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    Uma Antessala Vermelha - Ezra

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    Mensagem por Lnrd em Qua Mar 13, 2019 7:17 pm

    “Carcaça de cão no beco esta manhã, marcas de pneu sobre ventre esbagaçado. Essa cidade tem medo de mim. Eu já vi a verdadeira face dela. As ruas são sarjetas estendidas e as sarjetas estão cheias de sangue e quando os bueiros finalmente transbordarem, todos os vermes vão se afogar. A sujeira acumulada de todo o sexo e matança vai espumar até a cintura deles e todas as prostitutas e os políticos vão olhar para cima e gritar ‘salve-nos!’... E eu vou olhar para baixo, e sussurrar ‘não’”. Centrada no texto – a despeito da enxurrada de vaias –, uma atriz consagrada, na casa dos 60 anos, seminua, interpretava uma divindade entristecida e arrependida, tentada a reabrir as comportas de um segundo dilúvio sobre a humanidade. A peça, alternando entre palavras de amor e passagens de terror, era um ultimato à reflexão.
    O efeito, lamentosamente, fora o contrário.
    Xingamentos ecoavam da plateia, enquanto celulares formavam constelações orbitadas por planetas de fúria. Algumas pessoas, indignadas por uma senhora interpretar um punhado de ícones religiosos comumente associadas ao sexo masculino, haviam comprado entradas para atrapalhar a encenação.
    Mas os obstáculos não vinham só da turba. A própria segurança do glorioso teatro municipal, sob o imperativo de um recém-chegado mandato judicial, ameaçava invadir o espetáculo e levar algemada a frágil, porém altiva, senhora.
    Lá fora, coincidentemente (ou não), chovia.
    Era por volta de 20h30.

    23h45.
    A chuva torrencial parecera, inicialmente, intentar uma lavagem dos aspectos asquerosos daquela cidade, banho e batismo dum ciclo vertiginoso de vida sobre morte.
    Àquela hora, entretanto, transformara-se numa monção que, frente ao escoamento entupido e ao planejamento urbano estúpido, carregava veículos leves e invadia casas de áreas periféricas. Canais transbordavam.
    No noticiário noturno, chamadas sobre pessoas arrastadas e prejuízos materiais.
    As favelas choravam barracos desabados.
    Numa rede social, o prefeito declarara estado de calamidade pública – aquele mesmo que, eleito a segunda vez em sequência, era processado pelo desvio de verbas do Departamento de Águas e Saneamento de Santa Dômina.

    22h. Num bairro tradicional, uma casa histórica, mas de aparência mal preservada, era açoitada por uivos quase lupinos – mesmo que criatura alguma os emitisse.
    O vento usava as frestas da construção antiga como um macabro instrumento de sopro, assobiando uma melodia melancólica.
    Raios escreviam ultrajes com letras ardentes.
    Insultos sobre cinza.

    Às 18h50, choro no banco de carona dum veículo popular. Uma discussão de transito – “o carro vermelho pegou a vaga da Pick-up”, sugeriu alguém que passava, tendo ou não conhecimento do assunto – resultou numa troca de tiros que não só deixara ambos os motoristas feridos, quanto vitimizara um senhor na parada de ônibus adjacente. Não se tratava de uma grande avenida, mas o transito tornara-se lento naquele trecho, desesperando as pessoas que tentavam sobreviver à lotação da hora do rush. “Podiam ter morrido quando eu já estivesse em casa“, comentou alguém no coletivo.
    As nuvens pesadas ainda não haviam nem começado a derramar.

    19h30. Ou 20h.
    Entre as paredes do Centro de Convenções da Universidade Federal, mal era possível notar a tempestade que se iniciava lá fora. Sob o holofote principal, a palestrante chave encerrava a fala ao público presente e ao online, visto ser parte de uma série de “vídeos inspiradores” para uma plataforma de vídeos.
    “... e concluo com essa proposição: há poucos séculos, a ideia de transmitir a voz humana por ondas invisíveis no ar soaria como ‘bruxaria’. E se, num futuro, dominarmos a capacidade de mover objetos com a mente ou criar coisas com palavras e gestos? ‘Bruxaria’ ou apenas um tipo de tecnologia? E além. Será que uma forma ‘bruta’ disso, sem computadores ou entendimento dos mecanismos físicos, já não era praticada por civilizações antepassadas? Obrigada”. Aplausos.

