de cabelos. Dessa vez foi com beijos, pra deleite do russo.

    Gwen escreveu:Nikolayev veio da Sibéria. E poucas horas depois você apareceu. Para estragar meu sutiã...

    E riu, enquanto lhe dava beijinhos. E nem reparou que Andrei arregalou os olhos profundamente verdes.

    -"Nikolayev... Tvarivich? Koshechka... Você o conhece?"- Gwenhwyfar podia sentir a surpresa na voz de Andrei.

    ***

    Hannibal corria pela mata com toda a velocidade que seu farejar o permitia. Seguir o rastro de uma garou tão perfumada quanto Gwen não era tarefa difícil, a bem da verdade. Mas a mata possuía toda uma miríade de cheiros, correntes de ar e umidade que dificultavam bastante a tarefa pra quem não estava acostumado a rastrear pelo olfato. Hannibal se aproximou da clareira e viu Gwen conversando com com Andrei. Ela a segurava pelos ombros, olhando-a nos olhos, enquanto a questionava a respeito de Niko.

    Isso interessou Hannibal, que decidiu apenas observar a cena e ver o que acontecia. Talvez algo de bom pudesse ser dito ali. Algo que lhe fosse útil, caso necessário em algum momento.

    Porém, o que o Ragabash viu ao correr os olhos pela clareira foi uma ameaça que se aproximava de forma sorrateira dos dois, que estavam distraídos conversando.

    Na outra ponta da clareira, proximo à queda da cachoeira, uma sombra espreitava o casal da escuridão, com olhos brilhantes. Um... tigre? Não, era grande demais pra ser um tigre. Andava sobre duas patas. Um metamorfo-tigre? Ele se aproximava sorrateiro, protegido pelas sombras das ávores.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Hannibal Smith em Sex Out 05, 2018 3:52 pm

    Hannibal correu atrás do cheiro o mais rápido que conseguia até chegar em uma parte que viu Gwen e o desconhecido numa clareira perto de uma cachoeira. O Ragabash, como todo e qualquer bom Ragabash, rapidamente se esgueirou para algumas moitas de mato em sua volta observando aquela cena em absoluto silêncio. Nota que Gwen conversava com o desconhecido da Ponte da Lua. Na verdade, não conversavam de forma corriqueira. Gwen recebia beijinhos e em uma olhada rápida de relance nota seu sutiã embrulhado na sua camisa. Consegue escutar um pouco do assunto e era...

    "Nikolau? O que ele tem a ver?"

    Aquilo era no mínimo curioso. Aquela cena era no mínimo curioso. Via amor, via afeto, via beijos e compaixão. Via um diálogo e com certeza precisaria de mais respostas de Gwen e para isso descobriria depois, afinal, correr desesperada para aquele lugar com aquele desconhecido e demonstrar tanto amor, não era normal. Havia algo que não sabia e isso era intrigante. Gwen escondia algo e ao que parecia era amor. O ponto nem era esse e de verdade nem se importava com isso. Se preocupava mais com o recém-chegado. 

    "Interessante e intrigante... Vamos ver isso depois... vamo ver isso..."

    Se mantinha quieto e calado sem se mexer ou dar um pio. Nesse momento decidiu ativar seu bracelete de Nyx, presente de seu Tio Robert. Se concentrou fechando os olhos por alguns segundos e sentiu-se mais apto a continuar embrenhado na mata sem que fosse visto, mas é então que algo surge...

    "PUTA QUE PARIU... O QUE É AQUILO? UMA SOMBRA... não, óbvio que não... não é só uma sombra... de olhos brilhantes espiando com um tigre... mas é muito grande pra ser um tigre e tigres não andam sobre duas patas.... um metamorfo, mas caralho, aqui?! Vai dar merda!"

    Hannibal não poderia se expor agora e fazer aquilo só complicava até entender o que estava acontecendo. Gwen e o desconhecido poderiam estar correndo perigo e bem, se eles estavam, Hannibal também estava. Até entender do que se tratava aquilo, se mantinha quieto e fazia o que sabia fazer de melhor: NADA.

    "Caralho... isso não é bom, nada bom... as coisas vão se complicar, mas se tiver que morrer, que sejam eles e não eu. Eu posso ser o cara que viu tudo e correu pra dar o recado, talvez..."

