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    A espreita do Tigre

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    Mensagem por Tellurian em Qua Abr 17, 2019 4:23 pm

    A cachoeira rugia em seus ombros. A água gelada adormecia sua pele e encharcava seu gi¹. O jovem monge tremia de frio, suas juntas estavam endurecidas por passar tanto tempo na posição de lótus, mas ele sabia que a sua determinação estava sendo testada. Ele podia sentir os olhos cinzentos do Shihan² sobre si.

    Tentou expandir sua mente para seus arredores. Sentiu a rocha nua e rude sob si. O cheiro doce de flores que a brisa da montanha trazia. Inspirou profundamente, e visualizou o ar entrando pelo seu nariz e inflando seus pulmões. Imaginou a cores para o ar puro se convertendo em hálito quente e então encontrando seu caminho de volta para o ambiente frio.

    Abriu os olhos. Viu o Shihan de pé sobre o leito rochoso do rio. Seu Gi esfarrapado pelos anos de treino cobrindo o corpo sólido para um homem que já ultrapassava os cinquenta anos. Os cabelos muito grisalhos rareavam, mas os braços poderosos pareciam não compreender que a idade chegara.

    -“Hajime”-³ decretou com sua voz grave e rouca. O mestre conseguiu sufocar a tosse que veio logo em seguida, mas Ikkyu lembrou-se da enfermidade que Shihan trazia nos pulmões. Os médicos não estavam otimistas, era o que os rumores diziam.

    Engoliu em seco e ficou de pé, sentindo as pernas formigarem quentes conforme o sangue encontrava o caminho de volta para as veias de seus membros inferiores. E então assumiu a posição inicial do Kata.4

    Uma pedra veio voando e o atingiu entre os olhos. O jovem monge perdeu o equilíbrio e caiu da base da cachoeira, atingindo o rio –e as pedras- abaixo. Mas embora tenha sofrido poucos arranhões e contusões superficiais, não se machucou muito.

    -“MALDITO! Depois de tantas repetições, como ousa errar uma posição tão básica? Está brincando comigo?”- Shihan Matsuda era terrivelmente mau-humorado e exigente. Mas, aparentemente, suas exigências sobre o jovem Ikkyu eram maiores e seu humor era pior do que com todos os outros. Antes que o jovem pudesse se defender, o Shihan apontou para a base da cachoeira e decretou: “DE NOVO!”

    O sol já morria no horizonte quando finalmente recebeu permissão para retornar ao mosteiro. Como havia perdido a hora de realizar as tarefas de limpeza, acabou recebendo obrigações de ajudar na cozinha, para os preparativos da janta. Isso basicamente significava passar horas cortando nabos. Pior de tudo, quem ajudava na cozinha comia por último. Foram horas dolorosas as que o jovem monge passou com o estômago roncando.

    Bocejou enquanto andava pela varanda, mau-humorado pelo dia terrível. Foi quando ouviu algumas risadas baixinhas sufocadas e encontrou Shingo e Tenji se esgueirando furtivamente em direção ao muro. Quando Shingo viu Ikkyu na varanda, ergueu a mão, acenando e chamando.

    Notas:

    ¹- Quimono. Vestimenta tradicional japonesa

    ²- Mestre. Um grau mais elevado que o professor ("Sensei").

    ³- "Começar"

    4- Sequência de movimentos coreografados, simulando o enfrentamento de um adversário imaginário
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    Mensagem por Claude Speedy em Sex Abr 19, 2019 12:34 am



    -Oh... Shingo...

    Apertando o estômago com certa ansiedade Ikkyu cambaleava mais faminto do que quando chegou. Cansado e tristonho como nunca estivera naqueles dias e imaginando o que lhe esperava, o monge se ajeitou em passos tropegos tão impressisos que por um instante tinha voltado a se escravizar por saquê.

    -Não sabe que esta fazendo, né?

    Olhava para parede ainda ouvindo o som de cachoeiras se mesclar com a tosse do mestre.

    -Se o Shiran vê vocês dois provavelmente a culpa disso tudo vai ser minha... Me fale logo que esta havendo. Não quero ter de ficar cortando e colhendo nabos de novo para vocês terem energia para me por em mais problemas...

    Comentava imaginando que sabia que acabaria caindo no que iam planejar.

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    A espreita do Tigre Empty Re: A espreita do Tigre

    Mensagem por Tellurian em Qui Abr 25, 2019 4:06 pm

    Os rapazes estavam sorridentes quando Ikkyu se aproximou. Já começavam a se esgueirar através dos arbustos da mata que cercava o mosteiro, quando viram o monge chegando. Eles eram uns dez anos mais novos, mas a rotina de treinos e trabalho pesado tinham aproximado os rapazes do monge. Shingo recebeu o amigo com um aceno e gargalhou baixinho quando Ikkyu mencionou sua punição mais cedo. O rapaz percebeu que eles não estavam trajando suas roupas rakusu¹ comuns e nem seus gi de treinamento, e sim as mesmas roupas que os aldeãos do povoado costumam usar.

