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    A menina que dança

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    Mensagem por Tellurian em Qua Abr 17, 2019 3:23 pm

    O rio Kamo atravessa a cidade de Kyoto tranquilamente com suas águas cristalinas, cortando ao meio o bairro de Gion. Durante a primavera, as cerejeiras florescem e enchem as margens do rio com tons de rosa e vermelho. No verão, as cigarras embalam o passeio dos transeuntes com seu canto. No inverno, quando o rio congela, uma paisagem branca toma conta das ruas e vielas de forma encantadora. No Outono, as folhas douradas forram o caminho e estalam à passagem das pessoas.

    O bairro é tradicional na cidade e muito conhecido e apreciado pelas suas numerosas e animadas casas de chá.  Durante o dia, o cheiro delicioso dos quitutes preparados nas cozinhas permeia a rua Shirakawa, atraindo os passantes para provar as delícias à mostra nos balcões das lojas. A noite, a luz de lanternas coloridas enfeita as passagens e fachadas, e música preenche a rua, convidando os passantes para o desfrute de outras delícias.

    Dentro das casas de chá, as Geishas em yukata¹ coloridos entretem os clientes com suas performances musicais e danças exóticas. Em uma época de grandes aflições, paixões exarcebadas e temores com o amanhã, as sorridentes e simpáticas Geishas vendem um produto escasso e apreciado: conforto e alegria.

    A casa de chá Shinbashi-ya é conhecida e visada por quase todos os vistantes do bairro de Gion². Sua arquitetura gassho³ distoa das construções mais modernas da rua, mas isso apenas contribui para o charme da casa de chá. O piso da entrada é feito em madeira polida, e na área de convivência em tatames confortáveis ao toque. Uma série de biombos de papel garante a privacidade das mesas, enquanto corrediças de papel fazem a divisão do salão em diversas câmaras, onde as Gueishas desempenham seus números para o entretenimento dos clientes.

    A música podia ser ouvida de longe quando Suzuka caminhava para o trabalho. O som do rio era audível, conforme ela se equilibrava em seus saltos pela rua de pedras arredondadas. O yukata era lindo, mas restringia os movimentos de uma forma horrível. Mas Suzuka Ogho fazia jus a sua posição de maiko4. Não perdia a graça e atraía olhares ao passar, mesmo quando lutava contra a gravidade naqueles malditos saltos enormes.

    Hoje a noite seria cheia. Uma despedida de solteiro, tinham lhe informado. A jovem Maiko tinha planejado realizar um número de Shibu5 que deixaria a todos boquiabertos. Ensaiara até ficar com câimbras, mas o número estava perfeito. E clientes satisfeitos deixariam o Jôshi6 muito satisfeito, e a deixaria com muito dinheiro no bolso. Suzuka sorriu com a perspectiva otimista para a noite. Embora precisava se apressar, por já estar atrasada.

    Precisava entrar pelos fundos da casa de chá, então saiu da rua ao entrar numa viela lateral. O caminho era estreito e escuro, mas era a única forma de alcançar o beco onde ficava a entrada dos fundos da loja.

    Quando virou a curva, sentiu o pé deslizar em algo pegajoso e quase perdeu o equilíbrio. Baixou os olhos pra ver onde pisara, e estava bastante escuro, então precisou apertar os olhos para ver melhor. Reconheceu o cheiro férreo antes de reconhecer a cor da poça de sangue em que pisara. Levou as mãos pra conter um grito de horror quando viu um homem recostado contra a parede, gemendo de dor. Havia sangue para todo lado. Seu braço direito jazia no chão ao lado do corpo, ainda segurando a espada. Sua barriga estava aberta, e as vísceras saiam para fora, numa visão grotesca que fez o estômago da Geisha se revirar.

    O homem ergueu os olhos e viu Suzuka. Ele ergueu a mão esquerda em súplica. Falava com a voz gorgolejante pelo sangue que lhe subia até a garganta.

    -“Cha... chame ajuda... Shiori-sama... salve-o....”- e então a mão caiu, sem vida, quando o homem exalou seu ultimo suspiro.

    Notas:

    ¹- Vestimenta tradicional japonesa
    ²- Bairro tradicional de Kyoto, conhecido historicamente como "o bairro das Gueixas"
    ³- Arquitetura rústica japonesa caracterizada pelo impressionante trabalho de carpintaria e pelos telhados feitos de palha de arroz, altos e inclinados para evitar que a neve se acumule
    4- Aprendiz de Geisha. Última fase da formação de uma Geisha
    5- Dança tradicional japonesa com leques
    6- Gerente
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Qui Abr 18, 2019 12:18 am

    Suzu era uma Maiko muito admirada e requisitada na casa de chá na qual trabalhava, ela era perfeita, seus movimentos leves e suave como asas dos beija-flores, sua maquiagem impecável, seu perfume amadeirado e viciante, e seu coque sempre perfeito finalizado com flores de cerejeira, seu olhar carinhoso e brilhante, e o seu sorriso doce que acalmava os corações dos mais aflitos. Mas para ser perfeita o expediente dela não terminava quando as casas eram fechadas, continuava ... a treinar, treinar e seus pés sempre enfaixados pela marcas do seu sofrimento da perfeição. 



    Aquela noite, fresca e suave, Suzu estava a caminho de mais um dia de trabalho, havia ensaiado severamente para aquela noite especifica, queria ser perfeita no shibu e encantar dessa forma a todos, e quem sabe finalmente conseguir se tornar uma Gueisha, além do mais conseguiria mais Mon e dessa forma ajudaria mais a sua família. Suzu adorava seu trabalho, adora aquela cidade, principalmente na primavera, onde as cerejeiras floresciam e enchiam as margens do rio co tons de rosa e vermelho, suas cores preferidas, e a cidade ficava com o doce aroma das cerejas. E a noite ah! A noite com toda sua misticidade, aquelas lampadas de lanternas, aquelas pessoas algumas fugindo de suas vidas, outras tentando encontrar-se, outras apenas tirando o estresse do dia, todas ficavam lindas e misteriosas diante daquela meia luz. Era totalmente diferente da paisagem da sua pequena vila, mas aquele lugar trazia um pouco de felicidade para o seu coração ferido. 



    Distraída com seus pensamentos sobre as possibilidades daquela noite e os passos que deveria fazer e ao mesmo tempo tentado se equilibrar naqueles getas, Suzu olhou para o céu e pela posição da lua e estrelas percebeu que estava um passo para ficar atrasada, resolveu apressar-se, ao virar a rua para entrar na casa de chá pisou em algo pegasoso, e já ia começa a esbravezar pensando na possibilidade de ter sujado sua roupa, ao aproximar para verificar, percebeu que era sague. SANGUE! E logo percebeu a presença de um homem ferido, e levou as mãos para conter o grito de desespero e aflição. 



    Ao aproximar do pobre homem ferido,apenas ouviu " chame ajuda ... shiori-sama ... salve-o" e o mesmo morreu ali, no inicio da noite, nos braços de uma desconhecida, nos braços de Suzu . A mayko ficou sem entender o que havia acontecido, e mal ela sabia que sua vida estava mudando naquela noite ... com aquela morte ... Então Suzu entrou aflita na casa de chá e chamou Jôshi e contou o que havia presenciado, lágrimas borravam sua maquiagem, sua roupa cheirava sangue, e  seu corpo todo tremia....



    Sua vida mudou como uma brisa avisando o fim do verão ....




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    Mensagem por Tellurian em Qua Abr 24, 2019 11:53 am

    Suzuka correu desesperada em direção ao único refúgio que conhecia, a casa de chá. De forma instintiva, correu para a portas dos fundos. Já era dificil andar com aqueles sapatos e com o Yukata, então correr pela viela íngreme e escorregadia, com os sapatos sujos de sangue, era algo ainda mais complicado. Ogho percebeu que não conseguia correr rápido, sua velocidade acabava se limitando a uma caminhada em passo acelerado enquanto mantinha um equilíbrio frágil. Mas a entrada do Shinbashi-ya estava proxima, então ela deveria continuar, se apoiando nas paredes e correndo o máximo possível, com o coração aos pulos e a respiração ofegante. O seu penteado já começava a se desfazer, suas roupas rangiam conforme forçava as coxas contra o tecido na esperança de ganhar um pouco mais de espaço para as suas passadas apressadas. O suor já começava a manchar sua maquiagem no rosto, mas era um suor frio. As roupas não permitiam um esforço físico tão intenso que a fizesse suar, mas era um suor gelado que nasce do pavor.

    Quando virou a esquina e entrou no beco, sentiu que seu coração parou por um segundo. O beco era estreito, tinha pouco mais de cinco metros de profundidade por três de largura. Com as costas recostadas na parede mais ao fundo, estava um jovem samurai, de vinte e poucos anos. Trajava roupas finas, que indicavam ser uma pessoa de status privilegiado. Portava uma Wakizashi¹, que apontava de forma trêmula para frente. Tinha a voz assustada e mandava o homem a sua frente se afastar, ir embora e deixá-lo em paz.

    O samurai que o perseguia era assustador. Não era muito alto, mas tinha os braços fortes. Não era possível ver seu rosto, pois estava de costas e usava um ajirogasa² negro. Trajava um gi³ esfarrapado, marrom e negro. Sua longa katana estava desembainhada e baixa, mas ela a empunhava com as duas mãos. A lâmina ainda gotejava com o sangue do homem na viela.

    O Shinbashi-ya usava o beco para guardar o lixo que seria recolhido de manhã, então havia caixas de vegetais podres e sobres de comida, que carregavam o ar com um fedor ardido. Suzuka escondeu-se entre as caixas de lixo, suportando o fedor, pois tinha medo de correr e ser vista pelo assassino ou qualquer associado que porventura estivesse próximo. Os homens não perceberam sua presença, mas ela estava próxima o bastante para ouvir o que eles diziam com clareza. O samurai tinha uma voz grossa, mas suave, e falava com calma. O sotaque era estranho, ele não parecia ser da cidade.

    -"Shiori Kousuke-dono, eu não nutro rancores pessoais contra o senhor, mas é imperativo que pereça em nome de uma nova era."

