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    O Causo do Cumpádi

    Tellurian
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    O Causo do Cumpádi Empty O Causo do Cumpádi

    Mensagem por Tellurian em Seg Jul 08, 2019 3:49 pm

    Noite, cumpádi!

    Se aprochegue na fogueira que o café tá quase pronto. A noite tá fria, mas a cachaça ta ardendo feito o Cão!

    Comprei essa garrafa lá na venda do Tonico. Ele trouxe essa daquele alambique que fica lá perto de Diamantina. Trem bão, cumpádi. Bão dimais da conta.

    E isso até me alembra um causo que se sucedeu quando eu tava de viagem pra lá daquelas banda.

    Fui visitar o primo Tião, que morava numa cercania longe da cidade. O primo tinha um sítio que chamava Vista Alegre, terra boa, com nascente e tudo. Prantava mio, fejão, mandioca e ainda criava umas galinha. Ele tinha chamado eu e minha senhora pra passá uns dia praqueles lado, por conta do casamento dele com Maria.

    E foi assim que a gente fumo parar praqueles lado. Fazia já dois dia quando primo Tião disse que ia se metê no mato pra caçar, e me chamou.

    Catamo dois trabuco que o primo tinha de herança, pegamo umas lata de fejão e de café. Se despedimo das muié e fumo embora eu, Tião e o cão Rondante.

    Já tardava três noite no mato quando Rondante danou a ladrar. Tião mais eu tava correndo atrás duma paca quando ouvimo os uivo do cão.

    Demo uma carrera na direção dos latido, e quando chegamo na clareira, demo de frente com um preto veio com a fogueira acesa, passando um café.

    Tal qual tamo agora aqui, cumpádi!

    Rondante tava bravo, rosnava e uivava, mas Tião achou que ele tava estranhando o preto, que tava de terno e tinha cheiro de cravo, como se fosse um defunto que fugiu no meio do velório.

    Ele alevantou a cabeça quando viu que nós entramo na clareira, como se nem tivesse tomado conhecimento de Rondante.

    E chamou nóis, perguntando se a gente queria tomar um pouco do café. O velho quase que não tinha os dente, mas sorria o tempo todo. Eu e Tião achamo por bem sentar na fogueira e tomar um café, que a noite ia longe. Assim, sentamo com o preto veio e esperamo ele cabá de passar o café.

    E sucedeu do café ficar pronto, e a gente esticou a caneca pra ele servir. Enquanto servia, o véio perguntou qual que era o santo da nossa devoção. Eu falei pra ele que era devoto de Nossa Senhora Aparecida e ele arrespondeu:

    “Santa boa, essa. Mãe de Jesus, vela pelos home na hora da morte.”

    E aí que aconteceu, cumpádi. Eu me alembro como se fosse ontem.

    O raio do café do preto véio saiu do bule soltando fumaça e tudo, mas nem chegou a encostar no fundo da caneca. Ela passou direto, como se o fundo não fosse fundo e o café não fosse café, e quando pingou na perna, ao invés de queimar só fez frio.

    Foi quando o cumpádi gritou: “Danou-se! Corre, cumpádi! Corre que é assombração!”

    Danamo numa carrera mata adentro até a clareira ficar longe e a mata rarear. O troço corria atrás feito uma sombra, mas cada vez que chegava perto, Rondante tentava morder a canela do véio e ele ficava pra trás. Chegamo no pasto fora da mata, e avistamo uma capela no longe. Corremo pra lá até as perna bambear, mas chegamo num tiro.

    Quando entramo na capela, eu virei e gritei:

    “Valei-me minha nossa senhora! Vade retro, assombração!”

    O preto veio guinchou e caiu, com Rondante ainda mordendo a perna. Como se fosse fumaça, sumiu no preto da noite, e nunca mais a gente viu.

    Voltemo eu mais Rosinha pra casa no dia seguinte, sem nem olhar pra trás. E isso já faz pra mais de dois ano.

    O primo mandou uma carta esses dia. Parece que tá bem, a muié vai ter neném e chamou nóis pro batizado.

    Mas não sou bobo não, cumpádi! Dessa vez, quando o batizado acabar, e Tião quiser se meter no mato pra caçar, a gente leva o padre junto!

      Data/hora atual: Qua Jul 17, 2019 12:05 pm