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    Fantasy World - Winterbells

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    Mensagem por Hellkite em Dom Jul 07, 2019 2:57 pm


    Winterbells estava no meio de um grande campo de batalha.

    Gigantescos tambores ditavam o passo da dança enlouquecida. O som metálico das espadas que chocavam contra outras espadas misturava-se ao som sutil das laminas cortando a carne e com os gritos dos atingidos. O cheiro forte de sangue espirrado das veias e artérias estava no ar, e causava mal-estar no feiticeiro. Para qualquer lado que se voltava, ele via a violência e as mortes... não sabia quem lutava por o que, ou quem estava certo ou errado... Estava estampada a loucura nos olhos dos guerreiros e guerreiras.

    Winterbells, agoniado, põe a mão sobre os ouvidos e fecha os olhos. Ele grita, “PAREM!”

    E para sua surpresa, os sons param. Ele abre os olhos e ve todos ao seu redor paralisados.

    E ele então ouve, em sua mente, “socorro!“

    Winterbells já tinha ouvido o pedido de socorro antes. Ele grita, “aonde?“

    “Pico da montanha da agulha! Por favor, preciso de sua ajuda!”

    E então um flash rápido revela uma elfa... Uma lendária elfa... Que nos antigos tomos falavam que eram os guardiões da natureza, mas que se afastaram da humanidade depois do cataclisma.

    E ela precisava de ajuda.

    ***

    Latidos. Winterbells acorda com os latidos de um cão vira-lata, e se espreguiça. Aos poucos se da conta de que estivera dormindo, e que tudo era um sonho, um sonho que continha um pedido de ajuda. Ele olha ao seu redor e percebe que estava próximo de uma fazenda ao lado da estrada que levava para a próxima vila. Já tinha caminhado muito em sua peregrinação pelo mundo, e finalmente se aproximava das fronteiras do reino de Alabam, em direção do Pico da Agulha. O feiticeiro olha para o céu acima e decide que era hora de prosseguir caminho.
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    Mensagem por winterbells em Qui Jul 11, 2019 11:39 pm

    –  Ah... céus. – resmungou o feiticeiro, espreguiçando-se.

    A noite não havia sido a mais confortável e seus músculos estavam um tanto doloridos. Analisou rapidamente os arredores e respirou fundo.
    O cheiro do orvalho, a brisa correndo por entre as árvores... o cachorro. O panorama parecia um tanto diferente do que era há alguns momentos atrás.
    "O sonho!", exclamou subitamente e, num ímpeto, tratou de fuçar seus apetrechos atrás de alguma coisa para anotar o que ainda recordava antes que a experiência evanescesse nas brumas da mente. Haveria de ter alguma coisa naquela parafernalha ritual, ainda que o estoque de um feiticeiro errante como Winterbells não fosse nada pomposo. Uma pena e uma folha bastariam para fazer breves anotações, mas... por algum motivo, a tinta parecia ter desaparecido de sua bolsa.

    – Aaaah, merdas! Três merdas!

    Inconformado, o feiticeiro olhou fixamente para o cachorro que ali se encontrava tempo o suficiente para cogitar abordá-lo. Deveria ser um espírito trapaceiro da floresta, um daqueles com mão leve. Ele apontou o dedo para o canino, que respondeu seu desdém com mais alguns latidos, apenas.
    Era um cão comum, e a julgar pelos arredores certamente pertencia a alguém.

    – Eu não... notei essa fazenda ontem, notei? Ora essa.

    Franziu o cenho, ainda que a máscara ocultasse suas expressões. Retornou o que havia pegado da bolsa e, após uma breve checagem se estava tudo nos conformes, partiu em direção à fazenda. O que quer que os ventos do destino reservassem à ele, uma pausa decente e algumas informações não fariam mal. Quiçá um lanchinho para degustar até chegar no próximo vilarejo. Há alguns dias que alimentava-se apenas de nozes e água.
    "E eu poderia ter pedido abrigo. E tinta!", resmungava continuamente em pensamento enquanto aproximava-se.
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    Mensagem por Hellkite em Qua Jul 17, 2019 11:49 pm


    Winterbells partiu em direção da fazenda, andando por entre o mato verde. A frente de um riacho ele para, observando uma casa solitária mais acima, feita de tijolos e bem cuidada.

