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    Digna do céu

    Caelestia
    Samurai Urbano
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    Mensagem por Caelestia em Dom Jul 07, 2019 9:51 pm

    Estava admirando o céu e tinha de admitir que era um belo entardecer.

    Haviam poucas nuvens e o sol que se punha atrás da linha das árvores, lançava no céu um tom rosado que manchava o azul de forma encantadora. Uma imagem perfeita para uma bela foto.

    Emília olhou para a casa, observando a movimentação lá dentro. Podia sentir o cheiro da carne assada que sua meia-irmã Yeda, filha do primeiro casamento de seu pai, estava preparando para o jantar em comemoração ao aniversário de Betty.

    Sorriu ao pensar em sua família. Embora o encontro entre elas fosse escasso, Emília adorava Yeda e esta sempre fazia de tudo para agradar, principalmente as sobrinhas, nas raríssimas vezes em que apareciam para visita-la.

    Betty era a filha caçula de Emília e completaria seu primeiro ano de vida no dia seguinte. Ela era filha de seu casamento com Carlos. Mas além da bebê, Emília também era mãe de uma menina de onze anos, chamada Alissa, que era fruto de um relacionamento que teve na adolescência.

    Ela, que neste momento estava sozinha na varanda da casa, olhava de longe a interação entre eles. Carlos, que tinha Betty no colo, Balançava a menina de um lado para o outro, tentando faze-la dormir e Yeda estava as voltas com Alissa, que parecia interessada em saber o que a tia fazia na cozinha.

    Respirando fundo, seu sorriso foi morrendo aos poucos e ela voltou seu olhar para o terreno da casa. A quanto tempo não vinha àquele lugar? Sempre que queria encontrar Yeda, insistia que a irmã que fosse até ela, preferindo se manter longe dali. Mas depois de anos e tantas recusas, desta vez, não conseguiu fugir do convite.

    Ela sempre se sentia incomodada naquela casa. Era como se sempre tivesse alguém a observando. Assombrando. Tinha realmente algumas lembranças de momentos que não foram bons. Lembranças de coisas que não podia explicar e que, ainda hoje, lhe causavam medo.

    Yeda sempre achou aquilo tudo bobagem, dizia que nunca havia visto nada de estranho, e por vezes fazia pouco caso do medo de Emília.

    Mas Emília sabia que não era bobagem. Sabia que o que sentia, via e ouvia era real. Muito real. E sabia que sua mãe compartilhava do mesmo medo, pois inúmeras vezes a havia pego  observando o quintal a noite, pela fresta da cortina, e a ouvia comentar com seu pai que se sentia “observada pelas sombras”.

    Verdade que, mesmo depois de ter se mudado, ela nunca havia se livrado completamente de passar por situações assustadoras, mas nada que chegasse próximo a frequência e intensidade do que vivenciara naquele lugar.

    Olhando novamente para o céu, percebeu que o sol já havia se posto por completo e as luzes da casa haviam sido acessas. Olhou rapidamente para a última janela daquele lado da casa, seu antigo quarto, e de volta para o quintal. Não sabia se era devido as lembranças, mas estava se sentindo incomodada, como se mais uma vez aquele lugar a observasse.

    Ouviu um barulho que parecia vir de algum lugar próximo à janela de seu antigo quarto e se virou assustada. Não viu nada de estranho, mas um pequeno arbusto, que se lançava para a parte de trás da casa, se mexia levemente, o que ela explicou a si mesma ser causado por uma brisa ou algum animal pequeno, talvez um rato que havia passado. Mesmo assim seu coração batia acelerado pelo susto. Encarou a janela escura por mais alguns instantes antes de entrar na casa e se juntar a sua família.

    ...

    As horas haviam passado rápido e o jantar ficado para trás.

    Betty dormia em seu bebê conforto e Alissa assistia TV na sala, enquanto os três adultos conversavam na cozinha.

    - Ah, deixa disso, Emy. Alissa já disse que quer ficar. E faz tempo que não vejo minha afilhada. Vocês vão encarrar mais de duas horas de estrada até chegar em casa. Deixa a menina passar esse final de semana aqui comigo. Prometo que levo ela para casa no domingo. – Yeda pediu.

    - Eu não vejo problemas, se a Alissa quiser mesmo ficar. – Carlos disse, enquanto erguia as mãos, em sinal de rendição.

    - Não sei, não. Você sempre soube que a ideia de deixar a Alissa aqui, nunca me agradou. – Emília respondeu contrariada.

    - Não acredito que isso ainda é por causa da droga do medo que você tem dessa casa. Qual é, Emília! Já disse que não tem nada de errado com a casa. Eu moro aqui, lembra? E posso assegurar que nunca vi nada estranho. E pelo que parece, Alissa não compartilha do seu medo. Então, não entendo de não deixar a garota ficar. Se não gosta da casa, pelo menos confie em sua irmã!.

