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    Sobre Cães e Lobos

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    Mensagem por Tellurian em Ter Abr 16, 2019 2:36 pm

    -“OI, ISHIDA!”- a voz de trovão de Harada era irritante, mas mais ainda quando ele estava bêbado.

    -“VAMOS LÁ, SEJA HOMEM!”- o capitão da Décima Divisão afastou os longos cabelos castanhos que caíam sobre seus olhos e serviu uma generosa dose de saquê para Akemi, enquanto dava tapinhas nas suas costas com sua mão pesada.

    Desde que o Comandante Kondou Isami assumiu a liderança do Shinsengumi, confraternizações como a de hoje era raras. O comandante era um homem sério e apreciava a disciplina e a ordem. O mesmo não podia se dizer do Capitão Harada, que tinha uma personalidade mais irreverente e era próximo de seus homens. Os Lobos de Mibu eram homens poderosos e temidos, mas Harada era muito diferente de todos os outros. Era forte, um dos melhores espadachins de sua época, mas ao mesmo tempo, gentil. Era nobre e responsável, mas era atencioso e camarada. Akemi agradecia secretamente aos deuses pela sua sorte.

    Porém, a comemoração de hoje era importante. Um grupo de ladrões estava a meses aterrorizando a estrada, roubando mercadores e lavradores que iam e vinham de Kyoto para Edo. Depois de semanas de investigação, a Décima Divisão encontrou o esconderijo dos bandidos e o invadiu, desbaratando a quadrilha e matando a maioria dos criminosos. O capitão recebeu congratulações do Comandante Kondou, e imediatamente decidiu repassá-las a sua tropa. E uma festa era a melhor forma que Sanosuke Harada conhecia de parabenizar alguém.

    O Aoki-ya era o restaurante favorito do capitão, e toda a tropa estava reunida. Um restaurante relativamente pequeno, próximo ao quartel general. Era comum ver homens do Shinsengumi fazendo refeições em seus dois andares. A decoração era simples, com as típicas paredes corrediças de papel fazendo a divisão dos cômodos, dando privacidade aos clientes, e com o chão feito de um tatame de palha e madeira.

    Após um animado discurso inicial, onde Harada fez elogios aos homens, reafirmou sua lealdade ao Xogum e transmitiu os parabéns do Comandante para os homens, veio o tão esperado ”KAMPAI!”¹, que autorizava todos a começarem a bebedeira.

    A tropa estava reunida a pouco tempo. Os testes de admissão haviam ocorrido havia apenas alguns meses atrás. Mas a rotina de treinos e missões era tão infernal que todos os ali presentes já haviam passado por muita coisa juntos, mesmo em um curto espaço de tempo. Colocado a vida em risco e as habilidades à prova em mais de uma ocasião. E laços fraternais já começavam a se formar.

    Notas:

    ¹- Palavra que os japoneses dizem ao brindar. Seria equivalente ao nosso "saúde!"
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    Mensagem por Larissa Aprill em Ter Abr 16, 2019 9:25 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    ※※※ Flashback※※※

    O início

    Akemi chegou a Kyoto depois de cavalgar 2 dias consecutivos rumo a noroeste. Havia uma aglomeração de pessoas para se alistar ao exército do Shinsegumi. A jovem disfarçada como o irmão, caminhou por entre jovens, homens e até mesmo idosos, ela estava decidida a mudar de vida. E ao se aproximar dos principais oficiais, retirou o chapéu de viagem.

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    Seu rosto era delicado e a pele muito branca, se comparasse com a maioria do que estavam ali, mas havia uma determinação no olhar que poucos tinham. A jovem estendeu o papel que confirmava o recrutamento feito em Tokugawa. Antes de falar, pigarreou e tentou deixar a voz o mais grossa possível.

    - Será um prazer servi-los. - A garota fez uma reverência para os capitães e sem mais delongas partiu em direção ao seu cavalo, pois precisava cuidar do animal.

    Por sorte foi escalada para a 10° divisão que mesmo com todas as dificuldades em se passar por um garoto, o grupo fez se sentir acolhida. O Capitão Harada era gentil e realmente se preocupava com seus subordinados e isso fez Akemi nutrir uma admiração pelo comandante.

    Mas nem tudo foi fácil para a garota, ela e outros novatos tiveram um rigoroso treinamento, durante alguns momentos ela realmente pensou em desistir. Sua maior dificuldade foi matar pela primeira vez, ver o medo no olhar, os pedidos de clemência e mesmo assim brandir a espada e ceifar a vida de alguém era e ainda é muito difícil para jovem.. Mas com o passar do tempo Akemi ia amadurecendo, aprendeu que a guerra não era piedosa para ninguém, a morte chega para ambos os lados. Ela matou pessoas, mas também perdeu colegas e percebeu que se ela não fosse mais ágil e esperta seria o corpo dela caído invés do inimigo. Então deveria zelar por sua vida e pela vida dos companheiros da décima divisão..

    ※※※ Fim do Flashback※※※

    Aquela noite era um motivo para festejar,  com a permissão do Comandante, o grupo conseguiu destruir um covil de bandidos e finalmente os moradores teriam paz em suas estradas. O restaurante era modesto, mas sempre tratou bem o pessoal do Shinsengumi, a garota estava no meio da mesa, comendo com outros companheiros, quando ouviu o Capitão Harada gritar seu nome.

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    Akemi se aproximou de onde ele estava e se sentou ao seu lado. Viu o rapaz encher um copo de saquê para ela e a provocação não passou despercebida.

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    Akemi pegou o copo e quando recebeu os tapinhas nas costas, um pouco da bebida caiu na mesa, mas ela bebeu tudo num só gole. Sentiu o líquido descendo e queimando a garganta. Não conseguiu evitar de fazer uma careta.

    Quando tinha sido a última vez que bebeu e festejou entre amigos? Devia ter sido em seu último aniversário, junto com o irmão. Por um breve momento, sentiu falta de Akira e desejou que ele estivesse ali presente. Mas com o passar do tempo o luto ia se tornando mais ameno e Akemi conseguiu se desvencilhar do pensamento antes de alguém perceber ou foi o que ela achou naquela hora.

    -  Sencho (capitão)...pra mim já chega… divirta-se vocês.

    Ela serviu o copo de Sanosuke Harada e de quem mais estivesse por perto. Ia levantando de fininho para voltar ao seu lugar de origem. Não confiava no capitão bêbado e muito menos no que aconteceria se ela bebesse mais do que um copo.

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    Mensagem por Tellurian em Qui Abr 18, 2019 12:12 pm

    A qualidade do saquê era terrível, e a careta de Akemi fez seus colegas gargalharem. Capitão Harada deu palmadinhas no próprio joelho enquanto engasgava com o próprio riso. Quando a jovem samurai disse que se retiraria da festa, seus colegas protestaram e fizeram provocações, colocando em questão a masculinidade da moça. Mas, os protestos foram rapidamente esquecidos quando ela serviu os copos de seus colegas, que se encarregaram de beber e brincar enquanto a moça se afastava do salão.

    Ishida sempre foi fraca para a bebida, e sabia que aquele copo de saquê cobraria seu preço. Já sentia o entorpecimento característico da embriaguez amortecendo seus passos. Precisava voltar logo para o alojamento. Tomar banho era sempre uma tarefa complicada, e não podia desperdiçar a oportunidade de poder banhar-se enquanto seus colegas estavam todos entretidos na festa e não haveria perigo dela ser pega.

    Quando abriu as cortinas de seda vermelha que fazia as vezes de porta do Aoki-ya, esbarrou em uma moça, que perdeu o equilíbrio e caiu sentada. A moça usava um belo yukata¹ azul celeste, com uma grande faixa branca na cintura. Era provavelmente da mesma idade que Akemi. Tinha os cabelos negros e longos penteados em uma trança adornada com flores, e usava maquiagem pesada nos grandes olhos castanhos e lábios vermelhos. Uma Geisha, Akemi logo percebeu. A festa ficaria ainda mais animada em breve. Tomara que o Capitão consiga conter os excessos, ou teria problemas sérios com o Comandante. Haviam outras geishas, que socorriam a colega caída e faziam reverência ao nobre samurai, pedindo desculpas pela amiga desastrada ter esbarrado nele.

    Quando a moça ergue os olhos e encontra o olhar de Akemi, ela imediatamente cora. E quando o jovem samurai oferece a mão para que a moça levante, ela cora violentamente até as orelhas. Akemi sente o toque macio da mão da Geisha na sua, conforme ela se levanta de forma atrapalhada pelos movimentos muito limitados pelo yukata. Akemi não tem boas lembranças de quando era obrigada a vestir aquilo. O gi² masculino oferecia muito mais liberdade aos movimentos e era bem mais confortável.

    -"O-obrigada, mas sou eu quem lhe devo desculpas, senhor."- A moça afastou para trás da orelha uma mecha de cabelo da sua franja, que havia caído em seu rosto. A moça sorria de forma adorável enquanto se ajeitava e recompunha a compostura. E então, a jovem nota o uniforme usado por Akemi, o azul celeste com detalhes brancos característico de sua tropa.

    -"O senhor é membro do Shinsengumi? Muito obrigada pelo seu trabalho!"- ela disse, enquanto faz uma reverência, que foi prontamente seguida por suas amigas.

    Notas:

    ¹ e ²- Vestimenta tradicional japonesa
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Abr 18, 2019 1:29 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi era uma adolescente fingindo ser gente grande e beber o saquê provou isso ao grupo. A careta que fez explodiu o salão com gargalhadas. Ela sabia que não aguentaria beber mais um copo e seu medo era que alguém descobrisse seu disfarce, então não poderia abaixar a guarda. Mesmo com o tom de brincadeira e provocação, a jovem se despediu e deixou os homens festejando.

    Aquele sakê era forte demais e em poucos segundos sentia os efeitos pelo corpo, estava sentindo-se leve, mas as pernas estavam lentas. E precisava aproveitar essa ocasião, em que todos estavam entretidos com a festa, para tomar um bom e longo banho sozinha. Já até imaginava a água quente relaxando os músculos doloridos.

    Ao afastar a cortina vermelha, sentiu que trombou em algo e viu uma jovem caída na calçada. Ela era muito bonita, tinha os cabelos negros, usava um yukata impecável e estava bem maquiada. O jovem estendeu a mão e ajudou ela a se levantar, pois sabia o quanto essa roupa limitava os movimentos.

    - Me desculpe. Eu que fui desatento e acabei te derrubando sem querer. Você se machucou em algum lugar?

    Akemi observa a mulher mais atentamente procurando por arranhões ou machucados que podem ter surgido na queda. E a geisha pode perceber que o jovem não usava um linguajar formal, primeiro porque aparentavam ter a mesma idade e outra porque ela era uma garota, então o seu modo de falar foi por instinto.

    Ao ver a garota elogiando e fazendo uma reverência, ela também retribuiu o gesto.

    - Sim, mas não precisa agradecer, ficamos felizes por zelar pela segurança do bairro.

    A jovem sorri, ainda muito corada, com a preocupação do bonito e atencioso Lobo de Mibu.

    - "Eu estou bem, obrigada. Mas o senhor já está de saída? Por favor, fique mais um pouco! Eu -digo- nós vamos cantar para o senhor -digo- para os senhores" Ela fala de forma atrapalhada, e leva as mãos ao rosto ao falar, enquanto as amigas riem dela.

    O efeito do álcool já começava a subir para a cabeça da jovem que se sentia levemente tonta e mais alegre do que o normal. Ao ouvir o convite da jovem, sorri em resposta.

    - Posso ficar mais um pouco, será um prazer ver a apresentação de jovens tão bonitas.

    Akemi decide tomar banho mais tarde, quando todos estivessem dormindo pelo efeito da bebida. E seria bom ela voltar para o restaurante para conter os ânimos do Capitão e dos homens mais assanhados, uma comemoração como aquela não poderia ser estragada pela má conduta de homens embriagados e ela temia a reação do Comandante Kodou Isami se algo acontecesse. Então o jovem samurai dá passagem para as geishas e adentra o local novamente.


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    Mensagem por Tellurian em Qui Abr 25, 2019 11:45 am

    A jovem Geisha abre um sorriso largo quando percebe que Akemi decidiu ficar mais um pouco, e suas amigas cochicham nervosamente entre si. A bela jovem une as mãos com as palmas viradas para baixo um pouco acima da linha do umbigo e faz uma reverência formal.

    -"Meu nome é Onna Yuri. Por favor, tome conta de mim essa noite"¹- ela diz, ainda levemente corada, com um sorriso. Akemi percebe que o sorriso da moça é daqueles tão bonitos e radiantes que não se pode evitar sorrir junto dela.