    O jovem Shiori Kousuke, amedrontado, soltou um grito de angústia e arrancou para cima do samurai esfarrapado, brandindo sua espada curta de forma desajeitada. O homem não teve trabalho em desviar do primeiro golpe, e aproveitar-se do desequilíbrio do jovem. E então o grito do rapaz foi interrompido quando a lâmina longa do samurai penetrou em sua garganta. Largou a espada, que caiu no chão com um ruído metálico. O samurai retirou a espada da garganta do jovem, que deu dois passos trôpegos para trás, segurando a garganta com ambas as mãos, como se pudesse em vão conter o sangramento que levava embora sua vida. Ele tentava gritar por socorro, mas só o que se ouvia eram ruídos gorgolejantes de sangue que saía pela sua boca e nariz. O rapaz caiu no chão, se afogando no próprio sangue. Suzuka viu quando a luz deixou seus olhos e seu corpo se tornou imóvel.

    O samurai limpou o sangue da lâmina e embainhou a espada. Retirou um papel de dentro de suas vestimentas e depositou sobre o corpo do jovem. Curvou-se em reverência ao adversário caído, e caminhou em direção a rua, deixando a Geisha escondida no lixo sufocando suas lágrimas e o grito de pavor que tinha preso na boca.

    Notas:

    ¹- Espada curta. Tradicionalmente usada em conjunto com as longas katanas. Porém, apenas samurais podiam portar katanas. Alguns nobres e mercadores usavam a Wakizashi como símbolo do seu status

    ²- Chapéu cônico tradicional japonês, feito de palha trançada

    ³- Quimono. Vestimenta tradicional japonesa.
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Seg Abr 29, 2019 9:37 pm

    Suzuka ficou ali, não sabia exatamente por quanto tempo, mas tinha medo de se mexer, e se tornar uma vitima daquele Samurai. A cena daquela morte, os brilhos daquele olhar tão jovem se desfazendo ali na sua frente, nunca imaginou que iria presenciar a morte de alguém, já viu alguns entes partirem, já participou de alguns Okiru, mas nunca virá a morte tão de perto, assim cara a cara como aquela noite.



    Seu corpo todo tremia, olhou para o céu tentando se atualizar no tempo, e tinha a certeza que já se passará um bom tempo ali, a lua já estava ao centro céu, já era tarde, já tinha se atrasado para sua apresentação, mas também a cabeça dela não estava para isso, enquanto seus olhos estavam ali cerrados para aquele corpo sem vida a sua frente, foi quando resolveu sair do escuro e caminhou em direção ao jovem caído. Olhou para os dois lados para confirmar que estava sozinha ali naquele beco, e seguiu um passo de cada vez, ouvindo sua própria respiração, abaixou e ficou mais próxima ao corpo, pegou o papel que o Samurai havia deixado ali, dobrou sem ler e guardou no meio do seu traje, pegou a espada do rapaz e guardou contigo, fez suas reverencias pela alma daquele pobre Otokonoko e seguiu com pressa, enxugando suas lagrimas, borrando mais a sua maquiagem, seguiu em frente .. mas para onde iria?? ia chegar na casa de chá daquele jeito?? roupa suja, maquiagem borrada, atrasada e ainda com o grito preso em sua garganta??? não estava em condições de seguir em frente a sua unica certeza e que ali ela não poderia ficar .... e decidiu voltar para casa e lá tentar se equilibrar e pensar em tudo que acabou de presenciar.



    Amanhã teria que inventar uma boa desculpa para seu chefe, tinha falhado como Gueisha, tinha falhado como uma pessoa, aquela noite tinha falhado e seu coração estava sangrando pela honra manchada.



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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 07, 2019 10:22 am

    Muitos dos que lutam por um futuro melhor dizem que em breve virá uma era onde as pessoas poderão viver suas vidas sem conhecer o gosto do sangue ou o cheiro de um cadáver. Que virá uma era de paz duradoura, onde as batalhas e a violência serão coisa do passado. Mas, como Suzuka pôde vivenciar hoje, tal era ainda não chegou, e provavelmente ainda há um longo caminho a se percorrer até que ela finalmente chegue.

    A geisha caminhava descomposta pelo beco, rumo a rua. Ainda tremia, e lutava para manter as pernas bambas com força suficiente para que pudesse se mover e fugir dali. A tira de seu okobo¹ parecia prestes se arrebentar, e ela praticamente mancava, então, precisava se apoiar na parede. Porém ao alcançar a curva que saía do beco, indo para a viela que levava a rua principal, ouviu novamente a voz do assassino, que conversava com um associado. O homem desconhecido perguntava ao assassino se sua vítima tinha habilidade digna de nota.

    Ogho se encolheu e se escondeu, mas não pôde evitar dar uma espiada rápida nos dois homens conversando. O assassino de chapéu negro estava de lado pra ela agora, e ela podia ver suas feições. Ele não tinha o rosto temível que ela havia imaginado. De fato, suas feições eram tão gentis que ele poderia ser confundido com uma garota, se não fossem seus braços fortes e seu olhar rígido. Conversava com um homem grande, que deveria ter cerca de 1,80m e trajava um quimono púrpura. Tinha um bigode desgrenhado e sorria com escárnio. Suzuka percebeu que lhe faltavam dois dentes.

    -"Ele era bom?"- perguntou, com a voz desafinada e um certo tom de escárnio.

    -"Não. Sua habilidade não era digna de nota."- respondeu-lhe o espadachim.

    -"Então porque a reverência?"- o homem rude cuspiu no chão enquanto falava.

    -"Porque, apesar dos apesares, ele era um adversário que lutou com tudo o que tinha até o fim. Eu o respeito."- O espadachim mantinha os olhos fechados enquanto falava, em visível sinal de irritação.

    -"Bom, poucos estariam a altura do grande Kawakami Gensai, não é mesmo?"- O homem riu e deu tapinhas nas costas do assassino, que apenas o olhou com frieza.

    -"Você tem algum alvo pra mim?"- Perguntou, com ira contida na voz. O homem percebeu e tirou a mão do ombro do assassino rapidamente.

    -"Teremos algo grande, em breve. Mas por enquanto não."- Ele deu um passo para trás, com suor frio escorrendo da testa. Parecia sentir que havia ultrapassado algum limite e agora sua vida estava em risco.

    -"E o que farei enquanto isso, então?"- Gensai suspirou, aliviando a tensão entre os dois.

    -"Aproveite Kyoto, ué. Temos belas geishas por aqui."- o homem sorriu nervosamente e coçou atrás da cabeça.

    E então Kawakami Gensai olhou de leve para trás, e Suzuka poderia jurar que ele a teria visto, e rapidamente tornou a se esconder com o coração aos saltos.

    -"Sim. Talvez eu faça isso."- Kawakami respondeu, com a voz cansada. E então se retirou.

    Suzuka avaliou suas opções. Precisava se retirar, precisava ir pra casa, não podia ficar ali. Mas achou que não teria outra opção além de passar casualmente pelo homem na viela, como se fosse uma transeunte qualquer, que nada sabia. Confiava em suas habilidades de interpretação e achava que poderia fazer isso. Se recompôs como pôde, refazendo o seu penteado e consertando a maquiagem com a ponta dos dedos. Endireitou a postura, envergou seu melhor sorriso, e caminhou confiante pelo beco.

    Contudo, as coisas deram tremendamente errado. Assim que o homem grande a viu, sacou uma tanto² da manga de seu quimono púrpura.

    -"Você viu"- o grande homem disse, com os olhos arregalados.

    Suzuka tentou negar, dizendo que não sabia o que o homem estava falando. Porém, o cadáver cheio de sangue na viela deixava pouco espaço para a geisha se fazer de ingênua.

    -"Nada de correr riscos, garota. Sinto muito."- o homem começou a caminhar em direção à Suzuka, e a olhou de cima abaixo. Ele chegou tão perto que a geisha podia sentir seu cheiro de suor e seu hálito de cigarros. Ele deslizou a língua pelos labios rachados e sorriu maliciosamente.

    -"Mas sabe... se você for boazinha, eu posso ser legal com você."- enquanto deslizava a lâmina pelo yukata de Ogho, afastando o tecido como se quisesse expor os seios da moça.

    Ela aperta os seus olhinhos puxados, encarando-o, pela primeira vez com firmeza, pois era algo que ela não se permitia era que confundissem sua profissão com prostituição. Ela era uma geisha tradicional, e tinha estudado para isso.

    -"Desculpe, não entendi sua fala, senhor. Acho que deve estar me confundindo. Agora, se o senhor aparecer na casa de chá onde trabalho, será um prazer atendê-lo"- Suzuka se esforçava para manter o sorriso no rosto, à despeito do coração aos saltos em seu peito.

    -"Ora, vamos... não seja assim. Temos a noite inteira pela frente."- Ele sorria, e deslizava a lâmina pelo yukata da moça, alcançando a obi³, e fazendo menção de cortá-la.

    A moça se assusta e dá um passo para trás, evitando a lâmina do homem, repreendendo-o por não respeitar as tradições.

    O homem se enfureceu, e deu-lhe um forte tapa no rosto, com as costas da mão. A violência do tapa cortou o lábio de Suzuka, e a fez perder o equilíbrio e a força das pernas, lançando-a ao chão sujo da viela.

    -"Puta suja. Faça seu trabalho e talvez eu a deixe viver."- o homem tinha os dentes cerrados e a raiva transparecia em sua expressão.

    lágrimas escorriam pelo seu rosto que ardia. Não tanto quanto seu orgulho, se sentia frágil e humilhada ali, caída, em frente aquele homem, temendo pela sua vida. Se lutasse, sabia que não venceria. Se corresse, sabia que ele a alcançaria. Se ficasse ali, sua honra seria manchada.

    Ali, de joelhos, tirou suas roupas de um jeito que pudesse esconder os objetos que carregava consigo, ficando nua diante daquele homem, iluminada apenas pela luz do luar. Esperando ser invadida por alguém que não conhecia. Seus olhos o observavam, mas seu pensamento voava para casa, para sua família.

    O homem a observou nua, e sorriu maliciosamente. -"Boa menina", ele disse, enquanto soltava os cordões da sua calça, expondo-lhe o pênis ereto.

    Ele aproximou o membro do rosto da moça e a agarrou pelos cabelos, enquanto sorria.

