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    Caos de espadas, balas e arte

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    Caos de espadas, balas e arte Empty Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por Tellurian em Ter Abr 30, 2019 11:47 am

    Neste tópico, eu convido os meus jogadores para postarem contos, poesias, ilustrações e fotografias que remetam a temas que tenham a ver com o jogo, e a receberem XP por isso!

    Deixe a criatividade falar e enriqueça nosso jogo, tornando-o bonito como uma obra de arte deve ser!

    Eu irei analisar cada contribuição com os seguintes critérios:


    • Tema: a criação deve seguir a temática Bakumatsu. Também são admitidas criações sobre o início do período Meiji ou sobre o final do período Tokugawa. Pode-se tratar de Personagens jogadores, NPCs, lugares, objetos, construções e lendas (desde que ambientadas no período).

    • Originalidade: todas as criações devem ser originais do jogador. Nada de "peguei na net" ou "um amigo meu que fez". Aqui eu conto com a boa fé, caráter e honradez dos meus jogadores.

    • Beleza: a proposta do jogo é ser uma obra de arte, e obras de arte são bonitas de se ver. Toda criação que aprimorar a beleza do jogo será recompensada.

    • Utilidade: algumas criações serão mais do que bonitas, serão úteis no jogo e na narração. Essas obviamente receberão pontos extras (quando do momento da utilização, não necessariamente no momento da postagem)

    • Relevância: a criação deve acrescentar algo ao jogo, ao cenário ou aos personagens. Postar cinco mil fotos de samurais não renderá cinco mil pontos de experiência, por exemplo, à medida que cada nova repetição diminui a relevância dela.


    Estou ansioso pra ver o que vocês podem fazer!
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Maio 02, 2019 9:54 pm

    Lobo de Mibu - Akemi Ishida & Capitão Harada

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    Caos de espadas, balas e arte Empty Re: Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por Tellurian em Sex Maio 10, 2019 9:59 am

    Muito legal, Larissa! 10 xp pra vc!
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    Caos de espadas, balas e arte Empty Re: Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Maio 15, 2019 11:19 am

    Lobo de Mibu - Akemi Ishida & Eiichiro Yamada

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    Caos de espadas, balas e arte Empty Re: Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por MatériaIntangível em Qui Maio 23, 2019 2:30 pm

    Aceitam uma Onna-Bugeisha?
    Ainda é possível ser Samurai?
    Posso criar uma ficha para Monge?
    Vou fazer ambas e postar tambem, caso a resposta não venha antes, tudo bem?!
    Muito obrigada, agradeço desde já!
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    Caos de espadas, balas e arte Empty Re: Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Maio 29, 2019 5:10 pm







    Cherry Kiss



    O festival Kanda Matsuri, celebra riqueza e boa fortuna do povo e é comemorado anualmente em Tokyo com a passagem dos santuários portáteis para renovar a fé da população por dias melhores. E hoje esta festividade trouxe uma sensação de paz e ânimo em tempo de guerra. Essa alegria animou até o quartel do Shinsengumi que iriam patrulhar a festa. O Capitão Harada permitiu que seus homens fizessem um revezamento entre eles, para que pudessem se divertir também.

    Akemi estava se trocando no dormitório, sua equipe tinha realizado a ronda pela manhã, então agora poderia sair para aproveitar a noite. Yamada entrou no quarto bruscamente quando a jovem amarrava o casaco do kimono.


    Yamada: Hey anda logo!

    Apesar do susto, a garota já estava vestida. Kaito e Hiroshi aguardavam na porta também, todos estavam ansiosos pela folga.

    Akemi: Estou pronto… - Disse prendendo a espada no cinto.

