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    Uma Antessala Vermelha - Letícia

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    Mensagem por Lnrd em Dom Mar 17, 2019 10:35 am

    Baía de Santa Adelina: a pequena pílula âmbar foi empurrada, ajudada pelo gole duma vodka várias vezes mais cara que um coração na deep web, da ponta da língua ao fundo da garganta. O mundo pulsou num formigamento colorido, colocando um sorriso no rosto do garoto, menor de idade. Não que aquilo fosse problema. Não com os pais que tinha. A única preocupação dele era acertar o caminho da Vox, a melhor boate das 2h30 às 3h30.
    Não que existisse algum demérito noutro horário, mas gente como ele não passava a noite inteira no mesmo lugar e aquela boate – que vinha flutuando até a baía – era o destino de quem importava.
    Mais cedo, coagira o piloto do helicóptero a deixa-lo no comando por alguns minutos, o que não afetara o leve voo entre a casa da ilha Elizabeta e o continente.  

    A irmã, no banco de carona, exibia às amigas a arma que ganhara, apesar de não lembrar a ocasião. Pedido de desculpas, lembrança de viagem ou mimo da avó? Fosse o que fosse, era uma arma pesada, o que estranhara as outras. “Prefiro assim. Se fosse pra matar, mandava o guarda-costas fazer”.
    Não que alguém ali soubesse o real peso de tirar uma vida.


    Linha Azul do Metrô: era o mais longo dos trajetos, atravessando não só a zona Leste, mas também a Norte da cidade. Não era comum aquela quantidade de gente tão tarde, mas tal era justamente a proposta da “Incomum”, festa que, depois de ocupar túneis, galpões abandonados, praças e outros sítios “alternativos”, experimentava uma edição nos vagões finais do transporte subterrâneo.
    Uma ou outra pessoa tentando voltar para casa parecia incomodada com a invasão. Uma ou outra pessoa em situação de rua, usando o veículo como local de descanso, parecia perturbada pela intromissão.

    A falta de autorização de qualquer órgão responsável – ou mesmo da polícia – não parecia ser incômodo, uma vez que pretendiam simplesmente curtir até quando fosse possível, indo e voltando entre as pontas do túnel. “Cara, vai devagar que só tenho essa!”, disse um rapaz de skate a tiracolo, lidando com uma preocupação bastante prática, dada a falta de um “bar” disponível.
    Após um “desculpem qualquer coisa”, a pequena banda convidada começava a improvisar uma apresentação naquelas condições precárias, animando uma das seções que sacudiam no balanço suave do trajeto; noutra, um grande som portátil, montado na garupa duma bicicleta customizada, era a voz à setlist de um DJ estiloso; havia ainda quem, de maneira mais espalhada, tocasse um ou outro instrumento, cantando qualquer canção famosa noutra parte do corpo da grande serpente.
    A diversão juvenil era acompanhada uma drag queen em negro, maquiagem e barba escuras, bebendo e beijando do que lhe fosse oferecido. A postura dela encarnava o clima descompromissado do momento. Havia algo de profundamente hipnótico naquela criatura enigmática, algo punk, algo gótica.


    Cidade Baixa: o GastrôBoteco era um ambiente cuidadosamente calculado para parecer uma espelunca de beira de esquina – tirando a parte do ar-condicionado e do sistema de som de alta qualidade.
    No balcão, dois rapazes de barbas escovadas e blusas quadriculadas discutiam o aroma da straight lambic artesanal que tomavam. Havia dúvida se ela era a melhor harmonização com a linguiça especial apimentada, com recheio de queijo, que comiam num pratinho de papel reciclado.
    Era a “RetroNight” e o primeiro cover dos anos 1980 tirava os equipamentos do palco para cedê-lo à próxima atração.
    Após a liberação do uso recreativo de drogas, a procura por blends especiais pela classe média aumentara enormemente, de forma que provavelmente havia algum dinheiro que valesse a pena em caixa.
    Ou assim pensavam os três assaltantes que aguardavam para iniciar uma ação lá.


