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    Vento Divino

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    Mensagem por Tellurian em Ter Abr 16, 2019 3:40 pm

    O Castelo de Hoji erguia-se imponente sobre o lago. Suas muralhas brancas se erguiam solenes, e escondiam as cerejeiras de seus jardins. A pesada fundação de pedra estava parcialmente exposta pelos séculos de erosão da encosta do lago, mas a solidez da estrutura era evidente. Os altos muros deixam à vista pouco além dos sinuosos telhados de madeira e telhas de cerâmica finamente decorada.

    Jun repassou mentalmente o plano e seus detalhes. Foram semanas de preparação, mas finalmente as condições perfeitas haviam se apresentado. Uma noite sem lua, encobertas por nuvens, e uma fina camada de neblina se depositava como um delicado véu sobre o lago. Ninguém notaria a chegada dos Shinobi.
    A sua respiração se condensou em névoa, e o ninja esfregou as mãos pra afastar o frio das juntas dos dedos. Os trajes Shinobi visavam facilitar a movimentação e o ocultamento, mas não era bons para manter-se quente. Em breve viria a chuva, era possível ouvir as nuvens rugindo acima.

    O Daimyo¹ de Hoji era um grande entusiasta do teatro, e frequentemente reunia a família e amigos próximos para breve apresentações em seu jardim. Foi difícil infiltrar um espião entre os serviçais do castelo sem despertar suspeitas, mas a informação de quando seria a próxima apresentação particular de Hoji fez valer a pena todo o esforço.

    Os remos atingiam a água com delicadeza, provocando o mínimo possível de ruído enquanto os pequenos barcos deslizavam pelas água. Eram seis barcos, cada um com quatro de seus irmãos. Cada um tinha um papel a desempenhar, e precisavam ser precisos. Não haveria segunda chance. A Jun, coube o fardo e a honra de disparar a flecha que poria fim à vida do Daimyo. Vários de seus irmãos já haviam infiltrado-se no castelo, sob disfarce. Estes tiveram como missão criar as condições para facilitar a entrada do grupo de execução, que se aproximava agora através das águas. Enquanto seus irmãos abririam-lhe o caminho, se livrando dos guardas e vigias, Jun deveria se infiltrar sem ser visto até o balcão do quarto do Senhor, o único com uma linha de tiro direta para o palco. E então, sair de lá inteiro.

    Quando os barcos alcançaram a areia, Jun sentiu o peso da missão sobre seus ombros quase tão grande quanto a muralha que deveria escalar agora.

    Notas:


    ¹- Senhor Feudal

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    Mensagem por scorpion em Ter Abr 16, 2019 9:59 pm

    Enquanto estava no barco, Jun estava absorto em seus pensamentos. Mantinha as mãos uma sobre a outra e os olhos cerrados, como que num transe só seu. Aquela era sua maneira de se concentrar... de fazer com que os pensamentos ignóbeis saíssem de sua mente e que ele pudesse focar-se na única coisa importante naquele momento: dar cabo da vida do Daimyo de Hoji.

    Quando o barco finalmente fez aquele barulho arranhado de atracar na areia, Jun abriu os olhos. Subiu a sua máscara e desceu do barco em silêncio com seus irmãos. Correu pelas areias da praia e procurou a cobertura em algum arbusto ou parede do muro. Tinha de chegar até o balcão do quarto dele, de onde teria um tiro preciso para acabar com ele.

    Seus irmãos, com maestria iam limpando o caminho e ele mesmo ajudou, lançando uma kunai no pescoço de um guarda desavisado. O Shinobi procurou cobertura no muro de um prédio, esperando nas sombras que dois guardas passassem, mas não os matou... aquela não era sua missão e mais sangue significava mais oportunidades de serem identificados. O ninja esgueirou-se por mais ruelas, sempre aproveitando-se das sombras e de suas vestes pretas... muitas vezes cobrindo os olhos para tornar-se totalmente ofuscado com as trevas.

    Correu até o pequeno prédio onde ficava o quarto do Daimyo e localizou a sua janela. Era hora dos grampos de escalada.... Ele posicionou-os nas mãos e nos joelhos de maneira adequada e com maestria. Olhou para a esquerda... para a direita... Estava livre? Esperava que sim. Ajustou o arco nos ombros para que não caísse e escolheu uma pedra com vincos para começar a escalada. Iria subir até o parapeito do quarto dele, mas antes de entrar, iria ouvir se havia algum som dentro do quarto. Se não houvesse, saltaria pelo parapeito e se posicionaria.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Abr 18, 2019 3:40 pm

    Ao se aproximar da muralha, Jun sabia que era hora de guardar completo silêncio. Já haviam cordas posicionadas pelos seus irmãos infiltrados, que permitira ao grupo de execução realizar a escalada. Estava escuro e frio, mas assim era o mundo dos Shinobi. A corda de cânhamo era áspera ao toque e rangia a cada vez que se colocava esforço nela, mas Jun e seus irmãos seguiram em frente. escalada foi relativamente rápida, a despeito das condições desfavoráveis.

    Após alcançar as telhas de cerâmica escura que adornavam o alto dos muros, o grupo se separou para cumprir suas tarefas. Jun pulou para o jardim, onde se esgueirou pelos arbustos até as varandas de madeira encerada. Quando algum guarda ou patrulha se impunha no caminho do shinobi, seus irmãos encarregavam-se de silenciá-los e retirá-los do caminho. Logo avistou a sacada do quarto, e lançou seu arpéu. As garras do gancho encontraram  e se fixaram nas reentrâncias dos ornamentos da madeira e o ninja sentiu a firmeza que procurava ao esticar a corda. Escalou o mais rápido que pôde, e no caminho ouviu barulhos vindo do corredor abaixo. Viu guardas se aproximando, mas nem chegou a precisar se preocupar. Antes mesmo de ser avistado pelos guardas, um de seus irmãos, escondido em arbustos, acertou a garganta de ambos com dardos envenenados de sua zarabatana. Outro irmão saiu de seu esconderijo, pegou os corpos e se escondeu com eles dentro da casa.

    Jun alcançou a sacada, e ficou em silêncio por alguns momentos, prestando atenção aos sons que vinham do quarto, assegurando-se que não teria problemas. Após alguns segundos de silêncio, sentiu que poderia prosseguir sem problemas.

    Do alto da sacada, era possível ter um panorama de todo o jardim. Arvores e arbustos finamente podados decoravam a paisagem idílica, e no centro do gramado central, uma estrutura de madeira fora montada. Nela, o Daimyo de Hoji fazia sua apresentação. Vestia roupas teatrais e tinha uma máscara kabuki¹ nas mãos, enquanto declamava de forma exagerada versos de um antigo poema sobre os Três Reinos. Ao seu redor, era possível ver várias cadeiras, e sentados nelas uma série de pessoas. Na primeira fileira estavam os familiares de Hoji, sua exuberante mulher Hana, quinze anos mais nova que o nobre. Trajava um yukata² rosa e tinha os cabelos negros presos em um grande coque sobre sua cabeça. Estava acompanhada de seu primogênito Shuu, um jovem de pelo menos 14 anos mais parecido com a mãe do que com o pai e seus três filhos pequenos, Jion, Hatari e Miku, todos pivetes catarrentos cuja idade não teria mais de um dígito.