    Os quatro correm em direção à cidade e não demorou muito para que vissem as luzes das lanternas acesas enfeitando as barracas. O cheiro de comida invadia o ar. Hiroshi foi para a barraca de takoyaki, um bolinho de polvo frito e pincelado com molho shoyo e salsinha. O aroma abriu o apetite dos rapazes e cada um comprou uma porção. Enquanto comiam, Akemi analisava o movimento, as pessoas saíram com suas melhores roupas, as garotas se exibiam em suas yukatas e caminhavam entre risos. Ela sentiu saudades da época em que fazia o mesmo com suas amigas. Mas não se entristeceu pela lembrança, estavam lá para comemorar e pelo menos aquela noite iria se divertir como qualquer outra pessoa.

    Os rapazes caminhavam animados pelas outras barracas, havia uma diversidade de comidas e brincadeiras. Uma mulher com um yukata rosa e florido se aproximou do grupo. A jovem estava acompanhada com outras duas mulheres bonitas e bem maquiadas, mas não se comparavam com a beleza de Onna Yuri.


    Caos de espadas, balas e arte Screenshot-20190527-210348-1

    Yuri: Akira-kun? - disse entre risinhos e com uma voz melodiosa.

    Akemi reconheceu a bela geisha e cumprimentou com uma reverência. Hiroshi dava cotoveladas em Yamada e os dois tentavam segurar a risada. A jovem Shinsengumi ficou constrangida com a situação e a Geisha sorriu satisfeita com a impressão que causou. Ela convidou o grupo para tomarem alguma coisa na casa de chá.

    Yamada tomou a frente e concordou de imediato enquanto andava de braços dados com uma das garotas. Yuri estendeu a mão para Akemi, que não conseguiu recusar o convite. Eles caminharam até uma famosa casa de chá da região. O primeiro andar era um amplo salão separado por divisórias de papel. O segundo andar ficavam os quartos para quem queria mais privacidade.

    O grupo se acomodou num kotatsu, uma mesa com futons. Um local bem aconchegante para ficar sentados e  aquecidos, enquanto eram servidos com alguns petiscos e sakê.


    Yuri: Como sei que o senhor tem baixa tolerância ao álcool, pedi para trazerem um licor.- A mulher serviu o copo de Akemi com destreza - É uma bebida feita com flores de cerejeira. Isso deve agradar seu paladar.

    Akemi nunca tinha experimentado licor e provou um pouco da bebida. A garota sentiu um sabor doce como chá e agradeceu a mulher. Até Kaito preferiu o licor. O grupo ria e conversavam com as belas jovens. Em determinado momento Yamada sugeriu uma brincadeira para o grupo. Havia 3 copos virados para baixo com uma moeda escondida, Yamada iria embaralhar os copos e a pessoa teria que adivinhar onde o dinheiro estaria. Se errasse deveria acabar com a bebida num gole só. Akemi tentou se desvencilhar da aposta, mas foi convencida que o licor quase não tinha teor alcoólico.

    Yamada: Está com medo do que Ishida? Se você vomitar eu não contarei para ninguém.

    Hiroshi: Sim sim… e hoje estamos de folga… não tem problema se bebermos um pouco. - disse estendendo o copo de licor

    Kaito também não tinha costume de beber, mas se sentia confiante desta vez. Ele encarou a jovem samurai e colocou a mão em seu ombro como forma de incentivo.

    Kaito: Vamos jogar apenas uma vez. O que me diz?

    Diante de tantas insistências, porque não? Akemi pensou que poderia aguentar uma rodada, afinal a bebida era fraca. E o jogo de adivinhação começou, todos acertaram e erraram, a brincadeira foi fluindo enquanto as gueishas enchiam os copos a cada rodada. Quando Akemi se deu conta já haviam esvaziado a garrafa de licor e ela sentia o efeito da embriaguez.

    Akemi: Eu preciso ir ao banheiro. - Quando a jovem se levantou, tudo ao seu redor rodou e ela precisou se apoiar na parede.

