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    Várzea de Una (João Galdino)

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    Mensagem por einherji em Seg Fev 11, 2019 4:16 pm

    O grupo de Carcará ou a que ele fazia parte tinha mudado muito nos anos de cangaço - era muito fácil tomar um balaço nessa qualidade de profissão, ele se mantinha ali. Às vezes passando de um grupo pro outro, às vezes puxando mais cabras para o seu próprio, mas sempre no mesmo estilo. Dessa vez, juntou os cabras que sobraram e se juntaram ao grupo de Francisco Osso - não era boa gente, roubava e matava. Mas tentava mirar sempre nos macacos e volantes, talvez não fosse uma das melhores companhias na opinião de João Galdino, mas era o que sobrava ali no momento. Os grupos não se misturavam tão facilmente e um cangaceiro sozinho era um alvo fácil.

    O grupo estava parando, pelo que conhecia da região - estavam próximos da cidade de Várzea de Una e seria um próximo alvo, de certo. Um dos cabras que já acompanhava Carcará por algum tempo, se aproximou e puxou conversa.

    - Olhe, sabe que não sou frouxo, capitão.

    Mesmo estando sob a liderança de outro, o cabra ainda mantinha o respeito com Galdino, o chamando de capitão.

    - Se precisar atirar, eu atiro, seja em que for. Mas não gosto de atirar em gente pobre, não. E tô sabendo que vai sair desgraça da cabeça de Chico Osso.

    Outros cangaceiros amarravam burros e mulas, outros começavam a preparam pequenas tendas e encostavam seus papos amarelos no chão. Alguns iam se preparando para deitar e deixar o dia inteiro passar dos pés e da caminhada até ali, demorou nada nada, Chico Osso começou a falar. Antes, deu dois tiros pro alto - chamando a atenção de todos os presentes de uma maneira que sabia que prestariam atenção. Bala.

    - Se tu pode andar, não corre - se correr, num corre mais!

    Deu uma forçada e escandalosa risada, mostrando os dentes amarelados e dando um destaque para o branco do olho esquerdo - todo branco, como osso de gado morto no sertão. O que lhe dava o apelido. Diziam que conseguia ver bem daquele olho, mesmo com a cor de leite cobrindo toda a íris, mas não se sabe. Errava um tiro ou outro de vez em quando, mas não tem como saber se era bom demais com um olho só ou se tava justo com os dois.

    - Estamos no cangote de Várzea de Una e tá pra fechar um soldo do correio em três dias, vamo rodiá a região e um dia antes dos macaco vim buscar o dinheiro, ficamo é com todos contos de réis. Fiquem ligêro e descansem bem!
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    Mensagem por Claude Speedy em Seg Fev 11, 2019 5:11 pm

    -Me chame de Caracá e só, homi... Capitão é cangaceiro que acreditava que ia ser volante ou macaco... Eu bem sei que é o costume, mas não se avexe em ver que sou igual tu. Eu concordo contigo, vou ver Osso Duro pode contar sua fúria nesses dias.

    Se tinha algo que me virava os estômagos era arrastar gente pobre a pulso, já tinha eu deixado a Bahia porque via que mais dia, menos dia ia sobrar para os que que queriam a liberdade de fato. Mas é fato, que sem nenhum dinheiro, liberdade vira um conto vazio. Fransciso anuncia o plano e nisso me aproximo com educação assim que ele termina.

    -Valha-me de tua atenção, Chico. Em respeito e tua benção... Queria pedir pra vóis me cê, se tinha como os hômi num bulir com nenhuma moça ou esmolé ou povo que trabalha lá, nos focar nos correrio e depois picar mula. Queria conseguir apoio do povo daqui antes de voltar pro Reconcova.

    Essa é a mentira que conto para mim mesmo. Que um dia voltarei e a escravidão de negros terá acabado.
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    Mensagem por einherji em Qua Fev 20, 2019 4:07 pm

    - Tá certo, cap-... Carcará.