    Centro de Artes Angelique Signourete: Radiance era uma figura bela e ímpar. Hipnótica. Rosto andrógino e curvas fartas, era difícil definir se aqueles seios eram frutos de estrogênio do próprio corpo ou apenas acúmulo gorduroso. Executava uma performance simples, mas tocantemente eficiente – alinhando, num abraço, a própria respiração à de pessoas pegas aleatoriamente, conduzia-as a uma profusão de lágrimas catárticas.
    Isto é, antes da vernissage.
    Curadores, artistas, marchands e personalidades, visões tão exóticas e diversificadas quanto a vida num colorido coral, bebiam champagne verdadeiro de taças de cristal quanto comentavam as obras expostas – soubessem ou não do que falavam.
    Num dos banheiros, um jovem garçom chorava compulsivamente após o tapa dum supervisor. Não que isso atrapalhasse a animada conversa entre dois distintos cavalheiros que usavam o mictório.


    Centro Antigo: o “F1” era literalmente uma borracharia durante o dia. Findo o expediente, era utilizado para uma festa bastante underground. O ambiente pouco propício – peças de carro nas paredes e chão bastante sujo de graça – convidava à ocupação não só o interior do estabelecimento, mas da rua que dava para a parte inferior um viaduto.
    No precário palco, alternava-se entre um sarau de poesias, música ao vivo e vídeo-projeções musicadas.

    Já cheio, pretendia mais animação caso a nômade “Incomum” não durasse tanto. A bem dizer, como um point conhecido, não era de se espantar se artistas mais in chegassem lá após qualquer coisa que estivesse acontecendo no “Angelique” ou mesmo se a Cidade Baixa não estivesse boa para o GastrôBoteco. “Des-selecionado” era um adjetivo comum ao F1, misturando gente muito, muito – a maioria ali vestia-se para afrontar, sendo fácil achar alguém de maquiagem e produção pesadíssima ao lado de alguém literalmente de pijamas. Ou alguém de gosto bastante despudorado ao lado de uma vitrine coberta dalguma imitação arrojada de alta costura – ou mesmo alguém da alta costura sob disfarce, tomando notas para copiar a “moda da rua”.
    Não era um lugar para pessoas fracas. Vizinhança perigosa, não era recomendado afastar-se da multidão. Ao menos se você não fosse “da área”.
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    Mensagem por nahna em Ter Mar 19, 2019 9:13 am

    @Lnrd escreveu:Centro Antigo: o “F1” era literalmente uma borracharia durante o dia. Findo o expediente, era utilizado para uma festa bastante underground. O ambiente pouco propício – peças de carro nas paredes e chão bastante sujo de graça – convidava à ocupação não só o interior do estabelecimento, mas da rua que dava para a parte inferior um viaduto.
    No precário palco, alternava-se entre um sarau de poesias, música ao vivo e vídeo-projeções musicadas.

    Já cheio, pretendia mais animação caso a nômade “Incomum” não durasse tanto. A bem dizer, como um point conhecido, não era de se espantar se artistas mais in chegassem lá após qualquer coisa que estivesse acontecendo no “Angelique” ou mesmo se a Cidade Baixa não estivesse boa para o GastrôBoteco. “Des-selecionado” era um adjetivo comum ao F1, misturando gente muito, muito – a maioria ali vestia-se para afrontar, sendo fácil achar alguém de maquiagem e produção pesadíssima ao lado de alguém literalmente de pijamas. Ou alguém de gosto bastante despudorado ao lado de uma vitrine coberta dalguma imitação arrojada de alta costura – ou mesmo alguém da alta costura sob disfarce, tomando notas para copiar a “moda da rua”.
    Não era um lugar para pessoas fracas. Vizinhança perigosa, não era recomendado afastar-se da multidão. Ao menos se você não fosse “da área”.



    A banda tinha tocado em uma boate pequena não tão longe dalí, e ao término do show, Letícia e Marcela despediram-se dos demais.
    Marcela queria contar detalhes de sua vida e conversar outros assuntos mais, e propôs para Letícia irem para um lugar "top" que ela conhecia.
    Como havia sido noite de show, estavam mais produzidas que de costume... Letícia estava maquiada, e vestia-se com uma calça justa preta, top preto, e uma camisa semi-transparente branca, calçando uma sandália de salto médio, de tiras.

    Pegaram cervejas, e ficaram conversando na parte interna do lugar. Letícia interessou-se imediatamente pela variedade de estilos e pessoas presentes.