    O relógio no pináculo da praça marcava 20h quando duas crianças de rua pulavam em poças, dançando sob as grossas gotas. Roupas e cabelos ensopados, cantava qualquer coisa da moda. Estavam felizes, apesar da condição de pobreza.
    Dali a pouco a enxurrada encerraria prematuramente aquelas vidas frágeis.
    A âncora do jornal noturno provavelmente não teria notícias da história delas.
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    Mensagem por gaijin386 em Qui Mar 14, 2019 12:29 am

    22h. Num bairro tradicional, uma casa histórica, mas de aparência mal preservada, era açoitada por uivos quase lupinos – mesmo que criatura alguma os emitisse.
    O vento usava as frestas da construção antiga como um macabro instrumento de sopro, assobiando uma melodia melancólica.
    Raios escreviam ultrajes com letras ardentes. Insultos sobre cinza.

    A chuva castigava a casa...

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    Ezra suspirou e fechou com esforço a janela que instigada pelo vento batia com força suas contra suas estruturas era um vento terrível, mas isso não o abalou e assim que o ato foi realizado o albino ele finalmente poderia relaxar após um dia de trabalho na biblioteca onde estava auxiliando na catalogação de documentos antigos. Ele tirou o casaco com capuz que usa além do gorro que utiliza sob a cabeça e vai até a mesa comer o seu jantar enquanto a televisão despejava sua rotineira cota de informações em sua maioria sob desgraças do cotidiano. Viu as cartas sob a mesa e com um suspirar ele viu que o teto estava com uma goteira e após arranjar um balde ele se concentrou na tarefa de ler as cartas.

    Todas em suma eram propagandas ou contas exceto a ultima que era do advogado informando sob as condições da partilha dos bens de Levi Mendell, seu avô morto recentemente e o pivô do atual turbilhão de caos que está a família atualmente já que muitos discordaram sob a decisão do ancião em deixar a casa ancestral para Ezra. Malditos sanguessugas pensa Ezra sobre alguns de seus parentes o corpo mal foi enterrado e eles já estão tal qual abutres sob a carcaça... salvo o velho tio que ainda respeitava os demais eram abutres, mas pelo bem do status quo ele preferia manter as aparências.

    Ezra pensa sobre como sua família isolava o velho patriarca e o tratavam como um excêntrico a ser tolerado devido a riqueza da família ele olha agora os corredores vazios sem empregados da grande casa que tristemente se dilapidava ao seu redor o velho ao longo dos anos foi ficando cada vez mais estranho se enterrando em pesquisas de livros obscuros e falando com estranhos estrangeiros não aceitando ninguém a sua volta dizendo que iriam atrapalhar seu trabalho. A exceção foi Ezra devido a morte de seus pais o jovem na época com 16 anos foi morar com o avô na condição de servir-lhe de ajudante, mas o velho nunca revelou por completo o que estava procurando e pesquisando. Ezra ainda teria que mexer nos papéis trancados na antiga escrivaninha árabe no estúdio de Levi Mendell.

    Um novo trovão na rua e vento forte ... Ele pensou em que noite terrível era esta e bebeu um gole do suco de laranja que tinha em seu copo.
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    Mensagem por Lnrd em Qui Mar 14, 2019 7:19 pm

    Piscando em RGB, luzes policiais desfilavam atrás de um repórter que, lutando ao mesmo tempo contra uma capa plástica e um guarda-chuva, tentava narrar uma insólita prisão na zona Norte da cidade. “A famosa atriz Samantha Borges, de 60 anos, foi levada algemada...” – o sinal televisivo, sob a tempestade, começava a falhar, indo e vindo – “...testemunhas gravaram o momento exato em que ela, completamente nua, era cercada por policiais fortemente armados com...”. Subitamente, as imagens voltaram para a âncora no estúdio, que se apressou em desculpas pela perda da conexão ao vivo. “Em instantes voltaremos à frente da delegacia com mais imagens...”.

    Noutra tela próxima, a janela, gotas que começavam a bater mais violentamente eram enquadradas num cenário algo difuso do exterior, borrado, impressionista. Enquanto isso, insólitas sereias no vento, cantando não para atrair, mas para afugentar, continuavam a sinfonia soturna.

    A casa rangia.

    Independente de chuva, construções antigas tinham tal mau costume, seja por madeiras se acomodando a mudanças de temperatura, ratos correndo sorrateiros por entre espaços vazios, ladrões surrupiando em segredo ou quem sabe fantasmas conversando.
    Goteiras e móveis antigos não eram uma boa combinação.

    Sem importar-se com o que quer que passasse pela cabeça do jovem Mendell, uma mosca pousou ousadamente no prato de comida.

