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    Noite Carmim

    Christiano Keller
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    Mensagem por Christiano Keller em Qui Jul 25, 2019 9:19 pm

    Toshiro escuta os comentários de Raizou, ele não seguia o Bushido, era um péssimo exemplo para aqueles que se diziam servos do povo, porém era necessário que fosse tolerado pois ele estava do lado do Imperador e todos tem seu momento de aprendizagem. A compaixão, paciência e honra seriam testadas pelo comportamento grosseiro de Raizou. Toshiro esperava que se vencesse Raizou ele veria que seus hábitos inadequados precisavam ser revistos e que o comportamento de Toshiro era o correto.
           --Vamos ver se tem algum prazo? Se houver tempo e deve haver, então treinamos. Nossas ações guiarão o futuro do Japão Raizou-desu, logo precisam ser comedidas e importantes. A mente de Toshiro ignorava os comentários inadequados de seu colega. Ele havia feito tudo o que era capaz, era pouco, mas merecia respeito dos outros que poderiam fazer muito mais do que ele. Por um momento Toshiro pensa em ensinar Asami a suar a espada, será que ela treinaria?
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    Mensagem por Tellurian em Sex Jul 26, 2019 4:50 pm

    Raizou elogia a determinação de Toshiro e seu foco primeiro no dever. Ele chama o Kouhai para sentar-se junto com ele na área de convivência para um chá, para que pudessem conversar reservadamente sem chamar muita atenção. Sentaram em uma chabudai¹ mais reservada, protegida da visão de curiosos por Shoji².

    Raizou sentou-se de forma descuidada, com sua espada apoiada sobre o ombro. Toshiro, como de costume, sentou-se em seiza³ com a espada de prontidão ainda atada a obi4. Aguardaram alguns segundos, enquanto Raizou tagarelava de forma rude sobre amenidades. Em pouco tempo, um dos Hikari apareceu para iniciar o serviço à mesa.

    Toshiro sentiu o coração pular uma batida quando percebeu que quem faria o serviço de sua mesa seria uma constrangida Asami. O velho Hikari, no fim das contas, não ousou desrespeitar a ordem de um samurai. Raizou sorriu quando viu a moça, mas guardou as suas grosserias para si mesmo, para alívio de Toshiro.

    A moça se aproximou e começou a posicionar sobre a mesa o serviço de chá.  Dois copos de porcelana e um bule fumegante. A moça tinha o semblante tenso, mas ainda assim era graciosa. Afastou a divisória Shogi em um movimento fluido, mesmo segurando a bandeja desajeitada. Ela se ajoelhou ao lado da mesa e posicionou os copos. Uma mecha de cabelo se soltou do coque e caiu diante dos olhos da moça, e ela afastou gentilmente a mecha para trás da orelha. Toshiro notou que seus cabelos tinham cheiro de camomila. A moça apanhou o bule, e serviu o chá aos samurais. Em silêncio, fez uma reverência caprichosa, e ficou de pé para se retirar. Toshiro notou que ela lançou um olhar a ele, mas quando os seus olhos encontraram, ela desviou o olhar rapidamente. E saiu, fechando a divisória.

    -"Se eu tenho que admitir algo, Toshiro-kun, é que você sabe escolher bem. A moça é uma preciosidade."- Ele lançou um olhar lascivo à Asami quando ela virou-se para sair, acompanhando o movimento dos quadris da moça com os olhos. -"Mas, vamos aos negócios. Há um racha em Choushuu. Uma disputa de poder. Mori Takashika foi morto durante um bombardeio dos bárbaros a Shimonoseki. Saigo Takamura, chefe da nossa facção, está ensaiando uma aliança com Kogorou Katsura, lider dos Ishin Shishi de Choushuu. Porém, as vozes de apoio ao Xogum tem crescido dentro de Choshu, principalmente depois de os termos esmagado durante a rebelião de Hamaguri. Aquilo foi um fiasco e tanto pra eles.5 - Raizou decidiu dar um gole em seu chá. Queimou a língua e soltou uma praga quando um pouco do chá escorreu pelo seu queixo e atingiu seu quimono.

    -"É aí que você entra. Seu alvo é Yagoro Tsuchimichi, um senhor de Choushuu que está tentando negociar uma trégua entre a facção xogunal de Choushuu e as tropas do shogum. Não podemos permitir que isso aconteça."

    Notas:

    ¹- Mesa de café tradicional japonesa, com altura máxima de 30 cm e ladeada de almofadas.

    ²- divisórias feitas de bambu e papel de arroz, que correm em treliças. Usadas pra separar ambientes nas casas japonesas.

    ³- de joelhos. Uma posição formal.

    4- Faixa utilizada para amarrar os quimonos

    5- Acontecimentos reais da guerra boshin. O Imperador, em uma tentativa de interferir na sucessão xogunal, emitiu aos Daimyo da época uma ordem para expulsar os bárbaros. Isso fez muitos senhores feudais, sobretudo os do dominio de Choushuu, iniciarem uma sequencia de ataques a ocidentais. Tais ataques foram considerados graves ofensas diplomáticas pelas autoridades britânicas, que responderam bombardeando de forma cruel os feudos de Satsuma e Choushuu. Choushuu se rebelou imediatamente, embora Satsuma tenha, num primeiro momento, adotado uma postura dissimulada de apoio ao xogunato e aproximação aos britânicos. Quando alguns senhores rebeldes decidiram atacar o palácio imperial, Satsuma lutou ao lado de Aizu na defesa do palácio, esmagando a rebelião de Choshu. Mais tarde, os samurais de Aizu que lutaram nessa rebelião se tornariam o Shinsengumi.