    - Eu confio em você. Eu não confio é na casa.

    Nesse momento, Carlos franze a sobrancelha e olha curioso da esposa para a cunhada, esperando que, talvez uma delas, esclarecesse a situação.

    - Emília diz que tem espíritos morando nesta casa.. – Yeda responde com impaciência.

    Emília suspira alto e se levanta.

    - E tem mesmo! Eu nunca gostei dessa casa, tá legal. Eu vi coisas aqui que nunca soube explicar...

    - Ah sim. Eu lembro. Ela vivia vendo vultos que passavam de um cômodo para o outro da casa. Ou dizia que tinha visto um vulto na janela observando a gente. Acredita que uma vez ela veio correndo dizendo que tinha visto uma pessoa “muito estranha” nos fundos do quintal? Quase matou o nosso pai do coração. E adivinha? Não só não tinha ninguém, como não tinha nenhum vestígio que alguém havia passado ali... Certa vez ela ficou tão enlouquecida de medo, que a nossa cadela quase a atacou... Sem contar que ela era sonambula e por vezes dizia que “sombras” entravam no nosso quarto e queriam lhe fazer mal.. – Yeda contava com tom de descrença. – Uma vez nós a encontramos em pé, no quintal de casa, as 4h da madrugada, os pés e a camisola todos sujos de lama. E foi depois disso que passei a dormir no mesmo quarto que ela. E eu particularmente NUNCA vi nada. Para mim, ela deveria ter o tal terror noturno e imaginava essas coisas..

    - Uma vez ela me falou de vultos lá em casa também... – Carlos diz pensativo.

    - Ih, continua com isso, é?.

    - Caramba, que droga! Eu já disse que não era imaginação. EU VI, tá legal. Eu via vultos e ainda vejo. Nada tão assustador quanto eu passei aqui, mas é real, droga. Eu não sou maluca de inventar algo para ficar com medo à toa. – Ela respirava rápido, nervosa. – Sabe o que é você ser criança e adolescente e ver vultos te observando pela casa? Quantas vezes eu estava na cama, tentando dormir e via esses vultos passando pelo corredor. Por vezes paravam em nossa porta e pareciam que nos observavam dentro do quarto. Se eu acho que são espíritos? Sim, eu acredito. Eu acho mesmo que esta porcaria de casa é mal-assombrada. Por que eu nunca fui louca e não vejo outra forma de explicar o que eu passei aqui.

    Seus olhos encheram d’água e ela começou a andar de um lado para outro, abraçando o corpo, enquanto sua respiração ficava cada vez mais ofegante. E continuou com a voz alterada.

    - Você nunca acreditou, Yeda. Mas você sabe que minha mãe acreditava. Você sabe que as vezes ela ficava estranha, como se estivesse com medo. Talvez... Talvez nem todos possam ver.... Eu lembro de uma vez que estava dormindo e fui acordada por um barulho dentro do quarto... Tinha alguém lá dentro. Mas só via o vulto... Parado... Me olhando – Neste momento o olhar de Emília parecia vazio, sua voz sem emoção, enquanto lembrava do acontecido. - Eu não conseguia me mexer. Eu estava com tanto medo... Quando o vulto se mexeu, vindo em minha direção, me senti paralisada, nem gritar eu consegui... Mas aí ouvi a Laika latir e consegui me cobri até a cabeça. Algo deve ter acontecido, porque eu ouvi a voz da minha mãe, como se ela conversasse com alguém no corredor, mas não tive coragem de me descobrir para ver... Mas depois disso, tudo ficou muito quieto e quando tive coragem de tirar o lençol, não vi mais o...  vulto. – Ela piscou e voltou a falar em um tom bravo. - E já cansei de dizer que a Laika não ia me atacar. Eu estava distraída brincando e quando ela veio latindo, estava pronta para atacar algo que estava atrás de mim, depois da cerca.

    Carlos se levantou e abraçou a esposa.

    - Fique calma. Seja o que for que tenha te dado tanto medo, isso já faz tempo. Deixa isso para trás. Passou. – Beijou a testa da mulher

    Yeda apoiava a cabeça em uma das mãos e apenas observava.

    Emília respirou fundo, tentando se acalmar, e olhou para o marido.

    - Para mim é difícil... Mas tudo bem. Vocês devem ter razão. Vou deixar para trás. É um medo meu e Yeda nunca passou por isso. Alissa pode ficar. Mas, por favor, Yeda... Deixe que ela durma com você esses dias...

    ...