    ______________________
    OFF GAME:
    Hannibal ativou o fetiche Bracelete de Nyx.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Dom Out 07, 2018 10:36 pm

    Ele achava que suas oscilações de humor escapavam à ruiva. Mas o elo telepático entre eles era forte, íntimo e profundo. Gwenhwyfar estava extremamente consciente de que a mudança para o assunto neutro da chegada do outro russo havia desagradado o Ahroun, que logo passou a um estado surpreso.

    Andrei Ivanov escreveu:-"Nikolayev... Tvarivich? Koshechka... Você o conhece?"

    Andrei a tomava pelos ombros. E havia falado sua pergunta, ao invés de utilizar-se da Comunicação Telepática. A Fianna sentia a excitação dele, misturada com surpresa e com mal-estar pelas lembranças da tortura sofrida. Ou aquele mal-estar seria dela? A Galliard teve algum sucesso em esconder as lágrimas que ameaçaram rolar por seu rosto, mas a verdade é que se sentia doente. Um enjoo crescente a dominava, enquanto sua mente revivia a sensação ignóbil a que Andrei havia sido forçado pelos Unseelie. Fitando-o diretamente nos olhos, a ruivinha não pôde deixar de se perguntar como ele havia conseguido passar por tudo aquilo sem enlouquecer. Sentiu o estômago revirar com força e um espasmo a sacudiu, forçando-a a dar as costas para o Ahroun, respirando fundo para tentar controlar o impulso.

    (Com.Tel.) - Eu desconfiei de que vocês se conheciam. Ele esteve entre os Siberakh... - eles o haviam queimado a ferro. Gwenhwyfar sentiu o estômago torcer e apoiou as mãos nos joelhos. Eles gargalhavam ao vê-lo sofrer. A Fianna respirou fundo e se pegou pensando que era realmente uma péssima forma de comemorar o reencontro. Mas a ideia de que Andrei havia sido torturado por causa dela... - Meu Dìonach, você veio para o Brasil para me dizer que valeu a pena? Ou veio por Nikolayev?

    Levemente recuperada, a Galliard endireitou a postura novamente, erguendo o queixo e jogando a cabeça para trás, respirando fundo. Então se voltou novamente para o Ahroun. Ah ele era lindo. E as sofridas tatuagens cerimoniais que carregava o tornavam ainda mais sensual, ainda mais desejável, ainda mais precioso aos seus olhos. Ele era seu guerreiro. A ruiva sentiu seu coração encher-se de calor e luz, espantando as trevas da tortura dos Unseelie. Tocou com as pontinhas dos dedos os desenhos pagos com lágrimas e sangue, sorrindo para o Garou.

    (Com.Tel.) - Andrei, preciso te dizer uma coisa... Algo que eu deveria ter dito quando decidi não voltar para Moscou. Que eu deveria ter dito quando corremos pela tundra e... Acho que eu disse, na verdade. Mas não com palavras. - ela enlaçou o pescoço do Presas de Prata, ainda sorrindo, erguendo-se nas pontas dos pés - Cada vez que dancei para você, cada música que cantei, e quando declamamos poemas e lemos clássicos juntos. Quando assistimos à aurora boreal e caçamos juntos à luz de Luna. Quando eu salvei você daquele tiro. E você me salvou daquele tiro. E conhecemos a magia da companhia um do outro, quando as noites brancas eram feitas só para nós. Andrei, eu...

    Gwenhwyfar queria declarar a verdade de seu coração. Mas o temor absoluto do tabu gelou sua língua e a fez baixar os olhos, deslizando as mãos para o peito do Garou, onde se aninhou, buscando o conforto do abraço dele.

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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Seg Out 08, 2018 4:56 pm

    "For i am Mars, the God of War
    And i'll cut you down"


    Aurora Serena não sabia que Andrei tinha um irmão. Isso seria um choque pra ela, o Ahroun imaginava. Afinal, para ele mesmo havia sido uma imensa surpresa. O carinho que ela trata a própria família é algo importante. Andrei se perguntou como ela se sentiria ao saber que ele tinha um irmão, que estava sob proteção dela, principalmente. Não que Niko precisasse de proteção. Andrei se lembrava muito bem de suas aventuras juntos pela Europa. Desde o encontro na Sibéria, quando ele veio em seu socorro em batalha, até os confrontos em Portugal contras as crias da Wyrm.