    De súbito, uma corrente mais violenta abriu a janela recém-fechada e, como se escarnecendo, correu para dentro da casa, espalhando as cartas que o rapaz lia.
    Uma delas caíra justo aos pés dele. Ainda fechada, provavelmente havia passado sem ser notada junto a alguma cobrança ou papelada sem importância.

    Sem selo.
    Sem remetente.
    Apenas um nome.
    “Ezra Mendell”.
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    Mensagem por gaijin386 em Qui Mar 14, 2019 11:32 pm

    Os sons que a casa antiga emitia sob as agruras do mau tempo faziam com que Ezra pensasse que era apenas uma questão de tempo até que essa casa desabasse sobre sua cabeça e ele sabia que devia começar uma reforma nas piores partes para prevenir isso. O pensamento é interrompido por mais um trovão que se fazia ouvir na noite e ao menos ele tinha um teto sob sua cabeça. Com um suspiro ele começou a jantar e a degustar a comida que até era boa contrariando as expectativas que Ezra tinha. Ele olha a televisão e percebe que a chuva estava interferindo no sinal e mentalmente torce para que não falte luz... Eu tenho velas e uma lanterna, mas realmente não quero que falte luz.

    O noticiário se fazia ouvir pela televisão ligada e Ezra enquanto comia podia ver as imagens da artista sendo presa e realizando uma demonstração de seu protesto despudorado o que leva Ezra a comentar enquanto a imagem era vista - Tudo pela arte? Ou é só um desejo de querer aparecer para não ser esquecida? O albino então estava finalmente relaxando comendo uma refeição comprada no supermercado próximo ao trabalho (Macarrão com queijo e carne) porém não poderia curtir este momento de paz por muito tempo pois a janela novamente se abriu com violência...

    Mas o que? Amaldiçoando em voz alta a janela que se abria com o forte vento Ezra foi até a mesma e a trancou novamente para então retornar a sua mesa. Ele viu a mosca na comida, mas agora sua atenção estava em outro lugar mais propriamente no envelope misterioso.

    Sem selo.
    Sem remetente.
    Apenas um nome.
    “Ezra Mendell”.

    Ele contempla o envelope pardo a sua frente sem emoção alguma em seu rosto e pegou o abridor de cartas, um de vários, mas qualquer um serviria para abrir ... Ele podia jurar que a carta não estava na pilha, mas então pensou que estava cansado e era muito plausível que tivesse ignorado o envelope.  - Por que ainda estou divagando? Abriu o envelope...
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    Mensagem por Lnrd em Sab Mar 16, 2019 11:06 am

    Não era nada além de um papel comum, da casta dos que acompanhavam, silenciosos, mais besteiras sendo postas neles do que coisas dignas de valor – seja no julgar dum coração ávido a alimentar paixões de amor ou violência com sinais às vezes inexistentes, seja no das mentes ansiosa por dar vasão às próprias preconcepções.

    Mas aquela folha, mensageira impotente se solta num clima daqueles, não tinha relevância.
    A mensagem o tinha.

    Ou deveria.

    De início, era claro o incomum da escolha: um escrito feito em hebraico, leitura quase cifrada para alguém sem iniciação, indicador de que quem escrevera tinha um leitor bastante preciso em mente.

    Em segundo lugar, era notável tratar-se de um texto à mão e à pena, caligrafia impecável de quem possuía treino no que fazia.

    Terceiro, o texto era ao mesmo tempo bastante simples, mas totalmente hermético.
    Numa tradução com certas liberdades, seria tal o recado:




    “Tens algo que deve ser entregue a mim,
    Se desejas honrar o legado de negócios de seu avô.
    Sou o Cliente 37”





    Impossível inferir qual “algo” estava sendo referido, tão pouco a identidade da pessoa – ou grupo representado – que assinava. Igualmente pesada, a ausência de qualquer orientação sobre como estabelecer contato.
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    Mensagem por gaijin386 em Sab Mar 16, 2019 9:09 pm

    Ezra não demora muito para ler afinal não era uma carta extensa e analisa seu conteúdo...

    “Tens algo que deve ser entregue a mim,
    Se desejas honrar o legado de negócios de seu avô.
    Sou o Cliente 37”

    Estas palavras não são muito claras a mim pensa Ezra, pois afinal meu finado avô não era completamente transparente em seus serviços prestados a outros sendo que ele recebia pessoas em seu estúdio e fechava a porta atrás de si e não revelava o que ocorria em tais reuniões.  - Cliente 37? O que significa isso? O que deve ser entregue? ele sacado o envelope para ver se havia algo mais dentro além da críptica mensagem...