    Yuri já estava de prontidão ao seu lado, oferecendo ajuda e Akemi percebeu um sorriso pervertido surgir nos lábios de Yamada. A garota foi guiada pela mulher e por sorte naquele lugar o banheiro era individual. Akemi teve dificuldade em abrir os cordões das calças, pois faltava coordenação motora, mas ela sentia uma alegria quase infantil por conta do álcool. Riu quando foi se agachar para fazer xixi e quase caiu. Riu quando percebeu que tudo parecia estar em câmera lenta. E chegou a conclusão que estava bêbada pela primeira vez na vida.

    Quando por fim conseguiu sair do banheiro, viu que Yuri estava a aguardando. Akemi caminhou aos tropeços em direção a jovem.


    Yuri: O senhor está bem? Não achei que o licor faria um efeito tão rápido.

    Akemi: Estou bem. Só está muito quente aqui… -  A garota tentava afrouxar um pouco a gola.

    Yuri: Vamos subir, você poderá descansar em um dos quartos.

    Akemi sorriu concordando, seria muito bom descansar um pouco, ela tentou avisar os amigos, mas a geisha disse que eles estavam entretidos com outras coisas, então a menina subiu sem reclamar.

    No quarto, Akemi sentou no futon e Yuri serviu um copo com água, só nesse momento que a menina percebeu o quanto estava com sede.


    Yuri: O senhor deveria tirar o casaco, pois está suando. - Ela dizia enquanto já o estava o despindo.

    A mulher era ágil, tirou o casaco da jovem num segundo e já estava desamarrando o kimono, quando a Akemi a barrou.

    Akemi: Não, não podemos fazer isso. - Ela tentou amarrar, mas os cordões dançavam em seus dedos.

    Yuri segurou o rosto da Akemi entre as mãos e a menina percebeu tarde demais quais eram as intenções da geisha. A mulher apoiou as mãos sobre os ombros da samurai e fez a jovem deitar de costas no edredom. A garota tentou se desvencilhar, mas a outra já estava deitada sobre ela e para sua surpresa viu os lábios vermelhos se aproximando dos seus.

    Akemi arregalou os olhos assustada, ela estava sendo beijada. E seu primeiro beijo era com outra mulher. A garota tentou se afastar, mas os lábios da gueisha eram macios e convidativos. Era um beijo gentil e sem perceber Akemi fechou os olhos e se entregou ao beijo. Mesmo a menina sabendo que era errado, mesmo sua cabeça martelando mil avisos, seu corpo correspondia às carícias da mulher de maneira involuntária.

    Yuri afasta os lábios e encarou a jovem que estava muito corada, a mulher sorri de satisfação e sussurra no ouvido.


    Yuri: Apenas relaxe…

    A mulher beija o lóbulo da orelha de Akemi e isso faz a jovem sentir a pele se arrepiar. E continua às carícias beijando a curva do pescoço e a orelha da garota.

    Akemi: Não….espera… - Ela tinha até dificuldade em falar.

    A menina sentia seu corpo pegando fogo a cada beijo, era uma sensação gostosa e excitante, mas ao mesmo tempo ela tinha medo de Yuri descobrir seu segredo. Akemi conseguiu sentar no futon, mas isso fez a Geisha segurar suas mão e abrir a parte de cima do yukata.

    Yuri: Tudo bem… você pode tocá-los.

    Os seios da mulher eram mais fartos e macios e Akemi apertou os seios por curiosidade, eles eram grandes e macios. Yuri voltou a beijar a menina, mas desta vez com mais intensidade e paixão. A garota sentia a cabeça leve, não conseguia raciocinar direito, muito provavelmente por causa da bebida. Mas a verdade era que a menina estava gostando das carícias da Geisha.

    Yuri: Akira-kun….- Disse entre sussurros e começou uma trilha de beijo entre o pescoço e a clavícula da jovem.

    Ouvir o nome do irmão deixou Akemi em alerta e percebeu que seu kimono, estava começando a ser aberto pelos dedos ágeis da mulher. A garota se esquivou da geisha e conseguiu recuar alguns passos, enquanto fechava a roupa.