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    Mensagem por Christiano Keller em Seg Jul 29, 2019 4:29 pm

    Toshiro ouviu as ordens e agora pensava em como executar aquilo, no entanto também pensava sem Asami e como resolver essa situação. Com a espada era algo simples, bastava usar a arma de maneira implacável e eficaz como havia feito tantas vezes, já com Asami as palavras e gestos deveriam ser adequados em uma obra de arte para encantar a jovem.
    -- Raizou, agora que sei o que preciso fazer, vamos tomar o chá para então treinar. Toshiro bebe um pouco de chá. Tenho pensando nestes bárbaros e em sua relação com o Bushido. Acredito que como são incapazes de seguir os ensinamentos então buscam artifícios e truques para vencer os homens sem a espada. Como o bombardeio, a pólvora e tudo mais. Mais um gole de chá. Com estes novos truques que remetem aos assassinos sem honra do passado penso que como nós aprendemos a lutar contra correntes e shurikens, agora precisaremos adaptar novas soluções para a pólvora. Toshiro termina o chá e confere se Raizou também já acabou o seu chá. Quando Raizou terminar o chá Toshiro convidará Raizou para treinar.

    No fundo de sua mente enquanto tomava chá com Raizou, os pensamentos sobre Asami tomavam conta de Toshiro. O chá era do jeito que Toshiro havia comentado que gostava para Asami, então ela prestou atenção e se esforçou para agradar. Isso era um sinal positivo e motivava Toshiro em conversar mais com Asami, não sabia como poderia agradá-la naquele momento. Talvez algumas flores ou uma faixa colorida poderia ser de seu interesse.

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    Mensagem por Tellurian em Ter Jul 30, 2019 4:04 pm

    Raizou toma seu chá sem pressa. Ele parece apreciar o aroma e o sabor do chá preparado por Asami. Ouvir nunca fora o forte de Raizou, e Toshiro desconfia que a mente de seu senpai pudesse ter vagado para outro lugar enquanto falava, mas suas suspeitas foram refutadas quando o samurai sorriu e sacudiu a cabeça.

    -"É de fato impressionante. A espada demanda uma vida de dedicação e treinamento. Mas com uma arma de fogo, em apenas alguns minutos, mesmo uma criança pode derrotar um mestre. O que estávamos fazendo esse tempo todo? Como os bárbaros nos superaram tanto? Temo, Toshiro-kun, que sejamos relíquias ultrapassadas de um tempo que está morrendo."- havia tristeza sincera na voz de Raizou. Toshiro foi pego de surpresa, jamais esperava uma reflexão filosófica profunda vindo de um pulha como Raizou.

    Após o café ambos foram até o jardim de inverno da pousada, para treinarem. Toshiro providenciou dois bokutou¹ que tinha guardado em seus aposentos. Raizou reclamou que o lugar era pequeno demais, mas afirmou que ao menos era suficiente para que pudessem trocar alguns golpes.

    Quando iniciaram o treinamento, Toshiro percebeu de imediato a indisciplina no regime de treinos de Raizou. Ele estava lento, com movimentos desleixados. Dependendo muito de força bruta e com pouco refino em sua movimentação. Porém, ainda assim, oferecia uma oposição digna do suor de Toshiro. Apesar de nos três primeiros confrontos Toshiro ter mostrado dominância, Raizou aos poucos foi se acostumando à velocidade e movimentos de Toshiro, e começou a recuperar vagarosamente a antiga forma, tornando as coisas mais interessantes.

    Após dez confrontos, todos com vitória de Toshiro, Raizou riu ao devolver a sua Bokutou ao seu kouhai.

    -"Estou enferrujado, pelo visto. Toshiro-kun, você melhorou muito! Por isso é o homem certo ao trabalho."

    Notas:

    ¹- Espada de madeira utilizada em treinos. O Shinai (espada de bambu) não tinha sido inventado ainda.

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    Mensagem por Christiano Keller em Ter Jul 30, 2019 7:50 pm

    Toshiro estava contente por ter superado Raizou como aluno mais velho e mais experiente, no entanto estava ciente de que seu adversário fora indisciplinado.
    -- É assim que tudo funciona Raizou-kun, homens certos nos lugares certos. Muito obrigado pela oportunidade do treinamento. Tenho coisas pra fazer agora. Toshiro precisava estudar o trabalho e fazer as provas sumirem.

    Toshiro vai até seu quarto e guarda os dois bokutou. Lá Toshiro lê as instruções do serviço, todas as informações sabidas do alvo, Yagoro Tsuchimichi. Dever era algo importante para Toshiro, logo este serviço precisava ser executado em breve. No entanto Toshiro tinha um assunto inacabado com Asami. Toshiro memoriza as informações sobre o alvo e faz um exercício de visualização, com algumas das muitas possibilidades de realizar o serviço. Minutos depois Toshiro queima as informações no fogareiro como hábito pois não era adequado deixar estas informações disponíveis para outras pessoas.