    Em todo caso ele recolhe os pratos e joga fora os restos na lata de lixo lavando a louça no processo. Após desligar a televisão ele vai ao estúdio privado de seu avô para verificar a agenda de seu avô assim como seus arquivos. Ele pega o grande molho de chaves e após achar a que servia a porta trancada ele a destranca e acende a luz tendo acesso ao estúdio. Ele nunca entrar por completo no aposento sendo que geralmente levava as refeições ao avô ficando a porta e com isso apenas podendo vislumbrar parte do aposento como a grande escrivaninha árabe e a cadeira em estilo antigo. - Então devo começar então... Ele pega a agenda de seu avô e começa a ler a mesma.

    OBS: O personagem tem alguma reminiscência de algo relacionado a clientes que seu avô possa ter mencionado? ou ao numero 37?
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    Mensagem por Lnrd em Ter Mar 19, 2019 10:40 am

    Anotações pessoais de um homem de negócios falecido eram um bom ponto de partida investigativo nas brumas de um segredo. Isso uma vez que o envelope da carta realmente não dava mais nenhuma pista além do fato de, diferente de todas as outras, não possuir selo do correio.
    Fosse quem fosse, estivera – ou mandara alguém – pessoalmente à porta da velha mansão Mendell. A perspectiva de stalkers que não só soubessem detalhes como as línguas que você fala, mas que tivessem pisado na soleira da sua porta – ou mais que isso, quem sabe –, podia ser perturbadora.

    Ficheiros de clientes, livros de entradas e saídas de estoque, balanços financeiros... todos esses diferentes itens (e muitos outros menos rotineiros) não deviam ser estranhos a um escritório daqueles, estando guardados em algum lugar, acessível ou não. Uma agenda era um começo promissor.
    Mesmo que não se revelasse o esperado.

    Havia nela uma lista de clientes, nomes corriqueiros ou exóticos, contatos e observações, às vezes claras – sempre oferecer louça antiga – ou mesmo vagas – 4x7.
    O importante é que havia algumas ausências notáveis naquele caderno. De fato, havia uma série de números sem relação aparente – 11, 17, 20, 23, 28, 30, 37, 43, ... – que não constavam. Ao menos daquela agenda.
    Havia muito a procurar, depender do quão comprometida uma pessoa estivesse a encontrar algo. Estantes, armários. Só as opções visíveis já eram largas o suficiente.

    Obs.: por enquanto, não. Smile
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    Mensagem por gaijin386 em Ter Mar 19, 2019 1:05 pm

    A chuva incessante continuava a castigar a construção do lado de fora e bem Ezra sempre gostou de chuva, pois isso lhe causa introspecção e era isso que ele precisava neste momento para ajuda-lo a concentrar-se na busca.  

    Páginas faltantes? Por que faltam páginas? Levi as teria arrancado? Mas por que? São perguntas que se passam na mente de Ezra neste momento - Bem talvez ele as tenha guardado em outro lugar isso se foi ele que as tirou. Ele conclui consigo mesmo.

    Ezra parecia cansado só de observar o aposento já que sentia que passaria um bom tempo "fuçando" entre as diversas possibilidades, porém como seu avô lhe dizia - Roma não foi feita em um dia meu garoto... ele devia ser perseverante e procurar. - Acho que vou começar pelas gavetas da escrivaninha e depois veremos o que fazer ... Quem sabe seja melhor também fazer um café... Porque isso vai demorar.

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    Mensagem por Lnrd em Qua Mar 20, 2019 12:02 pm

    Era difícil como navegar por uma biblioteca na qual o princípio organizativo não está claro. Quase qual um famoso romance sobre livros, padres e rosas.
    Mais provável que fosse uma sobreposição de sistemas, com assuntos pessoais e questões de negócios; problemas familiares e divagações filosóficas. Era sempre difícil remontar a mente de uma pessoa partindo daquilo que ela havia deixado para trás. Mas Ezra tinha a vantagem de conhecer o avô.

    Bem dizer, não era nem certo que precisasse estabelecer conexões entre todos os itens ali, alguns achados dignos de nota, mas que talvez não ajudassem diretamente ao mistério do 37.
    Eram curiosidades para um outro momento. Precisava descartar encantos e distrações.

    Um pequeno objeto, porém, trazia uma pontada na intuição: uma chave de dimensões reduzidas, pouco provavelmente pertencendo à entrada de um aposento. Devia abrir algo menor. Não apenas, tinha uma pequena fita vermelha presa – se simbolizando algo ou apenas ajudando a visão de um senhor de idade, era difícil deduzir.