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    Mensagem por Lnrd em Qua Mar 20, 2019 11:28 am

    Uma Antessala Vermelha - Letícia P210

    “Eu corri da minha casa [...] Da minha mãe que me assombra, mesmo tendo ela já partido. Da minha filha que nunca dorme.
    Eu corri do barulho e do silêncio [...] para a chuva que emaranhou meus cabelos e encharcou meus sapatos e pele. Escondeu minhas lágrimas, escondeu meus medos
    Eu corri para a floresta, eu corri para as árvores. Eu corri e corri, eu estava procurando por mim.”


    No palco, uma jovem movia-se de maneira serpentina, recitando cadenciadamente uma poesia algo mórbida. Era difícil não prestar atenção nela.
    Tinha de fundo experimentações eletrônicas ao vivo e a projeção de um filme em P&B. Inesperadamente, a suave bruma da enorme variedade de cigarros na plateia ajudava o clima da apresentação.
    - Camomila, tabaco, cannabis, alecrim – anunciava uma senhora de uns 60 anos, carregando o suporte que servia de mostruário preso ao corpo.

    A festa já havia começado bem antes do show da banda de Letícia ter terminado e das duas amigas terem pisado no F1.

    Ao um lado delas, uma cestinha na qual lia-se “brownies mágicos = 10 dinheiros”. Do outro, um grupo algo deslocado, mas muito bêbado – pareciam saídos de um buffet de formatura – juntara os paletós numa cadeira e dançava bem próximo.


    “[...] Para o alto da colina, eu corri para o cemitério. E segurei minha respiração, e pensei sobre a minha morte.”


    “Eu acho muito ruim essa sugestão de você se inscrever em algum programas de talentos”, disse, entre um gole e outro, Marcela. Parecia estar remoendo algum assunto antigo.
    - Eu sei, TV pode parecer uma boa divulgação, mas você ficaria marcada para sempre como “a garota do concurso”. Não acho que você perderia, mas se perdesse, seria ainda pior. E eles tem um perfil muito pasteurizado. O negócio é investir em clipes mais intimistas, sem precisar de muita produção. Olha esse show aí” – Era um pouco difícil se escutarem, mas ela parecia não se importar tanto.


    “E eu vi as tumbas em ruínas. Todos os nomes esquecidos.
    Eu provei a chuva, eu provei minhas lágrimas.
    Eu amaldiçoei os anjos, eu provei meus medos.
    E o chão desapareceu debaixo dos meus pés. E a terra me tomou nos braços dela.
    Folhas cobriram minha face. Formigas marcharam pelas minhas costas.
    Céu negro abriu-se, cegando-me.”


    Uma Antessala Vermelha - Letícia 15386410

    Dentro e fora, o fluxo de gente continuava aos poucos: fantasias de carnaval e roupas de brechó; couro e biquínis; “gangsta street-wear” norte-americana e lã crua com chapéus de palha. Era difícil entender a lógica interna daquela situação além de um “faz o que quer”.


    “E eu cheirei a carne queimada dela. Seus ossos apodrecendo. Sua deterioração.
    Eu corri e eu corri. Eu estou correndo ainda”


    O fim daquela etapa do sarau pós-moderno tinha chegado. Aplausos e depois alguns risos quando certa ironia fora revelada: aquele poema sinistro fora escrito por Madonna.
    Nada podia ser mais a cara aquele lugar que aquilo, colisões inesperadas.
    Do palco, os olhos da artista estavam cravados em Letícia, um ar analítico neles.


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    Mensagem por nahna em Qua Mar 20, 2019 2:04 pm





    Letícia estava quase embriagada por aquele ambiente incomum. O lugar era fantástico, quase como se tivesse atravessado as brumas para Avalon, como nos livros que gostava de ler. Estava se esforçando para ouvir Marcela, mantendo-se próxima, mas o conjunto de barulhos dos diferentes ambientes do lugar atrapalhavam um pouco.

    "- Eu também acho que um concurso deixaria um estigma assim, mesmo que desse um pontapé inicial e uma quantia boa... Mas tem tantos meios hoje..." - Diz ela respondendo o pouco que ouviu.
    "- Até se não ganhar deve ficar a impressão também de que não era boa o bastante nem pro concurso!" - Faz cara de desgosto, bebendo sua cerveja do gargalo.

    Apesar de continuar passeando os olhos pelo lugar, prestava maior atenção na poesia mórbida no palco, pela proximidade e pelo ritmo que recitava.

    "- E hoje em dia é tudo youtube... youtube... nem TV se assiste mais... Fica mais fácil fazer alguma produção e jogar na internet..." - Disse concluindo após o gole.
    "- Como eu ainda não conhecia esse lugar?" - Sorrí para Marcela.
    "- Faz tempo que você vem aqui?"