    Antes de falar com Asami, Toshiro iria se limpar para tirar o suor e o cheiro do treino. Uma vez limpo e devidamente vestido, Toshiro procura por Asami. Ao encontrar Asami, num momento oportuno, Toshiro diz para Asami:
    -- Asami-san, creio que ambos fomos tomados pelos nossos deveres na última vez que conversamos. Quando podemos conversar? Toshiro deseja conversar com Asami, entender melhor como ela se sente, seus desejos e temores. Toshiro sabia que como samurai poderia ordenar que Asami fizesse coisas para ele, porém não era essa a sua intenção.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Ago 01, 2019 5:14 am

    Após o treino, Toshiro sentia-se gratificado não apenas por finalmente ter conseguido realizar um exercício digno, como também em notar o quanto progredira. Estava orgulhoso de sua própria habilidade, mas seus pensamentos voltaram-se rapidamente para Asami. Toshiro gostaria de encontrá-la novamente, e imaginou que a familia ofereceria menos resistência, dada a aparição da moça no serviço de chá anterior ao treino. O samurai lavou-se rapidamente, animado pela sequencia de bons acontecimentos. Hoje era um bom dia, pelo visto.

    Toshiro desceu as escadas de seu quarto e encontrou Hikari Touda na área comum da hospedaria, limpando mesas. O samurai se aproximou, e o rapaz o cumprimentou com um sorriso e perguntou-lhe se poderia servir-lhe algo. Contudo, quando Toshiro questionou-lhe sobre onde estava Asami, a cor abandonou o rapaz, que ficou visivelmente constrangido. De forma hesitante, respondeu-lhe que a irmã fora designada para o serviço na cozinha. Toshiro indaga o rapaz a respeito do horário de serviço da moça, e o rapaz coça a nuca, respondendo-lhe de forma evasiva que não saberia dizer, pois os pais modificavam o horário de serviço da família de acordo com a necessidade dos hóspedes. Toshiro notou que o rapaz hesitava em permitir que ele se encontrasse com sua irmã. Toshiro informou-lhe que aguardaria a moça na área comum e sentou-se em uma das chabudai mais à vista, na esperança de avistar Asami.

    Surpreendeu-se quando uma moça bem jovem, de pouco mais de quinze anos de idade, aproximou-se de sua mesa. Era Hikari Kagura, caçula dos Hikari, irmã mais nova de Asami. Ela tinha um sorriso travesso no rosto quando ajoelhou-se ao lado da mesa de Toshiro e começou-lhe a servir o chá. O samurai ficou confuso por alguns momentos, mas notou que havia um pequeno bilhete sob o copo de chá. A moça deu uma risada juvenil e fez uma reverência ao samurai antes de dizer-lhe que aproveitasse o chá.

    O cheiro de ameixas brancas que emanava do papel remeteu-lhe imediatamente ao perfume usado por Asami, e o samurai precisou conter um sorriso. "Restaurante Aoki-ya. Trinta minutos", informava-lhe uma graciosa caligrafia no papel perfumado.

    Toshiro sentia o coração palpitar em seu caminho até o restaurante. Ficava a alguns quarteirões de distância, e seu estado de espírito durante o caminho alternava entre ansioso, eufórico e paranóico. Por mais que sua mente fantasiasse com o cheiro de ameixas brancas da nuca de Asami e seus lábios vermelhos, velhos hábitos não são fáceis de suprimir. O Hitokiri mantinha sua guarda, com atenção aos passantes, calculando rotas de fuga.... e nutria o desconfortável pensamento de que tudo não poderia passar de uma armadilha. Quando alcançou o restaurante, hesitou em entrar. Caminhou até uma esquina onde podia observar a entrada e saída de pessoas sem ser visto. O restaurante era um tradicional. Ele não possuía portas, de modo que quem passava na rua conseguia ver quem estava dentro. O restaurante consistia basicamente de um grande balcão central, onde o cozinheiro preparava o ramen para os clientes que sentavam-se em banquinhos altos junto ao balcão. A privacidade era garantida apenas por uma grande cortina que deixava visível apenas abaixo dos ombros dos clientes que já haviam sentado nos bancos.

    Após alguns minutos de espera, viu Asami caminhando pela rua, e olhando em volta antes de entrar no restaurante. Toshiro aguardou pacientemente mais alguns momentos, para certificar-se de que a moça não havia sido seguida. Ninguém nunca morrera por excesso de zelo. Quando deu-se por satisfeito, adentrou o restaurante e encontrou uma cabisbaixa Asami, que visivelmente lamentava não ter encontrado com Toshiro assim que entrara. Ele se aproxima de repente da moça, que se assusta quando ele se anuncia repentinamente.

    -"Asami-san, sempre bonita não importa as circunstâncias"

    A moça se assustou inicialmente, mas logo o seu sorriso iluminou novamente o seu rosto quando ela reconheceu Toshiro, e respondeu-lhe com uma voz carinhosa: -"Yamamoto-dono! Achei que você não viria.". E então, a moça se senta em um dos bancos elevados atrás do balcão e pede um chá

    Toshiro se senta ao lado da moça e sente-se confortável o suficiente para um galanteio, dizendo-lhe que atravessaria o mundo por ela. A moça ri, encabulada e de forma adorável, do galanteio de Toshiro que não pode evitar a reação de rir também.