    Havia também um caderno de protocolo, entradas e saídas de produtos negociados, tendo o nome do patriarca em letras pintadas de dourado. Algo muito mais entediante que outras coisas à mão, mas possivelmente útil.
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    Mensagem por gaijin386 em Qua Mar 20, 2019 5:19 pm

    A impetuosa chuva continuava a castigar a casa com o retumbar dos trovões do lado de fora que equivaliam aos gritos de alguma divindade em fúria por algo não sabido, mas a nós meros mortais a guisa de seus caprichos continuamos com nossas vidas e seguimos em frente. Ezra observava o que podia aqui e ali e algo lhe chama a atenção, pois não se recordava de ter visto tal objeto antes...

    Um pequeno objeto, porém, trazia uma pontada na intuição: uma chave de dimensões reduzidas, pouco provavelmente pertencendo à entrada de um aposento. Devia abrir algo menor. Não apenas, tinha uma pequena fita vermelha presa – se simbolizando algo ou apenas ajudando a visão de um senhor de idade, era difícil deduzir.

    O colocou na palma da mão e o analisou com cuidado procurando ver se havia alguma gravação no metal de chave que talvez indicasse sua função e também se na fita não havia algo escrito, com certeza ele sabia que tal chave não serviria para abrir uma porta dadas suas diminutas dimensões. Após sua analise ele a colocou no bolso e continua a observar.

    Havia também um caderno de protocolo, entradas e saídas de produtos negociados, tendo o nome do patriarca em letras pintadas de dourado. Algo muito mais entediante que outras coisas à mão, mas possivelmente útil.

    A atenção de Ezra se voltava para o caderno agora posto sob a mesa e que se não fosse pela críptica mensagem recebida a ele não teria importância, porém como a misteriosa mensagem afirma que seu remetente é um cliente talvez ocorra alguma menção neste livro então o mesmo será analisado.

    -Deve ter algo útil aqui ... Acum in meta foeni quaerere ... De fato meu avô dizia isso em latim é como procurar uma agulha no palheiro. Ele folheia a caderneta.
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    Mensagem por Lnrd em Sex Mar 22, 2019 11:23 am

    Tempo investido, horas perdidas. Processo resultara apenas em frustração - ao lado de fora, a chuva aumentava, fazendo as luzes vacilarem de tempo em tempo.

    Apesar da esperança inicial, o livro de protocolo revelara-se outro beco sem saída. Fosse quem fosse, não era naquelas folhas ao alcance de qualquer pessoa que o avô guardava informações sobre clientes VIPs. Mas ali era o escritório dele. Tal era o tipo de coisa que precisava estar à mão.
    Havia, todavia, algo estranho nas anotações presentes, todas notadamente na caligrafia que Ezra bem conhecia. O padrão do controle exibia quase sempre o número do cliente e o do lote, seguido das datas de chegada (ao porto), retirada (a recuperação dele junto às autoridades) e saída (o despacho ao destino final dos itens). Quase. Aqui e acolá, a primeira coluna encontrava-se vazia. Um homem como patriarca Mendell não era exatamente desleixado para esquecer de preencher um detalhe tão importante. Talvez fosse a vontade dele manter ocultos os destinatários de certas transações.
    Justamente uma dessas encomendas permanecia em aberto, provavelmente ainda na alfandega esperando que o empresário, agora falecido, reclamasse o conteúdo. Tivesse ou não relação com o caso 37, era algo que precisava ser reavido, ou seria digerido pelo estado, acabando em algum leilão de quinquilharias do governo - quando não "perdido" como nos corredores da burocracia, aparecendo novamente como souvenir de alguém com gosto duvidoso para decoração.
    A possibilidade de algum livro, pergaminho ou similar desviando-se do curso da história e perdendo-se entre ignorantes poderia ser perturbador a qualquer pessoa aficionada pela recuperação e preservação de relíquias do passado.

    Poderia, é claro, ser apenas um tapete cujo destinado ao piso da sala de alguma celebridade bastante brega - essa explicação, porém, não justificaria tanto segredo.

    A alfandega estaria aberta?
    Provavelmente alguém estaria lá, no caso da chegada noturna de alguma embarcação.
    Uma pena que aquela noite não fosse o momento mais propício para incursões de resgate - sem falar que o caminho até o porto novo não era exatamente seguro.
    Quanto à chave, ordinária como qualquer outra, sem marcas ou distinções, dois caminhos abriam-se: ou tentar deduzir logicamente a qual fechadura pertenceria, tentando deduzir o funcionamento da mente do avô ou... começar a testar todas as gavetas, armários e outras portinholas suspeitas.
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    Mensagem por gaijin386 em Sex Mar 22, 2019 8:43 pm

    A chave em si por suas dimensões não serviria para uma porta, porém poderia e poderia ser de uma gaveta ou caixa neste caso também era importante prestar atenção a objetos com essa particularidade e ele a gira no bolso.