    Mas o queixo de Jun caiu quando ele viu o homem sentado atrás de Hana. Mesmo penteado de forma diferente, era possível reconher as feições do próprio Daimyo Hoji, como se uma raposa youkai tivesse tomado a forma dele e agora dois Damiyos ocupassem o mesmo lugar ao mesmo tempo, um assistindo a si mesmo sobre o palco. O jovem shinobi já ouvira falar de nobres paranóicos que gastavam fortunas para produzir sósias de si mesmos, chamados kagemushas, na esperança de evitar atentados contra sua vida. Mas era a primeira vez que Jun via algo do tipo.

    A dúvida persistiu durante um tempo, até que ele tirou a tensão da corda do arco e respirou fundo, lembrando-se de seu treinamento. Precisava "ver", e não apenas "olhar".

    Observou a figura no palco durante um tempo. Os movimentos exagerados, a canastrice... tudo era exatamente como nos relatórios. E o que mais diziam os relatórios? Jun observou atentamente a figura na platéia. Quando o ator no palco fazia movimentos engraçados, que gerava aplausos na platéia, o alvo se inclinava e falava algo no ouvido de Hana. Isso deixou Jun intrigado.

    Até que o jovem Miku se virou para o homem e abriu um largo sorriso, e logo depois teve os cabelos despenteados de forma carinhosa pelo homem que sentava atrás. As dúvidas de Jun se dissiparam como nuvens de chuva após a tempestade.

    Retesou a corda do arco e a flecha cantou através da noite, acertando o homem na platéia na nuca. Gotas de sangue espirraram e atingiram Hana no rosto, que viu o corpo do marido cair sem vida no chão e gritou de horror imediatamente.

    Notas:

    ¹- Forma de teatro japonesa, caracterizada pela atuação muito caricata e pela maquiagem pesada e máscaras elaboradas
    ²- Vestimenta tradicional japonesa
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    Mensagem por scorpion em Qui Abr 25, 2019 11:24 pm

    O Shinobi segurou o ar por alguns segundos... seus olhos puxados se fecharam milimetricamente, como se os cílios fossem filtrar qualquer partícula que atrapalhasse um tiro perfeito. Para Jun, ser o homem que dispararia a flecha era uma grande honra. A confiança de seu clã em seu treinamento e em seu sucesso era algo que ele não podia ignorar. Tinha de ser preciso, mortal... infalível!

    A dúvida sumiu quando ele viu o homem na platéia. O sorriso da esposa não era mentiroso... e sósia alguma teria a permissão de tocar a esposa do Damyiô! Naquele ato de carinho entre o casal, o Damyiô assinou o seu óbito. Jun mordeu o lábio inferior e seus dedos se afastara em câmera lenta. A flecha partiu na noite e Jun ficou ali parado, olhando.... quando o grito da mulher ecoou no ambiente, como um lobo que uiva para a lua, ele teve a certeza.... o alvo não havia mais. Ele agora fora para as Terras de seus ancestrais, pagar por ter sido inimigo do clã do Shinobi.

    Jun deu um salto mortal do parapeito, seguido de uma cambalhota e arremessou para trás uma corda com o gancho. Quando ela prendeu, garantindo que o SHinobi lutaria por mais uma noite, ele a esticou e foi correndo pela parede, formando um triângulo que crescia a cada sengundo, formado por suas pernas, a corda e aparede.
    Quando atingiu o chão, Jun fez um balanço e puxou a corda com gancho de volta... não deixaria pistas para os homens de Hoji.

    Ele escondu-se em um arbusto para esperar que não houvesse ninguém e então correu, pelo mesmo caminho que veio, indo em direção à praia e aos barcos, sempre tomando cuidado e mantendo os ouvidos bem atentos...

    Caso não houvesse problemas e encontra-se seus irmãos, ele apenas menearia a cabeça, como quem diz "missão cumprida!"

    E entraria no barco.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Maio 02, 2019 11:05 am

    O caos estava instaurado. Enquanto corria, era possível ouvir o som de tiros sendo disparados pelos homens do Daimyo, o que incitava a sensação de urgência no peito do shinobi. Mas, ele podia confiar em seus irmãos. Ele havia cumprido seu papel, eles cumpririam o papel deles. Era possível ver que vez ou outra um guarda do castelo se interpunha em seu caminho de fuga, apenas para ser abatido por um shinobi escondido nas sombras. Seus irmãos liberavam o caminho durante sua passagem, e a confiança de Jun cresceu, e ele venceu seu caminho até o muro sem maiores dificuldades.

    Escalar a corda que o permitiria alcançar o topo da muralha lhe tomou mais tempo do que imaginara que tomaria, e percebeu que estava mais cansado do que imaginava. Mas a adrenalina cumpria sua função, e garantia a força extra necessária para continuar a execução do plano, agora na fase de fuga. Se tudo desse certo, teriam cumprido a missão de forma exemplar, sem nenhuma baixa. Quando alcançou o topo da muralha e foi obrigado a olhar para baixo, viu os barcos parados contra a terra negra da encosta, e era mais alto olhando de cima do que parecia ao observar de baixo. Sentiu um pouco de vertigem, mas encontrou a corda e empreendeu a descida sem maiores dificuldades. Sentiu-se aliviado quando pisou no pequeno bote de madeira e ouviu o som da madeira rangindo sob seus pés.

    Em pouco mais de cinco minutos, os barcos estavam cheios de novo e seguiam seu caminho pela neblina do lago. Porém, o silêncio permaneceu. Os Shinobi sabem muito bem que as palavras rolam longe sobre as águas de um lago. Só voltariam a falar quando estivessem dentro da zona segura. Quando o botes alcançaram o centro do lago, se dividiram. Cada bote tinha seu próprio ponto de encontro e extração, e o bote de Jun seguiu tranquilamente pela rota estabelecida até alcançar a margem oeste do lago. Lá, uma carroça de palha aguardava os ninjas. Um de seus irmãos retirou o seu Shozoku¹, e vestiu roupas de aldeão, assumindo as rédeas da carroça. Jun e os demais se esconderam no palheiro que a carroça carregava.

    Ficaram em silêncio por horas a fio, mas a adrenalina não permitia a Jun o menor dos cochilos. Manter-se parado era difícil, e logo os músculos ficaram doloridos graças ao excesso de tempo na mesma posição. Quando ouviu as batidas do condutor na madeira, soube que haviam chegado a zona segura, e ouviu seus irmãos batendo palmas e abraçando uns aos outros, congratulando-se pela missão bem executada.

    Estavam em frente a uma pequena hospedaria nos arredores de Kyoto, fora da cidade, na Nakasendo². Adentraram a hospedaria, sentindo o cheiro doce do chá sendo preparado, e provavel alguns ohagi³. Jun sentiu a boca salivar. Quando chegou no quarto alugado, Jun e seus irmãos começaram a trocar de roupa, até que Nanami se aproximou.