    Akemi retorna ao salão do restaurante com as belas Geishas, e percebe que o ambiente está bem barulhento. Bastou entrarem novamente pelas cortinas vermelhas para ver que Capitão Harada estava tirando uma queda-de-braço com Yamada Shirou, um recruta que entrou na mesma turma de novatos que Akemi. Yamada era um garoto audaz e viril, ansioso para se tornar um herói, cumprindo façanhas e se tornando famoso através do caminho da espada. Ele podia ser bem desagradável as vezes, a Akemi não gostava de ser designada para missões junto com ele. Porém, talvez como compensação por ter recebido a sorte de estar sob o comando de Harada, a jovem samurai sempre acabava no time de Yamada, pra seu eterno desgosto.

    Os outros membros da tropa gritavam vivas e incentivos, e apesar de terminantemente proibido pela filosofia do Shinsengumi, Akemi poderia jurar que viu alguns apostando. Mas, quando as Geishas entraram junto da jovem no salão, um silêncio momentâneo tomou conta do lugar quando todos olharam em sua direção.

    -"I-ishida... voltou... com mulheres."- Yamada e o Capitão pareciam ter esquecido de sua queda de braço e olhavam embasbacados, embora ainda de mãos dadas, tornando a cena estranha de se ver.

    Yamada se levantou subitamente, e caminhou até Akemi, atirando o braço pesado em seus ombros, e falando com um sorriso malicioso:

    -"Ishida, seu safado garanhão miserável... Quem diria?"

    As Geishas começaram a ocupar o espaço do salão, conversando com os homens, servindo-lhes bebidas e entretendo a tropa. A festa, que já estava animada, ganhou novo fôlego. E, aparentemente, Ishida ficou com o crédito por ter trazido as moças até a festa, e os rapazes da tropa lhe agradeciam e elogiavam.

    O capitão se levantou também e andou até Akemi, segurando-a pelas mãos com o rosto muito sério. Tinha a face avermelhada e seu hálito fedia a álcool.

    -"Ishida, eu falhei com você. Lamento ter duvidado da sua masculinidade. Irei redimir minha honra cometendo Seppuku."- e então se ajoelhou em seiza², encolhendo os braços para dentro das mangas do uniforme e depois tirando pela gola, ficando efetivamente com o torso nu. O capitão tinha o corpo sólido de alguém dedicado aos treinos, e as Geishas soltaram gritinhos. E então o capitão sacou sua Wakizashi³, mas a tropa apenas fingiu chorar e gritavam "vamos sentir sua falta, Capitão!" ou "Morra com honra!", e então Harada se levantou e gritou com a tropa.

    -"OI, MISERÁVEIS! Vocês tem que impedir bêbados de fazerem besteiras, e não incentivá-los!

    Enquanto a confusão da tropa parecia animar a festa e divertir as geishas, Yuri se aproximou de Akemi e sentou-se ao seu lado, servindo-lhe uma dose de saquê.

    -"Em breve eu irei tocar o Shamisen4. Tem algum pedido especial, senhor?- uma mecha do cabelo dela se soltou do penteado enquanto ela se curvou para servir, e ela afastou a mecha para trás da orelha de forma adorável.

    Notas:

    ¹- O nome da Geisha é um trocadilho. "Onna" significa mulher. "Yuri" significa lírio, mas também é um gênero de mangás sobre lésbicas. (Nota do Narrador: de nada, pessoal)

    ²- Postura formal japonesa, de joelhos.

    ³- Espada curta

    4- Instrumento de cordas parecido com um banjo, mas com o braço mais comprido. Chama atenção que se toca usando um tipo de leque como palheta.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Sex Abr 26, 2019 10:17 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi retribui o cumprimento e se apresenta como Akira Ishida, ela sabia que não ia atingir suas expectativas, mas retribui o sorriso um pouco sem graça.

    Ao entrar no salão, percebe que o povo estava muito animado com uma queda de braço entre o Capitão Harada e Yamada, a quem ela teve o desprazer de conhecer. Ele era um homem machista, ambicioso e talvez até um pouco preconceituoso e vivia implicando com ela quando faziam as missões juntos.

    Yamada se aproximou dela e apoiou os braços em seus ombros, atitude que Akemi achou bem invasiva, mas o pior foi seu comentário, isso fez Akemi se injuriar.


    Sobre Cães e Lobos Screenshot-20190426-204207-1


    - Encontrei essas lindas jovens por acaso, mas espero que sejam respeitosos com nossas convidadas.- Disse olhando para o Yamada, mas o recado servia para todos os homens da sala.

    Felizmente o Capitão se aproximava para quebrar o clima de tensão. Ele pegou em suas mãos e falava de maneira arrastada, ela conseguia sentir o hálito etílico a distância. Ele se ajoelhou a sua frente e começou a tirar a roupa, não teve como não sentir o rosto queimando de vergonha.


    - Senchõ, não faça isso!!!


    Akemi não sabia se ele estava alcoolizado para cometer uma loucura, mas logo percebeu que era uma brincadeira, já que todos riam e achavam graça da situação.

    A gueisha sentou ao seu lado e lhe serviu sakê, mas a menina recusou educadamente e afastando o copo com a mão. Novamente a atenção da jovem era centralizada no samurai. Yuri tinha um charme natural e apesar de não sentir atração física, ela era uma companhia agradável

    - Err… não tenho nada em mente. Mas pode tocar algo alegre para o grupo?


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    Mensagem por Tellurian em Qui Maio 02, 2019 11:45 am

    Yuri sorriu diante do pedido de Akemi, e a moça se levantou. Ela caminhou até um tablado mais elevado, que fazia as vezes de palco improvisado. Havia uma grande almofada vermelha, onde ela se sentou e pegou seu Shamisen. A moça tocava de forma primorosa, e tinha uma voz aveludada que era muito agradável aos ouvidos. A música que tocava era uma min-yo¹ popular. Tinha o ritmo alegre e fazia piadas de cunho obsceno. Os homens rapidamente puseram-se a cantar junto com a geisha, e gargalhavam quando ela finalizava uma estrofe em que fazia piadas de duplo sentido. Akemi poderia jurar que Yuri lhe ofereceu uma sutil piscadela em uma das piadas de cunho sexual particularmente mais óbvio, mas provavelmente era impressão.

    A festa seguiu seu curso, com os homens animados e as geishas se revezando no entretenimento. Yuri era uma excelente companhia, e mais ousada do que a impressão inicial que Akemi tivera. Ela insistiu algumas vezes (embora com cuidado de nunca ser rude) que Akemi tomasse um pouco mais de sake, dizendo-lhe que seria um desperdício triste de boa bebida. Os colegas do Shinsengumi endossavam a opinião da bela geisha, que ria com seu sorriso contagiante a cada piada que contavam e gracejo que faziam.

    Tudo estava bem, até que o Capitão se ergueu e se despediu dos rapazes. Disse que a hora já estava avançada e que precisava ir pra casa, mas desejou boa festa aos homens e ordenou que se comportassem. Todos deveriam estar prontos para a patrulha ao raiar da primeira luz da manhã, sem desculpas.

    Notas:


    ¹- Música folclórica japonesa, com balanço característico e ritmo 2/4.

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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Maio 02, 2019 4:08 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    A menina viu a apresentação da Gueisha e a aplaudiu animada, ela tocava muito bem e tinha uma voz incrível. No fundo, ela sentia um misto de admiração e inveja por Yuri, queria ter sido uma mulher graciosa como ela. Mas por ter esse jeito de moleca, era facilmente confundida com um homem. Akemi suspirou resignada, por causa disso não percebeu a intenção da piscada maliciosa da jovem.

    Quando acabou a apresentação, Yuri voltou a sentar do seu lado e lhe oferecia sakê, mas a jovem recusava timidamente, alegando ter baixa resistência a bebida alcoólica. Já estava de madrugada e os homens ainda estavam entretidos com a festa. Quando o Capitão Harada anunciou que iria se recolher, Akemi aproveitou a oportunidade para sair e tomar o tão desejado banho de água quente. Ao se despedir da Yuri, ela cora e fica sem jeito.

    Na rua Akemi vê o Capitão cambaleando de bêbado, a jovem se prontificou a ajudá-lo, colocando o braço dele sobre seus ombros, enquanto com a outra mão estava apoiada na cintura do homem. Essa aproximação fazia o coração da jovem bater mais rápido. O homem falava enrolado de tão bêbado que estava e apesar de estarem próximos no quartel, ele não poderia entrar daquele jeito ou seria punido. E ela também não aguentaria carregá-lo por muito tempo, então Akemi desviou o caminho e parou perto de onde os cavalos bebiam água. Ela precisava deixá-lo sóbrio, colocou ele sentado e apoiou suas costas numa parede. A jovem enchia as mãos de água e passava na nuca do rapaz. Então reparou no kimono aberto dele e começou a corar violentamente ao observar os músculos definido.  As faixas que cobriam seu abdômen estavam frouxas e mostravam uma grande cicatriz

    - Senchõ...como ganhou essa cicatriz?- Disse de maneira tímida

    Mestre mode on:
    Ele fica sério de repente. Silencioso, embora estivesse fazendo vários gracejos durante o caminho. Ele acertas as faixas com a mão livre, escondendo a cicatriz.
    Depois de alguns momentos de silêncio constrangedores, ele diz em voz baixa.



    "Veio de outra cicatriz maior. Mas nem toda cicatriz é visível."


    - Me desculpe...-se afastou constrangida, mas entendia o que ele dizia- O senhor consegue andar?

    Mestre mode on:
    Ele ergue a cabeça e te olha por um segundo.


    "Você é um bom rapaz, Ishida."

    Sobre Cães e Lobos 2eumn3q

    Ele se levanta e agradece, e caminha sozinho, embora trôpego, ao alojamento.

    Ainda bem que ele não viu a jovem corar com aquele comentário. Quando chegasse ao quarto, iria buscar suas roupas discretamente e sairia de fininho, de preferência sem ser vista por ninguém. No banheiro iria checar se ele estava realmente vazio, se tivesse alguma maneira de trancar ou bloquear a porta ela faria. Quando se sentisse relativamente segura de que ninguém a veria a jovem começa a retirar as roupas e solta os cabelos castanhos que estavam na altura do queixo. Ela passa as mãos nos cabelos para desembaraçar os fios e sente falta de quando eles eram longos e bonitos que nem da Yuri.

    "Se eu fosse bonita como ela, eu também teria vários homens interessados em mim."- Pensou um pouco chateada por sua falta de atrativos femininos

    Sobre Cães e Lobos Ylz01

    A jovem entra no ofurô e sente a água quente cobrindo o corpo. Fazia tempo que não tinha um tempinho só para si e relaxar. Repassou mentalmente os acontecimentos daquela noite, seu encontro com a Gueisha e o interesse dela por Akira e sobre o capitão Harada, normalmente ele era uma pessoa alegre, mas esta noite ela conheceu um lado sombrio  dele que não conhecia. Confusa com seus sentimentos a menina mergulha na banheira, para afastar todos aqueles pensamentos.


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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 07, 2019 2:15 pm

    A água quente fazia maravilhas pelo corpo cansado de Akemi. Ainda tinha os braços pesados do dia anterior. Parou pra refletir por alguns breves momentos. Matar não era tarefa fácil. Quando treinava com seu irmão, imaginava que trilhar o caminho da espada era algo heróico, repleto de façanhas e aventuras. Pensa-se em matar inimigos, mas são sempre entidades malignas e imaginárias, vilões terríveis que encontram um fim justo na lâmina do herói. Nada pode realmente te preparar pra ver a luz deixar os olhos de alguém. Nada realmente pode te prevenir de sentir o peso da responsabilidade de pôr fim a uma vida. E a cada vida que sua lâmina ceifava, Akemi sentia como se algo fosse levado dela própria. Tinha medo de um dia se tornar insensível aquilo e simplesmente parar de se importar.

    Mas hoje, ainda sentia o peso dessa responsabilidade. E na noite de ontem, ela havia posto fim a vida de um dos homens do bando de ladrões. Um cavalariço, mais velho que ela. Ele estava vigiando os cavalos, e teria fugido se Akemi não o tivesse alcançado a tempo. Ele a teria matado se ela não reagisse. Ainda era capaz de sentir a lâmina cortando o peito do homem. A sua técnica havia sido perfeita: desviara do golpe do inimigo, movendo-se lateralmente para a abertura em sua guarda. Em seguida, desferindo-lhe um golpe vertical contra a jugular exposta. Seus mestres ficariam orgulhosos da execução perfeita, mas quando a chuva de sangue lavou-lhe o rosto, Akemi retornou à realidade. Havia ceifado uma vida. Vilão ou não, aquilo era responsabilidade dela. E ela sentia o peso dessa responsabilidade, incapaz de dissolvê-la na água quente da banheira.