    Disse o cabra, acreditando que João Galdino pudesse convencer Chico Osso que invadir uma cidade pobre e, ainda por cima, aterrorizar e matar um povo pobre, não era uma boa idéia. João Galdino tinha uma cabeça diferente dos demais, tinha uma história diferente dos demais e convencer cangaceiro a ter piedade não era uma coisa fácil. Seja para quem quer que fosse, visto que nem mesmo tiro de espingarda fazia com que esses homens e mulheres mudassem de idéia. Chico ouviu palavra por palavra de João Galdino - via nele um homem bom e confiável, alguém que poderia ser bastante útil e que era esperto o suficiente para não sugerir nada que pudesse atrapalhar o grupo, mas mesmo assim, tinha suas ressalvas e não confiava com tudo.

    - Hmmm, tá ficando mole, Carcará...

    Chico Osso coçou o queixo com a barba curta. Era possível já ver diversos fios brancos no rosto do cangaceiro. Era um homem ruim por natureza, mas não era burro e sabia da qualidade de João Galdino para seu grupo, não era um homem para ser contraria por capricho e o pedido era justo. Não estavam ali para fazer maldade por fazer, fazia parte de algumas das táticas - aterrorizar - mas não num momento como esse e não com gente que tinha menos do que eles, já que passariam pelo correio ali e iam catar o dinheiro de diversas outras cidades. Na verdade, o quanto mais rápido tudo decorresse, melhor seria para todo mundo.

    - Mas tu não é besta, tá é longe de ser. Vou avisar os cabra pra que não se metam com esse povo. Mas sabe como é... Se aparecer uns bicho valente ali no meio, não vai é faltar bala. Esses cabra tão andando no sol quente já faz um tempo e tão é doido pra matá.

    Tirou a espingarda pelo laço no peito e apoiou num canto qualquer.

    - E tamo precisando de conversá. Assunto importante pra você e melhor pra mim.
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    Mensagem por Claude Speedy em Qui Fev 21, 2019 6:18 pm



    Fico aliviado por ele atender aos que estavam comigo pediam.

    -Us homi comigo não se opõe a qualquer peleja de quem quiser se roçar contra nós... Tu me entende que esse povo pode ser gente nossa, ouvidos e vozes nossas contra os macacos e volantes se bem tratados, sempre é bom ter uma cama quente conseguidam depois de uma correria. Mas me fale, velho Chico que se passa que tas matutando?

    Eu fico atento ao redor e sigo para perto para que ele possa comentar.
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    Mensagem por einherji em Ter Fev 26, 2019 10:18 am

    Abriu o cantil de pele, tomou uns goles de água e um pouco escorreu pelo canto da boca, descendo e pingando no chão - quase que não molha, mas assim que molhou - secou e sumiu. Esfregou a manga do casaco de couro na boca, secando-a novamente e deixou o cantil de lado. Sentou-se no chão suspirando.

    "Tô velho, Carcará. Tem é tempo que não corro rápido e qualqué dia desse vou acabar sendo pêgo, se tiver bala - me mato. Se não, os macaco vão me fazer o diabo e de certo que me enforcam no centro de Pernambuco, só pra mostrar um véio cangaceiro dando o último suspiro enquanto entra pro inferno."

    Fixou o olhar num ponto distante, enquanto pensava um pouco melhor em como continuar aquela conversa. Não era comum, mas todos sabiam bem que se pegos, morreriam da pior forma possível. E que não tinha muito isso de cangaceiro velho, já que todos realmente batiam as botas bem cedo. Chico Osso era um caso a parte, o bicho era ruim, mas era esperto - ele sabia o que fazer e como fazer. E o melhor de tudo, ouvia seus cabras. Podia não gostar e xingar depois, mas ouvia.

    "Esse ataque no correio é meu fim. A gente sabe como começou, era pra derrubar coronel safado e amarelo, mas acabou pegando gosto na coisa e virou coisa ruim - sei bem que ocê não tem disso, é um homi bom e vai sabê como cuidá desses cabra pra coisa boa. Eu tenho meu soldo de uns ano guardado e vô me embora pro Acre."

    Não revelou muito de seus planos, mas acabara de aconselhar que Carcará ficasse responsável pelo grupo - pois iria embora depois desse próximo ataque. Não era muito bem uma opção e não perguntou se gostaria, apenas apresentou seu plano e aguardou que fosse seguido.
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    Mensagem por Claude Speedy em Ter Fev 26, 2019 6:53 pm

    As palavras dele me adrentam profundamete enquanto me sento do lado dele.

    -Entendo. Eu vou ajudar... Homi. Se conseguirmos o apoio da vila ao finalzarmos o correio, o povo mesmo vai ajudar sua saída se juntarmos uns vinténs pro povo... Ficará mais fácil ocê viajar para o Acre.