    -"Vamos começar com essa sua boquinha suja."- ele disse com a voz maliciosa.

    Suzuka fechou os olhos, se resignando do seu destino, e abriu a boca para permitir a entrada do membro malcheiroso do homem rude.

    Porém, sentiu como se um relâmpago tivesse caído a seu lado. Gotas molhadas alcançaram seu rosto, e ela abriu os olhos a tempo de ver a cabeça do homem rolar para fora de seus ombros. Seu sangue espirrou e pingou no rosto de Suzuka.

    -"Verme imundo"- disse Kawakami Gensai, com os olhos faiscando ódio quando o corpo do agressor de Suzuka caiu no chão pesadamente.

    Enquanto a Geisha o olhava, ainda sem reação. Gensai suspirou profundamente, e a olhou com tristeza. Caminhou até as roupas da moça, e a cobriu com elas.

    Em seguida, ofereceu-lhe um lenço, para que limpasse o sangue do rosto.

    -"Este servo seu implora pelo seu perdão, senhorita. A nova era, onde coisas imundas como essa não mais acontecerão, está vindo. Por favor, seja apenas um pouco mais paciente. A senhorita está bem? Ele lhe fez algum mal?"- Ele tinha os olhos tristes, e falava com Suzuka com ternura na voz.

    Notas:

    ¹- Calçado feminino tradicional japonês, similar a uma sandália com salto de madeira.

    ²- pequena espada, similar a uma adaga

    ³- faixa que segura o yukata fechado
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Ter Maio 07, 2019 12:07 pm

    A menina que dança Haikai10

    Suzu caminhava decomposta pelo beco, apressadamente, pois queria sair daquele lugar e chegar no conforto do seu lar, não imaginava que o pior estava por vim. Ainda tremendo e tentando se manter equilibrada quase escorregou ao alcançar a curva do beco, pois teve que desacelerar seus passos quando ouviu novamente a voz do assassino. "ah não, de novo não" - pensou consigo, e parou ali tentando se equilibrar e camuflar no escuro, para não ser notada. Porém estava tão próxima que ouvia o diálogo dos dois ali presentes, e cada palavra a deixava nauseada, pois lembrava do corpo que estava caído a alguns passos atrás.

    A geisha estava tão próxima dos homens que conseguia ver os detalhes de cada um, um deles tinha uma imagem positiva, gentil e acreditava que até honrada, porém o outro lhe causava um frio na espinha, lhe dava pavor e com certeza era uma má pessoa, mas enquanto a ela, o que fazer? não poderia voltar, e tinha a total certeza que tinha sido notada pelos homens, sua unica solução naquele momento era seguir, tentar agir naturalmente e tentar passar despercebida por aquele homem terrível, pois o outro tinha acabado de partir. Porém foi o seu pior erro, pois a pobre moça foi abordada e cercada por aquele monstro em forma de homem, e naquela noite, naquele beco, sozinha, frágil estava prestes de ter o seu pior pesadelo.

    O homem havia lhe dado um tapa no rosto, e ela desmoronou como um nada ali no chão, e ali ficou caída com o rosto e alma ardendo, nua e sozinha, e aquele homem se aproximava dela, esfregando seu corpo nela, Suzu queria gritar, aquele cheiro de podridão há deixava enojada, aquele homem era um porco imundo, tanto na sua honra, alma e corpo e ela não acreditava que seria invadida por aquele homem, sempre sonhou com algo mágico, com algo romântico, mas não desse jeito. Então fechou os olhos e pensou nos campos de cerejeiras, no doce cheiro que deixava o ambiente, pensou no inverno da sua cidade natal e a linda paisagem que tinha, pensou na sua família, seu corpo estava ali sendo invadido por aquele homem, mas sua alma estava em outros lugares, quando sentiu o calor escorrer pelo seu rosto, e não eram as suas lágrimas, mas algo viscoso e quente escorria e ao abrir seus olhos via uma cena que jamais irá esquecer, um corpo caído, uma cabeça rolando e um Gensai segurando uma espada ensaguentada. Seu corpo todo tremia, e não tinha mais como evitar, suas lagrimas escorriam sem cessar, e sua respiração era de alivio, pois sua honra não fora manchada, mas sentia-se perdida e desprotegida, quando aquele homem que a uns instante havia matado um homem naquele instante ele a tinha salvo ... tinha se tornado um herói para a geisha.

    O Gensai havia lhe coberto com sua roupa, lhe oferecido um lenço para enxugar o sangue do rosto mas o que ele não sabia que lhe havia oferecido uma segunda chance de viver e ela seria grata por aquele homem eternamente. Ela olhava para ele e só conseguia agradecer.

    - obrigada por me salvar, mas agora eu preciso me recompor o senhor poderia me dar licença?
    - esperava o Gensai partir para levantar e se vestir e assim seguir para a sua casa, ela queria tomar um banho, queria tirar o cheiro daquele homem do seu corpo, queria meditar, queria esquecer aquilo tudo, e olhando o Gensai ainda disse - e se precisar de algo, estarei sempre disposta a te ajudar, terei uma divida contigo para todo o sempre.


    e Suzu ficou ali esperando o Gensai partir e dessa forma se recompor e seguir em frente ... afinal a vida não para e ela precisava continuar.

    A menina que dança D92e5910


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    Mensagem por Tellurian em Sex Maio 10, 2019 10:40 am

    Como uma geisha, muito do trabalho de Suzuka era ouvir e confortar. Todas as noites, na casa de chá, ouvia uma nova história de perda, dor, sofrimento. A jovem maiko tinha como principal dever trazer luz aquelas pessoas que estavam presas em locais escuros, e permitir, mesmo que por apenas uma noite, que elas pudessem sorrir. Aliviar o fardo que curvava os ombros cansados e aproveitar a noite, com boa bebida, boa música, e boa companhia.

    Até então, Suzuka sabia que viviam tempos difíceis graças a quantidade de tragédias pessoais que ouvia toda noite. E a gravidade das histórias também havia saltado. Mas até então, Suzuka era uma espectadora. Assistia o mais trágico espetáculo da história de seu país, sem até então ser afetada por ele.

    Porém, naquela noite, o Bakumatsu se fez real. O caos de balas e espadas, as convulsões de morte do xogunato finamente alcançaram a geisha, e nela deixaram sua marca. Memórias gravadas a ferro no coração de uma jovem de apenas dezenove anos. Um lago de sangue no caminho para o trabalho. Um pedido de ajuda de um moribundo. Os olhos rigorosos de um matador. O último suspiro de uma pessoa jovem. Sangue voando. Risadas maliciosas de um monstro. Violência no seu corpo. A salvação pelas mãos de um assassino.

    A era das trevas havia lhe alcançado e cravado suas presas profundamente. E Suzuka Ohgo carregaria com ela essas cicatrizes pro resto da vida.

    Pensou em Gensai e nas palavras que ele lhe disse. E orou em seu íntimo, que ele tivesse razão, e a nova era chegasse logo.

    Com o espírito quebrado, a Geisha se recompôs e caminhou de volta pra casa. Não teria condições de honrar com seu trabalho hoje. Ela era o conforto de almas perdidas, mas hoje, era o coração dela que precisava ser confortado.

    Quando chegou em casa, pôs a água do banho para esquentar, e serviu a si mesma uma pequena dose de saquê. Uma pequena fuga, para uma grande dor.

    Quando a água ficou quente, desatou o nó de sua obi e deixou a yukata cair, expondo a pele branca e deixando-a se arrepiar com o frio súbito.

    -"boa menina"

    Se ajoelhou. Cobriu-se novamente. Entrou na banheira coberta com suas roupas. Tinha o rosto quente de lágrimas. Lembrou-se do membro sujo do homem, ereto e pulsante, a sua frente. O cheiro podre que lhe enojava. As risadas maliciosas. A dor da mão agarrando seus cabelos.

    Lembrou-se de fechar os olhos e abrir a boca. Aquele segundo de expectativa onde a sua violência foi real. Onde ainda não estava salva. Virou-se subitamente para não sujar a banheira, pegando o balde que usava para recolher os dejetos e vomitou dentro dele.

    Colocou o balde tropegamente no chão e afundou até os ombros na banheira.

    A imagem de Gensai salvando-lhe acabou por lhe trazer paz. Isso era possível? Era possível encontrar paz e tranquilidade na imagem de alguém sendo morto? Isso fazia dela uma má pessoa?

    E Gensai? Quem era Kawakami Gensai? Um monstro assassino ou um paladino da justiça? Havia visto duas faces do mesmo homem em uma noite. A espada impiedosa e a lâmina da salvação. Os olhos rigorosos de ódio e a voz terna e triste. O que deveria pensar dele? Deveria amá-lo? Ou temê-lo? Apenas lhe era grata.

    Deitou-se nua em seu futon¹ e não percebeu quando adormeceu, para sonhar com cerejeiras e andorinhas.

    Notas:

    ¹- "cama" japonesa. Um colchão fino, fácil de enrolar e guardar.
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Ter Maio 14, 2019 12:47 am

    O coração tem uma morte lenta. Perde-se a esperança como as árvores perdem as folhas, uma a uma. (Chiyo)




    Na alvorada do dia, algumas pessoas passam apressadas nas ruas de Kyoto, o dia já havia começado para elas, pessoas sem rosto, sem nome e cada uma com suas historias e batalhas. Os primeiros pássaros já começavam a cantarolar nas janelas e arvores, avisando a todos que a noite dera o seu lugar para o dia,  o aroma dos chás sendo preparados perfumavam o ambiente, a cidade acordava. Mas no interior de uma simples casa, em uma esquina qualquer daquela cidade, encontrava-se uma pequena mulher, que teve seu coração e todo o seu ser destruído na noite interior, estava deitada e encolhida em posição fetal que se não fosse o suave respirar poderia acreditar que aquele corpo não tinha vida, afinal sua alma fora dilacerada. 








