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    [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

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    Mellorienna
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    [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna em Seg Dez 03, 2018 6:27 pm





    Instituto Médico Legal


    17h30min

    "Não está morto o que eternamente jaz inanimado, e em estranhas realidades até a morte pode morrer."
    (H. P. Lovecraft) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -




    Após deixarem a Clínica Veterinária, e buscarem cada um os pertences que julgaram adequados¹, os Caçadores se encontraram diante do imponente prédio da Polícia Científica, no bairro Campina Verde, zona norte de Bela Vista. Segundo as informações passadas na reunião, a legista de plantão, Dra. Ana Rita Vasconcelos, havia reportado entradas pouco usuais em suas três últimas noites de trabalho, chamando a atenção de um contato de Ace na Polícia Civil.

    Segundo os relatórios, em cada uma das noites havia dado entrada no necrotério uma mulher jovem, na casa aproximada dos vinte e cinco anos, de origem étnica oriental detectável pelo fenótipo típico, com quadro de evolução à óbito por choque hipovolêmico, sem qualquer ferimento ou marca que justificasse o evento. Os corpos eram trazidos nus para perícia, e todas as três tinham um crucifixo pequeno de madeira dentro da boca, apoiado à língua. As mulheres eram encontradas em suas casas, deitadas no tapete da sala, já sem nenhuma roupa, após ligarem para a Polícia Militar (através do número 190) e dizerem que precisavam morrer para transmitir um recado. O prontuário da legista não continha informações extra, mas Ace esclareceu que o boletim de ocorrência dava conta de que as três jovens moravam sozinhas, em apartamentos, na companhia de um gato de estimação, e todas as janelas e portas de acesso estavam trancadas quando a Polícia Militar encontrou os corpos. A Polícia Civil vem pressionando a Dra. Ana Rita para que elabore laudos atestando o suicídio, mas a médica sustenta a impossibilidade de suicídio por choque hipovolêmico sem a presença de lesões características.

    Personagens com Medicina 1+: o choque hipovolêmico é aquele que deriva da perda de sangue.
    Personagens com Manha 2+: mulheres de etnia asiática em situação de rua vêm sumindo noite após noite em Bela Vista. Até o momento, cinco mulheres desapareceram, sem que as autoridades se preocupassem em investigar qualquer coisa.
    A médica legista, Dra. Ana Rita Vasconcelos, estará de plantão nessa noite, a partir das 18h. Ela desconhece Mel da Paixão e Ace, e não pode ser considerada um contato. A missão consiste em obter informações suficientes para desvendar a mensagem que as mulheres deveriam morrer para entregar.

    O Instituto Médico Legal é guarnecido de segurança padrão para os prédios da Polícia Civil. Entretanto, 17h30min é o horário de troca de turno da guarda, de modo que o saguão fica desguarnecido por cerca de dois minutos e meio, quando os policiais se encontram no refeitório e trocam os rádios e armas enquanto bebem um café.

    O vento de agosto soprava frio e a noite já havia caído, cobrindo o céu de Bela Vista de um acinzentado purpúreo diante das primeiras estrelas quando, através das portas de vidro, foi possível ver os policiais daquele turno abandonando o balcão da entrada principal em direção a um corredor à direita. O necrotério ficava à esquerda, descendo as escadas.




    ¹ Em seu primeiro post neste tópico, informem que tipo de objetos os personagens levam consigo. Qualquer coisa além das roupas do corpo e de um aparelho celular deve ser declarada, ou não estará presente na cena. Além disso, é preciso que os objetos guardem relação com o background e a ficha do personagem.


    Padre
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Padre em Ter Dez 04, 2018 8:04 pm



    The Doc
    Maria Ivri.


    A reunião havia acabado, Doc finalmente estava em casa, parecia que estava a horas em um universo paralelo e agora sentia novamente o gosto do mundo real, mas por quanto tempo? Quando acordou, ela definitivamente não imaginava o dia que teria e se tivesse imaginado, é bem provável que não sairia da cama, mas agora era tarde, já estava muito envolvida naquele turbilhão de desgraças e não tinha volta, só restava fazer o melhor no que a situação pedia e torcer para que saísse viva da noite que viria.

    Remexia sua própria bagunça do quarto buscando qualquer coisa que viesse a ser últil em sua empreitada tardia, achava sua bolsa jogada no canto do quarto, dentro estavam os seus documentos (RG, CPF e cartões de crédito), também carregava seu maço de cigarro, que era seu melhor amigos em anos e o seu crachá do hospital porque poderia vir a ser útil caso se metesse em alguma enrascada. Enquanto se dirigia até a porta virava dando mais uma olhada pra própria casa.

    “Estou esquecendo algo? É claro...”

    Voltava e pegava um jaleco branco que estava jogado na cama, ao vesti-lo sentia como se estivesse completa com seu uniforme de guerra. Aquilo era só um pano, mas pra ela, um pano que representava algo muito especial, por um segundo lembrava de sua mãe, aaaaah, sua falecida mãe. Perguntava-se se ela estaria orgulhosa da mulher que Maria havia se tornado, preferia acreditar que sim, mas não sabia a resposta. Onze anos eram tempo suficiente para um filho conhecer uma mãe?


    Seguiu rumo ao prédio da Polícia Científica, o tamanho do prédio era intimidador para Doc, que fumava um cigarro antes que prosseguisse com qualquer movimento. A cada tragada sentia-se mais relaxada do que o normal.

    - Se me lembro bem, a legista de plantão agora é a Dra. Ana Rita Vasconcelos, eu não me recordo do nome, então não acredito que seja um contato que eu possa usar para nos colocar lá dentro. – Fazia uma pausa para dar um trago e retomava a fala. – O choque hipovolêmico que foi citado na reunião e que foi o que levou as mulheres a óbito é o que deriva da perca de sangue, por isso esse caso é estranho pra Mel. Sou só eu ou mais alguém lembrou dos vampiros do cinema/TV? – Riu sozinha enquanto dava mais um trago em seu cigarro que já estava perto de acabar, percebeu também que talvez aquele não fosse o melhor comentário para o momento. – De qualquer jeito, não sabemos se isso é coisa de algum noturno, afinal, vampiros precisam morder pra conseguir sangue... Ou as regras são diferentes pra isso também, não dá pra saber, talvez também possa ter algo a ver com o tal do gato.