    Ao fim da poesia, Letícia aplaude junto com os demais, também surpresa com a revelação sobre a autora.
    Ao perceber os olhos da artista sobre ela, dá um sorriso simpático.






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    Mensagem por Lnrd em Sex Mar 22, 2019 12:19 pm

    Marcela depositou, algo teatralmente, a garrafa de bebida sobre o balcão (cuja estrutura de maneira e vidro deixava antever uma vasta gama de produtos à base de graxa). Adquirira um tom pateticamente solene, como se uma autoridade eclesiástica prestes a professar alguma verdade oculta sobre a humanidade.
    - Pois então... eu já te chamei pra cá, mas a senhora estava muito ocupada tendo uma visa amorosa melhor que a minha e... que foi?

    A jovem interrompeu a própria palhaçada e, sem a menor cerimônia – talvez por estar também um pouco alta –, virou-se para trás, guiada pelo sorriso de Letícia. Percebendo automaticamente a mancada, tentou disfarçar da melhor maneira que pode o estrago já feito.
    - Eu amo essa garota. Sério. Você acredita que ela, na vez passada, muito plenamente quebrou o braço de um idiota, pegou a cerveja dele e saiu como se nada tivesse acontecido? - Ela própria sorria agora, dando um gole em homenagem ao ocorrido.

    O relato dela quase ocultara o fato de que a poetisa, após alguns abraços de agradecimento à plateia, caminhava segura na direção das duas. Movia as mãos como se fossem pequenas asas brincando suavemente com uma brisa inexistente, círculos e espirais duma dança inusitada.

    Foi quando, de subido, deteve o movimento.

    Um burburinho pareceu correr a festa, como vento sobre o campo. Talvez fosse apenas o vácuo entre a troca de palco, mas o ambiente pareceu mais silencioso por alguns instantes, mudança na pressão entreatos.

    À degradada porta da borracharia, encontrava-se de pé Radiance Stella Sóllare, performer de renome na cena artística que, coincidentemente, acabara de se apresentar no conceituado Centro de Artes Angelique Signourete.
    Para quem fizesse ideia daquilo, significava um grande choque de realidades, apesar de não haver desconforto na figura na entrada.

    Obviamente, não se esperava que todo mundo ali soubesse de quem se tratava, mas – ainda mais que a mulher que acabara de se apresentar – algumas pessoas pareciam simplesmente solares, podendo causar aquela impressão de atrair para si todos os olhares.
    Mesmo que, no caso de Radiance, isso se traduzisse num certo tipo de doçura.

    Mas ímãs possuíam polaridades, isso era certo.
    A moça que acabara de se apresentar simplesmente desaparecera.

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    Mensagem por nahna em Sex Mar 22, 2019 2:28 pm





    Quando Marcela colocou a garrafa sobre o balcão, Letícia já riu... Sabia o que vinha à seguir... Mas acabou ela mesma se interrompendo para ver onde estava sua atenção.
    Ouviu o relato da amiga sobre a atitude da poetiza, e admirava mulheres fortes assim... Era uma forma como ela mesma queria ser vista em um momento futuro... e acompanhou com os olhos sua aproximação.

    Com a repentina vacilação e a comoção de pessoas na entrada, Letícia desviou sua atenção para ver do que se tratava... Quase não conseguiu identificar o foco, e surpreendeu-se com os frequentadores que esse espaço mal arrumado possuía...

    Retornou sua atenção para onde olhava antes, mas a artista já não estava mais lá. Tomou um gole um pouco mais longo, terminando sua cerveja, com um suspiro no fim.


    "- Mas você tem razão, senhora Marcela... tenho uma vida amorosa bem mais agitada..." - Rí.
    "- Outro dia eu trago Ricardo pra cá comigo."

    "- Me conte dos seus rolos, que eu não caio nessa de pobrezinha..." - Faz cara de coitada e depois sorrí.