    Pôs o caderno sobre a mesa novamente e balançou a cabeça negativamente já que por hora o pequeno livro não seria útil, porém o detalhe era importante algo estava na alfandega para ser retirado e bem agora com a morte de seu avô o tramite estava num impasse e se demorasse o governo poderia intrometer-se e isso não era o ideal dependendo do que havia na encomenda, porém Ezra não poderia permitir que o legado de Levi Mendell fosse manchado com o não cumprimento de obrigações pendentes. Ele devia verificar o assunto o quanto antes, porém ao olhar a chuva incessante do lado de fora a essa hora da noite e a ideia de dirigir com esse mau tempo até o porto o contra estimulavam, porém precisava certificar-se então pegou o telefone no escritório e ligou para alfandega portuária para verificar se lá ainda alguém estava e esperou que alguém atendesse ou que a ligação caísse.


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    Mensagem por Lnrd em Sab Mar 23, 2019 11:14 am

    A espera é longa, mas não em vão. Arrastada pela insistência do toque, uma voz sonolenta e um pouco rabugenta se faz ouvir na linha de telefone. O funcionário se identifica, um nome qualquer, pouco digno de nota, apresentando-se como parte do setor de Retiradas. Qualquer coisa já desembarcada e pronta para ser recebida estaria aguardando lá – tirando aquilo que “caducasse” e fosse tomado pelo estado.
    - Em que posso ajudar?

    Era possível ouvir a ressaca do mar, ondas quebrando sobre a costa.
    Um clima daquele devia ser o tipo de coisa que levava certos povos a acreditarem em monstros e deuses zangados.
    Por sorte, era sabido que aquelas coisas não existiam. Não naquela realidade.
    Fantasmas e noturnos eram apenas contos infantis - ou franquias cinematográficas.
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    Mensagem por gaijin386 em Sab Mar 23, 2019 1:15 pm

    Enquanto o telefone fazia seu trabalho Ezra olha para o lado e via as estantes com livros o velho relógio sobre o console de lareira e os quadros na parede alguma paisagens, outros figuras históricas e claro um retrato do próprio Levi Mendell ao estilo de Peter Paul Rubens em um lugar de destaque ... Um pouco de vaidade do próprio avô, mas bem basta de divagação alguém atendeu do outro lado da linha... Enquanto a chuva continua lá fora.

    Ezra estava em pé com o telefone e já pensava em desistir e ligar na manhã seguinte quando atenderam do outro lado - Sim você pode só gostaria de uma informação se um pacote foi recebido e quanto tempo tenho para retira-lo e se preciso de uma van ou pode ser pego de carro. Eu tenho o manifesto numero ... Ezra passa as informações e espera que o funcionário diga mais informações sobre a encomenda.
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    Mensagem por Lnrd em Sab Mar 23, 2019 3:34 pm

    A ligação se arrastara. Seja pela indisposição do mau-humor, seja por dificuldade de localizar o lote, o "só um minuto" prometido pelo atendente sonolento demorara bem mais.

    Quando voltou a falar, trazia notícias que caberiam a Ezra interpretar como boas ou más: a encomenda, descrita como "é uma caixa de madeira. É grande, mas cabe num porta-malas sim" estava lá e estava intacta, apesar de escondida sob outros pesos – era um lugar de trabalho braçal bruto, afinal. Se as embalagens não fossem fortes o suficiente, ninguém assumiria a culpa por algo manejado sem supervisão. Lucro acima de qualidade.

    A declaração alfandegária do conteúdo, resumia o relatório lido pelo funcionário, dizia apenas "garrafas de vinho importado" – o que fazia pouco sentido em vista de todo o mistério sobre o cliente 37.

    Além de tudo, o prazo final de retirada era simplesmente o meio dia do dia seguinte, limite bastante corrido.
    Difícil saber se valeria o esforço ou mesmo se seria possível retirar o conteúdo. De toda a forma, era a única pista àquela altura.


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    Mensagem por gaijin386 em Dom Mar 24, 2019 2:11 pm

    Bem seja com for posso pega-la no período da manhã onde com certeza a chuva se abrandaria e já que trabalhava a noite não precisaria ter pressa. Pensou Ezra assim que se despediu do funcionário alfandegário e separou o papel para o dia seguinte agora podia investigar um pouco mais o escritório, não com pressa, mas com calma.