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    O céu estava azul, com poucas nuvens, e o ar que soprava do norte estava frio, fazendo com que o feiticeiro tremesse. Ele olha ao redor e sente o frescor da brisa que farfalha as arvores. O cheiro de agua corrente se espalhava pelo ar.

    Levantando a barra de sua roupa, Winterbells põe o pé na agua e sente um arrepio, pois estava gelada! Felizmente naquele ponto o riacho era bem raso, e havia algumas pedras sobressaindo da agua para facilitar a travessia.

    Ao chegar na margem, de longe ele é avistado por duas garotas de cabelos castanhos, que apressadamente entram na casa, para chamar seu pai. Era um homem barbudo, alto e grande como um armário. Ele se aproxima, observando a vestimenta de Winterbells e logo reconhecendo-o como feiticeiro. Sua cara mostra desconfiança, mas ainda assim ele é cordial.

    “Senhor feiticeiro! Bom dia! Meu nome é Carson... Em que posso ajuda-lo?”, diz em tom grave.

    Dentro de casa e através de uma das janelas as moças observam seu pai e Winterbells conversando. As gêmeas eram jovens e bonitas, e vez ou outra uma cochichava algo ao ouvido da outra, que ria delicadamente.

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    Mensagem por winterbells em Qua Jul 24, 2019 12:02 am

    Uh... UH! – gemia o feiticeiro ao atravessar as águas geladas do riacho.
    A temperatura da água estava desconfortável, de fato, gélida como o vento que soprava do norte.
    Ele soltou uma risadinha, contudo. Havia algo de terno naquela situação. Parou por um instante por entre as pedras e observou a água correndo ao redor de seus pés.
    Uma breve memória atravessou sua mente - uma que preferiu manter crua e sincera antes que se transformasse em palavras.

    Fez uma travessia breve. Segurava seus sapatos enquanto subia a margem do riacho em direção àquela charmosa casa. Bicho-do-mato que era, optou por aproximar-se enquanto esgueirava-se pelas árvores que circundavam a propriedade, ainda que visivelmente não dispusesse da graciosidade felina de um ladino. Winterbells era um feiticeiro... peculiar. Havia algo de realmente bobo nele. Suas vestimentas, seu modo de caminhar. Sabe-se-lá que semblante escondia por trás daquela máscara.
    Ele notou, portanto, o grande e parrudo rapaz que ali se aproximava. Intuiu que fosse o proprietário ou ao menos o responsável pelo local e percebeu em sua face a visível desconfiança.
    Observou os sapatos em suas mãos e seus pés molhados. Sua aparência já estivera melhor. Soltou uma risadinha quando o homem dirigiu-se à ele como "senhor feiticeiro".
    "Maneiras, Senhor Feiticeiro! Ao menos... maneiras!", apressou-se em pensamento.

    Oh! Bom dia senhor... Carson! É um prazer! – disse, após uma breve pausa para lembrar-se do nome que o homem acabara de dizer. Fez uma reverência. – Sinto muito por esta rude intrusão. É um viajante cansado que vos fala.

    Ele deu alguns passos lentos em direção a Carson, mas manteve-se próximo às árvores.

    Bem... já estou caminhando há algum tempo. Eu não sei quanto tempo devo tomar até encontrar o próximo vilarejo, então seria de grande valia se eu pudesse colher algumas informações aqui. Oh, e um pouco de tinta!

    "Oh, e um banho quente. O que eu não daria por um banho quente? Eles certamente comem muito bem aqui também", pensou tão alto e com tanta sinceridade que achou que Carson poderia ouvir. Isto ficou implícito em um sorriso.
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    Mensagem por Hellkite em Sab Jul 27, 2019 11:41 pm


    – Bem... já estou caminhando há algum tempo. Eu não sei quanto tempo devo tomar até encontrar o próximo vilarejo, então seria de grande valia se eu pudesse colher algumas informações aqui. Oh, e um pouco de tinta!  