    Uma hora depois estava tudo arrumado. Betty estava em seu bebe conforto dentro do carro e Emília e Carlos se despediram de Yeda e Alissa, antes de partir rumo a casa deles.

    Pelo espelho retrovisor do carro, Emília observou as figuras de sua filha e irmã diminuírem, enquanto o carro se afastava, até desaparecerem por completo.

    ...

    01:39 am

    - Parabéns, filha! – Emília havia se virado para trás, observando sua caçula que dormia tranquilamente.

    Em menos de uma hora estariam finalmente em casa. Já era madrugada e àquela hora a estrada que ligava as duas cidades, além de mal iluminada, costumava ser quase deserta, o que fazia a viagem se tornar relativamente mais rápida.

    Ainda sentia o corpo tenso e tudo que queria era chegar e tomar um bom banho antes de cair na cama.

    - Você está bem? – Carlos perguntou, enquanto mantinha os olhos na estrada. – Digo, depois de hoje e toda aquela história... Você realmente acredita que passou por aquilo tudo, né?

    - Sim. – Emília se virou para frente no banco e suspirou. – Por favor, tenho certeza que não imaginei aquilo tudo.

    - Eu sei, eu sei. Não estou duvidando de você. É que apenas... Você acha mesmo que sua antiga casa é assombrada? Você nunca falou sobre isso.

    - Tenho certeza que é. Não gosto do assunto, por isso não falo. – Ela fez uma pausa. – Minha mãe era muito religiosa. Ela acreditava em espíritos... Uma vez eu e ela vimos, pelo canto do olho, um vulto passar correndo de um quarto para outro ao mesmo tempo. E então ela me contou que ela sempre viu esses espíritos. Que eles costumavam aparecer para ela e que ela tinha muito medo. Por que eles são sempre escuros, sabe... Ela dizia que isso não era bom. Que quando são escuros é porque são malignos e nos querem fazer mal. Ela dizia que deveríamos fazer o possível para sermos dignas. Dignas do céu, para assim conseguirmos ver os espíritos de luz. – Ela olhou para Carlos. - Então, talvez eu seja igual a ela... E precise melhorar como pessoa, para não ver mais esses vultos escuros...

    - Bobagem! Você é uma das melhores pessoas que conheço. – Ele fez uma pausa. – Mas você disse que ainda vê esses espíritos?

    Ela respira fundo e volta a olhar para a estrada

    - Menos que na casa que era dos meus pais, mas sim. Ainda vejo. Eles me assustam porque sempre estão observando... Como se esperassem algo.

    - Lá em casa? Com as nossas meninas? – Ele pergunta e olha para a esposa.

    - Sim – Ela olha para Carlos e responde com cautela.

    O clima fica pesado dentro do carro. E a impressão que tiveram era como se o ambiente houvesse ficado mais escuro do lado de fora.

    Neste momento o rádio do carro para tocar passando a emitir um ruído agudo e tiveram a impressão que o motor do carro havia falhado, como se houvesse desligado e religado em uma fração de segundos, e isso faz com que eles voltassem a olhar para a estrada. Havia algo lá, parado a poucos metros de distância.  Parecia uma pessoa, mas eles não puderam dizer, pois uma forte luz os cegou naquele momento.

    Desesperado, Carlos pisa no freio de forma repentina, enquanto gira todo o volante na direção do acostamento, tentando desviar do que quer que fosse que estivesse a frente. O movimento brusco, somado a velocidade, fizeram com que Carlos perdesse o controle do carro, que acabou saindo alguns metros da estrada e capotando.

    ....

    2:03 am

    Havia um som. Parecia distante, mas ia ficando mais alto aos poucos. Que som era esse? Parecia algo familiar. Ela sabia que era familiar. Mas o que poderia ser? Ela se perguntava, tentando se concentrar no que ouvia. Então percebeu. Era um bebê. O choro de um bebê. Era o choro de Betty.

    Abriu os olhos lentamente. Sentia que tudo doía. Agora o choro de Betty soava alto e nítido. Percebeu que estava de ponta cabeça, presa pelo cinto de segurança, e então se lembrou da pessoa na estrada e do carro capotando.

    Com algum esforço, conseguiu olhar para trás e viu que Betty, apesar de estar chorando, estava viva e parecia bem, totalmente presa a sua cadeirinha.

    Relaxou e então se lembrou de Carlos. O lado dele no carro parecia mais danificado e ele estava inconsciente, mas não conseguiu ver se ele estava ferido. Queria tocar no ombro do marido, mas percebeu que, devido a uma dor muito forte, não conseguia mexer o braço que estava mais próximo de Carlos.

