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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Gelatto
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    Mensagem por Gelatto em Dom Mar 17, 2019 9:24 pm

    Bem vindos à nossa primeira (e espero que não seja a única) aventura para A Bandeira do Elefante e da Arara. Como já foi explicado no tópico das fichas, adotei a aventura introdutória do livro básico, Os Fogos de Bertioga, bem como suas sugestões para a criação dos personagens inciantes. Mas aqui, escrevi algumas diretrizes que adotei para esta aventura.

    Não haverá postagem individual (salvo alguma situação extraordinária que eu quero evitar), então, será apenas um tópico para a aventura com todos os jogadores. Pretendo atualizar o tópico do jogo duas ou três vezes por semana, mas como sei que nem todos terão esta disposição, vou adotar a regra do "Modo Robô", ou seja, mesmo que algum jogador não tenha feito sua postagem neste período, para evitar do jogo ficar muito tempo parado, darei continuidade ao jogo normalmente e APENAS farei a ação do personagem ausente se realmente necessária.

    Rolagens de dados, quando realmente necessárias, devem ser feitas em local próprio no tópico Testes de Façanhas. Após a rolagem favor escrever sua ação em resposta ao resultado.

    Mensagens em OFF apenas serão aceitas e consideradas se forem feitas no tópico OFF Game.

    E, por fim, como todos aqui tem liberdade para editarem suas próprias postagem, espero bom senso ao utilizarem este recurso e evitem postagens duplas.

    Sem mais delongas, vamos jogar!

    Curiosidade: o livro utiliza os termos Mediador para Mestre e Participante para Jogador.

    MAPA DA AVENTURA:

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    Mensagem por Gelatto em Seg Mar 18, 2019 8:46 pm


    OS FOGOS DE BERTIOGA

    Após uma expedição na selva, vocês chegam à vila de Santos, em busca de um lugar seguro para descansar e se recuperar. Porém, há uma carta à sua espera, que chegou alguns dias antes. É de Juliana, esposa de seu mentor e amigo, Sebastião de Veiga. Vocês prestam atenção enquanto ela é lida por Heimart Straubel:



    Meus caríssimos amigos,

    Escrevo hoje para pedir a vossa ajuda em um assunto que
    se refere ao meu marido, Sebastião. Ele está desaparecido
    há mais de uma semana, e ninguém aqui em Bertioga nem
    na Ilha de Santo Amaro o viu. Os soldados locais fizeram
    uma busca rápida, sem encontrar pista nenhuma, o que é
    de se esperar se considerarmos a competência dos brutos
    que o governador manda nos proteger aqui neste lugar afastado.

    Pesa-me muito no coração chamar-vos das suas expedições,
    sem poder oferecer nenhuma recompensa para vossos prejuízos
    neste empreendimento, mas não tenho mais ninguém a quem
    recorrer. Se ainda tiverem amor no coração para com Sebastião,
    igual ao que ele sempre teve para com vocês, peço que venham
    com toda urgência para a nossa estância em Bertioga.

    A graça de Deus Nosso Senhor esteja convosco.

    Juliana de Veiga.


    Sebastião de Veiga foi uma força importante no treinamento de cada um de vocês, na ajuda que ele forneceu quando precisaram, no carinho que ele tem por cada um, e vocês concordam que não podem abandoná-lo neste momento.

    Após saldarem todas suas dívidas na vila e com o mínimo de réis e equipamento que lhes resta, vocês contratam um barco para levá-los até Bertioga. É uma embarcação com longos remos mediana com capacidade para até dez pessoas e alguma carga, com uma parte coberta para proteger da chuva, mau tempo e das flechas dos índios não-catequizados, possui quilha reta e chata, ideal para navegar em rios e próximo da costa rasa. A viagem de Santos até Bertioga será feita por rio, paralelo algumas léguas da costa.

    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Flatboat_3

    A embarcação é manejada pelo barqueiro português João Ribeiro e seus dois filhos, Joaquim e Josias. O barqueiro explica que o tempo está bom e que chegarão no destino em dois dias.

    Vocês já se conhecem de outras expedições e aproveitam esse tempo da viagem conversando sobre aventuras, curiosidades e de como conheceram Sebastião de Veiga.
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    Mensagem por vontheevil em Seg Mar 18, 2019 10:16 pm

    Olho para os meus companheiros com um ar sério enquanto por dentro eu me divirto

    "Essa sim é uma experiência antropológica, um barqueiro ja climatizado com essa Terra Brasilis com roupas curtas, um casal de índios quase sem roupa e uma negra com seus penduricalhos iorubás - quando eu publicar meu livro mandarei comissionar uma pintura comigo estoico em postura de explorador acompanhado de tão miscigenada trupe. Aimberê, Anahi e Ashanti - belas aliterações e assonâncias para eu utilizar em meu livro "

    -Então senhoras e senhores, devemos pelo menos pela honra ajudar a caríssima Juliana e descobrir se algo de errado realmente aconteceu. Apenas dois dias de viagem antes de sermos hóspedes de Juliana e podermos investigar o que está errado!
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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Saskwatch em Seg Mar 18, 2019 10:54 pm

    O Jovem índio comoveu-se com o pedido de Juliana, visto que Sebastião foi quem lhe ensinou a falar português e a interagir com o homem branco, o que mudou sua vida, e como prover melhores condições para sua tribo.

    Pode-se dizer também que foi conveniente a partida imediata, pois uma longa estadia em uma vila de homens brancos não era uma situação desejada.

    Como não tinha muitos pertences, o preparo foi fácil e rápido, queria logo os ventos do barco em movimento batendo em sua pele.

    Foi um dos primeiros a embarcar, e escolher o lugar com a melhor vista do caminho, mais à frente, e fez um gesto com a cabeça, para que a sua companheira de tribo Anahi, se acomodasse próximo a ele.

    - Ceis pode fica sem preocupação, mim grande caçador, mim vai achá Seu Sebastião, mim grande caçador Tamoio! - bradou batendo com um punho fechado no peito.
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    Mensagem por Mellorienna em Ter Mar 19, 2019 5:49 pm






    Travessia Santos-Bertioga, 1º dia







    Partir com o grupo de homens-brancos e a iorubá foi uma aventura como nenhuma outra para Anahi. A índia tinha acabado de completar mais um ciclo sobre a Mãe Terra e seu pai, cacique do povo Tupinambá da tribo dos Tamoios, disse que ela deveria partir na grande jornada. As relações entre os perós e o povo nunca havia sido boa, mas guerras constantes mais ao norte inflavam os ânimos, na região que os brancos chamam Angra dos Reis. A jovem Filha do Líder deveria ir e aprender. O conhecimento poderia ser a maior e mais poderosa arma naqueles tempos de relações frágeis e com essa missão Anahi partiu, junto a Aimberê, grande caçador do povo.