    Akemi: Eu não posso… por favor me desculpe….

    A menina começa a procurar por sua espada pelo quarto, pois precisava sair dali o mais rápido possível. Yuri a olhou triste e cobriu o corpo nu envergonhada.

    Yuri: Eu fiz alguma coisa errada senhor?

    Akemi: Não...não é isso… é que… - ela nem conseguia pensar direito. Mas percebeu que Yuri ficou triste. - Olha, você é uma mulher linda e adorável. E eu nunca tinha feito isso com ninguém antes. - Seus olhos se encontram - Mas eu não posso me deitar com você e espero que você entenda.

    A Geisha acenou a cabeça timidamente, Akemi precisava partir, mas tinha a sensação que magoou os sentimentos da mulher.

    Akemi: Talvez um dia você entenda meus motivos...mas….eu gostei do seu beijo.- disse corando e saindo envergonhada.

    A menina deixou a Geisha no quarto e correu para a rua, não queria nem ver os amigos no momento. Ela tentava entender o que tinha acontecido. Poderia culpar a bebida pelos seus atos, mas a verdade é que tinha retribuído às carícias da mulher. Será que ela gostava de garotas??

    Estava tão perdida em pensamentos que trombou em alguém na sua frente. Automaticamente a menina fez uma reverência como pedido de desculpas.


    Capitão Harada: Ishida??

    Akemi encarou o homem à sua frente,  era o Capitão Harada. Ele estava patrulhando a festa a noite, já que pela manhã tinha levado Sayuri para ver o festival. O Capitão analisou a garota com um olhar penetrante. Ishida estava com as roupas amarrotadas e com o penteado bagunçado.

    Capitão Harada: Aconteceu alguma coisa? Onde estão os outros??

    Akemi: Senchõ… Está tudo bem... Não....na verdade...Eu…- A garota estava confusa demais até para explicar a situação.

    Então Yamada se aproximou e prendeu o pescoço da menina num mata-leão, mas a intenção não era machucar.

    Yamada: Esse é meu garoto… Vi quando você subiu para o quarto com a Geisha…. Então me diz como foi??

    Akemi: Não aconteceu nada...absolutamente nada…- ela estava cada vez mais envergonhada.

    A menina se desvencilhou do amigo com uma cotovelada nas costelas enquanto o Capitão Harada observava Akemi com um olhar intrigado.

    Capitão Harada: Ishida...você é virgem?

    Yamada gargalhou alto e Akemi corou tão violentamente, que acabou se denunciando para os rapazes.

    Akemi: Eu não quero falar sobre isso.

    A garota correu em direção ao quartel. Estava envergonhada pelo que aconteceu naquela noite, por mais que a bebida tivesse influenciando, ela beijou Yuri e gostou. Isso trazia novas inquietações ao coração da jovem.
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    Caos de espadas, balas e arte Empty Re: Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Jun 05, 2019 3:56 pm







    Pousada Cem Anos



    Logo pela manhã, Akemi e seus amigos foram convocados para uma reunião no prédio dos oficiais. A garota estava apreensiva, pois desde o incidente no festival ela sentia que seu segredo seria revelado a qualquer momento. Mas seus colegas de quarto não demonstraram nenhuma suspeita. Pelo contrário, Yamada zoava ainda mais a garota por saber que era virgem.

    Quando entraram no escritório, Harada estava analisando um mapa da região sobre a mesa. Os longos cabelos castanhos caiam sobre os ombros e Akemi corou levemente ao vê-lo. Ele pediu para o grupo se aproximar.


    Capitão Harada: Eu convoquei vocês para uma investigação. Está acontecendo muitos roubos nesta região. - Ele aponta para um grande X pintado sobre o mapa - Mas recebemos uma denuncia que o responsável é o dono da Pousada Cem Anos. Então partiremos o quanto antes e devemos chegar no local ao cair da noite.

