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    Um vermelho mais escuro

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    Mensagem por Lnrd em Dom Maio 26, 2019 10:20 pm

    Um vermelho mais escuro 3711

    Toda e qualquer noite, uma variação constante das mesmas novidades se repetindo:

    Uma garotinha descabelada e cheia de feridas na pele ria e apontava para a briga sob um grande letreiro. Nele constavam as palavras THEATRO MUNICIPAL, mas ela não sabia ler.
    Um grupo de pessoas de idade, rodeado de “rapazes de academia”, vestia o mesmo uniforme estampando os dizeres “BASTA!”. Discutiam aparentemente sobre a encenação daquele momento. “Estão deturpando a mente das nossas crianças!”, gritava um dos senhores, apesar de, àquela hora, a única presente fosse a menina ignorada por todos - a promotoria pública já havia se pronunciado, concluindo que não havia imagens de crianças no palco, criança atuando ou na plateia, complementando que só porque constava “Cinderella” em parte do nome não significava que fosse uma apresentação infantil. O relatório claramente não fora suficiente para acalmar os ânimos. “Isso é uma conspiração Illuminati para acabar com a civilização ocidental!”.
    Sem ser reparada, a pequena corria gritando por briga, divertindo-se com a situação.
    Não só já passava da hora considerada segura para ela estar na rua, mas ela estava sozinha.

    O mais popular jornal noturno anunciava sanções entre governos de dois países distantes, cortes de verba federal e um escândalo – mais um – de corrupção transpartidária, envolvendo praticamente todas as siglas.
    Uma troca de tiros entre policiais e assaltantes de banco acabara na morte de 11 pessoas, duas de cada lado e o restante de transeuntes. “Felizmente”, dizia a âncora, o fruto do roubo havia sido recuperado. Cerca de cinco mil em notas.
    Numa rede social, o prefeito criticava as cores com as quais as bases de algumas árvores eram pintadas.

    Num cruzamento qualquer, um acidente qualquer. Como sempre, quem voltava para casa depois de (mais) um estressante dia de trabalho pagava, dentro de ônibus lotados, por um destempero qualquer entre dois sujeitos quaisquer que, armados, resolveram tirar satisfação um com o outro. Horas de vida perdidas.

    Na Universidade Estadual, uma aluna era presa por “desacato à autoridade”. Como a briga fora entre ela e um professor, parte do corpo estudantil argumentava que não era esse o tipo de situação à qual a lei se referia. O grupo de policiais encarregados parecia simplesmente ignorar aquele detalhe, levando-a algemada. Algumas expressões pareciam aprovar a situação.

    Nas galerias subterrâneas do metrô, tudo ocorrera por demais rápido: o vulto atirara-se à frente dos vagões que, mesmo já sendo preparados para parar, não tiveram tempo suficiente de frear. Os gritos de desespero de quem presenciara aquilo ecoaram pelos túneis numa sinistra reverberação. Era o terceiro caso apenas naquele mês...

    No 12º Distrito Policial, três jovens bastante bem arrumados e completamente alucinados eram conduzidos, sem algemas, ao lado de alguns guardas e um homem de terno. Alguém comentara que era cedo demais para aqueles garotos estarem em tal estado.
    Na verdade, estavam faz 24h naquele ritmo.
    Com certeza teriam tempo para pensar sobre a situação, mas não ali. Já era muito que o advogado tivesse concordado em conduzi-los à delegacia. Estariam soltos em poucos minutos, o que deixava o delegado deveras irritado.

    Para quem vivia em Santa Dômina, aqueles acontecimentos eram corriqueiros, por mais que chocantes. Nada de novo. Apenas nomes e rostos variavam.

    Consciente ou não de tudo aquilo, uma figura permanecia de pé à frente de uma mansão algo decrépita. Ela ficava num dos caros bairros da zona Norte, sendo a mesma casa cuja fachada circulava na forma de fotos num aplicativo de mensagens, tendo como origem uma senhora que reclamava da “feiura” da construção. “Alguém tem que tomar uma atitude. Basta!”.

    Era difícil deduzir a quanto tempo estava lá ou se pretendia ou não anunciar-se à porta.
    Não se havia passado mais de 3, 4 dias do encontro de um certo Ezra com um misterioso "37".
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    Mensagem por gaijin386 em Seg Maio 27, 2019 11:38 am

    Ezra então passou dias recluso em casa sob desculpa de doença para faltar ao serviço e por sorte ele trabalha para um bom amigo e mentor acadêmico o doutor Sam White, escritor e arqueólogo que trabalha no museu e sendo um amigo de seu avô também era amigo de Ezra. Ele havia telefonado e avisado que precisaria de alguns dias.