    Eu olho o bando, tantos cabras bons. E tanta coisa que iremos fazer em seguida...
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    Mensagem por einherji em Qua Fev 27, 2019 4:23 pm

    "Apoio num vai tê, não. Eu duvido que fiquem do nosso lado depois de levar o dinheiro todo do lugar e os macaco nunca é que vão deixar esse povo ficar com dinheiro do estado. Além do mais, a gente é cangaceiro, Carcará - bicho ruim pra todo mundo."

    Ele fechou os olhos e encostou a cabeça para trás, apoiando numa pedra alaranjada onde já estava apoiado o seu papo amarelo, rifle todo entalhado com suas andanças e aventuras pelo sertão e vida de cangaceiro - uma arma única que emanava uma força descomunal, era difícil explicar, mas tinha uma energia ali que fazia ser mais do que um simples rifle. Baixou um pouco o chapéu de couro gasto, puxando-o para a frente dos olhos e abriu o olho apagado, encarando Carcará com um leve sorriso no rosto.

    "Mas tá decidido. Cê é que decide o módisso acabá. Descansa o que puder, entramos na cidade de noitinha."

    OFF:
    Se quiser interagir com o grupo ou mesmo com ele, fica à vontade. Caso contrário, pode já acelerar o tempo.
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    Mensagem por Claude Speedy em Qui Fev 28, 2019 12:04 pm

    [quote="Chico Osso"]
    "... a gente é cangaceiro, Carcará - bicho ruim pra todo mundo."

    Chico sempre usou a força... A ameaça, a violência. E fez bem... Mas ele não sabia que muita gente dava guarida e pedia ajuda para os cangaceiros. Meu nome veio disso, não de saquear os fracos, mas os soldados. É verdade que foi no oportunismo, mas foi.

    Quando dorme Chico dorme, vejo uma fera desdentada e ferida, que um dia já rasgou o sertão como uma peixeira em um bucho. Mas agora... esta cega... Cega, sem referências ao fato dele ser caolho.

    Levanto, caminho entre os homens e vou conversando pouco antes deu mesmo me deitar.

    -Escutem, cabras. Amanhã vamos mirar nos macacos e fazer o serviço. Não arrochem ninguém que não bulir com vocês. Daremos uma parte dos contos pra quem nos ajudar a fugir. Eles tem de ter mais raiva do governo que de nóis... Esse é o segredo da vitória... Não termos mais impedimento .

    E dado o recado, vou indo me deitar.

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    Mensagem por einherji em Ter Mar 05, 2019 6:13 pm

    Alguns cabras olharam desconfiados para Carcará, mas não reagiram - viram ele falando com Chico Osso antes e as ordens só poderiam ter vindo dali, não faria sequer sentido passar qualquer comando assim sem o consentimento do capitão. Seria difícil controlar alguns dos homens, alguns ali estavam no bando antes de Carcará e podem ter começado junto com Chico, o que quer dizer que estavam naquela vida há bastante tempo e não tinham muito apreço por quem quer que seja, fosse povo simples ou macaco.

    Mas via na multidão alguns que abriam os olhos e ouviam com atenção, muitos não queriam atirar em povo pobre - como seu companheiro, de outro bando. Preferia que o alvo reagisse e fosse com sentido, não apenas para causar terror - o que, naquele ramo, não era coisa ruim - ser temida era bom e rendia dinheiro fácil, dava mais um dia na lida e na luta contra os macacos - mas precisavam de um meio termo, se a luta perdesse o sentido, poderia não mais valer a pena e seriam não mais que bandidos.

    Ao se deitar, o cabra de seu antigo bando sentou-se do lado e deu um tapa de leve em seu ombro.

    “Falou bem, Carcará - e falou certo. Miremo nos macaco. Mas tem cabra que tá com sangue no zóio e não vai querer saber de história, cê bem sabe.”

    E tinha razão. Tinha pensado e cogitado. Mas tudo deveria ser resolvido no dia do ataque. E assim seria. A noite foi tranquila, os guarás que estavam uivando há algum tempo e seguindo o bando continuavam fazendo, se acordasse no meio da noite dava pra ouvir as “risadas” dos lobos e seus uivos, ainda distantes - mas tomavam cada dia um pouco mais de coragem. Chico Osso estava de pé e perto dali. Meneou a cabeça para Carcará na frente dos cabras, para que todos vissem.