    A beleza da Kunoichi4 era sempre um brinde à visão de Jun. Sabia que deveria olhá-la com os olhos de um irmão, mas a nudez dela revelava uma pele macia e curvas que mesmo o Velho teria de admirar, e a falta de pudor dela em mostrar-se diante dos irmãos fazia qualquer um engasgar. Os deuses pouparam Jun de contemplar a nudez total de Nanami, pois os longos cabelos negros cobriam-lhe os seios, e seu fundoshi5 ocultava-lhe a flor, mas ainda assim, o corpo generoso da Kunoichi era sempre uma visão desconcertante. Ela tinha as mãos na cintura, sem pudor e sem tentar esconder seu corpo à visão do ninja, como sempre fazia diante dos irmãos. Nanami levava o termo "irmão" bem a sério, talvez mais do que deveria. Ela falava à Jun com o semblante preocupado.

    -"Jun-kun, porque você atirou na platéia, e não no Daimyo? E de qualquer forma, o que pretende fazer? Vai voltar para a vila imediatamente?"

    Notas:


    ¹- Traje de shinobi.

    ²- Estrada que ligava Kyoto a Edo. Uma das cinco principais rotas do Japão.

    ³- Iguaria japonesa. Bolinhas de arroz cobertas de feijão doce e gergelim

    4- Ninja do sexo feminino

    5- Roupa de baixo tradicional japonesa, similar a uma tanga que deixa as coxas e nádegas desnudas.

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    Mensagem por scorpion em Dom Maio 05, 2019 1:53 pm

    Quando chegaram na hospedaria, Jhun permanecia ainda em silêncio. A viagem de volta pelo lago fora cansativa, mas não tanto quanto escalar e descer a parede... e manter o arco retesado? Atirar com arco e flecha exigia uma força homérica e toda a tensão que os dedos e o ombro seguraram até ele analisar toda a cena e averiguar qual o Daimyô verdadeiro...
    Ele passou pelo estalajadeiro e apenas disse.

    Jhun: Boa noite. Pode pedir à moça da cozinha que me prepare um pouco de chá e uma tigela de Sunomono?

    O chá serviria para acalmar e o Sunomono era um relaxante muscular bem nutritivo até, apesar do gosto forte. Ele agradece curvando a cabeça...

    Jhun: Arigatô.

    Então, subiu para o quarto, onde seus irmãos trocavam de roupa. Ele também trocou.... tirando a camisa, o corpo magro, porém definido do Shinobi mostrava cicatrizes por todas as costas e costelas. Cicatrizes eram as memórias que o corpo levava de uma vida de perigos, dores e treinamento pesado. Eles as tinha com orgulho, apesar da não necessidade de exibí-las.

    Quando Nanami entrou e começou a se trocar, muitos olhos se viraram para ela. Juhn tentou não virar o rosto, mas seus olhos foram ao canto como se a tentação fosse muito grande para não ser possível combatê-la. Quando ela foi se aproximando, Jhun falou com ela sem se virar, como se estivesse ocupado em trocar as vestes.

    Jhun: O Daimyô costuma usar sósias, Nanami... e foi isso que ele usou nesta noite. Eu pude ver na platéia um homem igual a ele, ao lado da esposa dele...

    Então virou-se e encarou Nanami nos olhos.

    Jhun: Porém, quando ele a tocou.... quando ela sorriu para ele, sem fingimentos, sem falsidade... um sorriso sincero e feliz... eu pude ver que o homem na platéia era o nosso alvo. O Daimyô jamais permitiria que outro homem olhasse e tocasse em sua esposa daquela maneira...

    Ele então pegou a roupa que seria dela e entregou nas mãos da moça.

    Jhun: Vista-se... você está comprometendo o juízo dos homens, Nanami.

    Se ela questionasse, ele apenas diria.

    Jhun: Cães continuam sendo cães mesmo que você os treine desde filhotes.... homens sempre serão homens. Sua beleza tira o foco deles...

    Terminou de amarrar a sua Sash (uma faixa que servia de cinto), ele diz.

    Jhun: Sim, eu voltarei a aldeia... tenho de informar nosso senhor de que a missão foi concluída. Ah não ser que você saiba de algo que necessite da minha atenção em outro lugar.

    Dito isso, terminou de se vestir e passou por ela, saindo e indo buscar sua refeição.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Maio 09, 2019 9:11 am

    Nanami era uma beldade, sem dúvida. Mestiça, tinha a pele mais escura que as moças japonesas comuns, em um tom acobreado que lembrava mel. Mas, o que mais chamava a atenção nela eram seus olhos, verdes como jade no escuro, e bem mais claros, quase azulados, na luz. Tinha um temperamento intenso, e era gentil grande parte do tempo, mas era terrível quando se enfurecia. E, muitas vezes, se enfurecia e ninguém conseguia dizer porque.

    Como toda moça que é linda desde sempre, Nanami é acostumada à malícia dos homens. Ela é plenamente consciente do desejo e na inveja que sua beleza desperta nas pessoas, e faz uso disso frequentemente em missões Shinobi. Ela lida magistralmente com a turba de homens ao seu redor fazendo de tudo para chamar a sua atenção e marcar território. As más línguas diriam que ela gosta dessa atenção e que a cultiva, mas Jun sabe que dizer isso a ela a deixaria entristecida e com raiva. Ela é mais do que a camada de beleza intensa que a reveste, e tentar resumi-la aquilo é o suficiente pra despertar a raiva de Nanami.

    Estrategista brilhante, Nanami frequentemente é encarregada da liderança dos grupos. O grupo de Jun, hoje, estava sob coordenação da jovem Shinobi. Quando Jun contou-lhe sobre as razões pelas quais atirou na platéia, ela sorriu, colocando uma das mãos no ombro do rapaz.

    -"Eu sabia que seria uma boa idéia te deixar com a responsabilidade de dar o tiro, Jun. Parabéns."- disse, com um sorriso radiante no rosto.

    Mas quando Jun disse-lhe para se cobrir, porque ela estaria comprometendo o juízo dos homens, Nanami corou, ficando até com as orelhas vermelhas. E então Jun viu o ódio faiscar nos olhos verdes da morena. Tentou justificar-lhe dizendo que cães são cães mesmo treinados... mas aquilo aparentemente piorou as coisas. Nanami arrancou-lhe as roupas das mãos com fúria.

    -"Como se eu tivesse culpa de você ser um tarado, IDIOTA!"- Ela gritou, ainda muito vermelha, mas agora já abraçando as roupas e ocultando o corpo escultural da visão do irmão.

    Ela virou as costas e saiu pisando pesado, enfurecida. Se vestindo com dificuldade com as roupas masculinas que costumava usar, e quase caindo no processo. quando conseguiu fechar a calça e abotoar a camisa, virou-se e apontou o dedo para Jun

    -"A essa hora, Sasaki já enviou um pombo para a Vila informando o velho da missão. Então, você devia ficar na cidade e arrumar uma mulher pra te fazer sossegar o facho, seu imbecil."- e então bateu a porta com força atrás de si, enquanto descia para o salão, enquanto os irmãos sufocavam as risadas.