    -"Bajulação não combina com o senhor, Yamamoto-dono."- a moça lhe dá um sorriso lisonjeado, e Toshiro pode ver a ternura na forma que ela ajeita os cabelos para trás da orelha.

    -"Verdade, mas não poderei saber mais de você sem um tratamento adequado"- o samurai segue o exemplo de Asami e pede ao cozinheiro que lhe sirva um chá.

    -"Não há muito a ser dito sobre mim, a bem da verdade. Uma moça de família, filha de mercadores. Nunca saí de Kyoto, e tenho certeza que nem a cidade inteira eu conheço" A moça segura o copo de chá com as duas mãos e toma um pequeno gole. Ela tem um sorriso tímido no rosto levemente corado, que a deixa com um aspecto ainda mais adorável que o de costume. -"Diga, Yamamoto-dono, porque o senhor insiste tanto em falar comigo? Tenho certeza que existem jovens mais atraentes e mais adequadas a um homem de sua posição."[/color]

    Toshiro estava no meio de um gole quando Asami lhe fez a pergunta, e acabou por queimar a lingua com o chá quente ao tentar responder rapidamente.

    -"Asami-san, não diga mentiras. Você é atraente e muito adequada. Você segue os fundamentos do Bushido mesmo sem saber o que ele é."- Toshiro acerta seu gui, limpando as pequenas manchas de chá que caíram nele após se engasgar pela velocidade na qual respondeu ao questionamento da moça. -"Como samurai, eu tenho o dever de seguir o Bushido, é algo importante para mim. Esse conjunto de valores mostra o que há de melhor nas pessoas. E você é assim naturalmente, instintivamente. A melhor das pessoas"

    Asami ri. Toshiro não pode deixar de perceber uma pontada de ironia no riso da moça, mas um riso paradoxalmente inocente. De moça inocente tentando fingir que sabe da vida. E ela tem a voz sarcástica ao perguntar -"E o Bushido autoriza um samurai a casar-se com uma filha de mercadores?"- a moça observa Toshiro com um olhar de sabichona no rosto, mas sem que o sorriso a abandone.

    -"Isso não é um problema para o Bushido. Além do mais, se todos exercerem a compaixão do Bushido, isso seria comemorado."- O samurai poderia embriagar-se naquele perfume de ameixas brancas que a moça emanava.

    -"Um samurai tem orgulho de sua posição. Eu sinceramente nunca ouvi falar de um que tenha abandonado seu status por amor."- a moça sorria, mas o semblante era tenso. Ela desejava que Toshiro lhe fosse sincero. Asami era uma moça jovem, que sonhava com uma grande história de amor. Sentia que seus anseios lhe acenavam, mas mantinha uma postura cética e cautelosa em relação ao samurai.

    Toshiro riu. A moça era mais inocente do que ele imaginava, mas isso conferia-lhe apenas um ar mais adorável.

    -"Para tudo ha uma primeira vez. No entanto, eu não seria o primeiro. Kagoro Katsura, senhor do feudo de Choushuu, já fez isso."- A história do casamento entre Katsura Kagoro e a Geisha Ikumatsu havia sido um escândalo, com graves consequências aos Ishin Shishi. Porém, Toshiro achou por bem poupar Asami dos detalhes cruéis.

    -"Então, Yamamoto-dono, abandonaria seu título e honrarias por mim?"- a face de Asami estava corada de um vermelho intenso, que alcançava-lhe as orelhas. Tinha a voz de donzela emocionada, denunciando que fora vencida pela expectativa.

    -"Você acha que eu não deveria? Que seria melhor buscar uma vida sem amor?"- Toshiro teve o desejo de tomar a mão da moça, mas conteve seu ímpeto.

    -"Amor..."- a moça arregala os olhos ao falar. Toshiro entende imediatamente que a moça tomou suas palavras por uma confissão de amor. Ela cora ainda mais, e então abaixa os olhos para seu copo de chá, que segura com as duas mãos. -"M-meus pais... Eles dizem que o senhor quer me fazer mal."

    -"Jamais faria isso, Asami-san. Se quisesse fazer o mal, não respeitaria seus horários de trabalho ou conversaria com você. Até posso ensinar-lhe a usar a espada, para se defender."- Toshiro pareceu ultrajado por alguns breves momentos, mas conteve sua ira por sabe que os pais apenas estavam preocupados com a amada filha.

    -"Não é necessário que o senhor use honoríficos comigos, Yamamoto-dono." - Asami levou um dedo ao cabelo e começou a brincar com uma mecha, como se não soubesse o que fazer com as mãos. Sorria um sorriso iluminado.

    -"Então, Asami, posso cortejar você?"- Toshiro tomou a mão da moça entre as suas, de forma gentil. Sentiu o calor da palma da moça e sua pele macia.

    -"Meus pais não darão a permissão deles, Yamamoto-dono. Eles estão convencidos que o senhor deseja apenas se aproveitar de mim.- Asami tremeu ao toque de Toshiro, mas não recolheu a mão.