    Logo que chegou em casa após os acontecimentos relacionados a sua condição ele havia notado que o mundo mudara ... Sua percepção de mundo tornara-se diferente do que costumava ser e no museu ele se recorda de quase ter pulado sobre o vigia ... uma voz dentro de sua cabeça o ordenava a isso contrariando completamente suas convicções não era por motivo algum simplesmente era um instinto primitivo ... animal ... feral que estava agora junto a ele a espreita-lo.

    Ele então quando voltou lembrou-se da sabedoria popular e também Hollywoodiana sobre pessoas com a sua condição e na passagem da noite para dia procurou refugiar-se no porão onde o sol não poderia atingi-lo ... Kadir mencionara que entraria em contato, porém não deixara meios para tal como um telefone ou email e então restava a Ezra esperar, mas é claro não poderia passar muito tempo ...

    De tempos em tempos ele jurava que o telefone iria tocar ou a porta seria batida, pois as checava constantemente só que numa dessas verificações havia alguém a porta. Ezra então com um pensamento de finalmente foi atender a porta...
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    Mensagem por Lnrd em Ter Jun 11, 2019 11:58 am

    De pé à soleira de Ezra havia alguém, isso era quase certeza – com as recentes revelações sobre a natureza oculta das coisas, não seria tão absurdo aceitar que o jovem pudesse receber a visita de algum tipo de visão ou que fosse acometido por uma alucinação post mortem.

    Era também quase fato não se tratar de Kadir. Ao menos não parecia em nada com o corpo anterior do 37. Talvez possuísse o poder de pular de hospedeiro em hospedeiro, ou a capacidade de modelar a própria aparência de assombrosa forma. Ou, numa explicação mais simples, provavelmente fosse outra pessoa.

    Se enviado do “mestre” ou não, só o desenrolar dos acontecimentos revelariam.

    De todo o modo, quem quer que estivesse ali vestia-se de forma tão exótica quanto o “vampiro” da outra noite, mas possuía um estilo completamente diferente, irônico, subversivo, até mesmo alegre – ou ao menos assim podia julgar alguém do mundo da moda. Quem não fizesse parte desse “milieu” provavelmente o julgaria simplesmente como estranho.
    - Ah, os estranhos portais pelos quais atravessamos. Os de cá o saúdam – as palavras, algo entoadas de maneira rítmica, como se recitadas, foram acompanhadas de uma reverência e um sorriso – Gábor – acrescentou – E eu estou tão morto quanto você.

    Discrição e morbidez pareciam não ser o lugar dele.

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    Mensagem por gaijin386 em Ter Jun 11, 2019 4:52 pm

    "Os mortos viajam depressa."


    Gottfried August Bürger



    Ezra ainda na soleira da porta observou o estranho visual do estranho visitante e de acordo com as e realmente concordou com os ditames de Bürger, mas estava ao mesmo tempo curioso quanto intrigado pela pessoa que se apresentou como Gábor em trajes que poderia talvez classificar como uma persona chamativa ou que os ingleses diriam "flamboyant". - Entendo em outros tempos diria outras palavras, mas hoje é diferente. Entre por favor. E me tire uma dúvida ... Se estamos restritos a limitação da cortesia? E claro por favor sou todo ouvidos para a informação que veio me dizer. Diz Ezra pensando que se não fosse convidado a entrar em lugares teria que ficar parado em pórticos alheios...
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    Mensagem por Lnrd em Qui Jun 13, 2019 4:28 pm

    "A morte é uma ciência inexata", sorriu o estranho em cortesia. "Qualquer um de nós provavelmente teria entrado sem problemas... mas não se espante se encontrar alguém que não o possa. A mente e o sangue podem pregar muitas peças".

    Ele projetou o corpo para frente, aceitando o convite, mas deteve-se antes de efetivamente sair do lugar.
    - Na verdade não vim para entrar, mas para fazer você sair - disse, imediatamente dando alguns passos para trás e olhando para o céu noturno.

    A cidade ainda estava quente, calor do dia retido nas ruas e construções, mas uma brisa corria anunciando que logo as coisas refrescariam.
    - Espero que esteja com fome, pois vim para te convidar para um jantar.
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    Mensagem por gaijin386 em Qui Jun 13, 2019 4:56 pm

    - Tenho coisas a aprender e muito a assimilar, mas creio que Kadir tenha te pedido para vir aqui me dar algumas dicas ... Creio que eu senti fome logo após, mas era algo muito fora do meu contexto pessoal parecia mais um animal enjaulado ... Confesso não ter gostado muito daquela sensação. Bem onde vamos? Diz pegando o casaco e as chaves para ir ao encontro de Gábor.
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    Mensagem por Lnrd em Seg Jun 17, 2019 8:27 pm

    "É a Fome, não é?", replicou aquele semidesconhecido subitamente atraído pela descrição. "Não é só um roncar de estômago, não é? É algo ansiando por mais, um algo que corre por todas as suas veias implorando por um último gole...”.
    - Melhor se acostumar, pois ela não vai embora até que você... .

