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    [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

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    antonio xavier
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por antonio xavier em Qua Fev 06, 2019 6:22 pm

    Ana via a cena, as ações e apenas ficava paralisada. Não havia nada que passasse pela cabeça da professora que os faria sobreviver, caso o Lobisomem os quisesse mortos: fugir, se esconder, enfrentar....nada seria eficiente, isso tinha ficado muito claro.

    A menina estava paralisada, olhava para a besta em sua mão, olhava para Victor e pensava sobre a inteligência do "monstro": "por que ela não fugia? Por que ela queria entender quem era aquele ser e o que ele queria?"

    Gerson se aproxima e pede para que ela e Guinnevere fujam. "Não, Gerson esse não será o meu caminho, não hoje", ela pensou e colocou a mão no grande ombro do amigo.

    Ela levanta de onde estava escondida e caminha em direção ao Lobisomem e diz: 

    "- O que você quer de nós? Quem é você?"


    Ela tremia levemente, mas estava firme em seu propósito.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Qua Fev 06, 2019 9:28 pm

    "mas que merda é tudo isso?"
    "Isso é a prova de balas? como ainda está em pé?"
    "para tudo ... isso é um animal? Um hibrido?? um ser do inferno que veio nos assombrar?? porque com certeza isso não é um humano ... porém ele não ataca por instinto, então não é um animal ... parece ... parece ... parece que ele tem um proposito?!!"
    "pera!!!! ele acenou para Victor???? é isso mesmo??"


    Eram alguns dos bilhões de pensamentos de Guinnevere ao se deparar na verdadeira cena de horror, que com certeza daria um belo conto para ser contato em torno de uma fogueira e fazer com que as crianças durmam todas com as velas acesas com medo do escuro, porém infelizmente isso não era um conto, um mito... mas a nossa realidade ... de fato estava acontecendo ... uma família inteira dizimada e sem  uma explicação ... e pior de tudo ... nada parecia derrotar aquele ser bizarro e assustador.

    Ainda em choque, com a adrenalina a mil e uma energia ativa circulando por todo o seu corpo Guinnevere vai de encontro com o seu amado Gerson, que parecia ao mesmo tempo assustado e valente, como um verdadeiro guerreiro que não desiste da luta, mas ao mesmo tempo um homem meigo, que mesmo diante de uma luta se preocupada com o bem estar do seu amor.

    - fisicamente estou bem meu amor, porém não sei exatamente se estou doida, sonhando ou abalada com tudo isso - respondeu Guinnevere para seu amado que parecia aflito... ele segurou bem forte a minha a minha mão tentando me arrastar para longe de todo o perigo, e por instante pensou mesmo em fugir, se esconder até o nascer do sol, mas algo prendia ali, não poderia ser covarde, o que diria aos seus filhos... seus  netos ... "sou filha de grandes nomes do faroeste ... lutar é meu sobrenome .... não não posso fugir ..." enfim se decidiu...

    Parei e puxei Gerson impedindo que continuasse a andar ....

    - Não meu amor .... não posso fugir ... eu vou ficar .. e vou lutar até o fim ... lutar ou morrer ... mas jamais desistir ... - disse a Ruiva olhando bem serio, e ao mesmo tempo seduzante para o seu amado ... virou-se e seguiu preparando sua Esquenta-o- Rabo e foi em direção ao bichano ... com medo sim .... mas com determinação de ganhar essa luta.

    - Ei grandalhão quer conhecer minha amiga ai .... vem conversa com ela e dizer afinal quem é você é o que quer com a população de San MIguel? - gritou Guinnevere para o Bichano...

    E fixou o seu olhar bem nos olhos brilhantes do monstruoso lobo humanoide sem demonstrar medo e insegurança ... mesmo com o seu corpo todo tremendo por pensar que poderia ser a sua ultima noite nesse mundo...
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Mellorienna em Qui Fev 07, 2019 12:59 pm





    San Miguel


    Noite
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    - MATEM A BESTA-DA-LUA! MATEM! MATEM!

    Os cidadãos de San Miguel gritavam e urravam, enquanto abriam fogo incessante contra a criatura lupina. Victor tentava se comunicar com o monstro, questionando-o sobre quem estaria preso, quando sentiu uma mão em seu ombro. Era o Padre Inác--- Jeremias. Padre Jeremias. Na casa dos quarenta, pároco daquelas cercanias desde que Victor pisou em San Miguel pela primeira vez. Padre Jeremias tinha casado Victor e Ana. Era um Santo Homem, mesmo com o whisky ocasional que tomava no saloon de Guinnevere, quando as diligências de cuidar de seu rebanho exigiam demais.

    - Atire, filho! ATIRE! - o padre trazia uma espingarda de caçar lebres nas mãos, e disparava na direção do homem-lobo com as mãos inábeis, errando o alvo todo vez - Atire, Victor! Por San Miguel! Por Ana!

    Com o olhar, o padre indicou ao Sheriff a cena de congelar os ossos que se descortinava na rua principal. Gerson, convicto de que o Wendigo era essa criatura animalesca, tentava convencer as intrépidas - e por Deus, por que tão corajosas?! - mulheres a ficarem escondidas ou fugirem. Contudo, apesar do conselho prudente do Deputy, Guinnevere estava ameaçando o homem-lobo com sua garrucha defensora do saloon, enquanto Ana...

    Ah Ana!

    Victor assistiu em crescente desespero sua esposa - sua doce e ingênua esposa! - caminhar até o monstrengo gigantesco para conversar! Ela estava imitando sua postura, não estava? Ele mesmo não havia tentado parlamentar com a criatura? Ana havia baixado sua arma. A Lua Cheia, imensa no céu, prenhe de sonhos mágicos e terríveis, refletia sua luz sobre Ana, que brilhava como uma estrela.

    - Ele vai matá-la! VICTOR, FAÇA ALGUMA COISA! - a voz do Padre Jeremias se esganiçava de modo frenético, muito perto do Sheriff, de audição sensível. Havia um chiado no ar. Nas vozes que clamavam pela morte da criatura. Nas vozes de seus amigos, companheiros, vizinhos de San Miguel. Uma dissonância que crescia.

    - MATEM A BESTA-DA-LUA! - as vozes diziam, mas no limiar do audível, Victor discerniu um sussurro maligno - Matem a Besta-da-Lua e vocês ficarão aqui para sempre...

    Ao mesmo tempo, vendo as mulheres enlouquecerem daquela forma, saindo de sua posição de tocaia e indo bater-papo com o maldito Uivador Branco que ARRANCOU A CABEÇA DE UM BOM HOMEM COM UMA ÚNICA MORDIDA, Gerson perdeu as estribeiras. Era óbvio que aquele não era um animal qualquer: era o Sete-Peles encarnado! As armas em suas mãos vibravam com os gritos dos cidadãos, exigindo a morte da Besta-da-Lua. Por um instante, um breve instante, Gerson imaginou ter visto uma cruz desenhada no lado de dentro de seu pulso direito. Era um sinal! Certo que sim! O Sete-Peles tem que morrer!

    - MATEM A BESTA-DA-LUA! MATEM! MATEM!

    Guinnevere viu a criatura olhar para ela de volta, com aqueles olhos inteligentes e profundamente verdes, erguendo uma pata, como quem faz um gesto de "PARE". A ruiva estava próxima de Ana o bastante para perceber que algo mudou na amiga naquele momento. A expressão de Ana se iluminou, como se cada estrela no céu brilhasse sobre ela.

    Porque Ana entendeu o que a criatura estava dizendo.

    - Acordem! Vim resgatá-los! Eles são o inimigo! Acordem! - a voz era de homem! Uma voz profunda, que parecia sair do fundo da garganta do monstr--- Não, ele não era um monstro. Ana via agora, claro como o dia.