    Sebastião da Veiga foi um tutor amigável e respeitoso, e sua esposa, Juliana, demonstrou sempre grande tato ao lidar com a delicada índia tamoio. Anahi devia aos dois o conhecimento da língua dos perós e uma ou duas palavras da linguagem falado pelos maíras - Juliana julgava apropriado que uma "mocinha tão bonita" soubesse falar Francês, mas o idioma permanecia um mar inexplorado para Anahi fora singelas palavrinhas. Além disso, a túnica simples em algodão lavado que usava quando precisava ir à vila havia sido um presente do casal. Anahi os julgava anciões sábios e tinha por eles um venerável respeito.

    Com tristeza, acompanhou a leitura da carta que dava conta do desaparecimento de Sebastião, recebendo com alívio a confirmação de que todos os companheiros de viagem pretendiam atender ao chamado de Juliana. Era o que se esperava de pessoas dignas e Anahi ficou contente de estar entre eles, especialmente porque tinha plena confiança de que encontrariam Sebastião. Se ele estivesse em algum lugar das matas, Anhangá o manteria a salvo e Aimberê o encontraria - Anahi tinha certeza disso, dentro de seu coração de flor pura.

    Conseguiram um barco, conduzido por um branco, o que fez Anahi torcer levemente o nariz. Porém, o peró parecia ter algum conhecimento do manejo da embarcação, e ela se sentou bem lá na proa, ao lado de Aimberê - sorrindo quando o rapaz anunciou para a comitiva seus dons de grande caçador. Timidamente, Anahi apenas concordava com gestos de cabeça, sabendo que o índio dizia a verdade diante de todos. Sebastião certamente seria resgatado. A garota mal podia esperar para reencontrar o tutor e leva-lo de volta para os braços carinhosos de Juliana.

    Sentindo o calor do dia aumentar, e já distantes da vila de Santos, Anahi tirou a túnica, dobrando a roupa e guardando em seu bonito embornal de couro e cipós trançados. Sempre que tinha que usar a vestimenta sentia-se enclausurada! Mas agora o vento e o sol brincavam em sua pele, com leves respingos de água quando se inclinava para tocar a superfície fria pela qual deslizavam, o que a deixava feliz. Corada e jovial, a índia disse para todos, em sua costumeira voz de passarinho:

    - Navegar quando dia e acampar quando noite? Esse território do povo. Dos Tamoios. De Anahi e Aimberê. Perós correr perigo se ir fundo na mata, porque Tamoios povo valente que travar muitas guerras contra brancos. Não todos sábios. Mas todos valentes. - a índia fez uma pausa, abrindo os braços para o sol quase como se espreguiçasse - Acampar perto da água. Tupã proteger Anahi. Companheiros de Anahi também. - a garota corou muito e desviou os olhos para água, tendo se esforçado bastante para falar tanto diante do estranho no grupo, o barqueiro que estava lá mais atrás.

    Anahi




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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Padre em Ter Mar 19, 2019 9:59 pm


    Resgate

    Ashanti Uba




    Ainda se recuperando da última expedição que haviam participado, Ashanti sentia-se incomodada. Sua fuga era recente e o medo de ser encontrada a qualquer momento era latente. Mesmo que houvesse encontrado um grupo de pessoas tolerantes que a aceitaram e ajudaram em momentos tão difíceis, era difícil ficar confortável.

    Ela já se preparava para ir repôr suas energias quando receberam o aviso da carta, um frio percorreu sua espinha, sabia que o pior havia acontecido, só não que teria sido aquele pior. Enquanto a carta era lida, a mulher se dividia entre estar aliviada por não ter sido encontrada e estar triste pelo seu libertador ter sumido, se perguntava se a sua antiga senhora não teria algo a ver com aquilo.

    Engolia seco, mas nada dizia, suas mãos se juntavam ao seu peito enquanto lembrava de cada uma das memórias que havia cultivado com Tião, se aquele assunto tivesse a ver com a mulher que a escravizava, com certeza elas se dariam contas, agora, se fosse outro motivo, ainda assim iria.

    Aquele homem moveu céus e terra por mim, isso eu nunca vou esquecer.





    A viagem começava e com ela Ashanti se fechava no seu canto, não deixava de perceber entretanto o olhar sério do estrangeiro Heimart, seu corpo continuava virado para a água, mas seus olhos o vigiavam pelo canto enquanto assistia sua tentativa de puxar assunto.

    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA A68d5f7f1e9507b424986158587dcac3
    (favor ignorar a legenda no gif ou as roupas modernas, isso é apenas figurativo)

    E você duvida que algo errado aconteceu, estrangeiro? Sebastião tinha muitos contatos, mas também muitos inimigos, se isso não é um sinal para nós nos prepararmos para o pior...

    Seus olhos passavam também por Aimberê e Anahí, a força daquele homem havia sido comprovada durante a última expedição, mas era força o suficiente para resgatar Sebastião? Aliás, precisariam de toda aquela força para a missão? Ashanti esperava que não. Anahí parecia não ter o menor tato social, o que era estranho, mesmo para Ashanti que era uma escrava, mas tinha seus momentos de utilidade. De um jeito ou de outro, se dava melhor com eles do que com o outro, era extremamente difícil confiar no homem branco depois do que havia passado, por mais tolerante e acolhedor que ele fosse e aquilo não mudaria apenas com uma mera expedição. Seu lugar ficava longe de Heimart e dos outros três, queria evitar o máximo de contato possível.

    Oxalá, guie os nossos caminhos e nos proteja de todo agouro. ― Dizia em voz baixa com uma a mão direita sobre o peito.
    Gelatto
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    Mensagem por Gelatto em Qua Mar 20, 2019 11:25 pm

    É um grupo bem peculiar, imagina João Ribeiro.
    Um germânico com ar curioso e olhar compenetrado que fala umas palavras difíceis. Certamente deve ser algum tipo de tutor ou homem de lei.
    Dois indígenas, um bem animado, cantando suas bravatas, e a outra, sentada ao seu lado, apenas sorria com cara de boba. Não entendia a fixação dos dois por estarem na proa do barco, mas não se incomodava. Sua presença poderia ser útil se algum índio não-catequizado aparecesse. Se bem que não vira a cruz de Cristo neles.
    E uma negra sentada no canto do barco, calada e com olhar fixo em tudo e todos, como se os julgasse. Se ela não estivesse com eles, podia dizer que ela planejava alguma travessura.