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    Mensagem por Lnrd em Sab Mar 23, 2019 11:37 am

    Marcela prosseguira no papo, rindo de situações que apenas o roteiro de uma série trash admitiria. Qualquer situação de relacionamento tinha lá vantagens e desvantagens, e ela parecia se divertir igualmente com prós e contras.
    A conversa, porém, não prosseguira muito. Os olhos da companheira começaram a seguir uma movimentação além, ao que ela só conseguiu se expressar numa frase curta e tentadora: "não olha agora".
    Não muito depois, algo se movimentou parando bem ao lado de Letícia: Radiance, cuja silhueta era difícil de rotular como homem ou mulher, alcançara o balcão para pedir um maço de cigarros.
    Ou talvez tivesse outra intenção em mente.

    - Gostei da combinação – disse displicentemente, numa voz melódica e aconchegante, analisando o visual de Letícia -. Deixe-me adivinhar... uma banda? – Antes mesmo de esperar pela resposta, a figura pôs-se a rir suavemente – Ah, que tolice a minha. Qualquer pessoa aqui poderia estar numa banda. Deixe-me tentar novamente: uma cantora? Você tem a energia de uma sereia.
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    Mensagem por nahna em Dom Mar 24, 2019 11:09 pm





    Era o que Letícia mais gostava em Marcela... Não importava sera era bom ou ruim, tudo era experiência! Ria bastante de suas histórias. Talvez o álcool também contribuísse um pouco para isso.
    Quando falou que não era para olhar, foi um convite irresistível para sua curiosidade e olhou sobre o ombro. De repente ficou nervosa... Era Radiance! Era uma celebridade de nome maior e em um patamar que gostaria de chegar um dia. Era tão surpreendente a convergência de personalidades nesse lugar! Estava entusiasmada.

    Surpreendeu-se quando Radiance se dirigiu à ela. Era realmente uma pessoa bastante exótica.
    Colocou a garrafa de cerveja vazia sobre o balcão e sorriu, sem jeito.

    "- Acho que tem razão... a maioria aqui possivelmente tem banda, inclusive nós!" - Colocou o braço no ombro de Marcela.
    "- O palpite foi certeiro!" - Sorriu
    "- Eu sou Letícia, e essa é a Marcela... Vocal e bateria."








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    Mensagem por Lnrd em Ter Mar 26, 2019 4:49 pm

    Era difícil definir a idade de Radiance, mas o sorriso que dera como resposta tinha algo que lembrava uma nonna italiana - energética e aconchegante.
    Agradável na conversa, sabia sequestrar as pessoas do fluxo do tempo, o qual costumava passar sem ser percebido quando começava a falar das artes dinâmicas do bem viver ou daquelas pensadas para o mercado de marchands e vernissages. Mencionara "sereias" no início da aproximação, mas era em si alguém capaz de tragar as pessoas, quase magicamente, numa dimensão paralela.

    A próxima atração do palco já se anunciava àquela altura.

    Já com o maço de cigarros na mão, lembrou que havia chegado na companhia doutras gentes. "Que indelicadeza minha", lamentou, decidindo-se por dar um "até logo" às moças recém conhecidas. Não fora antes, porém, de plantar uma semente. Uma de raízes bastante fortes.

    Resumindo que aprendera muito a confiar nos próprios palpites, uma “intuição infalível”, colocou que achava que elas eram a escolha certa para uma proposta tentadora: realizaria, na próxima semana, uma apresentação privada, a qual teria acompanhamento musical. Mas não sentia muita força em quem estava responsável por tal parte até aquele momento, "um desses artistas com mais empáfia que talento musical em si". Se elas aceitassem... .

    Colocou que os detalhes poderiam ser passados pela produção posteriormente – disse rindo, olhando para as garrafas vazias –, enfatizando que não precisavam temer nada, apesar do prazo curto. "É apenas uma música e é gente que paga bem, principalmente pela correria". Não pudera deixar de rir ao realizar que não fazia ideia do valor certo, "detalhes" burocráticos.

    Pedindo um celular emprestado – Marcela se dispusera rapidamente a ajudar –, deixou-as com a canção em questão, para que pensassem.
    - Há quem interprete como um poema de romantismo "gótico", um amante que é "metaforicamente" um "demônio". Outras preferem uma versão mais literal, bem "satanista". Desculpem, mas com base no inferno dos meus relacionamentos não sou capaz de traçar a sutil diferença – dera uma última gargalhada antes de deixa-las.



    "Assim que eu sou deixada só
    O diabo vaga na minha alma
    E eu finjo para mim mesma...
    E eu finjo para mim mesma...

    Eu saio para o velho marco
    Insanamente esperando
    Que você vá para lá sabendo que eu espero por você lá
    Que eu espero por você lá

    Venha [diabo]! Venha!
    Venha aqui de uma vez!