    Winterbells ve o rosto do Senhor Carson se enfurecer. Ele levanta o braço para o alto e grita, “quantas vezes já falei para você não aparecer mais na fazenda! Fora dqui, Martin!”

    O senhor da fazenda pega uma pedra no chão e atira em direção do riacho, onde um jovem se encontra,fazendo zombarias. Ele foge quando Carson se dispõe a correr atrás dele. Ele volta para falar com Winterbells, limpando o suor da testa. “Desculpe, mas este moleque vem aqui se engraçar com as minhas meninas... Por favor, entre em casa!”, diz, fazendo um sinal para a porta.

    As filhas do senhor Carson, Vicky e Lynn, preparam um café da manhã simples, com frutas, pão e queijo. Elas estão ao mesmo tempo curiosas e envergonhadas com a presença do feiticeiro. O pai delas as manda para a roça, enquanto faz o desjejum com Winterbells.

    “É difícil ver um feiticeiro por estes lados”, diz Carson enquanto come um pedaço do pão, “a vila é muito afastada da capital... Não sei se posso ajudar nas informações, mas pode perguntar. Quanto a tinta, eu tenho, mas o senhor sabe, não é fácil de arranjar...”

    O fazendeiro coça a barba, olha para os lados, e se aproxima de Winterbells. Ele fala em tom conspiratório, “olha, posso arranjar a tinta, mas voce tem que me ajudar... Sabe este rapaz que afugentei, o Martin? Pois bem, ele esta querendo se engraçar com minhas meninas, e ele não presta! Se voce der um susto nele para não vir mais encher minhas paciências, eu te dou a minha tinta...e pode passar alguns dias aqui na minha fazenda”
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    Mensagem por winterbells em Qui Ago 01, 2019 9:33 pm

    A rapidez com que o temperamento de Carson mudou foi algo divertido de se observar. O feiticeiro soltou um riso breve mas não muito expressivo, afinal, queria manter a pose. Fitou a expressão do homem e acompanhou, quieto, seus movimentos enquanto ele pegava a pedra e a atirava ao riacho, em direção ao rapaz que ali estava. Pelo barulho que ouviu ela certamente não atingiu Martin. Winterbells teve que se segurar para não rir ainda que, no espaço de tempo em que Carson dispôs-se a correr atrás de seu alvo, um grande sorriso se formou na boca do feiticeiro. Ele logo tratou de desfazê-lo quando seu anfitrião retornou.

    A ele, então, é oferecido um convite para entrar na casa. Ele segue Carson até a porta com um silêncio cordial. Os comentários que gostaria de tecer agora provavelmente arruinariam sua estadia naquela casa e, apesar de seu olhar cômico em relação à situação toda, não poderia desdenhar da gentileza que lhe foi concedida. Especialmente no estado em que se encontrava: faminto, desinformado e implorando por um banho.
    Eles, então, adentram a residência.
    As condições em que o feiticeiro se encontrava o fizeram reparar imediatamente na comida. Como uma mariposa atraída por um lampião, o feiticeiro era atraído pelos alimentos. Ele apenas reparou nas garotas quando seu pai lhes ordenou que fossem à roça, e só então reparou no comportamento pueril de ambas. Fez uma reverência antes que elas saíssem.
    "Céus", pensou enquanto abocanhava com uma sutil voracidade o pão e o queijo... e as frutas, em seguida. Foi uma experiência grandiosa para seu organismo, que há dias só via nozes e água.
    O anfitrião comentou algo. Ele falava da vila.
    Oh. – ele iniciou, como se lembrando-se repentinamente de algo enquanto mastigava o pão. – Oh, sim, o vilarejo!
    Senhor Carson, este feiticeiro está em uma... LENDÁRIA jornada!
    – Winterbells gesticulava com o pão. Foi tomado por uma teatralidade inesperada após tê-lo mordido. – Eu caminho em nome daqueles que dançaram por este reino desde antes da aurora da humanidade! Minhas palavras tecem o caminho das estrelas e meus pés tocam as escamas do Grande Dragão da Terra! E para que meu miraculoso destino se manifeste, eu...
    Ele se interrompeu ao notar a euforia evidente. Fazia uma pose heróica apontando um pão mordido aos céus e apoiando o pé na cadeira. Pigarreou. Sentou-se novamente, recompondo-se. Não era o momento de agir como um bardo moribundo.
    Digo... ahm... estou atrás de uma colina. Isso, uma colina. Um pico. Pico da... Pico da Montanha da... urgh, céus, nomes deveriam ser menos complicados. Olha, eu não lembro exatamente o nome desse lugar aonde eu estou indo. Se eu pudesse desenhá-lo talvez o senhor reconhecesse.