    Mas, antes que ele pudesse pensar em um jeito de contar-lhe, ela mudou o assunto. O coração do Ahroun pulou uma batida quando ela começou a falar. Ele deveria interrompê-la, ele sabia. O terrível Tabu que assombra sua linhagem não lhe permitia ser sincera com seus sentimentos. Mas, isso não era importante. Andrei sentia. Ele era capaz de ver em seus olhos, farejar em sua respiração, sentir na sua pele. Estava ali, e ela não precisava dizer absolutamente nada.

    -"Eu sei."-- ele sussurou em sua mente para ela, e a abraçou e afagou seus cabelos de fogo quando ela buscou abrigo em seus braços.

    Andrei abriu os olhos de repente quando seu Lobo arreganhou os dentes. A Mãe havia lhe abençoado com o Dom de perceber a Wyrm, que ele de forma automática aprendeu a usar de tempos em tempos. E ele farejou o mal bem próximo deles. Próximo demais! Como havia permitido que chegasse tão perto?

    Ele empurrou Gwen para trás, girando o corpo e aproveitando o movimento de torção para arremessar sua lança na direção da ameaça.

    A lança de ferro atingiu no peito o imenso homem-tigre que se aproximava, pegando-o de surpresa. Mas, aparentemente, ele nem sentiu. Retirou a lança do peito e a jogou no chão como um graveto qualquer.

    Mais de dois metros de altura. Pêlos rajados cobriam todo o corpo, e a cauda se agitava paralela ao corpo. Não tinha a corpulência de um Crinos, embora fosse tremendamente forte. As imensas garras negras só não chamavam mais atenção  do que os brilhantes olhos vermelhos.

    Andrei instintivamente mudou para Glabro. Ele parou um tempo para avaliar seu inimigo antes de se comunicar mentalmente com Gwen.

    -"Gwen... Cada suspiro de instinto do meu corpo diz para não enfrentar esse inimigo. Para fugir. Eu não acho que ele seja um inimigo que eu possa vencer. Eu vou ganhar tempo. Fuja para o Caern e avise os Anciões o quanto antes."-
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    Hannibal (Crinos ) - Andrei / Gwen / Homem-Tigre

    Mensagem por Hannibal Smith em Ter Out 09, 2018 11:09 am

    "Seria lindo tudo isso se o cú deles não estivessem correndo perigo..."

    Pensa Hannibal calado embrenhado na mata ao ver Gwen e Andrei se abraçando e trocando carinhos. Repentinamente, Andrei empurra Gwen para trás e arremessa sua lança. O inimigo estava perto.

    "Bom, antes tarde do que nunca..."

    Pelo menos havia visto a tempo de não levar um ataque pelas costas. Se aquela criatura resolvesse fazer isso, Hannibal teria que intervir, por sorte não era necessário, assim quem poderia atacar no melhor momento, era o próprio Hannibal. Andrei não fica parado, arremessa sua lança e parecia uma constatação óbvia.

    "matou..."

    Mas o homem-tigre retira a lança do seu peito e joga no chão como um graveto qualquer. Aquilo causa um certo medo em Hannibal, não estava lidando com qualquer inimigo. Andrei era Adren e com certeza aguentaria umas porradas, mas algo dizia que aquele Homem-Tigre era um desgraçado e tanto, mas porque? Porque estava atacando Andrei ali? Dentro de um Caern. Rapidamente o Presas de Pratas manda Gwen partir e pedir ajuda. Era o certo a se fazer levando em consideração que não estava disposto a morrer pela briga dos outros, mas como demandava um garou honrado, ajudar o amiguinho era o certo até descobrir que caralhos Gwen e Andrei estavam trocando abraços e carícias na porra do Caern escondido sendo atacados por um Homem-Tigre.

    "As definições de zona foram atualizadas..."

    E então se concentrou e ativou seu dom onde era capaz de embaçar sua própria forma. Havia um motivo para isso, não ser visto pelo inimigo e poder interferir no momento certo. Tudo aquilo era muito estranho. As imensas garras negras do homem-tigre e seus olhos brilhantes vermelhos. 

    "Talvez seria melhor eu voltar e fingir que não achei e não sei de nada... Talvez não vale a pena morrer aqui por causa desse desgraçado que nem sei quem é..."

    Pensa Hannibal matutando o que era mais lucrativo para si nesse momento.