    O grande lobo branco, a pelagem vasta e pura como a neve, as garras de prata brilhante, os olhos verdes argutos e de brilho sagaz. Imenso e poderoso, sob os tiros que enchiam o ar de pólvora, esforçando-se para se fazer entender pelos quatro. Os únicos Humanos em San Miguel. Ao olhar ao redor, Ana viu a Verdade. Criaturas dos pesadelos, com fileiras de dentes serrilhados, como grandes ventosas de sanguessugas, como tubarões. Criaturas inumanas. Corpos alongados, garras, couro acinzentado e olhos de predador. Imensas. Cada uma maior que Victor, maior que Gerson, pelo menos uma cabeça. Sorrisos vis se desenhavam nos rostos horrendos, deformados como arremedos de seres humanos, em uma pantomima sinistra em uma cidade fantasma.

    As casas e construções caindo aos pedaços, em madeiras podres, destelhadas, com janelas quebradas. Dali, Ana podia ver ao longe sua casa, no fim da rua. Sua casinha, da qual cuidava com tanto amor e desvelo. Agora em frangalhos, consumida por anos de desolação e abandono. As flores mortas. Apenas uma permanecia: a pequena roseira brava, com um pequeno botão muito branco, reluzindo como uma estrela.

    - Você. Filha de Luna, pode me entender? - a criatura humanoide chamou a atenção de Ana de volta para si, encarando-a por um segundo antes de prosseguir - Sim, você precisa me ajudar a despertar os outros. Enquanto houver um inimigo de pé, vocês estarão presos aqui. Os Selvagens precisam morrer!

    O homem-lobo encheu o peito antes de emitir um uivo de batalha poderoso, que fez tremer as construções de San Miguel.
    Guinnevere, Victor e Gerson apenas viam, com terror crescente, a criatura infernal uivar a plenos pulmões diante da indefesa Ana.

    - MATEM A BESTA-DA-LUA! MATEM! MATEM! - os disparos estavam cada vez mais próximos de acertar Ana!



    antonio xavier
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por antonio xavier em Qui Fev 07, 2019 1:37 pm

    3. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o
    caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. Quão pequena
    é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a
    encontram! (Mateus, 7:13 e 14.)

    Ana, finalmente, entendia tudo. Era um misto de pavor e alívio. Realmente, o desenho de seu aluno era revelador, ela saía da Caverna, mas sozinha: os outros ainda estavam "presos".

    A flor Bravia viva dava força e coragem para a menina, ela olhou para o Garou, tocou de leve em seu braço antes de dizer:

    " - Eu consigo te entender, vamos salvar os outros!"


    Ana olhou para Victor e disse:

    "- Victor, o inimigo veste pele de cordeiro. O desenho que mostrei mais cedo é verdadeiro. Cada cidadão aqui é na verdade aquela criatura sobrenatural, acredite em mim!


    Precisamos nos libertar!"


    Assim, ela pegou sua besta e começou a ajudar o Garou na luta contra aquelas criaturas. A primeira flecha de Ana foi em direção ao Padre, e a menina repetia enquanto esperava derruba-lo: "falsos cristos e falsos profetas se levantarão e farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos." , para acabar com a força de suas palavras, mostrar a todos qual era a fé verdadeira, qual era a verdade.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Sab Fev 09, 2019 1:25 am

    "Estão todos loucos?!?!" Era o pensamento de Guinnevere ao ver Gerson perdendo as estribeiras ... E ao mesmo tempo parar e ficar observando os seus punhos ... Ao ver Ana andar em direção ao bichano com sua besta baixada ... Como se estivesse se sacrificando para salvação de San Miguel .... E até mesmo por si ... Que se perdeu no olhar do bichano e por um instante parecia ouvir o mesmo pedindo para parar ... E pior de uma forma que a fez ter um dejavu de algo que ainda está por viver ... Ou de uma vida passada ...
    Mesmo assim seguiu Ana .. para tentar impedir que a amiga fizesse uma loucura ... Estava tão próxima que percebeu que ANA ESTAVA CONVERSANDO COM O BICHANO!!! E que algo havia mudado ... Sua cor ... Sua cor ... Parecia estar com brilho, como um verdadeiro anjo "meu Deus como ela pode ficar mais bonita e doce ainda?!" Ana sempre foi ao contrário de Guinnevere, enquanto uma era o anjo, adorada e idolatrada por todos ... A outra era a Diaba ... Evitada e mal falada ... Mas as duas eram o equilíbrio ... O preto e o branco ... o começo e o fim ...
    Enquanto Guinnevere estava em Frenesi admirando a beleza supernatural da amiga, e relembrando o passado comum ... Assustou ao perceber Ana virando de costas para o bichano ... E começou a atirar no padre !!! ANA ESTAVA ATIRANDO NO PADRE!!!!
    E antes mesmo de entender o que estava acontecendo ... E confiando no instinto da amiga ... Começou a atirar no padre também ....
    E tudo ficou ainda mais vermelho ... E a única coisa que brilhava era  amiga anjo de Guinnevere ...  Ana!!!
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Immemorabili em Sab Fev 09, 2019 5:16 am

    Os gritos começaram a ficar cada vez mais incômodos. Não. Incômodo era algo leve demais para aquilo. Era quase estranho.

    Sabe. Eu nunca fui muito bom em me esquecer das coisas. Minha mãe dizia que meu pai fora abençoado por um amigo Cherokee uma vez, por ser um homem que tratava todo humano como humano e nada mais, nada menos. Já um amigo Apache me disse que eu nunca esquecia porque era um homem "sem sombra". Um homem que perdeu o seu propósito em outra vida e nasceu nessa para recuperar a própria sombra. Eu nunca fui de acreditar nessas coisas. Ao menos não nas partes mais esquisitas ou meio estragadas da cabeça. Mas ali na frente daquela coisa eu comecei a pensar se minha mente não tinha algo desse mundo que normalmente não era normal de um homem ter. Dormir pouco desse jeito e não me esquecer das coisas me garantiria duas coisas. Primeiro, eu ia passar noites em claro pensando naquela coisa toda. Segundo, que eu ia lembrar de todo detalhe possível a não ser que uma força maior arrancasse esse pensamento da minha cuca. Isso era coisa de Deus ou do Cão? Raios me partam.

    O pensamento de Victor parou e seu mundo deu voltas quando ele viu sua esposa se aproximar da criatura. Ana era talvez o único feixe de luz que iluminou a escuridão da sua vida, no abandono daquele faroeste, terra de ninguém, fim de muitos e começo de outros milhares. Pepitas de ouro, magia negra, obscuridade, índios, passados e futuro, seja lá o que porcaria tanto falavam de futuro quando a humanidade não parava de fazer guerras para toda e qualquer confusão em que se metiam.

    Victor, corre até ela seu imbecil.

    E a única coisa que ele podia fazer era correr. Atirar adiantaria de quê? E se ele achasse que libertar pessoas era simplesmente arrancar a vida delas? Demônios não tinha chifres, ora? Ou o demônio que vinha dos índios era diferente do diabo que carregava os colonos?

    Tropeçou no lugar, correndo até sua esposa e levantando poeira.

    Corre seu desgraçado. Se for pra alguém morrer tem que ser você. Não ela! Tudo menos ela!!

    Deslizou no lugar, praticamente, com as botas de Ranger. As esporas dançaram atrás, menos afiadas e feitas com o que ele chamava de "pinicado" para dar um pequeno "teco" no cavalo igual picão de mato ao invés de ferir as ancas do mesmo. Leu os lábios de Ana enquanto ela gritava em sua direção. Tudo dizia para matar a criatura. Bom, matar ja era difícil. Naquela hora ali, mais ainda. Naquele momento mal viu os tiros que ficavam cada vez mais perigosos. Na verdade, se ele desviasse da rota de tiros dos então "cidadãos", seria por instinto de guerra.