    “Ok... Isso soou estranho até mesmo pra mim.”

    O cigarro finalmente acabava, Doc jogava a bituca no chão, um péssimo habitado, se perguntava quando aquilo havia se tornado algo tão natural.

    - Olhem, pensei em fazermos o seguinte, nos esgueiramos para dentro assim que o relógio atingir as 17h30min, nesse momento nós procuramos a Dra. Ana juntos, eu acredito que se alguém encontrar a gente, comigo usando essa roupa e minhas credenciais, pode ser o suficiente pra nos tirar de alguma enrascada. – Retirava suas credenciais da bolsa e mostrava para quem mais estivesse presente. – Em seguida, quando encontrarmos a Dra, eu quero tentar conversar com ela, apesar de nossos ofícios serem diferentes, a base é a mesma e pelo que nós ouvimos na reunião ela não quer ceder a pressão e deixar essas jovens sem um devido desfecho. Não pretendo revelar nada sobre o que estamos fazendo pra ela, mas uma história convincente deve ser o suficiente, talvez possamos nos passar por membros da família de alguma delas ou coisa do gênero. Ace e Mel disseram que essa missão é perigosa, então acredito que se separar a primeiro momento é uma péssima ideia. – Olhava diretamente nos olhos dos outros dois. – A gente não se conhece direito, mas eu sei que a gente pode fazer isso, eu acredito em nós.

    O vento castigava o rosto da médica que o tampava com uma das mãos, pelos dedos observava que havia chegado a hora e os policiais estavam prestes a trocar de turno.

    - Decidam-se, se concordarem temos que ir agora, temos apenas dois minutos e meio até os guardas voltarem.

    Caso concordassem, iria seguir rumo ao estabelecimento imediatamente com seus acompanhantes.



    Nazamura
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Nazamura em Qua Dez 05, 2018 9:41 am




    Quando dá a partida do motor de seu carro, Mayane, ainda estacionada no lado de fora da clinica veterinária pensa "Meu Deus, quanta coisa, eu já havia ficado impressionada antes, mas isso com certeza é mais repugnante do que a ultima vez que estivemos em um matadouro vendo os espíritos sugando plasma dos restos de animais e das poças de sangue pra se saciarem " - um calafrio sobe a espinha de Mayane e percorre o corpo todo - "Agora tem mais essa, o que que eu vou fazer no IML? "

    Devaneando, Mayane dirige até sua casa e vai buscar seus pertences, alem dos documentos de costume que estão em sua bolsa, o CRP, caderno de notas e uma caneta, chaves do apartamento, dinheiro e cartões leva também alguns apetrechos femininos que não podem faltar: guarda-chuva pequeno; remédios para dor, enjoo e cólica; um absorvente; curativos como band-aid; lenços de papel; álcool gel; algumas balinhas de hortelã; desodorante; bastão tira manchas; alfinete linha e agulha; cortador de unha; protetor solar e hidratante de pele e labial; folhas anti-brilho pra retirar a oleosidade sem tirar a maquiagem; pó batom, sombra, blush e perfume.

    Tudo bem, sua bolsa transversal de couro e Mayane era uma mulher que gostava de retocar a aparência, tomou um banho, gastou algum tempo diante do espelho, e preferiu usar um rolon anti transpirante ao invés do perfume, pois se iria se esgueirar no IML estar perfumada não seria uma boa ideia. resolveu deixar o perfume na bolsa, fechou o apartamento e dirigiu ate o IML pra encontrar com Doc e os demais.


    Ao chegar ao local, procura estacionar do lado de fora do outro lado da rua, ainda dentro do carro fez uma oração silenciosa pedindo proteção e ajuda divina. Em seguida, sai do carro e vai andando até o ponto de encontro e encontra Doc dando umas pitadas e falando sobre o modo como elas morreram, olhava para ver se Joana estava junto, mas ela não estava acompanhando a médium nesse momento "vai ver foi investigar por conta própria, dizem que quando você faz uma oração, eles fazem pesquisa, não dão a resposta como uma bola de cristal - Guardiões vão conversar com espíritos caravaneiros que atuam no bairro, protetores conversam entre si procurando se inteirar, a vida continua do lado de la similar a do lado de cá
    Doc escreveu:Sou só eu ou mais alguém lembrou dos vampiros do cinema/TV? ... Decidam-se, se concordarem temos que ir agora, temos apenas dois minutos e meio até os guardas voltarem.

     
     
    - Ola pessoal, o sangue delas foi drenado é isso que vc quis dizer? Seria o chupa-cabra? - ri tentando quebrar um pouco a tensão - Sabe se as jovens foram identificadas? de repente eu posso pedir pro Mathias pelo whatsapp, ele é um paciente meu capitão da policia militar, se ele consegue descobrir pelo menos o nome de uma delas, caso sejamos abordadas, eu posso alegar ser a terapeuta que acompanhava uma delas

    Joana poderia estar ausente cuidado de assuntos do plano espiritual, mas Mayane estava sempre acompanhada de 3 espíritos que embora não fossem tão iluminados quanto Joana, estavam ligados a psicologa como que estivessem submissos a ela. Mayane então mentalmente os aciona olhando para um ponto fixo como se estivesse desligada do mundo "Será que um de vocês pode tentar descobrir para onde os espíritos dessas jovens foram levados? é bem provável que não estejam junto ao corpo mais."

    - Eu também pedi para os espíritos que me acompanham descobrir o paradeiro do espirito das jovens, se estão vagando sem rumo pela terra, se foram capturadas e levadas até os abismos, enfim, pode vir a ser útil se eles conseguirem alguma informação delas poderei ajudar a desvendar o motivo ... - e então olha para Maria - O que acha? aciono o capitão?
    Ryan Schatner
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Ryan Schatner em Qui Dez 06, 2018 4:50 am



    Antônio dirigia a pesada SUV blindada da ABIN pelas ruas de Bela Vista. No caminho, as palavras de Mel e Ace iam voltando aos poucos à sua mente, agora que estava na calmaria de seu carro. Invariavelmente, a mente de um soldado em meio ao tumulto e confusão é defensiva e dificilmente se distrai com o que não seja uma ameaça iminente. Se abstrai os detalhes e se foca no alvo. Logo, só agora começava a mastigar as informações e pensava “Onde foi que você se meteu, hein Tony?”