    "Ou eu posso ajudar e conseguir um baita trunfo com esse cara e com a Gwen e fazerem eles comerem na minha mão... Aiai... Droga, Hannibal... precisa ser tão ambicioso assim? Tomara que eu não morra por causa disso..."

    Nesse momento Hannibal sente a Fúria queimar dentro de si diante daquele momento de tensão. Sem pensar duas vezes concentra-se em sua vontade interior para não perder o controle em um Frenesi. Aquilo seria o fim de seus planos e tudo iria por água abaixo. Talvez aquela tensão e o perigo eminente havia deixado o Ragabash nervoso. Precisava mudar de forma e precisava ser feito o quanto antes. Usou a fúria que crescia em seu peito para ir para Crinos e isso era o necessário para aqui continuasse quieto por hora até saber o momento certo de agir contra aquele homem tigre.

    ___________________________________
    OFF GAME:
    Hannibal teve 04 sucessos para ativar o dom Embaçar a própria forma.
    Usou 01 de Força de Vontade para não sucumbir ao Frenesi e gastou 01 de fúria para entrar em Crinos.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Ter Out 09, 2018 3:23 pm


    Andrei queria que ela fugisse e o deixasse para trás. A Galliard, aturdida por ter sido girada de repente para as costas do Garou, viu com incredulidade o enorme metamorfo felino resistir ao ataque do Presas de Prata como se fosse a picada de um mosquito.

    Percebeu o Ahroun mudar para Glabro, e quase seguiu à ordem do Adren, simplesmente por ter recebido um comando direto de um superior hierárquico. Mas, antes mesmo de a informação de que aquilo poderia configurar insubordinação atingisse a mente dela, Aurora Serena largou a camisa de Bedwyr sobre a grama, tocou o floco-de-neve pendurado ao redor de seu pescoço, e invocou a Fúria do Sangue Fianna sobre si.

    A imponência da forma Crinos era uma decorrência da Raça Pura, especialmente forte em Gwenhwyfar. Os pêlos acobreados brilhavam à luz esmaecida de Luna, para quem a Galliard uivou a plenos pulmões, um canto de Guerra e Sangue para alertar seus irmãos-em-Gaia da presença do inimigo no sagrado território do caern. O silêncio carregou o uivo musical e indômito da Fianna pela noite, ecoando no peito dos que o ouviram: Aurora Serena tinha os olhos gélidos em azul como a Morte quando se voltou para o Homem-Tigre, erguendo-se majestosa e terrível na forma Guerreira dos Campeões da Wyld.

    Através do elo telepático, sem palavras, Andrei soube: na felicidade e na tristeza, na saúde e na doença, na paz e na guerra, todos os dias de nossas vidas, até que a Morte nos separe.

    Gwenhwyfar não se perderia de Anoitecer Selvagem novamente. Nunca mais.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Qua Out 10, 2018 9:33 am

    Gwenhwyfar se recusou a fugir, permanecendo ao lado de Andrei durante a batalha. A despeito de sua preocupação, Anoitecer Selvagem não pôde deixar de conter sua admiração pela mulher. Era Ahroun, afinal.

    Deixou o Lobo tomar o lugar do homem, e o grande Crinos cor de neve uniu seu uivo ao da imponente Crinos vermelha. Preparando-se pra batalha.

    O homem tigre então, após o silêncio inicial, falou. E sua voz era quase ininteligível, pois se assemelhava mais a graves rugidos articulados do que a voz humana.

    -"Eu vim trazer um aviso. Cuidado, princesa. O seu sangue pode trazer a Gehenna."- os olhos vermelhos do monstro estavam fixos em Aurora Serena, e suas garras se agitavam nervosamente

    Quando a criatura falou, suas presas se revelaram diante dos Garou. "Essa... Essa coisa é um vampiro!", Os pensamentos impressionados de Andrei chegaram até Gwen

    -"Talvez... Fosse melhor prevenir..."- o monstro vampirico parecia lutar contra impulsos primais que o compeliam a partir pra cima. Ele argumentava consigo mesmo, como se procurasse uma razão pra matar.

    Andrei se posicionou a frente de Gwenhwyfar, se colocando entre a moça e o demônio a frente.

    ***

    O monstro andava lentamente para frente, encarando Andrei e Gwen.