    Foi quando ouviu a porta ranger e um ruido de madeira estalando. Havia colocado uma vassoura bloqueado a porta corrediça que dava entrada ao banheiro, mas aparentemente, o cabo quebrou quando forçaram a porta, e agora alguém entrava.

    O ambiente estava repleto de vapor, e não era possível ver bem. Mas a voz de um Yamada tremendamente bêbado ecoou pela sala de banho.

    -"Maldita vassoura! Quem diabos a colocou ali?"- praguejava em voz alta, caminhando em direção à banheira.

    Estava completamente nu, pelo que Akemi podia ver. A visão de seu membro viril fez-lhe corar até as orelhas.

    -"Hã? Ishida? Quem diria, eu achei que você não tomasse banho."- disse, e riu alto, enquanto sentava-se nu num banquinho, enchendo o balde com água.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Ter Maio 07, 2019 4:31 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    A garota relaxava na banheira e estava perdida em pensamentos juvenis. Sentia que não era tão bonita quanto as outras mulheres, sentia admiração e pena por enganar Yuri e tinha sentimentos confusos sobre o Capitão Harada, qual o limite de uma admiração e uma paixão.

    Quando mergulhou na banheira foi assombrada por pensamentos piores. Se lembrou da noite passada e na sucessão de mortes que ocorreu, incluindo execuções feita pela jovem. Sempre se sentia culpada após esses atos, mesmo sabendo que tinham um propósito, mesmo sabendo que fez isso para se defender. Odiava aqueles olhares, sempre tão tristes e sem esperanças.

    Nessas horas tentava pensar como o irmão, o que Akira faria naquela situação. Mas quando treinava sempre lutavam contra super vilões malignos e infelizmente a realidade era bem diferente. Na guerra não existe lado bom ou mau, são apenas pessoas que fazem escolhas e defende essas ideias, morrendo por elas na maior parte das vezes. Só esperava estar fazendo as escolhas certas.

    Akemi pulou de susto ao ouvir o cabo de vassoura quebrando e se encolheu ainda mais dentro da banheira. Ela reconheceu Yamada pela voz e ficou vermelha como um pimentão ao ver o rapaz nu na sua frente.

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    Rapidamente a jovem desvia o olhar e tenta proteger o corpo da melhor forma possível. O homem senta num banquinho e ela  agachada dentro da água se posiciona estrategicamente de costas para o rapaz e mais próximo da toalha que trouxe para se enxugar.

    Yamada estava bêbado, podia perceber pela voz arrastada e talvez com sorte a bebida e o vapor ajudaria a menina a se proteger. O rapaz a provoca, mas não percebeu ironia em sua voz.

    - É claro que tomo banho, mas prefiro fazer isso sozinho.

    Provavelmente ele tomaria o banho sentado, então por enquanto ela estaria segura na banheira? De qualquer maneira ela não poderia se levantar ou ele iria descobrir seu corpo feminino. Akemi mantém as costas apoiadas na borda da banheira e dobra os joelhos sobre o peito, até chegou a se encolher um pouco. Talvez a melhor maneira era aguardar Yamada terminar o banho sem alardes e enquanto estivessem de costas um para os outros estaria segura.

    - Você se lembra de todos os rostos?? Digo… das pessoas que você já matou... - ela tenta iniciar uma conversa amena, pois sabia que o jovem gostava de se exibir em combate.

    Se caso Yamada se aproximasse ela iria cobrir o corpo com a toalha e na pior das hipóteses, se ele estivesse bêbado o suficiente para tentar algo contra a jovem, ela socaria seu nariz, a dor do golpe iria ofuscar o rapaz por um minuto e a menina fugiria para ante-sala com a toalha cobrindo a frente do corpo.

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    Mensagem por Tellurian em Sex Maio 10, 2019 3:27 pm

    Yamada cambaleava de bêbado, tropeçando nos menores desníveis do piso. O cheiro de álcool era possível de ser sentido de longe. Tão bêbado estava que nem percebeu a expressão de choque e de apreensão no rosto de Akemi. Sentou-se e começou a se lavar, esfregando com uma bucha a pele, até que ela ficasse avermelhada. Quando Akemi perguntou-lhe sobre se ele lembrava dos rostos dos inimigos que havia matado, ele a olhou com ar de deboche:

    -"Oque? É por isso que você saiu de fininho da festa pra chorar no banho? Frouxo."- disse, com aquele meio-sorriso nos lábios que sempre deixa Akemi em vias de socá-lo.

    Ela faz uma sutil careta ao ouvir esse comentário. Yamada sendo o Yamada. Mas não podia contar o real motivo e nem ser conhecido pela tropa como frouxo.

    - "Claro que não... eu não estava me sentindo bem por causa da bebida."- Disse-lhe com rispidez, virando-lhe as costas.

    Porém, Yamada a interrompeu, provavelmente nem tendo ouvido a resposta. E disse-lhe, com a voz arrastada de bebedeira, mas no tom sério de quem compartilha uma verdade grave:

    -"Lembro. De todos eles. Mas eu não lamento. Eu não tenho tempo pra lamentar. Sabe o que eu penso quando lembro do rosto deles, Ishida? Penso que são pobres coitados. Que não nasceram maus, mas se tornaram maus. Por causa dessa era podre em que vivemos". Disse, baixando a cabeça e suspirando profundamente, enquanto largava a bucha e procurava o balde para jogar sobre si.

    -"Ei, Ishida... Qual você acha que é a origem do mal?"- disse com a voz tão embargada pela bebida que mal era possível lhe compreender.

    - "Humm... Todos estamos lutando por algo que acreditamos.  Nós do Shinsengumis e as pessoas que matamos não somos diferentes... todos sentem a mesma dor, raiva e revolta. O que nos diferencia é a escolha de nossas ações. "- Ela olha para a mão enrugada pela água - "Para mim o mal é como uma semente que cresce quando é regada pelo ódio, inveja e preconceito. Mas ninguém é bom ou ruim... já que todos temos a capacidade de nutrir esses sentimentos"- Akemi brincava com seu reflexo na água enquanto falava, e teve o reflexo de cobrir os seios com as mãos, mesmo estando imersa até o pescoço, quando viu que Yamada olhava para ela com o rosto sem expressão.

    -"Ishida, a única coisa que te impede de ser uma garota é o seu pau."- disse subitamente, e riu tanto que engasgou e tossiu.

    Akemi tinha ficado boquiaberta quando Yamada sugeriu a possibilidade dela ser uma garota, e corou como um pimentão quando Yamada se levantou, expondo mais uma vez sua nudez e, para desespero de Akemi, caminhou em sua direção e entrou na banheira junto com ela. Contudo, estava tão bêbado que nem olhou pra ela, apenas para o teto, enquanto falava.
    E então, ele diz:

    -"Um homem rouba pra alimentar seu filho que passa fome. Mas a pessoa de quem ele roubou acaba morrendo de fome depois. Quem é mau aqui? O ladrão? Nós, que impedimos o roubo? Ou esta era, que inunda o coração dos homens com desesperança e sofrimento, e faz neles florescer a maldade?"

    Akemi ficou pensativa por alguns segundos, com medo de se mexer demais e Yamada acabar percebendo seu corpo feminino.

    - "Não foi justamente por isso que nos alistamos !?  O governo japonês fecha os olhos ao sofrimento do povo e as pessoas desesperadas cometem loucuras. Tentamos colocar ordem nesse mundo caótico, mas isso não nos torna pessoas melhores do que o ladrão que busca sustento para sua família."- disse-lhe seriamente. Yamada sorriu um sorriso largo e deu-lhe um tapa nas costas inesperado, que fez arder a pele branca de Akemi.

    -"exato! Meu garoto! É por isso, Ishida, que não podemos lamentar. Não podemos hesitar. Nós temos de caminhar no inferno. Pra proteger os fracos. Pra defender os indefesos. E pra eliminar imediatamente o mal."¹

    E então ele fica de pé, expondo novamente seu sexo e fazendo Akemi corar mais uma vez e tentar desviar os olhos da nudez do colega. Ele ergue o punho e fala com a voz alta:

    -"Uma era onde o coração dos homens esteja tão repleto de alegria que não haverá espaço pro mal! Onde nenhuma criança precise chorar de fome! Eu vou forjar essa era com essas mãos, Ishida! Você vai v--" e então ele vomita, de tão bêbado, e cai da banheira, apagado no chão.

    Notas:
    ¹- "Aku Soku Zan" - Suposta filosofia do Shinsengumi, mas que não era realmente histórica. Foi inventada pelo mangaka Nobuhiro Watsuki no manga Rurouni Kenshin. Fiz a citação aqui pra prestar minha devida homenagem xD
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    Mensagem por Larissa Aprill em Sex Maio 10, 2019 4:54 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Apesar do receio de ter seu segredo revelado, ela e Yamada nunca tiveram uma conversa profunda como aquela. Talvez ele não fosse tão babaca quanto ela pensava, mas ele só estava falando tudo aquilo por estar extremamente bêbado.

    Quando estavam sentados conversando a menina tinha em sentimento de igualdade. Naquele momento não era menosprezada por ser mulher e nem pela maneira que pensava.

    Akemi levou um susto quando Yamada se ergueu de repente e corou ao encarar sua nudez. Mas ficou olhando seu rosto, já que ele falava tão empolgado. Chegou até sorrir com aquelas falas entusiástica.

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    Mas o rapaz vomitou de repente e caiu deitado de bruços. Ela olha o estado lamentável que o homem estava por conta da bebida.

    - Aisshhh….. - Disse amuada

    Ela rapidamente enrola a toalha ao redor do corpo e sai da banheira, evita pisar no vômito e se aproxima do rapaz. Ele tinha desmaiado, iria avaliar se não havia nenhum ferimento. Se estivesse tudo bem com ele. A gatora iria para ante-sala se trocar e prenderia o cabelo num coque.

    Ela volta para o banheiro com panos de limpeza e um roupão, que joga sobre o corpo do rapaz.

    - Hey...Yamada, acorda…. - Cutuca o rapaz no ombro

    Se ele não reagisse iria até o dormitório pedir ajuda, alguém teria que carregá-lo para a cama. Mas iria falar com os companheiros para serem discretos, afinal ninguém do pelotão iria querer ser punido pelo Capitão Harada.

    Depois voltaria para limpar o vômito e esvaziar a banheira. Ela limpou no modo automático, pois já estava acostumada a fazer tarefas domésticas.

    Já deveria estar amanhecendo, mas antes de deitar foi checar se Yamada está bem. Se ele tivesse dormindo deixaria descansando. Cansada Akemi iria procurar sua cama, talvez conseguisse cochilar por algumas horas.


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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 14, 2019 11:18 am

    No meio da noite, Akemi desperta de seu sono, tossindo. Seus olhos e garganta estão ardendo, e logo a moça percebe que o quarto de alojamento que divide com os amigos está repleto de fumaça. A jovem olha ao redor, e percebe que seus colegas não estão mais nas camas. Vindo do lado de fora, é possível ouvir uma grande confusão se desenrolando. Gritos somados inconfundível som de metal contra metal denunciam que uma batalha perturba a tranquilidade noturna de Kyoto.

    Ainda atordoada pelo sono, Akemi se levanta com dificuldade. Essas camas duplas ocidentais que foram colocadas pra economizar espaço no quartel permitiram que se dobrasse o efetivo das tropas alocadas no quartel, mas tornaram tudo mais desconfortável. Akemi preferia a cama de baixo, mas Yamada a havia reivindicado com vigor, e a jovem moça decidiu apenas evitar discussões inúteis. Kaito e Hiroshi decidiram a sua em uma emocionante e controvertida queda-de-braço, com as bênçãos do Capitão. Akemi jamais imaginara que uma disputa tão simples pudesse envolver tantas reviravoltas e viradas.

    Após encontrar seus chinelos debaixo da cama, Akemi os calça, cobrindo o nariz com as vestes. A fumaça estava forte. A moça caminha até a porta do quarto e a abre, e a cena que presencia é desoladora. O céu noturno está tingido de laranja, e altas labaredas engolfam o quartel-general. O som da batalha ecoa pelo ar da noite, e a jovem samurai retorna rapidamente para o quarto enfumaçado, onde se veste o mais rápido que consegue e pega suas armas, correndo para encontrar seu capitão e ajudar os colegas na batalha que se desenrola.

    Ao sair do quarto, contudo, uma estarrecida Akemi observa a realidade do campo de batalha alcançá-la de forma cruel. Deitado no chão, ao lado da porta do quarto, está o corpo de Hiroshi. Ainda usando roupas de dormir, sem espada em punho. O rosto redondo do amigo careca de grossas sobrancelhas, antes risonho e alegre, jaz congelado em uma expressão eterna de horror. Sangue e vísceras se derramam de seu ventre aberto. Akemi fica horrorizada e sente as lágrimas preencherem seus olhos, porém não tem tempo de chorar pelo amigo brutalmente assassinado. Os gritos de socorro de Kaito a chamam de volta para a realidade.