    Todos confirmaram com um aceno de cabeça. Akemi já tinha ouvido falar daquele lugar. Era um estalagem gigantesca, com centenas de quartos e casas de banho. O local tinha até uma área reservada para treinamento militar, fontes termais e um grande jardim com um templo Xintoísta. Somente nobres e família tradicionais, como dos samurais podiam frequentar aquele local.

    Os quatros amigos estavam prontos para partir a cavalo e a menina ficou surpresa ao ver que o próprio Capitão Harada iria comandar esta investigação. Durante as longas horas de cavalgada, o grupo mantinha uma conversa animada. Até que Yamada começou com as conversas maliciosas.


    Yamada: Hey Ishida...Você não se encontrou com a geisha desde o festival. Ela deve estar sentindo sua falta.

    A menina sentiu o rosto queimar de vergonha, Kaito estava cavalgando ao seu lado e sorriu. Yamada fez uma voz grossa, imitando um homem viril e Hiroshi era a voz feminina.

    Yamada: Yuri, você pode se deitar comigo agora. Estou pronto para perder minha virgindade - O rapaz pisca para Akemi.

    Hiroshi: Mas é claro Akira-kun, me beije por favor…

    Akemi: CALEM A BOCA!!!- gritou para os rapazes - Irei socar cada um de vocês se falarem isso novamente. - Akemi estava irritada, mas se lembrou do dia em que o Capitão puniu o grupo por brigarem entre si. - Desculpe Senchõ, eu não quis dizer isso. - admitiu envergonhada.

    Os amigos explodiram em risadas e Akemi encolheu os ombros se sentindo derrotada.


    Capitão Harada: Hey cambada!! Deixem o Ishida em paz, ele deve ter seus motivos.- O homem olhou sobre os ombros e todos ficaram em silêncio.

    Ao cair da noite o grupo chegou na estalagem, eles deixaram os cavalos a cuidado dos criados e caminharam em direção a recepção. E foram informados que o Sr. Sohma, já havia se recolhido aos seus aposentos e que iriam providenciar um quarto para o Shinsengumi. Todos foram tomar um banho nas fontes termais, mas a garota disse que estava com muita fome. Que preferia comer e depois se banhar, com isso ela conseguiu evitar outra situação constrangedora.

    Quando retornou para o quarto após o banho, já estava tarde e todos dormiam. O quarto era um grande cômodo, com vários futons espalhados pelo chão. Kaito e Hiroshi dormiam do lado da parede e havia um espaço vazio entre o Yamada que roncava alto e o Capitão Harada que estava deitado de lado, com o rosto virado para a porta do quarto.

    Akemi piscou os olhos por alguns segundos. Não acreditava que teria que dormir tão próxima assim dos dois homens. Ela já sentia seu coração bater acelerado antes mesmo de deitar. A garota deitou e se virou para o lado do Capitão. A luz que entrava no aposento permitia que ela visse a silhueta do homem e ela conseguia perceber como as costas, ombros e o braço dele era definido. Se a garota tentasse poderia esticar sua mão e tocá-lo. Akemi engoliu em seco, seu coração batia tão rápido e tão alto que poderia acordá-los, então a menina se virou para o lado do Yamada que estava deitado de barriga para cima com a roupa entreaberta. Ela conseguia ver o peitoral e o tórax do rapaz e sentiu seu rosto queimar quando ele coçou o peito durante o sono profundo.

    Akemi sentou rapidamente e começa a se abanar. Kaito estava acordando e olhou para a menina confuso e disse sonolento.


    Kaito: O que houve? Não está com sono?- O rapaz estava com os cabelos soltos e procurou pelos óculos mas não achou.

    Akemi: Está muito quente aqui.- Disse se abanando.