    Franziu o cenho ao sentir o sopro gélido do ar condicionado e observou o painel que marcava 16 graus. Aumentou a temperatura no volante e relaxou os ombros, uma vez que a mente insistia em reverberar tudo o que foi dito nos fundos daquela clínica veterinária.

    Perdido em pensamentos, quase avançou o sinal vermelho na avenida, freando bruscamente e recebendo uma buzinada do veículo que vinha logo atrás. Esfregou a mão pelo rosto e chacoalhou a cabeça como quem busca colocar os pensamentos em ordem. No rádio do carro, Cash entoava acordes zombeteiros enquanto cantava “There ain’t no grave can hold my body down”.

    — É John, talvez você não soubesse o quão estava certo... ou sabia? – disse consigo mesmo.

    Saindo da avenida, seguiu pelas ruas do bairro que conduziam até o prédio da Polícia Científica, ocasionalmente olhava pelo retrovisor checando se não estava sendo seguido. Não era particularmente alguém com mania de perseguição, mas nessa linha de serviço, fatalmente se faz muitos inimigos. Prezava por segurança e por isso sempre trajava um colete balístico dissimulado por baixo das roupas e trazia sempre consigo a sua pistola. Também abusava do veículo da agência que além de blindado, trazia na gaveta do porta malas armas longas e outros equipamentos.

    Estacionou em frente ao prédio do Instituto, do outro lado da rua e aguardou até que Doc e Mayane chegassem. Assim que as avistou, caminhou até elas e escutou a explanação da médica sobre as condições das vítimas no local e também sobre as outras mulheres desaparecidas. Ouviu também a ideia da psicóloga e tão logo ela terminou, pensou em incrementar o plano das duas:

    — Acho que não é necessário, Mayane. A ideia de vocês duas é boa e se me permitem uma observação... A legista só assume o plantão às 18:00 horas, então entrando na troca de turno, vamos ter que nos esconder no necrotério por no mínimo 30 minutos até podermos falar com ela. Nesse meio tempo, se alguém nos pegar, ensaiamos uma estória. Doc é amiga da família e veio te ajudar a procurar uma paciente que está desaparecida há dias e que bate com as características dessas vítimas. Invente um nome comum e boa. Eu posso fazer o marido de uma de vocês que as trouxe até aqui. – e erguendo o braço flexionado em direção às suas companheiras, concluiu em tom cômico – O que me diz, “paixão”?

    Mellorienna
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna em Qui Dez 06, 2018 8:01 pm





    IML: Subsolo 1 - Necrotério

    17h40min
    Necrotério - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


    Aproveitando a troca da guarda - e liderados pelo experiente Antônio - os três cruzaram o saguão o mais silenciosamente possível, descendo as escadas com pressa e chegando ao Necrotério, no primeiro subsolo do prédio do Instituto Médico Legal.

    A sala, fria e com um cheiro antinatural, era silenciosa e impecavelmente branca. Trabalhar ali deveria deixar qualquer um cego de tanto brilho, chapado de tanto formol, ou apenas louco.

    Doc podia observar que havia pelo menos dois legistas que trabalhavam ali, naquela parte do prédio, porque os laudos sobre uma das mesas tinham assinaturas diferentes em dias alternados. Del Vechio, por outro lado, notou logo que a porta por onde entraram era também a única saída, vez que não havia outras portas ou janelas na grande sala branca. Por sua vez, Mayane sentia-se apartada e tentava entender porque - de todos os lugares do mundo - aquela sala, que deveria estar repleta de espíritos, encontrava-se completamente vazia aos seus olhos espirituais. Ainda mais desesperador era a consciência muito vívida de que nem Joana, nem nenhum outro espírito, poderia se comunicar com ela enquanto estivesse ali. Para o bem ou para o mal, Mayane sentia-se cega para o Mundo Além, como se os espíritos sequer existissem.

    O trio sequer teve tempo de localizar os corpos cujo sangue havia sumido quando uma mulher jovem, de estatura mediana e bastante bonita entrou na sala carregando um caneca de café. O jaleco denunciava que era provavelmente a Dra. Ana Rita Vasconcelos, médica legista de plantão naquela noite. Com uma ruga de interrogação na testa e um certo ar de surpresa em seus belos olhos negros, que coroavam com graça suas feições orientais, a mulher perguntou, andando devagar para dentro da sala:

    - Ãhn... Posso ajudar em alguma coisa...?



    Padre
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Padre em Sex Dez 07, 2018 1:37 pm



    The Doc
    Maria Ivri.


    Doc ouvia atenta a as ideias de Mayane e Antônio, era um alívio que todos quisessem ajudar e dar o melhor para concluir a tarefa logo. Aos olhos de Maria, ambas tinham o seu valor, se Mayane conseguisse o nome de uma das mulheres isso ajudaria a sustentar uma possível história, mas tinham o tempo necessário pra isso? Sendo assim, entraram do jeito que estavam e só restava torcer que a partir dali as coisas desses certo.

    Chegar no necrotério havia sido mais fácil do que imaginava, o grupo era bem sucedido em agir silenciosamente o que facilitava as coisas, assim que alcançassem seu destino Doc olharia para os dois companheiros e daria um sorriso que diria "conseguimos", no entanto algo lhe causava uma sensação de desconforto, só não sabia dizer o que era. Ao entrarem, a médica abraçava os próprios braços enquanto olhava ao seu redor se situando melhor sobre onde estava.

    - Sou só eu ou esse lugar está um gelo? Cristo... - Percebia também o cheiro, mas não falava nada, como ali era pra onde os mortos eram encaminhados, imaginava que devia ser característica padrão do lugar.