    -"E a tigresa da montanha faz mais um vítima! Você deveria ter visto essa vindo, Jun."
    - Kojiro sentou-se pesadamente ao lado do irmão, amarrando as botas e rindo do amigo.
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    Mensagem por scorpion em Qui Maio 09, 2019 9:43 am

    Nanami fez o elogio a Jhun, mas ele evitava deixar o ego crescer. Era um Shinobi... alguém treinado para aquele tipo de coisa e para obedecer a seu mestre... mesmo assim, um elogio sempre arrancava um sorriso interno do rapaz que mal sorria. Porque Jhun era um Shinobi que raramente demonstrava sentimentos.... sentimentos atrapalhavam... Então, ele apenas disse.

    Shinobi: O mestre é sábio... se me escolheu, teve suas razões. Que bom que não falhei com ele e com o nosso clã.

    Jhun sabia que Nanami teria alguma reação e que certamente não seria a mais controlada de todas. A mestiça costumava perder a linha quando sabia que estava sendo observada com aqueles olhos.... não! Ela perdia a linha quando era descoberta. Para muitos, o manto da inocência de Nanami caía bem, mas Jhun conhecia a mulher bem o suficiente para saber que ela gostava sde ser observada. Inclusive, aquilo fazia parte dos atributos que a faziam uma Kunochi tão competente.

    Quando ela bradou e falou aquilo tudo, se virando e se preparando para sair, Jhun segurou-a pelo braço direito com rapidez. Por mais que ela fosse a líder daquele grupo, Jhun era centrado e firme.... ele tinha a postura de um alfa e se sabia impor o seu respeito. Segurou ela por um dos braço dela e disse firme, mas quase num cochicho.

    Jhun: Eu não sou um tarado. Não era de mim que estava falando, mas dos outros. Eu vejo você como uma irmã, Nanami.... nem todos a vêem assim.

    Liberou o braço dela, deixando-a partir. Foi quando Kojiro jogou-se ao seu lado e soltou o comentário. Jhun não riu... apenas o olhou de lado.

    Jhun: Tigres são mais perigosos quando estão calmos e caçando... quando estão nervosos são mais previsíveis e fáceis de abater.

    O Shinobi não era muito de conversa... Ele sabia que tinha coisas mais importantes a fazer... e agora estava preocupado com Nanami que saiu do quarto irritada. Ele terminou de colocar a camisa e disse.

    Jhun: Você façam o que desejarem... eu vou falar com a nossa irmã.

    Uma mulher como Nanami sozinha às vezes podia não dar boa coisa. Sim, a Kunochi era habilidosa, mas sua cor, sexo e beleza poderiam trazer problemas para ela. Então, sem mais delongas, Jhun abriu a porta do quarto e desceu para o salão. Se Nanami estivesse sentada em algum lugar, ele sentaria ao lado dela... se ela não estivesse lá, ele se apressaria para a saída e tentaria achá-la.
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    Mensagem por Tellurian em Sab Maio 11, 2019 11:16 am

    Nanami era tempestuosa, e Jhun sabia disso. Quando a morena saiu pisando firme, o shinobi agarrou-a pelo braço para impedi-la de sair, Jhun sentiu um calafrio quando ela se virou. Os olhos muito verdes da moça estavam opacos, e sempre doce Nanami tinha agora no rosto uma expressão severa. Jhun soube imediatamente que sua irmã Nanami-chan tinha dado lugar à Tigresa da Montanha, a Jounin terrível que era a líder inquestionável do grupo. A frieza na voz da garota era evidente quando ela falou.

    -"Tem que ser muito ousado ou muito burro pra pôr a mão em mim sem a minha permissão, Chuunin."- e antes que Jhun pudesse perceber, Nanami segurou o pulso de Jhun com a outra mão e girou o corpo, passando por baixo do braço do shinobi, e sumiu de vista.

    E então, chão e teto trocaram de posição quando Jhun caiu de peito no chão, com Nanami em suas costas, segurando seu braço com firmeza. Os irmãos Shinobi soltaram o fôlego e se levantaram, mas Nanami ergueu os olhos de esmeralda para eles, e eles sentaram-se novamente.

    -"Como reconhecimento pela missão bem executada, Jhun, eu vou deixar você ficar com ela agora. Mas a próxima vez que você me tocar, eu vou levar a sua mão pra casa e pregar na parede como troféu."- e soltou o braço de Jhun bruscamente, se levantando e deixando-o livre pra fazer o mesmo.

    A morena se virou e gritou ao grupo que queria todos de volta na Vila até o anoitecer do dia seguinte.
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    Mensagem por scorpion em Sab Maio 11, 2019 4:24 pm

    O chão estava salgado... ao menos foi isso que Jhun conseguiu aferir quando provou o gosto dele. Com os dentes rangendo pela dor do pulso torcido e uma gota de suor escapando da têmpora, Jhun apenas ouviu o que ela disse.

    Quando ela partiu, Jhun sentou-se e massageou o pulso para espantar um pouco da dor. Ele olhou para Kojiro e sorriu.

    Jhun: Não sei... mas sem ESSA eu poderia ter ficado.

    Ele terminou de se arrumar e dessa vez saiu, sem dizer nada. Passou em frente ao quarto onde Nanami estava, parou... ergueu o pulso e... não bateu em sua porta. A irmã estava irritada ainda pelo visto. Seria melhor deixá-la só um pouco.

    Ele desceu as escadas e perguntou pelo Sunomono que havia pedido. Sentou no canto mais distante e escuro daquela estalagem e comeu... mais depressa que o normal. Então, Jhun colocou o bowl em cima da mesa da estalajadeira e curvou-se agradecendo. Depois, colocou as moedas referentes à refeição e saiu pela porta da estalagem, visando aproveitar a noite, colocar as ideias em linha reta e tomar um pouco de ar puro, depois de tanto esforço físico.
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    Mensagem por Tellurian em Qua Maio 15, 2019 11:56 am

    Os outros irmãos de Jhun aguardaram os passos pesados de Nanami se afastarem escada abaixo para darem risadas do Shinobi. Logo o assunto deixou de ser a bronca e voltou a ser o sucesso da missão. Mas, a ordem de Nanami era o retorno à vila, então os membros do time foram se dispersando aos poucos, cada um visando cuidar de seus próprios assuntos, ou então apenas retornando imediatamente para a vila.

    Jhun havia decidido comer na hospedaria antes de dar uma volta para espairecer. Enquanto ele estava mastigando seu sunomono com um pouco de chá, Nanami se aproximou da mesa do jovem. Ela ainda tinha a expressão severa, mas a faísca de ódio já havia deixado seu olhar.

    -"Eu vou dar a você uma chance para se desculpar."- a bela shinobi disse, com os braços cruzados, ao lado da mesa de Jhun.

    Mas, Jhun não esmorece sua determinação, e fala enquanto mantém o olhar no copo de chá.