    Venha! Venha!
    Numa noite sem lua
    Porque todo o meu ser está agora em anseio
    Todo o meu ser está agora em anseio

    O que anteriormente me animava
    Agora parece insignificante
    Insignificante"



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    Mensagem por nahna em Ter Mar 26, 2019 7:26 pm





    Não sabia o que pensar sobre a figura de Radiance...
    Nunca se considerou uma fã propriamente, mas sua presença era tão impressionante, que gerava quase um fascínio.
    Letícia claramente não soube bem como se portar com o resultado daquele encontro, bastante nervosa... Mas felizmente Marcela salvou o dia, oferecendo o celular e pegando o contato.

    "- Há de ser divertido!" - Disse agitada, fato também ampliado pelo álcool, e sorriu nervosa para Radiance na despedida.

    Olhou em seguida para Marcela, animada.

    "- Que convite foi esse??" - Perguntou abraçando a amiga.
    "- Marcela... Eu tô apaixonada por esse lugar... Não quero nem que a noite acabe..." - Riu de si mesma.

    Estendeu a mão fazendo sinal pro barman servir mais duas cervejas.

    "- Agora você sabe que tem muito em comum com Radiance... Seus relacionamentos são uma merda..." - Ri, agora de Marcela.







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    Mensagem por Lnrd em Qui Mar 28, 2019 10:55 am

    Excitação e ansiedade eram evidentes no rosto de Marcela, deixando-a corada – se pela proposta, se pela bebida, se por ambas, não era possível distinguir.
    Ela demonstrara preocupação com as questões em aberto. O convite era exclusivo para as duas ou incluiria a banda toda? Instrumentos e aparelhagem de som seria por conta delas ou fornecidos pela produção? O ambiente seria a seriedade duma galeria ou algo mais despojado, como uma festa?
    - Ah, vai dar certo – concluiu antes de um longo gole de comemoração.

    Ao fundo daquela inesperada conversa, iniciara-se uma apresentação misturando rap e percussão afro, liderada por uma idosa de vestes hippies ultra coloridas.
    O som agira como um farol guiando quem estava à deriva para dentro do F1, fazendo o ambiente encher rapidamente, numa maré de gente – o que, mesmo assim, não foi suficiente para esvaziar o lado de fora, que continuava igualmente animado.

    Não se passaria muito tempo até tudo terminar duma forma completamente inesperada.

    Sirenes começaram a gritar histericamente, uma melodia irritante acompanhada pelo estranho bater de palmas desconexas que eram explosões a diferentes distâncias.
    No palco, a senhora calara, emudecendo os tambores.

    Alguns gritos e correria na parte exterior, deixando a parte interna da borracharia em estado de alerta. À porta, algumas pessoas tentavam forçar a entrada, enquanto outras procuravam fugir do confinamento. “A polícia tá tacando gás, galera!”, gritou alguém.
    Princípio de caos.
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    Mensagem por nahna em Qui Mar 28, 2019 7:46 pm





    Deu um bom gole também, em comemoração e riu da breve preocupação de Marcela. Estava super empolgada e levantou o braço esquerdo pro alto e com o direito segurando a garrafa simulou um microfone, cantando a canção, dançando.

    "- Relaxa! Vai dar tudo certo! Quando a gente acordar a gente resolve essa burocracia!" - Mandou um beijo.

    Já fazia menção de ir dançar quando o barulho começou...
    Demorou para entender o que estava acontecendo, e seu ânimo se esvaiu, olhando Marcela.

    "- O que tá acontecendo...? Estamos encrencadas?" - Perguntou com inocência, pois realmente não sabia naquele momento se havia algo de errado no lugar.
    "- Como a gente se manda daqui?" - Estava nervosa.






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    Mensagem por Lnrd em Sex Mar 29, 2019 5:41 pm

    Atiradas como passageiras numa montanha russa sem direito a retorno, aquela noite seria uma alternância frenética de picos e baixos.
    Aquela era afinal Santa Dômina, cidade cujos contrastes costumavam atirar na cara de qualquer habitante – afora a classe milionária – o quão assustadora ela era.