    A varanda é composta por um piso de madeira encerado, com colunas elaboradas que sustentam o teto de telhas de cerâmica cozida. Do lado de fora há um pátio, onde normalmente se desenrolam os treinos da manhã. Ali, seu colega Kaito luta com um samurai bem maior do que ele. Kaito, que normalmente tem os olhos finos, os traz arregalados, conforme a brutalidade dos golpes de seu adversário o encurralam. Ele grita em desespero, chamando ajuda.

    Akemi se aproveita do fato do samurai agressor estar de costas e distraído com as defesas de Kaito, e se aproxima furtivamente. Quando o inimigo está no alcance, Akemi flexiona o joelho da perna dianteira, e em seguida arremete para frente, em uma investida poderosa, golpeando o homem com a ponta perfurante de sua espada, transfixando-o.
    O homem tosse sangue, e suas forças abandonam-lhe as pernas. O corpo do agressor cai pesadamente no chão, e Kaito sorri aliviado ao ver que foi salvo pela colega. Ele tenta se recompor, ainda está vestindo as roupas de dormir. Ele começa a prender os longos cabelos castanhos em seu chonmage¹, enquanto diz à Akemi que os rebeldes monarquistas atacaram de surpresa o quartel general. Hiroshi foi pego assim que abriu a porta do quarto para ver o que estava acontecendo, e Yamada e ele deram combate ao agressor. Porém, eram muitos, e os dois acabaram se separando durante a luta.

    Akemi pensa no Capitão Harada, mas se preocupa também com Yamada. Como o alojamento dos oficiais fica em outro prédio, do outro lado do complexo que é o quartel general, Akemi decide que será mais rápido se ela primeiro procurar Yamada no prédio dos alojamentos dos soldados, e só então irem se agrupar à décima tropa no prédio dos oficiais. Kaito agradece Akemi pela disposição em ajudar o amigo, e então anuncia que irá procurar pelo capitão. Ambos desejam boa sorte um ao outro e se despedem.
    Rapidamente Akemi nota que o número de inimigos que invadiu o quartel é bem amplo. Diversas lutas estão acontecendo nos pátios e corredores. Um inimigo sai subitamente de um dos quartos, e a jovem e ele se encaram por um segundo, supresos pelo encontro repentino. Então, saindo do estado de surpresa, o samurai toma a iniciativa e parte pra cima de Akemi, que desvia do golpe do inimigo, girando o corpo e acertando-lhe sob o queixo, em um golpe vertical de baixo pra cima. O golpe é tão preciso e violento que sangue do inimigo respinga no teto, e seu corpo cai sem vida no chão.

    A moça percebe que muitas das lutas que estão acontecendo nos pátios de treino e nos alojamentos estão desbalanceadas e pendendo em favor dos monarquistas. Então, ela decide ajudar em todas as que puder. E de fato, ela é muito útil. Em mais de uma ocasião, a intervenção de Akemi permitiu-lhe salvar a vida de colegas. Em uma ocasião, dentro de um dos quartos, Akemi nota um colega da décima tropa lutando sozinho contra dois agressores. A moça rapidamente entra no combate, equilibrando a disputa. O primeiro adversário estava distraído, e Akemi consegue feri-lo antes que ele se vire totalmente para dar combate. Com o adversário ferido, ela não tem dificuldades em dominá-lo e matá-lo após uma breve troca de golpes. Porém, assim que ela se vira para dar assistência ao seu colega, ela percebe que ele acaba de ser morto pelo adversário. Akemi sente o sangue subir-lhe à cabeça, enfurecendo-se pelo colega morto, e parte para cima do samurai, gritando. O inimigo percebe a chegada de Akemi e investe contra ela, e ambos começam a trocar golpes. Akemi percebe que o inimigo é habilidoso. Porém, um truque que seu irmão lhe ensinou quando crianças se mostra providencial. Akemi utiliza o cabo da espada, pegando o adversário desprevenido, e quebrando-lhe o nariz. O inimigo perde um segundo fatal, conforme o sangue lhe desce pela garganta e as lágrimas lhe cegam. E Akemi aproveita para acertar-lhe a garganta.

    A jovem samurai continua sua busca por Yamada, dando assistência em todas as lutas que consegue ao longo do caminho, até alcançar o prédio do refeitório. Lá dentro, nota horrorizada que o martelo do inimigo bateu forte ali, pois vários membros da tropa Shinsengumi jazem dilacerados no local. Dois inimigos estavam ali, e se aproximam quando percebem Akemi.

    Em desvantagem numérica, a moça decide se valer de sua agilidade e velocidade, assumindo postura defensiva e recorrendo à contragolpes. Ela se lembra de uma técnica de combate contra múltiplos oponentes, que consiste em correr e permitir que os adversários lhe persigam. Como eles possuem velocidades diferentes, eles tendem a se alinhar em fila indiana. Assim, Akemi pode virar-se rapidamente, golpeando o que estiver a frente da fila, para em seguida virar-se novamente e retomar a corrida.

    Logo, Akemi alcança o jardim que fica do lado de fora do refeitório. Chegando lá, ela pega um pouco de terra com a ponta da espada e lança em direção aos olhos de um de seus adversários. Enquanto ele tenta tirar a terra dos olhos, o outro se aproxima sozinho, afobado. A jovem samurai é habilidosa, e se aproveita da afobação do inimigo e entra junto com o golpe dele, mirando atrás do joelho e cortando-lhe o ligamento cruzado. O inimigo cai, sangrando.

    No mesmo movimento, Akemi gira o corpo e golpeia o adversário cego de baixo pra cima, acertando-lhe na axila esquerda. Com ambos os inimigos incapacitados no chão, Akemi lhes dá o golpe de misericórdia. Porém, quando se aproxima do inimigo manco, ele usa contra Akemi o mesmo truque que ela havia utilizado, lançando terra contra os olhos da moça.

    Akemi, mesmo cega, sabe que o inimigo está manco. Então, ela sai do alcance dele saltando para trás. Porém, uma pedra arremessada pelo adversário atinge-lhe a fronte. Ela sente o sangue correr pelo rosto, mas consegue abrir os olhos a tempo de ver o adversário se aproximar com uma wakizashi² em mãos. Porém, Akemi é rápida, e se aproveita de quando o adversário se desequilibra ao pisar com a perna ferida, abrindo uma brecha. O sangue do inimigo espirra, lavando a moça com ele.

    Então, o som de um tiro ecoa, e Akemi o sente atingindo a sua cintura. A moça cai ferida, e observa um pelotão de inimigos armados vindo pelo corredor principal, que dá acesso ao alojamento de oficiais. A moça sente as entranhas se revirarem ao pensar na situação de Kaito e do Capitão Harada.

    Eles atiram novamente, mas erram. Akemi vê as balas atingindo as colunas de madeira e o chão. A moça rola para longe e corre até o centro do jardim, onde um pequeno templo traz um altar que lhe serve como cobertura contra os tiros. Akemi sente a dor no quadril restringir-lhe os movimentos, mas consegue mancar a tempo até a cobertura, quando uma nova saraivada de balas atinge o altar, fazendo lascas de madeira voarem.

    Akemi olha em volta, pesando suas opções. Ela encontra apenas um arco e uma aljava com algumas flechas, mas duvida que seria capaz de dar cabo de um pelotão inteiro de fuzileiros sozinha e armada apenas com aquilo. Mas, mesmo com tudo perdido, a moça decide lutar até o fim.

    Então, um dos inimigos do pelotão de tiro é transfixado violentamente por uma longa katana. Akemi reconhece imediatamente a violência do golpe perfurante, e vê que o Capitão da Terceira Divisão, Hajime Saito, chegara em seu socorro e estava chacinando os inimigos a curta distância.

    Um dos adversários quase atinge Saito pelas costas, mas cai morto, abatido pela flecha de Akemi. Saito se levanta e cumprimenta Akemi com um aceno de cabeça. Mas então, os olhos do capitão se erguem, observando atrás da jovem moça. Ele solta um breve “tsc”, e em seguida corre de volta para o prédio dos oficiais, abandonando o jardim.

    Akemi se vira rapidamente, esperando encontrar inimigos. Mas, estarrecida, vê Yamada, muito ferido, se arrastando pelo corredor do refeitório, com um ombro apoiado na parede, deixando um rastro de sangue conforme avança. Uma lança está atravessada em seu abdome, e muito sangue está pingando dela.

    -“Yamada!”- Akemi grita e corre em direção ao amigo. Ela tenta quebrar a lança, mas o objeto é muito firme, e não pode ser quebrado apenas com as mãos nuas. A força das pernas de Yamada lhe abandonam quando Akemi se aproxima, e ele cai nos braços da moça, que já sente as lágrimas lhe alcançarem os olhos. Akemi apalpa a barriga de Yamada, que geme de dor. O ferimento é mortal, a moça percebe.

    -“Onde você estava, sua inútil? Porque demorou tanto?”- Ele diz, para em seguida tossir sangue.

    -“Não... não...”- Akemi tenta estancar o sangue, mas ele sai aos borbotões. Ela não sabe o que fazer. Não sabe como salvar a vida do amigo. E, subitamente, percebe que Yamada havia lhe chamado de “sua inútil”. Ela olha para Yamada, com os olhos arregalados.

    -“É, eu sei. Você deve ter suas razões. Ontem a noite, eu não tive coragem de dizer nada. Mas quer saber? Foda-se. Você é realmente linda. Talvez a gente devesse sair pra comer alg...”- e então a cabeça de Yamada pende pro lado, quando ele perde a consciência. Akemi percebe que o rapaz parou de respirar.

    -“Yamada! Não!”- Ela tenta sacudi-lo, em vão. Olha ao redor, tentando pensar em algo. Tentando fazer algo. Mas nada adiantaria. Ela aceita o destino de seu amigo com um grito de dor, e abraça o corpo do rapaz. Ela fecha os olhos dele, com suas lágrimas lavando o rosto ensanguentado do jovem rapaz.

    -“Desculpe não ter chegado a tempo... desculpe por ter mentido...”- arrependimento e frustração fazem a voz de Akemi falhar em sua despedida. Ela abraça forte o rapaz mais uma vez.

    Mas a batalha não dá trégua. O Bakumatsu é impiedoso a todos, e não respeita o tempo de lamento aos queridos que se vão. Passos ecoam pelo corredor, e Akemi vê um grupo de três samurais se aproximar pelo corredor de acesso ao prédio dos oficiais. Ela pega a espada e se prepara para lutar, para vingar Yamada. Mas, rapidamente percebe que não daria conta de tantos inimigos ferida, e que apenas morreria em vão. Então, lançando um ultimo olhar ao corpo do amigo, Akemi corre, abandonando o corpo de Yamada às chamas e tentando alcançar o refeitório, sob uma chuva de balas que ricocheteiam nas colunas de madeira.

    Akemi usa a espada e corta a parede de papel, entrando no refeitório. Lá dentro, ela percebe que o fogo está intenso. Pedaços do telhado estão caindo. A fumaça é intensa e a moça pode ouvir o prédio ranger, prestes a colapsar. Contudo, se ela puder alcançar a cozinha, e então a despensa, ela pode chegar à porta dos fundos que dá para a rua de trás, fora do quartel.

    Ela chega à cozinha a tempo de ver dois homens saírem da porta que dá acesso à despensa. Eles olham para a jovem shinsengumi, e pavor faísca em seus olhos. Eles gritam “Protejam o chefe!”, e então partem para cima da moça.

    O primeiro avança contra Akemi, mas ela apara o golpe. Ela estava prestes a contra-atacar, mas precisou se esquivar de um golpe do segundo. E quando a moça deu um passo para trás para esquivar do golpe surpresa, o primeiro atacou de novo, errando a garganta de Akemi por um fio de cabelo. A moça sente o arranhar do pequeno corte superficial que o ataque fez em seu pescoço.

    Ela segura a espada com mais firmeza, e os inimigos tentam de novo a mesma estratégia. Mas, dessa vez, Akemi estava preparada. Depois de bloquear o primeiro golpe, a jovem já sabia que o segundo samurai iria avançar. Então, ela se adiantou e avançou antes dele, cravando a katana no olho direito dele.

    Contudo, o primeiro inimigo gira o corpo depois que Akemi passou por ele, em um golpe circular que acerta as costas de Akemi. A moça solta um grito de dor. As feridas começam a se acumular, e Akemi sente a vista embaçar.

    O samurai avança sobre a moça, dando golpes poderosos com a sua espada, e Akemi tenta se defender, mas sua própria espada parece lhe trair, ficando muito pesada. Um dos golpe do inimigo é tão poderoso que faz Akemi soltar sua espada, deixando-a cair.