    -"Eu não preciso me desculpar, Nanami. Se eu, como irmão, não posso protegê-la ou aconselhá-la a se tornar alguém melhor, então o orgulho já venceu. Se um inimigo é mais fraco que você, porque lutar, se irá vencer? Se o inimigo é mais poderoso, porque lutar se irá perder? Se o inimigo é igual, ele compreenderá, e não haverá luta. Honra não é orgulho. É o reflexo que temos de nós mesmos, nosso mestre nos ensinou isso. Se eu e ele sabemos disso, porque você não?"

    O shinobi olha finalmente para ela e diz:

    -"Sinto muito, mas desculpas por algo que não foi errado, apenas pra alimentar seu ego, não te farão uma líder melhor. Você é uma irmã pra mim e eu a amo como tal, mas não posso colaborar com seu decaimento. Se um líder precisa lembrar aos outros pela força que é um líder, então o que ele é, Nanami?"- e então o Shinobi retorna os olhos à sua refeição, desviando o olhar da irmã.

    -"Ele é alguém como o homem na platéia que nós matamos."- diz, levando uma rodela de pepino à boca de forma desinteressada.

    Nanami tinha os braços cruzados e não interrompeu Jhun em momento nenhum, deixando-o à vontade para falar. Quando ele terminou, ela levou uma mão aos olhos, como se estivesse com uma terrível dor de cabeça, e apenas sacudiu a cabeça em desaprovação.

    -"Você nem desconfia o que fez de errado, não é?. Ela retorna a mão à posição de braços cruzados. Jhun pode sentir não mais raiva, mas tristeza na voz da irmã. -"Se você não sabe o que fez de errado, você é um idiota, Jhun. E eu não quero idiotas no meu time."

    Ela descruza os braços e retira do bolso da calça que veste um rolinho de papel, como os que vêm nas patas de pombos-correio. Ela coloca o papel na mesa, ao lado do copo de chá do shinobi, juntamente com um cordão de moedas.

    -"Essa mensagem acaba de chegar. É sua ultima missão conosco. Depois disso você vai ser transferido pra outro grupo. Aqui tem dinheiro pra sua viagem e pros preparativos. Eu te desejo boa sorte."- e virou as costas. Ela pareceu suspirar por um momento, mas em seguida seguiu seu caminho, saindo da hospedaria.

    Jun leu o papel, em silêncio. Pensava, em seu intimo, "O orgulho venceu".

    No papel, com a caligrafia do velho, estava o endereço de uma hospedaria em Kyoto chama Ikeda, e o nome do contato que faria o debriefing da missão.[/b]
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    Mensagem por scorpion em Qua Maio 15, 2019 3:49 pm

    Jhun aguardou Nanami sair... em sua cabeça, ele tinha claro que Nanami apenas queria desculpas para estar certa. "Mulheres"... talvez ela nunca entendessem como homens eram cegos ou burros... ou as duas coisas. Alguns homens, como Jhun viviam apenas para o clã. Sua visão sobre o que acontecia aquém daquilo era muito opaca. Porém, como todo homem, ele demorava muito a perceber tudo o que estava acontecendo.

    Quando Nanami saiu, ele deixou o seu sunomono e saiu atrás dela. Seguiu ela por um quarteirão ou dois depois da hospedaria, quando já estariam um pouco longe da mesma e então, ele chamou o seu nome.

    Jhun: NANAMI!

    Se ela não virasse ou não o ouvisse, ele aceleraria o passo e tocaria em sua mão... mesmo sob a ameaça de perder a mão... mas confiaria de tocar com delicadeza e sem desafiá-la... e de não estar na presença de outros. Mas tentaria conseguir a atenção dela...

    Jhun: Nanami... eu não me despedi de você. Não importa o ódio ou desprezo que você esteja sentindo por mim por qualquer razão que seja, mas me deixe terminar...

    Ele suspirou e continuou.

    Jhun: Antes de toda missão, eu sempre penso se esta poderia ser a última... e você é o mais perto que eu tenho de uma família. Sempre antes de uma missão, meu primeiro e último pensamento é você. Porque você me criou como uma irmã... me ensinou muito do que sei... e cuidou de mim em muitas situações que outros não cuidariam.

    Olhou nos olhos dela e disse.

    Jhun: Eu nunca poderia falar isso na frente de outros... porque... porque você sabe o quanto qualquer tipo de sentimento nos nubla. Mas... se esta for a minha última missão e se eu morrer nela pelo nosso clã, não quero encontrar meu fim sem ter dito ao menos uma vez que... que eu a amo, Nanami... Não como irmã... mas como mulher e como o ser humano mais incrível que eu já conheci. E ver toda essa sua força... sua determinação... e saber que eu não seria capaz de protegê-la e cuidar de você... bem, talvez isso me amedronte. Isso e saber que, como fomos criados como irmãos, este sentimento nunca seria bem visto pelo nosso clã.

    Ele esticou um dos braços e puxou um pouco a manga.

    Jhun: Meu coração é seu, Nanami.... sempre foi. Mesmo que isso seja proibido... e minha mão também, se você ainda quiser cortá-la. Mas eu referia perder todos os membros do meu corpo a perecer em uma missão sem dizer a você o que sinto... ou sabendo que você nutre qualquer coisa ruim sobre mim. Você está certa... eu sou um idiota... um idiota por me deixar levar por um sentimento que nosso clã proibiria. Por favor... guarde esse meu segredo e leve o meu amor consigo. Ou faça o que quiser com ele.

    Terminou com uma última olhada nos olhos dela e disse.

    Jhun: Adeus... Nanami.
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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 21, 2019 2:43 pm

    O jovem Shinobi decidiu arriscar tocar a Kunoichi mais uma vez, a despeito dos avisos anteriores da moça. Contudo, ele encontrou pouca ou nenhuma resistência dessa vez. Nanami reduziu o passo rapidamente ao toque de Jhun, e quando se virou, o shinobi viu que os olhos muito verdes da moça agora estavam quase azuis, tomados pelas lágrimas que escorriam pela face da morena até pingar do queixinho.

    Ao invés da esperada reação violenta, Nanami supreendeu Jhun, e se aproximou do rapaz, recostando a cabeça dela sobre o peito dele, escondendo o rosto da visão do jovem, assim como suas lágrimas. Jhun fica sem reação. A jovem Kunoichi sente os braços do rapaz tremerem quando ele a abraçou, tentando confortá-la.

    Ela ouviu pacientemente tudo o que o Shinobi tinha para dizer, sem levantar o rosto para encará-lo. Talvez para não permitir que ele a visse chorar em seus braços. Mas, quando Jhun verbalizou a sua declaração, Nanami o empurrou instintivamente, se afastando dois passos, como se tivesse sido golpeada. Por vários segundos, ela apenas abriu e fechou a boca, como se não conseguisse decidir o que falar, com os olhos agora claros como a água do rio arregalados em choque.

    Até que, após alguns momentos de reflexão silenciosa e batalha interna, a moça parece se decidir e fecha o semblante. E o Shinobi consegue enxergar a indignação nos olhos da morena.