    João Ribeiro ordena seus filhos para soltarem a barca e manejarem em direção ao destino, rio acima, até Santo Amaro. Ele se volta para os passageiros e explica a Helmart que o tempo está bom, farão boas léguas neste dia, e, quando percebe, a índia já retirou sua túnica e começou a gritar de alegria como um passarinho e... estava praticamente nua.

    -"Er... senhor Helmart, poderia por obséquio pedir para sua companheira não deixar suas intimidades a vista? Não que eu não goste, pelo contrário, ela é bem agradável de se por os olhos, mas olha ali para meus dois filhos babando e distraídos. Não queremos nos atrasar para nosso destino, não? Ah, jovens, eles não estão acostumados com estes nativos andando como vieram ao mundo."

    OFF: não precisam esperar que eu responda para continuarem interagindo.
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    Mensagem por vontheevil em Qui Mar 21, 2019 10:12 pm

    Olho divertido para meus companheiros, "isso vai ser uma bela duma história para contar no livro", penso, "pena que vai acabar com um homem que poderia ter se tornado um verdadeiro amigo, morto no mato de alguma febre tropical"
    Sorrio para o índio copiando o seu gesto do punho fechado no peito, enquanto concordo gravemente com a índia
    - Povo valente é? caçadores fortes? eles nos atacariam mesmo com vocês junto da gente? "falo utilizando palavras fáceis para ela (e seu companheiro) compreender "

    -Não conheço inimigos de Sebastião! digo para a negra Ioruba "uma negra sem senhores? ela não parece propriedade do barqueiro ou dos filhos" Sento me ao lado dela e completo - Oxalá nos proteja - e completo em Ioruba - Devemos manter-nos fortes para poder ajudar Sebastião da Veiga, quem são os inimigos dele?

    Quando o barqueiro fala sobre as intimidades a vista de minha companheira eu encaro a negra ao meu lado e dou uma risada do barqueiro piscando
    como disse o senhor Pero Vaz
    "Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma." - Se o escrivão da armada de Portugal não se preocupou com isso, deixe ela. E se teus filhos não te temem deveriam temer o grande caçador Tamoio


    [P.S. desculpem o termo "negra" e a maneira que o antropólogo vê ela.... não é racismo meu, muito pelo contrário é o sec 16]
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    Mensagem por Padre em Sex Mar 22, 2019 12:31 am


    Resgate

    Ashanti Uba




    Ashanti percebia a cara de bobo do estrangeiro que parecia um cativo vendo a luz do dia depois de anos, a mulher se perguntava o que se passava na cabeça dele, das opções, nenhuma era boa visto que vinham de um homem branco. A interação entre ele e os índios era ouvida com silêncio pela mulher que mantinha seus olhos naquelas águas.

    Como eles escaparam da escravidão? A pele deles não é tão escura quanto a minha, mas isso nunca impediu qualquer senhor antes. Esse país...

    Notando Helmart que havia ficado visivelmente intrigado com a sua história, o fitava com o canto do olho, mas não se esforçava para dar-lhe a atenção que merecia.

    Vejo que fez sua lição de casa. ― Respondia ao rapaz em iorubá.  ― Mas eu já conheci outros igual você que também não eram leigos, mas conseguiam ser bastante sorrateiros quando queriam.

    Quando o rapaz sentava ao seu lado, aí então ela se virava e o olhava nos olhos, seu objetivo era tentar entende-lo, ver se ele era um manipulador, um abolhado, se tinha um bom coração. Infelizmente intuição não diz tanto quanto deveria e o fato dele conhecer Oxalá ou sua língua-mãe não eram provas suficientes de caráter, pelo menos não ainda. Voltava então a falar português para incluir os índios na conversa.

    Os inimigos dele são todos aqueles quem ele já cruzou o caminho. Quando eu e Sebastião nos conhecemos nós passamos por alguns desses... Talvez vocês devam ter conhecido alguém durante suas próprias trajetórias.

    Logo após, ouvia o questionamento do barqueiro e nada respondia, afinal não era o seu lugar, não tinha uma opinião concreta sobre a postura da índia, já que não incomodava e nem deixava de incomodar, mas de uma coisa ela sabia, se ela fizesse algo como aquilo, com certeza já teria morrido pelas mãos de sua antiga senhora. Percebendo a risada do estrangeiro, não entendia a graça, entretanto achava no mínimo interessante o seu posicionamento.
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    Mensagem por vontheevil em Sex Mar 22, 2019 12:43 am

    Aproveito o diálogo e puxo conversa com a Negra
    -Português é mais fácil para mim, dei aulas na universidade de Coimbra na Europa, e em outros lugares também, mas escrevi um livro sobre os Iorubás, passei alguns meses morando no interior da Africa Oriental com os Nagôs e Anagôs nas proximidades do forte de São Jorge da Mina, mas não com os portugueses, com as tribos.
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    Mensagem por Mellorienna em Sex Mar 22, 2019 10:53 pm


    Relatos da Virgem de Tupã, Anahi, Pajé dos Tamoios : Che maitei rory maymavápe!




    As águas de Iara embalavam suavemente a embarcação, que era um pouco maior do que seria desejável, mas ainda assim não tão absurda quanto as chamadas naus portuguesas. Contente sob a carícia dos raios de Guaraci, a jovem índia pouco ou nada prestava atenção ao barqueiro ou seus filhos: observava as margens passando velozes, o verde da mata e o voo dos pássaros. Usava, como em todos os momentos, o cocar emplumado típico de sua posição e importância - Filha do Cacique e pajé de seu povo. E sentia a felicidade das penas coloridas agitadas pelo vento quando ouviu o barqueiro, em diálogo com o companheiro de expedição:

    João Ribeiro escreveu:-"Er... senhor Helmart, poderia por obséquio pedir para sua companheira não deixar suas intimidades a vista? Não que eu não goste, pelo contrário, ela é bem agradável de se por os olhos, mas olha ali para meus dois filhos babando e distraídos. Não queremos nos atrasar para nosso destino, não? Ah, jovens, eles não estão acostumados com estes nativos andando como vieram ao mundo."