    Duvidava de muita coisa. Não se considerava um homem muito inteligente nem versado. Queria ser mais inteligente por Ana. Mas o chão da Terra se abriria antes que ele duvidasse da convicção de sua esposa e naquele dia já havia visto tudo.

    - You know what... f*ck it. Espero que você não esteja carregando a gente pro inferno, amada. Porque de lá eu não sei sair. - Vociferou em voz alta depois de ler os lábios dela e deu uma olhadela ao Garou antes de pegar os dois revólveres em postura aprendida e ensinada pelos Ranger Marshals, respirando fundo para equilibrar o corpo e se virar na direção das tais "criaturas" das quais ele nada via. Teve um arrepio nas costas só de pensar naquele Wend... Bes... Ga... Aquela coisa peluda atrás dele.

    Mas os tiros miravam nesses "novos velhos inimigos".

    F*CK IT
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Saskwatch em Sab Fev 09, 2019 2:40 pm

    A noite ficava a cada minuto mais caótica, mesmo com muito esforço o bom homem não conseguia entender...

    O Lobisomem, este monstro que não ficara ferido, apesar de inúmeros tiros.

    Pessoas que o receberam tão bem, um ex-criminoso, que tinham plena confiança em seu Sheriff, sendo dilaceradas bem na sua frente.

    De repente o lobo se comunica com gestos e olha fixamente para eles: "Que esse bichão ta tentando falar".

    Seus amigos e sua amada iniciam um ataque à população.

    Não faz sentido, o padre, os demais, o que diabos está acontecendo.

    Com uma lagrima escorrendo no canto de seu olho, assustado e com raiva do que vê, Gerson corre ate a posição de seus companheiros. Para entre as duas moças, rapidamente vira de frente para elas, e com cada uma das grandes mãos segura os cotovelos de Ana e Guinnevere por baixo, e levanta seus braços e suas armas ainda disparando para cima.

    Olha para Victor e grita repreendendo-o:

    - Omi de Deus, que esse demonho fez com ocêis, essa maluquice tem que parar, o bandido aqui so eu. Se não me explicá agora esse caraio, eu é que do cabo doceis!
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Mellorienna em Sab Fev 09, 2019 4:50 pm





    San Miguel


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    Como era possível amar tanto assim uma mulher?

    Victor tinha um revólver em cada mão, e o tambor girava, ceifando vidas. A verdade é que ele tinha deixado de ser um Ranger porque não conseguia mais suportar aquilo. Tinha sangue demais nas mãos. Algo muito precioso e belo havia morrido nele, mergulhado naquele mesmo cheiro de pólvora e sangue. Até que não podia mais atirar. Nem mais um disparo. Estava quebrado, sem rumo, quando chegou à poeirenta San Miguel.

    Ainda se lembrava de quando a havia visto pela primeira vez. Ele, um Texas Ranger falido, atracado ao bourbon no saloon da Ruiva Diaba. Ela, a doçura que desabrochava em flor naquela terra esquecida por Deus. Mas Ana não era apenas meiga e delicada: ela era uma mulher inteligente, corajosa e dedicada à sua causa - educar aquele povo, levar a luz do conhecimento para as pessoas. Ele deixou os dias de vagar a esmo pela Federação. Tomou o distintivo que o fazia um pouco mais digno de aproximar-se da professora. Casaram-se no início de maio, já fazia pouco mais de dois anos. Mesmo sabendo que quase não dormiria, Victor se deitava ao lado da mulher todas as noites, para desfrutar do privilégio simples e sagrado de ver dormir quem se ama.

    E agora Ana atirava virotes metálicos de besta contra o padre que os havia casado. Ana, que conversava com a Besta-Fera. Ana, que se iluminava ao luar agreste daquelas terras devastadas. Como era possível amar tanto assim uma mulher, a ponto de um homem-da-lei atirar em seus vizinhos, que tentavam se proteger de uma criatura de pesadelos com as poucas habilidades que tinham? Ainda assim, lá estava ele. Um revólver em cada mão. Chacinando os cidadãos que jurou proteger.

    Como era possível confiar tanto assim em uma amiga?

    Guinnevere deu o primeiro disparo - contra o Padre, que Deus tenha piedade de sua alma - sabendo que a determinação ensandecida de Ana levaria as duas para o inferno. Esse era o destino dos que matavam padres e freiras, não era? O virote de Ana atingiu o peito do pároco, seguido por um tirambaço certeiro da Ruiva Diaba. Às vozes dos homens, que exigiam a morte da Besta-da-Lua, uniu-se o vociferar das mulheres, que das janelas e das portas das casas, gritavam:

    - MULHER DIABO! ASSASSINA! QUE O DEMÔNIO CARREGUE SUA ALMA! - as ofensas eram muitas e se mesclavam a um choro que crescia, como uma nota aguda de desespero arranhando a noite dantesca de San Miguel. O corpo do Padre Jeremias caiu com um baque surdo, erguendo poeira em direção às estrelas.

    A criatura lupina uivou, disparando em incrível velocidade contra outra casa, de onde atiravam os sobreviventes. Guinnevere viu quando Victor, com uma frieza enregelante nos olhos, deu seus primeiros tiros, derrubando mais alguns. Os rapazes do curtume sangravam no chão. As armas do Sheriff exibiam o tambor giratório, que naquela noite era uma roleta de morte. A ruiva recarregou sua Esquenta-O-Rabo e atirou novamente, acertando em cheio a mulher do ferreiro, que vinha correndo pela principal, com um cutelo na mão.

    Tudo por Ana. A professora havia ensinado Guinnevere a ler e escrever com desenvoltura, de manhã bem cedo, na mesa mais afastada das janelas do saloon. Antes de Ana, a ruiva era semialfabetizada, como a maior parte das mulheres de sua época. Agora, lia grandes clássicos, mantendo uma cópia de "O mundo como vontade e representação", de Schopenhauer, sempre por perto, debaixo do balcão do saloon. Para o filósofo, o mundo fenomenal era o produto de uma cega, insaciável e maligna vontade metafísica, do que Guinnevere também tinha certeza.

    Tendo nascido e crescido em San Miguel, sempre tratada com ressentimento ou indiferença pelas demais mulheres, a ruiva sabia o que ser filha de uma mulher solteira e crescer sem um pai queria dizer naquelas paragens. Ana era sua única amiga, apesar do saloon sempre lotado dar uma ideia de falsa popularidade. Guinnevere confiava em Ana, moça tão ajuizada e de tão bom julgamento, com seu casamento tão respeitável e sua profissão tão nobre. Confiava a ponto de recarregar sua espingarda e se preparar para novo tiro...

    ... mas Gerson interveio.

    O terror de estar diante do Sete-Peles havia enlouquecido sua ruiva, Dona Ana e o Chefe? Deter as mulheres não foi difícil, mas o homem sabia que não poderia segurá-las para sempre. Lembrou-se de uma história que ouviu certa vez, quando estava preso, lá pelas bandas do Paredão. Um sujeito havia entrado em uma igreja, em uma cidade que havia se vendido ao Diabo em troca de minas de ouro. Todos começaram a se matar, ali mesmo, durante o serviço religioso de domingo. Mas o sujeito era bem treinado - na história, uns diziam que era Ranger, outros diziam que era meio-Apache. Ele matou a todos, sendo o único sobrevivente do massacre. Então, enforcou-se na árvore em frente à igreja. Nenhum homem temente à Deus pisou naquela cidade novamente.

    Agora, o Demônio tinha vindo clamar as almas de San Miguel. Gerson não sabia de minas de ouro por ali, mas o padre já estava morto: aquela era claramente uma obra do Diabo. Ana parecia incapaz de reconhecer os vizinhos, os amigos, os companheiros de uma vida toda. Guinnevere e Victor, assim como Adão tinha sido corrompido por Eva, estavam prontos a fazer qualquer coisa que a professora determinasse. E ela trocava palavras com o Sete-Peles. Claramente, Ana havia sido possuída pelo Coisa-Ruim, porque de outra forma não falaria a língua do Demônio. Logo ela, sempre tão doce, sempre tão pura. Gerson lembrou-se do que dizia o ditado: boi sonso, chifrada certa.