    "A palhaçada acabou! A palhaçada acabou!", repetia o agente de uma força que, do nada, decidira que era hora de dispersar, imediatamente, a multidão. Já chegando ameaçadoramente com uma espingarda apontada para um grupo próximo, não deu nem sequer tempo para que se movessem: disparara uma bala de borracha nas costas de uma garota simplesmente tombou com o impacto não esperado, sendo aparada por quem a rodeava. Aquele guarda não era o único.
    Uma bomba de efeito moral – e naquele caso, tal nome devia dar-se pelo transtorno causado a alguém que num segundo curte tranquilamente e no outro não consegue respirar ou enxergar, corpo ardendo fortemente – explodira perto doutra aglomeração, enquanto uma voz ordenava "vaza! Vaza! Terminou a festa!".
    Um cavalo cortou veloz a rua, quase pisoteando quem estava pelo caminho.

    Não era a primeira vez que algo parecido se dava em alguma "balada alternativa". Havia aparentemente um “plano” moralizante não oficial do governo, daqueles discutidos em restaurantes caros ou encontros às escondidas, voltado a oprimir tudo o que era considerado "manifestações depravadas" – excluíam-se, claro, qualquer coisa que ocorresse nas caríssimas festas da baía de Santa Adelina ou em estabelecimentos mais normativos.

    A força policial avançava, exagerada em número e truculência, botando a maioria pra correr. Isso tirando quem estava em estado de choque ou se machucara na confusão.

    Do lado de dentro, onde a situação ainda não tinha escalado de tal forma, ainda era difícil entender o que estava passando, afora o barulho e a gritaria do fora. Era impossível ter noção do tamanho da confusão, mas logo o pânico se espalharia perigosamente.

    Em meio à repentina virada de jogo, uma mão segura firme a de Letícia.
    – Venham! – O comando viera na mesma voz que, mais cedo, declamava poesias no palco. A moça devia saber alguma rota segura.
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    Mensagem por nahna em Seg Abr 01, 2019 12:37 pm





    Letícia ficou apreensiva com os gritos que começaram a entrar pelo local, e com os barulhos dos estouros de tiros de borracha e granadas.
    Foi como um balde de água fria para todo o encanto que estava sendo aquela noite.
    Mal teve tempo de falar com Marcela, escutou a voz da poetiza, que aparecia como uma salvação.

    Sem hesitação, segurou sua mão e apanhou a mão de Marcela também, seguindo pelos caminhos que eram conduzidas pela mulher.
    Embora nem sequer tivessem saído do local, mas já se sentia aliviada por estar com alguém que parecia saber por onde ir.

    "- Obrigada!" - Agradeceu em voz alta, para ser ouvida além dos outros ruídos.






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    Mensagem por Lnrd em Qua Abr 03, 2019 11:25 am

    Como uma verdadeira ranger citadina, abria caminho através daquela floresta viva habilmente. Não só se deslocava agilmente, mas parecia saber entre quais pessoas forçar passagem, evitando provocar uma onda de choque de pessoas em pânico ao decidirem segui-las ou simplesmente ao correrem aleatoriamente, cirando buracos e prensando outras zonas.

    Do balcão de bebidas, entraram pelo banheiro onde dois rapazes, sem tempo para a confusão exterior, amavam-se de forma precária. Havia lá uma saída voltada a uma área aberta e escura, onde um cachorro mal-encarado era a única coisa iluminada pela luz fria do ambiente fedido.
    Marcela ensaiou deter-se frente ao animal, mas a líder lançara um olhar tão fulminante ao bicho preso à corrente que ele simplesmente recuou deixando escapar um ganido baixo.
    Já devia conhece-la, reconhecendo a autoridade.

    Encanto corriam, era possível perceber várias peças empilhadas e latarias, quase um mini ferro-velho. "Abaixem a cabeça", sugeriu. Passar por ali de forma tão imprudente e sob baixa visibilidade era certeza de acidente, mas estavam com alguém que sabia exatamente por onde ir. Atrás delas, os gritos estouravam, indicando que a confusão finalmente se espalhara pela parte interna do F1.
    Chegaram, finalmente, a uma porta de ferro no limite do terreno.

    Sem diminuir o passo, a “alfa” do grupo avançou com um chute que arrombou a passagem com um estrondo de metal sacudindo. Aberta, mostrava uma rua deserta, afora alguns carros parados.