    -"Amor? Você me ama? Jhun, você nem ao menos tenta me compreender!"- ela bate o pezinho no chão, de forma adorável. Jhun sente o ímpeto de abraçá-la novamente, e dá um passo em direção à moça, mas é parado por uma firme e impiedosa mão espalmada, que o obriga a manter distância.

    -"Eu não consigo te compreender, e acho que isso é o que há de belo em você. Você é um turbilhão. Um tsunami de emoções. Eu não compreendê-la não quer dizer que eu não tente, Nanami!- O jovem diz, com a inexperiência cobrando seu preço.

    Os olhos de Nanami se escurecem conforme as lágrimas secam e dão lugar à fúria esmeralda. Ela lembra bem de como se sentiu insultada na hospedaria a troco de absolutamente nada.

    -"Você me rebaixa. Me equipara a uma puta qualquer de esquina que usa o corpo pra chamar atenção. Que amor é esse, Jhun? Que julga? Que condena? Que inferioriza? Que amor é esse que não te permite me olhar nos olhos e ver algo além do meu corpo? O que eu fiz pra não merecer ser levada a sério? Desculpe por ter cometido o crime terrível de ser uma mulher bonita!"- A fúria nas palavras da morena é crescente. A frieza na voz da moça cresce a cada sílaba que ela profere, carregada de mágoas antigas das quais agora Jhun tornara-se o avatar.

    -"EU? Nanami... Eu sou o único que a enxerga além disso! Quando pedi que você se vestisse foi porque eu sei que os outros te enxergam como nada além disso. Não, você não tem culpa da sua beleza, nunca terá. Eu... eu não consigo me fazer compreender por você. Eu olho você nos olhos, e sabe o que vejo?- o Shinobi sente os olhos arderem e começa a ele próprio a conter suas lágrimas agora. -"Vejo a pessoa que quando cheguei na vila, após meus pais serem mortos, seu avô disse para cuidar de mim. A pessoa que me pegou pela mão, me alimentou. Me mostrou onde dormir. E, quando eu tinha pesadelos, eu podia ver a sua sombra por trás da sua porta, zelando por mim. Eu vejo a pessoa que se preocupava. Eu não sei quando comecei a te amar, Nanami. Mas com certeza não foi pelo seu corpo ou seus olhos. Eu aprendi a amá-la pelo seu espírito, força... e vontade de fazer o bem."- Jhun desviou o olhar da moça. -"Me perdoe se meu sentimento a ofende. Mas ele é sincero. Ele talvez seja a coisa mais sincera que você já teve na vida."

    Nanami se sentiu estapeada. Jhun continuava com sua sessão de julgamentos, pré-conceitos e pressuposições acerca das intenções de outras pessoas. Ela deus mais dois passos para trás, abrindo os braços de forma irônica enquanto falava com a voz em uma risada de raiva e indignação.

    -"Um tanto pior! Adivinha só, Jhun? Eu não preciso de proteção. Eu não fiquei bonita ontem, sabe? Eu convivo com a minha beleza a anos. E não sou estúpida. Eu sei quando um homem me deseja. Eu sei que todos eles me desejam. E sei me cuidar. Não vou deixar de fazer as coisas que gosto de fazer e nem de ser quem eu sou porque vocês não conseguem conter suas ereções infantis! E, se você me ama, deveria me compreender e cuidar de mim. E não me maltratar e me culpar pelas atitudes de outros!"- Ela apontou o dedo acusador para Jhun enquanto falava, e novamente bateu o pé no chão, pontuando as sentenças que ela julgava que precisavam de maior ênfase ou que a deixavam particularmente indignada.

    -"Eu sei que você não precisa de proteção. Mas o que posso fazer? É minha natureza proteger os que amo! Eu não posso fazer nada contra isso... e eu compreendo você sim. Droga, Nanami! Eu falo e você não me escuta! Você sabe o quanto eu admiro e respeito seu jeito e sua forma de ser, eu compreendo! Eu... eu não tenho como argumentar com você. Desde que nos conhecemos, você sempre esteve certa. As suas palavras podem ser duras, mas as suas lágrimas não mentem. Eu posso sim ser o idiota que você diz, e você pode me distanciar como você fez. Mas isso não vai mudar as coisas. No fim, um de nós abriu o coração, e outro não. O destino vai se encarregar de dizer quem estava certo."- E então o shinobi ergue o papel que o convocava ao dever, mostrando-o para a moça. -"Eu não sei se voltarei dessa missão com vida, Nanami.. mas deixo aqui com você o meu amor. Você decide o que fazer com ele."- Jhun se afastava mais dois passos da moça. A distância entre ambos era cada vez maior.

    Nanami abraça a si mesma e desvia o olhar, como se estivesse insegura de suas próprias respostas. Ela fala com amargura e com tristeza na voz.

    -"Palavras, Jhun. São vento. O que você fala é diferente do que você faz. De como age. Você não me ama, Jhun. Como seria possível? Você nem ao menos tenta me entender. Você apenas me deseja, como todos os outros. E está tudo bem, eu posso entender. Mas por favor, apenas me respeite."- a voz da moça falhava enquanto ela dizia essas últimas palavras, e os olhos novamente se clarearam quando ela não pôde segurar mais uma lágrima.

    Agora foi a vez de Jhun se sentir estapeado. Ele levanta o rosto, com os olhos marejados.

    -"Como pode dizer isso? Assim... como pode?"- a voz do Shinobi então fica dura e rígida. -"Tem razão, Nanami. Eu apenas a desejo. Você não é nada além de um corpo belo."-- Não havia qualquer tom de sinceridade na voz dele, apenas de concordância. Como quem acha que brigar mais apenas aumentaria a mágoa entre ambos. Se era aquilo que era queria ouvir, ele lhe diria aquilo. Porque o amor que sentia por ela era maior do que a vontade de tentar convencê-la de algo.

    -"Me desculpe pelas minhas idiotices. Espero que nos vejamos de novo, nessa ou em outra vida."- Ele passou por ela, e quando estava ao lado dela, parou. Timidamente, as pontas de seus dedos tocaram os dedos dela, como se quisesse sentir uma última vez aquele toque macio. Mas a Tigresa da Montanha sabia ser implacável, e cruzou os braços. E disse, mesmo engasgando de tristeza ao segurar as lágrimas que queriam voltar a jorrar:

    -"Adeus, Jhun. Você vai ficar bem."-

    e então ambos viram as costas um pro outro, e caminham em direções opostas.
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    Mensagem por scorpion em Qui Maio 30, 2019 12:26 pm

    Com a resposta de Nanami, Jhun apenas a observou indo embora... quando ela sumiu na multidão, ele disse em tom quase inaudível.

    Jhun: Adeus, Nanami...