    Depois de algumas horas  do amanhecer Suzuki despertou, seus pequenos olhos puxados abriram-se para o mundo e a mesma resolveu levanta-ser do seu futon. Ainda nua caminhou para o grande espelho que encontrava no seu quarto, que muitas vezes se trocava ali, ensaiava seus passos de dança, se maquiava se tornava a geisha que todos admiravam ali naquele espelho, mas hoje, naquela manhã, não reconhecia aquela mulher que a encarava, passou a mão em torno do seu corpo, acariciando cada pedaço do mesmo, tocando delicadamente em seus seios, na sua boca, na sua barriga.  Seu  corpo branco parecia a neve da sua cidade natal que por um instante foi quase tocado por alguém desconhecido e não merecedor de tal privilegio, seu cabelo comprido preto, cor da noite, caia sobre pelo seu corpo,  seu brilho, seu cheiro ... tudo era seu e fora tocado por alguém nojento e asqueroso. Tudo aquilo lhe pertencia, mas sentia que foi invadida e o bile daquela noite a deixava enojada e indefesa.








    Caminhou para a cozinha e colocou a água para esquentar, precisava de outro banho, precisava se reencontrar. Enquanto a água esquentava Suzu preparava omelete e um chá Jokisen para seu café da manhã, estava sem apetite, mas precisava comer, precisava manter-se em pé. Após se alimentar pegou a água quente e jogou na banheira, jogou alguns sais minerais e pétalas de rosa, e entrou, ficou ali até a água esfriar, enrolo-se no seu kimono e seguiu para sua mesinha, penteou seu cabelo com sua escova dourada e toda desenhada a mão que ganhara de sua mão um pouco antes de saido de casa, escova que fora da sua bisavó, que fora da sua mãe e agora era tua, e naquele momento o sentimento de saudades tomou conta do seu coração, então Suzu fechou os seus olhos e se viu uma garotinha com os olhos vivos e alegres, sentada em um banquinho que não alcançava seus pezinhos no chão, e sua mãe tão doce e jovem penteava com todo carinho o cabelo daquela garotinha , cantando as mais belas canções, depois fazia duas tranças e prendia com fita de cetim vermelha e as duas iam passear nos campos verdes e ficavam caçando borboletas. Suzu sentia falta da sua mãe, da sua família, abriu a gaveta e pegou um papel de arroz, um pincel e um nanquim e escreveu para sua mãe e família, dizendo a todos o quanto sentia a falta de cada um, o quanto a cidade era bonita, como as arvores das cerejeiras enchiam os olhos de tanta beleza, o quanto se divertia nas casas de chá  e o quanto estava avançando no seu aprendizado. Mas não mencionou nada do que tivera acontecido com ela na noite anterior, não queria deixar seus pais preocupados e com sede de vingança. Precisava lidar com isso sozinha. 








    Aquele dia não queria treinar, pois geralmente depois do café Suzu costumava treinar suas apresentações da noite, separava sua roupa, organizava sua casa, preparava seu almoço, meditava, estudava e se preparava para ir trabalhar, mas naquele dia não queria trabalhar, ainda não estava em condições de alegrar alguém, ouvir os problemas de alguém, sendo que ela mesmo estava destruída, era a própria tristeza encarnada. Mandaria um recado para casa de chá por um mensageiro dizendo que estava indisposta, ficaria ali no conforto da sua casa decidindo o que deveria fazer em relação a tudo que presenciou, em relação ao caráter do Gensai que na mesma noite mostrou um assassino a sangue frio e um herói de mocinhas indefesas, olhava para a espada e o bilhete ali na sua mesinha, há deixava na duvida e ao mesmo tempo criara um sentimento bom que nem mesmo ela conseguia entender. Não sabia se deveria procurar a policia, não sabia se seguiria a sua vida e manteria o ocorrido em segredo no seu intimo e deixasse a vida julgar e decidir por ela as pessoas envolvidas. Uma das lições que aprendera sendo geisha é o que se escuta no salão, fica no salão, que devemos ser discretas e guardadoras de segredo, então deveria guardar  o ocorrido da noite anterior, mesmo sendo uma cena criminosa? Suzu estava em conflitos, então naquela tarde tarde  decidiu meditar e tocar seu shamisen para dessa forma conseguir se reencontrar e decidir qual seria seus próximos passos. 








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    A menina que dança Empty Re: A menina que dança

    Mensagem por Tellurian em Sex Maio 17, 2019 10:05 am

    Após tomar mais um banho e preparar o café da manhã, Suzuka ainda estava repleta de pensamentos conflitantes sobre a noite anterior. Não sabia se deveria sentir alívio por ter sido salva, vergonha pela humilhação sofrida, raiva pela sua impotência, medo ou admiração pelo seu salvador... o misto de sentimentos e sensações pesava no peito da Geisha, tornando a respiração pesada. Sentia como se algo ardesse em chamas em seu abdome, como se o ar lhe faltasse, como se sua alma sangrasse. Queria chorar de novo, mas as lágrimas não vinham. Decidiu tocar seu Shamisen em busca de conforto. Talvez as notas adocicadas do instrumento tivessem o poder de transportar-lhe para paisagens mais floridas. O pensamento em sua mãe lhe trouxe alívio, até as batidas em sua porta.

    Ainda estava em roupas de baixo, então não abriu a porta. Apenas perguntou quem era. Ouviu uma voz grossa e firme responder a sua pergunta, e sentiu um frio na espinha ao ouvir a palavra "Shinsengumi". Os Lobos de Mibu farejaram o cheiro do sangue, e agora estavam a sua porta. Devia ficar feliz? aliviada? Mas sentiu medo. Porque? Era uma vítima. O Shinsengumi era proteção, era segurança. Mas sentiu o peito apertar. Não queria abrir a porta, não queria ver aqueles homens. Porque se sentia assim?

    O sorriso triste de Gensai lhe veio a mente. Ela queria protegê-lo? O assassino brutal que matara três homens ontem a noite, dois na sua frente. Mesmo assim, lhe era grata. Não pensava mais no ódio por trás dos olhos furiosos do samurais, mas apenas na ternura em sua voz. E o pensamento de que o Shinsengumi poderia usá-la para pôr fim a vida de Gensai deu-lhe um nó no estômago. Suzuka apertou os polegares em resignação. Assim como ele a havia protegido ontem, ela o protegeria hoje.

    Entreabriu a porta para que pudesse ver os homens, e esses pudessem ver seu rosto. Ambos usam o uniforme azul celeste com detalhes em branco, com a faixa na cabeça que traz o ideograma para "Lealdade". Ambos carregam espadas na cintura. Um dos homens é baixo e careca, com braços musculosos e constituição sólida. Uma vigorosa barba enfeita seu rosto sorridente. O outro, também com um sorriso no rosto, mas mais felino, é alto e tem o cabelo penteado para trás e preso num coque, e mesmo assim mantém uma franja de aspecto esquisito, embora não seja um homem feio. Ele tem a constituição menor que a de seu parceiro, mas sua presença é bem mais poderosa. Os olhos do homem são impressionantes. Olhos de lobo. Penetrantes. Poderosos.

    Em tom cordial, ele se apresenta como Hajime Saito, Capitão da Terceira Divisão do Shinsengumi. E diz que tem algumas perguntas que gostaria de fazer.

    Suzuka sorri e acena com as mãos pedindo desculpas. Diz que não está decente, e pergunta se os samurais poderiam esperar um pouco. O careca fica levemente corado, e tosse sem graça. Mas Saito apenas sorri e pede desculpas pela intromissão. Ele a deixa se vestir. Suzuka rapidamente olha para os objetos sobre a mesa: uma pequena espada e a carta que Gensai havia deixado sobre o corpo de sua vítima. Ela toma algum tempo para guardar os objetos longe dos olhos de seus visitantes, e então pede-lhes para entrar e se sentar junto ao kotatsu¹ enquanto ela lhes serve um chá. Ambos agradecem a cortesia da geisha com uma reverência e tiram os sapatos ao entrar na casa de Ohgo.

    Após todos estarem acomodados e servidos, Suzuka senta-se com eles junto ao kotatsu, e ouve Saito dizer-lhe que houve um incidente próximo à casa de chá onde a Geisha trabalha. Um assassinato triplo. Eles sabem que a jovem é uma geisha popular na casa de chá, e gostariam de saber se ela tem alguma informação. Suzuka sente as entranhas congelarem, mas seus anos de treinamento lhe permitem esconder bem seus sentimentos. Ela sente que os homens do Shinsengumi sabem mais do que revelam, e que existe suspeita por baixo da máscara de cortesia.

    A gueisha pisca os olhos de longos cílios e sorri, baixando os olhos para seu copo de chá.

    -"Senhores, não sei do que estão falando. Ontem estava indisposta e não fui trabalhar, assim como não irei hoje. Porém, mesmo que soubesse de algo, não poderia dizer-lhes, pois a discrição é o fundamento principal do meu trabalho. O que acontece nas casas de chá, não sai de suas portas."- ela diz, para em seguida dar um gole rápido em seu chá Jokisen.

    Saito retira de seu quimono um calhamaço de papéis, que lê em silêncio. Os olhos dele cruzam os de Suzuka, que imediatamente sente sua pele se arrepiar. Ele pergunta se a moça esteve em casa o tempo inteiro durante a noite anterior, então.

    A jovem geisha começa a sentir medo dos dois, com sua intuição gritando-lhe para tomar cuidado. De forma convicta, ela olha para os homens e mente, confirmando com a cabeça que sim, permanecera em casa.

    Saito sorri, e pergunta se a moça lhe faria a gentileza de mostrar-lhe as mãos. De forma hesitante, e sem entender a razão do pedido, Suzuka estica as mãos. Ele agradece gentilmente a toma-lhe as mãos com delicadeza. As mãos de Saito são fortes, grandes e ásperas, mas ainda assim seu toque é delicado e gentil. Ele desliza a ponta dos dedos pelas palmas das mãos de Suzuka, primeiro abaixo do polegar, e então abaixo dos dedos mínimo e anelar.

    Ele fica sério por um momento no qual parece refletir. E então troca olhares tensos com seu parceiro. Suzuka sente a preocupação se revirar em seu estômago, mas Saito lhe sorri e solta as mãos com a mesma gentileza que as havia tomado.