    E então Carson fez-lhe esta proposta. Winterbells considerou que sua magnífica performance poderia ter sido executada em um momento inoportuno, mas não podia negar seus impulsos. Definitivamente havia sido criado por bardos. Ponderou se deveria aceitar a proposta, mas, considerando sua introdução, um susto por um punhado de tinta e uns dias de estadia parecia uma troca justa.
    Ele haveria de arquitetar algo interessante.

    Muito bem, senhor Carson. Sua hospitalidade é... – pigarreou novamente. Diplomacia era um jogo divertido. – ...admirável.

    Winterbells estendeu a mão direita.
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    Mensagem por Hellkite em Seg Ago 12, 2019 5:12 pm


    – Oh. – ele iniciou, como se lembrando-se repentinamente de algo enquanto mastigava o pão. – Oh, sim, o vilarejo!
    Senhor Carson, este feiticeiro está em uma... LENDÁRIA jornada! – Winterbells gesticulava com o pão. Foi tomado por uma teatralidade inesperada após tê-lo mordido. – Eu caminho em nome daqueles que dançaram por este reino desde antes da aurora da humanidade! Minhas palavras tecem o caminho das estrelas e meus pés tocam as escamas do Grande Dragão da Terra! E para que meu miraculoso destino se manifeste, eu...

    NRPG: Diplomacia. Roll 10.

    As palavras pomposas de Winterbells são recebidas com um erguer de uma das sobrancelhas do senhor Carson, que parecia ser do tipo mais pés no chão do que sonhador.

    – Digo... ahm... estou atrás de uma colina. Isso, uma colina. Um pico. Pico da... Pico da Montanha da... urgh, céus, nomes deveriam ser menos complicados. Olha, eu não lembro exatamente o nome desse lugar aonde eu estou indo. Se eu pudesse desenhá-lo talvez o senhor reconhecesse.  

    Isto era mais algo que o dono da fazenda se interessaria, auxiliar alguém pedindo por direções. Ele se levanta rapidamente da cadeira, vai em direção de um armário e retorna com um pedaço de papel e tinta. O feiticeiro faz um esboço, e logo Carson acena com a cabeça. “Sim, sim, este é o Pico da Agulha, esta na direção certa! Atravesse o vilarejo, e acompanhe o Rio das Lagrimas... Ele vai direto para a Floresta dos Sussurros, que fica nos pés da montanha. Cuidado que é território de criaturas terríveis, mas como você é um feiticeiro, não deve ter nada a temer”, diz, sem nenhum sarcasmo. Ou pelo menos Winterbells não percebeu sarcasmo nenhum...

    – Muito bem, senhor Carson. Sua hospitalidade é... – pigarreou novamente. Diplomacia era um jogo divertido. – ...admirável.

    Winterbells estendeu a mão direita.

    Senhor Carson sorri com um dos lados da boca, satisfeito. Ele se aproxima, aperta a mão do feiticeiro, e logo passa para um abraço forte. Pelo visto Winterbells já era considerado da família. O fazendeiro cheira o pescoço do rapazote e franze o sobrecenho. “Pelas deusas, voce esta fedendo! Há quantos dias não toma um banho!”, diz, e joga uma toalha e sabão para o feiticeiro. “Vá se banhar e lave suas roupas no riacho, as meninas voltam somente a tarde. Depois eu mostro o celeiro onde ira dormir!”