    Anahi fitou diretamente o barqueiro e então buscou com o olhar localizar os dois filhos "babando e distraídos". Babar era algo preocupante - normalmente sinal de envenenamento. E a distração poderia ser efeito da confusão mental provocada pelas toxinas. Preocupada com a saúde dos rapazes brancos, Anahi demorou-se em contemplação de cada um deles. Observou o mais possível cada um, de cima a baixo (pareciam livres de manchas ou vermelhidões pelo corpo, não tinham sinais claros de estado febril e - mais importante de tudo - não estavam babando coisa nenhuma), até que voltou os olhos novamente para o barqueiro-pai. Talvez ele estivesse envenenado ou intoxicado de alguma forma. Afinal, não estava dizendo coisa com coisa. "Tupã é testemunha de que não fiz necessidades à vista de todos" - os Tamoios costumavam ser bastante rígidos quanto a locais apropriados para atender aos chamados da natureza - "Será que foi Aimberê e esse branco está confundido?" - olhando para o caçador, Anahi não verificou nenhuma falha de comportamento. Desconsiderando as palavras sem sentido do homem com um dar de ombros bem discreto, a índia voltou sua atenção para o branco de seu grupo:

    Helmart escreveu:- Povo valente é? caçadores fortes? eles nos atacariam mesmo com vocês junto da gente?

    Anahi sentia um levíssimo tom de condescendência nas palavras de Helmart. Talvez porque ele falasse mais pausadamente ao se dirigir a ela e Aimberê do que quando falava com o barqueiro e a mulher-noite. Talvez porque ele usasse um tom que ela mesma usava ao falar com curumim.

    - . - a índia era bastante delicada e observadora, e agora estava intrigada o suficiente com a pergunta de Helmart para se esquecer de usar a palavra sim - Tamoios guerreiros. Coração de inimigos aumentar valentia. - Anahi bateu suavemente com o punho direito fechado contra o peito.

    O branco passou então a falar com a mulher-noite iorubá, usando uma língua que Anahi desconhecia. Mais uma vez, a índia sentiu que ele a tratava como criança, pensando que poderia manter assuntos secretos no seio do grupo. Cruzando os braços logo abaixo dos seios expostos, a jovem deu dois passos em direção a eles, determinada a fazer valer sua posição de Pajé e não se deixar menosprezar daquela forma.

    Porém, estacou. Seus joelhos tremiam e sentiu uma leve náusea só de pensar em confrontar o estrangeiro. E se ela errasse todas as palavras? E se ele risse dela ou gritasse com ela ou... As possibilidades surreais de insucesso do que deveria ser uma conversa simples massacravam Anahi, que desistiu de dizer qualquer coisa e apenas se escorou a amurada do barco. Era difícil para a índia se fazer ouvir, tímida e envergonhada, cheia de temores invisíveis. "Ah Tupã!, enche meu coração de coragem! Por que sou trêmula e mole como vermes em troncos podres." - sentindo uma crescente tristeza que nem mesmo os raios do sol espantava, Anahi deitou a cabeça nos braços, ouvindo meio abafado:

    \"Helmart escreveu:- Se o escrivão da armada de Portugal não se preocupou com isso, deixe ela. E se teus filhos não te temem deveriam temer o grande caçador Tamoio.

    A índia levantou a cabeça e olhou do branco para Aimberê. Ele era um caçador formidável, é verdade, mas não havia nada a temer. Ninguém naquele barco era inimigo declarado da Nação Tupinambá e, mesmo sendo capaz de derrubá-los a todos com uma mão presa às costas, Aimberê não tinha motivos para esfolar os brancos: a pele deles não tinha boa cor ou qualidade para ornamentos e o coração de nenhum dos ali presentes era prêmio que um Tamoio fosse cobiçar.

    Porém, as palavras da mulher-noite fizeram a índia sair de seu estado tristonho, voltando a se focar no que realmente importava: Sebastião da Veiga.

    Ashanti escreveu:Os inimigos dele são todos aqueles quem ele já cruzou o caminho. Quando eu e Sebastião nos conhecemos nós passamos por alguns desses... Talvez vocês devam ter conhecido alguém durante suas próprias trajetórias.

    A jovem foi até a outra mulher, e sentou-se ao lado dela, respeitando uma distância suficiente para que outra pessoa pudesse até mesmo sentar-se entre elas. Por ali estava também o estrangeiro, e Anahi fez sinal para que Aimberê chegasse mais perto de onde agora estavam, chamando por ele com sua costumeira voz de passarinho:

    [Tupi] - Aimberê, venha. Precisamos definir um curso para as ações que nos esperam na busca por nosso gentil mentor. - após estarem reunidos, a moça falou, em sua costumeira voz de passarinho - [Português] Inimigos muitos. Perós... homem-branco... ter muitos inimigos. Sem pista não encontrar inimigo. Sem rastro não encontrar Sebastião. Mim ouvir... - Anahi fez uma carinha de quem estava em dúvida, e olhou para Aimberê - [Tupi] Será que existe uma palavra para estratégia na língua deles? - contudo, antes que o índio respondesse, a expressão da moça se iluminou e ela voltou a olhar o grupo - [Português] Plano! Mim ouvir plano. Dizer.

    A índia olhava um por um os companheiros reunidos.

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    Mensagem por Saskwatch em Sab Mar 23, 2019 12:12 am

    O vento e o sol estavam ótimos, e o orgulhoso índio seguiu sua companheira de tribo e ficou apenas de tanga, e seus simples ornamentos a mostra, colocou seu arco de lado, e colocou-se a observar a situação.

    Logo percebeu os olhares maliciosos dos filhos dos barqueiros, já conhecia a fama dos perós. "Não têm respeito pela beleza que Tupã nos deu", pensou.

    Curioso com a conversa em uma linguagem desconhecida, entre a mulher de pele escura e o estrangeiro , seguiu a filha de Pajé, dois passos atras, em respeito.

    Porém após ela se posicionar, colocou-se entre ela e o olhar dos jovens barqueiros, com peito estufado e braços cruzados, os mantendo em sua vista, de soslaio.

    Sussurrou então para ela:

    [Tupi] - Anahi, esses perós tem vergonha da própria pele, se escondem, e invejam nossa beleza. Quando vêm seu corpo, a desejam como um marido à sua esposa. Por isso suas mulheres também escondem o corpo nas vilas, com certeza, nenhum respeito...