    -"Você tem belas mãos, Ohgo-dono. São macias como apenas as de uma boa geisha poderiam ser."- ele faz uma reverência, e se levanta. Seu parceiro se levanta junto dele. -"Já sabemos tudo o que precisamos. Desculpe incomodá-la Ohgo-dono. Caso lembre de mais detalhes, por favor, procure a sede do Shinsengumi."- e vai junto com seu parceiro até a porta, onde levam alguns momentos para calçar suas sandálias.

    Suzuka os leva até a porta, mas está inquieta. Ela sente nos homens do Shinsengumi um comportamento predador. Ela lembra do homem na noite anterior, e isso a deixa irriquieta. Não permitia-se confiar no Shinsengumi.

    Antes de sair, contudo, Saito se vira, ainda com um sorriso no rosto. Mas esse Suzuka é capaz de perceber imediatamente a falsidade, como se o homem duelasse consigo mesmo ao pronunciar cada uma das palavras que disse:

    -"Uma última colocação, Ohgo-dono. O nome do falecido nas portas da casa de chá era Shiori Kousuke-dono. Era um jovem mercador de apenas vinte e cinco anos. Ele deixou viúva sua esposa grávida de seis meses, assim como um filho de apenas cinco anos. A família pretendia se mudar para Edo no próximo mês, fazendo planos para o bebê vindouro. Uma terrível tragédia, a senhorita não concorda?".

    A geisha balançou a cabeça, concordando. no fundo havia se comovido com a história, mas achava que Saito estava feliz com a situação, como um sádico. Não confiaria no Lobo de Mibu.

    O olhar de Saito mudou quando seus olhos se cruzaram mais uma vez. Estavam mais frios. O sorriso deixou seu rosto.

    -"O mal prospera quando as pessoas se calam e se omitem."-O Capitão da Terceira Divisão mantém os penetrantes olhos de lobo fixos nos olhos de Suzuka. E então, após um momento tenso, ele volta a sorrir. -"Mas, tomamos muito do seu tempo. Lamento muitíssimo. Por favor, aproveite o resto do seu tempo livre."

    A frase "aproveite o resto de seu tempo livre" pairou um pouco no ar. Uma ameaça? Suzuka tinha ficado paranóica em relação a Shinsengumi, mas os rumores sobre Hajime Saito eram graves e sombrios. Era um homem justo, porém severo.

    Assim, os homens viram as costas e vão embora, deixando Suzuka sozinha e preocupando-se com seus próximos passos.

    Notas:

    ¹- Mesa baixa de madeira, sob a qual há um braseiro. Geralmente, mas nem sempre, a mesa é ladeada por futons. Muito usado em períodos frios no Japão, uma forma graciosa de receber visitas.

    ²- Chá de alto teor de cafeína, muito popular na época.
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Sex Maio 24, 2019 12:51 am

    Suzu estava tão concentrada na sua música que demorou a perceber que chamavam em sua porta, e ao verificar quem era, seu coração quase parou de bater, eram Shinsengum, o que eles  queriam ??? Será que eles sabiam que ela tinham presenciado as cenas do crime?? eram os pensamentos de SUzu, e quando um dos homens ali parados na sua porta pediu para entrar em sua casa Suzu quase foi parar em outra dimensão, pois encima da sua mesinha estava os objetos do rapaz morto, prova de sua presença na cena do crime. Então pensou rápido e aproveitou que estava com roupas intimas e pediu um momento para os Shinsengumi, se trocou e escondeu os objetos longe da visão dos mesmo e logo em seguida convidou -os para entrarem, e com toda cordialidade de uma Geisha ofereceu um cha para os rapazes.



    Suzu não sentiu a vontade com aqueles homens, algo não estava certo, aquela sensação ruim que fazia sua intuição ficar em alerta, o frio subindo pela espinha e arrepiando seu cabelo da nuca, aqueles homens com certeza estavam com segundas intenções, não em relação a ela, mas as informações que queriam arrancar dela, e por sua segurança Suzu arriscou a mentir, nunca mentira na sua vida, mas quando percebeu estava negando os fatos. Um dos homens pedirá para ver sua mão, Suzu achou estranho tão desejo, porém preferiu demonstrar que não estava com medo e estendeu suas mãos, mas se sentia incomodada, principalmente com o toque daquele homem em sua pele, mal tinha se recuperado da invasão do seu corpo da noite passada e já sentia ameaçada novamente, esse era o seu Karma, "ser tocada por homens que não conhecia e que não amava??? "pensava a geisha enquanto o homem observava sua mão"



    Depois que os homens recolheram as informações necessárias se despediram de Suzu e partiram, mas antes de se perderem pelas ruas da cidade dirigiram algumas palavras que deixou a geisha em dúvidas se era uma ameaça, um alerta ou uma armadilha, e já se passara algumas horas que eles partiram e Suzu não parava de pensar na frase "o mal se prospera quando as pessoas se calam e se omitem", e também pensava na historia de vida do homem que tinha sido assassinado cruelmente. A geisha andava como uma pluma de um lado e do outro pela sua casa, refletindo e analisando todas as possibilidades de ações que deveria tomar, se iria atrás para verificar se a historia contada pelos Shinsengumi era real, se confiaria naqueles homens e iria ate a sede dos lobos e se entregaria ou se iria atras do assassino que ao mesmo tempo a salvou de uma tragedia ... já estava ficando louca trancada naquela casa, precisava respirar um ar puro, precisava refrescar sua mente para pensar melhor, então Suzu vestiu  sua roupa, arrumou o seu cabelo em um lindo e impecável coqui, e fez sua maquiagem, não iria trabalhar, mas precisava caminhar em um lugar que não fosse dentro do seu quarto, e saiu pelas ruas, um rosto entre milhares de rosto que caminhavam em um vai e vem apressados pelas ruas da cidade.



    Suzu não sabia onde iria, caminhava alheia a multidão, mas sem perceber, olhava para todos os rostos dos homens procurando pelo Gensai, ela tinha o visto no escuro, mas guardara bem sua imagem. Olhava para as lojas de chá e restaurantes o procurando, mas porque o procurava? essa era a resposta que saira de casa para achar?? que a sua solução estaria no homem assassino? E Suzu saiu a esmo sem saber ao certo por onde procurar e achar aquele homem.

    A menina que dança 175px-Shinsengumi
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    Mensagem por Tellurian em Sex Maio 31, 2019 5:02 pm

    Suzuka caminhava pelas ruas da cidade, olhando a esmo na multidão, esperando rever entre os passantes anônimos o rosto triste e gentil de Gensai mais uma vez. Tinha coisas que sentia que devia dizer a ele. Porém, Kyoto era uma cidade grande, e Kawakami Gensai era um especialista em não ser notado. A jovem geisha decidiu retornar ao trabalho. Talvez, seu anjo da guarda estivesse por perto, e a melhor forma de encontrá-lo fosse manter a sua rotina de sempre, e aguardar que ele retornasse.

    E Suzuka Ogho não saberia dizer ao certo quando começou a se sentir perseguida.

    Enquanto caminhava a esmo pela multidão, sentia olhos sobre suas costas o tempo inteiro. Por mais de uma vez, olhou para um estranho e teve a impressão de tê-lo visto antes, mesmo que nunca tivesse certeza. Tentou dizer a si mesma que estava paranóica. Que havia passado por um grande trauma, e que agora via lâminas nas sombras o tempo inteiro. Porém, a sensação nunca lhe abandonava. No segundo dia, reparou em um mendigo, deitado no chão em frente a sua casa, mas do outro lado da rua. Teve certeza de que o havia visto no dia anterior. Estaria vigiando a sua casa?

    Muniu-se de toda a sua coragem e abordou o homem, pensando em oferecer-lhe algo para comer como desculpa para conversar com ele. Porém, ao se aproximar, sentiu um forte cheiro de álcool e urina. E, quando o homem a viu se aproximar, abriu um sorriso ébrio e lhe disse com a voz etílica: -"Oooh, Ojou-sama! Em que este seu humilde servo pode lhe ser útil?".

    Suzuka suspirou sem saber se era decepção ou alivio. Convenceu-se que estava imaginando coisas, e deu esmolas ao pobre homem. Deixou-o em paz, agradecido pela caridade, e foi para casa se arrumar para o trabalho.

    Trabalhou duro aquela noite. Tocou seu Harisen e dançou para entreter os clientes da casa de chá. Frequentemente, Ogho olhava em volta, procurando o retalhador de olhos tristes. Mas, como nas noites anteriores, não o encontrou.

    Três dias se passaram desde sua agressão e salvamento naquele beco. E Suzu acordava pra se preparar pra mais um dia. Tomou um banho para revitalizar seu corpo, e preparou um forte chá Jokisen. Sentou-se à mesa para apreciar um merecido desjejum, quando ouviu batidas à sua porta.

    Novamente, dois homens estavam à sua porta. Mas dessa vez, o homem com olhos de lobo não estava entre eles. Apenas um homem gordo e careca, que portava uma longa lança, e um outro homem na faixa de seus quarenta anos, com bigode e óculos redondos. Eles lhe dão bom dia e dizem ser membros da Terceira Divisão do Shinsengumi, e pedem gentilmente que a Geisha os acompanhe.

    Ela aceita, relutante, e os segue por vários minutos até perceber que caminham em direção ao bairro da zona do baixo meretrício, onde trabalham as geishas que costumam confortar os homens em jeitos mais "carnais". Suzuka fica confusa, mas os homens pedem-lhe desculpas e lhe dizem que ela terá mais detalhes após se encontrar com o capitão deles.

    Após pouco mais de vinte minutos de caminhada, chegam a uma grande ponte de madeira que cruza o rio que corta o bairro. Em baixo da ponte parece estar um grupo de curiosos, sendo mantido afastados do lugar por um destacamento do Shinsengumi. Como estava acompanhada dos outros dois homens, Suzuka foi capaz de cruzar o cordão de isolamento, onde viu o Capitão Hajime Saito sob a ponte. Ele está trajando o uniforme azul-celeste com detalhes em branco típico dos Lobos de Mibu, com sua longa espada presa à cintura. Ele tem um cigarro aceso em sua boca, e faz anotações em um pequeno bloco de papel. A seus pés, uma esteira de palha de arroz cobre o que obviamente é um corpo.

    Ao perceber a presença da Geisha, Saito sorri e se aproxima, curvando-se em cumprimento: -"Ogho-dono. É um alívio e uma alegria vê-la bem."