    O moreno engatinha na direção dela, como ele era míope não conseguia enxergar bem. Ele tateou as mãos da jovem e puxou o futon dela em direção a porta. Akemi o olhou surpresa, pois não imaginou que o garoto era forte assim. Ele estava bem próximo dela e a menina reparou que ele era muito bonito também.


    Kaito: Perto da porta é mais fresco. Agora você pode dormir. - disse dando tapinhas em seu ombro - E eu vou ao banheiro.

    O rapaz saiu do quarto e Akemi cobriu o peito com as mãos, seu coração batia descompassado. Ela corou ao imaginar o Capitão, Yamada e Kaito sem camisa. A menina se joga na cama de bruços, afundando o rosto no travesseiro. Como ela conseguiria dormir aquela noite??

    Na manhã seguinte, o grupo foi encaminhado para os aposentos do Shigure Sohma, o dono da Pousada Cem Anos. O Capitão Harada conduziu a entrevista, dando a entender que o grupo iria patrulhar a área para impedir que novos roubos ocorressem. Ao saírem do aposento, Akemi estava fazendo uma reverência ao senhorio, quando escuta alguém a chamando.


    Kaoro: Akira-kun?- A menina usava um kimono vermelho e tinha um enfeite no cabelo. Ela tinha um rosto delicado, a pele alva e belos olhos castanhos.

    Akemi abriu a boca surpresa, pois na sua frente estava sua amiga de infância, Kaoro Takashi, a garota conhecia sua família a muito tempo, ela estava no dia do enterro do irmão. Por isso Kaoro olhava para Akemi como se tivesse visto um fantasma.


    Akemi: Kaoro-chan…. - Mas a menina deu as costas e começou a correr. - Me desculpem. - Ela faz uma curta reverência aos homens e corre atrás da garota.

    Quando por fim conseguiu alcançá-la Kaoro começou a gritar e Akemi tampou a boca da jovem dizendo.


    Akemi: Sou eu a Akemi….eu posso explicar tudo. Mas prometa que não vai gritar.

    Akemi contou que desde a morte do Akira ela entrou no Shinsengumi e finge ser o irmão falecido e que ninguém pode descobrir seu segredo. Aos poucos a expressão da amiga foi de assustada para incrédula.

    Kaoro: Eu não acredito que você fez isso… você não imagina o quanto os seus pais ficaram arrasados com seu sumiço. Faz 6 meses que seu pai espalha cartazes por aí… ele acha que você fugiu com alguém. E sua mãe tem estado doente…

    Capitão Harada: Ishida… - Ele se aproxima das jovens.

    Akemi: Senchõ… me desculpe. Está é Kaoro Takashi,  minha amiga de infância.

    Kaoro: Me desculpe pela maneira rude que agi. Mas foi uma surpresa encontrar... o Akira-kun.- A jovem curva o corpo e diz numa voz agradável.

    O Capitão olha para elas intrigado, mas diz de uma maneira séria.


    Capitão Harada: Ishida temos que ir… a noite você pode conversar melhor com sua amiga.

    Antes de partir, Akemi olha de maneira suplicante para a amiga e faz um gesto de silêncio com os dedos. Eles se afastam e encontram o grupo mais a frente. O dia correu com o Shinsengumi patrulhando a área, mas eles não encontraram nenhum cativeiro ou armazém. Então deduziram que deveria existir algum tipo de esconderijo secreto dentro da Pousada.

    Quando retornaram para a pensão, Akemi foi a primeiro a se banhar e correu procurar sua amiga. As duas estavam conversando durante o jantar, de certo modo matando a saudade uma da outra.  Quando os quatros homens de kimonos azuis celestes se aproximaram. Yamada vinha rindo à frente do grupo, mas o Capitão permanecia com um olhar sério. E isso fez a jovem se encolher um pouco na cadeira, pois não sabia o que tinha feito para deixar o homem zangado.


    Yamada: Podemos nos sentar? Acredito que o jantar será muito mais prazeroso na companhia de uma bela dama.