    O inimigo sorri e parte para cima tentando finalizar Akemi, mas ela alcança uma pesada panela de ferro e gira o corpo, acertando o inimigo na orelha com ela. Ele fica tonto por apenas um segundo, mas é o suficiente para que Akemi saque sua Wakizashi e a crave na jugular do adversário, que cai morto imediatamente.

    O fogo ruge feroz enquanto devora o quartel general, e a moça percebe que precisa sair o quanto antes. Está mancando, com a vista escurecendo e a respiração ofegante. Perdeu muito sangue de suas várias feridas, mas consegue alcançar a porta dos fundos.

    Quando abre, sente a lufada de ar frio noturno revigorar-lhe. E então, percebe um jovem Shinsengumi, coberto de sangue, observando-lhe da rua. Akemi reconhece o próprio rosto na figura que a observa. Seu falecido irmão.

    -“A-akira?”- Akemi está muito confusa, sentindo a consciência se desfazer aos poucos.

    -“Akemi...”- a voz de Akira lhe é infantil.

    E então Akemi desperta, empapada de suor. Os primeiros raios de sol começam a entrar pelas frestas das janelas, tocando gentilmente o rosto da moça. Na cama de baixo, Yamada ronca alto, com a mão dentro das calças, coçando o saco enquanto dorme pesadamente. Hiroshi e Kaito estão na beliche ao lado, já se levantando para os treinos da manhã.


    ”Notas”:

    ¹- Coque samurai
    ²- espada curta
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    Mensagem por Larissa Aprill em Ter Maio 14, 2019 10:46 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi acordou assustada, sentia o suor escorrendo pelo pescoço e a voz do irmão ainda ecoava em seus ouvidos. Um nó começa a formar em sua garganta e ela não conseguia respirar direito. A garota pega a parte de cima do Kimono, que estava pendurado na beliche e salta para o chão. Ela ignora a dor nos pés, por causa do impacto no solo. Ignora os amigos que estavam se levantando e a olharam assustados. Ela ignorou tudo e todos...apenas correu para fora enquanto vestia o casaco por cima da roupa de dormir. A menina correu enquanto lutava contra as lágrimas, se sentia sufocada e precisava de ar.

    A samurai chega soluçando no templo e cai de joelhos em frente ao altar, ali ela teria um pouco de privacidade. Akemi agarrou a barra da roupa com força e finalmente se permitiu chorar e botar para fora toda a angústia que carregava no peito.

    - Akira...

    A voz infantil do irmão fez ela pensar em sua família e no seu passado.

    ★★★★★Flashback★★★★★

    Akemi havia cabulado mais uma aula de etiqueta para estar junto com o irmão, ele se vangloriava por ter aprendido um golpe novo com o professor. Ele demonstra como usar o cabo da espada para nocautear o oponente. E a garota tentava copiar os gestos usando um galho de árvore. Os dois riam e se divertiam ao fazer duelos e treinar combate nos arbustos do jardim.

    Eles treinaram até a hora do almoço e a menina entrou em casa suja com as roupas masculinas, ela pretendia ir nas pontinhas dos pés se trocar, mas esbarrou na mãe no corredor.


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    A mulher olhou a garota com um tom de reprovação.

    - Você não tem mais idade para se vestir como um menino. E deveria se dedicar mais aos estudos ou irei castigá-la.- Disse num tom de voz sério.

    Akemi mordeu os lábios num gesto de frustração e abaixou a cabeça com a bronca que levou. Mas Akira apareceu ao lado da irmã, a abraçando.

    - Okãsan (mãe)… eu que pedi para Akemi me ajudar hoje no meu treino- E sorriu radiante.

    - Akira... Akemi. Vocês sabem que essas brincadeiras já estão passando dos limites. E já está na hora de você se portar como uma garota.

    - Me desculpe….

    A mãe deu um suspiro, mas não parecia estar realmente zangada com as crianças. Ela pediu para os dois se lavarem antes de sentar à mesa. Depois de um tempo, Akemi apareceu com um yukata rosa claro, os cabelos pretos e sedosos caiam sobre os ombros.


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    Enquanto almoçavam a conversa seguia animada, já que Akira estava explicando para o pai o golpe com o cabo da espada. O pai sorria orgulhoso e perguntou a filha.

    - E o que você aprendeu na aula hoje, Akemi?

    Todos ficam em silêncio enquanto a menina pensava em algo para dizer. A mãe dá um pequeno sorriso e diz.

    - Akemi treinou a dança do leque.

    - Ahh… verdade, hoje tive aula de dança. Estou ficando muito boa. Querem ver???

    A menina se levanta da mesa e ensaia alguns passos com um leque imaginário. Ela não era tão delicada quanto deveria, mas dançava de uma forma graciosa. O almoço terminou e Akemi avistou a mãe bordando na varanda, ela se aproximou sorrateiramente e abraçou a mulher pela cintura.

    - Obrigada Okãsan, você é a melhor mãe do mundo.

    Elas riram e ficaram um tempo abraçadas na varanda.


    ★★★★★Fim do flashback★★★★★




    Essas lembrança estavam tão distante, quase como uma outra vida. Akemi era uma garota espontânea e ingênua, mas quando o irmão morreu tudo mudou. Akira era como o sol que alegrava e aquecia as pessoas. Como ela pensou que poderia substitui-lo? O que os pais dela diriam se a visse?? Ela não passava de uma Usurpadora.

    -Onii-chan (irmão)… por favor me perdoe… me perdoe


    "Onde quer que você esteja
    Eu juro que irei te encontrar
    Saiba que eu estarei lá
    Sempre que você não estiver bem
    Possuo um lugar para descansar
    Eu o construí apenas pra você"


    Ela se debruça sobre o pequeno altar e esconde o rosto entre os braços. Se sentia culpada pela mentira, ela estava enganando todo mundo, os amigos, o Capitão Harada e os outros comandante do exército. Ela foi inconsequente ao acreditar que entrar nos Shinsengumi era mais uma brincadeira de infância. Akemi chorou e pediu perdão aos céus, até não ter mais lágrimas.


    "Dormir é uma fragilidade triste
    Nós não precisamos dormir hoje
    Nós nunca iremos embora
    Dormir é uma fragilidade triste
    Nós não precisamos dormir hoje
    Nós nunca iremos embora"


    A menina senta no chão e abraça os joelhos, ela começa a repassar as imagens do sonho que ainda estavam vívidas na memória. O quartel estava pegando fogo e ao abrir a porta do quarto, encontra o corpo de Hiroshi caído e com as vísceras para fora. Kaito ia ser morto por um monarquista, mas ela o salvou é o rapaz foi ajudar o Capitão Harada e nunca voltaram. Akemi mordeu os lábios para conter novas lágrimas, porque durante as batalhas nunca perdeu alguém realmente próximo e o sonho fez ela saber exatamente como seria terrível.

    Ela encara o canto onde encontrou Yamada com uma lança no abdômen, ele caído de joelhos enquanto ela tentava estancar o sangramento, mas no fim, havia morrido em seus braços.


    "Sempre que você se sentir sozinho
    Saiba que eu ficarei o tempo
    que você quiser
    Sempre que você estiver pra baixo
    E seu coração transbordar
    Vou te guiar até o fim"


    Akemi sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto novamente. Não queira ver o quartel sendo destruído...não queria perder mais ninguém. Quando entrou na 10 divisão, ela ganhou novos amigos, novos companheiros e aprendeu a gostar dessa vida. Mesmo sabendo que era errado...mesmo sabendo que ela não pertencia àquele lugar….Ela não queria ir embora, percebeu que não fazia isso para honrar o irmão. Ela queria estar no exército por seus ideais e não do Akira.


    "Dormir é uma fragilidade triste
    Nós não precisamos dormir hoje
    Nós nunca iremos embora"


    Quanto tempo havia se passado? Ela deveria ir para o refeitório e iniciar as rondas. A menina se levantou, mas em seu coração sentia que estava traindo o irmão e a família. O sonho foi um aviso que ela seria uma desgraça para o exército, que todos poderiam morrer por causa dela. Mas mesmo assim, ela não queria ir embora, porque sabia que aquele era seu lugar.

    Akemi entra no refeitório, seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar. Ela senta numa mesa vazia, a comida fumegava no prato, mas ela não sentia fome. Olhava para a refeição com uma expressão de vazio.

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    Tellurian
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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 21, 2019 9:53 am

    Enquanto Akemi revirava seu prato sem fome e com olhar inexpressivo, Kaito se aproximou discretamente. Akemi sentiu a presença do amigo, e ergueu os olhos. Kaito a cumprimentou com um sorriso. O jovem, normalmente sério e introspectivo, geralmente carrega os longos cabelos presos em seu chonmage¹, mas no momento estavam soltos e caíam lisos e negros até seus ombros. Ele coloca uma tigela fumegante de sopa de miso à frente de Akemi, oferecendo-a à amiga.

    -"Você não parece bem, Ishida."- ele diz, enquanto se senta ao lado de Akemi na longa mesa de madeira do refeitório. Ele ajeita seus óculos e coloca um pesado livro sobre a mesa, ao lado de seu prato de arroz e peixe. -"Pesadelos? Você falou bastante durante o sono."

    Akemi arregalou os olhos, não sabia que falava dormindo. Tinha receio de ter dito algo sobre o irmão. Perguntou ao amigo o que poderia ter dito, e se sentiu mais tranquila quando ele disse que não teria como entender os murmúrios noturnos de Akemi com Yamada roncando alto durante toda a noite. Então, Akemi descreve-lhe o sonho que teve na noite anterior.

    -"Sabe o que me faz sentir melhor depois de ter um pesadelo? Comer doces."- diz, enquanto joga um Imagawayaki² para a jovem. -"Eu estava guardando pra comer depois, mas você parece precisar mais do que eu."

    Akemi segura o pão com as duas mãos e o olha agradecida. Diferente de Yamada, Kaito sempre fora gentil. Ela sorri enquanto morde o pão doce.

    -"Você acha que esse sonho pode ter sido um aviso? Se aquilo acontecer, vou me sentir culpada. Devo avisar o Capitão?"- Akemi tinha preocupação na voz quando compartilhou sua insegurança com Kaito. Mas o jovem apenas sorriu enquanto a olhava bondosamente.

    -"Eu acho que é um aviso que você se preocupa demais, Ishida. Foi só um sonho."- o jovem sorria enquanto levava seus hashi até a boca.

    Neste momento, Yamada e Hiroshi chegam, fazendo barulho. Ambos conversavam animadamente enquanto andavam pelos corredores até o refeitório. Yamada chega fazendo barulho e sentando ao lado de Akemi, esbarrando na moça durante o processo.

    -"Bom dia, moças. Estavam se beijando?"- ele diz com a expressão mais séria do que realmente era. Parte da piada era fazer a frase parecer o mais natural possível.

    Akemi revira os olhos. Toda vez que pensava que poderia se entender com Yamada, ele vinha com esse tipo de atitude. Mas, infelizmente, corou com o comentário, e tentou disfarçar comendo a sopa que Kaito lhe trouxera.

    -"Pra quem vomitou de tão bêbado ontem, você está com uma língua bem afiada, Yamada."- Ela diz com a voz decidida, retrucando à provocação. Yamada fica sem jeito, e Kaito e Hiroshi riem do amigo.

    -"Homens fazem isso. É uma expressão da nossa virilidade."- Yamada fecha a cara enquanto se joga em sua tigela de arroz, devorando-a como se a odiasse. Kaito ri baixinho.

    -"Por falar em virilidade... Ishida saiu da festa, e poucos minutos depois aquela geisha bonita foi atrás dele. Como era o nome dela mesmo? Yumi?"-- Hiroshi dizia, com a voz maliciosa.

    -"Yuri. Onna Yuri é o nome dela."- o rosto de Akemi expressava confusão, mas a velocidade da resposta e a segurança na voz fizeram seus amigos sorrirem maliciosamente os três ao mesmo tempo. Hiroshi aponta para Akemi, enfatizando o nome.

    -"ISSO! Vocês se divertiram bastante ontem a noite, imagino. Nosso jovem Ishida está crescendo, senhores. Já é um homem, agora."- disse com a voz brincalhona, fingindo que chorava de emoção, e despertando risadas dos outros.

    Akemi cora violentamente enquanto nega, gerando gargalhadas dos amigos. Yamada imediatamente se aproxima Hiroshi, jogando a cabeça no peito do amigo.

    -"Ishida-sama, você é tão bonito..."- ele fala, com a voz exageradamente fina

    Hiroshi flexiona os braços, como se exibisse os músculos. -"Eu me exercito às terças"- ele diz, em uma imitação muito ruim da voz de Akemi. Kaito estava segurando o riso, mas não aguenta e ri alto, praticamente cuspindo o arroz.