    Enquanto isso, o homem-lobo continuava em sua matança, movendo-se com rapidez para eliminar um a um os habitantes de San Miguel. E era uma cena brutal, de violência crua, sem beleza ou heroísmo. A criatura era a carnificina encarnada em garras e pelos, presas e músculos, espalhando miolos e entranhas em sua trilha de sangue. O cheiro férreo já se misturava à pólvora e ganhava notas de latrina a cada barriga aberta. O som dos ossos de seus vizinhos e amigos esmigalhados pelo grande homem-lobo causava arrepios a todos.

    Exceto Ana.

    A professora encarava a realidade de olhos bem abertos. Pela primeira vez. Quem eram aquelas criaturas de pesadelos? A cada vez que acionava o gatilho da besta, sua orações pareciam guiar sua pontaria, que nunca havia sido bem treinada, para disparos certeiros. Guinnevere e Victor a acompanhavam em sua incrível Cruzada, mas Gerson - ah o feroz Deputy de San Miguel! - estava determinado a impedi-los. Ana viu o poderoso lobo branco dilacerar mais criaturas, enquanto Victor - com olhos frios que fizeram acelerar seu coração - disparava contra seres que talvez não pudesse identificar como inumanos.

    Será que o marido sabia? Ana ainda não havia contado para Victor, mas por qual razão ele teria atendido tão prontamente ao seu chamado para a luta? Instintivamente, quando impedida por Gerson de continuar a atirar, a professora levou a mão livre ao ventre. Mesmo que fosse preciso derrubar o amigo - humano como ela em meio a um mundo habitado pelos demônios - Ana não se daria por vencida. Conhecia as histórias, do folclore dos colonizadores, trazidas da Europa distante. Assim como conhecia os contos dos índios, e se admirava ao encontrar conteúdos tão semelhantes. Havia criaturas que andavam na noite, raptavam crianças, alimentavam-se delas. Havia criaturas que infiltravam-se nas casas, levavam embora os bebês e deixavam no lugar um Changeling - um duplo, que sugava a vida da mãe aos poucos, prendendo-se com ventosas dentadas ao seio até que a mulher não passasse de uma casca oca e então morresse, abandonando os demais filhos e o marido à própria sorte.

    Mas não com ela. Não com o seu bebê.

    Ana viu correrem em sua direção criaturas alongadas, em corpos amadeirados e rugosos, longilíneos e muito magros. Devia haver pelos dez ou doze delas, com cerca de dois metros de altura, e olhos negros e malignos como piche. Estendiam os braços para ela enquanto corriam, e...

    ... não, eram as crianças. As crianças de San Miguel. Não eram?

    Victor, Guinnevere, Ana e Gerson se viram cercados da turba chorosa das crianças de San Miguel. Os olhos assustados deles, as expressões confusas e aterrorizadas, o choro e as súplicas bateram diretamente numa parte muito primitiva de cada um dos quatro: era preciso preservar as crianças. Pelo menos três se agarraram às pernas de cada um, enquanto quatro circundavam Ana. Eram seus alunos. Ela havia ensinado àquelas crianças a ler, escrever, desenhar e até mesmo a orar. Ela havia cantado para elas e contado histórias, consolado quando estavam tristes e celebrado suas vitórias.

    - Filha de Luna, CUIDADO! Os Selvagens desejam a criança! Filha de L--- - a fala antes clara do homem-lobo derivou para um rosnado sem sentido que Ana não podia compreender mais. Algo dentro da professora continuava gritando sobre o perigo em San Miguel e que deveria proteger seu bebê a qualquer custo.

    Mas as crianças a cercavam, com olhos que imploravam proteção. Elas se agarravam às suas saias e passavam as mãos em sua barriga, chorando e pedindo:

    - Salve-nos, Tia Ana! Precisamos fugir!



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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por antonio xavier em Sab Fev 09, 2019 10:33 pm

    Nesta triste masmorra,
    De um semivivo corpo sepultura (Lira XIX, 2)

    Meteu-me nesta infame sepultura,
    Que é sepulcro sem honras,
    Breve masmorra, escura. (Lira XXXI, 2)

    Ana sentia em seu interior uma vida que precisava ser protegida, nada poderia se aproximar daquela vida. Era parte dela, era indispensável sobreviver.

    Enquanto via a realidade, aquelas criaturas horrendas, não havia empecilho na luta, mas a mente parecia pregar uma peça e faltavam forças para escapar novamente da ilusão que a envolvia. Não podia machucar as crianças, era machucar a si mesma. Ela pressentia que as "crianças" desejavam o que guardava em seu ventre, contudo ela não podia usar suas flechas, não contra o que via, mesmo sentindo ser uma mentira.

    Ana se sentia em uma tragédia grega onde as imagens geram simultaneamente o horror e a compaixão. A menina não era mártir, não iria entregar sua vida física e nem a psicológica: iria lutar, a sua maneira.

    Ana continuava vendo as crianças. Assim, ela se afastou o máximo  que pode, buscou o Homem-lobo com o olhar e gritou para ele:

    "- Me ajude! Eu preciso ver a realidade, arranque de mim os grilhões que me prendem a essa horrível e doce masmorra!"
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Immemorabili em Dom Fev 10, 2019 4:15 pm



    Oh my Lord take this soul,
    lay me at the bottom of the river.
    The Devil has come to carry me home,
    lay me at the bottom... the bottom of the river.

    Na mente dele próprio, Victor "sabia" que iria acabar no inferno de qualquer maneira. Havia deixado de ser Ranger por conta de todo o sangue. Havia deixado de fazer parte do exército, e então da Federação, por ter sido um cão de guerra. Um cão mandado pelo diabo para coletar almas que aparentemente haviam se arriscado a entrar nas mesmas águas negras que ele mesmo. Muitas pessoas daquelas, ele nunca teve nada pessoalmente contra. Pessoas que também o matariam sem hesitar por um segundo sequer. Outras dessas pessoas? Bom, algumas ele teve imenso prazer de matar, apesar de nunca ter arriscado ser mais do que o carniçal para eles. Não perdeu um pequeno pedaço da sua humanidade... mas já estava "morto por dentro" para aqueles que acreditariam nisso. Afinal de contas, para os Apache ele era um Homem Sem Sombra. Havia perdido seu propósito, ou apenas sua alma? Não sabia dizer a diferença.

    Havia brincado sobre ir ao inferno simplesmente porque sabia que iria parar lá mas não queria ver Ana se juntar a ele. Sabia que não poderia sair de lá e que estava condenado. Seu corpo provavelmente descansaria ao lado do dela um dia, mas sua alma nunca mereceria ver os portões dourados dos céus. Mas faria o que pudesse para tirar a alma dela daquele lado enegrecido, flamejante do caos.

    "Mulher Diabo". Fez questão de atirar na testa do primeiro maldito que proferiu aquelas palavras. Se eram mesmo criaturas enegrecidas, mereciam descer antes do que ele.

    - Eu juro por Deus que quando acabar meu trabalho aqui e for condenado, eu vou descer para caçar vocês lá em baixo. - Vociferou olhando para os alvos antes de ouvir a dúvida na voz de Gerson. - Gerson! Foi o diabo que carregou essas pessoas. Nunca se sentiu diferente deles? Nunca teve dúvida? Olhe para nós quatro, Gerson! Nós fomos cegados pelo diabo! Aquela coisa peluda monstruosa está tentando nos tirar de algo! CONFIE EM MIM, MEU AMIGO! - Os olhos sóbrios do Ranger olharam para o homem com o peso das mil amas que condenara no passado. Guerras, batalhas, Ranger, caminhadas, caçadas. On the bottom of the river.