    -"Chegou na hora certa, Senpai! Tenji e eu ficamos sabendo por meio dos agricultores dos campos aqui perto que está acontecendo um festival no povoado! Tínhamos pensado em dar uma fugida até lá, mas teríamos problemas se nos reconhecessem e fôssemos pegos sozinhos. Se você for conosco, Senpai, podemos dizer que estamos sub sua supervisão! Que tal?"- o garoto tinha a voz excitada, e Ikkyu imaginava que podia ser tanto pelo festival quanto pela travessura proibida que estavam prestes a cometer.

    Tenji era um garoto baixinho, de constituição balofa, bem o inverso de Shingo, que era alto e atlético. Ambos eram muito amigos.

    -"Eu ainda tenho algum dinheiro que meus pais deixaram comigo na última visita. Podemos comprar comida no festival! Ouvi dizer que é deliciosa!"- o gordinho exibiu um pequeno cordão com moedas. De fato, poderiam comer bastante no festival com aquele dinheiro.

    A promessa de comida frita fez o estomago de Ikkyu apertar um pouco mais.

    Notas:

    ¹- Vestimenta típica de monges budistas
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    Mensagem por Claude Speedy em Ter Abr 30, 2019 6:43 pm

    O rugido do estomago era sedutor, a disciplina pedia que ficassem... Dividido...Ikkyu só pode pensar em ir...

    -Certo, vocês dois...Mas vamos seguindo os votos Fuke!

    E com isso o monge pega quatro cestos de palha a serem usados como máscara e leva uma flauta de bambu. Para caso se fizer necessário...
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    Mensagem por Tellurian em Qui Maio 02, 2019 2:48 pm

    Os jovens rapazes reclamaram de ter que usar as vestimentas de monge, mas aceitaram diante da insistência de Ikkyu. Então, saíram juntos sem serem vistos e logo alcançaram a estrada. Depois de caminhar por pouco mais de quarenta minutos, alcançaram o pequeno povoado. Já ao longe era possível ver a luz das lanternas coloridas que enfeitavam as ruas do lugar. No vilarejo havia um altar em honra à deusa Inari¹. Todos os anos, os agricultores locais realizavam um festival em honra à deusa, pedindo uma boa colheita e a proteção do povoado. Durante o festival, o shinshoku² purifica o altar com sal e arroz, e em seguida faz oferendas de arroz, incensos e flores à divindade. Ao longo de todo o dia, homens tentam escalar um alto poste de madeira coberto de sebo, visando alcançar o talismã no topo. Os rumores dizem que aquele que alcança o talismã possui boa sorte por todo o ano.

    O festival ficou relativamente popular ao longo dos anos, e pessoas de vilarejos vizinhos costumam vir para participar. Os locais perceberam a oportunidade e rapidamente passaram a instalar barracas onde vendem os produtos locais por preços mais acessíveis, como forma de agradar a deusa Inari. As barracas de comida frita e doces são as mais populares, embora de vários tipos, inclusive brincadeiras. O festival é muito popular entre crianças e pessoas jovens.

    Quando o trio de monges chegou, imediatamente o primeiro reflexo foi o de procurar as barracas de comida. Encontraram-nas, rapidamente. Quando tentaram pagar pelos takoyaki³ que pegaram, notaram que os vendedores se recusavam à receber. Dava azar exigir pagamento de sacerdotes durante o festival, diziam. Shinji e Tenji animaram-se rapidamente e perdoaram Ikkyu pelo pecado terrível de obrigá-los a usar as vestes sacerdotais.

    Logo o sangue jovem dos garotos cobrou seu preço, e eles começaram a ficar tão animados que corriam entre as barracas, ansiosos por provar e participar de tudo que fosse possível. Em algum momento, Ikkyu se distraiu e ambos os garotos desapareceram em meio à multidão. Teria problemas se eles se metessem em encrenca, visto que ele assumiu a responsabilidade como seu supervisor. Mas, por outro lado, eram bons garotos e sabiam se virar sozinhos. E logo seria hora dos fogos de artifício.


    Notas:

    ¹- Deusa shintô, ligada às raposas, fertilidade, arroz, agricultura e do sucesso.

    ²- sacerdote xintoísta

    ³- Bolinho redondo de massa frita recheado com polvo, tempura, gengibre e cebolinha.
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    Mensagem por Claude Speedy em Qui Maio 02, 2019 2:59 pm

    Ikkyu sabia das tradições do festival... Também imaginou que os garotos se perdiram em sua empolgação...