    Igualmente sem aviso, ele parou, encarando Ezra de uma forma estranha, como se tentasse ler na expressão dele, na reação dele, o quanto ele sabia sobre si. Sabia que estava diante de um novato e ouvira-o falando sobre querer aprender, mas só agora tais pontos pareciam realmente atingí-lo como curiosidade.
    - Você sabe o que você é, não é? O nome é pouco importante, mas você é um vampiro, você bebe sangue para... – uma longa pausa interpusera-se no fluxo do diálogo, até que completou: – persistir.

    "Imortal é uma palavra muito... imprecisa". A opinião dele parecia ressoar a de Kadir sobre tal assunto, conforme a conversa sob o luar no jardim de estátuas. "Nós rompemos com o ciclo das coisas viventes e seguimos ficando mais fortes com o tempo, mas ainda tememos a destruição de nossos corpos e nossas mentes".

    Uma certa empolgação parecia tomar conta de Gábor quando mais falava, não como se recitasse um texto decorado, mas como se os pensamentos, acostumados a debaterem consigo mesmos em silêncio, encontrassem na voz e na interlocução uma nova vida. “Há coisas que não nos ferem e de outras podemos nos recuperar com facilidade. Apenas umas poucas coisas, como as chamas, o Sol e a ferocidade doutros monstros irmãos nos machucam de verdade, mas nunca se esqueça da cicatriz interior".

    Ele gesticulava como se dizendo uma verdade que precisava ser escutada, não sem que o conselho servisse para lembrar a si próprio.
    - Nós não somos mais humanos, humanos são o gado do qual nos alimentamos, humanos são nossos objetos para amar, brincar, punir... humanos são nossos inimigos e, mesmo assim, humanos são a frágil corda na qual nos agarramos para não despencar na profundeza... .  

    Tinha a aparência de alguém jovem, mas imputar idade a alguém que transcendera era um jogo arriscado. De toda a forma, a sombras que formaram-se não no céu, mas no olhar dele, fizeram-no parecer por um instante mais velho.
    - ... Eu apenas queria te dizer que é melhor você se acostumar com a Fome. Ela não vai embora até que você sugue toda a vida de alguém, matando pra se saciar. Mas ela retornará, pedindo mais. E quanto mais você escutá-la... quando mais você obedecê-la..., logo fara apenas isso, uma máquina matando e se alimentando. Você deve resistir o quanto puder, ou logo nada disso, essa casa, essas roupas, essas ideias que correm pela suma cabeça importarão mais. Você ultrapassará por definitivo a linha e se tornará um agente cego da morte, e o você que você conhece morrerá definitivamente, e só vai sobrar um corpo faminto.

    Ele riu, percebendo que aquele alerta de boas-vindas poderia soar sincero, real demais para um contato inicial. O inesperado “coach” sentiu a necessidade de encerrar a palestra não-planejada com uma última colocação.  
    - Não se engane: é fácil desviar do inimigo óbvio que se aproxima com uma tocha na mão. Mas aquilo que ronda dentro de você é igualmente perigoso. É um vício mais destruidor que qualquer droga. Nós a chamamos de Besta. Logo você vai perceber o como ela tenta se esgueirar por todos os seus gestos e intenções.

    Findo aquele fluxo de consciência, colocou-se em movimento na direção do carro de Ezra, o qual já havia observado anteriormente. “Vamos, não vim aqui pra conversar. Temos alguém pra eliminar”.


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    Mensagem por gaijin386 em Ter Jun 18, 2019 11:40 am

    Ezra estava no modo automático e ouvia o que Gábor dizia sobre a fome e a sensação primitiva que tivera, o papel vampiresco na nova cadeia alimentar e bem isso parecia condizer com tudo o que esperava sobre o assunto... E meio que concordava com isso até a parte sobre eliminar alguém...

    Ele disse alguém pra eliminar?? Espere. Espere um pouco isso está meio rápido demais ou eu devo ter perdido alguma coisa. Sou um arquivista, pesquisador e não o John Wick E obviamente como era péssimo jogador de poker algo deve ter transparecido para seu rosto e claro que ele vai dizer alguma coisa.

    Dentro do carro parece que a ficha caiu e dando a partida ele disse - Bem vamos para onde mesmo? Oaaaaa. Espere um pouco. Eliminar alguém?
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