    Suzu cumprimenta o Capitão, e olha ao redor sem entender muito bem. Não sabia porque estava naquela cena de crime, mais uma vez vendo um corpo sem vida. Sentiu o gosto de bile subir de seu estômago, e tinha vontade de sair correndo de lá. Mas não queria dar esse gosto ao capitão.

    -"Olá, Capitão. É uma alegria vê-lo novamente também, apesar das circunstâncias. Eu não estou certa da razão de ter me chamado até aqui.- a moça disse com a voz confiante.

    Saito aponta para o corpo sob a palha e pede para removerem a proteção, expondo o cadáver aos olhos de Suzuka. Tratava-se de um homem adulto, de pouco mais de trinta anos, que trazia um profundo corte no torso, que fez o estômago de Suzuka se revirar. Porém, a geisha sentia que já começava a se acostumar à visão da morte.

    -"O nome da vítima é Shigekure Kouji, 36 anos. Trabalhava como mercador, comprando e vendendo bens e especiarias dos holandeses da Ilha Dejima. Sem família conhecida."- Saito lia o seu bloco de notas enquanto falava, sem nunca tirar o cigarro da boca. Então, ele olha para Suzuka com seus afiados olhos de lobo, como se pudesse ver através da moça. -"A carta que encontramos junto ao corpo denuncia que isto é o trabalho de um hitokiri."

    A jovem moça não deixa sua confiança se abalar, e apenas dá de ombros. -"Compreendo, mas ainda não entendo o que faço aqui. Não conheço a vítima."

    Saito para e observa Suzuka por um momento, enquanto dá um longo trago em seu cigarro. Os olhos penetrantes fazem a moça se sentir nua. Olhos de predador. Mas, em seguida, ele sinaliza para que os homens cubram o corpo, e pede para que Suzu o acompanhe em uma breve caminhada. A moça se sente pressionada, e teme que o Capitão tente arrancar-lhe alguma informação através do uso de força. Mas, mesmo assim, se obriga a respirar fundo e seguir calmamente atrás do Lobo de Mibu.

    -"Hitokiris acreditam serem homens escolhidos pelos deuses, sabe? Eles levam a sério as suas missões, e são implacáveis. Mesmo que algumas vezes suas missões acarretem em danos colaterais."- a geisha é capaz de sentir um pouco de pesar na voz do homem, enquanto ele traga profundamente o seu cigarro.

    Enquanto caminham, Suzuka percebe que chegaram a uma zona residencial que fica próxima ao bairro da zona do baixo meretrício.

    [color=#6699ff]-"Infelizmente, o falecido Shigekure não estava sozinho quando o hitokiri o encontrou."- Saito aponta para uma outra aglomeração, alguns metros a frente. Um grupo de curiosos está sendo afastado, por outro grupo de Shinsengumi, de outro corpo, também coberto pela esteira de palha.

    -"Quando eles dizem o nome deles em voz alta, junto do nome de seus alvos, e anunciam a sua missão, eles acreditam que os Shinigamis ouvem. E que todos aqueles que ouviram essa sentença de morte devem agora partilhar dela."

    E então ele faz um sinal com a mão, revelando o corpo de uma jovem geisha, provavelmente da idade de Suzuka. Ela está seminua, com o peito perfurado e uma grande quantidade de sangue a empapar-lhe o que lhe restava das roupas. Mas o que mais impacta a jovem moça é o rosto do cadaver, congelado eternamente em uma expressão de descrença e desespero.

    [color=#6699ff]-"Ainda estamos tentando identificar a vítima, mas sabemos que era uma geisha e estimamos que tenha apenas 18 anos. É mais ou menos a sua idade, não?"- Suzuka sentia novamente os olhos de lobo a observando, medindo, avaliando.

    Suzu fica em estado de choque. Uma moça tão jovem, tão bela... um corpo sem vida estendido no chão. Ela viu ali seu reflexo. Imaginou-se naquele lugar, com aquela expressão. Foi incapaz de conter as lágrimas.

    -"Eu preciso confessar. Por favor, Capitão, me acompanhe."- dizia enquanto chorava de soluçar.

    Suzuka poderia jurar que Saito sorriria em triunfo, mas não foi o que aconteceu. O Capitão apenas pousou a mão gentilmente em seu ombro, e disse-lhe com algo que parecia ternura na voz:

    -"Não tenha medo. Você está fazendo a coisa certa. Nós iremos protegê-la."
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    A menina que dança Empty Re: A menina que dança

    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Ter Jun 18, 2019 12:53 am

    A menina que dança Proverbio_japones_a_morte_e_mais_leve_que_uma_pluma_a_r_lnvd7v0
    Suzu caminhava a esmo sem saber  o porque e onde aqueles homens estariam a levado, sera que foi descoberta e que seria presa? ou pior morta?? e ao aproximar novamente de mais uma cena de crime sentiu-se encurralada, era uma forma de repreender-la ou castiga-la? e ao ver o capitão acenando e sorrindo para ela, seu estomago ficou apertado e seu coração acelerado. E logo depois que saiu para caminhar com o capitão seus pensamentos estavam em colapso e uma voz interna dizia, e agora, ele vai te matar, e agora ... e ao se aproximarem em outro corpo sentiu suas pernas começarem a tremer, por instante achou que poderia ser o samurai e ela estava ali para fazer reconhecimento, mas ao levantar os tecidos que cobria o corpo, Suzu ficou em choque, era uma mulher, uma gueixa assim como ela, parecida com ela, que poderia ser ela ali ... se não fosse o seu proprio reflexo, e aquela mulher ali, fria, pálida e sem vida mexeu tanto com Suzu que toda aquela força e convicção que estaria fazendo a coisa certa em omitir algumas informações foi embora, e sem perceber estava em prantos, e sem perceber pediu para o capitão que acompanhasse até a sua casa.
    Durante todo o caminho Suzu ficou quieta, imersa no seu pensamento e em conflito no que dizer para o Capitão, pois por mais que aquela gueixa morta poderia ser um recado para si ela também nutria um sentimento de carinho e gratidão pelo samurai, então decidiu que não iria falar tudo para eles, mas o essencial ... que vira sim o morto, que chegou a pegar a carta e a espada do morto, mas omitiria todo o resto, a cena da invasão do seu corpo, o ato heroico do samurai e a sua vontade imensa de voltar a cruzar com o mesmo. Ao chegar na sua casa, Suzu pediu para que os homens entrassem, e entregou o bilhete e a espada, e disse que tinha visto sim o homem morto no beco e por algum motivo que nao saberia explicar ela pegou o bilhete e a espada para si, mas que depois tinha se arrependido mas ficara com medo de devolver ou ate mesmo falar naquele dia que eles estiveram presentes na sua moradia com medo de ser presa ou criminada pela violência, mas que não tinha visto quem fizera, pois havia voltado para casa com pressa e medo, mas que agora ela também temia por sua vida, pois tinha se visto refletido na imagem daquela gueixa morta. E Suzu começou a chorar e ao mesmo tempo sentido raiva por demonstrar tão fraqueza. 
    A menina que dança 754820
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    Mensagem por Tellurian em Ter Jul 02, 2019 7:09 pm

    Saito acompanhou Suzu durante todo o caminho até a sua casa, e ouviu atentamente a narrativa da moça. Dois outros homens estavam com os dois, mas ele deu ordem que o esperassem na porta quando entraram em casa. Suzuka Ogho estava sozinha com o Capitão da Terceira Divisão, e ele a observava com seus olhos de lobo.

    Quando ela lhe entregou os itens, ele os apanhou e leu a carta. Quando acabou a leitura, ergueu os olhos para Suzuka em silêncio, e baixou-os novamente. Em seguida, desembainhou a espada, e observou a lâmina por alguns momentos. Soltou um breve "tsc" e então tornou a embainhar a espada.

    Ele observou Suzuka em silêncio por alguns momentos. O rosto completamente inexpressivo, que apenas um bom jogador de poker conseguiria fazer. Porém, Suzuka era uma geisha de primeira, e sabia ler a mente dos homens como ninguém. E ela foi capaz de ler no rosto em branco de Saito uma certa contrariedade, talvez decepção... e um pouco de ira contida.

    Por alguns momentos, Suzuka achou que ele daria voz de prisão a ela naquele mesmo momento. Que a levaria presa. Sentiu um arrepio. As torturas do Shinsengumi eram famosas. Muito pouco se sabia a respeito dos detalhes escabrosos que aconteciam nos porões do quartel-general dos Lobos de Mibu, mas muito se especulava. E as histórias eram sempre terríveis.

    Porém, Suzuka se surpreendeu quando Saito estendeu-lhe um lenço, e a olhou com ternura.

    -"Deve ter sido horrível."- ele lhe disse, com a voz preocupada.
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Ter Jul 02, 2019 11:19 pm

    A menina que dança Downlo10


    Suzu olhava para o Capitão Saito tentando não piscar, pois sabia que se piscasse suas lágrimas escorreriam e já não queria mais sentir fraca diante daquele homem, ainda mais porque temia por sua vida naquele instante, ficou com medo de ser presa por ele, por ter mentido sobre a cena do crime, por ter escondido itens que estavam na cena do crime, Suzu estava toda errada, inofensiva e sozinha ali com aquele homem, portanto não poderia mais parecer fraca, mas uma mulher forte e pronta para se defender se fosse preciso, portanto, Suzu olhava para aquele homem e mentalizava sua energia de guerreira, e ao mesmo tento tentava analisar a feição daquele homem, e por um instante teve uma certeza que via um pouco de decepção nele ao analisar os itens assim como ao ler a carta. Será que não era isso que Saito procurava? Será que ela estaria livre agora? ou Sera que sua vida continuaria em perigo? Suzu estava perdida sem seus pensamentos, não sabia exatamente por quanto tempo eles estavam ali, minutos, horas, ou segundos ... mas voltou a si quando ouviu a voz grossa do capitão dizendo lhe que "imaginava o quanto tinha sido terrivel" e lhe oferecendo um lenço .... Suzu apenas o olhou e aceitou o lenço, mas sua mente lhe dizia, "sim foi muito horrivel,  vc ser invadida por um homem porco, depois o assassino arrancar a cabeça do outro na sua frente e seu corpo ficar cheio de sangue, e depois você perceber que não para de pensar no assassino e ter a certeza que tinha se apaixonado por ele, e depois você ver uma gueixa morta e imaginar que poderia ser você e perceber que sua vida corre risco, sim foi horrivel" Claro não iria dizer isso para ele, apenas sorriu de um jeito delicado e sensivel e disse:
    - sim capitão foi horrivel, jamais esquecerei tamanha cena. - e enxugou delicadamente as lagrimas que ousavam escapar. 
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    Mensagem por Tellurian em Qua Jul 10, 2019 2:58 pm

    -"Eu sinto muito. Faremos o máximo para que a senhorita fique em segurança."- Saito falava com a voz tranquila. Suzu nota que ele ensaiou tocar-lhe o ombro em conforto, mas hesitou e recolheu a mão. Ele dirige sua atenção novamente para os itens que lhe foram entregues por Suzuka, e sua face transparece que ele está imerso em profundas considerações.