    Ele então sabendo que também não os acharia depois dos fogos dispararem no céu. Foi nisso ele colocou o último chápeu de palha no chão diante de si, sacou de sua flauta de bambu...
    Tocando para que as pessoas ao redor e os jovens pudessem o ouvir à distância. Na esperança que eles o escutassem e seguissem o som da música até ele.

    Sabia que os garotos não queriam perder os fogos.
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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 07, 2019 11:26 am

    O som doce da flauta ecoou pelo ar frio da noite. A multidão estava barulhenta, mas não a ponto de sufocar o som da flauta. A música que Ikkyu tocava era uma muito tradicional, com notas graves que traçavam uma melodia profunda e relaxante. Rapidamente, a multidão começou a se aglomerar ao redor do monge para ouvi-lo tocar, e o barulho reduziu um pouco conforme as pessoas silenciavam para prestar atenção.

    Ikkyu prosseguiu com a sua melodia, e viu os jovens em meio a multidão, observando-o tocar. Cada um tinha pelo menos dois espetos de comida frita nas mãos. Tenji carregava um enorme Okonomiyaki¹, que se desfazia enquanto ele a devorava com ânsia.

    Quando ele terminou de tocar, as pessoas aplaudiram, e algumas lançaram-lhe moedas no chapéu. Os meninos se aproximaram dizendo "Incrível, senpai! Você conseguiu dinheiro!".

    Quando então Ikkyu notou um homem, que o aplaudia. Ele trajava um quimono azul com detalhes brancos. Tinha uma faixa na testa com o ideograma de "fidelidade". Shinsengumi, até mesmo Ikkyu saberia dizer. Mas o que estaria fazendo fora de Kyoto?

    Notas:

    ¹- Um tipo de panqueca ou omelete japonesa, recheada dos mais diversos ingredientes. Aqui no Brasil, às vezes usa-se o termo "pizza japonesa".
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    Mensagem por Claude Speedy em Sex Maio 10, 2019 11:32 am

    O monge se aproxima e para aliviar a fome tão desesperançosa pega um pedaço do Okonomiyaki de Tenji e comenta.

    -Melhor irmos andando, não podemos chamar muita atenção! Sabem os riscos nesses tempos difíceis

    Não ia comentar sobre o Shinsengumi. Não queria sequer que qualquer pessoa ouvisse os receios sobre eles. Com isso de forma aparementemente displicente pegava os outros cestos de palha e cobria os rostos dos jovens como máscaras para todos poderem se retirar.
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    Mensagem por Tellurian em Sab Maio 11, 2019 11:37 am

    O samurai se aproxima, após a multidão que acompanhou a apresentação de Ikkyu começar a se dispersar. Ele tem os olhos bastante puxados, e os cabelos bem curtos e penteados para trás. Ele bate palmas e carrega um sorriso, mas o monge fica atento às duas espadas que ele carrega na cintura.

    -"Foi uma bela apresentação, amigo. A qual mosteiro você pertence?"- a voz do samurai era amigável, mas ele tinha os olhos afiados.

    Ikkyu achou melhor não conversar com o Shinsengumi. Estava desconfiado e não queria margem pra problemas. Assim, apontou a direção e sinalizou que está em voto de silêncio.

    O Lobo de Mibu apenas ri e pede desculpas pela intromissão. Ele diz que os monges devem tomar cuidado, porque os rebeldes estão queimando mosteiros. E disse que, caso aconteça algum problema, ele pode procurar ajuda no quartel general do Shinsengumi, em Kyoto.

    Ikkyu acena com a cabeça, mostrando que entendeu a mensagem, e o samurai abre um sorriso. Ele se despede e deseja boa sorte ao monge, e se mistura novamente a multidão.

    Quando Ikkyu fala para os jovens sobre a sua intenção de ir embora, os garotos protestam, dizendo que nem ao menos viram os fogos de artifício ainda.
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    Mensagem por Claude Speedy em Qua Maio 15, 2019 5:25 pm

    Ikkyu imaginava que o desejo de um coração inabalável é a meta que não deve se perder, não desanimar mesmo diante de todas divergências da vida...

    - Eu só queria que vocês soubessem que tem de ficar atentos. Podemos ver os fogos, todo cuidado é pouco nesses dias, então fiquem perto de mim enquanto vermos os fogos. E depois iremos todos para casa? Combinado?


    Mesmo sem esperar a resposta dos garotos, rapidamente ele se aproxima e toma os cestos de palha que usam como máscara para os vestir e pequenos chocalhos simples com isso o monge pega quatro cestos de palha a serem usados como máscara e leva uma flauta de bambu. Para caso se fizer necessário eles também se ocultarem...