    Aquele seria o fim derradeiro da história mal começada dos dois? Ele não sabia dizer... e nem conseguia entender as palavras e os sentimentos da Tigresa da Montanha. Ele então seguiu o seu caminho.
    Antes de ir, ele parou em uma loja de peixes e comprou 4 pequenos baiacus.... cortou-os ali mesmo no balcão e extraiu o seu veneno para um frasco que carregava. Jhun não precisava comprar muita coisa, pois ainda tinha os equipamentos da missão. A Ninja-to estava envolta em um pano junto com a Wakisashi, ocultas como se fossem pedaçoes de bambu carregados por um viajante, assim como o arco e as flechas ocultos no mesmo.

    Jhun tomaria uma diligência para a cidade de sua missão a encontrar o seu contato. Queria sair logo dali e chegar o mais rápido possível onde deveria estar. Não demorou muito... comprou ração para os dias de viagem, encheu seu cantil em alguma fonte da cidade e deu 2 moedas para um desafortunado na rua, pois ele se lembrava como era ser um coitado e que nem todo homem é responsável pelo que o destino o concede.

    Nao passou novamente na estalagem, pois não queria arriscar-se a cruzar com Nanami de novo.... apenas seguiu o seu caminho, mas não conseguiu tirá-la de seu pensamento e o turbilhão de emoções que ela tinha e que ele não conseguia entender.

    Talvez fosse aquilo mesmo.... um reles idiota. Mas ainda era um idiota extremamente mortal.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Jun 27, 2019 8:57 pm

    Os 534 quilômetros que separam Edo de Kyoto através da Nakasendo sempre foram um tradicional e severo obstáculo para os viajantes, que enfrentam curvas estreitas e pontes discutíveis por entre as montanhas. Porém, o viajante cansado é compensado pelas paisagens de tirar o fôlego, com folhas em uma explosão de cobre e vermelho colorindo os vales abaixo dos picos eternamente nevados, e pela brisa perfumada de caquis da montanha, postos pelos comerciantes para secar ao sol. Com os caquis secos, é feito um doce tradicional, recheado com nozes e coberto de açúcar, iguaria que atrai muitos dos peregrinos que precisam descansar os pés doloridos nas inúmeras ryokan¹ que existem no caminho.

    Jhun era um rapaz vigoroso, no auge de sua forma física e excelente treinamento. As subidas e desníveis, mesmo da Nakasendo, seriam um desafio pobre ao vigor do rapaz. Mas, como o tempo urge, Jhun decidiu não economizar e tomou lugar em uma diligência rumo à capital imperial. Os outros passageiros (eram sete, no total) tinham boa aparência, e suas vestes sugeriam que eram todos de certo grau social, provavelmente comerciantes de sucesso ou mesmo nobres de baixa estirpe. Conversavam entre si com palavras articuladas em um sotaque característico de Kyoto. O tema era sempre amenidades. Uma viagem longa entediante a um homem de ação. O bambolejar da carruagem prosseguia constantemente por trechos de até quatro horas, quando o cocheiro parava em casas de chá para que os passageiros pudessem esticar as pernas, ir ao toalete e comer alguma coisa. Logo, a luz do sol começou a esmorecer conforme ele se deitava atrás das montanhas, e o cocheiro anunciou que passariam a noite em uma hospedaria à beira da estrada. Haviam opções, mas ele recomendava que ficassem na Hyoka-ya, que pertencia a uma família de confiança.

    O lugar era uma cidadezinha pacata à beira da estrada, onde os nativos da região ofereciam seus produtos aos viajantes por preços atraentes. A hospedagem tinha um preço razoavelmente alto, mas que estava dentro do orçamento de Jhun, caso não houvessem contratempos até chegar na cidade. Ele também poderia optar em ficar em alguma hospedagem mais barata, com menos conforto.

    Notas:

    ¹- Hospedarias tradicionais japonesas, que contam com fontes termais.

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    Mensagem por scorpion em Sex Jul 19, 2019 2:06 pm

    Jhun passou o caminho quase todo em silêncio.... tirou um tempo para si em uma silenciosa reflexão sobre o que se passou com Nanami e pensou que, talvez, fosse melhor que o destino os separasse daquela maneira do que de maneira mais drástica, como um ensanguentado nos braços do outro. Era triste, mas era a realidade...

    Ele não pôde deixar de pensar nos lábios carmim da moça quando viu o céu ou no perfume dela quando sentiu o cheiros dos caquis, porém, tentou tirá-la da cabeça como um estalajadeiro expulsa um bêbado o tanto quanto pôde... era meio impossível, mas não era crime tentar.

    Durante a viagem na carruagem, Jhun manteve-se com a cabeça baixa e uma mão sempre na kunai escondida, como quem esconde uma dor de barriga... Isso porquê ele não sabia se teria inimigos ou engraçadinhos durante a viagem, mas ela mostrou-se calma e provou que o jovem era um pouco mais paranóico do que o normal. Durante todo o trajeto, ele só foi uma vez ao banheiro, mas não frequentou as casas de chá. Ficou hidratando-se com a própria água que trouxe em seu cantil, que recarregou em uma fonte na última cidade.

    Quando chegou, o cocheiro indicou uma estalagem que parecia ser um pouco mais cara, porém, mais confortável.... Jhun preferiu uma estalagem mais simples e em conta. O jovem Shinobi não precisava de luxo e uma estalagem mais simples chamava menos atenção. Então ele foi até uma estalagem mais barata, cumprimentou o atendente e deixou algumas moedas no balcão... o suficiente por uma cama e uma refeição. Queria comer carne e arroz naquela noite.... a carne daria energia para ele, por conta da proteína e o arroz o daria a sensação de saciado.... pediu também um pouco de água e um copo de saquê para esquecer Nanami naquela noite.

    Então, foi para o seu quarto e colocou a "segurança padrão" improvisada.... uma garrafa de vidro apoiada na porta e uma na janela, onde ambas quebrariam caso um dos dois locais fosse aberto. Deitou-se no colchão com os braços por trás da cabeça e ficou olhando para o teto e pensando no que deveria fazer... até ormir... ou que outra coisa acontecesse...
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    Mensagem por Tellurian em Sex Jul 19, 2019 3:06 pm

    A pousada era bem mais simples que a luxuosa ryokan oferecida pelo cocheiro, mas ainda assim parecia aconchegante. Era uma casa simpática, feita de madeira com o teto em palha de arroz. Era bastante pequena, e contava com apenas três quartos em um único pavimento. As refeições eram levadas até o quarto, porque a pousada não possuía um refeitório. Havia apenas um banheiro, que ficava do lado de fora, nos fundos, como era comum à casas mais simples.

    O quarto também era muito simples e pequeno. Jhun pensou que provavelmente os três quartos deveriam ser um único cômodo, separado depois por Shoji¹. Era possível ouvir ao fundo um ronco baixinho, de algum dos outros hóspedes, provavelmente. Porém, o seu futon² era de boa qualidade e confortável. Não passaria frio durante a noite.

    Pouco tempo depois de se deitar, buchô³ serviu-lhe no quarto a refeição. Um soba de trigo com tiras de frango grelhado acompanhado de uma porção de arroz. Uma refeição mais do que respeitável, como Jhun pôde notar. Talvez tivesse acertado na mosca na escolha da pousada. Apesar da aparência, era um excelente lugar com um preço ainda melhor.