    -"Há mais alguma informação que a senhorita gostaria de partilhar?"- Ele pergunta, quase que apenas por protocolo, sem olhar para Suzuka. Seus olhos estavam sobre a espada, e ele deslizava uma das mãos pela empunhadura enquanto segurava o queixo com a outra, em uma expressão de reflexão.

    A jovem Geisha olha para o capitão com desconfiança. Ela balança a cabeça negativamente, e o informa que as informações que ela havia passado eram as únicas que detinha. Saito ergue os olhos, encontrando com eles o olhar de Suzuka.

    [color=#6699ff]-"Este Kawakami Gensai... Ele entrou em contato com a senhorita, de alguma forma?"- perguntou em um tom de quem acaba de se lembrar de fazer uma pergunta importante, mas que havia esquecido de fazê-la até agora.

    -"Não!"- a resposta fora mais rápida e mais incisiva do que Suzuka gostaria de ter dito. Um certo pesar acabou transparecendo em seu tom.

    -"Entendo."- Saito desviou o olhar e tornou a olhar para a carta. Em seguida, ele apanha os dois itens e se curva em reverência educada para Suzuka. -"Não tomarei mais do seu tempo. Caso precise ou se lembre de mais algum detalhe, por favor não hesite em procurar-me no quartel general."
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Seg Jul 15, 2019 8:19 am

    Suzu ficou ali observando Saito se retirar levando consigo os itens que pertencia ao seu anti-herói, e seus sentimentos eram conflitantes, parte de si sentia-se bem por finalmente se abrir com alguém, por mais que esse alguém fosse Saito, o homem no qual ela não conseguia decifrar e confiar plenamente, e a outra parte sentia-se traindo aquele homem que havia salvo sua honra. Era tudo novo para ela, a um tempo atrás ela era apenas uma gueixa que a sua unica ambição era se tornar a melhor de todas, agora ela era uma mulher indefesa, que corria risco de vida e que tinha se apaixonado por um assassino. Louca? não sabia exatamente, a unica coisa que tinha a certeza naquele instante que sentia sufocada na sua própria casa, a presença de Saito ali preenchera todo os ambientes do seu lar, e onde ela ia sentia a presença daquele homem, seus olhos tentando enxergar seu intimo, e aquilo estava lhe fazendo mal, deixando o seu ser inquieto e preso. Não conseguia se concentrar em nada, nem ensaiar seus passos e sua música, precisava purificar o ambiente, Suzu foi ate o armário pegar um incenso mas para sua tristeza não havia mais nada, era preciso sair e buscar alguns, era preciso sair de casa senão enlouqueceria ali dentro. Então Suzu vestiu-se seu casaco e saiu..

    O dia estava tudo muito estranho, as pessoas estavam com mais pressa do que o costume, esbarravam-se umas nas outras e não se olhavam, estava um clima frio e chuvoso, perfeito para ficar em casa e ficar enrolada tomando um chá quente, mas para Suzu isso estava fora de cogitação, preferia estar ali perdida entre a multidão, pois sentia-se livre e de uma forma estranha segura, pois em algum lugar no meio daquela multidão poderia estar o seu anti-herói pronto para protege-la.   Ao chegar na loja, ficou mais de costume na mesma, sentindo cada aroma da loja, tentando escolher qual incenso seria bom para purificar seu lar e o seu ser, depois de um período, escolheu seus incensos, pagou por eles e saiu.  Andou pela cidade, parou em algumas lojas, comprou algumas verduras, legumes e frutas e  voltou para casa. A cada passo que se aproximava de sua casa, Suzu sentia um olhar lhe seguindo, olhava para trás, para os lados, mas não via ninguém, porém acelerou mais e mais seus passos e o coração ficava saltando em seu peito, e sua respiração ofegante, que parecia uma eternidade o caminho de volta, que por fim chegou em seu lar.  Trancou a porta atrás de si, e ficou ali encostada na mesma por alguns instantes ate se recompor. Quando se acalmou, Suzu tirou seu casaco e o pendurou, tirou seu tamanco e colocou no canto e seguiu até a cozinha, acendeu o incenso, colocou água para ferver pois precisava de um banho, e começou a espalhar o aroma pela casa, preparou a banheira, despejou a água, tirou sua roupa, deixando caída no chão, entrou na banheira, e  ficou ali sentindo a água aquecer seu corpo e o aroma acalmar sua alma .... Suzu ficou por muito muito tempo ali que perderá a noção da hora e do mundo ....
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    Mensagem por Tellurian em Sex Jul 19, 2019 9:28 am

    A água aromática do banho era relaxante e embalava as reflexões de Suzuka. Sentia a pele esfriar em contato com o ar frio noturno, e então submergia o corpo em água fumegante, e sentia os músculos formigarem enquanto se soltavam. Estava frio demais para lavar o cabelo, então os matinha presos em um coque enquanto se banhava. Porém, uma pequena gota de água ficou presa nos finos fios de cabelo do seu pescoço após uma desses breves imersões, e a pele da moça se arrepiou quando a gota se desprendeu e percorreu uma trajetória pelas suas costas até retornar ao oceano fumegante que engolfava o corpo esguio da Geisha.

    Pensava nos olhos tristes do samurai que a salvara. Só o tinha visto uma vez, mas havia visto tanto dele. Sua determinação, sua fúria, sua tristeza... sua ternura. Afundou mais uma vez na água. Lembrou do corpo pequeno de Gensai, que era apenas um pouco maior do que ela. Mas, lembrou-se também dos braços fortes que empunhavam a espada. Sentiu a face ruborizar quando pensou como seria ser envolvida por aqueles braços e apertou as coxas uma contra a outra, quando sentiu o formigamento tornar sua pele mais quente do que a água.

    Estava sozinha e era senhora do próprio corpo. E sua mente se deliciava em fantasias sobre um certo herói de braços fortes e olhos tristes, tão habilidoso com a espada quanto com as mãos. E suas próprias mãos se tornaram o avatar das mãos de seu amante imaginário, explorando as curvas sinuosas de seu corpo e preenchendo a banheira com sussurros suaves além da fina névoa de vapor d'água.

    Porém, sentiu um cheiro diferente do das ervas aromáticas que perfumavam sua pele. Um cheiro de perigo. Fumaça. Deixando de lado o mundo de fantasias onde se imergia e retornando rapidamente à realidade dura, Suzuka ergueu a cabeça e viu que fumaça branca entrava em borbotões pelas frestas da porta do seu banheiro.
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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Sex Jul 26, 2019 11:41 pm

    A menina que dança 2e2ba611
    Era para ser uma noite tranquila, corriqueira para Suzu, estava tão concentrada em si, no seu corpo,  naquele momento tão intimo que não percebeu o momento exato que sua casa foi invadida, mas apenas no momento que estava com fumaça que só deu tempo de vestir seu yukata e frações de segundo, no movimento do pendulo do relogio o caos estava implantado, um pequeno furacao acontecia na sua rua, e ela Suzu era o olho desse furacao. Em instantes segurava com toda forma a espada que o Saito havia esquecido ou deixado em cima da sua mesinha, e lutava contra homens que nunca havia visto em sua vida mas que parecia que a conhecia muito bem. Lutava como seus familiares, como uma guerreira que em instantes tinha ate esquecido que era uma simples geisha. 





    E quando estava sentindo cansada e preocupada com sua casa em chamas para o seu espanto aquele mendigo, sim aquele que estava alguns dias na frente da sua casa, que ela havia alimentado  levantou e começou a defende-la e apitando para alguém, e logo em seguida  aproximava alguns homens do Shinsengumi. De onde vieram? Como chegaram ali tão rapidos? Deviam estar proximos ou vigiando sua casa, sua vida ... eram os pensamentos de Suzu, mas não dava tempo de pensar muito precisava se defender, precisava lutar. Então ali no meio daquele caos toda, ainda vestida com seu yukata, descalça, com o coque se desfazendo, sem sua maquiagem, suando deixando sua pela brilhante que Suzu vê ele, ali saindo daquele beco, liquidando cada um daqueles homens presentes. Porque sempre quando o Gensai aparece tem cabeças rolando? - eram os pensamentos de Suzu - mas mesmo assim não tiravam seus olhos dele, seu coração estava acelerado, e já nao se importava com sua casa pegando fogo, nem por estar seminua no meio da rua, e nem por suas mãos mais uma vez sujas de sangue, só queria ele, só queria pedir desculpas para ele. 



    Suzu não tinha medo de Gensai, seu corpo todo tremia, não era de medo, mas da adrenalina do caos que havia enfrentado, e ao ver ele aproximando dela ficou ali esperando por ele, ah como esperou por esse momento, como esperou encontrar por ele, e aquela voz, um sopro quente no cair da noite fria. Tinham tanta coisa para falar, principalmente ele é claro, pois ela percebia o jeito embaraçoso que ele se aproximava e na sua fala. Mas todo aquele encanto foi quebrado com a presença sombria do Saito, como ele chegou ali tão rapido? seu coração parou naquele instante.



    O que fazer Suzu? ela estava ali parada olhando para Gensai, o homem que mexia com todo o seu ser mesmo todo errado, e olhando para Saito, o homem que deixava com medo, mas o homem da segurança de sua cidade. 