    - Hey, vocês viram aquilo? - Aproximava-se então da mesa que guardava os laudos. - A Dra. não é a única que trabalha aqui, esses papéis guardam duas assinaturas diferentes.

    Antes que pudesse continuar a conduzir sua investigação, eram pegos, agora era a hora de por em prática todo o plano que haviam pensado do lado de fora, por mais as coisas pudessem dar errado de diversas maneiras diferentes, era a única alternativa. Doc engoliu seco e então tomou a frente do grupo, mas não antes de olhar mais uma vez diretamente nos olhos de seus companheiros. Esperava que eles seguissem o plano.

    - Sim, você pode ou pelo menos eu espero que possa. Você é a Dra. Ana Rita Vasconcelos, não é? - Daria o tempo necessário para que ela respondesse e então pegaria seu crachá e o mostraria. - Prazer, meu nome é Maria Ivri, eu sou uma médica do Hospital Geral de Bela Vista, é um prazer conhece-la, apenas me entristeço que seja numa situação como essa. - Respirava fundo e olhava mais uma vez para os seus companheiros. - Vou ser sincera com você, nós três estamos aqui porque queriamos falar com você sobre os casos estranhos que você tem recebido ultimamente. Esses dois são um casal de amigos que tem relação próxima com a família de uma das vitimas, eu sei que não deveríamos estar aqui, que essa situação pode parecer um pouco estranha e que é muito injusto pedir isso a você, mas eu precisava tentar fazer esse favor a eles, você poderia nos dar as suas impressões do caso ou talvez nos mostrar algo que possa nos dar uma informação mais conclusiva? A polícia não revela nada e nós acreditamos que receber uma informação verdadeira pode fazer um bem danado pra família pra variar. Eu como médica sei bem que falar a verdade as vezes pode ser difícil, mas é sempre a melhor opção. Então, você pode nos ajudar?

    Doc sempre lidou com pessoas, despertar a simpatia delas através de seu carisma natural sempre era um desafio, principalmente diante de situações dramáticas, mas as vezes era a única arma que tinha para usar. Olhava nos olhos então da Dra. enquanto esperava a resposta, sua feição demonstrava um pouco de ansiedade e o tom de voz que usava era no geral bem calmo e receptivo.


    Mellorienna
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna em Sab Dez 08, 2018 4:39 pm





    IML: Subsolo 1 - Necrotério

    17h45min
    Necrotério - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


    A moça de traços orientais ergueu uma sobrancelha para Doc:

    - Vocês não são jornalistas inventando essa historinha, são?

    Olhou para Mayane e então para Antônio, bebeu um gole de café e então deu de ombros:

    - Eu sou Ana Rita, sim. De qual das entradas voc--- - a médica se deteve, corando de forma visível - Desculpem... o trabalho nos torna meio... ãhn... insensíveis, eu acho. - ela caminhou até uma mesa lateral, onde apoiou a caneca de café - De qual das jovens vocês são parentes?



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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna em Dom Dez 09, 2018 11:46 am











    Nazamura
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Nazamura em Seg Dez 10, 2018 8:17 am



    Tony escreveu:– O que me diz, “paixão”?
    Mayane então levanta uma das sombrancelhas estranhando a atitude atirada de Tony enquanto tenta contornar a situação embaraçosa

     
     
    - Acho que possamos pensar em algo na hora que seja menos invasivo - dizia dando um passo para o lado e olhando para Doc.


    O cheiro forte e a sala fria arrepiaram toda a psicologa, um branco no estilo laboratório de 8ª série com aquele formol no ar, o zumbido silencioso da lampada de 20w do teto e o estranho silêncio, algo como um bloqueio espiritual fizeram a jovem psicologa sentir medo e insegurança, por mais que emitisse pensamento estava ela em uma sala tampão, todas as comunicações bloqueadas, nenhum espirito, nenhum contato telepático, estaria ela naquele turbilhão característico quando você morre e fica em perturbação até despertar
    Doc escreveu:- Sou só eu ou esse lugar está um gelo? Cristo...  Hey, vocês viram aquilo? - A Dra. não é a única que trabalha aqui, esses papéis guardam duas assinaturas diferentes.
     
     
    - Não só frio como estou assustadoramente incomodada - rapidamente dá uma olhada nos papeis tentando descobrir o nome da outra médica, vai que era uma psicóloga tambem ou alguem que ela conhece, poderia usar como argumentação.


    Não demorou muito tempo e Doc então assume a conversa com a Dra. Ana surgiu "do nada" quebrando um pouco aquele clima de ansiedade e forçando Mayane a prestar atenção na conversa.
    Dra. Ana escreveu: - De qual das jovens vocês são parentes?

    Não houve tempo hábil para bolar uma desculpa, nem uma preparação, saberia que se mentisse para a Dra. pegaria mal, mas se contasse a verdade de ser um dos caçadores, ela poderia não acreditar, secretamente continuou chamando por sua anja protetora enquanto rapidamente olhava as gavetas e as tags de identificação pra tentar arriscar algum chute. Enquanto Doc e Ana conversavam chegou uma mensagem do whatsapp e rapidamente tenta responder enquanto elas conversam

    Whatsapp - Grupo ECB:

    Depois ainda tenta digitar uma mensagem pro Capitão Mathias, seu paciente

    Whatsapp - Capitão Matias:

     
     
    - Eu sou Mayane Veloso, sou psicóloga e estou acompanhando a Doutora Irvi nesse trabalho pra colher o impacto psicológico que esse tipo de incidente pode ter causado - Retirou então seu documento: CRP para comprovar sua formação - Estamos acompanhando a Doutora para que ela tenha um laudo mais conclusivo sobre o que aconteceu a essas meninas, Você pode nos dizer o que descobriu até agora? - disse tentando guiar a conversa devolvendo uma pergunta com outra pergunta enquanto esperava a mensagem do whatsapp de pelo menos um pudesse chegar a tempo, estava suando frio, não chegou a desmentir a doutura, mas nunca tinha mentido antes, procurou conter os sinais de ansiedade que tomavam conta da psicologa.
    Mellorienna
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna em Seg Dez 10, 2018 4:51 pm