    -"E você, Asami?"- Toshiro deslizou o polegar de sua mão pelas costas da mão da moça, acariciando-lhe e desfrutando do toque de seda da pele da moça contra a sua.

    -"E-eu nunca me encontrei com um rapaz antes. Não sei o que exatamente se deve fazer."- Asami era uma moça bastante jovem, Toshiro percebia. Estava corada até o couro cabeludo, e evitava contato visual com o samurai. Mas seu sorriso era um facho de luz.

    -"Primeiro, nós conversamos. E, se você enxergar um futuro ao lado do rapaz, você encontrará o caminho necessário para construir esse futuro. Suas ações constituirão o caminho, Asami."- Toshiro sorria em resposta ao sorriso da moça. Sentia como se não houvesse outra reação possível.

    -"Então, sim, Yamamoto-dono. O senhor tem a minha permissão para me cortejar. Por favor, cuide de mim."- Toshiro sentiu o polegar da moça deslizar pela sua mão, respondendo e retribuindo suas próprias carícias.

    -"Assim o farei até que você escolha o contrário, Asami. Lembre-se de compartilhar comigo a sua visão de futuro. Não sou adivinho, e preciso saber das coisas que você gosta."- Toshiro preocupava-se em desvendar os segredos da moça. Nunca tivera muito talento no trato com as damas, e temia que sua falta de habilidade cobrasse um preço elevado.

    -"Uma mulher precisa de seus mistérios e desafios, Yamamoto-dono. Mas não se preocupe. Creio que o senhor esteja a altura deles."- Asami sorriu de forma zombeteira à Toshiro. Não, ela não facilitaria para ele. Era um desafio, mas o Bushido era claro em como samurais devem encarar desafios com regojizo.

    -"Eu... preciso ir. Estou feliz, Yamamoto-dono. Até breve."- a moça soprou um beijo ao se despedir de Toshiro, e a sensação macia de sua mão quente permaneceu na dele mesmo depois dela tê-lo soltado. Mesmo depois que Asami se fora do restaurante, Toshiro era capaz de sentir o cheiro de ameixas brancas sobressair-se ao das especiarias que temperavam o saboroso macarrão do Aoki-ya. O mundo parecia mais colorido, com mais aromas e com mais música.

    Mas, o dever o convocava. Havia uma era a destruir.
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    Mensagem por Christiano Keller em Qui Ago 01, 2019 5:44 am

    Toshiro terminaria de jantar no restaurante e planejaria seus próximos passos. O alvo era um senhor, o que poderia significar guardas e rotas de fuga para uma perseguição. O planejamento para a próxima ação era importante. Enquanto comia, Toshiro usava partes da comida como referência em seus planos, pedaços de comida diferentes para coisas diferentes, entre homens, construções e opções. Brincar com a comida era algo que Toshiro poderia fazer sem levantar suspeitas ou deixar provas, sua visão de futuro ficaria mais consolidada.

    No entanto uma preocupação surge no coração de Toshiro, Asami. Pessoas os viram no restaurante, alguém poderia usar Asami contra Toshiro. Seria necessário usar da discrição para seus encontros com Asami. Pensando em coisas que o preocupavam, Toshiro resolve fazer uma vistoria na região em que faria seu trabalho, poderia fazer uma primeira tocaia ainda nesta noite. Toshiro termina de comer, paga o cozinheiro e agradece pela refeição. Enquanto paga, Toshiro lembra que precisaria ganhar dinheiro em breve e pensa em quantas pessoas ele contou no restaurante, quanto foi a refeição, para então fazer a conta de quanto o cozinheiro estava ganhando. Um negócio seria uma boa opção, porém talvez Toshiro devesse comprar imóveis e alugar, pois assim não teria tanto trabalho. Toshiro cogita as possibilidades enquanto caminha pela noite fria da cidade.

    A tocaia se inicia.
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    Mensagem por Tellurian em Ter Ago 13, 2019 9:41 pm

    A perseguição ao alvo se iniciara. Toshiro não apreciava a caçada, pois preferia se concentrar no caminho da espada. Treinos físicos, suor honesto. Dois homens colocando coração e espírito em sua lâmina e dispondo de suas vidas para que possam alcançar o aprimoramento. Sempre almejando montanhas mais altas. O caminho do assassino, que a vida havia levado Toshiro a percorrer, era mais sombrio. Exigia dissimulação, astúcia, e muitas vezes, determinação em ignorar o que soava tremendamente errado. Tudo em nome da missão. Tudo em nome da vinda de uma nova era.

    Toshiro, até o momento, sabia apenas o nome do alvo e seu feudo de origem. Porém, desconhecia seu paradeiro. Não sabia mais nada a respeito de Yagoro Tsuchimichi. Porém, o tempo que trabalhou como Hitokiri nas fileiras dos Ishin Shishi o havia treinado no ofício. Conhecido pessoas. E algumas dessas pessoas tinham reputação duvidosa. Porém, para encontrar ouro, é preciso cavar fundo. Toshiro evitava o máximo que podia a associação com pessoas de má reputação, mas algumas vezes a necessidade o obrigava a recorrer a seus favores. Ohagi era escória mesmo entre aqueles considerados escória. Cafetão e dono de um cassino clandestino, de fala mansa e educada, astuto e ardiloso. Porém, escória bem informada. Escória útil.