    As armas ainda em pronto, pararia para pegar o porta-bala e encaixar no tambor dos revólveres, recarregando-os com mais praticidade do que se tivesse que colocar bala por bala. Mas não estava preparado para fazer aquilo, não com aquelas crianças. Eram mesmo crianças? Havia alguma pureza nelas como fosse de qualquer homem e mulher esperar?

    Olhou para Ana, mas não atirou nas crianças. Elas estavam inclusas naquela confusão?

    - Ana... ! - Franziu o cenho e mostrou os dentes, empurrando as crianças e pisando para trás para se afastar. - Lobo-Grande, o que devemos fazer!? O que são essas crianças? - Gritou. As mãos não conseguiam mais tremer depois de todo aquele tempo. Mas o coração vacilava por não saber exatamente contra o quê estavam. Seguia o que sua esposa havia dito, mas não via o que ela via, nem compreendia o que ela compreendia.

    Mas se a força do momento fosse maior do que os temores de seu coração, seguiria em frente. Atiraria.

    Afinal eu já estou condenado.

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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Saskwatch em Ter Fev 12, 2019 1:13 pm

    Ao ouvir o pedido de confiança de Victor, Gerson parou em dúvida.

    "Conheço o chefia, endiabrado ele num tá"


    Mas e agora, o que fazer... A alguns anos tentava se redimir de seus crimes. Arranjou uma boa moça, "locona", mas com um coração de ouro, e tinha fé num futuro tranquilo ao lado dela.

    Crianças, comerciantes, mulheres, o padre...

    Sacou suas armas, beijou o cano dos revólveres, "Perdão meu Deus, que o sinhô me desculpe".

    Ainda com receio iniciou disparos, mas não letais, mirava nas pernas dos que corriam para ataca-los e nas armas, mãos e braços dos que atiravam contra o lobisomem.

    - Tô com ocêis chefia, mais se não.for coisa boa, te caço no inferno.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Mellorienna em Ter Fev 12, 2019 4:24 pm





    San Miguel


    Noite
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    Não era possível atirar contra crianças com um coração leve, mas ainda assim Ana manteve sua determinação. A crença da moça na presença da grande fera como uma espécie de salvador acabou tocando o coração dos outros três de tal forma que mesmo Gerson, convencido que estava da loucura que tudo aquilo era, havia passado a atirar contra os cidadãos de San Miguel. O que aqueceu o coração de Guinnevere. Estavam lutando lado a lado, ela e seu Big Bad G, pela vida e pela liberdade. Recarregar a arma e continuar o massacre não guardava mais o tom lúgubre de antes: Gerson estava com ela.

    Tudo ficará bem.

    Victor afastava as crianças de Ana, que se desvencilhava das mãos que tentavam agarrar suas saias. Mãozinhas tão pequenas, olhos tão doces. A corrida do homem-lobo para eles trazia a sombra da Morte para os pequeninos. Victor abraçou Ana e a protegeu junto ao seu peito no exato instante em que, com uma garrada poderosa, a criatura mandou pelos ares as crianças que circundavam a professora e o Sheriff.

    Sem piedade. Sem humanidade.

    A Besta-Fera rasgou, dilacerou e estraçalhou uma a uma cada criança de San Miguel. Nem mesmo Gerson, facínora, criminoso, havia visto uma tal selvageria na vida. Instintivamente, tomou Guinnevere junto ao peito e apoiou a mão aos cabelos ruivos da moça, para impedi-la de testemunhar tal horror. Nem Victor, nem Gerson, poderiam dizer quando foi que fecharam os próprios olhos, incapazes de testemunhar mais.

    O quarteto chorava a chacina de San Miguel sob a imensa Lua Cheia.

    Os casais abraçados, sob a sinfonia de gritos e ossos partidos, sentiram que tinham apenas uns aos outros, nada mais. Suas almas estavam vazias, lavadas em sangue e lágrimas, mergulhadas em escuridão. Caíram de joelhos na poeira, ainda no aperto dos braços uns dos outros, único porto seguro que conheciam naquela tormenta. Ouviram quando o grande lobo branco uivou em vitória.

    E foi quando a ilusão se partiu dentro deles.

    AO ENTRAREM NO SONHAR (Flashback):
    Quando acordaram na casa do Jardim, Irmã Graça os conduziu a um portal de flores, como um arco de casamento. E dali, graças a símbolos especiais que - enquanto estavam dormindo - ganharam de Mel, puderam atravessar a fronteira para o Sonhar.

    Caminharam pelo domínio verde, que estendia-se como uma floresta por centenas de metros. E então se encontraram a beira de um penhasco. Lá em baixo, cerca de duas horas de caminhada a frente, o que parecia ser uma vila. Não haviam visto qualquer sinal de criaturas inteligentes ou civilizadas até ali. Na floresta, muitas borboletas de brilho fantástico, pássaros com penugens etéreas e luminosas, e pequenos animais que pareciam híbridos de coelhos - com que outra espécie, não saberiam dizer.

    Ao se aproximarem da vila, perceberam que se tratava de uma cidade fantasma. A hera tomava as construções, abandonadas e envelhecidas. A relva cobria as ruas e poucas construções ainda tinham telhados. Mas não havia qualquer animal. Nem mesmo um pequeno inseto. Nem sequer teias de aranhas. E a ausência de sons deixava Victor em alerta, com sua audição aguçada resultando em uma espécie de sexto sentido: deveriam sair dali.

    Porém, toda vez que viravam uma esquina, descobriam que estavam de volta à Rua Principal. Seja qual fosse a direção que tomavam. A luz fantástica do dia começava a morrer no horizonte quando subiram no campanário do que parecia ter sido uma igreja, buscando ver os arredores. Floresta. Mata fechada por toda parte. Mesmo o promontório de onde avistaram a vila horas mais cedo havia desaparecido. Um mar verde infinito de copas de árvores a perder de vista era tudo que havia. Estavam presos em uma espécie de labirinto?

    O crepúsculo desceu sobre eles como uma navalha de medo.

    Sem alternativas viáveis, decidiram passar a noite na velha igreja. A escuridão não era a melhor companhia na mata e - de toda forma - eles não conseguiam encontrar uma saída daquele vilarejo amaldiçoado. Comeram o que haviam trazido nas mochilas, fizeram uma fogueira, definiram turnos de vigia. O amanhecer chegou rápido e silencioso, para depará-los com mais um dia de tentativas frustradas de escapar.

    Havia um poço na Rua Principal. E eles estavam sem água. Gerson decidiu beber primeiro, junto com Victor. Se nada acontecesse aos dois, então as moças poderiam beber. Talvez soasse meio super protetor, mas o fato é que eles eram bem maiores e poderiam aguentar melhor uma toxina, se fosse o caso. Beberam dois bons goles cada um. E esperaram. Depois de duas horas, sem efeitos colaterais, beberam todos. Naquele tempo, Ana e Guinnevere haviam encontrado árvores de frutas crescendo dentro do que parecia ter sido uma taverna de algum tipo. Romãs.

    Era engraçado, porque ao comer três grãos de romã foi que Perséfone havia se ligado a Hades pela eternidade - Ana relembrou ao grupo. Era um mito sobre a origem das estações do ano. Perséfone, a Primavera, era amada por Hades, senhor do Mundo Inferior. Certa vez, arrebatado ao ouvi-la cantar, Hades sequestrou Perséfone, deixando-a sob a guarda do Cão Tricéfalo, cuja missão era impedi-la de fugir. Apesar de faminta, a deusa se negava a comer na companhia de seu captor. Porém, dia após dias, Hades demonstrava cada vez mais gentileza para com a moça. Até que, julgando que não haveria qualquer problema, Perséfone comeu três grãos de romã de uma árvore que crescia no Mundo Inferior. Ao fazê-lo, tornou-se parte daquele mundo e dele jamais poderia sair novamente.