    IML: Subsolo 1 - Necrotério


    17h50min
    Necrotério - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


    A Dra. Ana Rita olhou as credenciais e então devolveu-as, observando o digitar algo frenético da psicóloga e o comportamento reservado do homem que a acompanhava. Baixou a cabeça, escorando-se contra a mesa, enquanto falava:

    - Ãhn... Mayane, certo? Então... Quem mandou você? Foi a Academia? Foi o Comando? - a legista parecia abatida e levemente exasperada - Você é o que? O sabujo que mandaram pra me levar algemada se não cooperar? Ou vai ser uma camisa de força? - as palavras meio agressivas eram dirigidas a Antônio, cujo porte parecia ter sido associado pela médica a algum tipo de agente da Polícia Civil - Olha, Maria, mandaram você aqui para conferir o meu trabalho, não foi? Cara, é perda de tempo. O meu laudo está--- Quer saber? Vejam por si mesmos.

    Ana Rita caminhou resoluta pela sala, puxando gavetas ao longo da parede. Os corpos das três jovens asiáticas. Abrindo as mãos para o céu, como quem já não aguentasse mais aquilo, a médica olhou para Mayane:

    - Diz pra mim que pelo menos foi a Lívia que te escolheu, psicóloga. Nada contra o seu trabalho e eu não quero atrapalhar sua vida, mas eu NÃO ESTOU LOUCA, CARALHO! Olhe para elas! - Ana Rita apontou uma bandeja de instrumentos cirúrgicos - Vá em frente, Maria. Diga para a nossa psicóloga aqui que o meu relatório está perfeito. Eu não mudarei o laudo! Essas mulheres NÃO SE MATARAM com gás de cozinha, como querem que eu assine. Elas foram drenadas até a última gota de sang--- - a médica apontou um dedo em riste para Mayane e Antônio - Se algum de vocês me chamar de Dra. Chupa Cabra eu juro que a polícia IMBECIL dessa cidade vai finalmente ter o homicídio que querem nas mãos!


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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Padre em Seg Dez 10, 2018 11:05 pm



    The Doc
    Maria Ivri.


    A dúvida da médica fazia com que Doc abrisse um pequeno sorriso constrangido.

    - Não, nós não somos jornalistas, Dra. Rita, você pode ficar tranquila.


    Mas foi a próxima pergunta que fez Doc ficar estática, a pergunta que saiu da boca daquela mulher era tão óbvia, que por um segundo Maria desejou ter esperado mais tempo com Mayane do lado de fora, se ela fosse bem sucedida em conseguir o nome com o contato dela, não estariam nessa situação, ou era o que pensava.

    Antes que pudesse responder, seu celular vibrava no seu bolso, parando e pedindo um minuto para ver o que estava acontecendo, notava que era uma atualização do Gerson. “Ainda bem”, pensou consigo mesma, com aquilo dava pra ganhar algum tempo... Mayane então tomava a frente enquanto Doc continuava estática imaginando o que a psicóloga faria para tira-los daquela situação.

    “Ótimo... Ela não seguiu o plano, nós estamos invadindo e agora a nossa história não bate. É só questão de tempo até ela chamar a segurança pra gente.”

    Doc mantinha a mesma feição de antes pra Dra. Rita, calma e amigável, era boa quando o assunto era se manter calma e não externar o que realmente estava sentindo. Naquele momento apenas torcia para que não fossem jogados na rua sem respostas.


    Quase sem esperanças, era novamente surpreendida, ao invés de partir para o óbvio, Doc pela primeira vez conseguia entender melhor o que aquela mulher estava passando, era triste.

    Talvez Mayane a compreendesse melhor do que ela, mas aquele estado de loucura e exaustão psicológica... Era preciso muito para que alguém chegasse naquele estado. Algo que até então era ignorado por todos, era o fato de que a Dra. encaixava-se exatamente na descrição das garotas que estavam desaparecendo, se afundando no caso onde tudo devia parecer uma grande teoria da conspiração a partir dos olhos daquela mulher, não era de se surpreender que estivesse naquele estado, Doc sentiu-se mal por ela.

    Um aperto no peito, uma sensação ruim preenchia o seu coração, parte dela queria retirar o peso que a mulher estava sentindo, mas não era possível, então o que poderia fazer?

    Assim que Dra. Rita terminava de falar, Doc se aproximava devagar dela e então pegava as suas mãos com toda delicadeza do mundo e as juntaria perto de seu peito, e então, olharia no fundo de seus olhos e juntando toda sinceridade e compaixão que existia dentro de si soltava:

    Nós acreditamos em você. Pode não ser muito agora, mas eu imagino como isso pode estar sendo difícil pra você, mas Rita, acredite ou não, nós estamos aqui para ajudar, não por você, não pelos familiares, mas por elas. Nós não estamos aqui para caça-la e você estará segura enquanto estiver conosco, mas, pra isso eu peço, acredite em nós do mesmo jeito que acreditamos em você e vamos fazer o melhor por elas. Eu te prometo isso.

    Se Rita se mostrasse aberta ao que falavam, Doc com certeza daria um abraço nela, daqueles apertados e então soltaria, e voltaria a pegar as mãos dela, se Rita se mostrasse mais resistente Doc continuaria apenas conversando normal olhando nos olhos da mulher.

    Eu peço desculpas por te assustado, de verdade. A nossa verdadeira intenção aqui é descobrir o que aconteceu com elas e pra isso nós precisamos de você e precisamos que se acalme. Eu sei que é difícil, mas você consegue! Você é quem entende melhor sobre o que aconteceu com essas jovens, então, por favor, explica pra gente direito qual é a situação inteira, ninguém aqui vai rir de você.

    Doc então soltaria as mãos dela e enquanto Rita falasse, se aproximaria dos corpos em busca de quaisquer sinais nos corpos que pudessem dar uma dica mais conclusiva sobre o que estaria acontecendo.