    Hannibal percebeu que ele parece ignorar a lança que foi arremessada, deixado-a para trás, próxima aos arbustos de onde saiu, no limite da clareira
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Hannibal Smith em Qua Out 10, 2018 1:44 pm

    E então, incrivelmente Gwen se recusa a fugir. Se alguém pudesse ver Hannibal naquele momento, ia ver um Crinos preto de boca aberta e incrivelmente impressionado com aquela idiotice.

    "A coragem é a arma mais letal dos estúpidos..."


    E era isso que Gwem estava sendo: corajosamente estúpida. Correndo risco de perder a própria vida em troco de alguma coisa que para Hannibal com certeza não valia a pena. Ela morreria. Claro que morreria e aquilo era um belo de um show.

    "Puta merda, onde tá minha pipoca agora!?!?"


    Nota Andrei e Gwen também irem para Crinos e então o Homem-Tigre faz notar sua voz. Entre grunidos e rugidos na voz humanda revelava que Gwen traria o apocalipse. E mais uma vez Hannibal fica boquiaberto.

    "Por essa eu não esperava... quem diria e como esse gatíneo sabe disso?... vejamos..."


    O demônio agitava suas garras nervosamente e agora ficava mais claro que era um vampiro e em uma clara reflexão pessoal lutava com seus próprios argumentos onde decidia matar ou não Gwen agora.

    "Bom, meu pai diria que é melhor previnir do que remediar, mas isso é algo que eu não posso dizer pra ser da Wyrm..."


    Hannibal então vê a lança de Andrei caída no chão dentro da mata. Estava embrenhado nos arbusto e ter aquela arma poderia fazer toda a diferença no momento certo.

    "Claramente ele é mais poderoso que eu e Andrei juntos. Gwen só vai atrapalhar e é isso! Usarei os dois como distração e no melhor momento enfio essa lança inteira no cu desse maldito..."

    E então com movimentos extremamente silenciosos, com sua forma imbaçada, pegou a lança sem que ninguém percebesse e a deixou preparada. Se posicionava nas costas do Vampiro agora e por uma razão bem óbvia: pra ele não ver e nem se esquivar.

    "Vamos lá, amiguinhos... me ajude a ajudar vocês... não pretendo morrer hoje..."
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Qua Out 10, 2018 3:13 pm

    A constatação da natureza vampírica do Homem-Tigre diante de ambos havia chocado Andrei. Mas Gwenhwyfar estava preocupada com outros pensamentos. Que era uma criatura pútrida da Wyrm já estava claro desde o início e, agora que se erguiam sobre a Fúria da forma Crinos, tanto ela quanto Andrei fatalmente pareciam tão animalescos quanto o Cadáver. A análise de se aquele era um metamorfo convertido em vampiro ou um vampiro que tinha características de metamorfo ocupava uma parte significativa da mente de Aurora Serena. Todos os dados sobre o inimigo eram relevantes para traçar uma estratégia.

    Entretanto, nada havia chamado mais sua atenção do que a disposição da criatura em falar. Ainda que parecesse igualmente cogitar a batalha, o Sanguessuga estava ali para dar um aviso.

    A moça olhou na direção do enorme Crinos branco como a neve que era Anoitecer Selvagem, reluzindo à luz de Luna em imponência e Fúria...

    ... e então voltou a assumir a delicada e curvilínea forma hominídea, dando um passo para o lado, de forma a sair de trás de Andrei e permitir-se ver e ser vista pelo Cadáver.

    - Um aviso, você diz. Um aviso em nome de quem? - ele não a entenderia em Crinos e havia utilidade em descobrir informações sobre quem quer que seja a chamava de "princesa".

    Não que acreditasse nas palavras da Wyrm despejando daquela boca animalesca, mas... Seu Sangue poderia trazer a Gehenna? Pensou imediatamente nos irmãos. Na mãe. E temeu por todos eles, caso houvesse alguma verdade ali.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Tellurian em Ter Out 23, 2018 10:26 am

    O monstro caminhava em direção à Gwenhwyfar, ignorando suas palavras, seus olhos vermelhos de predador fixos ameaçadoramente na sua jugular. A Galliard conseguia farejar a Fúria de Andrei cantando em seu sangue. Sentia através do elo mental que ele continha seu desejo de atacar o máximo que podia. O Crinos branco esfregou suas garras no cascalho do riacho, para que a Mãe as afiasse. Uivou para Luna, para que ela o cobrisse com sua armadura.