    Olhou vendo as estantes e por fim os quadros e uma curiosidade infantil lhe tomou a mente será que não haveria algo atrás de um deles? Algo como um cofre ... E bem ele foi executar esta ideia e ficou ao mesmo tempo pensando se seu avô não possuía alguma caixa pequena para qual a misteriosa chave pudesse servir.
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    Mensagem por Lnrd em Ter Mar 26, 2019 7:51 pm

    Quase em zombaria, a resposta mais simplória pode mostrar-se a mais correta. Clichês existiam para isso.

    Atrás de uma pintura estampando a própria face do velho Levi, repousava um cofre de ferro bastante simples e de dimensões reduzidas, cuja chave da escrivaninha encaixava facilmente num mecanismo um tanto quanto desgastado. Levando em conta que um ladrão com ferramentas simples o violaria sem maiores complicações, o que quer que estivesse lá dentro devia merecer o segredo, porém dificilmente seria tão valioso ou importante assim.
    Ou isso, ou o avô de Ezra perdera um pouco a noção das coisas bem antes de falecer.
    Haveria na acabada mansão um lugar outro reservado a coisas realmente dignas de precaução?
    A pergunta teria de esperar.

    No interior da caixa de metal escuro era possível ver uma caderneta preta, quase completamente cheia, onde constavam movimentações de um grupo seleto clientes no qual incluía-se quem quer que atendesse pelo número 37.
    Numa nova frustração de expectativas, não havia nomes ou contatos ali. Nenhuma identificação precisa. Uma investigação policial - negócios familiares ilícitos? - teria pontos de partida, mas nenhuma revelação de mão beijada. O anonimato daquelas pessoas permaneceria preservado, um compromisso juramentado que o patriarca manteria mesmo enterrado.
    Mas havia bastante a se deduzir dali.

    Os negócios com 37 remontavam a muitos anos, uma relação das mais antigas daquele caderninho – nada garantia que não estivesse também em um anterior àquele.
    Não era um contato a ser deixado na mão.

    A movimentação de compra era intensa e as procedências – cuidadosamente escritas não só nas linguagens arcaicas que tanto ele quanto o neto gostavam, mas com os territórios em nomenclaturas já em desuso, desafiando ainda mais olhos não treinados – as mais variadas, tocando todos os continentes.
    Os lotes não vinham abertamente declarados, ou acompanhavam descrições um tanto quanto banais, talvez de fachada. "Louças", "prataria" etc. Apenas mais mistério.

    Outra conclusão possível era de que, ao menos de algum tempo para cá, as encomendas eram entregues ao destino final no mesmo dia em que retiradas do porto. Obviamente que um jatinho poderia encurtar a distância entre Levi e 37, mas o mais provável – somando-se à falta de selo da carta – aquela figura ou organização oculta estivesse agisse em Santa Dômina.

    Junto àquele item, um bilhete, um conselho, dirigido a Ezra.


    “Espero ter me tornado imortal através do meu legado – você.
    Tentado pelos filhos de Antiapóstolos, você terá também de fazer escolhas.
    Espero que as faça sabiamente.”


    Estava datado de pouco antes da partida do ancião, escrito no verso de um souvenir de museu, uma miniatura em papel cartão de um quadro de Pietro Novelli no qual um homem preparava-se para atacar um segundo, já caído, que tentava defender-se. Caim matando Abel.


    Por fim - e não menos importante -, um revólver.
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    Mensagem por gaijin386 em Ter Mar 26, 2019 9:57 pm

    Ao tirar respeitosamente o quadro de Levi Mendell da parede ele contemplou que atrás da pintura repousava um cofre de ferro bastante simples e de dimensões reduzidas - Enfim a sorte grande. Agora estamos começando a chegar em algum lugar... Diz em voz alta e ao experimentar a chave ele sorriu em ver que a mesma abriu a caixa e ao retirar seus conteúdos colocando-os sob a mesa estranhou o revolver Uma arma? Meu avô sempre detestou a violência ainda mais por armas de fogo e mesmo assim cá está uma. Ele pensa e começa a analisar os documentos da caixa.

    No interior da caixa de metal escuro era possível ver uma caderneta preta, quase completamente cheia, onde constavam movimentações de um grupo seleto clientes no qual incluía-se quem quer que atendesse pelo número 37.

    Numa nova frustração de expectativas, não havia nomes ou contatos ali. Nenhuma identificação precisa. Uma investigação policial - negócios familiares ilícitos? - teria pontos de partida, mas nenhuma revelação de mão beijada. O anonimato daquelas pessoas permaneceria preservado, um compromisso juramentado que o patriarca manteria mesmo enterrado. Mas havia bastante a se deduzir dali.