    Quando o sol morreu no horizonte, Toshiro iniciou sua caminhada pelo bairro da zona de baixo meretrício, buscando o estabelecimento onde encontraria sua fonte. Em pouco tempo, virando esquinas e dobrando em vielas, encontrara a entrada do cassino de Ohagi, uma cortina púrpura iluminada por uma sutil lanterna de papel vermelho. Sentado em uma cadeira, guardando a entrada, estava um dos leões-de-chácara de Ohagi. Um brutamontes mal-encarado que atende pelo nome de Inu.

    Toshiro se aproxima, e Inu vira a cabeça, notando a chegada do hitokiri. Imediatamente, se levanta, e cumprimenta o samurai com uma reverência. Ele avisa que Ohagi se encontra na mesa de dados.

    O ambiente fede a nicotina, bebida e perfume doce. O lugar fede a decadência. Consumo desregrado de álcool, bêbados sendo expulsos, jovens prostitutas de baixa classe muito maquiadas se exibindo em yukatas indecentes, servindo doses de saquê aos apostadores das muitas mesas de cartas e dados. Não há música, apenas as vozes dos clientes reverberando e tentando conversar de forma discreta em um ambiente muito apertado pra quantidade de pessoas que havia ali.

    O samurai olha em volta, e nota que Ohagi estava na mesa mais ao fundo, possivelmente onde aconteciam as maiores apostas. Observava a mesa sentado, os olhos fixos nas mãos habilidosas do crupiê que lançava os dados. Tinha a companhia de duas belas jovens, também em trajes indecentes. Uma estava com os ombros expostos com um dos seios quase totalmente à mostra. O tecido caído cobria-lhe apenas o mamilo de forma desleixada, e a outra exibia as pernas cruzadas, expostas por uma fenda exagerada. Ohagi tinha um copo de saquê na mão.

    Toshiro se aproxima e cumprimenta Ohagi formalmente. O homem, cujos cabelos grisalhos e pés-de-galinha nos olhos revelavam que já passava dos quarenta, apesar da constituição sólida, trajava um Gi impecável. Ele sorriu quando Toshiro o cumprimentou, e respondeu com cortesia.

    -"Yamamoto-dono. Seja bem vindo ao meu humilde estabelecimento. Se sentindo com sorte, hoje? Ou, quem sabe, solitário?"- o homem faz sinal para que Toshiro se sente, e desliza sutilmente a mão pelas pernas da jovem ao seu lado.

    -"Sua companhia será suficiente. Porém, um chá suave será oportuno." - Toshiro sorri e se senta à mesa.

    O homem estala os dedos, e o crupiê encerra a mesa. Os jogadores logo se dispersam, seja indo para outras mesas ou buscando conforto no calor de alguma das moças à disposição. Sob ordem de Ohagi, a moça dos ombros expostos vai buscar chá para Toshiro.

    -"Negócios, então. Em que lhe posso ser útil, velho amigo?"- Ohagi leva seu copo de saquê até a boca. A moça de belas pernas as descruza e cruza novamente. Toshiro estava sentado de frente para a moça, e não pôde deixar de reparar que a jovem não usava nada por baixo de seu yukata. A moça percebeu que fora observada por Toshiro, e lançou-lhe um sorriso lascivo.

    -"Um figurão de Choushuu. Ele tenta um acordo com os gaijin"- Toshiro para de falar, e lança novamente um olhar para a jovem seminua que o olhava com lascívia -"Moça, você não quer escutar essa conversa. Se ficar, compreenda seu destino."- Toshiro desvia o olhar da moça e pousa os olhos sobre Ohagi, que o observava com um sorriso.

    -"Eu aplaudo solenemente um homem cauteloso. Mas não se preocupe, amigo. Eu mesmo compartilho de suas preocupações."- Ele segura a moça pelo queixo, e ela abre a boca vermelha, expondo a Toshiro o fato de que a moça não possui língua.

    -"Ainda desenha, ainda aponta. Acho que sou mais severo."- o tom de Toshiro era definitivo. Ele não falaria enquanto não estivessem a sós. Aparentemente, Ohagi compreendeu. Ele bate palmas. A moça descruza as pernas novamente, e se levanta. Ela beija bochecha de Ohagi, e sopra um beijo pra Toshiro. Ela vira de costas, ainda olhando para o samurai e sorrindo, e então se afasta, movimentando de forma exagerada os quadris. A outra moça traz o chá, depositando a bandeja na mesa em frente a Toshiro. Em seguida, ela desliza a ponta dos dedos pela mesa e pelos braços do hitokiri, e se afasta, indo em direção as mesas de apostas.

    [color=#663399]-"É como se diz: o cliente sempre tem razão."- Ohagi abre um largo sorriso e espalma as mãos. -"Minhas meninas gostaram do senhor, Yamamoto-dono. Aproveite, só se vive uma vez. Mas, negócios. Onde estávamos? oh sim, Choushuu. Dadas as suas afiliações, e a situação política atual do feudo, que não é das mais agradáveis, imagino que estejamos nos referido a Tshuchimichi-sama?"

    Toshiro assente de forma direta e rápida, sem rodeios ou meias-palavras. Ohagi parece aprovar a atitude do samurai.