    **

    O tempo passou rápido, e já era tarde quando Winterbells começou sua vigília dentro da casa dos Carson. O senhor Carson tinha saído para fazer compras no vilarejo, e as meninas, Vicky e Lynn, estavam fazendo suas tarefas domesticas, como varrer a casa,  lavar pratos e preparar o jantar. As duas sempre faziam questão de fazer alguma atividade próximo de Winter, dando risadinhas e olhando curiosas para o feiticeiro.

    Mais para o final da tarde, Winterbells percebe o barulho de pedrinhas atingindo a janela. As meninas ficam alvoroçadas e vão correndo para a varanda para ver quem era. De onde estava o feiticeiro pode ver que se tratava de Martin, o rapaz da vila, que fazia mimicas indicando propostas indecorosas, aos quais Vicky e Lynn riam sem parar.
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    Mensagem por winterbells em Seg Ago 26, 2019 12:30 am

    O sol brilhava ameno quando Winterbells banhava-se no riacho. Suas roupas estavam limpas e seu cheiro não mais se assemelhava ao de um vira-lata. Ele estava apoiado em uma pedra, despido, enquanto observava a água correr pela simpática vegetação que brotava do leito. Ainda usava a máscara, contudo. Seus dedos dançaram por uns instantes fazendo movimentos circulares na água. O rapaz estava pensativo enquanto esperava suas vestes secarem. A hospitalidade de Carson não lhe foi inesperada, mas sua súbita confiança sim. E razoavelmente cativante também. Ele não apreciava esse senso de responsabilidade que discretamente surgia em si.

    Dali a um tempo, a tarde começava a se anunciar e ele haveria de retornar ao casebre. Suas roupas já haviam secado.


    Agora vestido e com um aroma ligeiramente agradável, o feiticeiro encontrava-se sentado sobre o parapeito de uma das janelas da casa. Contemplava o céu. Devido à máscara que usava, o semblante do rapaz poderia ser difícil de se ler num primeiro momento. Winterbells estava tomado por uma calma seriedade agora. Seus dedos estavam entrelaçados entre si e seus polegares faziam lentos movimentos. Aquilo parecia indicar a natureza reflexiva do momento.

    Pico da Agulha... – ele disse, baixo, enquanto uma memória breve atravessou sua mente. Por um instante, era como se ouvisse a voz daquela elfa novamente, embora sua aparência ainda lhe fosse brumosa. Quanto mais tentava recordar-se, mais nauseantes e obscuras tornavam-se as memórias. Aquele sonho não parecia divertido, e nem as colocações de Carson sobre o caminho que Winterbells haveria de tomar. Em verdade, coisas sérias pareciam estar próximas a acontecer. Ele não apreciava coisas sérias.
    Ele ouve uma risadinha e torna rapidamente o olhar para a direção do som.
    O comportamento das irmãs lhe era curioso. Apesar do breve incômodo que lhe despertava (o feiticeiro simplesmente não conseguia conceber o que havia nele de tão peculiar para que as duas moças agissem daquela forma), olhar para o comportamento das moças era como ver-se num espelho. Ele sorriu para elas. Atitudes como aquelas instigavam o gênio do rapaz e ele certamente haveria de respondê-las.
    O momento em que alguma ligação pudesse ter surgido entre Winter e as moças foi interrompido por uma repentina agitação por parte delas. Do parapeito aonde estava, saltou para fora e pôde observar a hilária figura de Martin, o indecoroso. Os gestos do rapaz da vila eram engraçados para o feiticeiro, quando não instigantes. Não hesitou em soltar uma risadinha, mas logo lembrou-se de que haveria de fazer algo sobre isto. Ele não desonraria sua parte do trato.
    Ele pôs-se, então, em uma posição em que poderia ser nitidamente visto por Martin. Apanhou um punhado de folhas secas e então iniciou uma estranha dança. Apesar de ridículo, parecia ser proposital. Ele aproximava-se do vizinho com sua estranha performance e, se daquele ponto Martin pudesse enxergar-lhe ou ouvir-lhe bem, notava que ele sussurrava coisas ao punhado de folhas e as esfregava em suas mãos. As palavras, contudo, não eram compreensíveis.