    Akemi fica realmente constrangida. Se ela continuasse enfatizando que não houve nada, poderiam suspeitar de sua masculinidade, mas também não era certo mentir. Principalmente porque envolvia os sentimentos de outra pessoa. Por fim, a garota suspira e encara a sopa, emburrada.

    -"Baka! Vocês deveriam respeitar mais as mulheres, as geishas foram gentis ontem a noite e animaram a festa!- A expressão de Akemi era quase adorável.

    -"Verdade. Pelo menos uma delas animou bastante a festa pra você, de fato.-"- disse Kaito, se rendendo à brincadeira.

    A mesa ficou em silêncio por alguns segundos, com todos admirados pelo sempre sério Kaito ter feito um gracejo. E em seguida Yamada e Hiroshi explodiram em risos, deixando Akemi desolada.

    -"OI, PREGUIÇOSOS!"- a voz do capitão ecoou pelo refeitório- -"JÁ PARA O PÁTIO! VOCÊS ESTÃO ATRASADOS!

    Nisso todos tentaram engolir o que não haviam comido e se levantar rapidamente enquanto gritavam "sim, senhor!" todos ao mesmo tempo. Quando passam pelo capitão, correndo para alcançar o pátio, Harada acerta o ombro de Akemi com um soco gentil.

    -"Obrigado."

    Akemi o olhou, admirada, corando levemente. E disse que o capitão poderia contar com ela, e correu atrás dos outros.

    No pátio, o treino do dia era apenas exercícios físicos. Kaito soltou um suspiro de decepção, ao passo que Yamada gritou de satisfação. A primeira etapa foi uma corrida de cinco quilômetros³. Alguns dos rapazes, inclusive Yamada e o próprio Capitão Harada, tiraram a parte de cima dos seus quimonos, ficando apenas com as calças e sapatilhas de treino, deixando Akemi levemente desconcertada. Ela não conseguia se acostumar a ver tantos homens com o peito nu. Hiroshi não gostava de tirar a camisa, e Kaito se recusava terminantemente. Então, Akemi tinha suporte dos amigos para fazer o mesmo.

    Durante a corrida, Akemi notou mais uma vez que o abdome do Capitão era coberto por bandagens apertadas, e ela lembrou da grande cicatriz que ela havia notado na noite anterior, e da melancolia na voz de Harada ao falar sobre ela.

    Notas:

    ¹- coque samurai
    ²- Tipo de pão doce recheado de Anko (pasta de feijão doce) ou creme de baunilha
    ³- as medidas de distância não eram as mesmas do sistema métrico. Mas, para facilitar a compreensão do leitor, usaremos o sistema métrico, sem traduções ou contextualizações históricas.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Maio 23, 2019 1:28 am






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi estava triste no café da manhã, então Kaito aparece e a anima com um pão doce. O rapaz era tímido, mas desde o começo foi gentil com a garota. Diferente do Yamada que era uma relação cheia de altos e baixos, pareciam dois primos ou irmãos que implicam quando se vêem, mas que nutre um carinho um pelo outro.

    Durante as brincadeiras dos quatros amigos na mesa, Capitão Harada chegou e todos foram para o pátio treinar. Yamada e o Capitão foram os primeiros a tirar a parte de cima do kimono e estavam a frente do pelotão. Hiroshi, Kaito e Akemi tentavam seguir o ritmo da corrida.

    A garota observa mais atentamente a faixa enrolada ao redor do abdômen do Capitão, ela tenta adivinhar o que aquelas cicatrizes significavam. Teria sido uma cicatriz de alguma batalha? Mas ela se lembrou do que conversaram naquela noite, Harada tinha vergonha, por isso a escondia com as faixas. Então deve ter sido um seppuku mal sucedido. Akemi suspira triste ao pensar que ele chegou a tomar uma atitude tão extrema e quis tirar sua vida. Mas se lembrou da noite que enterraram o irmão, ela mesmo pensou em dar fim ao seu sofrimento. Então conseguia entender sua dor, mesmo sem saber seus motivos.

    Após uma corrida exaustiva todos estavam liberados para o banho e por mais que a menina tivesse com calor e suada não iria entrar no banheiro e Yamada deve ter percebido sua hesitação.

    -"Seu porco. Vai almoçar fedendo."- Yamada diz sacaneando a menina.

    - Claro que não, só não quero tomar banho perto de todo mundo... é nojento. - Akemi fica constrangida e desvia o olhar.

    -"Deixa esse otário, Yamada. Ele sempre se achou melhor que o resto de nós."

    Um dos cara da 10° divisão passou por eles e bateu o ombro em Akemi que quase caiu para a frente com o impacto. O homem pareceu não se importar com a atitude rude e foi cumprimentar o Yamada.

    -"Oi..." - Yamada bate no ombro do cara e, quando ele se vira, dá um soco na boca dele, que cai sentado.

    Akemi olha aquela cena surpresa e tenta acalmar o amigo, mas Yamada continuava provocando o homem que estava no chão. O soco havia ferido o canto dos lábios é o homem limpa a boca com ódio no olhar. Uma aglomeração de pessoas se formou ao redor dos três. Todos do pelotão queriam ver o que estavam acontecendo.

    -"Vambora, Ishida. Esse otário não vale o esfor..." - E então ele toma um cascudo pesadão na nuca.

    A garota levanta o olhar e percebe que quem bateu no rapaz foi o Capitão Harada e ele tinha um olhar assassino. Ela nunca tinha visto ele tão bravo assim e sabia que estavam muito encrencados.

    -"Vocês dois.... São bem ousados..." - Disse com um tom sério

    - Senchõ… - Akemi disse numa voz chorosa, mas abaixou a cabeça pela bronca.

    A garota e Yamada foram castigados pelo mau comportamento e estavam no pátio segurando pesados baldes de água, o sol estava a pino e eles não tinham almoçado. Os braços dela doíam de cansaço, então ela troca o balde de mão para conseguir massagear o ombro dolorido.

    - Você não deveria ter feito nada... eu não ligo para o que falam.

    Yamada estava sério e olhava fixamente para frente, ele parecia estar bravo, mas reparou nos gestos de Akemi. Yamada tomou o balde da mão da garota e fala de uma maneira ríspida.

    -"Vai comer. Depois eu me entendo com o capitão."

    - Claro que não... nós dois fomos punidos... - Ela tenta pegar o balde de volta, mas ele ergue o balde acima da cabeça para a garota não pegar.

    -"A culpa foi minha, Ishida. Eu não seria homem se deixasse você ser punido por algo que fiz. Vai comer."

    Akemi assopra a franja que tinha caído sobre o olho. Ela encara o rapaz de baixo a cima, ele estava agindo de maneira protetora. Mas a menina via isso como um sinal de fraqueza, como se ela não conseguisse aguentar a punição como os homens.

    - Você se envolveu numa briga por minha causa...então a culpa é minha também. E tenho certeza que o Capitão vai ficar ainda mais irritado se não cumprirmos a punição. - Ela estende a mão para ele.- Devolve meu balde.

    -"Qualé, quer brigar também?"- ele ergue a voz e parecia estar bem irritado

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    Akemi ia retrucar com Yamada, pois não queria ser tratada de uma maneira diferente.  Mas escutou um "psiu" dos arbustos do lado do refeitório. Era Hiroshi que mal cabia dentro da folhagem, o rapaz aponta sorridente para um pacote que tinha nas mãos. Yamada largou os baldes e caminhou em direção o rapaz e a garota curiosa foi atrás.

    -"Hehehe... Abaixem suas cabeças e agradeçam o grande Hiroshi-sama!"- diz baixinho e entre risos, ele abre o pacote e revela uma grande tigela de soba, um macarrão japonês. -"Vocês tem que comer rápido. O Kaito desafiou o Senchõ pra uma partida de Ougi, para ganharmos tempo. Mas não sei quanto tempo conseguiremos."

    Akemi olha surpresa para Hiroshi. Porque todos estavam sendo imprudentes??? Ela olha a tigela, parecia estar delicioso. Yamada já tinha sentado no chão e abocanhou uma grande porção do macarrão. Mas a menina relutava em comer, pois não desobedecer o Capitão. Então sua barriga roncou alto e a deixou envergonhada. Ela não tinha comido quando levantou e haviam treinado a manhã inteira, por fim ela se agacha e pega a tigela na mão.

    -  Vocês vão se meter em problemas também. -Mas começa a comer agradecida.

    Akemi e Yamada começam a comer rapidamente, mas sentem uma presença maligna em suas costas. Era o Capitão Harada furioso novamente e ao seu lado  estava Kaito, ele mantinha a cabeça baixa, evitando olhar os amigos e parecia desolado. A garota engasgou com a comida por causa do susto. E acabou que os quatro foram punidos e como castigo carregavam baldes de água no meio do pátio.

    -"Bom... Eu pessoalmente culpo o Ishida."

    Os três rapazes riram achando graça da situação, mas isso deixou a menina apreensiva, pois se lembrou do sonho e de que ela poderia ser uma desgraça para o exército.

    - Você está certo.... se não fosse por mim, ninguém teria sido punido hoje. - Ela encara cada um deles e diz séria - Não importa o que aconteça.... Eu não quero que vocês se envolva novamente…

    -"Então não se meta em problemas, idiota."- Yamada retrucou.

    -"Um por todos, e todos por um, certo?"- Hiroshi fala para amenizar o clima.

    -"Bom saber que você não viria em nosso socorro, se fosse o caso."- Kaito diz sorrindo.


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    Será que eles não entendiam o quanto ela poderia prejudicá-los?? Não entendiam a gravidade da situação? Akemi não queria que os amigos fossem punidos ou machucados por causa dela. A garota larga o balde e encara os três.

    - O que eu to querendo dizer é que nem sempre vocês vão poder me ajudar. Então dá próxima vez, finja que não viram nada....Eu não preciso que vocês me defendam, eu posso resolver as coisas sozinho.

    -"Eles não vão fazer isso, Ishida."-  O Capitão se aproxima do grupo e aponta pra bandana que carrega na testa, o ideograma de "Lealdade". -"Eles são verdadeiros Lobos de Mibu."


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    Akemi se surpreende com a chegada do Capitão. Até ele estava defendendo os meninos e ninguém imaginava o quanto a culpa a consumia por isso. Mas ela acaba suspirando resignada.


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    - Eu só não quero ser um estorvo para vocês.- Disse por fim e abaixa o olhar.

    -"Amigos são pra isso, certo, Senchõ?"- Hiroshi diz alegre

    -"A alcatéia é maior do que apenas vocês quatro. Esses laços que os unem são apreciáveis. Mas vocês são a Décima Divisão. Honrem seus colegas. Façam as pazes com eles. Dividam com os outros esse mesmo laço."-o Capitão põe a mão no ombro da Akemi

    Akemi acena com a cabeça concordando. Entendia que não era bom criar inimizades no grupo e também não adiantava nada ela se zangar com os amigos. Envergonhada a menina faz uma reverência para os rapazes, que ainda estavam segurando os baldes.

    - Me desculpem por hoje e obrigado.

    -"Yamada, Hiroshi, Kaito, dispensados. Eu tenho algo a tratar com o Ishida aqui."Eles cumprimentam o capitão e saem. A menina encara Harada, os dois estavam sozinhos no jardim. -"Ishida, vc tem algo pra me contar?"

    Akemi arregala os olhos assustada. Sentia o coração bater descompensado, será que seu segredo tinha sido descoberto?? Deveria contar a verdade? E se mentisse não seria pior?? Ela não sabe o que falar e o Capitão Harada percebeu seu nervosismo.

    -"Você não é um espião monarquista, é?"- Ele põem as mãos sobre os ombros da garota.

    - Claro que não, Senchõ.

    Akemi sente os músculos relaxando quando ouvi ele rindo e dizer que estava brincando. O Capitão encara o céu, avaliando as horas pela posição do sol.

    -"Eu estou com fome. O que me diz, Ishida? Quer almoçar comigo lá em casa?"

    Ela pisca os olhos algumas vezes, processando o convite. Nunca havia almoçado próximo do Capitão, nem no refeitório do quartel e agora ele havia a convidado para almoçar na casa dele. A menina sente o rosto corar.

    -"Sayuri deve ter preparado algo delicioso"

    - Sayuri?

    -"Sim. A mulher da minha vida. O que me diz? Vamos lá?" - Ele pisca para Akemi.

    A menina sente sua felicidade sendo drenada. Claro que o Capitão Harada deveria ser casado e agora Akemi iria encontrar a linda esposa dele. Ela abaixou a cabeça chateada, havia nutrido um carinho especial pelo Capitão que nunca seria correspondido. Enquanto eles caminhavam até a casa, Harada falava sobre amenidades e era respondido por resmungos da jovem chateada. Então o tom de voz dele muda se tornando mais profundo.