    Akemi olhou para Yamada com os olhos arregalados. Desde quando o rapaz era tão galante?? Yamada sentou do lado direito da Kaoro, enquanto Akemi sentava do outro lado. Kaito e Hiroshi se acomodaram a frente e o Capitão Harada ficou na ponta da mesa.

    A comida fornecida pela pousada era muito saborosa e naquela noite todos comiam curry com arroz e bebiam chás. O clima do jantar era tenso, pois todos comiam em silêncio.


    Capitão Harada: Senhorita Takashi, vocês se conhecem a muito tempo?

    Akemi se engasgou com a comida e olhou assustada para o Capitão.

    Kaoro: Sim senhor, nossas famílias são amigas há muito tempo. - disse timidamente.

    Yamada: O Ishida sempre foi um rapaz delicado? - Começou a provocar.

    Akemi:Yaahhh!!! - retrucou apontando a colher para o rapaz

    Kaoro: Bom… o Akira sempre foi um cara gentil e alegre e nós sempre passeávamos pelo jardim e…- algumas lágrimas começam a escorrer pela sua bochecha

    E nesse momento Akemi se lembrou que a amiga gostava do seu irmão. E vendo Kaoro chorar percebeu que ela ainda sofria por sua morte.


    Akemi: Kaoro-chan - Diz apoiando a mão sobre a dela e sentia os olhos ficando marejados.

    Kaoro: Me desculpe por estragar o jantar. Com licença… - A menina se levantou e estava saindo.

    Akemi foi atrás da amiga, a puxou pelo braço e a abraçou forte. O grupo do Shinsengumi ficou surpreso por aquela cena romântica.


    Akemi: Eu sinto muito.... Kaoro-chan. - Diz num sussurro- Me desculpe por trazer as memórias do meu irmão assim.

    A menina de kimono vermelho nega com a cabeça, ela limpa as lágrimas e as duas saem de mãos dadas do salão. Quando estavam num lugar mais reservado, podiam falar sobre Akira. Kaoro estava mais calma e encarava a amiga.

    Kaoro: Você realmente se parece com ele. Quando te vi achei que era um fantasma. - diz com um sorriso triste - Quando eu soube que… eu não quis acreditar, aconteceu tão de repente.

    Akemi riscava o chão com um graveto e suspira.

    Akemi: Eu sei….ele estava tão feliz de viajar para Tokugawa… Eu penso nele todos os dias. No começo achei que me passando por ele poderia manter meu irmão vivo dentro de mim. - a menina suspirou e abaixou a cabeça- E eu sei que meus pais devem estar sofrendo por minha causa….mas não posso voltar….eu encontrei meu lugar...me sinto em casa com aqueles caras e sei que Akira também se sentiria assim.

    Kaoro: Eu espero que Akira esteja feliz, onde quer que esteja.

    Akemi encara a amiga, a jovem samurai sempre soube do amor que ela nutria pelo irmão e suspeitava que ele sentisse o mesmo.

    Akemi: Kaoro, meu irmão tinha um carinho especial por você. Se ele pudesse tenho certeza que vocês estariam juntos agora.- Ela segura na mão da amiga - Por isso eu te peço, por mim e por ele também…. Não se prenda ao passado. Você pode achar um bom rapaz e que vai te amar muito. Tenho certeza que Akira ficaria feliz com isso também.

    Kaoro: Akemi-chan…- Elas se abraçam - Eu senti muito a sua falta.

    As duas ficam abraçadas mais um tempo e depois a amiga diz que precisa voltar. Akemi a acompanha até seus aposentos, mas fica nas sombras para que a família de Kaoro não a visse. Depois a jovem retornou para o quarto e todos já estavam deitados.

    Akemi começou a puxar seu edredom para porta, mas Yamada agarrou seu braço e a menina o olha assustada


    Yamada: Aquela sua amiga, ela gosta de você não é?