    Nazamura
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Nazamura em Ter Dez 11, 2018 6:42 pm



    Mayane fica surpresa diante da reação da Dra. Ana, não imaginava que digitar freneticamente no celular e ficar apresentando os documentos fosse transmitir "outra" mensagem
    Dra. Ana Rita escreveu:- Diz pra mim que pelo menos foi a Lívia que te escolheu, psicóloga.

    Mayane então faz um "sim" com a cabeça confirmando enquanto ela se desespera e começa a falar sobre a forma como as asiáticas morreram

    Dra. Ana Rita escreveu:- Essas mulheres NÃO SE MATARAM com gás de cozinha, como querem que eu assine.
     
     
    - Fique calma, respire fundo, você está protegida. - dizia gentilmente apoiando uma das mãos sobre o ombro da Doutora tentando tranquiliza-la - Quem pediu para você assinar assim?.
    Não demorou muito e logo Maria assumiu o controle da conversa tentando consola-la e quase abraçando-a, chegou a mencionar "chupa-cabra" e imediatamente se lembrou dos eventos do ET de Varginha, mas nunca ninguém chegou a provar nada

    "Joana, Melanie, Alexandre, André.... alguém? " - tentava invocar em pensamentos sua guia e qualquer ajudante que a seguia, mas continuava no blackout, sentindo-se insegura resolveu andar pelo necrotério entrando no papel da fiscal que Ana lhe atribuirá. Foi então até uma das gavetas abertas para dar uma olhada no corpo de perto, "Acho que isso não foi uma boa ideia.... "  - a visão dos cadáveres das garotas deixou Mayane levemente nauseada, além do cheiro de formol e do frio do ambiente. Mayane olhou para o lado e fingiu apoiar o rosto por sobre o braço cruzado escondendo a boca. Estudar sobre a morte é uma coisa, vê-la de tão perto do jeito que foram mortas e outra completamente diferente. Mayane sentia dó, sentia tristeza pela forma como elas morreram "Tão jovens e não vão poder continuar andando pela terra" embora sabendo do bloqueio paranormal ela tentou rezar pelas meninas

    "Deus, proteja as jovens, encontre e guie a alma dessas garotas para um local de repouso e abrigo, que elas possam ser amparadas pelos caravaneiros da luz e pelos bons espiritos, proteja nosso grupo e desça sobre cada um de nós sua luz, que assim seja!"

    Rezar deixou Mayane um pouco menos insegura enquanto ela voltava a prestar atenção no diálogo de Maria com Ana.
    Ryan Schatner
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Ryan Schatner em Ter Dez 11, 2018 9:10 pm



    Instituto Médico Legal
    Subsolo 1 – Necrotério


    Desde o saguão de entrada até o necrotério, escadaria abaixo, Antônio reparava em tudo. Era seu Modus Operandi saber entrar e sair de lugares onde não deveria estar, da forma mais simples e rápida possível. De preferência, sem chamar atenção. Entretanto, o IML era mais um daqueles desafios com uma única entrada, uma única saída e sem janelas. E ainda tinha consigo nessa aventura mais duas pessoas. Tirando as escadas, a alternativa para eles era sair em um saco preto, o que não lhe agradava muito.

    O agente adentrou incomodado ao recinto que reluzia em aço inox. Não por conta do forte odor do formol que parecia lhe queimar os pelos do nariz ou mesmo pelo ambiente de morte. Afinal, já estivera em necrotérios demais e já vira coisas piores em ambientes piores. Algumas delas, obras de sua própria autoria. O que lhe deixava ansioso era trabalhar com gente inexperiente – “recruta só faz merda”. Mayane já dera sinal antes de entrar que não apoiaria qualquer história, deixando para se virar “na hora” com algo “menos invasivo”.

    “Sério que ela pensou que eu estava passando uma cantada nela” – pensou o agente se indagando, enquanto fazia uma careta levantando uma das sobrancelhas – “Se pensou, ela entendeu tudo errado. Ou se julga ‘boa demais’ para mentir”.

    Aquilo poderia dar muito errado. Legistas não eram como médicos de um posto de saúde lotado, diagnosticando viroses e receitando “muita água, tylenol e repouso absoluto”. Legistas eram policiais, gente de mente afiada e investigativa que conviviam diuturnamente com pessoas e evidências tentando enganá-los... E raramente conseguiam.

    De qualquer forma, teria que entrar na dança das mulheres e improvisar, caso as coisas descarrilhassem. A última coisa que desejava era expor sua real identidade tendo que dar uma carteirada federal na médica, então faria o personagem que o palco pedisse.

    Tony estava analisando os relatórios do colega da legista, apontados por Doc, quando a Dra Ana chegou. Enquanto lia, procurava por discrepâncias entre os laudos dos dois profissionais. Quando a médica perguntou se poderia ajudar, optou por deixar suas companheiras conduzirem o diálogo, afinal, até onde haviam combinado, era só o motorista. Mas seu instinto estava certo, e quando Mayane começou a falar a conversa saiu totalmente dos trilhos. E o pior era que aquilo despertava certa pena no agente, pois era claro que a psicóloga nunca tivera em uma ocasião como aquela. Era a personificação da suspeição enquanto digitava freneticamente, desviava o olhar, se furtava a responder as indagações da funcionária do IML e as atropelava com credenciais e conversa fiada. Ao reparar onde estavam se enfiando, o agente apenas deu um olhar de desaprovação para Doc, indicando Mayane, como quem pensava “Pelo amor de Deus, faz essa mulher parar de falar ou estamos presos”! Era nela que depositava sua confiança agora, ao menos ela tentara agir conforme o plano e isso era algo que Tony respeitava.

    Conforme a situação escalava, Mayane só deixava a presença do agente naquele local, mais injustificável. Era nítido que a legista especulava por quem era, de jornalista a lacaio de alguma chefia.

    Drª Ana Rita Vasconcelos escreveu:Você é o que? O sabujo que mandaram pra me levar algemada se não cooperar? Ou vai ser uma camisa de força?