    Um certo êxtase tomou conta do feiticeiro. Já havia um tempo que ele não realizava essas façanhas. No auge do entusiasmo, resolveu que uma invocação repentina serviria de lição para Martin.
    Se tudo corresse como planejava, um pequeno ser alado – não maior que um palmo – e formado por folhas caídas, surgiria das mãos do feiticeiro e atacaria ferozmente o rosto do invasor.
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    Mensagem por Hellkite em Sex Set 06, 2019 4:04 pm

    Winterbells, ,lembrando-se do trato feito com o fazendeiro, faz os movimentos e profere as palavras necessárias para manipular o mana e transforma-la em força magica capaz de mudar a realidade. Isto era cansativo, mas ao mesmo tempo instigante para o feiticeiro. Em sua mente equações arcanas giravam , enquanto as mudanças aconteciam a sua frente, fazendo surgir uma criatura formada por folhas secas e gravetos no formato de uma grande mariposa.

    O jovem, que a principio gracejava com os movimentos malucos daquele feiticeiro mascarado, agora observava com espanto a aproximação do ser magico. E com o inicio dos ataques ele se assusta, tentando afasta-lo de si com tapas e socos, mas não consegue evitar que seu rosto seja arranhado pelo gravetos em forma de pé da mariposa de folhas. O rapaz então se poe a correr, gritando como uma mocinha desvairada pedindo por ajuda.

    Tal cena faz com que as jovens Carson riam alegremente e fiquem fascinadas com o poder do feiticeiro, que se ve imediatamente acossado pelas duas. Elas dao pulinhos como coelhas no cio, agitadas, fazendo inúmeras perguntas. ”Como voce fez isso?” “É difícil?” “Consigo fazer?” “Tem namorada?”
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    Mensagem por winterbells em Sab Set 07, 2019 10:25 pm

    A operação havia sido um sucesso. O súbito desespero que tomou o lugar do jovial assanhamento de Martin fez com que o feiticeiro soltasse uma risada breve, mas sádica. A criatura conjurada permaneceu insistente nos ataques até que sua vítima pôs-se a correr para longe. Winterbells acompanhou, risonho, com o olhar, o percurso de Martin até ele desaparecer da propriedade dos Carson.

    A criatura, então, retorna num lento vôo para as mãos do feiticeiro. "Essa... essa foi boa", comentou num tom avaliativo. Ele parecia cansado, contudo. Enquanto o fantástico lepidóptero desfazia-se novamente nos materiais que foram sua gênese, Winterbells cambaleou no passo, e caiu ajoelhado na terra ao mesmo instante em que as folhas e os galhos a tocaram. Ele suspirou, ofegante. Neste momento breve, sua visão havia ficado turva e alguns símbolos e palavras percorriam sua mente e, por vezes, sua boca. Sentiu um certo alívio por não estar sendo observado por Martin naquele momento de vulnerabilidade. Era um breve episódio de confusão devido àquela operação mágica espontânea e não muito bem planejada. O preço que se pagava por um capricho.
    Ainda ajoelhado, respirou fundo por alguns instantes.
    Tornou o olhar ao céu. A tarde ainda era uma bela dama. Logo seus sentidos voltaram ao normal e, neste momento ele percebeu que estava sendo abordado. Vicky e Lynn saltitavam alegres ao seu redor, curiosas e instigadas. Elas faziam mais perguntas do que ele era capaz de processar e responder, ao menos naquele momento. As partes que pôde compreender, contudo, pareciam ter um efeito inesperado no feiticeiro. As duas irmãs gostariam de saber como ele realizava aquelas façanhas.
    Winterbells lembrou-se de sua tribo, das lendas e canções que lá ouvia e como a floresta parecia sussurrá-las de volta, da magia que pulsava viva por entre os monolitos e como, segundo as histórias dos bardos que o criaram, aquilo era natural como respirar, como amar, como comer. E lembrou-se da ganância dos arcanistas que se aproximavam. Ele ponderou, quieto, sabendo que a curiosidade das irmãs não era nociva como a daqueles escolares cegos por controle e poder.

    Um breve silêncio. Saudade.

    Ora, minhas caras! – ele levantou, num salto, e bradando com um súbito bom humor. – Um feiticeiro nunca conta seus segredos!