    Poderia parecer um conto bastante trágico, mas Perséfone veio a amar Hades, o único entre os Deuses Gregos que poderia se intitular como um marido fiel e devotado. A Deusa da Primavera intercedia pelas almas dos mortos quando de seu julgamento por Hades e, durante metade do ano, recebia do deus permissão especial para deixar o Mundo Inferior e passar um tempo com sua mãe, Deméter. E era assim que, quando Perséfone caminhava com a mãe, a Primavera e o Verão existiam no mundo. E quando ela voltava para reinar ao lado de Hades, o inverno se abatia sobre todos.

    Era uma bela história. Havia esperança em toda parte, se a Primavera reinava ao lado da Morte no Mundo Inferior.

    Comeram as romãs e junto com elas suas últimas rações de viagem. Beberam a água. Alimentaram a fogueira. Definiram turnos de guarda. E quando acordaram estavam em San Miguel, sem nada saber de suas próprias vidas.

    A relva sob as pernas não era o único indício de que estavam de volta ao labirinto na vila amaldiçoada. Havia as memórias.

    Ao deixarem o abraço uns dos outros, os quatro se lembravam nitidamente: de toda a vida que viveram até se encontrarem, de Mel da Paixão e Ace, dos Noturnos, da missão. E também se lembravam nitidamente: do Oeste, da vida difícil, da construção da ferrovia, de quando se conheceram, de... tudo.

    E Ana, acima de todos os outros, soube que as lembranças de San Miguel não eram uma ilusão. Eles haviam vivido aqueles dias, aqueles pelos menos dois anos, na cidade poeirenta. Ela estava carregando um filho do marid--- de Victor. Uma criança que aquelas criaturas queriam, acima de todas as coisas.

    Como reagir diante uns dos outros agora? Tudo era real: tanto a vida que conheceram quanto a vida em San Miguel. Havia dois conjuntos de lembranças na mente de cada um dos quatro jovens Caçadores, mas uma coisa era certa - as lembranças que mais doíam e conflitavam neles eram a do amor que sentiam. Porque não se pode dizer ao coração que o amor é uma mentira das fadas quando se dormiu ao lado de uma pessoa por quase dois anos. Eles tinham vivido o amor. Tinham nutrido o amor. Tinham se deixado banhar nas águas profundas do sentimento mais sublime um pelo outro. E agora?

    - Uma roseira bravia. O desabrochar dela me mostrou onde estavam. Porque a bravia só floresce na coragem. - o homem era alto, barba cerrada, loiro e bastante forte, na casa dos quarenta anos. Tinha tatuagens no braço direito cujos símbolos lembravam alguns dos que eles mesmos portavam. E olhos muito verdes, sagazes e penetrantes. Os mesmos olhos da Besta - Sairemos dessa cidade amaldiçoada com a primeira luz do dia. Até lá, vocês precisam descansar longe do brilho de Antélios. Venham comigo.

    O homem tinha um timbre poderoso de barítono e cicatrizes suficientes para não ser ignorado quanto à estratégias para sobrevivência.

    - Eu sou Anoitecer Selvagem, Ahroun dos Siberakh.


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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por antonio xavier em Qui Fev 14, 2019 10:19 pm

    Ana tinha crescido dentro de um Centro Kardecista, o Fraternidade. Ela já tinha lido muitos livros sobre o assunto, participado de muitas aulas e muitos estudos: a menina já era inclusive professora da evangelização infantil. Mas nunca poderia imaginar passar por uma experiência tão assombrosa como a que tinha acabado de presenciar em Sonhar. A única comparação que surgia a sua mente era a de que a experiência em Sonhar era uma vida passada, entretanto ela olhava para os companheiros e podia sentir o amor que os envolvia.

    Ela fechou os olhos brevemente e passou as mãos carinhosamente pela barriga: "Era uma outra vida sim, contudo era um parênteses, e estava contido no que seria a realidade." Sorriu ao ouvir soar esta palavra em sua mente: "Realidade? A cada momento era mais difícil definir o que isso seria. Definitivamente, preciso ser rio e seguir. Não sou ou fui nada, apenas estou sendo: sem amarras."

    Ana olhou novamente para o "marido" e pode sentir um misto entre o antes, o "sonho" e o agora. Ela pegou nas mãos de Victor, acenou positivamente para ele e para Anoitecer Selvagem.

    "- Muito obrigado, Anoitecer Selvagem. Vamos segui-lo!"
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Immemorabili em Qui Fev 14, 2019 10:57 pm



    Não podia dizer que ver as crianças sendo atacadas daquela maneira era agradável, mesmo que sua confiança em sua então esposa e naquela grande criatura que se dizia amigo fosse o bastante para lhe conferir força de vontade. Ainda assim, era uma cena deveras terrível de ver, como se um urso selvagem cem vezes mais violento atacasse um acampamento infantil. Victor fanziu o cenho, perplexo com o que acabara de acontecer. E então fechou os olhos, desviando-se da chuva de sangue o máximo que pôde.

    Os abriu quando era hora de segurar Ana, pelo simples ato de que o bem-estar dela valia mais do que o seu. Ainda rezava em sua mente para que houvesse perdão ao menos para a alma dela. E se não fosse pedir muito, para as almas de Gerson e Guinnevere. Ofereceria a sua como sacrifício, mas sabia que ela provavelmente não deveria valer muito.

    Mas foi aí que a ilusão se desfez.

    72 horas atrás estava em uma vida completamente diferente. E então ela mudou em pleno mundo. E então, mudara em outro mundo. Três vidas. Mas todas elas pareciam reais. Pelo fim haviam se tornado vítimas daquele lugar. E ao mesmo tempo, haviam aprendido com ele.

    As memória estavam ali, da mesma maneira que estivessem caso ele houvesse vivido uma vida inteira. Se lembrava das duas dificuldades nas duas vidas. De certa maneira, sua vida como Ranger era deveras similar com a sua vida de Militar; com variações causadas apenas pela época em que se passaram, mas com semelhanças temíveis. E terríveis. Desde muito tempo se vira como um homem que não teria direito ao amor ou à paz. Mas sentira tudo aquilo por Ana, naquela vida em que viveram. E o que havia sentido era real, o tipo de coisa que não simplesmente sumiria. Mas que ela poderia negar em si, caso quisesse. Ele não a culparia. Ele não era um homem que merecia amor.

    Os olhos foram perdendo o brilho aos poucos, na medida que olhava para o homem de aparência nórdica. Acenou com a cabeça, concordando e agradecendo pelo que ele fizera. Então, sentiu o toque das mãos macias de Ana e sentiu um arrepio percorrer-lhe até a nuca. Ergueu as sobrancelhas e a olhou acenando positivamente. Se fosse um pouco menos controlado, engoliria em seco. Mas ali apenas acenou de volta. Ainda não tinha certeza do que aquilo significava, mas ao menos, estaria ali por ela mesmo que ela não estivesse por ele.

    - Lamento pelos tiros, Anoitecer Selvagem. Ainda que não pareçam lhe afetar muito; agradeço pelo que fez para salvar aos outros. Ainda sou... relativamente novo, com tudo isso. Mas fomos avisados da boa vontade de seu povo e de sua colaboração veterana. Se houver algum castigo a ser dado, assumo total responsabilidade. - Acenou educadamente com a cabeça, os olhos ainda dotados de um "cinza" por trás do pouco brilho esperançoso que recuperaram ao segurar as mãos de Ana.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Qui Fev 14, 2019 11:37 pm

    Foi uma cena muito forte até mesmo para Guinnevere que já viu vários tipos de brigas e lutas que aconteciam dentro do Sallon, ver aquela chuva de sangue de pobres crianças, ver aquele homem lobo dilacerar aqueles seres tão pequenos foi chocante, mesmo confiando em sua amiga Ana e em seu juízo de escolhas Guinnevere chegou a pensar que sua amiga estava possuída por aquele monstro ... Pois essa cena foi tão surreal ... Que se sentiu culpado por aquele sangue ... "Meu Deus, que tenha piedade de nós... Que tenha piedade daquelas pobres almas" pensava a ruiva aos prantos ... Que por fim desabou de joelhos no chão, deixando cair sua esquenta-o-rabo .... E chorou ... Chorou ... Até seus olhos ficarem embaçados sem poder enxergar nada a sua frente!!! Perdida em suas lágrimas, com as mãos sujas sujas de sangue!!!! "O que eu fiz?!?! O que há de errado com vc Ana?!?" Pensava no meio dos soluços ...