    Tony sentiu que se continuasse ali parado e silente como uma múmia, seria pior. Então fez a melhor cara de bobo que podia e em um tom cômico respondeu:

    — Com essa minha cara de tonto, doutora? – disse sorrindo apontando pra si mesmo – De jeito maneira! Sou só um ex-marido servindo de Uber enquanto podia estar assistindo o Bela Vista e Vitória.

    Não soube dizer por qual motivo, mas a mulher parecia estar genuinamente abalada, o que serviu de terreno fértil para as palavras empáticas de Doc. O que parecia um caso perdido, começava a tomar contornos de colaboração por parte da médica e ela finalmente começava a descortinar suas percepções sobre as vítimas.

    Quando ela abriu as gavetas que continham os corpos, um pensamento perturbador alfinetou a mente de Antônio. Analisava bem as expressões de Ana, tentando “ler” o que se passava dentro dela, e quando desviou o olhar dos olhos dela para as mesas corrediças onde estavam os corpos, notou uma similaridade física amedrontadora das vítimas com sua legista.

    O celular vibrava no bolso, por mais de uma vez, mas seria suspeito demais entrar na onda de checar ou responder. Decidiu então bancar o curioso, observando os corpos enquanto botava seu raciocínio apurado para trabalhar:

    — Meus Deus! O que seria capaz de fazer algo assim com essas meninas?

    Mellorienna
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna em Ter Dez 11, 2018 10:58 pm











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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna Ontem à(s) 12:07 am





    IML: Subsolo 1 - Necrotério


    18h05min
    Necrotério - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


    O nome de Lívia sendo confirmado por Mayane pareceu fazer a Dra. Ana Rita relaxar um pouco. Assim como as palavras de Doc. A médica estava realmente no limite e era bastante evidente o motivo. Até o ex marido Uber percebia a semelhança física entre as vítimas do que quer que fosse e a legista.

    - Eu vejo nos seus olhos. - Ana Rita olhava diretamente para Antônio, que estava próximo de uma das mulheres mortas - Você já viu morte antes. - olhando por cima dos ombros para Mayane, a legista continuou - Ãhn... mas você não. Senta naquela cadeira ali, psicóloga. A cena aqui não é bonita de se ver.

    Fitando Doc por alguns segundos e depois assentindo, Ana Rita começou a demonstrar pontos de análise de necropsia, apontando e por vezes revirando entranhas e abrindo cortes que havia feito para a análise. E mesmo quem não tinha qualquer formação na área de Saúde poderia notar imediatamente o problema: as garotas asiáticas haviam sido drenadas. Não havia praticamente nenhum sangue em seus jovens cadáveres, a não ser pelo pouco líquido em alguns dos órgãos. Não havia qualquer marca de violência. Nenhum ferimento. Nenhum órgão danificado.

    - Nada. NADA. A não ser a maldita cruz na língua. - Ana Rita apontou para três saquinhos transparentes sobre a mesa próxima da qual estava Mayane - Pode examinar se quiser, psicóloga. Não têm nada de especial. Nenhuma inscrição. NADA. É... enlouquecedor. - tirando as luvas que usou na demonstração dos aspectos para Doc e Antônio, a legista passou as mãos pelos cabelos, visivelmente irritada - Arruda quer fechar os casos. Suicídio. Assim a Polícia não trabalha e mesmo assim a estatística fecha bonitinho. A minha vontade era enfiar esse bisturi no rabo daquele filho de uma puta!

    A médica jogou as luvas em uma lixeira e começou a fechar as gavetas de forma quase impaciente, escondendo as vítimas em seu longo sono de morte.

    - Sinceramente? Parece um procedimento de mumificação. Drenar todo o sangue. Depois retirar os órgãos, colocar naquelas jarras, vocês sabem. - ela deu de ombros - Mas estão todos os órgãos aí. E o sangue não tinha por onde sair. Não havia sequer um micro mini ferimentozinho em todo o corpo das entradas. Nada. E eu estou presa nesse lixo de cidade de merda enquanto não finalizar esses laudos... - Ana Rita suspirou - Eu só quero ir embora daqui. Pegar minha transferência para Goiás, voltar para casa.

    Doc tinha certeza de que a análise de Ana Rita estava correta: algo ou alguém havia sugado todo o sangue daquelas moças. Seria possível que vampiros ocultassem as marcas de sua mordida assassina?

    Antônio, por sua vez, havia notado algo que não fora mencionado até o momento por qualquer pessoa, como se não fosse um detalhe digno de nota: todas as três vítimas tinham tatuado, em alguma parte do corpo (nuca, punho e tornozelo) um pequeno espelho rachado. Um quase parecia um picolé, o outro era bem redondinho e o terceiro lembrava um quadro. Eram tatuagens pequenas, de cerca de 5cm. E, pela intensidade da tinta na pele, haviam sido feitas em algum momento dos últimos doze meses.

    A médica foi até a mesa onde havia deixado sua caneca e bebericou o líquido, fazendo uma careta:

    - Argh café frio. Isso sim é o retrato da morte!


    Padre
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Padre Ontem à(s) 1:48 pm



    The Doc
    Maria Ivri.


    Saber que suas palavras tinham o efeito desejado, era reconfortante, especialmente em uma situação delicada como aquela. Doc sabia exatamente que não havia muito que poderia fazer pela Dra. naquele momento, mas se aliviar um pouco do peso era o que conseguia, então ainda assim era uma vitória.

    Conforme Rita mostrava sua análise completa do que havia acontecido com as jovens, Doc se limitava a observar e fazer a constatação de que o que a mulher falava, era realmente verdade.

    "De fato, a informação que o contato do Ace deu estava correta, mas o que poderia causar isso? Eu sei que no veterinário conversamos sobre vampiros ou noturnos, tanto faz, mas isso não faz o menor sentido, a menos que as referências que eu tenha sobre essas criaturas estejam completamente erradas... De qualquer jeito, Mel nos avisou, então é bem provável que as coisas ainda piorem por aqui."

    Tomando a frente da situação, Doc olhava para a Dra. Rita.

    Posso? - Dizia enquanto direcionava o olhar para os corpos, indicando que queria analisa-los por conta própria. – Você pode me emprestar uma luva?