    “É tu que lidera hoje, passarinho.”
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    Mensagem por Claude Speedy em Sex Mar 08, 2019 9:24 am

    cabra escreveu:

    “Falou bem, Carcará - e falou certo. Miremo nos macaco. Mas tem cabra que tá com sangue no zóio e não vai querer saber de história, cê bem sabe.”

    -I num é? Mode de que se expor como inimigo desse povo sofrido? Sei bem que fazer eles nos temer é a mesma tática do governo, ter armas e fazer assustar. Mas os do povo vão ter de nos ajudar amanhã, pelo bem de Chico Osso. [/b]

    E depois das danças dos Guaras na madrugada eu ouvi ao amanhecer a voz do Chico se fez ouvir, todos certamente agora contariam comigo.

    -Escutem, vamos nos dividir entre as saídas da cidade e um pequeno grupo chega comigo para perto da delegacia, vamos render discretamente os chefes da polícia. Em seguida entramos na direção do alvo, quando tomarmos a delegacia darei um sinal para avançarem.
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    Mensagem por einherji em Sex Mar 08, 2019 6:07 pm

    Os cabras todos se levantaram assim que viram Chico Osso e então, prestaram atenção em Carcará - quando passava as instruções do dia. Várzea de Una não era uma cidade grande, mas tinha algumas saídas importantes. O melhor é que ficava longe de muita coisa, inclusiva da cidade mais próxima, mas era uma obrigação que o comboio do correio passasse por ali, deixando que fosse um local perfeito para o ataque. Considerando todos os pontos iniciais, tinha tudo para ser algo bastante simples - seria fácil entrar e sair e pelo o que conheciam da polícia local de cidades pequenas, eles dificilmente iriam arriscar a vida lutando contra o bando de Chico Osso, que estaria prestes a se tornar o bando de Carcará.

    "Vam'embora que hoje tô com pressa."

    Disse Chico Osso, puxando a papo amarelo pela fivela enfeitada e prendendo-a em seu ombro - apesar do que estava em jogo para ele, estava calmo - nunca foi homem de se desesperar e não devia começar agora, também. Os homens já estavam prontos ou se preparando enquanto ouviam Carcará. Alguns, já tomavam suas posições para as saídas, por costume dos trabalhos com Chico Osso, mas restavam alguns que aguardariam as próximas ordens - como pode exemplo, o grupo que deveria ir junto com Carcará.
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    Mensagem por Claude Speedy em Sab Mar 09, 2019 8:56 am

    -Venham, não façam cerimônia. Vamos enrolar um na rede, como se tivesse morto. Vamos correr para pedir ajuda dos macacos, quando eles nos porem dentro da delegacia pra modo de nos ajudar, nós rende eles ou passa fogo em quem quiser atacar.
    Venham comigo os cabra mais conversador para fazer distrair os marrons nessa prosa.



    E com isso puxo principalmente os cabras que mais falavam ontem de noite, tanto quanto os mais próximos a mim. Para de cara conseguirmos chegar na delegacia com um tom de vitimas de cangaceiros.
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    Mensagem por einherji em Sex Mar 15, 2019 5:58 pm

    Com as últimas instruções o plano se desenrolava. Geralmente os bandos tinham tão pouco para fazer que seguiam tudo a risca e procuravam se manter ocupados durante as ações, nunca se sabia quando teriam qualquer atividade novamente. Ou quando estariam dentro de uma cidade, mesmo que por pouco tempo. Apesar de estarem sempre juntos, a vida no sertão para o cangaceiros era bastante solitária - poucos tinham companheiros ou companheiras, os vínculos não eram fortes pois seguiam uma profissão que poderia os levar para um túmulo precoce, então não fazia sentido alimentar uma relação ou mesmo gerar uma criança, viviam para o cangaço e às vezes em uma luta que tinha deixado de ser deles há bastante tempo.

    Seguiram o plano, um se enrolou numa rede, outro fez uns furos no pano, outro cortou o pescoço de uma ave e manchou a rede de sangue, sujando também as próprias mãos. Era tudo bastante orgânico e as ideias não paravam no que lhes era passado. Como Chico Osso tinha dito e Carcará constatado, aquele era um bando muito bom.