    Depois de aproveitar a refeição, Jhun colocou a bandeja e os chawan4 do lado de fora para que o buchô pudesse recolhê-los, e deitou-se em seu confortável futon. Não tardou até pegar no sono.

    Em seus sonhos, o corpo nu de Nanami não lhe era mais oculto pelos cabelos e roupas de baixo. Os lábios vermelhos da moça lhe pertenciam. E ela gemia o seu nome enquanto ele desfrutava do seu calor. Sentiu-se imensamente desapontado quando acordou antes do raiar do sol e notou que a Nanami que embalara sua noite pertencia apenas ao mundo dos sonhos. A rigidez da excitação ainda lhe incomodava quando decidiu levantar e aprontar-se para seguir viagem.

    Quando vestiu as desconfortáveis calças de viagem novamente, sentiu um papel no bolso direito. Dobrado em quatro, o papel transmitia uma mensagem grave ao Shinobi, em uma caligrafia impecável.

    "Você foi seguido"

    Notas:

    ¹- Biombos de bambu e papel de arroz, armados em treliças
    ²- Cama japonesa, composta por um colchonete, uma manta de algodão e almofadas preenchidas com de palha de feijão.
    ³- Gerente
    4- Tigelas de comida
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    Mensagem por scorpion em Ter Ago 13, 2019 11:19 am

    Jhun desfrutou da refeição servida pelo bucho e agradeceu a ele cordialmente quando a recebeu. Demorou um pouco a comer a refeição, por mais apetitosa que estivesse pois estava com a mente em outro lugar: as coxas fartas de Nanami...

    Depois de um certo tempo, ele deitou-se e dormiu, para só então ser "perturbado" em seus sonhos pela musa de cabelos negros. O sonho era bom demais para ser verdade e isso gerou uma grande decepção quando acordou. Por milésimos de segundo ele pensou em abandonar tudo e voltar oara casa... tomar Nanami como sua mulher e... ter uma vida fugindo? Não... nenhum dos dois merecia aquilo.

    Percebeu que seu instrumento tinha acordado antes dele e isso fez com que ele demorasse um pouco mais a sair para que não reparassem que o shinobi estava "armado". Quando colocou as roupas e enfiou a mão no bolso, ele pegou o papel. Abriu-o, estranhando aquilo.... o shinobi era bem atento e alguém para ter colocado aquele papel em seu bolso sem que percebesse deveria ser alguém bem hábil e com os dedos ágeis como serpentes.

    Amassou o papel com uma mão, dizendo em sua mente um palavrão equivalente a "merda!"... Tomara cuidado para não vacilar, mas parece que mesmo assim... Tudo bem... o que estava feito, estava feito. Um rio não pode subir a montanha... A primeira coisa que fez foi investigar o seu quarto... pegadas, a posição da porta, das roupas, de qualquer coisa... para saber se alguém entrou em seu quarto para colocar o bilhete. Forçou a memória pra ver se havia qualquer coisa de diferente de quando foi dormir...

    Ele juntou suas coisas e foi até a recepção. Encontrou o gerente na recepção e chamou-o. Pediu o que pudesse ser o café da manhã servido pela estalagem e então perguntou.

    Jhun: Bom dia, senhor. Acaso posso te fazer uma pergunta? Depois de mim, alguém mais se hospedou?

    O raciocínio era simples... quem quer que o esteja seguindo, até mesmo quem colocou o bilhete para ele, não teria como saber que ele se hospedaria ali. Logo, se uma dessas pessoas tivesse se hospedado ali, teria de ser depois de Jhun. Se a resposta fosse positiva, Jhun ficaria ali para observar e investigar a pessoa que o buchô indicasse. Além disso, ele olharia a caligrafia do bilhete... tentaria indicar coisas pela caligrafia, afinal... a caligrafia japonesa dizia muito sobre a pessoa que a escreveu. Tentaria no mínimo identificar se era uma pessoa canhota ou destra... e o peso da mão da pessoa.
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    Vento Divino Empty Re: Vento Divino

    Mensagem por Tellurian em Seg Ago 19, 2019 7:39 pm

    A paranóia era parte intrínseca da formação de um ninja. Apenas aqueles que entendessem que as paredes tem ouvidos poderiam se tornar o ouvido da parede, dizia o velho. Jhun bebeu essa sabedoria da fonte durante toda a sua vida, e por isso o bilhete era perturbador. Havia se descuidado, e alguém se aproximara dele enquanto estava indefeso dormindo. Isso era um erro imperdoável. Mas teria tempo de se recriminar agora. Quem quer que houvesse lhe mandado o bilhete desejava transmitir a mensagem de um aliado, pelo jeito. Afinal, a mensagem alertava o jovem Shinobi de que havia sido seguido. Então, havia algo mais importante a se preocupar: localizar o seu perseguidor. Depois que houvesse encontrado e neutralizado a ameaça, Jhun poderia se concentrar no autor da mensagem misteriosa.

    Desceu as escadas e encontrou o gerente no balcão. Era um senhor de idade muito simpático. Encontrou-o fumando um cachimbo, e o adocicado perfume do tabaco preenchia a recepção. A bucólica imagem de um velho senhor usando óculos de armação grossa enquanto lia um livro de poesias e fumava seu cachimbo parecia saída de um quadro, mas Jhun tinha pressa e não poderia gastar tempo conversando com o ancião. Ele cumprimentou cordialmente Jhun. Retirando o cachimbo dos lábios com a mão enrugada e lançando um sorriso ao rapaz.

    -"Bom dia, meu jovem. A moça que o senhor chamou para seu quarto ontem a noite deixou a pousada bem cedo. Ela parecia bastante satisfeita, devo dizer. Como é bom ser jovem, não? Mas devo pedir ao senhor que evite convidar moças para cá. Entendo os humores da junventudo, mas somos um pousada de família, no fim das contas. Mas, o incidente da última noite pode ficar entre nós dois."- e o senhor deu uma piscadela a Jhun
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    Vento Divino Empty Re: Vento Divino

    Mensagem por scorpion Ontem à(s) 10:53 am

    Jhun franziu o cenho quando o velho falou de uma moça... Havia passado a noite com Nanami, mas apenas em sonho. Ele coçou a cabeça fingindo estar confuso e perguntou ao velho enquanto se desculpa a.

    - Mil perdões, ancião. Não vai se repetir... porém, você sabe me dizer como estava vestida a moça e como era seu rosto? Bebi muito saquê ontem e não me recordo... e sumiu algo da minha saca de viagem que acredito que ela tenha pego. Não por mal, talvez por engano... mas pretendo recupera-la.

    Depois das informações do velho, Jhun agradeceria e perguntaria ao velho onde havia uma tinturaria ali.

    - Pode me fazer um favor? Quero manter meu quarto reservado, mas não sei se voltarei... de toda forma, deixarei pago mais uma noite.

    Colocou uma moeda sobre o balcão.
    Se o velho dissesse onde havia uma tinturaria, Jhun iria em direção a ela é entraria nela, especialmente na área onde havia o tingimento branco.
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