    O Pendulo bateu mais uma vez, o relogio marcava o cair da noite, e como um segundo do relogio o caos havia sido controlado, mas Suzu estava entre o lobo e o cordeio e o seu destino seria modificado ali naquele badalar do relogio. 
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    Mensagem por Tellurian em Seg Jul 29, 2019 10:53 am

    O calor do fogo aquecia a pele de Suzuka contra o ar frio da noite. O tecido delicado do Yukata tocava-lhe a pele com gentileza. Um tecido fino demais para uma noite fria como aquela, mas Suzuka não sentia o frio. Não sentia porque estava protegida da noite pelo calor das chamas que engolfavam sua casa. Seus pertences, suas lembranças, suas expectativas de retornar a vida normal... tudo se tornando cinzas no ar noturno.

    Os vizinhos começavam a se mobilizar pra evitar que o fogo se alastrasse. Pessoas saíam de suas casas e homens corriam com baldes de água, tentando impedir que as chamas  alcançassem as casas vizinhas. Controlar um incêndio em uma cidade construída em papel e madeira era uma tarefa que parecia impossível. Em alguns minutos, as casas ao lado também ardiam em chamas. Mulheres corriam de dentro delas com crianças em seus colos. Homens arriscavam suas vidas em meio às chamas para buscar seus anciãos presos entre o fogo. Homens e mulheres lutavam contra as chamas da guerra que, mais uma vez, consumia seus sonhos e esperanças. Em algumas horas, Suzuka sabia, o quarteirão inteiro estaria engolfado em chamas. Uma fogueira gigantesca, alimentada pelas esperanças de inocentes, que tornariam cinzas mais uma vez.

    E, acima de tudo, os gritos e o choro da multidão engolfavam a luta de morte que se desenrolava no coração do inferno e do pandemônio que era a antes pacífica vizinhança. Faíscas voavam quando espada se chocava contra espada, e o cheiro de sangue se misturava ao da fumaça quando os jorros vermelhos de vida esvaída alçavam vôo no ar noturno. Um tiro foi disparado, e o som do estampido e o cheiro da pólvora foram apenas mais algumas das notas que compunham a terrível sinfonia de morte que se desenrolava ante os olhos estupefatos da jovem Suzuka Ohgo. Uma orquestra de choques de metal contra metal, estampidos de balas, ossos se partindo, sangue fluindo e gritos de morte, regidas pela batuta de um maestro magistral na sublime arte da espada. Kawakami Gensai era um deus da guerra em ação. Um Shinigami¹ de olhos tristes.

    Em poucos momentos, a luta estava terminada. Os dois homens que haviam invadido sua casa e causado todo o inferno que engolia a vizinhança, mais os seis homens do Shinsengumi que apareceram para salvar-lhe a vida, estavam mortos. Seus corpos, vários com partes faltando, jaziam espalhados no chão em um oceano de sangue que brilhava em vermelho vivo ao ser iluminado pela luz forte das chamas. E, no centro da tormenta, Kawakami Gensai suspirou profundamente enquanto limpava sua espada e retornava à bainha com um prolongado som de arrastar metálico finalizado com um clique. Ele fechou os olhos inexpressivos por alguns momentos, e inspirou profundamente o ar maculado de sangue e fumaça. Suzuka podia ver que ele segurava o punho de sua espada com força, porque a cor abandonara-lhe os nós dos dedos.

    -"Senhorita Ohgo. Eu lamento muito. Há uma explicação perfeitamente razoável, eu garanto."- ele abrira os olhos mais uma vez, e Suzuka viu que os olhos haviam retornado ao seu estado gentil. Da fúria contida durante a sinfonia de morte que performara, ao opaco inexpressivo de quando observava o resultado de sua luta, e de volta aos gentis olhos tristes que agora a observavam, as íris castanhas agora avermelhada pelo calor das chamas.

    -"Uma explicação razoável? Sim, sem dúvida. Ela ouviu seu nome, e você veio matá-la. Kawakami Gensai, eu presumo. É um prazer conhecê-lo."- a multidão parecia ignorar a batalha que se desenrolava em meio ao inferno, tão compenetrada que estavam em suas próprias tragédias pessoais. Saito surgiu por entre a multidão, já de espada em punho. O seu uniforme azul com detalhes em branco tinha um brilho alaranjado, graças a luz das chamas que agora o rodeavam. Os olhos de lobo estavam fixos em Gensai, e possuíam um fúria viva, porém contida. O ódio de ter seus homens chacinados fez a espada de Saito tremer levemente quando ele a retirou da bainha, mas a deixou firme como rocha quando ele assumiu a sua posição de batalha.

    -"Hajime Saito. Eu gostaria de evitar uma batalha desnecessária contra o senhor. Deixe-me ir embora com a senhorita Ohgo, e eu juro que não irei machucá-la."- Gensai não sacara sua espada, mas havia flexionado os joelhos. A mão esquerda pairava sobre o cabo da espada, sem agarrá-la, e o polegar da mão direita destravara a lâmina de sua bainha.

    -"Falou o assassino que acaba de matar seis pais de família."- Saito flexionou os joelhos e deslizou a mão direita espalmada pela lâmina da espada, apoiando-a entre seu polegar e indicador, enquanto a mão esquerda segurava com firmeza o cabo da espada².

    Gensai apertou com mais força a mão que segurava a espada. Suzuka pôde dizer que aquelas palavras de Saito o feriram mais profundamente do que qualquer técnica de espada que ele pudesse empregar.

    Suzuka nada poderia fazer além de observar o desenrolar dos fatos. A força lhe abandonou as pernas, e os joelhos curvaram-se diante dos titãs que se confrontavam sobre as cinzas da sua vida. Ela queria pedir que parassem. Que ninguém mais morresse. Que a violência cessasse. Mas sua voz morria em sua garganta.

    O impasse entre os homens a sua frente durou longos momentos. Em uma batalha neste nível, qualquer movimento fora de hora pode ser fatal. Então, Saito e Gensai apenas se olhavam, se mediam e se estudavam, em uma batalha mental intensa. O golpe de Saito era uma violenta arremetida frontal, o que o deixaria em desvantagem óbvia contra a estonteante velocidade do saque de espada de Gensai. Contudo, a técnica de Gensai era puramente defensiva, o que não o permitia tomar a iniciativa na batalha. Então, o retalhador parecia ter construído ao redor de si uma redoma inexpugnável e imóvel. Mas o lobo andava em círculos ao redor dela, farejando, procurando uma brecha.

    Suzuka percebeu que estava segurando a respiração. A tensão era tão densa que poderia ser cortada com os golpes de espada dos samurais a sua frente.

    E então o lobo uivou e avançou. A sua arremetida fora tão feroz e tão potente que Suzuka quase não fora capaz de ver o momento exato em que o Capitão avançou sobre Gensai. Porém, em um movimento ainda mais rápido e poderoso, o retalhador sacou sua espada. Acompanhada pelo som metálico da lâmina deslizando na bainha com a velocidade de um relâmpago, a espada de Kawakami Gensai cortou o ar.

    O golpe de Saito usava o braço direito como contrapeso para equilibrar o golpe de perfuração. Kawakami abaixara-se até estar fora da rota do golpe de Saito e sacara a espada de baixo para cima, aproveitando-se da força da investida do oponente para cortar-lhe o torso.

    Porém, cortara apenas poucos fios de cabelo. Saito havia aplicado uma finta, provocando um ataque precipitado de Gensai e forçando-lhe a abrir a guarda. E então, com seu adversário desequilibrado, a navalha do Lobo de Mibu mais uma vez avançou com violência, atingindo Gensai na lateral do corpo.

    Suzuka sufocou um grito, mas logo percebeu que Gensai havia girado os quadris no último segundo, evitando um golpe fatal. Mas Saito imediatamente fez o mesmo, transformando o golpe de perfuração em um corte horizontal que cortou o peito do retalhador. Mesmo sem força suficiente para matar, o golpe de Saito lançou Gensai ao solo, com um extensivo sangramento vindo de um corte que ia de um ombro até o outro.

    -"De pé. Eu não acabei com você ainda."- Disse o terrível Capitão da Terceira Divisão, enquanto Gensai tinha uma expressão grave no rosto, de quem continha imensa dor.

    Notas:

    ¹- Um tipo de deus shinto da morte. Numa comparação mais inexata com a cultura ocidental, um anjo que levava embora a alma dos mortos.

    ²- A técnica usada por Saito no mangá Samurai X, "Gatotsu", é fictícia, e foi criada por Nobuhiro Watsuki quando escreveu a obra. Porém, ele se baseou em uma técnica real, chamada "Hirazuki", que consiste basicamente em um golpe de perfuração horizontal executado com uma única mão. Dizem que essa era a técnica favorita de Saito, e que ele era um mestre sem igual na sua execução.

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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Qua Jul 31, 2019 6:05 pm

    A menina que dança Samura10

    Suzu estava ali parada em meio ao caos, dois grandes homens lutavam uma luta épica e sangrenta, e ela sabia que final dessa luta apenas um iria sobreviver. Seu coração estava quase saindo pelo seu corpo de tão acelerado que estava, e percebia que a cada golpe e estalo das espadas entre lançando prendia a respiração. Temia a morte dos dois, afinal tenha carinho pelo dois homens, principalmente pelo Gensai, pois o mesmo havia acendido dentro dela uma chama que a muito tempo ela havia enterrado dentro de si. Tinha vontade de entrar no meio da luta e implorar que parassem, não era preciso derrubar mais sangue, mas não conseguia se mexer, estava presa ali naquela cena horrível, sendo consumida junto ao fogo que consumia sua rua toda. 

    Foi quando o pior aconteceu, Suzu viu exatamente o momento que Saito atingia Gensai com sua espada, e esse caiu no chão com o rosto desfigurado de dor. Suzuka sufocou um grito, suas pernas começaram a tremer e sentia que ia desfalecer ali na rua, não iria aguentar ver a morte do seu amor, antes que Suzu caisse ali no meio da rua, antes da sua visão ficar turva e sentir seu corpo desfalecer ela consegue ouvir a voz de Saito ordenando Gensai ficar em pé, pois ele ainda não havia acabado com ele, então Suzu caiu ali desfalecida em meio as chamas .... 


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