    [Português] - O Sinhô pede pra o dono de canoa grande bota os meninos pra trabalha e olha Anahi com respeito
    - falou para o alemão com tom respeitoso, pois entendeu que o barqueiro e seus filhos só ouviriam outro homem branco - mim não querer briga, mas Aimberê tem sangue quente.
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    Mensagem por Gelatto em Sab Mar 23, 2019 8:37 pm

    Ribeiro não entende nada do que Heimart disse, eram palavras difíceis para o simples barqueiro. -"Então és um poeta! Bem que eu sabia! Bem, faça como quiser, desde que me paguem." No final, ele dá de ombros enquanto o grupo conversa entre si.

    Ashanti permanece sentada no seu canto, sempre encarando a todos com o objetivo de entendê-los, enquanto Heimart conversava com ela e fazia anotações para seu livro. O alemão não escondia sua modéstia quando precisava mostrar seu conhecimento em línguas e tradições.

    Anahi parece querer sempre dizer algo, mas ela não tem a coragem de uma oradora e ainda deseja ser uma pajé em frente a toda uma tribo. As únicas palavras que profere são quando se senta não tão próxima de Ashanti. Aimberê já fora mais ousado, se posicionando entre o grupo e os olhares maliciosos dos filhos do barqueiro e pedindo respeito pela companheira tamoia. Ribeiro, mesmo sendo tratado em tom respeitoso, temia a presença do indígena, então, acena positivamente com a cabeça enquanto se aproximava do mais jovem e lhe dava um tapa na cabeça como se o fizesse voltar para a realidade: -"Ouviram o grande índio! Párem de me envergonhar assim! Voltem ao trabalho!"

    A viagem segue, apenas com suposições do que possa ter acontecido e muitas sugestões do que fazer, mas, sem um norte, suas ações podem acabar sendo improdutivas. Decidiram que o melhor seria conversarem com Juliana e se colocarem a par do ocorrido antes de tomarem qualquer decisão a seguir.

    ...

    Ao final do segundo dia de viagem vocês chegam na Ilha de Santo Amaro e o barqueiro os deixa próximos da estância da família Veiga. Após receber a segunda quantia pela viagem, Ribeiro avisa que buscará vocês neste mesmo lugar ao fim de dez dias. Parece que este é todo o tempo que vocês têm para desvendar este grande mistério!

    Após seus dias como bandeirante, Sebastião ganhou uma parcela de terra na Ilha de Santo Amaro e se mudou para lá. A estância conta com campos de algodão e cevada, e dezenas de ovelhas. Uma trilha de terra batida corta os campos da estância e os leva até a casa principal, uma casa ampla de dois andares, construída de pedra e cal. Logo atrás dela há uma pequena casa de taipa onde vivem os únicos ajudantes da família: o casal de caboclos livres João e Luzia, que vivem com eles desde que Sebastião e Juliana se mudaram para este local.

    Ao chegarem próximos da casa, vocês batem na porta principal, e Juliana os recebe de olhos vermelhos. Ela é uma senhora de 45 anos, sem filhos.


    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA 73fb760e14ab7c8901c90b880cb2f32b
    -"Oh, meu Nosso Senhor do Céu! Vocês vieram!". Sua expressão de preocupação dá lugar a um pouco de esperança e alegria neste momento.

    -"Aimberê! Grande guerreiro Tamoio! Sebastião sempre confiou na sua orientação nas suas bandeiras! Ele sempre dizia que confiava sua vida nas suas mãos!"

    -"Ah, Heimart! Passava horas e horas com meu marido nesta varanda divagando sobre o povo indígena, seus mitos a abordagem errônea que Portugal tomava nestas terras."

    -"Ashanii! Vejo que está melhor! Muito melhor! Quando chegou aqui estava fraca, mirrada, e muito machucada. Cuidamos bem de você e olha só como está hoje! Uma mulher saudável e muito bonita!"

    -"E você aí atrás, escondida atrás de Aimberê, só pode ser Anahi! Vamos, tire este cabelo da frente do seu rosto, não precisa ficar tímida aqui! Você está entre amigos, entre família! Ah, bem melhor! Vejo que conseguiu o chapéu da sua crença que sempre falava! Se me lembro bem era... cocar, não? Eu sempre disse a Sebastião que um dia você iria se tornar a maior pajé destas terras!"

    -"Vocês devem estar cansados desta viagem. E com fome. Venham, jantem comigo!"
    Juliana os guia até a cozinha onde os ajudantes João e Luzia preparam a mesa de jantar com cordeiro, cenoura, pão de milho e aipim assado. Juliana está muito feliz em revê-los, é como se cada um de vocês fosse uma parte de Sebastião.

    Antes mesmo do término do jantar, após um longo suspiro, Juliana começa a perder sua alegria repentina.

    -"Como estou feliz por terem atendido este apelo desta senhora aflita. Por favor, não tenho a quem recorrer. Preciso saber onde meu marido está. Preciso encontrá-lo. Preciso da ajuda de vocês. Por favor!", e seus olhos voltam a lacrimejar enquanto suplica.

    E assim iniciamos oficialmente nosso jogo em uma data propícia: hoje é dia de ABEA! E para comemorar, segue um presentinho para vocês no tópico Condição dos Personagens!
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    Mensagem por Mellorienna em Sab Mar 23, 2019 10:07 pm


    Relatos da Virgem de Tupã, Anahi, Pajé dos Tamoios : Che maitei rory maymavápe!



    Anahi havia ficado surpresa com as palavras de Aimberê, mas era bem verdade que a percepção do caçador era muito superior à sua em diversos aspectos. Para a jovem índia, a ideia de que um homem-branco a olharia como um homem olha sua esposa era impensável - em grande parte porque a jovem não nutria grande admiração pelos ditos europeus, mas muito mais porque ela havia sido criada, desde muito cedo, para o serviço de Tupã.

    Anahi jamais seria a esposa de ninguém.