    -"Não... Eu não posso estragar os planos dele. Ele ficaria irado. Mas... ele não saberia, saberia? Não... ele sempre sabe. Ele pode estar vendo agora."- o homem tigre fechou os olhos por um segundo, e Gwen notou que Andrei flexionou os joelhos, pronto para aproveitar a brecha. Mas ele olhou para ela e hesitou por um segundo, e desistiu de seu intento quando a criatura abriu os olhos novamente. E sorriu com as presas à mostra, sempre com o olhar fixo em Gwenhwyfar -"Ele não está olhando. Decisões..."-

    Uivos ecoaram na escuridão da noite, de várias direções. Respostas ao chamado à batalha que a Galliard tinha feito. A Morada do Avô sentira a agressão às suas fronteiras, e estava irada. Logo, o Caern inteiro estaria lá para combater aquele monstro.

    E ele não parecia poder se importar menos. Talvez ele ignorasse o significado dos uivos que preenchiam a floresta. Será que ele não possui o instinto necessário pra perceber a ameaça? Ou... Gaia tenha piedade, talvez ele apenas não se sinta ameaçado?

    O monstro subitamente parou, olhando para trás. Diretamente nos olhos de Hannibal, que se deslocava pela mata, sua forma embaçada pela Mãe. O Ragabash sentiu um frio percorrer a sua espinha. O monstro o havia visto? Como era possível?

    -"Outro dos Eleitos. O Príncipe Mendigo. Eu... Eu não..."-- A criatura parecia em dúvida. Talvez as apostas estivessem ficando altas demais para ele.

    E a visão das costas do adversário foi demais para Andrei. Ele se lançou com velocidade contra a criatura, mordendo seu pescoço e girando o corpo para desequilibrá-la. A Fúria ajudava, lhe dando a velocidade dos guerreiros. Cravou ambas as garras no abdome do inimigo, rasgando-o.

    Mas o monstro apenas se virou, parecendo ignorar o ferimento em seu abdome, tentando se libertar da mordida implacável do Ahroun. O monstro se debateu, mas o Falcão o segurava nas mandíbulas poderosas do Siberakh. E então tentou atingir a garganta de Andrei com suas garras negras. Anoitecer Selvagem desviou por muito pouco, e as navalhas negras cortaram superficialmente sua pele, e ele precisou abandonar a mordida. E então a velocidade de Andrei falhou, e foi superada.

    Uma chuva de garras negras cortou a noite, e o sangue vermelho do Presas de Prata jorrou das feridas que se abriram em seus braços e peito. O último golpe do homem-tigre foi um poderoso soco no rosto de Andrei, que foi lançado para trás pela violência do golpe, como se fosse um boneco de pano. Aterrisou no riacho, jogando água e pedras para os lados quando caiu pesadamente, e ganindo quando o ar abandonou seus pulmões no impacto.

    O grande Crinos se levantou com dificuldade. Os ferimentos já começavam a sua regeneração, mas Andrei percebeu que a diferença de forças era imensa. Cuspiu sangue nas águas do rio. Os ferimentos eram todos profundos, mas o que o impressionou foi o quanto um simples soco o machucou. Aquele monstro era absurdo.

    (Com. Tel.) -"Forte demais... Não fosse a Armadura de Luna, eu estaria morto agora, Gwen."- Andrei avisou Gwenhwyfar para que ela não se aproximasse da criatura. Ela sentia a preocupação de Anoitecer Selvagem em seu elo telepático.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Hannibal Smith em Ter Out 23, 2018 3:00 pm

    "QUEE?!?! SERÁ QUE ELE ME VIU?!?!?"

    Bate a dúvida instantânea em Hannibal quando o Tigre vira em sua direção e começa a balbuciar dúvidas. Por sorte o chamado do Trovão funciona e um forte um Uivo corta o Caern. Logo chegaria reforços e Hannibal não poderia ficar impressionado com a atitude de Andrei.

    "Bravo, mas estúpido... não é a toa que os corajosos são os primeiros a morrerem em combate... como heróis, claro, mas heróis mortos... tolos..."