    Estava tentando soltar o cinto, queria sair do carro e tentar encontrar ajuda, quando viu novamente uma luz forte, que vinha da direção da estrada. Era uma luz extremamente branca e brilhante e por um instante ela parou e franziu a testa. Tateou o corpo. Chegou a pensar que havia morrido e que o céu estava enviando seus mensageiros de luz para leva-la a sua morada definitiva

    Mas então a luz foi perdendo a intensidade até parecer com o farol de um carro parado na estrada. E ela chegou a pensar que talvez fosse alguém que vinha socorre-los até olhar pelo retrovisor.

    O que ela viu fez sua espinha gelar. Seu coração bateu descompassado e sua respiração ficou curta. Sem tirar os olhos do retrovisor, ela conseguiu soltar o cinto de segurança e, ignorando a dor que tomava conta de seu corpo, começou a forçar a porta.

    Após o que pareceu ser longos minutos, quando por fim conseguiu abrir a porta, deu uma última olhada pelo retrovisor. As figuras permaneciam paradas no acostamento da estrada, e mesmo estando contra a luz, Emília sabia que aqueles eram os vultos que sempre a assombraram.

    Por algum motivo não deveria ser digna do céu. Pois eram os espíritos sombrios que estavam ali para leva-la. Talvez fosse isso que eles sempre esperaram, pelo dia em que ela finalmente deixaria essa existência física e eles então poderiam arrasta-la com eles para a escuridão.

    Desesperada, ela viu quando eles começaram a avançar em direção a ela.

    Digna do céu Aliens

    Com esforço, Emília jogou o corpo para fora do carro e começou a se arrastar, usando apenas um dos braços. Sentia a grama úmida pelo sereno passar pelo rosto. Cravava os dedos na terra, tentando conseguir apoio para lançar seu corpo a frente e se arrastar mais, se afastando do carro.

    Os passos se aproximavam. Nitidamente não tinham pressa. Como se soubessem que ela não poderia escapar.

    Emília começou a chorar e a orar pela ajuda de Deus. Seu corpo doía. Sentia cortes em sua perna e a cada movimento seu braço estalava e doía mais. Havia se afastado cerca de dois metros apenas do carro, quando sentiu uma mão fria agarrar seu tornozelo.

    - NÃO! - Gritou desesperada e teria chutado e não fosse pela forte dor que sentia.

    Fechou os olhos enquanto sentia seu corpo ser virado de barriga para cima. As lágrimas quentes escorriam, e agora se acumulavam em seu ouvido.

    - Abra os olhos, humana – Não tinha certeza se tinha ouvido ou imaginado, porque não parecia um som vindo do exterior. – Nenhum humano é digno, mas você tem a atenção do céu.

    Ela abriu os olhos e viu grandes olhos negros a encarando.

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    Olhos que pareciam ver fundo em sua alma, e em fração de segundos, todos os vultos que assombraram sua vida tomaram forma e ela se lembrou de tudo.

    O pequeno ser correndo de um cômodo a outro da casa.

    Passando dentro de casa::
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    A sua cadela Laika latindo para o pequeno alienígena que observava além da cerca da casa.

    Além da cerca::
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    Os seres que entravam no seu quarto a noite e que levavam sua mãe.

    No quarto::
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    Eles eram horríveis e ela ia gritar de pavor, mas não teve tempo. Aqueles olhos negros se tornaram hipnotizantes e sua mente ficou entorpecida. Sentiu que caiu em uma profunda escuridão.

    ...

    3:21 am

    Havia um som longínquo novamente. Dessa vez pareciam sirenes. Ela abre os olhos e percebe que era o som de uma ambulância.

    Tenta olhar em volta, mas não consegue. Havia sido imobilizada e colocada em uma maca.

    - Onde estou? O que aconteceu? Onde está a Betty? Carlos? Eles estão bem? – Estava tudo confuso em sua mente, mas se lembrava vagamente do acidente. E dos espíritos escuros observando o acidente. Talvez, se ela tivesse morrido, eles a tivessem carregado para a escuridão.

    Sem se lembrar do que os vultos eram na realidade, ela chorou, enquanto a ambulância seguia para o hospital mais próximo.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS:
    Segundo relatos, muitas vezes, principalmente em caso de vítimas recorrentes, os alienígenas substituem a imagem deles na memória dos abduzidos por outra coisa.
    Pode ser um encontro recorrente com a mesma pessoa, ataques de animais ou espíritos. Mas a mente, que mesmo no esquecimento não pode ser totalmente enganada, sabe que se trata de uma situação de risco e essas situações passam, geralmente, a ser causadoras de grandes medos e fobias.
    Quantos segredos existem? Quantas verdades existem? Será que ela esta realmente lá fora?
    No que você acredita?
    Talvez eu continue essas histórias... Talvez.

      Data/hora atual: Seg Jul 22, 2019 4:46 am