    "Tamo pronto, Carcará."

    E seguiram assim, direto pra entrada da cidade aos gritos - um cabra menorzinho, já descaracterizado, abriu o berreiro.

    "Ai ai ai, meu jesus cristim! Mataram o meu irmão!"
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    Mensagem por Claude Speedy em Dom Mar 17, 2019 10:59 am

    Vendo dentro da rede, como homem morto.

    Bem que eu poderia ser, dentro de tanta coisa que acontece nesse Brasil.

    Aguardo com paciência a entrada na delegacia. Assim que os policiais levarem a gente para dentro, os carregadores da rede rendem os guardas da delegacia.

    Se algum deles quiser bancar o herói caí ali mesmo.
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    Mensagem por einherji em Ter Mar 19, 2019 10:05 am

    Arrastaram meio sem jeito, puxando de um lado e soltando do outro. Um dos policiais até ajudou - chegando dentro da delegacia, soltaram o 'corpo' no chão - da mesma forma, sem jeito e cuidado. Pra morto não tinha dor. Dava pra ver pouco entre os fios costurados da rede, eram vultos e conseguia distinguir quem era cabra e quem era policia. Tinham dois policiais - o que era já esperado para uma cidade pequena, estavam armados e a delegacia era bastante simples, não davam sinais de que estariam muito mais armados do que aquilo. Ainda era possível que junto do comboio que passaria para pegar o dinheiro do correio, teriam soldados - mas para tomar a cidade, seria rápido.

    - Arre, o que foi que se deu, home? Foi cangaceiro?

    Disse um dos policias, tirando o boné militar da cabeça e olhando para o corpo enrolado. Coçou o canto da cabeça e voltou os olhos ao cabra, esperando a resposta.

    - Ô se foi.

    Respondeu o cabra. Aguardaria então a ação de Carcará.
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    Mensagem por Claude Speedy em Ter Mar 19, 2019 2:42 pm

    Saio do meio da rede já de arma em punho apontando e rendendo os militares.

    -Parados os dois, cabras peguem as armas e uniformes deles! Sem se mexer cêis dois macacos, se não é um arrocho final em cada um!


    Faço sinal para os cabras já irem rendendo e despindo os soltados, um por vez. Para vestirem os uniformes deles sem que eles façam qualquer movimento.
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    Mensagem por einherji em Qui Abr 04, 2019 4:53 pm

    A polícia gostava de humilhação de perder as armas e os uniformes para os cangaceiros?

    Não, gostar, gostar - não gostava não. Mas gostavam menos ainda era de morrer. Então os dois ficaram quietinhos e fizeram como foi ordenado, os cabras se divertiam enquanto vestiam as roupas dos policiais e riam um do outro a respeito do traje tão avesso às vestimentas comuns do dia a dia. Era um pouco de distração do momento e como era de se imaginar, e Carcará sabia bem disso, não eram um exemplo de disciplina - seguiam as ordens, mas não tinha como microgerenciar cada momento de cada ação que faziam, então - era melhor que tivessem esse tempo de distração e pudessem focar com maior vontade quando realmente fosse necessário.

    Amarraram os policiais e os colocaram num canto da delegacia, longe da porta. Ambos vestidos com as roupas marrom escuro da equipe de segurança do estado de Pernambuco, olharam para Carcará, esperando os próximos passos.

    - Quié que fazemo agora? Vamo invadi o correio?

    OFF:
    Desculpe a demora!
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    Mensagem por Claude Speedy em Qui Abr 04, 2019 9:08 pm

    [quote="Cabra"]
    - Quié que fazemo agora? Vamo invadi o correio?
    -Oxi, homi! Claro qui não, se lembre do plano! Primeiro é a vez do resto do bando cercar o correio primeiro. Aí nós vamos andando para ajudar na chegada das remessas. Quando ela tiver para ser distribuída nosso grupo rende de emboscada qualquer soldado que vier de fora. Vai ser tranquilo, sem sangue. Vou dar sinal pra Chico Osso e os outros...

    Pego um berrante, típico dos tropeiros do sul.

    Sopro segurando o riso, imaginando o quanto o som talvez soe diferente em Pernambuco... Mas era o som que eu tinha ensaiado com Chico Osso para cercarem o correio.

    -Num se avexem meus amigos, hoje é dia de mudança...
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