    E fez uma reverência, como um ilusionista que acaba de apresentar um truque.
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    Mensagem por Hellkite em Dom Set 15, 2019 12:17 pm

    – Ora, minhas caras! – ele levantou, num salto, e bradando com um súbito bom humor. – Um feiticeiro nunca conta seus segredos!

    Vicky e Lynn se entreolham e riem jovialmente, aceitando sua resposta. Ambas o tomam pelas mãos e o levam para o interior da casa, onde o fazem sentar a mesa. Lynn vai até o fogão, e começa a cortar maças e preparar a massa de uma torta. Enquanto isto, Vicky fica sentada a frente de Winterbells, os cotovelos na mesa e as mãos apoiando o queixo, observando o mago.

    “Você é muito poderoso... ficar criando assim, criaturas magicas com folhas, que podem atacar pessoas, são coisas que ouvia minha mãe contar quando era pequena...”, diz, e de repente sua face fica triste, na lembrança da figura materna.

    Vicky volta seu olhar para Lynn, que acena com a cabeça silenciosamente. A filha de Carson inspira fundo para ganhar forças, e diz, “senhor Winterbells, peço sua ajuda para que eu e minha irmã possamos encontrar nossa mãe, que foi presa por escravistas...”

    A garota explica melhor, dizendo que faz alguns anos atrás, homens malignos invadiram as terras pacificas do povoado, e prenderam varias pessoas, inclusive a senhora Carson, para serem escravas em outras terras. O senhor Carson tentou defende-la, mas não era guerreiro, e os inimigos armados e perigosos. As meninas, que estavam escondidas no porão, ficaram a salvo, e tiveram que socorrer seu pai, que fora gravemente ferido durante a luta. Desde então o fazendeiro tem se preocupado em cuidar das filhas, incapaz de ir atrás da mãe, por medo de deixar elas sozinhas em um mundo perigoso.

    “Mas já estamos crescidas, e queremos libertar nossa mãe! Winterbells, por favor, diga que irá conosco nesta busca!”, diz Vicky, com lagrimas nos olhos.

    Off: Coloquei como poder magico a invocação da mariposa de folhas. Voce pode invoca-la novamente. Dei como poder adicional para ela a habilidade de fazer dormir um alvo. Ela permanece enquanto for necessário ou ate morrer.
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    Mensagem por winterbells em Ter Set 24, 2019 2:56 pm

    Um pensamento corria a mente de Winterbells enquanto ele fazia aquela elegante pose. "Mas olha só, eu não estou tão enferrujado quanto pensava". Talvez esse tenha sido o motivo do sorriso que se formara em seu rosto.
    O feiticeiro, então, é tomado pelas mãos pelas – até então – alegres irmãs e conduzido até sua casa. Ele seguiu, com passos desajeitados.

    Agora sentado à mesa, ele observa, inquieto, a cortesia súbita das irmãs. Vicky, então, dispara-lhe alguns elogios e lhe conta sobre sua mãe, e a mudança em seu olhar é perceptível. Se houvesse forma de compreender o semblante do feiticeiro, notaria-se que exalava seriedade. Ele acompanha o diálogo silencioso das irmãs e ouve sua história.
    Ele, inicialmente, tentou manter-se inflexível. Esta não era sua especialidade, contudo. Algo inexplicável o intrigava naquela situação. Ponderou, em pensamento, se eram os últimos raios de sol que invadiam o local e tornavam aquela situação estranhamente bela em sua tristeza. Fitou o olhar marejado de Vicky e pensou se Lynn sentia o mesmo. A figura de Carson também vinha-lhe à mente. O feiticeiro fazia um discreto movimento circular com os dedos, como se ilustrando o devaneio em que se encontrava. A sinceridade na emoção de Vicky parecia falar-lhe mais do que as palavras que saíam de suas bocas, apesar de ele ter compreendido a história.
    "A dor da saudade..." pensou, esfregando os dedos como se analisasse uma substância invisível "e a dor da perda... têm cores tão parecidas".
    E, então, um lapso. Aquela figura feminina aparecera-lhe como uma memória fugaz.
    "Quem..."