    -"Todos precisamos de um lugar pra voltar, Ishida. É só por isso que voltamos."

    Akemi o encara chateada, desde que saiu de casa, sabia que voltar não era uma opção. E aos poucos se sentia confortável com a rotina do quartel e com os amigos que conquistou. Então responde com um suspiro.

    - Meu lugar é aqui com o Shinsengumi.

    -"Sim. Mas o Shinsengumi é uma ferramenta. Uma forma de lutarmos por algo maior. Algo que realmente vale a pena."Ele para em frente uma casa modesta e dá um sorriso triste com o comentário da garota. -"É um lugar simples, mas é aconchegante. Fique a vontade, Ishida."

    Akemi retira os sapatos e faz uma reverência antes de entrar. Assim que Harada pisa em casa ele é atacado por uma menina, que se joga sobre seu pescoço e o derruba no chão. Uma menina, de uns oito anos de idade voa no pescoço dele.

    -"Papaaaaaai!! Vc veio almoçar comigo hoje!"

    -"Sayuri, se comporte. Nós temos visita."

    A jovem encara aquela cena em choque. Ele tinha uma filha linda e Akemi já imaginava a esposa chegando para receber o marido. Ela desviou o olhar chateada, pois não imaginava que o Capitão tinha uma família. O homem se levanta e ri, a menina faz uma reverência.

    -"Meu nome é Harada Sayuri. Tenho 8 anos. Muito prazer."



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    -"A mulher da minha vida" E pisca para a jovem.

    Akemi não entende o gesto do Capitão, mas faz uma reverência e cumprimenta a garotinha. Sayuri deixa os dois sozinhos conversando na sala. Durante esse tempo Harada conta sobre sua vida pessoal e explica que a esposa o largou quando a menina ainda era um bebê e que ele foi trocado por um comerciante ocidental e não suportando a vergonha, o Capitão cometeu um Seppukku.

    Agora ela entendia o porque ele falou num tom tão triste sobre a cicatriz. Deve ter sido difícil superar essa desilusão amorosa.

    Quando estava prestes a morrer se lembrou da filha e sobreviveu por ela. Akemi escutava tudo em silêncio e cada vez admirava o homem à sua frente e num impulso acabou fazendo uma pergunta indelicada.

    - O senhor ainda ama ela?



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    Ele fica pensativo e Akemi se arrepende de ser tão invasiva, mas antes que pudesse se desculpar ele responde sério.

    -"Eu não acho que vou odiá-la algum dia. Afinal, ela me deu Sayuri. Mas durante anos esperei que ela voltasse. Já faz algum tempo que percebi que isso nunca vai acontecer.

    - Quem errou não foi o senhor. Sua esposa abriu mão da família por um amor... E perdeu a oportunidade de conhecer essa garotinha incrível. Então não se sinta culpado por algo assim.- Queria conforta-lo de alguma maneira

    -"Eu não a culpo. Desejo a ela o melhor, com o homem que ela escolheu. Eu já estive em um lugar escuro, mas Sayuri salvou minha vida. Hoje eu vejo que a vida tem dessas. Eu apenas vivo e deixo viver. Quem sabe pra onde o vento vai soprar amanhã?"

    - Ainda bem que o senhor sobreviveu.... quer dizer... fico feliz por estar na sua divisão, Senchõ

    Akemi cora com seu comentário e Capitão Harada sorri. Sayuri vinha carregando uma bandeja de oniguiris.

    -"Eu tenho meus segredos, Ishida. E respeito os seus. Mas saiba, a Décima Divisão é a sua casa. E aqueles homens são seus irmãos. Você pode confiar neles."

    A jovem o encarou curiosa, às vezes suspeitava que ele sabia do seu segredo. Mas sorri aliviada com o comentário, pois na 10° divisão realmente se sentia em casa. Então Sayuri se juntou a eles.

    -Sayuri-chan, você precisa de ajuda?

    -"N-não precisa, onii-chan! Eu faço isso!"- Ela fica corada na hora.

    - Você fez um excelente trabalho, Esses oniguiris devem estar uma delícia Akemi faz um cafuné nos cabelos da menina e pega um bolinho para provar.

    Enquanto almoçavam, Akemi perguntava qual era a brincadeira favorita da menina. O tempo acabou passando rápido e o almoço foi leve e descontraído, no fim a jovem agradece a garotinha e o Capitão.

    - Obrigada pelo almoço Senchõ. Mas é melhor eu voltar, já tomei muito do seu tempo.

    -"Fique a vontade, Ishida. Eu vou ficar mais um pouco. Se não for incomodo, pode ir na frente?"

    - Claro, com licença. - Ela se despede com uma reverência.

    No caminho de volta, Akemi pensa em tudo o que aconteceu e se sente agradecida pelo carinho e apoio dos amigos e do Capitão. Ela caminha em direção ao dormitório, iria tomar um banho rápido e trocar de roupas ante de encontrar os meninos.

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    Sobre Cães e Lobos Empty Re: Sobre Cães e Lobos

    Mensagem por Tellurian em Ter Jun 25, 2019 9:34 pm

    Duas semanas se passaram desde a visita de Akemi a casa do Capitão Harada. Desde então, os dias tem sido morosos. As longas patrulhas noturnas pelas ruas da cidade eram tediosas e nunca acontecia nada. Na maior parte do tempo, ela e Yamada apenas lutavam contra o sono enquanto percorriam a rota por bairros residenciais monótonos e silenciosos. Yamada sempre era ansioso por ação, mas sua expectativa era frustrada noite após noite. Apenas em um momento acharam que algo excitante aconteceria, quando ouviram barulhos vindo dos fundos de um estabelecimento comercial, e imaginaram ser um ladrão, mas no fim era apenas um gato de rua revirando o lixo.

    Durante o dia, treinos. Akemi poderia jurar que estavam mais pesados do que o normal. A parte da manhã era reservada aos treinos físicos, sempre com longas corridas, abdominais, flexões e agachamentos. Durante a parte da tarde, treinavam espada, lança e jujutsu¹. Pelo menos um dia da semana tinha a manhã reservada à equitação e arquearia. O Capitão parecia ter endurecido o regime de treinos, mas por que diabos ninguém sabia. Haviam boatos de que a tropa estaria sendo monitorada por conta dos recentes desvios de conduta de seus integrantes. Tais rumores ganharam força depois que o Capitão da Terceira Divisão, Hajime Saito, começou a assistir alguns treinos.

    A Terceira Divisão era conhecida como a divisão de inteligência e espionagem do Shinsengumi. Muitas vezes, atuava como Corregedoria, mantem a disciplina e a ordem dentro das fileiras dos Lobos de Mibu. Muitas vezes, com o uso de força letal. Diziam as más línguas que Hajime Saito era tão justo quanto impiedoso, e aplicava com rigor a sua justiça do Mal Imediatamente Eliminado, mesmo que isso significasse, muitas vezes, derramar o sangue de seus irmãos de armas. Segundo diziam, era fácil atrair a desconfiança do Capitão Saito, e muitas vezes, as consequências dessa desconfiança eram tremendas. Possivelmente, mortais.

    Então, era natural que a tropa ficasse nervosa ao treinar diante do escrutínio dos olhos de predador de Saito, que parecia atravessar os olhos de cada um ali e alcançar a sua própria alma, despida de mascaras e mentiras. Os rumores diziam ser impossível mentir para o terrível Capitão da Terceira Divisão, e que todos aqueles que tentaram, sofreram as consequências.

    Após os treinos, os rapazes descansavam e se preparavam para o banho e para o almoço, quando viram Saito conversando com Harada. Akemi sentiu um calafrio quando seu olhar cruzou o de Saito, e percebeu que ele estava olhando para ela enquanto conversava com Harada, com aqueles seus olhos de lobo. Harada arregalou os olhos, e disse algo, que Saito pareceu refutar, balançando a cabeça negativamente. Em seguida, Saito falou algo, e se retirou, cumprimentando Harada com uma educada reverência antes de sair.

    Então, Harada caminhou em direção ao grupo, com o olhar preocupado.

    -"Kaito, Akira, por favor venham ao meu escritório após o almoço."- Disse, com a voz distante, e virou as costas antes que os jovens pudessem falar algo.

    -"É... não sei o que vocês fizeram, mas a casa caiu."- disse Yamada, coçando a nuca enquanto olhava o Capitão se afastar.

    Notas:

    ¹- Arte marcial antiga, praticada pelos samurais, também chamada no ocidente de "Jiu-jitsu". Diferente do moderno Jiu-jitsu brasileiro, principalmente por também envolver socos e chutes, além de projeções e trabalho de solo. É considerada por muitos o artes marcial "pai de todas", da qual praticamente todas as modalidades modernas se originaram.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Jun 27, 2019 8:22 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    A cada dia que passava Akemi se dedicava às tarefas do Shinsengumi. Durante a noite o grupo patrulhava pelas ruas de Kyoto. Felizmente com a movimentação dos Lobos de Mibu a criminalidade caiu naquela região, por isso as noites estavam tranquilas.

    A menina lutava contra o sono  enquanto Yamada dizia pela milésima vez que pressentia que algo aconteceria. Ele estava na expectativa de encontrar algum confronto. Akemi cobriu a boca com a mão para disfarçar o bocejo.

    - Hey Yamada, esquece isso... não vai acontecer nada.

    Mas um barulho de metal caindo ecoou pelas ruas e a garota deu um leve pulo por causa do susto. O rapaz a sua frente sorriu confiante e disse.

    - Eu sabia.

    Os dois correram em direção ao som, Akemi sacou a espada e estava alerta a qualquer aproximação. Nos fundo de um restaurante, dois olhos brilharam no escuro e um gato malhado saltou para luz, o bichano devia estar revirando o lixo atrás de comida.

    Yamada chutou uma lata irritado e isso fez o gato se assustar e fugir. Akemi segurou o riso e os dois voltaram a patrulha.

    Na manhã seguinte, como todas as manhãs, a décima divisão se encontrava no pátio após o café da manhã. Os treinos físicos estavam cada vez mais pesados. Akemi tentava acompanhar o ritmo dos amigos, Yamada sempre se destacava enquanto ela, Kaito e Hiroshi sofriam para executar todos os exercícios, por sorte os garotos eram piores do que ela.

    Após o almoço todos treinavam com as armas e artes marciais. Mas o que a menina mais gostava era os treinos de arquearia.

    Naquele dia enquanto pegava o arco e flecha Akemi viu que o Capitão da terceira divisão, Hajime Saito estava presente. Akemi já tinha ouvido falar sobre a fama do Capitão Saito e agora estava fiscalizando os treinos do Capitão Harada. Só a presença dele deixava a tropa nervosa e com a garota não era diferente ou era pior pois tinha medo que seu segredo fosse revelado.

    - Ishida é sua vez - Disse Hiroshi

    A menina engoliu em seco e pegou seu arco e flecha. Alguns metros a frente estava um bloco de palha com um alvo pintado de vermelho.Ela posicionou o arco e olhou de relance para o Capitão Saito e Harada.

    "Foco Akemi...."

    Ela fechou os olhos e respirou fundo, precisava se concentrar. E tentou esquecer que estava sendo analisada pelo impiedoso Saito.

    Akemi puxou a corda e mirou no centro do alvo e sorriu aliviada quando viu a flecha cravada na bola vermelha.

    Sobre Cães e Lobos 25zhs8o

    Ela se aproximou sorridente dos amigos e olhou esperançosa para o Capitão Harada, mas sentiu o sorriso morrer aos poucos. Saito estava olhando diretamente para ela, aquele olhar frio fez a jovem ter calafrios.

    Capitão Harada se aproximou do grupo e disse que queria conversar com ela e Kaito em particular. O estômago da jovem já começou a revirar de nervosismo. Tanto que não conseguiu comer nada durante o almoço.

    "O Capitão Saito deve ter percebido algo... ele já deve saber do meu segredo e contou para o Capitão Harada."

    Quando a jovem se dirigiu ao escritório, ela já esperava o pior.

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    Mensagem por Tellurian em Ter Jul 02, 2019 7:38 pm

    Quando adentraram o escritório, Akemi sentiu um cheiro forte de cigarros, e percebeu que uma fina névoa já permeava o ar do escritório de Harada. Akemi nunca havia estado ali. Surpreendeu-se quando percebeu que havia duas estantes repletas de livros. Nunca imaginou que o Capitão fosse um homem dado a leituras. Havia uma armadura samurai clássica montada inteira num canto, azul com detalhes em um verde escuro que lhe lembrava algas marinhas. Na parede norte, uma coleção de lanças dos mais diversos tamanhos estava apoiada em pedestais. Akemi sabia que o Capitão tinha pouca habilidade com a katana, mas que era notoriamente temível no uso das lanças. As lendas diziam que seus mestres haviam aprendido o ofício de lanceiros no próprio templo Hozoin¹. Terminando a decoração, haviam mapas de toda sorte pendurados nas paredes, e até mesmo um globo ocidental ao lado de uma grande mesa de madeira, atrás da qual o capitão estava sentado.