    - Meu avô manteve a discrição em suas anotações, não há como saber quem é o tal 37, mas bem pelo que parece ele está acostumado a receber logo. Vou fazer a ultima entrega por questão de integridade e respeito aos acordos, mas depois não mais. Pensa Ezra vendo as anotações para constatar que a caixa na alfandega era a caixa de 37.

    Ezra não sabia como contatar o numero 37, mas o mesmo teve a audácia de colocar uma mensagem em sua caixa de correio então era o meio pelo qual ao menos poderia deixar um recado. Ele voltou a mesa e munindo-se de papel de carta ele escreveu.

    “O legado será honrado e o que é de 37 será entregue a 37, porém não há instruções do local de entrega... Favor mais detalhes.”

    Ao terminar o bilhete ele coloca a mensagem no envelope sem remetente ou selo e o lacra com cera de vela e o sinete.

    Ele pega a arma e verifica se a mesma está carregada colocando-a no bolso do sobretudo ele o veste e sai na chuva até a caixa de correio e lá coloca o envelope...

    As ultimas linhas de Levi eram tocantes e bem inspiradoras.

    “Espero ter me tornado imortal através do meu legado – você.
    Tentado pelos filhos de Antiapóstolos, você terá também de fazer escolhas.
    Espero que as faça sabiamente.”  

    Ezra então vai fechar bem a porta da frente e verificar se todas as janelas estavam trancadas assim como a porta dos fundos e logo após terminar tudo ele vai novamente ao escritório ler a agenda com mais atenção e quando finalmente sentir-se cansado ele vai recolocar a pintura em seu lugar e levar a caixa consigo para seu aposento de dormir e após tratar da higiene acertar o despertador para seis horas da manhã e também o arrumar o do celular caso o primeiro dê algum problema.

    O som das agua sob o telhado era muito terapêutico para insânia e Ezra adormece...
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    Mensagem por Lnrd em Qui Mar 28, 2019 1:14 pm

    A claridade difusa daquela estranha hora suspensa entre noite e dia trazia uma fachada pacífica àquele belo monstro que era Santa Dômina. A bile da vida ainda não corroía os humores.
    Ao menos não naquela área.

    Na periferia do sistema ainda era escuro quando os primeiros fluxos assomaram, bolhas prematuras da fervura daquele caldeirão que, certamente, queimaria muita gente até acalmar-se novamente. Lá, os vestígios da tormenta eram preocupantes, com várias zonas de alagamento, lixo e doenças transbordando. Cólera. Dengue. Móveis e esperanças perdidos. Dentro em breve era certo jornais estampando manchetes trágicas e programas de TV explorando o choro de gente humilde, enquanto autoridades enriquecidas davam as mesmas desculpas de sempre..

    À frente da casa Mendell, a situação não era tão ruim. Apesar duma árvore tombada, tomando parte da rua, não havia maiores danos à livre circulação. Prova disso fora o ronco alto e irritante dum automóvel que passara veloz, acompanhado duma música estrondante e repetitiva. Provavelmente alguns "mauricinhos" terminando o turno festivo àquela altura, pouco preocupados com as pessoas que bebiam.
    Ao contrário de Ezra, não tinham um legado a honrar.

    No interior da caixa de correio, a carta reversa permanecia aguardando quem a buscasse. Talvez precisasse de mais tempo para provar-se um plano efetivo.
    Não só ela, mas tudo continuava como anteriormente deixado, das janelas fechadas ao inesperado revólver de Levi. O que teria levado uma pessoa avessa à violência como ele chegar a tal extremo de ter um revólver carregado à mão?

    Só restava agora partir em direção à promessa feita: o terminal náutico, o porto novo.
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    Mensagem por gaijin386 em Qui Mar 28, 2019 9:33 pm

    Ezra acordou com o despertador tocando e verificou que estava no horário que planejava e que ao menos a chuva abrandara. Rapidamente constatou que as portas e janelas estavam como ele deixara e isso era bom ... muito bom. Ele se dirigiu a cozinha para um reforçado café preto com ovos, pois teria um dia atarefado pela frente. A caixa estava com ele na mesa enquanto tomava café e ele verificou a arma e constatou que a mesma estava carregada e procurou por mais balas dentro da caixa e guardou posteriomente.

    Ao sair pela porta da frente ele também constata que seu recado ainda estava na caixa de correio ... - Bem ainda tenho muito o que fazer. Ele pegou a chave do carro e desativou o alarme, não era um carro novo, porém era estiloso.

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    Ao dar a ignição ele partiu em direção ao porto para retirar a misteriosa caixa e assim poder entrega-la ao numero 37 dando fim a este mistério.
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