    Akemi: Do que você está falando? - Ela tentou desconversar enquanto soltava o braço da mão dele

    Yamada: Por isso que você é virgem ainda….porque gosta dela. Eu vi a maneira que vocês se abraçaram.

    A menina encarou o rapaz e ele estava sério. Será que ele estava gostando da Kaoro?

    Akemi: Eu gosto dela, mas somente como uma amiga. Eu nunca poderia retribuir o que ela sente e hoje conversamos sobre isso.

    Yamada: Sério?? Então não a nada entre vocês?

    Akemi: Sério… Agora vá dormir. - Ela continua puxando o edredom em direção a porta e repara que o Capitão estava acordado e ele a olhava em silêncio.

    No dia seguinte, o grupo iria vasculhar a pensão em busca do esconderijo e se dividiram. Kaito e Hiroshi vasculharam os quartos, Yamada a área de treinamento militar e o Capitão Harada e Akemi iriam para os jardins e as fontes termais. A garota seguia os passos do Capitão em silêncio. Ela tinha a sensação de que agiu errado, mas não sabia o que.


    Akemi: Senchõ, eu fiz alguma coisa que te chateou?

    O homem continua andando e encara o céu pensativo, depois balança a cabeça negativamente.

    Capitão Harada: Você não fez nada errado. Mas tem algo me incomodando - Ele para de andar e bloqueia o caminho de Akemi - Você anda estranho desde o dia que chegou. Talvez ter reencontrado com sua amiga, mexeu com seus sentimentos.

    Akemi abriu a boca surpresa, iria retrucar, mas o homem voltou a andar com passos firmes e disse por fim.

    Capitão Harada: Bom, eu não tenho o direito de te criticar...Só tome cuidado. O amor pode ser perigoso e eu sei bem disso.

    Akemi apressa o passo atrás dele, ela queria explicar que tudo era um mal entendido.

    Akemi: Eu e a Kaoro não temos nada, posso garantir que somos só amigos. Ontem foi um mal entendido.

    O homem apoia a mão sobre os ombros da jovem.

    Capitão Harada: Você é jovem ainda e é difícil de decifrar os sinais do coração. Mas o Yamada está certo em desconfiar, vocês se abraçaram em público.

    Harada voltou a caminhar, ele estava contornando a borda da fonte termal quando Akemi se aproximou e segurou seu braço.

    Akemi: Eu gosto de homens. - Disse num impulso

    Capitão Harada: O QUÊ???

    Devido a surpresa da revelação, o homem recolheu o braço bruscamente e isso fez a menina se desequilibrar. Ela caiu dentro da fonte e durante o mergulho percebeu algo brilhando pelo chão. Havia algumas moedas próximo a uma porta escondida.

    Capitão Harada: Ishida, você está bem??- Disse assim que ela emergiu

    Akemi: Eu achei… achei o esconderijo - disse sem fôlego.

    O Shinsengumi se reuniram na fonte um tempo depois e Akemi mostrou o caminho para o Capitão e o Yamada. Realmente havia uma porta submersa que levava até a entrada de uma caverna. Lá dentro estava escondido barris de moedas, assim como joias. O Capitão deu voz de prisão para o Sr. Sohma e a notícia se espalhou rápido pela região.

    Quando percebeu a pousada já estava cheia de oficiais do Shinsengumi e o Capitão Harada estava atarefado com os outros oficiais. Infelizmente Akemi não conseguiu mais ter um tempo a sós com ele. E a viagem encerrou mais breve do que gostaria, eles partiram para o quartel no mesmo dia. Mas Akemi se despediu da amiga e prometeu manter contato com a Kaoro.
    Larissa Aprill
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    Caos de espadas, balas e arte Empty Re: Caos de espadas, balas e arte

    Mensagem por Larissa Aprill em Dom Jun 16, 2019 5:09 am

    Capitão Harada e Akemi

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