    à frente da mesa, haviam duas cadeiras de madeira. Sobre uma, estava sentado o Capitão da Terceira Divisão, Hajime Saito. Ele fumava um cigarro, que Akemi deduziu que era de onde vinha o cheiro forte de tabaco e a fumaça que contaminava o ar do escritório.

    -"Eu não gosto disso, Saito."- Dizia o Capitão, com o rosto infeliz.

    -"Ordens de Kondou, Sanosuke. Não cabe a você gostar ou não gostar, apenas obedecer."- Saito tragava seu cigarro como se o odiasse, mas tinha um sorriso sádico no rosto, como se estivesse apreciando torturar o Capitão Harada.

    Quando ambos notaram que Akemi e Kaito tinham entrado, Harada fez sinal para que se aproximassem. Ele lhes disse que havia uma missão de infiltração que deveria ser realizada, mas que a Terceira Divisão estava com falta de pessoal. Então, o Comandante Kondou Izami ordenou à Décima Divisão que cedesse dois homens à Terceira Divisão, à escolha do Capitão Saito. E que ele havia escolhido os dois.

    -"Observei seu trabalho na última semana, e ambos tem habilidades decentes. Servirão bem à missão."- disse Saito, com os olhos fixos em Akemi. E como o olhar de Saito incomodava.

    Notas:

    ¹- Templo de monges lanceiros, famosos por conta da história de Musashi.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Jul 17, 2019 6:47 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi entra no escritório, o cheiro intenso do tabaco incomoda o nariz da jovem. Mas ela observa o local curiosa e repara na quantidade de livros e se surpreende com esse lado intelectual do Capitão. Ao ver as armaduras e a lança, tentou esconder um sorriso, afinal aquilo representava o homem que era temido pelos inimigos do Shinsengumi.

    Eles chegaram na sala bem no momento em que o Capitão Harada discordava infeliz. E ela não gostou do jeito que Saito a encarava. Ao ouvir sobre a decisão do Capitão da terceira divisão, Akemi olha assustada para seu supervisor.

    - E do que se trata essa missão? - Ela tenta conter o medo na voz.

    O Capitão Harada estava com os cotovelos apoiados na mesa e inclinou a cabeça sobre as mãos cruzadas e diz numa expressão infeliz.

    Harada -"O que mais a terceira divisão faz? Espionagem, pra variar"

    O Capitão Saito não esconde um sorriso e logo explica a situação para os jovens.

    Saito -"Você e Kaito Hiei irão se infiltrar em um grupo de conspiradores. Precisamos de informações sobre as atividades. Receio que seja uma célula terrorista monarquista"

    Akemi recua um pequeno passo para trás, pois não esperava esse tipo de notícia. Ela achou que seria expulsa do exército quando descobrissem seu segredo, achou que encontraria Harada furioso pela mentira. Mas ao ver a expressão de desalento do Capitão, imaginou que essa missão seria algo muito pior e perigoso.

    Akemi olha de relance para Kaito e o rapaz estava tentando conter as lágrimas. O choque de serem enviados para uma missão com o impiedoso Capitão Saito pegou os dois de surpresa.

    Harada -"Saito, eles não tem experiência nesse tipo de coisa, eu tenho que protestar."

    Harada se levantou e Akemi sentiu uma pontinha de esperança, mas Saito levanta uma sombrancelha com uma expressão de curiosidade e malícia.

    - Saito -"Com infiltração?"
    - E dá sorri um sorriso irônico ao encarar os jovens - " Eles vão ficar bem"

    Akemi entendeu o recado. Tinha quase certeza que Saito já sabia do seu segredo, afinal ela estava infiltrada a meses do exército fingindo ser uma pessoa que ela não é. Mas porque enviar o Kaito também?

    Eles não tinham escapatória e se continuasse relutando poderiam ser executados por desobediência. A menina apoia a mão no ombro de Kaito num gesto para acalma-lo e suspira resignada.

    - Quando partiremos?

    O Capitão Harada ergueu os olhos, surpreendido com a determinação de Akemi. Enquanto Saito sorriu de maneira enigmática e deu um trago no cigarro.

    Saito -"Oooh... Viu, Sanosuke? Você nem conhece o material que tem."- Ele encara os dois e diz ao apagar o cigarro - "Partimos imediatamente, é claro."

    A menina
    confirma com a cabeça e sai da sala arrastando Kaito junto. Ele parecia estar sofrendo muito mais do que ela. Quando estivessem distante do quartel iria falar baixinho com o amigo.


    - Kaito, eu tbm não quero ir, mas se recusassemos a missão. Saito poderia nos executar por desobediência... - Ela fica na sua frente e encara o rapaz nos olhos e tenta ser o mais otimista possível.-  E vai dar tudo certo, vou cuidar de você e voltaremos o mais rápido possível. Eu prometo…

    Kaito retribui o olhar e Akemi consegue perceber o medo em seus olhos. O moreno gagueja ao falar.

    Kaito-"Ma-mas eu..."-Então ele se cala, e engole em seco. Akemi lhe dá um sorriso encorajador -"Não temos escolha, então."

    Os dois entram no quarto cabisbaixo e em silêncio. Yamada estava amarrando o cordão da calça e estava sem camisa. Enquanto Hiroshi estava sentado na cama limpando os sapatos. Yamada vê a cara de desânimo deles e diz brincando se eles estavam encrencados. Kaito passou reto pelos rapazes e sentou na cama em completo silêncio. Nesta hora Yamada percebeu que algo sério tinha acontecido.

    -O Capitão Saito nos designou em uma missão de espionagem com o grupo dele. Temos que partir o mais rápido possível.

    Hiroshi e Yamada soltam um "EEEEH?" ao mesmo tempo. Akemi começa a pegar seus pertences e colocar numa bolsa em silêncio. Mas Yamada a pega pelos ombros, eles se encaram enquanto o amigo a enche de perguntas.

    Yamada -"Como assim, cara? O Saito ficou maluco? O que o capitão disse?"

    - O Capitão Harada tentou protestar, mas é uma ordem do Comandante Kondou. Não temos escolha Yamada

    Akemi olha preocupada para Kaito. Ele estava pálido e Hiroshi dava tapinhas na suas costas para confortar. A sua frente Yamada estava com uma expressão perplexa.

    Yamada -"Eu vou lá falar com aquele maluco do Saito! Isso é impossível! Vocês nunca receberam treinamento do tipo! Tem limite pra perigo"

    - Você ficou maluco? Você não pode confrontar o Capitão Saito.

    Yamada- "Pois eu vou junto. Quero nem saber. Alguém tem que proteger esse teu rabo fracote, Ishida."

    Akemi segura Yamada pelo braço e sente os olhos se enchendo de lágrimas. Ela estava com medo… tinha medo do Capitão Saito, tinha medo da própria missão, tinha medo de não poder voltar, mas principalmente tinha medo de envolver o Yamada nisso. Se pudesse, ela sentaria na cama e choraria até não ter mais forças. Mas precisava ser forte, precisava ser otimista por ela e pelo Kaito. Yamada continuava a encarando sério e rapidamente a jovem limpa as lágrimas com a manga da roupa e tenta dizer numa voz firme.

    - Não complica as coisas Yamada... E Kaito é melhor a gente ir.

    Yamada se desvencilhar de Akemi e diz determinado antes de sair do quarto.

    Yamada- "Vão indo na frente. Eu vou falar com o capitão."

    A menina sai atrás do rapaz e consegue barrá-lo no meio do pátio.

    - Esquece isso Yamada...se o Capitão Saito souber que eu te contei sobre a missão, ele me mata!

    Yamada -"E o que vc quer que eu faça? Leia? Jogue shogi? Quer que eu fique aqui de braços cruzados enquanto vc e o Kaito estão arriscando o pescoço?"

    O rapaz passa as mãos pelo cabelo num gesto de frustração. Akemi o segura pelos ombros para se encararem.

    - Você precisa ficar e proteger a 10° Divisão. Você é um dos mais fortes e ágeis do nosso grupo, tenho certeza que o Capitão Harada vai precisar de sua ajuda também.... E eu vou tomar conta do Kaito e vou tentar voltar o mais rápido possível.

    O rapaz hesita e trinca os dentes, se dando por vencido ele encara Akemi sério.

    Yamada -"Grrrr... Eu só não te dou um soco porque você é quase uma menina."

    Akemi é pega de surpresa e arregala os olhos assustada. Talvez aquele turbilhão de emoções tenha deixado a garota com a guarda baixa e ela diz sem pensar.

    - O quê??

    Yamada: -"O que o que?"- Ele estranha a reação da jovem.

    - Não seja idiota...claro que não sou uma garota - Começa a gaguejar

    Yamada -"Feio desse jeito, não mesmo." -Ele te dá um soquinho amigável no ombro da garota  -"volta logo, fracote"

    - Pode deixar... mas é melhor você ir ver como o Kaito está. Ele parece bem abalado

    Yamada - O Kaito não parece, mas é durão. Ele vai ficar bem. Minha preocupação era com a nossa garota de estimação aqui...Mas, talvez, eu tenha me enganado a seu respeito, Ishida. Vc sabe ser durão quando precisa."

    Akemi olha confusa para Yamada, ele sempre a provocava, mas agora estava a elogiando. Nunca conseguia entender por completo o rapaz, mas sabia que ele lutava por um mundo melhor, assim como ela.

    - Não estou feliz em cumprir essa missão, mas se isso for ajudar de alguma maneira nossa causa eu irei. Assim como vc iria se tivesse no meu lugar.

    Yamada dá um sorriso satisfeito e um tapinha amigável nas costas da jovem.

    Yamada -"Acho que isso faz de você um verdadeiro Lobo de Mibu, huh?"

    - Claro que sim... agora preciso falar com o Capitão. Nos vemos em breve Yamada...E tente não morrer na minha ausência.

    Akemi sorri para o rapaz e vê ele retornando para o quarto. Agora precisava resolver outra questão antes de partir. A garota entra no escritório pela segunda vez naquele dia e encontra o Capitão Harada sozinho, ele estava cabisbaixo enquanto lia uma carta.

    -Senchõ... Só queria dizer que já estamos partindo.

    O homem se levanta, dá a volta na escrivaninha, senta na beirada da mesa e cruza os braços enfrente ao corpo. Ele parecia estar realmente cansado.

    Akemi o encara num misto de nervosismo e tristeza. Ela não fazia idéia do que se passava na cabeça de Sanosuke Harada e mesmo assim relutava em partir. Sem perceber a jovem morde os lábios.

    Harada -"Oi, Ishida. Lamento por essa missão, mas foram ordens do Comandante. Vocês vão ficar bem?"

    - Espero que sim... quer dizer... vamos tentar voltar o mais rápido possível.

    Harada -"Bom. Não parece, mas o Saito tem bons olhos. Se ele disse que vocês vão se dar bem, provavelmente é verdade. Ele não é do tipo que joga fora a vida dos próprios homens"

    - Eu compreendo e farei meu melhor...Mas... se eu não voltar...
    Akemi abaixa o olhar - Eu gostaria que o senhor desse a notícia aos meus pais.

    Ela não tinha pensado nisso até aquele momento. A missão era perigosa, ela poderia morrer e os pais nunca saberiam do seu paradeiro. Eles tinham o direito de saber a verdade, mesmo que os pais ficassem triste ou com raiva da jovem ter fingindo ser o irmão, era melhor do que terem a falsa ilusão de que ela voltaria algum dia.

    O Capitão Harada olha para jovem atentamente e se aproxima.

    Harada-"Entendo. Eu não acho que haja necessidade disso, mas sua vontade será respeitada." - Ele coloca uma das mãos no ombro da jovem -"Todos colocamos as nossas vidas em risco o tempo inteiro. É uma verdade inconveniente do nosso trabalho. É natural sentir medo….Mas, Ishida, coragem não é não sentir medo. Isso seria burrice. Coragem é sentir medo, mas enfrentá-lo."

    Akemi sente os olhos se enchendo de lágrimas novamente, mas não queria chorar na frente dele, por isso tenta ser positiva.

    - Eu estou com medo Senchõ... mas acredito que estamos lutando por um mundo melhor. E estou feliz de contribuir com essas mudanças...Farei o possível para eu e o Kaito voltarmos são e salvos.

    Harada -" Você é um homem corajoso. Vai se sair bem"

    Ela se afasta e faz uma reverência. O moreno sorri e a cumprimenta com um aceno de cabeça. Estava na hora de partir e Akemi sai da sala com medo do que teria que enfrentar.

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