    [color=#663399]-"Sim, eu posso ajudá-lo. Porém, eu mesmo preciso de ajuda. Sou um homem de negócios. Tenho certeza que o senhor entende, Yamamoto-dono. E, como tal, espero que meus negócios dêem retorno. Contudo, meu.... sócio, podemos chama-lo assim, aparentemente pensa diferente de mim, em mais de um aspecto importante. Eu fiz a ele uma proposta considerável pela sua parte em nosso empreendimento, mas ele tem hesitado. Talvez com alguém com suas capacidades o incentivando, ele se sinta mais motivado a assinar os papéis.

    Toshiro coça o queixo, refletindo por alguns instantes. -"Ohagi-desu, então ele precisa assinar os papéis?"

    Ohagi se acomoda no seu assento. Ele retira um cachimbo de sua manga, e o acende com uma caixa de fósforos. a fumaça espessa e o cheiro adocicado revelam um fumo de excelente qualidade, supreendente bom gosto de Ohagi.

    -"O sócio em questão é meu irmão, Taisho. Mesmo homens como eu tem seus próprios códigos de conduta, Yamamoto-dono."- Ohagi era um bokutou¹ até os ossos, Toshiro sabia.

    Toshiro reflete por um momento, e então aceita os termos de acordo proposto por Ohagi.

    -"Taisho é um degenerado. O senhor irá encontrá-lo no estabelecimento do outro lado da rua, provavelmente adormecido pela razão pela qual eu gostaria de encerrar nossa sociedade: ópio."

    ***

    Assim, Toshiro atravessou a rua, visando encontrar e persuadir Taisho à assinar os papéis que seu irmão Ohagi entregara a Toshiro, papéis esses que iriam transferir toda a operação de Taisho para Ohagi.

    O estabelecimento do outro lado da rua mostra-se uma quase ruína. O primeiro andar fede a mijo e tem uma série de mesas de mahjong com pessoas de idade jogando. Um disfarce comum. Toshiro caminha até o fundo, onde encontra uma escada para o andar superior. Na base da escada, um brutamontes armado com uma espada faz as vezes de Leão-de-chácara.

    Toshiro se aproxima e diz que quer subir para falar com Taisho. Porém, o homem o ignora. Diz que para entrar, é preciso comprar a entrada. O valor não é alto, mas Toshiro se sente insultado pela forma com a qual o homem se dirigiu a ele. Toshiro então é mais incisivo em sua ordem de deixá-lo passar, mas o homem não o leva a sério e pousa a mão sobre sua espada.

    Ele nem viu quando Toshiro sacou a espada. A lâmina cortou-lhe a garganta com precisão, e o homem perdeu as forças e caiu morto antes que pudesse sequer perceber que fora atacado.

    Toshiro sobe as escadas. No andar de cima, uma fina névoa de fumaça parece permear o ar. Uma série de pessoas, de várias idades e ambos os sexos, estão deitadas em almofadas pelo hall principal, entorpecidas pela droga. Toshito grita o nome de Taisho, dizendo que tem uma mensagem a ser entregue.

    Dois homens de espada em punho respondem ao grito de Toshiro, saindo da última porta do corredor. O samurai troca alguns golpes com eles, mas eles não são páreo para Toshiro. Em pouco tempo, ambos estão mortos. Toshiro se aproxima da porta por onde eles saíram e entra no cômodo.

    Nele, um homem na casa dos trinta anos está sentado atrás de uma mesa. Seus traços não enganam, é ele o irmão de Ohagi. Os dois são muito parecidos. O homem fuma um narguile.

    -"Então, o dia chegou. Meu irmão enviou um assassino para me matar."- ele diz, enquanto traga profundamente seu narguile.

    Toshiro explica a Taisho que não fora mandado para matá-lo. E exige que ele assine os papéis.

    -"Eu não pareço ter escolha. Mas, talvez, eu possa lhe oferecer uma contra-proposta? Como você disse, eu preciso de homens inteligentes. E você parece bastante inteligente."

    -"Não trabalho com ópio, Taisho-desu. Essa mercadoria é lucrativa, mas perde-se clientes."

    -"Vê? um homem razoável. Eu não pretendo que você trabalhe com ópio, assassino-dono. Mas, quem sabe, o senhor tenha menos restrições quanto a jogo?"- Taisho serviu uma xícara de chá e convidou Toshiro a sentar-se à mesa. -"Ohagi é um tradicionalista. Ele acha que os estrangeiros são um problema. Já eu, vejo neles oportunidade. Eu estou em vias de concluir um negócio com os ingleses e logo poderei expandir a minha operação. Ohagi teme isso. Ele quer tomar o controle para encerrar a minha operação, o homem sem visão. Mas, eis minha proposta: mate Ohagi. Como irmão e sócio, eu herdarei a operação dele, e lhe darei controle sobre o cassino. E então, você segue a sua vida, e eu sigo a minha."- Taisho toma mais um gole de chá, enquanto observa atentamente Toshiro.

    -"Não, sua proposta não é adequada. Assine os papéis de seu irmão. Eu preciso da informação que ele possui."- Toshiro estava apreensivo. Talvez fosse necessário usar a força. Porém, não lhe agradava. Não havia honra em massacrar um homem desarmado e destreinado, mas faria o que a missão lhe exigisse.