    Não por ser Filha do Líder, vez que era apenas uma entre muitas irmãs e irmãos. Anahi havia sido escolhida por ter uma beleza especialmente cativante. Desde a infância, a menina doce e de sorriso meigo era admirada na tribo por seus vastos cabelos muito escuros e lisos, a pele rosada como jambo ao sol, os grandes olhos quase negros coroados por cílios longos. Desde a mais tenra idade, a indiazinha sabia que as alegrias da intimidade de uma taba, nos abraços apertados de um marido que traziam bebês, não seriam para ela. Enquanto as outras meninas brincavam de ninar bonecas de espigas de milho e aprendiam a cozinhar e cuidar da oca, Anahi era treinada na opy, a cabana cerimonial dedicada aos ritos e aos deuses. Tupã teria prazer em sua devoção, favorecendo os Tamoios por se encantar por ela. Anahi viu uma a uma as índias de sua idade casarem-se, engravidarem, e mesmo deixarem o primeiro marido em favor de outro que mais agradasse. A tudo isso viu inteiramente só, e sentia vergonha de ter chorado algumas vezes, desejando que o mundo pudesse ser diferente.

    Mas não era. Nenhum homem do povo tinha para ela olhos de desejo, porque nenhum homem são desafiaria Tupã para desposar Anahi. E os brancos - Aimberê tinha razão! - não contavam: eram mesmo um povo sem boas-maneiras e de tudo desrespeitosos. Durante o restante da viagem de barco, permaneceu sempre bem próxima ao caçador, olhando com desconfiança para os jovens filhos do barqueiro. Mas não se vestiu com a túnica até que estivesse em terra firme, já bem próxima à casa grande da estância: cobrir-se de panos era algo artificial, que a separava do amor dos deuses e das carícias do sol, da chuva, do vento. Considerando que os únicos toques que seu jovem corpo recebia eram estes da Natureza, não seria de se estranhar que Anahi se agarrasse com unhas e dentes à possibilidade.

    Ao serem recebidos por Juliana, permaneceu em seu cantinho, até que a senhora chamou atenção para si. Respondeu aos cumprimentos da portuguesa com sorrisos amistosos e envergonhados, evitando usar palavras. Tinha progredido pouco na fluência do idioma que, caridosamente, Juliana e Sebastião a haviam ensinado. Sabia que havia algo errado com a forma como organizava as frases na língua dos brancos e não queria dar à anfitriã a sensação de que todo o trabalho que teve com ela havia sido tempo perdido. Limitou-se a usar a túnica sem reclamar: aquilo parecia ser algo importante para Juliana, vez que havia sido ela quem deu à Anahi a roupa. Por isso, pediu a Aimberê que também usasse sua túnica na presença da senhora portuguesa.

    Era mesmo uma pena que as mulheres brancas não se dessem ao desfrute de admirar a beleza atlética de um grande caçador Tamoio no auge de suas habilidades, como Aimberê. Mas algo nas cruzes que carregavam no pescoço parecia pesar em suas almas e as mulheres sentiam-se culpadas ao se perceberem satisfeitas e estimuladas diante de um homem. Ser branco era viver em um mundo estranho, onde os homens não tinham pudores nem respeito, e as mulheres carregavam a culpa por isso.

    À mesa, Anahi serviu-se de pequenos pedaços de pão de milho e de um ainda menor de mandioca. Não comeu carne. Não confiava na forma como os portugueses tratavam suas criações e nem no modo como eram abatidas, mesmo em se tratando de boa gente, como os Veiga. A índia comia carne, conforme a vontade de Anhangá, que era caçada e abatida da forma devida. O próprio fato de ter de se sentar em uma cadeira era ruim o suficiente, mas a índia suportou, estoicamente.

    Quanto aos rumos da investigação, para a qual tinham dez dias, a moça esperou que os outros se manifestassem. Ela apenas ouviria, atenta, às perguntas. E, quem sabe, faria suas próprias observações ao final. Aproveitou esse tempo, logo após a refeição, para preparar seu cachimbo - talhado em delicadas madeiras - para o dattukupa: o ritual de fumar tabaco entre amigos, tão comum entre o povo da Grande Nação Tupinambá. Ao final, com uma voz baixinha de quem temia incomodar, a garota perguntou para todos e ninguém em especial:

    - Fogo?


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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Dom Mar 24, 2019 5:37 pm

    Emma estava em seus aposentos quando aquele grupo tão diversificado e curioso chegou na casa de sua amiga e protetora Juliana. 
    Emma era uma guria aventureira, e totalmente a frente do seu tempo, seus pais a colocaram nas melhores escolas para mulheres na França, seu país de origem, onde aprendeu como ser uma boa "esposa", porém também teve acesso a livros, artes e foi exatamente com isso que seu coração se encantou!!! E quando em uma festa aparentemente de negócios Emma percebeu que o negócio era ela ... Seu coração entrou em desperto e todo o seu sonho começou a se desfazer!!!! E em uma atitude de despero juntou algumas roupas, jóias, moedas de ouro e entrou na primeira embarcação rumo a terra nova onde foi acolhida carinhosamente por aquele homem que encontrava sumido ... E ela faria de tudo agora para encontra lo e claro para se aventurar nessa terra nova e quem sabe escrever um livro sobre todas as histórias que iria viver .... Já pensava até mesmo no título do seu livro!!! 
    Então Emma vestiu-se, prendeu seu cabelo em um coque perfeito, com alguns cachos caídos e desceu ao encontro do grupo .... E deparou com um alemão, dois nativos exuberantes que já sentiu a vontade de chegar mais próximos deles e analisa Los ... E uma negra ... E se apresentou em um sutaque forte frances ...
    - boa tarde senhores, meu nome e Emma Rousseau, gostaria de ir com vocês nessa expedição em busca do meu grande amigo. - fazendo reverência com a saia.
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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Saskwatch em Dom Mar 24, 2019 7:40 pm

    Chegando na estância Aimberê concordou com a orientação de Anahi, e vestiu-se com sua túnica, não queria gerar nenhum desconforto à senhora

    O jovem índio ficou satisfeito em perceber que a casa da Senhora Juliana estava em ordem a pesar da ausência do marido;

    - Aimberê fica alegre que a sinhora ta bem, não preocupa não, vô acha o Sinhô Sebastião pra sinhora. - Disse para tentar conforta-la.

    Ao entrar cumprimentou respeitosamente João e Luzia, e se serviu, de alguns vegetais, e um pedaço de pão.

    Aimberê não gostava muito de carne de criação, não tinha gosto de animais que se alimentam na mata, e os temperos tiravam todo o sabor que a carne.

    Segurou seu prato em uma das mãos e pôs-se em pé, próximo de juliana, comendo com uma das mãos, e o prato bem próximo ao rosto.