    Quando conseguiu se recompor, enxugou suas lágrimas e observou a sua volta .... "O que tinha acontecido com San Miguel? Tudo estava em ruínas, como se ... Como se tudo estivesse acabado a muitos anos, como se fosse uma cidade fantasma ... E quem era aquele homem de aparência Nórdica que estava ali na sua frente ... Que tinha os meus olhos do homem lobo.... Pera ele era o homem lobo?!? Tudo foi apenas um sonho?" Eram os pensamentos de Guinnevere, e aos poucos foi se levantando e observando a sua volta ... Via ali na frente Ana segurando as mãos de Victor ... Viu a sua volta criaturas caídas ... E bem próximo de si Gerson ...

    O que tinha acontecido ... Aos poucos sua memória foi voltando ... E foi se lembrando de quem ela era ... De quem realmente era ... Que alguns dias "será que era alguns dias .. ou mais ... Estava perdida na noção de tempo e espaço" ela.era uma mulher qualquer ... Com uma vida qualquer e assim como em um piscar de olhos tudo tinha virado de ponta cabeça ... Que nem ela mesmo sabia quem era realmente ... Foi lá no fundo ainda existia a Diaba Ruiva, tinha gostado de ser a Guinnevere de San Miguel, de amar alguém ... de ter amigos, de ser feliz, pois não conhecia a felicidade na vida real ... Mas ao lembrar que estava presa naquele lugar ... Com monstros em pelo de cordeiro dava um frio na sua espinha ... Só de imaginar qual era a real intenção de nós manter prisioneiros ... Mas é agora o que será de sua vida ... Pois não conseguia entender a turbilhão de sentimentos crescendo dentro de sim ... Tudo era novo ... Até mesmo o medo de nunca conseguir ser feliz na sua vida real .... E pior de tudo ... Sentia algo mudar dentro do seu coração ao olhar para Gerson ... E perceber que gostaria de se sentir protegida nos braços daquele homem ...

    E ao olhar para o Anoitecer Selvagem não conseguiu dizer nada ... Apenas o olhou e esperou sua aproximação ... Afinal queria conhecer melhor quem era aquele herói que nos tirou daquele pesadelo ... Tinha tantas perguntas ....
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Saskwatch em Sex Fev 15, 2019 12:13 pm

    Ao despertar o rapaz ainda protegia os olhos bem cerrados com os braços a frente do rosto, e podia sentir o sangue quente de inocentes respingados nestes.

    De repente não havia mais som de batalha, nem gritos, nem um sussurro...

    Abriu os olhos devagar, olhou para seus braços, limpos.

    Viu Guinnevere, parecia assustada, dirigiu-se rapidamente a ela, levou a mão para tocar seu ombro. Mas antes que pudesse sentir o tecido de sua roupa puxou o braço apressadamente, assutado.

    "Home do Djanho, onde que eu tô, carai, será que todo mundo lembra?"

    Com medo de falar, e ainda assustar os demais, com suas boas lembranças, uma vida que nunca teve. Nunca tinha sido tão bandido, ou tão mocinho, tão amoroso, ou tão amado, segurou-se por um momento.

    Respirou fundo, pegou firme no ombro da Ruiva, puxou e a girou de frente para ele, e abraçou-a, com firmeza e afeto, como quem quer dar segurança a alguém amado, e ao mesmo tempo pede colo.

    Murmurou baixinho: - Moça, despulpa o meu jeitão, mas se precisá de qualqué coisa conta comigo, ainda num sei como tudo vai se, mas tô aqui pro cê.

    Afastou Guinnevere, devagar até estender seus braços, segurando-a de frente pelos dois ombros.

    Olhou para os colegas, agora sim, amigos, com certeza. Fitou o novo companheiro.

    Tentando se dirigir a Victor e Ana ao mesmo tempo falou:

    - Oia piazada, antes eu tinha minhas duvida, mas agora, minha força é de voceis.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Mellorienna em Sex Fev 15, 2019 9:49 pm





    Cidade-Labirinto


    Noite
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    - Punição? Ne, tovarishch. - o lobisomem, em sua forma humana, balançou negativamente a cabeça - Ainda que a boa vontade dos Garou não acompanhasse a Theurge que os ensinou a rabiscar os símbolos que trazem na pele, eu sou suficientemente capaz de distinguir amigos e inimigos. E vocês carregam armas, mas não para erguê-las contra Gaia. Sob o mau augúrio de Antélios crescendo no céu, tovarishch, qualquer um que possa lutar em defesa da Mãe é um aliado das Tribos. Os que não conseguem ver, estão perdidos em rixas do passado. E que a Wyrm os carregue!

    O homem era bastante alto, bastante forte, mas tinha um gestual simpático quando deu dois tapinhas amigáveis no ombro de Victor:

    - Os disparos só seriam preocupantes se viessem dali, hein? Por sorte o seu Ahroun estava cego de preocupação com a ryzhaya lisa dele! - Anoitecer Selvagem riu, como quem desfrutava uma piada entre amigos (mas que evidentemente nenhum dos outros tinha entendido). Caminhou até Gerson, e bateu amigavelmente no ombro do rapaz, a semelhança do que havia acabado de fazer com Victor, ainda sorrindo de forma divertida - Eu tenho uma dessa em casa também, sabe? Uma raposinha ruiva. Já sinto pena de você, tovarishch, mas sei que, como eu, não trocaria esse destino por nenhum outro.

    O homem tinha um torc no pulso direito, dourado-acobreado, que era trançado em metal à moda dos celtas, com duas cabeças de lobo rosnando a encerrar as pontas. De forma reverente, ele levou a peça ao peito, sobre o coração, e bateu mais umas três vezes nas costas de Gerson, rindo.

    - Vamos! Para aquela velha construção. Vocês estarão seguros dessa vez.

    O homem cruzou a relva do gramado que o quarteto se lembrava bem de ser a Rua Principal. E seguiu para a casa do Sheriff e sua esposa. Bom, ao menos era assim que os quatro se lembravam dela. Na janela, uma pequena roseira com um único botão, claríssimo, que reluzia ao luar imenso do Sonhar.

    - A Rosa Bravia vai manter os kithain afastados. Ao menos essa noite.

    Não havia porta. Das paredes internas, não mais que as pedras caídas, cobertas de musgo e gramíneas. Os vidros estavam estilhaçados. E metade do telhado da cozinha havia cedido lugar a uma macieira que crescia no meio da casa. Mas lá estavam: a mesa, as cadeiras (umas quebradas), a cama. Deveria haver uma parede ali, que não os obrigasse a encará-la, mas - como dito - não havia. O leito matrimonial de Victor e Ana, no outro extremo da casa, iluminado pelo luar que entrava da janela, estava coberto de flores. Vibrantes, coloridas e perfumadas flores, que enrolavam-se pela cabeceira de ferro em cachos de beleza.

    - Havia amor nessa casa. Não sou Theurge, mas a Mãe me deu olhos para ver. - o loiro testou algumas das cadeiras, distribuindo as que estavam em boas condições para as garotas primeiro, e depois quebrando as que estavam ruins para servirem como lenha no velho fogão - Vocês precisam descansar. Dormir um sono sem sonhos. Mas não vão sossegar. Tem perguntas devorando a calma de vocês.