    Então, após receber a permissão e conseguir a luva que queria, analisou com atenção o corpo das jovens asiáticas, Doc estava certa de que o trabalho de Rita estava impecável, mas estava confiante de que poderia prover um diagnóstico mais completo sobre o que teria acontecido. Não demorava e suas dúvidas se confirmavam, conforme prosseguia todos ali poderiam notar a preocupação estampada em sua face.

    Você percebeu isso, Dra. Rita? - Indicava para a mulher os pulsos e o pescoço de uma das vitimas e então continuava a falar olhando na direção de Mayane e Antônio. – Apesar de não ter mesmo nenhum ferimento, o pescoço e os pulsos das vítimas foram bastante tensionados. Parece que esses músculos receberam uma tremenda pressão.

    "Se tem uma coisa que dá pra ter certeza absoluta nesse momento é que essas moças foram sugadas por algo, talvez no fim das contas isso possa ser mesmo obra de algum vampiro, a única coisa que eu não consigo entender é como essa ferida se fechou sozinha. E tem mais, por que elas se entregariam de livre e espontânea vontade pra um vampiro? De um jeito ou de outro, se tem uma coisa que dá pra ter certeza agora, é de que Dra. Rita é a próxima, esse ser fez questão de deixar isso claro."

    Então, tirando finalmente as luvas, as colocava em cima da mesa e séria continuava o seu raciocínio, dessa vez dirigindo a palavra apenas pra Mayane e Antônio.

    Eu não sei se vocês perceberam, mas coisas realmente estão complicadas por aqui, nós não podemos ir embora, não agora. - Então virava-se para a legista, seu tom era sério porém calmo. – Você também percebeu, eu sei que percebeu, Dra. Não há um jeito fácil de falar isso, mas você se enquadra no perfil das vítimas. Parte do seu desespero talvez seja também por conta disso. Esses casos definitivamente não foram suicídio e nós três não somos lutadores e nem coisa do gênero, mas isso não significa que não podemos ajudar. - Então, direcionava a fala pra todos. – Seja lá quem foi que fez isso, ainda não acabou, pelo que nós ouvimos mais cedo, é bem provável que algo aconteça essa noite, então ou nós nos ajudamos ou... Não tem outra opção.

    Parando novamente, sua mente desviava a atenção, lembrava de um dia que havia parado pra maratonar alguns episódios de "The Vampire Diaries", havia aprendido muito naquele dia, só não sabia o quanto daquele conhecimento poderia ser realmente usado.

    "As vítimas se entregando para os vampiros, definitivamente me lembra "compulsão" de TVD e a ferida fechada poderia ser pelo sangue deles, pelo menos na série quando alguém ingere o sangue deles, tem as suas feridas curadas imediatamente. Ai, talvez eu esteja pensando demais, melhor eu parar de usar ficção como referência."


    Sentia então o celular vibrar no seu bolso, pegava-o e pedia um minuto para os outros três, enquanto se afastava para o canto da sala, lia a mensagem de Gerson e então começava a digitar para o grupo do ECB, torcia para que Mayane e Antônio vissem a mensagem.

    Eu não tinha certeza antes, mas agora depois de analisar os corpos minhas dúvidas foram sanadas, estamos lidando com um (ou mais de um) vampiro. A Dra. Rita é o próximo alvo e não podemos deixa-la sozinha, estaremos presos aqui por um tempo. (Mensagem Whatsapp)


    Então, depois de envia-la, imediatamente ligava para Gerson, notava que alguns minutos haviam se passado desde o pedido de socorro e torcia para que não fosse tarde. Caso ele atendesse, perguntaria:

    Alô? Gerson? O que está acontecendo por aí? Tá tudo bem?




    Mellorienna
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna Ontem à(s) 3:46 pm











    Nazamura
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Nazamura Hoje à(s) 10:33 am

    -- editando ...



    Mayane percebe o olhar de desaprovação de Tony a seu respeito quando agiu fora do plano embora tinha optado mais pela sua honestidade, mesmo apesar do fato de que a "carteirada" desequilibrou a doutora e ela passou a ficar mais colaborativa, parece que isso ele não percebeu. De qualquer forma, ela sentiu a desconfiança do companheiro e ficou triste por dentro, como estava se sentindo nauseada, foi até facil dar uma disfarçada no que sentia.

    Dra. Ana Rita escreveu:- Ãhn... mas você não. Senta naquela cadeira ali, psicóloga. A cena aqui não é bonita de se ver.

    Mayane aceita a sugestão da doutora e se senta enquanto Maria conduz a investigação, mesmo depois da oração fervorosa, ainda não tinha noticias de Joana ou de seus adidos, tentou então achar justificativas pra si mesma "Vai ver eu estou em uma baixa frequencia ou vibração e isso bloqueia, eu preciso mudar meu estado mental, preciso dar um jeito de me sentir bem" - Mas Mayane continuava quieta e reservada, olhou para o celular do grupo e viu o pedido de ajuda, mas Maria foi mais rapida e já ligou para o Gerson, lembrou então que trouxera remedio anti-enjoo na bolsa
     
     
    - Doutora Ana, posso - pegou então um copo de plástico e fez menção de pegar o bule do café - Eu trouxe uns remedinhos para enjoo, vai que ele me levanta.   - tentando quebrar a tensão da doutora que reclamava de seus laudos e de querer ir embora - Espera só um minuto   - ela então olha mais uma vez para o celular do grupo, não havia notado o pedido de ajuda de Ana. Imediatamente, liga para Matias.

    - Oi Matias, tudo bem? como vc está? - dizia demonstrando simpatia - Eu preciso de um favor seu mais urgente, minha amiga está no museu, ela me mandou uma mensagem pedindo ajuda, tem como vc ir lá? Ela se chama Ana, Obrigada. - ainda teve o cuidado de omitir que estavam sob ataque pra não apavorar a Dra. Ana e também pra ela não perceber q liguei pra policia.
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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

    Mensagem por Mellorienna Hoje à(s) 3:53 pm











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    Re: [!ON!] 1ª Noite: Instituto Médico Legal

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      Data/hora atual: Qui Dez 13, 2018 4:20 pm