    - Conta pra nóis sinhora, como sucedeu o sumiço do Sinhô Sebastião, conta tudo que Aimberê acha ele ligero.

    Pegou mais um pedaço de pão, e ficou aguardando atentamente, enquanto limpava o fundo do prato,  detalhes para que pudesse iniciar as buscas o quanto antes.
    Padre
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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Padre em Seg Mar 25, 2019 3:35 pm


    Resgate

    Ashanti Uba




    Intrigada pelas experiências do rapaz com seu povo, ainda tentava disfarçar mantendo os olhos nas correntezas.

    [Português] Então, o senhor tem mais experiência com eles do que eu. Vindo pra cá quando eu era apenas uma menina tudo que eu tenho são lembranças antigas e histórias que ficaram para trás. ― Apesar do relato com ar de tristeza, sua feição era dura como pedra, aquela mulher sabia segurar as emoções como ninguém. Não se considerava muito no que se tratava de força física, mas depois de tudo o que havia vivido sem quebrar, seu psicológico era de um em um milhão.

    Após fazer a pergunta sobre os inimigos de Sebastião, não esperava nenhuma resposta conclusiva já que seu objetivo com aquela questão era só desviar a atenção de si mesma, suas suspeitas estavam certas, ninguém sabia de nada e nem tinham teorias e montar planos ali não adiantaria de nada, teriam mesmo era que lidar com a adversidade. Um escravo sempre antes de fugir fazia um plano com 1000 de hipóteses e ainda assim eram pegos. Estava insatisfeita, mas guardaria o comentário pra si.

    A viagem prosseguia sem nenhuma conclusão definitiva, Ashanti aproveita o tempo para descansar e recuperar suas forças, tudo seguiu tranquilo até que finalmente chegaram a Ilha de Santo Amaro. Ashanti agradece o barqueiro fazendo uma reverência, porém sem se dirigir diretamente a ele, até porque mesmo o melhor de seus atos poderia ser mal interpretado quando se tratava dela, uma lição que havia aprendido cedo.

    Iniciando então a caminhada então admirava os campo de algodão e cevada que adornavam o cenário, com o tanto de ovelhas que havia visto chegava a conclusão que mesmo que seus senhores fossem influentes, Sebastião com toda certeza estava em outro nível.

    Não demorava até que finalmente chegassem a casa principal, com olhos despreocupados era pega de surpresa pelos outros vermelhos de Juliana. Ao ver a esperança se formar nos seus olhos com aquela visita, seu peito apertava, mas não demonstraria fraqueza, não em frente a mulher que havia lhe devolvido tudo que havia perdido. Se aproximando de Juliana, apertava as suas mãos.

    É uma honra poder revela, senhora Juliana, só acho uma pena que seja mediante a esses termos. A senhora e o senhor Sebastião fizeram muito por mim quando eu já não via mais chance de viver uma vida de verdade, por isso farei o que estiver ao meu alcance para que tudo retorne ao seu devido lugar.

    Beijava então as mãos da moça e se afastava dando espaço para os outros, era a primeira vez que Ashanti abria um sorriso desde que a viagem havia começado, lhe trazia alegria genuína estar perto daquela mulher, com Juliana, eram duas iguais, ela era uma pessoa de verdade, não uma senhora e uma preta sem valor.

    Seguindo Juliana até a cozinha, cumprimentava tanto João quanto Luzia e então sentava-se a mesa e iniciava sua refeição.

    Senhora Juliana, eu já te disse antes, é uma honra poder estar aqui com a senhora novamente. Agora nos diga exatamente o que aconteceu, quanto mais cedo partirmos, melhor, não poupe detalhes. É difícil, mas se agarre na esperança, ao invés do desespero.

    Encostava então nas mãos de Juliana com a intenção de trazer-lhe algum conformo, mesmo que pequeno.

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    Mensagem por vontheevil em Seg Mar 25, 2019 5:34 pm

    Continuando a conversa com a negra no barco
    - Ashanti, eu sei que é faz parte da nossa natureza idealizar nossas origens, mas entre o teu povo que passa fome e guerreia constantemente com seus vizinhos meu povo que contruiu maravilhas mas ainda vive desviando de dejetos no chão e o povo de Anahi e Amberê sujeitos a civilização nenhuma e a doenças, sempre o que é nosso que parece ser melhor. Vista tua herança negra com orgulho, mas não esqueça de que todos somos defeituosos, e quanto mais distantes das civilizações clássicas mais conspurcados somos. Não veja isso como uma altercação, é mais uma lição, meu povo tem muito a aprender com teu povo mais primal e talvez até mesmo com os índios da mesma maneira que vocês tem muito a aprender conosco. Um dia com calma quero ouvir as histórias da tua infância e tuas cantigas de ninar e as lendas de vocês. Como dizem na Alemanha teu Volk Lore as conversas do povo

    Chegando na casa de Juliana Heimart se mantem circunspecto e respeitoso, meio que sem saber como lidar com a tristeza da perda da moça que provavelmente é jovem mas que apresenta-se descuidada com as dificuldades de morar fora da civilização quase que completamente. 4 a 6 semanas para um navio chegar na europa com uma carta e mais 3 ou 4 semanas para voltar ao Brasil, isso sem contar o deslocamento pelo litoral que pode levar mais 2 semanas... ou seja uma notícia que ocorra em Heidelberg levaria meio ano para chegar a Juliana... e nessas divagações eu entro na casa

    Como avidamente a comida simples e diferente dos locais enquanto escuto as teorias de Juliana, reforçando quando Aimberê fala para ela contar tudo o que aconteceu.
    -Aimberê falou de inimigos, senhor Sebastião tinha algum inimigo branco por aqui? e as tribos?

    Distraidamente enquanto Anahi pede fogo me afasto da mesa e trago uma vela acesa para perto da índia e fico esperando ao lado dela para experimentar o tal Tabaco, Nicotiana tabacum que diziam ter fama de curar dores de estômago ou dores de cabeça


    Gelatto
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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Gelatto em Seg Mar 25, 2019 8:29 pm

    Juliana de Veiga, quando recebeu seus amigos, havia notado que Anahi e Aimberê vestiam as túnicas, apesar de um pouco gastas, que ela humildemente costurara e lhes dera de presente tempos atrás. Ela se deixou sorrir por ainda utilizarem o presente, mas nada comentou, seu olhar de carinho era tudo que ela tinha naquele momento.