    Varrendo o local de um lado ao outro, reparara num veículo um tanto quanto antigo e correu na direção dele.
    - Vocês estão bem? – perguntou enquanto avançava.
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    Mensagem por nahna em Qua Abr 03, 2019 5:16 pm





    Letícia continuou a seguir, sem largar a mão da mulher e de Marcela... durante o caminho que faziam, alternava entre a urgência de escapar do lugar, com o cuidado de correr apressadamente por um território desconhecido e mal iluminado. Parecia um final indigno de uma noite incrível, mas pelos gritos e estouros que ouvia enquanto fugiam, sabia que a coisa tinha ficado feia lá dentro... Estavam escapando por pouco graças à amiga desconhecida.

    Estava muito mais do que grata, e ela não se detia por nada. Nem mesmo o cachorro pouco amigável ficou no caminho delas, pois sua salvadora parecia saber como lidar com animais, pois ele imediatamente respeitou sua presença, e seguiram até encontrarem a rua, onde correram até o carro velho.

    "- Uff!" - Expirou Letícia, cansada.
    "- Estamos sim! Muito obrigada!"
    "- Qual o seu nome?"
    - Perguntou, aliviada.






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    Mensagem por Lnrd em Qui Abr 04, 2019 10:58 am

    A salvadora inesperada olhou para Letícia com um sorriso maroto no rosto. “Me chamam de Irmã Elijah-iisa”. Com a desenvoltura de quem toma um copo d’água, enfiou o cotovelo na janela do motorista, estilhaçando o vidro. “Mas quebro no murro quem me chama de ‘irmã’ na cama”.
    Como uma gata, abriu-a-porta-sentou-no-banco-meteu-as-mãos-sob-o-painel-deu-a-partida como um vento, mais veloz do que alguém perguntaria “Elij-o-quê?”.
    Levando o braço por cima do ombro, alcançou o pino da porta traseira, liberando a entrada do carro. Aquela era a sutil forma dela de convidá-las. Provavelmente não haveria um segundo pedido.
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    Mensagem por nahna em Qui Abr 04, 2019 1:05 pm





    Letícia sorriu com o comentário inesperado e deslocado da situação, e espantou-se logo em seguida, com a quebra do vidro do carro.
    A princípio tinha imaginado que aquele carro era dela, mas logo percebeu o engano... estavam roubando um carro.
    Agora para ela aquele era definitivamente um desfecho que nunca teria imaginado para aquela noite, e se impressionou com a naturalidade com que ela realizava aquilo.

    "- Certo... Iisa..." - Sorriu sem jeito.
    "- Eu sou Letícia."

    Quando Elijah-iisa abriu a porta para elas, cruzou olhares com Marcela. Se não fosse a situação que deixaram para trás, teria hesitado em entrar no carro... mas queria ir para bem longe daquela confusão.
    Entrou logo em seguida, sem se preocupar para onde iriam.






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    Mensagem por Lnrd em Sab Abr 06, 2019 12:21 pm

    Dentre o curto leque que tinham à mão, optara por um carro velho e de cor suja, talvez por deduzir que dificilmente precisaria de um alarme. Parecia pensar de maneira bastante acelerada.

    Tentou ligar o rádio, mas o aparelho parecia ter algum tipo de mau-contato, indo e voltando randomicamente. "Sucata desse capitalismo tardio de merda", soltara mais para si.

    Apesar da falta de potência, ela dirigia habilmente e quase sem desacelerar, o que dava rapidez ao veículo. Por elas, a noite passava igualmente veloz, as luzes como manchas emolduradas pelas janelas. Não era possível ver estrelas naquele céu urbano.

    As ruas já estavam vazias àquela hora, para além da aglomeração à frente de um ou outro "inferninho".
    - E então? Procuro a próxima ou game over?

    Marcela apenas olhou para Letícia com aquela cara de "decide você que eu vou atrás". Numa dessas, já tinha até ido para outro estado numa trip de impulso.
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    Mensagem por nahna em Seg Abr 08, 2019 2:19 pm




    Ao olhar a cara de "tanto faz" de Marcela, Letícia rí.
    Toda essa agitação final tinha gerado uma adrenalina, mas agora que estavam no carro e pareciam fora de perigo, começava a sentir o cansaço.

    "- Pra mim é game over..." - Sorri. "- E acho que pra Marcela também."
    "- Será que podia nos deixar perto da praia?" - Inclina-se para frente.

    "- Você foi nossa salvadora, Iisa! Vamos marcar uma saída? Mas sem terminar fugindo da polícia..." - Sorri sem graça.






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