    Ficava pensativo sobre o Shinsengumi, especialmente sobre o aviso, imaginando se aquilo era uma ameaça velada ou um sincero comentário de sugestão de ajuda.

    Afinal ele não sabia se deveria confiar no shogunato de Tokugawa , não depois de como ele deixou o local de onde veio.

    - Vamos ver os fogos e é só, estamos entendidos?



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    Mensagem por Tellurian em Ter Maio 21, 2019 3:21 pm

    Os fogos deixam os garotos extasiados. Eles fazem coro com a multidão em gritos de vivas e aplausos a cada explosão multicolorida no céu. Porém, no coração de Ikkyu havia sido plantada uma semente de inquietude. Até o momento, o isolamento e as escarpas rochosas da montanha serviram como armadura ao Mosteiro, impedindo que o fogo da guerra alcançasse os monges. Contudo, por quanto tempo isso continuaria assim? Não sabia se poderia confiar no Xogunato, mas até que ponto aquela informação sobre os rebeldes estarem queimando mosteiros seria verdadeira. Sabia que havia ressentimento contra o budismo por parte de alguns ultranacionalistas, mas era raro encontrar alguém com coragem suficiente para dizer algo em voz alta, quanto mais queimar um mosteiro! Ikkyu precisava refletir sobre aquilo.

    O retorno para o mosteiro fora silencioso, embora apenas da parte do Monge. Os jovens rapazes tagarelavam sem parar sobre o festival, falando das músicas e comidas e pessoas e fogos e tudo que havia lhes chamado a atenção. Ikkyu nem prestava mais tanta atenção nos que os garotos diziam. Estava mais preocupado com não ser pego entrando no mosteiro. Trocou de roupas e rastejou junto com os garotos de volta aos dormitórios, com todo o cuidado através dos silenciosíssimos corredores monasteriais. Não desejava de jeito nenhum encontrar e despertar a ira de Shihan Matsuda.

    Após mais minutos do que achou que levaria devido ao excesso de cuidado, Ikkyu finalmente se recolhe ao seu quarto enclausurado, entregando-se a sonhos pesados sobre tumultos e mosteiros incendiados.
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    A espreita do Tigre Empty Re: A espreita do Tigre

    Mensagem por Claude Speedy em Seg Ago 12, 2019 6:54 am

    Fogo...

    A deusa do império presa sobre a mão de Kagutsuchi¹, como uma vingança contra os monastérios que questionam o divino.
    Todo monge acredita em um ciclo cósmico que esta além das regras dos homens comuns. Um Dharma inevitável... Mas é certo que essa nossa doutrina, tão natural, questiona a autoridade da idéia de um único imperador do Japão... Eles temem nossa presença, mas a razão de nossas ações esta envolvida em sabedoria para lidar com todas as formas...

    Fogo...

    Era isso que mais preocupava a deusa do sol²?

    Fogo... É como toda história da criação de todos lugares começa... com destruição em seu processo criativo.

    É nisso que Ikkyu se entrevaga, mesclando sua memória das chamas à memória do que sabia sobre os deuses.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Ago 15, 2019 3:20 pm

    No dia seguinte, Ikkyu despertou de forma inquieta, quando a luz venceu a escuridão do claustro, ao encontrar uma pequena fenda no telhado. A mancha de luz alcançou o rosto do monge, fazendo-o despertar. Primeiro, Ikkyu apenas virou-se na cama dura. O colchão de palha de arroz já estava fino demais, mas não adianta o quanto pedisse ao senescal, ele nunca trocava o colchão. Ikkyu já se perguntava se deveria ele mesmo tentar substituir o preenchimento do colchão mas temia que cometesse um erro e acabasse por inutilizá-lo. Se reparar o colchão já era um problema para o senescal, imagina providenciar um novo. As costas do monge ficavam quase tão duras quanto o chão quando ele acordava de manhã, e isso já começava a atrapalhar os treinos. Talvez devesse procurar diretamente o grão-sacerdote.

    E então Ikkyu percebeu que se o sol já havia alcançado seu rosto, é porque já estava alto, e ele havia perdido os treinos da manhã. Levantou-se num sobressalto e sentiu vertigens. Mas logo recobrou o equilíbrio e partiu em disparada pelos corredores do mosteiro, até parar de supetão logo antes de pôr o pé para fora do prédio. Ocorreu-lhe que, caso se apresentasse agora, Shihan Matsuda comeria-lhe os olhos. Achou que talvez fosse mais saudável fugir por enquanto, para ganhar tempo e pensar em uma desculpa. E, já que tinha se metido em problemas, talvez devesse dar uma passadinha na cozinha.
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      Data/hora atual: Qui Dez 05, 2019 8:03 pm