    A movimentação de Andrei em seu ataque era precisa e violenta. Se fosse em qualquer inimigo comum, já estaria morto com certeza. Garras afiadas e Armadura de Luna e ainda assim tomar um contra golpe daquele a ponto de chegar a beira da vida? Definitivamente o Tigrão era superior aos três na porrada. Cogitava a possibilidade de enfiar aquela lança no cu dele, mas saberia que antes mesmo de chegar seria interceptado e a merda feita, então logo tratou de descartar tal opção de merda.

    "E agora tô eu aqui, arriscando meu cu por causa desses dois e desse arrombado desse homem-tigre que não sabe como se comportar em um Caern..."

    Respira fundo se colocando de pé. Se aproxima da lança na moita e a pega levando em sua mão direita. Nesse momento Hannibal aparece na clareira central e sua forma embaçada junto com sua furtividade já não importava mais.

    "Péssimo dia para morrer, porém o lugar é bonito..."

    O sangue de Andrei começava a manchar a água da cachoeira.

    "Eu salvando esse puto e a Gwen, vão ficar me devendo uma vida depois e é bom que me pague..."

    Levou então dois dedos na boca e fez um alto assobio chamando a atenção do Homem-Tigre. Alterando suas cordas vocais para humano a fim de falar o português para que o Tigre entendesse, disse:

    - Fala, Tigrão! Decisões difíceis, neh? Olha, honestamente, você além de ser um grande guerreiro, é inegavelmente corajoso e astuto, diferente do meu irmão fraco ali... - sinalizou Andrei - porém corre o risco de se perder em seu próprio destino e isso não é digno, nem mesmo para você.

    Sorriu de forma amigável sentando em uma pedra mais próxima segurando a lança com a ponta enfiada no chão.


    - Você acha que ELE ficaria feliz por você estragar os planos dele? Acha que ELE te perdoaria por isso? Acha que vale a pena sujar suas garras e contar com a sorte de fazer algo que ELE não quer?


    Sorri para o Tigre encostando a lança na sua coxa. Depois de um sorriso volta a ficar sério.


    - Eu posso te ajudar a resolver seus problemas de um modo que você não se foda... Basta me dizer quais são seus objetivos e quem é que não pode saber deles. Tenho o Princípe dos Mendigo e o Outro dos Eleitos em minhas mãos. Inclusive a ruivinha no qual você tá se arriscando tanto para pegar, a que você disse que traz a Gehenna.


    Seu comportamento era de pura confiança e convicção nas palavras. Sentado em uma pedra, de modo bem despojado, entrava naquela conversa de sola e propusera algo extremamente ousado: informações em troca de ajuda. Um sorriso de extrema auto-confiança é deixado no final e agora caberia saber o quanto havia sido persuasivo com suas palavras. O bom era que Andrei e Gwen ganhariam tempo para fugirem, ou se fosse tolos, morrerem.
    ________________________
    OFF Game:
    Hannibal teve 03 sucessos na Persuasão.
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    Re: Aurora Selvagem

    Mensagem por Mellorienna em Ter Out 23, 2018 9:32 pm

    Aquilo era simplesmente absurdo!

    Gwenhwyfar estava indignada demais para admirar a bravura de Andrei e confusa demais para ser grata à aproximação de Hannibal. Há quanto tempo ele estava ali afinal? O que Smith sabia? Acompanhou incrédula o corpo do Ahroun sendo arremessado como um brinquedo por uma criança descuidada, batendo com um baque surdo contra o leito do riacho, ganindo de dor e partindo seu coração no processo.

    Andrei Ivanov escreveu:(Com. Tel.) -"Forte demais... Não fosse a Armadura de Luna, eu estaria morto agora, Gwen."- Andrei avisou Gwenhwyfar para que ela não se aproximasse da criatura. Ela sentia a preocupação de Anoitecer Selvagem em seu elo telepático.

    (Com.Tel.) - Pelos Chifres do Gamo-Rei, Andrei, você é muito burro mesmo! - o elo telepático transmitia a raiva de Aurora Serena porque o Presas de Prata decidiu atacar um oponente que ele mesmo já havia dito que não tinha condições de enfrentar. Só estando muito irada ela xingava daquele jeito e (Andrei bem sabia) aquele era o caso. Mas vinha pelo elo, igualmente, a preocupação sem limites dela, a dor por vê-lo ferido, o desejo de abraçá-lo e protegê-lo, livrando-o de todo mal. Um mix confuso de sentimentos, onde se infiltrava certo orgulho por ter sido defendida por ele contra ameaça de tal proporção. Mas o amor por ele, mesmo em vista da indignação pela atitude precipitada do Guerreiro de Gaia, rosnava mais alto que todo o resto.