    Foi quando Vicky lhe fez a proposta. A imagem se desfez em sua cabeça na mesma velocidade em que foi criada.

    Ele observou, surpreso, e ficou em silêncio por alguns instantes. A tristeza no olhar de Vicky lhe incomodava. Aquela situação inteira, na verdade. Pensou que, se soubesse que quando elas lhe pegaram pela mão era esse o destino que lhe aguardava, teria fugido ou simulado um desmaio. Por um momento, ele cogitou seriamente escapar pela janela. Ainda era uma opção.
    Enquanto corria o olhar pelo ambiente, traçando uma fuga triunfal em sua mente, observou Lynn. Ele suspirou.

    Senhoritas... – pigarreou. – Senhoritas Carson! O futuro que me aguarda é tenebroso e incerto. Eu posso ser incapaz de mantê-las a salvo.

    Disse o feiticeiro com seriedade, mas com uma genuína preocupação em seu tom.

    Seria uma honra trazer a Senhora Carson de volta... E uma desgraça se as senhoritas encontrassem um destino pior.
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    Mensagem por Hellkite em Seg Set 30, 2019 9:07 pm

    – Seria uma honra trazer a Senhora Carson de volta... E uma desgraça se as senhoritas encontrassem um destino pior.

    Vicky e Lynn explodem de felicidade, as duas abraçando Winterbells tão forte que quase ficou sem respiração! Além disso, Lynn estava com as mãos ainda cheias de farinha, deixando o pó branco sobre o manto azul do feiticeiro.

    As duas, ao passarem o efeito súbito de alegria, percebem o quão fora do comum foi a comemoração, e se afastam, mantendo o olhar para baixo. “Desculpe-nos”, dizem em uníssono. Vicky continua, “é que você nos deixou tão felizes, isto era algo que queríamos faz muito tempo, pensamos até em chamar o boboca do Martin, mas ele estava era interessado em outra coisa”.

    A garota revira os olhos, e a irmã mostra a língua, fazendo uma careta.

    “Olha, seu Winter, papai não vai nos deixar ir, mas vamos deixar tudo preparado para sairmos amanha, sem ele perceber. Deixaremos uma carta para ele, explicando tudo e dizendo para que não se preocupe. Vamos arrumar nossas coisas para partirmos de tarde!”

    “Meninas, vocês estão ai?”, diz o senhor Carson, abrindo a porta.

    Vicky e Lynn perdem a cor, tornando-se pálidas como se estivessem mortas.

    O pai delas coloca seu chapéu na chapeleira e retira seu colete. “Como foi o nosso plano?”, pergunta, com as mãos na cintura.
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    Mensagem por winterbells em Ter Out 15, 2019 4:21 pm

    Numa reação ao súbito abraço das irmãs, o feiticeiro encolheu-se. Apesar de seu conselho, era visível que as irmãs já haviam tomado uma decisão. Envolto, ele sorriu, ainda que com um certo pesar. Para ele, havia uma ingenuidade jovial, uma coragem boa mas tão crua na determinação daquelas duas que lhe convencia.
    A efusividade das irmãs foi rapidamente dissipada com a chegada do sr. Carson, e Winterbells pareceu partilhar disto. Ele virou-se em direção ao homem, levantando da cadeira e fazendo uma breve reverência. A voz de Winterbells parecia um pouco séria quando ele cumprimentou o anfitrião:

    Bem vindo de volta, senhor Carson. – e ele virou o rosto, na mesma reverência, em direção às irmãs. – Como foi o plano, senhoritas?

    Em seus pensamentos, ponderava sobre a situação em que fora colocado e, secretamente, culpava o tear do destino. Havia algo ali que o chamava, como uma canção distante, um horizonte que ele deveria alcançar. E por outro lado, a possibilidade de trazer a desgraça aos Carson por algo que poderia ser um simples capricho de sua complicada mente. Ele não pôde evitar o discreto sentimento de culpa que o atingiu ao olhar nos olhos do homem. Não era um traidor, mas certamente um arauto do caos. Um pivô. Pensou que a máscara que usava era um excelente acessório em momentos como este.
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