    Durante a refeição era nítida a mistura de aflição e felicidade de Juliana com a presença de todos, e apesar de não aguentar aguardar o término da refeição, ela suplicava por ajuda enquato caía em prantos.

    Conforme era indagada por Aimberê, Ashanti e Heimdart, a pequena Anahi se encolhia em seu canto enquanto pedia fogo para seu cachimbo ornamentado e sendo atendida por Heimdart, então a atenção de todos se volta para a passagem da cozinha para a sala onde uma bela moça toda elegante e bem arrumada se anuncia em português com um sotaque, que apenas Heimdart reconhece como sendo francês: -"Boa tarde senhores, meu nome é Emma Rousseau, e gostaria de ir com vocês nessa expedição em busca do meu grande amigo.", termina fazendo reverência com a saia do vestido.

    Juliana soluça um pouco antes de apresentar a moça: -"Ah, Emma, não gostaria de pedir isso para você, mas sou muito grata! Deixa eu lhes apresentar, esta é Emma Rousseau, ela veio da França. Ela está conosco há algumas semanas e é muito atenciosa. Como alguns de vocês ela também tem um passado conturbado. Ela veio escondida no barco de provisões e pediu por nossa ajuda. Ela foi prometida contra sua vontade a um casamento arranjado e agora está aqui, escondida. Peço por gentileza que não comentem sobre ela, isso poderia trazer problemas para Sebastião..." e então ela volta a soluçar, aflita.

    Luzia se aproxima da ama e a consola com um abraço. Apesar de Luzia e João serem escravos libertos por Sebastião, eles tem consciência da sua situação neste novo mundo, neste falso país das oportunidades, o casal de velhos caboclos ainda vive como ajudante da família Veiga, sendo tratados como membros da família.

    Anahi acende seu cachimbo e oferece aos presentes. Enquanto o aroma do fumo preenche o aposento, todos vão ficando mais tristes com a situação. Ninguém de bom coração merece passar por aquilo. Aos poucos Juliana começa a se recompor, enxuga as lágrimas em um pequeno lenço, tentando manter a compostura, responde às questões:

    -"Desculpem minha fraqueza. Hoje já fazem catorze dias que Sebastião desapareceu. Ele saiu de barco levando um pequeno baú com dez mil réis para pagar uma dívida para com Nicolau Dias, dono de um engenho em Bertioga. Aqui, vejam." Neste momento, João entra pela porta trazendo um rolo de papel e o entrega para Juliana. Ela abre na mesa o rolo que revela um mapa da região de Bertioga. Alguns locais estão assinalados e ela aponta para os locais conforme vai explicando.

    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA IMG_20190318_204456546

    -"Ele mora aqui! Mas um dos soldados dos Forte de São Thiago, Fernandes, se me lembro bem, achou o barco dele na beira do rio, perto desta bifurcação que leva de um lado para o mar e outro para o engenho..." [OFF: letras "nt" da palavra "Santo"/OFF] ..."Não havia nenhum sinal de Sebastião, nem do baú. Claro que não fiquei parada, quando a notícia chegou eu fui atrás do meu marido! Questionei vários moradores da região, mas ninguém viu sinal dele antes ou depois do incidente. Eles ficam falando que ele deve ter morrido em algum lugar, mas eu não acredito nisso, meu coração me diz que ele está em algum lugar, ferido ou preso e não consegue voltar para casa. Tenho esperanças de encontrá-lo. Principalmente agora com vocês. O velho alcaide de Bertioga faleceu alguns meses antes e não há ninguém obrigado a procurar por Sebastião nesta área. Por isso recorro a vocês, meus amigos e amigos de Sebastião! Por tudo que é mais sagrado! Me ajudem a encontrar meu marido!"

    O mapa estará disponível no primeiro tópico para fácil localização futura.
    Próxima ronda está programada para quinta-feira. Se não chover.
    Padre
    Cavaleiro Jedi
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    [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA Empty Re: [!ON!] Os Fogos de Bertioga - AVENTURA

    Mensagem por Padre em Ter Mar 26, 2019 12:03 am


    Resgate

    Ashanti Uba




    Ashanti ouvia a visão que Heimdart tinha sobre a questão cultural e territorial e sobre povos, uma vã tentativa de tira-la do que ele achava que era sua frustração.

    Minha história não é minha cultura, nada disso tem a ver com as terras propriamente ditas, estrangeiro. Talvez isso seja um pouco complicado para você entender, mas se trata de identidade e de conexão, não sobre estar lá fisicamente ou sofrer o que eles ainda estão sofrendo. E não se engane, eu sou firme no que acredito, mas não vejo isso como uma altercação. E sim, eu entendo algumas de suas palavras difíceis, minha senhora me criou para ser A serva de casa e não mais uma. Mais uma última coisa, estrangeiro, guarde suas lições para quem pedi-las, nós nos conhecemos agora, não tome um lugar que não lhe pertence.

    Era perceptível o modo como aquele homem os observava e apesar de não sentir raiva, definitivamente ficava incomodada com a ideia de um homem que não havia vivido 1/3 do que ela viveu querer lhe ensinar lições. Existe lição mais importante do que a que a vida nos ensina?

    No jantar, quebrava o coração da escrava ver o estado que estava Juliana, infelizmente não podia tirar aquela dor dela, aquela dor precisava ser vivida, esse é o fardo de todo ser humano. Tentando acalma-la colocando sua mão sobre a de Juliana, reparava na chegada da nova mulher e o pedido inusitado, após a explicação de Juliana, Ashanti se vira para ela e lhe manda uma direta enquanto a olha nos olhos.

    Se estiver disposta a morrer... O que nos aguarda com certeza não vai ser fácil, Emma Rousseau, muitos perigos, perigos reais, acha que consegue lidar?

    Então, após a resposta volta a sua atenção para Juliana, ainda com as mãos sobre as da mulher, só a soltando quando Luzia se aproxima. Fez então um sinal positivo com a cabeça para a mulher, logo em seguida olhando para Anahi, agradecia e recusava o convite.

    Nicolau Dias... Nâo posso esquecer esse nome.

    Ouvia a explicação concordando e observando cada ponto levantado por Juliana e em seguida levantava-se.

    Senhora Juliana, seja como for, eu te prometo que o encontraremos, mas é cedo para tirar conclusões. Gaste sua energia nos desejando forças, de resto, nós vamos até lá. Sugere algum lugar específico para começarmos?

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