    -"Eu sou bem conectado. Talvez eu possa ajudar com essa informação."- Taisho insistia. Ele não tinha escolha além de tentar barganhar.

    [color=#ffffff]-"Certamente poderia. Porém, eu fiz um acordo e preciso honrar com minha palavra. Assine os papéis."- O samurai estava irredutível. Taisho ainda tentou olhar ao redor, considerando suas opções. Lutar não era opção, fugir aparentemente também não. Havia apenas uma porta, mas para alcança-la teria de passar por Toshiro. Não haviam janelas. Deu-se por vencido.

    -"Que seja, então! Maldito seja você. Me dê os malditos papéis para que assine."

    Seguindo os termos do acordo, Toshiro poupou a vida de Taisho e foi embora. Cruzou novamente a rua, e suspirou ao retornar até o cassino onde Ohagi o esperava. Ele estava sentado no mesmo lugar de antes, e conversava animadamente com as duas moças de antes. Os três sorriram quando Toshiro se aproximou e entregou os papéis. Porém, quando o samurai contou a Ohagi sobre a proposta de assassiná-lo, o seu semblante fechou.

    -"Taisho sempre foi um garoto mimado. Mas não achei que ele teria os colhões para mandar me matar. Fiz bem em mandar o senhor e não um de meus garotos, Yamamoto-dono."- o bokuto colocou a mão sobre o ombro de Toshiro em agradecimento. Em seguida, ele fez um sinal com a mão, e ambas as moças se levantaram e se afastaram.

    [color=#663399]-"Tsuchimichi está em Choushuu. Porém, ele tem um encontro com um embaixador do Shogum na próxima semana. Acontecerá em Kyoto, mas fora da cidade."- Ele lhe entrega um rolo de papel, onde consta os detalhes do encontro e do local.

    Em seguida, ele faz um sinal com as mãos, e as moças voltam. A de ombros expostos senta-se ao lado de Toshiro, e desliza a mão pelo peito de Toshiro, tentando encontrar uma brecha no tecido para tocar-lhe a pele. Ela lhe lança um sorriso lascivo, convidativo.

    -"Com os negócios concluídos, é hora da celebração, Yamamoto-dono. Por favor, desfrute da nossa jovem Imouto. Ela ainda é inexperiente, dizem os incautos. Por conta da casa, é claro. Qualquer coisa que o senhor queira beber, basta pedir. A sua contribuição foi muito apreciada, mas agora preciso me retirar. Divirta-se."- e então Ohagi se retira, acompanhado da moça muda.

    Notas:

    ¹- Grupo de bandidos que explorava jogo ilegal e prostituição. Décadas depois, dariam origem aos Yakuza.
    Christiano Keller
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    Mensagem por Christiano Keller Hoje à(s) 6:20 pm

    Toshiro,

    -- Sr. Ohagi-desu, antes que se vá tenho uma proposta. Gostaria de fazer novos serviços com o senhor, talvez uma participação em alguma atividade menor em outro lugar, por favor pense nisso. Toshiro faz uma reverência importante para Ohagi, algo incomum para um samurai, mas que denota a seriedade da proposta.

    Ohagi é pego de surpresa quando vê o samurai fazendo a reverência. A Imouto leva a mão à boca para conter um grito enquanto a outra dá um passo para trás deixando livres as mãos de Ohagi. Quando viu o movimento do samurai pensou que iria morrer, afinal o homem era um retaliador, havia matado três homens do outro lado da rua e estava ali novamente para tratar de negócios calmo e sereno. O jogador havia conseguido um aliado importante, um samurai, um retaliador que poderia trazer status para o ambiente e evitaria problemas com a mera presença, mas não estava limitado a isso. Ohagi leva a mão direita ao queixo como quem gosta da oportunidade, mas responde sério para demonstrar seu compromisso.

    -- Uma oportunidade surgirá e buscarei por você Toshiro-desu. Ohagi responde com as mãos na cintura e um sorriso de satisfação.

    As moças estão um pouco chocadas com a situação e retomam suas atividades.
    -- Imouto-san, meu coração pertence a outra mulher. Toshiro sorri. Sabe onde posso encontrar flores aqui perto? A Imouto estava um tanto chocada com o samurai, havia honra no que ele fazia ao respeitar uma mulher. Porém sem saber onde há flores a venda, apenas abana a cabeça em resposta sem conseguir expressar nenhuma palavra.

    Toshiro deixa o lugar para seguir na direção da hospedaria com seus pensamentos em Asami. Se formar uma sociedade com Ohagi poderia ter condições de bancar uma vida para Asami e filhos quando o mundo mudar. Sim, o mundo mudaria nos próximos anos e precisava estar preparado. Um homem despreparado pode perder a batalha antes mesmo dela começar e Toshiro precisava estar preparado para Asami, para filhos e para deixar de ser um samurai.
    Enquanto caminha pelas ruas de Kyoto Toshiro percebe o perfume de rosas e encontra uma floricultura. Lá pode comprar um buque de flores simples e bonito para levar para Asami. Toshiro então caminha para a pousada com as flores em sua mão esquerda pensando em sua amada e sua nova vida.
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