    Anoitecer Selvagem acendeu o fogo. Só ao olhar para as chamas quentes o quarteto percebeu que estavam sentindo frio.

    - Eu não tenho a fluência cristalina dos Galliard, e nem os conhecimentos místicos dos Theurge. Mas perguntem. E, assim que Hélios se erguer no horizonte, eu vou guiá-los ao Trono de Danu.

    O lobisomem parou diante de Guinnevere e Ana:

    - Algum pedido especial, moças? Eu trarei boa caça, que agrade. E os camaradas comem o que as moças julgarem melhor.


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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Immemorabili em Sex Fev 15, 2019 10:18 pm

    Levou a mão ao ombro de Gerson e deu ali dois pequenos tapas de leve. - O que passamos aqui se transfere para nossa outra - atual - vida. Conte comigo. - Olhou nos olhos do homem, acenando positivamente com a cabeça para Guinnevere também, ainda que seus olhos ainda tivessem um cansaço psicológico notável, algo que havia matado aos poucos um pouco das cores que jaziam ali, nos orbes normalmente enigmáticos de um homem que tivera duas vidas bem semelhantes em épocas distintas.

    Não fazia ideia do que ele dizia, mas tovarishch soava como algo que alguém militarizado diria. Victor pensou que talvez fosse um termo positivo, como parceiro, companheiro ou até uma versão menos "caipira" de compadre. Meneou a cabeça positivamente, entendendo apenas parte de sua explicação. Mas compreendeu o bastante para saber que ele tinha uma noção bem maior de ética geral do que a maioria das pessoas. Talvez mais ética do que a maioria das Criaturas da Noite, também? Ainda era novo demais naquele mundo para dizer com certeza; mas tinha impressão que sim.

    E... Entendeu menos ainda depois dos tapinhas amigáveis. Não fazia ideia do que ele queria dizer, fora a insinuação com a ruiva. Essa parte preferiu deixar entre o homenzarrão e Gerson.

    - ... Certo. - Concordou retoricamente em ir à sua casa. A casa que ainda se sentia como um ninho pessoal, distante de toda a sensação ilusória que achou que teria. Ainda se sentia real, na penumbra de sua mente que convivia com a pulsação daquela realidade insana, dotada de sombras e luzes escondidas, fazendo o seu próprio show de horrores e belezas. Seriam as estrelas ali sinais, passos ou palavras disfarçadas em uma língua que jamais seria capaz de compreender?

    Claro, a casa já não era mais a mesma. Lembrou-se de ter consertado telhados e janelas naquele tempo que sentiu-se viver com Ana no lugar. A sensação ainda estava ali, acolhedora. Mas havia um sentimento de nostalgia errônea e torpe, quase incriminadora. As flores eram símbolo de uma resistência pessoa e prova de que a humanidade ainda poderia construir algo tão forte que desafiaria a própria noção da ausência de realidade.

    - Amor... - Os olhos se viraram para Ana, e ele não os desviou. Não sentiu vergonha ou hesitação. Havia algo diferente no sentimento. Voltou a olhar para o improvável porém real e digno salvador do grupo. - Eu não durmo tanto quanto os outros humanos. Não sinto o gosto da comida também. Não regojizo da Preguiça ou Gula, apesar de compensar os pecados com uma alma pesada e cheia de espectros que me carregam. Digo isso pois não precisarei descansar muito e, estarei ao seu dispor para o que precisar. - Disse ao Lobo-Homem. - Eu estou condenado a nunca sossegar, de qualquer maneira.

    Tentou preparar o chão, fosse afofando algum material ou conseguindo qualquer coisa para que Ana ficasse confortável frente ao fogo, colocando sobre o assento da cadeira ou qualquer material que ajudasse. Iria aceitar que ela o usasse como conforto para dormir também, mas ainda se dispondo ao novo aliado para ajudar no que necessitasse. - Eu poderia ter muitas perguntas, mas os outros são mais espertos do que eu, nisso. Geralmente só preciso de uma linha geral para me localizar e entender aos poucos. Imagino que você saiba mais sobre o que precisamos fazer do que nós mesmos. - Disse de forma generalista, sem um pingo de arrogância ou reclamação na voz.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por antonio xavier em Dom Fev 17, 2019 9:51 am

    Ana acompanhou Anoitecer Selvagem até a construção que havia sido sua casa, o lugar estava semi-vivo ou semi-morto, ele refletia como a menina se sentia em relação ao que havia vivido: ela não podia esconder a angústia que sentia. Seria muito mais simples se fosse apenas uma ilusão, entretanto Sonhar deixou marcas profundas das quais não podia se libertar. Na verdade, era tudo tão confuso e conflituoso que Ana não sabia nem ao menos se queria se livrar desses grilhões, afinal eles tinham sido doces.

    Ela olhou ao redor, observou Victor. Era preciso ter respostas. Ouvia as palavras do Garou e buscava recordar a conversa no Jardim Secreto e todo conhecimento adquirido naquele momento sobre os Lobisomens. Ana ainda compreendia muito do que era dito, apesar da linguagem especializada utilizada. Era preciso descansar. Seu corpo pedia, mas a busca pelo saber era maior.

    "- Como você conseguiu nos encontrar? Muito obrigado por ter nos libertado. Outra pergunta que tenho é o que seria o Trono de Danu?

    Ana olhou mais uma vez para todos os amigos, passou as mãos por sua barriga, como conversaria sobre o que carregava consigo? Talvez houvesse um caminho.
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Seg Fev 18, 2019 10:44 am

    Ao observar o Anoitecer Selvagem Guinnevere não sentia mais medo, não sentia mais perdida ... era como se fizesse parte daquilo a muito e muito tempo e só agora realmente despertou para o seu destino, e mesmo com o mundo desmoronando a sua volta ... pela primeira vez sentia que estava no lugar certo ... e que pertencia a algo ... e mesmo sem entender nada que aquele homem misterioso e ao mesmo tempo seduzente falava não tinha medo de seguir ...
    Aproveitando que seu coração por instantes estava em paz, e com as lembranças de um amor que ainda sentia no peito, que acreditava profundamente que se antes não existia nada, depois desse sonho, pesadelo ou se lá onde estavamos presos, nasceu algo ali dentro dela ... e toda vez que sentia o toque leve de Gerson, ou quando seus olhos se encontravam com os dele sentia um calor e uma imensa vontade de estar junto dele .... então se aproximou do rapaz e o abraçou forte ... sentindo o seu coração batendo com o dela, sentindo aquecida com o calor do corpo dele ... e ficou ali ... acolhida e aninhada nos braços do Gerson ... que nem percebeu o comentário estranho do Anoitecer Selvagem para com o grandalhão...
    Ao entrar na casa que antes era de Ana e Victor ... Guinnevere teve pequenos dejavu, uma mistura com as cenas atuais .... com cenas de uma vida que agora parecia muito distante .... arrancada de seus pensamentos pela aquela voz forte do Anoitecer Selvagem perguntando sobre o que queriam comer ... olhando para si, para as marcas de sangue em seu corpo .... e ainda com aquelas cenas, principalmente das crianças dilaceradas .... apenas disse para o rapaz:

    - olha Anoitecer, meu estomago ainda está enjoado com tanto sangue, acho que hoje não aguentaria ver um pedaço de carne na minha frente ... mas na verdade gostaria de procurar algum lugar que eu possa tirar todo esse sangue do meu corpo, achar alguma roupa que possa vestir .... e depois gostaria de saber exatamente para que lugar você estará nos levando amanha cedo ...

    E ao dizer isso Guinnevere saiu de perto de Gerson, e seguiu a procura de um lugar que poderia se limpar e renovar suas energias e presença...
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    Re: [!ON!] 2ª Noite: O Sonhar

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