    Assim, no exato instante em que Hannibal pisou na clareira - assoviando para chamar atenção do Cadáver, Aurora Serena correu para Anoitecer Selvagem, apoiando o corpo poderoso da forma Crinos do russo em seus ombros delicados.

    Hannibal escreveu: - Fala, Tigrão! Decisões difíceis, neh? Olha, honestamente, você além de ser um grande guerreiro, é inegavelmente corajoso e astuto, diferente do meu irmão fraco ali... - sinalizou Andrei - porém corre o risco de se perder em seu próprio destino e isso não é digno, nem mesmo para você.

    Os olhos da Galliard estreitaram-se perigosamente na direção do Senhor das Sombras e uma ruga de descontentamento curvou seus lábios bonitos. Fraco? Como ele ousa... Acariciou suavemente os pelos alvos da forma guerreira de Andrei - como neve ao luar - e enterrou o rosto no peito do Ahroun (o mais longe possível dos ferimentos), acariciando-o e abraçando-o como uma menininha faria com um urso de pelúcia gigante.

    (Com.Tel.) - Sabia que existem outras formas de resolver as coisas? Confie em mim. Proteja-me se eu falhar. Mas não antes.

    A ruivinha afastou-se do poderoso Crinos branco, voltando sua atenção para Hannibal e o Homem-Tigre, que iniciavam um diálogo. O Ragabash certamente tinha um plano. Deve ter ouvido seu uivo de batalha e sabia que mais Garou se aproximavam. Provavelmente queria o adversário em uma posição favorável para uma investida surpresa. E ele parecia estar indo bem...

    Hannibal escreveu:- Você acha que ELE ficaria feliz por você estragar os planos dele? Acha que ELE te perdoaria por isso? Acha que vale a pena sujar suas garras e contar com a sorte de fazer algo que ELE não quer? Eu posso te ajudar a resolver seus problemas de um modo que você não se foda... Basta me dizer quais são seus objetivos e quem é que não pode saber deles. Tenho o Princípe dos Mendigo e o Outro dos Eleitos em minhas mãos. Inclusive a ruivinha no qual você tá se arriscando tanto para pegar, a que você disse que traz a Gehenna.

    ... até que falou demais.

    As criaturas da Wyrm podiam ser estúpidas. Mas não tanto. O Cadáver fatalmente perceberia que aquele era um embuste para faze-lo perder tempo, vendo um Garou oferecer-se para trair outros Escolhidos da Mãe assim, tão tranquilamente, no seio da mata sagrada de um caern de sabedoria. Mas Hannibal havia jogado bem com os poucos dados que tinha, de modo que a Fianna não o culpava. Acreditava que a participação do Ragabash engrandeceria ainda mais a sua atuação.

    Erguendo o queixinho bonito e dando um passo a frente, de modo a não mais pisar as águas da cachoeira (e gerando um barulhinho de cascalhos que era proposital para chamar atenção do Tigre humanóide), a garota de cabelos-de-fogo tomou as luzes da ribalta para si ao dizer:

    - Não há necessidade de mais confrontos nessa noite. O seu aviso está dado. Deixe as terras sagradas da Wyld enquanto pode. E diga a ELE que no raiar da terceira lua Gwenhwyfar O'Dyna estará esperando.

    Na Idade Média, dizia-se que as ruivas tinham parte com o demônio. Aurora Serena tinha lábia e autoridade suficientes para justificar essas lendas. Alcançando a mente da criatura vampírica, multifacetada e pútrida, a Galliard implantou ali uma pequena e poderosa sugestão: "Revele o nome DELE e fuja".

    Logo seriam alcançados pelos mais ágeis da seita e a praça de guerra estaria instaurada caso ela falhasse. Mas a Galliard permanecia de pé, altiva e bela, enquanto as folhas das árvores e o riso da cachoeira pareciam beber o som de sua voz melodiosa.





    Rolagens: http://www.novaerarpg.com/t4360-rolagens-de-dados-e-postagens-em-off#159430

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    Re: Aurora Selvagem

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